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negligenciada, potencializa as chances de descontinuidade do negócio. A deficiência na formação de herdeiros acionistas tem relação com modelos de gestão vinculados de maneira extrema à idéia de que, “se foi fundada assim e deu certo, é porque é bom e deve ser mantida”. Não pretendemos, é claro, induzir sócios herdeiros a abrirem mão de valores e crenças, mas de perceber que é possível e vital aprimorar técnicas de gestão circundadas de valores e crenças. No mercado atual, o controle familiar é “diluído” na medida em que as partes interessadas (stakeholders) passam a exercer maior influência na evolução do negócio. Ou seja, clientes e fornecedores exigem referências na gestão e não só na especificação do produto ou serviço. Bancos impõem requisitos que vão desde regras de aceitação da empresa como cliente até o seu nível de transparência e preocupação ambiental, sem falar nos órgãos reguladores e governamentais que já diferenciam empresas pelo seu nível de governança e gestão. Dessa forma, nenhum modelo de gestão familiar consegue se manter absolutamente fechado e arraigado ao modelo original de fundação.

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Stakeholders são indivíduos ou organizações que compõem o grupo de partes interessadas num projeto ou que podem ser afetados pelas atividades ou por seu resultado, podendo influenciar de forma positiva ou negativa

Ainda nessa seara, outro ponto de destaque é o crédito. Sem ponderar sua complexidade histórica no Brasil, é fato que existe diferenciação no custo e no

acesso para organizações com adequados níveis de governança e sustentabilidade. Para todas essas questões é primordial, além da capacitação, a constante avaliação do quê e de como estamos gerindo o curto, o médio e o longo prazos. Visões externas e comparativas auxiliam nas decisões e mudanças de conceitos. Salientamos ainda os quesitos inovação e crescimento. Inovar favorece as chances de competir e requer processos, investimentos e dedicação no acompanhamento do mercado. Crescer é algo que demanda a busca por novos sócios e a atração de profissionais competentes. Isso tudo resultará – é inevitável! – na revisão dos modelos de gestão e na forma de se fazer negócios. Ta m b é m q u a n d o a b o r d a m o s a governança, estamos tratando da separação entre patrimônio da empresa e dos sócios, bem como dos modelos decisórios. O famoso “almoço do domingo” é valiosíssimo para se discutir idéias e pensamentos estratégicos, mas não pode ser soberano frente às instâncias P decisórias da organização. (*) Sócio-diretor da BDO, umas das cinco maiores empresas do mundo em auditoria, tributos e advisory services

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Pará+ 107  
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A inauguração das eclusas de Tucuruí

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