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Aqui é um país muito próspero, com uma diversidade de etnia que não vimos nem no Brasil, embora toda essa diversidade não tenha sido suficiente para tornar os nativos mais hospitaleiros... Um país com uma veia cultural riquíssima e o mais importante Acessibilidade a isso!!!” afirmou Juliana com entusiasmo.

A Brasileira Juliana Lambroni de 30 anos, empreendedora, proprietária da loja Pitanga, situada em Anápolis-GO, casada com Leandro Almeida, conta que escolheu a Bélgica por ver uma oportunidade de acelerar o processo de crescimento financeiro do casal aliando a qualidade de vida.

O que levam Brasileiros a escolherem a Bélgica? É nessa cidade onde são faladas oficialmente 3 línguas (francês, neerlandês e alemão) na qual mora uma comunidade relevante de Brasileiros. Há onze anos foi feito um levantamento pela oficina de estrangeiro e constataram a presença de 4.000 Brasileiros oficialmente legalizados. Porém calcula-se um número bem maior dos que vivem em situação irregular, a média varia entre 40.000 a 50.000 Brasileiros. Segundo o mesmo levantamento, estão concentrados nas comunas (espécie de sub prefeituras de Bruxelas) de Saint-Gilles, Anderlecht e Forest. Para os Brasileiros que não querem se sentir tão deslocados esses são os locais ideais para viver. É possível encontrar famílias completas, que vivem e trabalham na Bélgica, que conquistaram seus próprios negócios e acabam influenciando a ida de mais e mais compatriotas. A famosa publicidade boca-a-boca que, muitas vezes também pode ser bastante cruel. É fácil ver postagens nos grupos de brasileiros da Bélgica espalhados nas redes sociais com alertas para “calotes” e falsas propostas de empregos, sem falar na ilegalidade. Com isso, diante desta desconstrução, mais e mais brasileiros pedem passagem para voltar ao país de origem através do Programa de Retorno Voluntário. Saint-Gilles é um bairro conhecido como lusofônico, devido à quantidade de Brasileiros e Portugueses, nele você encontra para comprar facilmente uma picanha, uma caipirinha e até mesmo consegue ouvir uma Bossa Nova. Em um artigo na revista digital francesa Hommes & Migrations (2009), a migração brasileira para a Bélgica começou com a chegada de refugiados políticos, artistas, jogadores de futebol e estudantes fugindo do golpe militar de 1964. Desde os anos 80, depois das mudanças políticas no Brasil, esta primeira onda de imigração voltou para casa e espalhou a ideia de que a Bélgica era uma terra de boas-vindas. Ainda cita que o desenvolvimento das relações entre os dois países permitiu a imigração de profissionais qualificados

para multinacionais ou instituições internacionais e a instalação na Bélgica de suas famílias. A crise econômica dos anos 90 no Brasil estimulou uma nova onda de emigração, que acelerou acentuadamente após 2001. Existe uma quantidade de goianos na Bélgica e cerca de (47%) dos Brasileiros são goianos, muitos deles dizem que o principal motivo da ida de tantos goianos para Bélgica foi a mensagem fantasiosa da Bélgica passada por brasileiros que viviam aqui que, agregados a instabilidade econômica, a falta de emprego e a insegurança, criou-se um verdadeiro efeito dominó de fuga, facilitado também pela não exigência de visto para o ingresso no país. Tamanha é a representatividade deste estado que chegou a ter em Goiânia o dia da Bélgica, um evento promovido pelo Governo do estado brasileiro e a Federação das Industrias de Goiás, para estreitar os laços comercias. Outro dado que ilustra esse vínculo estreito entre Bélgica e Goiás foi à concessão do título da Ordem da Coroa, homenagem do Reino Belga a cidadãos estrangeiros que prestam relevantes serviços ao país, principalmente os que promovem os direitos humanos, ao bispo da Diocese de Goiás, Dom Eugenio Rixen e ao governado do estado, Marconi Perillo. Muitos Brasileiros que vivem na Bélgica são jovens e, portanto possuem maiores chances de terem um filho em sua trajetória migratória, com isso ajudaria a obtenção da nacionalidade belga. “Conhecer e usufruir de novas culturas e costumes é maravilhoso, além de saudável, mas permitir-se ser e estar brasileiro, é ainda melhor”. Marcela Bueno

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Revista Antenados ed. 148  

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