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Edição Nº5

Ficha Técnica: Propriedade/Editora: Grupo Académico Trovadores Diretor: Pedro Pinto Editores Executivos: André Belchior António Moreira Cristiano Fernandes Dux-Ryu Ferreira Manuel Da Cruz João Sá Pedro Pinto Paulo Freitas Grafismo: Dux-Ryu Ferreira Pedro Pinto Ilustração: Dux-Ryu Ferreira ISSN: 2184-0997

ISSN: 2184-0997


Aos nossos leitores um especial agradecimento!


Esquerdino. Escrevo com a mão esquerda desde que escrevi, No início hesitava, mas com o tempo aprendi. Vêm-me agora dizer que não sei escrever, Que só com uma letra alguém se pode ofender! Aprendi com a esquerda, mas já não a conheço, Agora em vez de um “a” ou “o” pede-me “@” ou “x”. Se calhar sou eu que sem saber enlouqueço, Pois cada dia percebo menos o que esquerda me diz. Minha querida esquerda, no que estás a pensar? Assim te vais entretendo com as migalhas, De um pão que no forno se vai queimar.

André Rodrigues

Hiroshima, meu amor Lembraste daquele rosto sem pele chorando? Daquela criança que brincava com o pó da morte, sorrindo? E nosso amor de uma noite só, tão puro, preso nesse espaço? Amor, como é triste a realidade do mundo, Mas olha como voam os pássaros no céu.

Jéssica Silva

A Vida do Casal ...e quando menos se espera os olhos felizes se veem tristes, sombrios e distantes como as noites frias; as bocas secas, as palavras vazias: estrelas despencam do céu que não existe. e quando menos se espera, o silêncio cresce e o vento sopra o resquício da brasa e o que pelava só se amornece até que a frieza reine dentro de casa. e quando menos se espera, quando menos se espera as mãos se soltam no caminhar na rua, cada um pra um lado da viela, paralelepípedos entre paralelas na via escura. neva... e o que era eterno se esfarela assim... quando menos se espera

Lucas Redó


Socialização [28-02-2018] Toda a treva atirada ao absurdo do sonho, Com todo o suspiro lento e eterno da vida. Este meu pensamento individual De quem, como sábio-louco, não distingue O místico do tocante, cria em mim noção Da totalidade que, afinal, nada sou. Cai a hora efémera e o sino toca Para um tempo vivido por cada um. Nada mais prossegue na existência Que o ser, mais que um uno desigual, Fala como um todo da cultura multilingue. Perdoe-se a quem sofrimento provoque, Seja pela resistência da mudança, Seja porque a mudança é coisa nenhuma. Os olhos sugam a verdade feita concetual, Tão bem construída, mas abstrata; E os doces encantos dos postulados relativos, Impostores, incapazes de uma certeza universal E cegos ao não-absoluto. Não há crescer que se feche e depois não se abra, Quando o gelo do biológico se transforma Numa fluidez da relação. Seja tudo no ambiente criado, Ação feita e controlada Por todas as coisas e pela sua ausência, Num estranho nevoeiro do que sabemos E conversando para saber mais.

Leonardo Camargo Ferreira

Tua alma Sabe-me a frescura marinha Embalo de ondas entre as rochas A cinzelar um mar de sonhos Como se esculpisse beijos E depois, ah… e depois! Aqueles ais culposos Que a custo tentamos suster São gaivotas a sussurrar No interior dos desejos Numa esteira o sol se entrega Para nos aquecermos E nus nos afogarmos completamente Até a paisagem adormecer Ai se eu soubesse pintar Me perderia nas cores da tua tela Onde nascerias como natureza E o sol seria uma estrela menor A espraiar-se vencida na espuma De nós os dois restam Os farrapos da Inspiração Que o luar de repente acordou E na solidão me deixou!

Celestina Imaginação


Quimera Eu tive… Eu tive um sonho Um sonho verdadeiro Tocar tuas mãos docemente E ternamente beijar o teu seio E tu minha amada dormindo Ficaste deitada fingindo Sem dar por mim me olhavas Toquei tua face levemente Com pena dourada Lambendo teu mosto Em beijo indecente Estremeceste de desejo E sendo fugaz No beijo que deste Perdida ficaste sagaz Prendeste-me a alma Em fogo ardente Enrolado na chama Virei-te de frente Suguei o teu éter Que me incendiou Lavrando no sonho Ardendo ficámos No amor que restou

Celestina Imaginação

À (Não)Descoberta Sou visto como a frente Que se ergue perdida, Tão doce aparentemente E tão vaga e ferida. Sou essa mesma alma Largada ao abandono Que numa noite calma Ganha um novo contorno. Serei talvez um animal Fechado na inata tradição? Como que, tão emocional, Escrevendo sem coração. Em nada estou visto, Sei o que sou e não sei. Traçado absurdo e misto De canções que não cantei

Leonardo Camargo Ferreira

Traz-me Traz-me lembranças do mar Que se ergam nesta pintura Construída ao luar E sem nenhuma loucura. Traz-me um pouco de areia Que se misture nas ilusões, Ao correr sobre a teia Da juventude das emoções. Traz-me sentido do calor Que se faça longe na saudade, Mas não como toda a dor, Próxima da ansiedade.

Leonardo Camargo Ferreira


S/Título Desde a descriminalização da homossexualidade em 1982 até à aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2010, ou mais recentemente a adoção por casais do mesmo sexo em 2016, foram várias as mudanças positivas na realidade da comunidade LGBTI em Portugal. Contudo, apesar de décadas de progressos na área dos direitos humanos, os/as jovens LGBTI ainda enfrentam enormes desafios nas suas vidas. Um estudo realizado a 162 alunos do agrupamento de escolas de Braga, mostrou que o bullying homofóbico apresenta uma tendência crescente ao longo da escolaridade, isto é, a vitimação de natureza homofóbica parece aumentar com a idade. Simultaneamente sabemos que a taxa de denúncia é muito reduzida. Muitas vezes são os sentimentos de vergonha e receio em pedir ajuda aos pares e/ou adultos que dificultam este processo. Mas então, como é que podemos alterar esta realidade? Em primeiro lugar é importante perceberemos que a adolescência é um período caracterizado pela descoberta e pelo desenvolvimento da nossa identidade, e que a construção desta faz-se também pela identificação de modelos que estejam à nossa volta, sejam eles os nossos pais, os nossos pares ou a sociedade em geral. E é aqui que cada um/uma de nós pode fazer a diferença! A It Gets Better Portugal dedica o seu trabalho recolhendo e produzindo conteúdo com base no storytelling que seja capaz de demonstrar aos/às jovens LGBTI os níveis de felicidade e positivismo que as suas vidas podem alcançar. E qualquer pessoa pode fazer o mesmo no seu dia-a-dia! Sempre que nos insurgimos contra o preconceito e a discriminação, estamos também a mostrar a qualquer pessoa que esteja à nossa volta que acreditamos que não existe qualquer problema em sermos nós próprios/as. E se tu és essa pessoa que ainda não consegues ver um futuro feliz à tua frente queremos que saibas que não estás sozinho/a e que há uma comunidade incrível pronta para te apoiar! Tudo Vai Melhorar! Podes conhecer mais sobre o nosso trabalho através do nosso site em http://itgetsbetter.pt

It Gets Better Portugal


S/Título A Tuna Feminina da Faculdade de Letras da Universidade do Porto nasceu há 27 anos, no dia 18 de Janeiro, graças à vontade de um grupo de mulheres com gosto pela música, mas também pelo academismo. Essa vontade perdurou no tempo e, como é habitual numa data próxima à que marca o nosso aniversário, realizou-se um jantar para a celebrar, onde pudemos contar com a presença de todas as gerações, desde a fundação até à atual. As comemorações realizaram-se sábado, dia 21 de Janeiro, no bar da Faculdade de Letras e foi seguido de uma festa, no Wolf Club, aberta a toda a comunidade académica e tuneril. A nossa tuna conta, atualmente, com cerca de 40 membros ativos que contribuem todos os dias para o seu crescimento musical e trabalham para divulgar, não só a Tuna, como também o nome da instituição a que esta pertence. Normalmente, temos ensaios duas vezes por semana que acontecem às segundas e quartas, pelas 21:30 no anfiteatro 1. Para além do trabalho feito por todas nos ensaios gerais, existem ainda ensaios de instrumentos e de voz. É no mês de Abril que costuma realizar-se a nossa maior concretização: Letras Sentidas, o Festival de Tunas Femininas da Tuna de Letras da UP. É um festival que conta já com seis edições, tendo sido a primeira em 2008, e as últimas duas realizaram-se no Conservatório de Música do Porto. Para além do festival, organizámos também em Dezembro de 2013 o Acordes Solidários, um encontro de tunas de cariz solidário. Se estudas em Letras, podes ver-nos todos os anos no domingo da Imposição das Insígnias, na semana da Queima das Fitas, no pátio da Faculdade de Letras. Podes também seguir-nos nas redes sociais para acompanhar o nosso percurso e saber mais novidades!

Tuna Feminina da Faculdade de Letras da Universidade do Porto


A escrita a branco Não, não é uma daquelas folhas de papel misteriosas em que o espião derrama um líquido estranho e, magicamente, surge uma mensagem escondida que o levará à resolução de um intrincado caso. À distância a folha parece branca, de facto, mas, aproximando um pouco, é possível perceber uns pontos, brancos, simétricos, perfeitamente alinhados que sobressaem do papel quando a luz se inclina: esta é a escrita em Braille! Se estiver a conversar com um cego sobre a escrita Braille, o mais certo é começar a ouvi-lo utilizar frequentemente duas expressões: ler a negro e ler a branco. Provavelmente nunca tinha ouvido tal coisa, mas é impossível não reconhecer a fantástica simplicidade com que assim se distingue a escrita "normal", a tinta, e a escrita Braille, um sistema de 6 pontos dispostos em dois grupos verticais de três pontos cada salientes e marcados, quase sempre a branco. Este conjunto de pontos constitui um caracter, sendo possível representar todo o alfabeto, distinguindo letras acentuadas, números, pontuação e todo o tipo de caracteres especiais, como os que são usados em matemática, física, música, etc. Este aparente “ovo de Colombo” que possibilita ler com os dedos, foi criado por Louis Braille há mais de 150 anos, continuando a ser a única forma de contato que os cegos têm com a escrita. E por falar em ovo, imaginem uma célula braille como sendo uma das partes de uma caixa de ovos disposta na vertical. Existem duas filas verticais compostas por 3 pontos cada. Para entendermos melhor a disposição de cada ponto, vamos numerá-los de 1 a 3 na fila esquerda e 4 a 6 na direita. Imaginando que seria possível fazer sobressair cada ponto em separado, mantendo os restantes num plano raso, para escrever a letra A sobressairia o ponto 1. Para o B, os pontos 1 e 2. Para o C, 4 e 5, para o D, 1, 4 e 5 e assim sucessivamente. Fácil? Nem tanto! As coisas ficam mais complicadas quando adicionamos os carateres acentuados. No Braille não é possível colocar pintinhas em cima da letra. Cada letra acentuada é replicada tantas vezes quanto os acentos existentes para ela. Por exemplo, para o A existem combinações de pontos diferentes para o Ã, Â, Á, À, etc. Mas o que é fantástico no Braille é a capacidade de se reinventar e se adaptar às necessidades atuais, seja na música, matemática, informática, etc. Para o acesso, divulgação e preservação do livro em Braille, muito têm contribuído várias bibliotecas públicas com núcleos Braille e das quais se destacam pelo seu trabalho e empenho a Biblioteca Municipal de Matosinhos e a Biblioteca Municipal de Gaia, com serviço de empréstimo, sala de leitura e eventos de divulgação do seu acervo. E, já agora, uma curiosidade que, apostamos, não sabia! A biblioteca da FLUP tem um pequeno núcleo Braille pesquisável através do catálogo geral e a que qualquer estudante da UP pode ter acesso. Toca a espreitar e tentar ler… com os olhos! Se for curioso, passe pela biblioteca da FLUP e nós mostramos, explicamos e exemplificamos.

António Silva Gabinete de Apoio ao Estudante com Necessidades Especiais da UP


S/ Título Escrever poesia não é fazer uma só coisa. É levar a cabo inúmeros projetos dentro de um só poema, assentes numa multiplicidade de visões e de esferas a ter em atenção. À medida que escreve, o poeta vê quase como que instintiva a necessidade abranger vários campos da sua realidade e daquilo que acontece na sua vida (princípio da multidimensionalidade do poeta). Por outro lado, escrever poesia não é apenas cantar, dançar, chorar, lamentar, impulsionar ou retrair ideias para si mesmo. O artista poeta apresenta arte para si e para quem o poderá vir a ler. Perante um mundo que pode debater os seus versos, o autor-criador não se pode prender a uma mística individual, fugindo de todos em direção a um isolamento interior: deve antes mostrar como é que aquilo que deixa no papel (e quando me refiro a “papel” refiro-me a todas as fontes nas quais os seus escritos adquirem consistência) não é um mero produto do imaginado, mas que se aplica às e nas sociedades e nas ações e emoções das pessoas (princípio da não-exclusão do leitor). Por fim, é necessário compreender que na composição poética não existem regras, exceto aquelas tradicionais e próprias da linguagem. A imaginação não tem restrições e, como tal, nós, enquanto seres humanos, também não as temos nas questões da mudança. O que somos está em constante transformação. Apesar disso, com o avançar do tempo, existem aspetos em cada um de nós que se mantêm, seja em que medida for. Essas constâncias são importantes, nomeadamente no processo elaborativo da poesia. Como conclusão, todo o poema deve conter uma parte real da identidade do poeta. Uma parte de si que o mesmo identifique como sua, e verdadeiramente sua (princípio da identidade do poeta).

Leonardo Camargo Ferreira

Vontade Ia uma vontade com pés de barro, quando foi interpelada por uma alma que lhe disse: - Queres escrever algo para a nossa Revista? - Como assim? - Gostávamos que partilhasses algum do teu pensamento. Que dissesses coisas sobre a vida, sobre o mundo, do saber dos deuses, das tuas intempéries … E a vontade pôs-se a refletir, a refletir… até que adormeceu. Quando a sua consciência a acordou já o mundo se tinha posto a caminho… No meio das ausências, sobrava-lhe uma gigantesca tarefa pela frente, não poder partilhar as suas angústias.

Um ser com letras

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A sessĂŁo...


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Está agora fica disponível em formato online a Revista Alegre para que todos possam consultar.

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