Revista Setor Agro&Negócios

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ANO 4 / Nยบ 9 2020


A PROTEÇÃO DAS MATRIZES ESTÁ NOS DETALHES

ÚNICA VACINA VIVA BIVALENTE APROVADA NO BRASIL E CAPAZ DE CONFERIR PROTEÇÃO HOMÓLOGA CONTRA SALMONELLA ENTERITIDIS E SALMONELLA TYPHIMURIUM. Para mais informações, contate um representante Elanco e mantenha sua produção segura e saudável.

AviPro™ Salmonella Duo, Elanco e o logo da barra diagonal são marcas da Elanco ou suas afiliadas. Todos os direitos reservados. PM-BR-19-0326.


EDITORIAL

AGRO NOVO E SOLIDÁRIO

P

rever o futuro diante de tantas incertezas é quase impossível. Mas de uma coisa, tenho certeza. Driblando os percalços desta crise sanitária, o agronegócio brasileiro amplia seu protagonismo no abastecimento mundial de alimentos, comprova sua confiabilidade e se consolida como provedor inigualável da segurança alimentar global. Para mostrar a performance atual e as perspectivas de mercado, apresentamos o NOVO AGRO. Esta lição que o segmento nos dá começa na propriedade rural, com esforços contínuos dos

agricultores. E para agradecer a estes trabalhadores nos unimos a marcas que tem o investimento responsável como missão, distribuindo mais de 1.000 kits de higiene para famílias rurais de Santa Catarina. Uma singela retribuição a quem garante o alimento em nossa mesa.

ADMINISTRAÇÃO E REDAÇÃO RUA RUI BARBOSA, 1284-E CENTRO | CHAPECÓ (SC) CEP: 89.801-148 (49) 99975-2025 (49) 98418-9478 www.setoragroenegocios.com.br

É com muita gratidão que apresentamos o NOVO AGRO e as marcas, que além de contribuir nesta reinvenção, se unem para preservar a saúde do homem do campo !

DIRETORA COMERCIAL RAFAELA MUNARETTO MTB 05726 JP rafaela@santacomunicacao.com

Seja bem-vindo ! Paula Canova - Editora

EXPEDIENTE

DIRETORA DE REDAÇÃO PAULA CANOVA MTB 02111 JP paula@santacomunicacao.com

Você pode acompanhar a distribuição dos kits através de nosso portal de notícias e redes sociais.

REPORTAGENS TUANNY DE PAULA TAÍS TEIXEIRA DIREÇÃO DE ARTE GILVAN FILHO PROJETO GRÁFICO DOGLISMAR MONTEIRO CAPA GERSON NASCIMENTO COLABORADORES DESTA EDIÇÃO ALISSOM MORO, BRUNA CRISTINA KUHN GOMES, ELDEMAR NEITZKE, FRANCISCO TURRA, FELIPPE SERIGATI, MB COMUNICAÇÃO, PAOLA GABARRA, ROBERTA POSSAMAI

A Revista Setor Agro&Negócios é uma publicação quadrimestral, destinada ao segmento do agronegócio e abrange a cadeia produtiva desde as propriedades, instituições, universidades, entidades, até a indústria. Os artigos assinados e materiais publicitários não representam, necessariamente a opinião da editora. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos conteúdos, sem prévia autorização.

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ILUSTRAÇÃO: GERSON NASCIMENTO

SUMÁRIO

JULHO DE 2020

CAPA

PORTEIRAS ABERTAS PARA O NOVO

Resiliente e competitivo,o agronegócio brasileiro sairá ainda mais forte da crise sanitária internacional. Segurança alimentar, sustentabilidade ambiental, tecnologia, biosseguridade e atenção às mudanças do mercado consumidor ditarão o novo agro.

ENTREVISTA

AVES

10 AGRO RENOVADO E SUSTENTÁVEL Brasil se mantém em alerta para evitar a doença

18 BEM-ESTAR ANIMAL Nutrição e cuidados evitam enfermidades

SUÍNOS

BOVINOS

14 SAÚDE INTESTINAL 5 pontos essenciais na nutrição 16 ARTIGO TÉCNICO A importância de uma fitase eficiente nas dietas de aves e suínos

22 AUMENTO DAS EXPORTAÇÕES 2020 positivo para pecuária de corte 28 GRÃOS Pulses: mercado em expansão

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ESPECIAL

60 COOPERATIVAS DO FUTURO 72 EVENTO Mercoagro adiada para novembro


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FOTOS: SHUTTERSTOCK

OPINIÃO Por Francisco Turra

DAS NOSSAS TERRAS OFERTAMOS ALIMENTOS AO MUNDO

D

esde o início da declaração de pandemia, vemos nos noticiários diversas matérias sobre casos de Covid-19. As informações chegam por tantas fontes diferentes que é necessário, mais do que nunca, redobrar a atenção aos fatos e analisar com calma tudo aquilo que lhe parecer suspeito. No caso do setor produtivo brasileiro, por exemplo, uma comparação equivocada com frigoríficos de outras nações pode levar a distorções da realidade. Pensar que aqui pode acontecer o mesmo que ocorreu em unidades produtivas de outros países, é o mesmo que desconsiderar anos de trabalho, aprimoramento, profissionalização setorial, investimentos em tecnologia e

monitoramento sanitário. Não à toa somos referência mundial em segurança alimentar. Contra a pandemia, agimos rápido. Logo com o surgimento dos primeiros casos no Brasil, quando a medida de quarentena no País era apenas uma ideia, o setor frigorífico já colocava em prática seus planos de contingenciamento. Reforçamos a rotina de higiene e proteção recomendada pela Organização Mundial da Saúde, e por meio das orientações do Ministério da Economia, Ministério da Saúde e Ministério da Agricultura, os quais expediram orientações destinadas especificamente aos trabalhadores e empregadores do setor frigorífico e que estão sendo observadas rigorosamente. Além disso, implantamos protocolos adicionais, uma parceria entre a ABPA e o Hospital Israelita Albert Einstein, voltados para a proteção dos trabalhadores. Fomos muito além das medidas simples. Tamanha rigidez dos controles sanitários e o comprometimento do setor possibilitaram ao

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País a garantia de seguir alimentando milhares de famílias no mercado interno e nos cinco continentes. Foram mais de 383,2 mil toneladas de carne suína e 1,764 milhão de toneladas de carne de frango exportadas somente nos cinco primeiros meses deste ano. E se não bastasse a nobre missão de alimentar o mundo, a produção que vem do campo é uma das mais importantes geradoras de empregos do país. São mais de 4,1 milhões de pessoas trabalhando direta ou indiretamente na avicultura e na suinocultura, sem contar as mais de 100 mil famílias de produtores integrados que garantem sua estabilidade econômica no meio rural. Conforme atualização do Caged, de janeiro a maio, a agropecuária possibilitou mais de 10 mil novos postos de trabalho, sendo responsável por 6% de todas as admissões feitas no Brasil no primeiro quadrimestre. Produzir alimentos é uma missão e um direito. O setor produtivo não mediu esforços para proteger a saúde dos colaboradores e garantir o abastecimento à população. Em meio à pandemia, somos uma das poucas nações que conseguiu preservar a segurança alimentar de seu povo. É uma missão nobre, e não mediremos esforços para preservá-la.

Francisco Turra Ex-ministro da Agricultura, Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal ABPA

FOTO: DIVULGAÇÃO

“EM MEIO À PANDEMIA, SOMOS UMA DAS POUCAS NAÇÕES QUE CONSEGUIU PRESERVAR A SEGURANÇA ALIMENTAR DE SEU POVO”


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AGRO&NEGÓCIOS

UNOESC E IRAC

Biotecnologias reprodutivas A Unoesc Xanxerê e o Instituto de Reprodução Animal de Córdoba (IRAC) firmaram convênio possibilitando estágios aos acadêmicos e parcerias entre professores e pesquisadores da Unoesc e do Instituto. O IRAC é uma das poucas organizações mundiais com missões em pesquisa, ensino e serviço clínico, incluindo transferência de embriões, inseminação artificial e criopreservação de gametas e embriões. Uma palestra on-line sobre “Utilización de las Biotecnologias Reproductivas en Ganado de Corte y Leche”, que abordou o uso das biotecnologias reprodutivas na pecuária, com o professor Dr. Gabriel Bó, marcou o início da parceria. O palestrante é presidente e diretor de Pesquisa e Pós-graduação do IRAC e professor de Obstetrícia e Biotecnologia da Reprodução na Escola de Veterinária do Instituto de Ciências Básicas e Aplicadas da Universidade Nacional de Villa Maria, em Córdoba, Argentina. Como pesquisador, Gabriel Bó é mundialmente conhecido no desenvolvimento de protocolos para a reprodução animal.

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Lorival Luz, CEO da BRF

BRF

Destaque no RANKING INTERNACIONAL DE RELAÇÕES COM INVESTIDORES A BRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, conquistou o segundo lugar na categoria Alimentos & Bebidas/MidCap do ranking da Institutional Investor, publicação internacional referência no mercado financeiro global. O reconhecimento confirma a atuação da Companhia como uma das melhores no Programa de RI, fruto de seu compromisso com a transparência, assertividade e tempestividade no relacionamento com a comunidade financeira.

A BRF também ficou em segundo lugar como a Melhor Equipe de Relações com Investidores, Melhores Analistas de RI e Melhor Métrica ESG. Já no ranking que classifica os gestores das companhias, a BRF figura entre os Melhores Líderes da América Latina, com destaque para o CEO Lorival Luz, que ocupa o segundo lugar na pesquisa. Carlos Alberto Moura, CFO da Companhia, aparece em terceiro lugar na categoria Melhor CFO e Pedro Bueno em segundo lugar na categoria Melhor Profissional de RI.


Congresso Brasileiro do Agronegócio Com o tema central "Lições para o Futuro", o Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA) reunirá, no dia 3 de agosto, renomadas personalidades e autoridades da cadeia do Agro, em três painéis: O Agro Brasileiro e a Crise Global, Mercado Financeiro, Seguro e Crédito Rural e O Agro e A Nova Dinâmica Econômica, Social e Ambiental.

O evento que será transmitido pela internet iniciará às 9 horas, com a presença da Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina e a esperada participação do Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. O presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Marcello Brito, conduzirá a abertura do evento.

Aviagen IPVS2021 Com foco na saúde e no bem-estar de todos os envolvidos na realização do evento, a Comissão Organizadora do IPVS2020, juntamente com seus principais patrocinadores e apoiadores, optou pela não realização do evento no ano de 2020 diante das dificuldades enfrentadas em função da pandemia da COVID-19 em todo o mundo. A médica veterinária, presidente da IPVS - International Pig Veterinary Society, Fernanda Almeida, declarou que a medida enfatiza o cuidado com a segurança e saúde das pessoas.

Safeeds

A equipe técnica-comercial da Safeeds acaba de ganhar mais um importante profissional. O médico veterinário Danyllo Guerra assume a gerencia de Mercado de Monogástricos da região Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Espírito Santo. Com 21 anos de profissão, ele já atuou nas áreas de produção e comercial e agora traz todo seu conhecimento e experiência profissional para auxiliar os clientes da Safeeds. Segundo Danyllo, o modelo produtivo de proteína animal está em transformação, guiado pela demanda e nova percepção alimentar do consumidor moderno, onde o conceito de sustentabilidade, qualidade e segurança do alimento se faz presente de forma irreversível.

Visando melhorar ainda mais o suporte de alto nível prestado aos clientes, a Aviagen® anunciou a promoção do médico-veterinário Mário Sérgio Assayag Junior para o cargo de gerente geral de Suporte Técnico para a América Latina, reportando-se diretamente ao presidente Ivan Pupo Lauandos. “É uma grande oportunidade para crescimento e aprendizado. A experiência na assistência técnica aos clientes e o contato com os técnicos da Aviagen em todo o mundo será muito interessante, pois possibilitará trabalhar intensamente ao lado das pessoas, buscando a melhoria nos processos”, comentou Mario Sérgio diante do novo desafio.

TOPIGS NORSVIN

Inovação no modelo de relacionamento Investindo em uma suinocultura cada dia mais tecnificada e próxima a quem atua no campo, a Topigs Norsvin, líder mundial em pesquisa e desenvolvimento de genética suína, promove um modelo de relacionamento único no setor suinícola brasileiro, o Programa Connect. Baseado no B2B, ou business-to-business, a Topigs Norsvin foi a primeira empresa no Brasil a implantar um programa de benefícios aos clientes do setor.

AGRIFIRM

Novo escritório em Curitiba A Agrifirm, empresa de nutrição animal sediada na Holanda com quase 130 anos de história, inaugurou o novo escritório e sede LATAM em Curitiba, PR. Localizada estrategicamente na capital paranaense, a nova sede proporciona um ambiente de maior colaboração e, consequentemente, melhor prestação de serviços para os clientes. A ampliação da estrutura no país integra uma série de investimentos realizados nos últimos anos, o que reforça o compromisso da Agrifirm com o mercado brasileiro.

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ENTREVISTA

Agro renovado e sustentável 10 SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020


O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO É CIÊNCIA, TECNOLOGIA, ALTO DESEMPENHO E PRODUTIVIDADE. NO CENÁRIO ATUAL, ATÉ POUCO TEMPO INIMAGINÁVEL, O SETOR TAMBÉM DESPONTA COMO SINÔNIMO DE RESILIÊNCIA. AO MESMO TEMPO QUE AMPLIA SEU PROTAGONISMO NO ABASTECIMENTO MUNDIAL DE ALIMENTOS, TAMBÉM É PROVA DE SUSTENTABILIDADE. NESTA ENTREVISTA, O PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETOR DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO AGRONEGÓCIO (ABAG), MARCELLO BRITO, APONTA UMA DAS GRANDES LIÇÕES DEIXADAS PELA PANDEMIA: INCENTIVAR A CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE, O BEM-ESTAR SOCIAL E O GANHO ECONÔMICO DO AGRONEGÓCIO

C

omo o agronegócio se prepara para o cenário pós coronavírus? Qual será o grande desafio? A crise dessa pandemia certamente deixará enormes traumas na população. Podemos citar, como exemplo, o consumo de animais exóticos, do tipo das espécies hospedeiras de vírus como Sars-Cov-2, como ocorreu em Wuhan, localizada na China. A sua incidência aumentou de maneira exponencial e global. O desafio, agora, consiste em desenvolver vacinas e medicamentos para controlá-la e torná-la endêmica, de caráter mais contínuo e restrito a uma determinada área.

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ENTREVISTA

O primeiro bimestre de 2020 registrou crescimento de 2.4% no PIB do agronegócio brasileiro. Em meio a atual retração econômica, o senhor apostaria em novas altas para o setor? A economia mundial experimenta o pior desempenho desde a Grande Depressão, em 1929. A estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de uma retração geral no Produto Interno Bruto (PIB) de 3,0%. O Brasil deve seguir o mesmo caminho. Mais de 90 países já pediram para entrar em mecanismos de financiamento emergencial da instituição. Isso dá uma ideia do tamanho global da crise. No Brasil, em especial, a boa notícia vem do desempenho do agronegócio, estimado em grande parte pela desvalorização cambial, que estimulou as exportações. Os embarques cresceram 5,9% no primeiro quadrimestre do ano, com registro de uma receita no valor de US$ 31,4 bilhões no acumulado de janeiro a abril deste ano. Essa cifra corresponde a uma alta de 5,9% (US$ 1,75 bilhão) em relação ao mesmo período de 2019.

“PAPEL DA AGRICULTURA SERÁ VITAL PARA MANTER O ORGANISMO DAS PESSOAS EM EQUILÍBRIO E SAUDÁVEL”

Qual a lição que a pandemia traz para o segmento? A agricultura possui uma relação muito íntima como importante fonte dos nutrientes ingeridos e os estados de saúde e doença do ser humano. Seu papel será vital para manter o organismo das pessoas em equilíbrio e saudável. Então, teremos de olhar o estado de comorbidade que afeta uma parcela da população, as mudanças climáticas como a poluição atmosférica e o descuido sanitário na produção alimentar. A lição da pandemia está na visão sustentável de incentivar a conservação do meio ambiente, o bem-estar social e o ganho econômico do agronegócio.

Enquanto a maioria dos setores sofre com a queda do consumo, o agronegócio adota como lema “não parar”. A pandemia pode auxiliar o país a ficar mais próximo de um status de maior provedor de alimentos do mundo? Neste século, o país se consolidou como uma das principais plataformas exportadoras de alimentos, sejam de natureza vegetal ou animal. Entre os mais diversos produtos agropecuários, o Brasil se destaca entre os primeiros do ranking mundial. Essa posição privilegiada possui reconhecimento das mais renomadas instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas Para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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Em relação às exportações, o senhor acredita que esta crise pode trazer novas barreiras sanitárias ou protecionistas? Toda crise econômica como essa provocada de forma surpreendente pelo coronavírus leva os governos a tomarem uma série de medidas prioritárias. Uma das principais delas é a garantia da segurança alimentar, com a oferta de gêneros de primeira necessidade para evitar a disseminação da fome. Algumas decisões podem ser radicais como a proibição de exportações para abastecer o mercado interno. Outras vão no sentido de evitar a entrada de pragas e doenças com contaminação de lavouras e a própria população. Ainda que de forma pontual, ambos os casos podem ser verificados em algumas regiões mais pobres e subdesenvolvidas do planeta.


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SUÍNOS

5 pontos

A substituição ou retirada dos antibióticos promotores de crescimento não pode ser feita simplesmente, sem um planejamento e preparo prévio. Na parte dos ingredientes utilizados, é preciso selecionar corretamente aqueles de alta digestibilidade para que “sobrem menos” frações não digeridas e que vão servir de substrato para crescimento de bactérias indesejáveis.

ESSENCIAIS NA NUTRIÇÃO DE SUÍNOS

02 ADITIVOS 02.

A

Os aditivos, que ajudam no aproveitamento dos nutrientes e auxiliam na prevenção de desordens entéricas, são fundamentais para a nutrição de excelente qualidade. Diversos exemplos europeus mostram que o uso de dietas focadas em nutrientes funcionais e aditivos específicos reduz a pressão de contaminação por bactérias patogênicas.

proibição do uso de antibióticos como promotores de crescimento já é realidade em muitos países e, ano a ano, vem ganhando força no Brasil. Diante deste contexto, cresce a busca por alternativas, com destaque para os aditivos. De acordo com Silvano Bünzen, Gerente de Serviços Técnicos da Wisium, é necessário conhecer e aplicar corretamente os conhecimentos dos nutrientes, e o quanto eles podem contribuir para a saúde intestinal. “O uso adequado de certas fibras, por exemplo, pode ajudar no melhor equilíbrio das bactérias presentes no trato gastrointestinal, aumentando a produção de ácidos locais e melhorando o desempenho dos animais”, observa. O gerente da Wisium enumera cinco pontos fundamentais neste processo de transição:

03. CONJUNTO DE ESTRATÉGIAS 03.

Um conjunto de estratégias focadas em melhorar o desempenho dos animais pode ser extremamente eficaz, uma vez que ajuda a contemplar o fornecimento adequado dos nutrientes, auxilia o controle mais natural das bactérias indesejáveis e podem ajudar na redução dos fatores que aumentam os desafios entéricos.

“O USO ADEQUADO DE CERTAS FIBRAS PODE AJUDAR NO MELHOR EQUILÍBRIO DAS BACTÉRIAS PRESENTES NO TRATO GASTROINTESTINAL, AUMENTANDO A PRODUÇÃO DE ÁCIDOS LOCAIS E MELHORANDO O DESEMPENHO DOS ANIMAIS”.

04. SAÚDE PÚBLICA 04.

Uma nutrição adequada contribui para uma melhor saúde pública. Ao melhorarmos a digestibilidade e o aproveitamento dos alimentos pelos animais, conseguimos favorecer a saúde intestinal. Isso é fundamental para reduzir pressões de infecção e, juntamente com a necessidade da melhora da ambiência e manejo, diminuir também o uso de antibióticos que hoje são utilizados na linha humana.

05. DESEMPENHO ZOOTÉCNICO 05.

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Silvano Bünzen, Gerente de Serviços Técnicos da Wisium.

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Estratégias alternativas ao uso dos antibióticos promotores de crescimento são importantíssimas e fundamentais. Atendem a legislação, somando o conceito de produção sustentável, ao proporcionar a produção de produtos de qualidade com respeito a saúde humana. Na medida que mantém a produtividade, ajudam a garantir o retorno sobre os investimentos.

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01. PLANEJAMENTO 01.


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ARTIGO TÉCNICO

Bruna Cristina Kuhn Gomes Médica Veterinária-UFPEL; MSc em Ciência animal-UFPEL; Dra em Produção animal-UFRGS; Assitente Técnico Comercial da empresa Huvepharma do Brasil

Enzimas são moléculas das proteínas globulares com uma complexa estrutura tridimensional que aceleram as reações químicas. As enzimas endógenas são sintetizadas pelo próprio animal ou pela microbiota presente naturalmente no trato gastrointestinal. Porém, o processo digestivo não é totalmente eficiente. O fósforo é abundante na maioria dos grãos encontrados nas dietas de aves e suínos. No entanto, apenas uma pequena quantidade de fósforo é utilizada nos grãos, porque a maioria do fósforo existe em uma forma (fitato) que não é digerível. Sendo assim, a digestibilidade do fósforo em forma de fitato pode ser aumentada quando a fitase suplementar é incluída na dieta. A fitase pode reduzir o efeito antinutricional do fitato e melhorar a digestibilidade do fósforo (P), cálcio, aminoácidos e energia, além de reduzir o impacto da excreção inorgânica de fósforo (P) no meio ambiente. Os benefícios do uso da fitase na alimentação animal são bem reconhecidos. Existe comprovação de que a fitase derivada da bactéria E coli é mais eficaz que as fitases fúngicas em termos da quantidade de fósforo liberado por unidade de fitase (Morales et al., 2011). Assim, o uso de enzimas exógenas tem sido utilizado como alternativa para auxiliar na digestão dos nutrientes. Nos processos fisiológicos, as enzimas são depen-

Fábrica de enzimas da Huvepharma

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dentes de algumas condições como: temperatura, pH, resistência à pepsina e velocidade de degração do fitato (Penz Júnior, 1998).

TEMPERATURA

Como a fitase é uma proteína, ela é suscetível à desnaturação quando submetida a calor excessivo, como durante a peletização. Isso pode ser resolvido por estabilidade térmica. Enzimas não revestidas e intrínsecamente estáveis ao calor se comportam de maneira mais eficiente durante a peletização. Enzimas intrínsecas significam que são inerentes à natureza de algo. Para a atividade de uma molécula, isso significa que essa atividade não requer que outras moléculas apareçam, ou seja, a proteína possui essa atividade por si só, não porque forma um complexo ativo com outras proteínas, sendo mais resistente à altas temperaturas (Fields et al., 2001). Enzimas não revestidas e intrínsecamente estáveis ao calor, servem como soluções para produtores que buscam ação potente destas enzimas dentro do animal para melhor utilizar uma variedade maior de ingredientes alimentares disponíveis (Cian et al., 2018).

PERFIL DE PH

Podemos citar o pH como uma condição determinante, assim como a temperatura. A concentração de H+ afeta a velocidade das reações químicas onde

FOTOS: SHUTTERSTOCK

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA

A IMPORTÂNCIA DE UMA FITASE EFICIENTE NAS DIETAS DE AVES E SUÍNOS


extremos de pH podem levar a desnaturação. O pH ótimo varia para diferentes enzimas, como por exemplo, a pepsina digestiva do estômago que é ativada em pH 2, ou outras enzimas que são destinadas ao funcionamento em pH neutro são desnaturas neste pH ácido (SCHMIDT-NIELSEN, 2002). Sabe-se que o ácido fítico deve estar em solução para que a fitase exógena possa hidrolisar os seus grupos fosfatos. O ácido fítico é altamente solúvel a níveis de pH inferiores a 4,0 (moela/estômago). No entanto, em níveis de pH mais elevados (como no intestino delgado), ele forma complexos com íons carregados positivamente, como por exemplo o cálcio. Uma boa fitase, portanto, precisa ser ativa in vivo no trato digestivo superior, com uma ampla amplitude em todo o intervalo de pH (2,0 a 4,0) (figura 1).

não pode ser alcançada, mesmo que elas possuam o correto perfil de pH. Fitases de origem E. coli tendem a ser mais resistentes comparadas à fitases de origem fúngicas (Igbasan et al., 2000).

DEGRADAÇÃO EM PEPSINA

CONCLUSÕES

Uma fitase efetiva precisa ser resistente à proteólise no trato digestivo do animal. A pepsina é uma protease presente no estômago/moela que é responsável por essa proteólise. Como as fitases são também substâncias do grupo das proteínas, sua atividade pode ser reduzida pela pepsina na área do estômago, o local no qual ela atua mais. Pesquisas demostram que nem todas as fitases são igualmente resistentes a esta degradação pela pepsina, o que significa que a efetividade total dessas fitases na moela/estômago

VELOCIDADE

Do ponto de vista da cinética, a velocidade de quebra do fitato por uma fitase (velocidade máxima) depende muito do seu perfil de pH e da resistência à pepsina. Em decorrência do curto período de tempo que a digesta se encontra na região gástrica, onde o ácido fítico é solúvel e degradável, a velocidade máxima (Vmax) da fitase precisa ser mais alta possível e isso tem uma correlação com a maior eficiência da fitase (figura 2). Portanto, as características intrínsecas de uma fonte de fitase são determinadas em grande parte pela amplitude da faixa de pH, temperatura ideal, resistência à pepsina e sua velocidade de ação em degradar pepsina, essa característica é de extrema importância para assegurar uma liberação de fósforo adequada e confiável do fitato. Quanto melhor a atuação da fitase nesses quatro pontos, melhores e mais confiáveis ​​serão os valores da sua matriz de fósforo e melhor será o desempenho animal.

120

FIGURA 1.

Atividade relativa de Optiphos® Plus em diferentes pH.

100 80 60 0 2

3

4

FIGURA 2.

5

Vmax de diferentes fitases à pH 3,0.

1600

1380

1400 1200 1000

1010

1000

1095

830

800 600 400 200 0 Quantum Blue

Astra Phy

Ronocyme Phyzyme Optiphos Hipos Plus

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AVES

NUTRIÇÃO E CUIDADOS PREVENTIVOS EVITAM ENFERMIDADES

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o cenário onde o uso de antibióticos como promotores de crescimento é proibido ou restrito. Uma das alternativas é o uso de produtos à base de leveduras, como o ImmunoWall®, da ICC Brazil, que atuam sobre o sistema imune, favorecendo uma resposta mais rápida deste na presença de um patógeno ou antígeno.

TRATAMENTO DE RESÍDUOS DA AVICULTURA

Para evitar enfermidades, também é necessária a atenção das granjas com os resíduos

FOTO: DIVULGAÇÃO

P

ara aproveitar o máximo potencial das aves, é importante manter a saúde animal e seguir as normas de biosseguridade nas granjas. Isso resultará não só no melhor desempenho produtivo, como também na prevenção dos desafios enfrentados atualmente. Melina Bonato, gerente de P&D da ICC Brazil, empresa pioneira na produção de soluções inovadoras para a nutrição animal à base de aditivos de levedura, defende que implantar o manejo correto e atender às exigências nutricionais dos animais, além dos cuidados sanitários, são medidas que possibilitam prevenir grande parte das enfermidades mais comuns da avicultura. “Não há dúvidas de que a nutrição é um fator determinante na produção animal e está diretamente relacionada ao desempenho animal e ao custo da produção. Além do uso de ingredientes de qualidade, que atendam às exigências nutricionais em cada fase, é possível também utilizar aditivos alimentares que possam ter impactos na nutrição animal, visando à segurança alimentar do produto final”, afirma Melina. A prevenção de enfermidades e contaminações é um grande desafio na avicultura, especialmente considerando

Melina Bonato, gerente de P&D da ICC Brazil, empresa pioneira na produção de soluções para nutrição animal

produzidos pela avicultura, que podem ser a cama de frango, excretas de poedeiras ou as carcaças de animais mortos. Todos eles são fatores que causam, não só impacto na saúde e bem-estar animal, como também no meio ambiente quando não manipulados corretamente, podendo, além disso, atrair moscas, roedores, cascudinhos e gerar doenças através da disseminação de patógenos. O tratamento de resíduos pode ser feito de duas maneiras: compostagem e biodigestão. No caso das carcaças, pode-se ainda realizar a incineração, no entanto, neste caso, não haverá aproveitamento dos resíduos finais. “Ao realizar o tratamento de resíduos corretamente, o composto final ou biofertilizante oriundo da cama e excretas poderá ser utilizado em culturas vegetais – que, por sua vez, podem se tornar ingredientes de qualidade para a nutrição animal”, explica a Analista de P&D da ICC Brazil, Liliana Borges. Já o produto final da compostagem de carcaças só deverá ser aproveitado para adubação de culturas florestais e jardinagem, devido às questões sanitárias. Ressaltando que casos de contaminação graves e/ou que possam ser de risco à saúde humana, o indicado é a incineração.

FOTOS: SHUTTERSTOCK

O manejo seguro e o atendimento às exigências nutricionais trazem bem-estar aos animais e mais qualidade às granjas.


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ARTIGO TÉCNICO

BOVINOS

NEMATOIDES, SEGURANÇA ALIMENTAR E ECONOMIA MUNDIAL. QUAL A RELAÇÃO? Por Paola Gabarra Zootecnista formada pela UNESP (Botucatu) com pós-graduação em Ciência Animal e Pastagem (concentração em Nutrição de Ruminantes) pela ESALQ/USP. Coordenadora Técnica e Comercial de Ruminantes na Cinergis Saúde e Nutrição Animal.

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De acordo com o IBGE 2018, o Brasil possui um rebanho bovino estimado em 213.523.056 cabeças. Temos o segundo maior rebanho e somos o maior exportador de carne bovina do mundo. Diante de um cenário tão promissor, poucos enxergam que nossa produtividade está muito aquém da nossa capacidade. Nossa vasta extensão de terras, nosso clima tropical e nossa geografia permitem nos aventurarmos em uma produção extensiva e, algumas vezes, extrativista dentro de nossas fronteiras. Parece que temos terras demais, água demais, sol demais... Esbanjamos privilégios, qualidades e desperdícios sem nos darmos conta do que perdemos. Produzimos em larga escala, faturamos muito e, muitas vezes, não percebemos o quanto deixamos de ganhar com ações simples.

Mas esta forma de ver, de pensar, de agir e produzir precisa mudar. O mundo pede isso. Hoje, o mundo nos cobra novas versões em tudo. E a forma de produção dos nossos alimentos vem sendo cobrada na mesma velocidade. O mundo girou, mudou e, até, parou nos forçando a repensar velhos hábitos e conceitos. E a cobrança ao produtor rural não ficou fora desta. Que sorte a dele! Afinal, esta cobrança externa fará com que ele seja mais do que responsável, fará com que ele seja mais consciente e muito mais eficiente. — Mas onde os nematoides entram nesta história? Bem, na verdade eles não entram. Os nematoides precisam “sair de cena” para que entre mais eficiência, mais produtividade e maior retorno financeiro ao pecuarista. Sua saída melhora no bolso e na mesa de cada um de nós.


NO ANO DE 2013, O BRASIL DEIXOU DE GANHAR MAIS DE USD$7,11BI DEVIDO AOS PREJUÍZOS CAUSADOS PELOS NEMATOIDES Melhora a segurança alimentar, a economia mundial e pode diminuir a fome no planeta. De acordo com Grisi et al. 2014, no ano de 2013, o Brasil deixou de ganhar mais de USD$7,11bi devido aos prejuízos causados pelos nematoides no rebanho bovino. Um inimigo quase invisível, afinal “o que não se vê, acredita-se não existir”. Mero engano! Afinal, os números nos mostram algo muito diferente. Se convertermos este valor em arrobas nos dias atuais, equivale a dizer que estamos deixando de abater mais de 915.000 animais ou produzir mais de 19.000.000 de arrobas no ano. Um baque no PIB, na economia mundial e na mesa de todos nós. Infelizmente, estes números são invisíveis aos olhos do pecuarista e o que “não se vê, não se computa”. Mas não é bem assim. A literatura nos mostra que 100% do nosso rebanho possui algum grau de infestação por nematoides, seja ela baixa, média ou alta. 100% das nossas propriedades e do nosso rebanho estão deixando de produzir como poderiam, graças ao nosso “ini-

migo oculto”, o nematoide, e as perdas são reais. Estima-se que 20% da dieta não seja aproveitada devido a presença dos nematoides (SANTOS et al., 2015). São muitos os gêneros de nematoides que acometem os ruminantes, mas os principais parasitam no trato gastrointestinal prejudicando, nas mais diversas maneiras, a produção de carne, leite e lã. Entre tantos danos e prejuízos, sua presença causa menor conversão alimentar, menor produção, menor desempenho, maior idade ao abate, maior mortalidade, entre outros. A verminose é um problema real e precisamos enxergar isto o quanto antes para equilibrarmos a base (sanidade, nutrição e genética) de nossa produtividade, alcançarmos nosso verdadeiro potencial, alavancarmos a economia e, principalmente, colocarmos alimento barato e com qualidade na mesa de todos. Escolhas certas te levarão onde você precisa chegar. Pense nisso!

SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020 21


BOVINOS

SALDO POSITIVO

NA PECUÁRIA DE CORTE Mesmo com retração no mercado interno, exportações vem atingindo recordes mensais.

D

iante de um cenário de incerteza econômica para muitos setores, a alta no preço da arroba e o aumento das exportações sinalizam que o ano será positivo para a pecuária de corte brasileira. As “Perspectivas para o mercado da pecuária no Brasil” estiveram em pauta no encontro online promovido pela DATAGRO e o GPB – Grupo Pecuária Brasil, que reuniu especialistas do setor para debater o panorama da carne bovina e o que o produtor pode esperar para os próximos meses. “Com a crise da Covid-19, muitos ficaram preocupados com a reação do mercado e achavam que o setor também sofreria um forte impacto interno. A arroba do boi gordo se manteve firme. Apesar do mercado interno ter tido uma pequena diminuição, o que percebemos foi que as exportações continuam muito fortes, batendo recordes históricos mês a mês. O Brasil continua abrindo novos destinos e esses foram fatores que ajudaram a dar suporte no preço”, explicou o commodity broker da Socopa Corretora, Eduardo Siqueira Ribeiro. Segundo ele, a oferta de animais terminados diminuiu bastante nos últimos meses e por isso, houve reflexo no mercado da combinação baixa oferta/ grande demanda. “Os números de abate de janeiro até agora mostram que a oferta de animais está menor, fator que aliado à exportação fortíssima tem dado sustentação no preço. Isso contrariou toda expectativa negativa da pandemia”, reforçou. Para o diretor-executivo do GPB e coordenador técnico do balizador GPB/ DATAGRO, Luiz Roberto Zillo, as perspectivas para o segundo semestre são de otimismo dentro do setor agropecuário. Mesmo num momento atípico, o agro continua fortemente exercendo seu papel de levar comida à mesa dos brasileiros e alimentar o mundo. “Ainda não sabemos quando essa situação [pandemia] terminará e nem se diminuirá a demanda ou não. Mas, tudo leva a crer que a pecuária e a agricultura vão muito bem. O setor está exportando e a nossa qualidade e produtividade são muito grandes. O agro é um dos motores de arranque para a retomada da economia. Acredito que as exportações de carne bovina vão

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continuar e não vejo no segundo semestre uma queda. No mínimo, teremos uma estabilidade do momento atual”, comentou Zilo. O webinar contou ainda com a participação do analista sênior da DATAGRO, João Otávio Figueiredo, que atuou como mediador, e do gerente corporativo de compra de gado da Marfrig Global Foods, Maurício Manduca. Para manter o abastecimento das prateleiras, sem prejuízo aos consumidores, Manduca repassou as ações empenhadas pelo frigorífico no combate ao Coronavírus junto a todos os colaboradores e os investimentos feitos em prevenção. “Desde o começo de março agimos preventivamente em todas as nossas plantas. Estamos testando todos os funcionários. São 18 mil testes e, se positivado, afastamos o colaborador, com todas as orientações e o respaldo necessários. Esse é o resultado do nosso sucesso e não tivemos que parar nossas unidades. Assim, conseguimos continuar a operação sem prejuízos na entrega de carne”, relatou. Em sua participação, ele enfatizou também a produção da carne brasileira e a necessidade dos produtores entenderem o que os consumidores querem. “Hoje, temos mais animais jovens sendo produzidos em fazendas intensificadas. Antes, o mercado era abastecido com animais mais velhos, bois inteiros e PH alto. O mercado importador foi quem ajudou para que o produtor trouxesse melhores animais. O produtor precisa entender o que o consumidor gostaria de consumir, pois a indústria apenas processa o que o consumidor quer”, reforçou.

“OS NÚMEROS DE ABATE DE JANEIRO ATÉ AGORA MOSTRAM QUE A OFERTA DE ANIMAIS ESTÁ MENOR, FATOR QUE ALIADO À EXPORTAÇÃO FORTÍSSIMA TEM DADO SUSTENTAÇÃO NO PREÇO”. Eduardo Siqueira Ribeiro, commodity broker da Socopa Corretora.

SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020 23


ANÁLISE DE MERCADO Por Felippe Serigati e Roberta Possamai

2020: ANO DELICADO P

raticamente, ninguém está passando ileso pelas turbulências causadas pela pandemia da Covid-19. Ainda assim, diversos segmentos do agronegócio estão entre os poucos setores que conseguirão registrar expansão em 2020. De acordo com as projeções da Pesquisa Focus, do Banco Central, as atividades agropecuárias devem ser o único setor econômico a crescer este ano: 2,2%. A título de comparação, ainda de acordo com a Pesquisa Focus, a Indústria deve contrair 7,1%, o setor de serviços diminuir 5,5%, e a economia brasileira como um todo deve testemunhar a impressionante queda de 6,5% (o maior tombo do PIB de toda a série histórica disponível!).

2020: MELHOR PARA AS ATIVIDADES AGROPECUÁRIAS DO QUE PARA A AGROINDÚSTRIA

Embora os números retratados no pará-

24 SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020

grafo anterior possam representar um alívio para o agronegócio brasileiro, é fundamental destacar que as projeções da Pesquisa Focus estão limitadas às atividades agropecuárias, não incorporando todo o universo do agronegócio, por exemplo, a agroindústria nacional. Infelizmente, a partir dos números do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do FGV Agro, a situação da agroindústria não está confortável para todos os seus seguintes. Além disso, de acordo com as projeções, também do FGV Agro, a agroindústria deve encerrar o ano 2020 menor que estava no final de 2019. De acordo com os dados, a agroindústria registrou contração de 11,8% em maio, na comparação com o mesmo mês de 2019, e já acumula uma queda de 6,9% no ano de 2020. A raiz dessa forte contração são os efeitos recessivos causadas pela pandemia da Covid-19, com especial destaque

às restrições de circulação de pessoas contaminadas adotadas como um esforço para conter o espalhamento do vírus. Todavia, como a Agroindústria é formada por diferentes setores, que são bem heterogêneos entre si, é possível notar que aqueles considerados mais essenciais e com o consumo vinculados ao domicílio são os que estão passando de forma mais suave pela crise, tal como o setor de Produtos Alimentícios.

PRODUTOS NÃO-ALIMENTÍCIOS E BEBIDAS PASSANDO PELAS MAIORES TURBULÊNCIAS

Até maio, o segmento de Produtos Não Alimentícios já acumulava uma retração de 12,9% no ano de 2020 e era o segmento que estava impactando a Agroindústria de forma mais negativa. Dentro desse segmento, merece destaque a forte queda do setor de Produtos Têxteis, que já acumu-


lava uma contração de 29,7%. Infelizmente, o segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas também não tem passado ileso, acumulando uma contração de 1,5% no ano. De forma mais desagregada apenas o setor de Produtos Alimentícios tem registrado crescimento (2,6%) em 2020; o setor de Bebidas, devido ao fechamento de bares, restaurantes e padarias, já acumula queda de 15,5% até maio.

O QUE É POSSÍVEL ESPERAR PARA O FINAL DE 2020?

Antes de apresentar as projeções do FGV Agro para a agroindústria, é muito importante destacar que, desde que a pandemia começou a se espalhar mais fortemente pela Europa, em fevereiro, a conjuntura econômica têm mudado drasticamente e as projeções têm passado por revisões constantes. Ou seja, os números a seguir refletem os cenários desenhados a partir das informações disponíveis ao final do 1º semestre de 2020. Porém, o ano de 2020 já deixou claro que fazer projeções tem sido uma atividade bastante arriscada. Feitas essas ressalvas, o FGV Agro projeta uma contração 7,0% para a agroindústria esse ano (variando entre -11,1%, no cenário mais pessimista, e -3,0%, no cenário mais otimista). Para os Produtos Alimentícios e Bebidas, as projeções sugerem uma queda de 2,4% (variando entre -5,4%, no cenário mais pessimista, e -0,5%, no cenário mais otimista). É importante destacar nesse ponto que é o setor de Bebidas que está puxando essas projeções para o campo negativo. Por fim, para os Produtos Não-Alimentícios, as projeções sugerem uma contração de -11,6%, (variando entre -17,6%, no cenário mais pes-

simista, e -5,7%, no cenário mais otimista). Por trás desses números, há as projeções da própria pesquisa Focus do Banco Central para o PIB (-6,5%) e para a taxa de câmbio (R$ 5,25/US$ no final do ano), bem como uma contração na confiança do empresário industrial (-13,0%) e uma redução no comércio exterior de Produtos Não-Alimentícios (-15,0%)

VARIAÇÃO ACUMULADA NO ANO DA PRODUÇÃO: AGROINDÚSTRIA E PRINCIPAIS SETORES Produtos não-alimentícios

-6,9%

Bebidas

-1,4%

Produtos alimentícios

2,3%

Produtos alimentícios e bebidas

-15,5%

Agroindústria

-12,9%

-25%

-20%

-15%

FELIPPE SERIGATI Doutor em Economia pela Escola de Economia de São Paulo (EESP/FGV), professor e pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV (FGV Agro). felippe.serigati@fgv.br

-10%

-5%

0%

5%

ROBERTA POSSAMAI Mestre em Economia Agrícola pela Escola de Economia de São Paulo (EESP/FGV) e pesquisadora do Centro de Agronegócios da FGV (FGV Agro). roberta.possamai@fgv.br

SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020 25


Consultorias fortalecem inserção internacional

FOTO: SHUTTERSTOCK

MERCADO

O

s programas do Sebrae/SC voltados à melhoria de processos - disponibilização de produtos e serviços para potencializar resultados e expandir negócios - têm fortalecido a cadeia da proteína animal no Oeste de Santa Catarina. Conforme levantamento de 2019, a Região Oeste responde por: 75% da produção de leite do Estado, por 80% de aves e por 78% da carne suína. "Todo esse potencial produtivo tem sido aprimorado ao longo dos anos a partir de vários programas, parcerias, consultorias tecnológicas, ações com as cooperativas, incentivos das prefeituras e dedicação dos empresários rurais, que contribuem para o acesso a novos mercados como o internacional", analisa o gerente regional do Sebrae/SC no Oeste, Enio Albérto Parmeggiani. Na bovinocultura leiteira a ênfase é a implantação de boas práticas de produção com melhoria na gestão, nos índices reprodutivos, alimentares, de sanidade e genética. Os empresários rurais acessam, através da consultoria tecnológica, a melhoria dos processos de produção, uso e implantação de controles, planejamento das etapas produtivas com aplicação de técnicas que geram a elevação do grau de competividade do seu negócio. Tecnologias desenvolvidas e aplicadas aos planteis leiteiros focam em processos de melhoria genética e alimentar, implantação de métodos de ambiência, controle de temperatura e aprimoramento de indicadores na produção de sólidos, visando a conversão nas plataformas industriais. Os programas também executam outras práticas desenvolvidas em países como Estados Unidos, Israel e Nova Zelândia que são adequadas à realidade regional. Outra iniciativa é o "Encadeamento Produtivo Aurora Alimentos: suínos, aves e leite" que desenvolve empresas rurais para ampliar negócios e melhorar a competitividade, habilitando-as às exigências dos mercados.

26 SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020

REGIÃO OESTE RESPONDE POR:

75% 80% 78%

da produção de leite do Estado

da produção de aves do Estado

da produção de carne suína do Estado


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GRÃOS

VOLUME DE ÁGUA EXIGIDO NA PRODUÇÃO

ALIMENTO

QUANTIDADE LITROS DE ÁGUA

Soja 1 quilo

1.700 litros

Carne bovina 1 quilo

14.0000 litros

Feijão 1 quilo

330 litros

Fonte:Ibrafe

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PULSE NO PRATO O feijão é o pulse mais consumido no Brasil. Os estados do Paraná e Mato Grosso lideram a produção. Segundo o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), o país exportou 165 mil toneladas no ano passado. por Taís Teixeira

FOTO: SHUTTERSTOCK

O

típico prato brasileiro, arroz e feijão, é composto por um pulse. O nome não é popular, mas vem do latim puls, que significa "sopa grossa". De fato, os pulses - feijões, lentilhas, grão-de-bico e ervilha - são utilizados no preparo de alimentos caudalosos, o que deve ter contribuído para a denominação. No Brasil, o mercado destaque é para o feijão. Segundo o Ibrafe em 2019, o Brasil atingiu o maior volume de exportação de feijão da história: embarcou mais de 165 mil toneladas do produto e faturou US$ 111 milhões. O feijão brasileiro chegou a mais de 80 países do mundo. As variedades mais exportáveis são: Feijão Caupi e Feijão Mungo Verde. Outro mercado que o Brasil segue de olho é a China, que deve ampliar a exportação para outros tipos de feijão, além dos que já são exportados. Os negócios refletem o desenvolvimento de novas cultivares. Em 2010, o Brasil possuía duas variedades de feijão para exportação, número que se multiplicou para dez, mas que, futuramente, pode chegar a 15 variedades. O gerente comercial de mercado internacional da Coperaguas, empresa brasileira líder na exportação de pulses, Julio Mariucci, diz que o Brasil tem a expertise para oferecer feijões com muita qualidade. " O produtor brasileiro tem evoluído constantemente, exportando para todos os continentes, o que contribui para os pulses aumentarem a sua importância no agronegócio do país". Outro fator positivo é que utilizam uma quantidade de água menor do que alguns, o que contribui para a preservação dos recursos ambientais. Além disso, ajuda a fixar nitrogênio no solo. Mariucci ainda ressalta: “Pulses podem ser considera-

dos ‘’alimentos do bem’’, pois eles contribuem para a redução do efeito estufa, fixam nitrogênio no solo e o seu consumo como alimento traz vários benefícios à saúde”. O presidente do Ibrafe e da Pulse Brasil, Marcelo Lüders, afirma que os pesquisadores estão desenvolvendo ervilhas, lentilhas e grãos-de-bico adaptados às condições climáticas do país para possibilitar o cultivo interno. O feijão desenvolve-se dentro das características de clima no país que tem Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso como estados produtores.

MERCADOS EM EXPANSÃO

O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) fez uma pesquisa em 2019 que indicou que em seis anos, o número de pessoas que se declaram vegetarianas quase dobrou no Brasil. São cerca de 30 milhões de pessoas, quase 15% da população que não come carne e, por sua vez, investe em alimentos para substituir a proteína. " Esse público é um consumidor potencial de pulses porque se identifica com essa alimentação saudável", reitera Lüders, que considera o feijão como uma "causa social por ser muito cultivado na agricultura familiar". O valor nutricional é um dos ganhos dos pulses. As mudanças de hábitos são uma das apostas para aumentar a adesão populacional. " É um confort food. Um alimento que traz conforto e saciedade, uma comida de verdade e que se usada de forma adequada, combate à obesidade". A Embrapa afirma que o maior produtor mundial é a Índia, responsável por cerca de 25% da produção mundial de pulses, mas é um mercado dependente de importações para complementar a produção interna. Com a economia indiana em expansão, a demanda de pulses para 2050 deve ser em torno de 39 milhões de toneladas. O grão-de-bico movimenta em torno de US$ 2 bilhões no mundo, conforme a Confederação Global dos Pulses (GPC, sigla em inglês), nos Emirados Árabes Unidos, que está associada a membros da cadeia produtiva em mais de 20 países, inclusive o Brasil. O desenvolvimento dessa cultura no Brasil poderá abrir um mercado milionário às exportações brasileiras, atender a demanda interna e colocar o país num lugar de protagonismo na produção e comércio mundial de pulses.

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GRÃOS

Ao monitorar a lavoura, o empresário rural consegue prever problemas e criar estratégias para obter mais rentabilidade. por Tuanny de Paula

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

NetWord Agro oferece serviço em gestão de riscos da lavoura "O manejo de solos com nossa tecnologia gera um aumento de produtividade de 5% a 15% e uma redução de custos entre 10% e 20%", Marcos Ferronato, CEO da Netword.

Q

uem trabalha com plantio de soja, milho, algodão, cana, feijão e trigo sabe que precisa estar atento a todo tipo de cenário que pode afetar a produtividade da lavoura. Pensando nisso, imagina como seria prático receber os principais dados sobre o manejo da lavoura na palma da mão? Este é o serviço que a NetWord Agro oferece aos seus parceiros. Especializada em tecnologia de monitoramento de solos e lavouras, a solução oferecida pela empresa funciona a partir do uso de sensores de solo desenvolvido por pesquisadores da NetWord Agro e do imageamento das lavouras com veículos aéreos não tripulados (VANTs). "Nossa tecnologia é 100% proprietária e foi desenvolvida por nossos especialistas. Ela não tem necessidade de atuação de monitores de campo (pragueiros) para que os mapas sejam validados e gerados. Atuamos com ciclo máximo de 24 horas entre o monitoramento e a entrega dos mapas de aplicação e nossos mapas de aplicação funcionam em todas as máquinas de pulverização e adubação do mercado que tenham equipamentos de aplicação em taxa variável", explica Marcos Ferronato, CEO da Netword.

COMO FUNCIONA A TECNOLOGIA DE MONITORAMENTO

A tecnologia desenvolvida pela empresa é composta de um módulo de modelagem matemática dos padrões dos agentes causadores de danos identificados (pragas, doenças e daninhas), e por outros módulos com um software de inteligência artificial que reconhece estes padrões e gera os mapas com uma assertividade superior a 95%. No escopo do solo, é realizado o monitoramento com sensores portáteis de condutividade elétrica que permitem entregar os mapas georreferenciados das necessidades nutricionais do solo para

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MAPAS DE MONITORAMENTO DAS LAVOURAS COM UMA ASSERTIVIDADE SUPERIOR A

95%


50mil hectares monitorados

R$ 41 milhões em redução de custos

R$ 30,4 milhões em aumento de produtividade

6 1,2

toneladas de defensivos a menos

REDUÇÃO DE 360 MIL HORAS MÁQUINA NO MANEJO

correção na linha ou a lanço, permitindo assim a aplicação dos fertilizantes nas quantidades necessárias e nos locais exatos sem a necessidade de análise tradicional de solos e em grides de tamanho variável de acordo com a concentração do nutriente. 
 Já no escopo da lavoura, o monitoramento é realizado através de imagens com VANTs e imagens RGB que permitem entregar os mapas georreferenciados das incidências de pragas, doenças e daninhas com a indicação do grau de severidade da infestação para aplicação com os equipamentos de pulverização, permitindo que os defensivos sejam aplicados no momento certo (antes do dano), na quantidade certa e no local exato das incidências.
 "O manejo de solos com nossa tecnologia gera um aumento de produtividade de 5% a 15% e uma redução de custos entre 10% e 20%. O manejo de lavouras com nossa tecnologia gera

uma redução de custos entre 20% e 40% e complementa o aumento de produtividade pois evitamos que os danos aconteçam", salienta Marcos.

IMPACTO ECONÔMICO POSITIVO

Através do uso dos mapas de monitoramento desenvolvido pela NetWord Agro, o empresário rural consegue antever problemas e ter uma melhor gestão de riscos na sua lavoura.
 Conforme explica Marcos Ferronato, estes impactos econômicos gerados permitem aos produtores reduzir seus custos de produção, resultando em um aumento significativo de sua rentabilidade . "Outro impacto bem positivo que geramos está atrelado ao fato de nossa tecnologia diminuir o impacto ambiental com a redução do uso de defensivos, água, diesel e hora máquina".

SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020 31

FOTO: ISTOCK

milhões de litros de água salvos


GRÃOS

FOTO: SHUTTERSTOCK

SUL GESSO

Fertilizante inteligente Após um processo seletivo bastante criterioso e com mais de três anos de espera, a SulGesso, referência na produção de fertilizantes minerais teve um dos seus projetos inovadores escolhido pela Financiadora de Estudos e Projetos e Inovação (FINEP), para receber recursos do programa Inova Mineral. O projeto escolhido pela Finep consiste em pesquisa e desenvolvimento de um fertilizante inteligente, adequado ao solo brasileiro, bem como uma fábrica de briquetagem, que vai produzir esse fertilizante. Para o presidente da SulGesso, Manoel Ferreira, essa parceria com a Finep é o reconhecimento pelos mais de 10 anos de pesquisa e inovação que a empresa desenvolve com seus colaboradores, além de referendar sua idoneidade, ética e responsabilidade socioambiental com a comunidade, o meio ambiente e seus colaboradores, firmando seu compromisso em inovar no setor do agronegócio. TRIGO

É preciso reduzir a dependência da importação

Eficiência de Fungicidas

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) realizou em junho uma videoconferência para discutir a Política Nacional do Trigo e os números da safra 20/21 do grão no Brasil, Paraguai e Uruguai. O evento online, que reuniu representantes da cadeia, debateu o cenário do trigo no país, ressaltando a importância da adoção de medidas que estimulem a produção do grão, visando reduzir a dependência externa. “A pandemia da Covid-19 deixou evidente algumas vulnerabilidades da nossa economia e, no campo dos alimentos podemos dizer que o trigo é a mais latente delas, tendo em vista que ainda somos muito dependentes da importação do trigo internacional. A situação vivida por nós deixa clara a dificuldade do fornecimento do grão para atender as necessidades do mercado nacional, bem como a de compra por conta do custo alto da matéria-prima”, destacou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa que fez a abertura da reunião apresentando os pontos da Política Nacional do Trigo, desenvolvida e apresentada ao Governo Federal pela entidade. Barbosa destacou pontos da proposta que já avançaram, mas evidenciou alguns que demandam mais atenção do Ministério da Agricultura, como facilitar a convergência regulatória internacional, atualizar o regulamento técnico de classificação do trigo, reavaliar a gestão de recursos humanos nos serviços oficiais, fomentar a regionalização e especialização da produção, entre outros.

A Embrapa Soja divulgou no início do mês de julho a publicação "Eficiência de fungicidas para o controle da 'manchaalvo', Corynespora cassiicola, na cultura da soja, na safra 2019/2020: resultados sumarizados dos ensaios cooperativos". De acordo com a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, na safra 2019/2020 foram avaliadas pela rede de ensaios principalmente novas formulações de fungicidas em fase de registro para o controle da "mancha-alvo" na cultura da soja. A pesquisadora da Embrapa defende a utilização de estratégias integradas para o manejo da doença: a utilização de cultivares resistentes/tolerantes, o tratamento de sementes, a rotação/ sucessão de culturas com milho e outras espécies de gramíneas e o controle químico com fungicidas.

32 SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020


SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020 33


ESPECIAL

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NOVO AGRO Resiliente e competitivo,o agronegócio brasileiro deve sair ainda mais forte da crise sanitária. Segurança alimentar, sustentabilidade ambiental, tecnologia, biosseguridade e atenção às mudanças do mercado consumidor ditarão os novos rumos.

I

solar. Retroceder. Distanciar. Há quase cinco meses estas palavras prevalecem nos mais temerosos discursos. Enquanto o mundo se fecha, resiliente e estruturado, o agronegócio brasileiro abre as portas para o novo. É claro que o setor não sairá ileso à pandemia e também amarga prejuízos. Mas em um cenário de incertezas, a cadeia produtiva se reinventa e enxerga oportunidades. A prova de que o agronegócio será o motor para alavancar a economia é a estimativa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Mesmo em meio a crise provocada pelo novo coronavírus, o país deve se tornar o maior produtor mundial de alimentos ainda em 2020.

SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020 35


ESPECIAL | NOVO AGRO

RECORDE NAS EXPORTAÇÕES

PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS:

JANEIRO A MAIO

SOJA EM GRÃOS

US$ 16,3 BILHÕES

TOTAL:

Carne bovina in natura

US$ 2,8 bilhões

Celulose

US$ 2,6 bilhões

Carne de frango in natura

US$ 16,3 bilhões

Farelo de soja

US$ 16,3 bilhões

US$

42

BILHÕES

7,9%

Foi a alta de em relação ao mesmo período de 2019.

RECORDE NAS VENDAS EXTERNAS EM VOLUME

PRINCIPAIS DESTINOS CHINA

US$ 16,5 BILHÕES

15,3% a mais que no mesmo período do ano passado.

36 SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020

Estados Unidos

6%

Turquia Japão

2%

TOTAL :

milhões de toneladas

16,4%

2,1%

JANEIRO A MAIO

86,8

União Europeia

“O MERCADO CHINÊS DE SOJA CONTINUARÁ DEMANDANDO O PRODUTO DO MERCADO EXTERIOR E O BRASIL DEVERÁ ESTAR ATENTO AOS RISCOS E OPORTUNIDADES”. Mário Alves Seixas,pesquisador da Embrapa.


MILHO

O Rabobank estima que entre julho e dezembro, o volume embarcado de milho pelo Brasil tende a somar entre 28 e 30 milhões de toneladas, especialmente pela elevada competitividade do produto brasileiro no mercado internacional em função do cenário atual da taxa de câmbio.

BOI

Desde meados de março, as exportações brasileiras de carne bovina passaram a ganhar ritmo mais intenso e têm registrado aumentos mensais consecutivos. O mercado chinês se mantém como principal importador do Brasil, e até maio foram embarcados 287 mil toneladas, aumento de 128% frente ao mesmo período de 2019. O Rabobank projeta que as exportações brasileiras devem bater novo recorde em 2020, com elevação de 10,6% do volume.

LEITE

As importações apresentaram queda de 34% em volume nos primeiros cinco meses do ano como consequência da desvalorização do real, enquanto as exportações aumentaram 12% no mesmo período. Assim a queda no déficit comercial também diminuiu a oferta disponível no mercado local. O preço ao produtor deve se manter firme no terceiro trimestre na entressafra.

COMO FICARÁ O MERCADO DE SUÍNOS E AVES?

PROJEÇÕES EM CURTO PRAZO

A previsão da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que a economia brasileira deve apresentar queda de 7,4% neste ano. Projeções gerais são pouco otimistas, mas no recorte do mercado agro, é possível prever índices em alta. O Rabobank, banco especializado em soluções financeiras para o agronegócio, divulgou no mês de junho seu relatório trimestral que traz uma perspectiva sobre as principais commodities .

SOJA

A perspectiva do Rabobank é que as cotações da soja em Chicago se mantenham em patamares médios entre USD 8,50 e USD 8,70/bushel ao longo dos próximos meses. Momentos de volatilidade fora desse intervalo, porém, devem ser monitorados especialmente no que diz respeito ao clima durante o desenvolvimento da safra nos EUA e tensões comerciais entre chineses e americanos, esse fator com possibilidade de impactos estruturais no cenário de preços internacionais.

O gerente executivo do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado (Sindicarne) e da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Jorge de Lima lembra que a carne suína não sofreu impacto na produção e nem na exportação, o que deu uma segurança a longo prazo. Já nas aves, houve uma redução. "Essa retração deve ser retomada no segundo semestre quando os países começam a formar estoques de inverno", esclarece. Um aspecto levantado por Lima para os dois mercados é que ambos envolvem a aquisição de grãos, impactando no preço do produto final. A variação cambial é mais um fator proeminente porque grande parte dos insumos, que são commodities, usados para fabricação de ração, provém do mercado externo.

QUEM DITARÁ OS NOVOS RUMOS

A reestruturação do agronegócio brasileiro, pelo menos até o final de 2021 terá uma forte influência de três fatores: reflexos da pandemia do novo coronavírus, a Peste Suína Africana (PSA) na China e a disputa comercial EUA-China. E levando em consideração esta tríade, o setor da proteína animal deve ser o protagonista da alta nas exportações. Por outro lado, para o setor de soja, qualquer recuperação nas receitas em 2020 é incerta, dependendo não apenas da evolução da PSA que vem dizimando milhares de animais no país asiático, mas também das relações comerciais EUA-China. O estudo da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa (SIRE) “Agronegócio em tempos de Covid-19: desafios para o Brasil e a China”, aponta um aumento de exportações de carne suína para a China em torno de 40% em relação ao ano passado e isso deverá se manter até o ano de 2021, cenário no qual o Brasil terá

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ESPECIAL | NOVO AGRO

PILARES DO NOVO AGRO 1

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SUSTENTABILIDADE O mundo estará atento aos países que investirem na redução dos impactos ambientais, principalmente na produção de proteína animal.

STATUS SANITÁRIO Informações sobre o alimento, desde o plantio até a gôndola no varejo tornam-se moedas valiosas.

RELAÇÕES COMERCIAIS INTERNACIONAIS O Brasil deve ficar atento ao comportamento do mercado Chinês e investir na abertura de novos mercados.

CHINA MANTERÁ DÉFICIT NAS CARNES SUÍNA E BOVINA NOS PRÓXIMOS ANOS, MAS A CONCORRÊNCIA SERÁ GRANDE, PRINCIPALMENTE DA AUSTRÁLIA. grandes oportunidades de exportação para o continente asiático.

CHINA PÓS- COVID- 19: UM ALERTA AO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

Em um cenário de forte retração do PIB, com queda no primeiro trimestre de 2020 em 6,8% -a primeira contração em décadas-, a China começa a sair da fase aguda da crise provocada pela pandemia da Covid-19. Preocupado com uma segunda onda da doença, o governo chinês inicia uma profunda reforma agrícola, com fortes investimentos em políticas públicas que priorizem o desenvolvimento agrícola nacional. O intuito é reduzir a vulnerabilidade externa do país asiático por alimentos básicos.

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Os dados são do mais recente estudo da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire) da Embrapa: “China pósCovid- 19: um alerta ao agronegócio brasileiro”. O trabalho foi elaborado a partir de informações de agências internacionais de risco, como a Fitch Solutions Macro Research, pertencente à Agência de Risco Fitch Ratings e a Agência RaboResearch, Food& Agribusiness, departamento vinculado ao Rabobank. Mesmo diante de um cenário que busca reduzir a dependência internacional por alimentos, a China ainda continuará sendo, nos próximos anos, o maior mercado de destino das exportações mundiais, entre elas as de grãos - como as commodities de soja e milho-, e de proteínas, especialmente carnes suína e bovina. Em 2025, a China deverá ter uma população de 1,438 bilhão, concentrada principalmente na área urbana (65,4%) e não terá condições de suprir o mercado interno de alimentos. O pesquisador da Embrapa, Mário Alves Seixas, autor do estudo acredita que a China manterá déficit nas carnes suína e bovina nos próximos anos, mas a concorrência será grande nesta última, vinda principalmente da Austrália, país que está mais próximo da China. Para manter suas relações comerciais com China, o Brasil precisará de uma visão estratégica. Se a China, que é um dos principais compradores da carne suína local, pretende reestruturar seus plantéis, como manter a relação comercial? Ofertando grãos para ração. “Podemos ofertar mais soja, mas com a condição de a China comprar mais carne. O governo chinês tem que ter confiança que não vamos falhar. O povo chinês está avaliando esse momento. O Brasil pode sair grande desta crise”, sinalizou o especialista em agronegócios no Brasil, Alexandre Mendonça de Barros, durante uma live realizada pela Copacol. Para a retomada dos planteis, os chineses tendem a importar 35 milhões de toneladas de soja a mais para alimentar as criações. “O alimento dos suínos era muito precário, em estruturas improvisadas. Só metade dos suínos chineses se alimentava de ração


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INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA Além da tecnologia no campo, startups de alimentação, conhecidas como foodtechs estarão em alta.

BIOSSEGURIDADE É palavra de ordem para evitar a entrada de animais doentes, adotar medidas preventivas de manejo e seguir calendários sanitários.

– isso deve mudar. Para a transformação sanitária, a China precisará mudar os padrões sanitários”, explicou Barros. Outro alerta relevante para o agronegócio brasileiro diz respeito aos crescentes riscos relacionados aos compromissos assumidos pela China no âmbito do novo acordo comercial com os Estados Unidos. “O mercado chinês de soja continuará demandando o produto do mercado exterior e o Brasil deverá estar atento aos riscos e oportunidades”, declara o pesquisador Mário Seixas. Ele destaca que há previsão do aumento do consumo da soja pelos chineses em 3,3%. Porém, o grão é o ponto focal no comércio agrícola entre EUA e China, devido ao grande volume de comércio.

STATUS SANITÁRIO E ALIMENTO SEGURO

O status sanitário, fator determinante para as relações comerciais entre países, ganhou mais notoriedade no momento em que estamos submetidos a um quadro global de pandemia. A Covid-19 restringe a sua linha de contágio a seres humanos, mas o fato da sua origem vir do consumo de carnes silvestres na China, expostas para comercialização em feiras abertas sem nenhuma condição de higiene, fiscalização e vigilância, destacou a importância das condições sanitárias. O momento de crise dá visibilidade para o rigoroso trabalho de sanidade de toda a cadeia produtiva brasileira.

Presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli ressalta a confiança da China nos produtos brasileiros

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli avalia o cenário de Covid-19 como indicativo de uma grande mudança. “A Covid-19 traz uma necessidade de reinventar o processo sobre três pilares: sustentabilidade, saudabilidade e alimento seguro, o que mostra o Brasil como um grande provedor", enumera. O dirigente projeta que a demanda internacional pelo produto brasileiro será constante a partir de um espaço de melhorias da doença. Mas a exportação para o mercado chinês, principal cliente do país, ainda não foi abalada. Ele destaca a evolução da confiança da China no Brasil e cita que há 20 anos, o país exportava US$ 600 milhões, valor que foi multiplicado. " Hoje, somando todos os ativos, alcançamos $ 30 bilhões de exportação para a China, fora Hong Kong", justifica. Atualmente, Brasil, Uruguai e Argentina somam mais de 70% das exportações para os chineses, mesmo com alguns problemas ocasionais causados pela Covid-19, que atrapalharam o atracamento dos navios.

SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

O estudo da Embrapa também chama atenção sobre a questão da sustentabilidade ambiental relacionada ao setor de proteína animal. Internacionalmente, as preocupações com o meio ambiente, a mudança do clima, a preservação das florestas e a questão da sustentabilidade ambiental estão na agenda global. “Para o agronegócio brasileiro, o tema é altamente relevante e é um alerta importante para o futuro das exportações”, avalia Seixas. “Definir o que constitui a produção sustentável de proteína animal é complexo, pois os impactos da produção sobre o meio ambiente e os animais variam entre espécies locais e sistemas agrícolas. Essa falta de clareza dificulta os esforços para desenvolver estratégias de sustentabilidade em longo prazo. Os sistemas de produção de proteínas animais estão em constante evolução e o desenvolvimento tecnológico e a inovação desempenharão atribuições cada vez mais importantes no desenvolvimento do setor de proteína animal”, destaca o relatório da RaboResearch, Food& Agribusiness, 2019.

TECNOLOGIA E BIOSSEGURIDADE

No Novo Agro, a presença da ciência e da tecnologia se intensificará, bem como o crescente emprego de recursos digitais. Durante o “Seminário Alimentos Seguros”, promovido pela Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP), as startups de alimentação, conhecidas como foodtechs, foram apontadas como uma tendência ainda mais forte para os próximos anos. “Os consumidores estão cada vez mais exigentes e buscando estar próximos das cadeias de produção. Não tenho dúvidas de que o futuro da produção de alimentos passa pelas foodtechs, as quais, por meio das pesquisas e do uso de tecnologias, agregam valor às cadeias produtivas do agronegócio”, destacou o diretor de Inovação do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Cleber Oliveira Soares. Para o consultor e ex-secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Francisco Sergio Ferreira Jardim, que também integrou o seminário, investir em biosseguridade é um caminho sem volta, uma medida-chave para conter a propagação das enfermidades animais e, consequentemente, obter segurança alimentar, melhor qualidade de alimentos e prezar pela saúde humana. Jardim enfatizou a importância da biosseguridade na pecuária e de empenhar trabalho em barreiras sanitárias, usando como exemplo o problema da peste suína na China. Mesmo diante de tantos questionamentos, de uma coisa temos certeza. A competitividade da agricultura local e a confiança do mercado no Brasil, mais uma vez ditará a retomada econômica do país. Mais uma vez, aplausos para o agronegócio brasileiro.

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ESPECIAL | NOVO AGRO

DESAFIO COVID-19

Soluções digitais para o agronegócio Para ajudar a cadeia agrícola a enfrentar os desafios que surgiram em decorrência da pandemia, a Bayer em parceria com Sicredi, Orbia e o AgTech Garage, lançou o “Desafio Covid-19: soluções digitais para o agronegócio”. 01.

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Objetivo Promover a difusão e a adoção de soluções confiáveis e de alto impacto desenvolvidas por startups para produtores rurais, contribuindo para que o agronegócio mantenha suas atividades, garantindo o abastecimento e o acesso da população aos alimentos. Serviços As soluções das 20 empresas selecionadas oferecem gratuitamente seus serviços aos produtores rurais, pelo período de dois meses. A ideia é ajudar a cadeia agrícola a enfrentar os desafios que surgiram em decorrência da pandemia.

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Startups selecionadas Agrare . AgriConnected . AgriQ. Agromove . Atomic Agro . Bart Digital Brain. Agriculture E-ctare . Elysios FarmBox . Fitoapp . JetBov . Luckro . MyFarm . Nutrir . Sensix . Smart Granja . Sumá . Timbeter . Trucker Hub de inovação “Estamos otimistas com essa ação, para conectar de forma massiva os produtores com as startups e minimizar os impactos do coronavírus no agronegócio”, José Tomé, CEO do AgTech Garage.

As soluções das startups estão disponíveis na plataforma Orbia. Para saber mais, acesse: https:// www.orbia.ag/Products/46039/desafio-covid-19.

“A AGRICULTURA BRASILEIRA MOSTROU MAIS UMA VEZ A SUA IMPORTÂNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS, MESMO EM SITUAÇÃO ADVERSA, CUMPRIU SEU PAPEL DE GUARDIÃ DA SEGURANÇA ALIMENTAR COM SANIDADE E SUSTENTABILIDADE. GRAÇAS AOS NOSSOS PRODUTORES, TRABALHADORES RURAIS, ENTIDADES E EMPRESAS DO SETOR, VENCEREMOS JUNTOS ESSA PANDEMIA” MINISTRA DA AGRICULTURA E ABASTECIMENTO TEREZA CRISTINA, sobre as ações do Mapa no combate a pandemia.

VETANCO

Encontro técnico virtual A Vetanco realizou pela primeira vez o Encontro Técnico de Distribuidores da Vetanco do Norte e Nordeste do país, de forma on-line. Na ocasião foram discutidos assuntos relevantes ao portfólio e estratégias de negócios com os produtores, além da troca de experiências entre as diversas regiões. Estes encontros receberam feedbacks positivos e foram replicados semanalmente com temas diversos, no intuito de manter o contato e a preparação para o retorno das atividades presenciais.

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ELYSIOS AGRICULTURA INTELIGENTE

Rastreabilidade por QR Code Em tempos de pandemia, a rastreabilidade dos alimentos tem sido um dos assuntos mais discutidos. Uma das soluções é oferecida pela Elysios Agricultura Inteligente, que desenvolveu a plataforma Demetra, voltada para a rastreabilidade, controle e automação de hortifruti. O aplicativo funciona como um caderno de campo digital, em que o produtor rural registra as atividades do dia a dia, de maneira fácil e prática, promovendo um rastreamento do alimento. Esse rastreamento é feito através de etiquetas, os chamados QR Codes, com leitura através da câmera do celular. Cada lote recebe um código, que é único e acompanha o alimento em todo seu trajeto. Na prática, equivale ao registro de informações relativas à origem dos alimentos, que podem ser consultadas a qualquer momento.


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Incentivo ao consumo de proteína animal

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O Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) lançou a campanha "Proteína Animal - Do Passado ao Futuro”, com foco no aumento de consumo através da apresentação de informações reais e relevantes sobre as mudanças que ocorreram ao longo da história, relacionadas com as demandas do novo consumidor. Luiz Carlos Giongo, presidente do Nucleovet, destaca que o objetivo da campanha é envolver o consumidor com informações embasadas em ciência. “O Nucleovet, através dos seus simpósios Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Bovinocultura de Leite, reúne há mais de 20 anos especialistas que discutem nutrição, sanidade, manejo e qualidade da proteína animal. Agora queremos estar ainda mais engajados com essa cadeia de produção e levar ao grande público consumidor informações de qualidade, tendo como fontes médicos, nutricionistas, veterinários, agrônomos e zootecnistas”.

BASF

Prevenção no meio rural

Para contribuir com o combate a pandemia, a BASF divulga podcast com dicas de prevenção ao coronavírus no meio rural.“Seguimos comprometidos em atender com qualidade os nossos clientes e parceiros, sempre respeitando as medidas necessárias de segurança para garantir a saúde de todos. Neste momento de muita incerteza, a BASF agradece cada um dos agricultores que está comprometido em produzir e abastecer o país”, ressalta Eduardo Novaes, diretor de Marketing da BASF.

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ESPECIAL | NOVO AGRO

Elanco lança produtos e investe em webinars Aceleração da aquisição da Bayer e investimentos na transformação digital da empresa e no bem-estar dos colaboradores também fazem parte da estratégia.

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omprometida em monitorar e avaliar o potencial impacto da pandemia da Covid-19 em seu negócio, a Elanco Saúde Animal tem atualizado globalmente sua posição comercial e financeira, bem como dado continuidade e transparência às ações executadas para apoiar funcionários e clientes. No Brasil, a empresa tem adaptado sua agenda de eventos e ações de marketing para o meio digital. Lançamentos não serão adiados, inclusive, recentemente, a companhia oficializou a chegada de novos medicamentos para o combate à osteoartrite canina - Galliprant™ e osteoartrite felina - Onsior™ Gatos. “Fizemos o lançamento digital, reunindo quase mil convidados, entre médicos veterinários e estudantes. O mercado brasileiro estava aguardando este ‘blockbuster’. Galliprant é eficaz, mais seguro, pois poupa os demais receptores e prostanóides (prostaglandinas), que são importantes para a manutenção das funções gastrointestinais, renal e hepática, dos cães para uso a longo prazo”, afirma Fernanda Hoe, diretora de marketing da Elanco.

PROGRAMA DE ESTÁGIO “Nosso objetivo é fornecer conteúdos valiosos e educativos para o nosso público, esclarecendo mitos e evitando a disseminação de fake news ” Fernanda Hoe, diretora de Marketing da Elanco

Em abril, a empresa abriu inscrições para o Programa de Estágio. Foram mais de três mil candidatos até o momento e estima-se que o número dobre até o final do processo. “O número de interessados superou as nossas expectativas, porém é um indicativo de que somos uma empresa que demonstra ética, transparência e acima de tudo equidade de gêneros”, avalia Adriana Santana, diretora da área de Recursos Humanos.

Entre maio e junho, foram realizados oito webinars gratuitos sobre assuntos de interesse para as áreas de produção de bovinos, aves, suínos e para cuidados com animais de companhia. Especialistas são convidados para participar dos temas em discussão. “Nosso objetivo é fornecer conteúdos valiosos e educativos para o nosso público, esclarecendo mitos e evitando a disseminação de fake news dentro destas áreas” explica Fernanda.

bom andamento dos departamentos e podem servir de exemplo para outras empresas, como a flexibilização de tarefas exclusivamente manuais; análise individual de necessidades em home office, novos horários de trabalho, estímulo a atividades para manutenção da saúde mental, happy hours virtuais e premiações para novas ideias que ajudem a superar a crise.

COLABORADORES

PREVISÃO FINANCEIRA

WEBINARS COM ESPECIALISTAS

Neste momento preocupante para as empresas, uma solução que se mostra acertada é a da transformação digital. Na Elanco Saúde Animal, essa transformação já havia iniciado e se mostrou crucial para que as operações fossem mantidas de modo a garantir a celeridade dos processos em todas as áreas e a segurança e bem-estar de seus profissionais. Isso porque transformação digital faz ainda mais sentido quando aliada à humanização. Práticas como escritório sem mesas determinadas, horários flexíveis, computação em nuvem para armazenamento de dados, reuniões realizadas a distância e política de home office já fazem parte da rotina da Elanco Saúde Animal e, ao mesmo tempo que contribuem para a motivação e comprometimento de colaboradores, demonstram como são fundamentais para que o dia a dia de trabalho seja pouco afetado diante de adversidades, como esta que não era prevista. Além disso, a empresa tomou decisões que têm sido cruciais para o

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Com a situação atual da COVID-19, a Elanco retirou sua previsão de receita de 2020, e lucro por ação, anunciada anteriormente. A empresa segue no monitoramento das necessidades globais para realizar alterações nas taxas de câmbio, visitas em clínicas veterinárias em queda, uso do transporte direto ao consumidor e vendas através do comércio eletrônico, além de outros canais alternativos. A Elanco está confiante em seus níveis de capital de giro e liquidez, enquanto continua monitorando ativamente as mudanças em todo o mundo. A equipe da empresa permanece focada na execução dos processos em andamento, mesmo que considerável parcela dos funcionários esteja operando remotamente. As fábricas e os laboratórios de P&D operam sem interferências e a logística de distribuição está sendo monitorada constantemente. No momento, a Elanco não sofreu nenhuma interrupção no fornecimento e todos os projetos críticos no pipeline continuam avançando.


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ESPECIAL | NOVO AGRO

O NOVO CONSUMIDOR Quais as lições que a pandemia deixará? Como ficarão as relações pessoais? Os acordos de trabalho? E a economia? Hoje as respostas são rasas e confusas, mas temos uma certeza: novos hábitos de consumo moldam uma sociedade mais exigente e os alimentos estão no alvo desta transformação. por Taís Teixeira

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a propriedade rural à mesa do consumidor, nunca se falou tanto de padrões rigorosos de higiene. Para o mercado nacional, a excelência nos processos de sanidade não é novidade, afinal, este é um dos quesitos que levam o agronegócio brasileiro ao reconhecimento internacional. O medo de contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19) afetou drasticamente o movimento em bares e restaurantes no país. Já os pedidos de refeições para serem entregues nas residências, por meio do serviço de delivery, mais que dobrou. O isolamento social também estimulou a preparação dos alimentos em casa, refletindo diretamente na alta das vendas em supermercados. Esse comportamento, que induz o consumidor a se recolher em casa, vem beneficiando alguns setores da cadeia produtiva. O analista de arroz, Cleiton Santos explica que num primeiro momento houve a chamada "compra de pânico", quando as pessoas compraram grande quantidade de alimentos por medo da falta. “Nunca o mercado do arroz esteve tão bom para os produtores. Essa corrida do consumidor às compras estimulou os preços. Agora o Brasil tem

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

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ESPECIAL | NOVO AGRO

a necessidade de manter o equilíbrio das exportações para assegurar ao produtor preços superiores às médias dos últimos anos".

TRANSFORMAÇÃO MUNDIAL

A crise é mundial e as mudanças de hábito também. A China, local de origem e disseminação do coronavírus no mundo deve sofrer grandes transformações, revendo seus padrões de alimentação e cultura, além das condições sanitárias. O doutor em Economia Aplicada e sócio-consultor da MB Agro Consultoria, Alexandre Mendonça de Barros acredita que o atual cenário internacional agrícola pode encontrar explicações na crise sanitária chinesa no setor de suínos, dizimado pela Peste Suína Africana (PSA). "Mais da metade do rebanho mundial de suínos foi destruída por essa doença. Também há uma crise sanitária grave no setor de aves, Influenza Aviária e H1N1". O resultado foi um aumento expressivo dessas proteínas animais, o que ocasionou o direcionamento para o consumo de animais silvestres e, consequentemente, uma mutação viral: o novo coronavírus. É importante entender que tudo decorreu de um problema sanitário na produção de alimentos. “A China vai ter que passar por uma transformação profunda. Não dá mais para a China moderna conviver com hábitos no século XIX, não dá para juntar milhões de pessoas e de animais num sistema de produção e imaginar que não vai ter efeitos na economia mundial", ressaltou Alexandre Mendonça de Barros. Passos importantes já foram dados. A China está implementando em todo o país uma proibição severa ao consumo e criação de animais silvestres, já que autoridades suspeitam que a epidemia surgiu em um mercado de animais silvestres em Wuhan. Essa determinação expressa o reconhecimento por parte dos chineses da necessidade de controlar o lucrativo mercado de animais silvestres para prevenir outro surto de doença.

"A SEGURANÇA ALIMENTAR DEVERÁ SER MAIS VALORIZADA DO QUE OS PREÇOS MAIS BAIXOS DOS PRODUTOS”, MARIA BEATRIZ MARTINS DA COSTA, COORDENADORA DO GREEN RIO. 46 SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020

CEO da Korin Agricultura e Meio Ambiente, Luiz Carlos Demattê destaca o crescimento da produção local


Outro progresso é ,que pela primeira vez na China, cães e gatos foram excluídos de uma lista oficial que define os animais comestíveis sujeitos à regulamentação. Agora, cães e gatos são classificados como animais de estimação, embora ainda sejam consumidos por uma minoria da população chinesa.

ALIMENTAÇÃO MAIS SAUDÁVEL

No seminário on-line "Tendências que deverão predominar nos setores de produção, comercialização e consumo de alimentos saudáveis após a pandemia do novo coronavírus", especialistas analisaram mudanças de cenários que podem ser vislumbradas pós-pandemia. O CEO da Korin Agricultura e Meio Ambiente, Luiz Carlos Demattê, destaca o crescimento da produção local, a partir da necessidade de entender melhor as diferenças comportamentais que caracterizam cada região. "Vamos melhorar a dinâmica econômica dos territórios, ao invés de pensar que uma região ou estado precisa ficar dependente da produção alimentar

E COMO O CONSUMIDOR BRASILEIRO SE COMPORTARÁ?

A pesquisa “Hábitos de Compra de Alimentos em Supermercados”, realizada pela Markenz Consulting entre março e abril apontou que 83% dos entrevistados pensam em manter ou aumentar o consumo de proteína animal durante a pandemia.

CRITÉRIOS QUE INFLUENCIAM A ESCOLHA

ou de insumos de outro local e funcionar sempre como importadora". Demattê reitera ainda que a exploração das potencialidades dos territórios pode atrair novos processos de produção. A coordenadora do Green Rio, Maria Beatriz Martins da Costa, enfatiza a lógica, alicerçada na qualidade, que deve permear o comércio local. "A segurança alimentar deverá ser mais valorizada do que os preços mais baixos dos produtos". A perspectiva de retomada econômica é otimista para maioria das lideranças do setor. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), João Dornellas, afirma que a produção de alimentos não parou durante a pandemia o que aliada ao fato do Brasil ser o 2º maior exportador de alimentos do mundo, ajudou a não desabastecer o país. " Vencemos o primeiro desafio: não faltaram alimentos e não existe nenhuma perspectiva a curto prazo de desabastecimento. Os próximos desafios passam pelas mudanças de comportamento do consumidor e dos grandes produtores de alimentos, como é o caso do Brasil" conclui.

CARNES PREFERIDAS

44%

43%

Bovina

Frango

Preço

20% Facilidade de preparo

17% Valor nutricional

56% dos entrevistados pretende consumir carne no almoço em todos os dias da semana.

15%

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ESPECIAL | NOVO AGRO

AVIAGEN

Webinars exploram o impacto da Covid-19 na avicultura Desde o final do mês de abril, a empresa de genética de aves Aviagen® oferece uma série de seminários on-line focando na pandemia global de saúde e seu impacto na produção de aves. A iniciativa está à disposição dos clientes de toda a América Latina e promove aos parceiros da Aviagen orientações para ajustar as técnicas de manejo a fim de melhorar a saúde, o bem-estar e o desempenho de matrizes e frangos de corte diante da atual situação mundial. "A Aviagen está comprometida com os produtores avícolas na América Latina e empenha-se para fornecer as melhores dicas de manejo para garantir seu sucesso", comenta Fábio Carnevale, gerente de Marketing da Aviagen América Latina. "Nestes tempos sem precedentes, quando o contato físico é limitado, os webinars nos permitem usar a tecnologia a favor de um grande número de pessoas, para continuar compartilhando informações importantes para maximizar o potencial genético das aves". "Agora é mais importante do que nunca permanecer próximo de nossos clientes, ouvir suas preocupações e fornecer as ferramentas mais atualizadas", reforça Carnevale.

BTA ADITIVOS

Doação de álcool em gel A BTA Aditivos é uma de nossas parceiras no “Projeto Novo Agro: Reinventar para Evoluir. A empresa aderiu à ideia e fez a doação de 1 mil frascos de álcool gel 70%, entregues juntos aos kits para famílias rurais do Oeste de Santa Catarina. “Nos unimos à Revista Setor Agro&Negócios neste projeto, para ajudar a minimizar os impactos do coronavírus, pois a solidariedade é um valor que prezamos muito na BTA. Pensar nas pessoas que estão no campo é uma iniciativa muito importante, que merece ser valorizada.”, declarou José Valter Dornelles de Mello, Diretor Geral de Operações da BTA Aditivos.

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AURIVERDE E OUROFINO

Pecuária de amor A Cooperativa Auriverde em parceria com a Ourofino Saúde Animal, lançou no mês de junho a campanha “Pecuária de Amor”. A iniciativa tem como objetivo o repasse de recursos para as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes ) das cidades de Maravilha, Cunha Porã, São Carlos e Iraceminha, no Oeste de Santa Catarina. O repasse acontece através das compras de produtos Ourofino que integram a campanha, efetuadas por clientes e associados da Cooperativa Regional Auriverde. As ações prosseguem até dezembro e a cada trimestre apresentarão novos produtos válidos para a campanha. Além da possibilidade de contribuição para as Apaes através de compras dos produtos da marca Ourofino, é possível realizar doações de moedas nos “cofrinhos” com o slogan da campanha distribuídos nas lojas agropecuárias e supermercados da Auriverde, bem como, demais pontos do comércio local das cidades participantes.


HIPRA

Apoio aos hospitais e fabricação de respiradores Para ajudar a fazer frente a crise sanitária, a Hipra disponibilizou seus novos laboratórios para realizar análises de amostras e fabricação de respiradores com impressoras 3D. Durante este período, a empresa possibilitou aos principais hospitais da província de Girona, na Espanha, usar as instalações que somam cerca 700 m2 de laboratórios equipados com a mais recente tecnologia em diagnóstico por PCR, cujo uso permite agilizar a gestão e a obtenção de resultados dos testes de coronavírus SARS-CoV-2. As instalações possuem equipamentos e instrumentos de última tecnologia em análise por PCR. Esse tipo de diagnóstico em tempo real permite que centenas de amostras sejam analisadas em poucas horas, com a ajuda adicional da automação de processos. A Hipra também produziu peças usando impressão 3D para fabricar respiradores que serão fornecidos aos hospitais da região. Este projeto está sendo coordenado por meio de entidades como HP, LEITAT Managing Technologies e outros órgãos públicos.

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FOTO: MB COMUNICAÇÃO

ESPECIAL | NOVO AGRO

AGROINDÚSTRIA EXEMPLO EM SANIDADE

A rotina mudou e novos processos foram anexados ao que já era feito para manter a qualidade dos alimentos. por Tuanny de Paula

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Brasil é reconhecido internacionalmente por sua vocação agrícola. É autossuficiente na produção de alimentos e um dos grandes exportadores para o mundo. Hoje, a proteína animal nacional chega a 194 países. As agroindústrias sustentam uma extensa cadeia de produção, que começa desde o compromisso com a sanidade animal até o transporte do produto final para comercialização. Por isso, a jornada de trabalho de quem move essa cadeia continuou ativa durante a pandemia. E para manter a saúde dos trabalhadores e a economia ativa, os cuidados necessários de prevenção estão sendo seguidos à risca. Muito antes das orientações de prevenção contra a Covid-19 serem aconselhadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as agroindústrias já seguiam um protocolo rígido de higiene, para manter a qualidade de seus alimentos. Agora, ele se tornou ainda mais intenso.

no porte, as de médio porte e as de grande porte. Estas duas últimas costumam ter plantas dentro do país e fora dele e isso nos beneficiou no período de Covid-19. Nós pudemos antever o que aconteceu fora do Brasil e nos preparamos no ambiente interno das empresas", explica. Além disso, essas empresas não guardaram seus protocolos de contingência para si, mas sim pulverizaram com as demais. "Esses planos foram criados por especialistas na área de infectologia. Então, a nossa entidade em nível nacional por centralizar algumas ações, com apoio de entidades estaduais e as empresas, costurou o plano de contingência com o plano que cada empresa tinha e alinhou isso com profissionais qualificados. Nos utilizamos de pesquisa sobre como fazer e conseguimos associar essas duas vertentes para construir uma estratégia de prevenção", esclarece Lima.

“AS AGROINDÚSTRIAS JÁ SEGUIAM UM PROTOCOLO RÍGIDO DE HIGIENE, PARA MANTER A QUALIDADE DE SEUS ALIMENTOS PARA COMERCIALIZAÇÃO. AGORA, ELE APENAS SE TORNOU AINDA MAIS INTENSO”. Muitas frentes foram montadas para organizar e estabelecer esses protocolos adicionais. Em Santa Catarina, entre os principais atores que ressaltam a relevância do setor e a necessidade de continuidade das atividades dos frigoríficos estão o próprio Poder Executivo do Estado de Santa Catarina ao declarar esta como atividade essencial por meio de Decreto, Deputados que integram a Comissão de Agricultura e Política Rural na Assembleia Legislativa, o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), a Associação Catarinense de Avicultura (Acav), a Associação das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (AINCADESC) e outras entidades cooperativas e associativas ligadas ao setor. O gerente executivo da ACAV, SINDICARNE e AINCADESC, Jorge Luiz de Lima revela que o setor conseguiu antever o percurso da doença em outros países, assegurando-se no momento de sua chegada. "O nosso setor é grande e conta com três tipos de indústrias: as de peque-

A FALÁCIA SOBRE AS AGROINDÚSTRIAS

Apesar de todos os protocolos pensados e os cuidados tomados pelas agroindústrias, estas sofreram uma falácia: de serem o principal local de disseminação do novo coronavírus. Segundo o gerente executivo Jorge Luiz de Lima, o setor agroindustrial já é um setor que pela produção de alimentos, necessariamente precisa tomar cuidados redobrados. "Existem algumas coisas que são importantes frisar. O nosso ambiente pré-Covid já era extremamente seguro. Já se usavam máscaras, toucas, botas, luvas e óculos, todos os EPIs aprovados e regulamentados de acordo com as NRs e voltados para a sanidade na produção de alimentos. Porém, diferentemente do que nós temos dentro da agroindústria, no ambiente comunitário boa parte das pessoas não estão mantendo os devidos cuidados". Ele ainda aponta uma comparação entre o ambiente agroindustrial e o ambiente comunitário, ressaltando que o primeiro está trazendo um benefício para as pessoas por-

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ESPECIAL | NOVO AGRO

que as deixa 8 horas por dia em um ambiente protegido com EPIs de segurança, coisa que no ambiente comunitário não se encontra. Outro ponto ressaltado por Lima é a comparação do ambiente agroindustrial com os demais. "Qual outro setor foi fiscalizado como as agroindústrias?", questiona.

SANIDADE ACIMA DE TUDO

Em 2019 o Brasil exportou produtos de origem animal para 194 diferentes países. Foram mais de 25 milhões de toneladas de carnes e derivados, 60 mil toneladas de derivados lácteos, 660 mil quilolitros de leite e derivados, além de 63 mil toneladas de pescados e derivados. Para poder atender a essa demanda e ser reconhecido pela qualidade de seus produtos, o país registrou até final de dezembro de 2019 através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 3.274 estabelecimentos nacionais sob supervisão do Serviço de Inspeção Federal, sendo todos aptos à exportação de produtos de origem animal, além de 436 estabelecimentos relacionados registrados. Segundo o relatório de gestão de 2019 do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, entre janeiro e dezembro foram emitidos pelo Serviço de Inspeção Federal, 164.881 Certificados Sanitários Nacionais (CSN) e 73.205 Guias de Trânsito (GT), para o acompanhamento de cargas de produtos de origem animal em território nacional. No mesmo período, foram emitidos 371.988 Certificados Sanitários Internacionais (CSI), que acompanham os carregamentos de produtos de origem animal durante o trânsito internacional. “Regularmente somos auditados por países para os quais enviamos nossos produtos, o que só afirma a excelência e qualidade da nossa produção de alimentos”, comenta Lima.

25 60 660

MILHÕES DE TONELADAS DE CARNES E DERIVADOS

MIL TONELADAS DE DERIVADOS LÁCTEOS

MIL QUILOLITROS DE LEITE E DERIVADOS

Um bom exemplo de todo esse cuidado

“NÓS PUDEMOS ANTEVER O QUE ACONTECEU FORA DO BRASIL E NOS PREPARAMOS NO AMBIENTE INTERNO DAS EMPRESAS”. Jorge de Lima.

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na produção de alimentos é Santa Catarina. O Estado comemorou em maio deste ano o status de 20 anos sem vacinação contra a febre aftosa e 28 anos sem a doença no rebanho. Em 2015 também recebeu certificação internacional emitida pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) de zona livre de peste suína clássica.

E QUE APRENDIZADOS A COVID-19 VAI DEIXAR PARA AS AGROINDÚSTRIAS?

Para Jorge Luiz de Lima, o coronavírus vai deixar três elementos de aprendizado. “O primeiro deles é que algumas práticas vieram para ficar, na intensificação de higiene. Segundo, regulamentação. Nós temos que criar regulamentações em tempos de paz para tempos de guerra, ou seja, nós não podemos só criar algumas regulamentações no momento que todo mundo está correndo para apagar esses incêndios. O terceiro é que o setor público e o setor privado não funcionam isoladamente. A integração entre os dois neste momento, sem dúvida alguma, demonstrou que essa parceria é o que nos habilita hoje a estarmos em uma situação melhor, olhando para SC em relação aos demais Estados do país. O nosso setor quando anda em parceria, de mãos dadas, nos traz quesitos positivos”, pontua.


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ESPECIAL | NOVO AGRO

PROCEDÊNCIA DOS ALIMENTOS VALORIZADA A rastreabilidade torna-se fator determinante para o mercado nacional e internacional. por Taís Teixeira

IMPORTÂNCIA DA RASTREABILIDADE

Pós pandemia, o controle dos rebanhos será ainda maior, demostrando a importância de um processo eficaz de rastreabilidade. "É um sistema de certificação que mapeia o produto e confere credibilidade tanto para consumidores quanto para os mercados internacionais", explica o coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NESpro-UFRGS), Júlio Barcellos. Segundo ele, uma vez sendo implantada, a rastreabilidade permite mais informações em tempo real da movimentação dos rebanhos, que é muito importante para a tomada de decisões. "Esse monitoramento, por meio de brincos eletrônicos ou chips, é uma oportunidade para trabalhar com uso de inteligência estratégica, qualidade da comunicação e reconstrução da reputação de muitas marcas e de profissionais".

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DA PROTEÍNA AO HORTIFRUTI A rastreabilidade já vem ajudando os produtores na comercialização de hortifrutigranjeiros. O momento acelerou a adesão dos agricultores a essas ferramentas, alterando as relações de consumo e antecipando a necessidade de buscar novos mercados. Até 2021, todos os produtos hortifrutícolas comercializados in natura devem estar devidamente adequados ao conjunto de procedimentos envolvendo a rastreabilidade. Segundo o Centro de Pesquisa Econômicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, campus da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP) as culturas do grupo 1 (citros, maçã, uva, batata, alface, repolho, tomate e pepino) já têm a obrigatoriedade de estarem com a rastreabilidade plena, enquanto os produtos dos grupos 2 e 3 devem entrar em vigência plena em 1º/08/2020 e em 1º/08/2021, respectivamente.

"A questão sanitária será muito mais demandada, uma vez que a mensagem passada pela pandemia é de fragilidade nessa frente", Roberto Rodrigues.

FOTO: EDILSON RODRIGUES/AGÊNCIA SENADO/SENADO FEDERAL DO BRASIL

C

om o mundo vivendo à sombra da Covid-19, conceitos como segurança alimentar e rastreabilidade despontam como uma preocupação na agenda global de enfrentamento à pandemia. Informações sobre o alimento, desde o plantio até a gôndola no varejo são moedas valiosas. O ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro), Roberto Rodrigues projeta um cenário internacional pós-pandemia com olhos voltados às condições sanitárias, à rastreabilidade dos alimentos e com foco em redução de custos e protecionismo, do ponto de vista comercial. "A questão sanitária será muito mais demandada, uma vez que a mensagem passada pela pandemia é de fragilidade nessa frente". Rodrigues alerta que essa situação não se restringe ao novo coronavírus. "Temos os problemas causados pela peste suína africana na Ásia e em outras regiões e mesmo a gripe aviária, que continua dando trabalho mesmo em países desenvolvidos como a Alemanha", esclarece.


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ESPECIAL | NOVO AGRO

BRDE PRORROGA

EMPRÉSTIMOS E OFERTA CAPITAL DE GIRO EMERGENCIAL Prejuízos causados pelos efeitos da pandemia, como a queda expressiva de faturamento de muitas empresas, levaram a instituição a adotar medidas de auxílio ao cliente. por Taís Teixeira

A

primeira ação implementada foi a suspensão temporária, pelo prazo de até seis meses, das amortizações de empréstimos contratados com recursos próprios do BRDE e também com os fundings que o permitiram. Essa medida beneficiou cerca de 2.380 contratos, em um volume de R$ 278 milhões em pagamentos suspensos temporariamente. A segunda foi a destinação de R$ 300 milhões em recursos próprios para o financiamento de capital de giro emergencial, destinados à microempreendedor individual (MEI) e micro e pequenas empresas, com prazos mais longos, e juros abaixo dos praticados correntemente. O valor foi dividido e distribuído de maneira igualitária entre os estados da Região Sul. O programa chamado Recupera Sul foi modelado de forma a atender as peculiaridades de cada Estado. “No caso de Santa Catarina, prioriza empréstimos entre R$ 20 mil e R$ 200 mil. Mais de 80% das operações já aprovadas – ou em processo de liberação – foram viabilizadas com suporte do Fundo de Aval, que agiliza o processo e dispensa os clientes de apresentar garantias reais”, complementa o Diretor Presidente do BRDE, Marcelo Haendchen Dutra. Segundo ele, o programa foi executado com apoio de instituições parceiras como Sebrae e cooperativas de crédito, que auxiliaram na distribuição de recursos a um maior número de empresas, nas mais diversas regiões do Estado. E saiu do papel “graças à solidez do banco, que conseguiu disponibilizar recursos próprios para apoiar os empreendedores neste momento delicado”. Apoio ao Agro – O suporte ao agronegócio faz parte da história do BRDE. Ao longo dos seus 59 anos de atuação, o Banco vem contribuindo para alavancar negócios tanto de pessoas físicas, no caso de produtores rurais, quanto de pessoas jurídicas. Os empreendimentos apoiados são os mais diversos, partindo desde a produção em nível

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ALGUNS ITENS AVALIADOS PELO BRDE NO CADASTRO: • Conceito cadastral e experiência dos gestores na atividade a ser fundada; • Disponibilidade de garantias reais;

• Situação econômicofinanceira; • Regularidade fiscal da proponente; • Obrigatória regularidade


Paulo César Antoniollo, gerente regional da Mesorregião Oeste Catarinense, destaca o apoio do BRDE ao agronegócio

O Diretor Presidente do BRDE, Marcelo Haendchen Dutra revela que o programa foi executado com apoio de instituições parceiras como Sebrae e cooperativas de crédito

ambiental do empreendimento e sua viabilidade técnicoeconômica. Com sede administrativa e agência na cidade de Porto Alegre (RS), possui também agências em Florianópolis (SC) e em Curitiba (PR), além de um escritório de representação no Rio de Janeiro (RJ) e espaço de divulgação em Campo Grande (MS). Possui também escritórios em 10 cidades da Região Sul.

de propriedade rural, seu beneficiamento primário, armazenagem, transporte, até a industrialização e comercialização junto aos consumidores. "Em cada uma destas etapas, sempre sugerimos os mais adequados produtos financeiros disponíveis, compatibilizando a atividade econômica a ser praticada com as condições financeiras das linhas de crédito a empregar", explica o gerente regional da Mesorregião Oeste Catarinense, Paulo César Antoniollo. Além da atuação direta no apoio ao agronegócio, o BRDE vem obtendo grande destaque também no estímulo ao desenvolvimento de novas tecnologias ligadas ao setor, através do financiamento às empresas que produzem as soluções que serão empregadas pelos agricultores e agroindústrias. "Novos equipamentos para automação de ordenha e manejo de vacas leiteiras, novos métodos de tratamento de efluentes, automação de processos industriais em frigoríficos, eficiência energética, bem como softwares para gestão de propriedades rurais e suas cooperativas, são alguns exemplos de projetos inovadores que o BRDE tem incentivado", enumera Antoniollo. O BRDE é um banco público que opera com recursos reembolsáveis, isto é, financiamentos, e atende pessoas física jurídicas e municípios. Projetos de Investimento em Máquinas e Implementos, Inovação, Energia Renovável e Infraestrutura, Turismo, Agronegócio são áreas contempladas pelo BRDE. Para ter acesso aos serviços disponibilizados, é preciso passar pela análise e aprovação de crédito, segurança que facilita o retorno do capital financiado, possibilitando assim, que o retorno dos recursos possam financiar ainda mais empreendimentos. Mais informações sobre as linhas de financiamento estão no site https://www.brde.com.br/

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ESPECIAL | NOVO AGRO

ECONOMIA QUE

VEM DO SOL O Brasil é um dos países mais ensolarados do mundo e, para tirar proveito disso, o uso de painéis fotovoltaicos se torna uma alternativa de economia para o empresário rural, pois ele passa a gerar a sua própria energia. por Tuanny de Paula

O

segurança de ter poucos danos ambientais. Foi pensando nessa economia que o empresário rural, Mário Fries, aderiu ao sistema de placas fotovoltaicas. Há mais de 33 anos dedicados a criação de suínos, Fries se especializou em matrizes. Atualmente conta com 1.100 leitoas e um estoque de mais de 4 mil leitões por mês, que são recolhidos a cada quatro semanas.

“A FATURA MENSAL CAIU 90%, ALGUNS MESES ATÉ MAIS. EU GASTAVA EM MÉDIA 3 MIL REAIS EM ENERGIA, AGORA PAGO CERCA DE R$ 200 POR MÊS”. Mario Fries.

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FOTO: TUANNUY DE PAULA

agronegócio é um dos mais importantes setores do Brasil, tendo gerado em 2019 mais de R$ 630 bilhões. E para se manter próspero, a procura por modernização nos processos de produção se torna muito importante, principalmente neste momento que estamos vivenciando a crise da Covid-19. Entre as alternativas de inovação está o setor de energia solar. Em uma crescente que se iniciou em 2000, o mercado de energia solar passou a se destacar pelo alto potencial de retorno econômico para quem adere. Na agricultura, ao trabalhar com esse sistema, o empresário rural fica livre da dependência por outras fontes não renováveis. Segundo o consultor técnico da Ilumisol, Leodir Parizotto, a energia fotovoltaica é 75% mais barata para produzir do que por outros sistemas convencionais. Automaticamente tem um retorno mais rápido e com a

"Com o aumento da produção e o tamanho da granja - que estamos ampliando no momento -, um dos itens que entra forte no custo de produção é a energia. Nós temos sistemas de climatização e são muitos motores ligados constantemente, ou seja, todos esses itens consomem bastante energia. Por isso a alternativa das placas solares para baixar esse custo", explica Fries. Assim, o sol assumiu uma função extra na propriedade de Mario. Foram 165 placas fotovoltaicas instaladas pela Ilumisol, em setembro de 2019, e nesses nove meses ele já pôde sentir a diferença na conta de luz. "Notei que a fatura mensal caiu 90%, alguns meses até mais. Eu gastava em média R$3.000,00 em energia, agora pago cerca de R$ 200 por mês". Quem também sentiu diferença na conta de luz foi o avicultor Ricardo Dalla Costa. Criador de frangos de corte, no interior de Cordilheira Alta (SC), ele conta com mais de


FOTO: ILUMISOL

Em 2019, o Brasil atingiu a marca de unidades consumidoras de energia solar.

9.600 metros quadrados de aviário e 135 mil frangos que são carregados a cada 30 a 45 dias, neste período de pandemia. Todo esse volume de produção gerava um gasto de energia de cerca de R$9.000,00 por mês. Agora esse custo caiu para uma média de R$ 400 por mês. "A geração de energia solar através das placas fotovoltaicas viabiliza o negócio. Nós já tínhamos o sistema instalado em nossa casa há três anos e agora resolvemos instalar 306 placas nos aviários e já pudemos sentir a diferença de valor em apenas três meses de uso na produção dos frangos de corte", conta Dalla Costa.

ENERGIA DO PRESENTE

Em tempos em que questões econômicas estão em evidência em função da crise do coronavírus, pensar em alternativas sustentáveis para a geração de energia

fazem ainda mais sentido. E se engana quem pensa que o custo de sistemas fotovoltaicos é alto. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), eles ficaram 80% mais baratos no Brasil nos últimos 10 anos. Conforme salienta Leodir Parizotto, da Ilumisol, atualmente qualquer pessoa pode ter acesso a essa alternativa de energia, pois ela se torna um investimento com retorno a curto prazo. "Não dá mais pra dizer que a energia fotovoltaica seja o futuro. Ela já é o presente". "Para o empresário rural, a fonte de energia fotovoltaica oferece um retorno viabilizando a propriedade em questão de custos. Hoje o lucro resume-se a redução de custos. Para produzir um litro de leite tem um custo de energia e a partir do momento que o produtor tem sua geração própria de energia, se reduz o custo dessa produção", explica Parizotto.

SAIBA MAIS A Ilumisol Energia Solar é uma franquia que está presente em todo Brasil. Na cidade de Chapecó, a empresa atende toda a região Oeste catarinense e Noroeste gaúcho, contabilizando mais de 68 municípios. Em toda essa região já foram instalados pela Ilumisol Chapecó mais de 150 sistemas fotovoltaicos , totalizando 7.407 módulos com uma potência total instalada de 2.67 MWp.

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FONTE: ABSOLAR.

300 mil


ESPECIAL | COOPERATIVAS DO FUTURO

O FUTURO ESTÁ NA COOPERAÇÃO Com 131 anos de história, a cooperação trilhou um caminho de crescimento e prosperidade. Agora, um novo passo é dado para o futuro. por Tuanny de Paula

N

o dicionário, cooperativismo significa um sistema econômico e social em que a cooperação é a base que constrói todas as atividades econômicas. Ou seja, quando várias pessoas se unem para cooperar por um bem comum e gerar resultados conjuntos. Neste mês de Julho, mais precisamente no dia 04, comemorou-se o Dia Internacional do Cooperativismo, para relembrar os benefícios do sistema e de que forma ele contribui para um futuro mais digno e abundante para quem vive em sociedade. E se engana quem pensa que a cultura da cooperação é jovem. Ela existe há mais de 200 anos no mundo, iniciando-se em 1844, na cidade de Rochdale-Manchester, no interior da Inglaterra. No Brasil, a cooperação é observada desde a época da colonização portuguesa, mas só foi oficializada em 1889, com a fundação da Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, em Minas Gerais. Posteriormente surgiram outras cooperativas nos estados de Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Ao longo desses 131 anos de história em solo brasileiro, muitas conquistas foram realizadas e muitos associados puderam crescer econômica e socialmente.

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Conforme enfatiza o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, mais que um modelo de negócios, o cooperativismo é uma filosofia de vida que busca transformar o mundo em um lugar mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos. Um caminho que mostra que é possível unir desenvolvimento econômico e desenvolvimento social, produtividade e sustentabilidade, o individual e o coletivo. “Tudo começa quando pessoas se juntam em torno de um mesmo objetivo, em uma organização onde todos são donos do próprio negócio. E continua com um ciclo que traz ganhos para as pessoas, para o país e para o planeta”, comenta. Quem também enfatiza a importância do papel do cooperativismo na sociedade é o presidente do Sicoob Maxicrédito, Ivair Luiz Filippi Chiella. Segundo ele o cooperativismo nasceu de demandas da sociedade, através da organização de grupos, que buscavam mais oportunidades. Ao longo dos anos foi expandindo suas fronteiras e hoje está em diversos ramos de atuação, possibilitando que


“MAIS QUE UM MODELO DE NEGÓCIOS, O COOPERATIVISMO É UMA FILOSOFIA DE VIDA QUE BUSCA TRANSFORMAR O MUNDO EM UM LUGAR MAIS JUSTO, FELIZ, EQUILIBRADO E COM MELHORES OPORTUNIDADES PARA TODOS”. Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB.

muitas pessoas façam parte desse movimento. Assim como outras áreas, evolui em tecnologia, evolui em normativos, sempre buscando o melhor para os seus cooperados, que são a principal razão de existência.

COOPERATIVISMO CATARINENSE

O cooperativismo catarinense tem tido a habilidade necessária para enfrentar as crises e manter a sustentabilidade dos negócios e a viabilidade dos diversos ecossistemas, clusters e cadeias produtivas ao longo desses anos. As cooperativas catarinenses cresceram 13,71% em 2019 - 12 vezes mais que a economia brasileira - e obtiveram receita operacional bruta de 40,7 bilhões de reais. As 254 cooperativas catarinenses reúnem mais de 2,7 milhões de associados, podendo-se destacar a grande presença feminina. De acordo com um levantamento da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), atualmente elas representam 40% do quadro de

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ESPECIAL | COOPERATIVAS DO FUTURO

“O COOPERATIVISMO É O CAMINHO PARA UM MUNDO MELHOR, POIS BUSCA UMA RELAÇÃO JUSTA E IGUALITÁRIA, ENGRANDECE AS PESSOAS NOS LOCAIS ONDE ELAS ESTÃO”. Ivair Luiz Filippi Chiella, presidente do Sicoob Maxicrédito.

associados. Esse índice era de 8% em 2005. “Santa Catarina é um Estado com sangue muito cooperativista. Tem raízes muito fortes, que iniciaram com as cooperativas agropecuárias que, por sua vez, abriram espaço para os outros ramos, inclusive o de crédito, que cresce a passos largos. Por esse motivo, está em diversos setores, o que faz com que contribuam efetivamente na economia de nosso Estado, fazendo com que os negócios locais se mantenham, formando um círculo virtuoso de desenvolvimento sustentável”, sublinha Chiella.

AS COOPERATIVAS CATARINENSES CRESCERAM 13,71% EM 2019 - 12 VEZES MAIS QUE A ECONOMIA BRASILEIRA

O FUTURO DAS COOPERATIVAS

Neste ano, as cooperativas foram desafiadas para uma nova realidade. A pandemia causada pelo novo coronavírus está provocando mudanças e transformações na forma de organização do trabalho, nas estruturas de produção econômica e no próprio tecido social em todos os países.

É UM NOVO CAMINHO A SER TRILHADO PARA O FUTURO.

É sabido que o cooperativismo sempre se destacou por sua capacidade de passar pelas crises, com prejuízos menores do que as outras empresas, graças à sua constituição, baseada na união das pessoas. Diferentemente dos tradicionais modelos empresariais, que buscam predominantemente retorno no curto prazo em

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mercados extremamente voláteis e instáveis. “No cooperativismo, é muita gente de olho no negócio, nas possibilidades de solução de problemas e, até, de antecipação das próprias crises”, afirma Freitas, presidente da OCB. Além disso, o olhar de órgãos públicos nessa construção conjunta se torna essencial para concretizar e alavancar o trabalho. “Por isso, acredito muito que o futuro das cooperativas seja estar cada vez mais presente na nossa sociedade. O cooperativismo é o caminho para um mundo melhor, pois busca uma relação justa e igualitária, engrandece as pessoas nos locais onde elas estão”, reitera o presidente do Sicoob Maxicrédito.


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ESPECIAL | COOPERATIVAS DO FUTURO

“EM MEIO À PANDEMIA, O BALANÇO É POSITIVO” Em tempos de crise, o cooperativismo brasileiro é exemplo de resiliência e criatividade.

N

o cenário desafiador imposto pela pandemia, as cooperativas seguem produzindo alimentos para abastecer o mundo. A Cooperalfa integra este movimento de sustentação da economia brasileira. Nesta entrevista, o presidente da cooperativa, Romeo Bet revela as estratégias do setor para atravessar este momento e suas expectativas para os próximos meses. Tínhamos a expectativa do país crescer 2% do PIB este ano, ou seja, seriam 2 milhões de empregos formais a mais. Em março, o Titanic muda de rumo de forma abrupta com o novo coronavírus. Qual seu sentimento nesses últimos dias? Estamos vivendo algo totalmente diferente dos últimos 100 anos, após a gripe espanhola. O Brasil esboçava deslanchar e a COVID-19 mexeu com a vida da Terra. É um momento delicado, com o barco à deriva e sem timoneiro. Veem-se empresários angustiados. Gostaríamos de desfrutar de um rumo. Não o temos! Quando o vírus vai parar? Quando será o pico da curva? Resta-nos os cuidados e prosseguir, todos unidos.

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É ALTA A PROCURA INTERNACIONAL POR CARNES. ESSE FATOR AJUDA A MANTER AS ATIVIDADES AGROPECUÁRIAS INTERNAMENTE. TIVEMOS UM QUADRIMESTRE BOM EM 2020, COM BOA SAFRA, PREÇOS COMPENSADORES E RESULTADOS ANIMADORES.

FOTOS: ASSESSORIA DE IMPRENSA COOAPERALFA

Qual o cenário atual das cooperativas e agroindústrias? Por incrível que pareça, com o câmbio supervalorizado, aquela fatia de produtos exportados - no caso da Aurora Alimentos são cerca de 20% -, está sendo bem valorizada. É alta a procura internacional por carnes. Esse fator ajuda a manter as atividades agropecuárias internamente. Tivemos um quadrimestre bom em 2020, com boa safra, preços compensadores, e resultados animadores. O agricultor está satisfeito e, junto com ele, efetivamos negócios, a exemplo do Galpão Cheio Alfa, pois a equivalência de troca beneficiou, naquele momento, o comprador. Se o dólar estabilizar, ou cair, lógico que o cenário muda. Como isso ninguém sabe se vai acontecer, a sugestão que damos ao associado é que compre o que precisa e se tranquilize. Proteínas, como aves, leite e suínos, seria possível ´ver´ os próximos meses? A não ser que haja uma reviravolta, algum fato novo, a tendência das proteínas continuará de satisfatória a boa, seja para as indústrias, seja para o produtor. Exceção seja feita ao leite, cujo preço não está tão compatível quanto deveria. Caso a procura de fora por carnes continue acelerada, deveremos ter um 2021 bem interessante. Com a atual volatilidade do dólar, como está o planejamento logístico para a chegada dos insumos? Antes mesmo da virada do ano, já compramos alguns estoques e no início de 2020 operamos mais compras. Estamos aproveitando a ida de soja ao porto, para os fretes de retorno. E os compradores podem ficar tranquilos. Na hora do plantio, todos os pedidos serão atendidos.

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Em relação aos investimentos, a Alfa está em que nível? O bom senso indica levantar o pé do acelerador, exceto naqueles planos que já estavam em andamento. Os demais projetos, colocamos as barbas de molho. Com a elevada compra de cereais (soja e milho) a preços altos e grandes volumes, tivemos que contrair financiamentos a curto prazo. Em três ou quatro meses, vamos observar muito bem quais investimentos poderão ser contratados. Tudo vai depender dos resultados gerais da cooperativa e isso, hoje, são uma incógnita. Há um grande investimento previsto para quase R$ 300 milhões, que é a nova indústria de soja. Como está este projeto? A terraplanagem está praticamente finalizada, e o ´coração´ da indústria (extração), que soma em torno de R$ 70 milhões, já foi contratado e em breve deveremos estar levantando mais recursos, para mais um passo da obra. Tudo deverá estar concluído no fim de 2022, se nada de estranho atravessar o caminho.

COOPERALFA PREVÊ INVESTIMENTO DE R$300 MILHÕES NA CONSTRUÇÃO DA NOVA INDÚSTRIA DE SOJA

Em 2019, a frota técnica da Alfa girou 103 voltas na Terra prestando assistência, com mais de 4 milhões de quilômetros rodados. Como fica esse serviço para esse período, incluindo eventos? Tivemos uma certa interrupção nos contatos presenciais, momentaneamente. Tão logo se normalize a situação, pretendemos manter o mesmo ritmo. Os programas sociais foram suspensos (Jovens Liderança, Mulheres). Se os encontros puderem ser feitos com segurança, vamos retomar tão logo sejam permitidos pelas autoridades competentes. A Cooperalfa vai continuar executando o CDA? Sim, este ano não tivemos e em 2021, já decidimos que, também não. Porém, provavelmente em 2022 retornaremos. Para isso, estamos preparando nova área, pelo menos para os sócios do RS, MS e Oeste de Santa Catarina. Que outros destaques o senhor apontaria, os quais não foram aqui indagados? Todos os dias, assinamos adesão de novos sócios, sendo a maioria, jovens. Isso é bom! As diretorias futuras deverão olhar com carinho para esse movimento de mudanças. Tenho absoluta segurança na continuidade da cooperativa. É evidente que a Alfa, nos

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próximos anos, terá que ser repaginada, em algum sentido. Se tudo muda, não é a cooperativa que vai ficar paralisada. Esse papel caberá à próxima diretoria a partir de janeiro de 2021, o de acompanhar essa evolução. Exceção a alguma catástrofe, como essa do vírus e a do cenário político atual, a Alfa deverá se manter firme. O papel primeiro é da Alfa, é o de continuar gerando segurança para que os cooperados consigam negociar com tranquilidade e confiança.

Como o senhor se sente, hoje, à frente da Alfa, já perto de findar seu 3º mandato? Na saúde, me sinto bem. Claro, na minha idade, é natural perder um pouco o vigor. No fim do ano, como rotina, certamente uma avaliação geral de minhas condições físicas será necessária. Independe de mim, tudo deve prosseguir, e bem! Quem estiver no comando, caso eu não esteja, que possa ter o mesmo equilíbrio e o mesmo discernimento, assim como foram as gestões anteriores. E que ninguém esqueça da essência da Alfa que é o de cuidar dos negócios com seriedade e das pessoas. Uma palavra final Otimismo, sempre! Fazer as coisas bem-feitas. Cada um na sua atividade, buscar seu espaço, inovar, pois a evolução tecnológica é impressionante. Assumir e executar. Uma lavoura bem conduzida, o produtor de leite assimilar a assistência técnica, melhorar a genética e o produto final, da mesma forma o suinocultor e o avicultor. Por ora, talvez, não avançar o sinal em termos de negócios. E que, o mais rápido possível, tudo fique mais claro em relação a essa pandemia. Que o Menino Jesus proteja a cada um pois, tendo saúde, temos mais prazer em relação à vida e a tudo aquilo que precisa ser feito.


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ESPECIAL | COOPERATIVAS DO FUTURO

COOPERATIVISMO NA ESSÊNCIA Se você procurar na internet, ou até mesmo no dicionário, a definição de “Cooperativismo”, provavelmente vai encontrar diferentes explicações. Porém, para começar a entender essa filosofia, é preciso mergulhar em um universo permeado por realidades e histórias singulares. Afinal de contas, qual o verdadeiro significado da cooperação? por Alisson Moro

O

cooperativismo é muito antigo, tendo notoriedade há centenas de anos. Há quem diga que o sistema existe desde os primórdios da humanidade, já que alguns povos ancestrais praticavam a ajuda mútua para conseguir sobreviver. Entretanto, o primeiro registro oficial do modelo é de 1844. Neste ano, no interior da Inglaterra, foi fundada a primeira cooperativa da história. De lá pra cá, o cooperativismo só evoluiu e se consolidou como um importante modelo de gestão, que trata com equilíbrio de questões econômicas, sociais e ambientais, o que garante sua sustentabilidade e longevidade. Com base em sete princípios imperativos, as cooperativas carregam na essência o bem-estar das pessoas, o interesse pela comunidade e a participação igualitária e econômica dos membros. Um grande exemplo, e também um dos maiores sistemas cooperativistas do Brasil, nasceu em Chapecó (SC). Em 1969, representantes de oito cooperativas da região Oeste catarinense, conduzidos pelo líder cooperativista Aury Luiz Bodanese (em memória), deram início à história da Cooperativa Central Aurora Alimentos. Hoje, decorridas mais de cinco décadas, a Aurora apresenta-se como uma das maiores cooperativas de alimentos do país. Para alcançar este patamar, milhares de pessoas contribuem e somam. São mais de 100 mil famílias que cooperam desde o campo, passando pela indústria e comercial, até que os alimentos da cooperativa cheguem à mesa de consumidores do Brasil e do mundo.

68 SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO JANEIRO 2020 2020

NÚMEROS DO COOPERATIVISMO NO BRASIL

6,8 mil

O Brasil possui mais de

cooperativas

O cooperativismo emprega mais de

425 mil pessoas em todo o país

*Dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)


Lanznaster avalia que 2019 foi um ano de excelentes resultados para a indústria brasileira da carne, em razão do sucesso das exportações

PRINCÍPIOS DO COOPERATIVISMO • Adesão voluntária e livre; • Gestão democrática pelos membros; • Participação econômica dos sócios; • Autonomia e independência; • Educação, formação e informação; • Intercooperação; • Interesse pela comunidade. No Brasil, o cooperativismo possui mais de 14,6 milhões de cooperados No mundo existem mais de 3 milhões de cooperativas

SETOR SETOR AGRO&NEGÓCIOS AGRO&NEGÓCIOS | JANEIRO | JULHO 2020 69


ESPECIAL | COOPERATIVAS DO FUTURO A família Tormem, associada à Cooperalfa é uma das 100 mil famílias da Aurora Alimentos

“AO MESMO TEMPO EM QUE VALORIZA O TRABALHO, O COOPERATIVISMO EXERCITA VALORES ESSENCIAIS, COMO A SOLIDARIEDADE, A VALORIZAÇÃO DA COMUNIDADE E A CIDADANIA”, MARIO LANZNASTER, PRESIDENTE DA COOPERATIVA AURORA ALIMENTOS. 70 SETOR AGRO&NEGÓCIOS | JULHO 2020

Ao lado da Aurora estão 11 cooperativas agropecuárias. Juntas, elas formam o chamado “Sistema Aurora”, cujo relacionamento é prático e profundamente consolidado. A Aurora é responsável por industrializar a produção dos mais de 65 mil empresários rurais associados às cooperativas filiadas.

COOPERAÇÃO NA PANDEMIA

Ao longo da pandemia do novo coronavírus, o cooperativismo tem se manifestado de diversas formas. As sensações de união e colaboração têm aflorado com maior intensidade em parte da população. Sentimentos capazes de produzir verdadeiras lições de amor ao próximo e de cooperação. Das grandes campanhas e movimentos que arrecadam doações e fundos destinados a grupos vulneráveis e a instituições sociais, até às singelas atitudes de ajudar vizinhos com as compras ou de aplaudir nas janelas os profissionais da saúde e dos demais serviços essenciais. O presidente da cooperativa Aurora Alimentos, Mario Lanznaster define o cooperativismo como um modelo de organização humana que une e estimula a capacidade de trabalho e de produção das pessoas, desenvolvendo ações de natureza econômica e permitindo que os resultados revertam para cada um na proporção direta de seu esforço. “Ao mesmo tempo em que valoriza o trabalho, o cooperativismo exercita valores essenciais, como a solidariedade, a valorização da comunidade e a cidadania”, destaca o líder cooperativista. As pessoas são o maior patrimônio do cooperativismo, um modelo pensado e realizado com o grande objetivo de proporcionar o melhor para quem dele faz parte, seja atendendo às necessidades ou buscando a prosperidade conjunta. E assim, a cada pequeno gesto, o cooperativismo contribui para tornar o mundo um lugar mais justo, humano e acolhedor. Para que este ideal possa ser concretizado, é primordial que cada pessoa tenha o cooperativismo na essência.


ANS - nº 354295

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FOTO: JUNIOR DUARTE

EVENTO

MERCOAGRO 2020 CONFIRMADA PARA NOVEMBRO A expectativa de público é de até 20 mil pessoas, com projeção de transações de US$ 200 milhões.

A

s ações para realização da Mercoagro 2020 estão em pleno andamento. A Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne foi recentemente transferida de setembro para novembro deste ano em razão da pandemia. A 13ª edição da Mercoagro, maior exposição-feira do setor na América Latina, está agora programada para o período de 17 a 20 de novembro de 2020, de terça a sexta-feira, no Parque de Exposições Tancredo de Almeida Neves, na cidade de Chapecó (SC). O gerente do projeto Mercoagro e coordenador geral Nadir José Cervelin assinala que – independentemente do estágio em que estará o cenário epidêmico em novembro – será adotado um rigoroso protocolo de segurança sob fiscalização do Serviço de Vigilância Sanitária para garantir a proteção de todos os públicos envolvidos: expositores, visitantes, equipe de apoio, fornecedores, patrocinadores e imprensa especializada. O fundamental, observa o gestor, é assegurar a saúde das pessoas. Para isso, serão implementados todos os cuidados com os visitantes, incluindo medição de temperatura, uso de máscaras e disponibilização de álcool em gel. Procedimentos-padrão serão observados no transporte, na higienização interna e externa dos ambientes e no uso das toilettes. A feira dispensará especial atenção no ingresso dos visitantes, agilizando o credenciamento prévio e in loco, e disciplinará a circulação dentro dos pavilhões e o acesso aos estandes dos expositores no sentido da obediência às normas de distanciamento social. Cervelin observa que as pessoas que participam da Mercoagro trabalham direta ou indiretamente com as indústrias da carne e, portanto, estão habituadas com as normas e procedimentos de limpeza, higiene e segurança sanitária. “Essa situação facilita a coordenação e o controle da dinâmica da exposição-feira em benefício da saúde coletiva”,

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acrescenta. As previsões iniciais para o desempenho da feira devem se manter, confia a Comissão Central Organizadora. Está mantido o conjunto de expositores (231 estandes e mais de 400 marcas) e o público visitante, formado basicamente por compradores, deve situar-se entre 15 mil e 20 mil pessoas. É provável que muitas visitas presenciais sejam transformadas em contatos virtuais, contribuindo para o fechamento de negócios. A projeção de transações que a feira oportunizará (negócios fechados durante a feira, negócios agendados e negócios fechados nos meses seguintes) continua na casa de US$ 200 milhões de dólares. Esse otimismo é realista e se lastreia no fato das indústrias da proteína animal viverem, apesar da pandemia, uma fase de plena produção e excelente nível de vendas para o mercado externo.

PARCEIROS INSTITUCIONAIS A feira é promovida e organizada pela Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC), com patrocínio da Aurora Alimentos, Unimed Chapecó, BRDE e Sicredi, parceria da Prefeitura de Chapecó e apoio do Nucleovet, Abrafrigo, Facisc, Unoesc, Embrapa, Sincravesc, Asgav/Ovos RS, Chapecó e Região Convention & Visitors Bureau, ABPA, Sihrbasc, Fiesc, Senai, Sesi, Unochapecó, Sebrae, Safetrading e Sicoob. A comercialização é da Enterprise Feiras e Eventos.

PLATAFORMA MULTIMÍDIA SETOR AGRO&NEGÓCIOS É A MÍDIA OFICIAL DO EVENTO


Lições para o

Futuro 03 DE AGOSTO

EVENTO ONLINE

Em sintonia com os acontecimentos e aprendizados recentes, a ABAG promoverá o 19º Congresso Brasileiro do Agronegócio, apenas no formato ONLINE. Com o tema Lições para o Futuro, o evento terá uma ampla discussão sobre o peso geopolítico que o Brasil tem no campo da segurança alimentar, o nosso desafio logístico, a necessidade de mecanismos financeiros eficientes, as questões ambientais e as consequências disso tudo para a economia brasileira.

Faça sua inscrição gratuita e participe do maior evento do agro brasileiro.

www.congressoabag.com.br


OPINIÃO Por Eldemar Neitzke

O

Eldemar Neitzke É formado em Administração, com Mestrado em Gestão Estratégica, MBA em Marketing Estratégico e pós-graduado em Gestão Empresarial, Diretor da N & N Gestão de Estratégias Comerciais

ano de 2020 iniciou com excelentes perspectivas de mercado, em especial para os brasileiros, que após cinco anos de dificuldades econômicas, o horizonte era de otimismo e excelentes perspectivas. As mudanças e expectativas foram suprimidas devido ao surgimento do vírus da Covid-19, que surgiu na China e espalhou-se pelo mundo. Em meio as facilidades de deslocamento internacionais, fruto da globalização, o vírus espalhou-se de maneira rápida pelo mundo, e assim medidas sanitárias foram realizadas afetando as economias mundiais. Um cenário de decisões no mínimo questionáveis, foram realizadas e pela primeira vez o mundo experimenta o processo de quarentena horizontal. Os estragos econômicos, advindos dessa estratégia, da restrição da liberdade de ir e vir da população, são visíveis em todo mundo com aumento do desemprego, fechamento de empresas, pessoas deprimidas e recessão mundial. Felizmente, o Brasil com a pujança do agronegócio consegue minimizar os efeitos internos, ajudando na diminuição dos prejuízos econômicos, decorrente de atitudes pouco

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sensatas para esse desafio global. Há anos o Brasil se destaca na geração de renda do Agronegócio, com o fortalecimento do PIB, e esse ano batemos o recorde de produção de grãos. Segundo a Conab, a safra de 2019/2020 deve superar os 250 milhões de toneladas, mesmo com as secas ocorridas na região Sul. A produção de proteínas no Brasil segue nesse período de Covid, fazendo sucesso, com excelente desempenho das carnes bovina, suína e de aves. O mundo precisa adquirir carnes brasileiras, devido as suas carências de água, solo, mão-de-obra, fotossíntese e matéria-prima (grãos), fundamental para atingir-se essa produção. O que podemos esperar nos próximos meses para esse setor, quais as lições e oportunidades se fazem presentes? A tendência é o aumento das exigências sanitárias, retirada de princípios químicos já restringidos no mercado mundial na produção de grãos e proteínas, pois isso será moeda de troca para as negociações. A avicultura é um excelente exemplo dos avanços e resultados obtidos nesse contexto, seguido a passos

largos pela suinocultura, bovinocultura de corte e leite. As crises servem para mostrar oportunidades, e certamente teremos muitos avanços em todas atividades, sendo fundamental o olhar atento e criterioso da gestão da rotina das atividades, procedimentos operacionais, manejos, programas de sanidade, rotações de culturas, melhoramento da vida biológica dos solos, análises e correção de solos, e demais atividades importantes e pertinentes a cada cultura e ou exploração pecuária. É necessário o monitoramento de comentários e postagens em mídias sociais por formadores de opiniões que não tem a mínima ideia e conhecimento da nossa atividade, que por interesses diversos, tendem a difamar a nossa imagem interna e externa de sucesso. O agronegócio e seus colaboradores estão preparados para enfrentar mais esses desafios. Ajustes se farão necessários, porém, o agronegócio continuará a conquistar mais espaço e produtividade, sendo mais pujante no cenário internacional, mostrando sua competência em fazer o seu melhor. Por sermos um setor forte sairemos gigantes dessa etapa.

FOTO: SHUTTERSTOCK

GESTÃO DO AGRONEGÓCIO PÓS CORONAVÍRUS


18 DE NOVEMBRO NO DIA

acontece o II Fórum Internacional Agro Sem Fronteiras, Fronteiras em Chapecó (SC). O evento fará parte da programação da 13° Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne (Mercoagro). (Mercoagro INSCREVA-SE GRATUITAMENTE EM

setoragroenegocios.com.br/forumdoagro

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