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N.O 2 | ABR-MAI-JUN 2014 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

ANTÓNIO MARREIROS

Um presidente com ideias claras e objetivos ambiciosos

DANIEL FREITAS E CÉSAR CARVALHO EUROPEUS À MODA DO MINHO Página 6

UM FIM DE SEMANA COM... JOÃO PINTO P ágina 20

GERAÇÕES MARISA FARINHA, RENATA TAVARES E FREDERICA JESUS Página 24

ANDEBOLL 4 ALL JOÃO JERÓNIMO

P ágina 44

A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DAS EMOÇÕES Página 5

A LEI DA VANTAGEM NO ANDEBOL Página 32


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NESTA EDIÇÃO A UMA SÓ VOZ

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OPINIÃO

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ENTREVISTA

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Presidente da APAOMA, Tiago Monteiro Daniel Martins, fala sobre o papel das emoções na performance de um árbitro Daniel Freitas e Cesár Carvalho revelam a sua carreira desportiva

FOTO JOANA SOUSA/ASPRESS

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OPINIÃO

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ANDEBOL E SEU FUTURO

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OPINIÃO

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COMPETIÇÃO

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OPINIÃO

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ANDEBOLL 4 ALL

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NOTÍCIAS

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Carlos Capela fala sobre a lei da vantagem no andebol Página dedicada ao Congresso Ibérico Técnico e Científico de andebol que se realizou na Guarda

CAPA

Grande entrevista de António Marreiros, presidente do Conselho de arbitrage,

UM FDS COM...

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João Pinto na Alemanha

OPINIÃO

Alberto Alves, propõe uma metodologia de treino para os árbitros de andebol

GERAÇÕES

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Marisa Farinha, Renata Tavares e Frederica Jesus são as gerações presentes nesta edição

DIREÇÃO Presidente António Trinca (CIPA 68 870) Vice-Presidente administrativo Eurico NIcolau (CIPA 108 725) Vice-Presidente financeiro Ivan Caçador (CIPA 111 803) Tesoureiro Tiago Monteiro (CIPA 107 780)

Filipa Godinho fala sobre os campeonatos nacionais universitários deste ano

Previsões e expetativas sobre os campeonatos universitários Jorge Fernandes fala sobre o desporto adaptado João Jerónimo aborda o desporto adaptado Destaque para assuntos andebolisticos

FOTO SANTIAGO BAZ LOMBA

NÓS...NO CATAR

Eurico Nicolau e Ivan Caçador contam como é arbitrar lá fora

A jovem dupla bracarense, Daniel Freitas e Cesár Carvalho

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

CONSELHO FISCAL E DISCIPLINAR

Edição APAOMA

Presidente António Costa e Silva (CIPA 45 279)

1º Secretário Alberto Alves (CIPA 93 789)

Propriedade APAOMA Website: http://www.apaoma.pt e.mail: apaoma@gmail.com

1º Secretário Tiago Correia (CIPA 148 053)

2º Secretário António Brousse (CIPA 114 168)

2º Secretário Érica Krithinas (CIPA 96 090)

“A APAOMA é uma marca registada da APAOMA- Associação portuguesa de árbitros e oficiais de mesa”

- Esta edição da revista APAOMA foi escrita segundo o novo acordo ortográfico. - A revista APAOMA é uma publicação trimestral dirigida e distribuída gratuitamente a todos os desportistas. Os artigos assinados são da inteira responsabilidade dos autores e não representam a opinião da associação.

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A UMA SÓ VOZ

TIAGO MONTEIRO Tesoureiro APAOMA

UM EXEMPLO DE VIDA Fica demonstrada, uma vez mais, a preocupação da Direção da APAOMA em promover a reflecção e tornar esta publicação aberta à participação, de quem da sua vida faz fonte de conhecimento e intervenção social relevante na nossa modalidade

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escrita assinada e publicada, mais que uma manifestação de cultura e saber é, nos dias de hoje, um verdadeiro ato de coragem. Muitos são os “corredores”, onde se comenta a atualidade da nossa modalidade, e os “comentadores sem rosto”, que teimam em manter-se no refúgio reconfortante do anonimato. Depois do lançamento público do primeiro número da revista da APAOMA, prestigiada com a entrevista ao Presidente da FAP, o segundo número desta publicação já “respira” um ar de neutralidade, dinamismo e seriedade, porém, enfrenta um enorme desafio: manter o nível de excelência e exigência já atingidos. Tenho o privilégio de escrever o editorial desta edição que, para além de nos surpreender com uma entrevista inédita ao presidente do Conselho de Arbitragem, marca uma preocupação de participação cívica, com uma entrevista a um verdadeiro exemplo de vida, de quem teremos, por certo, muitos ensinamentos a recolher. Independentemente da apreciação que cabe a cada leitor, permito-me evidenciar este artigo, ao João Jerónimo, um forte abraço. Porque se trata de uma revista inclusiva, diversificada e ambiciosa, demos voz à ATAP, na pessoa do seu presidente, a vários árbitros de referência e a vários jogadores(as) internacionais, alargámos o âmbito dos textos de autor, artigos de opinião e mantivemos a atenção à vertente de andebol de praia. Fica demonstrada, uma vez mais, a preocupação da Direção da APAOMA em promover a reflecção e tornar esta publicação aberta à participação, de quem da sua vida faz fonte de conhecimento e intervenção social relevante na nossa modalidade. Estamos em plena reta final de mais uma temporada andebolística, pelo termino fazendo votos de sucesso desportivo a todos os envolvidos, destaco de forma especial desempenho dos colegas árbitros e oficiais de mesa, e que os momentos de maior tensão não inviabilizem a preparação da próxima época desportiva. Nesse particular a APAOMA está, e quer continuar a estar, empenhada em contribuir, de forma concertada, para que a nossa modalidade supere as dificuldades e que o Andebol assuma o destaque de tempos recentes, que tanto carece e merece. 


OPINIÃO

DANIEL MARTINS

Psicólogo / Neuropsicólogo

A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DAS EMOÇÕES “As emoções influenciam a motivação e os objetivos a que o individuo se propõe. Deste modo, desempenham um papel fundamental na performance de um árbitro. Assim, é importante que o árbitro seja capaz de recorrer a uma série de estratégias que lhe permita melhorar o controle emocional.”

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s estratégias pré-competitivas utilizadas pelos atletas na regulação das emoções também têm que ser usadas pelos árbitros, já que são de extrema importância para que possa fazer uma boa gestão das emoções. São importantes para regular os estados emocionais, e consequentemente controlar o seu estado emocional para que possa tomar as decisões mais corretas sem ser influenciado pela tensão do jogo. Isto porque, a emoção é uma actividade eminentemente social, que se nutre do efeito que causa no outro. As emoções são tremendamente poderosas, para o bom e para o mau, que podem ajudar ou prejudicar a performance durante a competição. Quando um árbitro se encontra num estado de instabilidade emocional, as emoções disparam um conjunto de pensamentos negativos que afetam a confiança nas suas habilidades para um bom desempenho. De acordo com Paul Ekman (1999) as emoções podem ser caracterizadas segundo três componentes específicas: FISIOLÓGICAS: aceleração dos batimentos cardíacos, mudanças no ritmo da respiração, secura na boca, tensão muscular. COGNITIVA: está relacionado com os pensamentos associados à emoção sentida. Quando nos sentimos encolerizados, todo o nosso pensamento fica profundamente alterado, como que envolve uma nuvem que não nos permite pensar noutras coisas que não seja na situação que despoletou em nós aquela emoção. Da mesma forma, quando recebemos uma noticia que nos deixa eufóricos, todos os nossos pensamentos são profundamente marcados por essa emoção e alegria e, de repente, até os problemas mais complicados nos parecem fáceis de resolver. COMPORTAMENTAL: é a acção que desencadeamos como reacção àquela emoção. Evidenciada na expressão corporal - na postura, na mímica facial, na forma como são executados os gestos). A emoção é, portanto, uma reacção súbita do nosso organismo, com componentes fisiológicas (o nosso corpo), cognitivas (o nosso pensamento) e comportamentais

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(as nossas acções). É aqui que entram as estratégias psicológicas para ajudar a lidar com esses problemas. Ou seja, além do treino físico é essencial que o árbitro se dedique ao treino psicológico, isto é, treinar estratégias de controlo de ansiedade para que encontre os seus níveis óptimos de activação, tanto do ponto de vista cognitivo (definindo pensamentos positivos associados à confiança num bom rendimento) como do ponto de vista somático (encontrando estados fisiológicos adaptados a cada situação). Existem algumas técnicas que podem ajudar a lidar e regular os níveis de ansiedade e stresse. No que concerne a estratégias para controlar os níveis de ansiedade somática, que visam, principalmente, modificar as reacções físicas em competição, incluem o treino de respiração, técnicas de biofeedback, treino de relaxamento progressivo. Relativamente a estratégias para controlar os níveis de ansiedade cognitiva, o que se pretende é eliminar as expectativas irrealistas, os pensamentos negativos e as preocupações acerca das suas capacidades: envolve o treino auto-instrucional e a reestruturação cognitiva e racional no qual devem identificar um conjunto de pensamentos e crenças automáticas e negativas (ex.: “Não sou bom o suficiente”, “Cometi erros e agora estou em sarilhos”, hoje não é o meu dia”, “Estou com dificuldades em concentrar”) e a corrigi-los por auto-instruções mais positivas e realistas (“Eu sou capaz”, “Vou fazer o meu melhor”, “Estou determinado a fazer este dia o meu dia”, “Consigo manter a concentração quando quero e agora quero”). As emoções são uma parte essencial do desporto e da competição e é importante perceber a sua importância que tem na performance e desenvolvimento do árbitro. As reacções emocionais a situações de stresse podem esgotar os recursos de um indivíduo e consequentemente gerar um impacto negativo sobre o desempenho, quando deficientemente geridas. É por isso que é importante dispor de uma estratégia mental pré-estabelecida para lidar com o stresse de desempenho, pré-competitivo e competitivo.  APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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Daniel Freitas e César Carvalho

EUROPEUS À MODA DO MINHO

A dupla jovem de Braga dá passos seguros na sua carreira internacional

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ntes da arbitragem qual a ligação que tinhas com o andebol? CÉSAR CARVALHO (CC) Iniciei a minha ligação ao andebol em 1998 como atleta, o meu primeiro Clube foi CCR Fermentões, lá permaneci por uma época porque fui convidado pelo D. Francisco de Holanda (DFH), pois situava-se mais perto de minha casa, onde passei a jogar até à época 2004/2005. Foi nesta época que se deu o meu ingresso na arbitragem. DANIEL FREITAS (DF)A minha primeira experiência na modalidade foi quando frequentava o Ensino Básico, com a participação num torneio inter-escolas em 1993, torneio esse onde obtive a minha 1ª medalha, que guardo religiosamente. Mas a prática da modalidade propriamente dita começou em 1997 no Clube Atlético de Braga (CAB), pela mão do Treinador Raúl Maia, onde aprendi os primeiros passos e comecei a ter uma certa paixão pelo Andebol. No ano 2000, ingressei no Académico Basket Clube e mais tarde, quando frequentava o ensino secundário joguei pela Escola Secundária Carlos Amarante (ESCA), que foi a porta de entrada na Arbitragem.

FOTO CARLOS VIANA

ENTREVISTA


Como surgiu a arbitragem na tua carreira no Andebol? Quais as influências que tiveste? CC Aconteceu quase por acaso, foi no ano de 2004, durante a época desportiva, a AABraga organizou um curso de Árbitro Regional Estagiário em que todos os clubes associados tinham que indicar dois jogadores para frequentarem o mesmo. Na altura nenhum jogador no DFH se ofereceu para frequentar o curso. Por tal motivo, o “Sarmento” propôs-me a mim, que era o capitão de equipa, para frequentar o Curso, tendo eu aceitado, na altura nunca pensando que ia levar a carreira de árbitro a sério. Após o curso, concluí a época no DFH, tendo na época seguinte, o meu treinador Dragoslav Punosevac (Duda) aconselhado a experimentar o mundo da arbitragem, talvez porque eu não tinha grande margem de progressão como jogador. Iniciei então essa nova faceta na modalidade, a de árbitro, na altura com o árbitro Filipe Matos e gostei muito da experiência. DF A arbitragem surgiu em 2003 quase por imposição do Professor Jorge Rodrigues, na altura meu treinador na ESCA. Não sei se ainda é assim na atualidade, mas naquele tempo as equipas tinham que indicar 2 jogadores para frequentar o curso de árbitro no Desporto Escolar. Como ninguém se voluntariou, o Professor Jorge Rodrigues “sugeriu” que os capitães de equipa fossem os eleitos. Um pouco contrariados, eu e o também árbitro Jorge Fernandes fomos realizar o curso dirigido pelo Professor António Lopes na Universidade do Minho. Acabei por achar “aquilo da arbitragem” engraçado, pelo que em 2004 frequentei o curso de árbitro regional na AAB, tendo como preletor convidado o árbitro internacional António Goulão. Mas, só após o estágio que decorreu durante a 1ª edição do Maia Handball Cup é que tive a certeza que queria seguir uma carreira como árbitro. Em relação às influências que tive na arbitragem, posso dizer que, numa primeira fase, foram os árbitros mais experientes que na altura pertenciam aos quadros da AAB, tais como Manuel Moreira, Fernando Ferrão, António Basto e Alberto Alves. Quando eu e o César iniciámos como dupla houve uma série de pessoas que reconheceram algum potencial em nós e nos apoiaram (Augusto Silva, José Ribeiro, Orlando Ribeiro e Armando Pinho). Depois de entrarmos para a FAP como quadros nacionais, foi essencial o apoio dos formadores para a nossa melhoria qualitativa. Entre todos eles gostaria de lembrar alguns: assim, António Goulão, José Macau, Manuel Conceição e João Costa, pela ajuda que nos deram, contribuíram muito para a nossa evolução.

GOSTARÍAMOS DE PARABENIZAR A MAIS RECENTE DUPLA EHF, MARTA E VÂNIA SÁ. É UM MARCO ÚNICO NA ARBITRAGEM PORTUGUESA DANIEL FREITAS e CESÁR CARVALHO

O que é para a vossa dupla um bom árbitro? Para ter sucesso na arbitragem que características devem possuir os jovens árbitros? CC Definir o que é para mim um bom árbitro é sempre difícil. Mas se calhar começaria por dizer que é extremamente importante saber interpretar as regras e aplicá-las. Personalidade forte é algo também essencial, é preciso ter coragem para ser árbitro e para se assumir decisões. Há claro outras características importantes como humildade, coerência, bom senso e força de vontade. DF A definição de bom árbitro penso que é um pouco subjetiva, mas existem algumas características em que devemos estar de acordo, que um bom árbitro deve ter. Um bom árbitro deve então ter bastante conhecimento sobre o jogo e gosto pelo mesmo, deve ter muita dedicação à modalidade, total conhecimento das regras, estar fisicamente apto, ter personalidade forte, liderança, honestidade, capacidade de mediação, leitura de jogo e capacidade de antecipação. Como surgiu a oportunidade de formarem dupla e desde quando são dupla? EM CONJUNTO No início formávamos as seguintes duplas: César Carvalho/Júlio Cardoso e Daniel Freitas/ Jorge Fernandes. Os quatro tivemos um percurso muito semelhante durante os 2 primeiros anos como árbitros regionais, éramos nomeados para os mesmos torneios e íamos juntos à Galiza arbitrar jogos segundo um protocolo existente entre a Federação Galega e a AAB. Quando se aproximou a altura de serem indicadas as duplas para ingressar na categoria de nacional, corria o ano de 2006, o Presidente do Conselho de Arbitragem da AAB e atual Presidente Sr. Manuel Moreira, julgou por bem fazer uma alteração às duplas, tendo passado a vigorar as seguintes duplas: Daniel Freitas e César Carvalho; e Jorge Fernandes com Júlio Cardoso. APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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ENTREVISTA

Seguramente que o Sr. Manuel Moreira não deve estar arrependido da apostada efetuada. Quais os vossos objetivos na arbitragem? EM CONJUNTO Alguns dos objetivos já estão cumpridos, mas ainda existem outros que gostaríamos de concretizar, apesar de termos consciência da enorme dificuldade que temos pela frente. Atingir o estatuto IHF, arbitrar jogos da liga dos campeões e arbitrar uma fase final de uma importante competição de seleções nacionais A são objetivos/sonhos que dependem também de uma conjuntura internacional, que neste momento ainda não é muito favorável para a arbitragem portuguesa, devido à posição que Portugal ocupa no ranking e que tem reflexos diretos no número de vagas IHF disponíveis. Analisam os jogos que arbitram? Se sim, como costumam fazê-lo? EM CONJUNTO Analisamos muitos dos jogos que arbitramos, mas não todos. Devido ao elevado número de jogos para que somos nomeados torna-se impossível a visualização deles todos, mas fazemos uma seleção e analisamos esses com mais pormenor. Fazemos de várias maneiras: Aproveitamos quando passamos algum tempo juntos quer nas viagens às ilhas, idas a Lisboa, nomeações internacionais, quando estamos em torneios ou quando temos um interregno grande entre jogos para analisarmos os vídeos. Também recorremos à sede da AAB, onde nos reunimos com outros árbitros e

ACREDITO QUE A LIGAÇÃO BIOLÓGICA QUE UM PAI OU MÃE PARTILHAM COM O SEU FILHO SE SUPERIORIZE MUITAS VEZES À RAZÃO E AO BOM SENSO, E EM SITUAÇÕES DE MAIOR STRESS DIGAM COISAS E TENHAM ATITUDES QUE MAIS TARDE SE ARREPENDEM E ATÉ SE ENVERGONHEM DANIEL FREITAS

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realizamos um tipo de trabalho diferente. Mas quando não é possível estarmos juntos e visto residirmos em cidades diferentes, recorremos às novas tecnologias, cada um em sua casa, analisa o vídeo e em simultâneo trocamos opiniões. Muitas vezes vemos os vídeos isoladamente e aproveitamos as viagens para os jogos para discutir. Arbitrar um jogo implica tomadas de decisão instantâneas, ou seja, ocorre um lance e o seu ajuizar tem de ser instantâneo. Alguma vez sentiram que erraram, após ter apitado? Quando acontece o que sentem? EM CONJUNTOTodos os árbitros erram, uns mais do que os outros. Se algum árbitro disser que isso nunca aconteceu ou está a mentir ou então não é árbitro. O erro acontece com alguma frequência e o sentimento é bastante desagradável. Mas é importante o árbitro estar preparado e saber que vai cometer erros por muito concentrado que esteja e por muito bem que esteja a arbitrar. Assim, com essa preparação psicológica, o árbitro consegue superar de imediato esse erro e voltar a subir os níveis de concentração. Nós, os árbitros, temos que saber conviver com o erro. Nos escalões de formação a maioria dos assistentes são pais e familiares dos atletas, o que leva a que alguns desses espectadores tenham para com os árbitros atitudes menos corretas. Como lidam com essas situações? CC Sabendo perfeitamente o papel importante dos pais numa modalidade amadora como a nossa, louvo todos os que se disponibilizam para ver os jogos dos seus filhos e até outros jogos, sei que sem eles muitos clubes não sobreviveriam. Eu, por acaso enquanto jogador, não gostava quando a minha família ia ver os meus jogos, sentia-me mais pressionado e tinha receio que se preocupassem comigo quando eu me aleijava. Tenho plena noção que os pais vivem os lances dos seus filhos de forma completamente diferente dos outros lances e que por vezes perdem “os mínimos” e insultam tudo e todos. Nestas situações a única coisa que há a fazer é ignorar. DF Os pais e familiares dos atletas são fundamentais no apoio aos mesmos e muitas vezes no funcionamento dos clubes. Quando jogava gostava que os meus familiares fossem ver os jogos e o meu pai até acabou por se envolver e na altura e dar o seu contributo ao CAB. Acredito que a ligação biológica que um pai ou mãe partilham com o seu filho se superiorize muitas vezes à razão e ao bom senso, e em situações de maior stress estes pais digam coisas e tenham atitudes que mais tarde se arrependem e até mesmo se envergonhem do que fizeram. Este tipo de situações devem ser lidadas da mesma maneira que todas


Qual foi o jogo mais difícil, até à data de hoje, que arbitraram? Porquê? CC Já tivemos imensos jogos difíceis, mas se calhar não será injusto escolher o Benfica-Madeira SAD da Supertaça Portimão 2010. Escolho esse jogo porque foi no nosso início na 1ª Divisão e porque recentemente tínhamos arbitrado as mesmas equipas para o campeonato nacional, num jogo que tinha dado muita polémica. DF Concordo com o César quando indica esse jogo como o mais difícil. Estávamos a começar a arbitrar as principais equipas e ainda não éramos nem muito conhecidos nem aceites. Tratava-se de uma prova importante com muita visibilidade e a pressão era imensa. Felizmente correu bem e os delegados ao jogo e membros do CA presentes na altura deram uma ajuda muito importante. E qual foi o que mais gostaram de arbitrar? Porquê? CC É sempre difícil escolher o jogo que mais gostei de arbitrar, mas talvez escolhia o Porto-Benfica da presente época, foi sem dúvida um dos jogos que mais prazer me deu arbitrar, pelo ambiente vivido dentro e fora do campo. DF O que mais gostei de arbitrar foi em 2011 o SuéciaRepública Checa na final do European Open. Estavam presentes 5000 espectadores e bastantes delegados EHF. Foi o culminar de um torneio que nos ajudou a projetar a nível internacional e que muito deve ter ajudado para que no ano seguinte fôssemos propostos para o curso de árbitros continentais da EHF. O melhor momento na vossa carreira foi… EM CONJUNTO O melhor momento da nossa carreira foi quando nos encontrávamos no Maia Handball Cup, decorria o ano de 2009, e recebemos a notícia que tínhamos sido aprovados no curso, realizado dias antes na Suécia durante o European Open e obtido as insígnias Young Referee Programme da EHF. Sabíamos que íamos dar inicio a uma carreira internacional e a notícia foi recebida com bastante alegria por nós, pelos nossos colegas árbitros e também por alguns atletas, treinadores e dirigentes que se encontravam no torneio. O que pensam do atual momento da arbitragem portuguesa? EM CONJUNTO Antes de mais gostaríamos de parabenizar a mais recente dupla EHF, Marta e Vânia Sá. É um marco único na arbitragem portuguesa e esta notícia por si só reflete que a mesma atravessa um bom momento. A nível internacional temos o Eurico, Ivan, Duarte e Ricardo no top da arbitragem mundial, temos a nossa dupla e o Daniel

FOTO SANTIAGO BAZ LOMBA

as outras situações de pressão que vêm da assistência, deve-se ignorar ao máximo.

Daniel e César prontos para mais um jogo internacional

e Roberto Martins a mereceram a confiança da EHF com bastante regularidade e agora as irmãs Sá que vão dar início a uma carreira internacional. Não nos podemos também esquecer dos delegados Rui Coelho, António Goulão, João Costa e Manuel Conceição que têm estado presente nas mais importantes provas e com bastante regularidade também. É sabido que a arbitragem portuguesa sofreu uma perda enorme com a saída de bastantes duplas de referência e com muita experiência. A transição está a ser feita e pode demorar ainda algum um tempo a voltarmos à quantidade/ qualidade que tínhamos há uns anos, mas existem muitos jovens com valor e com vontade que se entretanto não desistirem têm tudo para singrarem e melhorarem a arbitragem portuguesa. Existem outros aspetos relacionados principalmente com a crise económica em que o país está mergulhado que impossibilitam a continuação de alguns árbitros e muitos outros que nem chegam a iniciar pois não se sentem aliciados por uma carreira de árbitro de andebol. É uma batalha que está a ser travada pela APAOMA e esperemos que seja bem sucedida. A vossa referência na arbitragem a nível nacional e a nível Internacional? EM CONJUNTO Nunca tivemos uma dupla modelo de quem gostássemos de seguir as pisadas, mas antes sim um conjunto de duplas onde aqui e acolá tentamos captar algo que se adapte e traga valor à nossa dupla. Árbitros regionais, nacionais, internacionais e mesmo ex-árbitros serviram de referência para nós, mas, de todos eles, aqueles que mais influência tiveram e continuam a ter são as nossas duplas IHF (Eurico, Ivan, Duarte e Ricardo). Queremos lembrar também a dupla Alberto Alves e Jorge Fernandes pelo trabalho que temos desenvolvido em conjunto ao longo dos anos e que tem proporcionado uma melhoria significativa em ambas as duplas. APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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NÓS… NO CATAR

Can e Catar League 2014

RIO 2016, UM SONHO PARA A ARBITRAGEM PORTUGUESA O prestígio da arbitragem portuguesa contínua “em alta”. Na presente época Ivan Caçador e Eurico Nicolau já marcaram presença nas competições mais importantes da EHF.

A cumplicidade da dupla durante a sua prestação, em mais um jogo internacional

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que sentiram ao receber estas duas nomeações: CAN 2014 e Catar League? EURICO NICOLAU (EN) Um enorme orgulho, pelo facto de uma vez mais podermos representar a Arbitragem Portuguesa num campeonato tão importante como o CAN. Ao aproximar da data de partida recebemos a agradável confirmação que iriamos trabalhar com dois dos mais exigentes formadores mundiais de arbitragem pertencentes ao PRC, o Sr. Manfred Prausse e o Sr. Roland Burgi, prevendo-se assim um torneio de constante aprendizagem. O convite para o Catar veio no seguimento das boas prestações

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dentro e fora de campo, sendo um convite irrecusável vindo diretamente do Presidente Sr. Manfred Prausse, IVAN CAÇADOR (IC) O CAN 2014 é a prova máxima do Continente Africano! É como um Europeu ou um PanAmericano, apurando diretamente para o próximo Mundial. Foi sem dúvida uma excelente nomeação, que vimos como mais uma prova de confiança por parte da IHF na nossa dupla. Foi para nós um orgulho representar Portugal na Argélia, para mais sendo a única dupla não africana na competição. A nomeação para a Catar League vem exatamente no seguimento da nossa prestação no CAN 2014. Na Argélia trabalhámos diretamente com o Presidente do PRC da IHF que nos

dirigiu esta nomeação pessoalmente, a qual recebemos como uma excelente noticia. A preparação para estas duas competições… optaram por fazer uma preparação diferente, tendo em conta serem provas disputadas em países diferentes, tendo logo condicionantes como o clima, cultura e modo de atuar das equipas ou fizeram uma preparação idêntica? Como foi a vossa preparação antes de cada uma das referidas competições? EN As experiências dos anos anteriores, já aqui referenciados, ajudam-nos a encarar os jogos de uma maneira normal, pois a mentalidade dos jogadores e a forma de jogar já não é surpresa para nós. Sabíamos


á partida que com os membros da IHF presentes o trabalho diário de análise de vídeos seria uma constante, trabalhando e atualizado ao máximo a regra 8 e as suas alíneas, não deixando margem para dúvidas que esta seria uma competição muito forte. Seguindo o nosso feeling das competições anteriores, a nossa preparação baseou-se principalmente na observação de vídeos com a demonstração da regra 8. IC Ambas as competições envolviam equipas africanas e equipas árabes, realidades com as quais já nos tínhamos deparado ao longo dos últimos anos no Bahrain, Tunísia e Marrocos. Por este motivo já estávamos familiarizados com as

diferenças que iríamos enfrentar. Neste tipo de nomeações todas as alternâncias são por nós previamente preparadas, nomeadamente atendendo ao clima, ao fuso horário, à alimentação, entre outros. Ambos gostamos de diversidade e como tal estas aventuras são um regozijo para nós! A preparação teórica e física foram obviamente reforçadas. Como eram passados os vossos dias, primeiro na Argélia e depois no Catar. Sendo dois países com culturas totalmente opostas à portuguesa foram difíceis estes dias longe de casa? RESPOSTA CONJUNTA CAN (C) Como em qualquer campeonato, trabalhamos com o PRC

da IHF e isso implica rotinas fixas. Preparação física e reuniões matinais diárias! Na Argélia estávamos algo isolados da cidade e isso fez com os nossos dias variassem entre hotel e pavilhão. A manutenção física foi levada a cabo na rua e praticamente todos os dias estávamos no pavilhão a arbitrar ou a observar jogos. Tivemos ainda a oportunidade de conhecer o centro da cidade de Algiers. CATAR LEAGUE (CL) No Catar, a nossa estadia foi menos rotineira, dado que nem todos os dias estávamos em competição. Aqui sim, foi possível apreciar a cultura local. Usufruímos de um excelente acolhimento por parte da Federação do Catar, a qual nos proporcionou as melhores condições. Em Doha, os nossos dias eram passados entre ginásio, piscina e atividades locais. Em ambos os destinos, e porque já nos vamos habituando a estar longe das nossas rotinas, os dias são passados com bastante naturalidade e cada vez é menos difícil a adaptação a diferentes realidades. Estivemos excelentemente alojados, com todas as infraestruturas necessárias ao nosso bem-estar. O jogo que mais recordam destas duas competições? EN C Sem dúvida o ambiente do pavilhão e a sua agressividade saudável, apoiando a sua equipa constantemente do inicio ao fim do jogo. Não esqueço o dia da final, com hora marcada para as 18h00 em que participava a Seleção organizadora, e que já existia fila para entrar no pavilhão pelas 10h00. CL Um jogo em específico é pouco… recordaremos estes 25 dias como uma experiência única e inesquecível. Uma cultura que apresenta uma vontade enorme de aprender e de querer fazer melhor, tentando absorver um pouco da nossa APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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NÓS… NO CATAR

experiencia para ações futuras. IC C O excelente ambiente no pavilhão principal de Algiers. Sempre que jogava a seleção Argelina, o público apoiava a sua equipa de uma forma vibrante! CL Toda a envolvência do próprio País; Uma cultura à parte! A vontade que demonstram em desenvolver a modalidade e proporcionar ao Mundo um excelente Campeonato em 2015. Podem-nos contar algum episódio que vos tenha marcado nestas duas competições? RESPOSTA CONJUNTA C e CL Ao longo destes 12 anos de arbitragem ganhámos amizades que perduraram por uma vida, exemplo disse foram as fantásticas experiências vividas em ambas as competições onde as amizades

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de longa data demonstraram uma preocupação especial de nos mostrar o melhor que o seu país tem para oferecer. Nos 14 dias passados em Argel, não podemos esquecer o dia em que o nosso colega Argelino nos abriu as portas de sua casa e nos levou a passear pela belíssima Kashba, a baixa da capital Argelina. No Catar…escolher 1 de 25 dias inesquecíveis não é fácil, mas não podemos esquecer de salientar o convite e a cerimónia do qual fizemos parte, um casamento local. Vestidos a rigor e integrados na cerimónia, uma vez mais sentimos o quanto as amizades criadas na família andebol são para a vida. Ensinamentos que trouxeram destas duas competições?

EN C e CL Sem sombra de dúvida mais minutos de jogo, mais experiencia, mais maturidade em nos enquadrarmos em estilos de jogo e mentalidades diferentes. Na primeira competição, sentimos um nível de jogo bastante homogéneo com as Seleções a estarem a um nível muito equiparável com seleções europeias. No Qatar League, foi uma agradável surpresa, pois o poder económico das equipas consegue atrair bons jogadores europeus, não sendo os únicos a serem contratados. A mentalidade das equipas está focada no futuro, contratando assim treinadores para formar todos os escalões de um clube, desde a base ao topo. IC C e CL Em ambas as competições trouxemos apenas mais experiência acumulada. Foram duas competições


O sonho comanda a vida… palavras que disse a mim mesmo, dia 2 de Junho de 2013, num pavilhão com 20000 pessoas Eurico Nicolau

com um nível de andebol elevado, com uma organização ao nível de outros campeonatos e ligas nas quais já marcámos presença. A melhor dupla em cada uma das provas? RESPOSTA CONJUNTA C Na Argélia estavam presentes as melhores duplas do Continente Africano, que ano após anos, vêm a melhorar os seus desempenhos. De entre elas ressalta a dupla da Costa de Marfim, com a qual já tínhamos partilhado o Mundial de Espanha em 2013. CL Em Doha arbitravam as duplas nacionais do Qatar e uma dupla do Bahrain também convidada. A melhor dupla do Qatar já esteve connosco num Torneio Árabe de Clubes e estará seguramente no próximo Mundial IHF a realizar em Doha. Como correu a organização da CAN 2014 e da Catar League. Quais as diferenças organizativas em comparação às provas europeias e mundiais em que a vossa dupla já marcou presença? RESPOSTA CONJUNTA C e CL Tanto a Argélia como o Qatar são países conhecedores das realidades mundiais no que a Andebol e sua organização dizem respeito. Desta forma, ambas as competições estavam minuciosamente organizadas de acordo com todos os parâmetros que regem todas as outras organizações onde já marcámos presença. Poderemos ver representada a arbitragem portuguesa nos Jogos de 2016? EN Claro que sim, este é sem sombra de dúvida um dos nossos objetivos e obviamente que o objetivo do nosso Concelho de Arbitragem, que tem nos seus quadros elementos capazes para conseguir esta honra.

O sonho comanda a vida…foram as palavras que disse a mim mesmo quando no dia 2 de Junho de 2013 dentro de um pavilhão com cerca de 20000 pessoas, orgulhosamente representamos todos os árbitros portugueses na Final Four da Champions League. Vamos continuar a trabalhar para poder estar ao melhor nível em todos os momentos, e se a oportunidade surgir faremos como em todas as outras, dar o nosso melhor. IC Esse é um sonho de longa data na Arbitragem Portuguesa! Portugal já merece esse reconhecimento! Temos neste momento duplas capazes de dignificar a nossa classe nos Jogos Olímpicos. Para finalizar, no passado dia 30de Março o valor da arbitragem feminina portuguesa foi reconhecido pela

EHF com o ingresso da dupla Marta Sá / Vânia Sá na categoria de árbitros europeus. Que conselhos têm para lhes dar, para que também elas possam singrar “lá fora”? RESPOSTA CONJUNTA Em primeiro lugar é um orgulho para a Arbitragem Portuguesa contar com mais uma dupla no panorama internacional! A Marta e a Vânia deverão agora apreciar o momento, disfrutar de todos os ensinamentos que recolheram na Grécia e aplicar em campo a experiência enriquecedora que recolheram. Aconselhamos por isso a manterem a humildade e aumentarem a vontade e capacidade de trabalhar, são os melhores conselhos que lhes poderemos passar!

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António Marreiros

TEMOS QUE APROVEITAR PARA APRENDER COM AS REFERÊNCIAS NA EUROPA

Em dezassete meses já conseguimos muita coisa e penso que o balanço efetuado por esta equipa é muito positivo, diria mesmo que se não tivéssemos tantas dificuldades de ordem financeira, seria excelente. APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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ela primeira vez tivemos duas listas candidatas ao Conselho de Arbitragem da FAP, a lista por si liderada foi a vencedora, mas atendendo a que a eleição foi efetuada através do método de Hondt, dois elementos da lista derrotada (António Goulão e Manuel Conceição) também integraram o Conselho de Arbitragem. Como tem sido esta convivência? Após esta experiencia, defende a eleição do C.A. através do método de Hondt? Gostaria de reforçar que no Conselho de Arbitragem só existe uma equipa. A relação interpessoal de cada um dos elementos está alinhada com a necessidade de cumprirmos os objetivos que redefinimos em conjunto. Setenta e duas horas depois das eleições só havia uma equipa e os mesmos objetivos no Conselho de Arbitragem. Não é tema nesta equipa a questão das eleições. Não defendo a utilização do método de hondt para eleições futuras do Conselho de Arbitragem, apesar desta vez tudo ter corrido muito bem. Trata-se de um método que depende muito dos eleitos e da sua interação. Com outras pessoas tudo poderia ter corrido mal e quem sai prejudicado é o Andebol e a Arbitragem. Sou mais defensor de um sistema em que a lista ganhadora deve colocar o seu programa em prática e sujeitar-se ao escrutínio à posteriori. Quando e porquê decidiu avançar para uma candidatura ao Conselho de Arbitragem da federação de Andebol de Portugal? Quando decidi terminar o período sabático a que me obriguei no final da minha carreira como arbitro. O porquê está relacionado com as minhas convicções de

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que o Andebol e neste caso a arbitragem nos ajuda e muito na nossa formação e que mais tarde temos que retribuir o que a modalidade nos ensinou. Creio que são dívidas de gratidão. Claro que, à parte esse sentimento, percebi que estava na hora de alterar algumas coisas e que em equipa, poderíamos acrescentar valor à arbitragem nacional e internacional. Que balanço faz do seu mandato? E quais foram as maiores conquistas que a Arbitragem alcançou consigo na presidência do C.A? Em dezassete meses já conseguimos muita coisa e penso que o balanço efetuado por esta equipa é muito positivo, diria mesmo que se não tivéssemos tantas dificuldades de ordem financeira, seria excelente. De uma forma geral, a principal conquista resulta de termos estabelecido objetivos concretos e estarmos a cumprir em todas as frentes o que planeámos. Numa visão mais detalhada, posso referir alguns dados importantes: Iniciámos com 45 duplas nacionais e após dezassete meses temos 75 e vamos a caminho das 80; alterámos o Titulo XV do RG da FAP e AR por forma a tornar mais ágil a gestão diária da arbitragem; implementámos de forma efetiva a possibilidade de, no nível 1 dos quadros nacionais, se poder jogar e arbitrar, situação que impedia o ingresso de novos quadros de arbitragem por não quererem deixar de jogar tão cedo. Alterámos bastantes coisas na formação: uniformizámos programas formativos e conteúdos; estamos presentes em todos os cursos de formação, sejam iniciais ou outros e avaliamos todas as formações e formandos; acompanhamos “a par e passo” todos os departamentos regionais de arbitragem e trabalhamos em sintonia com as Associações Regionais e as suas necessidades; melhorámos as condições na Tabela de Complementos dos Árbitros, ainda que levemente reconheço; criámos condições para separar os CFIE – Curso Formação Inicio Época – nos vários níveis e com exigências efetivas e que produziram efeitos e consequências. Está hoje claro para toda a comunidade andebolística que o Conselho de Arbitragem conta e trabalha com mais duplas para os principais jogos do que existia anteriormente; efetuámos uma formação de formadores; estamos hoje em condições de fazer ascender ao quadro nacional qualquer dupla e em qualquer momento da época, situação que descongestiona os finais de épocas e permite avaliar em muito melhor condição os candidatos, para não falar na mudança radical dos jogos onde estes eram avaliados; aumentámos o quadro internacional de árbitros e com uma dupla feminina, situação nunca antes verificada em Portugal e que também nos orgulha, podermos fazer “História” na modalidade.


Quais os grandes objetivos do Conselho de Arbitragem até ao final do mandato? Existem muitos objetivos que pretendemos atingir até ao final do nosso mandato, mas permito-me destacar 5 grandes frentes: •C  riar, em sintonia com a Direção da FAP, um Portal da Arbitragem. •C  riar um Modelo de Incentivos para os Quadros de Arbitragem. •E  ncontrar um sponsor para ajudar a arbitragem a usufruir de melhores condições •E  stabilizar o quadro nacional nas 80 duplas e encontrar o equilíbrio de gestão em todas as frentes. •C  olocar uma dupla nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

RAIOS X

ANTÓNIO MARREIROS

NOME António Maria Gordicho Marreiros IDADE 48 anos DATA NASCIMENTO 3 de fevereiro de 1966 CARGO Consultor Sénior e responsável de direção nível 2 no Grupo PT FORMAÇÃO ACADÉMICA Licenciado em Gestão de Marketing DADOS DO SEU PERCURSO • Árbitro durante 22 anos dos quais 12 como Internacional • Fundador da APAOMA • Sócio de Mérito da Associação Andebol de Évora • Medalha de Honra da cidade de Évora – Grau Prata

Como definiria o nível da arbitragem em Portugal, designadamente em comparação com gerações anteriores? Quais as lacunas que o CA já conseguiu identificar e o que pode fazer para melhorarem as mesmas? Diria que o panorama internacional foi alterado substancialmente. Em gerações anteriores existia uma maior estabilidade a todos os níveis – económico, social e profissional – e tínhamos mais dificuldades em ultrapassar metas e atingir os objetivos. Hoje, temos menos estabilidade, temos mais insegurança económica, social e profissional, mas atingimos os objetivos com maior facilidade. Sujeitando-me a críticas, creio que hoje se arbitra melhor do que na minha geração e refiro-me ao panorama internacional. Em termos nacionais, já não posso pensar da mesma forma, pois hoje em dia, os fatores que influenciam a estabilidade e a disponibilidade dos árbitros colocam muitas vezes em causa coisas tão simples como estar presente ao jogo para que foi nomeado, pedir dispensa depois das nomeações serem públicas e muitas outras situações que me dispenso de enumerar mas que são perfeitamente conhecidas. Pensamos que todos juntos e de forma muito transparente, teremos que minorar as dificuldades financeiras e encurtar os timings de pagamento aos árbitros. Uma vez conseguido este objetivo, toda a restante envolvente melhora substancialmente. Desde que tomou posse como presidente do C. A. sentiu alguma pressão ou contestação dos clubes ao seu trabalho e às suas diretrizes? Quais foram até agora os itens mais contestados pelos clubes? Sim, por diversas vezes. Contestam basicamente a competência de algumas arbitragens. Umas vezes têm razão e outras não, mas felizmente são mais as APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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vezes em que não têm razão. Mas reconheço que temos um longo trabalho pela frente, é um somatório de fatores, mas estamos motivados e empenhados em melhorar. No seu mandato tivemos duplas de arbitragem em campeonatos da europa e do mundo bem como na finalfour da Champions league, acha possível termos uma dupla portuguesa nos próximos Jogos Olímpicos? Que trabalho está a ser feito para alcançar esta meta? Sim, acreditamos nisso, faz parte dos nossos objetivos e seria o nosso desiderato. Estamos a fazer um trabalho interno com as nossas duas duplas IHF e mais perto dos jogos, e com o apoio da EHF e em sintonia com a IHF esperamos poder conduzir uma delas à presença efetiva nos mesmos. Todos desejamos muito que isso aconteça.

GOSTAVA TAMBÉM QUE TOMASSEM CONSCIÊNCIA QUE NADA SE FAZ SEM DEDICAÇÃO E DISPONIBILIDADE ALÉM DO MUITO TRABALHO ESPECIFICO ASSOCIADO Contrariamente a tempos mais recentes verifica-se o alargamento do número de duplas nomeadas para os jogos mais mediáticos, muitas vezes não internacionais. Esta é uma política de motivação? Tem resultado? É para manter? Sim, também já tive oportunidade de reforçar essa intenção em vários Fórum`s. Nós acreditamos nesta política de nomeações e esta será para manter. Os resultados têm sido muito bons, veja-se a excelente arbitragem da última final da Taça de Portugal masculina. Ser árbitro, uma carreira é um slogan que já muito se ouviu no nosso andebol, como entende que deve ser a carreira de um árbitro? A chegada de árbitros muito jovens ao topo dos jogos nacionais nao condicionará de forma irremediavel a sua motivação e ambição futura? Em parte sim, mas nós não temos outros nesta altura, essa é a verdade. Por outro, se conseguirmos ser coerentes na motivação e se os mesmos se mantiverem esclarecidos, penso que a idade não será problema. Mas de uma forma geral, concordo que temos que dar

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maior estabilidade ao nosso grupo 4, mas lá chegaremos sem pressas nem atropelos. Concorda que existem duplas que sem muito terem demonstrado já estao no topo do andebol nacional? Penso que no Grupo 4 estão as duplas possíveis neste momento e não conheço casos de injustiça, ou seja, alguém que já merecesse estar no topo e ainda não está. Conheço e acompanho percursos de várias duplas com a convicção de que lá chegarão, mas depois de cumprirem todas as etapas de formação. As nomeações serão sempre polémicas e subjectivas, concorda com a adopçao de critérios matemáticos para esta tarefa tendo em vista a sua transparência? Existe algum ponto nesta área que pretenda desmistificar? Não concordo com critérios exclusivamente matemáticos, mas concordo com a introdução de algumas regras para garantir alguma equidade, em especial quando se verificam determinadas condições. Penso que o papel das nomeações é dotar os jogos de duplas capazes e competentes face ao grau de dificuldade conhecido dos jogos, depois há fatores de proximidade e outros que dificultam esse mesmo papel, mas compete ao nomeador ultrapassá-los e torná-los exequíveis sem perder de vista o seu toque pessoal e aquilo que o próprio acredita. Tendo recentemente havido uma ação de formação para árbitros com a presença do Sr. Dragan Nachevski (Presidente do CA da EHF), gostaríamos de saber se o CA vai manter esta aposta em trazer pessoas de relevo internacional para efetuar formações aos árbitros? Sim. Acreditamos que temos que mostrar o que de melhor fazemos e aproveitar para aprender com os principais valores de referência na Europa. No início desta época tentaremos contar com a presença de mais uma figura a este nível. Numa altura em que é cada vez mais difícil ser árbitro, gostaríamos de saber a estratégia do CA para a captação de novos valores? A estratégia passa muito pelo apoio que estamos a prestar a todas as Associações Regionais, nos seus cursos de nível 1. Passa também por permitir, como já referi anteriormente, que arbitrar e jogar não seja incompatível até ao nível 1 do quadro nacional. Passa por criar a figura do mentor ao nível regional, talvez por regiões, para assegurar in loco os vários processos. Passa por criar condições motivacionais que permitam achar interessante ser arbitro de andebol.


A disseminação da utilização de auriculares pelas duplas de arbitragem demonstram uma atenção especial às novas tecnologias, qual a sua opinião sobre o recurso a meios técnicos audiovisuais na gestão dos jogos de Andebol? É verdade que facilitámos muito o uso dos auriculares e que somos fortes adeptos dessa utilização. Achamos um facilitador na gestão do jogo. Creio que especular sobre outros equipamentos, nomeadamente câmaras e pessoas fora do jogo para decidir o quer que seja, acho extremamente perigoso e pode desvirtuar o jogo completamente. Sou a favor de uma câmara sobre a linha de baliza ente os postes para decidir a veracidade de um golo ou suspeita disso. Que mensagem deixa a todos os jovens que queiram iniciar a sua carreira de árbitros de andebol? Não hesitem em pedir ajuda para iniciar a sua atividade. Acreditem no que gostam de fazer e que não desistam à primeira dificuldade que encontrarem. Gostava também que tomassem consciência que nada se faz sem dedicação e disponibilidade além do muito trabalho especifico associado. Como vê o crescimento da variante de praia no andebol e quais as suas consequências na gestão da Arbitragem na FAP? Somos muito otimistas em relação à arbitragem do andebol de praia. Vamos ter muitas alegrias nesta vertente, vamos conseguir equiparar com o passar do tempo as duas estruturas. O pavilhão e a praia podem ser complementares e temos que caminhar na criação de estruturas internas no Conselho para acompanharem o crescimento exponencial que a arbitragem de andebol de praia representa.

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

Cada líder do CA tem mudado o modelo de avaliação de árbitros, pensa que o atual modelo deve aumentar ou reduzir o “peso” do «papel» dos Observadores de Árbitros? Como classifica o quadro de observadores / delegados? Temos que separar as duas coisas: Delegados não classificam árbitros, representam a Federação no Jogo – são em cada jogo a entidade máxima do andebol. Quanto aos observadores, o Conselho de Arbitragem gostava que os mesmos fossem progressivamente ganhando peso na classificação dos árbitros. Isto queria dizer que, os mesmos eram fortemente reconhecidos e que as suas competências faziam avançar a arbitragem nacional. Não vou classificar o corpo de observadores publicamente, mas posso apenas indicar que integram como parte, a estratégia global do Conselho na estabilização da arbitragem nacional.

António Marreiros já em funções como presidente do CA

Atento o facto de ter sido um ex-dirigente da APAOMA e atualmente presidente do CA, gostaríamos de saber qual a sua opinião acerca do papel da APAOMA na arbitragem nacional e se sente na atual direção da APAOMA capacidade contribuir para a evolução da arbitragem nacional. Enquanto árbitro, fui um dos fundadores da APAOMA, e acredito que a atual direção da associação pode contribuir para a evolução da arbitragem. Creio que ainda existem aspetos internos a organizar e que estão no bom caminho. A APAOMA tem que ampliar exponencialmente a sua representação. Tem que garantir identidade e espaço a todos os quadros de arbitragem que nela se queiram associar. É nossa intenção reunir recorrentemente com a APAOMA e em conjunto identificarmos ações de melhoria. Acredito que num futuro próximo a associação poderá ser um parceiro muito importante nas formações a ministrar pelo Conselho de Arbitragem e também acredito que podemos delegar na associação alguns acompanhamentos de árbitros e delegados internacionais, em território nacional, nas competições onde intervêm as nossas seleções masculinas e femininas. APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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UM FIM DE SEMANA COM...

João Pinto - Tusem Essen

NA PÁTRIA DO ANDEBOL TAMBÉM SE FALA A LÍNGUA DE CAMÕES Da terra dos Elfos, onde estivemos com Vera Lopes e Telma Amado, fomos até à Alemanha, Lá descobrimos como João Pinto, atleta do Tusem Essen, passa o fim-de-semana

SEXTA-FEIRA

Dia de jogo, em Essen, às 20h00

8h15

17h45 Reunião e café de equipa

18h30 Equipar

Despertar

08h45

19h15 Aquecimento

Pequeno- almoço

20h00

09h00

Jogo

Deixo a minha filha na escola

21h30

10h00

Jantar com patrocinadores e gestores do clube

11h00

Ginásio, treino de activação e estabilização

22h45

Passeio para tomar café. Com o café leio a imprensa

Regresso a casa

11h30 Regresso a casa para almoço

13h00

Domingo (dia de folga)

12h30 Almoço

14h30

Descanso depois do almoço com a companhia do meu filho mais novo

Domingo é o dia de folga para João Pinto, nos dias em que não tem jogo, pois os jogos do seu campeonato disputam-se às sextas-feiras e domingos. Optámos assim, por não incluir o sábado no fim de semana com o João Pinto, mas sim o seu dia de folga…

w

09h30

Lanche

Despertar

21h30

17h15

10h00

Partida para o jogo

Pequeno-almoço

Adormecer o meu filho mais novo (muitas vezes fica a dormir o pai e o filho). 

Almoço (dia de jogo carne grelhada com massa)

14h30

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Passeio em família até Dusseldorf (20 minutos de Essen)

18h30 Regresso a casa

20h00 Jantar


RAIOS X

JOÃO PINTO

ARBITRAGEM Quais as principais diferenças notam entre a arbitragem Portuguesa e a Alemã? Considero que os árbitros são semelhantes aos portugueses são é muito mais permissivos no contacto físico e deixam o jogo correr muito mais, mas a grande diferença está na atitude dos atletas, existe abertura para falar correctamente com os árbitros, mas ninguém contesta de forma inadequada, as sanções são severas mesmo por parte do clube. Eu tive um episódio engraçado com um árbitro cá, ele é de descendência portuguesa mas não me disse e durante o jogo só falámos em alemão, ao segundo jogo que ele apitou a minha equipa, no final chegou ao pé de mim e começou a falar português!!! Eu fiquei surpreendido e questionei porque ele não me disse que era português ao qual ele respondeu: “ Estava a ver se me ofendias em português durante o jogo, eu sei como é o nosso povo!!!” Ao qual eu respondi: “ O jogo é tão rápido que não dá tempo de parar para pensar no erro, muito menos para ofender!!!!”

NOME João Gustavo Baptista Campos Pinto LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Lisboa, 22 de julho de 1981 POSIÇÃO Lateral Direito CLUBES Independente Futebol Clube Torrense, Ginásio Clube do Sul, Vitória F.C. Setúbal, CF “Os Belenenses”, Sporting Clube de Portugal e Tusem Essen INTERNACIONALIZAÇÕES Não tenho a certeza mas são mais de 100 a contar com as de junior MELHOR ATLETA PORTUGUESA E ESTRANGEIRA NA SUA POSIÇÃO Filipe Cruz e Kiril Lazarov SETE IDEAL COM QUEM JOGOU GR Ricardo Candeias PE Pedro Solha LE Niclas Pieczkowski C Pedro Cruz LD Vladimir Petric (isto não podendo escolher-me a mim ;) PD Pedro Portela P Bruno Moreira TREINADOR MARCANTE António Santos TÍTULOS 1 taça da Liga, 1 Taça EHF Challenge e 2 taças de Portugal PROFISSÃO Jogador de Andebol CIDADE IDEAL PARA VIVER Lisboa PRATO PREFERIDO Feijoada BEBIDA PREFERIDA Vinho tinto FILME PREFERIDO The pursuit of happiness MÚSICA PREFERIDA Gosto de quase todos os tipos de música e vario o repertório de acordo com a minha disposição e situação

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OPINIÃO

ALBERTO ALVES

Docente de Educação Física e Desporto

PROPOSTA DE METODOLOGIA DE TREINO PARA O ÁRBITRO DE ANDEBOL (MICROCICLO)

Proposta feita para os árbitros de andebol de acordo com as suas necessidades e tendo em conta alguns fatores

E

sta proposta de metodologia, trata-se única e exclusivamente de uma proposta para os Árbitros de acordo com as suas necessidades. Tudo isto tendo em conta alguns fatores. Como por exemplo, o facto de o Árbitro não ter de se preparar para um jogo de 70 minutos (Jogo 30min + 30 min e mais 10 minutos de intervalo) mas sim para 3 jogos com uma média de tempo de 1h 38min 45seg cada um; o facto de a Frequência Cardíaca variar entre 95-168 bpm e que a média alcançada por jogo é de 128 bpm; o facto da distância média percorrida num jogo ser de 3389±556 metros. E se a esta marca juntarmos o período de Ativação e Intervalo, o Árbitro percorre em média 4373±368 metros num jogo e a velocidade média num jogo ser de 0,73 m/s e no período de ativação atinge o valor de 1,02 m/s.

2ª Feira – Treino de Recuperação (60 minutos) Após um fim-de-semana desgastante como é do Árbitro, o primeiro treino da semana deve ser um treino de recuperação ativa (alguma atividade física após uma competição para ter uma melhor recuperação). Realização de corrida contínua de 25 a 30 minutos ou natação moderada e depois complementar com massagens, sauna, banho turco, hidromassagem, hidroterapia. Incluir, também, a análise de um dos jogos do fim-de-semana, se possível com outros Árbitros.

3ª Feira – Treino Aeróbio (100 minutos) Aquecimento • 15 a 20 minutos de Corrida Continua ritmo lento; •Alongamentos com maior incidência nos membros inferiores;

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Trabalho de Resistência •N  um quadrado de 20 x 20 (m). Executar corrida alternando 75% da velocidade máxima numa linha e corrida de recuperação na linha seguinte a 40% da velocidade máxima e assim sucessivamente durante 2 x 10 min. com uma recuperação de 4min. entre as duas séries.

Trabalho de Força • 3 Séries de 15 Agachamentos; • 3 Séries de 25 Abdominais; • 3 Séries de 15 Flexões; • 3 Séries de 20 dorsais; •P  osição de “prancha” durante 60 segundos (3 séries)

Trabalho de recuperação • Corrida continua 15 minutos a 55% da FC máxima. • Alongamentos/flexibilidade generalizados.

4ª Feira – Visionamento de vídeos de jogos anteriores


“O ÁRBITRO NÃO TEM DE SE PREPARAR PARA UM JOGO DE 70 MINUTOS (JOGO 30 MINUTOS + 30 MINUTOS E MAIS 10 MINUTOS DE INTERVALO) MAS SIM PARA 3 JOGOS COM UMA MÉDIA DE TEMPO DE 1H 38MIN 45SEG CADA UM”

se possível das equipas a arbitrar no fim-de-semana. 5ª Feira – Treino Anaeróbio (90 minutos) Aquecimento

respetivamente, seguidos de travagem e mudança de direção.

•1  5 a 20 minutos de Corrida Continua a 65% FC máxima; • Alongamentos com incidência nos membros inferiores; •T  écnica de corrida: skippings (curto; médio e alto) 1 Série x 10 metros, em cada tipo de skipping.

Trabalho de recuperação

Trabalho de Velocidade

6ª Feira – Treino de Ativação Neuromuscular (35 minutos) Aquecimento:

•N  um quadrado de 20 x 20 (m). Executar corrida alternando 85% da velocidade máxima numa linha e corrida de recuperação na linha seguinte a 45% da velocidade máxima e assim sucessivamente durante 2 x 5 voltas ao quadrado com uma recuperação a caminhar de 5 minutos. entre as duas séries.

Trabalho de Potência • 3 Séries de 6 Saltos de Verticais com impulsão máxima; •3  Séries de 12/10/8 saltos para um plano elevado aumentando a altura da plataforma, 20; 30; 40 cm,

•C  orrida continua a 50% da FC máxima. • 3 Séries de 25 Abdominais. • 3 Séries de 25 Dorso-lombares.

•1  0 Minutos de bicicleta em que os primeiros 5 minutos são a 50% da FC máxima últimos 5 minutos são intervalados entre 60% a 65% da FC máxima minuto a minuto. •A  longamentos generalizados de baixa intensidade e pouca amplitude. •T  rabalho de proprioceção (3 séries): •E  quilíbrio num apoio de olhos abertos (10segundos) e olhos fechados (5 segundos) •A  poio calcanhares e pontas dos pés (20 segundos) APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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GERAÇÕES

Marisa Farinha, Renata Tavares e Frederica Jesus — Madeira SAD

TRIPLETE DE LUXO É uma das capitãs da seleção Nacional e capitã do Madeira Andebol SAD. Falamos de Renata Tavares, companheira de equipa de Frederica Jesus e Marisa Farinha que no início das suas carreiras foram treinadas por si… É com as três atletas da equipa insular que fomos ter nesta edição…

F

ala-nos um pouco sobre ti. O teu dia-a-dia fora do Andebol? RENATA TAVARES (RT) O meu dia-a-dia resume-se basicamente ao trabalho e sempre que possível estar com as pessoas que me fazem bem. FREDERICA JESUS (FJ) Sou estudante e estou no 11ºAno. Tenho 16 anos, comecei a jogar andebol com 4 anos por influência da minha família que sempre esteve ligada ao andebol, mas foi com 8 anos que comecei a ter mais interesse pelo andebol. O meu dia começa com aulas de manhã, atividades extracurriculares à tarde e treinos à noite, todos os dias. MARISA FARINHA (MF) Basicamente passo os dias em aulas e cafés com amigos. O Andebol para ti é…? RT O andebol para mim é parte essencial na minha vida. FJ Mais do que um desporto, o Andebol faz parte de mim! Cresci a ver Andebol, era de esperar que aquilo que mais gostasse de fazer fosse jogar! MF Uma necessidade… Define a Frederica e a Marisa numa frase... RT A Frederica tem uma

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personalidade forte bastante parecida com a minha. A Marisa é uma pessoa muito bem-disposta e bastante sociável. O que sentes em tê-las como colegas de equipa? RT Para mim é um enorme orgulho ver onde chegaram e poder disfrutar do balneário com elas agora de uma forma diferente. Quais as diferenças entre as atletas e as colegas de equipas? RT Claro que existem diferenças a responsabilidade que tenho com elas é completamente diferente de quando era treinadora. Mas com a Marisa sinto que não difere muito já que sempre foi muito fácil trabalhar com ela. Já com a Frederica sinto que agora é mais fácil, que me ouve mais agora do que quando era minha atleta, sempre chocamos muito. Define a Renata numa frase... FJ Além de ter sido uma excelente treinadora e também ser uma excelente atleta é também uma boa colega de equipa, da qual eu tenho muito orgulho de dizer que fui treinada por ela. Obrigada Lucy. MF A Renata é excelente líder, profissional e simpática contrariamente ao que muita gente pensa ah ah ah!”

O que sentes em tê-la como colega de equipa? FJ No início, foi estranho. Às vezes ela dizia na brincadeira, “estou à tua espera para jogares comigo”, mas nunca pensei que isso fosse possível. Porque lembro-me de vê-la a jogar e agora ter o privilégio de jogar com ela, é uma grande responsabilidade, porque tenho que demonstrar que afinal todos os berros que levei valeram a pena! MF É um privilégio ter uma das melhores jogadoras de Portugal e poder aprender todos os dias com ela. Quias as diferenças entre as atleta e a treinadora? FJ A Renata quando foi minha treinadora imponha respeito! Nós tínhamos uma relação de amor e ódio, mas eu sempre gostei muito dela! No entanto, como colegas de equipa ela tenta sempre ajudar-me no que é preciso, esclarece todas as minhas dúvidas e ajudou-me a integrar na equipa. MF A Renata foi minha treinadora no meu primeiro ano de andebol e a única diferença que vejo é na inversão dos papéis e na responsabilidade acrescida de cativar e de ensinar o que é realmente o andebol. Concordas com o modelo competitivo da 1ª Divisão de Seniores Femininos.


RAIOS X

FOTOS JOANA SOUSA/ASPRESS

RENATA TAVARES

NOME Renata Luciana Monteiro Tavares LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Gaia, 11 de Novembro de 1978 POSIÇÃO Pivot CLUBES Santa-Isabel, Colégio de Gaia e Madeira Andebol SAD INTERNACIONALIZAÇÕES 155 MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Renata Tavares e a norueguesa Heidi Loke SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Ana Seabra (Alavarium Love Tiles) LE Juliana Sousa (Ex–Madeira Andebol SAD) C Mariela Gonçalves (Ex–Madeira Andebol SAD) LD Maria Pereira (Colégio João de Barros) PD Ana Alves (Ex–Colégio de Gaia) P Cilisia Camacho (Ex-Madeira Andebol SAD) GR Virgínia Ganau (Ex–Madeira Andebol Sad) TREINADOR MAIS MARCANTE José António Silva (Seleção Nacional Junior 1997), Filipe Calado (Madeira Andebol SAD) e Licínio Simões (Santa Isabel). TÍTULOS 8 campeonatos nacionais de seniores femininos, 13 Taças de Portugal de seniores femininos e 13 Supertaças de Portugal seniores femininos PROFISSÃO Professora CIDADE IDEAL PARA VIVER Onde nos sentirmos bem PRATO PREFERIDO Não tenho BEBIDA PREFERIDA Água FILME PREFERIDO Não tenho MÚSICA PREFERIDA Várias

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GERAÇÕES

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FREDERICA JESUS

NOME Frederica Alves de Jesus LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Funchal, 11 de Novembro de 1997 POSIÇÃO Central CLUBES Académico do Funchal e Madeira Andebol SAD INTERNACIONALIZAÇÕES 1 MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Ana Seabra e a norueguesa Anja Edin SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Cláudia Aguiar (Madeira Andebol SAD) LE Sandra Santiago (Colégio de Gaia) C Ana Neves (Alavarium Love Tiles) LD Patrícia Rodrigues (JAC Alcanena) PD Anais Gouveia (Clube Sports Madeira) P Renata Tavares (Madeira Andebol SAD) GR Jéssica Ferreira (Clube Sports Madeira) TREINADOR MAIS MARCANTE Renata Tavares e Mariela Gonçalves TÍTULOS Campeonato Regional em minis, infantis e iniciadas PROFISSÃO Estudante CIDADE IDEAL PARA VIVER Londres PRATO PREFERIDO Espetada BEBIDA PREFERIDA Coca-Cola FILME PREFERIDO Avatar e Dear John MÚSICA PREFERIDA What are words, de Chris Medina

Primeiramente um campeonato em que jogam todas as equipas a duas voltas no sistema casa fora depois play off’s? RT Eu acho que em forma de play offs torna o campeonato mais interessante e competitivo, no entanto não premeia a equipa que é mais regular já que os pontos conseguidos na primeira fase que é realizada a duas voltas não contam nada para a segunda fase. Basta um fim-desemana menos conseguido para afastar essa equipa do título. FJ É o meu primeiro ano a jogar nas seniores, por isso não estou muito ambientada com este modelo competitivo. O meu campeonato era Regional e nada se compara ao nível das seniores, por isso não sei o que seria melhor! MF Preferia que fosse disputado como o Campeonato Nacional da 1ª Divisão Masculina. É fácil conciliar a tua vida profissional com o andebol? RT Nem sempre é fácil conciliar as duas coisas, mas nada que com algum sacrifício e dedicação não se consiga. FJ Às vezes, tenho dificuldade em conciliar os estudos com o andebol ainda mais nas seniores, no entanto com empenho e dedicação consigo encontrar um equilíbrio e fazer com que as coisas resultem. MF Sim. Sendo atletas da Madeira SAD, quais as principais diferenças que encontram em relação às equipas do continente. Vantagens e desvantagens na vossa opinião para as equipas da Madeira que competem na 1ª divisão feminina? Por exemplo jornadas duplas, viagens… RT Vantagens não vejo nenhumas, as passagens são sempre um problema dada a conjuntura económica que estamos a viver, as jornadas duplas que vieram em função dessa

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mesma situação económica que todos estamos a viver prejudica-nos bastante já que realizamos dois jogos num fim-de-semana e depois muitas vezes ficamos mais de 15 dias sem jogar e isso quebra sem dúvida o rendimento da equipa. FJ Como já disse, estreei-me nas seniores este ano, por isso isto é tudo muito recente para mim. E por isso, não posso entrar em comparações. MF Este ano todas as equipas têm jornadas duplas, o que já devia ter acontecido há muito tempo, o que vem igualar as coisas um bocado. Quanto às viagens, sim é cansativo, mas é algo que já estamos habituadas. Qual foi o melhor e pior momento na tua carreira desportiva? RT Impossível salientar um só melhor momento, todas a vitórias e conquistas são bons momentos, mas gostaria de referir alguns, nomeadamente o 6º lugar no campeonato de Juniores na Costa do Marfim, o apuramento para o Campeonato da Europa na Macedónia, a subida à 1ªDivisão pelo Santa-Isabel e o meu regresso à seleção Nacional. O pior momento foram todas as derrotas quer coletivas quer pessoais. FJ O meu melhor momento foi após ter sido operada, ter sido chamada à seleção e ter conseguido integrar o escalão sênior! Fiquei muito feliz. O pior, foi sem dúvida quando me lesionei dois dias antes de ir para a seleção, que acabei por ser operada ao joelho e fiquei parada durante um ano. Foi muito complicado, não tinha esperança de voltar à seleção quanto mais integrar uma equipa sénior. MF O meu melhor momento e que me deixou muito contente foi quando era juvenil e fui convidada para integrar a equipa sénior do Clube Sports Madeira. O pior momento foi no meu primeiro ano no Clube Sports Madeira quando


RAIOS X

MARISA FARINHA

A equipa da Madeira Andebol SAD após a conquista de mais um troféu

não conseguimos passar á segunda fase por 4 golos O que deve opinião mudar no Andebol Feminino em Portugal? RT Muita coisa deveria mudar, mas tudo passa por haver mais aposta no andebol feminino e por consequência melhores condições para que as atletas não sejam obrigadas a deixar de jogar muitas vezes precocemente. Só quando houver um maior profissionalismo é que iremos conseguir dar o salto. Como houve há muitos anos atrás no masculino, mas sinceramente não acredito que isso alguma vez aconteça. FJ O Andebol Feminino em Portugal, é competitivo em relação à 1ºDivisão, no entanto se formos a comparar com os outros países em que o Andebol é muito mais evoluído perdemos a razão. Acho que qualidades não nos faltam, temos é que tirar partido delas. MF Penso que deviam de apostar mais na sua projeção, o feminino na minha opinião é posto um bocado de parte e isso acaba por influenciar e muito na sua evolução e qualidade O que pensas do atual momento da Arbitragem portuguesa? RT Penso que estamos atravessar um bom momento nesta matéria, já que temos algumas duplas internacionais e a participar em grandes competições

e à semelhança das jogadoras só desta forma é que poderemos evoluir. FJ Eu não ligo muito à qualidade da arbitragem, é verdade que às vezes pode ter alguma influência no jogo, mas isso sempre me passou ao lado! No entanto é sempre possível melhorar. MF É algo que muito sinceramente não tenho grande interesse por isso muito pouco sei sobre o momento atual No Verão, o Andebol não pára, muda somente de local, vai até à praia… Gostas de Andebol de Praia? O que pensas desta variante do Andebol? RT Sim gosto bastante de andebol de praia, acho que é uma forma divertida e mais espetacular de levar a nossa modalidade a um local de diversão e de lazer. Mas para mim o andebol de praia deve ser encarado desta forma, uma forma mais lúdica e relaxante. O stress da competição já basta durante todo o ano. FJ Gosto muito, acho que é uma excelente alternativa para durante o verão mantermos o contacto com a modalidade e que me permite fazer duas coisas de que gosto muito: jogar andebol e ir à praia. MF Gosto, acho que é super divertido e existe mais liberdade para inventar movimentos novos, algo que traz vantagens ao andebol de pavilhão. 

NOME Cláudia Marisa Dória Sousa Farinha LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Funchal, 5 de Novembro de 1992 POSIÇÃO Lateral esquerdo ou direito CLUBES Académico do Funchal, Sports Madeira e Madeira SAD INTERNACIONALIZAÇÕES 1 MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Vera Lopes (ÍBV Vestmannaeyjar – ISL) e Eduarda Amorim (Györi Audi ETO KC – HUN SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Cláudia Aguiar (Madeira Andebol SAD) LE Ana Andrade (Madeira Andebol SAD) C Ana Seabra (Alavarium Love Tiles) LD Maria Pereira (Colégio João de Barros) PD Patrícia Rodrigues (JAC Alcanena) P Renata Tavares (Madeira Andebol SAD) GR Isabel Góis (Madeira Andebol SAD) TREINADOR MAIS MARCANTE Vítor Rodrigues TÍTULOS Nenhum PROFISSÃO Estudante CIDADE IDEAL PARA VIVER Londres PRATO PREFERIDO Lasanha BEBIDA PREFERIDA Ice tea FILME PREFERIDO The perks of being a wallflower MÚSICA PREFERIDA Adoro música, não consigo ter uma preferida

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GERAÇÕES

O QUE ELES DIZEM...

RENATA TAVARES “… Como mãe teria muito a dizer sobre a Renata, mas vão apenas algumas coisas! Ela é boa filha, boa amiga, lutadora, responsável, divertida e frontal, o que por vezes a prejudica, pois interpretam frontalidade com arrogância, o que não é a mesma coisa. Ela sabe que tanto eu como o Pai nos orgulhamos muito dela. Amamos-te muito!” FILOMENA e JORGE TAVARES, Pais

“… És sem dúvida uma Guerreira, que lutou sempre por tudo na vida, sem nunca ter medo de nada, sem nunca se ir abaixo! Foi uma referência para mim enquanto jogadora e é uma grande referência enquanto pessoa, pois é um ser maravilhoso! Tenho muito orgulho nela e em toda a sua carreira! Quando for grande quero ser como tu!”

CRISTINA GOMES, Amiga e ex-colega de equipa

“O brilhante percurso desportivo da Renata, deverá servir de exemplo para os jovens desportistas em geral e para os jovens andebolistas em particular. Ela é a prova de que o trabalho árduo, a persistência e a capacidade de sacrifício são os pilares prioritários na formação de jovens atletas. “ -

Sem dúvida uma lutadora, um exemplo como atleta, treinadora e pessoa. Determinada, corajosa e justa. Para mim foi um prazer enorme jogar com a Renata, dividindo momentos inesquecíveis (vitorias e derrotas). Sem duvida a melhor pivot nacional. És e serás sempre uma referencia e uma amiga para a vida...mulher de grandes conquistas!!! Desejo-te tudo de bom porque tu mereces amiga. Bjnho!

LICINIO SIMÕES, primeiro treinador

MARIELA GONÇALVES,

FILIPA PEREIRA, Prima

motivação, surgem as exibições que fazem dela a melhor pivot nacional! Um orgulho como atleta e amiga!” VIRGÍNIA GANAU, Amiga e ex-colega de equipa

“… Orgulho, Amizade e Confiança simboliza sentimentos que tenho por ti. Atleta completa, Guerreira e em constante evolução são algumas das tuas características como jogadora. Parabéns!”

“… Atleta com uma personalidade muito forte. Considero-a como uma das melhores pivots nacionais de todos os tempos, uma hipotética experiência noutro campeonato mais competitivo, torná-la-ia numa atleta de referência internacional, certamente. Tem um amor impar pelo andebol e que a faz desenvolver o jogo sem que se note a sua idade, permanentemente jovem. É uma fortaleza defensiva.

FERNANDA CARVALHO,

DUARTE FREITAS,

Amiga e ex-colega de equipa

Treinador Madeira AndebolSAD

É uma pessoa com uma educação e inteligência acima da média, exigente com quem trabalha mas com “mau feitio” dentro de campo … Fez-se a pivôt mais equilibrada do Andebol feminino Português.

“… És uma referência como atleta, trouxeste à seleção sagacidade e ambição. És subtil na forma como exerces e te assumes como uma das líderes do grupo onde tens tido papel de elevada relevância. “Uma Grande Capitã!”

Amiga e ex-colega de equipa

“… Lutadora, persistente e humilde são características que te acompanham desde sempre no desporto. Vives o andebol como ninguém. Desde atleta a treinadora muito tens feito e dignificado o nosso andebol. És uma referência para todos e para mim é uma grande amiga!”

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“… És uma atleta de eleição, com um amor muito grande à modalidade. É lutadora, tem garra, é um exemplo e foi um privilégio muito grande ter jogado com ela! É exigente (consigo e com os outros) e dedicada e quando a isso se juntam a concentração e

FILIPE CALADO,

JOÃO FLORÊNCIO,

Treinador de Andebol

Selecionador Nacional


O QUE ELES DIZEM...

FREDERICA JESUS “… És e sempre serás a minha maior alegria. Ver-te crescer e transformares-te numa mulher bonita, ativa, inteligente e responsável, bem como numa boa atleta, trabalhadora e persistente é o meu maior orgulho. Sei que tens alguns sonhos e com certeza todos eles se irão concretizar. Já foste colocada à prova e não desististe. Lutaste e venceste! Tenho muito orgulho em ti. Com muito amor... Bjs” MARGARIDA ALVES, Mãe

É uma pessoa com uma educação e inteligência acima da média, exigente com quem trabalha mas com “mau feitio” dentro de campo (não tivesse sido atleta da Renata Tavares) … Penso que a Mariela e a Cristina encontraram substituta FILIPE CALADO, Treinador de Andebol e Tio

“… É a jogadora mais inteligente que já conheci, tem uma qualidade que muitas vezes passa por despercebida, tem uma paixão imensa pelo andebol, é a minha jogadora favorita, como lhe costumo chamar a minha ídola “ HENRIQUE ALVES, namorado

“… É sem dúvida uma excelente jogadora, perfeccionista em tudo aquilo que faz, lutadora pelo aquilo que já conquistou e pelo que já teve de passar com lesões, para mim é uma jogadora completa e uma excelente pessoa.” ANTÓNIO CASTRO, amigo

“… Muito jovem mas ao mesmo tempo evidencia uma maturidade que a torna capaz de enfrentar desafio mais altos. Tem uma grande capacidade de assimilar novas aprendizagens e é muito disponível para evoluir nos diferentes aspetos. Entrega-se com determinação ao treino e revela uma grande capacidade de leitura no jogo.”

sénior. Já ultrapassou muitos obstáculos, mas sempre de cabeça erguida. Tem capacidade de liderança e excelente visão de jogo. A Frederica é uma pessoa justa, sincera e lutadora. É com orgulho que a vemos crescer como atleta e como pessoa. Força Frederica! Bjnho!”

DUARTE FREITAS,

Ex-Treinadora

MARIELA GONÇALVES,

Treinador Madeira SAD

“… Atleta com talento, personalidade forte! É um orgulho vê-la numa equipa

“… Sempre se destacou, ao longo da sua formação. Teve uma lesão grave na época transata, que a impossibilitou de

estar presente no Europeu sub 17. Tem como qualidades, ser líder nas ações ofensivas, uma central com grande qualidade, quer na organização das ações, quer na tomada de decisão. Na minha opinião tem um futuro muito grande no Andebol. Acredito que se continuar a trabalhar será muito em breve uma referencia no Andebol feminino Nacional. Pertence a uma geração que vai dar que falar, tem um futuro muito promissor.” SANDRA MARTINS, Selecionadora Nacional sub 19 APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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GERAÇÕES

O QUE ELES DIZEM...

MARISA FARINHA Uma mulher muito inteligente e com inúmeras qualidades. Mas ainda está por descobrir o seu valor e a vontade de explorar esse caminho. SANDRA SOUSA, Mãe

“Indomável vontade”; “Querer vencer”; “Ser diferente”; ”Impossible is nothing”! GRACIANO FARINHA, Pai

Alguns davam tudo para ter a tua força de vontade e capacidade de ver o lado bom das coisas quer seja em jogo ou na vida. És como um porto de abrigo tanto para mim como para aqueles que só te querem bem. TIAGO TREY, namorado

Não há frase ou palavra suficiente para descrever tudo aquilo que és. Agradeço e dou valor ao privilégio de te ter na minha vida! MÓNICA CORREIA, Amiga e colega de equipa

“… É a pessoa que qualquer rapariga quer ter como melhor amiga, é quem nos apoia nos bons e maus momentos, que nos chama a atenção quando é preciso e que respeita as nossas escolhas mesmo que não concorde de todo com elas. É um exemplo como pessoa e atleta. Orgulhamo-nos imenso do seu percurso no andebol, das várias conquistas que obteve ao longo do tempo, mas essencialmente da forma como ultrapassou todas as dificuldades que foram surgindo. A rapariga que conhecemos há

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10 anos é hoje uma mulher que merece o melhor deste mundo e é isso que lhe desejamos, muita felicidade e sucesso a nível pessoal e profissional.” TÂNIA FERNANDES e CAROLINA CÂNDIDO, amigas

“… É grande lutadora, conhecida pela sua força de vontade. O seu sorriso e boa disposição são algo contagiantes. Tenho um orgulho enorme em ter sido sua colega de equipa e termos evoluído juntas. Tens um grande potencial, nunca desistas “gostosa” CATARINA ASCENÇÃO, ex-colega de equipa

“… Boa defensora e possuidora de boa mudança de direção, são os seus pontos fortes. É um atleta com um empenhamento e espírito de sacrifício muito elevados, características essas que aliadas ao potencial técnico tático que já tem, a farão crescer como atleta no curto prazo. É para mim um prazer trabalhar com ela, tem uma grande vontade em aprender” DUARTE FREITAS, Treinador Madeira Andebol SAD

“… É boa defensora, forte nas ações 1X1, uma atleta com largo futuro, quer pelas

ações defensivas, quer pela capacidade física, quer pela forma como encara todos os jogos. Uma lutadora” SANDRA MARTINS, Selecionadora Nacional

Marisa foi para mim uma atleta exemplar, com enorme espírito de sacrifício, de luta e entrega. Uma atleta jovem, mas um exemplo para muitas outras. Marisa é uma motivação extrínseca para um treinador, um desafio. Se há atleta que me deu prazer e orgulho de ser treinador, essa atleta chama-se MARISA. Obrigado VITOR, Ex Treinador C S Madeira


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OPINIÃO

CARLOS CAPELA

Esc. de Formação de Árbitros de And. de Aveiro

A LEI DA VANTAGEM NO ANDEBOL Com este texto quis não só falar das regras e de como as aplicar em jogo, mas levantar o véu sobre o outro lado do andebol e a forma como veem o jogo aqueles que procuram apenas permitir que sejam os atletas as estrelas

A

ntes de mais, sinto-me na necessidade de começar esta minha primeira crónica agradecendo a oportunidade que a APAOMA me dá de expor, de uma forma diferente daquela que costumo utilizar, a visão de um árbitro de andebol. É, por isso, possível que este texto contenha ideias pessoais com as quais outros meus colegas não se identifiquem por completo. Tenho um blogue, onde exponho não só o “lado de cá” do jogo, mas também a minha própria interpretação de algumas regras e leis de jogo, muitas vezes do próprio Andebol. E por que motivo comecei este artigo por aqui? Porque nisso corro muitos riscos, e os riscos estão inerentes às duas competências técnicas que considero mais importantes num árbitro de andebol: a sanção disciplinar e a lei da vantagem. Deixemos a personalidade para uma outra oportunidade, se tal se justificar. Hoje dedico-me à lei da vantagem. A lei da vantagem não é uma regra. Nada no Livro de Regras diz “Esta é a descrição da Lei da Vantagem!”. Esta lei é um conceito, associado à necessidade de o andebol ser um jogo fluido, sem apitos constantes por parte dos árbitros, sem interrupções desnecessárias, na procura de um melhor espetáculo para todos os que estão envolvidos no jogo, desde jogadores e árbitros a (e principalmente…) todos os que assistem a uma partida de andebol. É muito mais fácil explicar o que é a lei da vantagem do que aplicá-la. A regra 13:2 do livro descreve-a numa frase: “13:2 Os árbitros devem permitir a continuidade do jogo evitando interromper o jogo prematuramente com uma decisão de lançamento livre.“ Segue-se uma descrição do significado desta frase, que eu resumo assim: Se, cumulativamente, após uma falta… • a equipa que sofre a falta se mantém de posse de bola e está em condições de prosseguir o jogo; • a equipa que comete a falta não sai beneficiada pela “não interrupção” do jogo;

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…então os árbitros não devem intervir. Convém acrescentar que, se na sequência dessa falta houver a necessidade de uma intervenção ao nível disciplinar, os árbitros deverão esperar que a situação termine para sancionar o infrator. Todos concordamos, com certeza, que um jogo de andebol fica mais bonito se for fluido e se os árbitros não tiverem necessidade de aparecer. Mas a boa aplicação da lei da vantagem não deixa de ser um risco, quer pela má interpretação que os jogadores podem ter dessa tentativa dos árbitros não intervirem, quer pela falta de coerência que os árbitros podem ter ao procurar deixar o jogo seguir ao máximo. Procuro enumerar de seguida alguns dos riscos que surgem na sequência de uma aplicação ao limite do conceito de vantagem:

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Faltas não sancionadas – parte 1 Ao aplicar devidamente o conceito de lei da vantagem, existirão obrigatoriamente faltas não sancionadas. Ora, muitos jogadores atacantes poderão pensar que o árbitro não está a sancionar devidamente as faltas que sofrem, sem pensar que uma “não decisão”, neste caso, é uma “decisão” de deixar o jogo prosseguir. A tentação de alguns jogadores é retaliar, sem perceber que, ao não assinalar qualquer falta, os árbitros estão a permitir que a sua equipa continue a atacar.


o problema adicional de ter de controlar os jogadores e, por vezes, a eles mesmos. O descontrolo emocional é um risco sempre presente num jogo de andebol e nem sempre é trivial lidar com ele.

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

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Faltas não sancionadas – parte 2 Da mesma forma que um atacante pode interpretar (erradamente) que o árbitro não está a “penalizar” o defensor que comete uma falta, também o defensor pode interpretar (erradamente) que os árbitros estão a permitir uma defesa mais faltosa e mais dura, quando a intenção é apenas não interferir na evolução do ataque. Também aqui, a tentação pode ser a de endurecer o jogo defensivo.

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Incompreensão do público Nem sempre o público compreende a tentativa do árbitro de deixar jogar. Existem pavilhões com cultura andebolística, estejamos a falar de equipas de topo ou de divisões e escalões inferiores, mas também existem locais onde isso não acontece. Mas também há locais onde se “futeboliza” o andebol e onde as (não-)decisões dos árbitros são pouco ou nada aceites. A incompreensão do público, por si só, não é problemática para a condução de um jogo, mas cria uma pressão adicional, que pode ser mal gerida e por vezes dificulta a tarefa de quem dirige um jogo.

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Perda de controlo Quando as decisões (ou, mais uma vez, as nãodecisões) dos árbitros são bem aceites, este problema não se costuma colocar. Mas quando não são, os árbitros têm

Perda de critério Este é, se calhar, o pior dos riscos. Pior que um erro na aplicação de qualquer lei (lei da vantagem incluída), é não usar o mesmo critério “na outra baliza”. Acontece que nem todas as equipas têm o mesmo estilo de jogo. Umas gostam de jogo rápido, com circulação de bola rápida e transições defesa-ataque feitas em velocidade, outras exploram o tempo de ataque até se chegar ao limite do jogo passivo. Algumas equipas apostam no jogo coletivo, outras apostam no 1x1 como modelo preferencial. A adaptação do árbitro a dois estilos diferentes no mesmo jogo nem sempre é fácil, mas deve procurar-se ao máximo aplicar as regras da mesma forma em ambos os ataques. A aplicação da lei da vantagem é, muito difícil de aplicar sem que surjam falhas, hesitações ou apitos a destempo. Ninguém mais que o próprio árbitro sofre quando se apercebe que cortou uma jogada de perigo com um apito extemporâneo, ou que perdeu o tempo para assinalar uma infração após tentar deixar seguir o jogo. É que o timing exato é muito importante, até por outro aspeto que ainda não mencionei. Até aqui, só se falou em lei da vantagem como forma de deixar prosseguir uma jogada de ataque. Mas é preciso saber cortar a jogada quando o jogador que dela beneficiaria comete, ele próprio, uma infração. É mais fácil explicar com exemplos: O central da equipa atacante é empurrado, e solta a bola para o lateral, que vai fazer uma entrada aos 6 metros. Só que, no momento do passe, o central que foi empurrado, faz passos. É preciso saber não aplicar a lei da vantagem aqui, uma vez que ela deixa de existir no momento em que o atacante dá o quarto passo. Um jogador está isolado aos 6 metros e vai rematar. Nesse momento, é atingido em falta por um adversário, desequilibrando-se, e acaba por rematar após cair dentro da área de baliza. Mesmo que a bola entre na baliza, o árbitro deve assinalar o correspondente livre de 7 metros e nunca validar o golo. A vantagem perdeu-se no momento em que o atacante pisa a área.

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Penso que estes dois exemplos são claros. Muitos mais se poderiam dar. E saber não aplicar uma vantagem que na realidade não existe é, muito provavelmente, mais difícil do que aplicá-la.  APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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ANDEBOL E O SEU FUTURO

Análise *

I CONGRESSO IBÉRICO TÉCNICO E CIENTÍFICO DE ANDEBOL O Congresso teve 210 participantes, entre docentes universitários, treinadores e alunos.

R

ealizou-se nos passados dias 31 de Março e 1 de abril, na cidade da Guarda, o I Congresso Ibérico Técnico e Científico de Andebol. Foi uma organização do Instituto Politécnico da Guarda, com as colaborações da Federação de Andebol de Portugal, Associação de Andebol da Guarda e Associação de Treinadores de Andebol de Portugal. Este Congresso pretendeu ser um momento de encontro de todos os que se interessam pela modalidade de andebol: investigadores, técnicos, professores, estudantes e público geral. Procurou-se nas comunicações apresentadas uma abordagem multidisciplinar visando, especialmente, discutir e debater a investigação que está a ser produzida

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neste domínio, bem como todo um conjunto de aspetos técnicos inerentes à formação, ao ensino e treino da modalidade, com o objetivo de deixar contributos que visassem melhorar o ensino e a prática da modalidade. Foi também objetivo da sua organização, a aproximação dos investigadores portugueses e espanhóis, no domínio do andebol, a promoção das trocas de experiências e a criação de sinergias para futuros estudos conjuntos. O Congresso teve 210 participantes, entre docentes universitários, treinadores e alunos. Estiveram presentes a maioria das instituições de ensino superior, nomeadamente, Instituto Politécnico da Guarda (Teresa Fonseca), Escola Superior de Desporto de Rio Maior (Pedro Sequeira), Instituto Piaget (Luís

Mortágua), ISMAI (Mário Santos e Paulo Sá), Universidade Lusófona (António Lopes), UTAD (Isabel Gomes), FMH (Ana Volssovitch e Fernando Gomes), FADE – UP (José António Silva e António Ferreira). Do lado espanhol, da Universidade Miguel Hernandez de Elche (Óscar Gutiérrez), Universidade de Salamanca (Juan Garcia Herrero) e Universidade de Lleida (Joaquim Reverter Masia). Foi Joaquim Reverter Masia que realizou a 1ª Conferência do Congresso com o tema “Estudio Longitudinal de las practicas de entrenamiento con sobrecargas de los equipos españoles de balonmano de elite”, tendo iniciado com um enfoque na importância que reverte a investigação no desenvolvimento das ações práticas do treino e na necessidade de aproximação dos treinadores às Universidades no sentido de trazerem os seus problemas


Uma mesa repleta de gente ilustre do desporto nacional

para a investigação. Deixou claras indicações acerca do trabalho desenvolvido pelos preparadores físicos nas equipas de andebol, das suas lacunas, preocupações e falta de reconhecimento pelo seu trabalho. De seguida José António Silva realizou uma Análise ao Campeonato da Europa de 2014, com particular relevância nas ações realizadas pela seleção francesa, Campeã da Europa, possibilitando um olhar mais aprofundado sobre as ações realizadas por esta equipa na alta competição. Juan García Herrero falou sobre a temática “El liderazgo basado en las fortalezas de los jugadores”, tendo a sua conferência uma abordagem essencialmente prática, com constante participação dos congressistas presentes. O jogador pivot no jogo de andebol:

Análise da sua atividade no processo ofensivo das seleções nacionais masculinas no CM 2007, CE 2008 e JO 2008. Aplicações Práticas, foi a conferência apresentada por Mário Santos, que salientou a importância, trabalho e altruísmo deste posto específico no jogo de andebol. O conhecido treinador Manolo Laguna (atualmente Diretor Técnico da Real Federación Española de Balonmano) explicou o Modelo organizativo do andebol em Espanha, nomeadamente a organização por regiões, o modelo de jogador, a deteção dos talentos e as etapas da seleção. No final do primeiro dia do Congresso realizaram-se três workshops: Análise e observação do Jogo utilizando o Videobserver (Pedro Sequeira), Didática do andebol para

os escalões jovens (Carlos Garcia) e O treino psicológico e a preparação do andebolista (Teresa Fonseca). Foram também realizadas 22 comunicações livres. Destas, 16 comunicações foram orais e as restantes 6 foram em poster, incindindo em áreas de estudo muito distintas. Desde a formação de atletas, à formação de treinadores, passando pelo andebol na escola e caminhando para a análise de jogo e a alta competição. Posteriormente Óscar Gutiérrez falou sobre a “Determinación del modelo de juego y de la eficiencia coletiva e individual em balonmano através de modelos matemáticos”, perspetivando uma nova forma de analisar o jogo e da utilização das estatísticas no sentido de obterem resultados mais objetivos. O Congresso terminou com a conferência de Paulo Sá sobre APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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GRATAS RECORDAÇÕES

“Perspetivas da seleção e deteção de talentos no andebol”, na qual alertou para alguns problemas como a “campeonite” e a especialização precoce, bem como para o abandono da prática por atletas potencialmente talentos. Situação que deixa em aberto a necessidade da definição do que efetivamente se procura e pretende alcançar com o jovem atleta. Como reflexão, importa salientar o êxito desta primeira tentativa de aproximar Portugal e Espanha ao nível das investigações em andebol, na expectativa que daqui surjam estudos conjuntos que possam elevar a qualidade da prática no andebol. Urge que o investigador se aproxime da prática e que o treinador se aproxime da investigação. Só a sua junção poderá promover um melhor andebol no futuro. Estiveram ausentes algumas áreas de estudo, a arbitragem e regulamentos por exemplo, mas estamos cientes que serão realidade numa próxima organização, que verificando-se a alternância, desta feita será realizada em Espanha.

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As instituições de ensino superior marcaram presença, os seus alunos entusiasmaram com a irreverência, os treinadores também participaram ativamente, faltaram apenas os treinadores das principais competições nacionais e os treinadores das seleções nacionais. Aproveitando uma frase de António Damásio apresentada no Congresso por Manolo Laguna “é com ceticismo que encaro a presunção da ciência relativamente à sua objetividade e ao seu carácter definitivo. Tenho dificuldade em aceitar que os resultados científicos, sejam algo mais do que aproximações provisórias para serem saboreadas por uns tempos e abandonadas logo que surjam melhores explicações”, nós concluímos que são estas aproximações provisórias entre os investigadores e os treinadores que permitem que ambos evoluam. * Teresa Fonseca (Instituto Politécnico da Guarda - Comissão organizadora) e Paulo Sá (Instituto Universitário da Maia - Comissão Científica)

A VR A LA NH PA I A ÉM

ANDEBOL E O SEU FUTURO

Recordo perfeitamente a primeira vez que vi um treino de andebol. Foi na década de sessenta, do século passado, em plena préhistória do andebol. Recordo a emoção de uma alegria impar de jovens adultos, muito mais velhos do que eu, a jogar num campo de “terra batida”, enlameados e cheios de frio. Essa manifestação, significante de alegria e prazer, sem razão aparente que não fosse a do próprio jogo, deixou-me atraído pela atividade, embora não fosse capaz de entender como era possível ter prazer e felicidade a jogar num campo no qual mal se viam as marcações e com uma bola enlameada. Conheci na altura o técnico, um ex-praticante mais velho, que passou grande parte desse treino empenhado em refrear manifestações temperamentais de alguns jogadores, traduzidas em murros ou pontapés aos colegas adversários. “Brincadeiras de sangue são entre irmãos” dizia ele com toda a certeza. Não percebi muito bem o significado de tal expressão, mas não a esqueci. O andebol passou a existir, para mim enquanto interveniente, nas atividades escolares. A possibilidade de prática desportiva para jovens era, à data, restrita às atividades escolares. Os escalões de formação foram pouco tempo depois uma novidade. Assim, de um grupo de amigos do andebol da escola foi possível passamos à prática federada. Alguns na mesma equipa, outros como adversários. De colegas e adversários restam recordações, amizades e inimizades de estimação. Dos duelos que vivi ao longo da minha curta carreira de praticante recordo um, em particular. Ao longo dos anos, eu e esse meu adversário cruzamo-nos várias vezes, dentro e fora do campo. Dentro do campo as coisas acabavam quase sempre com o sucesso desportivo para ele e uma acesa “discussão” para ambos. Fora do campo sempre conseguimos ser cordatos, manter uma relação de amizade e respeito. Refiro este exemplo porque sei que muitas das situações que despoletaram os conflitos durante os jogos foram fruto das minhas infelizes intervenções. Ciente das minhas intenções e apesar da dúvida do meu amigo, a vítima, com uma perceção diferente, totalmente diferente e por vezes dolorosa, digo infelizes intervenções como podia dizer incompetentes, desastradas ou mesmo acidentadas, mas o que nunca me poderia ser atribuído, nestes casos, seria “má fé”, porque nunca houve. Não esquecemos o passado mas aprendemos a viver com perspetivas diferentes as “brincadeiras de sangue”, perdurando a proximidade, a amizade, até que ele partiu. IRENEU MOREIRA, Presidente da ATAP


OPINIÃO

FILIPA GODINHO

Presidente da F.A.D.U.

CAMPEONATOS NACIONAIS UNIVERSITÁRIOS 2014 O IPLeiria conquistou o título, seguido pela equipa da U.Porto e, em 3º lugar, a equipa da AEISMAI. Já no masculino, a AAUM conseguiu a proeza de se sagrar Campeã Nacional Universitária pela 6ª vez consecutiva, entre as 12 equipas em prova. A equipa da AEISMAI garantiu a Prata e a aeISEP fechou o pódio, assegurando a 3ª posição.

D

urante 6 dias de provas, a cidade da Maia recebeu cerca de 2000 atletas, que disputaram 13 títulos nacionais universitários, num evento inserido no programa “Maia Cidade Europeia do Desporto”. Esta edição das Fases Finais dos Campeonatos Nacionais Universitários foi acolhida pela Federação Académica do Porto, que, depois dos vários eventos regionais e internacionais que tem vindo a organizar, este ano agarrou a oportunidade de encabeçar esta grande festa do Desporto Universitário nacional. Este evento destaca-se por ser o culminar de todo o trabalho desportivo que é desenvolvido ao longo da época, pelos vários estudantes-atletas no ensino superior. De entre 33 clubes e 132 equipas de todo o país, foram encontrados os Campeões Nacionais Universitários de 8 modalidades coletivas, de ambos os géneros. No Andebol feminino, as seis melhores equipas, divididas em 2 grupos, disputaram a Fase de Grupos da prova, a que se seguiram as meias-finais e, posteriormente, o jogo que viria a revelar o coletivo vencedor. O IPLeiria conquistou o título, seguido pela equipa da U.Porto e, em 3º lugar, a equipa da AEISMAI. Já no masculino, a AAUM conseguiu a proeza de se sagrar Campeã Nacional Universitária pela 6ª vez consecutiva, entre as 12 equipas em prova. A equipa da AEISMAI garantiu a Prata e a aeISEP fechou o pódio, assegurando a 3ª posição. Nas restantes modalidades, as equipas do IPP venceram no Basquetebol feminino e no Voleibol masculino, a AAUM ganhou no Basquetebol masculino e no Futebol 11 e a AAC conquistou os dois pódios do Futsal. No Corfebol, a Campeã foi a equipa da AEIST, no Hóquei em Patins a AEFMH, no Voleibol feminino a AEFADEUP e, no Rugby 7 foram mais fortes as equipas da U.Porto e da NOVA no feminino e no masculino, respetivamente.

Os vencedores terão a oportunidade de representar a sua instituição e o seu País nos Jogos Europeus Universitários, que vão ter lugar em Roterdão, Holanda, este verão. As Fases Finais dos Campeonatos Nacionais Universitários são, assim, a festa do Desporto Universitário, uma festa de estudantes, para estudantes. Este é, sem dúvida, um momento único do desporto em Portugal. Os estudantes-atletas competem com empenho e rigor, num meio descontraído que tão bem carateriza o desporto no ensino superior. Ainda este ano, no verão, Portugal recebe dois Mundiais Universitários nas modalidades de Andebol, em Guimarães, e Voleibol de Praia, no Porto. No caso do Andebol, modalidade presente nas Fases finais dos Campeonatos Nacionais Universitários, a participação

DE ENTRE 33 CLUBES E 132 EQUIPAS DE TODO O PAÍS, FORAM ENCONTRADOS OS CAMPEÕES NACIONAIS UNIVERSITÁRIOS DE 8 MODALIDADES COLETIVAS nesta prova foi um momento privilegiado para os estudantes-atletas demonstrarem as suas habilidades e lutarem por um lugar na Seleção Universitária, que representará Portugal no Mundial Universitário de Andebol. O mesmo se aplica à modalidade de Futsal. O Mundial vai decorrer em Málaga, Espanha, durante o mês de julho, e Portugal irá apresentar-se na competição com uma Seleção feminina e uma Seleção masculina. Estou certa que o balanço é bastante positivo e que esta semana foi mais um momento marcante para o Desporto Universitário e para todos aqueles que participaram neste grande evento. APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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COMPETIÇÃO

Antevisão 2014

CAMPEONATOS NACIONAIS UNIVERSITÁRIOS As previsões e expetativas de alguns treinadores e atletas das equipas consideradas teoricamente favoritas…No masculino fomos ao encontro da UM, AEFADEUP e AEISMAI enquanto no feminino estivemos à conversa com o IPL, UP e AEISMAI.

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 UEM SÃO, NO TEU PONTO DE VISTA, OS PRINCIPAIS Q CANDIDATOS A VENCER O CNU DE ANDEBOL MASCULINO?

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QUAIS SÃO, AS TUAS EXPETATIVAS E DA TUA EQUIPA PARA ESTE CAMPEONATO?

CAMPEONATO NACIONAL UNIVERSITÁRIO MASCULINO PREVISÕES E EXPETATIVAS Nuno Rebelo (Atleta - U Minho) Tendo em conta os passados anos e os 5 títulos consecutivos tenho de dizer que a U Minho é uma das equipas que é candidata, na minha opinião ao título, outra equipa também igualmente forte e com bons atletas é a U. Aveiro, isto porque quase todas as finais que jogamos quando vencemos os títulos foram contra eles e são uma equipa forte e que trabalha muito bem e que nunca desiste.

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As minhas expectativas é que este ano tal como os anteriores vamos lutar para vencer o campeonato nacional universitário, e se isso acontecer temos mais um objetivo este ano, que é ir e

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APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

tentar vencer os EUSA GAMES (Jogos Europeus Universitários) em Roterdão, para tentar manter o titulo de campeões europeus universitários, porque vencer uma vez para a U. Minho não chega tentamos todos os anos superar-nos desportivamente João Souto (Treinador – AEISMAI) No meu ponto de vista o principal candidato à vitória é a Universidade do Minho, campeã europeia e nacional. As outras não conhecemos muito bem, mas a universidade de Aveiro costuma ter equipas também muito fortes.

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2

As minhas expectativas são iguais às dos atletas! Temos como objetivo ficar nos 3 primeiros

lugares. Jogamos em ‘casa’ e vamos tentar que isso seja um ponto a favor, havendo a possibilidade de os alunos do Ismai ajudarem no apoio à equipa. André Rei (Atleta - AEISMAI) AEISMAI e a U Minho

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As expetativas individuais e coletivas (da minha equipa claro) são primeiramente, chegar à final e logo, ser campões nacionais António Cunha (Treinador – AEFCDEF) Favoritos, o campeão europeu em título, a U. Minho

1 2

A nossa equipa da FADEUP está melhor que no passado, mas acontece que os melhores estudantes universitários e federados no Andebol não participam nos CNU’s devido às suas obrigações desportivas (ou como atletas ou treinadores dos escalões jovens), existindo muita dificuldade em preparar a equipa, mas estaremos presente dignificando a Faculdade e o Andebol Não nos foi possível contatar nenhum atleta da AEFADEUP pelo que pedimos desculpa à Instituição e aos nosso leitores


CAMPEONATO NACIONAL UNIVERSITÁRIO FEMININO PREVISÕES E EXPETATIVAS Marco Afra (Treinador – IPL) – A meu ver, o principal candidato é a Universidade do Porto principalmente pela quantidade de recrutamento de atletas com qualidade, no entanto tanto a Universidade de Coimbra como a Universidade de Aveiro são também candidatas pelo desempenho apresentado nos torneios de apuramento. A equipa que representa o ISMAI já no ano passado realizou uma boa prova, disputando ate ao final os seus jogos. Tendo em conta os anos anteriores e os resultados obtidos nos dois torneios de apuramento, penso que o Instituto Politécnico de Leiria pode disputar todos os jogos ate ao final.

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Enquanto equipa temos a plena consciência que estamos a passar uma fase menos boa, desde lesões a impossibilidades profissionais, a equipa encontra-se este ano menos forte do que temos habituado o público. Mas ainda assim, internamente estão muito unidas e com enorme vontade de vencer e deste modo renovar o título. Mariama Sanó (Atleta – IPL) Considero que este ano os principais candidatos ao título são a U. Porto, nós (IPL) e a Académica de Coimbra. A UP este ano está ainda mais forte dada a qualidade dos reforços que tem, a Académica também tem novas atletas o que melhorou mais ainda a equipa. Nós este ano também temos novas entradas no grupo, mas a saídas que tivemos foram bastante significativas devido à conclusão de curso e ingressão no

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mercado de trabalho e mudança de instituição. Apesar de considerar estas as principais equipas, penso que as restantes equipas também têm qualidade e podem dificultar as contas, o que de certo modo torna a competição mais renhida e interessante.

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As nossas expetativas para este ano são, certamente, dar o nosso melhor para conquistar este campeonato novamente. Porém, este ano temos menos atletas que o habitual, por isso teremos que manter o espírito de equipa e seremos ainda mais unidas focando-nos na obtenção do título. Em termos de tática de jogo, sou da opinião que para teremos um resultado positivo teremos que apostar na defesa. Bruno Soares (Treinador - AEISMAI) Leiria e Coimbra são os principais candidatos, Leiria porque é o atual campeão e Coimbra porque tem boas atletas a competir ao mais alto nível em Portugal. A U Porto é sempre uma equipa a ter em consideração.

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A minha equipa por estar a jogar em casa tem que elevar as expectativas ao máximo mas apesar de grande parte das jogadoras atuarem na primeira nacional de seniores femininos a equipa não conta com um plantel alargado. Por isto o primeiro jogo será muito importante nesta curta prova Sofia Osório (Atleta – AEISMAI) O principal candidato ao título, na minha opinião é o IPL, foi campeão o ano passado e com certeza a vontade é de revalidar o

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título. A UP tendo um conjunto muito coeso e jogadoras muito experientes nestas andanças, torna-se um grande candidato ao título.

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As minhas expetativas são dar o meu melhor para ajudar a equipa a concretizar o objetivo, ser campeã nacional. Não somos uma das equipas favoritas, mas acho que temos equipa para “incomodar” as equipas grandes. Alexandre Monteiro (Treinador – U. Porto) Este vai ser o campeonato mais equilibrado dos últimos anos e onde todas a equipas tem uma hipótese, no entanto, IPL como campeão em título e a U Porto são na minha opinião os principais candidatos, referencia também para Coimbra ganhou no apuramento ao IPL e pode ser também uma forte oposição. –Penso que como é tradição nesta competição a UP entra sempre com vontade e ambição de conquistar o campeonato nacional, coisa que nos vem fugindo desde 2010.

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Catarina Sampaio (Atleta – U. Porto) As candidatas são as 6 equipas participantes. Já jogo e assisto aos universitários de andebol desde 2006/2007 e posso dizer francamente que é o ano mais competitivo de sempre. A AEFADEUP não deve ser menosprezada pois eliminou nos CAP’s (Campeonatos Académicos do Porto) as vice-campeãs em título, o IPP. A AEISMAI vem reforçada e não sei como está o IP Leiria, a AAC e a U Aveiro porque ainda não nos encontramos este ano, mas serão certamente adversárias de peso. É impossível fazer uma previsão.

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As expetativas e os objetivos da U Porto são sempre ganhar. APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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UNIVERSITÁRIO

PÓS CAMPEONATO

FOTO ARQUIVO FADU

APAOMA Bruno, ser campeão nacional universitário, tornou-se habitual na tua carreira desportiva, pois este é já o teu 5º título universitário. Agora com mais um título Nacional Universitário o que tens para nos dizer sobre os CNU’s 2014? BRUNO DIAS (U MINHO) Os CNU’s são uma prova onde podemos aliar o andebol sério, a um nível mais descontraído embora disputemos os jogos sempre com muita seriedade. Para a U Minho penso que foi uma participação positiva, já que conseguimos o nosso principal e real objetivo, o título Nacional, pois garante o apuramento para os EUSA Games (Jogos Europeus Universitários) onde tentaremos renovar o titulo europeu que conquistámos o ano passado. CLASSIFICAÇÃO NACIONAL

ANDEBOL MASCULINO JOGO Nº

7 de abril

8 de abril

9 de abril

10 de abril

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1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

JOR.

1

2

3 QF 1 QF 2 QF 3 QF 4 MF 1 MF 2 3º/4º Final

VISITADO

AEISMAI AAUM AEFADEUP AEIST AAUAV AEISEG AAC AEISEP AEFEP AEFCUP AEFCT AAUBI AEISMAI AAC AAUM AEISEP AEISMAI AAUM AEIST AEISMAI

VISITANTE

AAUAV AEISEG AAC AEISEP AEFEP AEFCUP AEFCT AAUBI AEISMAI AAUM AEFADEUP AEIST AEFCUP AEIST AAUAV AEFADEUP AEIST AEISEP AEISEP AAUM

RES.

20-25 28-10 18-22 18-18 21-23 12-20 21-17 21-13 16-27 11-37 26-27 15-19 25-22 15-17 23-13 24-23 33-26 46-27 24-28 22-35

1

Associação Académica da Universidade do Minho

2

AE Instituto Superior da Maia

3

AE Instituto Superior de Engenharia do Porto

4

AE Instituto Superior Técnico

5

AE Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

6

Associação Académica da Universidade de Aveiro

7

AE Faculdade de Desporto da Universidade do Porto

8

Associação Académica de Coimbra

9

AE Faculdade de Economia do Porto

10 AE Faculdade de Ciências e Tecnologia de Lisboa 11 Associação Académica da Universidade da Beira Interior 12 AE Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa

CAMPEÃO NACIONAL

Univ. MINHO


FOTO ARQUIVO FADU

PÓS CAMPEONATO

APAOMA Beatriz Cordeiro, na edição nº1 da nossa revista, foi a figura feminina do desporto universitário. Agora com mais um título Nacional Universitário fomos saber o que tem para nos dizer sobre os CNU’s 2014? BEATRIZ CORDEIRO (I P LEIRIA) Este ano foi muito surpreendente! Nós “perdemos” algumas atletas que nos fizeram muita falta, mas em compensação ganhámos outras. Fomos sempre uma equipa muito humilde e unida, lutámos jogo a jogo, contra equipas muito boas e com muita garra. O facto de no ano passado termos sido campeãs não nos relaxou, pois esse relaxe podia ter sido determinante para um possível fracasso. Em vez disso, fez com que encarássemos todos os jogos de maneira séria, pensado jogo a jogo, e de forma respeitadora perante as outras equipas. Há

medida que fomos ganhando os jogos de grupo até à final, a nossa confiança foi crescendo pois desde o início sabíamos que este CNU14 não ia ser fácil. E pensar que ser Bicampeãs era um dado adquirido logo à partida seria um ponto débil para nós! A chave do nosso sucesso foi a humildade e a união de grupo. É um orgulho pertencer a esta equipa do IPLEIRIA, onde a entrega, dedicação e a garra que nos é característica, foi recompensada com mais um Campeonato Nacional. Relativamente à organização, não tenho qualquer queixa. Acho que houve uma boa organização e cooperação com as equipas envolvidas. Foi uma semana desgastante mas com emoções marcantes no nosso percurso andebolístico, que fazem de nós pessoas melhores e mais confiantes enquanto equipa.

ANDEBOL FEMININO JOGO Nº

8 de abril

9 de abril

10 de abril

JOR.

1 2 3 4 5 6 7 8 9

MF 1 MF 2 3º/4º

10

Final

1 2 3

VISITADO

VISITANTE

RES.

AEISMAI AAC 20-15 AAUAv AEFADEUP 12-11 AAC IPLeiria 15-19 AEFADEUP U.Porto 10-31 IPLeiria AEISMAI 21-18 U.Porto AAUAv 20-12 IPLeiria AAUAv 32-20 U.Porto AEISMAI 32-25 AAUAv AEISMAI 24-34 IPLeiria

U.Porto 20-19

CLASSIFICAÇÃO NACIONAL 1

Instituto Plitécnico de Leiria

2

Universidade do Porto

3

AE Instituto Superior da Maia

4

Associação Académica da Universidade de Aveiro

5

Associação Académica de Coimbra

6

AE Faculdade de Desporto da Universidade do Porto

CAMPEÃO NACIONAL

I. P. Leiria APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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OPINIÃO

JORGE FERNANDES

Docente de Educação Física e Desporto

DESPORTO ADAPTADO: ANDEBOL EM CADEIRA DE RODAS O Andebol em cadeira de rodas é das modalidades mais recentes no Desporto Adaptado português. O projeto da sua implementação já está no terreno. O caminho a percorrer é longo mas o futuro é promissor

A

expressão “Desporto Adaptado” tem vindo ao longo dos últimos anos a surgir com maior frequência nos meios desportivos e em geral na nossa sociedade, sendo impulsionado pelo movimento que se ergueu em torno dos Direitos das Pessoas com Deficiência praticarem desporto em igualdade de circunstâncias. Contudo, ainda existe algum desconhecimento sobre o completo significado deste conceito, que na maioria das ocasiões em que surge é imediatamente associado ao desporto para pessoas portadoras de deficiência. No entanto, o Desporto Adaptado é muito mais do que somente uma competição praticada por pessoas com deficiência. Atualmente a sua importância é tal que pode-se afirmar que o Desporto Adaptado é um instrumento de trabalho que apresenta características que permitem a intervenção nas áreas da Terapêutica, do Ensino e do Lazer/Recreação. Para melhor entender esta valência, importa clarificar o conceito de Desporto Adaptado, é qualquer desporto, hobby ou atividade que é realizado por qualquer pessoa portadora de deficiência utilizando equipamentos especificamente concebidos ou modificados para permitir que o indivíduo realize a atividade que anteriormente não era possível sem este equipamento ou adaptação (Kimrey, 2011). As competições destinadas às pessoas portadoras de deficiência foram criadas com base neste princípio, o de possibilitar a prática de um desporto que sem uma adaptação não seria praticável por estas mesmas pessoas. Já são inúmeras as modalidades que foram adaptadas, muitas delas conseguiram atingir níveis elevados de desenvolvimento e são estas mesmas modalidades que actualmente compõem os grandes eventos como por exemplo, os Jogos Paralímpicos de Verão e de Inverno, os Special Olympics, os Deaflympics de Verão

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APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

“O CAMPEONATO NACIONAL E A TAÇA DE PORTUGAL DE ANDEBOL EM CADEIRA DE RODAS, SÃO DUAS COMPETIÇÕES ONDE SE VERIFICA A REALIDADE ATUAL DESTA MODALIDADE”


e de Inverno, entre muitas outras competições que se realizam nos diferentes continentes e direccionados a diferentes deficiências. Em Portugal, o ACR é uma novidade recente no nosso meio desportivo e procura agora crescer enquanto modalidade adaptada. O projeto da Federação de Andebol de Portugal e da Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência, o Andebol 4All, é sem dúvida uma grande iniciativa e apresenta-se como uma excelente alternativa para as pessoas portadoras de deficiência poderem praticar e competir numa das modalidades com maior número de praticantes no nosso país. Na minha opinião, o lançamento da modalidade foi muito bem idealizado e colocado em prática, pois contemplou acções de formação teórica e prática em diferentes zonas geográficas, desde o norte ao sul passando pelas ilhas, indo assim ao encontro dos pontos nevrálgicos para o aparecimento da modalidade. O ACR que pode ser jogado na vertente de 4 e de 7, recebeu a atenção de algumas instituições que

focalizam o seu trabalho e apoio na área da deficiência e prontamente criaram as suas equipas. Digamos que este foi o “lançamento de saída” e a partir daqui iniciaram-se competições regionais quer a norte, quer a sul do país, onde têm marcado presença um interessante número de equipas e participantes. A perspectiva é a de que, a modalidade para continuar a crescer será necessário disponibilizar apoio a estas equipas que já iniciaram o trabalho de implementação e desenvolvimento, pois a prática do ACR envolve alguns esforços sobretudo ao nível financeiro e das infraestruturas desportivas. Contudo, o futuro do ACR na minha perspectiva, terá que passar também pela “captação” dos chamados clubes grandes da modalidade, aqueles que movem as grandes massas de adeptos. As competições nacionais necessitam de grandes assistências, pois assim os seus praticantes sentir-se-ão mais apoiados e motivados para jogar cada vez mais e melhor, sendo também uma forma de captar importantes patrocinadores. E como nestes assuntos que dizem respeito às competições, a obrigação é olhar para o futuro e para as participações internacionais, será igualmente importante acelerar o desenvolvimento sustentado do nosso ACR, com a aspiração de que a nossa selecção nacional tornese uma potência a nível europeu, aproveitando que a modalidade ainda se encontra numa fase embrionária quando comparada com os países sul-americanos. O sonho tem de comandar a nossa vida e podemos desde já sonhar ver Portugal, esperemos que dentro em breve, competir contra equipas como Argentina, Austrália, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai, Venezuela, seleções que marcaram presença no I Campeonato do Mundo, onde o Brasil sagrou-se campeão em todas as vertentes do ACR. O próximo Mundial será em 2015 na Austrália. Pessoalmente, tive a oportunidade de fazer a formação em ACR e por via do meu trabalho profissional, também já tive possibilidade de orientar uma sessão de ACR e só encontro uma palavra para descrever este Desporto Adaptado: Espectacular. A mensagem que deixo é para quem for elegível de praticar que o faça, pois tem o benefício da prática de uma atividade física e em simultâneo pode desfrutar de uma atividade prazerosa. Para quem não é elegível, deixo o convite para se deslocar a um pavilhão próximo e assistir ao espetáculo que é o Andebol em cadeira de rodas.

Bibliografia Kimrey, J. W. (2011). “An introduction to Adapted Sports and equipment used”. Disponível em URL: http://www.slideshare.net/ teammountmaker/adapted-sports APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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ANDEBOL 4 ALL

João Jerónimo

VOLTAR A JOGAR, UM SONHO REALIZADO

P

edimos em primeiro uma pequena apresentação pessoal, visto ser para muitos dos leitores da revista um desconhecido dada a pouca visibilidade que é dada ao Andebol 4 All pela imprensa portuguesa… O meu nome é João Jerónimo, tenho 25 anos e sou de Leiria. Jogo andebol desde os 4 anos, iniciei a carreira na JUVE do Lis, passei pela União de Leiria, mas onde tive maior progressão na carreira foi no Atlético Clube Sismaria (ACS), onde joguei até aos 15 anos. Nessa altura tive que abandonar a prática da modalidade, devido a um acidente que tive e que fez com que tivessem que me amputar a perna direita (desarticulação total da anca). 9 anos depois estou de volta ao campo, em cadeira de rodas, mas com mais força e vontade para praticar a modalidade. Como surgiu a oportunidade de ser atleta de andebol 4 all e na APD - Leiria? A oportunidade surgiu em Novembro de 2012, quando fui convidado para uma palestra na prática de Andebol Adaptado, convite esse feito pelo presidente da Associação de Andebol de Leiria, Mário Bernardes, não pensei duas vezes e aceitei de pronto o convite. Falaram-me depois na APD – Leiria, onde já tinham experimentado

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APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

jogar Andebol em Cadeira de Rodas. Aliás esta equipa pratica, há mais de 30 anos, Basquetebol em Cadeira de Rodas e, tendo eles o material necessário e como já tinham experimentado o Andebol em Cadeira de Rodas, tentei saber qual seria a possibilidade de se criar uma equipa de andebol. Decidiu-se então que a APD – Leiria iria ter uma equipa de andebol, o que me permitiu concretizar o sonho de voltar a praticar a modalidade, se hoje pratico de novo andebol, é graças a eles. Explique aos leitores em que consiste o Andebol 4 All? O projeto Andebol 4 All consiste em que as pessoas com qualquer tipo de deficiência se enquadrem também na modalidade. O importante do projeto não é só ter campeonatos competitivos com pessoas com deficiência mas sim também chegar às escolas e sensibilizar também os mais pequenos para a modalidade, pois o desporto foi feito para todos e o Andebol não foge à regra. Qual o momento mais marcante da sua curta carreira, visto só ser praticante há um ano? Todos os dias são marcantes, pois é um orgulho voltar a praticar andebol, mas tenho dois em particular que dificilmente irei esquecer: foi no dia em que me falaram que existe andebol

FOTO I, LIGHT PHOTOGRAPHY | RUI MIGUEL PEDROSA

Iremos abordar o Desporto Adaptado, mais concretamente o Andebol 4 All

para pessoas com deficiência em Portugal e foi recentemente quando voltei a jogar Andebol (22-03-2014, 3ª Concentração do Campeonato Nacional de Andebol em Cadeira de Rodas) na minha cidade Leiria. Que momento lhe deu mais prazer até hoje no Andebol 4 All? Sempre que entro em campo, é um prazer enorme, todas as vezes que pratico são um prazer e aproveito a cada segundo esta oportunidade. Na sua opinião qual o melhor jogador português da atualidade? Eu acho que nesta altura de início não existe o melhor ou o pior, é o início de um grande projeto que ainda não se pode ter essa noção a meu ver. A APD – Leiria é um clube em destaque no Andebol 4 All. Há muitos clubes em Portugal que deem essa importância e fomentem a modalidade para que possa afirmar-se no panorama desportivo português?


O projeto Andebol 4 All consiste em que as pessoas com qualquer tipo de deficiência se enquadrem também na modalidade Os nossos objetivos penso que são como qualquer outra equipa, ganhar os campeonatos e ambas as Taças de Portugal, os meus objetivos são integrar a Seleção Nacional, assim que houver, e tornar-me uma referência como jogador de Andebol em CDR em Portugal.

João Jerónimo e a sua equipa, a APD Leiria Eu creio que sim, existem alguns clubes já fidelizados que vão dar uma grande ajuda para a modalidade, no entanto o objetivo é termos cada vez mais equipas a praticar a modalidade. O que pensa do atual panorama do Andebol 4 All e do desporto adaptado em geral em Portugal e do seu futuro? Infelizmente em Portugal, o desporto adaptado nunca foi levado muito a sério, visto continuarem a considerálo um pouco como forma de inclusão e como forma de sensibilizarem as pessoas. Por um lado concordo com isso, mas por outro acho que deveríamos ter campeonatos mais competitivos e mais rigorosos. Apesar de termos as nossas limitações, eu e muitos outros atletas vemos o desporto adaptado com outros olhos e consideramos que aqui em Portugal falta-lhe um pouco de competitividade e de rigor. Considera que existe falta de patrocínios e outros apoios do sector

privado ao desporto adaptado, mais concretamente ao Andebol 4 All? Infelizmente essa falta de patrocínios ou de outros apoios é uma realidade, apesar de a Federação de Andebol de Portugal (FAP) ir ajudando com algumas verbas para as deslocações. No entanto, há sempre o problema dos custos do material para a prática da modalidade e para a manutenção desse mesmo material. Só para terem uma noção, o preço duma cadeira de rodas para a prática da modalidade ronda os 4.000 euros. Gostaria que na revista fosse dado o devido destaque ao Andebol 4 All, tendo por exemplo um espaço por edição dedicado ao mesmo? Isso seria perfeito, iria ajudar bastante na divulgação do projeto e permitiria também divulgar os campeonatos. Quais os objetivos coletivos da sua equipa, e os seus individualmente, para o que resta da presente época desportiva?

Que dirigentes, companheiros de equipa e treinadores mais o marcaram até ao momento na sua carreira, e em que medida? Bem, boa pergunta. A família do Andebol é tão grande que todos, à sua maneira, marcaram um pouco. Entre eles, destaco o meu primeiro treinador, José Bento (JUVE LIS), o treinador que me acompanhou na União de Leiria, Ricardo Simões, o meu último treinador, Pedro Valente (ACS), o presidente do ACS, João Marques e a atual treinadora que me ajuda a treinar a equipa, Natália Pérez. Qual o conselho que quer deixar aqui, a todos que queiram ingressar no Andebol 4 All e não saibam como fazê-lo? Basta entrarem em contacto com a Associação de Andebol da vossa área de residência, onde encontrarão todas as informações necessárias de como deverão proceder. Agradecemos a sua amabilidade para esta entrevista. Foi uma honra para a revista. Quer deixar alguma mensagem aos nossos leitores? Eu lancei uma campanha a nível individual para adquirir uma cadeira de rodas para poder progredir melhor na modalidade. Necessito de 3.750 euros para conseguir adquirir a cadeira de rodas e neste momento já tenho 540 euros mas ainda falta uma grande parte do valor. Deixo aqui o grupo onde que no Facebook: https://www.facebook.com/ groups/ApoiaJoaoJeronimo/ Toda a ajuda que puderem dar é importante. Obrigado pela entrevista e pela oportunidade. APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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NOTÍCIAS

AGENDA Maia cidade europeia do desporto - 2014

O andebol estará presente na cidade Maiata através de diversas provas, que são: •Taça de Portugal masculina e feminina, a 12 e 13 de abril; •Encontro Nacional de Minis masculinos e femininos a decorrer nos dias 3 a 6 de julho; •1º Torneio Internacional Master’s a decorrer nos dias 20 a 22 Junho •Supertaça de Andebol masculina e feminina, data a definir.

Maia Handball Cup 2014

Sensivelmente a 4 meses do início do MHC14 já se tinham inscrito 70 equipas, facto inédito e que supera todas as expectativas. Além das equipas portuguesas estão confirmadas equipas brasileiras, francesas e espanholas.

GARCICUP 2014

A edição do Garcicup 2014 conta com 160 equipas. O torneio que decorrerá no município de Estarreja, para além das equipas que virão de Norte a Sul do País, conta com equipas oriundas dos arquipélagos da Madeira e Açores e do país vizinho. A seleção Nacional Feminina sub 19 marcará presença no Garcicup 2014, para preparação do Mundial da categoria. O Andebol de Praia e o Andebol Adaptado englobarão ainda o programa de jogos do torneio.

ANDEBOL MASTER’S

Com a organização do Masters Andebol do Porto e apoio da Câmara Municipal da Maia realizar-se-á nos próximos dias 20, 21 e 22 de Junho o I Torneio internacional master’s Cidade da Maia com os jogos a disputaremse no pav. municipal da Maia, e está inserido nas jornadas da Maia Cidade Europeia do Desporto 2014. Luís Camarinha, um dos responsáveis máximos pela prova referiu: “O conceito do Andebol em familia agrada-me essencialmente porque o Andebol é uma familia. É com este tema que vamos realizar este torneio. Vamos, pelo Andebol, recordar os nossos momentos de glória; vamos devolver aos amantes do Andebol o que foi a nossa modalidade; iremos jogar com a missão de passagem de testemunho aos mais novos. “

SELEÇÃO DE SUB 20 FEMININA (JUNIORES)

CAMPEONATO DO MUNDO 2014. CROÁCIA, 28 DE JUNHO A 13 DE JULHO

Portugal garantiu a presença no Mundial da Croácia deste ano, em grupo de apuramento disputado, no passado mês de Abril na Suíça. O sorteio, realizado, em Koprivnica, na Croácia, colocou Portugal no Grupo C. O primeiro jogo de Portugal, será com a França que tinha sido a outra selecção a apurar-se no Grupo de Portugal disputado na Suíça. Após defrontar as gaulesas, Portugal jogará nesta fase com Suécia, Hungria, Japão e o último adversário será o Congo. Falámos com Sandra Santiago, uma das promessas do andebol feminino português, que tem marcado presença nas seleções juniores e sénior. APAOMA Sandra, ultimamente, és presença assídua na seleção A, embora muito tens contribuído também para que esta seleção sub 20, que esteve recentemente na Suíça, tenha presença assídua nas fases finais de grandes competições. Como te sentes nesta seleção que irá estar pela 4ª vez numa fase final de uma grande competição? Embora seja uma presença recente na seleção sub 20, sinto um grande orgulho por esta equipa (que me integrou muito bem) ter conseguido alcançar a presença nesta 4ª fase final. Esta equipa sub 20 é uma equipa muito forte e tem capacidades para chegar longe no Mundial, tal como a seleção sub18, que tem grandes possibilidades de ficar bem classificada, já que está apurada para a fase final do Campeonato do Mundo a disputar na Polónia em Agosto deste ano. APAOMA Quais as tuas expetativas e objetivos para esta época, visto que estás em

diversas competições (juniores, seniores e Mundial sub 20 e Mundial sub 18)? Em relação a esta época e ao campeonato de juniores acho que temos grandes hipóteses de marcar presença na fase final. O campeonato de seniores foi uma surpresa para mim, estou contente por este fim-desemana termos garantido a presença nas meias-finais (onde jogaremos com o Madeira SAD), o que foi muito bom. Penso que temos uma equipa muito boa e que estará sempre unida e a lutar pelo melhor lugar possível. Em relação à seleção sub20, como já disse anteriormente, acho que tem bastante potencial e acho que estará pronta para se debater com as equipas que calharam no nosso grupo do Mundial e fazer uma boa figura!

ANDEBOL DE PRAIA EM OLIVEIRA DO BAIRRO

Inserido no evento Bairrada XCR 14 e numa iniciativa do Clube Escola de Formação da Bairrada irá realizar-se, no próximo dia 21 de junho, um torneio de andebol de praia para escalão de rookie’s masculinos e femininos (equipas convidadas). Organização a cargo da ADAMA, Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Junta de Freguesia de Oiã, Medicertima e Slowdown. Os jogos realizam-se entre as 10:30 e as 18:00 disputando-se também um encontro de exibição no escalão Master’s

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APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

ARBITRAGEM

DUPLA FEMININA PORTUGUESA NA EHF Marta Doutel Sá e Vânia Doutel Sá são a primeira dupla feminina, na história do andebol português, a pertencer aos quadros da EHF. A dupla da Associação de Andebol de Aveiro obteve as insígnias europeias, em Talissa, na Grécia levando a que Portugal passe a ter, desde Março, 5 duplas internacionais.


PO 20 - TACA PORTUGAL SENIORES MASCULINOS

VENCEDOR SPORTING CP

Sporting CP 34 - 29 ABC U. Minho

PO 23 - TACA PORTUGAL SENIORES FEMININOS

VENCEDOR MADEIRA ANDEBOL SAD

Madeira Andebol SAD 29 - 26 Alavarium Love Tiles

BRUNO MOREIRA (SPORTING CP) APAOMA Este ano tem tido momentos positivos para o Andebol do Sporting CP e um desses momentos foi a vitória na Taça de Portugal. O que significou para ti e para a tua equipa esta conquista? A conquista da taça de Portugal foi muito importante porque éramos os favoritos para a conquista do troféu visto que o tínhamos conquistado nos dois anos anteriores. Conseguimos eliminar todas as equipas que tinham aspirações nesta competição algo que foi difícil mas que valoriza ainda mais a nossa vitória. Para mim foi um dos objetivos cumpridos e claro que fiquei muito feliz. APAOMA Quais são os objetivos do Sporting para o resto da temporada e quem são na tua opinião, os principais candidatos ao título? Os objetivos do Sporting passam sempre pela conquista de todas as competições em que se insere e felizmente ganhámos as duas delas esta temporada. Queremos ser campeões nacionais e pela época que estamos a fazer é algo que só depende de nós mas temos que ter em conta que o FC Porto, SL Benfica e o ABC de Braga são sempre candidatos e têm as mesmas ambições que nós. Vai ser uma luta até ao fim mas penso que o jogo com o FC Porto no dragão é essencial para a conquista do título.

HUGO ROCHA (ABC MINHO) APAOMA Após um início de fase final muito positivo, não foi possível ao ABC UMinho vencer a taça de Portugal. O que faltou para que tal fosse possível? Para mim, a imagem que ficou deste jogo foi a de que uma das equipas está um pouco mais habituada a jogar finais e partidas internacionais, mas tamanha juventude e qualidade permitiu que o ABC se batesse como se tem vindo a bater em todo o campeonato. APAOMA Quais são os objetivos do ABC UMinho para o resto da temporada e quem são, na tua opinião, os principais candidatos ao título? Em relação à pergunta sobre as nossas aspirações para o resto do campeonato, o facto de termos perdido por um em casa do Benfica e de termos ficado com a sensação de que podíamos ter ganho como já fizemos em casa do atual campeão nacional, deixa-nos a pensar que poderemos discutir o título se continuarmos a ter o mesmo rendimento. Sendo certo que, no início do ano, as nossas aspirações eram terminar nos 4 primeiros, esse é o nosso grande objetivo. Enquanto nos for matematicamente possível lutar por lugares melhores, mostraremos sempre essa ambição. Essa sempre foi a mentalidade das equipas do ABC. Quanto ao título, com a atual classificação e calendário por cumprir, acho que podemos estar na luta pelo título juntamente com o Porto e Sporting.

FILIPA FONTES (ALAVARIUM AC) APAOMA Devido a vários fatores, que impediram a equipa de estar a 100% e o facto de não terem ainda ganho ao CJB esta época, muitos adeptos não acreditavam na presença do Alavarium na final da Taça de Portugal. Qual foi o segredo para atingirem essa final e o que faltou para a vencerem? De facto, esta época acabámos por ter muitas lesões que nos impediram de estar na máxima força na final four. Apesar disso, este ano empatamos um e perdemos outro, por um golo contra o Colégio João de Barros, uma diferença nada significativa quando falamos da nossa modalidade. O conjunto deu uma resposta aproveitando o facto de as nossas atletas juniores estarem a trabalhar na seleção, o que acaba por dar outro ritmo de jogo e alguma confiança às mesmas e à equipa. É uma equipa que participa pela primeira vez numa final four com o fator motivação em alta, e que por outro lado, tem pouca maturidade neste tipo de competições. Precisamos de mais jogos a este nível para crescermos como equipa e como jogadoras, sendo isso o ponto-chave neste in(sucesso). APAOMA Quais os objetivos do Alavarium para o resto da temporada e quem são na tua opinião os principais candidatos ao título? Com todas as adversidades que já referi, os nossos objetivos passam por ir o mais longe possível nos Play-off, sendo a revalidação do título a meta que todas nós desejamos. Principais candidatos ao título: nós, Madeira SAD e Colégio João de Barros.

CLÁUDIA AGUIAR (MADEIRA ANDEBOL SAD) APAOMA O Madeira Andebol SAD, após terminar a fase regular em 1º lugar, acabou de vencer a Taça de Portugal. 16 anos de vida tem o Madeira SAD, 16 Taças de Portugal conquistadas. Que significado tem para ti esta vitória na Taça de Portugal? Esta vitória teve um significado especial por todas as dificuldades que estamos a passar, sendo por isso a que mais “gozo” deu conquistar. APAOMA Quem é para ti o principal ou principais candidatos ao título esta temporada? Na minha opinião e tendo em conta que este ano, o campeonato tem sido o mais competitivo de todos os tempos, penso que nós, Alavarium e o Colégio João de Barros são os principais candidatos a vencer o campeonato esta época. APAOMA ABR-MAI-JUN 2014

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APAOMA revista nº 2  
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