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Ano I Edição 2 - Outubro/Novembro 2017

PRECONCEITO LITERÁRIO precisamos falar sobre isso

Entrevista com L. L. Alves

Samanta Holtz conta sobre suas obras

Klébio Damas entrevista exclusiva + pôster!!!

Thati o d a h c Ma


Palavra das editoras Olá, Amazers! Como vocês estão? Espero que tenham ficado ansiosos com a edição nº 2, porque eu com certeza fiquei! Tem MUITA coisa boa vindo por aí! Você já sofreu preconceito literário? Alguém já foi intolerante com o gênero ou livro que você gosta de ler? Pois é! Infelizmente, isso ainda acontece muito! E pensando nisso, decidimos abordar o tema nesta edição. Tem entrevistas com escritoras maravilhosas, uma tirinha (novidade!) de uma ilustradora fenomenal (quem será? suspense!), os testes e dicas tão esperados e vários textos para você refletir e debater sobre o preconceito literário. Como sempre, minha missão nesta edição - também, foi trazer um conteúdo interessante para que vocês tenham um novo olhar sobre a literatura e o mundo que os cerca. Aproveitem mais uma edição e depois nos digam o que acharam!

Duda Razzera

Homofobia, racismos, xenofobia… São tantos tipos de preconceito que enfrentamos que pensar em preconceito literário não faz sentido. Não importa se a leitura é um livro de Youtuber (como muitos gostam de se referir), se é fantasia, história em quadrinhos, clássicos da literatura, nacional ou não. O importante é o prazer de ler. Nesta edição da Amazing queremos celebrar o prazer de ler, indicar livros que falam dos mais variados preconceitos e reafirmar que livro bom é o que você gostar. Vamos expandir nossos horizontes e conhecer novos livros! E não julgar os escritores pelos livros que eles escrevem ou os leitores pelos gêneros que lêem. Ler é bom. Sem preconceitos!

Graduada em Ciências Econômicas pela UDESC, Pós-graduada em Gestão de Marketing pela Unisul, especialização em Marketing Digital pela ESPM e Certificada em Inbound Marketing pela Hubpost Academy. Atua há mais de 3 anos na área de Marketing e Marketing Digital e Literário. Em 2014, publicou o livro “Cartas para você” pela Editora Novo Século e, em 2015, publicou “O príncipe das Areias” com seu próprio selo editorial. Em 2016, organizou e publicou a coletânea com mais sete escritores “As 8 faces da diversidade” e tem uma história no Wattpad, “Além da superfície”. É gaúcha, colorada, slytherin, adora filmes, esmaltes, boa música e muitos livros!

Escritora e roteirista de Terror e Suspense que não tem medo do escuro, mas às vezes fecha os olhos quando vai ao banheiro de madrugada. Colunista nos sites Boca do inferno e Iluminerds, e editora da revista Amazing. Gosta de se aventurar em outros gêneros, fazer roteiro de HQ e participar de antologias. Integrante do Trevocast.

Glau Kemp Para mandar uma matéria para a revista: amazingrevista@gmail.com Aceitamos: textos literários, divulgações, dicas literárias, oferecendo-se para algum serviço, brincadeiras literárias, sugestões, dúvidas, elogios e críticas. Diretoria Administrativa: Lilian Vaccaro Editoras: GlauKemp e Duda Razzera Design: Eder Modanez Colaboradores fixos: C. B. Kaiahatsu, Luis Kato, Marcelo Milici, Ana Dias, Giovanna Vaccaro, Jadna Alana, Bruna Costabeber Colaboradores dessa edição: Amanda Maia, Heloísa Reis, Well Almeida, Aninha Espíndula, José Roberto Júnior, José David. Revisoras: Amanda Maia e Evelyn Santana fale com a redação: amazingrevista@gmail.com

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Revista Amazing


Conheça nossos colaboradores

Giovanna Vaccaro tem 17 anos, cursa o último ano do Ensino Médio. É totalmente viciada por séries americanas. Os filmes a fazem sonhar alto e acreditar que tudo é possível quando lutamos pelo que queremos. Escritora de, Procura-se.,“ E se...”e participou de algumas antologias, com seus contos, “ A garota dos meus sonhos” e “ O fio vermelho”. Tem um canal no YouTube chamado Passa Cola, faz parte da Galera Capricho, e atualmente apresenta o Clube do livro, que vai ao ar todas as terças feiras ao vivo. O que contribui para seu futuro, já que seu desejo é ser jornalista.

Luis Enrique Kato, 18 anos, paulista, estudante de jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Virginiano de alma sonhadora, começou a escrever numa tentativa de dizer ao mundo cada sentimento que continha em seu coração. São tantas histórias acabaram se tornando um livro, Amar é mar, publicado pela Editora Coerência em 2017.

C. B. Kaihatsu é escritora, poetisa, engenheira de controle e automação, bailarina clássica e de jazz, colunista e entrevistadora do Jornal Tribuna de Paulínia, do site CultEcléticos e da Revista Amazing. Também é beatlemaníaca, fã de Fórmula 1, de Star Wars e do Nintendo de 8 bits. Nerd antes do TBBT. Ainda aguarda sua cartinha de Hogwarts.

Jadna Alana, escritora, cantora, estudante do curso de Letras pela Universidade Estadual da Paraíba e também booktuber no canal: “Uma Escritora Diferente”.

Ana Carolina Dias é carioca, perfeccionista, taurina, sonhadora, tem 20 anos e odeia todos os números múltiplos de cinco. Apaixonada por pelúcias, livros, músicas, filmes e bebidas geladas. É escritora e gosta de detalhes e clichês, mais ainda, criar histórias com finais felizes e imprevisíveis. Escreveu o livro Os Dez Amores de Cece e participa da antologia Mais Amor, Por Favor.

Marcelo Milici é professor e escritor, fundou o Boca do Inferno em 2001. Baterista nas horas vagas, curte rock´n roll e filmes obscuros. Tem contos em antologias, e é responsável pela enciclopédia definitiva sobre a coulrofobia na cultura pop “Medo de Palhaço”.

Bruna Costabeber, 25 anos, engenheira civil, blogueira, mãe da Nina, apaixonada por livros e por números, dois universos que se chocam em muitos momentos. Já realizou alguns sonhos, mas nunca deixou de sonhar, pois são eles que a movem.

Agenda Literária OUTUBRO - Dia 07: Feira do Livro em Paulínea Interior de São Paulo - Paulínia Shopping, Das 10 as 19 horas - Dia 08: Lançamento do livro “Exídium” do escritor Gabriel G. Samapio. Livraria da Martins Fontes, às 15 horas. Av. Paulista, São Paulo - Dia 21: Feira do Livro na ETEC - SP - Dia 21: 15 ª Edição Amigo Livro às 14h Master Palace Mall - Vitória/PE NOVEMBRO - Dia 18 - Semana do livro Nacional Casa de Cultura de Nova Iguaçu às 13h - Dia 24 - Lançamento do livro “A Princesa de Ônix” da escritora Jadna Alana, às 18h30 na Livraria da Martins Fontes - Av. Paulista , São Paulo/SP - Dia 25 - Lançamento “Era uma Vez”Saraiva Shopping Center Norte, às 15h. Presença confirmada das escritoras: Evelyn Santana (Organizadora) - Brasilia Juliana Bicalho - RJ Jadna Alana - Paraiba Angie Stanley - SP Glau Kemp - RJ Ana Dias - RJ - Dia 25 - Praxe Literária 5ª Edição Organizadora Letícia Dutra - Livraria Leitura, Shopping Dom Pedro, Campinas/SP - Dia 26 - Coerência Literária 4 Livraria Leitura, Shopping Dom Pedro, em Campinas/SP. Presenças confirmadas dos escritores: Décio Gomes - Recife/PE Jadna Alana - Paraiba Evelyn Santana - Brasília/DF Bruno Oliveira - Paraíba Soraya Abuchaim - Vinhedo/SP Raphael Miguel - Botucatu/SP Outubro/ Novembro

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Conteúdo

Agenda Literária

O preconceito no universo de Harry Potter Horóscopo

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Extraordinário Entrevista: L. L. Alves O Preconceito na literatura cristã CARRIE: do sangue ao sangue Teste: Você é preconceituoso?

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Crônica Entrevista: Samanta Holtz CAPA: Tati Machado Antologias Sobre Aceitar Tirinha literária

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Homenagem: Marcela Cardoso Escrever bem, que mal tem? Livros para quebrar o seu preconceito Entrevista: Klébio Damas A Arte da Obstinação Entrevistando Angie Stanley Minha experiência com preconceito literário Crônica: Eu não estava pronta Nova percepção de leitura e escrita Conheça novos autores

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O Preconceito no universo de

por C. B. Kaihatsu

A autora britânica J. K. Rowling abordou de forma brilhante o preconceito em sua mais famosa obra, a saga infanto-juvenil, Harry Potter. Alguns grupos são discriminados no mundo bruxo, são eles: trouxas, abortos, mestiços, nascidos-trouxas e elfos domésticos.

Trouxa: Indivíduo que não possui habilidades mágicas e não é filho de bruxos.

Aborto: Filho de pais bruxos que nasce sem habilidades mágicas. Um exemplo de bruxo abortado é o zelador da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Argo Filch. Mestiço: Indivíduo cujo um dos pais é trouxa ou nascido trouxa e o outro é bruxo. Harry Potter, personagem que dá título a série é um mestiço. O professor Severo Snape e Lord Voldemort também são. Nascido-Trouxa: Bruxo filho de pais trouxas. O maior exemplo de um personagem nascido-trouxa é a Hermione Granger. Elfo Doméstico: Um elfo doméstico é uma criatura mágica que passa a vida a servir famílias bruxas. O elfo doméstico mais famoso nos livros é Dobby. Os abortos e os trouxas são discriminados por alguns bruxos por não possuírem poderes mágicos. Já os mestiços e nascidos-trouxas são discriminados por alguns bruxos “puro-sangue”. São conhecidos como “puro-sangue” bruxos nascidos de pais bruxos. Alguns deles consideram mestiços e nascidos-trouxas inferiores, embora considerem os nascidos-trouxas inferiores aos mestiços. Alguns mestiços têm preconceito em relação aos nascidos-trouxas. Na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts os mestiços e nascidos-trouxas eram discriminados principalmente por alunos da Sonserina. Em relação aos nascidos trouxas, há bruxos que usam um termo extremamente pejorativo para designá-los, “sangue-ruim”. O termo mestiço também é, por vezes, usado como pejorativo. Com a ascensão de Lord Voldemort ao poder, os nascidos-trouxas foram perseguidos, presos e

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alguns até assassinados. Podemos fazer uma comparação desta passagem do livro com genocídios que ocorreram ao longo de nossa história. Os elfos domésticos também eram considerados inferiores por bruxos preconceituosos e viviam para servir num regime escravocrata. Elfos domésticos são obrigados a fazer tudo o que seu mestre mandar. No lugar de vestes, eles usam peças, tais como fronhas, porque eles não podem ganhar roupas. Quando um elfo doméstico ganha roupas de seu mestre, ele é libertado. Estes exemplos de discriminação podem ser comparados ao mundo no qual vivemos, quando um grupo de pessoas se sente superior a outro e discrimina e persegue o grupo que considera inferior. J. K. Rowling desenvolve muito bem este tema num livro voltado para o público juvenil. Queridos leitores, deixo ao final deste artigo a mensagem de que preconceito é intolerância.

Outubro/ Novembro

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Outubro/Novembro

Horóscopo

por Giovanna Vaccaro Ilustrações: Eder Modanez

Áries

Gêmeos

21 de abril/ 20 de maio

21 de maio/ 20 de junho

“Progresso”, essa é a sua palavra, ariano! As coisas estão fluindo muito bem na sua vida e, a cada dia que passa, você realiza mais um sonho. Tá arrasando! Leia “Apenas um Sonho”, de Guilherme Gomes e aproveite essa vibe.

Os últimos meses têm sido difíceis, mas não se desespere. O final de 2017 está te aguardando com imensas surpresas. Esse mês será meio agridoce, as coisas andarão bem, mas poderiam ser melhores, não é? Mantenha a calma enquanto se diverte com “Menina Veneno”, o novo lançamento da Carina Rissi.

Mercúrio tá andando rápido demais esse mês para os geminianos, mas isso poderá contribuir para uma maré boa. Você cometeu alguns erros no passado e agora poderá se redimir. Aproveite e leia “Quando o Amor bater à sua porta”, da escritora Samantha Holtz.

Libra

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Touro

21 de março/ 20 de abril

Escorpião

Sagitário

23 de setembro/ 23 de outubro

24 de outubro/ 22 de novembro

23 de novembro/ 21 de dezembro

Tá sentindo esse cheirinho de amor no ar, libriano? Porque eu tô. E não tá fraco! Você está muito mais que preparado para encarar os desafios e entrar de cara num relacionamento. Faça como a Ariane Sparks, de “Procura-se”, e se desprenda de tudo para viver aquele amor de filme!

Se acalme e tente não chamar muito a atenção alheia. Estão de olhos em você! Isso pode dificultar bastante o seu mês, mas é a vida, né? Se preocupe consigo mesmo e releve. Você pode ler “O Meu Melhor Amigo É Gay”, de Dielson Vilela.

Ninguém sai, os sagitarianos chegaram! Neste mês vocês estão com tudo, então aproveitem a deixa e se joguem, o mundo tá aqui esperando por vocês. Leia “Tudo e Todas as Coisas”, de Nicola Yoon.

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Câncer

Leão

Virgem

21 de junho/ 22 de julho

21 de julho/ 22 de agosto

23 de agosto/ 22 de agosto

Ah, pelo amor de Deus, canceriano! Pare de chorar pelo crush que não te corresponde e lute por você pelo menos durante este mês. Leia “Princesas GPOWER”, das autoras Larissa Siriani, Thati Machado, Mila Wander e Janaina Rico.

Mudanças, mudanças, mudanças... Tá rolando muita coisa nova na sua vida, leonino e, por causa disso, você tem passado por muito estresse. Vai por mim, dá uma maneirada nos sentimentos e se acalme. Tente fazer isso lendo “O ano em que eu te conheci”, da diva Cecilia Ahern.

Nunca diga “dessa água não bebereis” porque vai que bebereis. Esse meme tem rendido muito na vida dos virginianos e, pelo visto, as coisas vão continuar na mesma. Leia “A Estrela de Seis Pontas”, de Bruno F. Oliveira.

Capricónio

Aquário

Peixes

22 dedezembro/ 20 de julho

21 de janeiro/ 20 de fevereiro

19 de fevereiro/ 20 de março

Os ventos estão trazendo várias lembranças do passado e está por sua conta decidir se isso vai ou não afetar o seu desenvolvimento em Outubro. Tome boas decisões enquanto lê “Sob os olhos de um Anjo”, de Célio Vieira.

“Chegueeeeeeei, tô preparada pra atacar...” vai ser a frase de vocês neste mês. Vocês realmente têm todos os meios para fazer isso, migxs. Leiam “Tábula Rasa”, de Laplace Cavalcanti.

As coisas podem estar meio complicadas, mas não se desanime. É só uma fase. Tentei equilibrar as emoções ao ler “Aos Olhos de Zoe”, de Camila Pelegrine.

Outubro/ Novembro

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Extraordinário Duda Razzera | Editora da Revista Amazing

‘“Extraordinário” foi escrito pela autora autora R. J. Palacio e tem tudo a ver com o tema desse mês, que é Preconceito. Por ser contada sob a perspectiva de um garoto que nasceu com uma deformidade facial, o enredo é embalado por muitos obstáculos - enfrentados pelo protagonista e sua família e muita quebra de preconceito e paradigmas. Sinopse: August (Auggie) Pullman nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade - um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.

Para quem quer se aventurar ainda mais no universo de Extraordinário, ainda existe o livro “Auggie e eu”, que narra as situações do primeiro livro sob a perspectiva de outros personagens, como Julian, Christopher e Charllote. É maravilhoso, pois conseguimos captar outras nuances da história e entender mais sobre bullying, o que faz com uma amizade ser verdadeira e como alguém pode afetar tanto a vida de outras pessoas. “Extraordinário” irá estrear no cinema em novembro e contará com Julia Roberts, Owen Wilson e Jacob Tremblay no elenco.

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Você não pode perder!

Extraordinário R. J. Palacio


Entrevista

L.L.Alves por Jadna Alana

Sabemos que a nossa literatura nacional não é tão valorizada como deveria por vários motivos. O que você acha quando um autor resolve trazer elementos para a escrita que podem causar preconceitos nas pessoas? Acho que é necessário um posicionamento dos escritores sobre temas capazes de tirar o leitor de sua zona de conforto. Afinal, além de entreter, divertir e emocionar, os autores também podem (e devem) trazer elementos que façam o leitor refletir e, quem sabe, aprender sobre um assunto ou situação que desconhece. Escrever, para mim, é mais que um ato político; é um ato de amor e empatia. Você sentiu receio de escrever uma história onde a protagonista é uma personagem Plus Size? Sinceramente, não. Na verdade, devia ter colocado uma personagem gorda em meus livros há muito tempo. Na época não pensei sobre a repercussão desse livro ou como diversas pessoas se sentiriam representadas pela Daniella. Escrevi pela necessidade de contar a história, de apresentar ao mundo uma protagonista como eu e como tantas pessoas que conheço.

Sobre a autora: - L. L. Alves, nome artístico de Luene Langhammer Alves - Formada em Letras (Inglês), pela Universidade Federal de Santa Catarina - Mais de 10 livros e contos publicados desde os 13 anos. - Instituição para Jovens Prodígios (fantasia); Mudanças (romance); Sebo Fernandes (new adult); As GRANDES Aventuras de Daniella (chick-lit)

Como os seus leitores reagiram ao ler a história da Daniella? Foi a melhor reação do mundo! O livro foi postado originalmente na plataforma Wattpad e posteriormente na Amazon, antes de ser publicado em formato físico. Recebi comentários maravilhosos durante esse período e continuo recebendo o carinho dos leitores até hoje. Posso dizer com toda certeza que suas loucuras renderam inúmeras gargalhadas e que sua história de superação foi importante tanto para mim quanto para quem conheceu a Dani. No decorrer do livro vemos vários momentos constrangedores onde a personagem desabafa como é viver em uma sociedade tão preconceituosa e cheia de padrões, você já recebeu mensagens de leitores que se viram como a Daniella? Escrever As Grandes Aventuras de Daniella foi minha terapia quando eu sequer conseguia encarar minha figura no espelho sem sentir nojo de mim mesma por ser gorda. Saber que ela também ajudou (e ainda ajuda) os leitores a perceberem que não há nada de errado em ser gordo, baixo, alto, magro, pois os padrões impostos pela sociedade não podem controlar a nossa vida é recompensador. Não foram poucas as frases de “Obrigada por ter escrito essa história” ou “Minha perspectiva mudou totalmente depois de ler o seu livro” que eu ouvi. Tem sido extremamente emocionante e gratificante. Você acha que seu livro é uma ponte para que as pessoas se sintam seguras e acolhidas ao saber que existe alguém, mesmo que uma personagem,

que a entenda? Espero que sim! (risos) Especialmente porque quem lê o livro vê a Daniella como sua melhor amiga. Acredito que a linguagem despretensiosa e o jeito divertido e direto da personagem ajudaram a criar essa conexão com os leitores. Mesmo aqueles que não têm o biótipo dela se identificaram por terem tido pensamentos semelhantes sobre o próprio corpo durante a vida. Apesar da sociedade em que vivemos, você acredita que esse preconceito tem sumido aos poucos ou ainda é muito presente em livro com personagens que fogem do “padrão”? Acho que tem melhorado um pouco sim, mas ainda temos um longo caminho pela frente. É preciso inserir mais personagens pouco (ou nada) representados na literatura para ocasionar uma diferença significativa no nosso meio. O que diria a uma pessoa que tem vontade de escrever sobre um personagem nada convencional, mas que tem medo do livro não ser aceito? Por que ainda não começou a escrever? (risos) Tenho certeza que alguém se identificará com sua história e ficará emocionado por se ver nela. Pense no bem que você fará a esses leitores que repetidamente leem as mesmas histórias sobre os mesmos tipos de pessoas e vá em frente! Você pode mudar a vida de alguém. Outubro/ Novembro

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Preconceito na literatura Cristã por Marielle Cardoso

Atualmente temos uma gama de variedades de gêneros de livros no mercado. Mas a cada época um deles acaba se tornando mais popular que outros, como a distopia que ganhou destaque com obras como Jogos Vorazes, Divergente, Maze Runner e etc, ou o gênero Hot, mais divulgado graças a 50 Tons de Cinza. Porém, o gênero cristão, diferente de muitos destes, sofre em partes com o preconceito, já que muitos acham que um livro desse possa ter um enredo interessante, embora muitos filmes tenham angariado alguns fãs, como Prova de Fogo: que conta a história de um homem cuja desatenção a esposa, condutas imorais e a sua fé está destruindo seu casamento mas sua vida espiritual e mudou sua visão sobre a conduta de um homem. Ao começar as tarefas J se vê desmotivado, mas com o tempo, fé e persistância, ele descobre que a trajetória valeu a pena e ajudou a ele e sua amada Katherine. Outro exemplo é A Cabana, cuja recente adaptação do livro para o cinema tocou muitas pessoas, ao apresentar as pessoas muitas

questões as quais fazemos a Deus ou a vida, já que Mack, o personagem principal, passou por uma infância cruel e teve sua fé em Deus abalada, e ao crescer e casar, tem a filha mais nova sequestrada por um serial killer pedófilo. Desnorteado, ele perde sua fé, e culpa a Deus pela tragédia bem como por todos os males do mundo. Afinal se Ele tem tanto poder, porque não acaba com o mau? Então um dia, ele recebe um convite de Deus para encontrá-lo num local marcante e responder suas dúvidas. A partir deste momento, Mack não só restaura seu relacionamento com Ele, como também com seu passado e com sua família. Mesmo sendo cristão, estes livros podem oferecer ao leitor não apenas uma lição de vida espiritual, mas também um conteúdo que todos podem ler e que trazem reflexões de resultados positivos. Vale a pena abrir a mente e tentar ler algo do gênero, certamente acrescentará muitas coisas positivas as pessoas.

Conheça alguns romances de ficção cristãos:

Tesouros Peculiares Robin Jones Gunn

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As Crônicas de Nárnia C. S. Lewis

Prova de Fogo Eric Wilson

O Peregrino John Bunyan


CARRIE

do Sangue ao Sangue por Marcelo Milici

“Carrie” é uma obra sobre sangue. É também uma metáfora sobre as passagens mais traumáticas da adolescência e o modo como são encaradas todas as mudanças. Menstruação e cólicas, surgimento de pelos, crescimento muitas vezes desigual de partes do corpo... são transformações que despontam de maneira assustadora, sendo também repelidas pelos semelhantes em brincadeiras nem sempre sadias. Stephen King definiu basicamente o conceito do bullying, quando publicou sua primeira obra de sucesso, em 5 de abril de 1974, a partir da insistência de sua companheira Tabitha. É claro que o rebate ao que é considerado diferente passeia pela literatura desde sempre, até mesmo quando Mary Shelley construiu sua criatura composta de cadáveres no século XIX, mas o autor americano atualizou o termo na exposição do drama da jovem

Carrie White. Aos 16 anos, Carietta foi surpreendida com a sua primeira menstruação, logo após a aula de Educação Física, no vestiário. Sem saber nada a respeito dessa novidade, ela passou a ser importunada pelas demais jovens, principalmente pela abusiva Chris Hargensen, que ampliou seu medo com insinuações de que a garota iria sangrar até a morte, e incentivou as colegas a atirarem nela tampões e papel higiênico. Mesmo com o apoio da professora Rita Desjardin, que a tranquilizou sobre o que estava acontecendo, Carrie não iria encontrar conforto em sua própria casa, na convivência com sua mãe Margaret, uma fanática religiosa que a culpa pelo ocorrido, considerando o fluxo de sangue como um castigo divino. Não está completamente equivocada, se lembrar que uma das referências americanas à palavra “menstruação”

MARGARET:

“Bruxa. Você tem o poder de Satã!”

CARRIE:

“Não tem nada a ver com Satã, mamãe! Sou eu! Eu!”

é “curse”, que, em outro sentido, poderia significar “maldição” e até “praga”, com base na história bíblica de que esse estado feminino seria culpa da expulsão de Adão e Eva do Paraíso. Além de apontála como pecadora, Margaret a tranca em um pequeno closet para orações, deixando-a por horas entre a agonia e a escuridão, sem imaginar que sua filha possui um dom especial, um poder que se desenvolve em momentos de desespero, como um reflexo de proteção. E é essa psicocinese (ou telecinesia) exacerbada que tornará a pequena cidade de Chamberlain, no Maine, conhecida como a terra da “formatura negra”, um episódio trágico e extremamente sangrento, apresentado na parte final do livro. Tomada pela consciência, após a participação na humilhação inicial, Sue Snell convence seu namorado Tommy a convidar Carrie para a formatura, imaginando que a oportunidade possa ser especial para a garota. No entanto, ela não imagina que a terrível Chris estaria agindo com outros garotos com um plano que envolve um balde de sangue de porco, colocado no alto do palco, onde ocorrerá uma falsa premiação de Rainha do Baile. Coberta de sangue e de vergonha, ao notar o riso da plateia, incluindo professores, Carrie inicia um ato de vingança, assim que as portas se trancam impedindo a saída. Alguns são Outubro/ Novembro 11


eletrocutados, mas grande parte morre carbonizada com a provocação de um incêndio de imensas proporções e que se estende pelas ruas da cidade em explosões de postos de gasolina. O horror de Carrie encerra a obra com o alerta sobre as consequências do bullying. Os traumas ocasionados pela perseguição constante de valentões podem persistir pela vida e culminar na morte. Atos de vingança, como a tragédia de Realengo, no Rio de Janeiro, e inspiração de suicídios são a base de muitas histórias assustadoras que professores e estudantes relatam no dia a dia das escolas pelo mundo. Essa mensagem foi intensificada com a realização da versão cinematográfica da obra, a partir de um excepcional trabalho do cineasta Brian De Palma, que soube mesclar o drama e a violência escolar de maneira impressionante, com destaque para as atuações de Sissy Spacek, Amy Irving e Piper Laurie, acompanhadas da trilha incidental de Pino Donaggio, que faz referência ao clássico “Psicose”, de Alfred Hitchcock. “Carrie, a Estranha”, de 1976, é uma obra que amplia os conceitos literários ao relacionar os poderes da jovem a atos de sua subconsciência. Com roteiro de Lawrence D. Cohen, o longa estabeleceu as bases do horror teen que depois se ampliaria na década de 80. Rendeu uma continuação inferior e desnecessária em 1999, lançada no Brasil como “A Maldição de Carrie” (The Rage: Carrie 2); uma versão para a TV em 2002, estrelada pela talentosa Angela Bettis; e, por fim, uma refilmagem descartável, em 2013, com Chloë Grace Moretz no papel título. Nenhuma das produções teria a força narrativa da obra de Palma, 12

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Mesmo depois de mais de quarenta anos do lançamento do livro, (...) o bullying se mantém como parte da rotina escolar, gerando violência e intolerância mesmo com suas licenças poéticas, ou os questionamentos do texto original. Mesmo depois de mais de quarenta anos do lançamento do livro, outras publicações e inúmeros relatos trágicos, o bullying se mantém como parte da rotina escolar, gerando violência e intolerância, e consequentemente problemas psicológicos como a depressão e o vício. Ao leitor, cabe a função social de aconselhar o próximo sobre o cuidado de suas ações a fim de evitar outros dramas sangrentos como o que acometeu a ingênua Carrie.

Bullying e Presas no terror sueco Deixa Ela Entrar Um dos principais elementos da mitologia vampírica já surge como um contraponto à ingenuidade de Eli, um convite facilmente aceitável, proposto pelo escritor sueco John Ajvide Lindqvist, cuja obra-prima já possui uma versão brasileira lançada pela GloboLivros. Se antes os vampiros eram caracterizados pela sedução, desde o produto original de Bram Stoker, Eli conseguiu acrescentar beleza e inocência, sem deixar de lado a agressividade e o gosto por

sangue. Não teve dificuldades para conquistar o introspectivo Oskar, vítima de bullying, morador do subúrbio de Estocolmo, no início dos anos 80. O pequeno deixa transparecer sua insegurança e desejo de vingança numa coleção de recortes de jornal contendo notícias de assassinatos, além da vontade de se tornar mais forte para evidenciar seu instinto violento. A aproximação dos dois, facilitada pela relação difícil com seus “pais” - já que Eli convive com um ex-professor pedófilo e Oskar é praticamente ignorado pela mãe ausente e pelo pai alcoólatra - leva oleitor a acompanhar uma relação estranha, mórbida e condescendente. Não foi por acaso que a obra de Lindqvist, lançada originalmente em 2004, espalhou-se por diversos países. Deixa ela Entrar traz uma leitura deliciosamente assustadora, com elementos de diversos gêneros na visão inocente do universo infantil diante de um mundo adulto, intolerante e cruel. Eli é um menino que foi castrado há duzentos anos, quando se transformou em vampiro, e veste roupas femininas, adquirindo até mesmo trejeitos de uma garota, enquanto Oskar conquista o público ao expor sua condição de vítima da sociedade. Os erros do tutor de Eli, Håkan, irão evidenciar a presença de um assassino cruel nas redondezas, obrigando os pequenos a encontrar meios de enfrentar essas dificuldades com sangue e mortes, carinho e compaixão. Traduzido pelo sueco Marisol Santos Moreira, trata-se de um romance indispensável para os leitores ávidos por uma história bem contada e intensa, dispostos a evoluir com as personagens diante do diferente.


Você é

Teste

preconceituoso

Com base em algumas perguntas sobre seus gostos, descobriremos qual o nível de preconceito que você tem. 1 – Quais características físicas você não suporta em um personagem? A – Não tem muita coisa que eu não suporte, mas acho bem estranho aquelas pessoas desproporcionais, sabe? B –Não curto ficar muito perto ou ter amizade com pessoas que estão fora do peso. C – Pessoas vesgas, gordas ou magras demais, cabelo crespo ou qualquer característica que fuja do padrão modelo. D – Não há nada que me incomode no âmbito físico. Cada um tem suas qualidades e defeitos. 2 – O que é mais importante para você, a parte interior ou exterior de uma pessoa? A – Acho que os dois precisam estar equilibrados. (50% / 50%) B –O exterior é mais importante, porque é o que vemos. (70% exterior e 30% interior). C – Parte exterior, de que adianta ser lindo por dentro se ninguém vai ver? (100% exterior) D – A parte interior. A bondade que há dentro de um coração, sem dúvidas. (100% interior) 3 – O que você pensa sobre a homossexualidade? A – Nada contra, mas nada a favor. Acho meio “bléh” essas pessoas se agarrem na rua, mas o que posso fazer?

B –Modinha, né? As pessoas ficam com os do mesmo sexo porque é o que todos estão fazendo. C – Por mim todos morreriam, não sei porque existem. D – Não penso nada. Acho que cada um sabe o que sente por dentro e se o físico não transmite isso por que julgar? 4 – E quanto a livros, você tem algum tipo de preconceito? A – Não leio um ou dois gêneros, as experiências foram ruins e os autores não me convenceram. B –Não leio vários gêneros e me mantenho em minha bolha de leituras “normais”, pois estão sendo escritor muitos livros mulherzinhas, só sobre sexo, ou cheio de coisas homossexuais horríveis. C –Livros? Quem não lê clássico não é leitor. D – Cada um deve ler o que quer ou curte, afinal, ler é o que importa. 5 – Você se considera uma pessoa preconceituosa? A – Não. Sempre procurei respeitar tudo e todos. B –Eu não, sou apenas um pouco conservador, também não sou obrigado a aceitar tudo. C – Nunca fui preconceituoso em momento algum da minha vida. Isso é ultraje! D – Tento não ser em todos os momentos da minha vida.

CONFIRA O RESULTADO: MAIS A Você é um pouco preconceituoso.

Não gostar de algumas coisas é normal, mas lembre-se que você não pode odiar as coisas. Você precisa respeitar as escolhas dos outros, pois cada um tem um gosto, não é? MAIS B Esse preconceito está ficando perigoso. Vamos tomar um pouquinho de cuidado. As pessoas são diferentes e, mesmo que você não goste, precisa aceitar isso. Afinal, o que seria do branco se todos gostassem do preto? MAIS C Pode parar tudo e procurar ajuda! Quanto ódio nesse coração. Por que você sente tanta raiva das pessoas? Será que não está na hora de mudar? As coisas nunca serão totalmente do jeito que você quer, porque as pessoas são diferentes. Se você tem esse pensamento tão pequeno, deveria viver em um mundo sozinho pelo resto da vida. MAIS D Parabéns! Você não tem preconceito nenhum. Você deveria se colocar à disposição do mundo para que o mundo crie diversas cópias de você. Não distinguir nenhum tipo de pessoa é a coisa mais mágica e fantástica que alguém pode fazer! Outubro/ Novembro 13


Participação do leitor

Crônica do mês

EU ESTAVA EM PAZ. Cabeça tranquila. Nenhum problema para pensar antes de dormir. Limpa. Era bom, só agora eu vejo o quanto era bom. Para os infernos quem diz “só me arrependo daquilo que não fiz” se eu pudesse voltar no tempo não teria reparado nos seus olhos, como eu fiz, não teria dado tempo para dar aquele estalo que me fez só querer olhar você onde quer que você estivesse. Se eu pudesse voltar no tempo não tenha dúvidas de que faria tudo diferente. Não ignoraria todos os instintos que me disseram que com você seria diferente. Teria desviado dos beijos. Me livrado do jeito preciso com que você segurava em meu cabelo. Teria me safo de cravar as unhas com força no lençol para tentar aliviar o que você fazia comigo e consequentemente me safaria de pensar que só você era capaz disso. Teria me poupado das brigas e desconfianças. E as reconciliações também seriam apagadas, porque não daria para você o poder de me colocar lá em cima para depois me fazer chocar tão forte com o asfalto a ponto de sentir todos

meus ossos estilhaçados no chão da realidade. Em vez disso eu fiz tudo errado. Eu deixei que você me beijasse e que me arrepiasse dos pés à cabeça com seu gosto de perdição. Te deixei me contaminar com seu cheiro que me levava a loucura enquanto você roçava a barba por fazer em meu rosto. Te deixei me contagiar com toda a loucura que você dizia sentir por mim. Te deixei me levar para onde você quisesse, que eu te seguiria, você sabe que eu seguiria. A culpa é toda minha. Se eu mal consigo respirar sem lembrar de você a culpa é toda minha. Coloquei na sua mão a chave da minha vida e você só queria se perder e me perder. Foi minha culpa quando tentei te entender um milhão de vezes. Quando tentei justificar suas atitudes erradas. Quando tentava resistir por mim e por você. Quando eu comprei uma briga por você, mas o seu medo sempre foi de mim. A culpa foi minha desde que eu abri a porta para você naquela sexta feira de agosto. Que desgosto.

Fernanda Regina, 22 anos, SP. Autora do livro Doce loucura do primeiro amor (lançamento em 2017, pela Editora Young)

www.twitter.com/palavrasressaca www.facebook.com/fefaregina www.wattpad.com/FernandaRegina6 www.instagram.com/FernandaRegina

Quer ter seu texto publicado em uma página da revista? É só enviá-lo em arquivo Word para o e-mail amazingrevista@gmail. com com o título ‘Texto na Amazing’. A seleção será feita para crônicas, poesias e contos de até 5 mil caracteres com espaço. Fique de olho no e-mail! Entraremos em contato. 14

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Samanta Holtz Entrevista com

por Suzane Cruz do MEMÓRIAS DE UMA LEITORA

Sam, você escreve romances onde os personagens encontram no amor o melhor caminho e esperança. Já pensou em escrever outros gêneros, como talvez um terror ou hot? Em primeiro lugar, obrigada pelo convite para a entrevista! :) Bom demais estar aqui na AMAZING! Sim, já tive ideias para histórias que fogem ao romance romântico, e até já escrevi algumas que estão, por enquanto, na gaveta. Porém, não adianta; no fim, sempre acabo levando a história para o lado da esperança, da mensagem positiva, algo que seja capaz de se comunicar com o coração do leitor. Creio que faz parte do meu propósito no mundo enquanto escritora, sabe? Não importa o gênero, se minha história não puder semear algo bom em quem lê, inspirá-lo, tocá-lo, sinto que ela está incompleta. Como acontece a criação de uma nova história? Como ela chega até você? Eis um grande mistério... (risos) Não sei se existe uma forma de responder a essa pergunta sem que ela ocupe várias páginas da revista, porque cada ideia vem de um jeito diferente - e muitas delas, se você me perguntar, eu nem me lembro quando ou como chegaram. Pode acontecer no carro, no banho, durante uma conversa, em uma viagem, sonhando (sim, um dos projetos em que estou trabalhando nasceu de um sonho!). É como se o escritor tivesse uma portinha sempre aberta na cabeça e, vez ou outra, entra ali um personagem, uma cena, ou, como eu chamo: pecinhas de quebra-cabeça. Como se sente sabendo que suas histórias encantam e cativam tantos leitores e que elas os inspiram a serem mais doces e amorosos como seus personagens? Para mim, não há retorno maior do que re-

ceber cartas, mensagens e depoimentos de leitores contando como minhas histórias, de alguma forma, os tocou e transformou por dentro. Como eu disse, sinto que isso faz parte do meu propósito no mundo enquanto escritora. Tenho convicção de que Deus não nos presenteia com nossos dons por acaso. Uma única vida que você transforme, mesmo que um pouquinho, às vezes se propaga grandemente e salva uma família, um relacionamento, uma geração inteira que virá a partir dessa vida que mudou para melhor graças a você. Suas histórias sempre transmitem mensagens de esperança, amor ao próximo e fé na humanidade. Essas mensagens transmitem um pouco do que vai no coração da Samanta Holtz? Totalmente! Sei que o mundo anda complicado e muitas vezes é fácil desacreditar da humanidade, mas eu honro a teimosia de taurina e continuo acreditando no amor até o fim! (risos). Infelizmente ainda há preconceitos com a literatura nacional. Você sentiu/sente esse preconceito com seus livros? Não tão diretamente, na verdade. A questão é que muita gente já teve uma experiência negativa ao ler uma obra brasileira, e acabou refletindo o sentimento para toda a literatura nacional. Algo que sempre digo é: se você provar um prato francês e não gostar, não vai s toda a culinária francesa. Quando começa uma história já possui início, meio e fim planejados? Que parte considera mais difícil de desenvolver? Antigamente, não. Eu escrevia “na intuição”, um pouco por falta de experiência, um pouco porque aquilo era mais um hobby do que qualquer outra coisa. Mas, desde “Quero ser Beth Levitt”, passei a criar roteiros para minhas histórias antes de colocá-las no papel e dar mais atenção à

criação de personagens. Isso faz toda a diferença, porque escrever um livro não é ir criando um amontoado de cenas e acontecimentos aleatórios... é preciso pensar na jornada do protagonista, nas funções dos personagens secundários, nos pontos de virada, na sequência de reações que você vai provocar no leitor. A parte intuitiva, em que a alma do artista entra em ação, fica para a escrita em si. Mas, antes de se deleitar nela, é importante ter uma ideia de onde você quer chegar e quais serão as etapas a serem percorridas. Você tem um canal no YouTube onde o quadro “Sou escritor... E agora?” dá dicas para escritores. Qual dessas dicas você considera primordial? A importância das dicas varia para cada um, de acordo com o momento que ele está enfrentando. Uma pessoa com uma ideia na cabeça e a vontade de escrevê-la encontrará mais utilidade nos vídeos sobre como colocar ideias no papel, e um autor com livros prontos e o desejo de publicar pode aproveitar melhor as orientações sobre preparação do original e envio às editoras. De todas as dicas, no entanto, creio que uma seja bastante válida para os autores da nova geração: não dependemos mais da aprovação de uma editora para sermos publicados e lidos. São várias as alternativas para se fazer isso de forma independente. Mas lembrem-se: é o seu nome que está ali, assinando aquela história! Faça com que ela seja digna de carregá-lo. Outubro/ Novembro 15


Capa

ThatiMachado por C. B. Kaihatsu

A autora Tathi Machado, natural do estado do Rio de Janeiro, também é blogueira, youtuber e designer. Sucesso no Wattpad, em 2016 publicou o livro Poder Extra G pela editora Astral Cultural. Tathi, você possui um famoso blog sobre literatura e um canal no youtube com muitos inscritos. Como foi essa transição de influenciadora digital a autora? Escrever sempre foi um sonho seu ou foi algo que surgiu através do seu trabalho com o canal e o blog? Thati: Eu escrevo desde os doze anos... Essa é, sem dúvidas, a minha paixão mais antiga. O “Nem Te Conto” e o canal no Youtube surgiram como meios de divulgar ainda mais o meu trabalho como escritora. O blog foi criado em março de 2014, alguns meses antes do lançamento do meu primeiro livro, Ponte de Cristal. Eu o criei já pensando numa estratégia de entender a blogosfera literária e fazer parte dela. O canal veio bem depois, no final de 2015, para ser mais exata. Eu queria uma forma de falar sobre diversos assuntos com os meus leitores e encontrei nos vídeos uma excelente opção. E por falar em blog, como surgiu a ideia para antologia “Blogueiras. com”? Como foi para você organizar a antologia? Poderia nos contar como foi o processo de escolha das outras autoras, também blogueiras, temática dos contos, entre outros? Thati: No ano passado eu lancei, através do Nem Te Conto, uma antologia chamada Doze por Doze. E o projeto deu tão certo que eu resolvi lançar uma antologia nova por ano através do blog. Passei bastante tempo pensando em qual temática

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seria atual e despertaria o interesse dos jovens e encontrei no universo dos blogs a resposta de que precisava. E para o projeto selecionei escritoras que, assim como eu, amam e conciliam a literatura com o ato de blogar. O seu conto “Segredos de Valentina” em “Blogueiras.com” fala sobre uma youtuber que tem uma reviravolta na vida com a exposição de sua vida nas redes sociais e que através de seu canal consegue ajudar e inspirar pessoas. Como é para você, saber que através tanto da literatura quanto do blog e canal no youtube, assim como a Valentina, você também consegue tocar desta maneira a vida das pessoas? E aproveitando um dos temas abordados no conto, como você lida com essa super exposição que a sua vida também acaba tendo nas redes sociais? Thati: A Valentina é uma personagem bastante importante para mim. Ela prova que, até mesmo das situações mais difíceis e conturbadas, conseguimos tirar algo de bom se nos permitirmos. Eu adoro entreter as pessoas, seja com minhas histórias ou vídeos. Mas quando penso na minha voz, desejo fazer mais com ela. Desejo passar para o mundo as coisas nas quais acredito também. E foi por causa desse desejo que passei a unir entretenimento com temáticas mais sérias, muitas vezes consideradas tabus. E sobre a exposição que acaba ocorrendo nas redes sociais, eu acho que lido bem com isso. Eu sempre digo que aquilo que vemos nas redes sociais das pessoas é uma espécie de compilado dos melhores momentos. Eu faço o meu trabalho da melhor forma possível e tento não me envolver em confusões... Também sou comedida com aquilo que exponho e aquilo que guardo para mim. Você também é autora do sucesso “Poder Extra G”, publicado pela editora Astral Cultural. Conte um pouco para nossos leitores como se deu a concepção desse livro empoderado que milita contra a gordofobia e o preconceito. Thati: Eu cresci lendo romances, mas nunca me sentindo representada por

nenhum deles. E a mensagem que isso me passava é de que eu não era digna de viver uma história incrível como a dos livros. Sabia que muita gente compartilhava desse sentimento e resolvi criar uma personagem que não só contrariava os padrões estéticos, mas que fosse bem resolvida com isso. Você acredita que podemos utilizar a literatura como ferramenta para desconstruir paradigmas, lutar contra preconceitos e trazer representatividade nas histórias? Thati: Eu acredito e muito. Inclusive, me valho disso em cada uma das minhas histórias. Tenho personagens gordos, transgêneros, negros, cegos, homossexuais etc. Dessa forma, pretendo representar pessoas da vida real que constantemente são colocadas à margem. Além disso, é uma forma de trazer esses temas a tona em discussões com pessoas que sabem pouco a respeito. Você recebe mensagens de leitores e seguidores que tiveram a vida transformada pelos seus livros? Como é isto para você? Thati: Constantemente. E a cada novo depoimento, derramo mais lágrimas. É incrível poder entreter as pessoas através dos meus livros, mas mais incrível que isso é poder tocá-las e transformá-las de alguma forma. Há varias leitoras, por exemplo, que se empoderaram e começaram a se olhar no espelho de forma mais positiva depois que conheceram a Nina em Poder Extra G. Também já recebi depoimentos de homens trans que se viram representados de forma positiva e se identificaram com o Noah, em Singular. Graças à minha parceria com o Ubook, também recebi o feedback de deficientes visuais que se identificaram com a Lana, de Com Outros Olhos. Esse tipo de relato é meu maior combustível para continuar fazendo o que eu amo fazer. Além de escritora, blogueira e youtuber, você também é modelo plus size. Como começou sua carreira nesta área? Thati: Quando decidi me dedicar 100%

aos livros e à escrita, acabei precisando deixar a carreira de modelo de lado. Mas ainda assim me sinto muito ligada ao universo. Adoro saber das tendências e das modelos que estão bombando. Minha veia artística é latente. Se eu pudesse, daria continuidade a carreira de modelo e também a carreira de atriz, paralelamente aos livros. Quem sabe um dia?! Você é uma autora de bastante sucesso no Wattpad. Para você quais são os prós e contras de publicar em plataformas digitais? Thati: Os prós são muitos: você pode estar em contato direto com seu leitor e receber um feedback imediato, que muitas vezes ajuda na forma como você conduz a história. Além disso, o fato de ser uma plataforma gratuita me permite conquistar novos leitores em qualquer lugar do mundo. O maior contra, na minha opinião, é não ser remunerado. Os escritores precisam pagar contas como todo mundo e não ser pago por um trabalho (que é árduo!) é bastante injusto. Poderia nos falar um pouco sobre seus futuros projetos? Thati: Na Bienal do Livro do Rio de Janeiro lançarei um livro novo, Princesas GPower, ao lado das escritoras Mila Wander, Larissa Siriani e Janaina Rico. Nesse livro, fazemos releituras de conhecidas histórias de princesas, mas todas sendo gordas! O livro está repleto de representatividade. Além disso, também faço parte da segunda temporada do projeto LitGirls Br, ao lado das escritoras Chris Salles, Frini Georgakopoulos, Juliana Parrini, A. C. Meyer. Entrei para o projeto a convite da Renata Frade e em breve teremos muitas novidades! Para encerrar, poderia deixar uma mensagem para os leitores da Amazing? Thati: Só quero agradecer pelo carinho e pelo convite (da revista e também dos leitores). E aproveitar para fazer um único pedido: valorizem o trabalho dos escritores nacionais. É um mercado difícil, mas a gente sempre dá tudo de nós para levar incríveis histórias para todos! Outubro/ Novembro 17


Antologias

por Renata Maggessi

Quem é autor ou pretende se aventurar no mundo literário talvez já tenha pensado em escrever para uma antologia de contos. Claro que há diferenças entre escrever um conto e um romance, no entanto, antologias são uma boa maneira de o escritor mostrar seu trabalho, de estar em contato com as editoras e com os leitores e, posteriormente, alçar voos mais altos. Para quem está começando, é um ótimo teste e para quem já está no mercado, há muitas vantagens, principalmente por ser uma boa forma de conhecer outros autores e editoras, de manter o network ativo. Como diz Glau Kemp, organizadora da antologia “Arquivos do Mal”, pela Editora Coerência, “escrever é um ato solitário, mas é apenas o primeiro estágio. Até o livro ser impresso e chegar às mãos dos leitores, ele vai passar por muitas pessoas”. A ideia de ter seu texto analisado em vários aspectos pode até dar certo frio na barriga, mas também faz com que aumente a confiança na própria escrita. Não pense, porém, que isso é exclusividade de quem está sendo avaliado. Os organizadores também têm mil sensações ao lerem os textos. Raphael Miguel, organizador da antologia “Playlist”, pela Rouxinol Editora e Soraya Abuchaim, organizadora das antologias “Arquivos do Mal”, pela Editora Coerência, e “Insanidade”, pela Editora Skull, afirmam que a parte mais difícil é dizer “não”. Claro que há a parte fácil e Glau Kemp diz que o mais prazeroso é, justamente, ler os contos. Mas como funciona uma anto18

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logia? Basta escrever um conto e enviar? Engana-se quem pensa assim. Antes de qualquer coisa, antes mesmo de escrever a primeira linha, os autores devem ler diversas vezes o edital. Em alguns casos, a sua história pode ser boa e ainda assim não ser selecionada. Isso não significa que o texto seja ruim. Normalmente, “a primeira coisa a ser avaliada é se o texto está dentro da proposta”, comenta Glau, inclusive no número máximo de caracteres ou palavras. Raphael vai mais a fundo: “a melhor forma de escolher os contos é organizar uma tabela, estabelecer critérios e avaliá-los de modo que façam por merecer estar na seleção final. Para isso, o organizador precisa levar muito a sério a sua seleção e os critérios que irão ditar os selecionados”. Segundo Soraya, Algumas vezes há um (ou mais) leitores críticos que avaliam a qualidade da escrita, se o autor seguiu as regras e se o que está escrito está dentro do esperado, tanto em contexto quanto nos elementos essenciais avaliados por quem lê”. Ela ainda complementa que “o fato de um avaliador não selecionar o conto não significa que ele seja ruim ou mal escrito. Ele pode apenas não ter se encaixado no que o avaliador esperava”. No que tange à ortografia, Soraya e Raphael são categóricos em afirmar que é necessário seguir a norma-padrão da língua portuguesa. Para ela, é importante, ainda, usar bem as palavras, pois uma escrita desleixada não a cativa, contudo, pequenos erros são relevados. Já ele é mais contundente: “toda a parte gramatical, a técnica de escrita, o modo como utiliza as palavras e o vocabulário são importantes no processo de escolha dos textos. Assim, antes de enviar seu conto para uma seleção, o autor deve ter

essa preocupação”. Até Glau, que leva mais em consideração uma boa história do que um texto livre de erros, diz ser importante que o autor se preocupe com a ortografia. Sendo assim, por haver diversos pontos de vista, o melhor é pecar pelo excesso e fazer uma boa revisão de seu conto antes de encaminhá-lo para a seleção. Primeiro, deixe sua imaginação fluir, sem se preocupar com o aspecto gramatical. Depois, vá lapidando os parágrafos, retirando palavras repetidas, melhorando a pontuação, adequando o texto até que ele esteja bom aos olhos e aos ouvidos — ler em voz alta é uma boa técnica de análise. Às vezes, os ouvidos escutam o que os olhos não leem. Ao escrever um conto para uma antologia é muito importante que o autor tenha em mente que seu texto estará entre cem ou quatrocentos outros, todos com o mesmo tema, bem escritos e revisados. Glau dá um conselho a quem pretende se aventurar no mundo das antologias: “tente trazer elementos inusitados para que seu texto seja lembrado e se destaque; entretanto, tenha cuidado para não se desviar do tema”. Neste momento, a opinião de um beta, de um leitor crítico, de um escritor amigo é sempre bem-vinda e pode ser de grande ajuda. Assim, todos podem e devem se aventurar no ramo das antologias. Além de um excelente exercício tanto do ponto de vista criativo quanto do disciplinar, já que há diversos passos a serem levados em consideração antes do conto ser encaminhado definitivamente, é uma excelente maneira de conhecer pessoas. No mínimo, você fará novos amigos e sairá com uma bagagem maior. E aí, pronto para (mais) uma antologia?


Sobre aceitar por Roberto Júnior

“Ele é milionário, mas é infeliz”. “Ela é linda, mas é vagabunda”. “Ele é legal, mas dizem que é drogado”. Por que será que o ser humano sempre acrescenta uma vírgula na qualidade do outro? Por que não admitir que a pessoa é o que é e ponto? Ter dinheiro, ser bonito, ser legal... OFENDE MUITA GENTE PEQUENA. E as pessoas querem justificar as qualidades mirando um defeito. SAI DESSA, POVO! Ele tem dinheiro e é feliz, doa a quem doer! Ela é de uma beleza única e é direita, mesmo com sua dor de cotovelo! Aceitar a felicidade dos outros é o primeiro passo pra uma vida bem sucedida. Saber lidar com o sucesso alheio é nobre! Parem de ficar assistindo a vida do outro e colocando mil observações, porque a cada dia esse outro se torna mais interessante, lindo, rico, simpático e você mais mes-

quinho! Já dizia o sábio: o universo conspira a favor de quem não conspira contra ninguém. Se você lutou muito por algo que deu errado e o outro tem esse algo sem esforço, ACEITA. Não é você quem decide isso. Deus não dorme, Ele sabe quem é merecedor. Se a sua vida é difícil e a do vizinho é fácil, ACEITA, suporta, evolui... Cada um tem sua luta! Tá difícil, tá com inveja, tá com incômodo? Vai uma dica: BATE O JOELHO NO CHÃO E REZA! Pede à Deus pra mudar esse coração e Ele vai te escutar! Quer saber se alguém é seu amigo? SEJA FELIZ e veja quem te suporta assim. Quando você está mal, você encontra mil curiosos pra te estender a mão e falar uma palavrinha solidária. Agora vai lá, SEJA FODA E FELIZ E VEJA QUEM CONSEGUE SE SENTIR BEM COM ISSO.

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Homenageada da edição

Marcela Carvalho

Autora talentosa que chegou à editora Coerência cativando todos com seu jeito meigo e sensível, muito participativa e sempre disposta a ajudar. Marcela Carvalho é a ganhadora do Mega Sorteio que aconteceu na 3º Edição do Coerência literária. A autora ganhou uma publicação gratuita e seu próximo livro vai ser publicado pela editora sem nenhum custo. Marcela Carvalho é blogueira, musicista e autora de A dor Inspira um romance contemporâneo onde a jovem protagonista passa por muitas provações. Com uma mensagem muito positiva de superação o livro vem conquistando muitos fãs.

A Dor Inspira SINOPSE: Alícia é uma jovem de 18 anos, solteira, cheia de planos, sonhos e imensamente apegada à sua família, mas que desde nova enfrentou diversos obstáculos na vida, começando pela separação de seus pais, após isso sofreu bullyinng no colégio ao enfrentar um processo de enfermidade, necessitando de um tratamento que transformou a sua vida e mudou muitas coisas ao seu redor, principalmente sua essência interior. Ela relata suas aventuras com amigos e primos. Além do mais, um mar de reflexão irá se abrir em sua mente, após se aprofundar nas aventuras amorosas e de uma amizade que significam muito para ela e que trouxeram decepções

dolorosas, mas também que traz uma experiência de tirar o fôlego e de inspirar quem já sofreu por um “amor”. Sofreu bastante para tornar quem se tornou, mas acredita que toda a dor foi especial, pois ela acreditava que a dor era uma contribuição para o seu amadurecimento pessoal e que a dor não é ruim, mas que ela nos torna melhores do que possamos ser e nos fazer enxergar a vida de uma maneira extraordinária, pois a dor é a inspiração para amar os bons momentos e ultrapassar os momentos ruins de cabeça erguida acreditando em dias melhores, sempre. E foi assim que ela encontrou a sua própria felicidade, na dor e sofrimento. A Dor Inspira Marcela Carvalho

2017, 163p. - Ed. Coerência

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Escrever bem, que mal tem? por Soraya Abuchaim

Sempre me perguntam sobre como escrever, e posso dizer que essa é uma pergunta difícil de responder. Calma, não fiquem desapontados. Apesar de saber que a escrita é uma tarefa bem intimista e peculiar, onde não existe certo e errado, há algumas dicas que podem ajudar nesse momento tão difícil de colocar no papel em branco as ideias que pululam lindamente em nossa mente (e que, convenhamos, parecem horrorosas quando as despejamos ao mundo). A primeira coisa que preciso dizer a vocês para ajudá-los a escrever melhor é que não existe milagre. Então, se a vontade é que suas ideias saiam da cabeça, é necessário deixar

cutando a tarefa da escrita. Entretanto, devemos nos atentar à construção das frases, ortografia (sim, ela é importante!) e no que funciona para os leitores do gênero que escolhermos. Ter consistência na estrutura da história também é importante. Ela precisa ter, claro, começo, meio e fim, mas também precisa de um enredo interessante (você leria sua história?), bons plot twists, as maravilhosas reviravoltas (seu livro te surpreenderia?), personagens bem construídos (você se espelharia e/ou se identificaria com os seus?), narrador (primeira ou terceira pessoa?), entre outros. Faça um esquema da história, pense em quais serão os person-

Depois, para escrever bem é necessário.... ler muito o medo, a preguiça, a procrastinação de lado e começar a escrever, mesmo que não tenha ideia de onde vai terminar. Depois, para escrever bem é necessário estudar. E não digo apenas fazer cursos de escrita e laboratórios (que sem dúvida são importantes). O estudo a que me refiro podemos fazer em casa - lendo muito e de tudo. Quanto mais lemos, mais aprendemos a construir frases, a usar elementos que causem emoções no leitor, a fazer em nossos livros o mesmo que os autores fazem nos deles: deixar o leitor preso na leitura e ansiando por mais. A técnica para escrever vai depender do gênero e de como o escritor se sente bem exe-

agens principais. Onde a história irá se passar? Que caminho você quer chegar e como pensa em seu final? Tudo isso tende a mudar conforme escrevemos, mas ter um norte ajuda muito. Depois, mão na massa: sente-se no computador (ou caderno, ou máquina de escrever, onde se sentir mais confortável) e destrinche sua história pouco a pouco, passo a passo, sem pressa. Quando menos perceber, estará com um, dois, três capítulos escritos. Depois, revise exaustivamente e não tenha medo de alterar o que for preciso. Escrever é uma tarefa árdua, mas certamente traz muito prazer. Vamos começar? Outubro/ Novembro 21


Livros para quebrar o seu preconceito por Paola Aleksandra, Livros & Fuxicos

Uma das coisas que mais amo na literatura é sua capacidade de gerar empatia. Temos a mania de aceitar apenas o que vivemos, deixando de lado o problema do próximo para – mesmo sem querer – criar um mundo que gira em torno do nosso umbigo. E é aí que os livros mostram sua força. É fundamental lermos sobre o que não conhecemos, portanto, separei alguns livros que falam sobre temas tabus que podem nos ajudar a diminuir alguns dos preconceitos que regem nossa sociedade atual: 1. Juntando os Pedaços Livro jovem, da mesma autora de Por Lugares Incríveis, que fala sobre aparências e bullying. Aqui encontramos uma protagonista que foge completamente dos padrões cobrados pela sociedade, mas que está extremamente feliz com quem é – mesmo que as capas de revista, e seus colegas de escola, digam que ela é gorda, feia e uma perdedora. Tem suspense, aventura, superação e um romance fofo. Mas, indo muito além, o que encanta é a mensagem por trás dessa história incrível: você é linda e perfeita exatamente como é; não deixe que a mídia determine o tamanho de sua beleza. E, por favor, vamos acabar com o preconceito oriundo do peso? Beleza não tem número de manequim. 2. Sejamos todos Feministas Este não é um livro, mas sim o copilado de um discurso feito por essa maravilhosa autora. Aqui acompanhamos sua jornada como mulher negra em uma comunidade extremamente patriarcal. Ela precisou superar infinitos desafios para ser ouvida e esse discurso nada mais é do que um resumo de sua experiência de vida. Vejo muita gente falando sobre o movimento feminista sem entender o termo – quando foi criado, o que é, para que serve e, principalmente, o que trouxe de bom para nossa sociedade atual. Por isso, acredito que esse livro seja perfeito para quebrar o preconceito do que é o feminismo e, sem dúvida, a ideia errônea de que o movimento é só para mulheres. Todos nós temos que ser feministas, porque a ideia é unicamente garantir que nossas meninas tenham direito de estudar, viajar, dizer o que pen-sam, publicar um livro – ou seja, de fazer qualquer coisa e não serem barradas pelo gênero. Pode ser difícil entender a mensagem para quem vive em um país teoricamente igualitário. Então se imagine, como a autora, em uma comunidade preconceituosa e excludente e, pergunte-se o que o movimento fez por milhares de mulheres 22

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ao redor do mundo.

vítimas da vontade de pedir ajuda.

3. A Redenção (Lisa Kleypas) e Amor Amargo Existem inúmeros livros com relacionamentos abusivos em foco, mas esses dois são de tirar o fôlego. O primeiro é adulto e traz conteúdo sexual. O segundo é jovem e aborda temas típicos do ensino médio. Mas o fato é que os dois possuem protagonistas semelhantes: mulheres marcadas pela violência e abuso. Duvido que ao ouvir falar de violência contra a mulher você nunca disse: ela perdoa porque quer, está apanhando porque quer e, o pior, no lugar dela eu nunca me submeteria a isso. O ser humano sempre julga o que não entende, e livros como esses mostram o relacionamento abusivo pelos olhos da vítima, descrevendo uma pequena parcela da dor que é viver em um relacionamento onde o amor da sua vida te agride. – Imagine o desespero de ser violentada por quem jurou te amar e proteger? Só quem vive entende. Mas quem lê aprende: a não julgar, a detectar os sinais de que alguma conhecida está em um relacionamento violento e, o mais importante, como ajudar uma mulher enfrentando essa situação. Ambos livros dolorosos que refletem uma dura realidade mundial. Mas são extremamente importantes e necessários. Precisamos falar sobre isso, só assim quebraremos o preconceito que afasta essas

4. O Sol é para Todos Terminamos essa lista com um clássico da literatura. O Sol é para todos também traz crianças como protagonistas, mas dessa vez para falar sobre um tema diferente: preconceito racial. O livro foi escrito em 1960 e, ainda assim, traz reflexões extremamente atuais: disparidade social, julgamentos precipitados, e a maior importância que damos à aparência do que ao caráter. Mas tudo isso sob os olhos atentos de uma criança. Assim como as outras indicações, a mensagem por trás da obra é incrível. Aqui, somos incitados a compreender que nossa aparência não determina quem somos e, principalmente, que não podemos julgar o outro. Só quem vive sabe a dor e os problemas que carrega nos ombros. No geral, a ideia desse clássico, é mostrar algo que amo encontrar nos livros: igualdade e fraternidade. Somos exatamente iguais, tanto em erros como acertos, é só seremos capazes de destruir o preconceito quando entendermos que não nos cabe julgar o diferente e muito menos escolher, perante nossas experiências de vida, o que é certo ou errado.

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Espero que tenham gostado das dicas e deixem esses livros incríveis tocarem seus corações.

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por Luis Enrique Kato

Aos 20 anos, Klébio Damas possui mais de 372 mil gnomos (maneira como chama seu inscritos) em seu canal no YouTube, Mundo Paralelo, onde fala sobre livros, séries e filmes com uma pitada de humor. Que tal conferir um pouco de como foi nossa entrevista com esse fenômeno da intenet? Klébio, atualmente ser um YouTuber está em alta. O que te levou a seguir nesse caminho, e por que falar sobre livros? Eu sempre fui apaixonado pela plataforma. Desde antes do BOOM do YouTube eu já acompanhava alguns youtubers e sempre sonhei em poder ser um. Aos meus 16 anos eu conheci o mundo literário e me apaixonei, contudo onde eu morava (Itaperuna - RJ) não tinha muito leitores e eu não tinha com quem discutir sobre isso e eu resolvi criar um canal para poder desabafar sobre essas obras. As pessoas ainda possuem preconceito com essa profissão, dizendo que basta ligar a câmera e dizer um monte de “bobeiras”. Qual a sua opinião sobre isso e como é o seu planejamento na hora de gravar um vídeo? Na verdade, eu não ligo muito. Eu sei todo o trabalho que dá e se fosse tão fácil assim todo mundo seria youtuber, né? Rs. Diariamente nascem centenas de canais e são pouquíssimos que dão certo e com certeza os que vão a frente são os que se dedicam e não tratam o YouTube como uma bobeira. Quem está no meio enxerga a profundidade que a profissão tem. Atualmente, por exemplo, o Mundo Paralelo já se tornou uma empresa, tenho

Acho que realmente conseguir sobreviver do canal. Quando comecei o maior canal literário tinha 80 mil seguidores apenas, nunca imaginei que fosse conseguir passar de 300 mil pessoas, me tornar o maior canal do nicho e conseguir me dedicar 100% a essa minha paixão.

contadores, secretário, assessoria... tudo provido do grande trabalho que gera está profissão. Qual a sua responsabilidade como influenciador digital, em vista o número de crianças e jovens que te acompanham? Eu acho que isso parte de cada influenciador. Cada um trata do modo que entende pois casa um cria seu público. Particularmente tenho muito receio de falar algumas coisas e sempre tento induzir as pessoas que me acompanham a seguirem o lado feliz da vida, com meu jeito próprio e com minhas próprias filosofias. Qual foi a coisa mais significativa que aconteceu em sua carreira?

Em sua opinião, o que deve ser feito para que o YouTube seja realmente reconhecido como uma forma de se obter conteúdo? Na realidade eu acho que já é vista desse modo pelas novas gerações. Maior parte do preconceito vem das gerações mais antigas por conta de um preconceito e de um costume de obter informações apenas através da televisão. Contudo, cada dia mais os influenciadores são melhores vistos pelo público e pelas marcas. Para encerrar, você fala tanto sobre livros, porém possui planos para publicar algum? Sim, tenho muita vontade. Entretanto, quero planejar melhor. Por enquanto não tenho nenhuma ideia em mente e meu canal está crescendo bastante, portanto queria me dedicar 100% a ele por enquanto para aproveitar o momento que estou vivendo. Mas logo mais terá meu rostinho nas estantes das livrarias :) Outubro/ Novembro 23


A arte da Obstinação por Raphael Miguel

Olá, pessoal. Como estão vocês? Eu espero que estejam bem, espero que estejam na mais sublime e perfeita PAZ! É com muito prazer que venho até vocês neste momento para abrir uma coluna especial na linda revista Amazing na intenção de lhes servir de alguma utilidade. E o assunto não poderia ser outro. Quero muito falar aos escritores (ou àqueles que pretendem se aventurar na escrita) sobre a importância ímpar em adotar a obstinação como regra para vida. Obstinação, Raphael Miguel? Que raios é isso? Calma! Relaxem! Vamos devagar. Primeiramente, você vai pegar um dos melhores amigos dos escritores. Sim, todo escritor que se preze deve andar com um dicionário a tira colo. É sério, se quiser ser um bom escritor, deve ter um bom vocabulário. “Escritor” que não sabe escrever não é escritor. MAS, se você, por algum tipo de descuido, não tem um dicionário em mãos (ou está com muita preguiça de encontrar um dos Aurélios) não entre em desespero. O Miguelito aqui trouxe uma definição.

Significado de Obstinação obs-ti-na-ção | s.f.

1. Afeição excessiva às próprias convicções, ideias, pensamentos etc. 2. Grande persistência para resolver algo ou alcançar algum objetivo. 3. Ação que expressa essa persistência. 4. Ação de se prender com empenho a alguma coisa; teimosia.(Etm. do latim: obstinatio.onis)

Ok, vem cá. Vamos pensar juntos. Por que diabos você entrou nessa loucura de ser escritor? Ou por que pretende ingressar nesse meio? Pense bem. Seja lá qual for o motivo (reconhecimento, deixar um legado, querer contar histórias, carros, mulheres, iates), você deve estar ciente de que irá ralar muito. Muito mesmo! Muitíssimo! Ser escritor não é fácil e não existe uma fórmula mágica para se chegar ao topo. As pessoas irão menosprezar sua arte, não se engane. Haverão inúmeros obstáculos para te desestimular, irão ten24

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tar roubar sua atenção com vários tipos de diversão imediatista. Dias obscuros virão e o amargo na boca irá te fazer pensar se vale mesmo se esforçar tanto. É então que a obstinação vai ter que falar mais alto, gritar, urrar, fazer o mundo saber que alguém destemido está se destacando. As barreiras serão altas, mas nunca intransponíveis. No mundo da escrita, meu querido, apenas os mais obstinados vencem, apenas os mais teimosos se destacam, os mais persistentes se fazem ouvir e deixam suas marcas. O topo é para poucos. Desculpe a sinceridade, mas ninguém vai lembrar daqueles que ficarem pelo caminho, daqueles que desistiram diante dos obstáculos, daqueles que não foram fortes o suficiente para continuar amando escrever. Ninguém irá se lembrar de quem não for obstinado. É por isso que eu digo, a obstinação é uma arte. E, como arte, exige que se tenha dela total domínio. Você não precisa ser turrão, nem cabeça dura ou idiota para dar com a cara nas pedras, mas precisará ser obstinado. Ter a convicção de que está fazendo algo que vale a pena, que exige esforço, mas que trará a tão sonhada recompensa. Ser obstinado é estar convicto de que a luta não será em vão. É ser persistente, corajoso, tenaz. Para ser um escritor de sucesso, é preciso dominar a arte da obstinação. Então, antes de começar a se aventurar no mundo literário, tenha ciência e certeza de que você será testado. Dias escuros irão tentar lhe roubar os ânimos, mas você precisará ser forte, destemido e obstinado. Quantos acabam ficando pelo caminho? Quantos outros têm aquilo que é necessário para seguir em frente? Se um dia o bicho pegar e a vontade de desistir falar alto, imponha-se e lembre-se que esse negócio não é para quem quer, é para quem pode. Nunca perca os objetivos de vista e mantenha-se obstinado. Queixo erguido, olhar altivo e foco na escrita. Um dia, o destino irá nos sorrir.Garra, fé e obstinação. SEMPRE!

See Ya!


Entrevistando

Angie Stanley por José David

Cabelos roxos e uma simpatia ímpar, Ângela Paschoal, mais conhecida por seu pseudônimo “Angie Stanley” passeia em sua escrita pelos gêneros romance, terror e drama. Suas histórias são conhecidas por suas tiradas rápidas e personagens humanos, além de uma boa dose de loucura e comédia que incrementam ainda mais seus textos. Responsável pela criação do livro “Realidade Alternativa” do qual vendeu mais de dez mil cópias, a autora paulistana sonha em ver suas obras em uma boa livraria e se possível em uma editora que cumpra tudo aquilo que qualquer autor deseja. Mas, se você pensa que Angie Stanley é apenas uma autora comum, está verdadeiramente enganado, Confira agora uma entrevista especial com esta grande autora. Você afirma que começou a viver após os 40, foi assim também que surgiu Angie Stanley? Sei que você é apaixonada pelo cantor David Bowie e que ele até virou um personagem seu em um de seus livros, como foi isso? O que não pode faltar na trilha de um livro de Angie Stanley? Assim como nas palavras que você escreve, você vê na musica um forte elemento para a emoção que você busca? Olha... Eu tive uma vida bem difícil. Sempre fui muito doente e me refugiei na escrita desde muito jovem. Sempre digo que comecei a viver aos40, porque já estava mais tranquila em relação a tudo: já era mãe, me aposentara e podia finalmente realizar meu grande sonho que era lançar meu primeiro livro. A Ângela sempre foi a Angie e todos que me conhecem, sabe disso, ela só precisava de uma boa dose de confiança pra mostrar isso pro mundo! 25

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(risos) O Bowie sempre foi muito mais que um ídolo: através das suas músicas, ele me ensinava que ser diferente não era ruim como as pessoas diziam. Ele me fez entender que ser criativo é um dom que jamais pode ser desperdiçado e que não há nada melhor pra mudar o mundo do que tocar os corações das pessoas através das artes. Por isso, a música é primordial em toda obra minha, não só para ilustrar uma cena, mas, principalmente, para passar uma mensagem. Sua primeira publicação foi o livro “Realidade Alternativa” em 2011, mas em 2016 você lançou uma terceira edição do mesmo, como foi isso? Sua obra teve mudanças da primeira publicação para a terceira? Onde podemos encontrar suas obras? Foi maravilhoso poder lançar essa terceira edição, pois ela saiu exata-

mente como eu gostaria que a primeira tivesse saído. A primeira edição não passou por uma revisão. A editora não teve sequer a decência de me avisar isso e eu só percebi quando era tarde demais. E a obra pecava pela falta de suspense, coisa que pude corrigir depois, fazendo a trama ganhar um ar de irrealidade que era fundamental para que o leitor se perguntasse até que ponto tudo aquilo era real ou não. Lançar o leitor numa tremenda dúvida foi a sacada brilhante do livro e isso foi feito com maestria na terceira edição, lançada em 2016. Meus livros estão à venda na loja online do Facebook, pelo e-mail (angiestanley1@hotmail.com) , nas Livrarias Curitiba do Shopping Aricanduva ou diretamente comigo. Soube que você começa uma história de trás pra frente, como é isso? É verdade que você escreve três obras ao mesmo tempo? Como você faz pra não se confundir em meio à elas? Sim. Eu sempre começo uma história do fim (para total desespero do meu professor de redação criativa), aprendi isso com o Bowie também. Eu sempre escrevi duas os três histórias ao mesmo tempo, desde que tinha 16 anos (então faço isso há muuuitooo tempo). Eu nunca me perdi ou me confundi, porque todas são completamente diferentes umas das outras. Cada uma geralmente é um gênero diferente, um uniOutubro/ Novembro 25


mais conseguiria escrever algo picante. Deu tão certo que, além de ganhar a aposta, o livro pagou uma dívida/calote que uma antiga e falida editora me deu. Vendeu e vende muito bem até hoje.

verso diferente pra mim. Em 2013, você ganhou uma cadeira na Academia de Letras Cora Coralina além de outros concurso com contos, como foi isso? Você esperava receber este prêmio? Com o prêmio você teve uma maior visibilidade como autora? Foi realmente maravilhoso. Cora é uma das minhas escritoras favoritas, quando recebi a ligação nem acreditei. Foi emocionante a cerimônia de posse (levei comigo três arcanjos munidos de espadas, o que surpreendeu os convidados). O prêmio me abriu algumas portas sim, porém, não me abriu a porta de nenhuma grande editora. Rsrsrs Ser autor(a) no Brasil não é fácil, você já sofreu algum preconceito por ser escritora nacional? Como você lida com isso? Você surpreendeu muitos leitores quando escreveu Rawenna, um livro hot, você teve problemas com a obra pelo gênero ou foi uma grata surpresa com ele? Sofri muito bullying, sim. No começo da carreira, por ter um apelido de infância (sim, esse é meu apelido, dado pelo meu irmão, Léo) as pessoas achavam que eu era americana. Teve até 26

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Você é responsável por escrever diversos gêneros, qual foi o gênero mais desafiador? Quando você escreve, você se inspira em alguém ou em algo para compor tal história e personagem? Já teve personagens em que você escrevia e que acabou ganhando uma maior visibilidade do que os protagonistas? A coisa mais difícil que me incumbiram de escrever foi um conto sobre crianças psicopatas. Quem conhece meus filhos, sabe como eles são o oposto disso. Aquilo me agrediu, mas ao mesmo tempo foi meu maior desafio! Meus filhos e amigos são grandes inspirações. Acho mesmo que todo autor é como uma grande esponja que suga sentimentos, acontecimentos e depois os transforma em trama. E eu já tive inúmeros personagens que, de secundários, tomaram um vulto tão grande na história, que brigaram pau a pau pelo amor dos leitores. Eu acredito que eles tenham vida própria, e alguns são tão carismáticos que fica impossível não dar-lhes visibilidade.

uma leitora que já estava na fila do caixa da livraria Curitiba e ao mesmo conhecer, devolveu o livro, dizendo que não lia autor nacional. Anos depois, ela me procurou no Facebook, me pediu perdão e disse que hoje tem todos os meus livros, mas que não tinha coragem de ir num lançamento meu pois tinha certeza de que eu a reconheceria. Ela tinha razão: jamais esquecerei aquele rosto (rsrsrs), mas foi muito bem saber que ela tinha voltado atrás depois que viu uma amiga lendo um livro meu e, por curiosidade, leu também e virou fã. Rawena nasceu de uma aposta com uma amiga que achava que eu ja-

Pra finalizar, um jogo de perguntas e respostas: - Amor: filhos - Família: minha fortaleza - Amigos: minha inspiração - Viagem: amo - Escritor(a) favorito: William Shakespeare, Hermann Hesse e Franz Kafka - Sonho: ter uma vida mais saudável, com menos limitações e menos dores (é...esse ano tá sendo foca) - Uma frase que resuma Angie Stanley: Alguém capaz de passar por cima de todos os seus problemas, só pra ver um sorriso nos lábios dos outros. - Deus: necessário


Minha experiência com o preconceito literário por Valéria Gravino

Ser mulher, num mundo preconceituoso, dá muito trabalho e isso não é muito diferente na Literatura. Recentemente, tive uma história de suspense reprovada por um editor que me perguntou: “Por que não escreve romance? Mulher escreve romance”. Perguntei o motivo da reprovação e disse que depois me responderia via e-mail, o que nunca aconteceu. Não tive dúvidas de que se tratava de uma forma de preconceito literário em pleno ano de 2017! Muitas de nós devem ter passado por isso, mas no mundo literário espera-se abertura de mentes, evoluções de pensamento e vanguarda cultural. Ouvir isso, representou para mim o contrário: um retrocesso. Se você sofreu ou sofre algum tipo de preconceito literário, a hora é de lutar, pois esse mal ainda persiste entre nós e a cada desistência, maior se torna a sua força.

Pensei que tivesse ficado para trás, o tempo em que escritoras usavam pseudônimos com iniciais de seus sobrenomes, para não sofrerem discriminação dessa natureza. Então, assim como eu, persistam até encontrarem um lugar onde pessoas intelectualmente sadias publiquem seus escritos, pela qualidade do seu trabalho e não de acordo com o seu gênero. Consegui a aprovação dos meus trabalhos em lugares assim e digo mais: o único livro técnico de capa rosa em uma área predominantemente masculina, conquistou o primeiro lugar de vendas em duas grandes livrarias,entre outros destaques, me orgulho em dizer que foi o meu. Portanto, a expressão “preconceito literário” tem que ser definitivamente abolida e somente lutando contra ela, conseguiremos. Então, não desistam!

Valéria Gravino é a mais nova escritora Coerência, com seu livro “Enquanto Espero”, com lançamento previsto para novembro

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Crônica

E

Eu não estava pronta

u sempre tive lapsos de memória e isso nunca me pareceu tão ruim, atualmente tenho Alzheimer e hoje certamente é um dos meus dias bons. Não sei quanto deles ainda terei, então tento aproveita-los ao máximo, desfrutando minha lucidez já parcialmente comprometida. Às vezes ando pela casa como se procurasse alguma coisa que não encontro, que nunca encontro, mas logo me esqueço do que procuro. Eu juro que tento me apegar ao lado bom de tudo que ainda consigo processar, eu, talvez, diferente da maioria esteja livre, livre de preocupações cotidianas ou frustrações bobas, mas essas preocupações e frustrações constituíam parte da minha vida, da minha rotina e de quem eu sou, ou acreditei ser por toda a minha vida. Eu tento me convencer de que estou finalmente livre de toda e qualquer preocupação desgastante, tento me conversar disso nos dias bons e me lembrar disso nos dias ruins, mas não importa, é tão difícil às vezes, tão difícil não me lembrar de quem eu sou, de quem eu era. Minha família esforça-se em me convencer de que ainda continuo a mesma. Eu sei que eles me amam, e que esse é o dever ou papel deles, mas sei também que a doença tem cada vez mais me afastado de quem um dia eu fui. Por vezes me levanto e não sei onde estou, essa é uma sensação terrível. As inúmeras memórias artificias das quais gozo não são suficiente as vezes, não importa quantos sejam os lembretes ou alarmes no celular quando eu não o encontro em lugar nenhum. Eu nunca fui uma boa perdedora no decorrer da minha vida, e não achei que me tornaria boa agora, estou perdendo absolutamente tudo pelo que lutei a minha vida toda. O diploma na parede

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Revista Amazing

por Bruna Fernanda | www.pofernanda.wordpress.com

não me vale de mais nada, essa bendita doença me impossibilita de exercer o que eu achei que fosse, não sou nenhum destes títulos garimpados na parede, não sou essa maldita casa na qual me perco cada vez com mais frequência. Preciso sempre de alguém por perto o tempo todo comigo e isso faz com que eu me sinta envergonhada, costumeiramente admirada por minha autonomia, hoje mal consigo preparar um chá, arte pela qual sempre fui apaixonada. Eu deveria agradecer e me alegrar pelo tempo que a doença me possibilita passar ao lado daqueles que me amam, mas, até quando ainda me lembrarei deles? Até quando ainda não serei um fardo pesado demais na rotina atarracada de cada um deles? É tudo tão incerto, árduo, difícil e doloroso, eu me pego olhando desconhecidos no parque me perguntando se um dia já fomos conhecidos, vizinhos, amigos de vista. Eu não sei, mas que droga. Eu sinto que as pessoas não entendem e sentem pena, mas eu também sentiria. Eu tento manter o máximo de autonomia que a doença me permite e essa é a minha única cura, meu único cálice de salvação. Eu gostaria de pedir que fossem mais pacientes, não comigo, estou cercada por uma família prestativa e amorosa, mas com todos, pacientes e gentis. Ai meu D-us, eu me sinto tão envergonhada, eu não consigo me lembrar de coisas tão importantes, eu não me lembro do meu aniversario, da morte dos meus pais, fragmentos inconstantes, ah eu sinto como se estivessem arrancando-me de mim e eu não pudesse fazer nada, nada, absolutamente nada, você consegue entender? Eu complacivamente assisto, assisto a minha própria derrocada. Eu luto comigo todos os dias, me encho de perguntas idiotas, lembretes, fotos com anotações, eu sinto que estou desaparecendo, desaparecen-

do, tenho medo do que está por vir. Eu ando pela casa e não encontro a saída, no mercado se não fosse por Anna, eu não me lembraria o que comprar. No começo eu ia a sorveteria e com alguns minutos de atraso as lembranças vinham. Como é mesmo? Eu não gosto de morango, abacaxi ao rum tem muito melaço, odeio groselha, e ah, e meu preferido é menta com, com, menta com, com mirtilho. Eu agradeço antes de dormir todos os dias por mais uma vez ter conseguido encarar o dilema de não saber o que vem depois, assim como não lembrar o que acabou de vir. Gastamos tanto tempo, nosso presente, nossa vida em prol de um futuro que não nos da garantia alguma de como vamos aprecia-lo ou ao menos se vamos aprecia-lo, eu daria toda a incerteza dos meus dias futuros por um pouco da confiabilidade e das memórias do passado. É claro que eu tenho aprendido e muito, e isso não inclui apenas o caminho de casa novamente ou me vestir sozinha ou ainda fazer um bom e velho café, mas tenho aprendido sobre o amor, ah, o amor é o nosso maior bem. E ele realmemte existe. Eu tenho encarado minhas perdas com amor e resiliência, nada é tão difícil que não possa ser visto de frente, nenhum corte é tão profundo que não possa fechar. Não, eu não acredito que dias melhores poderão vir, eu estou em um trem bala prestes a colidir com o fim do túnel. Não importa os meus esforços para me lembrar do que quer que seja, tudo se torna inútil e eu sinto tanto medo, não quero me tornar um peso, nem tão pouco gostaria de acabar em uma clinica. Eu ainda tenho sonhos e estou viva. Eu encarnei manias estranhas agora que eu sei que não são minhas.


NOVA PERCEPÇÃO DE LEITURA E ESCRITA:

Fanfictions

por Ana Carolina Dias

Pelo dicionário, a definição de ‘talento’ denota aptidão a algo, aconteça isso de forma natural ou adquirida. Durante o processo de escrita, no entanto, o talento aperfeiçoa-se com o tempo de forma gradual, variando de pessoa para pessoa.

Há escritores que já iniciaram suas carreiras com obras literárias que hoje são sucesso. Há quem continue a se aperfeiçoar, como também existem aqueles que, infelizmente, desistiram no meio do percurso. Escrever fanfics não é um trabalho fácil. Pode ser considerado amador, sim, porém fácil é uma palavra que não o descreve. É necessário ter coragem para dar os primeiros passos, para dividir as primeiras palavras como mundo que está disposto a lê-las e a aceitar críticas construtivas e, possivelmente, também as mórbidas. Raíssa Jacobucci, mais conhecida como Ray Tavares, também já esteve nesse processo. Sua história mais conhecida alcançou mais de 2 milhões de leitores no Wattpad, é um romance leve e divertido que mistura risadas, amor e astrologia. A escritora que recentemente teve seu livro Os doze signos de Valentina publicado pela Galera Record, iniciou seu trabalho em plataformas online escrevendo narrativas sobre a banda McFly. Ela garante que esse início foi de suma importância para sua carreira. “Eu sempre escrevi o combo romance + comédia”, conta. “Eu tenho orgulho de falar que comecei pelas fanfics, porque é realmente visto de uma maneira pejorativa (relacionar narra-

tivas ruins à fanfics), mas eu conheço escritoras de fanfics que dão de 10 à 0 em escritores publicados. Tem muita coisa boa na internet! E a gente precisa começar por algum canto, né? Pelas fanfics a gente aprende desde o comecinho a lidar com o feedback (tanto positivo

parece a mesma escritora! É impressionante como o treino nos leva a alcançar parâmetros de qualidade cada vez maiores.” Como grande parte dos escritores nacionais, Ray também passou por dificuldades em sua primeira ten-

Depois que percebi que não era um sonho, que

aquilo estava rolando mesmo, eu sentei na minha ga-

ragem, liguei para a minha

mãe e chorei. quanto negativo), então é algo que me deixou calejada e mais preparada para a publicação do livro físico.” Ela também fala que nunca parou de escrever, emendando sempre uma história atrás da outra. Desde sua primeira história, aos 13 anos de idade, até os dias atuais, com 24. “Nunca parei para fazer um balanço geral da minha evolução. Mas é muito engraçado, porque eu estou repostando a minha primeira fanfic (Gossip Boys), e fico abismada - não

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tativa de publicação. Publicar um livro é o sonho de muitos autores, mas é preciso ter cuidado. Existem muitos que usam do nome de ‘editora’ para agir de má fé a ponto de se aproveitar do talento e dos planos alheios. “A minha primeira tentativa de publicação foi um grande trauma. Eu estava a ponto de desistir depois de tudo o que aconteceu (a “editora” me passou a perna), quando a Galera Record veio salvar a minha vida! Foi uma fase bem tensa, eu sentia que não conseguia Outubro/ Novembro 29


Fanfictions

ir para frente, que nunca conseguiria profissionalizar o meu trabalho, e eu já estava escrevendo havia 11 anos!” Depois de um post no Facebook relatando parte do que havia passado, suas palavras emocionaram muitos. Inclusive a pessoa que a levou para a Editora dos sonhos de muita gente. Ela se lembra como foi ao assinar o contrato e o momento em que se sentiu realmente realizada como escritora. “Eu confesso que chorei muito, e eu não sou nem um pouco de chorar. Depois que percebi que não era um sonho, que aquilo estava rolando mesmo, eu sentei na minha garagem, liguei para a minha mãe e chorei. Até aquele momento, eu não tinha reparado em como eu dependia da escrita e em como aquele sonho era forte para mim. Foi o sentimento mais incrível que eu já senti e eu nunca vou esquecer. Acho que é assim que um sonho realizado deve afetar as pessoas. Entrar na livraria Cultura da Paulista e ver uma pilha do meu livro à mostra foi um dos dias mais emocionantes da minha vida. E depois, com a turnê de lançamento, ver quanta gente de tantos lugares diferentes gosta do que eu escrevo!” Ray Tavares esteve na 18ª edição da Bienal Internacional do 30

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Livro no Rio. Sua história foi a nona mais vendida da Galera Record ao fim dos 11 dias de evento, sendo o top 10 composto em sua maioria por autores nacionais! Ao lado de escritoras de renome, como Carina Rissi, e autores internacionais, como Paula Hawkins, a jovem escritora mostra que, apesar das dificuldades, ainda há grandes autores no Brasil. Atualmente, Ray usa sua conta do Wattpad para publicar algumas histórias (Wattpad.com/ Ray_Tavares) e também está online no Instagram, Facebook e Twitter como @ RAYCTJAY, sempre mantendo contato com os leitores. Como Thalita Rebouças, que dizia querer ser a próxima ‘Paula Coelho’, muitos nomes estão apenas esperando a chance de mostrar seu talento. Há bons autores no Brasil. Há sucessos escondidos por trás de pseudônimos e histórias sendo atualizadas diariamente. E, com um pouquinho de empenho e sorte, há espaço para todo mundo. Você já é uma grande inspiração, Ray, e com certeza ainda será para muitas outras pessoas! Que suas histórias – fantásticas – alcancem muitos corações e você tenha todo o reconhecimento que merece. Sucesso na sua caminhada!

OS DOZE SIGNOS DE VALENTINA: Isadora é ariana e seu ex namorado pisciano... Inferno astral! Em busca da combinação astrológica perfeita, ela cria um blog para relatar suas experiências. Isadora descobriu da pior forma possível que o namorado a traíra. E com sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela se afoga em filmes feitos para chorar, pizza e em sua mais nova obsessão: stalkear o perfil do ex namorado no Facebook. Até descobrir exatamente o que deu errado entre ela e Lucas: seus signos são incompatíveis. Basta encontrar um rapaz de libra e seu mundo entrará nos eixos novamente. Com a nova obsessão e a desculpa do trabalho final de jornalismo online, uma reportagem investigativa sob um pseudônimo, Isadora une o útil ao agradável e cria um blog para relatar a experiência: Os 12 signos de Valentina. Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?


Novos autores

Sangue novo da literatura nacional

EI, AUTOR! Seu livro pode ser o prรณximo neste espaรงo. Para isso basta enviar a capa para o e-mail amazingrevista@gmail.com com o assunto: INDIE. A sua obra pode ser a prรณxima a ser escolhida. Outubro/ Novembro 31


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Revista Amazing

Amazing #02  

Nesta edição Amazing traz entrevistas e artigos sobre os vários tipos de preconceitos na literatura. Entrevistamos também Thati Machado, Klé...