Page 21

em troca de sepulturas para que os doadores pudessem ser enterrados, no Cemitério da Soledade. Naquele tempo quem administrava os enterramentos nos cemitérios da cidade era a Santa Casa de Misericórida. Outro aspecto interessante do cemitério é a sua extensão, que, então, ia desde a sua atual localização até onde hoje fica o colégio Instituto de Educação do Pará (IEP) e o prédio Manuel Pinto da Silva, ambos localizados à Avenida Serzedelo Corrêa, esquina com a Avenida Nazaré. “Não é raro para os moradores dessa região de Belém encontrar ossadas no quintal de suas casas”, afirma o arqueólogo do Goeldi. As escavações coordenadas por Marques serão Escavações realizadas por realizadas até o fim de setembro, quando Marques e pela equipe outras adaptações históricas e arquitetônicas serão realizadas no Soledade. Sobre as importantes revelações históricas que as escavações no Cemitério Nossa Senhora da Soledade podem revelar, o arqueólogo responde: “Além de dados culturais, como objetos de uso pessoal, vestuário, formas de sepultamentos e informação, por exemplo, sobre saúde pública, a arqueologia pode resgatar simbolismos das práticas religiosas, oferendas, que muitas vezes não está publicada. O estudo arqueológico permite assim, confrontar estas fontes materiais com a documentação escrita”. As escavações realizadas por Marques e pela equipe que integra o projeto já encontraram várias peças de cerâmica, louças, metais e vidros, além de vestígios de pisos e construções de alvenaria de pedra e tijolos, feita com argamassada de cal obtida a partir de queima e trituração de conchas provenientes, possivelmente de sambaquis da região do salgado e das ilhas.

Arqueologia histórica em espaços urbanos Esse foi um dos temas tratados durante o I Encontro Internacional de Arqueologia da Amazônia, que acontece em Belém recentemente no Teatro Maria Sylvia Nunes da Estação das Docas. A arqueologia histórica ocupou lugar de destaque no evento e a mesa sobre o tema teve coordenação do arqueólogo Fernando Marques, do Museu Goeldi, que

também apresentou o trabalho “Agroindústria canavieira e memória urbana: abordagens arqueológicas naAmazônia Colonial“. Arno Kern,Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e Marcos Albuquerque, da Universidade Federal de Pernambuco, estavam os especialistas convidados. Eles abordaram a importância da arqueologia no contexto das cidades. Kern falou especialmente, sobre o assunto no Período Colonial, e Albuquerque explorou a noção do potencial da arqueologia histórica para resgatar informações engolidas pelo passado, pela selva, em cidades varridas por ataques militares e doenças tropicais. Paulo Zanettini, da Zanettini Arqueologia, apresentou trabalho relativo à arqueologia na cidade amazônica com dois estudos de caso – Projeto Arqueourbs, desenvolvido para o Governo do Estado do Amazonas e o Projeto Fronteira Ocidental, do Mato Grosso – a partir dos quais fez reflexões a respeito do papel do arqueólogo enquanto agente ativo na preservação do patrimônio ambiental urbano. “De aldeias a Missões religiosas: Oferendas para escrava Anastácia trocas culturais na foz do rio Amazonas“ é o título do trabalho que Paulo Roberto do Canto Lopes, do Museu Histórico do Estado do Pará apresentou durante a sessão. O E n c o n t r o Internacional foi uma parceria do Museu Goeldi com o Iphan e a Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult), e contou com o patrocínio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior ( Capes); e o apoio da Petrobras. Agência Museu Goeldi

EDIÇÃO 81 [SETEMBRO 08]

p a r a m a i s . c o m . b r

21

Pará+ 81  

Olhar Amazônida

Advertisement