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N.O 4 | OUT 14 / JAN 15 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

PAULO JORGE PEREIRA

O “mais internacional” dos treinadores portugueses abre o jogo e fala-nos abertamente da sua carreira desportiva

RUI MACHADO E BRUNO PEREIRA ARBITRAGEM À MODA AÇORIANA

Página 6

GERAÇÕES TRIPLA AVEIRENSE

Página 40

UMFIM DE SEMANA COM.... CLAUDIA CORREIA E DIANA ROQUE NA ROMÉNIA

Página 34

SANÇÃO PROGRESSIVA EM DESTAQUE Página 30

TECNOLOGIA NO ANDEBOL Página 28


NESTA EDIÇÃO A UMA SÓ VOZ

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EM FOCO

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ENTREVISTA

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Eurico Nicolau ,Vice-Presidente administrativo

Rui Machado e Bruno Pereira falam sobre o que ainda os motiva a serem árbitros

OPINIÃO

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DESTAQUE

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Joana Soares fala-nos sobre o aquecimento para um jogo António Marreiros, presidente do CA faz balanço a 2 anos de mandato

OPINIÃO

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OPINIÃO

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OPINIÃO

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Filipa Rodrigues fala-nos sobre Ser Pai no Desporto Daniel Martins, o fator psicológico no tratamento de lesões

José António Silva fala-nossobre a preparação do árbitro

CAPA

Paulo Jorge Pereira, o treinador português com mais títulos internacionais

OPINIÃO

Fernando Sousa fala-nos sobre análise de desempenho em video

OPINIÃO

Carlos Capela fala-nos sobre a sanção progressiva

CLUBES COM HISTÓRIA

Centro Desportivo São Bernardo

UM FIM-DE-SEMANA COM...

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OPINIÃO

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GERAÇÕES

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FRENTE-A-FRENTE

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NÓS LÁ FORA

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DESTAQUE

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ANDEBOL PRAIA

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APAOMA NORTE

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NOTÍCIAS

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Cláudia Correia e Diana Roque na Roménia

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DIREÇÃO Presidente António Trinca (CIPA 68 870) Vice-Presidente administrativo Eurico NIcolau (CIPA 108 725) Vice-Presidente financeiro Ivan Caçador (CIPA 111 803) Tesoureiro Tiago Monteiro (CIPA 107 780)

Jorge Manuel Fernandes fala-nos sobre mini andebol Em Aveiro, Ana Seabra, Rita Neves e Carolina Monteiro num “conflito” de gerações

António Marreiros, 2 anos de Mandato

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

Escola de guarda redes Temo Ferreira

Cláudia Aguiar vs Francisca Marques e Pedro Portela vs Luís Nunes Neste número, a voz é dos Delegados EHF Mário Bernardes, o senhorandebol depraia O espetáculo da variante de praia do nosso andebol

Francisco Leite fala-nos sobre o primeiro núcleo da APAOMA

Arbitragem Portuguesa “em alta” lá fora

NOTA: A Revista APAOMA nº. 4 saiu com um atraso não previsto devido a questões técnicas. A todos em geral e aos entrevistados em particular apresentamos o nosso pedido de desculpas.

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

CONSELHO FISCAL E DISCIPLINAR

Edição APAOMA

Presidente António Costa e Silva (CIPA 45 279)

1º Secretário Alberto Alves (CIPA 93 789)

Propriedade APAOMA Website: http://www.apaoma.pt e.mail: apaoma@gmail.com

1º Secretário Tiago Correia (CIPA 148 053)

2º Secretário António Brousse (CIPA 114 168)

2º Secretário Érica Krithinas (CIPA 96 090)

- Esta edição da revista APAOMA foi escrita segundo o novo acordo ortográfico. - A revista APAOMA é uma publicação trimestral dirigida e wtam a opinião da associação.

“A APAOMA é uma marca registada da APAOMA- Associação portuguesa de árbitros e oficiais de mesa”

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A UMA SÓ VOZ

N EURICO NICOLAU Vice-Presidente administrativo

FAP, CA E APAOMA “CAMINHAM” A UMA SÓ VOZ

Nesta edição viajamos com os nossos delegados EHF para perceber um pouco mais da carreira quando o apito fica mais calmo.

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um ano em que a direção da APAOMA pretende finalizar alguns projetos que fizeram parte dos seus objetivos desde a sua tomada de posse, em que orgulhosamente me incluo, esta revista iniciada há cerca de um ano continua a manter a qualidade e a espectativa, sendo já uma referência para árbitros, atletas, treinadores e dirigentes, tornando-se desde a primeira edição a revista de todos nós. A excelente relação entre a direção da FAP, o Concelho de Arbitragem (CA) e a direção da APAOMA vem demonstrar que em tempo de “troika”, o diálogo e a união torna-nos mais fortes. Temos a possibilidade de ler nesta edição os pensamentos de um dos responsáveis por esta harmonia e ligação entre todos, o Presidente do CA que vem relatar um pouco destes seus 2 anos de mandato. Como grande entrevistado desta edição temos o privilégio ler as palavras de um treinador com um respeitoso currículo, treinador esse que em muito dignifica todo Andebol Português neste momento além-fronteiras, sendo um exemplo dentro e fora de campo. Nesta edição vamos desde o pavilhão com um frente a frente entre jogadores (as), até à praia para demonstrar a vertente da nossa modalidade que muito tem evoluído tanto a nível competitivo como a nível organizacional. Vamos ter um conflito saudável de gerações no feminino e até mesmo viajar com os nossos delegados EHF para perceber um pouco mais da carreira quando o apito fica mais calmo. Uma vez mais uma edição repleta do nosso Andebol. Com um início de ano marcado pela realização da maior competição internacional da nossa modalidade, aproveito a oportunidade para exprimir o orgulho em observar uma vez mais uma dupla de arbitragem Portuguesa numa Fase Final da IHF no Campeonato do Mundo Qatar 2015. Estando a meio da época desportiva, com muita dedicação ao andebol nestes meses partilhada por todos os agentes desportivos, deixo uma especial nota de agradecimento a todos os árbitros, oficiais de mesa, delegados e observadores pelo trabalho incansável até este momento. Vamos a meio caminho do nosso objetivo e muito trabalho temos pela frente, para fazer amanhã… sempre melhor que ontem, dando ao andebol o que sempre demos, tudo o que está ao nosso alcance para melhorar o Andebol. Obrigado, contamos com todos!!!


EM FOCO

Escola de guarda redes da associação de Atlética de Águas Santas

T

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

TELMO FERREIRA: O CONCRETIZAR DE UM SONHO

Fase de um treino na escola de guarda-redes

elmo Filipe Torres Leão Alves Ferreira, guardaredes de Andebol, desde muito cedo, quando iniciou a sua carreira profissional, sempre ambicionou trabalhar com guardaredes, dai ter pensado criar uma escola de guarda-redes de andebol. Contudo foi através do Professor Paulo Faria, treinador da equipa sénior da Associação Atlética de Águas Santas, conjuntamente com o clube onde joga atualmente, que decidiu criar a Escola de GuardaRedes de Andebol AAAS - Telmo Ferreira, tendo realizado o seu sonho.

e femininos, em todas as idades e apesar da sua curta história, foi criada em Janeiro de 2014, contando com cerca 30 atletas, em que alguns são atletas do clube e os restantes de outros clubes.

A Escola é o mais recente projeto de formação de guarda-redes de andebol em Portugal, masculinos

Objetivos da Escola Formação desportiva: ao disponibilizar aos atletas todas as

O modelo de gestão da Escola é bem revelador do empenho e importância que a Associação Atlética de Águas Santas e o Telmo Ferreira atribuem ao mesmo, já que existe uma estrutura coordenadora interna a operar diariamente para o apoio aos atletas, tal como o nosso sponsor, Andebol7 - loja da Maia, marca de referência no panorama nacional andebolístico.

condições ideais para o treino, é o veículo para a promoção da prática desportiva junto dos jovens, assentando num modelo que mobilizará o entusiasmo de qualquer jovem, permitindo uma aproximação descontraída á competição, uma ocupação saudável dos tempos livres e o ensinamento de regras básicas de andebol, entre outras. Descoberta de talentos: a Escola assume-se como montra ideal para qualquer jovem que sonha com o estrelato no mundo do Andebol, uma vez que, pretendemos recrutar jovens talentos para mais tarde representarem os seus clubes, de referir que hoje em dia já ascendem a quase duas dezenas de atletas recrutados.  APAOMA OUT 14 / JAN 15

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ENTREVISTA

Rui Machado ( Associação de Andebol da Ilha do Faial ) e Bruno Pereira (Associação de Andebol da Ilha de Santa Maria)

DOS AÇORES, COM PAIXÃO

Para eles a insularidade não é problema. O gosto pelo Andebol e a ambição de estarem nos palcos fazem com que Rui Machado e Bruno Pereira não deixem a Arbitragem. Foi este facto que nos levou até às ilhas Açorianas.

A

ntes da arbitragem qual a ligação que tinham com o andebol?? RUI MACHADO (RM) Como atleta. BRUNO PEREIRA (BP) A ligação ao Andebol começou como jogador.

Como surgiu a arbitragem na tua carreira no andebol? Quais as influências que tiveste? RM Sempre tive uma paixão enorme pelo andebol… A arbitragem seria a forma de ter um conhecimento mais completo da modalidade. Ser árbitro era algo que me fascinava e que eu gostava de experimentar. BP A arbitragem surgiu quando deixei de jogar no escalão sénior. A maior influencia na altura foi através do então meu treinador Ezequiel Araújo, começando por arbitrar os escalões de formação e mais tarde o Torneio Ilha do Sol com visibilidade nacional. O que é para a vossa dupla um bom árbitro? Para ter sucesso na arbitragem que características devem possuir os jovens árbitros? RM Um bom árbitro é aquele que se dedica por inteiro à “causa” sem segundos interesses. Os árbitros para singrarem, na minha opinião devem conhecer a responsabilidade de ser árbitro, todas as dificuldades e privações que serão impostas. Tem gostar de ser árbitro e obrigatoriamente devem preparar-se de forma a dispor de um conhecimento total das regras e regulamentos que orientam a sua atividade. BP Um bom Arbitro (dupla) é aquele que assegura o decorrer jogo de acordo com as regras interferindo

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o menos possível, evitando tornar-se o foco de atenção. Os jovens árbitros devem ter como principais características grande prazer e motivação, integridade, capacidade de decisão e julgamento, comunicação e equilíbrio. Como surgiu a oportunidade de formarem dupla e desde quando são dupla? EM CONJUNTO A oportunidade surgiu quando o Rui deixou de fazer dupla com o Rui Morais e o Bruno na altura já era árbitro nacional embora não tivesse dupla. Estamos juntos aproximadamente desde 2004/2005 tendo o Bruno feito duas interrupções, uma devido à sua situação profissional e outra por motivos saúde (operação ao joelho). Quais os vossos objetivos na Arbitragem? RM Ascender à categoria mais alta do panorama nacional BP Continuar o nosso percurso tentado ir o mais longe possível sabendo que a insularidade e um grande obstáculo. Analisam os jogos que arbitram? Se sim, como costumam fazê-lo? RM Em vídeo raramente. Trocamos sim opiniões e analisamos todos os jogos que realizamos, conversando sobre todas as incidências dos mesmos. BP Sim, normalmente após a realização dos mesmos, como vivemos em ilhas diferentes o tempo entre viagens e jogos não é o melhor contudo hoje em dia os vídeos e as transmissões televisivas dão uma grande ajuda e maior visibilidade a modalidade.


A ARBITRAGEM ESTÁ NO CAMINHO CERTO, EXISTE UMA TRANSPARÊNCIA BEM EVIDENTE NOS DOMÍNIOS DA ARBITRAGEM, PRINCIPALMENTE NAQUELES QUE OS REGULAM E REGULAMENTAM COISA QUE A MEU VER NUNCA EXISTIU

BRUNO PEREIRA

FOTOS CARINA AVEIRO SERRA

RUI MACHADO

SER O MAIS ESCLARECIDO POSSÍVEL E TER COMO BASE UMA ATITUDE PEDAGÓGICA DENTRO DOS POSSÍVEIS EVITANDO ASSIM QUE OS ATLETAS NÃO SE DEIXEM INFLUENCIAR COM O QUE DE MAU VEM DA BANCADA

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ENTREVISTA

Arbitrar um jogo implica tomadas de decisão instantâneas, ou seja, ocorre um lance e o ajuizamento desse lance tem de ser instantâneo. Alguma vez sentiram que erraram, após ter apitado? Quando acontece o que sentem? RM Sim, é óbvio que já nos apercebemos de ter errado e quando acontece, colocamos o erro para “trás das costas” e motivamo-nos a fazer melhor e se possível não voltar a errar BP Claro que sim, é a partir do erro que se pode melhorar e garantir uma maior competênciaa na capacidade de decisão errando menos vezes. Nos escalões de formação a maioria dos assistentes são pais e familiares dos atletas, o que leva a que, alguns desses espectadores tenham para com os árbitros atitudes menos corretas. Como lidam com essas situações? RM Sentimos que existe uma “emoção” mais afetiva por parte desses “assistentes”, mas não ligamos nem valorizamos fatores exteriores ao próprio jogo. BP Regra geral tentar ser o mais esclarecido possível e ter como base uma atitude pedagógica dentro dos possíveis evitando assim que os atletas não se deixem influenciar com o que de mau vem da bancada, pois estamos a falar de formação onde se começa a criar as bases para um grande homem/mulher e atleta. Qual foi o jogo mais difícil, até à data de hoje, que arbitraram? Porquê? RM PO02 “Académico de Leiria vs Lagoa AC”. Foi um jogo “malicioso” em que ambas as equipas não quiseram colaborar, onde existiam alguns ajustes de contas a fazer de jogos anteriores. BP Foi um jogo entre duas equipas que na altura estavam na chamada divisão de elite. Todos os jogos são diferentes e tem o seu carácter de competitividade contudo este jogo em particular foi difícil e complicado porque as equipas já traziam águas passadas do jogo da primeira volta. Enfim… E o qual foi o que mais gostaram de arbitrar? Porquê? RM Para mim pessoalmente e não fazia dupla na altura com o Bruno, foi um da extinta LPA, “ABC Braga vs FC Porto”, na altura 1º e 2º classificado, com transmissão “Sport TV”. Dada a importância do jogo, a visibilidade que o mesmo tem no panorama andebolístico Nacional, o reconhecimento pela competência que tínhamos por apitar um jogo deste nível, são para mim as principias razões. BP Tenho vários, curiosamente grandes jogos em escalões de formação inclusive uma final de Juvenis masculinos, e claramente os jogos da 1ª divisão.

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O melhor momento na vossa carreira foi… RM Todos os momentos tem sido maravilhosos… O andebol deu-me muito daquilo que eu hoje sou… E estar envolvido nesta modalidade é sem dúvida do “melhor” que existe BP Poder estar arbitrar o escalão maior do Andebol nacional. O que pensam do atual momento da arbitragem portuguesa? RM Atualmente julgo que a arbitragem está no caminho certo, considero que existe uma transparência bem evidente em todos os domínios da arbitragem, principalmente naqueles que os regulam e regulamentam coisa que a meu ver nunca existiu. Decerto que existirão sempre coisas a melhorar mas isso também é normal. BP Claramente um Conselho de Arbitragem mais rigoroso em todos os aspetos a que nós árbitros nos diz respeito (Formação, Rigor, Qualidade, Quantidade), muito mais transparente a nível de testes, notas e observações. O reaparecimento da APAOMA de forma mais visível com outros meios de orientação e reivindicação tem sido fundamental para a classe. Contudo nós dupla (Rui, Bruno) continuamos a sentir na pele a insularidade ficando em clara desigualdade na função de poder realizar um maior número de jogos, tendo em vista melhorar cada vez mais os nossos objetivos. A vossa referência na arbitragem a nível nacional? E a nível Internacional? RM É com orgulho que vejo o aparecimento de duplas novas com grande valor a nível internacional é sempre um orgulho quando reconhecem uma “dupla” Portuguesa e a colocam nos grandes palcos do andebol Europeu e Mundial. BP A nível nacional, como formador o Sr. Joaquim Mateus, foi ele que me deu o meu primeiro curso e sem dúvida alguma a minha dupla, o meu amigo Rui Machado, que me passou toda a sua experiência e o conceito do jogo andebol, sendo que hoje em dia é um privilégio e um orgulho estar a arbitrar com um dos árbitros mais capazes e antigos da modalidade. Depois, as grandes orientações e o passar de experiências que Barata Aires, Dario, Marreiros, Gil, Goulão, Macau entre outros, que levaram a arbitragem ao mais alto nível, me deram. Hoje em dia, claramente que, as nossas duplas internacionais são o exemplo a seguir pois estão presentes nas melhores competições.


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OPINIÃO

JOANA SOARES

Licenciada em Ciências do Desporto – FADEUP

AQUECIMENTO PARA O JOGO Quando realizar o aquecimento antes do jogo o árbitro deve ter a plena consciência que este terá uma durabilidade suficiente para evitar lesões…

A

actividade do árbitro é desenvolvida num local privilegiado à exteriorização de tensões, paixões e frustrações, grande parte das vezes de forma incontrolável. A sua condição humana é desvalorizada, é-lhe sempre exigido o óptimo e crucificado o erro até à exaustão. Ao árbitro pede-se/exige-se que não se deixe influenciar pelo meio que o rodeia mesmo quando a avaliação do seu desempenho é feita com base nas emoções descontextualizadas da própria competição. A prestação do árbitro em campo é influenciada por factores físicos e psicológicos que são preparados e trabalhados ao longo de toda uma época e que obedecem a um processo de treino, ou que deveriam obedecer atendendo à realidade do desporto nacional, semelhante ao dos próprios atletas. De salientar que uma má preparação física por parte do árbitro pode comprometer o jogo pois se este não conseguir acompanhar as jogadas, as decisões tomadas podem ser feitas de um ângulo menos favorável ao correto julgamento da situação em causa e comprometer directamente todo o trabalho de uma equipa e quiçá da época. Aliada à condição física do árbitro, nunca nos podemos esquecer da importância que a parte psicológica assume nas suas funções, especialmente quando pensamos nas condições externas em que a sua actividade é exercida. Não sendo objectivo deste artigo falar sobre o perfil ideal do árbitro de Andebol, a verdade é que não podemos deixar de referir que nem todos apresentam os requisitos psicológicos necessários para o ser e se mesmo assim se insiste, mais tarde, verifica-se que os níveis motivacionais nunca irão estar a um nível óptimo para obter prestações satisfatórias. Sendo assim, o árbitro terá à partida que reunir uma boa condição física a uma boa condição moral e uma boa condição psicológica. A grande prova são as atuais alterações as regras que possibilitam um jogo mais rápido, mais dinâmico e menos violento mas também exige mais da condição física dos árbitros pois a estes, é requerido

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que acompanhem o jogo com poucos momentos de descanso, que não podem ser substituídos no decorrer do jogo ao contrário dos jogadores, e se não prestarem atenção à sua preparação física e psicológica dificilmente vão conseguir desempenhar a sua função ao nível da excelência que é requerido. Em todo o processo de preparação física e psicológica, que deve decorrer ao longo de toda a época desportiva, o aquecimento antes dos jogos faz parte integrante do mesmo e assume um papel de relevo quando pensamos friamente na realidade vivida pelo desporto nacional. Se fizermos uma rápida consulta a qualquer manual de arbitragem, todos eles referem que as duplas de arbitragem devem treinar juntas durante a época desportiva para delinear estratégias, desenvolver espirito de equipa, cumplicidade entre outros, mas a realidade demonstra que são poucas com possibilidade de o fazer por isso o aquecimento antes do início do jogo serve também para colmatar esta lacuna. Mas nem sempre árbitro tem oportunidade de realizar um aquecimento, que sabemos ser tão importante para o seu bem-estar físico e psicológico. É de conhecimento geral que, por um conjunto de factores que não nos compete aqui analisar, um grande número de duplas de arbitragem não realiza apenas um jogo num dia mas dois e às vezes três, pondo em causa o seu bem estar físico e psicológico tal como refere o Manual do Árbitro (http://www.fnkp.pt/uploads/document/file/108/ Manual_do_Arbitro_-_IDP.pdf) pois, entre outros factores não menos importantes, não consegue realizar um aquecimento antes de cada jogo já que o tempo que demora a deslocar-se de pavilhão para pavilhão não o permite. Quando realizar o aquecimento antes do jogo o árbitro deve ter a plena consciência que este terá uma durabilidade suficiente para evitar lesões e preparar o seu organismo para o esforço físico que vai realizar, activando principalmente o sistema cardiovascular, respiratório e locomotor e favorecendo também a preparação psicológica para o esforço, o foco atencional, a concentração e o espirito de equipa. Deve ser realizado de forma suave e progressiva e


integrar três tipos de exercícios, os de carácter geral, flexibilidade e os específicos aos árbitros de Andebol. A reter que este e qualquer aquecimento não pode provocar fadiga. A proposta a seguir apresentada foi baseada na apresentada pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol para a Época Desportiva de 2012/2013 (http://ncafb.com/cat/fut11/ FPF-Aquecimento%20Especifico%20para%20o%20 Jogo.pdf) e nos aquecimentos por mim realizados na disciplina de Educação Física.

Local

(3 lado direito/3 lado esquerdo) •U  tilizando o intervalo de espaço assinalado na figura(A-B-A) realizar • 2x corrida em aceleração •2  x corrida em frente até metade do percurso ½ volta aceleração em frente •2  x corrida em frente em aceleração, corrida de costas até ¼ do percurso, ½ volta corrida em frente •2  x corrida lateral até metade do percurso ¼ de volta corrida em frente

Ao longo linha lateral

EXERCÍCIOS DE CARACTER ESPECÍFICO Flexibilidade

Início

Duração 7`

35 minutos antes da hora de início do jogo

Duração 20 a 25 minutos

EXERCÍCIOS DE CARACTER GERAL (adaptado de http://efvilarandorinho.blogspot.pt/2008/04/ campo-de-andebol.html)

Duração 10` • 4`corrida continua baixa intensidade •5  `-8`corrida lenta coordenada com exercícios de mobilização articular: • Rotação simultânea MS (braços) frente/retaguarda • Rotação alternada MS frente/retaguarda •M  ovimento dos MS à frente e retaguarda paralelo ao solo • Skipping Baixo/Médio • Skipping Nadegueiro •G  alope lateral

•P  és – movimento de rotação imprimindo uma ligeira pressão na articulação •T  endão de Aquiles – pés à largura dos ombros, puxar a perna direita atrás e flexionar ligeiramente os joelhos. Ficar 10 segundos na posição e trocar de perna. •G  émeos – Na mesma posição esticar o joelho da perna que está recuada. Ficar 10 segundos na posição e trocar de perna. •P  osteriores da coxa – Na mesma posição mas com ambas as pernas esticadas tentar chegar com a testa ao joelho da perna que está mais avançada. Ficar 10 segundos na mesma posição e trocar de perna. •A  dutores – Em posição frontal afastar as pernas (posição de lutador de sumo) e prender os joelhos com os cotovelos (as mãos devem estar no chão), Empurrar o rabo em direcção ao solo. Ficar na posição durante 10 segundos. •P  soas ilíaco – Deitado no solo ou encostado a uma parede. Dobrar a perna direita até o calcanhar ficar ao lado do rabo e este encostado à parede ou solo. O peito do pé deve ficar em contacto com a parede/solo. Ficar na posição durante 10 segundos e trocar de perna.

EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS DA MODALIDADE Duração 3` •D  eslocamentos específicos nas principais zonas de intervenção do jogo. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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EM DESTAQUE

António Marreiros - Presidente do Conselho de Arbitragem da FAP

CONSELHO DE ARBITRAGEM: 2 ANOS DE MANDATO Um dos principais objetivos do CA: manter o cenário internacional de 5 duplas e 5 delegados e com maior protagonismo para Portugal

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Que balanço faz o Conselho de Arbitragem relativamente ao desempenho das equipas de arbitragem nos principais campeonatos como são a PO 01 e a PO 09? Fazemos um balanço bastante positivo. Temos conseguido ultrapassar todas as dificuldades. Na verdade as arbitragens não têm sido alvo de críticas de maior nestas provas, e isso deve-se ao trabalho conjunto que temos liderado e que toca a formação das duplas, o alinhamento dos observadores e o estrito cumprimento dos regulamentos. Quando assim é, sobra pouca margem para críticas.

nada de importante em causa. Penso que vivemos um bom momento no campo das nomeações. Colocamos os níveis de arbitragem por provas que podem dirigir e temos sido muito exigentes nesse aspeto. Cumprir com o que defendemos e divulgamos é metade da credibilidade, a restante resulta do trabalho do dia-a-dia. Outro dos fatores que ninguém ousa colocar em causa é o rigor que colocámos nos Cursos de início de época, ou seja, quem não cumprir não arbitra e mesmo aqueles que muito mais tarde podem vir a arbitrar sabem que apenas o podem fazer em jogos mais fáceis e provas menos competitivas. Os nossos clubes têm valorizado imenso este sacrifício, pois não temos muitos árbitros e por vezes não é fácil implementar estas estratégias.

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As nomeações dos árbitros sempre foram um fator de contestação por parte dos clubes. Qual o feedback que já recebeu durante o seu mandato de época para época, isto é, nota que tem vindo a melhorar e a recuperar o prestígio que já teve a arbitragem durante o seu mandato? Não consigo ver um link direto entre nomeações e prestigio da arbitragem. Há um critério que por vezes fala muito alto, que é o economicista, e que tentamos que não coloque

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Balanço positivo nos primeiros dois anos de mandato no Conselho de arbitragem

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Falando mais concretamente desta época e da principal competição da nossa modalidade, qual o feedback que tem recebido dos clubes relativamente às duplas do nível 4? Excelente feedback, temos que limar algumas arestas, que diria a este nível já não são arestas muito vivas mas que poderão ajudar a melhorar pormenores.


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Durante o seu mandato C.A. procedeu a algumas remodelações ao nível da sua estrutura e também das funções. Qual foi o principal propósito destes procedimentos? Considero que as equipas devem treinar a forma mais eficaz e eficiente de alcançar os resultados a que se propuseram. Foi com esse objetivo que efetuei algumas alterações na equipa e que também patrocinei algumas entradas nas ditas “comissões de apoio” ao CA. Nunca estamos satisfeitos, mas creio que atravessamos um bom momento organizacional. Temos áreas de melhoria seguramente, e estamos sempre abertos a receber reforços.

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Quais os efeitos dessas alterações promovidas no C.A.? Acredito que os efeitos são positivos e visíveis no dia-a-dia, coordeno hoje uma equipa multidisciplinar que tem o objetivo de dar cobertura a todas as áreas de responsabilidade do Conselho de Arbitragem, desde as nomeações, formação, comunicação e imagem, ao controlo financeiro passando pelos observadores nacionais e controlo administrativo.

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O C.A. viu uma das suas duplas internacionais ser nomeada para representar Portugal no Mundial. De que forma o C.A. encarou esta nomeação? Este Conselho tem o privilégio de estar em funções desde Novembro de 2012 e ter assistido a dois mundiais de seniores masculinos. Em ambos, Portugal esteve representado por uma dupla, facto que nos enche de orgulho e coloca a arbitragem portuguesa entre as melhores dezoito do Mundo. Tudo faremos para continuar a ter duplas portuguesas em todos os palcos europeus e mundiais.

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Os árbitros portugueses podem ver esta nomeação como sendo um voto de confiança das instâncias internacionais na arbitragem portuguesa? Podem claro. Não resta a menor duvida que estamos próximos dos departamentos de arbitragem da EHF e da IHF e que isso nos dá confiança para trabalhar em parceria. Os resultados desta proximidade só podem ser vantajosos para os árbitros portugueses.

UM DESEJO, UM SONHO: COLOCAR UMA DUPLA PORTUGUESA NOS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016

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O C.A. possui cinco duplas de árbitros internacionais bem como 5 delegados. Esta é a maior representação de sempre da FAP a nível internacional. Como vê esta situação e como contribui o CA Para que este facto ocorresse? È verdade, é também um facto que nos enche de orgulho. É seguramente o resultado de um trabalho de muitos e não apenas de alguns. Ter 5 delegados e 5 duplas na EHF é um momento excecional para a arbitragem portuguesa. Não creio que possamos atribuir o sucesso desse momento a este Conselho de Arbitragem mas a todos os portugueses que gostam de andebol e que nele participam e foram abrindo portas para esta realidade. Temos que trabalhar ainda mais para mantermos estes números e para que todos possam aspirar a ter bons jogos e bons desempenhos.

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Outro facto de destaque no seu mandato foi da dupla feminina, Marta Sá e Vânia Sá, a primeira dupla portuguesa feminina EHF após várias vezes se ter pensado e até “tentado”. Pensa que com a subida a dupla EHF das gémeas Sá, abriram-se portas para que mais árbitros femininos surjam no panorama nacional? Sim, sem dúvida. Elas são um grande exemplo e que pode ser seguido por mais mulheres no Andebol. Mais uma vez tivemos a felicidade de estar em funções neste momento tão especial da arbitragem portuguesa, a concretização de um sonho antigo, uma dupla EHF feminina. Acredito que elas podem ser convocadas para um europeu feminino ainda este ano, ou em Espanha ou na Macedónia, onde terão hipóteses de mostrar todo o seu potencial e de darem mais um passo para se afirmarem APAOMA OUT 14 / JAN 15

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EM DESTAQUE

no contexto internacional da arbitragem.

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Qual o acompanhamento e formação que o CA tem para estas duplas. Queremos com isto dizer existe alguma preparação em particular para estas cinco duplas, ou prefere o CA, acompanhar todas por igual? Em termos internos são todas acompanhadas por igual. Claro que as duplas EHF e IHF gozam de um estatuto resultante da sua experiencia internacional, isto é, tentaremos que esse acompanhamento seja harmonioso com aquele que lhes é exigido no plano internacional Sempre que necessário o CA tem feito acompanhamentos especiais, dentro e fora do país, com vista a garantir que podemos potenciar o trabalho das nossas duplas.

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A exigência do campeonato da PO 01 tem sido grande. A fase do play-off ainda mais exigente será. O C.A. tem previsto algum plano especial para as nomeações quer dos árbitros quer dos Observadores/ Delegados? O CA irá usar um critério de nomeações com algum risco envolvido mas que incorpore motivação e desafio nos nomeados e garantia de um excelente desempenho por parte da entidade nomeadora. Vamos efetuar mais um curso de formação no dia 28 de fevereiro e dia 01 de Março para alinhar os melhores com os desafios que se avizinham. Convidei o chefe de árbitros da IHF, o Senhor Manfred Prause para estar presente. Este curso decorrerá em Pombal, com excelentes condições e integrado num projeto de formação desportiva local. Quanto aos observadores terão o seu papel dentro do que está

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regulamentado, 2 observações por dupla no terceiro período da época. Os Delegados terão um papel importante e em especial nos jogos do play off, pois vamos introduzir uma reunião técnica uma hora antes do jogo para garantir que tudo fica tratado a tempo.

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Falaremos agora de andebol de praia, como vê a arbitragem nesta variante do nosso andebol? Penso que a direção da FAP está a fazer um excelente trabalho no andebol de praia e nós no Conselho estamos a fazer tudo para contribuir de forma positiva para que o andebol de praia seja um sucesso. A duração temporal e a época do ano onde se concretiza têm criado algumas dificuldades a que pudéssemos encontrar uma equipa específica e exclusiva. Temos ainda muitos casos de “dupla participação”, ou seja, as pessoas do indoor são as mesmas do andebol de praia.

PENSO QUE ANTES DO FIM DO MANDATO PODEMOS TER UMA DUPLA EHF NO ANDEBOL DE PRAIA

Temos melhorado todos os anos e vamos continuar a fazê-lo. È muito importante manter esta ambição até que consigamos ter duplas de árbitros e uma estrutura no Conselho dedicada só ao andebol de praia.

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É possível ou está nos planos deste CA que o António Marreiros preside a indicação de alguma dupla para um curso internacional? Sim, temos essa vontade e até acredito que já merecíamos uma dupla EHF. Acho contudo que não podemos cometer erros e não estou seguro que esses passos se devam dar antes de arrumarmos a casa cá dentro. Penso que antes do fim do mandato podemos ter uma dupla EHF no andebol de praia.

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Em termos de futuro quais os principais desejos? Os desejos são muito objetivos: • Manter o cenário internacional de 5 duplas e 5 delegados e com maior protagonismo para Portugal. • Conseguir um patrocinador para a arbitragem, só assim podemos ter alguns eventos extras. • Que conseguíssemos em conjunto ultrapassar as imensas dificuldades financeiras e com isso pagar todos os meses o mês anterior. • Aumentar o número de duplas no quadro nacional para melhor servir o andebol. • Colocar uma dupla portuguesa nos jogos olímpicos de 2016. • Pacificar de forma sustentada a arbitragem portuguesa e permitir que tudo o que se faça possa ser auditado por externos ao Conselho. • Deixar excelentes condições de gestão e de processos a quem me suceder nos destinos da arbitragem portuguesa.


OPINIÃO

ANA FILIPA RODRIGUES

Mestre em Educação Física e Desporto

SER PAI NO DESPORTO, SOU UM EXEMPLO? Se o nutricionista é obeso, o professor primário comete erros ortográficos e os pais não são vistos como um exemplo, as crianças são as primeiras a apontar o dedo

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exemplo é contagioso. Conhecido como altamente transmissível, através do contacto visual e auditivo, de pessoa para pessoa, sobretudo as que nos são próximas e vistas como referências, pergunto se o exemplo será a forma de educar mais simples, mais prática, mais breve, mais eficaz e que assenta muitas das vezes, melhor do que um sermão. O exemplo está presente em tudo na vida. Vejamos: se o nutricionista é obeso, o professor primário comete erros ortográficos e os pais não são vistos como um modelo a seguir, as crianças são as primeiras a apontar o dedo, e sim, ensina-se que apontar o dedo é feio, mas a sua capacidade de observação denunciam-nos de forma tão espontânea e despreocupada, que nos sentimos desarmados e apenas conseguimos expressar a famosa sentença: “Olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço”. O exemplo vale mais com atitudes. Quem nunca sorriu e teve um sorriso de volta… Quem nunca se sentiu motivado por estar integrado numa equipa de sucesso… Quem nunca se sentiu com preguiça e “transmitiu-a” ao colega de trabalho…Comportamento gera comportamento e é incrível como a nossa linguagem não-verbal influencia a ação do outro, sem ser necessário, muitas das vezes, verbalizar uma palavra que seja. O que vos escrevo é um artigo de opinião, isso mesmo, um entendimento daquilo que vejo e experienciei. Não pretendo impregnar-vos de lições de moral, verdades absolutas ou “fórmulas” do que devem ou não fazer. O meu único e pragmático propósito é levantar questões (que a retórica se desvaneça ao longo da leitura), dar exemplos da minha análise como atleta e hoje treinadora, e se possível, provocar uma reflexão… Ser Pai no Desporto. Sou um exemplo? O princípio de tudo: quais são os verdadeiros motivos que levam o seu filho a querer jogar andebol? Os pais devem

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incentivar a uma prática desportiva sim, mas o seu filho gosta da modalidade que escolheu ou quer jogar cada vez melhor para o pai ter orgulho nele? Já assistiu a um treino e acompanha os jogos? Conhece o treinador, o dirigente, o presidente, o projeto do clube? Um passo importante, ser um aliado de todos os intervenientes e conhecer a realidade onde o seu filho se insere. “Pai, não há penaltis no andebol!”. Está a par das regras da modalidade? O seu conhecimento permite que se abra espaço para um diálogo. Mas uma conversação meramente no papel de pai, sem interferir, nem procurar substituir, o treinador. Deixa o seu filho cometer erros? Ou antecipa as suas escolhas de forma a não permitir que ele erre? As frustrações são necessárias. Elas existem e devem ser trabalhadas, pois fazem parte do processo formativo. “Não gosto nada de ver o meu filho a perder, fica tão triste”. Cada jogo conta uma história, cada derrota uma lição. Se o desporto consegue ensinar que a vida é feita de sucessos e insucessos e que o importante não é vencer todas as vezes, mas lutar sempre, não será este um grande ensinamento para o futuro?


FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

“Mãe, já sei apertar os cordões!”. Já elogiou uma conquista por mais simples que ela possa parecer? “Esta semana não vou aos treinos, preciso de estudar”, sendo que seguidamente se exclama “A prioridade são os estudos!”. Permitam-me o atrevimento: Não será igualmente uma prioridade, o bem-estar e a prática de um desporto que ajuda a manter o seu filho saudável? Saber organizar-se é uma grande virtude, ajude-o nessa tarefa. “Hoje não trouxe chinelos para o banho, a minha mãe esqueceu-se!”. Apenas me surge, ironicamente: “É a tua mãe que treina?”. Dar responsabilidades permite que gradualmente eles ganhem independência, autoconfiança e que pensem por si mesmos. Se por outro lado, acredita que ele deve tomar banho em casa, pergunto como pode ajudar o seu filho a adquirir hábitos de higiene e bemestar? E tão mais importante ainda, a possibilidade de partilharem o espírito do balneário? Mas esse partilhar não é com os pais, que por vezes aparecem para ajudar a despir e vestir, aquele espaço é da equipa onde bons episódios ficam guardados. Faltou ao treino e não avisou ou então, “Só cheguei um bocadinho atrasado”. Tendo perfeita consciência

da “ginástica” que muitos pais praticam em prol das atividades dos filhos, a dedicação e compromisso são um fator chave para tudo na vida e se através desporto se conseguem “treinar” estes aspetos, incentive-o. Depois do jogo, existe um longo caminho para casa. O que faz? Inventa uma terceira parte do jogo onde faz a sua análise crítica? Ou faz com que o seu filho se sinta valorizado, dá uma palmada nas costas e pergunta se se divertiu? Que tipo de pai se revela quando assiste um jogo? Já fez uma introspetiva? Ainda que possa ter a sua personalidade, uma postura positiva de alegria e apoio chegarão ao seu filho. Critica os árbitros? Ele ouve e regista. Comenta de forma depreciativa aspetos relacionados com opções dos treinadores, jogadores da própria equipa ou os pais do adversário? Ele absorve. Dá indicações do que o seu filho deve fazer em campo? Ele perde a concentração, fica nervoso e confundido porque já tem quem o faça. Aplaude algo bonito que o adversário faça? “Meu filho, tu és bem melhor que aquele teu colega de equipa”. Já partilhou uma opinião deste género com o seu filho? As comparações existem. Mas que essas surjam quando quer comparar o progresso do seu filho com as suas próprias habilidades e objetivos e não com as dos colegas. Ensine-o a ser melhor do que ele próprio e do que ele era ontem. O castigo perante o mau desempenho escolar. Tema controverso, é certo, mas que tal uma abordagem diferente: “Esforça-te e irás a todos os treinos” ao invés de “Se não te empenhares nem colocas os pés no pavilhão”. Em que perspetiva se enquadra? “Praticar andebol é uma alegria, és um sortudo” ou “Isso rouba-te muito tempo, tens de fazer escolhas.” Ter a possibilidade de praticar um desporto é um prazer, realce! Então, acredita ser um modelo de comportamento em todos os contextos desportivos? A imitação é um mecanismo de aprendizagem muito poderoso. A educação que os pais dão aos seus filhos, espelham as suas virtudes. Mesmo que muitas das vezes não consigamos ver as coisas como elas são, mas como nós somos, que os erros sejam reconhecidos e que a mentalidade esteja aberta para a mudança, porque afinal de contas, o processo de crescimento do seu filho é determinante para o futuro adulto que ele se tornará. Atuem, a tempo. Sejam os super-heróis dos vossos filhos e dêem-se como bons exemplos a seguir. O desporto precisa de vocês!  APAOMA OUT 14 / JAN 15

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OPINIÃO

DANIEL MARTINS

Psicólogo / Neuropsicólogo

ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO DO ÁRBITRO A função de um árbitro é, sem dúvida, uma atividade extremamente complexa, isto porque, envolve constantes tomada de decisões…

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prática da arbitragem, especialmente ao mais alto nível, produz influência na vida de um árbitro. Isso porquê? Porque ao mesmo tempo que sente satisfação em realizar a atividade é constantemente criticado e é lhe exigido, a difícil tarefa, de não cometer erros. A função de um árbitro é, sem dúvida, uma atividade extremamente complexa, isto porque, envolve constantes tomada de decisões que têm que ser executadas em décimos de segundos e que, por vezes, realizadas sob grande pressão tendo em conta que as suas decisões podem influenciar o decorrer e/ou o resultado do jogo. O que significa que, a principal tarefa de um árbitro é decidir. Todavia, a decisão não é uma acção específica, mas sim o resultado de um processo, ou seja, é uma interação que resulta de atividades diversas, especialmente o perceber e o interpretar. O perceber/observar está relacionado com as características biológicas, pelos

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sistemas sensoriais, ou seja, a visão e a audição; o interpretar estabelece relação com a avaliação que cada sujeito faz dos factos observados, neste caso com o conhecimento das regras. Podemos concluir que a tomada de decisão é uma escolha ou um julgamento entre muitos actos possíveis, que depende da subjectividade do árbitro, que pode ser enviesada ou enfraquecida devido a aspectos relativos às emoções. Tal como um atleta, o árbitro deve apresentar-se no jogo com a melhor preparação possível, para isso, o seu plano de treino deverá englobar quatro componentes fundamentais: •A componente física (condição física, velocidade de reacção, ,…) •A componente técnica (o conhecimento das regras, a sinalética,…) •A componente tática (posicionamento em campo,


FOTO S FACEBOOK ANDEBOL ALAVARIUM: INFANTIS / INICADAS

Atenção permanente, obrigatoriedade na função de arbitrar

movimentação em campo,…) •A componente psicológica (motivação, comunicação, autocontrole emocional, atenção/concentração, autoconfiança,…).

•Encontrar inspiração em modelos; •Recompensar a si mesmo; •Desenvolver uma rede social de suporte. COMUNICAÇÃO A comunicação pode ocorrer verbalmente (por palavras) e de modo não verbal (por acções). O árbitro deve estar ciente destes dois tipos de comunicação pois a forma como as mensagens são enviadas é determinante. Os árbitros mais “credenciados” comunicam de forma eficiente e isso ajuda na condução de um jogo. Uma forma de melhorar a comunicação é procurar comentários e reflectir sobre o seu estilo de comunicação, identificando as áreas menos desenvolvidas bem como os aspectos mais eficientes. Para melhorar estas competências poderá utilizar um livro de registos, visi onamento de jogos, a imagética.

Este artigo cinge-se, apenas, a alguns aspectos psicológicos da arbitragem. MOTIVAÇÃO Não se estar motivado é não se estar à altura do nosso potencial como árbitro, o que, provavelmente, levará a que se deixe de ser um árbitro competente! Mas estar motivado nem sempre é fácil pois um árbitro raramente recebe recompensas sociais ou proveitos financeiros justos. Existem algumas estratégias que um árbitro pode aplicar a si mesmo para se manter motivado: •Estabelecer objectivos positivos e realistas, a curto e a longo prazo, e identificar estratégias para atingir cada objetivo. 

Continua na próxima edição APAOMA OUT 14 / JAN 15

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OPINIÃO

JOSÉ ANTÓNIO SILVA

Docente Faculdade de Desporto - UP / Treinador

A PREPARAÇÃO DO ÁRBITRO PARA A COMPETIÇÃO (PARTE II) O trabalho de um árbitro exige treino, análise da competição e preparação nas mais diversas vertentes para obter um desempenho eficaz

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ando continuidade à primeira parte do artigo, nas próximas páginas serão apresentadas as minhas convicções no que diz respeito à importância que o conhecimento do jogo e do regulamento assumem para a preparação dos árbitros. Ao apresentar o conhecimento do jogo como um aspecto fundamental para a prestação do árbitro, entendo toda a informação relativa a questões do ponto de vista técnico e táctico que podem auxiliar na tomada de decisão. No que diz respeito aos aspectos técnicos, o árbitro deverá conhecer os pressupostos básicos da execução das habilidades específicas da modalidade, para que consiga antever as possibilidades que os atletas têm de cometer infrações ou realizá-las de forma correcta. A passagem dos árbitros pela condição de executantes, poderá ser útil, já que permitirá vivenciar a execução dos vários gestos técnicos, contribuindo para que alguns erros de avaliação sejam evitados. Dou como exemplo o caso de infrações assinaladas à regra dos apoios, quando existe uma execução que não está de acordo com aquilo que é considerado “normal”. Já todos nós presenciamos situações em que um atleta hesita durante a execução de um passe, realizando-o num segundo momento. Muitos árbitros são induzidos em erro já que assumem que, não correspondendo a execução ao padrão habitual, existe uma infração ao regulamento, o que nem sempre é verdadeiro. No entanto também existe a situação contrária, ou seja, uma acção técnico-táctica faltosa que por ser tão frequentemente utilizada pelos jogadores, é avaliada como correcta. Relativamente às questões tácticas, entendo que é decisivo para a prestação dos árbitros o conhecimento dos conceitos básicos do funcionamento dos diversos sistemas de jogo (ofensivos e defensivos), já que lhes permitirá focar a sua atenção nos aspectos que podem ocorrer com maior frequência ou que assumam maior importância. Apresento como exemplo a utilização de um sistema defensivo aberto por oposição a outro, em que os defensores actuem mais próximos uns dos outros. No primeiro caso é mais

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fácil avaliar a conduta para com o adversário, já que em princípio, os jogadores estão mais expostos. Como consequência, por vezes existem sanções disciplinares para esses defensores, deixando-se passar situações mais graves que ocorrem em defesas mais fechadas. Com este exemplo pretendo apenas ilustrar uma acção difícil de avaliar quando consideradas duas abordagens distintas da defesa, pelo que tendo em atenção precisamente esse facto, deve a dupla de árbitros centrar a sua atenção nos aspectos mais relevantes. Os exemplos seriam imensos e também relativos a outras fases do jogo, bem como distintas interpretações de sistemas ofensivos e defensivos. O que gostaria de relevar neste ponto é que um conhecimento,


CREIO QUE EXISTE ESPAÇO PARA QUE HAJA UM DIÁLOGO ENTRE TREINADORES E ÁRBITROS POR FORMA A MELHORAR O TRABALHO DE AMBOS

ainda que elementar destas questões, pode auxiliar o árbitro a interpretar melhor o jogo e consequentemente a tomar melhores decisões. Relativamente às questões do conhecimento do regulamento, existe um pressuposto de que é necessário partir: todos os árbitros conhecem as regras do jogo. De facto, não faz sequer sentido admitir que os elementos que compõem as equipas de arbitragem desconheçam o regulamento que têm por obrigação fazer cumprir. Esta assumpção é extensiva aos restantes agentes da modalidade: não é aceitável que jogadores, treinadores e dirigentes desconheçam as regras da modalidade. Assumido este pressuposto, pode surgir a questão: se

todos estamos de acordo relativamente a esta questão (como creio que estaremos...), o que há para discutir? A discussão tem que se centrar em torno da interpretação que é feita da letra do regulamento, bem como da definição de critérios para a sua aplicação. A aplicação das regras tem que ser vista em função do contexto em que ocorre, sem que o conceito que esteve na sua origem seja adulterado. Para que isto aconteça é imperioso que se discutam os critérios e se estabeleçam princípios de actuação claros, por forma a minimizar as situações em que distintas interpretações originem conflitos. Mesmo assumindo que as indicações provenientes da IHF, EHF e FAP, diminuem a margem de discussão, creio que existe espaço para que haja um diálogo entre treinadores e árbitros por forma a melhorar o trabalho de ambos. Um outro aspecto relevante é a necessidade de árbitros e treinadores conhecerem atempadamente novas orientações relativas à interpretação das regras. De facto, muitas vezes os diversos agentes da modalidade são confrontados com alterações na interpretação de determinadas situações apenas no decurso da competição. Apesar da informação estar por vezes disponível, nem sempre está acessível de forma fácil, pelo que há necessidade de criar mecanismos que tornem esta comunicação mais eficaz. Como é óbvio, esta informação é decisiva para o trabalho das equipas, visto que eventuais alterações na forma como determinadas regras são aplicadas, implicam alterações de comportamentos por parte de jogadores e treinadores, bem como um tempo de treino e adaptação. Tendo em vista a melhoria nos aspectos mencionados nesta parte do artigo, é necessário que os árbitros, tal como os treinadores, façam um grande investimento na sua actividade. Assim, é expectável que na sua preparação os árbitros observem muitos jogos, criando condições para percepcionar e analisar de forma mais eficaz todas as situações possíveis de ocorrer na competição. Na sua preparação o árbitro deve analisar as características de equipas e jogadores, para que possa antecipar cenários. Se assim for, perante um determinado evento será possível reconhecê-lo e, sem abdicar da análise no momento, optar por uma decisão que foi prevista anteriormente. A análise do jogo por parte dos árbitros não pode ser vista apenas do ponto de vista da aplicação das regras, mas também numa perspectiva mais abrangente que inclua contributos do ponto de vista técnico-táctico. Como se pode inferir de tudo o que foi escrito (Parte I e Parte II), vejo o trabalho do árbitro de forma muito semelhante ao de jogadores e treinadores. Exige treino, análise da competição e preparação nas mais diversas vertentes para obter um desempenho eficaz numa tarefa muito difícil.  APAOMA OUT 14 / JAN 15

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CAPA

Do ponto de vista qualitativo a arbitragem portuguesa está bem e recomenda-se. Não é por acaso que os organismos internacionais confiam cada vez mais nos árbitros portugueses para as grandes competições internacionais. 22

APAOMA OUT-NOV-DEZ 2014


Paulo Jorge Pereira

O MAIS ESPECIAL FOI O DIA EM QUE DECIDI SER TREINADOR DE ANDEBOL EM EXCLUSIVIDADE

Conhecido por muitos como “ O Mourinho do Andebol” aceitou falar sem tabus da sua carreira e do nosso andebol. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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P CAPA

aulo quais as razões que levam um treinador conceituado e vencedor em Portugal a emigrar? Em julho de 2006 não cheguei a acordo com o F.C.Porto para renovar contrato o que fez com que durante um curto período tempo exercesse a minha atividade como professor de Educação física no ensino básico e como professor da disciplina de princípios e práticas de Andebol no I.S.M.A.I. Foi um período curto porque em dezembro de 2006 surgiu o convite do Club Balonman Cangas para iniciar os trabalhos em janeiro de 2007. Aceitei de imediato mesmo sem discutir aspetos econômicos, já que era o meu sonho que estava em causa. Desvinculei-me do ministério da educação conseguindo uma licença de longa duração, ou seja, perdi o meu lugar no quadro definitivo (de que não me arrependo), tendo iniciado a minha atividade de dedicação exclusiva ao Andebol. A razão principal porque emigrei prende-se com o facto de aproveitar naquele momento oportunidade de trabalhar como treinador de andebol em exclusividade. Na sua opinião, o treinador português é pouco valorizado? Não consigo responder com clareza a essa pergunta porque não existem muitos casos que nos permitam avaliar. Sei que Portugal tem treinadores de qualidade e que trabalham seriamente, sendo provavelmente difícil competir com treinadores de países historicamente referenciados. Sei também que existem treinadores em Portugal que querem viver uma experiência profissional fora do País. Já vários me contactaram para esse efeito. Espero que gradualmente isso venha a acontecer e que cumpram os seus sonhos.

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O porquê de escolher treinar uma equipa feminina em Angola? Fui contactado pelo presidente da federação Angolana de Andebol, Pedro Godinho, em janeiro de 2009 por indicação de Manuel Camiña meu Presidente no Club Balonman Cangas onde trabalhei até agosto de 2008. Aceitei trabalhar neste projeto já que Angola se encontrava apurada para o mundial a jogar na China em dezembro 2009. Foi-me proposto também o repto de renovar a equipa nesse ano para atacar o campeonato Africano em janeiro de 2010 no Egito. Acabamos por vencer a Tunisia na final... Quais as principais diferenças que encontrou entre o nosso Andebol e o Andebol africano? No Andebol Africano o fator físico é um elemento decisivo. Existem diferenças ao nível dos detalhes técnico táticos. As condições materiais de apoio ao treino são também melhores na Europa embora gradualmente tudo se esteja a igualar. Durante o tempo que trabalhou no andebol africano, teve alguns aspetos que lhe tenham servido como aprendizagem? Que aspetos foram esses? Nessas aprendizagens que teve no andebol africano, o que mais destacaria como matéria relevante para a melhoria do seu percurso enquanto treinador? Aprendi a focar no objetivo, a desenvolver os meus níveis de resiliencia e que as dificuldades são apenas parte do processo. Consigo hoje encontrar menos desculpas que antes ao mesmo tempo que de uma forma mais eficaz me centro nos fatores que me cabe a mim controlar. De alguma forma a visão que possuía do treino alterou-se com essas aprendizagens que teve em Angola e na Tunísia? Seria muito mau se ainda hoje treinasse como quando saí de Portugal ou como trabalhava há 3 ou 4 anos. A metodologia do treino deve ser um processo dinâmico que procura dar resposta continua às exigencias do jogo e dos jogadores. Como se sentiu em manter-se um treinador campeão em países estrangeiros? Um treinador de equipas seniores profissionais trabalha sempre para ganhar títulos, não existe outra alternativa. Felizmente tenho conseguido atingir objetivos, e quando assim é, sinto-me satisfeito por mim e por todos aqueles e aquelas com quem tenho trabalhado. O seu perfil enquanto treinador identifica-se mais com que escola do Andebol? E em que aspetos particularmente? Não creio que consiga identificar-me com alguma escola. Hoje a globalização também chegou ao andebol... As


FOTOS MOKHTAR HMIMA

RAIOS X

PAULO JORGE PEREIRA

NOME Paulo Jorge Pereira DATA NASCIMENTO 21 de março de 1965 NACIONALIDADE Portuguesa CARGO Seleção da Tunisia: Selecionador / Treinador FORMAÇÃO ACADÉMICA Mestrado em Ciências do Desporto, Especialização em Treino Desportivo e Alto Rendimento, FADEUP

caracteristicas do jogo facilmente identificaveis há alguns anos em algumas seleções ou equipas são hoje mais difíceis de observar. O jogo tem uma estrutura interna a que devemos prestar atenção para construir a nossa forma de jogar, sem excluir as caracteristicas próprias da equipa que treinamos ou a competição em que vamos participar. O seu perfil enquanto treinador identifica-se com algum grande “mestre”, alguém que o tenha inspirado na arte do treino? Enquanto treinadores, somos muito fruto das nossas experiências. Tive contacto direto com treinadores de altissimo nível que me permitiram aferir competências. Acompanhei os trabalhos de Juan Carlos Pastor (Valladolid - 2005), Jordi ribera (Ademar Leon - 2009)e Xavier Pascual Fuertes (Barcelona - 2013) entre outros. Embora hoje não trabalhe da mesma forma que antes, Branislav Pokrajak foi na época para mim uma referência clara que me ajudou a melhor conhecer esta profissão. Qual o momento da sua carreira que o marcou mais? Há vários momentos, mas o mais especial foi o dia em que decidi ser treinador de Andebol em exclusividade. De que forma avalia o atual estado do Andebol português, quer a nível masculino quer a nível feminino?

Tendo em conta a conjetura economica em que vivemos atualmente, os clubes e seus intervenientes estão a fazer um esforço louvavel, permitindo manter um nível de competição interna aceitável. Mesmo nas competições Europeias temos tido participações que não envergonham, muito pelo contrário só têm dignificado o País. No caso do Andebol feminino, creio que continua a haver pouco investimento para se obterem resultados consistentes. Do conjunto de títulos que já arrecadou até ao momento, conseguiria escolher aquele que maior prazer lhe deu conquistar? Todos os títulos têm um sabor especial, mas posso destacar o campeonato Nacional ganho em 2011 em Angola ao serviço do Clube desportivo 1º de agosto e o último CAN na Argélia já com a seleção da Tunisia. Em Angola vencemos o Petro de Luanda que tinha até então 16 títulos consecutivos, sendo o primeiro título para o clube. Nesse momento tive a sensação de termos destruido o pré-estabelecido, foi muito gratificante. Na Argélia conseguimos vencer Angola na meia final e o Congo Democrático na final na presença de 14000 espectadores num ambiente incrivel em que a Tunisia voltou a vencer um campeonato africano após 38 anos e em que vivi momentos inesquecíveis repletos de emoção. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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CAPA

Após estas experiências no exterior, para quando o seu regresso ao Andebol português? Confesso que desde que saí de Portugal, nunca recebi nenhum convite para voltar. Recebi convites de clubes de diferentes países, no entanto decidi pela seleção da Tunisia em 2013 porque o desafio de bater Angola (pelo respeito que lhe tenho) era enorme e isso já conseguimos. Quando decidimos avançar para uma atividade 100% dedicada ao treino, nunca sabemos o que vai suceder amanhã, com as vantagens e desvantagens inerentes à situação. Confesso que a família me faz falta para manter um equilibrio obrigatório conducente à obtenção de resultados. Eu, como qualquer emigrante que gosta da sua terra, espera algum dia voltar. Estarei sempre aberto a projetos crediveis e ambiciosos, mas dificilmente terei o poder de definir onde os poderei desenvolver.

TIVE UM GRUPO DE HOMENS EXCELENTE NO F. C. PORTO E TAMBÉM GRUPOS DE MULHERES FANTÁSTICAS EM ANGOLA E NA TUNÍSIA. Numa carreira já coroada com grandes êxitos qual o objetivo que ainda lhe falta alcançar? Se queremos existir nesta atividade e mesmo em qualquer outra, não podemos olhar muito para tràs a não ser para aprender com os erros. Continuo a ter objetivos que me fazem sonhar, embora tudo faça para que o sonho sirva apenas de rastilho para melhorar cada dia. Digamos que estou a meio do percurso... É mais fácil no treino de alta competição trabalhar com equipas masculinas ou equipas femininas? Qual o principal motivo para tal? Há grupos mais difíceis do que outros independentemente do sexo. As mulheres usam muito o hemisfério direito (emoções) e os homens o esquerdo (lógica), se entendermos bem este conceito torna-se mais fácil resolver problemas. Tive um grupo de homens excelente no F.C.Porto e também grupos de mulheres fantásticas em Angola e na Tunísia.

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Quem elegeria como o melhor jogador africano? E a melhor jogadora? É muito difícil eleger um ou uma porque existem imensos fatores a julgar, por isso refiro varios. Melhores jogadoras Africanas da atualidade: Raja Toumi e Mouna Shebba (Tunisia) Albertina Kassoma e Natália Bernardo (Angola) Christianne Mwasesa (Congo Democrático) Melhores jogadores Africanos da atualidade: Issam Tej, Wael Jallouz e Marouène Maggaiez (Tunísia) Numa perspetiva técnica como analisa o atual estado do andebol português? Tenho acompanhado alguns jogos do campeonato nacional masculino e competições europeias e creio que o esforço que tem sido feito nos últimos anos pelos clubes tem apresentado resultados positivos. Gradualmente, assiste-se a uma recuperação dos danos causados pela luta entre a Federação e a liga de clubes que todos vivemos no passado recente, bem como do desaparecimento da geração de ouro que todos tivemos o privilégio de conhecer. Hoje existem novos valores que nos fazem acreditar que o Andebol é possível em Portugal. Quanto às seleções, devemos acreditar nos/as atletas e no trabalho desenvolvido pelas equipas técnicas, pelo que aproveito para desejar a maior sorte ao Rolando, à Sandra e restantes técnicos nos próximos combates. No caso feminino, existem alguns indícios que nos permitem constatar um crescimento, nomeadamente a alternancia nos últimos anos dos vencedores do campeonato nacional e a saída de atletas para campeonatos estrangeiros. A vertente do Andebol de praia tem vindo a ganhar adeptos. Como vê a evolução desta modalidade? Confesso que não acompanho muito esta vertente da modalidade, mas a espetacularidade da mesma e a situação geográfica que temos, são motivos para que o investimento exista de facto. Dos tempos que viveu fora de Portugal, guarda algum episódio curioso pelo qual tenha passado e que queira partilhar connosco? Esta é apenas uma história entre muitas que escrevi na altura. Descia pelas escadas como sempre fazia desde o 6º andar do hotel, quando ao passar pelo 1º andar olhei para um funcionário (comodamente sentado) de um health club (assim chamavam) que apenas funcionava com a parte da “estética”. Perguntei-lhe se cortavam o cabelo respondendo-me afirmativamente. Notei alguma


Paulo Jorge Pereira a dar indicações às suas jogadoras , num desconto de tempo, frente à seleção da Tunísia

insegurança quando me disse que sim. Olhei para uma zona com dois lavatórios para onde me dirigi, no entanto, o “cortador” sinalizou a minha cadeira noutra zona. Colocou-me uma toalha pelas costas e um enorme e pesado protetor de cabelos que mais parecia um colete de forças. Começou a preparar o material sem me perguntar nada. A máquina parecia ser de boa qualidade no entanto a tesoura era parecida com uma que eu tinha em casa. Oleou a máquina cumprindo todos os requisitos de utilização. Estava sentado atrás de mim, com os materiais necessários colocados no chão, borrifador, óleo e um pente de duas cores, amarelo e cinzento escuro… Como não me perguntava nada enquanto me borrifava, achei melhor explicar um pouco a minha pretensão quanto ao tipo de corte. Explicação dada, ele levantou o polegar dizendo-me ok! Começou por cortar atrás e na zona temporal (à qual dedicou a maior parte do tempo), depois usou a tesoura (a tal) notando-se falta de convicção (tremia um pouco) na hora de dar as estocadas. Posteriormente usou novamente a máquina mas desta vez utilizando a medida maior mas sempre sem apoiar o acessório na cabeça (então para que servia o acessório?). Comecei a notar a bola de rugby que pouco a pouco ia nascendo na minha cabeça. À medida que ele cortava, eu tentava descobrir qual era o seu desporto preferido já que por vezes a bola assumia diferentes formas. Achei estranho não ter utilizado mais o borrifador, já que ao longo da aventura tornava-se cada vez mais difícil a passagem do cabelo na zona cinzenta do pente… Medidas ecológicas talvez! Recordo-me que nos barbeiros a que recorria no

Porto, só quando fui adulto passei a ter direito a lavar a cabeça quando cortava o cabelo, por isso… A pior parte estava para chegar, descartou uma lâmina de barbear, agarrando-a com o polegar, o indicador e o dedo médio. Notei que a pressionava para que ficasse ligeiramente arqueada. Utilizando a parte côncava, começou a cortar. Comecei a sentir suores frios, mas como não quis dar parte de fraco, olhei o espelho com ar confiante, no entanto reparei que quando ele terminou um dos lados da face, tinha a cabeça inclinada lembrando a torre de Pisa. Quando trocou para o outro lado, tentei desta vez não escapar, e a inclinação foi menor. Fiquei mais forte! Acabo agora mesmo de olhar para o espelho que tenho em frente à minha secretária para confirmar se as zonas avermelhadas resultantes da passagem da lâmina ainda persistiam. Estavam um pouco mais dissimuladas do que quando entrei no elevador e olhei para o espelho. Afinal eu não era tão cagarola, aquilo ardia mesmo e a prova estava na minha cara. Para meu espanto definitivo, ele coloca a lâmina encostada ao pente que segurava com o polegar e o indicador, calculando uma medida que serviu para fazer os acertos por toda a bola. Naquele momento pensei que num salão de beleza Europeu, e com aqueles materiais à disposição provavelmente não fariam melhor. Como uso gel, posso até disfarçar pequenas falhas. Creio que poderei voltar lá algum dia que me sinta com coragem. Já sei que não resistem à pergunta, qual foi a bola que ele escolheu? Usem a imaginação! No andebol africano como se relaciona a comunicação social com a modalidade? Acompanha de perto as questões relacionadas com o Andebol? Em Angola tive o privilégio de ter uma conferência de imprensa como nunca. O emprego de meios para a divulgação de notícias ao redor do Andebol é remarcável. A Tunisia também é um país de andebol em que os meios de comunicação social estão muito envolvidos e atentos. Como vê o acompanhamento que a imprensa portuguesa faz ao Andebol nacional? Sabemos que o futebol ocupa na grande maioria dos casos o protagonismo da informação. É pena que assim seja pela indignação que pode provocar. Devem existir outras formas de divulgação dos acontecimentos com recurso às redes sociais ou blogs em substituição da típica informação televisiva ou jornalistica. Por outro lado, a Federação de andebol de Portugal deve desenvolver meios que possibilitem combater a falta de informação e que sejam capazes de promover todos os que aportam valor ao País dentro e fora dele.  APAOMA OUT 14 / JAN 15

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OPINIÃO

FERNANDO SOUSA

CEO da Videobserver

PORQUE OS TREINADORES DEVEM INVESTIR EM ANÁLISE DE DESEMPENHO E VÍDEO Constata-se que a formação específica em análise de desempenho e vídeo já começa a ser habitual em seminários e na formação de treinadores

A

análise de desempenho e vídeo é uma atividade relativamente recente dentro dos processos de treino mas está-se a propagar rapidamente e começa a ser uma ferramenta indispensável para os treinadores e clubes em todo o mundo. A evolução das tecnologias e a diminuição dos custos faz com que se torne possível para a maioria dos clubes e dos treinadores poder escolher os jogos e as sessões de treino para analisar em detalhe mais tarde. Estudos recentes demonstram a existência de limitações humanas ao nível da retenção em memória e, mesmo com treino especifico de observação, depois uma sessão de treino ou de um jogo os treinadores só conseguem recordar entre 30 a 50% dos momentos-chave que consideraram importantes. A análise em vídeo ajuda a superar essas limitações humanas e, através do seu uso, possibilita que os treinadores possam rever todos esses momentos-chave e decidir como agir relativamente aos mesmos. Não há muito tempo, só as equipas de topo dos desportos de elite se podiam dar ao luxo de usar a análise em vídeo. Os equipamentos de gravação e edição de vídeo eram muito caros e exigiam conhecimentos técnicos especializados, e as soluções de análise de desempenho desportivo que ofereciam a análise em vídeo eram também caras e bastante complexas, possuindo uma

Filtrar acções personalizadas

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curva de aprendizagem longa e obrigando a adquirir um conjunto especial de equipamento. Nos últimos anos, as novas tecnologias tornaram a gravação de vídeo fácil e acessível (mesmo os smartphones e tablets podem gravar vídeo de alta definição) e apareceram novas ferramentas de análise bastante fáceis de usar e de aprendizagem muito rápida. Esta nova facilidade no uso e gestão de vídeo também tem a vantagem que os treinadores já não necessitam ser especialistas em tecnologia para as poderem usar. Assim, as ferramentas de Análise de Desempenho e Vídeo estão-se a tornar cada vez mais populares entre os clubes e treinadores, nos diferentes níveis competitivos e nos diferentes desportos, permitindo aos clubes com menores recursos atingir melhores níveis de preparação e, deste modo, reduzir as diferenças para as melhores equipas, alavancando a competitividade. Também assistimos a que a formação específica em Análise de Desempenho e Vídeo já começa a ser habitual em seminários e na formação de treinadores, principalmente na Europa e Norte América, e as principais universidades já a incluem como curriculum das licenciaturas de desporto e também já oferecem cursos de especialização e pós-graduação com essa vertente. As soluções de Análise de Desempenho e Vídeo possibilitam aos treinadores a facilidade de rever jogos e sessões de treino, permitindo-lhes marcar os momentos-

Filtrar acções de campo

Filtrar acções de campo II


chave, individuais ou coletivos, da sua equipa/atleta ou do adversário. Com essa informação poderão fazer uma melhor programação das sessões de trabalho com o objetivo de antecipar situações e de melhorar o desempenho individual e coletivo. Assim, através do uso da Análise de Desempenho e Vídeo, os treinadores podem marcar e rever os momentos-chave de jogos e sessões de treino, permitindo-lhes: • Avaliar o desempenho individual de jogadores: • Identificar os pontos fortes e fracos de jogadores-chave; • I dentificar aspectos para trabalhar individualmente com os jogadores; •P  roduzir vídeos individuais de jogadores, com os maus momentos para os ajudar a entender e a ultrapassar deficiências, ou com os bons momentos para os motivar; •P  roduzir vídeos de jogadores adversários diretos para que o jogador os possa estudar e preparar o confronto; •P  roduzir relatórios de “scouting” sobre jogadores para ajudar os gestores da equipa nas decisões de compra ou venda de jogadores; • I dentificar os melhores jogadores para a equipa e quais os talentos a seguir e reter. • Avaliar  o desempenho da própria equipa: • I dentificar os erros e pontos fracos da equipa e decidir sobre ações corretivas; • I dentificar os bons momentos e os pontos fortes da equipa; • Analisar jogos completos; •A  nalisar jogadas coletivas ensaiadas (por que funcionam ou por que não funcionam); • I dentificar comportamentos individuais e coletivos para os poder corrigir. • Analisar e conhecer as equipas adversárias: • Identificar os pontos fortes e estudar como os bloquear; • Identificar os pontos fracos e como os explorar;

Filtrar acções de campo III

“FALHAR A PREPARAÇÃO, É PREPARAR A FALHA.” • Pesquisar e identificar os modelos e padrões de jogo; • Identificar comportamentos e jogadores-chave; • Identificar jogadas ensaiadas e os movimentos de jogadores. • Aprender com os melhores: • Analisar e estudar como jogam e trabalham as melhores equipas; • Aprender e melhorar observando o seu modelo de jogo; • Identificar novos modelos e táticas que poderão usar. Para terminar, gostaria também de lembrar que no desporto actual a actuação das equipas não se limita a treinar e jogar, mas também se lhes pede que assumam responsabilidades de suporte á direção do clube e ao marketing, e que devem colaborar ativamente em atividade envolvendo a massa adepta e patrocinadores e de financiamento do clube. As ferramentas de Análise de Desempenho e Vídeo também podem ajudar nessas vertentes, já que com elas é possível produzir conteúdos (estatísticas e vídeos) que poderão ser uma ajuda importante para usar nessas áreas (por exemplo, vídeos ou informações da equipa para divulgar nas redes sociais ou vídeos de um jogador que a direção está a negociar). O ambiente desportivo atual é extremadamente competitivo e a base de todo o sucesso começa numa preparação cuidada. Os clubes e treinadores que ainda não trabalham com a Análise de Desempenho e Vídeo partem com desvantagem relativamente aos seus concorrentes e vão estar a lutar em desigualdade para competir contra as equipas melhores preparadas.

Visualização dos resultados das acções de campo APAOMA OUT 14 / JAN 15

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OPINIÃO

CARLOS CAPELA

Esc. de Formação de Árbitros de And. de Aveiro

SANÇÃO PROGRESSIVA (CONTINUAÇÃO) Nesta edição Carlos Capela continua a sua abordagem à sanção progressiva, uma das regras mais complexas da nossa modalidade.

A

grande conclusão que se pode tirar daqui é que existe a procura de um jogo leal e dentro das regras, definindo as linhas orientadoras para todos os intervenientes. Não raras vezes, quando atribuímos uma exclusão de dois minutos a um atleta, o protesto que mais se ouve é “já, sem amarelo nem nada?”. Pois, acontece que muitas vezes a infração que deu origem à sanção se enquadra nestas seis alíneas que a regra 8:4 refere. Não digo que os árbitros não errem na interpretação dos lances, pois isso inevitavelmente acontece em todos os jogos, mas com frequência os protestos relativos às decisões arbitrais surgem por desconhecimento do livro de regras. Os critérios para sanções mais duras (desqualificação com e sem relatório) também estão, obviamente, definidos. Baseiam-se, acima de tudo, na irresponsabilidade e imprudência de quem comete a falta, mas também na seriedade do risco para a integridade física de quem sofre a ação do adversário. Os contatos que implicam perda de controlo do corpo são especialmente suscetíveis de serem punidos com cartão vermelho. Podem dar-se vários exemplos, como empurrões pelas costas em pleno contraataque, toques no pé em remates da ponta, ou puxões de braço em ato de remate. Se os árbitros considerarem que estas ações resultam de “ações de jogo”, poderão não fazer relatório disciplinar. Contudo, em casos de ainda maior imprudência do jogador faltoso, ou em que a premeditação ou a maldade estejam presentes, deverão fazê-lo sem contemplações. Mais uma vez, reafirmo que as regras procuram definir linhas orientadoras para que o jogo seja limpo e exista respeito por todos os intervenientes. E por falar em respeito, tenho-me limitado, ao longo deste texto, a escrever sobre respeito para com a integridade física dos atletas. Mas há outro tipo de respeito, o respeito ao nível das ações verbais, gestuais, de condutas que nada têm a ver com o jogo em si. Também para este tipo de situações há diretrizes claras no livro de regras, no que concerne às punições que correspondem a cada atitude.

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A postura dos intervenientes deveria ser matéria sagrada. É evidente que todos cometem excessos (árbitros incluídos), mas há limites que não podem ser ultrapassados, especialmente quando se atinge um nível de maturidade condizente com a alta competição. Um dos exemplos mais fáceis de trabalhar, e ao mesmo tempo dos mais controversos, pela diversidade de opiniões que gera, é o caso dos protestos, seja por parte dos oficiais ou dos jogadores. Reforçando que este artigo tem uma visão do jogo muito pessoal, felizmente partilhada pelo meu colega de dupla Bruno Rodrigues, defendo que o protesto é algo natural em qualquer desporto que tenha um dado grau de subjetividade nas decisões dos árbitros, como o caso


FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

OS CONTATOS QUE IMPLICAM PERDA DE CONTROLO DO CORPO SÃO ESPECIALMENTE SUSCETÍVEIS DE SEREM PUNIDOS COM CARTÃO VERMELHO.

do andebol. Qualquer árbitro que já tenha estado no papel de atleta ou oficial com certeza saberá disso por experiência própria. Eu joguei oito anos antes de me dedicar em exclusivo à arbitragem, e sempre protestei decisões dos árbitros. Sempre o fiz foi com moderação, porque sempre senti necessidade de manter um nível de respeito e cordialidade em todos os momentos do jogo. Agora, o certo é que é difícil não nos sentirmos injustiçados com uma decisão quando discordamos dela. Para mim, há uma linha que define o protesto “correto” do protesto “incorreto”: a exuberância e o facto de ser demasiadamente público. O tom de voz elevado e a gesticulação evidente não devem ser permitidos, por vários motivos: incendeiam bancadas, exaltam

ânimos, aquecem o ambiente e tornam o jogo muito mais propício a problemas disciplinares. Além disso, a contestação exuberante e pública pelas decisões dos árbitros é uma forma de desrespeito ao árbitro em si. Proteste-se, sim, mas corretamente. Questionese o árbitro que tomou determinada decisão. Peça-se explicações. Interrogue-se o porquê de uma dada decisão em detrimento de outra. Não se grite. Não se pontapeiem garrafas. Não se incentive a bancada a pressionar o árbitro. Há formas e formas de protestar, e faz parte da formação do árbitro, da mesma maneira, aceitar o protesto como algo inerente à própria função. Em situações que ultrapassam a barreira do aceitável, é necessário/obrigatório agir disciplinarmente de imediato e cortar o mal pela raiz. Este artigo já vai relativamente longo, mas não posso finalizá-lo sem dedicar umas linhas aos escalões de formação. Definir a linha disciplinar de que falei ao início num jogo de miúdos é terrivelmente difícil. A gestão de jogo é ainda mais complicada de se conseguir. Ou porque os miúdos não têm ainda consciência do que fazem, ou porque o peso de uma sanção é muito maior nesta faixa etária, ou porque é normal acontecer o oito e o oitenta nestes jogos, ou por outra razão qualquer, é muito difícil gerir um jogo das camadas mais jovens. O grau de pedagogia que se exige a quem dirige o jogo e os jogadores tão jovens é igualmente muito maior, e isso acaba por tornar esta tarefa muito exigente. Só a experiência e, tantas vezes, a própria sorte, permitem aos árbitros conduzir um jogo deste tipo da melhor forma. Em todo o texto, por vezes de forma subtil, por vezes de forma explícita, está subjacente a ideia de “gestão de jogo”. Há uma ideia errada sobre o que é gerir um jogo, até porque nem todos os árbitros o fazem da mesma maneira, porque isso depende muito do estilo de cada um e da sua própria personalidade. Gerir um jogo é saber manter o critério que se estabeleceu ao início. Simultaneamente, é preciso ser-se suficientemente ponderado e consciente para não estragar um jogo. O pior que pode acontecer é o árbitro tornar-se o protagonista pelos piores motivos. Os jogadores são as estrelas, não os árbitros, que só devem aparecer quando efetivamente a sua presença se impõe. Gerir um jogo não implica forçosamente dar poucas sanções, mas sim dar as sanções no momento certo. Quem anda lá dentro, sabe que não raras vezes um apito mais forte ou uma palavra mais dura são mais úteis e eficazes que uma sanção disciplinar. Gerir um jogo é precisamente saber quando fazer uso desses recursos em vez de pura e simplesmente puxar das sanções. Isso também ajuda, na minha opinião, a definir a qualidade de um árbitro e de uma arbitragem. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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CLUBES COM HISTÓRIA

CENTRO DESPORTIVO DE SÃO BERNARDO – 40 ANOS DE ROSA AO PEITO

O

Centro Desportivo de São Bernardo, mais conhecido como “o São Bernardo”, festeja desde o dia 19 de Setembro, o 40º aniversário, número tão distinto quanto difícil de alcançar nos dias de hoje. Quarenta anos de um clube que tem sede na pequena freguesia de São Bernardo em Aveiro, e que já alcançou um lugar especial no panorama desportivo nacional, particularmente no Andebol, onde no seu historial já alcançou títulos nacionais na maioria dos seus escalões etários. O São Bernardo disputa, na presente época, a 2ª Divisão Nacional de Séniores e a 1ª Divisão

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Nacional de Juniores e Juvenis. Os restantes escalões disputam as provas regionais respeitantes, sendo que atualmente, nos seus quadros, tem atletas dos 4 aos 60 anos, respetivamente dos bambis aos veteranos, praticando Andebol na Aldeia Desportiva, local onde orgulhosamente afirmam ser a sua casa. Esta possui para além do Pavilhão Desportivo, 2 campos de ténis, um campo de futebol de 11 com relvado sintético, e um campo polidesportivo, além de uma zona verde na sua envolvência. Não obstante de todos os sucessos desportivos que o São Bernardo já alcançou (e que o distingue), o que melhor caracteriza a instituição é ser um clube de formação, com uma identidade própria e que, particularmente nos últimos 20 Anos, tantos atletas de qualidade deu às nossas seleções e ao andebol nacional. Exemplos disso são: Élio Maia, Ulisses Pereira, Paulo Gonçalves, Rui Liberato, António Silva, Rui Oliveira, João Alves, Sérgio Pericão, Jorge Sousa, João Teles, Albano Lopes, Nuno Grilo, Pedro Marques, Diogo Branquinho, entre muitos outros se poderiam referir. É justo dizer-se que, os atletas do São Bernardo


FOTOS FILIPE CRUZ PHOTOGRAPHY

ATUALMENTE, O CDS BERNARDO TEM ATLETAS DOS 4 AOS 60 ANOS, A PRATICAR ANDEBOL NA SUA ALDEIA DESPORTIVA

personificam, em geral, um espírito de bairrismo e de família, que constitui um fator que os ajuda a superar as dificuldades, consonante com o grená das camisolas de jogo que envergam. No momento atual, o São Bernardo vive um período de restruturação institucional, motivada pela conjuntura económica, aliada a algumas limitações financeiras, obrigando a uma opção realista de desinvestimento no sector competitivo, prescindindo do profissionalismo da sua equipa sénior. Está também, neste momento, a proceder a uma reorganização da sua estrutura, quer em termos técnico desportivos, quer a nível organizacional. Concretamente, o Clube, há um ano atrás, iniciou um processo de criação de uma plataforma de sustentabilidade futura, quer na alimentação das equipas, com atletas oriundos da sua formação, quer na gestão financeira da instituição, com base no rigor e na capacidade de gerar receitas da mesma. O futuro do Clube irá ser trilhado com a mesma ambição, sem que se deixe de respeitar a sua identidade e este “ser do São Bernardo”, que tanto o caracterizam, e que tão bons resultados garantiu, nas últimas 4 décadas. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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UM FIM DE SEMANA COM...

Cláudia Correia e Diana Roque HCM Râmnicu Vâlcea ROM

NA ROMÉNIA, HÁ PERFUME PORTUGUÊS NO FEMININO Depois de Espanha viajamos para o leste da Europa. Na Roménia encontramos as internacionais portuguesas Cláudia Correia e Diana Roque, que já tinham jogado juntas em Portugal, mais concretamente no Alavarium Love Tiles

SÁBADO

Dia antes do jogo

ao WC e esticar as pernas.

11h45

8h40

Retomamos a viagem.

Hora de despertar; após o pequenoalmoço deslocamo-nos para o pavilhão.

13h00

9h15 Saída do pavilhão no autocarro do HCM Válcea. A deslocação hoje é para Deva, todas estamos equipadas com o fato de treino da equipa, e começamos assim uma viagem de quatro horas, umas a dormir, outras a ouvir música.

11h30 Paragem de 15 min para quem quer ir

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Chegamos ao hotel. Enquanto algumas fazem check-in outras esperam pelo sua vez. Quando todas têm o check-in feito vamos ao quarto deixar as malas para irmos almoçar

13h15 Almoço em equipa. Temos direito a sopa, arroz de legumes com um bife de frango grelhado e de sobremesa uma banana.

13h50 O treinador fala connosco


RAIOS X

RAIOS X

NOME Cláudia Salomé Semedo Gonçalves Correia LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Cabo-Verde, 26 de maio de 1990 POSIÇÃO Primeira linha CLUBES SIM Porto Salvo, Alavarium Love Tiles, PAOK e HCM Ramnicu Valcea INTERNACIONALIZAÇÕES 51 MELHOR ATLETA PORTUGUESA E ESTRANGEIRA NA SUA POSIÇÃO Português: Vera Lopes, Mariana Lopes e Marta Loureiro. Estrangeiro: Ana Paula Rodrigues (CSM Bucareste) brasileira, Cristina Neagu e Anita Gorbicz SETE IDEAL COM QUEM JOGOU GR Diana Roque (HCM Ramnicu Valcea) PE Ana Marques (Alavarium Love Tiles) LE Mariana Lopes (Alavarium Love Tiles) C Ana Seabra (Alavarium Love Tiles) LD Janina Luca (HCM Ramnicu Valcea) PD Patrícia Rodrigues (JAC Alcanena) P Daria Ilina (HCM Ramnicu Valcea) TREINADOR MARCANTE Este ponto não é fácil, porque todos foram muito marcantes e contribuíram para a minha evolução como atleta e como pessoa. Por isso vou nomear 3 sem me esquecer de nenhum dos outros! Ana Pedro (Porto Salvo), Fernando Gomes “Veta” (Porto Salvo) e Ulisses Pereira (Alavarium Love Tiles). TÍTULOS Campeã nacional da segunda divisão de séniores femininos época 2008/2009 (SIMPS), campeã nacional de universitários na Universidade de Aveiro época 2011/2012 (UA), campeã nacional da primeira divisão época 2012/2013 (Alavarium), campeã da taça da Grécia época 2013/2014 (Paok), campeã nacional da primeira divisão feminina época 2013/2014 (Alavarium) PROFISSÃO Jogadora profissional de andebol CIDADE IDEAL PARA VIVER Portuguesa: Aveiro. Estrangeira: Paris PRATO PREFERIDO Lasanha do LIDL, e bifinhos com cogumelos BEBIDA PREFERIDA Sumo de frutas e “caipi black” com sumo de limão ou uma radler LIVRO PREFERIDO Note book de Nicholas Parks e As cinquentas sombras de grey de E.L. James

NOME Diana Filipa Tavares Roque LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Oliveira de Azeméis, 26 de fevereiro de 1987 POSIÇÃO Guarda-redes CLUBES A.D.Sanjoanense, Alavarium Love Tiles e atualmente HCM Válcea INTERNACIONALIZAÇÕES 5 MELHOR ATLETA PORTUGUESA E ESTRANGEIRA NA SUA POSIÇÃO Portuguesa e a minha grande referência Virgina Ganau (ex Madeira Sad) e no estrangeiro Mayssa Pessoa (CSM Bucareste). SETE IDEAL COM QUEM JOGOU GR Andreia Madail (Alavarium) e Mihaela Smedescu (HCM Válcea) PE Ana Marques (Alavarium) LE Cláudia Correia (HCM Válcea), Mariana Lopes e Mónica Soares (Alavarium) C Joana Oliveira (Sanjoanense) LD Janina Luca (HCM Válcea) PD Lisa Antunes (Alavarium) P Viviana Rebelo e Soraia Fernandes (Alavarium) TREINADOR MARCANTE Ulisses Pereira, posso dizer que devo a ele tudo o que sou hoje, porque conseguiu ver o que mais ninguém conseguia ver em mim. Claro que há pessoas que me marcaram e me ajudaram durante a minha formação, não podendo esquecer e deixar um agradecimento ao meu primeiro treinador Manuel António TÍTULOS Campeã Universitária época 2011/2012 (como treinadora) Bicampeã Nacional época 2013/2014 PROFISSÃO Professora de educação física e neste momento profissional de Andebol CIDADE IDEAL PARA VIVER Aveiro PRATO PREFERIDO Arroz de frango, de preferência feito pelo meu pai BEBIDA PREFERIDA Caipirinha FILME PREFERIDO São tantos LIVRO PREFERIDO O dia em que te esqueci da Margarida Ribeiro Pinto e As cinquentas sombras de grey de E.L. James

CLAUDIA CORREIA

DIANA ROQUE

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UM FIM DE SEMANA COM...

sobre as horas de saída para o último treino antes do jogo de Domingo. Hora de saída 16h00, treinamos das 17h00 até as 18h30.

14h00 Passeio pela cidade de Deva à procura de um supermercado ou centro comercial para podermos comprar algo para lanchar ou comer à noite, caso nos apeteça.

14h45 Cada uma foi para o seu quarto, pois não nos deixam ficar no mesmo quarto para nos integrarmos e aprendermos Romeno (risos), e descansamos um pouco até à hora do treino.

16h00 Iniciamos a viagem para o pavilhão.

17h00 15 min de alongamentos e depois treinamos durante 1h30, foi essencialmente tático, com alguns exercícios iniciais de passe e aquecimento ao g.redes.

18h30 – Ida para o hotel onde tomamos banho e fazemos tempo até à hora de jantar.

19h30 – Hora de jantar.

20h00 Ida a uma esplanada perto do hotel onde vemos um jogo na televisão e tomamos um chá. Jogo - Campeãs da Roménia (Baia Mar) contra as vicecampeãs (Brasov).

ARBITRAGEM Quais as principais diferenças notam entre a arbitragem Portuguesa e a Romena?

Diana A minha opinião sobre este assunto pode ser um pouco atípica, porque estou numa posição em que não me apercebo de metade das diferenças que existem. Mas sem sombra de dúvida que no campeonato Romeno o contacto/choque é muito maior, daí darem muita importância a capacidade física. Deste modo, os critérios de arbitragem têm que ir de encontro a estas características. Penso que são mais permissivos ao choque e neste campeonato acaba por vencer a lei do mais forte. Recordo-me nos primeiros tempos de chegarmos a casa e a Cláudia me dizer “oh Diana, olha para estas arranhadelas e estas pisaduras, isto aqui é mesmo duro…”. Essencialmente são estas as poucas diferenças, que na minha opinião tornam o jogo muito mais físico e muito mais duro, daí precisarmos de muita condição física para aguentar o ritmo de jogo durante todo o jogo. É outra realidade do Andebol Feminino que tem dado muito gozo conhecer. Cláudia Há algumas diferenças, deixam jogar mais, há faltas que são marcadas em Portugal e que por vezes até são sancionadas, aqui o jogo continua! É tudo muito mais duro, mais exigente, no início foi complicado perceber que rematar agarrada por todos os lados não significa que seja falta. Por outro lado aqui são mais tolerantes, lidam melhor com a pressão dos treinadores e aos protestos que há em todos os jogos, continuam a arbitrar sem dar grande importância aquilo que ouvem, claro que há limites e quando são ultrapassados, agem, mas o limite aqui é mais longo que o limite em Portugal.

descansa, pois no dia a seguir há jogo.

DOMINGO

Dia do jogo contra Cetate Devatrans M..

09h15 Pequeno-almoço em equipa.

10h00 Passeio em equipa ao Castelul Corvinilor.

12h00 Almoço em equipa.

12h45 Cada uma foi para o seu quarto descansar e preparar o saco para o jogo.

14h30 Pequeno passeio pelo jardim do hotel para despertar.

14h45 Saída para o Jogo.

15h00 Diálogo entre as jogadoras sobre o jogo. E em seguida, o treinador dá a palestra.

16h00 Jogo. Resultado deste encontro foi de 27-27. Um jogo bastante emotivo em que as claques se manifestaram durante todo o encontro, chegando mesmo a dificultar a comunicação entre os intervenientes do jogo.

18h00 Partida no autocarro do HCM Válcea rumo à Válcea.

21h15

20h00

Estamos nos quartos umas das outras nas palhaçadas.

Paragem para jantar.

22h00

Finalmente chegamos a casa depois de 4 horas de viagem.

Cada uma vai para o seu quarto e

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22h45


APAOMA OUT-NOV-DEZ 2014

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OPINIÃO

JORGE FERNANDES

Docente de Educação Física e Desporto

MINI ANDEBOL: TREINO VS ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE O Mini Andebol é a porta de entrada na modalidade pelo que a experiência deverá ser o mais agradável possível para os mais “pequenos”.

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FOTO NUNO GÉNIO

A

vivência do treino serve como base para o desenvolvimento harmonioso das crianças conduzindo-as para um estado de crescimento condizente com a sua maturidade emocional, cognitiva e física. Não é desejável que o treino sirva para explorar a especialização precoce. Olhamos os recreios das escolas e vemos grupos de crianças pequenas que se organizam para praticar um desporto, normalmente em forma de jogo competitivo. Este frente-a-frente rege-se por algumas regras que se encontram já estipuladas implicitamente na brincadeira. As equipas são formadas conforme a ordem de chegada e só o dono da bola e os mais destemidos, os que não se importam de ser guarda-redes, acabam por ter lugar garantido. Os restantes estão na “equipa a seguir”. As tácticas existem, mas ninguém fala sobre elas, não faz parte dos aspetos mais relevantes naquele momento. A técnica individual distingue quem “nasceu” com alguns dotes para a modalidade, mas até isso passa para segundo plano porque o mais importante é rematar à baliza e fazer golo (ou concretizar pontos, dependendo do jogo). Esta alegria e fervor que acompanha as crianças nestes momentos de jogo dão-lhes o contentamento e o prazer de fazer aquilo que mais gostam, sem pressões internas e/ou externas e com a liberdade de expressão natural dos mais “pequenos”. Será possível criar este ambiente positivo num treino do escalão de Minis? Obviamente que sim. Os treinadores são responsáveis por organizar as sessões de treino em função de determinados objetivos direccionados não só para a vertente técnico-táctica mas também para o bem-estar global das crianças. Esta é uma “obrigação” implícita no processo de treino que infelizmente nem sempre é concretizada por

quem orienta, dada a inexistência de uma consciência pessoal e sensibilidade para tal. A preferência recai num trabalho maioritariamente castrador da alegria das crianças e nem sempre é respeitador perante o desenvolvimento individual das mesmas. É a “loucura” para formar jogadores “fora de série” que sejam campeões a qualquer custo. O bem-estar físico, psicológico e social, apresentam-


SERÁ QUE IREMOS PERDER GRANDES JOGADORES SE ESTES NÃO SE SAGRAREM CAMPEÕES NO ESCALÃO DE MINIS?

se como aspetos fundamentais do desenvolvimento harmonioso e saudável das crianças. Quaisquer desvios ou perturbações no normal desenrolar destes aspetos nas idades mais baixas conduzem a problemas ou dificuldades que se manifestam a determinados níveis em termos futuros. Todas as crianças têm definidos os seus períodos de desenvolvimento, quer ao nível físico, com o crescimento corporal a predominar, quer ao nível cognitivo e emocional. É em cada uma destas fases que se devem exponenciar as qualidades e os atributos das crianças respeitando as diferenças individuais. Não parece fazer sentido a pretensão dos treinadores para que os “pequenos” jogadores adquiram e possuam habilidades técnicas, conhecimentos tácticos e capacidades físicas que são desajustadas à idade. No entanto é comum verificar que existem crianças que são “massacradas” com treinos exigentes onde se procura uma especialização que não é nada mais do que uma especialização precoce. O treino é benéfico e promove o desenvolvimento e neste a única especialização que deverá existir é aquela que se revela adequada a cada jovem praticante, nada mais do que isso. Treinar bem o que está convencionado para a idade em referência é já um enorme contributo para o desenvolvimento da criança quer no presente quer para o seu futuro. E por fim mas não menos importante encontra-se aquele que é o aspecto mais negativo, a pressão, que influencia decisivamente o envolvimento das crianças que procuram a felicidade num jogo que as fascina. É exercida sobre os “pequenos” jogadores exigindo-lhes uma performance de como profissionais se tratasse, na obrigatoriedade de ganhar jogos e de tornarem-se campeões. Esta pressão absurda e incompreensível colocada sobre as crianças é criada por quem possui a maior responsabilidade em educar e conduzir a vida desportiva das mesmas, ou seja os pais e os treinadores. E que tal acabar-se com os campeonatos formais, com os rankings, com os prémios individuais e deixar-se as crianças jogar o “jogo pelo jogo” como primeira etapa da sua formação na modalidade? Será que iremos perder futuros grandes jogadores se estes não se sagrarem campeões regionais ou nacionais no escalão de Minis? Não parece que assim seja, até porque muitos anos têm ainda pela frente até completarem a sua formação. E até que estas preocupações sejam assimiladas por pais e treinadores, o que vai valendo às crianças é que ainda existem recreios nas escolas… APAOMA OUT 14 / JAN 15

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GERAÇÕES

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

F

Ana Rita Neves , Ana Seabra e Carolina Monteiro (Alavarium Love Tiles / Alavarium A. C. A.)

AMOR AO ANDEBOL NA “VENEZA PORTUGUESA” Neves, Seabra e Carol aceitaram o desafio da revista APAOMA e protagonizaram “um conflito de gerações”

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ala-nos um pouco sobre ti. O teu dia a dia fora do andebol? ANA SEABRA (AS) O meu dia-dia passa por dar aulas de natação. Estudar um pouco o que mais me cativa e empenhar-me nos meus projetos pessoais. Ao final do dia passo algumas horas no pavilhão, a ajudar as atletas de todos os escalões sempre que me pedem para colaborar, a serem o melhor possível. Sou uma pessoa apaixonada por desporto, pela aventura, pelo desafio e pelas coisas simples da vida, adoro divertir-me com os amigos, família... Gosto de ler e de fazer um bom serão com um bom filme ou serie. RITA NEVES (RN) Fora do Andebol tenho o meu dever enquanto estudante, neste momento frequento a Universidade de Aveiro, no curso de Economia. Para além do andebol e dos estudos, gosto de estar com quem me faz sentir bem, a família e amigos. CAROLINA MONTEIRO (CM) A maior parte do tempo é passada na escola ou em casa a estudar. Quando tenho tempo costumo sair/passear com os meus pais e amigos. O Andebol para ti é…? AS É uma escola de vida, simplesmente uma paixão que ao longo do meu percurso ganhou uma importância fundamental quer ao nível pessoal, quer ao nível profissional. Foi sem dúvida algo estruturante na minha formação enquanto pessoa. Ajudou-me a ser uma pessoa mais competitiva, lutadora, sempre pronta para novos desafios e transmitiu-me valores de respeito, humildade, espírito de equipa e de sacrifício. Foi e é sem dúvida a minha principal escola de vida.


RAIOS X

RAIOS X

NOME Ana Cristina Teixeira Seabra LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Montpellier, França, 31 de julho de 1977 POSIÇÃO Ponta esquerda e central CLUBES A.A. Águeda, Colégio de Gaia, Madeira Andebol Sad, CDES Gil Eanes, CD 1º D`Agosto, Alavarium Love Tiles INTERNACIONALIZAÇÕES 219 não tenho a certeza MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Ana Seabra (PE), Mariela Gonçalves (C), Maria Fisker (Dinamarca) (PE) e Kristina Kristiansen (Dinamarca) (C) SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Carla Coimbra LE Juliana Sousa C Mariela Gonçalves LD Alexandrina Barbosa PD Ana Alves P Renata Tavares GR Virgínia Ganau TREINADOR MAIS MARCANTE José António Silva TÍTULOS 11 campeonatos nacionais 1ª divisão sénior feminina, 2 campeonatos nacionais universitários, 2 campeonatos nacionais de andebol de praia, 7 Supertaças, 8 taças de Portugal, 2 MVP campeonato nacional, vice-campeã da 34ª taça dos clubes campeões africanos, 6º lugar fase final do campeonato do mundo Sub-20 – Costa do Marfim 1997, fase final do campeonato europeu seniores femininos - Macedónia 2008 PROFISSÃO Professora CIDADE IDEAL PARA VIVER Aveiro PRATO PREFERIDO Bacalhau com natas BEBIDA PREFERIDA Água FILME PREFERIDO Quem quer ser milionário LIVRO PREFERIDO Mourinho Rockstar MÚSICA PREFERIDA David Guetta – Without you

NOME Ana Rita Maia Neves LOCAL E DATA DE NASCIMENTO São João da Madeira, 14 de junho de 1996 POSIÇÃO Central e ponta esquerda CLUBES A. D. Sanjoanense e Alavarium Love Tiles INTERNACIONALIZAÇÕES 42 MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Ana Seabra, Anita Gorbicz (Hungria) SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Ana Marques LE Sandra Santiago C Ana Seabra LD Mónica Soares e Mariana Lopes PD Patrícia Rodrigues P Viviana Rebelo GR Jéssica Ferreira TREINADOR MAIS MARCANTE Manuel António e Ulisses Pereira, marcaram-me como treinadores e como pessoas que são, é um privilégio para mim ter trabalhado com ambos. TÍTULOS 2 campeonatos nacionais de infantis femininos, 2 campeonatos nacionais de seniores femininos. PROFISSÃO Estudante CIDADE IDEAL PARA VIVER Porto PRATO PREFERIDO Picanha BEBIDA PREFERIDA Coca-Cola FILME PREFERIDO Vários LIVRO PREFERIDO Dei-te o melhor de mim MÚSICA PREFERIDA James Morrison – I Won’t Let You Go

ANA SEABRA

RITA NEVES

RAIOS X

CAROLINA MONTEIRO

NOME Carolina Nunes Monteiro LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Aveiro, 8 de outubro de 1998 POSIÇÃO Ponta e lateral esquerda CLUBES Alavarium Love Tiles INTERNACIONALIZAÇÕES 9 MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Soraia Lopes e Maria Fisker (Dinamarca) SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Ana Marques LE Mariana Lopes C Ana Seabra LD Mónica Soares PD Diana Oliveira P Soraia Fernandes GR Diana Roque TREINADOR MAIS MARCANTE Carlos Neiva TÍTULOS Torneio nacional de seleções; jogos desportivos CPLP PROFISSÃO Estudante CIDADE IDEAL PARA VIVER Veneza PRATO PREFERIDO Bacalhau com natas BEBIDA PREFERIDA Coca-cola FILME PREFERIDO Divergente LIVRO PREFERIDO Os Maias MÚSICA PREFERIDA Magic – Rude

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GERAÇÕES

RN O andebol é parte muito importante na minha vida. Ajudou-me bastante a crescer, não só como jogadora mas principalmente como pessoa. Aprendi a superar dificuldades, criar objetivos e deu-me a conhecer excelentes pessoas. CM O andebol sempre foi algo que me cativou muito. Atualmente faz parte do meu dia-a-dia e é onde me sinto bem.

A jovem Central Aveirense, Rita Neves, é apontada por muitos como a sucessora natural Ana Seabra

Define a Rita numa frase AS Uma guerreira, uma atleta com uma vontade enorme de ter sucesso em tudo o que faz pelo empenho e pela raça que lhe é caraterística. Define a Carolina numa frase AS Um talento que pela paixão que tem demonstrado pela modalidade poderá vir a ter uma importância de relevo no futuro. O que pensas que a Rita Neves poderá vir a ser como atleta, tu que fazias parte da equipa do Alavarium LOVE TILES quando ela começou a integrar a equipa sénior? AS Uma jogadora com um carisma que poucas equipas têm. É uma jogadora na qual me identifico pela sua forma de estar e pela vontade e sede de vencer, certamente vai ser reconhecida por isso no seu futuro, com as respetivas oportunidades. O tamanho não define a qualidade do jogador e a Ana Rita como guerreira que é vai prová-lo. Conheces a Carolina do Alavarium e da Seleção de Juniores B. Como treinadora onde achas qua a Carolina pode chegar? O que sentes ao treinar uma atleta com quem lidas diariamente? AS Como se costuma dizer, nenhum atleta é coroado sem suor portanto ela pode chegar longe se os objetivos e o empenho dela foram maiores que a sua vontade. Sinto orgulho porque

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dá prazer treinar uma atleta talentosa como ela e no treino poder exigir a um atleta, que pretende ser melhor todos os dias. Define a Ana numa frase RN A Ana Seabra é reconhecida pela sua humildade junto do trabalho, tem uma personalidade que admiro imenso, ela é grande, tão grande que para mim será sempre um exemplo. Define a Carolina numa frase RN A Carolina tem capacidades que admiro, e para além da jogadora que é, vejo-a como uma pessoa bastante animada, sociável, para mim uma boa colega de equipa. O que sentiste quando começaste a integrar a equipa sénior do Alavarium LOVE TILES e tinhas nos treinos e nos jogos ao teu lado, a Ana Seabra, ela que foi para muitos dos adeptos da nossa modalidade uma das melhores se não a melhor jogadora nacional? RN Acho que melhor seria

impossível. Temos de aprender com os melhores e com a Ana Seabra do meu lado, para além de sentir um orgulho enorme em partilhar aquilo que mais gosto de fazer com ela, senti uma vontade enorme em trabalhar, em olhar para ela, ouvi-la e principalmente em conhece-la, porque foi nesse momento, em que a conheci, que percebi o quanto ela vale, não só como jogadora mas principalmente como pessoa. Jogando a Carolina no mesmo clube que tu, e vendo a evolução dela diariamente que ambições pode ter a Carolina para ti como atleta? RN A Carolina é uma jogadora que admiro. Já jogamos juntas e sei das capacidades que ela tem, acredito que se ela tiver sempre o trabalho e a humildade do lado dela que irá ter o futuro que deseja. Define a Ana numa frase CM Um exemplo a seguir por todos os praticantes desta modalidade, não


só pela grande jogadora que foi mas também pela treinadora que é.

Ana Seabra num momento de diversão com colegas de equipa na Alemanha (Taça EHF), sinónimo do bom ambiente vivido na equipa de Aveiro

Define a Rita numa frase M A Neves é uma grande promessa do andebol feminino, define-se pela garra e humildade com que joga o que faz dela uma das melhores centrais do país atualmente. Sabendo que a Ana Seabra foi a melhor ponta esquerda portuguesa na opinião da maioria dos adeptos do andebol em Portugal o que sentiste quando soubeste que ela ia jogar no Alavarium, e que tu poderias imenso aprender com ela? CM É um grande prazer trabalhar com a Seabra porque ela consegue-nos cativar cada vez mais em cada treino e ajuda-nos a superar aquilo em que temos mais dificuldades. É uma pessoa que está sempre pronta a ajudar os outros. Rita Neves é considerada uma das grandes promessas do andebol nacional, sendo tu colega de equipa dela e jogando nas mesmas posições, “até onde poderá ir a Rita” na sua carreira andebolística? CM A Neves tem vindo a demonstrar todo o seu potencial ao longo das últimas épocas e não tenho dúvidas que vai ficar na história do andebol feminino, pela persistência e a determinação que demonstra em cada treino e jogo. Concordas com o modelo competitivo do Campeonato Multicare 1ª Div Feminina. Primeiramente um campeonato em que jogam todas as equipas no sistema casa/fora e depois play off’s ou pensas que o Campeonato deveria ser disputado com o modelo anterior, com duas fases em sistema de campeonato? AS Os campeonatos mais emocionantes e competitivos que já joguei ao longo da minha carreira

desportiva foram em sistema play-off. RN Na minha opinião o modelo competitivo atual, disputado na forma de play-off’s, torna o campeonato mais competitivo, e de certa forma mais interessante. O número de vitórias conseguidas na primeira fase pouco interfere na segunda fase, mas durante esta ultima fase a competitividade é cada vez mais elevada, promovendo assim o andebol feminino.

pois estávamos quase sempre perante jogos de grande intensidade.

Concordas com o modelo competitivo do Campeonato Nacional de Juvenis, tendo primeiramente uma fase regional, depois uma zonal e fase final, ou pensas que sendo nacional desde início poderia ser mais competitivo, mesmo sabendo antemão das dificuldades que alguns clubes teriam em participar? CM Apesar das dificuldades que alguns clubes teriam se o campeonato começasse logo pela fase nacional, acho que seria muito mais competitivo a todos os níveis

É fácil conciliar a tua vida estudantil com o facto de seres atleta de andebol? RN Não é nada fácil, o andebol ocupa grande parte da minha vida, muitas vezes o facto de faltar às aulas prejudica-me bastante, o esforço e a dedicação são a dobrar, mas quem gosta daquilo que faz procura sempre uma forma para que seja possível conciliar a vida estudantil e o andebol. CM No início não foi, mas é uma questão de gerir o tempo. Temos de nos conseguir organizar e

Ana era fácil conciliar a tua vida profissional com o facto de seres atleta de andebol? AS Nunca foi fácil, mas aprendi ao longo da minha vida a organizar-me e a fazer sacrifícios para conseguir conciliar todas as tarefas desportivas e profissionais. Foi só mais um saudável desafio na minha vida.

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GERAÇÕES

aproveitar todos os momentos que temos livres em que precisemos de estudar. O que significou para ti representar o Alavarium LOVE TILES, já que em qualquer pavilhão do país, está sempre presente a claque das ALAGIRLS… AS Curiosamente o meu primeiro jogo de andebol foi no pavilhão do Alavarium quando tinha 14 anos. É a equipa da cidade onde vivo e obviamente que é especial voltar a casa e jogar numa equipa, que ao longo dos anos foi crescendo, foi reformulando os seus objetivos e tornou-se Campeã Nacional participando eu desse momento. Ganhei ambição quando pela primeira vez pisei aquele pavilhão e fui campeã nacional no mesmo pavilhão com que iniciei a modalidade. Este é fruto do trabalho de pessoas apaixonadas também pela modalidade, que viram no feminino potencial e que acreditaram que este poderia ser um grande sucesso desportivo não só no seu escalão sénior mas também na sua formação. Relativamente à claque do Alavarium tenho que admitir que esta é “omnipresente”. Dá um apoio incondicional em qualquer parte do mundo. RN O Alavarium é um clube que conta com o apoio de muita gente, quando ingressei no clube isso foi uma das coisas que mais me fascinou. É incrível o espirito que as pessoas partilham dentro do clube. Saber que temos sempre esse apoio, que temos sempre alguém a gritar por nós, alguém que faz de tudo para nos acompanhar é fundamental para conseguirmos responder da melhor maneira dentro de campo. É uma motivação para qualquer jogadora. CM É bom sentir que temos gente que nos apoia e que acredita em nós, dando-nos motivação para fazer cada vez melhor.

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Frequentadora habitual das seleção de sub 17, Carolina Monteiro, é o exemplo do bom trabalho realizado pela formação do Alavarium

Ser Alagirl é? AS É integrar este clube da cidade aveirense e rapidamente apaixonarse pela mística do clube que não se explica, pratica-se. RN Ser Alagirl é partilhar dificuldades, ter responsabilidades, e acima de tudo ter orgulho naquilo que fazemos. CM É uma grande sensação pois representamos um dos melhores clubes a nível nacional. Qual foi o melhor e pior momento na tua carreira desportiva? AS Tive vários grandes momentos, mas sem dúvida que o que mais me, marcou foi o facto de marcar um golo no último segundo do prolongamento de um jogo e ajudar uma equipa, que nunca tinha sido, campeã nacional a sê-lo. Pior momento, sem dúvida a lesão que me afetou o ombro direito a época passada e se prolongou durante muitos meses e não me deixou fazer

com tranquilidade o que mais gosto de fazer, jogar andebol… RN Tenho dois momentos que me marcaram bastante, a conquista do inédito título de campeão nacional pelo Alavarium/Love Tiles, e a conquista do 4º lugar no Campeonato Europeu sub-17 na Polónia, foi sem dúvida um grande momento não só para mim mas também para Portugal e para o andebol feminino português, que irei guardar para sempre. O pior momento foi no Campeonato do Mundo sub-18 na Macedónia, quando fraturei a mão no segundo jogo, e não consegui dar o meu contributo à equipa no restante campeonato. CM O melhor foi quando fiquei em primeiro lugar nos jogos desportivos da CPLP pela seleção e o pior foi quando não passamos à segunda fase do campeonato nacional de iniciadas. O que deve mudar, na tua opinião no Andebol Feminino em Portugal?


AS Penso que a maior parte das pessoas que estão no andebol querem fazer o melhor e ajudar a modalidade mas, nem sempre é fácil. Apesar de não sermos um país com a cultura do andebol, e de não termos ou acharmos que não temos as melhores condições, faz com que por vezes falte alguma vontade e mentalidade, por parte das atletas, de querer mudar, isto porque somos seres de hábitos e na verdade somos dos países da europa com menos hábitos de atividade física. Enumerava imensas razões para a maior parte das atletas não ter a disponibilidade necessária para muitas vezes se dedicar um pouco mais á modalidade, já para não falar dos abandonos precoces. Todos os anos a pergunta é a mesma, o que deve mudar no andebol feminino? Aos poucos algumas coisas vão mudando e como em todas as áreas existem melhores ou piores profissionais, uns mais dedicados do que outros, uns mais motivados do que outros, uns mais humildes do que outros, etc… e gerações com atletas mais ambiciosas e mais talentosas do que outras. Dos bons exemplos que temos passou e passa tudo pela paixão individual que um dia acaba pela exaustão de nada mudar, das rotinas criadas, dos problemas serem sempre os mesmos. Falta na verdade um Projeto a longo prazo para o andebol feminino, do nosso país, mas os recursos também são importantes, para dar vida á vontade, às ideias, á motivação e sem eles em certos patamares é difícil. Também não nos ajuda estarmos no cantinho da Europa em que sempre que queremos competir com outras seleções as distâncias e os custos são sempre maiores. Apesar de tudo somos um país que ainda tem muitas lutadoras que mesmo

com as adversidades fazem coisas incríveis… RN Penso que tudo passa por uma maior aposta na projeção do Andebol Feminino, a qualidade existe, mas têm de existir melhores condições para que o Andebol Feminino possa ser comparável ao Andebol Masculino. CM O tipo de competição em alguns escalões. Se começasse sempre pela fase nacional, o campeonato tenderia a render muitos mais. Mas para isso é preciso financiamento aos clubes pois torna-se muito dispendiosas as viagens a efetuar. O que pensas do atual momento da Arbitragem portuguesa? AS Penso que atualmente temos alguma renovação, algumas apostas necessárias, e árbitros que continuam a representar-nos nas grandes competições internacionais. É o ciclo e faz parte porque até para sermos jogadores de andebol temos que começar por algum lado. Mas… no que diz respeito ao feminino penso que a pouca visibilidade da PO9 por exemplo, que é só a segunda prova mais importante do país segundo a Federação de Andebol de Portugal, nos meios de comunicação social é pouco ou nada expressa. E eu vendo jogos de várias equipas e de todos os escalões enquanto treinadora pertencente aos quadros técnicos das seleções nacionais femininas, sinto que alguns árbitros não estão motivados para o fazer. Deve haver motivos que posso não ter conhecimento mesmo a nível dos incentivos, entre PO1 e PO9, para não mencionar as outras provas também que por si só tira alguma motivação a quem costuma ser nomeado para masculino e vê-se indicado para jogos do feminino. Apesar de tudo a exigência deve

começar por ser pessoal porque só assim é que cada um no seu trabalho vai evoluindo. A exigência gera e eficácia, a eficácia gera qualidade que por sua vez levará com certeza a outras oportunidades. O maior elogio que se pode fazer a um árbitro no final de um jogo é não ter dado pela presença deles. RN Temos excelentes árbitros em Portugal, árbitros que aprendem bastante com experiências internacionais, e assim é uma forma de melhorar também a Arbitragem Portuguesa. Embora tenham bastante influência no jogo de Andebol, não é algo que tenha muito interesse para mim. CM Acho que tem vindo a evoluir imenso. Prova disso é o facto de árbitros portugueses serem nomeados para ir arbitrar jogos da Champions League No Verão, o Andebol não fica parado, muda somente de local, vai até à praia… Gostas de Andebol de Praia? O que pensas desta variante do Andebol? AS Gosto muito de andebol de praia, é uma variante da modalidade que me atrai pela espetacularidade que lhe é caraterística. Para mim o andebol é espetáculo, criatividade, emoção, divertimento, competitividade, adrenalina, espirito de grupo … e o andebol de praia junta alguns destes ingredientes de uma forma mais enérgica que o andebol de pavilhão. RN Gosto muito de Andebol de Praia. É muito bom no verão podermos manter o contacto com a modalidade. É uma variante que consegue mostrar um lado ainda mais espetacular do andebol e de certa forma ajuda bastante a divulgar o andebol em si. CM Eu pessoalmente gosto e acho que devia ser uma aposta no futuro. Para além de continuarmos em contacto com a modalidade é uma vertente muito aliciante.  APAOMA OUT 14 / JAN 15

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O QUE ELES DIZEM...

ANA SEABRA

ANA RITA NEVES

“Vamos tentar expressar o nosso amor por ti, achamos que será muito difícil, pois temos a certeza que nenhuma palavra irá chegar aos pés do nosso orgulho que nutrimos por ti. És a página mais linda que o destino escreveu na nossa vida! Beijinhos

“Sempre foste uma guerreira, quiseste sempre mais e mais e nunca te acomodas-te. Mostras-te sempre aquilo que te caracteriza, uma pessoa destemida, determinada, uma líder, que vai a luta e incentiva as colegas a vitória. Na vida e no desporto tens um longo caminho, passo a passo vais conseguir e nos estaremos sempre a teu lado. Temos muito orgulho em ti.

PAIS

PAIS

Algumas atletas, pelas circunstâncias normais da natureza, tornam-se altas, fortes, possantes. Outras, ainda que sem qualquer menos-valia, não terão tanto poderio físico. A Rita não é uma força da natureza. A Rita é uma força dela mesma, é o trabalho dela mesma, é o resultado do espirito de sacrifício, da dedicação, do empenho e da entrega que ela coloca na forma como treina e joga. Bem sei que não ter nascido alta e possante tornou as vitórias mais difíceis mas foi isso mesmo que as tornou mais aliciantes e sápidas. Uma só palavra bastaria para descrever a ligação da Rita com o andebol: PAIXÃO. ANDRÉ NEVES, Irmão Rita Neves, a maior referência de persistência, força de vontade, trabalho e atitude que alguma vez tive ou terei. É o meu maior orgulho, não só pelo seu talento incrível como jogadora mas mais importante ainda pela pessoa que é.” INÊS TAVARES, Amiga “É uma líder por natureza. Luta, motiva, empolga e é uma máquina de trabalho e que quer sempre aprender. O nosso “Puto” é uma Atleta que qualquer treinador gostaria de ter. Um exemplo e orgulho por ser “ALAGIRL” CARLOS NEIVA, Treinador Alavarium Love Tiles

A Neves é a atleta que até hoje treinei com a postura mais exemplar. Um exemplo para todas as outras na forma como se entrega, como quer evoluir. Além disso, tem uma capacidade de liderança que é inata. Não se

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ensina. É a atleta que todos os treinadores gostariam de ter. Fora de campo encanta pela sua simpatia, generosidade, sentido de humor e porque tem as palavras certas na altura certa. Sou fã, dentro e fora do campo. ULISSES PEREIRA, Amigo, Ex treinador Alavarium Love Tiles

Qual é o maior sonho de uma atleta? Ser a vencedora e subir no pódio! Não creio que exista alguma atleta que não tenha esse sonho. Mas para chegar lá há um longo caminho a seguir e essa caminhada envolve muito esforço e dedicação, e tu Rita és concerteza uma pessoa vencedora. O teu sucesso vem não só dos teus atributos pessoais e talento natural mas também da tua confiança, preseverança, trabalho árduo, paixão pelo desporto e uma grande determinação em vencer. E foram estas qualidades que desde o início vi em ti, quando apareceste no meu caminho como treinador. Rita, foi um enorme privilégio terte como minha atleta e sempre soube que irias vencer e ser merecedora de todo o teu sucesso que já alcanças-te e que ainda irás alcançar, pois tu defines as tuas metas com objetivos elevados e não paras até chegar lá. A cada tua vitória sinto-me mais

priviligiado por te teres cruzado no meu caminho e tenho mais certeza que as tuas próximas batalhas também serão vencidas. ÉS UMA CAMPEÃ. MANUEL ANTÓNIO, Ex Treinador A. D. Sanjoanense

“A Neves é uma guerreira com muita raça, tem um espírito de sacrifício enorme, é humilde e está cheia de talento. Conheço-a há imenso tempo e sempre contamos uma com a outra para os bons e maus momentos. Admiro imenso a forma como ela se entrega imenso sempre que está em campo, ao qual deixa sempre tudo aquilo que sabe e não sabe. É uma pessoa que não conhece o termo “desistir” e tem uma inteligência bastante grande, para mim é sem dúvida uma grande companheira.” PATRÍCIA RODRIGUES, Amiga, atleta JAC Alcanena, (companheira de equipa na Seleção)

O talento da Rita Neves é evidente e a sua juventude não a impede de crescer. A qualidade aliada à garra e determinação é o que a caracteriza e para mim é um orgulho poder contar com ela dentro e fora do campo. Vejo-a como o futuro do andebol português. VIVIANA REBELO, Amiga, atleta Alavarium Love Tiles

“Vive e respira ANDEBOL! Jogou muito, tanto dentro como fora de campo, e ter sido atleta do Alavarium LOVE TILES durante dois anos serviu de exemplo para quaisquer das nossas atletas. Sempre alegre, com vontade de ensinar, ela é a personificação do que deveria ser qualquer atleta Portuguesa. Estou certo que todas as atletas ou pessoas terão sempre algo a aprender com ela. Boa sorte na Seleção Nacional e que o futuro seja risonho, tanto para ela como para Portugal.” CARLOS NEIVA, Treinador Alavarium Love Tiles

Há cerca de 20 anos, fui à Tocha assistir a um estágio de um grupo atletas que seria a base da seleção pela qual iria ser responsável. Ao observar os treinos, fiquei entusiasmado… adivinhava-se talento naquelas jovens, o que preconizava um grupo com excelentes possibilidades de


O QUE ELES DIZEM...

evolução. Desse grupo destacavam-se (ainda mais) algumas atletas, nas quais estava presente uma baixinha “elétrica”, com uma capacidade física notável e um domínio interessante das habilidades técnicas: Ana Seabra. Uma dificuldade … o “jogo” para a Ana girava quase sempre em torno dela. Ao longo dos tempos fomos moldando (Seleção e Clubes) esta jovem que apesar de ter enorme talento, sempre trabalhou imenso e no limite das suas capacidades. Só desta forma foi possível alcançar a carreira tão longa e recheada de êxitos que obteve. Juntamente com outras colegas, a Ana é um exemplo para todas as atletas. Foi uma honra fazer uma parte deste caminho com a Ana, que sempre aceitou com determinação, a elevada exigência que impus no treino e na competição. Apraz-me ainda registar que ao fim destes anos, a confiança, a cumplicidade e a amizade que cultivámos, se mantiveram intocáveis. Desejo à “Seabrinha” as maiores felicidades para o futuro. JOSÉ ANTÓNIO SILVA, Amigo, Ex treinador e Ex Selecionador, (atual Treinador do A. C. Fafe)

A Ana Seabra foi uma das atletas que mais me marcou enquanto treinador! Impõe-se pela perseverança, pelo empenho, tornando estas suas qualidades num extraordinário exemplo que de forma quase impercetível e subtil nas suas capacidades de liderança pelo exemplo e pelas suas extraordinárias qualidades de execução técnica. Em competição é apenas e só “uma guerreira “que se assume e que transporta consigo a garra e a vontade de vencer! JOÃO FLORÊNCIO, Amigo, Ex treinador e Ex Selecionador, (atual Selecionador de Angola)

Ana Seabra (NIta para os amigos) dispensa apresentações e como toda a gente sabe ela anda sempre a mil, mas é mentira, ela anda sempre a cinco mil. Uma das melhores jogadoras com que tive o prazer de jogar, mas mais que isso uma grande Atleta. Uma lutadora dentro e fora de campo, posso mesmo dizer que foi esta característica que nos uniu fora de campo. O que realmente consolidou a nossa amizade foram todas as batalhas que travamos lado a lado fora de campo, muitas das vezes sozinhas e incompreendidas. Costumo dizer que juntas ninguém nos pára. Para terminar quero só acrescentar que tenho imensas saudades de jogar ao lado desta Nita que adoro. VERA LOPES, Amiga, atleta ÍBV – Islândia, (companheira de equipa na seleção nacional)

O furacão que corre em bicos de pés! Foi a Seleção Nacional que nos juntou… Foste a minha primeira companheira de quarto, aquela que fazia banhos de gelo na nossa banheira, companhia para o café e o pastel de nata e muitas conversas entre os treinos Uma lutadora e um exemplo de força e empenho no que faz e no que quer. Tenho a certeza que mesmo fora das quatro linhas a vamos ver a correr em bicos dos pés para muitas conquistas e sucessos. TELMA AMADO, Amiga, atleta ÍBV – Islândia, (companheira de equipa na seleção nacional)

CAROLINA MONTEIRO “Com alegria e alguma teimosia vive empenhada em arriscar e vencer na sua caminhada. É assim a nossa filhota Carolina que muito amamos e apoiamos. PAIS

“É um prazer jogar com uma das melhores jogadoras a nível nacional, que surpreende tanto em campo como a nível pessoal. Conheço-a desde pequena e a evolução que tem registado promete-lhe um futuro risonho. Tenho muito orgulho na Carol. É com certeza uma amiga para a vida!” RITA NEVES, Amiga, Atleta (colega de equipa no Alavarium – A.C.A.)

A Carolina, bem a Carolina é muito mais do que aquilo que as pessoas vêm nos jogos, porque nos jogos vê-se a qualidade e a garra sim, mas ninguém vê o que está por trás, o que ela mostra a cada treino. É uma rapariga determinada, “quando quer, é para chegar lá”! E eu orgulho-me dela, orgulhome da jogadora e da amiga que é, espero que tenha tudo o que merece, pois no que depender de mim vou sempre ajudar, porque amigos são a família que escolhemos e compete-nos a nós protegermo-nos. BRUNA COELHO, Amiga, Atleta (colega de equipa no Alavarium – A.C.A.)

Como pessoa pacífica e amiga do amigo. Como atleta, lutadora e com ótimo potencial para chegar

até onde quiser, merece o lugar onde está na seleção que pertence e tenho a certeza que terá um brilhante futuro pela frente SARA SOUSA “CACAU”, Amiga, Atleta Alavarium Love Tiles

A Carolina é uma rapariga cheia de força e motivação. Define as metas com objetivos elevados e não pára até chegar lá. A meu ver tem um grande futuro pela frente. ANA RIBEIRO, Amiga, Atleta A. A. Espinho Apresenta um Grande potencial na modalidade, boa qualidade técnica e uma excelente condição física. Atleta com margem de progressão, e que poderá ser uma das referências do Andebol Feminino. JUAN MARQUES, Treinador Juvenis Alavarium – Andebol Clube de Aveiro

É um dos produtos da formação, e com a sua vontade, humildade e trabalho poderá ser o futuro do Clube. Rebelde por vezes, líder noutras ocasiões. Nunca desistas de lutar e acredita no teu potencial. CARLOS NEIVA, Treinador Alvarium Love Tiles

A Carolina é uma atleta com objetivos bem definidos. É importante na construção de um grupo sendo uma líder natural, sabendo diferenciar os momentos de lazer e os momentos de trabalho DUARTE NUNO, Treinador 2 Much 4 U (equipa da Carolina Monteiro - Andebol de Praia) APAOMA OUT 14 / JAN 15

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FRENTE -A-FRENTE FEMININO

CLAUDIA AGUIAR

(MADEIRA ANDEBOL SAD)

BI NOME Cláudia José Fernandes Aguiar LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Funchal, 13 de outubro de 1986 ALTURA / PESO 1, 71m/66Kg ESTADO CIVIL Solteira PROFISSÃO Estudante CLUBES Q REPRESENTOU ATE AO MOMENTO Bartolomeu Perestrelo, Club Sports Madeira e Madeira Andebol Sad

Qual o ponto mais forte do adversário? Bom braço E o mais fraco? Ma defensora Como ultrapassa o adversário? Velocidade Qual a melhor atleta portuguesa? E estrangeiro? Eduarda Amorim Qual a melhor atleta portuguesa na sua posição? E estrangeiro? Soraia Lopes e Camilla Herrem Qual a melhor equipa portuguesa da atualidade? E Mundial? Madeira SAD / Gyor

Qual o melhor momento da sua carreira? E o pior? O melhor foi o apuramento que Europeu, e o pior as tentativas falhadas de apuramento Quando terminar a carreira de atleta que pensa fazer? Dedicar-me à minha profissão, e se possível conciliar com o andebol.

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FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

Qual a sua seleção favorita? Portuguesa


FRANCISCA MARQUES (COLÉGIO J. BARROS) BI NOME Francisca Narciso Marques LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Leiria, 24 de agosto de 1995 ALTURA / PESO 1, 63m/60Kg ESTADO CIVIL Solteira PROFISSÃO Estudante – Frequenta o 2º ano do curso de Línguas, Literaturas e Culturas na FCSH, Universidade Nova de Lisboa CLUBES Q REPRESENTOU ATE AO MOMENTO Atlético clube da sismaria, Juve lis e Colégio João de Barros

Qual o ponto mais forte do adversário? Rapidez E o mais fraco? Remates com ângulo reduzido Como ultrapassa o adversário? Antecipação na saída para o contra-ataque Qual a melhor atleta portuguesa? E estrangeiro? Maria Pereira e Anita Görbicz Qual a melhor atleta portuguesa na sua posição? E estrangeiro? Patrícia Rodrigues e Jovanka Radicevic Qual a melhor equipa portuguesa da atualidade? E Mundial? Alavarium e Györ

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

Qual a sua seleção favorita? Dinamarca Qual o melhor momento da sua carreira? E o pior? O melhor foi a conquista do campeonato de Juniores de 2013/2014 e estrear-me nas competições europeias em 2012 pela Juve Lis. O pior foi ter perdido o campeonato de juniores de 2012/2013 com um empate Quando terminar a carreira de atleta que pensa fazer? Seguir o meu percurso profissional, na minha área de estudos. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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FRENTE -A-FRENTE MASCULINO

LUÍS NUNES (DELTA BELENENSES) BI NOME Luís Miguel Vieira Mendes Nunes LOCAL E DATA DE NASCIMENTO 1 de Junho de 1979 ALTURA / PESO 1,85 m/92 kg ESTADO CIVIL Casado PROFISSÃO Professor educação física CLUBES Q REPRESENTOU ATE AO MOMENTO A.C. Fafe, ABC, SL Benfica e Delta Belenenses

Qual o ponto mais forte do adversário? Rapidez/Eficácia E o mais fraco? Não tem. Como ultrapassa o adversário? A base da força… Qual o melhor atleta português? E estrangeiro? Gilberto Duarte / Mikkel Hansen Qual o melhor atleta português masculino na sua posição? E estrangeiro? Ricardo Andorinho / Jacobsen (de sempre) Pedro Solha / Uwe Gensheimer (atual) Qual a melhor equipa portuguesa da atualidade? E Mundial? Belenenses, Barcelona Qual a sua seleção favorita? Portuguesa Qual o melhor momento da sua carreira? E o pior? O melhor, Campeão pelo Benfica em 2007/08 mas não posso deixar de destacar ter sido campeão pelo Fafe embora na 2ºdivisao. O pior foi sem dúvida a lesão grave que tive ano passado no joelho que me afastou 9 meses. Quando terminar a carreira de atleta que pensa fazer? Exercer meu curso e continuar ligado a modalidade.

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PEDRO PORTELA (SPORTING C. P.) BI NOME Pedro André Caseiro Portela LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Leiria, 6 de janeiro de 1990 ALTURA / PESO 185cm/86kg ESTADO CIVIL Solteiro PROFISSÃO Profissional de andebol CLUBES Q REPRESENTOU ATE AO MOMENTO Académico de Leiria e Sporting Clube de Portugal

Qual o ponto mais forte do adversário? Remate E o mais fraco? A velocidade Como ultrapassa o adversário? Através da velocidade Qual o melhor atleta português? E estrangeiro? Tiago Rocha. Mikkel Hansen Qual o melhor atleta português masculino na sua posição? E estrangeiro? Ricardo Moreira (FCP) e Dragan Gajic (Montpellier) Qual a melhor equipa portuguesa da atualidade? E Mundial? O Porto é a melhor equipa portuguesa pelos títulos que tem vindo a conquistar, o Kiel para mim é a melhor equipa do mundo!

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

Qual a sua seleção favorita? França Qual o melhor momento da sua carreira? E o pior? O melhor momento foi a conquista da Taça Challenge, o pior foi a final da Taça de Portugal perdida contra o Xico Andebol. Quando terminar a carreira de atleta que pensa fazer? Estou a tirar o curso de Administração e Gestão Desportiva pois desejo ficar ligado ao desporto quando terminar a minha carreira. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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NÓS LÁ FORA–PRESTÍGIO INTERNACIONAL

João Costa – Delegado EHF 2014 / 2015

EXPERIÊNCIA ENRIQUECEDORA “Quem faz o que gosta, só se pode ser feliz! Ter a possibilidade de conhecer outros países, culturas e pessoas é fantástico.”

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QUAL A SENSAÇÃO DE EXERCER A FUNÇÃO DE DELEGADO NUM JOGO DE COMPETIÇÕES EUROPEIAS? Quem faz o que gosta, só se pode ser feliz! Aliar a nossa modalidade com a possibilidade de conhecer outros países, culturas e pessoas é fantástico. Tenho aproveitado esta experiência, para em cada jogo, evoluir pessoalmente e retirar o máximo possível, para poder colaborar na evolução do andebol/ arbitragem nacional.

NOME João Tiago Joaquim Costa LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Lisboa, 12 de agosto de 1974 DELEGADO EUROPEU DESDE 2008 (1ª jogo em 05/10/2008)

Como uma imagem, vale mais que mil palavras... Junto uma fotografia, de uma situação passada num jogo em Volendam, Holanda, juntamente com uma dupla lituana. Se imaginarem que antes da foto, tínhamos acabado de comer peixe cru (arenque).

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QUAIS AS MAIORES DIFERENÇAS QUE ENCONTRA NO DESEMPENHO DA FUNÇÃO ENTRE A COMPETIÇÃO NACIONAL E OS JOGOS DAS COMPETIÇÕES EUROPEIAS? Apenas podemos comparar o nosso desempenho em campo, pois nas competições europeias temos muito mais tarefas do que as realizamos em Portugal. Em campo, apesar de a função ser a mesma, a nível europeu o respeito e a aceitação de um delegado é enorme, somos os representantes da EHF e a nossa função está bem definida e a nossa credibilidade é elevada, em Portugal isso não acontece, ainda somos vistos pelos clubes de uma forma desconfiada, mas julgo que no futuro esta situação tende a alterar, com um processo de credibilização da função e dos seus representantes.

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NA SUA OPINIÃO, ENTENDE SER POSSÍVEL ALGUM DIA, OS DELEGADOS EM PORTUGAL TEREM AS CONDIÇÕES QUE TÊM NA EHF? Que condições? Financeiras? Nós em Portugal temos “prémio de jogo”, na EHF não o temos... Acho que o que precisamos em Portugal é o que mencionei na questão anterior, aliado a uma formação contínua do quadro de Delegados-

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NOS VÁRIOS JOGOS EUROPEUS EM QUE JÁ ESTEVE PRESENTE, TEVE ALGUM EPISÓDIO ENGRAÇADO QUE AINDA HOJE SE RECORDE?

COMO VÊ O NÍVEL DAS NOSSAS DUPLAS EHF E IHF COMPARADO COM AS DUPLAS QUE ENCONTRA NOS JOGOS EM QUE PARTICIPA? As nossas duplas são fantásticas, não ficamos atrás de nenhum país, agora não podemos adormecer e temos que pensar no futuro, pois as presentes duplas não são eternas. Muito obrigado pela oportunidade de falar um pouco sobre a minha função e gostaria de agradecer a 3 x pessoas bastante importantes nesta aventura internacional, há minha mulher (claro!), ao meu amigo e camarada José Macau, companheiro de muitos bons e poucos maus momentos, que sempre esteve do meu lado e ao Eng. Rui Coelho, apesar de poucos momentos em comum, foram bastante enriquecedores e importantes para mim. 


Manuel da Conceição – Delegado EHF 2014 / 2015

EMOÇÃO E ORGULHO ENORMES “O nível das nossas duplas comparadas com as outras da EHF ou IHF, só quero dizer que nós temos das melhores duplas Mundiais!”

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QUAL A SENSAÇÃO DE EXERCER A FUNÇÃO DE DELEGADO NUM JOGO DE COMPETIÇÕES EUROPEIAS? Em primeiro lugar dizer que é com enorme honra que represento Portugal e o Andebol no exterior, sou muito patriota e quando vejo a nossa bandeira hasteada em qualquer Pavilhão, encheme de emoção e orgulho representar o meu País e Andebol Português, tarefa essa que procuro fazer de forma exemplar para que o Andebol e Portugal saiam prestigiados.

2

QUAIS AS MAIORES DIFERENÇAS QUE ENCONTRA NO DESEMPENHO DA FUNÇÃO ENTRE A COMPETIÇÃO NACIONAL E OS JOGOS DAS COMPETIÇÕES EUROPEIAS? A diferenças não são muitas, no entanto as relações impessoais por vezes são mais frias no exterior, nós latinos somos muito mais emotivos na forma como lidamos com o jogo, provocando estados de alma diferentes durante as competições ao contrário dos Países do Centro e Norte da Europa muito mais frios e menos emocionais.

3

NA SUA OPINIÃO, ENTENDE SER POSSÍVEL ALGUM DIA, OS DELEGADOS EM PORTUGAL TEREM AS CONDIÇÕES QUE TÊM NA EHF? Quanto aos Delegados em Portugal terem as mesmas condições que na EHF não vejo que isso seja um grande obstáculo, nós já hoje em Portugal adotamos as mesmas formas de funcionamento que nas diferentes competições europeias, As tarefas dos

Delegados num jogo do Campeonato Português são similares as de qualquer competição a nível Europeus (exceto a avaliação). Não podemos nem devemos ser velhos do Restelo e fechar-nos na nossa carapaça, devemos estar sempre atualizados e na mesma linha daquilo que de melhor se faz por essa Europa. Nós em Portugal temos sido pioneiros em algumas áreas relacionadas com o Andebol nomeadamente, no Boletim de jogo Online, não tenho conhecimento de ninguém no Mundo o faça como nós, esperemos também que nesta área no futuro estejamos acima daquilo que é expectável.

4

NOS VÁRIOS JOGOS EUROPEUS EM QUE JÁ ESTEVE PRESENTE, TEVE ALGUM EPISÓDIO ENGRAÇADO QUE AINDA HOJE SE RECORDE? tenho alguns episódios passados ao longo dos 7 anos em que sou Delegado na Europa, mas aquele mais “engraçado” tem ver com uma situação passada num jogo na Bélgica num Hotel em Genk, os árbitros eram de um Pais próximo viajavam de carro e como tal partiram logo após o jogo, eu só viajava na Segunda-feira fui para o hotel dormir. Pela manhã quando acordei dirigi-me ao pequeno almoço e não encontrei ninguém, nem na receção nem na copa, procurei por todo o Hotel, ninguém, fui obrigado a contactar com o Clube da Casa que entrou em contacto com o Responsável do Hotel, que veio ao meu encontro, tendo ficado muito admirado como é que tinha um

NOME Manuel António Varela da Conceição LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Aljustrel, 1 de outubro de 1957 DELEGADO EUROPEU DESDE Setembro 2008

cliente no Hotel e ele não sabia, nessa noite a única pessoa que ficou a dormir naquele Hotel fui eu.

5

COMO VÊ O NÍVEL DAS NOSSAS DUPLAS EHF E IHF COMPARADO COM AS DUPLAS QUE ENCONTRA NOS JOGOS EM QUE PARTICIPA? O nível das nossas duplas comparadas com as outras da EHF ou IHF, só quero dizer que nós temos das melhores duplas Mundiais! Prova disso, são as constantes nomeações Internacionais que as nossas duplas tem sido sujeitas ao longo dos Anos, temos um conjunto de árbitros muito jovens que são considerados e respeitados quer na IHF quer na EHF as nossas duas duplas IHF tem estado sempre ao melhor nível nas Competições a que são chamados a intervir. Também os árbitros EHF tem participado em campeonatos europeus e qualificações com bons feedback, as constantes nomeações são sinónimo de confiança e respeito pelo trabalho desenvolvido. A Dupla feminina está no início da sua atividade europeia, mas penso que dado o seu valor, muito em breve estará num patamar muito similar às duplas europeias, o que só dignificará Portugal o Andebol e a Arbitragem. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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NÓS LÁ FORA–PRESTÍGIO INTERNACIONAL

José Jorge – Delegado EHF 2014 / 2015

“CALOIRO”, COM AMBIÇÃO “O simples facto de ver a bandeira de Portugal hasteada pela minha presença é um fator de orgulho enorme.”

1

QUAL A SENSAÇÃO DE EXERCER A FUNÇÃO DE DELEGADO NUM JOGO DE COMPETIÇÕES EUROPEIAS? É um grande prazer representar o Andebol do nosso país alémfronteiras. O simples facto de ver a bandeira de Portugal hasteada pela minha presença é um fator de orgulho enorme e constitui uma motivação extra para o desempenho das minhas funções. Depois, há que salientar que os jogos das competições europeias, pelo menos aqueles em que participei, foram disputados em clima de festa. Não obstante os aspetos competitivos, na esfera internacional, os intervenientes procuram disfrutar na plenitude aquele momento especial.

2

QUAIS AS MAIORES DIFERENÇAS QUE ENCONTRA NO DESEMPENHO DA FUNÇÃO ENTRE A COMPETIÇÃO NACIONAL E OS JOGOS DAS COMPETIÇÕES EUROPEIAS? A principal diferença é que nas competições europeias o Delegado acumula a função de Observador. As duas tarefas que temos de assegurar em simultâneo tornam o desempenho muito mais complexo. O nível de concentração necessário é enorme e no final dos jogos sintome bastante mais desgastado. O facto de ter de avaliar elementos, que na realidade pertencem à minha equipa, torna a missão mais complicada, uma vez que

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APAOMA OUT 14 / JAN 15

se torna indispensável manter o distanciamento necessário à realização de uma justa avaliação.

3

NA SUA OPINIÃO, ENTENDE SER POSSÍVEL ALGUM DIA, OS DELEGADOS EM PORTUGAL TEREM AS CONDIÇÕES QUE TÊM NA EHF? Relativamente às condições de trabalho disponibilizadas para o exercício da função, não vejo, sinceramente, grandes diferenças. Tive uma experiência na Suíça onde, dado o superior nível de vida que se pratica no país, disponibilizaram-me, de facto, condições a todos os títulos excecionais. Entendo isso com naturalidade dado o enquadramento verificado. Na realidade não foi só ao Delegado que foram proporcionadas essas excelentes condições, mas também às equipas e até ao público. Tive uma outra experiência em França em que as condições proporcionadas foram semelhantes ou até inferiores às que encontramos nos nossos melhores pavilhões.

4

NOS VÁRIOS JOGOS EUROPEUS EM QUE JÁ ESTEVE PRESENTE, TEVE ALGUM EPISÓDIO ENGRAÇADO QUE AINDA HOJE SE RECORDE? A minha curta carreira neste domínio, já que apenas esta época iniciei funções como Delegado da EHF, ainda não me permite eleger nenhuma situação muito digna de registo. De qualquer forma, não deixou de ser original,

NOME José Manuel Pinto Cameirão Jorge LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Lisboa, 16 de junho de 1963 DELEGADO EUROPEU DESDE 2014/2015

logo à segunda participação, ter uma eliminatória a decidir-se por desempate através de lançamentos de 7 metros. Felizmente estava preparado para essa eventualidade e tudo correu de forma absolutamente normal.

5

COMO VÊ O NÍVEL DAS NOSSAS DUPLAS EHF E IHF COMPARADO COM AS DUPLAS QUE ENCONTRA NOS JOGOS EM QUE PARTICIPA? Considero que, de momento, estamos bastante bem servidos em termos da qualidade das nossas duplas internacionais. Assim, tendo em conta a boa qualidade das duplas com que trabalhei nos jogos internacionais em que participei, posso dizer que os nossos árbitros EHF têm um nível semelhante e os nossos árbitros IHF já se encontram num patamar superior àqueles com que tive oportunidade de trabalhar. 

NOTA DE DIREÇÃO: A Revista APAOMA enviou a todos os delegados europeus a mesmas questões: só obtivemos resposta de três delegados: João Costa, José Jorge e Manuel da Conceição. Lamentavelmente António Goulão e Rui Coelho optaram por não responder não dando qualquer justificação até ao fecho da edição


DESTAQUES

Mário Bernardes

O SENHOR ANDEBOL DE PRAIA Portugal tem condições excelentes para a prática da modalidade, praias e climas excelente só temos que aproveitar. Somos obrigados a estar na linha da frente

Q

que balanço faz do atual estado do Andebol de Praia em Portugal? O Andebol de Praia tem tido um incremento substancial nestes últimos anos que muito se deve ao trabalho desenvolvido pelas Associações Regionais. De ano para ano os Torneios têm cada vez mais qualidade, e o interesse pela modalidade é cada vez maior. Realizaram-se na época passada, além do 1º Congresso de Andebol de Praia, 22 Torneios de norte a sul do País, contando com mais de 1700 atletas e 153 equipas (em 2011 tínhamos 700 atletas e 80 equipas). É sem dúvida o sinal da cada vez maior apetência por esta vertente do Andebol. Em termos Internacionais participámos com a Seleção de sub-18 masculina no Campeonato Europeu disputado em Lorca – Espanha, tivemos a 1ª participação por direito desportivo na Final do EBT “European Beach Tour” em Salónica na Grécia, e garantimos a presença dos Campeões Nacionais, femininos e masculinos, na 1ª Taça dos Campeões Europeus realizada na Gran Canária no início deste mês. Conseguimos pelo segundo ano consecutivo ter equipas Portuguesas, masculinas e femininas no TOP 10

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APAOMA OUT 14 / JAN 15

Mário Bernardes um dos grande dinamizadores do andebol de praia em Portugal

Europeu, que nos garante o direito de estar representados novamente na próxima Final do “EBT” a disputar em finais de maio do próximo ano. As equipas estão muito mais estruturadas, o aparecimento dos Centros de Formação são muito importantes e a qualidade do jogo tem crescido exponencialmente. A Fase Final de Esmoriz teve jogos emocionantes e de um nível altíssimo. Quero salientar o impulso integrador da atual direcção da Federação de Andebol de Portugal ao introduzir o Andebol de Praia como tema nas

Assembleias Gerais da Federação e nas reuniões com as Associações Regionais. Foram dados passos muito importantes e o balanço só pode ser positivo, estando ciente que muito há para fazer. Atendendo ao desenvolvimento verificado na modalidade nos últimos anos, quais os próximos passos para fazer evoluir ainda mais esta vertente do Andebol? Melhorar a coordenação ao nível da comunicação e promoção para aproximar mais a modalidade do seu público. Formar mais e aumentar o quadro de arbitragem do Andebol de Praia para que esta evolução seja devidamente acompanhada. Após conversas com o Conselho de Arbitragem da Federação de Andebol de Portugal concluímos também a importância de marcar presença nos grandes eventos Internacionais com Árbitros e/ou Delegados. Estruturar de uma forma mais consistente o projecto das Seleções Nacionais. Ser cada vez mais exigente com as organizações dos Torneios e trazer mais equipas estrangeiras às nossas competições. A criação das selecções pode ser uma aposta de futuro para as vitórias nas grandes competições? Sem dúvida que sim, a nossa qualidade de jogo tem sobressaído nas últimas competições internacionais. Apesar da maior parte dos atletas jogarem nas competições “indoor”, a colaboração dos Clubes tem sido cada vez maior, permitindo assim uma representação com os melhores. O “tabu” parece que está a chegar ao fim. Portugal tem condições excelentes para a prática da modalidade tanto


ao nível de praias como climáticas, só temos que aproveitar. Somos obrigados a estar na linha da frente. A competição interna no próximo ano irá sofrer alguma alteração de vulto? Queremos dar alguma estabilidade ao modelo competitivo, porque achamos que é importante para o crescimento. Apesar disso poderão surgir algumas (ligeiras) alterações por forma a melhorar ainda mais o espectáculo. O esforço vai também basear-se na tentativa de diminuição de gastos das equipas, mantendo o nível competitivo. Reconhecemos que o esforço é enorme, ainda mais quando falamos em equipas pouco estruturadas mas que têm dado grandes lições aos Clubes mais organizados. Na sua perspectiva o que ainda falta fazer para uma maior expansão da competição no nosso país? Acabar de uma vez por todas com as críticas sem fundamento, e perceber que este é um dos caminhos para fazer crescer o Andebol. Nós levamos o espectáculo ao público, o que não acontece nos pavilhões, e é isto que temos que aproveitar. O recrutamento para o “indoor” pode também ser feito aqui, o espírito é muito mais “cool” e funciona como elemento facilitador da “venda”. Técnicos credenciados defendem o Andebol de Praia como muito importante na preparação dos atletas de “indoor”, sendo uma forma saudável de ocuparem o defeso e onde as lesões são quase inexistentes. Cada vez são mais os atletas de topo do “indoor” a participar no Andebol de Praia, e não é caso virgem a chamada de atletas Internacionais de Andebol de Praia às Seleções de ”indoor”. A introdução da modalidade no

No warm up da 1ª Edição da Taça dos Campeões Europeus

Desporto Universitário (FADU) deve este ano tornar-se realidade. A construção de caixas de areia fora das praias (escolas e cidades), que estamos a potenciar, serão sem dúvida um passo muito importante para o crescimento. Existe alguma perspetiva para a realização de uma grande competição em Portugal? O nosso País é constantemente aliciado a organizar grandes competições, dadas as condições que possuímos e a qualidade dos eventos que realizámos. As competições de Seleções estão atribuídas até 2016, mas é nossa intenção candidatarmonos a curto prazo à organização de um Campeonato de Seleções. A Associação de Comités Olímpicos colocou a hipótese de avançar com a realização de uns Jogos Olímpicos de Praia em 2017. O que pode adiantar sobre essa intenção? Na última reunião de trabalho da EHF, em que tive o privilégio de participar, foi muito discutida a questão do nosso reconhecimento como modalidade olímpica. O objectivo de aparecer nos Jogos Olímpicos de Verão não está posto de

parte e parece ter cada vez mais força para se tornar realidade. Estavam previstas algumas alterações regras que foram postas de lado, precisamente para dar mais consistência, e tornar o Andebol de Praia mais forte e consolidado. Esta reunião dos Comités Olímpicos pode ter aberto mais uma porta, mas pode não ser este o caminho, parecem-me mais orientados para os desportos aquáticos. O Andebol de Praia tem força para estar nos Jogos Olímpicos de Verão. A concretizar-se a realização desses Jogos Olímpicos de Praia, o Andebol será uma das modalidades cabeça de cartaz? Se assim for, com certeza que sim. O crescimento é notável e a aposta das grandes potências na modalidade, dentro e fora da Europa, vai ser importantíssima. A realização em Nova Iorque (EUA) do 1º Curso de Andebol de Praia numa Universidade, e a entrada da Alemanha, participando pela primeira vez como Seleção, em masculinos e femininos, nos Próximos Europeus de sub-19 e Seniores, são sinais importantes do reconhecimento da modalidade. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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DESTAQUES – ANDEBOL PRAIA

Champions Cup 2014

NOTA POSITIVA PARA A ESTREIA! V Gaw – Café do Rossio e N.Belchior – Acad Leiria, as primeiras equipas portuguesa a disputar a Champions de Beach Handball. Nota positiva na estreia

de novembro. Este é, sem sombra de dúvidas, um lugar excelente para a nossa equipa, que apenas perdeu com as duas formações finalistas (Croácia e Rússia). A competição não começou da melhor forma para nós, pois calhámos no grupo claramente mais forte, e o facto de termos jogado contra as equipas que viriam a ser finalistas logo no primeiro dia de competição não nos favoreceu em nada. Fica a sensação de dever cumprido, e de termos elevado tanto o nosso nome como o nome de Portugal bem alto. As dificuldades foram muitas, desde o dinheiro que tivemos de despender, passando pelo grupo em que calhámos, e acabando na calendarização que não nos favoreceu em nada. Apesar de tudo isso alcançámos resultados bastante positivos: defrontámos equipas profissionais de andebol de praia, que treinam 5 vezes por semana, e o saldo final foram 3 vitórias e 2 derrotas. Como já esperávamos, os primeiros dois jogos (contra as equipas da Russia e Croacia) foram os mais difíceis, fruto de terem sido realizados no 1º dia de competição e pelas dificuldades acrescidas que os

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APAOMA OUT 14 / JAN 15

FOTO CEDIDA PELA EQUIPA VAKEDO GAW

A

cabámos por conquistar o 5º lugar na Taça dos Campeões, realizada na Gran Canária de dia 31 de outubro a 2

V. Gaw – Café do Rossio na taça dos campeões europeus

nossos adversários nos impuseram devido à sua qualidade. No jogo contra os Russos, equipa que se veio a sagrar campeã nesta competição, a nossa equipa conseguiu disputar o jogou taco a taco, tendo apenas sido derrotada nos shot-outs. No segundo jogo, com a equipa Croata, devido aos maus inícios em ambas as partes a nossa equipa acabou por perder os dois períodos, não conseguindo contrariar a maior qualidade apresentada pelo adversário. No dia seguinte, seguiram-se mais dois jogos, desta feita contra as equipas Grega e Italiana. Ambos terminaram com vitórias da nossa equipa, sendo de registar um excelente jogo contra a equipa Italiana, com parciais em

ambas as partes muito desnivelados, facto que não é revelador da qualidade da equipa Italiana, mas só possível pois o V. Gaw realizou uma partida exemplar. Conquistámos assim o direito de disputar os 5º e 6º lugares. No terceiro e último dia de competição, calhou-nos em sorte a equipa da Holanda, que por sinal possui um jogador Português, o qual eleva a qualidade de jogo desta equipa. Sabendo das dificuldades que os Holandeses iriam criar, o V.Gaw desde cedo, foi eliminando o estilo de jogo dos Holandeses, o que permitiu averbar mais uma vitória nos 2 parciais, conquistando o 5ºlugar na prova. Apesar de a nossa missão ter sido cumprida, o nosso espírito não


nos deixa estar contentes a 100%. Não estamos habituados a festejar 5ºs lugares, e não foi desta vez que o fizemos. No entanto, há que dar os parabéns a todos, agradecer o apoio fundamental dos nossos patrocinadores, nomeadamente: - Café Rossio; - Onebuild; Audiodecor; - Ventil Engenharia do Ambiente; - Bresimar Automação; - D.R.B. Gabinete de Contabilidade; - União das Freguesias da Glória e Vera Cruz; - AJM; - Multiaveiro. e de todos que nos acompanham pelo facebook (www.facebook. com/bhv.gaw) e nos dão a força que precisamos. Muito obrigado. Foi um fim de semana excelente, a diversão foi muita, a competição foi ótima e o espírito de companheirismo e fair play entre

os adversários foi exemplar. Foi um orgulho estarmos entre as melhores equipas da Europa, e sabendo das inúmeras dificuldades que vamos ter para voltar a estar numa competição desta dimensão devido à qualidade das equipas portuguesas, prometemos, anos após ano, dar tudo o que temos para o conseguir. Um apelo que queremos todos fazer, não só nós V.Gaw, mas também todas as outras equipas certamente, é que apostem nesta modalidade. O andebol de praia é sem dúvida das modalidades mais espetaculares que temos no nosso País, e face ao seu enorme crescimento dos últimos anos, face à crescente aposta das organizações regionais, das equipas, etc, consideramos que é tempo de acreditarem e apostarem

mais no andebol de praia. Tanto a conquista do Campeonato Nacional, como o desempenho europeu que conseguimos, aumentaram, sem dúvida, as nossas responsabilidades. Assim sendo, a nossa equipa tem vindo a tomar algumas medidas que visam posicionar-nos num patamar bastante superior tanto a nível fiscal, como social, entre outros. Convidamos todos a estarem atentos ao nosso site (www.facebook.com/bhv.gaw), pois várias novidades irão surgir, novidades essas que acreditamos serem do interesse de todos. Muito obrigado mais uma vez, um abraço a todos e parabéns a PORTUGAL, que está entre as 5 melhores equipas do velho continente. Texto V. Gaw – Café do Rossio 

NOTÍCIAS NOTÍCIAS NOTÍCIAS NOTÍCIAS NOTÍCIAS NOTÍCIAS NOTÍCIAS NOTÍCIAS As 100ONDAS (N.BELCHIOR/ACADÉMICO DE LEIRIA) disputaram a Taça dos Campeões Europeus nos dias 31 de Outubro, 1 e 2 de Novembro em Gran Canária na Playa del Inglês. A preparação para esta prova foi muito condicionada pelos compromissos das atletas nos seus clubes (ADA CJBarros, JAC Alcanena e SIR 1ºMaio). No entanto a expectativa era grande e o sonho de chegar às medalhas estava presente em todo o grupo. Na 1ª jornada, contra a equipa polaca BHT Piotrkowianin JPT, as 100ONDAS venceram 2-0 com os parciais de 12-11 e 15-7, demonstrando uma clara superioridade. No jogo da tarde, perderam com as húngaras do OVB Beach Girls no shoot out (5:6), tendo perdido o 1º parcial por 11-5 e vencendo o 2º por 20-15. No sábado, defrontaram a grande equipa croata do Detono Zagreb e perderam 2-0 (13-8 e 15-13). O jogo da tarde, com as alemãs do Bruder Ismaning, era decisivo para uma possível passagem às meias finais da prova. O 1º parcial de 15-5 demonstra bem a superioridade das 100ONDAS. No entanto, no 2º parcial o resultado foi de 9-13 com a dupla de árbitros noruegueses a serem os principais protagonistas pelas piores

razões. No shoot out foram vários os lances em que a equipa portuguesa se sentiu prejudicada face a uma equipa alemã que em nada nos foi superior mas que contava com cerca de 300 adeptos nas bancadas. Na atribuição do 7º e 8º lugares a vitória sorriu à equipa espanhola Cubas Llopis BM Playa Sevilla por 2-0 num jogo sem história

e que finalizou a participação feminina portuguesa na Taça dos Campeões Europeus de Andebol Praia. A experiência foi fantástica e esperamos repetir no futuro com outro tipo de condições e preparação. Um especial agradecimento aos nossos patrocinadores que tornaram possível esta participação.

APAOMA OUT 14 / JAN 15

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DESTAQUES – ANDEBOL PRAIA

TAÇA DOS CAMPEÕES EUROPEUS DE ANDEBOL PRAIA 2014 MASCULINOS CLASSIFICAÇÃO – GRUPO A CL

NOME

J

V

D

SETS

PTS DIF

PTS

BHC SKKM-Ekaterinodar

4

4

0

08 : 01

7

8

Detono Zagreb

4

3

1

06 : 03

3

6

V. GAW - CAFÉ DO ROSSIO

4

2

2

05 : 05

0

4

Pallamano Grosseto

4

1

3

03 : 07

-4

2

A. C. Kiklopes Alexandoupoli

4

0

4

02 : 08

-6

0

J

V

D

SETS

PTS DIF

PTS

CLASSIFICAÇÃO – GRUPO B CL

NOME

Club BM Playa Ciudad de Malaga

4

4

0

08 : 00

8

8

Dabas Beach Boy’z

4

3

1

06 : 05

1

6

Paksoft Camelot

4

2

2

05 : 04

1

4

“Nordlichter” Oldenburg

4

1

3

03 : 07

-4

2

Copaca Bale

4

0

4

02 : 08

-6

0

CLASSIFICAÇÃO NACIONAL

CAMPEÃO NACIONAL

BHC SKKM-Ekaterinodar

Detono Zagreb

BHC SKKMEkaterinodar

Dabas Beach Boy’z

Club BM Playa Ciudad de Malaga

V. GAW - CAFÉ DO ROSSIO

Paksoft Camelot

“Nordlichter” Oldenburg

Pallamano Grosseto

Copaca Bale

10º A. C. Kiklopes Alexandoupoli

60

APAOMA OUT 14 / JAN 15


3 PERGUNTAS A MASTER´S MASCULINOS E FEMININOS

INÊS CABAÇA KEMPA ONLINE

1

Estando tu numa das equipas mais fortes do Andebol Praia Nacional, o que pensas que falta para a tua equipa ser campeã nacional? Fomos eliminadas este ano nas meias-finais em contra-ataques, o que nos deixou tristes. No entanto, demos tudo e tínhamos tudo para conseguir passar à final, não sinto que falte algo, talvez um pouco mais de sorte. No próximo ano vamos procurá-la.

2

Como atleta de indoor e também de praia, qual a variante que preferes? O que te leva a ter essa preferência? É difícil responder a esta pergunta. Na modalidade indoor temos mais competição, uma maior responsabilidade. O andebol praia tem

outro contexto completamente diferente. É, talvez, menos sério e aliado a sol e praia torna a competição descontraída, e também a existência de golos que valem 2 permite a espetacularidade. Existe convivência entre todos e um maior fair play, o que não acontece tanto em indoor. São distintos e, por isso, não me faz ter preferência.

3

Para termos um Andebol de Praia melhor, oque alterarias num futuro próximo? (Por exemplo número de equipas nas etapas, forma de disputa do campeonato, duração e número de etapas…)

TIAGO RESENDE ANTONY MORATO

1

Estando tu numa das equipas mais fortes do Andebol Praia Nacional, o que pensas que falta para a tua equipa ser campeã nacional? SSinceramente acho que o que faltou à minha equipa (Antony Morato) para ser campeã nacional foi um pouco de experiência nos momentos decisivos. Neste verão tivemos uma excelente prestação, tendo perdido muito poucos jogos nos 5 torneios em que participamos. No entanto, apesar de termos feito uma grande fase final do campeonato, sucumbimos na final devido a um jogo menos conseguido da nossa parte. Com certeza aprendemos com os erros cometidos nesse jogo e para o próximo ano estaremos para lutar novamente por esse título.

2

Como atleta de indoor e também de praia, qual a variante que preferes? O que te leva a ter essa preferência? Essa é uma pergunta difícil de responder mas como atleta de ambas as modalidades, prefiro a variante indoor pois foi essa variante que me fez gostar de andebol desde muito novo. Sem dúvida que o andebol de praia é uma modalidade em progressão e que também gosto bastante de praticar mas a variante indoor sempre me atraiu mais.

3

Para termos um Andebol de Praia melhor, o que alterarias num futuro próximo? (Número de equipas

Quanto maior o número de equipas, maior a competição, mais interessante e acho que o andebol de praia ainda não chegou a todos. Há várias zonas no país com bastante prática de andebol indoor, que o andebol de praia podia incidir. Outro aspeto que considero que podia ser melhorado é o facto de, muitas vezes para reduzir o número de jogos, devido ao elevado número de equipas a participar, chegou a acontecer, numa ou duas etapas, a existência de um só grupo, em que jogámos todas contra todas e, conforme a classificação, o primeiro classificado jogou imediatamente a final contra o segundo classificado, o 3º e 4º classificados jogaram o 3º e 4º lugares e assim sucessivamente. A não existência de, no mínimo, meiasfinais ou jogos a eliminar retira alguma espetacularidade já aliada ao andebol de praia.

nas etapas, formas de disputa dos campeonatos, duração e número de etapas…) Relativamente a esta questão e com o intuito de melhorar a qualidade da nossa modalidade de eleição durante o período de praia, penso que teríamos que criar um campeonato nacional em modo de concentração (Exemplo...duas etapas em Leiria... uma no porto e outra em Aveiro). Infelizmente são apenas estes os campeonatos regionais existentes na modalidade e com as suas equipas a participarem regularmente na fase final. Penso que os campeonatos regionais deveriam continuar a existir assim como uma fase final, no entanto, estariam apuradas todas as equipas que fizessem parte desse campeonato nacional e haveria posteriormente uma fase de apuramento entre as equipas campeãs regionais. APAOMA OUT 14 / JAN 15

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3 PERGUNTAS A ROOKIE’S MASCULINOS E FEMININOS

TIAGO FERREIRA E.F.E. OS TIGRES

1

Como descreves a sensação de ser campeão nacional de andebol de praia? É incrível! A conquista do campeonato nacional é a recompensa de um grande trabalho feito ao longo de todo verão e de muitas horas em prol desse objetivo. Ser reconhecido por isso é, sem dúvida, espetacular pois todo o grupo trabalhou para que este “sonho” fosse possível, o que nos deixa bastante felizes.

2

Como atleta de indoor e também de praia, qual a variante que preferes? O que te leva a ter essa preferência? O Andebol de praia, apesar desta variante ainda não assumir, em Portugal, um carácter tão sério

como a variante indoor. A minha preferência pela praia é alimentada pelo andebol espetáculo que nos é proporcionado e pela envolvência. Conjugar a praia com o andebol é algo maravilhoso, e é isso que me cativa e faz trabalhar cada vez mais, para poder chegar a um nível mais elevado.

3

Para termos um Andebol de Praia melhor, oque alterarias num futuro próximo? (Por exemplo número de equipas nas etapas, forma de disputa do campeonato, duração e número de etapas…) Alteraria, principalmente, o número de etapas para alargar ao máximo o

período de competição, penso que um mês é muito pouco. A meu ver, dois meses de competição com etapas a nível nacional espalhadas por diferentes regiões do país seriam a melhor opção. O número de equipas inscritas também é muito reduzido, pelo menos no escalão de rookies na Associação de Aveiro, onde participei, penso que, se as etapas fossem a nível nacional haveria muitas mais equipas e muitos mais jogos o que iria aumentar a competitividade entre as equipas e a sua consequente evolução. Por fim, devido ao facto de estas se realizarem em diferentes zonas do país, iam de certa forma dinamizar e divulgar o andebol de praia e cativar os jovens à prática da modalidade.

INÊS LIMA 2 MUCH 4 YOU

1

Estando tu numa das equipas mais fortes do Andebol Praia Nacional, o que pensas que falta para a tua equipa ser campeã nacional? o Alavarium Love Tiles? Ganhar este título, foi um misto de emoções, não só o orgulho e o prazer de uma realização a nível de atleta mas também uma felicidade de o puder partilhar junto de uma equipa fantástica. Este foi um objetivo cumprido por toda a dedicação e trabalho que tanto eu, como a equipa e treinadores, viemos a desenvolver durante o verão e por isso, ser campeã nacional deume uma satisfação enorme.

62

APAOMA OUT 14 / JAN 15

2

Como atleta de indoor e também de praia, qual a variante que preferes? O que te leva a ter essa preferência? Acho que é impossível escolher. São duas vertentes do andebol que se completam e completam um atleta. Contudo acho que no indoor levamos a competição muito mais séria e esta exige mais de nós, enquanto o andebol de praia é bastante mais descontraído, ótimo para conviver e fazer o que mais gostamos nas férias, ao ar livre, num ambiente mais desanuviado.

3

Para termos um Andebol de Praia melhor, o que alterarias num futuro próximo? (Número de equipas nas etapas, formas de disputa dos campeonatos, duração e número de etapas…) Gostava que mudasse a forma de disputa do campeonato nas etapas porque como era por grupos tínhamos poucos jogos por dia. Acho também uma boa ideia em vez de fazerem jogos de manhã cedo, estes passarem para mais tarde ou até à noite. Mas em geral, acho que o funcionamento do Andebol de Praia tem sido bom.


DESTAQUES – ANDEBOL PRAIA

TAÇA DOS CAMPEÕES EUROPEUS DE ANDEBOL PRAIA 2014 FEMININOS CLASSIFICAÇÃO – GRUPO A CL

NOME

J

V

D

SETS

PTS DIF

PTS

Detona Zagreb

4

4

0

08 : 00

6

6

Brüder Ismaning

4

2

3

04 : 06

-2

4

OVB - Beach Girls®

4

2

2

05 : 06

-1

2

N. BELCHIOR - ACAD. DE LEIRIA

4

1

3

04 : 06

-2

2

BHT Piotrkowianin Juko Piotrków

4

1

3

03 : 06

-3

2

J

V

D

SETS

PTS DIF

PTS

CLASSIFICAÇÃO – GRUPO B CL

NOME

Skrim Kongsberg

4

3

1

07 : 06

5

6

FIGH Esercito Futura Roma

4

3

1

06 : 03

3

6

Beachqueens

4

2

2

04 : 05

-1

4

Cubas Llopis BM Playa Sevilla

4

2

2

06 : 05

1

4

Paksoft Camelot

4

0

4

00 : 08

-8

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CLASSIFICAÇÃO NACIONAL 1º

SKRIM KONGSBERG

Detono Zagreb

FIGH Esercito Futura Roma

Brüder Ismaning

OVB - Beach Girls®

Beachqueens

Cubas Llopis BM Playa Sevilla

N. BELCHIOR - ACAD. DE LEIRIA

BHT Piotrkowianin Juko Piotrków

CAMPEÃO NACIONAL

Skrim Kongsberg

10º Paksoft Camelot

APAOMA OUT 14 / JAN 15

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APAOMA – NORTE

Francisco Leite Representante Núcleo APAOMA Norte

É DO NORTE O 1º NÚCLEO APAOMA

No Porto, está criado o primeiro núcleo regional da APAOMA. Francisco Leite aborda os seus objectivos

C

como surgiu a possibilidade de ser criado o núcleo Norte da APAOMA? A criação de um Núcleo de árbitros e oficiais de mesa de Andebol a Norte surge da conjugação de vontades entre um grupo de associados filiados na A. A. Porto e a direcção da APAOMA. Por um lado, entendíamos que algumas questões como por exemplo a representação da classe, a captação de novos árbitros, a sponsorização ou a formação poderiam ser mais e melhor exploradas, e por outro lado tínhamos a consciência de que a criação de dinâmicas a nível local deviam, pelas suas características, contar com o envolvimento e empenho daqueles que são a principal parte interessada: os árbitros e oficiais de mesa. No mesmo sentido e sendo objectivo da APAOMA descentralizar a sua actuação e desenvolver estratégias de intervenção e dinamização local, o aparecimento de um grupo de pessoas com vontade de trabalhar a Norte constituiu uma oportunidade para avançar com o projecto de criação de um núcleo.

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APAOMA OUT 14 / JAN 15

Quais os primeiros passos dados nesse sentido? Como qualquer outra organização o segredo do sucesso passa por identificar necessidades, traçar objectivos e reunir uma equipa capaz de os concretizar. Tendo estes elementos definidos é importante perceber qual o enquadramento estatuário e jurídico que o Núcleo teria que ter. Nesse sentido o primeiro passo consistiu em apropriarmo-nos dos estatutos da associação e da lei de criação de associações e temos vindo a trabalhar no sentido de reunirmos as condições para fundamentar juridicamente o âmbito, competências e intervenção do núcleo. Para este passo em muito tem contribuído a direção da APAOMA que tem colaborado e criado condições para o atingirmos. De resto não estamos parados, temos reunido de forma a desenvolver os objetivos que traçamos e tendo em vista a criação de condições para que os eixos de intervenção definidos estejam em desenvolvimento. De que modo funciona o núcleo? E que sócios fazem parte do mesmo?

Por uma questão estratégica neste momento o núcleo representa apenas todos os associados da APAOMA filiados na Associação de Andebol do Porto. Nesse sentido todos estes sócios fazem parte da APAOMA Norte. Organicamente constituímos uma direcção que representa todos estes associados e que está comprometida com as necessidades e objectivos, e empenhada em criar condições para que todos os agentes possam desempenhar melhor as suas funções. A direção é constituída por mim que a presido, pela vicepresidente Marta Sá (Arbitro Nacional Nível IV), pelo vicepresidente André Rodrigues (Arbitro Nacional Nível II), pelo secretário Pedro Fontes (Arbitro Nacional Nível III), pelo tesoureiro Sérgio Sousa (Oficial de Mesa Nacional) e pelos vogais Nuno Gomes (Arbitro Nacional Nível II) e Porfírio Tavares (Arbitro Nacional Nível III). Neste momento a direção do núcleo reúne uma vez por mês para definição de estratégias. Contudo por uma questão de organização dividimos os elementos por áreas


de responsabilidade de forma a trabalharmos mais de perto algumas questões. Assim temos 4 áreas atribuídas Comunicação e Imagem, Formação, Sponsorização e Relações Institucionais e Crescimento e Captação. Na Comunicação e Imagem temos a trabalhar o Nuno Gomes, na Formação a Vânia Sá e o Pedro Fontes, na Sponsorização e Relações Institucionais eu e o Sérgio Sousa e no Crescimento e Captação o André Rodrigues e o Porfírio Tavares. Relativamente aos objectivos traçados inicialmente, quais os que mais atenção tem exigido à direcção do núcleo? Definimos como primeiros objetivos a recapitalização da imagem do árbitro, a criação de uma identidade enquanto associação e núcleo, a formação e a captação de novos árbitros e o crescimento enquanto associação de classe. Todos estes objetivos têm exigido a máxima atenção da direção uma vez que todos eles são fundamentais para a estratégia definida. Por outro lado com a distribuição e atribuição de competências a cada membro da direção é possível trabalharmos separadamente cada objetivo e nas reuniões tomarmos decisões conjuntas. A nível de Comunicação e Imagem estamos a trabalhar a imagem da APAOMA Norte e ainda a desenvolver um plano de Marketing de forma a trabalharmos melhor a sponsorização da associação e do quadro de arbitragem. A nível de formação pretendemos trabalhar em parceria com a Escola de Formação de Árbitros de Andebol da Associação de Andebol do Porto e desenvolver programas de formação que contemplem não só a vertente técnica da arbitragem ou regras da modalidade mas que se

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estendam até ao desenvolvimento de competências psicológicas fundamentais para a arbitragem e até mesmo ao desenvolvimento de programas de treino físico. Quanto ao Crescimento e Captação estamos a trabalhar a imagem do árbitro de forma a demonstrarmos qual o seu papel e quais as perspectivas de carreira no mundo da arbitragem. Por fim na Sponsorização e Relações institucionais, para além do trabalho desenvolvido no que diz respeito à criação de condições para surgimento do núcleo, estamos ainda a trabalhar com diferentes parceiros a criação de um pacote de condições vantajosas para oferecer aos nossos associados em áreas chave para o desenvolvimento das suas carreiras. Na sua opinião qual o balanço que faz até ao momento do trabalho já realizado e quais são as perspectiva para o futuro? O trabalho desenvolvido até agora é muito positivo. Temos um grupo de trabalho comprometido com os objetivos traçados e empenhado em dar continuidade ao bom trabalho

desenvolvido pela direção nacional da APAOMA e criar uma identidade própria a Norte trazendo melhores condições de crescimento para os nossos associados de forma a catapultarmos as suas carreiras e captarmos também mais árbitros para a modalidade. Demos um passo importantíssimo no que diz respeito ao nosso enquadramento enquanto núcleo e na definição do nosso âmbito e estratégia de intervenção. Estamos a trabalhar de perto com a Associação de Andebol do Porto, com a Escola de Formação de Árbitros de Andebol da AAP e com a direção da APAOMA. Tivemos já diversos contactos com potenciais parceiros e brevemente estaremos em condições de apresentar algumas vantagens que os nossos associados poderão usufruir. Temos em preparação o Programa de treino do Árbitro de Andebol que terá um conjunto de estratégias que permitirão trabalhar desde a preparação para a época, passando pela preparação para cada jogo e recuperação após jogo. Pretendemos continuar a reforçar a imagem do árbitro, dando visibilidade aos nossos árbitros e demonstrando a potencial carreira que cada um pode ter no mundo da arbitragem. Através deste reforço de imagem pretendemos captar novos árbitros em conjunto com a associação, os clubes, o desporto escolar e as escolas. Não tenho por hábito fazer futurulogia, principalmente enquanto ainda temos tanto trabalho para fazer no presente, contudo deixo aqui aquilo que é no fundo uma ambição, termos logo que possível um espaço próprio para a APAOMA Norte onde os nossos associados possam conviver e trabalhar.  APAOMA OUT 14 / JAN 15

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NOTÍCIAS

AGENDA CAMPEONATO DA EUROPA SUB 17 FEMININO

Realiza-se na Polónia, o Grupo 7 de Apuramento para o Campeonato da Europa de sub 17 Feminino onde somente o 1º classificado obtém o passaporte para a Macedónia. A lista de convocadas de Ana Seabra e toda a informação sobre este grupo 7 pode ser consultada na página oficial da Federação no seguinte link: http://portal.fpa.pt/fap_portal/ do?com=DS;1;111;+PAGE(2000025)+KCATEGORIA(380)+KIDNOTICIA(10700)+COD_COR_CAIXA(1)+TITCAIXA(Not%EDcias);RCNT(1) .

ARBITRAGEM

TORNEIOS

Torneio Internacional de Leiria Seniores A Femininos: 1ª jornada - 6ª feira 20 Março - Centro Desportivo Juve Lis 19h00 - Noruega : Itália 21h00 - Portugal : Finlândia 2ª jornada - sábado 21 Março - Pavilhão Pousos 16h30 - Noruega : Finlândia 18h30 - Portugal : Itália - A Bola TV 3ª jornada - domingo 22 Março - Pavilhão Souto Carpalhosa 15h00 - Itália : Finlândia 17h00 - Portugal : Noruega - Andebol|TV

TAÇA DE PORTUGAL LOULÉ 2015 Final Four da Taça de Portugal Multicare Seniores Femininos Meias-finais - 28.03.15 12h00 - vencedor Colégio João de Barros/ Madeira Sad : Maiastars 14h30 - vencedor Jac-Alcanena/Alavarium Love Tiles - vencedor Passos Manuel/Santa Joana Final - domingo, 29.03.15 14h30 - Vencedores das meias-finais Final Four da Taça de Portugal Fidelidade Seniores Masculinos - Meias-finais - 28.03.15 17h00 - Liberty Seguros-ABC/UMInho : Sporting CP 19h15 - SL Benfica : FC Porto Final - domingo, 29.03.15 17h00 - Vencedores das meias-finais

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FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

A Associação de Andebol do Porto vai realizar um curso de formação de nível I de arbitragem. Este curso realizar-se-á no Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner em Vila Nova de Gaia, nos dias 10, 12, 17 e 19 de Março das 21h00 às 23h30 e nos dias 14 e 21 de Março das 9h00 às 13h00 . COMPETIÇÃO

MARTA SÁ E VÂNIA SÁ COM NOMEAÇÃO DUPLA DA EHF

Assim, no próximo dia 15 de Março as gémeas S á vão estar em Bordéus onde irão dirigir o jogo dos quartos-de-final da Taça Challenge feminina, entre Union Mios Biganos-Begles (FRANÇA)

: DHC Sokol Poruba (REPÚBLICA CHECA). Na semana seguinte, estarão na Hungria para dirigirem jogos do Grupo 4 de Apuramento para o Euro 2015 sub 17

RESUMO

KAKYGAIA 2014 Balanço da edição 2014 do Kakygaia? Estamos muito satisfeitos com tudo o que se passou nestes últimos 4 dias. Em termos competitivos, correu muito bem, porque não tivemos que adiar ou alterar jogos, pois, não choveu e como tal os Pavilhões não deram problemas. O Torneio foi bastante competitivo e, por tudo o que nos foi transmitido pelos Treinadores e Dirigentes, gostaram muito e a organização esteve bem. O quadro competitivo poderia ainda ser melhor, no entanto existiram outras equipas que se sentiram cansadas da competição e não quiseram estar presentes. Perderam um bom torneio, aqueles que estiveram, deram-nos os parabéns e com a promessa de para 2015 estarem presentes. Foi o melhor kakygaia dos últimos anos? Foi um dos melhores. O que ficou provado é que o Clube Jovem Almeida Garrett é um Clube unicamente dedicado ao Andebol Feminino. A experiência que tivemos nas edições XXIV e XXV ao incluir no mapa competitivo os escalões

masculinos foi interessante, mas sentimos não estar totalmente preparados para o assumir. Esta edição voltamos apenas a organizar o Feminino e foi o sucesso visto e elogiado por todos. Para o ano quais são as expectativas? Esperamos que a próxima edição possa vir a ter mais equipas e que tenha um bom quadro competitivo, mas a ambição é a de tudo fazermos para que todos os participantes se sintam bem e satisfeitos por cá estarem. Utilizo uma frase de um dirigente que me enviou ontem “ Gaia tem um encanto especial na ultima semana do ano, e para nós, Sir 1º Maio é um prazer usufruir do Torneio. Voltamos sempre mais fortes, mas principalmente mais felizes “. É para isto que trabalhamos. Um excelente ano de 2015 com muitos sucessos desportivos. Reitero os votos de um bom ano e que o Cid continue a ter no seu trabalho e blogue, o trabalho incansável e a dedicação em prol do andebol feminino. Entrevista de Cid Ramos ao presidente do Clube Jovem Almeida Garrett, António Freitas


Apaoma 4  
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