Page 39

Placa afixada à entrada do Ed. Conselheiro Furtado

Familiares de Tavernard em frente ao “Rancho Fundo”, casulo-cosmo do poeta por uma década

Publicou um livro de contos aos 22 anos: Fêmea. Um segundo livro, Vozes Tropicais, ficou inédito. Entre as peças teatrais que escreveu foram encenadas: A Menina dos 20.000, de parceria com Fernando Castro, publicada em 1930 e levada à ribalta do extinto Palace Teatro, em 1931, musicada por Mendo Luna; A Casa da Viúva Costa; Parati; Seringadela e Que Tarde! Tavernard era apaixonado torcedor do Clube do Remo, para o qual dedicou algumas de suas poesias e escreveu crônicas de exaltação e, inclusive, o Hino do clube, que assim inicia: “Atletas azulinos somos nós/ e cumpriremos o nosso dever/...” Uma curiosidade: Tavernard veio ao mundo somente três anos após a fundação do glorioso Clube Remo (1905). Sua efêmera vida terrena não impediu que fosse incluído no rol dos grandes nomes da poesia paraense - e mesmo nacional -, graças à privilegiada sensibilidade artística, inteligência e inspiração poética. Em suas próprias palavras: “Cada um dá o que tem! / Ah! Que verdade!.../ A vida deu-me a dor, eu dou-lhe versos...”

Maria Anunciada Chaves assim se expressou: “A angústia inundou o coração e a alma do poeta, mas não a venceu. (...) Antônio Tavernard refugiou-se em seu talento criador, e escreveu incansavelmente.” Aos 19 anos ganhou o 2º lugar em concurso de contos instituído pela revista Primeira, da antiga capital federal. Em Belém foi redator-chefe da revista A Semana. Suas poesias eram publicadas em jornais belenenses e cariocas. Todavia, em vida não logrou organizá-las em livro, cabendo ao acadêmico Georgenor Franco, em 1953, reuni-las em volume a que denominou Místicos e Bárbaros. Similitudes, uma de suas peças poéticas mais conhecidas e reputadas, em que evoca ter nascido “em frente ao mar” e a ele se faz comparar (na verdade o rio para o qual sua casa, em Icoaraci, estava voltada), está aí inserida. “Poeta da gente humilde, de sua terra, sua imaginação adquiriu um conteúdo humano e emocional, poucas vezes conseguido por qualquer outro poeta paraense: plásticos, espontâneos, contendo sonoridade e ritmo, seus versos, Casa em que nasceu Tavernard, em Icoaraci, na Rua Siqueira Mendes, 585. “Nasci em inspirados no folclore regional, são uma síntese da emotividade frente ao mar./ Meu primeiro vagido / cabocla.” (Rocque, C.). O consagrado compositor paraense e misturou-se ao fragor do seu bramido.”, nacionalmente aplaudido, Waldemar Henrique, musicou seus disse o grande vate paraense, num instante sublime de seu estro poético poemas, tornando-os, destarte, conhecidos em todo o País, (Poesia Similitudes) através de belas canções, de que são exemplos: Foi Boto, Sinhá; Matintaperera; Louco de Amor.

*Médico e escritor – SOBRAMES

EDIÇÃO 81 [SETEMBRO 08]

p a r a m a i s . c o m . b r

39

Pará+ 81  

Olhar Amazônida

Advertisement