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Existem outras leis, que associam o conceito de Murphy a situações específicas: Lei de Gold: - Se o sapato serve, é feio! Tratado sobre o Tempo: por Hanson - Nunca há horas suficientes em um dia, mas sempre há muitos dias antes do sábado. Postulado de Harrison - Para cada ação, há sempre um igual e oposto criticismo. Princípio da Memória de Hurewitz - As chances de esquecer algo é sempre diretamente proporcional ao ... ao ... uhn? ... Lei dos Cargos - Todo cargo tende a ser ocupado por um funcionário não qualificado para desempenhar suas funções. Lei do Óbvio Ululante - Se uma corda tem uma ponta, procure que tem outra. Lei das Filas - A outra fila sempre anda mais rápido. - Mudar de fila faz com que imediatamente a fila de onde você saiu comece a andar mais depressa do que a sua. - Voltar à fila antiga desorganiza as duas filas e deixa todo mundo puto da vida. Lei dos Aeroportos - A distância até a porta de embarque é inversamente proporcional ao tempo que resta para pegar o vôo. Lei do Baiano - Não há melhor momento do que hoje, pra adiar pra amanhã, o que você não vai fazer nunca. Princípio do Atrasado - Se você chega cedo, o espetáculo será cancelado. - Se você se mata para chegar na hora, terá que esperar. - Se você chega atrasado, começou a horas. Leis da Dieta - Pra não engordar há quem coma somente verduras. Os elefantes só comem verdura. - Pra não engordar há quem coma somente peixe. As baleias só comem peixe. Leis do Esporte - O melhor lance da partida acontece quando você está olhando pro placar ou comprando uma cerveja. - Tudo sendo igual pros dois adversários, você perde. Lei do Irremediável - Se o caso é ganhar ou perder, você perde.

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EDIÇÃO 81 [SETEMBRO 08]

p a r a m a i s . c o m . b r

que estão acostumados com artigos mais técnicos vão achar estranho este, quase biográfico. Mas nós interferimos no acaso, não podemos ser subservientes, apenas vítimas dele. Millôr Fernandes diz que “viver é desenhar sem borracha”. Ele deve ter clara noção disso, pois além de escritor é um chargista de referência. A questão está no fato que às vezes queremos insistir tanto na precisão de nossas vidas, que qualquer acaso se eleva à categoria de catástrofe! Mas a vida não é uma prancha de desenho técnico, é um desenho livre, impressionista ou expressionista (ou, talvez, surrealista), caricato muitas vezes, de intenções nem sempre tão objetivas. É um lápis correndo frouxo, construindo formas que vão significar realmente quando retornarmos o olhar. Edward Murphy ficou famoso não por sua competência técnica como engenheiro, mas por um erro expresso numa frase, um conceito, reproduzida e reconhecida como um fato de tamanha precisão que atinge a todos, indistintamente. Devemos, pois, ver os desvios como novos caminhos. Observar a vida com o olhar atento para os novos meandros e matizes que surgirão no cenário. Aprender a conhecer um pouco mais o que nos cerca, para que nós possamos ser os agentes da mudança, e não a fatalidade do erro. E considerar o erro como uma possibilidade ainda não pensada, que deve ser relevada ou combatida, dependendo da interferência. E rir, abstrair, transformar a nossa vida em uma estrutura mais fluida e volátil, para que possamos penetrar em outros espaços de possibilidades. Arquiteta e urbanista, especialista em Artes Visuais e Semiótica Atualmente Técnica em Gestão Cultural do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secretaria de Estado de Cultura (DPHAC-SECULT) e-mail: crodianascimento@yahoo.com.br

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