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DESIGN

Brasil também faz design em

Milão Por Fah Maioli

Foto Clarence Gorton / Divulgação

Antes dos Campanas existiram Tenreiro, Rodrigues, Zalsuzpin, Graz e Scapinelli

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Foi emocionante verificar a acolhida do público presente em Milão aos mestres e novos talentos brasileiros do mobiliário nesta edição do FuoriSalone. Duas grandes exposições, localizadas em duas áreas nobres de Milão, como a Piazza dei Mercanti (Duomo) e o Spazio Miticoro (Porta Romana) trataram de design 100% brasileiro. A primeira, realizada no Spazio Miticoro, chamava-se Brazilian Modern, curada por Monika Unger e Cinzia Ferrara, e dedicada a criatividade vivas, a expressividade e a habilidade dos mestres modernistas brasileiros do período entre 1950 e 1970, como Sérgio Rodrigues, ícone do design de mobiliário brasileiro, inspirador e convidado especial do evento. Incluía, também, obras do pioneiro Joaquim Tenreiro e Scapinelli, entre muitos outros, até hoje desconhecidos. Esta exposição foi um testemunho raro de um momento histórico em que o Brasil produziu um extraordinário, e, às vezes, extravagante, legado de peças de mobiliário como uma resposta à abordagem rigorosa da Europa para o design. Um tempo onde as habilidades de marcenaria, as capacidades criativas e o espírito original dos arquitetos e designers brasileiros enfrentavam, no Brasil, o imprevisível humor do pós-guerra. Novas visões políticas e artísticas estiveram na base de um único movimento criativo que produziu um estilo distinto: inspirado por suas raízes europeias, integrou preciosos materiais locais, como Jacarandá, e utilizou os recursos de artesãos locais. A exposição destaca a “modernidade” tropical, dirigindo-se a nova elite cultural e intelectual de um país dinâmico e emergente. Um movimento onde numerosas contribuições à arquitetura e ao design foram inspiradas pelo movimento moderno, que propôs inovadores modelos arquitetônicos e de viver por mestres como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Esta nova abordagem do espaço era necessária em um tipo totalmente novo de mobiliário, em conformidade com a sociedade em rápida mutação; um novo conceito de “bem-estar” e de “modo de vida contemporâneo” no Brasil. Os curadores, Cinzia Ferrara, arquiteta e lighting de-

Jacarandá and Cane Chairs, c.a. 1960, designer Joaquim Tenreiro.

signer, e Monika Unger, arquiteta e especialista em mobiliário modernista,

cariocas, de Sérgio Rodrigues a Ricardo Graham Ferreira. Patrocinada pelo

possuem uma grande paixão pelo design de mobiliário brasileiro e o desejo

Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico,

de partilhar com o vasto público do “Fuori Salone” esta página única do nosso

Energia, Indústria e Serviços - Sedeis -, o Sebrae/RJ, a Promos e a Câmara

design que apenas um grupo muito pequeno de especialistas e conhecedores

Italiana, ao lado de outros parceiros, e com a curadoria de Ricardo Leite e

são hoje familiares. Com o objetivo, cita Monika, de mostrar a importância

Cláudio Magalhães, o setor mobiliário foi representado na mostra por obras

universal e a visão do modernismo brasileiro através do trabalho de pioneiros

como a sinuosa mesa Gaijin, de Bruno Novo; o banco componível Deck criado

como Tenreiro, Rodrigues e Scapinelli.

pela Habto Design; e o banco Trovador, de Ricardo Graham Ferreira, produzido

A segunda, realizada no Palazzo Affari ai Giureconsulti, ao lado da Duomo, chamada Rio+Design mostrou 150 obras assinadas por mais de 30 designers

com madeira certificada e construído com técnicas artesanais aprendidas na sua formação com ebanistas franceses e italianos.

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Foto Clarence Gorton / Divulgação

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Jacarandá and Glass Cabinet, c.a 1960,

Fotos Alessandro Bon / Divulgação

designer desconhecido.

Cadeira BS41, de Cadeira BS41, de Bernardo Senna; cadeira Tupi, de Leonardo Lattavo e Pedro Moog; e poltrona Theo, de Fernando Jaeger.

Smarthydro, design de Guto Indio da Costa

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Fotos Alessandro Bon / Divulgação

Bicicleta Chico, projeto da Fibra Design; Cadeira Maneric, design de Claudia Kaiat para Hok Design.

Penboo, da Tatil Design

Banco Trovador, de Ricardo Graham; e a poltrona Kilin, de Sergio Rodrigues. Na Rio+Design, projetos de duas gerações do design carioca.

Távola Gaijin, de Bruno Novo

Polltrona Theo, de Fernando Jaeger.

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