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ANO 1

EDIÇÃO 03 SET/OUT 2008

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

DESENVOLVIMENTO E CONSUMO SUSTENTÁVEL Desafios do Século.

“O MISTÉRIO DO SAMBA”

Documentário retrata história, músicas e cotidiano dos integrantes da Velha Guarda da Portela.

TURISMO EM SÃO BENTO DO SAPUCAÍ Junte sua família, pegue seu carro e nosso roteiro! Conheça as atrações e saiba como aproveitar seu tempo no município.


EXPEDIENTE

A Revista Almanaque Cultural, em sua terceira edição, circula com novo visual criado a partir de uma reforma gráfica, pensada com o objetivo de conquistar novos leitores, ampliar o espaço de opiniões e divulgar conteúdos atuais sem deixar de lado a qualidade. Como a meta é estreitar o contato com os leitores e estar por dentro de todos os assuntos do mundo dinâmico, a revista lança mais duas editorias e a partir desta edição conta com espaço para os temas: sustentabilidade e turismo. Totalmente reformulada a Revista Almanaque Cultural conta com a sua opinião para fortalecer o compromisso de ser uma publicação moderna e gratuita. Esperamos que todos aprovem as novidades! Até a próxima! As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores. Os colaboradores não possuem nenhum vínculo empregatício com a revista.

Impressão: Editora Mogiana Tiragem: 7 mil exemplares Distribuição: Gratuita e Dirigida

Coordenação Geral Renata Campos e

Ponha uma obra-prima na sua garagem!

Renata Del Vecchio.

Gestão em Ana Paula Fonseca, Marketing/Comercial Julio Saggin,

Natália de Martini, Renata Campos e Renata Del Vecchio. Jornalista Responsável Renata Del Vecchio (MTB 48521).

Mais conforto, mais espaço, mais um monte de coisas.

Projeto Gráfico e Wilson Junior. Diagramação

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Textos Renata Campos (MTB 48522) e

Renata Del Vecchio (MTB 48521).

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Revisão Renata Maria Adriano Tosetto. Colaboradores Ana Paula Fonseca,

Iago Veiga de Arruda e Sá, Marcelo Henrique Zardo e René Antônio Novaes Junior.

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EDITORIAL

Fotos Revista Almanaque Cultural, Cláudio Vieira e Divulgação.

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End.: Rua José Augusto dos Santos, 108 – Sala 502 Jd. Satélite – CEP 12230-085 São José dos Campos –SP

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ÍNDICE

PERFIL

CUNHA JR.

FLAMENCO

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14

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Arte que se transformou em dança universal é destaque na região

27 DE SETEMBRO DIA DE SÃO COSME E DAMIÃO Santos gêmeos são eternos através do hábito de distribuírem doces.

RESIDÊNCIA OLIVO GOMES

DESENVOLVIMENTO E CONSUMO SUSTENTÁVEL

Cunha Jr. 22, novembro Rio Grande do Sul Todas Nenhum Shine a Light The Rolling Stones Livro de cabeceira: Tao Te King

- Quando decidiu ser jornalista? Aos 20 anos

- Cinema, música, artes ou literatura. Por qual dessas expressões você mais se interessa? Cinema, atualmente.

- O que fazia antes? Estudava Medicina

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05

- Qual foi a reportagem mais interessante que já produziu? É difícil responder...são muitas...uma série de reportagens que fiz por festivais de música na França, entre elas. - E a pessoa mais importante que entrevistou durante a carreira? Também difícil... Tarantino, Umberto Eco, Neil Gaiman, muitos... muitos. Por quê? São pessoas geniais na área em que trabalham.

Conheça a casa de traços modernos que inovou a construção da região na década de 50.

CAPA

Nome completo: Nascimento: Naturalidade: Referências musicais: Ídolo: CD que curte atualmente:

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08

pág

03

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18

- Você está há anos no programa Metrópolis. Como é trabalhar diariamente com jornalismo cultural? Satisfação plena! Meu trabalho e diversão se confundem!

- Qual o papel do jornalismo cultural em relação à difusão da cultura e do conhecimento? O jornalismo cultural instiga as pessoas a se aprofundarem nos assuntos abordados. - Quais os maiores prazeres da sua vida? Arte e cultura - Em que época você gostaria de ter vivido? Nesta em que vivo. - Quais são os próximos passos de Cunha Jr? Sem planos imediatos, deixo as coisas acontecerem.

Desafios do século.

CULINÁRIA NIPO-BRASILEIRA Homenagem aos 100 anos da Imigração Japonesa para o Brasil.

AGENDA

Fique por dentro e participe do que acontece na região.

OPINIÃO DO LEITOR

“Música, arte, ótimas entrevistas e conteúdo inteligente. O veículo que faltava pra unir cultura, boas dicas e utilidades. Que venha mais por aí! Todo o sucesso do mundo!” JEAN CARLO ARAÚJO Vocalista, CAOS

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FOLK

CULINÁRIA

SÃO COSME E DAMIÃO: Vivos através dos doces e guloseimas.

Santos gêmeos são eternos através do hábito de distribuir doces no dia 27 de setembro como pagamento de promessas.

Quem nunca esperou por este dia. Sair com os amigos para pegar doces oferecidos por vizinhos e familiares. Distribuir doces no dia 27 de setembro, é para muitos uma tradição em festejo ao dia dos santos Cosme e Damião. A festa ganha as ruas e se mistura com a cultura negra. De norte a sul do Brasil, em cidades como São José dos Campos, Jacareí, Taubaté e Pindamonhangaba, entre outras do Vale do Paraíba, as crianças saem às ruas para pedir doces em nome dos santos. As lojas de doces neste dia ficam uma loucura, a procura por doces e brinquedos é grande. A festa para São Cosme e Damião é bastante democrática, católicos, umbandas, ou não participam. Uns fazem promessas de distribuírem doces durante sete anos consecutivos, outros difundem a cultura e se encantam com a alegria das crianças. “O interessante é que não há nível sócio econômico, pessoas de diversos bairros fazem festas, outros distribuem sem se expor. Essa manifestação mostra bem o sincretismo brasileiro”, explica Flávia Diamante, coordenadora do Museu do Folclore de São José dos Campos. Para a esteticista Adriana Leal a tradição de São Cosme e Damião está muito viva em sua casa e todos os anos ela se prepara com 15 dias de antecedência para comprar os doces e colocá-los um a um nos sacos. “Desde criança quando morava no Rio de Janeiro esperava por este dia, minha avó sempre retribuiu as promessas feita aos Santos distribuindo doces para as crianças”.

SOBRE SÃO COSME E DAMIÃO Conta à história que o nome verdadeiro dos irmãos era Acta e Passio. Acredita-se que eles eram gêmeos e nasceram na Arábia no século IV. De família nobre e pais cristãos, estudaram medicina na Síria e depois foram praticá-la em Egéia. Utilizando os conhecimentos científicos aliados à fé e aos ensinamentos, São Cosme e Damião curavam o corpo e o espírito e não cobravam consultas. Pregavam o cristianismo e por esse motivo foram perseguidos pelo imperador Diocleciano, um grande perseguidor da doutrina cristã da época. Os irmãos foram trucidados e muitos fiéis transportaram seus corpos para Roma. Os corpos de São Cosme e São Damião foram sepultados no maior templo dedicado a eles, feito pelo Papa Félix IV, na Basílica do Fórum de Roma com as iniciais SS - Cosme e Damião. Com a morte os gêmeos se tornaram mártires e mais tarde santos, sendo nomeados pela Igreja Católica como São Cosme (que significa “o enfeitado”) e São Damião (”o popular”), no dia 27 de setembro, data em que se comemora o seu dia. Por associação, são os santos protetores dos médicos, farmacêuticos, gêmeos e crianças.

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CULINÁRIA NIPO-BRASILEIRA: Homenagem aos 100 anos de história.

O ano de 2008 está marcado pelas comemorações dos 100 anos da imigração japonesa para o Brasil. Há um século, o cenário do Japão era de pós-guerra, exato momento em que no porto de Santos desembarcava o Kasato Maru, navio que trouxe a bordo 165 famílias de japoneses. A maioria desses imigrantes eram camponeses de regiões pobres do norte e sul do Japão, que vieram trabalhar nas afortunadas fazendas de café do oeste do estado de São Paulo. Estima-se que nos primeiros dez anos de imigração, cerca de 15 mil japoneses chegaram ao Brasil. O início da imigração é marcado pela dificuldade de adaptação dos nipônicos em terras brasileiras. Muitas famílias tentaram retornar ao país de origem, mas eram impedidas pelos fazendeiros que os obrigavam a cumprir o contrato de trabalho. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os problemas aumentaram. A imigração japonesa para o Brasil foi proibida durante os anos de guerra e o presidente Getúlio Vargas proibiu o uso da língua japonesa no país, considerando todas as manifestações culturais nipônicas como atitudes criminosas. Muitos dos imigrantes que se libertaram do trabalho assalariado nas fazendas passaram a se dedicar à atividade autônoma na lavoura. Este fato enriqueceu a variedade,

Salada Doce Ingredientes: 8 abacaxis 2 kg de açúcar Queijo mussarela Batata palha

quantidade e qualidade dos produtos hortifrutigranjeiros que abastecem hoje a mesa das famílias brasileiras em todo o país. Um século se passou e junto com a história, os japoneses trouxeram na bagagem técnicas para ampliar a escala de produção de gêneros alimentícios já presentes no país. Com pratos inéditos, as tradições japonesas foram integradas ao dia-a-dia dos brasileiros. Comer com pauzinhos virou moda e as palavras “Sushi” e “Sashimi” já fazem parte do nosso vocabulário. Em São José dos Campos um excelente restaurante para saborear a culinária japonesa é o ADISSAI. A idéia de abrir o estabelecimento surgiu após uma viagem cultural dos proprietários ao Japão, onde os conhecimentos sobre a culinária japonesa foram ampliados. Em busca de um modelo inovador, Kihatiro Tsuji e seus dois filhos, Maurício Toshio Tsuji e Marcio Shin-Iti Tsuji inauguraram o Adissai em 14 de Julho de 1999. Com imensa variedade de pratos japoneses e brasileiros, o restaurante trabalha no sistema “por kilo” e no jantar com serviço à la carte. Vale a pena conferir!

Saboreie em sua casa estas deliciosas saladas orientais servidas no restaurante ADISSAI. Modo de preparo: Cortar os abacaxis em cubos e levar ao fogo até caramelizar. Deixe esfriar e depois misture o queijo mussarela cortado em cubos e a batata palha.

Sunomono de Pepino Ingredientes: 10 pepinos 300ml de vinagre 6 colheres de açúcar Ajinomoto

Modo de preparo: Corte os pepinos bem fino, passe sal e esprema-os para ficar sequinho. Faça um caldo com o vinagre, açúcar e ajinomoto. Se preferir coloque por cima Wakame (alga), Lula cozida e gergilim ralado.

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PLÁSTICO

ARQUITETURA

VIRGINIA COSTA:

CASA OLIVO GOMES:

Equilíbrio de traço gráfico e timbre cromático em pequenos formatos.

Uma revolução da arquitetura.

Projetada por Rino Levi e diferente de tudo construído até então, a casa de traços modernos inovou a construção da região na década de 50.

Por Emanuel Von Lauenstein Massarani Curador do Museu de Arte do Parlamento de São Paulo O gosto pela cor e sua intuição na relação entre o traço gráfico e o timbre cromático ressaltam na pintura de Virginia Costa. Sua pesquisa é uma experiência vital, paciente e metódica. O empenho da artista e seu detalhismo são sustentados por uma força de vontade pouco comum. Trata-se de uma pintura genuína que é motivo de vida e encontra na cor aquela base de luz que somente uma artista instintiva pode reencontrar e transportar sobre a tela. Repleta de dinamismo e de conceito, sua obra possui um desenho preciosamente traçado. Os detalhes tomam corpo na eficiência do traço e a sua harmonia construtiva e criativa vive num equilíbrio de temas e de tons. Significativas são suas casas, suas esquinas, seus “pubs”, seus jardins que são fixados nas telas com uma felicidade inteira e com uma íntima preocupação de perenizar as sensações colhidas em suas viagens pelo mundo. A intensa qualidade cromática oferece uma luminosidade que evidencia a necessidade de lembrar e conhecer lugares que não podem ser esquecidas. Na obra “The Wilton Arms”, doada ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, a representação da paisagem se decompõe em múltiplas tonalidades perfeitamente harmonizadas. Virginia Costa pinta normalmente em quadros de pequeno formato com uma sensibilidade particular e ao traduzi-la em traço e cores, respeita-a conservando a dignidade que é fundamento de sua existência. A Artista Virginia Costa, pseudônimo artístico de Virginia Costa de Oliveira Marques, nasceu me Barretos em 1955. Artista autodidata desde cedo se interessou por estojos de pintura, lápis de cor e papéis. Entretanto, foi em 2002 que descobriu o prazer de pintar por influência de uma jovem artista plástica alemã. Trocou então a carreira de professora de Inglês e Alemão por telas, tintas e pincéis. Em setembro de 2006 instalou seu ateliê São José dos Campos. Participou de diversas exposições entre elas: no Espaço Cultural do Fórum Trabalhista, São José dos Campos, SP; Espaço Cultural do Banco Real, SJC; Salão de Arte Contemporânea da Fundação Cultural Cassiano Ricardo; Espaço Cultural do Aeroporto de São José dos Campos; XIII Salão de Belas Artes, Ribeirão Preto, SP; Espaço Shopping Andrômeda, São José dos Campos, SP (2004); Foyer do Pleasance, Theater de Islington, Londres, Inglaterra; Galeria André, SP (2007). Recebeu entre outros prêmios a Comenda Garcia D’Avila, durante o 1º Congresso Internacional do Boi de Capim, Salvador (2006) e possui obras em coleções particulares e no Museu dos Transportes de Londres e no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.

Participações durante quatro anos de carreira: Medalha de Prata no XXXI Salão de Artes Plásticas WALDEMAR BELISÁRIO - Ilha Bela. Exposição Individual no “Espaço das Artes Helena Calil” São José dos Campos / SP. Selecionada para “Exposición Pintores Noveles” Monte Pego -Espanha. Convite para doação de obra para o “Museu de Arte do Parlamento” de São Paulo / SP. Exposição permantente no Pleasance Theater em Londres. Obra exposta no London’s Transport Museum em Londres. Site: http://www.virginiacosta.com/

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Imponente, moderna e com uma vista maravilhosa para lindos jardins. Essa é a casa Olivo Gomes, que fica no Parque Municipal Roberto Burle Marx, em São José dos Campos. A pedido de Olivo Gomes, a casa foi projetada pelo arquiteto Rino Levi da escola modernista. Em 1949, a residência diferente de toda a arquitetura da época começou a ser construída. Moderna – a casa contém em sua composição grandes vãos, detalhes retos e limpos, mostrando como seriam os novos projetos arquitetônicos de um capitalismo em ascensão. Roberto Burle Marx, artista de múltiplas artes e um dos maiores paisagistas de nossa história, participou ativamente projetando dois painéis de cerâmica e toda a parte de paisagismo no entorno da obra. A construção dos jardins ficou pronta em 1952, juntamente com a residência. Dois anos mais tarde, foram arquitetados painés em azulejos e pastilhas vitrificadas, que utilizavam paredes até então inexistentes como suporte, realizados com o estudo cromático de Francisco Rebolo, representando tapetes de Elizabeth Nobeling. Outro fator de destaque do artista plástico rebolo são as cores utilizadas na pintura interna, cores fortes e vivas. A casa Olivo Gomes possui 1.820m2 e o projeto de Rino Levi tirou proveito da luz natural, utilizando vidros e tijolos

de mesma composição. Nos quartos, por exemplo, as janelas se abrem em forma de guilhotina onde a família contemplava toda a beleza da Serra da Mantiqueira. “A casa é muito iluminada. No térreo foi construído salão de festas com lareira e barzinho, bem diferente das construções da época. Essa sem dúvida foi uma casa que marcou” descreve o Diretor de Patrimônio Histórico da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, Vítor Schuter. A família Gomes realizava diversas festas, nas quais eram recebidas muitas celebridades, como o próprio Severo Gomes – Senador da República na época. Olivo Clemente tinha muitos contatos com a vanguarda dos artistas. Nos fins de semana a casa era bastante movimentada. Após a desapropriação em 27 de julho de 1996, a residência se tornou patrimônio cultural do Município de São José dos Campos. Em 2004, a casa foi tombada como Patrimônio Histórico Artístico Paisagístico e Cultural do Município de São José dos Campos – COMPHAC. Atualmente o conselho aprovou um projeto de recuperação dos jardins e o responsável pelo restabelecimento é Haruyoshi Ono, arquiteto e paisagista que iniciou a carreira estagiando com Burle Marx.

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TURISMO Desvende

SÃO BENTO DO SAPUCAÍ Casinhas simples, ruas de terra e encantos de sobra. Cidade atrai turistas durante o ano inteiro para contemplar a paisagem da Serra da Mantiqueira. Quer passar um dia diferente? Próximo da natureza para descansar ou fazer esportes? São Bento do Sapucaí é o lugar certo! A cidade é comumente chamada de Estância da Aventura - encravada na Serra da Mantiqueira, na divisa de São Paulo com Minas Gerais - já foi refúgio de ex-escravos e palco de batalhas da revolução de 1932. Rica em belezas naturais possui inúmeros rios, cachoeiras, montanhas e vegetação, é bastante propícia a pratica de esportes de aventura - de uma simples caminhada a vôo livre, incluindo pedaladas e escaladas. A região abriga um dos pontos mais altos do estado de São Paulo, o complexo do Baú, que é formado por três montanhas de pedra: Bauzinho, Pedra do Baú e Ana Chata. O local é visitado por muitos turistas durante todo o ano. O acesso a essas pedras pode ser feito por trilhas. Com várias quedas d’água, onde os visitantes podem ser refrescar após uma caminhada, também são oferecidas diversas atividades como arvorismo, rapel e tirolesa por operadoras. Ao longo do ano acontecem várias competições de off-road na cidade, em suas trilhas mapeadas para a prática do esporte. Quem não possui espírito aventureiro pode ver no clima ameno da região - com temperatura máxima de 25 graus uma ótima opção para descansar contemplando o pôr-do-sol

em um pesqueiro da região, saboreando trutas fresquinhas em deliciosas versões. O centro da cidade também tem seus encantos, como o Bairro do Quilombo, fundado por ex-escravos e que mantém suas tradições culturais. São Bento do Sapucaí é conhecida pelo seu artesanato, que pode ser encontrado no bairro. São esculturas em jacarandá, velas aromatizadas, luminárias em fibra de bananeira e peças decorativas em tecidos tingidos e pintados a mão. E tem ainda doces caseiros, geléias e sorvetes de sabores inusitados, como o de queijo.

COMO CHEGAR

ONDE COMER

Saindo de São José dos Campos - Cerca de 1h15. Siga na direção norte na Av. Ten. Névio Baracho em direção à R. Flávio Berling Macedo. Continue na Av. Olívio Gomes, siga a Av. Princesa Isabel. Vire à esquerda na R. Antônio Júlio da C.Guimarães. Vire à direita na Av. Rui Barbosa. Curva suave à direita para permanecer na Av. Rui Barbosa. Curva suave à esquerda na Rod. Monteiro Lobato. Vire à esquerda na Rod. Ver. Júlio da Silva. Continue na SP-050. Continue na Rod. Ver. Júlio da Silva.

CAMPING BAR POUSADA Especialidade: comida mineira e truta flambada acompanhada com farofa de banana assada. Esse prato deve ser pedido sobre reserva. Local simples, bom atendimento e serviço. End. Bairro do paiol Grande, KM 5,2 – (12)3971-1471

PASSEIOS Pedra do Baú - Ideal para escalada a sua base tem 540 metros de comprimento por 40 de largura e uma altura de 340 metros. Na região também há a pedra Ana Chata, Bauzinho e trilhas com todos os graus de dificuldade. Igreja Matriz - Construída pelos escravos em estilo colonial, com paredes de taipa é um monumento histórico. No seu interior há telas de pintores de renome de 1853. Fica na praça Cônego Bento de Almeida. Quilombo - Este pequeno bairro de São Bento parece um presépio pela disposição de casinhas rudes ao redor da igreja Nossa Senhora da Conceição Imaculada e de uma escola. É centro do folclore, arte e artesanato. Cachoeira dos Amores - Localizada num vale perto do acampamento Paiol Grande e a Pedra do Baú é um recanto com mais de 300 metros de quedad’água. Fica a cinco quilômetros da cidade. DICA: Leve sempre um agasalho, pois mesmo durante o verão a noite da serra é muito fria.

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PESCA NA MONTANHA Especialidade: Pratos a la carte e buffet servido em fogão a lenha. Truta grelhada com diversos molhos. Lugar bonito, bom atendimento e serviço. End. Estrada do Paiol Grande km 20 - (12) 3662-1987/(12) 3662-2731

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TRINCHEIRA RESTAURANTE Especialidade: Excelente cozinha com cardápio diverso a base de carnes massas e trutas. Belo local, com bom atendimento e serviço. End. Estrada do Quilombo, 1403 - B. Quilombo - (12) 3971-2688

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COMPRAS A casa do Artesão localiza-se na Praça Monsenhor Pedro do Vale Monteiro com exposições permanentes das obras dos artesões confeccionadas em madeiras, barro, palha, couro, além de peças em crochê e tricô. Destaque para os tachos de cobre. INFORMAÇÕES: www.saobentodosapucai.sp.gov.br

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CAPA

DESENVOLVIMENTO E CONSUMO SUSTENTÁVEL:

PRINCÍPIOS DO CONSUMIDOR CONSCIENTE Elaborado pelo Instituto Akatu.

Desafios do Século.

- Planeje suas compras - Avalie os impactos de seu consumo

Avaliar o próprio comportamento e evitar serviços que degradem a natureza são atitudes de uma pessoa verdadeiramente sustentável.

- Consuma apenas o necessário - Reutilize produtos e embalagens - Separe e recicle seu lixo - Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas.

O conceito sustentabilidade é tão grande quanto o tamanho da palavra e atualmente essa é a expressão do futuro. Desenvolvimento sustentável significa atender às necessidades da atual geração, sem comprometer a vida dos que virão amanhã. Em outras palavras, é um desenvolvimento que não esgota recursos, conciliando crescimento econômico com preservação dos bens naturais.

- Não compre produtos piratas ou contrabandeados - Contribua para a melhoria de produtos e serviços - Divulgue o consumo consciente

Apesar de se falar do tema desde os anos 80, a expressão sustentabilidade nunca foi tão utilizada como na atualidade pelas empresas, o que justifica desenvolvimento sustentável ser o assunto do momento. Para o Geógrafo René Antônio Novaes Junior, a forma como o assunto tem sido empregado pelas corporações retrata uma espécie de jogada de marketing para se diferenciar em meio à concorrência. “Se observarmos, o mercado a cultura do descartável continua a todo vapor, o que retrata a falta de coerência destas que estampam o logo “desenvolvimento sustentável” em suas fachadas”, opinou.

- Cobre dos políticos - Reflita sobre seus valores

A compra é apenas uma das etapas do consumo. Antes dela, temos que decidir o que consumir, por que, como e de quem consumir. Depois de refletir a respeito desses pontos é que partimos para a compra, que após o uso tem o descarte. Hoje em dia se fala muito dos produtos “selo verde”, que apresentam ao consumidor uma maior transparência sobre o processo produtivo das mercadorias, levando em consideração questões ambientais e sociais. É uma ferramenta importante do consumo consciente, pois dá a possibilidade ao consumidor refletir sobre os custos e benefícios do produto que está comprando.

Segundo o Geógrafo, nosso planeta sempre se autosustentou, mas devido à ganância do homem a harmonia natural foi quebrada. “Eu entendo que agora a única maneira de atingirmos o desenvolvimento sustentável é através da educação e conseqüentemente a conscientização”, afirmou René. COMO ATINGIR O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? Se tratando de sustentabilidade, outro fator que merece ser ressaltado é a questão do consumo sustentável. O reconhecimento de que os recursos naturais são finitos e de que a promoção ativa do desenvolvimento sustentável do planeta é imprescindível à sobrevivência da espécie humana têm obrigado a sociedade a repensar o modo como se relaciona com o mundo em que vive. E no atual cenário de consolidação e expansão do capitalismo global, onde o “ter” é mais importante do que o “ser”, essa relação está estreitamente ligada aos modelos de produção e aos hábitos de consumo em diferentes níveis. Por acaso o leitor já parou para avaliar impactos do seu consumo no meio ambiente e na sociedade em que está inserido? Essa reflexão e a mudança de alguns hábitos de consumo é o que se busca no desenvolvimento do consumo consciente. O desafio do século é que todos passem a pensar seriamente na necessidade de reciclar, de adotar um

novo estilo de vida e de padrões de consumo. “Creio que o consumo sustentável pode vir a modificar está visão que prevalece hoje em dia, do descartável. Precisamos ter em mente que nem tudo que nos oferecem, e a mídia é uma forte colaboradora para isto, é necessário para nós”, declarou René sobre o consumo. O Engenheiro Florestal Marcelo Henrique Zardo, explica que através da compra direta existe o chamado consumo inconsciente, onde geramos lixo através de uma ação que foge ao nosso controle. Como exemplo, ele cita as inúmeras correspondências e materiais de propaganda que chegam

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às nossas residências diariamente sem termos solicitado. Sem falar nas sacolas plásticas que praticamente somos obrigados a levar para casa juntamente com o produto que nos interessa. “Para se ter idéia, a cada dois meses eu recebo em casa uma carteirinha plástica com meus dados para poder ser atendido nos hospitais. Eu já pedi à empresa para não mandar mais esse material. Pedi que adotassem um sistema onde eu não tenha responsabilidade sobre um lixo que eu não gerei”, contou o Engenheiro. Habitualmente, estamos acostumados a associar consumo a compras. Essa associação não é errônea, mas está incompleta.

Mas será que a atual geração irá vivenciar a plenitude do desenvolvimento sustentável? Para René Antonio Novaes Junior a resposta é não! “Para mim o desenvolvimento sustentável é algo que nós desta geração não vamos presenciar, e quiçá a dos nossos filhos. Sou otimista, pois percebo pequenos passos nesta direção, embora sejam passos de tartarugas, mas como dizem que para chegar a qualquer lugar você tem que dar o primeiro passo, isto me faz acreditar que um dia se alcançará”. O Engenheiro Florestal Zardo finaliza com o alerta: “É importante ressaltar a responsabilidade que cada um tem sobre o bem estar da sociedade e sobre a sustentabilidade do planeta como um todo. Pequenas mudanças, de consciência e principalmente de hábitos, contribuem para uma mudança maior, construindo uma sociedade mais justa, mais igualitária e com respeito ao meio ambiente”. O texto “Desenvolvimento e Consumo sustentável: desafios do século” teve a contribuição do Engenheiro Florestal Marcelo Henrique Zardo.

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CRIAR

TULIPAS DE CERA VOCÊ VAI PRECISAR: - Parafina macro - Corantes à base de óleo, nas cores azul e amarelo - Bexigas número zero - Cera alveolada - Parafina para modelar - Gravetos finos

PASSO A PASSO: 1 - Derreta a parafina numa panela. Quando ela estiver líquida, misture o corante azul. 2 - Para dar o formato de tulipa, use uma bexiga cheia de água. Mergulhe a bexiga por cerca de 25 vezes para que engrosse a casca de parafina. Após engrossar a casquinha da parafina, coloque na água para esfriar de vez. 3 - Para desenformar, corte o nó da bexiga deixando sair toda a água. Ela se desprende da parafina, que já está em forma de tulipa. 4 - Par fazer o acabamento, deslize as bordas da flor num ferro quente para que fiquem lisinhas. No fundo da casquinha, encoste o biquinho do ferro e faça um furinho, onde vai ser colocado o cabinho da flor.

6 - Pegue um pedacinho de parafina para modelar e ponha dentro da flor, tapando o furinho. Do lado de fora, fixe o graveto para fazer o cabinho da flor. Ele vai ficar preso pela parafina de modelar que foi colocada dentro. 7 - O miolo vai ser feito com a parafina tingida de amarelo. Despeje dentro da tulipa, enchendo um pouco mais da metade e deixe secar por 3 min. e espete o pavio bem no meio. 8 - Para fazer as folhas, você vai usar a cera alveolada. Ela tem que ser aquecida com um secador para ficar maleável. Faça um vinco no meio e aperte um pouco para dar o formato da folha. Aqueça a ponta com o ferro para fixar no tronquinho. Sua flor está pronta!

5 - Os pavios têm que ser cortados em pedaços de 4 cm e depois mergulhados na parafina tingida de amarelo.

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QUEM INDICA

CINEMA CD DVD

“Pulse” - Pink Floyd Estilo: Classic Rock

DJ, 44 anos

DVD Ana Paula Fonseca

“Ray Charles” - Trilha Sonora Oficial Estilo: Blues “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” - Dir.: Jean-Pierre Jeunet Estilo: Drama / Comédia

Jornalista, 23 anos

CD DVD Alberto A. M. Filho “Mano” Empresário, 44 anos

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História e cotididano da Velha Guarda da Portela é retratado em documentário e exibido nos cinemas.

“Os Embalos de Sábado a Noite” - Dir.: John Badham Estilo: Drama / Musical

Ben-Hur Venturelli

CD

BOM DA CABEÇA E DO PÉ

“Blade Runner” - Trilha Sonora Estilo: Instrumental Orquestrado “1942 - A Conquista do Paraíso” Dir.: Ridley Scott Estilo: Drama

Ao lado das garrafas de vidro marrom sobre a mesinha branca de ferro, aquelas de boteco, descansam os copinhos americanos cheios até a metade de cerveja. Sentados nas cadeiras, aquelas brancas dobradiças que fazem par com a mesa do boteco, estão os mestres. O cavaquinho começa a chorar, o pandeiro a batucar, violão, vozes. A roda cria vida, a roda cria samba. O cenário é básico em qualquer rodinha de samba, mas a figura muda quando nas cadeiras estão sentadas gente de “passado”. “Estamos velhos, mas ainda não morremos”, cantam no hino próprio, os integrantes da Velha Guarda da Portela formada por antigos integrantes da escola de samba Portela, uma das mais importantes do Rio de Janeiro. É no documentário “O Mistério do Samba” que eles mostram que podem estar velhos, mas nunca morrerão. Com a direção de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, o documentário retrata a história e o cotidiano dos integrantes da Velha Guarda da Portela. A idéia teve início em 1998, quando a cantora Marisa Monte começou as pesquisas para a produção do CD Tudo Azul, resgatando a obra musical dos compositores da Velha Guarda da Portela. Ela conseguiu reunir cerca de

cem músicas, quase todas inéditas, que corriam o risco de desaparecer. “O Mistério do Samba” teve um papel importante no resgate de composições que estavam quase esquecidas – afinal, esses sambistas não têm o hábito de registrar todas as letras e melodias criadas em rodas de sambas - muitas delas existiam apenas na memória de alguns. O projeto levou cerca de dez anos para ser finalizado e teve que transformar 200 horas de filmagens em 88 minutos. Além de Marisa Monte, que atua como condutora de grande parte das entrevistas, O Mistério do Samba tem as participações especiais de Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho. E durante o documentário, a Velha Guarda era formada por: Áurea Maria, Cabelinho, Casemiro da Cuíca, Casquinha, David do Pandeiro, Edir Gomes, Guaracy Sete Cordas, Jair do Cavaquinho, Marquinhos do Pandeiro, Monarco, Neide Sant’Ana, Sergio Procópio, Seu Argemiro, Tia Doca, Tia Eunice, Tia Surica e Timbira. Mais informações: http://www.omisteriodosamba.com.br/

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PALCO

MÚSICA

A DANÇA FLAMENCA

NOSTALGIA:

E todas as suas faces.

A era da disco music. A febre do movimento “Disco” que deixou saudade

A representação do sentimento de um povo, assim é denominado o Flamenco. O movimento da dança encanta a todos. Os passos marcantes, a sutileza feminina e a força do homem revelam toda a expressão de uma cultura e do sentimento de um povo através do sapateado espanhol, Flamenco. Uma arte popular, oriundos da miscigenação de várias culturas - andaluzes, judeus, indianos, árabes, ciganos – que se instalaram no Sul da Espanha, região chamada Andaluzia. Um povo que sofreu muitas perseguições e para espantar um pouco do sofrimento desenvolveu uma forma de se expressar muito particular e intensa. É uma dança de gueto e famílias ciganas faziam esta arte passar de pai para filho. Uma expressão artística que possui três faces - o “Toque”, o “Cante” e o “Baile” – o último reúne toda a riqueza da expressão Flamenca, pois integra o “Toque” e o “Cante” a um trabalho rítmico, estético e coreográfico de grande beleza e de profundo sentimento. O Flamenco se transformou em uma arte universal. Atualmente vários profissionais de diversas nacionalidades tentam dominar o difícil sapateado de uma dança que exige graça, força, sensualidade e disciplina. A dança utiliza os movimentos com muita energia, desperta o lado feminino utilizando brincos, flores nos cabelos, deixando o jeans de lado. “As mulheres descobrem a feminilidade e os homens a força do sapateado. Na Espanha existem muitos bailaores que demonstram toda energia do sexo masculino através da dança”, explicou a professora e coreógrafa de Flamenco, Ana Guerrero. Para praticar dança Flamenca não existe contra-indicação. Ana explica que a expressão é extremamente democrática. ”As pessoas imaginam que só pode ser feita por crianças e jovens, mas pode ser praticada dos cinco anos até a melhor idade, por homens e mulheres de qualquer tipo físico”, declarou. Sem restrições toda a família pode praticar a arte espanhola, como na casa da Dentista Margê Cardoso de Almeida Peres, de Taubaté. As filhas iniciaram na dança flamenca quando crianças e há um ano a mãe decidiu encarar o desafio de dançar, após o convite de uma amiga. “Minha vida mudou após o inicio das aulas, o Flamenco traz disciplina, concentração e alegria. Sem falar que estou junto às minhas filhas disseminando os costumes espanhóis da família do meu marido.” A arte está tão difundida que grandes eventos são realizados na região. O Festival Internacional de Flamenco, por exemplo, já está na sétima edição sempre com os melhores profissionais da área. No mês de agosto, o festival trouxe para São José dos Campos a maestra, coreógrafa e bailaora La Truco, considerada uma das melhores bailaoras da atualidade. Com figurinos característicos, o flamenco virou moda com direito a desfile. Christina Reis, idealizadora de figurinos, promove desfiles e explica que através de sua paixão pela cultura flamenca, surgiu a necessidade de inovar. “Criar

opções de roupas e oferecer um trabalho feito com amor, centrado no propósito de oferecer ao artista um figurino especial, é o objetivo dos desfiles”, contou. Mais importante que sua história e técnicas, o Flamenco é uma atitude. É a manifestação da alma de uma pessoa. Ser Flamenco é colocar para fora sentimentos e emoções trancadas e compartilhá-las através da música, do cante, do baile e dos “jaleos”. CURIOSIDADE - A palavra “flamenco” foi usada pela primeira vez em 1835. Acredita-se que o termo deriva do árabe fellah (camponês) e mengu (fugitivo), e foi usada como sinônimo de cigano andaluz. Estudiosos sustentam ainda a referência de “flamenco” ao termo “flamância” de origem alemã, que significa fogosidade ou presunção, que era aplicada aos ciganos por seu temperamento. - Jaleos são os gritos que os bailaores e bailaoras – dançarinos e dançarinas, respectivamente – fazem durante a dança, como por exemplo: olé.

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Há mais de 30 anos, a sensação dos jovens nas noites de sábado e domingo era dançar numa pista iluminada por globo e luzes coloridas ao som de Village People, Gloria Gaynor, Donna Summer, KC & Sunshine Band, entre outros, até o dia amanhecer. Quem vivenciou está fase em meados dos anos 70 sabe que estamos falando de um movimento efêmero conhecido como Disco Music. A música, entre 1976 e 1980, influenciou a cultura jovem. As raízes deste movimento americano chegaram ao Brasil e a influência era tamanha que a moda se instalou por aqui. Os gêneros mais tocados eram derivados da música negra, com muita influência do Soul e Jazz. “Como vinha tudo dos E.U.A o preconceito caiu matando. Os Heavy Metal, por exemplo, perderam espaço porque as músicas dançantes da discoteca invadiram”, relembrou Ben-Hur Venturelli, DJ desde os 14 anos. Com três décadas de estrada, Ben-Hur vivenciou o surgimento da Disco, época em que também deu início a sua carreira. “Saí pela primeira vez à noite, conheci uma discoteca e fiquei apaixonado. Um belo dia ofereceram-me para atuar ao lado do DJ controlando a luz. Comecei a observar o trabalho e aprendi tudo rapidamente. A partir daí foi um passo para assumir o posto de DJ e trabalhar paralelamente em rádios”, relembrou. A partir de 1980 o movimento perdeu força, e o que começou a imperar foi o rock. Por cinco anos as discotecas ficaram vazias, dando espaço para um estilo mais pop como Madonna, Michael Jackson e New Order. “Como DJ, continuei com o trabalho dançante que já não era mais aquela febre.

O estilo Funk Soul, como o do grupo Cool and the Gang era o pouquinho que ainda sobrava da Disco”, esclareceu BenHur. Paralelamente o universo nacional também tinha espaço nas pistas. Gilberto Gil, Erasmo Carlos, Tim Maia e até Ney Matogrosso, também marcaram esta década. “Eu tocava Ronaldo Resedá, Lady Lú, nomes do final da década de 70 que se estenderam pelos anos 80. No Rock o que pegava era Queen, Rod Stewart, entre outros”, contou o DJ. “A Era Disco foi boa demais. Em São José dos Campos dancei muito na badalada Gênesis. Muita luz negra, globo espelhado, fumaça de gelo seco e som alto. Lembro-me até da novela Dancing Days de Gilberto Braga, onde a atriz Sonia Braga vivia uma dançarina da Disco Music. Para quem viveu será uma fase eterna que traz muita saudade”, recordou Lílian Melo.

NAS PISTAS Anos 70 -Village People - Gloria Gaynor - Donna Summer - KC & Sunshine Band - Bee Gees - ABBA

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Anos 80 - Kool and the Gang - New Order - Depeche Mode - Information Society - Madonna - Michael Jackson


ENSAIO

LETRA

VIVA SANTO ANTÔNIO! Morei durante dez anos, dos três aos treze, no parque Santo Antônio, em Jacareí. Entre 1975 e 1985 assisti e participei das mais belas festas de Santo Antônio que já vi. Desde que retornei para São José dos Campos, nunca mais presenciei evento mais emocionante, talvez nem tanto pelo evento, talvez mais pela idade do novo que não mais retornará. Quando se aproximava a data, as mulheres já começavam (a pedido de Frei Vitório) a arrecadar prendas; tinha singela quadrilha, que nunca dancei e nem sei bem por que. Quando o povo se animava subia um “poeirão” até se perder totalmente a clareza da visão. Bandeirolas de papel colorido, e na falta deste eram utilizadas as parcas revistas e jornais que poderíamos ter acesso, se agitavam com o vento frio que nos envolvia. A festa era sempre depois da missa afinal primeiro a devoção e depois a diversão. A igrejinha azul, no alto do morro, alto mesmo, parecia coração de mãe, até hoje não sei como é que podia caber tanta gente lá dentro. Encerrada a celebração ao Santo Padroeiro do bairro, o povo se aglomerava no pátio de chão batido para a festança que nunca ultrapassava dez, dez e meia da noite, afinal luz nas ruas era quase raridade, asfalto não se via e os matagais aos montes escondiam os temores da comunidade: animais e assombrações , “eta tempinho bão”, males que poderiam ser afugentados com um pouquinho de coragem e fé, é claro. As festas de Santo Antônio eram aguardadas com uma ansiedade de noiva já que todas as moças casadoiras ou as famosas encalhadas ficavam em polvorosa para fazerem as simpatias (que frei Vitório nunca saiba) depois da missa para saber se lhes estavam reservados belos pares de calças. E quem nunca teve esta tentação que atire a primeira aliança. Ao término dos festejos, o padre mandava distribuir os pãezinhos de Santo Antônio que as mães e donas de casa recebiam e levavam para seus lares e guardavam nas coloridas e floridas latas de mantimentos para que nunca faltasse o arroz e feijão. Era bonito demais.

Nome Completo: Sônia Maria da Silva Gabriel Data de Nascimento: 28/08/1971 Tema preferido para escrever: Escrevo sobre manifestações culturais populares e educação, principalmente em seu aspecto cotidiano. Livro que está lendo: Relendo “O Pássaro da Escuridão” de Eugênia Sereno Carreira: Tive o privilégio me descobrir como educadora e o que gosto de fazer procuro fazer bem, com responsabilidade e comprometimento ético. Escritores Preferidos: Muitos, mas tenho me debruçado atualmente sobre José Saramago, Ruth Guimarães e Eugênia Sereno. Saiba Mais: Sônia Gabriel é Professora de História e Sociologia, Pesquisadora, especialista em Gestão da Qualidade do Processo Pedagógico - MBA.

CONCORRA!

A livros da escritora Sônia Gabriel Envie sua sugestão para revista.almanaquecultural@gmail.com e participe! Revista Almanaque Cultural | ano 1 | edição 3 - Pág 16

GUIMARÃES ROSA:

100 anos de nascimento do modernista. Quarenta anos após a morte do grande escritor brasileiro, obra e vida de Guimarães continuam cada dia mais em evidência. os quais o pintor pernambucano Cícero Dias. Ambos ficam João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas retidos durante quatro meses e são libertados em troca Gerais, em 27 de junho de 1908, o primeiro dos seis filhos de diplomatas alemães. A estada na capital colombiana de Francisca Guimarães Rosa e Florduardo Pinto Rosa. inspirou-lhe o conto “Páramo”, de cunho autobiográfico, que Curioso e autodidata, Guimarães Rosa com apenas sete faz parte do livro póstumo “Estas Estórias”. anos já aprendia francês sozinho. Aos dezesseis anos - era Em 1956, reaparece no mercado editorial, com as novelas um poliglota falava holandês, alemão e francês – entrou para “Corpo de Baile”, onde continua a experiência iniciada em a Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. “Sagarana”. A partir de o “Corpo de Baile”, a obra de Rosa Sua estréia nas letras se deu em 1929, ainda como estudante. autor reconhecido como o criador de uma das vertentes da Escreveu quatro contos: “Caçador de camurças”, “Chronos moderna linha de ficção do regionalismo brasileiro - adquire Kai Anagke” (título grego, significando Tempo e Destino), dimensões universalistas, cuja “O mistério de Highmore Hall” cristalização artística é atingida e “Makiné”, para o concurso em “Grande Sertão: Veredas”, promovido pela revista “O lançado em maio do mesmo Cruzeiro”. Todos os contos ano. foram premiados e publicados A obra “Grande Sertão: com ilustrações em 1929-1930, Veredas” reflete um autor de alcançando o autor seu objetivo, extraordinária capacidade de que era ganhar a recompensa transmissão do seu mundo, nada desprezível de cem contos resultado de um período de de réis. Chegou a confessar, dois anos de gestação e parto. depois, que nessa época escrevia A história do amor proibido friamente, sem paixão, preso a de Riobaldo, o narrador, por modelos alheios. Diadorim é o centro da narrativa. Formado em medicina exerceu Para Renard Perez, autor de um a profissão em Itaguara, pequena ensaio sobre Guimarães Rosa, cidade que pertencia ao município em “Grande Sertão: Vereda”, de Itaúna (MG). Guimarães Rosa além da técnica e da linguagem trabalhou como voluntário na Guimarães Rosa sob o olhar da Artista Maria Helena Altenfelder surpreendente, deve-se Força Pública. Posteriormente, destacar o poder de criação do foi efetivado, por concurso. “Quando escrevo, repito o que já romancista, e sua análise dos Em 1933, foi para Barbacena na vivi antes. E para estas duas vidas, conflitos psicológicos presentes qualidade de Oficial Médico do um léxico só não é suficiente. Em na história. 9º Batalhão de Infantaria. outras palavras, gostaria de ser Um amigo do escritor, um crocodilo vivendo no rio São Em 1962, é lançado Primeira impressionado com sua cultura Francisco. Gostaria de ser um Estória - livro que reúne 21 e erudição lembrou-lhe da contos - textos de extrema possibilidade de prestar concurso crocodilo porque amo os grandes delicadeza que a crítica para o Itamaraty. Guimarães rios, pois são profundos como a considera “atordoante poesia”. passou em segundo lugar, o alma de um homem”. Em maio de 1963, Guimarães que deixava claro sua falta de Guimarães Rosa Rosa se candidata pela segunda “vocação” para o exercício da vez à Academia Brasileira de Medicina. Letras - a primeira foi em 1957, quando obteve apenas dez Guimarães Rosa participou também de outros dois votos - na vaga deixada por João Neves da Fontoura. concursos literários, em 1936, onde a coletânea de poemas “Magma” recebeu o prêmio de poesia da Academia Brasileira Após quatro anos de adiamento, três dias antes da morte de Letras. Um ano depois, sob o pseudônimo de “Viator”, o autor decide assumir a cadeira na Academia Brasileira de concorre ao prêmio “Humberto de Campos”, com o volume Letras. A prorrogação era reflexo do medo que sentia e da intitulado Contos, que em 1946, após uma revisão do autor, emoção em assumir o posto, afirmou no discurso de posse: se transformaria em “Sagarana”, obra que lhe rendeu vários “...a gente morre é para provar que viveu.” E morreu três dias prêmios e o reconhecimento como um dos mais importantes após a posse, em 19 de novembro de 1967, subitamente em livros na fase Brasil contemporâneo. seu apartamento em Copacabana, sozinho (a esposa fora à Após participar de guerras, Guimarães Rosa é internado em missa), mal tendo tempo de chamar por socorro. Baden-Baden, juntamente com outros compatriotas, entre Revista Almanaque Cultural | ano 1 | edição 3 - Pág 17


AGENDA SETEMBRO

OUTUBRO

APRESENTAÇÃO MUSICAL: CARTAS DE MOZART - CIA TEATRO DE AREIA

PROJETO VILLA LOBOS

Quando: 25/09, às 20h - Grátis Onde: SESC Taubaté (Av.: Engenheiro Milton de Alvarenga Peixoto, 1264 - Esplanada Santa Terezinha) Informações: (12) 3634-4000

EXPOSIÇÃO “VIAGENS” FACHADAS E PAISAGENS URBANAS COM MUITA COR. ESSE É O ESTILO DA ARTISTA PLÁSTICA VIRGÍNIA COSTA.

Quando: Até 27/09, das 9h às 18h. Sábados, das 9h às 13h. Grátis Onde: Espaço das Artes Helena Calil (Pça. Padre João, 34, centro)

ESPETÁCULO “PRECISA-SE DE UM MANE” GRUPO LA CASCATA CIA CÔMICA Quando: 28/09, às 10h. Onde: Parque Vicentina Aranha

NOVEMBRO 23ª EDIÇÃO DO FESTIVALE FESTIVAL DE TEATRO DO VALE DO PARAÍBA. Quando: De 13 a 23 de Novembro Informações: (12) 3924-7300.

Quando: 25/10 - Piano a quatro mãos, às 18h 19/10 - Quarteto de Cordas, às 18h Onde: Espaço Mário Covas (Pça. Afonso Pena, 29 – Centro) Informações: (12) 3921-7587. O ingresso solidário é um caderno novo, que pode ser entregue na entrada da apresentação.

SEMANA LITERÁRIA – IRÁ ABORDAR O TEMA CASSIANO RICARDO “ILUMINADO”.

Quando: 29 a 31/10 Onde: Biblioteca Pública Cassiano Ricardo (Rua XV de Novembro, 99 – Centro) Informações: (12) 3923-2275

EXPOSIÇÃO “CINEMA A MODA ANTIGA” – MAIS DE 25 PEÇAS QUE PERTENCERAM AO ACERVO DE TRÊS CINEMAS JOSEENSES: O CINE PARATODOS, CINE SANTANA E CINE CENTER.

Quando: Até Janeiro de 2009 Onde: Arquivo Público do Município (Av. Olivo Gomes, 100 – Santana) Informações: (12) 3924-7309

EXPOSIÇÃO “REVELAÇÃO SACRA ARTÍSTICA” - PEÇAS PRODUZIDAS EM ARGILA FAIANÇA, TERRACOTA E ARGILA DE ALTA TEMPERATURA PELA ARTISTA PLÁSTICA AURORA DO CARMO E SILVA.

Quando: de terça a sexta-feira, das 9h às 17h e aos sábados das 9h às 12 horas. Onde: Museu de Arte Sacra (Travessa Chico Luiz, 67, Centro) Informações: (12) 3924-7316.

ORQUESTRA SINFÔNICA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Quando: 15/10 às 20h30. Onde: Teatro Municipal (Shopping Centro) Informações: (12) 3924-7300.

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Revista Almanaque Cultural - Edição 03  

A Revista ALMANAQUE CULTURAL tem um papel fundamental: mostrar a diferença, a singularidade e as exceções. A arte e a cultura, agregada à ed...

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