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uma prova viva das forças naturais do contra! É claro que alguma coisa deverá acontecer com este artigo... Mas é assim mesmo, fazer o quê? Qual a minha surpresa ao descobrir que Murphy realmente existiu! E que essa lógica é conhecida como um princípio de design defensivo. Quer dizer, se duas peças são iguais e existe a possibilidade de troca em seus encaixes, deve-se criar um design assimétrico para reduzir a possibilidade de erro. Porque, se existe possibilidade mínima de troca, ela vai acontecer! É a Lei! Edward Murphy foi um engenheiro que trabalhava para a Força Aérea Americana. Durante um de seus experimentos (USAF, projeto MX981) envolvendo uma pessoa-teste, em 1949, onde seria necessário fixar dezesseis acelerômetros para testar a tolerância humana à aceleração, nenhum deles foi colado da maneira correta. Existiam duas formas de fixação de cada sensor, e em todos os dezesseis foi feito da maneira errada. O major John Paul Stapp, a “cobaia” Edward Murphy no experimento, o ouviu

dizer, e difundiu, aquela que seria conhecida como a primeira Lei de Murphy:“Se há duas ou mais formas de fazer alguma coisa e uma das formas resultar em catástrofe, então alguém a fará.” O reconhecimento da Lei da Implicância Natural das Coisas, também conhecida como Lei da Trapaça, se faz num de seus principais axiomas: "O pão sempre cai com a manteiga para baixo". Quem duvida disso? O grande lance da vida está em reconhecer que não há planejamento possível sem considerar o erro como uma possibilidade real. E nisto está a beleza: no acaso. Ninguém se surpreende com a rotina e com a previsibilidade. Um tio meu dizia que pic-nic sem formiga não tem graça. E é quando aceitamos a possibilidade do “se” que a vida ganha em perspectivas inesperadas. A bem da verdade ninguém quer viver ao sabor do vento; todo mundo quer poder prever minimamente os seus passos para não cair num estado de subordinação às forças externas, que levariam a um esvaziamento de autodeterminação da vida. Mas qual a mulher que não quer ser surpreendida com uma flor? Quem não quer um promoção inesperada, ou um aumento, ou um prêmio de loteria? A mudança de planos não precisa obrigatoriamente estar condicionada ao acaso e ao erro. Nós podemos inferir nossa vontade no acaso alheio. Certamente os leitores

EDIÇÃO 81 [SETEMBRO 08]

p a r a m a i s . c o m . b r

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Pará+ 81  

Olhar Amazônida

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