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POLÍTICA, COTIDIANO E VICE-VERSA

O Brasil deve regredir? A maioridade penal precisa realmente ser reduzida? MORRE A DAMA DE FERRO Entenda sua influência na política brasileira

#2 Abr/13

OLHO POR OLHO Policiais que receberam ordens para invadir o Carandiru são condenados. O Estado...


VISテグ AMPLA, FUTURO AMPLO.


EXPEDIENTE REDAÇÃO

COMERCIAL

Arthur Stabile Editor-chefe de Política arthur.stabile@revistaamplo.com

Émerson Biava Diretor de arte emerson.biava@revistaamplo.com

Bruna Brasil Apresentadora bruna.brasil@revistaamplo.com

Marcelo Miranda Diretor de novos negócios marcelo.miranda@revistaamplo.com

Luís Adorno Editor-chefe Cotidiano luis.adorno@revistaamplo.com

Marco Antonnio Badia Diretor de planejamento marco.badia@revistaamplo.com


EDITORIAL EDITORIAL 'MAIS AMOR, POR FAVOR' Por Luís Adorno

O assassinato do estudante de Rádio e TV, Victor Hugo Deppman, 19, no dia 9 de abril deste ano, tomou proporções inimagináveis. A partir deste fato, a sociedade brasileira se dividiu em dois grupos. Um que é a favor da redução da maioridade penal e o outro que é contra. Isso se deve ao fato de o estagiário da RedeTV! ter sido morto por um rapaz prestes a completar 18 anos e reincidente da Fundação Casa. O especialista Jorge Lordello, que é a favor da redução da maioridade penal, relata à Amplo que em apenas três países no mundo a idade penal é de 18 anos. São eles: Brasil, Peru e Colômbia. "16 anos também são só três países. Agora, 90% dos países da Europa têm a idade penal de 14 anos", afirma. "Se o menor tem capacidade para ser bandido, por que ele não tem a capacidade para assumir seu crime?", contesta. Rildo Marques, que luta pelos Direitos Humanos, é contra. "Achar que a violência vai diminuir pela punição é você enganar a população de que a violência vai reduzir entre os jovens", inicia a conversa. "Se a punição - no caso, a pessoa ser presa na cadeia, ou no Centro de Detenção inibisse a violência, não teríamos maiores de idade matando.

Então, você reduzir a maioridade penal, hoje, significa dizer: eu não cumpri a lei, porque eu ou o Estado não cumprem a lei", afirmou. Já o atual vereador - ex-comandante da ROTA - Coronel Telhada é mais incisivo: "Espero que um dia não sofram na pele o que muitas famílias têm sentido e se arrependam de não terem ajudado a mudar esse Brasil, que se encontra tão sofrido", afirmou referindo-se às pessoas que são contra a redução da maioridade penal. "Sou a favor da diminuição da maioridade penal por ter 33 anos de serviços públicos junto à Polícia Militar, cansei de ver a impunidade provocar o crescimento da criminalidade brasileira", completa. A discussão é Ampla, assim como a revista. Mas o desejo, para o bem de todos os brasileiros, é que a decisão, se houver decisão, seja feita de cabeça fria, sem rancor, com muita serenidade e, principalmente, responsabilidade. Se o decreto dos anos 40 não se adequa mais aos dias de hoje, que a situação seja revista. O que não pode acontecer, em nada na vida, é tomar uma decisão tão importante, que enquadra tantas pessoas, com raiva e/ou desejo de vingança. Aí não vai dar certo. Uma boa leitura. Amplo / Abril 2013

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UMÁRIO

24. CAPA Discussão sobre a

10. Ações da ditadura à mostra 10. Bloqueio: foi a justiça que fez 11. Dos panetones ao PF da penitenciária 12. Prestes reconhecido 12. Dirceu: mente pensante do Mensalão 13. "Fux prometeu me absolver" 14. O legado verde e amarelo de Thatcher 17. Novatos e oposição contra o Governo 18. Devidas respostas às peripécias de Feliciano 20. 21. 22. IMAGEM DE ABRIL política

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FATOS HISTÓRICOS política

FRASES DE ABRIL política


maioridade penal volta à tona 29. Vazamento de óleo atinge litoral paulista 30. Briga derruba ônibus de viaduto 31. Xing-lings vão sumir 32. PEC das domésticas: multa por demissões é a nova discussão 33. Maratona manchada 35. Breque do bem 36. Lei isenta pagamento de taxa para ingressar nas federais 37. Massacre do Carandiru II 23.

FRASES DE ABRIL cotidiano

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IMAGEM DE ABRIL cotidiano

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FATOS HISTÓRICOS cotidiano Amplo / Abril 2013

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Ações da ditadura à mostra ARTHUR STABILE POÁ (SP) O Arquivo Público do Estado de São Paulo liberou o acesso online de documentos do período da Ditadura Militar, que fazem parte do acervo da Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS). São 274.105 fichas digitalizadas e 12.874 prontuários, além de 39.996 fichas do DEOPS de Santos, disponíveis no site “Memória Política e Resistência” (http://www.arquivoestado.sp.gov.br/memoriapolitica/index.php),

com previsão de abrigar 154 mil fichas nominais e 2.331 dossiês temáticos até 2014. Estes dossiês serão divulgados trimestralmente, com matérias abordando assuntos ligados aos documentos disponíveis no site. A digitalização ocorreu com verbas do Ministério da Justiça, da Casa Civil e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Bloqueio: foi a justiça que fez ARTHUR STABILE POÁ (SP) R$ 519,7 milhões foram bloqueados dos bens da empresa Eucatex S/A, que tem como um de seus proprietários o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP). A determinação foi da juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da

Foto: divulgação

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Fazenda Pública do Estado de São Paulo, sob a alegação do valor corresponder a desvios realizados nos Cofres da Prefeitura da capital paulista no período em que Maluf era prefeito da metrópole. A decisão partiu de liminar pedida pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e prevê a garantia de futuro ressarcimento aos cofres públicos do Estado, caso o ex-prefeito seja condenado em processos que responde sobre possíveis desvios em seu governo.


ARTHUR STABILE POÁ (SP) Dos panetones ao PF da penitenciária O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda foi condenado a pena de cinco anos e quatro meses pela 4ª Vara Criminal de Brasília, no último dia 16 de abril. Arruda responde por irregularidades em licitação para reforma do ginásio Nílson Nelson, na capital federal, em 2008. Além da pena, que será respondida em regime semiaberto, o ex-governador também ‘Mensalão do DEM’ Atualmente sem partido, Arruda também é acusado pelo Ministério Público Federal de participar do ‘Mensalão do DEM’ junto com outros 36 pessoas enquanto era governador pelo partido Democratas, o DEM.

Foto: divulgação

terá que pagar multa de R$ 400 mil em sentença proferida pelo juiz Carlos Pires Soares Neto. A denúncia foi feita pelo Ministério Público do Distrito Federal, alegando que Arruda sabia que o ginásio precisada de reformas para sediar o Campeonato Mundial de Futsal e a demora para o início das obras ocasionou no fechamento direto de contratos, sem ocorrer licitações.

Segundo a Procuradoria-geral da República, durante seu mandato existia pagamento de propinas por meio de um esquema de corrupção, descoberto pela Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, em 2009.

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Prestes reconhecido ARTHUR STABILE POÁ (SP) O Senado anulou a cassação do mandato de Luiz Carlos Prestes, ocorrida em 1948 depois que o registro do Partido Comunista do Brasil foi extinto. A votação reforça a importância política de Prestes em seu mandato, que será ‘devolvido’ para a família do político, em ato simbólico. Uma das referências históricas da esquerda

brasileira, o ex-senador liderou a Aliança Libertadora Nacional (ANL) e seu principal movimento: a Coluna Prestes, que percorreu o interior do Brasil durante a década de 20, do século passado, com atuação contrária ao governo de Getúlio Vargas e teve o apoio de partes dos militares, que integraram o tenentismo.

Foto: Erich Schutt

Dirceu: mente pensante do Mensalão ARTHUR STABILE POÁ (SP) A íntegra da ação penal 470, mais conhecida como ‘Mensalão’, divulgada no último dia 22 de abril, reafirmou a posição dos juízes do Supremo Tribunal Federal em colocar o ex-ministro José Dirceu (PT) como o “organizador e controlador” do esquema de corrupção. Com duração de cinco meses, o julgamento rendeu 8.405 páginas e condenou 25 dos 37 réus do processo. O documento afirma que “a organização e o controle das atividades criminosas foram exercidos pelo então ministro da Casa Civil [José Dirceu], responsável pela articulação política e pelas relações do governo com os parlamentares”.

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Segundo a decisão, o desvio de recursos públicos tinha como objetivo a compra de apoio político no Congresso durante o primeiro governo de Lula. Para os juízes, as várias reuniões mantidas entre os réus e empréstimos fraudulentos durante o período dos “fatos criminosos” comprovam a existência do esquema. “O acervo de provas e indícios somados revelaram, além de qualquer dúvida razoável, a procedência da acusação quanto aos crimes de corrupção ativa e passiva”, diz o documento. Os condenados terão até dia 2 de maio para entrar com recursos.


ARTHUR STABILE POÁ (SP) “Fux prometeu me absolver” Em entrevista para o jornal Folha de São Paulo, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu declarou que o integrante do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux prometeu absolve-lo das acusações que o petista respondia no Mensalão. Segundo ele, o ministro já deveria ter sido impedido de atuar no processo pelas atitudes que relatou na entrevista. O político afirmou que Fux o assediou moralmente durante período de seis meses para ambos se encontrarem, e deu a entender que o ministro mentiu sobre desconhecer a participação de Dirceu no processo. O ex-ministro foi condenado a pena de 10 anos e 10 meses de reclusão. Questionado pelo voto final do ministro a favor da sua condenação, o ex-ministro declarou que “infelizmente não consegue

mais se surpreender com nada” após seus 50 anos de experiência política. Para ele, nem a condenação definida no processo tira o seu sono, isso por ter certeza que irá revertê-la, mas classifica que o comportamento de Fux é “quase inacreditável”. Dirceu classificou como arbitrariedade nunca vista o pedido de sua prisão e dos demais os réus condenados durante o período de Natal, e possui sentimento de revolta em relação à condenação pela “injustiça que está sendo cometida”, uma “tragédia”. “Para minha carreira... eu penso as vezes que era melhor se eu tivesse morrido”, afirmou Dirceu, complementando que quase não acredita ser verdade ser acusado de corruptor e formador de quadrilha, mostrando-se em processo de preparação para ir para prisão.

Foto: José Cruz / Agência Brasil Amplo / Abril 2013

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O legado verde e amarelo de Thatcher

Foto: divulgação

ARTHUR STABILE POÁ (SP) A morte da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, ocorrida na Inglaterra no último dia 8 deste mês, representa a perda mundial da precursora de uma nova filosofia política e econômica: o neoliberalismo. Firme em suas posturas, a primeira mulher a liderar o Reino Unido potencializou os pensamentos do livre comércio atribuindo absoluta liberdade ao mercado e restringindo de forma quase total as influências do governo em sua competitividade. Reconhecida como “grande líder e primeira-ministra” pelo atual líder britânico, David Cameron, Thatcher manteve-se no auge do poder entre 1979 e 1990, período marcado, além das mudanças estruturais, pela guerra travada com a Argentina pelo controle das Ilhas Malvinas, que ocasionou a morte de aproximadamente 900 pessoas em pouco mais de dois meses de conflitos.

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Durante os 11 anos em que esteve à frente da ilha, Thatcher privatizou empresas estatais e estabilizou a moeda local com apoio conquistado no parlamento britânico. Greves explodiram, sindicatos se revoltaram e a líder manteve sua postura imóvel, retirando benefícios da população com o objetivo de estabilizar a economia. Depois de reconhecer algumas de suas ações como primeira-ministra, fica difícil não ligar estas atitudes com medidas tomadas na recente história brasileira. Assim como no início do governo da britânica, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ainda enfrentava a estabilização da inflação, que há pouco estava sendo domesticada com o novo plano econômico: o Real, que demonstrou efetividade em pouco tempo de implantação.


Além de enfrentar juros e a larga variação de preços dos produtos, o tucano manteve outras ligações próximas da linha de governança adotada por Thatcher, claramente referência em diversos países que passaram por períodos próximos ou piores do que a Grã-Bretanha de 1979. FHC vestiu a camisa do neoliberalismo com afinco. Privatizou a Companhia Vale do Rio Doce, hoje apenas Vale – que teve lucro de R$ 1,25 bilhão em 1999, dois anos após sua venda, e hoje fatura R$ 10,6 bi por ano – e a AES Eletropaulo. Maior demonstração da abertura do mercado foi a privatização da Telebrás, companhia nacional de telecomunicações, que abriu o mercado de telefonia no Brasil. Hoje, por exemplo, são mais de 264 milhões de celulares em posse dos brasileiros segundo dados da Anatel de março deste ano. Além de vender parte das empresas nacionais, Fernando Henrique realizou as reformas da Previdência e Administrativa, manteve a taxa de juros em níveis elevados, abriu o país para o investimento estrangeiro e se ausentou no protecionismo de produtos brasileiros. A união destes fatores abriu enorme brecha para o novo conceito mundial de mercado dominante adentrar o Brasil. Pensamento que pode ser considerado enraizado em âmbito mundial.

Mas não só o tucano esteve alinhado com a teoria econômica de Thatcher. Ao assumir o poder, era esperado que Luis Inácio Lula da Silva modificasse o processo econômico por sua origem operária a favor da luta dos trabalhadores e pelo passado de militância esquerdista, proletária. Mas o que se pode ver foi a intensa manutenção do processo de crescimento econômico regido pela lógica do mercado, que mandava (manda) e desmandava (desmanda) nas decisões governamentais. Exemplo da força do mercado podemos citar, já no governo da sucessora de Lula (Dilma Rousseff), as concessões de 20 anos para empresas administrar aeroportos. Em Guarulhos, São Paulo, a Gru Airport irá comandar o maior aeroporto internacional do país até 2033, investindo na manutenção e ampliação de sua estrutura, como ampliação de terminais e implantação de nova sinalização. Ou seja, uma forma maquiada de privatizar bens materiais públicos ao entregá-los à iniciativa privada, após vasto investimento de governos, como se tornou natural por aqui.

Foto: divulgação Amplo / Abril 2013

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Foto: divulgação Mobilização enfraquecida Assim como o poder dos sindicatos, fraco sob o domínio de Thatcher e sem forças durante o governo Lula, FHC e o atual de Dilma. É fácil cravar greves de determinados segmentos que tem data praticamente definida anualmente, como a dos professores, transportes e funcionalismo público num geral. No neoliberalismo implantado por Margaret, os resultados bem sucedidos fizeram dos sindicados meros coadjuvantes sociais, atores que participam da trama nacional apenas com papel secundário e não obtém, nem de perto, o retorno esperado. Estas entidades, associações ou grupos podem se unir, ameaçar, gritar e lutar que os novos governos, regidos pela economia mercadológica não terá olhos nem ouvidos para suas reivindicações, apenas boca para ordenar o retorno da “ordem social”, como bem ensinou Thatcher. Teoria de ordem social aplicada pelo mundo, inclusive no Brasil, que pode ser entendida como um processo de unificação nacional para o “bem comum”, um caminhar para destino único, teoria que entra em compasso com a adotada por governos totalitários do início/meio do século XX. Mas, atualmente, o totalitarismo não está mais sob o domínio estatal, que antes comandava o seu povo. Hoje, apenas imaginado depois de Thatcher aprimorar a base do conceito, o mercado tornou-se o principal “agente social”, mesmo que para estar em tal patamar deva ignorar qualquer tipo de conceito básico de sociedade unida, seja ela britânica, brasileira ou mundial.

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O amanhã Se o Brasil encontra-se andando em direção à melhorar ainda mais seu potencial econômico, a consequência deste “progresso” é o aprimoramento do domínio mercadológico sobre as iniciativas governamentais, que precisarão adaptar suas ações aos setores que movem a sociedade, pelo menos no âmbito do capital. A postura governamental de Dilma e Thatcher não pode ser comparada, apesar do pioneirismo da britânica não poder ser deixado de lado. Porém, o pulso firme da ex-primeira-ministra, além de muito superior ao da brasileira, não encontrava inimigo à altura, o que Dilma tem de sobra. Só na governabilidade podemos citar o PMBD, a recente insatisfação do PSC e o desgaste ocasionado pelo processo do Mensalão. Mas, estes sãos os inimigos à altura. Faltou citar o maior, mais emblemático e repetidamente citado nesta abordagem: a nova filosofia política e econômica criados e implementados pela agora falecida Margaret Thatcher: o neoliberalismo.


Novatos e oposição contra o Governo ARTHUR STABILE POÁ (SP) Novos partidos políticos terão tempo de divulgação em TV reduzido, assim como sua participação no Fundo Partidário, sustentação eleitoral e financeira das siglas, respectivamente. A decisão foi aprovada na terça-feira (23) pela Câmara dos Deputados com apoio do Planalto, que seria o principal beneficiado com a iniciativa. Os partidos “caçulas” terão apenas um nono do total disponível atualmente para os partidos, sendo que as agremiações já existentes dividem um terço do tempo, que é de 50 minutos em rádio e televisão. PSDB, PSB, e a recém-criada Mobilização Democrática (MD), formado pelos antigos PPS e PMN, são contrários à alteração com a alegação de que o Governo seria favorecido eleitoralmente com a proposta na disputa presidencial de 2014.

Foto: Agência Brasil

Após a aprovação na Câmara, o projeto seguiria para votação no Senado. Entretanto, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, suspendeu a tramitação a pedido do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), membro de um dos partidos que seriam prejudicados com a proposta. O ministro considerou a mudança uma aparente “tentativa casuística de alterar as regras" da manutenção partidária. O PSB pretende lançar Eduardo Campos, governador de Pernambuco, como candidato à presidência, e a divisão menor para novos partidos tornaria difícil agregar partidos apoiadores à aventura, como o próprio MD e o sem direção PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

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Foto: Fábio Pozzebom / Agência Brasil Devidas respostas às peripécias de Feliciano ARTHUR STABILE POÁ (SP) Representantes dos direitos humanos anunciaram que renunciarão seus cargos na Comissão do Congresso em protesto à manutenção do pastor Marco Feliciano na presidência do colegiado. A ação é integrada pelos representantes do PT, Erika Kokay (DF) e Domingos Dutra (MA), ex-presidente da comissão; os deputados do Psol Chico Alencal e Jean Wyllys (RJ); além da ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB-SP). A retaliação dos deputados vem como resposta a diversas atitudes de Feliciano, como o fechamento das sessões, restringidas apenas para seus integrantes e imprensa. Depois, o presidente pediu à Polícia Legislativa, que coordena a ordem da Casa, a “selecionar o perfil” do público que poderia acompanhar os debates.

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"Não sei a religião dos que estão aqui. Eu pedi que a polícia dessa Casa observasse o perfil das pessoas. Pelo perfil, se conhece se tem segurança de que as pessoas que estarão na comissão vão participar de maneira ordeira", declarou o membro do PSC, ratificando o porque de restringir a participação popular. Este pedido rendeu queixa de demais deputados junto ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que foi entregue com um documento relatando agressões sofridas por manifestantes contrários a atuação de Feliciano durante as sessões. No dia 22, apenas manifestantes favoráveis ao presidente da CDHM foram liberados para acompanhar os “debates”.


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IMAGEM DE ABRIL

Foto: divulgação


FATOS HISTÓRICOS DE ABRIL Lula na prisão Personagem histórico da política brasileira, o ex-presidente Lula surgiu como nova figura durante os anos 80 como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, liderando greve de um mês nas fábricas do ABC paulista. O então metalúrgico foi perseguido pela ditadura militar pela sua postura de enfrentamento ao regime, e acabou preso em abril daquele ano pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) com base na Lei de Segurança Nacional. Tiradentes enforcado Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, se tornou referência da Inconfidência Mineira, um dos primeiros movimentos para a independência do Brasil. Sua criação aconteceu por conta dos altos impostos cobrados por Portugal para o garimpo de ouro na colônia, o que incentivou a revolta popular. Tido como conspirador, Tiradentes foi o único da Inconfidência a ser enforcado em praça pública no dia 21 de abril de 1792.

Foto: divulgação Feminismo nas urnas Há 85 anos, a professora Celina Guimarães Viana se tornava a primeira mulher a votar no Brasil, na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Não existia na constituição nenhum tipo de proibição para mulheres participarem das eleições, mas era fato comum na vida do país. A liberação oficial ocorreu apenas seis anos depois do voto de Celina, e garantiu o poder feminino de se posicionarem politicamente.

Veto a Tocantins Tocantins foi reconhecido como um dos 26 estados brasileiros apenas na Constituição Federal de 1988, em seu 13° artigo. Porém, três anos antes da separação oficial de Goiás, o presidente José Sarney negou a criação do novo Estado, apresentada em proposta do então deputado goiano José Siqueira Campos. A iniciativa existia desde 1971 e teve o apoio de plebiscito com mais de 100 mil apoiadores, que forçaram Sarney a criar a Comissão de Redivisão Territorial. Amplo / Abril 2013

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FRASES - POLÍTICA "A acusação é de que sou chefe da quadrilha e de que sou corruptor, mas vamos ler o acórdão e ver onde está a prova. Não há nada que me relacione com os fatos que são denunciados na ação penal 470", afirmou José Dirceu após divulgação do resumo da decisão do julgamento do Mensalão.

"Não podemos deixar que a legislação eleitoral seja feita para atender a objetivos específicos", disse Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), líder do partido no Senado, sobre a proposta de retirar parcela do fundo partidário e tempo de TV para partidos recém-criados.

"[A proposta] é inconstitucional do começo ao fim, de Deus ao último constituinte que assinou a Constituição. É evidente que é isso. Eles rasgaram a Constituição. Se um dia essa emenda vier a ser aprovada é melhor que se feche o Supremo Tribunal Federal", afirmou o ministro do STF Gilmar Mendes, sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que restringe os poderes do tribunal. 22

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FRASES - COTIDIANO “As unidades prisionais brasileiras lamentavelmente são verdadeiras escolas da criminalidade”, disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre a redução da maioridade penal.

"Imaginar que a ordem tenha partido do coronel é menosprezar a inteligência alheia: um policial jamais tomaria uma iniciativa daquelas sem consultar seus superiores", afirmou Drauzio Varella, autor do livro "Estação Carandiru".

“Eu entendo que a economia brasileira vem retomando o crescimento. A velocidade talvez seja um pouco abaixo do que gostaríamos, mas ela vem retomando o crescimento”, disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Amplo / Abril 2013

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DISCUSSÃO SOBRE A MAIORIDADE PENAL VOLTA À TONA


LUÍS ADORNO SÃO PAULO (SP) O estudante universitário Victor Deppman, 19, foi morto quando chegava em sua casa, no Belém, em São Paulo, na noite do dia 9 de abril deste ano. Seu assassino o abordou para roubar seu aparelho celular. Victor não reagiu, mas o bandido não teve dó. Na sexta-feira (12), o bandido completou 18 anos. O então menor já era conhecido da polícia, por ter cometido alguns furtos. O fato de esse menor ter cometido um crime contra a vida três dias antes de completar a maioridade e ser tratado como menor, reacendeu o debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil. Nas mídias sociais, em Brasília e até mesmo por parte dos alunos da Fundação Cásper Líbero, onde Victor estudava, começou a entoar um sentimento rancoroso, de vingança. “Encontramos a idade penal de 18 anos apenas em três países do mundo: Brasil, Colômbia e Peru. 90% dos países da Europa têm a idade penal de 14 anos”, comenta à Revista Amplo o especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello. “A gente tem que buscar copiar aquilo que vem sendo feito em países de primeiro mundo”, complementa. O vereador tucano e ex-comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), Coronel Telhada, afirma, com exclusividade: “Protegidos por um ECA que permite quase total impunidade para crimes hediondos, criminosos têm trazido terror a famílias e a sociedade brasileira, não havendo eficaz combate a esse tipos de criminosos devido a hipocrisia penal nacional”, disse.

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“Sou a favor da diminuição da maioridade penal por ter 33 anos de serviços públicos junto à Polícia Militar, cansei de ver a impunidade provocar o crescimento da criminalidade brasileira”, argumenta Telhada. Rildo Marques, coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), afirmou à Amplo que os argumento utilizados pelas pessoas que são a favor da redução da maioridade não são os mais adequados. "Achar que a violência vai diminuir pela punição é você enganar a população de que a violência vai reduzir entre os jovens", disse. "Se a punição - no caso, a pessoa ser presa na cadeia, ou no Centro de Detenção inibisse a violência, não teríamos maiores de idade matando. Então, você reduzir a maioridade penal, hoje, significa dizer: eu não cumpri a lei, porque eu ou o Estado não cumprem a lei", afirmou Marques. Jorge Lordello defende que o código sancionado em 1940 seja atualizado. “O legislador da época entendeu que aos 18 anos seria a idade que a pessoa conseguia discernir o que era certo do errado. O jovem de hoje já antecipou tudo: viagens, drogas, sexo e, também, crimes”, disse. sociedade brasileira, não havendo eficaz combate a esse tipos de criminosos devido a hipocrisia penal nacional”, disse.


Rildo Marques culpa a falta de educação de qualidade para contrapor o que afirmou Lordello: “Temos uma cultura individualista. Os garotos de 16, 17, 18 anos saem da rede pública sem saber ler e escrever, porque eles não têm uma atenção adequada, ou seja, voltada para aquela condição de vida”, afirma. De acordo com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, “em hipótese alguma o governo apoia [a redução da maioridade penal]. Nós temos uma posição definitiva sobre essa questão”, pontuou. “Eu acho ilusão que você reduzindo a idade penal vai resolver alguma coisa no país. Vai nos levar daqui a pouco a reduzir a idade penal para dez anos, porque os traficantes, porque os bandidos vão continuar usando o menor”, disse Carvalho.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), também é contra a redução da maioridade penal. “Esse debate vira e mexe volta. E nós já temos uma população carcerária que é uma das maiores do mundo e em condições absolutamente impróprias”, apontou à Rádio Bandeirantes. O governador da capital paulista, Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-governador e ex-prefeito, José Serra (PSDB), são a favor da redução. “Nós defendemos a mudança da legislação federal no sentido de que para casos mais graves e reincidentes, que o prazo seja bem maior para estabelecer limites. E de outro lado, quem completou 18 anos de idade não deve ficar na Fundação Casa”, disse Alckmin.

Foto: divulgação


“Eu sou a favor [a mudanças na lei]. Eu fiz, como governador, o que o governador Alckmin está fazendo de novo. É a possibilidade de o assassino permanecer preso, mesmo depois dos 18 anos”, complementa Serra. “É próprio e necessário que os governantes tenham muita maturidade no que falam e naquilo que propõem em uma hora como essa A situação é muito mais complexa do que ficar mexendo na questão da idade penal”, contrapõe Gilberto Carvalho. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prefere ser cauteloso em relação a tentativas de mudanças na lei como forma de dar respostas a crimes violentos - que é o caso. "Acho que os projetos de lei que respondem a situações têm que ser muito bem analisados. Temos que tomar muito cuidado, às vezes, com o calor do momento", afirmou. Segundo o coordenador do MNDH, a parcela dos jovens que estão, hoje, na Fundação Casa e cometeram crimes ediondos gira em torno de 10%. "São quase 8 mil meninos lá. Menos de 800 estão envolvidos em crimes contra a vida, por exemplo. Mais de 46% deles estão lá por uso indiscriminado de drogas e acabam se envolvendo em situação de atos", aponta. Contrapondo, Coronel Telhada disse: "Espero que um dia não sofram na pele o que muitas famílias têm sentido e se arrependam de não terem ajudado a mudar esse Brasil, que se encontra tão sofrido". "Sou a favor da diminuição da maioridade penal por ter 33 anos de serviços públicos junto à Polícia Militar, cansei de ver a impunidade provocar o crescimento da criminalidade brasileira", complementa.

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Neste momento, tudo é especulação. Movida, principalmente, pela tragédia do último dia 9. São dois grupos de pessoas que determinam uma. E essa, muda a vida de pessoas. O governo, o Estado e a população, têm que entender - já passou da hora, aliás, que a falta de educação adequada é a base de tudo isso, de toda a desiguldade social, de toda diferença presente hoje na sociedade. Funciona como um carrossel: os professores são desvalorizados, os jovens não conseguem obter uma boa formação, logo, não conseguem espaço igualitário no mercado de trabalho com jovens de classe média/alta e são atraídos por forma ilícitas de conseguir se sustentar. Então, é fácil apontar o dedo para um garoto de 14, 15, 16 ou 17 anos e dizer que é um marginal, que "lugar de bandido é na cadeia". Ele não teve as mesmas oportunidades. Se a redução da maioridade penal garantir à sociedade brasileira que toda a violência vai acabar, a Amplo apoia. Mas não é o caso.

Foto: divulgação


Vazamento de óleo atinge litoral paulista BRUNA BRASIL SÃO PAULO (SP) A Petrobrás foi multada pela Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) em R$ 10 milhões pelo vazamento de óleo ocorrido no píer Terminal Almirante Barroso, no litoral norte paulista. O acidente ambiental atingiu onze praias dos municípios de São Sebastião e Caraguatatuba, no dia 5 de abril deste ano. O vazamento foi causado por um problema na válvula durante o abastecimento de um navio. Nos dias seguintes ao acidente, as prefeituras dos dois municípios afetados pediram que as praias atingidas não fossem utilizadas para banho, pois ainda eram desconhecidos os riscos que o óleo de combustível marítimo poderia trazer à saúde humana.

Para remover os resquícios do derramamento que se espalharam pelas águas, foram lançadas barreiras de contenção e utilizados helicópteros na identificação de eventuais manchas de combustível que poderiam ter escapado desses limites. Em Caraguatatuba, a extensão de óleo no mar atingiu três quilômetros. Além da multa da Cetesb, a Petrobrás também receberá multa de cerca de R$ 50 mil – valor máximo que pode ser aplicado pela prefeitura da cidade litorânea, por causa dos danos causados ao ecossistema.

Foto: divulgação Amplo / Abril 2013

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Briga derruba ônibus de viaduto BRUNA BRASIL SÃO PAULO (SP)

Foto: divulgação Oito pessoas morreram e outras 10 ficaram feridas no acidente com um ônibus da viação Paranapuã na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, no último dia 2 de abril. O veículo de transporte coletivo sofreu uma queda de cerca de 10 metros de altura, ao cair do Viaduto Brigadeiro Trompowski. O grave acidente foi causado por uma briga entre o motorista e um passageiro. As imagens feitas no dia deixaram em evidência a gravidade do acontecimento. O ônibus da linha 328 (Bananal – Castelo) ficou com as rodas para cima na avenida carioca, o que mobilizou 50 homens do corpo de bombeiros a resgatar os feridos. As vítimas fatais foram cinco homens e duas mulheres.

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Dois passageiros, que desembarcaram antes do acidente acontecer, relataram que o estudante Rodrigo Freire iniciou uma discussão com o motorista do ônibus, André Luís Souza Oliveira, por ele não o deixar desembarcar pela porta frontal. Ainda de acordo com o depoimento das testemunhas, o passageiro agrediu o motorista com chutes, o que o desestabilizou na direção do coletivo, ocasionando a queda. Tanto o motorista como o passageiro foram indiciados por homicídio doloso. Freire nega que tenha agredido Oliveira e alega que se lembra apenas que recebeu provocações verbais do motorista. Os dois podem ser condenados de 12 a 30 anos de prisão.


Xing-lings vão sumir LUÍS ADORNO SÃO PAULO (SP) O futuro dos telefones celulares no Brasil está traçado. Em combate à pirataria, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) enviou um ofício à Claro, Oi, Tim e Vivo, para que as operadoras elaborem um sistema de identificação nos aparelhos, a fim de bloquear o uso dos mesmos até 2014. Em paralelo, neste mês foi anunciada a desoneração de tributos dos aparelhos que custam até R$ 1,5 mil. De acordo com o Ministério das Comunicações, o preço dos smartphones deve reduzir em até 30%, em relação ao valor dos celulares importados. Ainda segundo a Pasta, hoje 27% dos aparelhos vendidos no Brasil são smartphones.

A expectativa para 2014 é chegar a 50%. Com isso, fica clara a desvantagem em adquirir um celular ‘xing-ling’ e a vantagem de conseguir comprar um aparelho melhor e mais em conta. Motorola, LG e Nokia, por exemplo, já divulgaram quais aparelhos tiveram influência da desoneração, ou seja, baixaram o valor. De acordo com a Anatel, as operadoras devem elaborar “possíveis critérios transitórios a serem implementados à base atual de usuários, de modo a minimizar os impactos sobre a população”. Ou seja, progressivamente, vão surgir campanhas para conscientizar a população sobre os riscos de utilizar um celular não-homologado.

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PEC das domésticas: multa por demissões é a nova discussão BRUNA BRASIL SÃO PAULO (SP) Depois de o congresso aprovar a emenda constitucional que amplia os direitos das empregadas domésticas, uma nova discussão surgiu entre o relator da proposta, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), e o ministro do Trabalho, Manoel Dias. O que se discute é a multa paga pelos empregadores em caso de demissão. Jucá defende que a multa seja reduzida de 40% para 10%, em caso de demissão sem justa causa, e para 5%, quando houver acordo entre o empregador e a doméstica durante a demissão. Segundo ele, a medida deve evitar que as empregadas tenham demissões por justa causa na carteira de trabalho. Atualmente, a multa paga a um trabalhador demitido sem justa causa é de 40% do valor acumulado do FGTS. Porém, o ministro do Trabalho não concorda com a redução da multa. Para ele, os direitos das domésticas devem ser iguais aos demais trabalhadores. O senador apresentaria a minuta completa com a proposta até o último dia 25, mas resolveu adiar o prazo para conseguir o apoio do governo. Novas propostas As novas regras nos contratos com empregadas domésticas já entraram em vigor, porém ainda há sete benefícios a serem efectivados. Além da indenização em demissões sem justa causa, está a concessão de seguro-desemprego e salário-família pelo governo, seguro contra

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acidentes de trabalho, conta no FGTS, adicional noturno e auxílio creche. Outra discussão que ainda precisa de aprovação é sobre o banco de horas das domésticas. O tema, que também é defendido por Jucá, prevê que as empregadas tenham direito a receber às duas horas extras previstas por lei, e caso ultrapassem o número de dez horas de trabalho por dia, as demais horas sejam convertidas em folgas.

Foto: divulgação O que mudou Em março, a PEC de regulamentação do trabalho de empregadas domésticas foi aprovada, afim de regularizar as leis trabalhistas à esta categoria. Entram na nova lei, as domésticas que trabalham três dias ou mais no mesmo local, incluindo babás, cozinheiras, jardineiros, caseiros de residências urbanas ou rurais e motoristas particulares. A partir de agora, os empregadores devem pagar FGTS, respeitar as oito horas diárias ou 44 semanais das domésticas, pagar valor igual ou superior ao salário mínimo previsto por lei, garantir o 13º salário e férias, além de conceder o direito obrigatório de um dia de folga por semana (preferencialmente aos domingos) ao empregado.


LUÍS ADORNO SÃO PAULO (SP) Maratona manchada A tradicional Maratona de Boston, nos Estados Unidos, realizada no dia 15 de abril deste ano, ficou marcada pelo ataque terrorista dos jovens, e irmãos, chechênos Tamerlan Tsarnaev, 26, e Dzhokhar Tsarnaev, 19. Duas bombas caseiras, feitas com panela de pressão, foram deixadas próximo à linha de chegada da maratona, que culminou em três mortes e cerca de 180 pessoas feridas. Localizados pelo FBI, Tamerlan foi morto, pós cassada policial, pelas ruas de Massachusetts. Encontrado escondido num barco, e gravemente ferido, Dzhokhar foi preso e contou aos investigadores que o ataque foi tramitado pelo seu irmão mais velho, que teria a intenção de defender o islã. Ainda segundo o jovem, nenhum grupo terrorista estrangeiro teve envolvimento.

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Os três mortos no ataque terrorista são: Martin Richard, 8, Lu Lingzi, 23, e Krystle Campbell, 29. Os suspeitos, porém, não apresentavam sinais de radicalismo. Tamerlan, que foi pugilista amador, era descrito como um aluno tranquilo na escola. Dzhokhar “não apresentava sinais indicadores de comportamento malicioso”, segundo disse à CNN seu ex-colega de classe, Eric Machado.

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O comissário da polícia de Boston, Ed Davis, afirmou que os irmãos tinham a intenção de cometer outros atentados, depois de terem encontrado um esconderijo com armas. "Temos motivos para acreditar, com base nas evidências encontradas - as explosões ocorridas, o material bélico explosivo achado e o poder de fogo que possuíam - que ambos planejavam cometer novos atentados", disse à CBS. Consequências ao mundo A tragédia nos Estados Unidos reacendeu o debate sobre imigração no país norte-americano. O fato de os suspeitos terem chegado ao país em 2002 como refugiados chechenos alimentou os argumentos de congressistas ultraconservadores contra o projeto de lei, apresentado por um grupo de oito senadores dos dois partidos, que tem como foco a criação de um sistema para regularizar a população de cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem no país. “Como podemos nos assegurar de que pessoas que querem nos ameaçar não são elegíveis aos benefícios das leis de imigração, inclusive do novo projeto de lei que está diante de nós?”, questionou o senador republicano Charles Grassley.

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Dzhokhar Tsarnaev foi indiciado por "uso e complô de utilização de uma arma de destruição em massa contra pessoas e bens dos Estados Unidos e destruição voluntária de bens com artefato explosivo" e poderá enfrentar a pena de morte, se for declarado como culpado, segundo o Departamento de Justiça.

“A reforma da imigração vai fortalecer a nossa segurança nacional ao nos ajudar a identificar exatamente quem entra e sai do nosso país”, rebateram os senadores John McCain e Lindsey Graham em comunicado. O atentado influenciou também na organização das Maratonas de Londres e Madrid, realizadas nos últimos dias 20 e 27, respectivamente. No caso da capital da Inglaterra, os planos de segurança foram revistos e a polícia metropolitana aumentou em 40% o efetivo responsável pela corrida. Já na Espanha, cerca de 1.100 policiais, 400 policiais da força nacional e seguranças contratadoacompanharam a corrida.


Breque do bem LUÍS ADORNO SÃO PAULO (SP) A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o projeto do senador Humberto Costa (PT-PE), que torna crime a venda ou fornecimento gratuito de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos. A proposta prevê punição de dois a quatro anos de reclusão, em caso de flagrante, e multa de R$ 3 mil à R$ 10 mil aos estabelecimentos comerciais, que ficarão interditados até o pagamento da quantia. "A ideia do projeto surgiu da constatação de que existem dúvidas na Justiça sobre a lei aplicável no caso de venda e oferta de bebidas para menores de 18 anos. Alguns defendem a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e outros defendem a Lei de Contravenções Penais", afirmou o senador à Revista Amplo. Principal vilão Em estudo recente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi constatado o álcool como a droga mais usada entre os jovens menores de idade. Na pesquisa realizada com 5.200 jovens da faixa etária, 46% afirmaram que começaram a consumir em casa, enquanto eram menores de idade. Outra pesquisa, que entrevistou 18 mil universitários menores de idade, destacou que 80% deles já consumiram algum tipo de bebida alcóolica.

O projeto, que segue para a Câmara dos Deputados, excluiu o dispositivo da Lei de Contravenção Penal, datada na década de 1940, que pune de forma mais branda a venda de bebida alcoólica para crianças e adolescentes. O relator Benedito de Lira (PP-AL) afirmou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já considera esse comércio como crime. "O senador Humberto Costa, no seu projeto de lei, diz que a iniciativa irá resolver controvérsia jurídica acerca de qual procedimento aplicar nos casos de venda de bebida alcoólica a criança ou adolescente: se o ato deve ser tratado como contravenção ou como crime", indaga Lira.

Médicos, psicólogos e assistentes sociais preveem uma elevação no quadro de alcoolismo na sociedade brasileira num prazo de 20 a 30 anos. E não para por aí. Em entrevista ao doutor Drauzio Varella, o médico psiquiatra Ronaldo Laranjeira afirmou que “uma das evidências mais consistentes na literatura médica é que o uso de álcool ou de cigarro antes dos 16 ou 17 anos aumenta muito o risco de experimentar maconha e, depois, partir para outras drogas”, afirmou.

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Lei isenta pagamento de taxa para ingressar nas federais LUÍS ADORNO SÃO PAULO (SP) A presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a lei que garante isenção no pagamento da taxa de inscrição nos vestibulares de universidades e institutos federais para estudantes que tenham cursado o ensino médio completo em escola pública – ou bolsista integral em escola particular – e que tenham renda familiar per capta de até 1,5 salário mínimo. Parte das universidades federais que tem processo seletivo próprio já adotava sistema de isenção parcial ou total da taxa do vestibular, mas isso não era, até então, garantido por lei. Segundo o documento, “as instituições federais de educação superior adotarão critérios para isenção total e parcial do pagamento de taxas de inscrição nos processos seletivos de ingresso em seus cursos, de acordo com a carência socioeconômica dos candidatos”.

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Sisu e Enem O Sistema da Seleção Unificada (Sisu) é utilizado nos últimos anos por muitas universidades federais como processo seletivo - que considera o desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Ministério da Educação aceitou o pedido de isenção da taxa – R$ 35 – para quase 4 milhões de inscritos. Entretanto, para ser isento da taxa de inscrição do Enem, o candidato deve ser concluinte do ensino médio no mesmo ano do exame e estar matriculado em qualquer modalidade de ensino em escola da rede pública de ensino, declarada ao Censo Escolar da Educação Básica. Também pode obter a isenção quem declarar ser membro de família de baixa renda ou estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

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MASSACRE DO

CARANDIRU II Foram condenados 23 dos 26 policiais militares indiciados pela morte de 13 presos da Casa de Detenção do Carandiru, em 1992, no ‘Massacre do Carandiru’. Cada PM recebeu pena de 156 anos de prisão. A sentença foi lida pelo juiz José Augusto Nardy Marzagão à 1h15 do domingo, 21 de abril deste ano, no Fórum da Barra Funda, em São Paulo. Os réus condenados são: Ronaldo Ribeiro dos Santos, Aércio Dornelas Santos, Wlandekis Antonio Candido Silva, Antonio Luiz Aparecido Marangoni, Joel Cantilio Dias, Pedro Paulo de Oliveira Marques, Gervásio Pereira dos Santos Filho, Marcos Antonio de Medeiros, Paulo Estevão de Melo, Haroldo Wilson de

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Mello, Roberto Yoshio Yoshikado, Salvador Sarnelli, Fernando Trindade, Argemiro Cândido, Elder Tarabori, Antonio Mauro Scarpa, Marcelo José de Lira, Roberto do Carmo Filho, Zaqueu Teixeira, Osvaldo Papa, Reinaldo Henrique de Oliveira, Sidnei Serafim dos Anjos e Marcos Ricardo Poloniato. O júri absolveu Maurício Marchese Rodrigues, Eduardo Espósito e Roberto Alberto da Silva, a pedido do Ministério Público, porque o promotor, Fernando Pereira da Silva, pediu que os jurados desconsiderassem duas das 15 vítimas. Segundo ele, esses detentos foram mortos por golpes de arma branca, não garantindo, assim, que foram assassinados pelos policiais.

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A advogada de defesa dos pms, Ieda Ribeiro de Souza, entrou com o recurso contra as condenações. " A diferença foi de um voto. Eu não esperava nenhuma condenação. Um único jurado definiu o futuro desses homens ", disse ao deixar o fórum. O promotor saiu "muito satisfeito", disse ao sair do local. "Tivemos a acolhida pelo Tribunal do Júri e a punição aplicada pelo magistrado foi adequada", pontuou. Justiça? Em 20 anos, apenas um acusado havia sido julgado: o coronel Ubiratan Guimarães. Ele foi condenado em 2001 a 632 anos de prisão, em júri popular, por ter dirigido a operação. Em 2006, o júri foi anulado pelos desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e, meses depois da absolvição, o coronel foi morto a tiros no apartamento onde morava. Drauzio Varella, autor da obra ‘Estação Carandiru’, afirmou em seu artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo: “Imaginar que a ordem tenha partido do coronel é menosprezar a inteligência alheia: um policial jamais tomaria uma iniciativa daquelas sem consultar seus superiores”, diz.

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“Nem todos dispararam suas armas. Como não foram realizados exames de balística, como identificá-los? Simplesmente, por terem participado da ação poderíamos dizer que todos são culpados? Eles não se dirigiram à cadeia por vontade própria, cumpriam ordens”, complementa. O então governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho, afirmou que não deu ordem para a invasão, mas que se estivesse em seu gabinete, teria dado. “A ordem foi absolutamente necessária e legítima. A polícia não pode se omitir”, enfatizou no Fórum.


Era só fazer o simples A confusão do fatídico dia começou num jogo de futebol, com uma briga entre ‘Coelho’ e ‘Barba’, de facções inimigas. A briga subiu para os andares do Pavilhão 9. O enfrentamento provocou mortes e deu origem à rebelião, com fogo nos colchões. “A casa tinha experiência em rebeliões como aquela. Qualquer carcereiro mais velho tomaria as medidas rotineiras: cortaria a água, a comida e a luz do pavilhão. Sem reféns, não havia pressa. Na manhã seguinte, os presos estariam prontos para negociar”, afirma Varella. Nesta hora, superiores já haviam substituído o diretor do Carandiru. O Estado trouxe o problema para si e criou um campo de guerra. O Estado deve assumir a responsabilidade pelo massacre. A base da investida militar não foram esses policiais. Próximos julgamentos Mais 53 policiais militares vão a júri, acusados pelas mortes dos demais 96 detentos. O processo tem 57 volumes, 111 apensos e 50 mil páginas. Por conta do número de réus, no entanto, a Justiça desmembrou o caso em quatro partes ou júris diferentes, correspondentes aos andares invadidos. Foto: divulgação

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IMAGEM DE ABRIL


FATOS HISTÓRICOS DE ABRIL “A benção, João de Deus...” Em 2 de abril de 2005 morria o papa, nascido na Polônia, João Paulo II, aclamado como um dos líderes mais influentes no século XX. Em seus 26 anos como pontífice, Karol Wojtyla visitou 129 países – só ao Brasil, ele veio três vezes. O papa teve papel fundamental para o fim do comunismo na Polónia e quisá em toda a Europa.

Brasil 1 x 0 Argentina A guerra naval intitulada ‘Batalha de Monte Santiago’, ocorrida nos dias 7 e 8 de abril de 1827 na enseada de Barragán, em Buenos Aires, entre Brasil e Argentina, acabou com o almirante hermano Brown ferido. Como consequência da batalha, o então ‘Império do Brasil’ obteve supremacia naval, o que influenciou diretamente no bloqueio econômico imposto pela marinha de guerra brasileira. Terra de ninguém? Em 22 de abril de 1500 atracava em terras brasileiras Pedro Álvares Cabral e sua frota e a partir de então, disseram que foram os descobridores das terras de “Vera Cruz”. As terras, porém, já eram habitadas por diversos povos indígenas.

Surge a Organização Internacional do Trabalho Em 11 de abril de 1919 foi lançada a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que é uma agência multilateral ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), especializada nas questões do trabalho. Com sede em Genebra, na Suíça, a OIT tem uma rede de escritórios em todos os continentes, com o fundamento de “abordar questões relacionadas à Justiça Social e buscar soluções que permitam a melhoria das condições de trabalho no mundo”.

Gigante “inafundável” Na noite de 14 de abril de 1912, em sua viagem inaugural, o Titanic colidiu com um iceberg no oceano Atlântico, no caminho entre Southampton, na Inglaterra, e Nova York, nos Estados Unidos. Com 2.240 pessoas à bordo, 1.523 pessoas acabaram morrendo. A trágica história foi base para muitos romances fictícios, sendo que o mais lembrado é a história de Jack Dawson e Kate Winslet, no filme que leva o nome do transatlântico, de 1997. Amplo / Abril 2013

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Amplo - #2  

Política, cotidiano e vice-versa