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Acyr Castro

no trabalho, na miséria (a pobreza erá o Pará um estado realmente independente? O permitida somente se com o mínimo de Brasil viverá sob a Independência tal o queriam D. dignidade), na educação e na saúde. Pedro e os paraenses que os apoiavam? Basta de discurceira vazia e sem Não quero com isso dizer que somos uma nação e significado algum, com sentido apenas de uma província tão dignamente paraoara, em situação de eleger dirigentes que genericamente não completa escravidão. Tecnicamente talvez o sejamos, estão à altura, nem aí para os que queiramos ou não. votaram e somente interessados nos Dependemos, nós os paraenses, do governo central que, por próprios interesses, os “de cima” a sua vez, depende de sistemas econômico-financeiros mandar e a desmandar nos “de baixo”. subjugados a uma sistemática maior com sede ou nos Estados Machado de Assis: Falo pensando política e eticamente em Unidos da América do Norte ou nos Países mais ricos da O futuro começa nome dos que não tem voz para expressar Europa. “onde a água e céu dão o que os publicistas conseguimos, no meu um abraço infinito” Ninguém pode deixar de observar o que é óbvio e enxergado por caso graças a benevolência e a generosidade de Ronaldo e todos os que são perceptíveis a realidade subjacente de Rodrigo Hühn e a sua “Pará +” com que acolhem minhas imediato à flor da pele. singelas porém as vezes oportunas reflexões tão bem recebidas Uma questão tão clara que dói na vista e nos leva a pensar. O nesta revista magnificamente editada. colunista, todo colunista, jornalista de verdade, de fato escritor Que os governantes não estejam na situação daquele famoso no dia-a-dia, precisa para olhar com leveza masAlfred sobretudo,Hitchcock jogador de futebol que, ouvido pela reportagem da área, com inspiração, saber o que precisa ver e todamente respondeu uma pergunta feita: “não me venha com problemática compreender o que o coração dita pelos olhos da face. que eu não tenho solucionática”. São problemas complexos esse s que nos envolvem,

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Independência ou Morte

canhestamente delineados aqui de intensa realidade. Sem encará-los de frente, com coragem, com sabedoria, como dizer pois que as liberdades públicas e particulares são respeitadas e mantidas quer pelos governantes quer pelos cidadãos estejam estes em dia ou não com seus impostos. Uma nação moderna, uma província ligada e atualizada requer como principio básico, interpreta-los eficazmente a fim de entendê-los, devidamente, em suas deficiências da hora, sem o que não será possível resolve-los. Problemas na segurança geral, Mário de Andrade : “Estou vivendo idéias nos transportes, que por si só são destinos”

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EDIÇÃO 81 [SETEMBRO 08]

p a r a m a i s . c o m . b r

“Estou vivendo idéias” (Mário de Andrade) “que por si só são destinos”. Nós paraenses damos a vida para viver brigando. Cléo Bernardo de Macambira Braga, nascido na Praça da Bandeira nesta ensolarada, sofrida e amada Santa Maria das Graças de Belém do Grão Pará, sabia disso, ele que morreu exata e precisamente em 7 de setembro, preferia que brigássemos não entre nós mais contra os que nos exploram e prejudicam, imperialismo externo e interno a impedir a libertação desta tão cobiçada Amazônia. Machado de Assis lembrava que o futuro começa “onde a água e céu dão um abraço infinito”. E até outubro, se os fados permitirem. (*) Escritor e jornalista, membro da Academia Paraense de Letras

Pará+ 81  

Olhar Amazônida

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