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Ano 22 Número 228 Dezembro 2017

Omar Ajame, CEO

Emir Zanatto, COO

Bruno Zangari, CFO

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editorial

Ano 22 - nº 228 Dezembro 2017 Esta revista é uma publicação independente da Correcta Editora Ltda e de público dirigido Diretora de Redação: Kelly Lubiato - MTB 25933 klubiato@revistaapolice.com.br Diretor Executivo: Francisco Pantoja francisco@revistaapolice.com.br Repórteres: Amanda Cruz amanda@revistaapolice.com.br Lívia Sousa livia@revistaapolice.com.br Executiva de Negócios: Graciane Pereira graciane@revistaapolice.com.br Diagramação e Arte: arte@revistaapolice.com.br Articulista: J. B. Oliveira Foto Capa: Douglas Assarian (Antranik Photos) Tiragem: 15.000 exemplares Circulação: Nacional Periodicidade: Mensal CORRECTA EDITORA LTDA Administração, Redação e Publicidade: CNPJ: 00689066/0001-30 Rua Loefgreen, 1291 - cj. 41 V. Clementino - Cep 04040-031 São Paulo/SP Tel. (11) 5082-1472 / 5082-2158 Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não representando, necessariamente, a opinião desta revista.

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2018 será mais difícil? Ouvi esta frase de executivos de seguradoras e, confesso, me assustei. Em um cenário de inflação na casa dos 4% em 2017 e com taxas de juros mais baixas, as companhias seguradoras terão que procurar o resultado operacional a todo custo. Aquelas que já investiram no saneamento de sua carteira certamente terão alguma vantagem competitiva. Este é um problema cíclico do mercado de seguros. Certamente, não haverá espaço para guerra de preços. Da mesma forma, os corretores de seguros deverão sair em busca de novos negócios, seja na forma de comercializar ou nos produtos comercializados. A transformação digital que é citada por todos já está incorporada ao mercado. A telemetria deve adequar os produtos à forma de uso dos consumidores. O perfil do consumidor também mudou. Ele não quer mais adquirir alguma coisa que não vai usar. Por isso, os serviços agregados farão ainda mais sentido nestes novos tempos, sejam eles para a residência do segurado, para a viagem, para melhorar a atenção à saúde. Inovação será uma palavra tão incorporada ao vocabulário quanto prêmio ou sinistro. E, por aqui, continuaremos seguindo pelo caminho de um conteúdo de qualidade, para atender às necessidades daqueles que querem saber o que acontece no mercado de seguros brasileiro, as tendências e repercussões. Continuaremos investindo na cobertura de eventos online, em diversas plataformas digitais. Todo o trabalho desenvolvido pela Revista Apólice rendeu três importantes reconhecimentos: o Prêmio Especialistas 2017, promovido pelo Centro de Estudos da Comunicação; o Prêmio de Jornalismo do Sincor-GO e o Prêmio Nacional de Jornalismo em Seguros, realizado pela Fenacor. Só temos uma palavra a dizer: obrigado! Que venha 2018! Boa leitura!

Diretora de Redação

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sumário 7 | painel 12 | gente 14 | capa Pioneira na otimização do trabalho do corretor com o lançamento do Teleport, a TEx Tecnologia caminha para ser uma das maiores empresas tecnológicas voltadas ao mercado de seguros

20 | cidadania

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Prefeitura de São Paulo recebe doação, sem contrapartidas, de serviço de monitoramento

24 | educação Soluções são discutidas em diversas esferas, mas o bullying está longe de ter um fim. Setor reforça amparo às escolas e aos alunos com seguro de Responsabilidade Civil

27 | escolar A regulamentação dos transportes escolares é feita pelos municípios, que também são os responsáveis pela sua fiscalização

28 | previdência

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Com as mudanças propostas para a reforma da Previdência Social, a previdência complementar ganha destaque e mais atenção da sociedade

32 | eleições O ano de 2017 marca mudanças importantes no Clube dos Corretores de Seguros da Costa da Mata Atlântica e no Sindicato dos Corretores de Seguros da Bahia, de Goiás, de Pernambuco e de Sergipe

33 | lançamento

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Empresa lança serviço de atendimento e acompanhamento de sinistro nas carteiras de automóvel, vida, RE, RC e fiança locatícia para facilitar a vida dos corretores de seguros

34 | viagem Descansar não deve ser motivo para deixar os seguros de lado. Erros, acertos e experiências podem definir como serão as viagens das férias

37 | reconhecimento Entidade entrega medalhas de homenagem para personalidades do setor de seguros

38 | eventos

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40 | simpósio Clube Internacional de Seguro de Transporte promove evento para debater as mudanças e desafios do setor

42 | comunicação


painel destaque nn

Marco Antonio Rossi é homenageado na Fides

A Federação Interamericana de Empresas de Seguros (Fides) homenageou, na XXXVI Conferência Hemisférica de Seguros, Marco Antonio Rossi com o prêmio de segurador com maior destaque, cuja morte completou dois anos. O executivo presidiu a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e a Fides entre 2013 e 2015, além da Bradesco Seguros entre 2010 e 2015. A premiação póstuma foi recebida pelo atual presidente da CNseg, Marcio Coriolano, durante a conferência realizada em El Salvador. “Rossi sempre será lembrado por suas conquistas importantes para a indústria de seguros e para o Brasil. Um homem de diálogo, ele foi reconhecido por seu dinamismo, sua capacidade de liderança e por sua doçura em lidar com todos ao seu redor”, destacou Coriolano.

automóvel nn

Aprovada livre escolha de oficinas A Câmara dos Deputados aprovou a proposta que garante aos contratantes de seguro de veículos o direito de livre escolha das oficinas mecânicas e reparadoras, sempre que for necessário acionar o seguro para cobertura de danos ao veículo segurado ou de terceiros. O texto segue para o Senado, após receber sinal verde em última instância pela Comissão de Constituição e Justiça. A proposta foi aprovada com emendas. As centrais de atendimento devem assegurar o direito de livre escolha da oficina reparadora e não apenas informar sobre esse direito. Além disso, os veículos de terceiros só podem ser levados para reparo nas concessionárias se ainda estiverem na garantia.

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painel reconhecimento 1 nn

reconhecimento 2 nn

Apólice leva Prêmio Nacional de Jornalismo em Seguros

Editora da Apólice recebe Prêmio Especialistas

A Revista Apólice obteve a conquista máxima na categoria Imprensa Especializada do 2º Prêmio de Jornalismo em Seguros, promovido pela Fenacor. A matéria vencedora foi “Um empurrãozinho para quem está começando”, da editora Kelly Lubiato, que fala sobre os avanços disruptivos do setor e aborda a aposta do mercado segurador nos desenvolvedores de empresas para criar soluções capazes de revolucionar seus produtos e serviços. A cerimônia de premiação aconteceu no dia 29 de novembro no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

O Prêmio Especialistas 2017 contemplou os jornalistas vencedores em 31 segmentos da economia. A iniciativa já está em sua terceira edição e é promovida pelo Centro de Estudos da Comunicação (CECOM) e pela revista Negócios da Comunicação. Na categoria Seguros, os escolhidos foram Antonio Penteado Mendonça, colunista do Jornal O Estado de S.Paulo; Bóris Ber, apresentador do Programa Seguro; e Kelly Lubiato, editora da Revista Apólice. “O mais importante deste prêmio é que ele é um reconhecimento dos nossos pares jornalistas e comunicadores, que escolhem os especialistas de cada setor em votação livre”, afirmou a jornalista.

Kelly Lubiato recebe o prêmio de Rivaldo Leite, da Porto Seguro

Carlos Alberto Trindade, da SulAmérica, entrega o troféu a Kelly Lubiato

reconhecimento 3 nn

Apólice vence o 3º Prêmio Sincor-GO de Jornalismo Duas matérias da Revista Apólice conquistaram o 3º Prêmio de Jornalismo do Sincor-GO. Assinadas pela repórter Amanda Cruz, “Ferramentas para crescer” e “O destino das cargas” foram destaque na categoria Mídia Especializada. A primeira reuniu os principais temas abordados na abertura do 20° Congresso de Corretores de Seguros, realizado em Goiânia de 12 a 14 de outubro deste ano, e revela as preocupações e perspectivas de grandes nomes do setor e da política brasileira. Já “O destino das cargas” mostra que, para um país que depende majoritariamente de transporte rodoviário, o número de roubos nas estradas assusta a população e o mercado segurador. O Estado de Goiás é um dos afetados pelo problema por conta da grande movimentação proveniente da movimentação agropecuária. 8

Entregam o prêmio, Deivid Pereira, da Som.Us e Ezequiel Pereira Neto, da PAC Assessoria


seguro pirata nn

Grupo vai discutir mercado marginal A Superintendência de Seguros Privados (Susep) criará um grupo de trabalho para discutir o mercado marginal. O objetivo é analisar as atividades exercidas por associações, entidades e cooperativas que oferecem, de forma irregular, coberturas securitárias e produtos com características da operação de seguros. A iniciativa busca colocar em discussão o mercado marginal como um todo, não apenas a chamada proteção veicular, para que sejam adotadas medidas em prol dos consumidores e do setor de seguros supervisionado pela autarquia. “Essas empresas não cumprem as regras e os critérios preestabelecidos pelo Conselho Nacional de Seguros Privados e a prática ilegal causa prejuízos à população porque não há proteção jurídica para o consumidor”, alerta o superintendente, Joaquim Mendanha de Ataídes.

pesquisa nn

Colisões e atropelamentos lideram fatalidades no trânsito Um levantamento feito pelo Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, programa do Governo de São Paulo que visa reduzir pela metade o número de óbitos no Estado, mostra que 66% das fatalidades envolvem colisões entre veículos e atropelamentos. Em outubro deste ano, o número de mortes cresceu 3,4%. No acumulado do ano, a redução é de 1,7% ante 2016. De acordo com o Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga SP), 98,7% das vítimas desses dois grupos foram atropeladas ou atingidas por outros veículos após um choque. No caso dos ciclistas, 73,8% dos óbitos ocorreram por colisão contra carros, motos, ônibus ou caminhões. Dentre as motos, as colisões correspondem a 56% das fatalidades. Já entre os automóveis, a proporção é 52,8%.

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painel comemoração nn

campanha nn

25 anos de atuação no Brasil

Seguindo a tradição, Ameplan Saúde anuncia seu evento!

Para celebrar os 25 anos de atividades no Brasil, a Mapfre reuniu, em São Paulo, cerca de 500 colaboradores e as lideranças da companhia. O presidente Antonio Huertas traçou um panorama positivo para os negócios em solo brasileiro. “O Brasil deve recuperar estabilidade política e econômica, e vamos aproveitar essa oportunidade para crescer na região”, disse. Já o CEO Wilson Toneto reforçou a importância dos funcionários para o sucesso da operação. “Chegamos a esse ‘um quarto de século’, com o reconhecimento que temos e na posição que estamos, justamente por sempre enfrentarmos as adversidades com criatividade, respeito e com o jeito Mapfre que só quem atua ou já atuou conosco pode entender”, afirmou. A agenda de comemoração contou ainda com encontros com distribuidores, corretores, empresários e Governo.

produto nn

Proteção digital para seguros massificados A Generali fechou uma parceria com a Affinion para oferecer aos clientes da operadora TIM a proteção de dados digitais. A solução também será fornecida aos clientes do Banco BMG, parceiro da seguradora, nos produtos de seguro prestamista atrelados a empréstimos consignados, disponibilizados para aposentados e pensionistas. O serviço, que leva o nome de Protege Web, é um modo de proteger os dados dos usuários na internet e conscientizar os consumidores a manterem-se preservados, minimizando o risco de fraudes e exposição indevida de suas informações pessoais. “Vemos neste serviço uma forma do segurado tangibilizar o produto de seguro. Além disso, um cliente com dados protegidos cria uma relação de fidelidade com a seguradora”, explica Conrado Gordon, diretor de Produtos Massificados da Generali. 10

Cumprindo a tradição, no mês de janeiro de cada ano, a Ameplan Saúde realiza o seu evento comercial para anunciar os desafios de crescimento no ano e o programa de incen- Marcelo Belber e Laureci Zeviani tivos (reconhecimento) para os seus representantes comerciais. Sempre elogiados pelos participantes, o evento é um momento de muita descontração e de grande expectativa por parte dos convidados. A equipe comercial da Ameplan Saúde está preparando, com o carinho de sempre, uma proposta bem provocativa (no bom sentido!) de campanha de vendas, tanto no quesito desafio quanto no programa de recompensas. Desafio e recompensa sempre estiveram de mãos dadas em todas as suas campanhas. “Muito embora os concorrentes tenham limitado ou extinguido os seus programas de reconhecimento, nós fazemos questão de continuar reconhecendo e premiando o esforço dos nossos parceiros comerciais. Pode parecer fácil vender, mas somente aqueles que já queimaram os seus braços no sol, carregando uma pasta, é que sabem realmente como é desafiador converter um proponente em um cliente de plano de saúde.” comenta Laureci Zeviani, diretor comercial. “Com certeza achamos muito justo retribuir os resultados conquistados por nós, com programas que possibilitam ganhos extras e viagens bem elaboradas, perfeitas na opinião de todos os participantes. E fazemos o que podemos para que todos os participantes se sintam acolhidos e reconhecidos durante o ano todo, principalmente ao final da campanha, aqueles que fizeram algo mais para o sucesso da Ameplan Saúde”, complementa Marcelo Belber, gerente comercial. Desta vez não será diferente, as aprovações e regulamentos da campanha já estão praticamente prontos, passando pelos últimos retoques e ajustes, para serem anunciados numa grande festa a ser realizada no mês de janeiro, em dia, local e horário a ser anunciado pela equipe comercial. Para dar musculatura a esta campanha, estarão juntas com a Ameplan Saúde algumas parceiras comerciais que já participaram de outras campanhas: Corpore Administradora; Dentalpar Assistência Odontológica; Divicom Administradora e duas novas parcerias: Affix e a Hebron, Administradoras de Benefícios que passam a fazer parte do time. Bem-vindos a bordo, aqui só tem campeões: #PartiuBahia! Os convites e detalhes do mega evento serão distribuídos nas Corretoras e Plataformas participantes da campanha, a partir do dia 2 de Janeiro de 2018.


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GENTE Diretor para Auto e Massificados Rafael Ramalho é o novo diretor de Precificação e Subscrição de Riscos de automóvel da SulAmérica. O executivo chega à seguradora após passagens por consultorias estratégicas e empresas dos ramos de seguros e automóvel. Na companhia, contribuirá com sua experiência em desenvolvimento de modelos e processos de precificação. Ramalho reporta-se ao vice-presidente de Auto e Massificados, Eduardo Dal Ri.

Marketing e RH

Beatriz Cabral assumiu a recém-criada diretoria de Marketing e RH da MDS Brasil. A empresa é parte do grupo multinacional que atua na área da corretagem de seguro e resseguro, gestão de cativas e consultoria de risco. Na companhia desde 2014, a executiva atuava como gerente de Marketing, Comunicação e Desenvolvimento Organizacional. A criação da nova diretoria tem como objetivo consolidar a identidade da companhia no Brasil, reforçando a colaboração interna e entre as empresas do grupo. Além disso, fortalecer um posicionamento de mercado mais alinhado à estratégia global da marca.

Novo Superintendente Comercial

A Sancor Seguros anuncia mais um reforço importante para seu time comercial. A liderança da equipe será exercida por Rosimario Pacheco. Profissional com mais de 23 anos de experiência em seguradora multinacional. Pacheco assume a Superintendência Nacional Comercial, que terá o desafio de expandir a presença da marca e alcançar as desafiantes metas propostas para o próximo exercício. 12

Mudanças na carteira de Auto O diretor geral de Automóveis do Grupo BB e Mapfre, Jabis Alexandre, vai deixar a companhia. A decisão foi confirmada pela assessoria de imprensa da empresa, que emitiu um comunicado à Revista Apólice. “As recentes mudanças na carteira de automóvel do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre fazem parte de um plano de sucessão estruturado de seus líderes. O executivo ficará à frente da área durante o período de transição. O seu sucessor, que assumirá a carteira, será divulgado em breve pelo Grupo.”

Nova VP e novo diretor de TI A Delphos fecha 2017 com a nomeação de uma nova vice-presidente: a diretora comercial e de marketing, Elisabete Prado, que atua na empresa desde 1980. O quadro organizacional também ganhou um novo diretor de Tecnologia da Informação. Quem desempenhará a função será Carlos Trindade, até então superintendente de TI e Comunicação. Sua função será liderar a provisão de sistemas e tecnologias para otimizar a gestão das organizações clientes, definir estratégias e buscar a criação de novos formatos de negócios.

Troca na presidência Após cinco anos à frente da Swiss Re, Margo Black deixou a empresa e anunciou aposentadoria. Em seu lugar fica Mathias Jungen, nomeado como CEO durante um evento para clientes, parceiros e colaboradores da resseguradora. “Estou muito feliz e honrado com esse novo desafio. Espero continuar com o ritmo de sucesso que a Swiss Re conquistou e mantém em muitas fronteiras”, comentou o executivo. Jungen ingressou na companhia na filial de Zurique, em 2006, como atuário. Agora, terá como missão presidir a empresa não só no Brasil, mas também no Cone Sul – principalmente Argentina e Chile.


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capa | TEx

Inovação e empreendedorismo no DNA A TEx segue em expansão e se prepara para lançar produtos voltados também às seguradoras no próximo ano

U Omar Ajame, fundador e CEO da TEx 14

ma década atrás, o mercado segurador estava estagnado em termos de inovação em tecnologia, sobretudo em soluções voltadas para corretoras de seguros. A lacuna precisava ser preenchida por quem realmente entendesse as necessidades das corretoras. Quando ainda atuava como diretor na corretora de seu pai, Omar Ajame, fundador e CEO da TEx, viu que estava na hora de desenvolver uma solução que integrasse corretoras e seguradoras em uma mesma plataforma, atendendo a todos os processos de negócios das corretoras e, ao mesmo tempo, preservando as características e diferenciais dos produtos das seguradoras, com todos os cuidados necessários para que o foco não fosse o preço, mas sim agilizar o processo de


encontrar o produto ideal para cada segurado e de aumentar as vendas. Assim surgiu o Teleport, o primeiro sistema a integrar venda e gestão de seguros em uma única solução totalmente web. “Lançamos o Teleport no Congresso dos Corretores de Seguros (Conec) de 2008, antes de fundarmos a TEx de fato, o que aconteceu em março de 2009. Como o Conec acontece a cada dois anos, tivemos de escolher entre lançá-lo seis meses antes do que seria o momento ideal ou um ano e meio depois”, afirma Ajame. Para o executivo, lançar a ferramenta antes da companhia foi uma decisão acertada, apesar de não ter sido nada simples. Após colocar a TEx no mercado, era preciso “quebrar” a resistência dos consumidores. “Fazíamos reuniões por todo o Brasil, mas como a maioria dos empreendedores sabe, fechar os primeiros clientes não é trivial, no início é preciso provar tudo para todos. Foi um desafio convencer corretoras e seguradoras a trabalharem com uma startup, ainda mais em uma época onde não havia essa cultura no Brasil”, recorda. Isso começou a mudar quando a TEx, ainda no ano de sua fundação, obteve o selo de Primeira Empresa Inovadora (Prime), programa de subvenção econômica da Finep e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Os primeiros a apostar neste modelo foram os grupos de concessionárias, que aproveitaram o

boom das vendas de automóveis para também iniciar suas operações em seguros. Vistas como um filão interessante pelo mercado segurador, as seguradoras que não tinham expertise no ramo começaram a trabalhar com essa possibilidade e tiveram resultados positivos. “Menos de dez corretoras no Brasil utilizavam à época algum tipo de multicálculo, normalmente próprios, feitos com autorização das seguradoras. Acreditávamos que com um modelo inovador e benéfico para todos havia demanda para ampliarmos consideravelmente este número”, diz Ajame.

Pioneirismo

“Ficamos conhecidos por termos criado o primeiro multicálculo que realmente funciona em escala. É um reconhecimento importante, que nos orgulha, mas a plataforma é muito mais ampla e as demais funcionalidades são igualmente importantes para o sucesso dos nossos clientes”, garante Omar Ajame, que classifica o Teleport como uma ferramenta de vendas que permite ao corretor fazer uma gestão em alto nível e em tempo real de seus negócios. “O Teleport integra gestão de clientes e apólices, financeiro, CRM, gerenciamento eletrônico de documentos e multicálculo. Em uma mesma operação o corretor vende, gera o boleto, a proposta e os dados são cadastrados automaticamente, o que elimina erros e retrabalho.

Isso gera um grande impacto positivo pois os demais processos de negócio da corretora, como o controle de emissões e de comissões, deixam de ter problemas decorrentes de erros de cadastro e dados incompletos. Quando pessoas fazem este trabalho manual e repetitivo, a taxa de erro chega a 50%”, explica. Para o multicálculo, a comunicação com as companhias é feita via webservice, sempre a partir de uma autorização dada por cada seguradora às corretoras que possuem volume de negócios compatíveis e apresentam bons resultados. Uma das principais vantagens da integração via webservice é que as seguradoras comunicam à TEx com antecedência sobre alterações em seus sistemas e produtos, de forma que as respetivas atualizações possam ser desenvolvidas e disponibilizadas no Teleport no mesmo dia que pelas Seguradoras. Outro grande diferencial é a transmissão eletrônica diretamente pelo Teleport, sem a necessidade de finalizar a contratação pelo site da Seguradora. Como os dados são precisos e homologados também pelas seguradoras, a empresa garante precisão nos cálculos e transmissões feitas através da ferramenta. Outros sistemas que utilizam um modelo mais antigo, comandados por robôs, acessam diretamente os sites das seguradoras, quase sempre sem autorização, o que além de muito mais lento e impreciso, frequentemente é bloqueado pela seguradoras,

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O Campus TEx foi projetado para incentivar mais colaboração entre as equipes 15


>>> TEx

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Sérgio Marinatto, da RBM Corretora

deixando de funcionar de um dia para o outro e assim prejudicando o trabalho do corretor. “A empresa que faz esse tipo de processo não tem como garantir 100% de precisão. Por conta disso, o corretor não consegue efetivar o seguro diretamente na ferramenta, que acaba servindo apenas para comparar preços e não para vender ou ter gestão sobre negócios e sobre a corretora”, pontua o CEO. Mesmo em relação a outros sistemas que se comunicam via webservice com as Seguradoras, o Teleport é o único que possui todas as funcionalidades: cláusulas, coberturas e descontos disponibilizadas pelas Seguradoras. O Teleport roda nos servidores da própria TEx, o que garante muito mais performance, em função da empresa utilizar apenas equipamentos de última

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geração e permite que as corretoras não tenham mais que se preocupar com a gestão destes equipamentos, com questões de segurança cada vez mais importantes e nem com backups ou com atualizações. A TEx garante em contrato a confidencialidade e a inviolabilidade dos dados, além da não-concorrência com seus clientes. “Deixamos absolutamente claro que a propriedade dos dados é exclusiva das Corretoras. Somos guardiões dessas informações e especialistas em manter estes dados seguros e íntegros. Uma das principais razões do crescimento expressivo da TEx foi sempre tratar com grande seriedade este assunto, e por conta disso termos conquistado uma grande credibilidade no mercado segurador”, afirma Bruno Zangari, fundador e CFO da TEx. A empresa também contratou empresas especializadas em segurança da informação para atestarem a qualidade e a segurança de seus produtos. “Mesmo uma empresa bem intencionada e competente pode errar. Por isso, é fundamental utilizar empresas e ferramentas independentes que monitoram, alertam em caso de problemas e atestam a segurança do nosso ambiente tecnológico”, afirma Zangari. O Teleport suporta na ferramenta de gestão todos os ramos e modalidades de seguros. No caso do multicálculo, atualmente o cálculo contempla todas as principais seguradoras de seguro de automóvel. A empresa afirma que em breve estarão disponíveis cotações de seguro empresarial, residencial e vida nas

Hoje, a TEx conta com mais de 70 colaboradores e está em expansão

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Funcionalidades do Teleport 〉〉 Gestão completa de propostas, apólices e sinistros em todos os ramos 〉〉 Importação automática de propostas, apólices e comissões 〉〉 Acompanhamento em tempo real com Dashboards e gráficos 〉〉 Integrado às 19 principais Seguradoras do mercado 〉〉 Cálculos realizados em média em 30 segundos 〉〉 Cálculo simultâneo de franquia normal e reduzida 〉〉 Garantia contratual de 100% de precisão 〉〉 Homologado pelas seguradoras 〉〉 Renovações automáticas 〉〉 Financeiro completo, comissões e repasses 〉〉 CRM: gestão e distribuição de leads, envio de e-mails, propostas e SMS 〉〉 GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos) 〉〉 Relatórios personalizáveis seguradoras que já possuem webservices para estes produtos.

Resultados

As corretoras que utilizam o Teleport têm prêmios médios e resultados acima das médias de mercado. Isso ocorre em função de uma série de ferramentas e inovações introduzidas para favorecer uma venda consultiva, incluindo a própria agilidade de cálculo, que permite aos corretores enviarem mais opções aos segurados. Desde o início, a ferramenta calcula simultaneamente as franquias normal e reduzida. “A franquia reduzida custa pouco a mais, o que acaba servindo como diferencial das corretoras nas vendas, pois a maioria dos corretores não têm nem o hábito e nem tempo disponível para enviar esta opção, isso leva a comparação para o campo dos benefícios, em vez do de preços”, afirma o CEO. “Ao mesmo tempo, as corretoras não estão cobrando mais caro dos clientes, mas sim entregando mais coberturas e um atendimento muito mais personalizado e ágil, o que reflete diretamente em seus resul-


tados”, enfatiza Omar. Uma das grandes preocupações das seguradoras há 10 anos era de gerar uma “guerra” de preços, o que acabaria prejudicando também as próprias corretoras. “Sempre garantimos às seguradoras que não era esse o objetivo do Teleport e que não deixaríamos isso ocorrer. Foi exatamente o que fizemos e fazemos até hoje”, recorda. Nas seguradoras, a solução chega a representar 80% do volume de produção via webservice. “Temos orgulho desse número pois ele não é um número sobre a TEx, mas sim sobre os nossos clientes, que além de terem grande volume de produção fazem a maior parte de suas transmissões pelo Teleport, indicando uma grande adoção e satisfação por parte de suas equipes”, comemora Ajame. A TEx atende cerca de 500 corretoras, entre elas corretoras tradicionais, online, multinacionais, bancos, montadoras de veículos e grupos de concessionárias. Uma dessas corretoras é a RBM, do Rio de Janeiro, que trabalha com o Teleport desde o início do projeto. “Tínhamos vários processos que eram divididos entre as equipes. As equipes precisavam ser maiores e com o Teleport conseguimos reduzir, tornar mais eficiente e diminuir inclusive a probabilidade de erro da operação. O Teleport nos trouxe mais

Outros produtos Além do Teleport, a TEx também é criadora do Nimble, plataforma tecnológica que permite que as corretoras vendam seguros online. O produto foi construído pensando no segurado da Corretora, pois é ele quem utiliza o Nimble incorporado ao site da própria corretora. “É um jeito de transformar uma corretora tradicional em uma corretora online rapidamente”, diz Omar Ajame. Em 2018, o portfólio da TEx deve ganhar novas soluções com produtos voltados também para as seguradoras. “A visão da TEx é atender desde o corretor pessoa física, até as maiores seguradoras do Brasil. Se está no mercado de seguros, está no nosso foco e já temos ou lançaremos em breve produtos e soluções competitivas para todos os clientes”, finaliza Ojame.

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Os projetos inovadores da TEx são desenvolvidos de forma colaborativa com clientes e seguradoras

velocidade e facilitou o trabalho da nossa equipe”, afirma o diretor e sócio, Sérgio Marinatto. Antes do Teleport, a RBM utilizava um sistema para cálculo e outro para gestão. “Com o Teleport passamos a ter um sistema único integrado, o que facilitou a própria gestão”, diz Marinatto. “Hoje, o ranking de produção das seguradoras integradas à solução é praticamente o mesmo ranking do mercado. O segredo do sucesso está em entregar o que se promete. Não seria diferente no mercado de seguros. O Teleport cria valor para todos: segurados, corretoras e seguradoras. Trabalhamos para equilibrar interesses e necessidades de corretoras e seguradoras, garantindo que todos saiam ganhando. É por isso que também as seguradoras nos enxergam como parceiros”, diz Omar Ajame.

Para todos os portes

A versão completa do Teleport está disponível para corretoras a partir de 20 usuários, antes o mínimo era de 30. Para as corretoras de menor porte, há outra versão da ferramenta: o Teleport Express, que atualmente não conta com a funcionalidade do multicálculo. “O Express contempla gestão, financeiro, CRM e gerenciamento eletrônico de documentos, além de funcionalidades como importação automática de propostas e apólices, possuindo muitas das mesmas funcionalidades disponíveis no Teleport para corretoras maiores”, explica Omar Ajame. “Muitos corretores com menos

de 20 usuários entram em contato conosco procurando pelo multicálculo, mas por questões de mercado ainda não foi possível levá-lo a este importante segmento”, esclarece o executivo. Ele acredita que isto está mudando e que cada vez mais corretores de menor porte vão ter possibilidade de usar o Teleport com multicálculo.

A inovação não pode parar

Localizada em um amplo e moderno escritório na Vila Madalena, em São Paulo, inspirado nos escritórios do Vale do Silício, a TEx conta com 70 funcionários. A empresa está em forte ritmo de expansão e o planejamento é de chegar a 100 colaboradores até o final de 2018. A companhia conta com duas equipes de tecnologia: uma de sustentação, responsável por atualizar suas plataformas, como o Teleport e o Nimble, e outra focada exclusivamente em inovação e em novos produtos. “Inovar não é algo simples, ainda mais de forma contínua. Exige organização, disciplina e foco. Para uma empresa de tecnologia, continuar inovando é absolutamente vital. Apesar de termos crescido bastante nos últimos anos, não podemos abandonar a mentalidade ágil e inovadora das startups, isto sempre fará parte do nosso DNA”, garante Omar. “Ter uma equipe apartada de pesquisa e desenvolvimento é uma maneira de ter sempre novas startups nascendo dentro da própria TEx”, complementa Emir Zanatto, COO da TEx. 17


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cidadania | Sat Company

Prefeitura de São Paulo recebe doação, sem contrapartidas, de serviço de monitoramento A Sat Company prestará o serviço de monitoramento de 1.500 veículos pertencentes à frota da Prefeitura de SP, com início no mês de dezembro e vigência até 2020. Os rastreadores possuem dupla tecnologia GPS/GPRS e Rádio Frequência e serão instalados em regime de comodato

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gestão de João Doria à frente da Prefeitura Municipal de São Paulo é marcada pela parceria com empresas privadas e a Sat Company faz parte deste time. No dia 13 de novembro foi anunciada a parceria, pela qual serão instalados os rastreadores. Ficarão disponíveis para a Prefeitura o monitoramento dos veículos pertencentes às Secretarias de Prefeituras Regionais, Saúde, Educação e Assistência, Desenvolvimento Social e Guarda Civil Metropolitana, sendo esta a principal beneficiária, com maior foco na operação. A ênfase será o combate ao roubo e furto de veículos na cidade. O sistema de rastreamento permitirá identificar eventuais casos de mau uso ou ainda promover a otimização da frota, aumentando a eficiência e a transparência no uso dos veículos públicos através das ferramentas de crash detection, cerca eletrônica, distância e percurso percorrido, direção perigosa, utilização (horas, dia, região), e localização online. Além deste projeto inicial, o presidente da companhia, Marco Puerta, já cogita a doação de tablets para os carros da GCM, que serão fixados nas viaturas, facilitando as consultas necessárias durante as ocorrências policiais . “O tablet também poderá ter uma câmera para filmar a abordagem policial e utilizar a tecnologia a favor da segurança”. A Sat Company é uma empresa 20

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Marco Puerta, presidente da Sat Company, e o prefeito de São Paulo, João Doria

voltada para a recuperação de veículos e gestão das frotas das principais seguradoras do país. A parceria com a Prefeitura contribuirá para ampliação da rede de comunicação da empresa, uma vez que os rastreadores instalados em sua base de clientes atuam como antenas receptoras e transmissoras, permitindo identificar e localizar mais rapidamente veículos roubados ou furtados. Uma vez utilizados inibidores de sinais durante as ocorrências, o equipamento perde o sinal GPS/GPRS e faz um chaveamento automático para a tecnologia RF, que por sua vez emite um sinal de S.O.S ao veículo da base mais próximo a ele e, consequentemente, à Central de Ocorrências da Sat Company. Atualmente, a empresa monitora uma frota de mais de 200 mil veículos rastreados. Puerta aponta que uma das grandes preocupações é utilizar tecnologia de ponta para lidar com mais rapidez e assertividade nos casos de roubo ou furto dos veículos monitorados. “Ficamos numa briga de gato e rato, porque o outro lado também utiliza tecnologia de ponta”, brinca.

Outra medida que já está em tratativas entre a Sat Company e Guarda Municipal é a ampliação do programa City Câmeras, uma plataforma de monitoramento de segurança da cidade, que reúne imagens das ruas através de câmeras disponibilizadas por empresas ou cidadãos com objetivo de combater o crime, garantindo mais agilidade nas ações de prevenção e contribuindo nas investigações. A ideia é instalar câmeras nas regiões com maior incidência de roubo e furto de veículos para facilitar ainda mais o trabalho da Guarda Municipal e da empresa. A Prefeitura conta com uma frota de 2.522 veículos próprios e 1.785 locados e está trabalhando para reduzir o número de automóveis próprios e devolver os alugados. Até o fim deste ano, vai desmobilizar cerca de 1.300 veículos, entre os devolvidos nos contratos vigentes e a venda dos carros próprios. A economia potencial prevista será de aproximadamente R$ 100 milhões por ano. Equipamentos que atendem à população não serão afetados, como ambulâncias e a frota da Guarda Civil.


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especial educação | bullying

Na mira do mercado segurador Soluções são discutidas em diversas esferas, mas o bullying está longe de ter um fim. Setor reforça amparo às escolas e aos alunos com seguro de Responsabilidade Civil que traz cobertura específica contra o ato Lívia Sousa

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os 11 anos, Ana Paula Rodrigues era chamada pelos garotos da escola de “palito” e de “juba de leão”. Receber esses apelidos na pré-adolescência, fase em que as meninas lutam com os complexos da própria aparência, não foi nada fácil. “Tinha vergonha do meu cabelo, do meu corpo. Achava as outras meninas bonitas e me sentia estranha. Isso mexeu com o meu psicológico”, lembra a instrumentadora cirúrgica, hoje com 30 anos. As agressões verbais só enfraqueceram quando a então estudante passou a ignorar as ofensas. “Foram dois anos até perceber que quanto mais eu batia de frente, mais eles me provocavam”, afirma. Casos como este persistem, estão longe de acabar e precisam ser abordados e levados a sério. Uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 7,4% dos 24

alunos do país declararam sentimentos de humilhação e provocação por seus pares. A sondagem, com base em dados de 2016, revela ainda que quase um quinto dos estudantes (19,8%) disse ter “esculachado”, zombado, intimidado ou caçoado de seus colegas. Felizmente, Ana Paula não precisou recorrer a tratamentos psicológicos para superar o trauma, mas nem sempre é assim.

7,4% dos alunos do país declararam sentimentos de humilhação e provocação pelos colegas, segundo pesquisa do IBGE

“O bullying pode provocar danos à saúde física e psicológica de uma pessoa nas mais variadas formas. Depende muito de cada indivíduo, da sua estrutura, de vivências, de predisposição genética e da maneira e da intensidade das agressões”, destaca a psicóloga e Personal Coach, Elaine Mardegan. Fisicamente, os efeitos podem ser imediatos (lesões) ou em longo prazo (dores de cabeça, distúrbios do sono ou somatização). Emocionalmente, resultam em baixa resistência imunológica e baixa autoestima, com sintomas psicossomáticos e transtornos psicológicos ou psiquiátricos como a depressão e até mesmo o suicídio. Mas, o que torna alguém agressor? Há quem pratique o bullying por desequilíbrio de poderes, em que umas pessoas tentam superar as outras. No entanto, segundo a especialista, muitos “valentões” enfrentaram dificuldades próprias


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Elaine Mardegan, psicóloga

em algum momento da vida. Abusos físicos e verbais, episódios violentos em casa e estilos de vida caóticos estão entre as experiências perturbadoras. “Como resultado, eles deslocam sua dor aos indivíduos mais frágeis”, explica. No ambiente escolar, o estresse e a ansiedade causados pelo bullying podem dificultar a aprendizagem da vítima, fazendo com que ela sinta dificuldade em se concentrar e tenha sua capacidade de foco diminuída. “As marcas são graves e abrangentes”, pontua Elaine. A família também é afetada, sofrendo juntamente com a vítima, e muitas vezes não sabe como lidar com o problema.

Trabalho em conjunto

O bullying não termina quando um incidente é relatado. Pode levar tempo

para resolver e exige uma força-tarefa que envolve os familiares, as escolas e os demais envolvidos. “Como escola, a comunidade e o lar afetam o comportamento da criança, as intervenções devem atingir os três níveis. Todos precisam deixar claro que não toleram a prática. Em ambientes não favoráveis o bullying é incapaz de prosperar”, sentencia a psicóloga. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) conta com cerca de 10 mil associados entre escolas de educação infantil e de ensino básico. Na entidade, o tema é trabalhado há pelo menos 16 anos. A orientação é que as escolas conversem com os familiares dos alunos e tenham um seguro de Responsabilidade Civil não só para os casos que envolvam bullying, mas para qualquer outro acidente que possa ocorrer com o aluno no ambiente escolar. “Da porta da escola para dentro a responsabilidade é da instituição de ensino”, reforça o presidente do sindicato, Benjamin Ribeiro da Silva. De fato, a partir do momento em que os pais colocam seus filhos em estabelecimento de ensino, eles tornam-se hóspedes do local – com o advento do Código de Defesa do Consumidor, as escolas passaram a ser consideradas fornecedores de serviços. A exclusão da responsabilidade se dará apenas se a instituição provar cabalmente que o fato era inevitável. A corresponsabilidade dessas instituições pelos atos praticados em suas dependências passou a ser considerada a partir da mudança do Código Civil. Agora, dependendo do entendimento do julgador, atos comprovados de bullying nas instituições de ensino podem resultar desde acordos estipulados em ajustamentos de condutas, passando por multas ou, em casos extremos, até o encerramento de suas atividades.

Programa de Combate à Intimidação Sistemática Sancionada pelo Governo Federal em setembro de 2016, a Lei nº 13.185 estabelece que escolas e clubes brasileiros adotem o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, criado para tentar acabar com a prática do bullying nesses ambientes por meio de campanhas educativas. Caso contrário, as instituições podem ser responsabilizadas por negligência. Segundo o projeto, docentes e equipes pedagógicas devem ser capacitadas para implementar ações de prevenção e solução do problema. Pais e familiares também devem ser orientados para identificar vítimas e agressores. É exigida ainda assistência psicológica, social e jurídica tanto às vítimas quanto aos agressores. acidente (IPTA). Entre as coberturas opcionais estão invalidez funcional permanente por doença (IFPD), perda de renda por desemprego involuntário (DI), incapacidade física total e temporária (IFTT) ou falência (FA), além de matrícula, repetência, formatura, pré-vestibular e assistência recolocação – todos eles em caso de morte, IPTA ou IFPD, se contratados. O produto já é bem difundido pelo mercado segurador e conhecido pelas instituições de ensino. Entretanto, não se pode dizer o mesmo de seu índice

Cobertura específica

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Benjamin R. da Silva, do Sieeesp

O seguro educacional visa dar a continuidade aos estudos dos alunos em caso de falecimento ou de perda de emprego do responsável financeiro, cobrindo alguns meses da mensalidade escolar, e também traz a garantia obrigatória de morte+invalidez permanente total por

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Paulo Sonagere, da Klima Seguros 25


>>> bullying A cobertura contra bullying faz parte do seguro de RC. Nela, é garantido que o aluno receba orientação de psicólogos e nutricionistas e que os custos judiciais de um eventual processo sejam pagos pela seguradora

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Eduardo Dal Ri, da SulAmérica

de adesão. “A demanda por consulta do produto cresceu muito, principalmente pelo elevado índice de desemprego, mas a contratação do seguro ainda é baixa, por ser de forma compulsória e totalmente pago pelas escolas, que não podem repassar o custo aos pais”, explica o diretor comercial da corretora Klima Seguros, Paulo Sonagere. Dentro dos seguros oferecidos para as instituições de ensino, a novidade é que algumas seguradoras também passaram a disponibilizar um seguro de Responsabilidade Civil que conta com cobertura específica contra bullying. Quando a escola aciona a seguradora neste caso, o aluno recebe a orientação de psicólogos e nutricionistas para ajudá-lo. Dependendo da seguradora, os tratamentos psicológicos são estendidos a funcionários ou professores, assim como pagamento de custas judiciais de um eventual processo ao qual o estabelecimento venha a ser réu. “É uma garantia que cobre o reembolso de despesas caso a unidade educacional seja responsabilizada judicialmente por atos de violência física e psicológica (intimidação sistemática) ocorridos em suas dependências, sejam eles provocados por alunos, professores ou funcionários”, diz Eduardo Dal Ri, vice-presidente de Auto e Massificados da SulAmérica. O estudante também conta com o apoio de professores particulares para a reposição de aulas perdidas ou reforço, se necessário. “Para utilização dos serviços de professor particular para reposição de 26

aulas perdidas ou para reforço, é necessário que o aluno esteja afastado de suas atividades escolares por mais de cinco dias úteis, com comprovação médica por escrito”, explica o diretor geral de seguros de Vida do Grupo BB e Mapfre, Enrique de La Torre. Já os serviços de orientação psicológica e nutricional não precisam de nenhum requisito, podendo ser acionados em qualquer momento, sem limite de utilização durante a vigência do contrato de seguro.

Como identificar o bullying Nem todas as vítimas de bullying pedem ajuda. Por isso, reconhecer os sinais de alerta é muito importante. Dentre eles estão: 〉〉 Lesões inexplicáveis; 〉〉 Vestuário, livros, eletrônicos e/ou outros objetos pessoais perdidos ou destruídos com frequência; 〉〉 Dor de cabeça ou dores de estômago, frequentes; 〉〉 Mudanças nos hábitos alimentares, como repentinamente perder o apetite ou compulsão alimentar; 〉〉 Dificuldade em dormir ou ter pesadelos frequentes; 〉〉 Perda de interesse no trabalho escolar ou não querer ir para a escola; 〉〉 Perda repentina de amigos ou evitação de situações sociais; 〉〉 Sentimentos de desamparo ou diminuição da autoestima; 〉〉 Comportamentos autodestrutivos, como fugir de casa, prejudicar-se ou falar sobre suicídio.

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Enrique de La Torre, do Grupo BB e Mapfre

Entretanto, pode haver exclusões por parte do mercado segurador quando os eventos envolverem terceiros que não se enquadrem no ambiente escolar, danos ou ferimentos em consequência da situação do imóvel ou mesmo quando a prática de bullying se dá exclusivamente em ambiente virtual – por redes sociais, por exemplo.

Prevenção x combate

Temas sensíveis como o bullying tem raízes complexas e propostas de soluções discutidas por diversas entidades. É fundamental que os agentes atuantes em ambientes onde crianças e adolescentes estejam inseridos invistam e promovam campanhas de prevenção para alertar os jovens quanto aos males do bullying. Por outro lado, é importante que as vítimas tenham apoio de profissionais para conseguir superar este momento e seguir a vida. Neste cenário, surge um entrave: por ser apresentada como uma arma de prevenção e não de combate ao problema, alguns educadores alertam que a cobertura contra bullying pode não ser vantajosa. Paulo Sonagere, da Klima Seguros, discorda. “Realmente o seguro não vai combater o problema, pois na maioria das vezes o bullying é praticado de forma silenciosa e os gestores das escolas podem não perceber, o que torna muito difícil de ser combatido”, afirma. “Como todo e qualquer seguro, o produto é contratado para evitar ou minimizar possíveis prejuízos em caso de sinistros.”


especial educação | transporte escolar

A responsabilidade dos que carregam os bens mais preciosos dos pais A regulamentação dos transportes escolares é feita pelos municípios, que também são os responsáveis pela sua fiscalização. Kelly Lubiato

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maior capital brasileira possuía, em janeiro de 2017, 2392 condutores habilitados para realizar o transporte de estudantes. Até junho deste ano, quase 75 mil crianças utilizavam o serviço, de forma gratuita. Na maioria das vezes é exigida uma documentação de praxe do condutor do veículo, como atestado médico e de bons antecedentes criminais e o certificado de conclusão do curso de orientação e treinamento para condutores no transporte escolar. Do veículo, são exigidas as adequações às legislações federal e estadual sobre trânsito e segurança veicular, legislação ambiental e municipal de transporte escolar, além da aprovação em vistoria técnica realizada no Departamento de Trânsito. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é exigido do condutor o seguro de Acidentes Pessoais para Passageiros, independente do veículo já possuir um seguro do seu casco. As exigências variam, por isso os corretores devem estar atentos às necessidades deste mercado. O corretor de seguros Thiago Gutemberg Vieira Teles, sócio-diretor da Tenda do Seguro, explica que não existe um produto exclusivo para transporte escolar. “As opções são fazer um seguro completo, com cobertura compreensiva e

mais o APP com danos materiais contra terceiros”. Na cidade carioca, a cobertura exigida é de R$ 5 mil para Acidentes Pessoais para Passageiros e R$ 25 mil para danos materiais. Teles tem em sua carteira muitas vans escolares, e seu site já anuncia que esta é uma de suas especialidades. Ele trabalhava muito com o seguro APP para motorista de aplicativos, mas viu o

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Josafá Ferreira Primo, da Salagah

volume de negócios diminuir e o nível das comissões, baixar. “Pensamos em agregar novos negócios e vimos que o APP para transporte de pessoas, com venda realizada inteiramente online, é um bom negócio, pois não é um negócio que nos consome muito tempo”, mostra. Esta é uma cobertura com baixa sinistralidade, porque os condutores são treinados para serem mais cuidadosos. Josafá Ferreira Primo, sócio da Salagah Corretora de Seguros, explica que é aconselhável ainda um seguro facultativo de responsabilidade civil. “Tal seguro existe no mercado e garante o reembolso de indenizações e despesas a serem pagas pelo segurado (transportador) por danos materiais e/ou corporais causados a seus passageiros ou a outras pessoas não transportadas em acidente de trânsito ocorrido com veículos discriminados na apólice e durante transporte coletivo rodoviário municipal, transporte coletivo rodoviário intermunicipal, fretamento contínuo e fretamento eventual ou turístico”. 27


mercado | previdência privada

Alternativas financeiras para as novas gerações Com as mudanças propostas para a reforma da Previdência Social, a previdência complementar ganha destaque e mais atenção da sociedade Amanda Cruz

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mês de dezembro será crucial para os brasileiros, pois a Câmara dos Deputados deve votar as mudanças da Previdência Social. Tanto por lá quanto nas ruas, representantes e população ainda se dividem sobre o assunto. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) precisaria de pelo menos 308 votos – dos 513 deputados para entrar em vigor. No mercado de seguros não há tanta divisão. A grande maioria dos players diz acreditar que a reforma é não só benéfica, mas também necessária. Com as mudanças, a expectativa é de que a previdência privada entre em cena instigando as pessoas a contratarem um plano que lhes forneça um pouco mais de segurança no momento de se aposentar.

No final de 2016 o texto com as mudanças foi apresentado e, de lá para cá, já sofreu diversas alterações, com as quais o mercado de seguros demonstra estar de pleno acordo, especialmente em um ponto: o Estado não proverá o suficiente para que a população se aposente da maneira que gostaria. “Acreditamos que o grande benefício de toda essa discussão é relembrar diariamente a população que não é possível contar somente com os recursos da previdência social”, pontua Felipe Bottino, diretor de Produtos de Previdência da Icatu Seguros. Visão essa que é reiterada pelo presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Edson Franco. “A discussão da reforma contribui para a formação de consciência de que o Estado, sozinho,


não vai conseguir prover toda a necessidade do indivíduo na aposentadoria. As pessoas já começaram a entender que precisam formar sua própria poupança. E a previdência privada é a modalidade que melhor acolhe os investimentos de longo prazo”, acredita. Bottino acha que a crise dos estados que deixaram de pagar a aposentadoria de algumas classes profissionais evidenciou a necessidade e urgência da previdência complementar. Além disso, para ele, a entrada de gestoras independentes e produtos mais eficientes também aumentaram a atratividade de produto. Com mínimos de entrada e taxas de administração muito competitivas. Uma pesquisa da Fenaprevi mostra que a preocupação com o que será dos futuros idosos chega a todos, ainda que às vezes, de forma tardia. Entre os entrevistados desse levantamento, quando perguntados o que fariam se pudessem voltar no tempo em relação à questão da aposentadoria, 38% deles disseram que teriam começado a economizar mais cedo e, 25%, que teriam priorizado a aposentadoria em suas vidas. Enquanto voltar no tempo ainda não é possível, isso serve de lição para quem tem um longo caminho até se aposentar. Então, a previdência privada está crescendo muito devido a essa mudança na previdência social brasileira? Não ainda, mas mudará. A Fenaprevi anunciou um aumento de 28,94% de crescimento nas contribuições aos planos de previdência em

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Felipe Bottino, da Icatu

Novos entrantes

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Edson Franco, da FenaPrevi

setembro deste ano quando comparado ao mesmo período de 2016, mas o fato é que a carteira já vinha crescendo antes. Portanto, as mudanças não têm sido consideradas como fator decisivo para esse bom desempenho no último ano. “Não há dúvida de que esse ambiente deixa as pessoas mais sensíveis ao tema, mas não há um reflexo imediato em termos de aumento da carteira de previdência. Esse impacto geralmente se verifica a médio e longo prazos, no que diz respeito tanto a empresas quanto a pessoas, porque a tomada de decisão tem seu tempo próprio”, explica Jorge Nasser, diretor-geral da Bradesco Vida e Previdência. O executivo diz ainda que isso não é novidade, pois sempre que se discutiu a reforma da previdência pública no Brasil houve um aumento do interesse da sociedade em torno da opção privada. “É natural que as pessoas passem a refletir mais sobre a necessidade de complementar a sua renda e se planejar financeiramente para um futuro mais tranquilo”, comenta. Na visão do corretor Juliano César da Silva, da Maior Seguros, independentemente de qualquer mudança, a previdência já tinha força e o fechamento de 2017 deverá apontar os mesmos índices do ano passado. “Houve uma procura e interesse maior [para entender o produto] depois do anúncio da reforma da previdência social, mas efetivamente os aportes continuam no mesmo patamar; as pessoas ainda não estão trazendo seus ganhos para a previdência, mas já demonstram interesse”, nota.

O fato é que a previdência privada cresce e cada vez mais pessoas querem ao menos saber como funciona esse complemento. O balanço até setembro não poderia ter sido mais positivo. Além do aumento já citado nos aportes, setembro fechou com mais de 13 milhões de pessoas com plano de previdência privada contratados, com os planos individuais com cerca de 10 milhões de beneficiários e, os coletivos, com os outros 3 milhões. A justificativa para os números são as mudanças no perfil demográfico e socioeconômico brasileiro, a longevidade e o envelhecimento da população – questões que já vêm se tornando velhas conhecidas - e a inclusão social e aumento da classe média ao longo da última década. Todas essas questões promovem um aculturamento que já tem, e deverá ter ainda mais, um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade brasileira e na maneira como ela deverá se sustentar nas próximas décadas. “Vemos cada vez mais pessoas interessadas em conhecer os benefícios do produto, um fluxo maior de novos participantes, como de funcionários públicos, que nunca pensaram sobre o assunto e agora veem a necessidade”, reflete Bottino. As seguradoras têm importante papel nisso, porque mesmo precisando do reforço só contrata o produto quem o conhece. Portanto, é hora delas fazerem um trabalho consistente para que essa vontade que nasce agora não se perca por conta de outras prioridades. “Diante des-

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Jorge Nasser, da Bradesco Vida e Prev. 29


>>> previdência privada se cenário, o nosso desafio é atuar como agentes de conscientização da população sobre os riscos de perda de renda e de vida, e como consequência da importância de se proteger adequadamente”, esclarece Franco. Os riscos imediatos são a grande preocupação do consumidor de seguros. A crise econômica que se instaurou no País, ao mesmo tempo em que desperta consciência de algumas necessidades, evidencia outras muito mais urgentes; se mesmo assim esse consumidor tiver a cultura do seguro o mais provável, conforme afirma Nasser, é que essa preocupação seja voltada para o seguro de automóvel ou residencial. “O seguro de vida, por exemplo, tem crescido bastante e apresenta um enorme potencial de expansão, mas ainda é um produto que precisa ser difundido para o público em geral. Nesse sentido, estamos procurando agregar aos novos produtos benefícios que tornem essa proteção cada vez mais tangível e importante não apenas para o segurado, mas também para seus beneficiários”, compara. Apesar dos percalços, quem já tem o produto não está fazendo muitos saques, preferindo manter o dinheiro investido. “O que houve também foi uma procura por alguns planos mais acomodados, menos agressivos. Por receio da crise, houve transferências para planos mais moderados e até buscas de alternativas para correr menos riscos”, explica Silva.

Mediação

Os corretores também têm se apresentado para engrossar o coro da necessidade de previdência privada. Para isso, eles precisam de especialização tornando-se, além de tudo, um agente da propagação da educação financeira. “O corretor pode e deve ajudar os clientes a fazerem seu planejamento de previdência. Ele pode ajudar trazendo simulações que auxiliem o cliente a tomar a decisão correta por meio de diversos aplicativos que existem hoje e que mostram desde uma estimativa da expectativa de vida das pessoas até quanto ela precisa poupar para manter o padrão de vida atual na aposentadoria. Além disso, o corretor deve estar preparado para apresentar as 30

perfis e expectativas. O valor da contribuição é outro aspecto decisivo. É claro que quanto maior for o aporte, maior vai ser a renda no futuro. Porém, se a previdência privada pretende ser uma alternativa acessível a todos, é importante que o cliente a enxergue dentro das suas possibilidades, sem que isso comprometa suas necessidades imediatas. “É importante estar ciente de que previdência envolve planejamento de longo prazo. Não é aconselhável, portanto, comparar planos de previdência diretamente com outras opções de investimento no mercado, pois são conceitos e objetivos distintos. Vale lembrar que os Juliano César da Silva, da Maior Seguros instrumentos de poupança e acúmulo de oportunidades de diversificação da car- reservas proporcionados pelos planos de teira, montando um portfólio adequado previdência privada podem ser indicados às necessidades dos clientes, seja em não apenas para fins de aposentadoria, termos de perfil de investimentos, valores mas também para planejamento educae objetivo”, diz Bottino, da Icatu. cional dos filhos e dependentes. Essa moTalvez um dos pontos mais impor- dalidade, que o mercado chama de Planos tantes, apesar de não disponível a todos, para Menores, é uma das que mais têm é começar o mais cedo possível a fazer crescido nos últimos anos”, diz Nasser. a previdência. Nesse caso, o corretor precisa ficar atento aos seus clientes que Possibilidades estão tendo filhos. As novas gerações Esse turbilhão de acontecimentos estão cada vez mais longevas e terão que no País reverberaram no mercado e em trabalhar por muito mais tempo para uma como ele se coloca para seus clientes e aposentadoria confortável. “Quanto mais potenciais consumidores. Para um procedo a pessoa aderir a um plano de pre- duto se tornar mais abrangente algumas vidência privada melhor, pois assim ela mudanças precisam ser feitas. Assim obtém maior prazo de deferimento para será na previdência privada. A Susep alcançar a meta pretendida, seja ela de anunciou em setembro que fará mudanaposentadoria ou de acúmulo de reservas ças nas famílias PGBL e VGBL. Foram para os jovens. E quanto maior for o prazo propostas cinco alterações principais, de contribuição, menor será o valor do entre elas a chance de transformação de aporte exigido para alcançar essa meta”, parte da provisão de benefícios em renda opina o executivo da Bradesco. nos produtos. Fica ainda autorizada a inA previdência complementar, con- serção da figura do participante/segurado forme ressalta o corretor Juliano Silva, qualificado, tomando como exemplo o pode servir para inúmeros fatores porque disposto na Instrução da Comissão de ela será revertida como renda mais para Valores Mobiliários (CVM) 554/14 para frente. “É também um investimento que investidor qualificado. Passa a vigorar se faz com diversas opções de fundo que também a possibilidade de os fundos podem trazer outras coberturas, como a preverem remuneração com base em perfeita para o cônjuge, e algumas de risco, formance ou desempenho, além da taxa como morte ou invalidez permanente, de administração, entre outras questões. coisas que em uma poupança comum A modificação, também complementa e você não teria”, diz Silva. dá maior clareza à Resolução 4.444 do A escolha de plano é um fator deter- Conselho Monetário Nacional quanto à minante. A previdência privada é não só figura do proponente (investidor) qualiuma forma de poupança, mas também de ficado, para o qual poderão ser criados investimento, que pode abarcar diferentes produtos mais flexíveis, com autorização

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para alocação de até 100% dos recursos de previdência privada em renda variável. As novas regras consolidam ainda a autorização para ampliar de 49% para 70% o limite de alocação de recursos em renda variável para todos os demais participantes do sistema. “Trata-se de um avanço que dará maior flexibilidade para as seguradoras desenvolverem produtos para os proponentes que buscam melhor rentabilidade no cenário de juros baixos”, diz Franco. Como entidade que trabalha ao lado da autarquia sugerindo melhorias ao mercado, a Fenaprevi considera positivas as novas regras. A federação acredita que as alterações permitirão que as seguradoras lancem produtos mais adequados às necessidades dos consumidores em um mercado que há 15 anos não era atualizado. Com a autorização para a implementação dos Planos Programados, tanto para PGBL como para VGBL, os participantes terão à sua disposição um leque de opções mais amplo e flexível para planejar a fase de benefícios. Com esses planos, os clientes poderão combinar resgates e recebimento de renda em um mesmo fundo, de acordo com suas necessidades. E poderão fazer alterações nos arranjos disponíveis durante a fase de recebimento do benefício, de acordo com o seu momento de vida. “A ideia de que o ciclo produtivo se encerra de maneira exata com a aposentadoria está em rápida transformação”, afirma o presidente da entidade. “Hoje as pessoas desaceleram o ritmo de trabalho após a aposentadoria sem, necessariamente, sair de vez do mercado de trabalho. Com isso, os clientes precisam de flexibilidade para decidir como querem receber os benefícios de sua previdência privada, criando fluxos combinados de renda e resgate, o que se torna possível com os novos planos”, acredita Franco. As mudanças devem vir no segundo trimestre de 2018, pois há novas circulares que precisam ser lançadas antes dos produtos estarem disponíveis no mercado. Quando as novas modalidades estiverem disponíveis, os participantes poderão transferir seus recursos para os novos planos fazendo a portabilidade dos recursos. “Acreditamos que as novas famílias de PGBL e VGBL Programados terão grande atratividade com forte peso na composição das carteiras de previdência complementar no país”, diz Franco.

Os produtos PGBL e família Criado há 20 anos, em 1997, atualmente, há 20 sociedades seguradoras e Entidades Abertas de Previdência Aberta Complementar (EAPCs) comercializando o produto.

Criação de produtos 〉〉 PGBL Programado – possibilita ao participante o planejamento de resgates programados em um único plano, sem prejuízo da conversão da provisão em renda atuarial; 〉〉 Plano com Desempenho Referenciado (PDR) – possibilita ao participante remuneração da provisão de rentabilidade do Fundo de Investimento Exclusivo (FIE), com critério de desempenho mínimo atrelado a um percentual de um índice de renda fixa.

Inovação de produtos 〉〉 Plano de Previdência Vida Planejada: no plano com essa característica, o FIE, associado ao período de diferimento, deve apresentar percentual decrescente de exposição a investimentos com maior risco, especialmente em ativos de renda variável, ao logo do período de diferimento; 〉〉 Plano com Renda Imediata (PRI) com estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura pode ser elaborada pela própria sociedade seguradora/EAPC. A alteração visa a criar concorrência no mercado de seguros por meio de portabilidades para produtos mais atrativos; 〉〉 Planos com garantia de estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura deve ser elaborada por instituição independente, com conhecida capacidade técnica.

VGBL e família Criado em 2001, atualmente, há 20 sociedades seguradoras comercializando o produto.

Criação de produtos 〉〉 VGBL Programado – possibilita ao segurado o planejamento de resgates programados em um único plano, sem prejuízo da conversão da provisão em renda atuarial; 〉〉 Vida com Desempenho Referenciado (VDR) – possibilita ao segurado remuneração da provisão de rentabilidade do FIE, com critério de desempenho mínimo atrelado a um percentual de um índice de renda fixa.

Inovação de produtos 〉〉 Vida Planejada: no plano com essa característica, o FIE, associado ao período de diferimento, deve apresentar percentual decrescente de exposição a investimentos com maior risco, especialmente em ativos de renda variável, ao logo do período de diferimento; 〉〉 Vida com Renda Imediata (VRI) com estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura pode ser elaborada pela própria sociedade seguradora. A alteração visa a criar concorrência no mercado de seguros por meio de portabilidades para produtos mais atrativos; 〉〉 Planos com garantia de estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura deve ser elaborada por instituição independente, com conhecida capacidade técnica. Fonte: Susep 31


eleições Entidades apresentam novas diretorias Sincor-BA

Sincor-PE

A chapa “Continuar Inovando”, composta pela atual diretoria do Sincor-BA, foi reeleita por unanimidade pelos associados. Wanderson Nascimento segue como presidente da entidade. “Os propósitos que tínhamos no primeiro mandato, se todos não foram conquistados, faltaram poucos. Isso aumenta nossa responsabilidade para que façamos mais do que já foi feito na primeira gestão, e cumprir o que faltou ser feito nesse mesmo mandato, que se encerra em dezembro”, diz Nascimento.

A partir de 2018, o Sincor-PE passará a ser comandado por Carlos Alberto Valle. Ele substituirá Cláudia Cândido Diniz e deve permanecer no cargo até o ano de 2021. A nova diretoria também traz José Limongi Di Francesco como vice-presidente, Nilton Luiz Bandeira Castelo Branco como diretor secretário, Paulo Cavalcanti de Lucena Júnior como diretor financeiro e Hilton Felix Sena como diretor social. A votação para a nova diretoria ocorreu na sede do Sincor-PE, em Recife e também nas delegacias de Caruaru e Petrolina.

Sincor-GO

Sincor-SE

Deputado federal e atual vice-presidente Institucional e de Relações com o Corretor de Seguros do Sincor-GO, Lucas Vergilio foi eleito presidente da entidade para o quadriênio 2018-2021. A posse ocorrerá em 1º de janeiro de 2018. Os associados votaram na sede administrativa do sindicato, em Goiânia, e nas diretorias Territoriais do Sincor-GO em Anápolis, Catalão, Itumbiara e Rio Verde. “Os próximos anos serão de muito trabalho. Meu papel será o de propiciar novos negócios aos nossos associados e fazer com que o mercado goiano cresça e se desenvolva”, afirma Vergilio.

Os corretores associados ao Sincor-SE participaram da eleição da nova diretoria, que será responsável pelo sindicato durante o quadriênio 2018/2021. Apenas uma chapa foi inscrita, a “Sincor de todos”, encabeçada pelo atual diretor-presidente, Érico Melo. “Para mim, é uma grande satisfação poder continuar o trabalho que fizemos ao longo dos últimos quatro anos. A escolha dos corretores é sinal de que estamos no caminho certo e de que temos muito mais a fazer, para que o mercado de seguros continue crescendo aqui em Sergipe”, declara Melo.

CCS da Costa da Mata Atlântica Nova diretoria do Clube dos Corretores de Seguros da Costa da Mata Atlântica na festa de posse dessa nova gestão, que continuará liderada por Edmundo Paulo Paschoal, realizada em Santos

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lançamento | Regula

A nova geração de corretores quer mais tempo para vender Empresa lança serviço de atendimento e acompanhamento de sinistro nas carteiras de automóvel, vida, RE, RC e fiança locatícia para facilitar a vida dos corretores de seguros

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pós 18 anos como corretor de seguros, Daniel Bortoletto identificou uma lacuna importante no mercado. Ele percebeu, por sua própria experiência, que os corretores de seguros demandam muito tempo e dinheiro para cuidar dos sinistros de alguns segurados. A Regula realiza este atendimento de clientes sinistrados para o corretor de seguros. A empresa nasceu para ajudar os corretores de seguros a encontrar o equilíbrio entre a necessidade de atender bem seus clientes e a difícil tarefa de ampliar sua carteira de negócios, gerando disponibilidade de tempo para prospecções e novos fechamentos. Ela apresenta uma solução inovadora de terceirização desta área, atuando como uma representante da corretora desde o momento da abertura do sinistro pelo segurado até a sua conclusão, com o principal objetivo de fidelizar e até gerar novos negócios para as corretoras. Outro efeito desta terceirização é a contribuição com a gestão de custos dos corretores, pois eles podem realocar recursos, direcionando suas energias e das suas equipes administrativas para a área comercial. “A Regula nasce para proporcionar tempo para os corretores produzirem mais de forma inteligente, com segurados felizes e colaboradores focados no objeto da empresa”, explica Bortoletto. Há pouco mais de um mês no mercado, ela já possui vários clientes que começaram a utilizar o serviço para ter mais tempo para se dedicar às vendas, aproveitando o custo

de oportunidade. O seu planejamento estratégico está bem definido e já conta com a meta de atingir 2% dos corretores de seguros de São Paulo, nos próximos dois anos. Daniel Bortoletto Sua inovação está na logística: o processo e fluxo de atendimento iniciando na carreira e ainda possuem é simples e rápido, disponibilizando várias poucos segurados. “Temos o Regula10, formas do corretor compartilhar os sinis- um plano especial para os corretores que tros da sua carteira via email, site, app, estão iniciando suas carteiras com um custo whatsapp e acompanhar em tempo real de R$79,99 reais por mês, com direito a o status dos sinistros dos seus segurados. 10 atendimentos por ano, e no site www. A Regula possui oito produtos em sua regula.com.br/planos disponibilizamos prateleira. Eles já foram aperfeiçoados e pacotes a partir de 5 atendimentos mês ou alinhados às necessidades dos corretores. 60 no ano, a partir de R$374,99 por mês, Agora, são vendidos em pacotes por quan- e também personalizamos de acordo com tidade de atendimento. O serviço cobre as a real necessidade da corretora”, explica carteiras de automóvel, vida, ramos ele- o executivo. Todos os pacotes podem ser mentares, responsabilidade civil e fiança. adquiridos online. “Também oferecemos a possibilidade do cliente contratar o serviço por ocorrência. Custo de oportunidade Este usuário pode ser corretor ou consuToda vez que o corretor de seguros ou midor”. A Regula é um representante do sua equipe para a produção para atender corretor para acompanhar o segurado no um sinistro, ele gera o custo de oportunimomento do sinistro. dade. Seu papel é ser o principal canal coA qualidade do serviço é garantida mercial e de distribuição das seguradoras. pela pesquisa realizada ao final de todos Seu foco é “vendas”. os atendimentos. “Quando finalizamos, Quando um chamado é aberto pelo mandamos um questionário de satisfação corretor, a Regula entra em contato com para o cliente, cujo relatório será enviado o cliente em até 10 minutos. “Este é um para o corretor periodicamente”, reforça compromisso da empresa, cujo processo Bortoletto. pode ser acompanhado online pelo correUma das coisas que despertou o tor”, acrescenta o executivo. interesse em criar a Regula foi a observa“A nova geração de corretores de segução de que os clientes bem atendidos no ros está preocupada com a sua produtividamomento do sinistro acabavam gerando de, com o equilíbrio da corretora (produção novos negócios e até trazendo o ter- x custos). De forma inteligente, ele pode ceiro (revertendo como segurado para potencializar sua produção, conquistar o a corretora). reconhecimento das seguradoras e garantir O Plano de Livre Escolha cobre que os clientes que tiverem problema reapenas um atendimento específico e cebam atendimento eficiente, profissional tem custo de R$ 89,90. Ele é indicado e, principalmente, humanizado”, conclui para os corretores de seguros que estão Bortoletto. 33


férias | viagem

Relaxar, mas com seguro

Erros, acertos e experiências podem definir como serão as viagens das férias

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Amanda Cruz

ano de 2017 foi marcado por reviravoltas políticas e crises econômicas que pesaram também no setor de turismo. Mas a chegada de dezembro anima agora os agentes de viagem e também aqueles que esperaram o ano inteiro por um descanso. Só que descansar não deveria ser sinônimo de abandonar algumas responsabilidades cruciais para a segurança, como o seguro viagem. Turistas brasileiros, algumas vezes, 34

se esquecem deste produto que pode ser contratado tanto para viagens nacionais quanto internacionais. No País, apenas 30% dos viajantes contratam o produto.

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Marcio Magnaboschi, da AXA

Muitos desconhecem a necessidade e até a obrigatoriedade de ter a proteção, mas o setor batalha nessa carteira para que isso mude. “A conscientização vem ganhando força. Com mais pessoas viajando, inevitavelmente, sinistros acontecem. Quando as pessoas se deparam com um problema em uma situação de maior vulnerabilidade, fora de sua residência, elas passam a valorizar mais o seguro.”, comenta Marcio Magnaboschi, diretor Comercial de Vida, da AXA. Há no Brasil a cultura do “não vai acontecer comigo”, especialmente no que diz respeito aos momentos de lazer com os quais as pessoas não gostam de associar a riscos, mas imprevistos estão por todas as partes. “Ano a ano há diversas notícias sobre sinistros. Os que viajam sem seguro são pessoas inexperientes, que precisam de explicações mais elabo-


o número de estrangeiros, nos próximos cinco anos. Com essa movimentação de turistas, a expectativa é gerar cerca de 2 milhões de empregos extras pelo turismo e injetar quase US$ 13 bilhões na economia com o turismo internacional”, informa em nota.

O que cobre?

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Rafael Turra, da Vital Card

radas para saberem para que serve e quais são os riscos. Isso muda com a experiência, embora nem mesmo os viajantes experientes contratem sempre o seguro”, elucida Rafael Turra, diretor Operacional e de Produtos da Vital Card. De acordo com levantamento da empresa, realizado em outubro de 2017, são os viajantes entre 35 e 50 anos que principalmente contratam a proteção. Os destinos com maior percentual de segurados são Europa (40%) e EUA (31,5%), com outros países somando 24% e as viagens nacionais com apenas 5% de contratações. Esses números levam em conta uma série de fatores, como o da obrigatoriedade do seguro para viagens à Europa e o fato de que quanto mais perto a viagem, menos as pessoas temem os riscos e menos contratam. “O viajante que está começando vai optar pelo que é mais barato, mas é justamente nesse momento que ele pode ter problemas, se a cobertura contratada não for suficiente”, comenta Turra. De acordo com dados fornecidos pelo Ministério do Turismo à Revista Apólice, anualmente cerca de 60 milhões de pessoas viajam dentro do Brasil e um dos grandes desafios continua sendo ampliar o turismo no País, seja trazendo mais visitantes internacionais para cá, seja fazendo com que o setor de viagens e turismo fique mais acessível a um maior número de brasileiros. “A expectativa da Pasta é incluir mais 40 milhões de brasileiros no mercado de viagens domésticas e ampliar de 6,5 milhões para 12 milhões

Aqui no País, as pessoas se sentem em casa e, de fato, quem tem um seguro saúde com abrangência nacional, por exemplo, tem seus motivos para se sentir mais tranquilo caso necessite de um atendimento. Mas nem só de atendimento médico vive o produto. Há outras coberturas que podem ser contratadas que evitam muitas despesas. “Alguns planos de saúde não contemplam uma cobertura nacional para urgência e emergência”, alerta Magnaboschi. Ele explica ainda que o valor do produto na viagem nacional é menor que 5% do total da viagem. “O seguro viagem nacional é muito barato e se uma pessoa for, por exemplo, para o nordeste, e precisar voltar para a sua cidade mais cedo, o seguro pode cobrir”, completa. Hoje, as agências de viagem já têm plena consciência da necessidade do seguro e são bons agentes na hora de orientar seus clientes. Carolina Beloni, coordenadora de atendimento da Adventure Club, afirma que o seguro é sempre oferecido a todos os seus viajantes. “Cerca de 70% dos clientes perguntam se o seguro está incluso, e cerca de 10% perguntam sobre as coberturas”, calcula. As apólices normalmente incluem, além da médica, coberturas como extravio de bagagem, atraso de voo e cancelamento de viagem, por exemplo. Mas é preciso estar atento ao que se compra. Não é porque algo está disponível no mercado que é válido para determinada contratação. “Se a pessoa contrata um plano básico, olhando apenas para o preço, ficará sem essas coberturas extras. Isso gera dúvidas, porque só durante a viagem é que ela descobre que não tem esse direito”, diz Turra. A falta de conhecimento sobre seguros gera também confusões sobre diferentes produtos, conforme explica o executivo da Axa: “Muitas pessoas

acabam confundindo seguro viagem com planos de saúde. O seguro viagem é utilizado somente para urgências e emergências, diferente do plano de saúde, que suporta consultas de rotina, ambulatoriais, checkup etc.”. “No pacote que fechamos com as operadoras, são elas que incluem o seguro de acordo com o roteiro. Quando fazemos por aqui, passamos duas ou três opções de planos e deixamos que o cliente escolha”, afirma Carolina. Entre os que contratam, só 5 a 10% têm algum tipo de dificuldade com a seguradora para utilizar o produto. O que mais pode dar errado, ainda, é o plano ser básico demais para o destino. Levando-se em consideração um dos principais destinos dos brasileiros, os EUA são um bom exemplo de como uma simples consulta ou uma doença mais séria podem levar ao fim da viagem. Os preços salgados, de acordo com a publicação The New York Times, têm curativos pequenos custando até US$ 2 mil em hospitais como o Califórnia Pacific Medical Center, além de uma diária de internação que custa no país, em média, US$ 4 mil a diária. “O custo médico lá fora, mesmo para uma doença não muito grave, fica facilmente mais do que US$ 30 mil”, comenta Turra. De todas as coberturas, a médica ainda é a mais acionada – principalmente por conta de intoxicações alimentares; em seguida vem o cancelamento de viagens – que pode ser feito por conta de doença, morte de parentes do passageiro,

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Carolina Beloni, da Adventure Club 35


>>> viagem demissão ou cancelamento de férias por parte do empregador; e o terceiro lugar de sinistros fica com o extravio de bagagens. Comprar com antecedência, portanto, é a chave da contratação, se algo acontecer e o cliente não puder viajar, com a apólice garantida ele poderá fazer o cancelamento sem prejuízos.

A carteira

Como toda carteira de seguros, o Viagem também passou e deverá passar por diversas transformações, mas como elas serão? Magnaboschi tem alguns palpites sobre o futuro. Para ele, o seguro viagem deverá ser modular, com cada consumidor escolhendo valores de coberturas e quais itens gostaria de adicionar, além dos obrigatórios estipulados pela Susep, de acordo com suas necessidades. Já quando o assunto é legislação, o executivo acredita que a CNSP 315/2014 cumpriu o papel de regular o mercado informal da venda dos “vouchers de viagem”. “Algumas empresas acabavam expondo os beneficiários a riscos, pois estes achavam que estavam cobertos em suas viagens e, no momento de um imprevisto, percebiam que não era bem assim ou que o limite de capital era global para todas as coberturas exibidas no voucher. A Susep recebia muitas reclamações, mas não tinha como atuar, pois essas empresas não estavam regulamentadas pelo órgão”, explica. Mesmo com os piratas longe desses mares, o seguro viagem é tradicionalmente oferecido como benefício em outros mercados, como com cartões de crédito e planos de saúde. “O modelo de negócio é bem diferente da venda de vouchers de viagem, onde ainda restam gargalos. “Pela legislação atual é obrigatória a emissão de um bilhete de seguro individual e as bandeiras de cartões de crédito não têm acesso aos dados pessoais dos titulares dos cartões. Com isso, para se adequar à nova legislação, foi necessário mudar o fluxo operacional destes benefícios”, destaca Magnaboschi.

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Renata Sirtoli

seguro pode ser útil. Renata Sirtoli, de 29 anos, foi à Alemanha, que faz parte do Acordo de Schengen, mas sequer se preocupou com essa questão, pois a agência de intercâmbio havia estudado o caso para ela, que viajava como estudante. Mesmo assim, ela afirma: “tive total ciência do que estava coberto e dos valores de indenização, pois eram pontos importantes para aprovação do visto”. Já por lá, Renata ficou doente e não teve dúvidas: recorreu ao hospital e foi prontamente atendida, sem nenhum percalço. “Não paguei nada a mais pelo atendimento e o valor dos remédios foi

A experiência muda tudo

Para quem acha que o seguro é um exagero e que tudo bem viajar sem contratar nada, dois casos mostram como o 36

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Rafael Perez

reembolsado pela seguradora”, afirma. Renata é um exemplo de viajante que já tem a cultura, pois afirma que nunca viajou sem contratar proteção, que considera importante. “Tenho medo que aconteça alguma coisa e a gente nunca sabe como é o atendimento público em outros países. Além do mais, sei que o seguro cobre extravio de malas e outros problemas durante a viagem”. O intercâmbio, sonho de muitos jovens, parece ser uma boa entrada para o consumidor de seguro viagem, pois foi nessa situação que Rafael Perez, 23 anos, teve seu contato com o setor, ao viajar para Buenos Aires, Argentina, para fazer trabalho voluntário. “Fiz a contratação, pois eles exigiam o seguro. Escolhi a companhia que tinha a melhor cotação, R$ 200 para os 47 dias”, explica. Com o inverno argentino, Rafael adoeceu por problemas respiratórios e ao chegar ao hospital, não pode ser atendido, pois descobriu que seu nome estava com a grafia errada na apólice de seguro. Apesar da recusa, Rafael recorreu à seguradora e, nesse caso, o atendimento fez a diferença. “Eles prestaram um atendimento muito bom e consertaram o erro. Voltei ao hospital e fui atendido sem problemas. A assistência prestada e o hospital foram excelentes”, lembra. Essa experiência serviu ao estudante para entender duas coisas: que imprevistos acontecem, sim, e que o seguro não é tão caro quanto imaginava, embora ele confesse que o preço é um fator de muito peso para a contratação. Em 2018, Rafael está indo a um novo intercâmbio, dessa vez na Espanha e já está ciente: para além da exigência, contratar um seguro é crucial. “Os planos para a Europa são mais caros, mas li e pesquisei bastante sobre o assunto. Sei que vale muito a pena, pois se não fosse o seguro, não sei como eu estaria lá devido à doença”, diz. A cultura do seguro chegou tanto para Renata quanto para Rafael, o que pode deixar esse nicho de mercado animado. As viagens, sejam a trabalho ou de férias, são sonhos e momentos de realização, especialmente para uma geração que cresceu e a que vem chegando e abraçando modos de vida que priorizam mais experiências do que bens materiais.


reconhecimento | mercado

SindSeg MG/GO/MT/DF entrega Medalha do Mérito Segurador 2017 durante evento de confraternização

Mauro Batista, Augusto Matos e José Cristóvão

Augusto Matos

Maria Filomena Branquinho (Sincor MG), José Cristóvão Martins (Sincor MT), Augusto Matos (SindSeg MG/GO/MT/DF), Dorival Alves de Sousa (Sincor DF) e Henderson Rodrigues (Sincor GO)

Convidados

Diretoria do SindSeg MG/GO/MT/DF

Representantes homenageados

Pista de dança

Homenageados das comissões

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econhecer e destacar as personalidades do mercado e da sociedade que contribuem para o fortalecimento do mercado de seguros é a proposta da Medalha do Mérito Segurador, premiação concedida pelo Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Resseguros e de Capitalização dos Estados de Minas Gerais, Goiás, do Mato Grosso e do Distrito Federal (SindSeg MG/GO/MT/DF). Em sua sexta edição, o evento foi realizado na capital mineira, no dia 24 de novembro, e reuniu cerca de 300 convidados. O evento teve como proposta o “Futuro”, e a importância de pensar e planejá-lo foi abordada durante toda a solenidade. O início da cerimônia foi marcado pela exibição de um vídeo com depoimentos de participantes da última

José Luis F. Silva, Augusto Matos e Ronaldo Pinho

edição do Fórum do Amanhã sobre a importância do mercado de seguros para a construção de um futuro melhor. Realizado em novembro, na cidade mineira de Tiradentes, o evento foi apoiado pelo SindSeg MG/GO/MT/DF. Após essa abertura, foram entregues as medalhas aos agraciados. Neste ano, os escolhidos foram os presidentes do Sindicato das Seguradoras e Resseguradoras do Estado de São Paulo (SindSeg SP), Mauro César Batista, e do Sindicato dos Corretores de Seguros de Empresas Corretoras de Seguros e de Capitalização no Estado de Mato Grosso (Sincor/MT), José Cristóvão Martins. O superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Joaquim Mendanha de Ataídes, também receberia a homenagem, mas em função de uma cirurgia de emergência,

não pode comparecer. Os representantes regionais e os membros das comissões do SindSeg MG/ GO/MT/DF também foram homenageados. Eles foram presenteados com o livro “Parques e reservas: Patrimônio de Minas Gerais”, que aborda a riqueza natural e a diversidade cultural dos parques e seu entorno. Ao final da cerimônia, o Presidente Augusto Frederico Costa Rosa de Matos agradeceu a presença e reforçou no discurso a importância da união dos profissionais para o crescimento do segmento. “O mercado de seguros é um só. Desde 2013, o país vive um cenário de incertezas. Por isso, é fundamental trabalharmos com determinação, criatividade, empenho e focados nas oportunidades, construindo um futuro melhor para todos”, frisou. 37


eventos CCS-SP recebe VP executivo da Porto Seguro Vice-presidente executivo da Porto Seguro, Roberto Santos participou do almoço realizado pelo Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo. Santos, que vai assumir a presidência da seguradora em 2018, expôs suas ideias sobre o seguro de automóvel e sobre o seguro na era digital, em que chamou atenção para o processo de venda com o uso de tecnologias que contemplem a jornada do cliente. “Precisamos colocar o segurado no centro das decisões e mudar o modelo de produto para custumer centricity, que cria novos vínculos com os consumidores”, disse. No evento, também foram homenageados o associado João Urdiales Gongora, que completou 60 anos de carreira no setor, e o ex-mentor Luis López Vázquez, falecido em 1º de outubro.

Aconseg-SP comemora 14 anos A Aconseg-SP comemorou seus 14 anos de atuação. Presidente da entidade, Marcos Colantonio lembrou que a assessoria tem como base oferecer ferramentas importantes aos corretores, como apoio técnico e atendimento especializado. Para o próximo ano, o foco de crescimento da Aconseg-SP é o seguro de vida. A perspectiva de Colantonio é que a entidade feche 2017 com 15% de crescimento. Outro destaque foi a alta no índice de treinamento de corretores pelas assessorias. Para 2018, o desejo da entidade é manter este crescimento. “No próximo aniversário, queremos apresentar produção de R$ 1,5 bilhão”, declarou.

Sincor-SP inaugura Casa do Corretor - Regional Sul Corretores de seguros, seguradores e lideranças do setor visitaram a nova Regional São Paulo Sul do Sincor-SP. Inaugurada na Avenida Ibirapuera sob o conceito “Casa do Corretor de Seguros”, o espaço inclui auditório e loja térrea para ampliar a divulgação da categoria e dar mais acessibilidade ao profissional e aos beneficiários e vítimas de acidentes de trânsito que buscam o Sindicato para atendimento gratuito do seguro DPVAT. “Este é um dia festivo, de uma entrega importante da gestão: uma regional toda modernizada e neste porte, aberta para todos utilizarmos seus espaços e serviços”, afirmou o diretor regional São Paulo Sul, Márcio Silva.

Susep focada no desenvolvimento do mercado Nunca o Brasil precisou tanto de líderes. Essa foi a mensagem deixada pelo titular da Susep, Joaquim Mendanha de Ataídes, no almoço em sua homenagem realizado pelo Clube Vida em Grupo RJ. “Usem a liderança para ajudar o mercado a ocupar uma posição de destaque cada vez maior na economia”, recomendou Mendanha. “Não é novidade que sempre houve certa dificuldade em incluir o seguro na agenda do governo, e hoje encaramos esse desafio”, conta. O presidente Carlos Ivo Gonçalves fez a entrega de uma placa comemorativa ao lado do presidente da CNseg, Marcio Coriolano, do presidente do Sincor-RJ, Henrique Brandão, e do presidente do Conselho Consultivo do CVG-RJ, Ênio Miraglia. 38


Sincor-RS realiza 15º Jantar dos Cozinheiros Cerca de 400 convidados participaram do 15º Jantar dos Cozinheiros, promovido pelo Sincor-RS. Chefiado pelo corretor Milton Pereira Adriano, o evento contou com a participação do cantor Cleinton Amorim. Na mesma ocasião, a entidade realizou sua confraternização de fim de ano e também entregou um cheque de R$ 8 mil para Denise Micelli, diretora da Escola de Educação Infantil Só Bebê, que atende crianças em situação de vulnerabilidade.

UCS celebra conquistas A União dos Corretores de Seguros (UCS) reuniu em seu último encontro de 2017 cerca de 300 pessoas, entre associados e lideranças do setor. “Este foi um ano difícil para todos, período de enfrentamentos e desafios, mas que conseguimos superar e chegar ao final com crescimento. Por isso é momento de confraternizar”, declarou Mara Borges Sutto, presidente da entidade.

CVG-SP realiza primeira confraternização da gestão Kasahaya A festa de final de ano do Clube Vida em Grupo de São Paulo recebeu 250 convidados no espaço Trio Pérgola, em São Paulo. O presidente do CVG-SP, Silas Kasahaya, destacou o trabalho realizado pelos ex-presidentes que hoje fazem parte do Conselho da entidade. Ele lembrou também que o CVG-SP completou 36 anos em 2017. Kasahaya destacou a postura da nova diretoria de investir na comunicação com o mercado e com seus associados. “Percebemos que precisávamos de um novo posicionamento para melhor comunicar nossas ações”, justificou. O destaque da noite ficou por conta da divulgação da carta de intenção junto ao Million Dollar Round Table (MDRT), entidade internacional fundada em 1927 por corretores nos EUA. A parceria entre o CVG-SP e a entidade deve ser assinada em 2018.

Clube dos Corretores do ABC Paulista Associados, convidados e membros de seguradoras marcaram presença na festa de confraternização do Clube dos Corretores de Seguros do Grande ABC, realizada no Estância Alto da Serra, em São Bernardo do Campo (SP). “O Clube está muito agradecido com o apoio recebido de todos os associados, parceiros e amigos”, declarou o presidente, Jocimar de Carvalho, que também fez um balanço dos avanços da entidade ao longo de 2017. “Tivemos um crescimento significativo com a conquista de novos associados novos e resgate de alguns que, por algum motivo, haviam se desligado.” 39


simpósio | transportes

O mercado de transportes avança

Clube Internacional de Seguro de Transporte promove evento para debater as mudanças e desafios do setor Amanda Cruz

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odo ano o seguro de transporte tem um dia reservado ao conhecimento e ao debate da carteira. Seja marítimo ou, e principalmente, rodoviário, o Brasil ainda tem muito que avançar quando o assunto é cuidar das cargas que percorrem o País ou as que são exportadas. Com todos esses fatores como parte fundamental de sua existência, o Clube Internacional de Seguro de Transporte (CIST) é o idealizador do Simpósio que, anualmente, traz os assuntos mais urgentes a serem discutidos. Mas nem só os transportes são debatidos no evento. Tanto que o painel que abriu os debates em São Paulo teve como tema a Lei de Contrato de Seguro, que há tempos tramita na câmara e no senado e vem sendo aperfeiçoada há pelo menos 13 anos, devendo ser decisiva para sanar alguns dilemas de mercado. Ernesto Tzirulnik, advogado e presidente do Instituto de Direito do Seguro – IDBS, acredita que a ideia principal do projeto é diminuir a profusão de normas infrale40

gais, pois há diversos textos normativos para regulamentar as matérias de seguro. “Em 2017 foram 22 circulares da Susep. É humanamente impossível o mesmo grupo redigir todas elas e deixar ordenados diferentes conceitos e linguagens. Se esses textos não conseguem ser internamente coerentes, o que pode ajudar a direcionar a leitura, compreensão e validade dessas normas? A lei”, defendeu. Construir uma sociedade livre, justa e solidária – demonstrando assim o valor social do seguro -, fomentar a economia e a sociedade e ajudá-la a se desenvolver plenamente: essas são diretrizes presentes na Constituição e que devem ser seguidas por todas as empresas financeiras. Todas as normas devem estar submetidas a essas premissas. Outro ponto que deverá ser cuidado pela Lei do Seguro são as recusas feitas pelas seguradoras e exigências de maior transparência nas coberturas oferecidas.

União do P&I

O evento era voltado ao mercado

de transportes e por isso mesmo contou com materiais técnicos sobre o nicho. Mauro Sammarco, diretor da Brazil P&I (Proteção e Indenização), explicou como funciona a iniciativa. O grupo, sem fins lucrativos, tem como objetivo dar mais segurança aos transportes marítimos, buscando maiores coberturas de resseguros e representação perante órgãos mundiais de regulação. Ele se une para que sinistros até determinado valor possam ser arcados pelos clubes envolvidos. Quando o valor ultrapassa a cota estipulada, eles recorrem ao mercado de resseguros. “O Costa Concórdia foi feito sob esse modelo. Sem essa divisão entre os grupos o pagamento não seria possível”, explicou Sammarco. O clube de proteção age também para que os acidentes não sejam judicializados, o que seria um longo caminho a percorrer até a indenização. O P&I cobre riscos do navio para terceiros, seja tripulantes, trabalhadores, avarias e, principalmente, cargas. Essa última abocanha de 30% a 40% dos


valores dos sinistros. “O seguro de carga tem grande importância pelo volume de sinistros, mas há também a preocupação com cargas poluentes”, disse. Com regras rígidas e estabelecidas, esses clubes atuam desde o século XIX e seguem linhas muito parecidas com qualquer outra companhia de seguro. Os clubes de P&I não rechaçam o mercado de seguros, mas se aproximam para ter coberturas para sinistros grandes com os quais não podem arcar.

O futuro com drones

Por terra, por água e, por que não, por ar? Há muito se espera que o drone vire um modal de transportes e, apesar de muitos deles já voarem por aí, ainda existem barreiras que atrasam essa demanda e uma pergunta crucial que os setores associados à tecnologia fazem: estamos preparados? Daniela Murias, gerente de seguros aeronáuticos da XL Catlin, ministrou sua palestra que desmistificou algumas crenças sobre drones. Embora uma legislação específica para o assunto só tenha chegado esse ano, em 2012 a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já previa o uso de drones para pesquisas. O texto estabelecido em maio de 2017 apenas deixou o equipamento mais acessível ao público. Além da Agência, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), que homologa os equipamentos, também estão envolvidos na regulamentação dessas aeronaves remotamente pilotadas. O DECEA estabelece a distância mínima de 30 metros de edificações e de terceiros nesses voos, cenário muito diferente do que é muitas vezes visto depois da popularização: shows, casamentos e até mesmo drones invadindo o espaço da aviação comercial, como ocorreu recentemente no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Em companhias como a americana Amazon e a alemã DHL já são feitos testes para utilizar drones na realização de entregas de produtos, mas tudo ainda é bastante experimental. A entrega por esse meio chegará, mas precisa de muito estudo e gerenciamento de riscos para se

tornar uma prática comum. O que já está surtindo bons efeitos no mercado de seguros, por exemplo, é a utilização da tecnologia para inspecionar sinistros em locais remotos ou que passaram por tragédias que dificultam o acesso de inspetores. Além disso, são mais rápidos: enquanto a inspeção normal demoraria, em média, 17 dias em termos convencionais, com a ferramenta pode ser feito em apenas dois dias. O futuro no mercado de transportes conta com os drones para realizar suas entregas não só por ar, mas também pelas águas. Já existem protótipos marítimos à prova de pirataria, que em breve deverão navegar grandes cargas.

Violência e transportes

De volta à terra, o roubo de cargas tem sido alarmante no Brasil. Diversos estados veem suas cargas deixando de chegar aos destinos e a preocupação só cresce. Para discutir o assunto, o CIST levou Venâncio Alves de Moura, ex-coronel do Bope, considerando que o Rio de Janeiro é o estado com maior índice de roubos que causam grandes impactos às seguradoras. O ex-coronel acredita que falta estrutura do estado para enfrentar esse problema é o maior agravante. Segundo ele, até 2013 apenas quadrilhas especializadas atuavam no roubo de cargas, mas de lá pra cá o tráfico de drogas entrou no assunto, levando a um aumento exponencial. Em relação a 2016, a prática criminosa aumentou 13% neste ano. Para o combate, foi criado um grupo de enfrentamento em outubro deste ano com diversos representantes do governo, do setor de cargas e polícias, grupo do qual Moura faz parte. “Fazemos reuniões e elas são a medida para frear esses crimes, especialmente em locais que antes sequer sofriam com eles”, disse Moura. O ex-coronel reforçou ainda que a mudança de ação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) deu maior autonomia funcional à atuação e foi fundamental, passando a patrulhar locais mais críticos e, agora, segundo ele, dando resultados. “O mês de setembro de 2017 já foi melhor que o mesmo período do ano anterior, desde maio de 2017 se vê

um decréscimo de ocorrências por conta desse planejamento”, pontuou.

O futuro

Encerrando o evento, a tecnologia foi o mote do painel do palestrante Roberto Uhl, gerente de canais digitais da Argo Seguros. Para ele, a inovação digital é, principalmente, o que é feito com a tecnologia para duas situações principais: resolver problemas e mecanizar trabalhos repetitivos e utilização do meio online para aquisição de segurados. Em transportes, as conexões propiciadas são o ponto forte dos avanços tecnológicos. “A Tesla Motors, por exemplo, lançou o primeiro caminhão elétrico que tem três coisas que chamam a atenção: promessa de desempenho superior ao existente hoje; o título de caminhão mais seguro que existe; e o fato de não ser um protótipo, mas uma realidade de futuro próximo”, elencou. O caminhão já pode ser reservado e rodará em breve pelas ruas para quem quiser. Big Data, internet das coisas, blockchain, API, plataformas p2p, análise de riscos por algoritmos e tantas outras tecnologias que surgem e são inseridas no setor ainda não são suficientes para considerar esse um mercado plenamente tecnológico. “Hoje, a maioria das ações ainda é feita por boleto”, pontuou Uhl. O presente disruptivo fica por conta das insurtechs, que apresentam um conceito completamente diferente do que é praticado hoje no mercado e que oferece possibilidades para quem quer mudar, mas não sabe como. Focar na experiência do cliente, ter um processo ágil, entendimento da geração millennial, prioridade maior em se estabelecer do que ter resultados e menos comprometimento com questões regulatórias. Essas são características atribuídas às insurtechs, mas não deveriam ser as metas de todas as companhias em pleno 2017? Para Uhl, a resposta é sim. Apesar de focado em transportes, os temas debatidos durante o 5° Simpósio Cist servem a todo o mercado como reflexão do que há de novo e o que deve ser exigido do setor, e também de como engajar e envolver a sociedade em novas experiências de mercado. 41


comunicação e expressão por J. B. Oliveira*

NATAL: A HISTÓRIA E A ESSÊNCIA A cada 25 de dezembro, engalanada e festiva, a humanidade comemora mais um aniversário do nascimento de Jesus, ocorrido em Belém, no ano um de nossa era — o primeiro anno Domini. Estaríamos, agora, portanto, comemorando o 2.017º ano do de seu nascimento. Entretanto... Estudos e levantamentos cronológicos e históricos comparados contestam a época do nascimento de Cristo, que não teria ocorrido no ano que consideramos o primeiro, mas sim entre quatro a seis anos antes. Igualmente, o mês não teria sido dezembro, auge do inverno na Palestina, marcado por frio tão intenso que, à noite, os pastores recolhem suas ovelhas aos apriscos — abrigos cobertos e fechados — para resguardá-las do rigor invernal. Assim sendo, não teria sido possível estarem os pastores no campo, com seus rebanhos, quando os anjos anunciaram que na “cidade de Davi nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”, como narra o evangelista Lucas. É mais provável, isto sim, que o evento tenha ocorrido entre fevereiro e abril, de temperatura menos hostil. O dia, por outro lado, não teria qualquer ligação com o citado dia 25. Essa data teria sido fixada já muito posteriormente, e por influência do sincretismo religioso, que incorporou hábitos e festividades pagãos ao incipiente Cristianismo, visando facilitar sua aceitação por outros credos. Na verdade, 25 de dezembro era a data consagrada pelo culto pagão ao deus Sol, e como Cristo prefigurava a aurora de uma nova era, de uma nova vida, passou a ter essa representação. A conclusão é que não há registros históricos indiscutíveis a respeito do ano, do mês e do dia do nascimento de Jesus. E isso, que pode parecer um despropósito aos olhos dos homens, é, antes, como que um propósito de Deus, o Grande Criador dos Mundos. Não quer ele que nos ocupemos ou nos preocupemos com detalhes históricos ou geográficos, todos de importância menor. O importante, realmente, o certo e indiscutível, é o fato espiritual: CRISTO NASCEU! Nasceu e revolucionou o mundo, a História e os conceitos humanos! Nasceu e trouxe consigo a Redenção, a Religião (re-ligação entre criatura e Criador) e o Evangelho (Ev-Angelós), a boa nova entoada pelos anjos naquela noite de Belém, e repetida hoje em todo o mundo: “GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS; PAZ NA TERRA E BOA-VONTADE ENTRE OS HOMENS!”

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* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista. É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br


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Revista Apolice ed 228  

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