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N.O 1 | JAN-FEV-MAR 2014 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

ULISSES PEREIRA

Uma entrevista franca, abrangente e, sem se esconder nas respostas

MARTA E VÂNIA SÁ UNIDAS TAMBÉM NO ANDEBOL

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VERA LOPES E TELMA AMADO GUERREIRAS NA TERRA DOS ELFOS

Página 18

EDUARDO FILIPE E MIGUEL MARTINS PAIXÃO PARTILHADA

Página 24

CONDIÇÃO FÍSICA DO ÁRBITRO Página 22

ANDEBOL DE PRAIA ESPETACULARIDADE E FAIR PLAY Página 34


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NESTA EDIÇÃO A UMA SÓ VOZ

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OPINIÃO

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ENTREVISTA

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Presidente da APAOMA, António Trinca dá a as boas vindas Jorge Fernandes, fala sobre a relação entre árbitros e treinadores Marta Doutel Sá e Vânia Doutel Sá revelam-nos o ínicio da sua vida desportiva

ARQUIVO FADU

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CAPA

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UM FDS COM...

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OPINIÃO

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Grande entrevista de Ulisses Pereira Vera Lopes e Telma Amado, na Islândia Alberto Alves, fala sobre a condição física e o treino desportivo dos árbitros

GERAÇÕES

Eduardo Filipe e Miguel Martins, descubra as diferenças entre as duas gerações

ARQUIVO FADU

NÓS...NA SÉRVIA

Women World Championship Servia 2013, visto pelo árbitro interncional Duarte Santos

QUEM É QUEM

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OPINIÃO

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NOTÍCIAS

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OPINIÃO

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Desporto universitário com Beatriz Cordeiro e Humberto Gomes Bruno Almeida com uma breve introdução ao desporto universitário em Portugal e na Universidade do Porto Desatque para assuntos andebolísticos

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DIREÇÃO Presidente António Trinca (CIPA 68 870) Vice-Presidente administrativo Eurico NIcolau (CIPA 108 725) Vice-Presidente assoc. núcleos Alfredo Teixeira (CIPA 164 908) Vice-Presidente financeiro Ivan Caçador (CIPA 111 803) Tesoureiro Tiago Monteiro (CIPA 107 780)

António Brousse e a modalidade de verão, o andebol de praia

Andebol de praia

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

CONSELHO FISCAL E DISCIPLINAR

Edição APAOMA

Presidente António Costa e Silva (CIPA 45 279)

Presidente José Félix (CIPA 19 565)

1º Secretário Tiago Correia (CIPA 148 053)

1º Secretário Alberto Alves (CIPA 93 789)

Propriedade APAOMA Website: http://www.apaoma.pt e.mail: apaoma@gmail.com

2º Secretário Érica Krithinas (CIPA 96 090)

2º Secretário António Brousse (CIPA 114 168)

“A APAOMA é uma marca registada da APAOMA- Associação portuguesa de árbitros e oficiais de mesa”

- Esta edição da revista APAOMA foi escrita segundo o novo acordo ortográfico. - A revista APAOMA é uma publicação trimestral dirigida e distribuída gratuitamente a todos os desportistas. Os artigos assinados são da inteira responsabilidade dos autores e não representam a opinião da associação.

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A UMA SÓ VOZ

ANTÓNIO TRINCA Presidente APAOMA

NÓS NÃO DESISTIREMOS DE CONTAR CONVOSCO

O início de um novo tempo que fica marcado com o lançamento desta revista. Uma qualidade que queremos manter... uma actualidade que não deixaremos de procurar... um esforço que temos a certeza de que será recompensado

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um ano marcado por crise, desânimo e falta de rumo no nosso país é na verdade um privilégio escrever este editorial. É com muito orgulho e um sentir repleto de confiança que vejo tomar forma um novo projecto da APAOMA. Esta revista pretende ser um pólo aglutinador dos agentes da nossa modalidade, um espaço aberto e dinâmico, um ponto de partida para a dinamização e notoriedade da nossa associação de classe, mas também de todas as outras. Não há limites para os conteúdos, tenham algo com andebol, com desporto, com bem-estar, a tudo nos permitiremos! O limite será o nosso tempo e a vossa colaboração! Desejamos que se revejam neste novo veículo de comunicação, que façam dele mais uma forma de serem ouvidos, de aprender e de ensinar, de mostrar a todos que o andebol e as suas gentes têm a força e a capacidade para continuar a reabilitar a nossa modalidade. Nunca tivemos uma direção da FAP tão aberta e tão aglutinadora, um Concelho de Arbitragem (CA) que nos oferecesse tantas oportunidades, mas também é verdade que nunca tivemos tempos tão difíceis, com tantos cortes, com tantas dificuldades, com tantas “vacas magras”. É nesta altura que se vê quem tem estofo, quem é capaz de se reinventar e sobreviver e é nesta altura que mais se torna necessário o aporte de todos. Por menor que seja o vosso contributo, ele vai contar e vai fazer com que esta publicação se mantenha, cresça e se torne uma referência. Existem novos órgãos sociais na APAOMA, com ideias ambiciosas, que começam com energia, aos novos elementos que agora chegam deixo um pedido público... Não se deixem esmorecer... Não se deixem abater por velhos do Restelo que tudo vão criticar e nada fazer! Hoje, acredito que juntamos aos que já estavam novos elementos com muita vontade e capacidade! Hoje, acredito que a APAOMA tem os órgãos sociais mais dinâmicos e resilientes de sempre! Hoje, acredito que somos já uma referência no que diz respeito às associações de classe do desporto nacional! Hoje, iniciamos de forma simbólica e pública um novo tempo. Um novo caminho que trilharemos com passos seguros. Estamos aqui para que o andebol conte connosco, a FAP e o CA, os árbitros e os oficiais de mesa... Contem connosco... Nós não desistiremos de contar convosco! 


OPINIÃO

JORGE FERNANDES

Docente de Educação Física e Desporto

A CONVIVÊNCIA ENTRE OS ÁRBITROS E TREINADORES O andebol enquanto espetáculo desportivo envolve constantes inter-relações. A beleza do jogo será maior quanto maior for o contributo de cada interveniente. Importa saber se o andebol é beneficiado ao estabelecer-se uma convivência salutar entre dois integrantes do jogo: árbitros e treinadores

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bordar a questão da convivência entre os árbitros e os treinadores é sempre um assunto complexo, porque abre um horizonte de possibilidades para diferentes opiniões, todas elas conforme o prisma pelo qual se olha a questão e dependendo essencialmente de que lado está o indivíduo que analisa. Fui desafiado a expressar a minha visão sobre este assunto, e após ter aceitado comprometi-me, comigo próprio, a fazer a minha análise de uma forma isenta, ou seja, opinar tendo em linha de conta as duas partes intervenientes. Para mim, esta tarefa encontra-se facilitada, pois tenho a minha opinião baseada na experiência positiva que vivenciei durante o meu trajeto desportivo, onde tive oportunidade de ser treinador durante dez anos e, posteriormente, como árbitro mais uma década. Indo diretamente ao assunto, sou apologista de uma total convivência saudável entre os árbitros e os treinadores. E quando digo saudável, refiro-me às verdadeiras intenções da aproximação entre estes intervenientes de um espetáculo desportivo. E é nesta perspetiva que temos de pensar o fenómeno da nossa modalidade. O andebol é um espetáculo, e como tal deve garantir satisfação a quem o assiste. De modo a encontrar estas condições reunidas em simultâneo com vista ao objetivo, os jogos de andebol precisam de ser geridos por alguém neutro, que compreenda o jogo e que aplique as regras em função das situações, mas tendo em conta que as suas decisões não podem condicionar ou influenciar o próprio espetáculo. As equipas, por sua vez, têm de ser orientadas de modo a que os artistas (entenda-se jogadores) obtenham o máximo rendimento de forma a sobrevalorizar o evento. Verificamos assim, que ambas as partes nos seus contributos promovem uma inter-relação. Os árbitros precisam de compreender os modelos das equipas para estarem mais bem preparados para as situações que irão encontrar e, por sua vez, os treinadores precisam de conhecer as regras e os árbitros para melhor entender como devem levar as suas equipas a jogar com as estratégias mais corretas.

É nesta coexistência que se encontra a harmonia ideal para que o andebol proporcione momentos deliciosos de verdadeira arte técnico-táctica. Nem sempre no decorrer dos jogos se verifica um bom entendimento entre árbitros e treinadores e o resultado das incompatibilidades que se geram, quase sempre terminam com os primeiros a penalizarem disciplinarmente os segundos e, por sua vez, estes ripostam criticando duramente e atribuindo as culpas das derrotas aos árbitros. No meu entender, estas situações são lamentáveis, desnecessárias, prejudicam as relações entre árbitros e treinadores (inclusive até chegam a prolongar-se por toda a época) e retiram a beleza daquilo que os adeptos da modalidade procuram presenciar quando se deslocam aos pavilhões. Contudo, estes atritos podem facilmente serem ultrapassados, desde que todos os intervenientes tenham consciência e estejam dispostos a entender que o erro convive com o ser humano e que acima de tudo estejam dispostos a encontrar a positividade existente numa relação próxima entre a figura do árbitro e do treinador, pois ambos têm muito a aprender um com o outro. Defendo que deveriam existir mais trabalho conjunto, partilha de experiências e conhecimentos, bem como serem ambos a projectar a modalidade e os seus campeonatos, indo ao encontro das expectativas do público que já é adepto, mas também com uma perspectiva de angariar novos grupos de adeptos. Em conclusão, não sou defensor de uma certa filosofia ainda patente nos meandros do andebol, na qual se diz que “os árbitros são para arbitrar e os treinadores para treinar as equipas”. Sou, sim, favorável à convivência entre árbitros e treinadores se for no sentido positivo para a modalidade. Se, pelo contrário, os intervenientes não se souberem respeitar, quer dentro quer fora de campo, então estaremos longe de alcançar qualquer possível convivência entre árbitros e treinadores, e no balanço final quem perderá será própria modalidade. APAOMA JAN-FEV-MAR 2014

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ENTREVISTA

Marta Doutel Sá e Vânia Doutel Sá

UNIDAS TAMBÉM NO ANDEBOL

Começaram na escola juntas há 12 anos a prática da modalidade, fizeram sempre dupla a nível regional, mas chegaram a separar-se a nível nacional. O salto para a arbitragem deveu-se a um professor

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ntes da arbitragem qual a ligação que tinham com o andebol?? MARTA SÁ (MS) Ambas iniciámos a prática do andebol, no nosso 5.º ano fizemos parte da equipa da Escola C+S de Tarouca nos campeonatos de Desporto Escolar, começando também a arbitrar alguns jogos. Dois anos mais tarde, fiz parte da equipa técnica da equipa de infantis do Ginásio Clube de Tarouca. VÂNIA SÁ (VS) Ao que a Marta já referiu, posso acrescentar que fiquei responsável técnica da equipa de minis do Ginásio Clube de Tarouca, e se não estou em erro foi em 2004, já vão uns belos anos. Como surgiu a arbitragem na tua carreira no andebol? Quais as influências que tiveste? EM CONJUNTO A principal influência veio através do professor de Educação Física Carlos Dias, na Escola C+S de Tarouca, e que mais tarde foi coordenador no Ginásio Clube de Tarouca. Bem como outros nomes o professor Jorge Coelho, o professor e treinador Marco Oliveira. Mas foi o professor Carlos Dias o principal responsável pela nossa ida para a arbitragem, tendo-nos motivado bastante para o conhecimento do funcionamento do jogo e claro as ditas regras, visto ser o primeiro a dizer que qualquer técnico, para ter sucesso tinha de conhecer as leis de jogo. Assim, começámos por arbitrar no Desporto Escolar, na qual acabamos por ir a alguns jogos e fases finais. No decorrer das formações de árbitros na escola e também nas fases finais tivemos os primeiros contactos com os responsáveis da Associação Andebol de Viseu. Tornando-se a porta de entrada na arbitragem regional em 2007. Depois desta fase, foram os nossos colegas árbitros da associação,

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Marco Oliveira, Pedro Santos, Sónia Nascimento, João (Rato), que nos acompanharam nos primeiros passos mais a sério, na qual nos motivaram bastante para abraçarmos um projeto a sério: ser dupla feminina a nível nacional. Portanto, estamos a falar da nossa subida a dupla nacional que decorreu num encontro de minis em Lamego, em 2008, subimos a nacionais, e passado algum tempo, tivemos contacto com os nossos formadores da Federação (Manuel Conceição, João Costa, José Macau e, posteriormente, António Goulão), visto que na altura estávamos integradas no grupo de árbitros jovens. O que é para a vossa dupla um bom árbitro? Para ter sucesso na arbitragem que características devem possuir os jovens árbitros? MS Para se ser bom árbitro tem de se saber interpretar e aplicar as regras em cada uma das situações com que nos deparamos durante um jogo, além disso, são importantes outros aspetos como coerência, humildade, autoconfiança e motivação. VS Um bom árbitro passa despercebido no campo, ou seja, não é ele o centro do jogo, no entanto deve estar sempre presente, é importante saber ler e gerir o mesmo perante variadíssimos fatores internos e externos que cada jogo apresenta. Não esquecendo a condição física, tal como os jogadores, o árbitro tem de ter uma preparação, para puder acompanhar os lances do jogo e ter uma tomada de decisão rápida. Como surgiu a oportunidade de formarem dupla e desde quando são dupla? EM CONJUNTO Existiram várias condicionantes que facilitaram este processo, visto que o facto


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ENTREVISTA

de sermos gémeas, o estudarmos na escola (na mesma turma), a mesma universidade, acabou por nos facilitar o caminho. Começámos no desporto escolar há 12 anos, e fizemos sempre dupla a nível regional. A nível nacional separámo-nos apenas nas épocas de 2010-2011 e 2011-2012, já que em 2010-2011 a Vânia foi colocada, a nível profissional, em Setúbal, sendo impossível conciliar a arbitragem, fazendo por isso um interregno na carreira de árbitro nessa época. Com o meu regresso (Vânia) ao Norte do país, voltei a ter hipótese de arbitrar, o que fiz em 2011-2012. Como a Marta tinha dupla (Raquel Moleiro),e esse facto impossibilitou que começasse com a minha irmã, reiniciei a arbitragem com a Susana Marques nessa época. Em 2012-2013 surgiu a oportunidade de nos juntarmos novamente e cá estamos nós. Quais os vossos objetivos na arbitragem? EM CONJUNTO Tal como todos os jovens que decidem fazer carreira na arbitragem, temos como objetivo principal chegar a árbitras europeias e internacionais, participar em campeonatos do mundo e da Europa seniores masculinos e femininos, por fim “a cereja no topo do bolo”, como se costuma dizer, participar nos Jogos Olímpicos. Analisam os jogos que arbitram? Se sim, como costumam fazê-lo? EM CONJUNTO Não só analisamos cada jogo que dirigimos como também o preparamos, com análise às equipas que vamos arbitrar, vendo jogos dessas mesmas equipas, para percebermos os sistemas táticos e movimentações de cada elemento no jogo, facilitando o trabalho em campo, visto já estarmos preparadas para o que “vamos” encontrar. Após cada jogo, debatemos

É FULCRAL QUE OS PAIS INTEGREM OS GRUPOS DESPORTIVOS COMO DIRIGENTES, RESPONSABILIZANDO-OS POR TAREFAS DO CLUBE, DE FORMA A SABEREM O QUE É QUE ENVOLVE O JOGO MARTA SÁ

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logo os lances que nos pareceram mais suscetíveis a críticas ou que poderemos ter opinião diferente uma da outra (devido a estarmos em locais diferentes do campo, por exemplo), depois disso, e caso tenhamos acesso aos vídeos dos jogos que dirigimos, analisamos a nossa prestação. Preferencialmente, em conjunto, mas quando não temos oportunidade para tal, fazemos essa análise separadamente e nas questões onde temos dúvidas de alguma decisão tomada debatemos esse ou esses. Arbitrar um jogo implica tomadas de decisão instantâneas, ou seja, ocorre um lance e o seu ajuizar tem de ser instantâneo. Alguma vez sentiram que erraram, após ter apitado? Quando acontece o que sentem? EM CONJUNTO Todas as pessoas passam por isso, em que as decisões não são as melhores. Quanto mais um árbitro que tem milésimos de segundo para ajuizar uma situação. Quando acontece, o sentimento é de “ups, se calhar não era bem isto”, no momento ultrapassamos a situação para voltar ao nosso nível de concentração, mas no final do jogo falamos uma com a outra para saber o que se passou e para corrigir. Ou seja, analisamos os nossos erros e tentamos corrigi-los, só assim é que conseguimos evoluir enquanto dupla. Nos escalões de formação a maioria dos assistentes são pais e familiares dos atletas, o que leva a que, alguns desses espectadores tenham para com os árbitros atitudes menos corretas. Como lidam com essas situações? MS Por vezes o pai não vê o jogo como jogo, está lá para analisar a ação do filho e apoiá-lo ou como algumas vezes acontece estar contra ele, portanto a cultura dos pais relativamente ao jogo não é a melhor, e na maior parte dos casos os sentimentos paternos falam mais alto, acabando por desvirtualizar a realidade do jogo. Neste momento, penso que é fulcral que os pais integrem os grupos desportivos como dirigentes, responsabilizando-os por tarefas do clube, de forma a saberem o que é que envolve o jogo, bem como conhecerem o trabalho do treinador, o trabalho do massagista, do árbitro, ou seja, de todos os meios envolventes ao jogo, para assim poderem opinar com alguma validade as regras do jogo. VS A realidade é que muitos espectadores vão ver os “filhos” a jogar e não o jogo em si. Muitas vezes acontece que não percebem o jogo e muito menos as regras do mesmo e, então acabam por manifestar as suas frustrações semanais no elemento que gere o jogo. É desagradável termos situações em que os pais estão nas bancadas constantemente a insultar os árbitros ou os elementos da equipa adversária, esquecendo-se de que o exemplo


vem de cima e que os filhos acabam por adotar as suas atitudes. Infelizmente, em Portugal, a cultura do andebol ainda não está desenvolvida, aliás como em qualquer modalidade amadora. Qual foi o jogo mais difícil, até à data de hoje, que arbitraram? Porquê? MS Todos os jogos são diferentes uns dos outros, com graus variados graus de dificuldade, e situações específicas. VS Todos os jogos têm o seu grau de dificuldade. A nível internacional aquele que nos ficou na memória, foi Turquia-Chipre, no Torneio do Mediterrâneo. Pois estes dois países ainda se encontravam em conflito, devido à sua história. Apesar da equipa do Chipre ser inferior a nível técnico-tático, o jogo em si, foi muito conflituoso, pois os jogadores pareciam que estavam mesmo em guerra dentro do campo. E o qual foi o que mais gostaram de arbitrar? Porquê? VS Não foi um, mas vários os jogos que mais gostei e me marcaram, mas destaco só alguns desta época, já que nos torneios internacionais e o campeonato do Mundo Escolar tiveram grandes jogos que seria injusto referenciar só um ou alguns. Assim, destaco alguns desta época o FC Porto B – CD Xico Andebol (PO 02), Ginásio de Santo Tirso x Águas Santas (PO 04) e ADA Maia Ismai x Delta Belenenses (PO01), foram jogos com boa qualidade de jogo, renhidos até ao fim e com várias reviravoltas no resultado. MS Os que mais motivam um árbitro são jogos com mais qualidade técnico-tática, em que se desenrola de forma “saudável” e a equipa procura a vitória, o querer marcar golo, o querer avançar no marcador, e não o jogo conflituoso em que os jogadores procuram o ganhar a falta. A Vânia citou e bem alguns jogos que realizámos esta época, no entanto ficam alguns por citar, bem como nas competições que já tivemos em torneios internacionais ou no campeonato internacional das escolas em Braga, tivemos um bom nível de competição. O melhor momento na vossa carreira foi… MS Já tivemos momentos bons, resumir-se apenas a um, torna-se mais difícil, no entanto acho que o melhor momento se refletiu na participação ISF World Handball Championship, em 2010, foi o momento em que tivemos mais oportunidades de contacto com árbitros de outras nacionalidades, bem como formadores da EHF. Foi uma experiência bastante enriquecedora, além do grau competitivo, pois permitiu a troca de conhecimentos

A ARBITRAGEM A NÍVEL NACIONAL ESTÁ A EVOLUIR PARA ATINGIR DE NOVO OS PATAMARES ONDE JÁ ESTEVE, NÃO PODEMOS ESQUECER O FIM DA CARREIRA DE ALGUMAS DAS NOSSAS REFERÊNCIAS, O QUE CRIOU UM “VAZIO”

VÂNIA SÁ

entre duplas de diferentes nacionalidades, bem como aprender com nomes sonantes na arbitragem internacional. VS Concordo com a Marta quando diz que esse momento pode ser citado como um dos melhores momentos na nossa carreira. No entanto, cada ano que passa temos novas conquistas, pois este está também a ser um ano importante, estamos a arbitrar na 1.ª divisão masculina. O que pensam do atual momento da arbitragem portuguesa? EM CONJUNTO A arbitragem a nível nacional está a evoluir para que possa atingir de novo patamares em que já esteve, não nos podemos esquecer o términus de carreira, quase simultâneo, das nossas referências na arbitragem (Goulão, Macau, Marreiros, Gil, Dario, Fernando Humberto, por exemplo) o que levou a que fosse criado como que um “vazio”… Neste momento na nossa opinião já temos duplas com ótima qualidade tais como: Eurico/ Ivan, Duarte/Ricardo, Roberto/Daniel, Dani/César, só para mencionar os internacionais e europeus. Quanto aos árbitros nacionais penso que têm uma boa estrutura para evoluir, no entanto ainda há muito trabalho para fazer para podermos ser mais precisos e para errarmos menos. A vossa referência na arbitragem a nível nacional? E a nível internacional? EM CONJUNTO A nível Internacional a nossa referência são as gémeas francesas, Charlotte Bonaventura/Julie Bonaventura. A nível nacional, atualmente, as nossas referências são as duas duplas IHF Eurico Nicolau/Ivan Caçador e Duarte Santos/Ricardo Fonseca.  APAOMA JAN-FEV-MAR 2014

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NÓS… NA SÉRVIA

Um mundial é uma grande aprendizagem no mundo do andebol, a todos os níveis

Women World Championship Servia 2013

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL As duplas de arbitragem portuguesas já são reconhecidas no estrangeiro pelo bom trabalho. Participação nacional nos Jogos Olímpicos seria um sonho

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que sentiram ao receber a nomeação para o Women World Championship Servia 2013? Com enorme satisfação e alegria, sabendo que viria um grande desafio pela frente. De que maneira se prepararam para esta competição? A vários níveis, físico, teórico, mental, visualização de jogos específicos, língua estrangeira, etc. Como eram passados os dias na Sérvia? Com trabalho contínuo, de preparação para os jogos, com muita visualização de jogos e análises de situações ocorridas durante o mundial.

se estivéssemos a fazer o Teste de Cooper; dizer que visitámos a primeira sala de teatro da Sérvia na região de Zrenjanin; ou que estivemos numa arena que acolheu 20 mil espetadores, em recorde mundial de assistência num jogo feminino! Ensinamentos que trouxeram deste mundial? Muitos… um mundial é uma grande aprendizagem no mundo do andebol, a todos os níveis, aprendemos novas tendências de jogo, novos conceitos de trabalho, e todos os dias eramos “bombardeados” de imensa bagagem “arbitral”.

A melhor dupla deste campeonato? Sem dúvida os nossos colegas espanhóis, que por sinal fizeram a final deste mundial. Como correu a organização do Sérvia 2013? Excelente! Um exemplo a seguir, com muito profissionalismo e dedicação, inclusive dos voluntários. Proporcionaram um melhor mundial pela forma como atuaram. Poderemos ver representada a arbitragem portuguesa nos Jogos de 2016? Creio que sim, as duplas portuguesas estão a fazer um bom trabalho, tanto a nível interno como a nível Internacional. Espero claramente que uma das nossas duplas possa estar a representar Portugal nos próximos Jogos Olímpicos, pois merecem essa oportunidade.  NOTA: Gostaríamos de contar com as respostas dos dois árbitros, mas lamentavelmente até ao fecho da edição, apenas o árbitro Duarte Santos acedeu ao nosso pedido e se disponibilizou para nos responder a algumas questões no artigo “Nós... na Sérvia”

O jogo que mais recordam deste mundial? Claramente o jogo dos oitavos de final entre a Sérvia e a Coreia, com o pavilhão a rondar os 8 mil espectadores a apoiarem a equipa da casa. Podem-nos contar algum episódio que vos tenha marcado? Aconteceram alguns episódios, mas para descrever em poucas palavras não é fácil, mas posso dizer que no voo de ligação para Belgrado tivemos de correr para apanhar o avião, como

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Duarte Santos num dos seus muitos jogos internacionais


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CAPA

Ulisses Pereira

O IMPORTANTE PARA MIM FOI TER SEGUIDO O CAMINHO DA RECONCILIAÇÃO DA FAMÍLIA DO ANDEBOL

Os edifícios não se começam a construir pelo telhado, porém o nosso primeiro grande entrevistado é o “telhado” da nossa modalidade. Pela sua simplicidade e pela pronta resposta ao nosso convite, não poderia ser de outra maneira. Os tempos são difíceis para o país e para as modalidades, uma entrevista franca, sem se esconder nas respostas e em que responde a tudo. Eis o presidente Ulisses Pereira 12

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ompleta em Março de 2014 dois anos à frente da Federação de Andebol de Portugal (FAP). O que de mais significativo se fez? Estes dois anos como presidente da FAP constituíram dos maiores desafios da minha vida. E tenho tido desafios muito complicados e enfrentado situações muito difíceis. Não estou satisfeito com alguns dos resultados conseguidos, mas sinto muito orgulho da forma como a equipa que lidero tem sabido enfrentar a situação, provavelmente mais complexa que o andebol português alguma vez enfrentou. O que de mais importante para mim aconteceu foi ter seguido o caminho da reconciliação da família do andebol. De dizermos e demonstrarmos que todos são necessários, mesmo com visões diferentes, mas que têm de ser partilhadas, para construir um futuro melhor para a nossa modalidade. Ajustámos os quadros competitivos à realidade do país e à situação de grandes constrangimentos com que os clubes vivem. Tomámos decisões que são questionáveis do ponto de vista qualitativo, temos consciência disso. Mas que tinham de ser tomadas para que muitas equipas não desaparecessem. Procedemos a ajustamentos nos Estatutos e Regulamento Eleitoral, que conferem mais transparência ao funcionamento da FAP. Procurámos valorizar o andebol feminino, e conseguimos a melhor classificação de sempre no Europeu Sub-17 de 2013, garantindo ainda, e pela primeira vez, a qualificação das duas seleções de formação para as fases finais. Avançámos no excelente trabalho que temos desenvolvido no âmbito da responsabilidade social da FAP, de que é bandeira o Andebol 4 All. Mas sentimos que todo este esforço pode ser inglório face à situação financeira vivida pela FAP e que coloca em risco a sua

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própria sobrevivência. Começámos o nosso mandato com um passivo superior a 1,5 milhões de euros. De imediato, ajustámos os custos de enquadramento técnico com as seleções nacionais e conseguimos reestruturar parte do passivo de curto em médio e longo prazos, para que pudéssemos em dez anos resolver o problema financeiro da FAP.Mas o pior estava para vir. Em dois anos o financiamento público (Estado e autarquias) reduziu-se aproximadamente 1,453 milhões de euros, ou seja, a FAP passou a ter para a sua atividade menos cerca de 121 mil por mês. Este número tão cruel, penso que evidencia tudo e, caso os agentes da modalidade não tenham a real consciência do que está em causa, teremos problemas insolúveis. Para garantir a sobrevivência da FAP estão a ser tomadas, e terão de ser aprofundadas, medidas bastante duras de ajustamento, que irão afetar muita gente. Por isso, tivemos de desistir da organização em Portugal do Campeonato da Europa Sub-19 feminino, em 2015, provavelmente a decisão que mais me custou tomar, mas que resultou de circunstâncias novas e imprevisíveis, totalmente fora do nosso controlo, mesmo da nossa previsão. Muitas vezes questiono-me sobre a vontade que tenho de continuar este caminho. A resposta tem-me sido dada pelas gentes do andebol, e estou muito confortável com essa resposta. De qualquer forma, estarei sempre disponível, se alguém com soluções reais e concretas, muito claras e de todos conhecidas, surgir para resolver estes problemas, estou disponível para de imediato sair de cena e com muita alegria apoiar quem chegar. O que não tolero é aqueles que vegetam na margem estreita do caminho que todos temos de percorrer numa lógica de hienas, que as gentes do andebol repudiam. Com a extinção da Liga Portuguesa de Andebol, “desapareceu” o profissionalismo no andebol. Continuará a ser modalidade amadora ou o semiprofissionalismo será o caminho a tomar? Infelizmente, a crise que o país há alguns anos vive tem consequências profundas no financiamento da modalidade. Não sei se alguma vez o andebol foi uma modalidade profissional. Não tenho dúvidas de que tinha, como hoje tem, algumas equipas profissionais e fora delas algumas com agentes profissionais. Mas também não tenho dúvidas de que o rendimento disponível na maior parte das equipas se reduziu de forma drástica, diminuindo o nível de exigência que é necessário para estarmos perante situações de profissionalismo. E julgo que continuaremos a viver com esta realidade híbrida, que determina assimetrias grandes na competição, muito embora veja com agrado que na presente época as mesmas se tenham reduzido, como o comprova o atual quadro classificativo do Andebol 1 Campeonato Nacional Masculino.


Ulisses Pereira, mais de 40 anos dedicados ao desporto

Na sua presidência, nomes como Ricardo Andorinho, Eduardo Filipe, Juliana Sousa, Ana Seabra surgem na estrutura da federação? É benéfico para a FAP ter estes internacionais, principalmente junto das seleções? É uma aposta para manter? Desde a minha primeira candidatura que defendi o envolvimento de figuras de referência da modalidade no dia a dia da FAP. Seja na sua estrutura organizativa e de gestão, seja no acompanhamento das seleções, seja na presença no Conselho Consultivo, entre muitos outros espaços de participação que queremos criar. É uma aposta para manter, até porque as clivagens que foram criadas no passado foram muito negativas para o andebol português. As nossas referências têm de estar na primeira linha de atividade da nossa modalidade e do seu reconhecimento. E daí também a criação da figura de patronos para as nossas principais competições. Esta época são o José Manuel Reinaldo, a Fátima Monge da Silva, o David Tavares, o Luís Bogas. Para o ano, serão outros de idêntica dimensão. A homenagem, sempre injustamente adiada, aos Campeões do Mundo – Grupo C, de 1976, num momento ímpar do andebol português vivido em Portugal, em pavilhões de cujo ambiente temos muita saudade. Como também a homenagem aos nossos Campeões da Europa Sub-18, em 2012, na Suíça. É, pois, uma aposta para manter.

RAIOS X

ULISSES PEREIRA

NOME Ulisses Manuel Brandão Pereira IDADE 58 anos DATA NASCIMENTO 4 de fevereiro de 1954 CARGO Presidente da Federação de Andebol Portugal FORMAÇÃO ACADÉMICA Licenciado em Finanças DADOS DO SEU PERCURSO • Foi jogador internacional de andebol •A  tuou em vários clubes nacionais ao serviço dos quais conquistou vários títulos •A  cumula experiências como dirigente desportivo ao serviço de diferentes clubes e em áreas de intervenção distintas •D  eputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Aveiro Presidente da Comissão Política Distrital de Aveiro do PSD

No final da década de 90, princípio da 2000 surge uma modalidade em força nos pavilhões: o futsal. Na altura, o andebol era a principal modalidade de indoor em Portugal. Na sua opinião, o que é que o andebol necessita de fazer para voltar a ocupar o lugar que lhe pertenceu? Penso que temos todos a consciência de que o futsal tem vantagens competitivas de partida muito consideráveis, relativamente às outras modalidades coletivas, face àquilo que é a cultura desportiva vigente em Portugal. A sua relação íntima com o futebol, cuja federação integra, determina dividendos de imagem acrescidos, que se refletem na comunicação social e na opinião pública. O andebol tem de continuar a apostar no seu desenvolvimento no âmbito escolar e na articulação do mesmo com o movimento associativo. Há muitos municípios em Portugal em que existe andebol, mas onde não existe futsal. Mas sabemos que essa realidade pode alterar-se e, por isso mesmo, cada vez mais temos de estar junto das escolas, das autarquias, dos professores, dos pais e encarregados de educação. Mas continuamos confortáveis na comparação com as outras modalidades coletivas. E citamos um artigo de José Manuel Ribeiro, publicado no jornal O Jogo, no passado dia 28 de dezembro: “O campeonato de andebol fecha o ano como o mais competitivo de todos os desportos APAOMA JAN-FEV-MAR 2014

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CAPA

coletivos em Portugal, a uma distância inverosímil para o basquetebol e o voleibol.” E mais adiante: “Vivendo na mesma economia, o andebol é um exemplo feliz e incontornável para duas federações sem engenho para sair do atoleiro.” Estes são comentários que nos alentam e que nos fazem sentir que estamos no caminho certo. No seu mandato são constantes as transmissões de jogos de andebol. A Bola TV (parceira da FAP que transmite os jogos da seleção nacional, do campeonato Andebol 1 bem como as finais da Taça de Portugal e das Supertaças masculina e feminina), Benfica TV e Porto Canal (canais de clube), a Sport TV (transmissão de todos os jogos do FC Porto Vitalis, na Liga dos Campeões). Os clubes têm aproveitado este meio de divulgação, visto ser, na nossa opinião, benéfico para

TENHO MUITO RESPEITO PELOS ÁRBITROS E OFICIAIS DE MESA EM PORTUGAL qualquer modalidade a sua divulgação? O andebol feminino quando estará em directo nas nossas televisões? Infelizmente, não temos em Portugal um serviço público de televisão que preste o apoio que as federações desportivas necessitam. Para se transmitir um jogo na RTP 2, mesmo de seleções, o custo de produção ascende a 7 mil euros suportado pela FAP. Esta é uma matéria em que o Governo deve intervir e garantir que o serviço público de televisão transmita, pelo menos, os jogos oficiais das seleções de seniores realizados em Portugal. Por isso mesmo, e face a este enquadramento, decidimos estar no maior número possível de plataformas. Temos consciência de que existem desequilíbrios na cobertura que resultam da existência de operadores ligados a alguns clubes. Mas prefiro ter esses desequilíbrios de que não ter cobertura televisiva. E garantimos também que os clubes visitantes possam ter dois espaços de publicidade estática nessas transmissões, embora muito poucos os utilizem. Apesar de algumas críticas, que conhecemos e em parte compreendemos, sabemos bem como a nossa modalidade nesta vertente é valorizada face a outras, e pensamos estar no caminho certo. Já levámos o andebol feminino a transmissões diretas das finais da Taça e Supertaça. Esperamos que este ano também algum jogo do playoff final possa ser objeto de transmissão televisiva em direto.

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A Andebol TV (live stream) tem sido outro meio de transmissões de várias provas nacionais. Quais as vantagens deste meio de comunicação? Considera que seria útil e benéfico para as equipas das regiões autónomas transmissões de mais jogos disputados nos Açores e na Madeira? A Andebol TV é uma aposta que resulta da evolução das novas tecnologias de informação e comunicação e que coloca a FAP na liderança nacional da utilização destes meios. Há uma alteração radical do paradigma da comunicação e queremos estar na primeira linha desse processo de mudança. A Andebol TV permite-nos estar em mais jogos, em mais competições, principalmente nas que têm menos acessibilidade às transmissões em direto pelos canais televisivos. Gostávamos de transmitir mais jogos nas regiões autónomas (tal tem sucedido a espaços com uma parceria com a RTP Açores), mas relembro quão dramática é a nossa situação financeira e a impossibilidade de fazermos muito daquilo que era importante fazer. Depois do sucesso do modelo competitivo do Campeonato Nacional de Seniores Femininos 1.ª Divisão, é objectivo da FAP modificar o sistema competitivo do Andebol 1, passando o título a ser discutido em de playoff em vez do modelo actual? O Andebol 1 na época de 2014-2015 e seguintes será disputado no sistema de playoff. Sempre manifestámos a nossa preferência por este sistema, pela visibilidade e interesse acrescidos que o mesmo garante. Houve também, e apenas com duas exceções, um grande consenso dos clubes e outros agentes da modalidade, em torno deste modelo. Esperamos que constitua mais um contributo real para o aumento do interesse de público, patrocinadores e comunicação social em torno do andebol em Portugal. Como vê a arbitragem neste momento em Portugal? Com as dificuldades que são sempre naturais para o exercício de uma função tão nobre, mas também tão difícil de ser bem entendida. Tenho muito respeito pelos árbitros e oficiais de mesa em Portugal. E gostava que todos os agentes da modalidade tivessem esse mesmo respeito. Conheço o incumprimento financeiro que a FAP continua a ter com eles, e prometo que tudo farei para que o mesmo seja reduzido. Mas na atual situação não posso assumir outros compromissos. Tudo se alterou de uma forma dramática. O andebol português precisa muito do empenho dos seus árbitros, e está grato por toda a dedicação que têm demonstrado. Concordamos com o Conselho de Arbitragem, que é autónomo e independente, quanto às prioridades


a assumir neste mandato: a primeira metade virada para o aumento quantitativo do número de quadros, a segunda para o reforço qualitativo através das adequadas ações de formação. Com o final de carreira quase em simultâneo das duplas António Goulão/José Macau, António Marreiros/Jorge Gil, Dario Ramos/Fernando Humberto, entre outras, criou-se “um vazio” na arbitragem portuguesa. Concorda? Penso que esse “vazio” está ultrapassado, e que as excelentes referências das duplas que citam estão devidamente preenchidas, com árbitros jovens, e com uma promissora carreira pela sua frente, mais, com resultados e nomeações que nos devem a todos orgulhar Cito, a título meramente indicativo, a extraordinária época protagonizada pela dupla Eurico Nicolau/Ivan Caçador: Final Four da Champions League, Campeonato do Mundo de Espanha e tantos jogos tão importantes. E também as excelentes prestações da dupla Duarte Santos/Ricardo Fonseca, nomeadamente com a recente presença no Mundial Feminino, na Sérvia. A arbitragem portuguesa está muito prestigiada por estas duplas, mas também pelos internacionais Daniel Martins/Roberto Martins e Daniel Freitas/César Carvalho. Portugal está bem representado na arbitragem internacional e é reconhecido por isso. As associações de classe, tais como a APAOMA, ATAP, ANJAP, no seu ponto de vista são fundamentais para o desenvolvimento da modalidade? Em que sentido? As associações de classe são para nós parceiros essenciais para o desenvolvimento do andebol. Pese embora o esforço da direção da FAP, para que a integração e cooperação destas, nos diversos projetos em curso, seja uma realidade, nem sempre temos sido bem-sucedidos. Este insucesso não tem na incompatibilidade a referência, mas possivelmente na juventude das mesmas, aliada à ausência de histórico, que tem dificultado essa cooperação. Apesar desta realidade, continua a ser nosso objetivo intensificar a cooperação, através de mais-valias que possam rentabilizar as mais-valias de cada estrutura de classe. Como é a relação institucional entre direção da FAP e a APAOMA e como prevê o seu futuro? Excelente do ponto de vista do relacionamento institucional, e que queremos agora aprofundar do ponto de vista da construção de projetos partilhados. Partindo de uma relação de confiança, temos sempre a esperança de que novos contributos, novas ideias, novos protagonistas possam acrescentar valor à nossa relação, e ao importante papel que a APAOMA terá no futuro do andebol português!

O Andebol de Praia é o prolongamento da época desportiva. Como vê a FAP esta variante do andebol? O Andebol de Praia não pode ser apenas o prolongamento da época desportiva. Tem que ter uma vida própria e lutaremos para que tal objetivo seja bem sucedido. Conseguimos na época que terminou um forte incremento no número de inscritos, provas e visibilidade, surgindo pela primeira vez em transmissões televisivas em direto. Estendeu-se a novos territórios, não só no Continente, mas também na Região Autónoma da Madeira. Mas pretendemos ter mais praticantes e mais território envolvido na competição. Sendo uma modalidade em desenvolvimento na Europa, quais as medidas que a FAP tem para uma maior implantação e afirmação da mesma em Portugal? Desenvolver um plano integrado para quatro anos, com objetivos claros e quantificáveis. Alargar os períodos para a prática da modalidade ao longo do ano, não a limitando ao verão. Preparar uma eventual retoma das seleções nacionais. Apoiar o projeto em curso de um Centro de Formação e Rendimento de Andebol de Praia. Considera o andebol de praia um importante meio de marketing para a nossa modalidade? Seguramente e estamos a trabalhar nesse sentido. Portugal tem condições ímpares para que o andebol de praia tenha sucesso, e tudo faremos para aproveitar essas mesmas condições, para o que se torna fundamental o desenvolvimento de um projeto integrado e não de bolsas avulsas de atividade, por melhores que elas sejam. Andebol 4 All e Andebol 4 Kids, são outras das apostas da FAP, fale-nos delas… Já referimos o orgulho que temos no projeto Andebol 4 All. Uma modalidade moderna e inclusiva tem de saber integrar de forma positiva todos os seus cidadãos. Crescemos quantitativa e qualitativamente, tendo já provas com calendarização regular. Vamos reforçar a atividade, bem como a competição em todas as vertentes desta área: andebol para cadeira de rodas; andebol para deficiência intelectual; andebol para deficiência auditiva; e andebol para cidadãos privados de liberdade No que respeita ao Andebol 4 Kids é um projeto que se destaca, por ser novo, no âmbito do desenvolvimento da prática desportiva juvenil. É uma nova variante de trabalho para os mais jovens, principalmente para o tecido escolar, com novos mecanismos de ensino, onde predominará a vertente 4x4. Mais golos, mais diversão, mais dinâmica, mais alegria no jogo é o grande objetivo desta variante. Estão agendadas ações de norte a sul do país, principalmente nos estabelecimentos de ensino básico e secundário. APAOMA JAN-FEV-MAR 2014

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UM FIM DE SEMANA COM...

Vera Lopes e Telma Amado — ÍBV Vestmannaeyjar

GUERREIRAS NA TERRA DOS ELFOS

No início desta época, decidiram experimentar o andebol islandês. Mudaram-se de armas e bagagens para a Heimaey, localidade situada na ilha com o mesmo nome, pertencente ao arquipélago de Vestmannaeyjar, a sul da Islândia. Para Vera Lopes, o estrangeiro já não é novidade, dado que na época passada representou a equipa espanhola do SD Itxako. Já Telma Amado vive uma experiência completamente nova, pois é a primeira vez que joga noutro campeonato que não o português…

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SÁBADO

Dia de jogo, em Reikjavik, às 13h30

7h15 Despertar

7h30 Pequeno-almoço. Hoje, foi um belo batido de banana com canela e sementes, sem esquecer o comprimido para o enjoo.

8h00 Viagem para Reikjavik. Vamos de barco, que dispõe de cabinas com camas. Se fizermos a viagem a dormir a probabilidade de enjoar é muito menor.


RAIOS X

RAIOS X

NOME Vera do Carmo Andrade Lopes LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Oeiras, 1 de abril de 1982… sim, no Dia das Mentiras POSIÇÃO Lateral esquerda CLUBES SIM Porto Salvo, CDES Gil Eanes e SD Itxako, em Espanha, e atualmente no ÍBV Vestmannaeyjar — ISL INTERNACIONALIZAÇÕES Cerca de 120 MELHOR ATLETA PORTUGUESA E ESTRANGEIRA NA SUA POSIÇÃO Maria Pereira (Colégio João de Barros) e Cristina Neagu, romena (CS Oltchim, na Roménia) SETE IDEAL COM QUEM JOGOU GR Maysa Pessoa (CDES Gil Eanes) PE Ana Seabra (CDES Gil Eanes) LE Eu… (risos) C Ana Sobral (SIM Porto Salvo) LD Dulce Pina (CDES Gil Eanes) PD Diana (ÍBV Vestmannaeyjar — ISL) P Maria João Fevereiro (SIM Porto Salvo) TREINADOR MARCANTE João Florêncio (CDE Gil Eanes) TÍTULOS Bi-campeã em séniores pelo CDES Gil Eanes. Várias vezes finalista da Taça de Portugal. Várias vezes finalista da Super Taça. Campeã nacional nos universitários 2004 FMH. Cinco vezes campeã nacional de andebol de praia PROFISSÃO Jogadora de andebol CIDADE IDEAL PARA VIVER Lagos PRATO PREFERIDO Sardinha assada no pão com salada de pimento BEBIDA PREFERIDA Favaios FILME PREFERIDO Invictus MÚSICA PREFERIDA Adoro música portuguesa, vou optar por Deolinda, a minha banda favorita… é muito difícil escolher uma canção porque adoro todas… mas vou escolher Seja Agora, do último álbum “Mundo Pequenino”.

NOME Telma Silva Amado LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Leiria, 19 de fevereiro de 1989 POSIÇÃO Pivô CLUBES UD Leiria, AC Sismaria, e Juve Lis, e atualmente no ÍBV Vestmannaeyjar — ISL INTERNACIONALIZAÇÕES Sete MELHOR ATLETA PORTUGUESA E ESTRANGEIRA NA SUA POSIÇÃO Renata Tavares (Madeira Andebol SAD) e Heidi Loke, norueguesa (Gyori Audi ETO KC – Hungria) SETE IDEAL COM QUEM JOGOU GR Carolina Costa (AC Sismaria) PE Gudbjorg Gudmannsdóttir (ÍBV Vestmannaeyjar — ISL) LE Vera Lopes (ÍBV Vestmannaeyjar — ISL) C Gizelle Carvalho (Juve Lis) LD Drifa Þorvaldsdóttir (ÍBV Vestmannaeyjar — ISL) PD Diana Dögg (ÍBV Vestmannaeyjar — ISL) P Telma Amado (ÍBV Vestmannaeyjar — ISL) TREINADOR MARCANTE André Afra (Juve Lis) TÍTULOS Espero conquistar o primeiro esta época PROFISSÃO Técnica de marketing CIDADE IDEAL PARA VIVER Leiria PRATO PREFERIDO Bacalhau de mil e uma formas BEBIDA PREFERIDA Lambrusco Rosé FILME PREFERIDO Seven Pounds MÚSICA PREFERIDA Kizomba

VERA LOPES

11h00 Chegada a Reikjavik. Deslocamo-nos para o pavilhão no autocarro do IBV, fazemos uma paragem rápida no supermercado para comprar o nosso snack antes do jogo (fruta, barrita de cereais e iogurte).

12h00 Chegada ao pavilhão, o que nos dá tempo para muita música, penteados, conversa e concentração.

TELMA AMADO

13h30 Jogo (Todos os jogos aqui têm um ambiente fantástico, pavilhões cheios, claques organizadas com tambores, público APAOMA JAN-FEV-MAR 2014

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UM FIM DE SEMANA COM...

que vibra intensamente com cada lance. O intervalo, aqui é de 15 minutos, só a equipa que está em jogo segue para o balneário, os treinadores fazem as observações e depois conversamos entre nós, o que podemos melhorar, enquanto comemos a habitual fruta descascada e cortadinha, que o clube nos prepara para repor energias. Já nos habituámos a terminar o jogo com vitória, felizes e com sentimento de objetivo cumprido, mas completamente de rastos e negras, porque aqui os níveis de contacto e agressividade são muito superiores.Um hábito no andebol Islandês é o clube da casa preparar um lanche na sala de convívio do pavilhão para ambas as equipas e dupla de arbitragem. Na Islândia, mesmo sendo rivais dentro de campo, fora dele existe uma grande convivência entre todos).

16h00 Ida ao shopping. Passeamos e descobrimos o que de diferente existe entre o nosso Portugal e a Islândia.

19h00 Regresso à ilha de Vestmannaeyjar (viagem feita de novo a dormir, desta vez sem qualquer esforço).

ARBITRAGEM Quais as principais diferenças que notam entre a arbitragem portuguesa e a islandesa?

No campeonato Islandês, mais do que no português, a força e a capacidade de choque são duas armas essenciais para qualquer atleta, e esta diferença advém muito dos critérios de arbitragem. Durante o jogo é habitual comentarmos na nossa língua, em muitos dos lances de falta “isto em Portugal era vermelho!”, e muitas vezes nem somos sancionadas com 2 minutos. Esta diferença nos critérios de arbitragem torna o jogo muito mais físico, mais duro, temos de ser mais fortes para aguentar o choque e continuar a jogar, precisamos de mais condição física porque com poucas faltas o jogo tornasse inevitavelmente mais intenso e mais rápido. Aquilo porque passamos hoje em todos os jogos, em Portugal só era possível quando jogávamos a nível internacional. Terminamos os jogos muito mais doridas, os braços completamente negros, com arranhões e beliscões. Depois dos primeiros jogos aqui, chegava-mos a casa, olhava-mos uma para a outra e dizia-mos: “Isto vai ser duro de mais, parecemos umas doentes!” Confessamos que ficámos um pouco em pânico, mas já nos habituámos, só não podemos mostrar os braços à nossa família aos fins de semana. Hoje, brincamos com a situação e dizemos que não podemos voltar a jogar em Portugal porque vamos ter o recorde de cartões vermelhos. Sentimos também que aqui existe uma relação de maior proximidade entre os árbitros e as jogadoras, exemplo disso é que na apresentação das equipas também cumprimentamos a dupla de arbitragem. Essencialmente são estas as desigualdades, que são poucas, mas fazem toda a diferença, temos a sensação de que jogamos outro andebol.

DOMINGO

Dia livre, sem despertador

11h00 Hora de acordar e de tomarmos o nosso batido.

12h00 Desde início que aproveitamos o domingo para relaxar, vamos até à Hot Tub, piscinas de água quente a 40ºC ao ar livre. Seja com temperaturas de 5ºC positivos ou 12ºC negativos, com chuva ou neve, são fantásticas…

14h00 Relaxadas e leves, seguimos para o nosso pecado, porque este é o dia de almoçarmos fora, geralmente piza ou hambúrguer porque na Islândia predominam os restaurantes fast food.

16h00 Vamos até ao Vinaminni Kaffihús, um espaço agradável para uma boa leitura e para assistir a música ao vivo. E como não há pecado sem vício, segue-se o nosso SwissMocca!, bebemos em chávena grande e aproveitamos para trabalhar, ler e pôr a conversa em dia porque raramente estamos juntas! 

18h15

Espreitamos e atualizamos as redes sociais.

Já noite serrada, regressamos a casa para a nossa sessão de cinema. Ambas adoramos pipocas, mas a primeira vez que experimentámos as de cá fomos surpreendidas com pipocas de queijo, então, rapidamente optámos pelos amendoins.

22h30/23h00

21h30

Deitamo-nos e vemos um filme ou série, mas muito raramente conseguimos resistir mais de 15 minutos…

Terminamos o dia com o nosso batido Herbalife e depois cama porque no dia seguinte voltamos aos treinos, ginásio e corridas…

21h00 Finalmente, na nossa casa muito cozy, onde preparamos e comemos uma sopa.

21h45

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O QUE ELES DIZEM...

VERA LOPES “Completamente louca por colocar a vida em risco, desde descer escadas íngremes a fazer o pino até subir montanhas e montes de pedras com vento a 100 km/h. É super-aérea e despistada, expert em batidos e viciada em Swiss Mocca.” Telma Amado, colega de equipa

TELMA AMADO “Um furacão dentro de campo, mas uma verdadeira princesa fora dele!” Vera Lopes, colega de equipa “Tudo começou nas viagens do pavilhão para casa... uma amizade tão pura e genuína que mesmo distante, ela nunca perderá o brilho. Incansável guerreira, wild and free! Adoro-te.” Letícia Moreira — “Ticha”, melhor amiga “My person, é a definição. Sempre presente, mesmo que longe, e a gargalhada é inevitável! Mas é preciso conquistá-la. Pois ela também se esforça e dá tudo no que faz!” Vânia Cardoso, melhor amiga “Tenho o privilégio de te ter na minha vida, és a minha irmã linda, divertida, inteligente

e com inúmeras qualidades, agora tenho a certeza de que adoro tua companhia.” Lino Amado, irmão

“Completamente viciada em adrenalina, o desporto, sem dúvida alguma, faz parte do estilo de vida dela. É completamente despassarada e está sempre pronta para uma aventura desportiva seja qual for o momento do dia... Comprovo. É uma lutadora e para ela não há limites.” Ana Seabra, melhor amiga

“Apresento-vos o desafio da vida em pessoa... A maior “testa-limites” alguma vez vista! Superdespassarada, mas grande amiga dos seus amigos, principalmente para a maluqueira! És grande, miúda! Nunca desistas, be strong!” Filipa Parada melhor amiga A Vera faz da sua invulgar capacidade física a sua principal “arma competitiva”! Quando está bem, consegue contagiar e galvanizar equipa e adeptos para grandes feitos e conquistas. Nos nossos dias, representa e dignifica o andebol português internacionalmente, em campeonatos de nível elevado. João Florêncio, selecionador nacional

Orgulho, dedicação, amor e paixão definem-te em tudo o que fazes e aquilo que és hoje e tudo o que significas para mim. Bruno Santos, namorado A Telma é uma atleta que se caracteriza pela sua enorme combatividade, pode evoluir muito potenciando as suas capacidades ao nível do posicionamento no seu lugar específico de pivô aliando a sua excelente receção de bola. Tem potencial para se tornar numa pivô de nível internacional! João Florêncio, selecionador nacional APAOMA JAN-FEV-MAR 2014

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OPINIÃO

ALBERTO ALVES

Docente de Educação Física e Desporto

CONDIÇÃO FÍSICA DO ÁRBITRO O esforço físico do Árbitro de andebol caracteriza-se por ser um esforço intermitente, predominantemente aeróbio. Há uma relação de afinidade entre a preparação física dos atletas e do Árbitro. E porquê? É óbvio. Quaisquer deles participam num jogo que é o mesmo, e que apresenta características dinâmicas: jogo rápido e com variações de ritmo e jogo com duração prolongada

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as, apesar disto, as incidências que daí resultam sobre a preparação de árbitros ou atletas não são as mesmas, ou seja, as solicitações postas, quer aos primeiros quer aos segundos, na competição são diferenciadas — o árbitro não joga com bola, o árbitro não remata em suspensão… —, o que leva naturalmente a que as preocupações com a preparaçãode uns e de outros sejam diversas. E se as incidências são diferentes há que conhecê-las. Neste caso, preocupamo-nos em conhecer as mesmas sobre o trabalho do árbitro. Assim como em relação aos atletas se procura definir ou conhecer um modelo de jogo do qual decorre um modelo de preparação, também em relação aos árbitros se pode e deve definir um modelo de participação no jogo que seja a base de um modelo de preparação (Marques, 1984). Ora, isso faz-se exatamente a partir da observação dos árbitros em jogo. No que diz respeito à preparação física dos mesmos, tal observação deverá incidir sobre os aspetos que se repercutem no foro fisiológico e físico, que exigem que o árbitro esteja convenientemente preparado para que a sua adaptação às exigências do jogo se faça, permitindo uma intervenção em condições ótimas no que toca às funções do juiz no terreno, ou seja, apreçar, julgar e sancionar nas diferentes fases do jogo. Tal pressupõe que o árbitro esteja preparado para poder acompanhá-lo nas melhores condições de proximidade, de colocação, de discernimento e clarividência. Condições essas que, para se verificarem, exigem que o árbitro esteja suficientemente preparado para contrariar o aparecimento de fadiga, que a sobrevir, vai originar que a lucidez e a velocidade de apreciação, julgamento e sancionamento das faltas de jogo se façam de forma correta. Se em termos genéricos se poderá dizer que a resistência

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à fadiga passa em primeiro lugar pela melhoria da capacidade aeróbia dos árbitros, de onde a resistência se assume como a qualidade física ou a capacidade motora determinante, há porém outros aspetos que são também importantes e sem os quais o árbitro não poderá atingir a sua “forma física”, entendendo-se esta como capacidade de rendimento ótimo (Marques, 1984). Mas para definir um tal modelo de preparação referido anteriormente, é necessário dar resposta aos objetivos criados para este trabalho. Uma boa condição física, para manter a postura corporal de observação e acompanhamento das situações competitivas e para acompanhar de perto a dinâmica das movimentações dos jogadores e julgar à vista as situações por estes criadas; uma boa condição


“UM JOGADOR EM MÁ CONDIÇÃO FÍSICA REPRESENTA UMA DESVANTAGEM PARA A SUA EQUIPA, MAS UM ÁRBITRO EM TAIS CONDIÇÕES PODE, MUITO BEM, PREJUDICAR AS DUAS EQUIPAS” FRANCISCO GUERRA, antigo árbitro FIFA

psicofisiológica, para ter uma boa velocidade de reação, uma boa perceção seletiva e uma boa memória visual; uma boa condição emocional, para ter um autocontrolo sobre as suas reações emotivas e para sentir confiança na sua imagem enquanto árbitro; e uma boa condição técnica, para fazer apelo permanente e atualizado às referências técnicas que possui sobre a modalidade e para ter um bom domínio dos códigos gestuais usados no andebol. As incidências dominantes serão de um ponto de vista fisiológico, já o acentuei, a capacidade aeróbia do árbitro, permitindo-lhe acompanhar sempre de perto o jogo, e de um ponto de vista motor ou físico, a velocidade. É a velocidade de reação extremamente importante, mas pouco suscetível de ser melhorada pelo treino, já que é fortemente condicionada por fatores genéticos, o mesmo se podendo dizer em relação à velocidade de aceleração e aos deslocamentos, que embora talvez não tão importantes, são também relevantes. A velocidade na execução dos gestos técnicos é igualmente essencial. Finalmente, a velocidade/resistência é mais suscetível de ser melhorada decorrendo a sua importância da necessidade do árbitro acompanhar fases do jogo rápidas durante períodos de tempo mais ou menos alargados. Os aspetos referentes à velocidade atrás citados, que não são suscetíveis de ser muito melhorados com o treino, remetem para a necessidade de se definirem critérios de seleção dos árbitros que passem por contemplar esses e naturalmente também outros aspetos. A força não será uma exigência fundamental, a não ser na sua forma particular de manifestação — força/resistência — e, em particular, com incidência no trem inferior, pela necessidade de fazer deslocamentos com grande frequência e ritmo (Marques, 1984). Do ponto de vista das capacidades coordenativas, a coordenação exigida na realização dos gestos técnicos não é complexa e também não estará no âmbito desta intervenção, a não ser naquilo que será o suporte fisiológico ou físico da realização de tais gestos. 

Bibliografia Marques, A. T. (1984). “A condição física do árbitro e pistas para a sua preparação.” In Revista Setemetros, n.º 11. Publicação técnica de andebol. Lisboa. Gráfica 2000. APAOMA JAN-FEV-MAR 2014

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GERAÇÕES

Eduardo Filipe e Miguel Martins — FC Porto Vitalis

PAIXÃO PARTILHADA Eduardo Coelho, mais conhecido nos meios andebolísticos por Eduardo Filipe, e Miguel Martins respondem às mesmas questões… Descubra as diferenças entre aquele que foi um dos melhores jogadores nacionais e a jovem promessa do FC Porto

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ala-nos um pouco sobre ti. O teu dia a dia fora do andebol? EDUARDO FILIPE (EF) Neste momento tenho vários compromissos profissionais, estando grande parte do dia dedicado à Medicina Desportiva (entre o Departamento médico do Futebol Clube do Porto, a Clínica Privada e a FPA). No fim tento chegar rapidamente a casa para poder disfrutar o pouquinho tempo que resta com a família. MIGUEL MARTINS (MM) Estudo no Colégio de Ermesinde, no 11.º ano, na área de Ciências e Tecnologias. Quando saio do colégio vou para o treino e estudo quando chego a casa. Tenho de saber gerir o tempo entre a escola, o andebol e as aulas de apoio, para compensar as faltas às aulas, motivadas pelos estágios da seleção ou pelas


RAIOS X

RAIOS X

NOME Eduardo Filipe da Cruz Coelho LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Porto, 15 de maio de 1974 POSIÇÃO Lateral esquerdo CLUBES CI Carvalhos, FC Porto, ABC, Teka Santander, BM Algeciras, e atualmemte no Porto Vintage (não federado, veteranos) INTERNACIONALIZAÇÕES 265 MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Eu e Carlos Resende, atualmente Wilson Davies e o francês Nikola Karabatic SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Rui Rocha/Lucka Zvisev PD Ricardo Costa/David Tavares LE Carlos Resende C Vitor Tchicolaev/Jorge G Vega LD Vladimir Petric P Alexandru Dedu/Tiago Rocha GR Daniel Saric/Sergio Morgado TREINADOR MAIS MARCANTE José Magalhães (formação/sénior), Alexander Donner/Branislav Pokrajac (duas escolas distintas) TÍTULOS Campeão nacional (5); Taça de Portugal (2); Supertaça (3); campeão europeu sub-18 (Seleção) PROFISSÃO Médico CIDADE IDEAL PARA VIVER Porto PRATO PREFERIDO Polvo BEBIDA PREFERIDA Vinho tinto FILME PREFERIDO Invictus MÚSICA PREFERIDA In the Name of Love, dos U2

NOME Miguel Soares Martins LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Porto, 4 de Novembro de 1997 POSIÇÃO Central CLUBES AA Águas Santas, ADA Maia ISMAI, E ATUALMENTE NO FC PORTO VITALIS INTERNACIONALIZAÇÕES 23 MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Filipe Mota e Wilson Davyes e o croata Ivano Balic SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Mick Shubbert (FC Porto Vitalis) LE Gilberto Duarte (FC Porto Vitalis) e Edmilson Araújo (Seleção Júnior A) C Wilson Davyes (FC Porto Vitalis) e António Ventura (ISMAI) LD João Ferraz (FC Porto Vitalis) e Pedro Spínola (FC Porto Vitalis) PD Ricardo Moreira (FC Porto Vitalis) e David Carvalho (Seleção Júnior A) P Tiago Rocha (FC Porto Vitalis) e Francisco Leitão (FC Porto B e Seleção Júnior A) GR Hugo Laurentino, Alfredo Quintana (FC Porto Vitalis) e João Moniz (FC Porto B e Seleção Júnior A) TREINADOR MAIS MARCANTE Obradovic (FC Porto Vitalis), Paulo Fidalgo (Seleção Nacional), Carlos Martingo (FC Porto B), Pedro Vieira (Seleções Regional e Nacional) TÍTULOS Campeão nacional Minis, campeão nacional Infantis, vice-campeão nacional de Iniciados, campeão nacional inter-seleções regionais e campeão dos jogos dos CPLP PROFISSÃO Estudante CIDADE IDEAL PARA VIVER Porto PRATO PREFERIDO Picanha à Brasileira e Francesinha BEBIDA PREFERIDA Guaraná FILME PREFERIDO Salt MÚSICA PREFERIDA Reggae, Dub Incorporation, My Freestyle

EDUARDO FILIPE

deslocações com a equipa dos seniores A. Nos tempos livres gosto de viajar com a família, ir ao cinema, teatro, concertos musicais e outros espetáculos, gosto de tocar guitarra e de participar em atividades culturais, recreativas e desportivas com os meus colegas do colégio e de conviver com a família e os amigos (muitos). O andebol para ti é… EF É uma paixão, uma grande família da qual faço parte e tenho muito carinho, o andebol deu-me muitas alegrias, fez-me crescer abriu-me horizontes, em suma, uma parte da minha história é andebol. MM É uma arte e um espetáculo, e no meu caso uma vida. Vejo o andebol como uma futura profissão a par com a realização de um curso superior.

MIGUEL MARTINS

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GERAÇÕES

Depois de deixar os campos, Eduardo Filipe dedica-se em exclusivo à Medicina Desportiva

Diz-nos algo sobre o Miguel Martins... EF Eu conheci o Miguel há cerca de um ano, quando vinha treinar à experiência com a equipa sénior do FC Porto, e reparei que tinha imenso potencial, com um nível de maturidade acima do normal, este ano ele tem vindo a demonstrar isso mesmo, que é um talento, mas creio que ele sabe que isso ainda não é suficiente, e não tenho dúvidas de que ele tem ambição para ser um dos melhores, sabendo que para isso terá de trabalhar sempre mais e ter a fasquia sempre lá em cima. Diz-nos algo sobre o Eduardo Filipe: MM Um rematador potente que jogou num dos melhores clubes do mundo. Jogador internacional, com muita experiência não só devido à seleção, mas também aos títulos disputados pelo clube. É fácil conciliar a vida profissional com o andebol? EF Hoje, para mim a vida profissional e o andebol estão interligadas, podendo afirmar que não é complicado, mas no passado enquanto jogava e estudava, aí, sim, era mais difícil, sobrava pouco tempo e aprendi a ser económico com o tempo, um dos grandes benefícios da alta competição é ser bastante regrado, e ter

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objetivos para tudo. Nestes momentos tive de tomar opções e por vezes não pude ter uma vida social tão intensa como outros amigos, mas no final o investimento compensou. MM Não é fácil, mas com organização e empenho consigo ir conciliando e manter-me um bom aluno. Quando se gosta muito de alguma coisa fazemos tudo para não a perder, que é o que se passa comigo. Que opinião têm em relação ao modelo competitivo da PO 1, tendo já existido play off? EF O modelo competitivo atual, é o que beneficia a equipa mais regular ao longo da época, enquanto o play off, é o que mantém a emoção até ao último jogo. Desta forma cada um deles tem as suas vantagens e desvantagens. MM Sendo um Campeonato Nacional uma prova de regularidade, tem mais lógica que as duas fases sejam jogadas por pontos entre todas as equipas apuradas para cada fase. Estando os dois ligados ao FC Porto Vitalis, um tema obrigatório nesta conversa, é a EHF Champions League. Estar presente e participar na melhor competição mundial de clubes é… EF O melhor que podia acontecer a este grupo de atletas que já vinha atrás deste objetivo há


algum tempo e esse trabalho foi compensado. Agora tiveram a oportunidade de estar entre os melhores, que é a melhor forma para poderem crescer como atletas, não tenho dúvidas de que no final desta época serão outros jogadores. MM Um privilégio a que poucos e poucas vezes têm acesso. A alegria de poder ver alguns dos melhores jogadores do mundo ao vivo. A sorte de poder ampliar as minhas vivências desportivas. Qual foi o melhor e pior momento na tua carreira desportiva? EF O melhor a nível de clubes foi o campeonato em 1998-1999, foi algo de transcendente para os que o pudemos viver. Na seleção foi ter sido campeão da Europa sub-17, em 1992 na Suíça. O pior são sempre as lesões, e no meu caso foi a rutura do LCA do joelho direito, que me retirou oito meses dos jogos. MM O melhor momento da minha vida aconteceu recentemente, no meu primeiro jogo e golo da Liga dos Campeões, aos 16 anos. O pior momento da minha vida foi quando fraturei o segundo metacarpiano da mão esquerda impedindo-me de continuar a treinar durante um mês e meio. O que deve opinião mudar no andebol em Portugal? EF Essa é uma pergunta complicada, penso que necessitamos de voltar aos grandes palcos, mas infelizmente a conjuntura também não tem ajudado, pois com tantos cortes, não é fácil dar as condições adequadas aos clubes, atletas, etc., para que consigamos subir o nível interno de competitividade e, ao mesmo tempo, alargar o leque de jogadores de qualidade. Em relação à formação é mais do mesmo, de qualquer forma hoje cada vez é mais difícil de seduzir os jovens, temos grandes inimigos, videojogos, tendência ao sedentarismo, o facilitismo instituído na sociedade atual. MM A organização das competições, em grupos equilibrados, que permitam uma grande competitividade em todas as séries. Que todos os atletas tenham a oportunidade de trabalhar num patamar de dificuldade ligeiramente acima do seu nível de desenvolvimento, permitindo-lhes evoluir a uma velocidade que é própria de cada atleta.

O que pensas do atual momento da arbitragem portuguesa? EF Está a passar por uma remodelação, temos muitas duplas jovens, que espero que rapidamente se tornem duplas experientes, pois essa maturidade é essencial para o crescimento da qualidade do campeonato. MM Têm aparecido muitos árbitros jovens, inclusive do sexo feminino, que necessitam de acompanhamento técnico específico para também eles se desenvolverem (tal como acontece com os jogadores).

Miguel Martins quer conciliar o andebol profissional com um curso superior

No verão, o andebol não para, muda somente de local, vai até à praia… Gostasde andebol de praia? O que pensas desta variante do andebol? EF Gosto muito, participei nos primeiros campeonatos que se realizaram em Portugal, é uma vertente extremamente divertida, e que é ótima para que os atletas mantenham a atividade durante as férias. Penso que ainda poderá ser mais preponderante no nosso país, em virtude da extensão de praias que temos. MM Adoro o andebol de praia, pois é uma variante espetacular da modalidade, devido às aéreas, piruetas e vertente tática do jogo.  APAOMA JAN-FEV-MAR 2014

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QUEM É QUEM

Beatriz Cordeiro

CAMPEÃ UNIVERSITÁRIA Estudante do curso de Design de Ambientes, na Escola Superior de Artes e Design do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), bi-campeã nacional universitária de andebol; joga na Juve Lis, uma das melhores equipas nacionais femininas, que marca presença nas competições europeias. No verão, a sua equipa no andebol de praia é as 2MORROW/ASCDR! Falamos da leiriense Beatriz Cordeiro, uma das caras bonitas do nosso andebol

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ual o motivo de jogares andebol pela tua faculdade? Desde muito cedo que pratico a modalidade, e sempre consegui conciliar a escola com o andebol. Faço-o pelo gosto que tenho e pela fantástica equipa que tenho encontrado ao longo do meu percurso universitário. O IPL tem satisfeito todas as tuas necessidades como atleta-estudante, nomeadamente, épocas especiais, facilidade em faltar às aulas durante as fases em concentração dos campeonatos nacionais universitários (CNU),…? Felizmente, o IPL tem-nos proporcionado todas as condições enquanto atletas-estudantes… Possíveis problemas que possamos ter, como faltarmos às aulas durante o CNU e/ou épocas especiais, são sempre resolvidas entre a instituição para que possamos dar o nosso contributo e ir mais além no desporto universitário. Cabe-nos agradecer

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todos os esforços, soluções e garantias que nos vão dando. Ser campeã nacional universitária, depois os jogos europeus universitários? Fala-nos dessas experiências, as principais diferenças entre os campeonatos nacionais universitários e os Jogos Europeus Universitários? É muito interessante responder a esta questão, pois são duas experiências muito distintas. Por vezes, os campeonatos nacionais universitários são bastante desequilibrados, embora cada vez mais haja uma evolução, o que faz com que os CNU se tornem mais competitivos. Comparativamente com os campeonatos europeus, o que posso dizer é que existe um espírito muito empolgante. Os jogos são vividos com uma intensidade abrupta, com uma força e união de equipa que nos dá uma energia e momentos inigualáveis. Existe um convívio direto com as outras equipas o que nos proporciona novas amizades, momentos de paródia total

(quando queremos falar outras línguas e ninguém nos entende), o que faz com que sintamos os momentos com muita intensidade. E isso é muito gratificante! É difícil conciliar o desporto com os estudos? Como consegues conciliar os treinos na Juve Lis com os do IPL? Para mim, nunca foi difícil conciliar o desporto com os estudos! Quanto se gosta muito do que se faz, tanto em estudos como no desporto, conseguimos arranjar tempo para as duas coisas. Sim, porque os treinos da Juve nunca coincidem com os treinos do IPL. Que título te deu mais gozo de alcançar? Como é óbvio todos me dão gozo, é sinal que o nosso esforço valeu a pena


Talvez das lesões que tenho tido a partir dos torneios… Consideras que o Conselho de Arbitragem da Federação de Andebol de Portugal está a ter uma maior preocupação ao nomear árbitros mais credenciados para esta prova? Como têm evoluído, na tua opinião, a arbitragem nos CNU? Sim, concordo plenamente com esse assunto. Posso dizer que tendo árbitros mais credenciados na prova, dá-nos também uma outra motivação. Acho que a competição está a evoluir e um dos pontos fulcrais passa pela arbitragem. Além do andebol, qual ou quais os teus hobbies? Adoro ir ao cinema, e de ver exposições de arte (não fizesse este último parte da minha vida profissional).

e que conseguimos chegar aos nossos objetivos. Mas não há nada como o primeiro! O que mais gostas no desporto universitário? Gosto muito do sentimento de liberdade, no sentido em que o desporto é para chegar a todos os estudantes, mesmo os que não sejam federados. E, principalmente, gosto do especial convívio que temos em todos os torneios, entre a equipa feminina e masculina do IPL. Deixamos de ser duas equipas para sermos uma família! Isso é muito especial e marca todo o meu percurso no desporto universitário. O que é que gostas menos no desporto universitário?

Atleta da Juve Lis, por quem disputas o Campeonato Nacional da 1.ª Divisão e as competições europeias, jogas andebol de praia e nos campeonatos universitários… o andebol “é a tua vida”, é um dos teus hobbies e também um dos que mais te preenche. Fala-nos sobre a influência que o andebol tem para ti… O que é que posso dizer sobre isto… Desde muito pequenina que jogo andebol e isso teve uma grande influência no meu crescimento, na minha personalidade, e na maneira como vejo a vida. O andebol fez-me crescer, e mostrou-me o ritmo da competitividade saudável, em que as amizades ficam de fora das 4linhas. A Beatriz é… Uma pessoa muito espontânea, extrovertida, que adora desafios e estou sempre pronta para me divertir com os meus amigos. Por norma, sou uma pessoa que sabe o que quer, e com minha determinação tento chegar aos meus objetivos.

RAIOS X

BEATRIZ CORDEIRO

NOME Beatriz Avelino Cordeiro LOCAL E DATA NASCIMENTO Coimbra, 4 de novembro de 1988 POSIÇÃO Pivô CLUBES Associação de Solidariedade Académica de Leiria, Colégio João de Barros (CJB), e atualmente na Juventude Desportiva do Lis (Juve Lis) MELHOR ATLETA PORTUGUESA E ESTRANGEIRA NA SUA POSIÇÃO Renata Tavares (Madeira SAD) e Loke Heidi (Noruega) SETE IDEAL COM QUEM JOGOU GR Carolina Costa (CJB) PE Ana Maria Fonseca (Juve Lis) LE Maria Pereira (CJB) C Eduarda Pinheiro (CJB) LD Inês Silva (Juve Lis) PD Francisca Marques (Juve Lis) P Telma Amado (ÍBV) TREINADOR MARCANTE Todos, pelo positivo ou não, deixaram a sua marca TÍTULOS Três campeonatos nacionais de 1.ª divisão de juniores femininos PROFISSÃO Estudante CIDADE IDEAL PARA VIVER Leiria PRATO PREFERIDO Bacalhau com natas BEBIDA PREFERIDA Tenho várias, caipirinha, amêndoa amarga… FILME PREFERIDO Tenho vários… Um dia, As Serviçais, Amigos Coloridos e Cavalo de Guerra MÚSICA PREFERIDA Tenho tantas de que gosto assim muito, prefiro antes dizer os músicos ou bandas preferidas, que são: Beyoncé, ColdPlay, Muse, entre outros, claro

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QUEM É QUEM

Humberto Gomes

COLECIONADOR DE TÍTULOS Estudante do curso de Engenharia Civil, na Universidade do Minho (UM). Venceu dez vezes o Campeonato Nacional Universitário de Andebol e foi bicampeão europeu universitário; joga, também, no ABC/UMinho, uma das melhores equipas nacionais, No verão, também já “jogou” andebol de praia. Falamos do bracarense Humberto Gomes, um dos grandes nomes da modalidade

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ual o motivo de jogares andebol pela tua faculdade? Acima de tudo, pelo convívio e a oportunidade de fazer o que adoro… jogar andebol. A UM tem satisfeito todas as tuas necessidades como atleta-estudante, nomeadamente, épocas especiais, facilidade em faltar às aulas durante as fases em concentração dos campeonatos nacionais universitários (CNU)? Sim, a UM é em termos de condições para os atletas-estudantes a melhor universidade do país com a ajuda contínua das nossas necessidades, embora por vezes existam docentes que não compreendem a nossa situação. Ser campeão nacional universitário, depois os jogos europeus universitários? Fala-nos dessas experiências, as principais diferenças entre os campeonatos nacionais universitários e os jogos

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europeus universitários? Sinceramente, a principal diferença é em termos de competitividade, pois o campeonato nacional tem um nível mais baixo do que o Europeu. Nos europeus, além de toda a atmosfera que envolve a competição ser diferente, encontramos equipas mais fortes e com andebol diferente do nosso campeonato… é uma excelente experiencia. É difícil conciliar o desporto com os estudos? Como consegues conciliar os treinos no ABC/UMinho com os da UM? Infelizmente para mim, constato agora que é possível conciliar a vida académica com o desporto. Claro que não é nada fácil, pois envolve muitos sacrifícios. E hoje, devido a carga de treinos ser menor, possibilita maior sucesso nos estudos. Quanto aos treinos, é mais fácil conciliar os treinos no ABC/UMinho com os da UM devido ao protocolo entre as duas instituições, embora os treinos na UM sejam “apenas” duas vezes por semana e em horas distintas dos do ABC.

Que título te deu mais gozo de alcançar? A nível do desporto, sem dúvidas foi a conquista da Taça Challenge pelo Sporting, a nível universitário foi a conquista do 1.º Campeonato Europeu em Rjeka. O que mais gostas no desporto universitário? O convívio e a oportunidade de jogar andebol. O que menos gostas no desporto universitário? Nada de especial. Apenas mudaria o calendário dos CNU, pois normalmente coincidem com os exames… Consideras que o Conselho de Arbitragem da Federação de Andebol


RAIOS X

ARQUIVO FADU

HUMBERTO GOMES

de Portugal está a ter uma maior preocupação ao nomear árbitros mais credenciados para esta prova? Como têm evoluído, na tua opinião, a arbitragem nos CNU? Acho que sim, que existe uma maior preocupação e isso é importante, não só para nós atletas, mas também para as equipas de arbitragem, pois com mais minutos e mais jogos melhora-se sempre. Sinceramente acho que as arbitragens nos CNU têm sido exemplares. Além do Andebol, qual ou quais os teus hobbies? Cinema, filmes, e videojogos.

andebol de praia e também nos campeonatos universitários. O andebol “é a tua vida”, é um dos teus hobbies e também um dos que mais te preenche. Que influência tem o andebol em ti… O andebol é minha vida e estarei sempre ligado a esta modalidade única. O andebol deu-me tudo e fez de mim o homem que sou hoje. Aprendemos tudo, disciplina, companheirismo, sofrimento, medo, alegrias, responsabilidade, trabalho em equipa… tudo. Enquanto tiver forças, pois a paixão esta sempre presente, jogarei andebol.

Atleta do ABC/UMinho jogas no ANDEBOL 1 e nas competições europeias com regularidade, e jogas

O Humberto é… Responsável e generoso e tem mau feitio (quando perde)… 

NOME Humberto Jorge Simões Dias Ramos Gomes LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Braga, 1 de janeiro de 1978 POSIÇÃO Guarda-redes CLUBES FC Gaia, CD Bernardo, CF “Os Belenenses”, ABC de Braga, Sporting CP, e atualmente ABC/ UMinho PRINCIPAIS COMPETIÇÕES EM QUE PARTICIPOU Campeonato Europeu Seleções A, na Eslovénia, Campeonato do Mundo Sub-21, no Qatar, Campeonato do Mundo Universitário, em Portugal (Covilhã), e cinco campeonatos europeus universitários MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Paulo Morgado e Mats Olsson SETE IDEAL COM QUEM JOGOU GR Paulo Morgado 1.ª Linha Filipe Cruz, Carlos Resende e Yuri Kotstesky 2.ª Linha Álvaro Martins, Carlos Galambas e Rui Almeida TREINADOR MARCANTE Aleksander Donner TÍTULOS Sei lá são alguns… PROFISSÃO Atleta-estudante CIDADE IDEAL PARA VIVER Braga PRATO PREFERIDO Panados da mamã BEBIDA PREFERIDA Coca-Cola FILME PREFERIDO Marley e Eu MÚSICA PREFERIDA Tudo o que é música brasileira

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OPINIÃO

BRUNO ALMEIDA

Diretor do Centro de Desporto da Universidade do Porto

MODALIDADE EM EXPANSÃO NAS UNIVERSIDADES A Universidade do Porto é pelo terceiro ano consecutivo a vencedora do Troféu Universitário de Clubes. Aproveitámos para pedir a Bruno Almeida, mestre e diretor do Centro de Desporto da Universidade do Porto para fazer uma breve introdução ao desporto universitário em Portugal e na Universidade do Porto

O

desporto universitário (DU) em Portugal tem sofrido, nos últimos 20 anos, uma significativa mudança e que certamente valerá a pena acompanhar. A Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) é hoje uma estrutura consolidada e tem atualmente mais de 8 mil praticantes filiados divididos por 40 modalidades coletivas e individuais, envolvendo mais de 100 clubes e 420 equipas. Organiza anualmente mais de 50 campeonatos nacionais universitários e 20 regionais e atribui oficialmente 240 títulos nacionais universitários. A nível internacional, Portugal tem estado representado ao mais alto nível e com resultados de relevo em campeonatos mundiais universitários e universíadas, tendo inclusivamente desde 1996 organizado 18 grandes eventos desportivos (7 campeonatos mundiais universitários, 11 campeonatos europeus universitários) e estando já assegurados até 2016 a organização de mais cinco campeonatos, o que demonstra que as entidades internacionais reconhecem nas instituições de ensino superior (IES) e associações de estudantes uma excelente capacidade organizativa. Ou seja, a aposta das IES no DU é cada vez mais uma realidade, começando esta atividade extracurricular a ser incluída nos planos estratégicos e programas das várias instituições universitárias. A Universidade do Porto (UP), também neste caso, é uma referência a nível nacional, após um processo interno de reestruturação do modelo organizativo para o DU, criou um organismo, Centro de Desporto da Universidade do Porto (CDUP-UP), com a missão de gerir as infraestruturas desportivas e organizar o DU para a sua comunidade. São cerca de 2300 os utentes que praticam desporto regularmente na UP e em 2013 foram registadas cerca de 117 500 utilizações nas quatro instalações desportivas onde se desenvolve a atividade do CDUP-UP e que são: Estádio Universitário, Complexo Desportivo da Boa Hora, Pavilhão Desportivo Luís Falcão e Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

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No quadro das competições nacionais universitárias tuteladas pela FADU, aproximadamente 400 representam a UP em 33 desportos, o que levou à conquista de 135 medalhas na época desportiva 2012-2013. Estes resultados levaram a que a UP, pelo terceiro ano consecutivo, fosse a vencedora do Troféu Universitário de Clubes atribuído pela FADU. No que diz respeito à prática do andebol na UP, na vertente feminina, a seleção da universidade, nos últimos sete anos, sagrou-se campeã nacional universitária por quatro vezes e classificou-se em terceiro lugar no Campeonato Europeu Universitário em 2010, que se disputou em Nicósia, Chipre, sendo ainda hoje o melhor resultado internacional de uma equipa feminina universitária nesta modalidade. Esta seleção é constituída por estudantes da UP que maioritariamente são jogadoras federadas e que vêem de nove clubes que participam nas competições nacionais, por ex-jogadoras federadas e que por razões académicas por vezes não conseguem conciliar a prática desportiva com os seus estudos e ainda por estudantes que participam nos treinos regulares de andebol na UP. Relativamente à vertente masculina, não existe uma seleção da UP, a participação nos campeonatos universitários é efetuada por equipas representativas das associações de estudantes das várias faculdades da UP. Muito importante ainda é o facto de nos próximos dois anos serem organizados em Portugal (pela Universidade do Minho) as duas maiores competições internacionais universitárias de andebol, 22.º Campeonato Mundial Universitário, em 2014, e o 8.º Campeonato Europeu Universitário, em 2015. Esta não é a primeira vez que Portugal recebe uma competição internacional universitária nesta modalidade, já que em 2000 foi organizado na Guarda e na Covilhã o 16.º Campeonato Mundial Universitário de Andebol, onde na altura a seleção portuguesa alcançou um brilhante segundo lugar, posição que repetiu, em 2012, no último mundial, disputado em Blumenau, Brasil.


NOTÍCIAS

ASSOCIAÇÕES

CA

AVEIRO

O Conselho de Arbitragem da Federação de Andebol de Portugal realizou em simultâneo com o XXV Torneio Internacional de Andebol — Kakigaia 2013, provas para admissão de árbitros no quadro nacional, nível 1. Estas provas tiveram, para lá da observação em jogos, testes escritos e teóricos, tendo sido considerados aptos os seguintes quadros de arbitragem: André Rodrigues (AA Porto), António Almeida (AA Viseu), David Rodrigues (AA Braga), Ercília Lapo (AA Porto), Flávia Santos (AA Porto), Francisco Pires (AA Braga), Francisco Remígio (AA Leiria), Hélder Carvalho (AA Braga), João Mendes (AA Leiria), Márcio Menino (AA Leiria), Miguel Silva (AA Braga), Nuno Gomes (AA Porto), Ricardo Caçador (AA Leiria). A todos eles a APAOMA deseja os maiores êxitos desportivos nas suas carreiras de árbitro de andebol.

NOVOS ÁRBITROS

• De novembro a dezembro do ano passado realizou-se um Curso de Árbitros de Andebol da AA Aveiro. Dos 26 candidatos inscritos, terminaram 15 elementos. O curso composto por três componentes (Teórica, prática, testes físicos e práticos) teve como formadores ao longo das cinco semanas António Goulão (coordenador do curso), Mário Coutinho, Carlos Capela e João Teles. A parte prática do curso efetuou-se entre os dias 27 e 30 de Dezembro no Torneio do C. D. Feirense — Feira Handball Cup 2013. • Realiza desde outubro de 2013 ações de divulgação e informação para novos árbitros. Atualmente, já se encontram 76 inscritos sendo que a formação a estes novos elementos será dada pelos elementos que formam o departamento de arbitragem da AA Aveiro. BRAGA

• A 25 de Novembro de 2013, decorreu, em Celorico de Basto, o Curso de Árbitros Nível I – Árbitro Estagiário. Contou com a presença de 25 candidatos. Está inserido no protocolo de cooperação entre a FAP/AAB e o BECA — Bastinhos Escola Clube de Andebol de Celorico de Basto, sendo muito importante para o concelho e zonas circundantes. O curso está autorizado pelo CA da FAP, e de acordo com o Programa do Curso de Nível 1 — Árbitro Estagiário. • Realiza um Curso de Treinador de Andebol de Grau 1, com início a 28 de dezembro de 2014, curso enquadrado no novo modelo IPDJ. Terá a duração de 81 horas e decorrerá na Esc. Sec. de Celorico de Basto e no pavilhão da respetiva escola.

AGENDA 25–29 DE JUNHO:

4.º Torneio de Andebol GARCI CUP 2014 Em Estarreja e será disputado nas vertentes de andebol, andebol de praia e Andebol 4 All. Do programa consta uma ação de formação destinada a todos os árbitros, dirigentes e técnicos de andebol que se realizará entre os dias 20 e 22 de Junho. 19–26 DE JULHO:

11.º Torneio Internacional MAIA HANDBALL CUP 2014

Este evento na Maia, representa oito dias de férias a jogar andebol, e tem uma componente social e de convívio inesquecível para os agentes desportivos participantes. Informações em: www.cm-maia.pt; www. eurohandball.com; josecribas@gmail.com 3–10 DE AGOSTO:

22.º Campeonato Mundial Universitário de Andebol Guimarães

ARBITRAGEM

NOMEAÇÃO INTERNACIONAL

A dupla de árbitros Ivan Caçador e Eurico Nicolau começou 2014 com mais uma importante representação internacional. A IHF nomeou a dupla de Leiria para a 21.ª Africa Nations Cup, que decorreu na Argélia, entre 15 e 26 de Janeiro. Nesta Taça das Nações Africanas, participam 20 Seleções, 12 masc. e 8 fem., de salientar dos 7 jogos dirigidos pela dupla a meia final Túnisia – Egipto e o 3º/4º, num pavilhão normalmente cheio com 12 mil espectadores. FAP

TAÇA DE PORTUGAL MASCULINA E FEMININA

Estão definidos os jogos dos oitavos de final das “provas rainhas” da Federação de Andebol de Portugal: a Taça de Portugal masculina e feminina. Os jogos dos oitavos de final disputam-se a 1 de Fevereiro e são os seguintes. Na prova masculina •Académica São Mamede – Sporting CP (Pav. Eduardo Soares às 18h30) •Águas Santas Milaneza – FC Gaia (Pav. Águas Santas às 18h00) •Arsenal C. Devesa (Braga) – CCR Fermentões (Pav. Flávio Sá Leite às 21h30) •AC Fafe – SL Benfica (Pav. Municipal de Fafe às18h00) •ADA Maia ISMAI – ACR Zona Azul (Pav. Municipal da Maia às17h15) •CD Xico Andebol – CD São Bernardo (Pav. Desportivo Francisco Holanda às 18h00) •NAAL Passos Manuel – FC Porto Vitalis (Esc. Secundária Quinta de Marrocos às 18h00) • ABC Braga/UMinho – SC Horta (12 Fev 2014, Pav. Flávio Sá Leite às 21h00)

Na prova feminina •CS Madeira – Alavarium/Love Tiles (Pav. do Funchal às 17h00) •CALE – Colégio de Gaia Toyota (Pav. Municipal de Leça da Palmeira às 19h15) •ADA Colegio João de Barros – CS Juv Mar (Pav. das Meirinhas às 17h00) •Madeira SAD – NAAL Passos Manuel (Pav. do Funchal às 15h00) •ND Santa Joana – Vela de Tavira (Pav. Municipal São Pedro de Fins às 20h00) •CD São Bernardo – ARC Alpendorada (Pav. São Bernardo às 17h00) •Maiastars – Associação Assomada (Pav.Municipal da Maia às 15h00), •JAC Alcanena – Juve Lis (Escola Secundária de Alcanena às 18h00)

CURSOS

ANDEBOL ADAPTADO

Informam-se todos os interessados que poderão inscrever-se no Portal da Federação de Andebol de Portugal (www.fap.pt) para o Curso de Formação de Treinador de Andebol Adaptado – Grau I. O curso que terá número de vagas limitadas (30 participantes) tem início em Março de 2014, em Rio Maior. É composto por uma componente geral (40 horas) e uma componente específica (também com a duração de 40 horas). O programa do curso poderá ser consultado no portal da FAP.

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OPINIÃO

ANTÓNIO BROUSSE

Membro da Comissão Regional Andebol Praia de Aveiro

ANDEBOL DE PRAIA ESPETACULARIDADE E FAIR PLAY

Alegria e diversão são os ingredientes desta modalidade de verão, dentro e fora de campo, que atrai cada vez mais adeptos

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uando chega o verão o andebol não para, “muda-se” para a praia, tornando-se assim ainda mais espetacular e divertido. O andebol de praia é um dos muitos desportos de verão, que faz com que as belas praias portuguesas possuam dinâmica, cor e espectáculo, além do simples prazer do descanso… E é esse o espírito do andebol de praia, uma variante da nossa modalidade, que tem como sua filosofia o fair play e espetacularidade, sendo estes dois fatores complementados com a diversão que a própria praia “provoca”. Assim, e porque é um desporto de verão, ao andebol de praia “exige-se” que seja alegre, divertido, atrativo… não só para os atletas e demais agentes participantes, mas também para o público em geral, para que consigamos conquistar novos adeptos para a nossa modalidade. Não é de estranhar, por isso mesmo, que durante as etapas dos diversos circuitos regionais e do circuito nacional surjam atividades paralelas associadas ao andebol de praia. Festas sunset, aulas de aeróbica, actividades radicais, concertos ou simples animação musical estão sempre presentes nas praias onde se joga andebol de praia. Porque se afirma que o andebol de praia é uma modalidade onde impera o fair play? Porque é jogado de forma rápida, onde a posse de bola tem alternâncias constantes, levando a que seja um jogo sem contacto e fazendo dele um desporto onde as sanções têm como alvo sempre o atleta causador e nunca a sua equipa. Fica assim protegida a integridade física dos atletas e o seu bem-estar: a saúde e o corpo do atleta “deverão ser sempre respeitados”. No andebol de praia nunca se obtém uma vantagem com uma violação às regras do jogo. Este é o princípio do jogo. Afirma-se também que o andebol de praia é atrativo e espetacular, além de ser rápido, as acções mais “acrobáticas” são bonificadas em termos de pontuação, o que faz com que mergulhos, piruetas, jogadas aéreas, por exemplo, sejam mais valiosos e usados no jogo do que o simples princípio de ganhar a qualquer custo.

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Com estas características, seria impossível não associar a diversão ao andebol de praia. Surgem assim, naturalmente, passatempos, festas, actividades radicais ou outras modalidades de verão, tais como ténis de praia, voleibol de praia ou o próprio futebol de praia tornando a praia um local ainda mais apetecível para todos os veraneantes e amantes do Sol. Com tudo isto, não é de estranhar que surjam grandes nomes da nossa modalidade a jogar andebol de praia ou simplesmente a promover a modalidade nas praias. A sua presença torna assim as etapas ainda mais apetecíveis, visto que os seus fãs, que não podem durante a época privar com eles, têm aqui uma excelente oportunidade de contactar com estrelas do andebol nacional. Nomes como Carlos Resende, Tiago Rocha, David Tavares (actual patrono do Andebol 1), Alfredo


FORMAÇÃO O que é?

Centro de Formação — Os Golfinhos

ATIVIDADES PARALELAS AO ANDEBOL DE PRAIA MARCAM PRESENÇA NAS AREIAS PORTUGUESAS, COMO AERÓBICA, CONCERTOS OU FESTAS SUNSET

Festa sunset na praia da Torreira, em 2012

Quintana Bravo, Eduardo Filipe, Inácio Carmo, Tiago Viera da Silva, Nuno Grilo, Pedro Portela, Humberto Gomes, Rui Silva, Nélson Pina, João Paulo Pinto, Nélson Pina, Ana Seabra, Renata Tavares, Vera Lopes, Cláudia Aguiar, Telma Amado, Maria Pereira, Eduarda Pinheiro, Filipa Fontes, Ana Filipa Gante, Patricia Mendes, Patrícia Rodrigues, Neuza Valente são nomes de alguns dos nossos melhores atletas que já passaram e jogaram nas nossas praias. Miguel Maia e João Brenha (voleibol de praia), atletas olímpicos portugueses, medalha de bronze em Atlanta 1996, são presença assídua nos torneios realizados em Espinho, sua terra natal, onde também mostram as suas credenciais nesta variante do andebol. 

GOLFINHOS - Equipa Masters 2013

Como surgiu?

Nasceu em Espinho, em 2013, o 1.º Centro de Formação de Andebol de Praia a nível europeu. Surgiu através da ideia de dois jovens que tinham as suas próprias equipas, mas decidiram juntar esforços e criar mais do que uma simples equipa de andebol de praia. Rui Rodrigues e João Vítor Pinhal, com o apoio e orientação do experiente António Canelas, criam o Centro de Formação — Os Golfinhos, na cidade de Espinho. Estes dois jovens, com o apoio fundamental dos seus colegas da equipa de Masters (base de recursos humanos de todo o projeto), conseguem mais de 100 atletas com idades compreendidas entre 5 e 22 anos, na sua maioria do sexo masculino, mas já com a presença de alguns escalões femininos. Organizam-se assim em vários escalões orientados por treinadores qualificados pertencentes à equipa de Masters. Este é um número fabuloso, tendo em conta os atletas neste momento, para mais com praticantes tão novos incluídos. Todo este trabalho acabou por ser compensado com o Centro de Formação — Os Golfinhos a colocar duas equipas (em duas possíveis) na fase final do Campeonato Nacional de Andebol de Praia, alcançando o quinto lugar em Masters masculinos, e o terceiro em Rookies masculinos. O Centro de Formação — Os Golfinhos foi ainda responsável pela organização de festas, torneios de formação e eventos desportivos e lúdicos para os escalões de Bambis (durante as etapas do Circuito Regional de Aveiro). Para 2014, vamos apresentar metas que pretendemos, desde já, começar a alcançar, no entanto ainda é cedo para revelar novidades, garantindo apenas que já se trabalha para uma nova época de sucesso.

No próximo número começaremos a explicar o jogo propriamente dito. APAOMA JAN-FEV-MAR 2014

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APAOMA revista nº 1  
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