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Ano 3

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N° 22 . Julho 2012

ISSN 2179-6653

RIO+20 A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável e os desafios da produção de alimentos rumo a sustentabilidade


CONSTRUINDO LAÇOS Há 35 anos no mercado, a Gráfica Nacional agora oferece o que há de melhor no mundo em termos de tecnologia gráfica, uma moderna impressora japonesa RYOBI GE 524. A RYOBI GE 524 possui recursos tecnológicos de última geração, garantindo precisão, rapidez e uniformidade das cores desde as primeiras folhas impressas. Gráfica Nacional, inovando para melhor atendê-los.

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preocupação com o transporte animal por meio rodoviário é relativamente nova se comparada à prática dos criadores. Não existe Lei específica sobre o assunto. No máximo encontra-se regulamentação sobre o transporte de animais de pequeno porte. A iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ao entregar ao Ministério da Agricultura a plataforma de Gestão Agropecuária (PGA) com um banco de dados único sobre a criação e o transporte dos animais em todos os Estados brasileiros, parece que despertou a atenção para essa necessidade. O documento foi entregue em abril deste ano, no dia 26 de junho o MAPA publicou a Portaria n º 575. As instruções são para criar um grupo de trabalho (GT) para regulamentar essa modalidade de transporte. Outra finalidade é desenvolver material técnico para qualificar os atores desta etapa da cadeia produtiva. O trabalho está dentro das ações da Comissão Técnica Permanente de Bem-estar Animal do Mapa. Como informou o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo, Erikson Chandoha, um transporte inadequado pode causar lesões, hematomas, perda de peso, comprometimento do rendimento de carcaça e até causar a morte do animal. Um dado alarmante para um país que exportou no ano passado, 1,4 milhões de toneladas de carne bovina. Os trabalhos do grupo têm previsão de durarem dois anos. Secretarias de desenvolvimento, ministérios, universidades, departamentos de inspeção animal, dentre outros, formam o conjunto para a realização destas atividades. Já nesta edição da revista leia um artigo técnico, em Saúde Animal, sobre conforto animal em exposições agropecuárias. O artigo traz também abordagens sobre o transporte animal e os cuidados para não ocorrer lesões, atual preocupação do MAPA. Confira também uma reportagem sobre a Rio+20. A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável e o desafio da produção de alimentos. Em Grandes Criatórios, um baiano até no apelido, conta a história de seu Haras na criação do Mangalarga Marchador. Dia de Campo traz uma matéria com o Seu Nelcino, em Ipanema (MG), e o cultivo do milho crioula. Nesse embalo, trazemos uma receita de milho verde. Já na seção mão na massa aprenda a fazer a Calda Viçosa, uma mistura de nutrientes com ação fungicida. Já aos domingos não se esqueçam de assistir o Programa Agrominas às 9h na TV Leste / Record. Boa leitura! Cleuzany Lott

índice

editorial

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Editora-Chefe

4 Giro no Campo 6 Entrevista 10 Entidade de Classe 12 Grandes Criatórios 16 Dia de Campo 20 Saúde Animal 22 Caderno Técnico 25 Forragicultura 28 Agrovisão 30 Sustentabilidade 32 Perfil Profissional 34 Meteorologia 36 Mercado 38 Cotações 39 Mão na Massa 40 Emater | IMA | ADAB 44 Aconteceu 46 Culinária

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Programa Agrominas Domingo 9h - TV Leste / Record

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Giro no Campo

Safra de grãos é de 162,6 milhões de toneladas A estimativa para a safra de grãos 2011/12 é de 162,6 milhões de toneladas, segundo o décimo levantamento de safra divulgado na quinta-feira, dia 05 de julho, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Brasília. O estudo aponta 0,1% a menos do que o obtido na safra 2010/11, quando atingiu 162,8 milhões de toneladas. Os dados mostram um crescimento da produção do milho segunda safra de 60,9% ou o equivalente a 13,08 milhões de toneladas sobre a última safra, alcançando 34,57 milhões de toneladas (t). No ano passado, foram colhidas 21,48 milhões de toneladas. Os resultados na produção do milho se devem às condições favoráveis da cultura nas áreas de maior produção. Já a estimativa para as safras consolidadas (primeira e segunda safras) apresenta um crescimento de 21% ou de 12,07 milhões de t., alcançando 69,48 milhões de toneladas. (Fonte: ASCOM MAPA)

A movimentação nas lavouras de Minas Gerais para o plantio da terceira safra de feijão indica que o bom momento do mercado deve impulsionar a produção em 2012. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a colheita total do Estado (três safras) será da ordem de 628 mil toneladas. Com base no acompanhamento realizado pela Emater-MG nas áreas de produção, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) informa que os agricultores estão investindo em tecnologia para aproveitar o bom momento do mercado. Os preços do produto variam atualmente de R$ 180,00 a R$ 210,00 o saco de 60 quilos. No mesmo período de 2011, a variação era de R$ 100 a R$ 110,00. (Fonte: Ivani Cunha/Seapa) 4

Na terceira semana de junho, com cinco dias úteis, a balança comercial brasileira registrou superávit (saldo positivo das exportações em relação às importações) de US$ 389 milhões, com média por diária de US$ 77,8 milhões. No período, as exportações foram de US$ 5,049 bilhões (média diária de US$ 1,010 bilhão) e as importações totalizaram US$ 4,660 (média diária de US$ 932 milhões). Assim, na terceira semana de junho, a corrente de comércio (soma de exportações e importações), chegou a US$ 9,709 bilhões (média diária de US$ 1,941 bilhão), valor que representa aumento de 1,5 % em relação à média diária de maio deste ano (US$ 1,976 bilhão) e retração de 1,9% em relação à de junho de 2011 (US$ 2,045 bilhões). No acumulado do ano, o saldo comercial está superavitário em US$ 6,330 bilhões (média diária de US$ 55 milhões), com exportações de US$ 107,921 bilhões (média diária de US$ 938,4 milhões) e importações de US$ 101,591 bilhões (média de US$ 883,4 milhões). (Fonte: ASCOM MDIC)

Vazio Sanitário da Soja tem início dia 1º de julho em Minas Gerais Começou no domingo 1º de julho, em Minas Gerais, o Vazio Sanitário da Soja. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) alerta os produtores que, até o dia 30 de setembro, é proibido o plantio ou a manutenção de plantas vivas em todo o estado. O objetivo da ação é reduzir a proliferação do fungo causador da Ferrugem Asiática, praga que ataca a cultura e causa sérios prejuízos econômicos aos produtores da oleaginosa. O vazio sanitário é um período de ausência total de plantas vivas de soja, excluindo as áreas de pesquisa científica e de produção de sementes genéticas que são devidamente monitoradas e controladas após autorização do Comitê Estadual para Controle da Ferrugem Asiática da Soja. São 90 dias sem quaisquer plantas vivas em todo território mineiro. Em outros estados, a data prevista para o período do vazio sanitário pode variar, de acordo com clima e período de safra. A Ferrugem Asiática da Soja pode causar acentuadas perdas na lavoura, tendo reflexos negativos na rentabilidade do produtor. Devido a isso, o IMA tem a meta de fiscalizar neste ano, 490 propriedades das regiões de Bambuí, Curvelo, Patos de Minas, Patrocínio, Uberaba, Uberlândia e Unaí. O produtor que não atender às determinações pode ser autuado. No ano de 2011, o Instituto fiscalizou 512 propriedades, sendo que a partir dessas ações, 120 produtores foram notificados e cinco autuados. O vazio sanitário foi instituído por uma Resolução da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) em 2007, e sua aplicação se dá através da Portaria do IMA nº 854/2007. Todos os estados produtores de soja são obrigados a estabelecer esta medida, pois é uma exigência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). (Fonte: Agência Minas) Divulgação IMA

Imagem Ilustrativa

Feijão: mercado estimula produção em Minas

Terceira semana de junho tem superávit de US$ 389 milhões

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Imagem Ilustrativa

Nova lei para remuneração do produtor de leite

Entrou em vigor no dia 20 de junho, a lei 12669/12 que obriga as empresas de beneficiamento e comércio de laticínios a informarem ao produtor de leite o valor a ser pago pelo produto até o dia 25 do mês anterior ao do efetivo fornecimento. O decreto assinado, no dia 19 de junho, pelo Vice-Presidente da República, Michel Temer, prevê que o descumprimento desta medida penalizará a indústria, que terá que pagar o maior preço praticado no mercado. Para o diretor-executivo do Silemg, Celso Moreira, a medida é justa e atende a reivindicação antiga dos produtores. “Esta nova lei pode se transformar em importante ferramenta gerencial para o produtor de leite. Projetando o valor mínimo que irá faturar, o produtor decidirá quanto e quando investir na atividade”. (Fonte: Rede Comunicação de Resultado // em Portal do Agronegócio)

Agricultura sustentável terá mais de R$ 3 bilhões em financiamento na safra de 2013 Os agricultores brasileiros tem maior disponibilidade de crédito para aderir a práticas mais sustentáveis de produção. Pelo Plano Safra 2013, anunciado na quinta-feira, 28/06 pela presidenta Dilma Rousseff, as linhas de crédito do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que incentiva a adoção de boas práticas no campo, terá R$ 3,4 bilhões em recursos para financiamento. A presidenta Dilma Rousseff disse que a agricultura brasileira mostrou, em números, que é possível compatibilizar crescimento com preservação ambiental, mesmo sendo considerada uma potência na produção de alimentos. Segundo ela, a produção do setor cresceu em volume e produtividade, garantindo segurança alimentar, em um cenário de redução de desmatamento. “Temos hoje, ao contrário dos países desenvolvidos, 60% dos biomas intactos, apesar de sermos a maior potencial agrícola do mundo. Conseguimos crescer na nossa agricultura em 180% e, ao mesmo tempo, ter um crescimento de apenas 32% na área ocupada”, disse Dilma. (Fonte: Agência Brasil)

Agronegócio deve superar meta de exportações neste ano O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro, anunciou no dia 19 de junho que o agronegócio brasileiro pode superar a meta de US$ 100 bilhões em exportações neste ano, com aumento de 5,7% em relação a 2011. “Embora tenhamos tido problemas de mercado com a Rússia e a Argentina, outros mercados estão se abrindo”, disse o ministro, referindo-se às atuais barreiras comerciais impostas pelo governo argentino a vários produtos e ao bloqueio russo sobre

as exportações de carne suína e bovina do Brasil. A China e o Japão estão entre os países com os quais o Brasil pretende ampliar negócios nos setores suíno e bovino. Dados do Ministério da Agricultura mostram que as exportações do agronegócio brasileiro somaram cerca de US$ 97 bilhões em 12 meses até maio. No ano passado, as exportações chegaram a US$ 94 bilhões. (Fonte: Agência Brasil)

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entrevista

Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável A Rio+20 e as discussões sobre o rumo do planeta Lidiane Dias Jornalista

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ustentabilidade: palavra que atualmente permeia o vocabulário das pessoas. Ser sustentável é ter um padrão de vida digno hoje, sem comprometer as necessidades futuras. Ações e providências para que as atitudes do ser humano tenham o selo verde, são as metas das últimas décadas. A Eco 92, realizada no Rio de Janeiro em 1992, e a Conferência das Partes das Nações Unidas (COP15), realizada em 2009, em Copenhague, na Dinamarca, são exemplos de reuniões para discussão do tema. Mas não acaba por aí. Entre os dias 13 e 22 de junho aconteceu no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável: a Rio+20. Mais de 500 eventos oficiais e paralelos aconteceram nesse período. Em números o evento alcançou 45.381 mil participantes, mais de 100 chefes de Estado e de Governo, delegações de 6

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188 países e 9.856 ONG’s estiveram presentes na Conferência. A Rio+20 mobilizou o mundo inteiro com o intuito de que problemas ambientais sejam resolvidos. Uma participação que envolve a sociedade em todos os seus âmbitos. Entre os temas levantados estavam: energia, alimentação, empregos, água, economia verde, erradicação da pobreza, sistemas agroflorestais. A agropecuária não poderia ficar de fora. Este importante setor da economia brasileira foi colocado em pauta por órgãos como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). No ano passado a população mundial alcançou a faixa dos 7 bilhões de habitantes. Um número e tanto, não

é? Até 2050 as estimativas da ONU apontam que a humanidade atingirá 9 bilhões. Mas como alimentar toda essa gente, de forma sustentável, sem agredir o meio ambiente, mas não diminuindo a produtividade? Tecnologias e o uso de menores espaços são alternativas encontradas hoje. Dados divulgados pelo MAPA apontam que nos últimos 50 anos a produção de grãos, por exemplo, cresceu 290% e os rebanhos 250%, com apenas 39% de acréscimo de área. De acordo com a CNA os investimentos na agropecuária sustentável, nos últimos 35 anos, permitiram que houvesse um rendimento das lavouras e um aumento de 247,13% em volume da produção. Entretanto, o crescimento da área plantada foi de apenas 31%, o que permitiu a preservação de florestas nativas no território nacional. O Brasil saiu do anonimato para estrelar os palcos mundiais: o país


Foto: Wenderson Araújo

tem papel fundamental na produção de alimentos que abastecerão a população mundial e essa é a responsabilidade da agricultura. Visto isso, como fica a preservação ambiental? O Brasil é líder em áreas conservadas e isso se dá justamente pela importância que o país e o setor da agropecuária dão às preocupações ambientais. “Temos a compreensão de que para se construir uma economia sustentável é essencial incorporar

discursos da Rio+20: impacto. Parte delas frisou que era preciso minimizar os impactos que a agropecuária causa. Entretanto, abordagens apontam que o sentido dado aos discursos estava voltado também para o lado positivo do setor, que depende dos recursos naturais, mas que está buscando aplicação de tecnologias para o desenvolvimento das atividades de forma sustentável. Esse é um dos desafios da produção de alimentos: ganhos de produtividade, com mínimos impactos e com viabilidade econômica. O Plano “Os investimentos na de Agricultura de Baixa Emissão agropecuária sustentável, de Carbono (ABC), por exemplo, é um programa que promoverá a nos últimos 35 anos, redução da emissão dos gases do permitiram que houvesse efeito estufa na próxima década, entre 125 e 156 milhões de toneum rendimento das de CO2. Através de técnicas lavouras e um aumento de ladas de recuperação de áreas degrada247,13% em volume da das, integração lavoura-pecuária-floresta, tratamento de resíduos produção” de animais, sistemas de produção orgânica, dentre outras, será posessa cultura em todas as etapas das sível diminuir as emissões dos gases de cadeias produtivas da atividade agro- efeito estufa no campo. pecuária e florestal e estamos fazendo A Organização das Nações Unidas todos os esforços para tal”, trecho reti- para Agricultura e Alimentação (FAO), rado do material sobre a contribuição o Ministério do Desenvolvimento agropecuária brasileira, desenvolvido Agrário (MDA) e Ministério de Meio pelo Ministério da Agricultura. Ambiente (MMA) assinaram no dia 21, De acordo com divulgações sobre durante a conferência, um acordo de o evento, uma palavra acompanhou os 3,5 milhões de dólares com o objetivo

A Senadora e Presidente da CNA Kátia Abreu

de contribuir para o desenvolvimento rural sustentável da América Latina e Caribe, para o fortalecimento da agricultura familiar e de políticas alimentares e agroambientais. No documento final, a ONU reconhece os agricultores, pescadores, pecuaristas e silvicultores como atores do desenvolvimento sustentável, contribuindo por meio de sistemas de produção ambientalmente corretos, melhorando a segurança alimentar e a subsistência das populações mais

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“Os produtores rurais são os principais interessados na preservação ambiental porque eles entenderam que fazenda degradada reduz produtividade, renda e lucro” Senadora Kátia Abreu

pobres. No relatório, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a FAO, o Banco Mundial, o Programa Mundial de Alimentação (PMA) e o Instituto de Recursos Mundiais (WRI) descrevem que “enquanto a agricultura fornece 90% do consumo calórico total do mundo, e que a pesca mundial é responsável pelos outros 10%, esses setores de apoio à vida enfrentam muitas ameaças, todas exacerbadas por forças subjacentes como crescimento populacional, aumento de renda e mudanças de estilo de vida e de alimentação relacionadas à urbanização” (UNIC Brasil/Rio+20 – Relatório PNUMA). Porém, mais de 50 personalidades ligadas à área socioambiental, encaminharam uma carta para os chefes de Estado, declarando a insatisfação quanto ao documento final. Na carta, os ativistas afirmam que “a Rio+20 passará para a história como uma conferência da ONU que ofereceu à sociedade mundial um texto marcado por graves omissões que comprometem a preservação e a capacidade de recuperação socioambiental do planeta”. Fatores agropecuários A Eco 92 teve o mesmo intuito da Rio+20 e mesmo que muitas atitudes tenham mudado de lá para cá, 20 anos depois a mesma preocupação da sustentabilidade reina. É preciso então saber como produzir, aplicar tecnologias sem destruir os recursos naturais. A Senadora e Presidente da CNA, Kátia Abreu, aponta que “a agropecuária brasileira assumiu, nos últimos anos, suas responsabilidades e aceitou o desafio de encontrar caminhos para produzir mais, com o intuito de atender a uma crescente demanda mundial por alimentos, e preservar os recursos naturais do País”. Acrescenta que 27,7% do território nacional são utilizados na produção de alimentos, com qualidade e acessíveis a população, o que resulta de investimentos em tecnologias que transformaram a agricultura brasileira numa das melhores e maiores do mundo. Relatório divulgado pela FAO mostra que os preços dos alimentos no mundo caíram em maio, isso devido às reservas de cereais para 2012 e 2013. Em relação à preservação ambiental, a senadora informa que na COP-15, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir o desmatamento em 5,4 mil km² até 2020. Meta que será cumprida antes do prazo. Em 2010, a área desmatada no país foi de 6.600 quilômetros quadrados, a menor taxa em 23 anos segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). “Tenho levado esses dados por onde ando, no Brasil e em fóruns internacionais, para mostrar o compromisso dos produtores rurais brasileiros com a 8

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produção sustentável de alimentos”, conta Kátia Abreu. O Ministério da Agricultura informou no documento sobre a contribuição da agropecuária, que entre 2003 e 2011, R$ 2,2 bilhões foram investidos na incorporação de tecnologias e no atendimento às pessoas em situação de insegurança alimentar. Só através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), dos 5.565 municípios brasileiros, 2.994 foram beneficiados até o ano passado. No programa há uma valorização da produção e da cultura alimentar de cada localidade. Nesse período, 320 produtos, sendo destes 91 orgânicos, foram comercializados pelo PAA. Segundo a senadora Kátia Abreu, é a primeira vez que um evento ambiental discute sobre a segurança alimentar. “O Brasil está, hoje, entre os três maiores exportadores mundiais de alimentos, com potencial para superar os outros dois, sem que seja preciso derrubar uma só árvore para ampliar as áreas de produção”, classifica a senadora. Dessa forma, espera-se que o Brasil atinja a meta de crescimento de 40% na produção de alimentos até 2050, como recomenda a FAO. A agropecuária, um dos setores da economia que tem extrema importância no PIB do país, tem buscado aplicar tecnologias para que o impasse entre ambientalistas e pecuaristas seja resolvido. “O plantio direto, que dispensa o revolvimento do solo, evitando a aração da terra e, assim, a perda de gás carbônico, é uma dessas técnicas utilizadas no Brasil, além dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, plantio de florestas, fixação biológica de nitrogênio, tratamento de dejetos animais, recuperação de áreas degradadas, entre outros”, aponta Kátia Abreu. Um tópico levantado por participantes do congresso foi que no relatório final da Rio+20 faltou ambição com os propósitos atuais e as necessidades dos países. As tecnologias aplicadas no campo, como por exemplo, o Programa ABC, que promoverá essa redução de emissões de gás carbono para neutralizar os processos produtivos sem diminuir a produtividade, é uma alternativa coordenada pelo MAPA. Porém, depois de 20 anos, a visão do setor agropecuário quanto a uma produção consciente mudou. “Os produtores rurais são os principais interessados na preservação ambiental porque eles entenderam que fazenda degradada reduz produtividade, renda e lucro. A preservação faz bem ao patrimônio do produtor e por isso ele investe em técnicas e práticas sustentáveis, trabalho que precisa ser conhecido e reconhecido por todos. Na Rio+20, defendi que os países que produzem alimentos de forma sustentável sejam compensados pela adoção de práticas corretas de produção. Isso porque os países que fazem muito do ponto de vista ambiental têm custos e essas práticas precisam ser valoradas, por meio do pagamento pelos serviços ambientais que prestam. Os produtores rurais precisam ser remunerados por isso, especialmente os pequenos, cuja renda será proveniente não só da venda de grãos, carnes e de outros produtos agropecuários, mas também das práticas sustentáveis implementadas nas fazendas”, acredita a senadora.


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Foto: Arquivo Sindicato

entidade de classe

Sindicato dos Produtores Rurais de Eunápolis

No centro da foto a presidenta do Sindicato Eliane Menêses com parte da diretoria

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ituada no sul baiano, a cidade de Eunápolis é o tema desta matéria. Com localização às margens da BR-101, fica na Costa do Descobrimento. De acordo com o Censo de Produção Pecuária do IBGE 2010, a cidade tem 100.196 habitantes. Ainda de acordo com o censo, o efetivo do rebanho de bovinos é de 86.584 cabeças. Na agricultura é o 3º maior produtor baiano de pimenta do reino, 4º de mandioca e 5º de mamão. Criado no dia 19 de agosto de 1989, o Sindicato dos Produtores Rurais da cidade já passou da maioridade. A fundação da entidade se deu com o propósito de representar, legitimar, promover e organizar a classe produtora de Eunápolis. As discussões para a implantação do sindicato foram iniciadas em 1988, mas a consolidação só aconteceu um ano depois. A primeira reunião ocorreu em janeiro de 1989, presidida pelos produtores rurais Moisés Reis e Jorge Ribeiro Carilho. Esses produtores buscaram a ajuda da Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB) e a junta governativa contou também com a participação de outros produtores rurais. O primeiro presidente do sindicato foi Jorge Ribeiro Carrilho, onde esteve à frente da entidade por dois mandatos: 1989 a 1992 e 1992 a 1995. Antônio Carlos Cunha Santos (1995-1998) e Fabrício Ghill Frieber (1998-2001) também passaram pela presidência. Por motivos pessoais, a diretoria foi dissolvida e o sindicato ficou sem atividades até 10 de fevereiro de 2005. No dia 11 de abril de 2005 uma nova diretoria foi eleita, após os produtores rurais Claudio Barbosa da Silva e José da Silva Leite organizarem uma junta governativa. Claudio Barbosa, eleito na oportunidade, ficou na presidência até 2008. Nesse ano, uma presidenta tomou posse. Eliane Menêses de Oliveira, atual gestora, teve o primeiro mandato até 2011 e o novo mandato vai até 2014. A presidenta conta com mais 14 produtores rurais na diretoria, sendo que três são mulheres. A equipe de trabalho é 10

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formada pelos diretores que assumem comissões para realização de trabalhos e mais duas colaboradoras desenvolvem os trabalhos. A sede é própria, com localização no centro da cidade. Segundo a presidenta, a estrutura atual atende as necessidades do sindicato e dos associados, porém a entidade está buscando a ampliação da sede para melhor atendê-los. Entre as ações desenvolvidas pelo sindicato junto aos produtores estão os programas Despertar, Negócio Certo Rural, Empreendedor Rural, Formação Empreendedora para Apicultores e Formação Empreendedora para Produtores de Leite. Além disso, a entidade promove Seminários de atualização tecnológica, de meio ambiente, legislação trabalhista, legislação fundiária e encontros com produtores rurais. A entidade também presta serviços importantes para os produtores da região, como Capacitação de Formação Profissional Rural; Organização das cadeias produtivas; Declaração do Imposto de Renda; Emissão das Contribuições Sindicais; Declaração do Imposto Territorial Rural. O Sindicato também mantém convênios com a FAEB, CNA, SENAR, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e a parceria com os outros sindicatos do extremo sul baiano, Bancos e associações, para somar competências no oferecimento de serviços para os associados. “Todos os programas desenvolvidos estão voltados à capacitação e formação profissional do homem do meio rural”, avalia Eliane Menêses. No início da atual gestão havia dez produtores rurais associados, hoje há 35. O associado repassa uma contribuição ao sindicato o que dá direito ao produtor de participar de programas e comissões técnicas da entidade. O sindicato se mantém através do recurso que corresponde a 60% das contribuições sindicais e mensalidades dos associados. Com esses recursos, são realizados eventos como Dia de Campo, seminários, café da manhã e encontro com produtores, sendo que, os eventos


de menor porte acontecem na própria sede do sindicato, que no primeiro mandato. O segundo mandato se encerra em 2014. comporta 80 pessoas, e os maiores são realizados nas fazendas Pela segunda vez foi eleita no dia 12 de junho como 2ª vice-presidente administrativa e financeira da FAEB e é instrutora dos produtores associados. do SENAR. Participa ainda do Grupo Gestor de Desenvolvimento do Município, Conselho Municipal de Meio Ambiente, Na presidência Natural de Itabuna, Eliane Menêses de Oliveira, 52 anos, é Comissão Municipal Tripartite e Paritária de Emprego e Renda. Os dois mandatos têm sido produtivos: já foram capacitaa primeira mulher a presidir o Sindicato dos Produtores Rurais de Eunápolis, onde reside desde 1964. É graduada em Adminis- das, até o momento, 4.122 pessoas. Quatro Dias de Campo e tração de Empresas, pós-graduada em empreendedorismo rural, seis seminários já foram realizados, 220 mulheres são atendidas manejo ambiental para propriedade rural, atualização em Proprie- no programa Útero é Vida, e foram criadas uma (01) turma no dade Intelectual e Inovação no Agronegócio. Em seu segundo programa Empreendedor Rural e duas turmas no programa Nemandato, se descreve com orgulho como uma mulher do meio gócio Certo Rural. Vinte apicultores iniciarão no programa de rural. Trabalhando com pecuária de corte, em 2004 assumiu a di- Formação Empreendedora para Apicultores e 20 no programa reção de uma propriedade que pertence à família há mais de 40 de Formação Empreendedora para Produtores de Leite. Quanto a uma nova reeleição, a presidenta diz que não anos. Logo, o próximo passo foi afiliar-se ao sindicato. Enquanto elaborava a monografia de conclusão de curso tem essa pretensão, pois está preparando os jovens produtores (2003/04), Eliane visitou produtores rurais que a convidaram para dar continuidade ao trabalho. O incentivo aos produtores para participar das reuniões de discussão para a reabertura do é mostrando o valor agregado na produção e participando de sindicato. Acreditando em associativismo e comprometimento ações para o desenvolvimento do município. “As dificuldades com a responsabilidade social, foi convidada a fazer parte da di- encontradas nos mandatos foram muitas, mas sempre conseguiretoria do sindicato entre 2005 e 2008. Como diretora de even- mos superá-las mostrando aos produtores rurais que só seremos tos pôde conhecer mais a entidade para se candidatar para a fortes, se estivermos unidos, organizados”, acredita Eliane. presidência. No dia 11 de abril de 2008 deu início aos trabalhos

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grandes criatórios

Haras do Bahiano:

a criação de Mangalarga Marchador no extremo sul da Bahia Lidiane Dias

Fotos: Arquivo do Haras

Jornalista

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Caxambu Xeik

riador desde 1965, José Ubaldino Alves Pinto, 65 anos, construiu um haras em 1970 para por em prática uma paixão intensa: o Mangalarga Marchador. Com dedicação à criação de cavalos, tem a propriedade na Costa do Descobrimento, no povoado de Santo Antônio, distrito de Santa Cruz de Cabrália (BA), onde vive com a família. Natural de Itanhém, é casado com Marta Ângela Santos Pinto, é pai de José Ubaldino Alves Pinto Júnior, Lúcio Cáires Pinto, Aparecida Cáires Pinto e Cristiano Cáires Pinto. Interessado na criação da raça e em política, ele se caracteriza como um estudioso dos assuntos que envolvem os dois ramos. Mesmo tendo um empreendimento no setor imobiliário, a atenção de José Ubaldino é voltada para o Haras do Bahiano, batizada com o apelido do proprietário, e a Fazenda do Santuário, nome que homenageia um projeto de turismo que possuem na propriedade. Para esse projeto, Bahiano conta que toda a área verde é preservada e, como 12

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Átila do Bahiano

atrações, existe um rio navegável em volta da fazenda com 18 km de extensão, além de chalanas e um passeio pela mata com plantio de Pau-Brasil. Na propriedade há também um parque de exposições com mais de 150 baías. Porém, o foco da propriedade é na criação de Mangalarga Marchador. Em 1971, Bahiano entrou como sócio da Associação de Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, começando a fazer o registro de seus animais. Na época, adquiriu éguas de linhagem e passou a frequentar eventos regionais com produtos de criação própria. No Haras, o plantel é composto por cerca de 400 animais divididos em: 40 doadoras de embriões, 10 garanhões, 60 matrizes, 200 receptoras e o restante são potros. O criador informa que o haras está entre os primeiros em investimento e reprodução do estado. “Fiquei parado muito tempo. Quando retornei no ano de 2003, comecei a selecionar melhor a tropa e investir em muita genética. Temos orgulho de di-

zer que temos uma tropa extraordinária”, frisa. Com relação a eventos, diz que está afastado das pistas há um ano. De acordo com Bahiano, o cavalo mais famoso do Brasil, pai de animais valorizados no país, era de sua propriedade: o Palhaço de Ituverava. O cavalo contribuiu muito para a formação do plantel do haras. Tigrão Kafé, Elo Kafé, Espanhol Kafé e Meaipe Meaipe são exemplos de campeões nacionais, filhos do Palhaço de Ituverava. O garanhão teve uma história curiosa com Bahiano. Ele adquiriu o animal, que se chamava Omelete JB, em Cruzília (MG). Levou o cavalo para Nanuque, mas não conseguiu registrá-lo, pois não se enquadrava nos padrões exigidos na época. Vendeu Omelete depois de criá-lo por algum tempo e comprou um animal da “moda”. Insatisfeito com a produção, desistiu de continuar. Passou a usar as éguas do haras no trabalho diário. Na Exposição Nacional de 2002, Bahiano foi condecorado com medalhas pelo criatório com mais


de 30 anos de filiação à Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador. Foi assim que teve a surpresa: vários filhos de Omelete JB, que passou a se chamar Palhaço de Ituverava, haviam ganhaJosé Ubaldino (Bahiano) do competições nacionais. Foi aí que Bahiano teve a certeza que estava certo na época. A partir de então, resolveu escolher com bastante cuidado os animais que formariam o plantel de seu haras, para formar um time de qualidade, com biótipo parecido e na mesma linhagem JB. Após esses investimentos, em 2008, o Haras do Bahiano foi o 2º maior exportador do estado e o 13º do Brasil. “Hoje trabalho 24 horas, apesar de me dedicar também à política, mas a minha paixão é pelo Mangalarga Marchador”, enfatiza. O criatório possui um dos melhores bancos genéticos do país. Entre os animais de destaque estão: Canarinho da Selva Morena, Caxambu Xeik, Dante das

Dante das Minas Gerais

Minas Gerais, Dólar da Selva Morena, Pirata do Porto Palmeira, Thor da Selva Morena e Átila do Bahiano. Doses de sêmens dos garanhões do haras são vendidas para criadores do país. O comércio de animais é através de leilões, feitos duas vezes por ano, e através de vendas diretas. A propriedade possui uma Central de Coleta de Embriões e

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os resultados estão sendo satisfatórios. Em 2010 foram mais de 100 embriões confirmados, representantes da marca JB nas pistas. “Temos cavalos e éguas campeões nacionais e temos trabalhado para ficar entre os cinco melhores criadores do Brasil”, classifica. Canarinho da Selva Morena Dólar da Selva Morena

Campeão – Iguai Marcha Sênior Campeão Sênior Reservado Grande raça ABC do Bahiano (Filho do dólar)

Campeão Potro em Itapebi-BA Campeão Potro em Teixeira de Freitas - BA - 2010 Campeão Cavalo Júnior de Marcha em Porções - BA Campeão de Marcha Júnior de Categoria Campeão Júnior de Categoria em Porções - BA Reservado da Raça em Porções - BA

Dólar da Selva Morena

Atila do Bahiano

(Filho do dólar) Campeão em todas as exposições que participou

Conquista, Itabuna, Jequié, Porto Seguro e Teixeira de Freitas - BA Nanuque - MG Montado: Campeão de Marcha em Porções - BA Campeão de Categoria em Porções - BA Campeão em Nanuque - MG Campeão em Teixeira de Freitas - BA Campeão em Itabuna - BA Reservado em Porções - BA

Thor da Selva Morena

Pirata do Porto Palmeira

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Mantida por pequenos produtores rurais a variedade crioula era usada pelos índios Cleuzany Lott da Redação

Fotos: Cleuzany Lott

dia de campo

Produtor resgata cultivo de milho preto para alimentar a família

Milho da espécie crioula é um resgate da tradição e reforça a forma sustentável da agricultura familiar

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novar é um verbo que está sempre no vocabulário do produtor rural Nelcino Bernardino Rodrigues. Aos 80 anos de idade, comemorados no dia 8 deste mês, ele se aventura quando o assunto é descobrir novos produtos. Prova disso é a plantação de milho preto que está dando o que falar no município de Ipanema, no Vale do Rio Doce. Tudo começou há dois anos, quando o produtor ganhou de um amigo três grãos de milho. Curioso para ver como seria a espiga de milho preto, o Seu Nelcino plantou os grãos em um lote de 300 metros. Mesmo sem preparo do solo ou irrigação especial, as sementes vingaram. Em menos de quatro meses os pés estavam grandes e vistosos. Não demorou muito para produzir. A espera foi compartilhada com a família. Dos três grãos, surgiram três grandes espigas. A surpresa veio quando eles abriram a boneca e viram os grãos pretos. As cores brilhante e roxa encantaram a esposa e os filhos que mal esperaram o cereal amadurecer. As três espigas renderam. Uma ele separou para tirar os grãos e plantar. As outras a família resolveu experimentar usando como ingrediente nas receitas culinárias. “Precisávamos saber se o milho era bom para ver se valia a pena continuarmos plantando”, explica o produtor rural. Luciana Bernardina de Paula Rodrigues, esposa de Seu Nelcino, diz que cozinhou o milho para ver se era gostoso. “O sabor é agradável, semelhante ao do milho convencional, o proble16

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ma é a tinta que sai dos grãos. Os lábios ficavam roxos, bem escuros, da cor da espiga, mas sai fácil, é só lavar a boca que a tinta sai toda”. As experiências foram adiante e a família resolveu usar o milho preto para preparar o angu, prato que não pode faltar na mesa da família. “Todo dia o meu pai tem que comer angu, senão ele acha que não almoçou”, brinca Neuza Maria Rodrigues Bragança, uma das filhas do casal, destacando a importância do alimento na casa deles. “O sabor do angu é muito agradável”, ressalta esclarecendo que a aparência é de angu feito de farinha de milho torrado. Seu Nelcino se antecipa valorizando outra forma de consumir o milho “assado ele fica delicioso, bem mais doce do que o milho amarelo”, reforça o produtor rural, com a aprovação unânime da família. Depois de testar as utilidades do milho preto, a fama se espalhou pela cidade. Mas a origem dele ninguém sabia. “O amigo que me deu a semente só disse que ganhou de uns parentes mais antigos que plantavam o milho para usar na alimentação da família”. Para descobrir a origem do milho preto, o produtor rural enviou três espigas para o programa Agrominas, exibido aos domingos, de 9h às 9h40 na TV Leste / Record. O consultor da revista Agrominas, engenheiro agrônomo Alexandre Sylvio pesquisou e desvendou o mistério do milho preto. Trata-se do milho crioula, uma variedade produzida pe-


do Brasil. A plantação é simples e não requer adubação especial, ureia e nem investimentos como acontece, por exemplo, com as sementes híbridas. Do plantio à colheita, tudo é feito de forma bem artesanal. Outra boa notícia é que o milho “preto”, como passou a ser chamado pelos moradores da região, possui valores nutricionais superiores ao milho comum e faz bem à saúde. O sabor mais adocicado é um diferencial que agrada ao paladar de adultos e crianças. A variedade crioula é indicada para o Dona Luciana mostra as espigas guardaSeu Nelcino está aproveitando os lotes que tem na das para plantar quando a chuva chegar consumo da família, o problecidade para plantar o milho preto. ma está no valor comercial, que los agricultores mais antigos e passados de geração em geele não possui. ração. Estudos apontam que o milho crioula era cultivado peA descoberta das vantagens do crioula sobre o milho colos primeiros habitantes do país, ainda na fase da colonização mercial, incentivou a família do produtor rural que vai apostar

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no plantio da espécie para consumo próprio. O que a família também não sabia é que a tal “sustentabilidade” que está tão em moda, era aplicada por ele, ao cultivar em sistema orgânico a produção da semente em sua forma original, sem transformação genética da semente, sem uso de agrotóxico e outros incrementos necessários a plantações atuais. Como não tem mais sítio, que foi dado de herança para os filhos, o produtor rural aproveita os lotes que tem “na cidade” para continuar fazendo o que aprendeu a vida toda: plantar, colher e sustentar a família da forma mais genuína e simples. A rotina dele continua quase a mesma. Levanta cedo, pouco depois do galo cantar. Começa irrigando a horta. Depois segue para os lotes onde atualmente planta mandioca, milho e cana. “O trabalho, agora em dobro por causa das distâncias de um lote para outro, é compensador para que a minha família continuar com produtos saudáveis. Quero saber o que estamos comendo”, destaca Seu Nelcino cheio de vitalidade aos 80 anos. De família tradicional de fazendeiros da região, Seu Nelcino nasceu no Córrego do Tabuleiro, a cinco quilômetros de Ipanema. Junto com os onze irmãos, aprendeu desde a infância que o sustento vem do trabalho no campo. Dos pais herdou o esforço e o conhecimento para cuidar das terras e das criações. Seguindo o exemplo típico de quem vive da agricultura familiar, eles plantaram o básico como feijão, milho, arroz, hortaliças e mandioca sem recorrer a técnicas especiais ou máquinas agrícolas. Ainda na adolescência já pensava em ter sua própria terra. Não demorou muito. Logo se casou e ao lado de Dona Luciana, com quem vive há 54 anos, criou a família de seis filhos: três mulheres e três homens. No sítio de 11 alqueires aplicou a experiência adquirida dos pais. Aproveitou bem o terreno, diversificando as plantações e separando o espaço para os animais de pequeno porte criados para o próprio sustento e do gado, de onde extraía o leite para sustentar os filhos. Orgulhoso da época em que trabalhava diariamente no cabo da enxada, ele conta que plantou muita mandioca, chuchu, cana-de-açúcar, feijão e todas as culturas que faziam parte da alimentação da família. Para ter bom resultado na lavoura, o cuidado com a terra era especial, a começar pelo adubo. “Eu usava esterco do curral. Naquela época eu sabia o que o gado comia. Então preparava o esterco e adubava o terreno todo. Depois plantava de acordo com época de cada alimento. O resultado era sempre o melhor. Eu plantava 20 quilos de milho, por exemplo, e colhia 13 mil quilos”, lembra. 18

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Desses tempos áureos, a produtora rural Neuza, a única que segue o pai na curiosidade de novas plantações, se recorda de uma das façanhas que há seis anos o deixou famoso na região: o açúcar de fôrma. Na época, uma das principais fontes de renda da família era a rapadura produzida e vendida nas cidades vizinhas. Entusiasmado com o processo de produção, ele resolveu inovar. Criou um processo complexo de extração de açúcar usando uma fôrma, barro “virgem” para manter o peso de um pano que ajudava a “abafar” o açúcar e retirar a parte cristalizada e depois de certo tempo a retirada do açúcar que ainda precisava secar-se no jirau. O açúcar extraído da forma inusitada era muito requisitado na região. “Tinha médico que mandava buscar o açúcar porque o filho não podia consumir açúcar normal. O meu era feito artesanalmente, então eles usavam esse açúcar para adoçar os alimentos das crianças alérgicas e remédio para os adultos”, recorda-se Seu Nelcino.


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saúde animal

Conforto animal em períodos de Exposições Agropecuárias Pedro Francisco Repossi Jr

Foto: Lidiane Dias

Médico Veterinário CRMV-MG 8556 Especialista em Pecuária Leiteira Gerente de campo da Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce pedrojr.vet@gmail.com; pedro.junior@coaperiodoce.com.br

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iversos criadores vivenciam ano a ano uma rotina focada nos manejos antes, durante e após exposições agropecuárias, muitos de forma consciente e responsável conduzindo seu animal com calma, atenção e sabedoria, respeitando os aspectos sanitários, nutricionais, ambientais e de transporte, já outros nem tanto. Porém, vale ressaltar que a mudança na rotina, no ambiente e no tratamento dos animais durante eventos como uma exposição agropecuária, podem trazer graves problemas clínicos decorrentes de práticas imprudentes aplicadas no dia a dia da feira agropecuária. Dentre as principais casuísticas podemos destacar os diferentes tipos de traumas ósseos e musculares, problemas metabólicos ocorridos a partir de manejos nutricionais equivocados, lacerações cutâneas por ocorrência de brigas e manejos inadequados. Segundo o informativo da Embrapa (2005), existe a preocupação em muitos países com os efeitos do transporte e o seu manejo sobre o bem-estar animal. Na Europa os animais são considerados como seres sencientes, ou seja, seres com “capacidade de sofrer ou sentir prazer ou felicidade”, conforme estabelecido pelo tratado da União Europeia, também conhecido como “Tratado de Amsterdã”, de 2 de outubro de 1997. O tratado reflete a preocupação com a qualidade de vida dos animais. 20

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Desde a década de 1970, os cientistas estão tentando definir ou conceituar o bem estar dos animais. Uma definição de bem-estar bastante utilizada foi estabelecida pela FAWC (Farm Animal Welfare Council), na Inglaterra, mediante o reconhecimento das cinco liberdades inerentes aos animais: 1. A liberdade fisiológica (ausência de fome e de sede e desnutrição); 2. A liberdade ambiental (edificações adaptadas, conforto térmico e físico); 3. A liberdade sanitária (ausência de doenças e de fraturas); 4. A liberdade comportamental (possibilidade de exprimir comportamentos normais). Expressar o comportamento característico da espécie; 5. A liberdade psicológica (ausência de medo, de ansiedade ou estresse intenso ou prolongado). Acessado em 18/06/2012, http://www.cpap.embrapa.br/cadeiacarne/CADEIA%20da%20CARNE/CC005.pdf. Os animais reagem de acordo com a provocação, então a pressa no manejo pode provocar de lesões leves até fraturas graves. O embarque e desembarque dos animais é um dos pontos críticos observados no manejo, onde não raramente ocorrem casos de fraturas em membros, regiões da bacia e chifres, podendo ter como consequência para o


animal o não desenvolvimento de sua principal função, ocasionando em alguns casos seu sacrifício. Desta maneira, torna-se de fundamental importância ressaltar que ao se transportar os animais de uma feira agropecuária para outra ou para a fazenda, o tempo de jejum de água não deve ser superior a 12 horas. Portanto, não deixe os animais sem água antes do embarque! Em função de suas características, animais de exposição devem ser acompanhados por especialistas da área, uma vez que suas exigências fisiológicas são completamente diferentes dos animais que estão em ritmo de fazenda. Doenças de cunho metabólico podem aparecer devido a excesso de alimentos, principalmente em amimais que estão sendo exigidos em provas físicas e em torneios leiteiros. Em animais de esforço intenso, as necessidades energéticas dobram em relação à manutenção. A tradicional substituição de forragens por concentrados aumenta o risco de certas doenças e distúrbios digestivos nos equinos, como por exemplo, as cólicas. Para vacas leiteiras e pequenos ruminantes o risco está associado principalmente a casos de acidose metabólica*, deslocamento de abomaso e laminites ocasionadas por dietas mal balanceadas. As adequadas condições higiênicas das instalações (bezerreiros, estábulos, currais) influenciam nitidamente na diminuição do índice de mortalidade. A limpeza das instalações deve ser feita diariamente, e envolve a remoção das fezes, limpeza de bebedouros e comedouros. A presença de outros animais como o cão e outros animais domésticos deve ser evitada, pois podem carregar doenças de um ambiente para outro. A categoria que mais fortemente é acometida está relacionada a animais mais jovens, devido sua competência imunológica incompleta, típica desta idade. Não obstante, o manejo sanitário torna-se primordial, tanto para suprir a necessidade dos órgãos fiscalizadores quanto para a própria fazenda. As principais doenças fisca-

lizadas em bovinos são Raiva, Aftosa, Brucelose e Tuberculose, onde o animal para ser transportado e/ou aglomerado deve ter um atestado negativo emitido por um médico veterinário credenciado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento - MAPA. Em equinos, as principais são Anemia Infecciosa Equina (AIE) e o Mormo. Outra dificuldade encarada pelos animais durante o dia a dia é com relação ao estresse térmico. Os galpões de vacas leiteiras devem ser extremamente ventilados, com cama de boa qualidade e água a vontade. Reações alérgicas podem ser provocadas de acordo com o tipo de cama utilizada, agravando ainda mais as condições de estresse calórico do animal. Segundo West (1999), estresse térmico é definido como resultado da inabilidade do animal em dissipar calor eficientemente para manter sua homeotermia, sendo assim, em exposições agropecuárias em regiões de clima quente, o ambiente para vacas leiteiras deve ganhar atenção redobrada. Muitos desses problemas estão associados ao estresse sofridos pelos próprios peões e proprietários, onde o cansaço transforma-se no maior inimigo dos animais. Portanto, é essencial que o bom senso prevaleça sobre qualquer manejo realizado antes, durante e após as exposições agropecuárias. Lembrando que a escolha do funcionário deve ser realizada de forma assertiva e vocacional, pois não basta o funcionário querer ficar próximo dos animais, tem de querer oferecer-lhes o maior conforto possível durante as 24 horas do dia. *Acidose Metabólica - É uma doença metabólica aguda, causada pela ingestão súbita de dietas com excesso de carboidratos, como grãos (trigo, milho, aveia, sorgo) ou outros alimentos altamente fermentáveis (silagem em geral) em grandes quantidades. É caracterizada por perda do apetite, depressão e morte. É também conhecida por “sobrecarga ruminal”, “indigestão aguda”, “impactação aguda do rúmen” ou “indigestão por carboidratos”. http://www.agricultura.gov.br/animal http://www.vallee.com.br/doencas.php/1/3

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caderno técnico

Produção Integrada de Café Orismário Lúcio Rodrigues2 Alexandre Sandri Capucho2 Ueder Pedro Lopes1 Laércio Zambolim3

1 Doutorando em Fitopatologia na Universidade Federal de Viçosa (UFV); 2 Professores de Agronomia da Faculdade Vértice - UNIVÉRTIX , Matipó-MG; 3 Professor Titular da UFV e coordenador nacional da Produção Integrada de Café

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ara atender a atual demanda do mercado por produtos de qualidade é necessária a condução de um sistema de produção agrícola que produza alimentos em quantidade e qualidade, mediante a exploração sustentável dos recursos naturais. Neste contexto surge à ideia da produção integrada, um sistema de cultivo moderno baseado em boas práticas agropecuárias (MAPA, 2012). As diretrizes da produção integrada são baseadas na produção de alimentos e outros produtos agrícolas de alta qualidade utilizando recursos naturais e medidas para minimizar o uso de insumos e contaminantes na lavoura. A seguir serão discutidos os ganhos do produtor de café ao se adequar a este importante sistema de cultivo, com um enfoque no controle da ferrugem do cafeeiro.

Figura 1 Incidência da ferrugem (porcentagem de folhas doentes) nas três áreas experimentais (CP 1, CP 2, CP 3) sob manejo da Produção Integrada de Café (PI) e manejo convencional (CONV) nos anos de 2006, 2007, 2008.

Produção Integrada de Café Para a cultura do café, diversas diretrizes já foram traçadas no que diz respeito ao manejo de pragas, doenças e plantas daninhas por meio do monitoramento e maior eficiência de controle com uso da tecnologia de aplicação adequada. Todas essas medidas estão em acordo com a aplicação das chamadas Boas Práticas Agrícolas (BPA). Estas BPA servem como base para as diretrizes da Produção Integrada de Café (PIC). O ministério da Agricultura é o órgão que determina as diretrizes para a PIC e o INMETRO é quem credencia as certificadoras. Portanto, o produtor que deseja aderir a este sistema de cultivo deve entrar em contato com 22

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estes órgãos governamentais ou com as próprias certificadoras da PIC (Zambolim, 2006). Doenças do Cafeeiro Diversas doenças infectam o cafeeiro no Brasil, sendo as mais comuns a Mancha de Aschocyta, Mancha de Phoma, Mancha de Olho Pardo e a Ferrugem do Cafeeiro. Dentre as doenças, a ferrugem causada pelo fungo Hemileia vastatrix Berk.et Br. é a principal doença da cultura, tanto para o cafeeiro Arábica quanto para o Conilon, e apresenta ampla ocorrência nas regiões produtoras do cafeeiro, não somente no Brasil como no mundo (Waller et al., 2007). Os principais danos causados pela ferrugem são gerados


tes níveis de resistência pela queda precoce das à ferrugem. Em combifolhas e a seca progresnações somente do clone siva dos ramos que, sob 02 com o genótipo G35 alta incidência da doença, a intensidade da doença pode reduzir considerapode alcançar altos nívelmente a produção, veis como nos observaprincipalmente no ano dos para o cafeeiro Aráseguinte a uma alta incibica (Capucho, 2011). dência da doença. O fungo que causa a ferrugem Comparação do cafeeiro infecta as entre a Produção duas espécies de cafeeiro Integrada de Café mais plantadas no Brasil, e a Produção Coffea arabica (café AráConvencional bica) e Coffea canephora Figura 2 Área de café Arábica (Catuaí Vermelho) após três anos sob cultivo no sistema de produção integrada (seta) e sob o sistema de cultivo convencioVisando adequar algu(café Conilon). nal (área ao redor da seta) na região de Coimbra-MG. mas diretrizes para a ProO cafeeiro Arábica é dução Integrada de Café considerado mais suscetível ao ataque do fungo podendo levar a danos na produ- foram conduzidos três campos experimentais (CP) da Produtividade de 35 a 50%, caso medidas eficientes de manejo ção Integrada (PI) nos anos agrícolas 2005/2006, 2006/2007 não sejam adequadamente adotadas (Zambolim et al., 1999). e 2007/2008 que foram comparados a áreas sob o manejo Após a colheita ocorre uma brusca redução na intensidade da convencional realizado por produtores. Os campos experidoença. Nos anos agrícolas de alta carga a incidência é maior mentais 1 (CPI-1) e 2 (CPI-2) foram instalados na região de e pode chegar a 100% enquanto nos anos de baixa carga difi- Coimbra-MG e o campo experimental 3 (CPI-3) foi conduzido na região de Jaboticatubas-MG em lavouras irrigadas por cilmente a incidência da doença ultrapassa os 40%. O cafeeiro Conilon é considerado mais resistente à fer- gotejamento. Todas as áreas utilizadas foram de plantios corugem que o Arábica. Trabalhos recentes indicam que os merciais da variedade Catuaí Vermelho, uma das variedades danos na cultura são menores que os danos observados no mais plantadas no Brasil. A ferrugem do cafeeiro foi monitorada mensalmente por cafeeiro Arábica, desde que a variedade de Conilon plantada no campo seja constituída por vários clones com diferen- meio da coleta de folhas de 20 plantas/área e 20 folhas por

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Figura 3 Produtividade dos campos experimentais (1, 2 e 3) em áreas sob manejo da Produção Integrada de Café e áreas sob manejo convencional dos produtores nos anos de 2006, 2007, 2008.

planta, coletadas entre o terço médio e o inferior de cada planta. A incidência da ferrugem foi determinada pela contagem de folhas com pústulas esporuladas (com a presença de esporos do fungo). O manejo da ferrugem foi realizado quando a incidência da doença ultrapassou 5% de incidência e consistiu na aplicação de fungicidas sistêmicos triazois e estrobilurinas, epoxiconazole epiraclostrobina, respectivamente. Áreas de cultivo convencional foram controladas com o fungicida sistêmico com base no calendário utilizados pelos produtores, que consistem em duas aplicações anuais do fungicida, realizadas nos meses de outubro e dezembro de cada ano. A adubação dos campos e os tratos culturais exigidos pela cultura foram realizados de acordo com a recomendação da cultura. A avaliação da produtividade foi realizada quando as plantas apresentavam mais de 80% de frutos cereja. A colheita e quantificação da produção foi realizada em 500 plantas de cada campo experimental e cada sistema de cultivo. O controle da ferrugem baseando-se nos valores de 5% de incidência se mostrou eficiente, pois quando se faz o monitoramento da doença no campo o controle é realizado somente quando necessário, resultando em muitas vezes em economia e maior eficiência de controle. Quando se faz a aplicação com base no calendário de aplicações o controle pode ser menos eficiente devido à aplicação do produto precocemente ou tardiamente em relação à epidemia da ferrugem, ou seja, quando a incidência da doença ainda é baixa na lavoura (<5%) ou quando a intensidade da doença já esta alta demais, resultando em ineficiência de controle pelo produto. A diferença entre os dois sistemas de cultivo, produção integrada e manejo convencional, podem ser observadas na Figura 1, quando a incidência nas áreas sob 24

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manejo convencional alcançou altos níveis de incidência da ferrugem. A Figura 2 apresenta uma foto do local onde foi instalado um dos campos experimentais da Produção Integrada de Café. Por esta foto é possível observarmos o melhor aspecto das plantas no campo. Quanto à produtividade, em 2006 não se observou diferença pelo fato do manejo ter sido iniciado no mês de dezembro quando a carga pendente nas plantas já havia sido definida. Assim, os tratamentos tiveram pouca interferência sobre a produtividade daquele ano (Figura 2). As áreas manejadas conforme as BPA da produção integrada tiveram maiores produtividades. Quando se analisou a média dos três anos observou-se que o CPI-1 teve um acréscimo de 168,5% na produtividade, o CPI-2 de 14,9% e o CPI-3 um acréscimo de 14,4% quando comparado as áreas de manejo convencional. O manejo no sistema de produção integrada manteve a incidência da ferrugem menor que nas áreas sob manejo convencional e resultou em maiores produtividades, portanto, a adubação equilibrada baseada na análise do solo associada a uma correta pulverização seguindo os critérios da tecnologia de aplicação para o controle químico da ferrugem do cafeeiro, está baseada no monitoramento da incidência da doença, devem ser consideradas como de importante relevância pelos produtores ao aderirem ao sistema de Produção Integrada de Café, pois ficou provado que há um aumento na produtividade pelo uso correto dos produtos no controle da ferrugem. Referências Bibliográficas CAPUCHO, A. S. Epidemiologia e resistência do cafeeiro conilon à ferrugem. Tese de Doutorado em Fitopatologia. Universidade Federal de Viçosa, 2011. MAPA, 2012. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Site: www.agricultura.gov.br. Acesso em 03/04/2012. ZAMBOLIM, L. Subsídios para a Produção Integrada de Café Certificação de Café. ZAMBOLIM, L. (Ed.) 8ª Encontro sobre a produção de café com qualidade – Certificação e boas práticas agrícolas. p. 25-97, 2006. ZAMBOLIM, L.; VALE, F.X.R. Manejo integrado das doenças do cafeeiro. In: ZAMBOLIM, L. (Ed.). I Encontro Sobre Produção de Café com Qualidade. Suprema Gráfica e Editora: Visconde do Rio Branco. p. 134-215, 1999. WALLER, J.M.; BIGGER, M.; HILLOCKS, R.J. Coffee pests, diseases and their management. Oxfordshire: CAB International. 400p. 2007.


forragicultura

A Recuperação de Pastagens na redução dos gases de efeito estufa Humberto Luiz Wernersbach Filho

Zootecnista MSc / Supervisor de Pesquisa Fertilizantes Heringer S/A

Foto: Programa ABC

De fato, o impacto econômico e social chama muito a atenção, pelos fatores acima citados, mas com a degradação da pastagem ocorrem também problemas ambientais. A degradação da pastagem faz com que haja redução na produtividade, perda de matéria orgânica do solo, ou emissão de CO2 para atmosfera, com redução no sequestro do carbono na pastagem. A pastagem, com manejo adequado, tem recebido destaque por seu papel na redução de emissão de carbono. A condição de fertilidade do solo afeta a produção de massa verde e de raízes, o que por sua vez, afeta diretamente a quantidade de matéria orgânica no solo e consequentemens pastagens cobrem cerca de dois terços da área agri- te o sequestro de C. Em revisão, Paulino & Teixeira (2009) cultável do globo terrestre. O Brasil tem como base mostram que estudos realizados em diversas partes do munda alimentação do seu rebanho as forrageiras tropicais. Fatores como baixo custo, grande aptidão produtiva e Tabela 01 - Emissão de metano (CH4) e de CO2 por bovinos adultos consumindo fácil cultivo fazem com que a maior parte da produção forragem e sal mineral e sequestro de CO2 em pasto bem manejado de braquiaria de ruminantes do país (cerca de 90%) é gerada sobre Bovino Adulto pastagens. Além disso, o uso de pastagens tropicais 60,5 x 23 = tem sido enfatizado mundialmente como o diferenEmissão de CH4 60,5 kg/ano¹ Equivalente CO2 1.391 cial da pecuária brasileira. Atualmente, estima-se algo em torno de 200 milhões de hectares de pastagens no Emissão CO2 54,0 kg/ano + 54 Brasil. Contudo, com todo esse potencial, existe um TOTAL Eq. CO2 = 1.445 grande problema onde aproximadamente 60% das pastagens estão degradadas, desde o estágio inicial até o Pastagens mais avançado de degradação. A degradação de pastagens implica em redução na Sequestro 60.000 kg/ Considerando = 63.157 produtividade da fazenda através de um baixo desemde CO2 ha/ano² 0,95 animais/ha penho animal (ganho em peso ou produção de leite) e, sobretudo, menor lotação na propriedade, o que causa BALANÇO = -61.712 redução na rentabilidade da empresa rural e, consequen¹ Considerando um bovino adulto consumindo exclusivamente forragem e sal mineral. temente, redução na geração do emprego e renda no ² Considerando a produção anual de matéria seca de forragem de 30 t/ha. (considerancampo, além da queda nos investimentos que ajudam a do um pasto bem manejado (parte aérea mais raiz). A braquiaria em solo pobre produz de 2 a 5 t/ha/ano de MS de parte aérea.) Fonte: Pedreira & Primavesi (2008) movimentar a economia de maneira geral.

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Foto: Igo Estrela

Agricultura de Baixo Carbono - Fazenda em Minas Gerais BRASIL

do estimaram que as práticas de manejo da fertilidade do solo em pastagens podem aumentar de 50 a 150 kg/ ha a quantidade de carbono sequestrada. Por outro lado, a ausência de N e adubação de manutenção, além da utilização menos frequente da pastagem, resultaram em perda para a atmosfera de 57 g C/m² por ano. O Brasil tem sido indicado como importante produtor de metano (CH4), essas emissões também sofrem influência do manejo de pastagens, esses resultados fortalecem a hipótese de que o aumento das emissões prejudiciais de CH4 é frequentemente compensado pelo sequestro de C no solo. Tal informação corrobora com a tese de que é importante que se analise o sistema como um todo. Na tabela 1, Pedreira & Primavesi (2008) ilustram uma simulação de balanço de emissão de gases gerados em um sistema de produção de bovinos em pastejo. De posse dessas informações, de fato, recuperar as pastagens degradadas, via correção da fertilidade do solo e do manejo adequado, é uma prática que permite ganhos econômicos ao país, bem como, a redução na

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emissão de gases de efeito estufa. Nesse sentido, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) elaborou um programa de incentivo as boas práticas produtivas, denominado “Programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono”. O Programa ABC incentiva processos tecnológicos que neutralizam ou minimizam os efeitos dos gases de efeito estufa no campo, a serem adotados pelos agricultores nos próximos anos. As ações do programa ABC estão inseridas no Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011 e preveem aplicação de R$ 2 bilhões em técnicas que garantem eficiência no campo, com balanço positivo entre sequestro e emissão de dióxido de carbono (CO2). Estão garantidos recursos a agricultores e cooperativas, com limite de financiamento de R$ 1 milhão por beneficiário. O crédito será financiado com taxa de juros de 5,5% ao ano e prazo de reembolso de 12 anos. Dentre os itens financiáveis está a recuperação de pastagens (MAPA - http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/programa-abc).


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agrovisão

A extensão rural no Brasil Alexandre Sylvio Vieira da Costa

Foto: Ascom Incaper

Engenheiro Agrônomo; DSc. Em Produção Vegetal; Professor Titular/Solos e Meio Ambiente - Universidade Vale do Rio Doce asylvio@univale.br

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uem conhece o Brasil sabe: são mais de 300 milhões de hectares cultivados com agricultura e pastagem, onde estão incluídos milhões de agricultores, pequenos, médios e grandes. Os grandes agricultores possuem o seu próprio suporte técnico com a presença de Engenheiros Agrônomos, Veterinários e Zootecnistas em seu quadro de funcionários. O médio contrata a prestação de serviços destes profissionais ou se unem em cooperativas que, através de suas contribuições, contratam os profissionais para atender as suas propriedades. E o pequeno produtor rural? Aquele que luta para sobreviver e tirar o seu sustento única e exclusivamente do campo? Aquele que 28

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trabalha de forma rudimentar, sem adoção de tecnologias de alto custo pela falta de recursos e que dependem da assistência técnica gratuita dos extensionistas. São estes profissionais que fazem a atividade para o pequeno produtor rural valer a pena. São eles que desenvolvem e empregam as tecnologias adaptadas nas pequenas propriedades rurais e organizam as comunidades melhorando a atividade e a rentabilidade do setor. Falando assim parece simples, mas não é. O extensionista tem que manter o contato diário com o pequeno produtor. Muitas vezes, pela falta de tempo já que são muitas as pequenas propriedades, trabalham de forma conjunta através


da organização dos produtores com palestras e cursos. O benefício da extensão rural também é estendido à família do agricultor. Os extensionistas também são responsáveis por organizar as mulheres do campo em associações de artesanatos, produção de doces e tudo que agregue valor aos produtos, aumentando a renda da família do pequeno produtor rural. Agora, você sabe onde é a propriedade do produtor rural? Longe! São dezenas e até mesmo centenas de quilômetros rodados diariamente em estradas de terra para cumprir seu dever profissional. Quando o tempo está seco é a poeira, quando chove é a lama e o carro atolado, mas nunca desistindo. A maioria dos municípios do Brasil possui milhares de quilômetros de estradas de terra ligando estas propriedades a cidade e que os extensionistas conhecem como a palma da mão. Grande parte dos alimentos consumidos

pelos brasileiros diariamente é produzido nas pequenas propriedades rurais com o apoio da extensão rural. A presença da Emater é fundamental para qualquer município que queira uma agricultura familiar forte e estruturada. A valorização deste órgão é a valorização do pequeno produtor rural, respeitando a sua importância no cenário municipal. Não podemos caminhar na contra mão das linhas de desenvolvimento do Governo Federal que tem apoiado através de seus programas a agricultura familiar no Brasil cobrando dos municípios como contrapartida a estruturação do seu setor de extensão rural. A Emater é uma empresa que historicamente sempre cumpriu o seu papel junto ao pequeno produtor rural e que sempre terá o nosso respeito e admiração.

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sustentabilidade

A contribuição da ciência para uma agricultura sustentável Senadora Kátia Abreu

Fotos: Igo Estrela

Senadora da República (PSD/TO) Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

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nquanto o planeta discute a necessidade de mudança do paradigma de desenvolvimento econômico, diante da adversidade dos efeitos climáticos, o setor agropecuário brasileiro dispõe de tecnologia e conhecimento de variados métodos sustentáveis de produção, com eficácia reconhecida pela ciência na redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa (GEE). O domínio desse conhecimento é o passaporte do Brasil para mais um salto de produtividade, semelhante ao que ocorreu a partir da década de 1970, quando o País passou da condição de importador de alimentos para a de exportador. Desta vez, porém, com impactos mitigados ao meio ambiente. Refiro-me às técnicas de produção sustentável da agricultura de baixo carbono desenvolvidas, em grande parte, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. É graças a essas técnicas que o setor agropecuário brasileiro encontra-se à frente de outros segmentos da economia na corrida pela produção sustentável. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade a qual presido e que representa os produtores rurais brasileiros, compreendeu a importância da agricultura de baixo carbono para a redução das emissões dos GEE. O compromisso firmado 30

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pelo Governo brasileiro, em 2009, na Dinamarca, de reduzir em até 38,9% a emissão de gases nocivos ao meio ambiente até 2020, conta com o apoio do setor produtivo rural. Nós entendemos que a agropecuária brasileira encontra-se em condições efetivas de promover a transição do modelo tradicional de produção, para as técnicas sustentáveis da agricultura de baixo carbono. É com o objetivo de promover essa transição que a CNA trabalha para disseminar as regras do Programa ABC, do Governo Federal, que oferece linhas de créditos com juros reduzidos para a implantação dos métodos sustentáveis de produção nas propriedades rurais do Brasil. Em outra frente de atuação, a CNA desenvolve, em parceria com a Embrapa, o Projeto Biomas, que pesquisa a ampliação do uso da árvore nas propriedades rurais para diversificar os sistemas produtivos com ganhos ambientais e econômicos. O projeto, iniciado em 2010, está sendo executado nos seis biomas brasileiros (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal, Caatinga e Pampa) e, ao fim de nove anos, deverá oferecer gratuitamente aos produtores rurais brasileiros soluções técnicas e científicas de produção sustentável. O projeto será um espelho para o mundo já que poderá ser aplicado em qualquer

bioma, desde que respeitadas às características locais. O conhecimento científico foi o meio pelo qual o Brasil se tornou um dos campeões mundiais de produtividade. Não é exagero afirmar que o País poderá dobrar a sua produção, apenas com a implantação das técnicas sustentáveis. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Brasil aumentou em 148,5% a produtividade de grãos e fibras, no período compreendido entre as safras 1976/77 e 2011/12. Significa dizer que, para se produzir as 160 milhões de toneladas estimadas para esta safra, mantendo-se a mesma produtividade de 1976, seria necessário plantar numa área de aproximadamente 127 milhões de hectares, mais que o dobro do que se utiliza hoje, em torno de 50,7 milhões de hectares. Graças à ciência aplicada à produção agropecuária, o Brasil “poupou”, em 34 anos, 76,3 milhões de hectares. Com a pecuária não foi diferente. Em 1960, cerca de 58 milhões de cabeças de gado ocupavam 122,3 milhões de hectares de áreas de pastagem, o que dava uma produtividade média de 0,47 cabeça por hectare. Cinquenta anos depois, com um rebanho estimado em 204 milhões de cabeças, o Brasil passa a ocupar 170 milhões de hectares de pas-


tagens. Fazendo as contas, isso significa que houve um crescimento de 251% da produção nesse período, enquanto que a área ocupada aumentou apenas 39%. Os dados nos indicam que esse aumento de produtividade tenha proporcionado uma poupança ambiental de 260 milhões de hectares. É dessa forma que o setor agropecuário brasileiro continuará produzindo alimentos baratos e de qualidade, além de contribuir para o desenvolvimento da economia do País. Com os resultados do Projeto Biomas, aliados às técnicas da agricultura de baixo carbono, o Brasil poderá continuar produzindo em apenas 27% do seu território e preservando outros 61%. Ou seja, a produção agropecuária poderá crescer, sem que para isso seja preciso expandir a área plantada. Haverá, ainda, redução das emissões de GEE e mais fixação de carbono na terra, além da recuperação de áreas degradas. As estimativas dão conta de que existem no Brasil em torno de 110 milhões de hectares de terras degradadas que poderão ser recuperados com as técnicas da agricultura de baixo carbono. Este é o ponto central da redução das emissões de GEE pelas atividades agropecuárias: recuperar áreas degradadas e intensificar o uso da terra para aumentar a produtividade. Sabemos que muitas das práticas de baixo carbono já são aplicadas no campo. O desafio do setor produtivo rural é expandir o uso dessas práticas para ganhar escala, mas isso depende de financiamento, capacitação e vontade política. O Governo Federal deve incentivar os produtores

rurais a fazerem a transição para as técnicas de baixa emissão de carbono. Para isso, destinou R$ 3,15 bilhões, dentro do Programa ABC, para financiar projetos de implantação das técnicas da agricultura de baixo carbono, como a recuperação de áreas degradadas; o Sistema de Plantio Direto (SPD); a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF); o Plantio de Florestas; a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) e o Tratamento de dejetos animais. Além de difundir o Programa ABC, a CNA busca incentivar a adesão ao programa nos fóruns em que tem assento. O desafio é mostrar aos produtores rurais que é possível obter o aumento da renda com a transição para o modelo produtivo de baixa emissão de carbono e o Governo deve oferecer todo apoio ao setor para efetivar essa mudança. Recentemente, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) nos deu uma boa notícia, ao divulgar o menor índice de desmatamento da Amazônia Legal dos últimos 23 anos. Vale ressaltar que esse índice vem caindo significativamente desde 2005. A queda do desmatamento e as várias iniciativas sustentáveis desenvolvidas pelos produtores brasileiros dão ao Brasil autoridade moral para discutir questões ambientais com outros países. É bom lembrar que são os produtores rurais os principais interessados na conservação dos mananciais de água e do meio ambiente como um todo, pois eles precisam de água e terra de qualidade para obter produtividade e renda. A preservação faz bem ao patrimônio dos produtores! O novo Código Florestal, uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, além de prote-

ger a natureza, trará segurança jurídica aos produtores para investir na migração do modelo de produção tradicional para os sistemas produtivos sustentáveis. O setor produtivo rural brasileiro está preparado para corresponder às exigências que o novo paradigma de desenvolvimento econômico imporá a todos os países. Temos conhecimento e tecnologia para responder a esse desafio. Será uma excelente oportunidade para mostrarmos ao Brasil e ao mundo como se produz alimentos com qualidade, ao mesmo tempo em que preservamos os recursos naturais e a biodiversidade dos nossos biomas. Faremos isso por entender que o direito a um planeta saudável não é apenas dos que hoje vivem, mas também das gerações vindouras.

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Foto: Paulo Sérgio de Oliveira

perfil profissional

Engenharia Florestal O profissional em destaque Luciano Amaral

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o dia 12 de julho comemora-se o dia do Engenheiro Florestal. Esse profissional é responsável pela análise do potencial biológico dos ecossistemas florestais, planejamento e manejo adequado dos recursos naturais de forma a garantir viabilidade aos empreendimentos de base florestal. Diante da considerável demanda por produtos sustentáveis e por experiência na administração de recursos ambientais, as oportunidades no mercado de trabalho passam por constante ampliação. Atualmente, o Engenheiro Florestal pode atuar em empresas públicas na conservação e fiscalização das áreas utilizadas pela iniciativa privada; nas indústrias do setor de siderurgia, de celulose e papel, carvão e móveis, bem como na elaboração de projetos de plantio e reflorestamento que viabilizem o uso racional dos recursos florestais. Para comemorar a data, o perfil dessa edição conta a história de um profissional que há 35 anos dedica sua carreira ao setor ambiental. Luciano Amaral Rodrigues, 54 anos, é filho de agricultores e em 1976 formou-se como Técnico Agrícola. Trabalhou na Universidade Federal de Viçosa (UFV) no departamento de engenharia florestal e aos 22 anos, ingressou no curso de engenharia florestal lá mesmo, na UFV. Graduou-se em 1983 e de lá para cá, exerceu todas as atividades características em empresas de base florestal. Possui especialização em Produção de Celulose e um MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Dos 35 anos de carreira, 20 foram dedicados ao setor de florestas para energia. O primeiro emprego foi na CAF, do antigo Grupo Belgo-Mineira. Depois re-

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solveu migrar para o mercado de celulose. Natural de Itapecerica (MG), há 14 anos Rodrigues mora em Ipatinga. Atualmente é o Gerente Geral Florestal da Cenibra, onde é responsável pelo processo florestal. Rodrigues acredita que a sustentabilidade é a virtude propulsora do desenvolvimento. A partir de consciência crítica, educação ambiental e compromisso com a conservação da biodiversidade, a iniciativa privada, o poder público e a sociedade civil podem construir um mundo melhor. Referente ao trabalho de conservação promovido pelo setor de florestas plantadas, Rodrigues dá o exemplo de que para cada 1 hectare de madeira plantada é preservado no mínimo 10 hectares de floresta nativa. “O trabalho do engenheiro florestal está diretamente ligado com a utilização sustentável dos recursos naturais, voltando-se para a área de pesquisas, o uso de tecnologias, o georreferenciamento, geoprocessamento, inventário biológico até o melhoramento genético de plantas”, explica. Para ele, um profissional só é bem sucedido se tiver um foco. Identificar os objetivos da vida pessoal e profissional, estabelecer metas e especializar-se para conseguir superar os desafios de mercado. “O setor não gera muitos empregos, mas gera bons empregos. Trinta anos atrás existiam mais postos de trabalho que hoje. Entretanto, é um grande mercado em transformação e que está sendo explorado. Um conselho que dou para as universidades é para cuidarem um pouco da área de gestão e dos processos de qualidade. Assim, o profissional poderá sair mais bem preparado para o mercado”, recomenda Rodrigues.


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meteorologia

Previsão de Inverno mais úmido Prof. Ruibran dos Reis

Prof. da PUC Minas Diretor Regional da Climatempo - Minas Gerais

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istoricamente o inverno nos Vales do Rio Doce e Mucuri é mais seco. É quando a massa de ar Tropical Marítima, que atua entre o Brasil e a África ganha intensidade no interior do continente. O mês de julho é de transição, os ventos são mais calmos e os dias são marcados por apresentar pouca nebulosidade. Neste ano, as frentes frias estão chegando com maior facilidade em Minas Gerais, a previsão de passagem de frentes frias pelo litoral do Espírito Santo, com aumento da nebulosidade e ocorrência de chuvas de fraca intensidade nas regiões leste, nordeste de Minas Gerais e também na região norte do ES. Os modelos de previsões numéricas do tempo mostram que há probabilidade da primavera estar sob a influência do El Niño, portanto, a previsão é de temperaturas elevadas no final da estação seca e os temporais deverão chegar mais cedo neste ano.

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Sinalizando melhoras mercado

Gustavo Aguiar

Zootecnista | Scot Consultoria

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om a valorização do dólar, as exportações, como um todo, estão respondendo positivamente, considerando o volume embarcado. Na figura 1 estão os embarques de carne bovina in natura e a cotação do dólar nos últimos doze meses. Segundo informações compiladas pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), os embarques de carne in natura representaram 75% do total de carne e derivados bovinos exportados em 2011.

O volume embarcado em maio último, 83,1 mil toneladas métricas, foi o maior desde julho de 2010, quando exportamos 101,67 mil toneladas. No acumulado de janeiro a maio de 2012, o total de carne in natura exportada foi de 339,5 mil toneladas métricas. O volume representa um aumento de 3,1% na comparação com igual período do ano passado. Expectativas

O faturamento com o comércio externo de carne in natura também está maior que em 2011. De janeiro a maio Figura 1 - Exportações de carne in natura, em tone- de 2012, a receita foi de US$ 1,653 bilhão, frente a US$ ladas, e a cotação do dólar, em R$. 1,643 bilhão no último ano. Portanto, a alta é de 0,7%. Sendo assim, diante do quadro geral esperado para este ano, boa oferta de animais no mercado interno e câmbio mais favorável, as expectativas são de recuperação no volume exportado, depois de quatro anos de redução. Esta situação, somada ao bom patamar de preços da carne no mercado externo - historicamente falando, deve levar as exportações também a um melhor resultado em termos de faturamento este ano, caso não ocorram grandes reviravoltas no cenário internacional envolvendo os principais clientes brasileiros (Rússia, Hong Kong, Irã e Egito). Isto contribui para amenizar a pressão de baixa para a carne no mercado interno causada pelo excesso de oferta. O boi agradece. Fonte: MDIC / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

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Imagem Ilustrativa

O boom do leite UHT no Brasil por Jéssyca Guerra

Zootecnista | Scot Consultoria

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leite UHT (Ultra High Temperature – temperatura extremamente alta) é o processo térmico que reduz a carga microbiana do leite. O leite é aquecido a aproximadamente 140ºC por um curto período (2 a 10 segundos). Se o leite for envasado sob condições assépticas ele pode ser armazenado em temperatura ambiente por meses. O leite UHT foi introduzido no Brasil na década de 70, entretanto, até o início da década de 90 ele representava menos de 10,0% do mercado de leite fluído brasileiro. No Brasil, esse produto vem ganhando espaço nos supermercados e na cesta de compras dos consumidores, pois apresenta algumas vantagens em relação ao leite pasteurizado, ou “leite de saquinho”. São elas: - redução no custo de transporte, por possuir uma embalagem de mais fácil armazenamento e não precisar de refrigeração enquanto fechado; - praticidade para o consumidor, que pode adquirir leite para períodos longos. Validade em torno de três meses; - os laticínios conseguem aumentar sua área de atuação, vendendo o produto para mercados distantes. Observe na figura 1 o crescimento do leite UHT no Brasil. Figura 1 - Total de leite fluído consumido no Brasil, total de UHT (eixo da esquerda – em bilhões de litros) e participação do leite UHT (eixo da direita).

* estimativa Fonte: Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV) / Compilado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br A tendência é que o leite UHT ganhe espaço no mundo, mas há ainda alguns mitos que fazem com que parte dos consumidores prefira o leite pasteurizado. Nos últimos cinco anos a participação do UHT cresceu entre 3,0 e 4,0% ao ano. As expectativas são de que em 2012 o leite UHT corresponda a 72,0% do consumo mundial de leite fluído. Imagem Ilustrativa

BAIXA PRODUÇÃO NAS MATAS DE MINAS EM ANO DE ALTA NO BRASIL Waldir Francese Filho

Superintendente Comercial Coocafé

E

m ano que possivelmente a cafeicultura brasileira baterá recordes de produção, a Zona da Mata e Leste de Minas apresentam uma produção baixa e com dificuldades pela qualidade das bebidas de café pelas chuvas constantes que vem ocorrendo em nossa região. Em levantamentos realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em maio último, publicados em seu site, o Brasil colherá próximo a 50 milhões de sacas de café, sendo 38 milhões de Arábica e 12 milhões de Conilon. Realmente é o sentimento de várias regiões brasileiras, principalmente o Conilon capixaba, que apresentam expectativa superior aos próprios números da Conab. Agora as nossas lavouras das Matas de Minas e Montanhas do Espírito Santo estão preparadas para a próxima colheita, pois este ano colheremos muito menos cafés que a última safra. Já com 30% dos cafés derriçados verificamos perdas no

rendimento e qualidade dos cafés. No período das floradas ocorreram diversas chuvas na abertura de flores que prejudicaram a formação das rosetas e no início do ano o veranico acentuado dificultou o enchimento de grãos provocando grande número de frutos chochos e peneiras baixas. Chuvas constantes estão ocorrendo neste momento o que dificulta mais ainda os cafeicultores em produzir cafés superiores. Neste momento os cafeicultores devem ser eficientes nos processos de colheita e pós colheita para reduzirem os custos e aumentem a receita com a venda de cafés melhores.

Cotações Julho 2012 / Coocafé Arábica

Bebida Dura Tipo 6 | R$ 375,00 Rio Tipo 7 | R$ 320,00 Cereja Descascado Fino | R$ 400,00 JUlho 2012

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cotações

Boi Gordo

mercado futuro (BM&FBovespa) 07/12

(R$/@) Indicadores Eslaq / BM&F Bovespa boi Gordo

vencimento

Ajuste (R$/@)

Var. (R$)

Jul/12

94,10

- 0,39

data

à vista

A prazo

Ago/12

95,59

- 0,12

27/06

92,96

93,63

Set/12

97,00

0,00

28/06

92,82

93,61

29/06

92,69

93,34

Fonte: BeefPoint

Fonte: BeefPoint

preços do leite

(R$/L)

cotações do leite cru preços pagos ao produtor RS

SP

PR

0,8220

0,8083

0,8733

0,8385

0,8396

0,7408

0,8269

Fev / 12

0,8388

0,8286

0,8681

0,8355

0,8480

0,7353

0,8338

Mar/12

0,8640

0,8427

0,8742

0,8304

0,8880

0,7624

0,8206

Abr/12

0,8828

0,8502

0,8874

0,8338

0,9122

0,7760

0,8218

Mai/12

0,8916

0,8519

0,8956

0,8347

0,9169

0,8475

0,8191

Jun/12

0,8679

0,8333

0,8738

0,8247

0,8723

0,8573

0,8028

R$/litro

MG

Jan /12

GO

BA

SC

Fonte: Cepea - Esalq/USP

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JUlho 2012 Agosto 2011


mão na massa

Calda Viçosa

uma mistura de nutrientes com ação fungicida Orismário Lúcio Rodrigues1 Alexandre Sandri Capucho1

Divulgação

1 Professores de Agronomia da UNIVETIX, Matipó-MG

A

Calda Viçosa é uma suspensão coloidal, de cor azul-celeste, composta de fertilizantes complexados com a cal hidratada. Essa calda foi desenvolvida pelo Departamento de Fitopatologia da Universidade Federal de Viçosa, especialmente para o controle da ferrugem do cafeeiro (Zambolimet al., 2003). A Calda Viçosa é um produto rico em sais minerais e cálcio, recomendado para aplicação foliar em diversas plantas, atendendo as suas carências nutricionais e prevenindo a ocorrência de diversas doenças nas plantas. Esta calda foi formulada a partir da Calda Bordalesa pelo então professor João da Cruz Filho, obtendo excelentes resultados no controle da ferrugem do cafeeiro, cercosporiose e mancha aureolada (Zambolimet al., 2003). No cafeeiro é recomendada de quatro a cinco aplicações, com início em dezembro e intervalos de 30 dias. Além disso, a calda é utilizada com bons resultados para o controle de doenças em outras culturas, como: tomateiro, goiabeira, bananeira, maracujazeiro, caquizeiro, batateira, figueira, videira, pereira, etc. É uma calda para controle de doenças de plantas que age também como adubo foliar. A base é a calda bordalesa, acrescida de sais de cobre, zinco, magnésio e boro.

Para o preparo de 10 litros, deve-se utilizar:

1) 50 g de sulfato de cobre penta hidratado 2) 10 a 20 gramas de sulfato de zinco 3) 80 gramas de sulfato de magnésio 4) 10 a 20 gramas de ácido bórico 5) 50 a 75 gramas de cal hidratada Durante o preparo deve-se misturar a cal na metade do volume de água. Na outra porção de água, dissolver os sais minerais. Deve-se ir misturando aos poucos a solução de sais, jogando-a sobre a água de cal com agitação constante. A calda tem um pH final entre 5,8 e 6,0 (usar papel tornassol ou peagâmetro para verificar o pH da mistura) e apresenta uma cor azul brilhante. Os vasilhames devem ser de plástico, pois os metais são atacados pelos sais. As sobras não devem ser guardadas e deve-se coar a suspensão antes da pulverização. A calda viçosa tem ação contra fungos, bactérias e algumas pragas; fornece nutrientes essenciais às plantas; fortalece a folhagem e os frutos; tem ação preventiva contra patógenos; ajuda a reduzir o custo de produção e não deixa resíduos tóxicos aos produtos.

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emater

Segredos para a manutenção da qualidade do QMA

Nádia Rocha Mafra

Veterinária - EMATER/Sabinópolis

Edna S. Abreu

Extensionista BES II – Emater/Guanhães

Divulgação

TEMPERATURA DE COAGULAÇãO -

A

região delimitada pelo IMA para o Queijo Minas Artesanal (QMA) da região do Serro é formada por de onze municípios. O Queijo do Serro é uma herança cultural que passa de pai para filho, mantendo inalteradas suas características: consistência firme, levemente ácido, massa uniforme e um sabor inigualável. A tradição é mantida há quase três séculos nas pequenas propriedades entre as montanhas de Minas. Atualmente a região possui cerca de mil produtores e hoje 135 produtores com cadastro no órgão mineiro de inspeção sanitária no estado. Hoje 60 produtores da regional de Guanhães participam do Programa de Melhoria do Queijo Minas Artesanal beneficiando 240 famílias dentre estes, 34 produtores já estão cadastrados junto ao IMA e 20 produtores já estão em processo de adequação das instalações físicas para o cadastramento no órgão competente do estado. TEMPO DE PROCESSAMENTO - Colocar o coalho no

leite após, no máximo, 90 minutos de ordenhado. PINGO - Sanitizar a bancada que escorre o pingo com água fervendo depois de lavada com detergente. Não usar cloro ou outro desinfetante nesta bancada. COALHO - Diluir em água (previamente fervida, quando atingir a Temperatura de 40-42ºC) para facilitar a distribuição (guardar em local seco, escuro e fresco; não molhar o coalho com a colherinha, por exemplo). 40

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Se para o pingo, a temperatura ideal é 20-25ºC, para o coalho é 40 a 42ºC. Então recomenda-se usar 30 a 35ºC que representa o meio termo. CORTE DA MASSA - Quanto menor o grão da coalhada, mais seco ficará o queijo. Quando o corte da coalhada é feito correto e na hora certa o soro fica esverdeado e límpido, caso contrário ele fica esbranquiçado. MEXEDURA - Quanto mais tempo se realiza a mexedura, mais soro é expulso. Para o queijo minas o ideal é 30 minutos. MATURAÇÃO - Virar os queijos diariamente, a sala de maturação deve ser ventilada e fresca. Maturar por 10 dias no mínimo. HIGIENIZAÇãO - Limpeza = pré-lavagem com água Lavagem = utilização do detergente e enxágue Sanitização = desinfecção após a lavagem com desinfetante DETERGENTE - Alcalino = uso diário (retira restos de gordura e proteína) Ácido = uso semanal (retira resíduos minerais ou pedra de leite) DESINFETANTE - O cloro é o mais usado. Deve ser preparado no momento do uso. Utilizando CLORO 10% diluir: • 1 ml / litro de água (100 ppm) / 15 minutos - para equipamentos e instalações • 0,5 ml / litro de água (50 ppm) / 10 minutos - para reservatório de água • 0,25 ml / litro de água (25 ppm) / 1 minuto - para tetas (pré-ordenha) e mãos FONTE DE MICROORGANISMOS

Desejáveis = Fonte: Pingo composto por lactobacilos e lactococcus Indesejáveis = Fonte: animais, poeira, solo, fezes, plantas, objetos não higienizados, água não tratada, insetos (presença de coliformes, salmonela, listeria, clostridium, estafilococcus, etc).


ima

Imagem Ilustrativa

Mormo

O

Mormo é uma infecção zoonótica causada pelo Burkholderia mallei, um bacilo Gram negativo, imóvel, não encapsulado e não esporulado da família Burkholderiaceae. A bactéria causadora era anteriormente conhecida como Pseudomonas mallei e evolutivamente está relacionada com o agente causador da melioidose, Burkholderia pseudomallei. Podemos citar como hospedeiros os equídeos, seres humanos, ocasionalmente felídeos e outras espécies são sensíveis; as infecções são geralmente fatais. Os burros são mais suscetíveis, as mulas um pouco menos e os equinos demonstram alguma resistência manifestada nas formas crônicas da doença, especialmente em áreas endêmicas. Suscetibilidade ao Mormo foi demonstrada em camelos, ursos, lobos e cães. Os carnívoros podem tornar – se infectados pela ingestão de carne; bovinos e suínos são resistentes. Pequenos ruminantes também podem ser infectados se mantidos em contato estreito com cavalos infectados. A fonte de infecção mais comum parece ser a ingestão de alimentos ou água, contaminados provavelmente, através de descargas do trato respiratório ou lesões de pele ulcerada de animais infectados. A alta densidade e a proximidade dos animais favorecem a disseminação da enfermidade, da mesma forma que os fatores de estresse relacionados ao hospedeiro. O Mormo tem sido reconhecido como uma importante doença dos equídeos desde os primeiros registros da doença feitos por Hipócrates. Através de programas nacionais de controle e intervenção veterinária a prevalência da doença em todo o mundo tem sido significativamente reduzida.

Marcelo de Aquino Brito Lima

Fiscal Estadual Agropecuário – IMA Coordenadoria Regional de Gov. Valadares

Formas do Mormo em animais são comumente descritas de acordo com a localização das lesões primárias, assim, três formas da doença são comumente descritas: nasal, pulmonar e cutânea. Forma nasal (Mormo nasal): Começa com febre alta, perda de apetite e dificuldade respiratória com tosse. Forma pulmonar: Normalmente requer vários meses para desenvolver; primeiro se manifesta através de febre, dispneia, tosse acompanhada de dificuldade respiratória. Diarreia e poliúria também podem ocorrer. Forma cutânea: Desenvolve insidiosamente durante um período prolongado; começa com tosse e dispneia podendo incluir febre e aumento dos gânglios linfáticos. Sobre o exame de Mormo

Animais provenientes de propriedades dentro do estado de Minas Gerais: Serão exigidos exame de Mormo negativo e na validade durante todo o evento dos animais provenientes das regiões listadas pelo IMA (171 municípios, da região norte do estado). Do restante das cidades não será exigido exame. Animais provenientes de propriedades fora do estado de Minas Gerais: Estados (Alagoas, Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Paraná, Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte e Roraima), onde existam Mormo: exame negativo de Mormo na validade durante todo o evento. Estados onde não exista Mormo (Instrução Normativa 24 de 05/04/2004 MAPA): Para entrar, dentro do estado de MiDiagnóstico nas Gerais não precisa ter o exame, mas para sair do estado O período de incubação do Mormo varia de acordo com sim, independente da região que o animal esteja (não precisa a rota e a intensidade da exposição, bem com fatores in- estar nas regiões listadas pelo IMA). trínsecos ligados ao hospedeiro e, por isso, pode variar de Em caso de dúvidas entrar em contato com o escritório do alguns dias a muitos meses. IMA de sua região. JUlho 2012

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Estimativa dos impactos econômicos decorrentes da perspectiva de introdução do huanglongbing (HLB) no estado da Bahia José Mário Carvalhal de Oliveira¹; Antônio Souza do Nascimento²; Sílvia Helena Galvão de Miranda³; Cristiane de Jesus Barbosa 4

1 Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), Salvador-Bahia 2 Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - Bahia 3 Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), Departamento de Economia, Administração e Sociologia e Centro De Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), Piracicaba - SP 4 Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas – Bahia

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Bahia ocupa uma posição de destaque entre os principais estados brasileiros produtores de laranja, situando-se em segundo lugar no ranking nacional, respondendo por 5,5% da produção brasileira. Para o estado, esta atividade reveste-se de grande importância tendo em vista que mais de 80% da produção é oriunda de produtores enquadrados na chamada agricultura familiar, os quais dependem desta cultura para sustentação econômica, o que têm estimulado a realização de diversas pesquisas, especialmente na área de fitossanidade. Atualmente, o huanglongbing (HLB), comumente chamado de greening se constitui na principal ameaça para a citricultura baiana, uma vez que essa doença já está presente em três estados produtores de citros do país, sendo que um deles faz fronteira com o estado da Bahia. Este trabalho teve como objetivo estimar os potenciais impactos econômicos decorrentes da introdução do HLB no estado da Bahia, por meio da utilização do valor presente líquido (VPL) para comparação entre diferentes cenários. Para trazer o fluxo de caixa da citricultura baiana para valores presentes, foram adotadas três taxas, a saber: a da rentabilidade da poupança, a da remuneração do fundo de renda fixa DI e a taxa Selic, todas referentes ao ano de 2010 e divulgada pelo Banco Central do Brasil. Finalmente, fo42

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ram estabelecidos diferentes cenários com relação à contaminação do huanglongbing, para comparação do VPL, permitindo, desse modo, a estimativa dos impactos econômicos potenciais da introdução dessa devastadora doença no estado da Bahia. Considerando-se os três cenários adotados no presente estudo: cenário A (ausência do HLB); cenário B (presença do HLB sem controle); cenário C (presença do HLB com controle), calculou-se a produção de laranja no estado da Bahia. No cenário B, a redução na produção começa a ser evidenciada a partir de 2015, terceiro ano após a introdução do HLB no Estado, atingindo 19% em 2018 e 60% em 2022, nono ano após a contaminação dos pomares. No cenário C, em que pesem os custos envolvidos no controle, a redução na produção de laranja é inferior a 1% para todos os anos estudados. No cenário A, onde se considerou que os esforços da defesa sanitária foram efetivos impedindo a contaminação dos pomares de citros pela bactéria causadora do HLB, o VPL da margem bruta foi positivo, variando de R$ 1,520 bilhão e R$ 1,128 bilhão, dependendo da taxa de desconto considerada. No cenário B, em que além da introdução da bactéria nos pomares de citros, os produtores não adotaram as medidas preconizadas para controle da doença (inspeção, eliminação das plantas doentes, controle do inseto), o VPL da margem bruta foi negativo, ficando entre R$ - 316 milhões e R$ -19 milhões, a depender da taxa de desconto utilizada, revelando uma situação de prejuízo financeiro para os produtores. Os resultados revelaram que, caso o HLB seja introduzido nos pomares de citros no estado da Bahia, os prejuízos serão bastante significativos nos próximos 20 anos, podendo superar R$ 1,837 bilhão, especialmente se não forem adotadas as medidas recomendadas de controle e erradicação.


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A promessa de quebrar o próprio recorde na fabricação do Maior Queijo Minas Padrão do Brasil foi cumprida em Ipanema, no Vale do Rio Doce. O super queijo, de 1.480 quilos foi à atração da 3ª Festa do Queijo da cidade, realizada no dia 23 de junho. O queijo de 62 centímetros de altura e 175 de diâmetro, superou o tamanho do produzido no ano passado, de 1.305 quilos. O novo recorde foi certificado pela auditora do Rankbrasil, Fátima Pires. O queijo foi fabricado na Cooperativa do município. O trabalho demorou nove dias. Foram usados quase 14 mil litros de leite para fazer o produto. O ingrediente princi-

pal saiu da cidade e de propriedades dos municípios vizinhos. Juntos, eles captam cerca de 100 mil litros de leite por dia, tornando a atividade a principal geração de renda na região. Ipanema, sozinha corresponde à metade da produção total. A festa encerrou as atividades do 1º Encontro Regional do programa Minas Leite no Leste do Estado, promovido pela Seapa – Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais. O evento reuniu produtores e técnicos de Ipanema, Conceição de Ipanema, Mutum, Pocrane e Taparuba. O encontro começou no dia 22 de junho com

Foto Divulgação

No dia 30 de maio, o zootecnista Renato Miglio Martin recebeu em Belo Horizonte (MG) uma homenagem do Conselho Regional de Medicina Veterinária e Zootecnia (CRMV-Z), o certificado de honra ao mérito em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à zootecnia no estado de Minas Gerais. A homenagem é feita todo ano, no mês de maio, que é o mês do zootecnista. A indicação é feita pelos profissionais e os nomes indicados são submetidos à aprovação do CRMV. Estavam presentes na solenidade o presidente do Conselho Nivaldo da Silva, o Secretário de Agricultura do Estado Elmiro Alves do Nascimento, o professor Walter Mota, dentre outras autoridades e profissionais do setor.

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Divulgação

1º Concurso de horta na Comunidade

Homenagem na CRMV-Z

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informações para impulsionar a adesão dos pecuaristas da agricultura familiar ao programa Minas Leite. Lançado em 2005, o Minas Leite tem como objetivo mostrar aos produtores a importância da adoção de boas práticas nas propriedades para fortalecer as atividades leiteiras. (Fonte: Cleuzany Lott/redação)

A EMATER (MG) em parceria com a associação dos moradores do tabocal realizou o 1° concurso de horta na comunidade com o objetivo de incentivar mais a produção e o consumo de hortaliças, além de se qualificarem no requisito produção programada, pois os membros da associação participam do PNAE e do PAA. Outro aspecto foi incentivar e resgatar o hábito de produzir alimentos em hortas caseiras, optando pela produção no sistema agroecológico. Lançado em fevereiro deste ano, o concurso teve 12 famílias inscritas, da comunidade de Tabocal, e as visitas de avaliação foram realizadas dia 28 de junho e a premiação aconteceu no dia 30 de junho. A escolha teve como parâmetro os seguintes critérios: Diversidade de espécies desde que seja sem desperdício, uso das técnicas agroecológicas aprendidas no decorrer do ano, criatividade e beleza. Os premiados foram: Fátima Aparecida dos Santos (1º lugar), Nerinha Teixeira (2º lugar), Cecília Teixeira de Oliveira (3º lugar) e Zélia Pereira da Silva (prêmio de incentivo). (Fonte: Kelyene Sued L. R./Emater - Frei Inocêncio) Foto Divulgação

aconteceu

Queijo gigante encerra encontro do Minas Leite em Ipanema


Aconteceu entre os dias 06 e 10 de junho a 22ª Exposição Agropecuária de Nanuque. O Sindicato dos Produtores Rurais do município, entidade organizadora do evento, estima que a Expoagro tenha alcançado 8 milhões em negócios realizados. Durante os cinco dias de evento, aconteceram leilões, julgamento de animais, provas funcionais, shows, rodeio e o projeto ecológico “A Fazendinha”.

Foto: ASCOM Incaper

Café especial com Conilon é lançado no Espírito Santo

Na foto o produtor Luis Carlos, o secretário Enio, o diretor da Abic Nathan e o presidente do Incaper Evair Vieira

Um aroma intenso de Conilon tomou conta do ar do Espaço Conilon, na Conferência Internacional de Coffea canephora, que ocorreu no Centro de Convenções de Vitória. Foi lançado no dia 14 de junho o Zimbro, um café especial com um blend formado por 70% de arábica e 30% de Conilon lavado. Além dos presentes na conferência internacional, participaram do lançamento o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Enio Bergoli, o diretor-presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Evair Vieira de Melo, o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, dentre outras autoridades. O novo produto foi desenvolvido pela torrefadora mineira Santo Antonio Estate Coffee, a partir do café arábica do Sul de Minas Gerais com o Conilon especial produzido em Santa Teresa, Espírito Santo. O Conilon lavado trouxe corpo acentuado, mais robusto, e reforça o conceito de sabor brasileiro. A iniciativa para a criação do Zimbro surgiu durante a 24ª Feira Anual da Associação Americana de Cafés Especiais (Specialty Coffee Association of America – SCAA), realizada em abril na cidade de Portland, nos Estados Unidos. Várias amostras do Conilon capixaba foram apresentadas no evento. (Fonte: ASCOM SEAG)

Superagro 2012 recebeu público de 70 mil pessoas em oito dias de feira A Superagro encerrou com sucesso no dia 08 de junho, uma das suas edições mais diversificadas, com a presença de diversos segmentos do agronegócio. Em oito dias, a feira recebeu público de cerca de 70 mil pessoas, visitação que se manteve dentro das expectativas dos promotores do evento. A Superagro é uma promoção do Governo de Minas - por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) - da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e Sebrae-MG e realizou sua oitava edição no período de 3 a 10 de junho, no complexo Parque de Exposições da Gameleira/Expominas, em Belo Horizonte (MG). (Fonte: ASCOM SEAPA)

Expocafé 2012: volume de negócios chega a R$ 200 milhões A 15ª edição da maior feira nacional do agronegócio café – EXPOCAFÉ – encerrada no dia 22 de junho, na Fazenda Experimental da EPAMIG de Três Pontas (Sul de MG) movimentou cerca de R$200 milhões em negócios gerados e prospectados. De acordo com o coordenador-geral da EXPOCAFÉ, Mairon Mesquita, as chuvas que caíram no município nos dois primeiros dias do evento prejudicaram o fluxo de público e a programação da feira. A pesquisa de satisfação realizada com os expositores apontou que 85% têm a intenção de participar da edição 2013. Destes, 25% manifestaram interesse em aumentar a área de exposição. Além de novidades em máquinas, equipamentos e implementos para cafeicultura a EXPOCAFÉ 2012 trouxe também discussão do cenário da cafeicultura nacional e oportunidades para o mercado externo durante palestras realizadas pela Central Exportaminas. “O mercado externo ao alcance do produtor mineiro” e pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e Agência Brasileira de Promoção, Exportação e Investimentos (Apex), durante o Seminário “Exportar é Inovar”. Na ocasião foi assinado o Convênio do Projeto Brazilian Specialty and Sustainable Coffees, entre a BSCA e Apex, que tem por objetivo reforçar a imagem de qualidade dos cafés brasileiros em todo o mundo e evidenciar a produção com responsabilidade ambiental e social realizada no Brasil. (Fonte: ASCOM EPAMIG) Foto: Erasmo Pereira - AscomEPAMIG

Expoagro Nanuque

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Canjica Nordestina (ou Curau no Sul)

Foto: Blog fettediamore

culinária

Retirado do blog Fette di amore

Ingredientes

- 10 espigas de milho verde - 2 xícaras de chá de leite - 1 lata de Leite Moça - 200 ml de leite de coco - canela em pó, para polvilhar

Modo de preparação

Para debulhar o milho verde, corte os grãos rente ao sabugo. Bata-os no liqui-

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dificador com o leite e passe-os por uma peneira, apertando bem. Coloque em uma panela com o Leite Moça e leve ao fogo, mexendo até obter um creme bem grosso. Adicione o leite de coco, mexa mais um pouco e retire do fogo. Despeje em um recipiente refratário retangular (20 x 30 cm) e deixe esfriar. Polvilhe canela em pó e sirva a seguir.

Dica:

- Se quiser uma consistência mais mole, prepare a receita com oito espigas de milho verde. Depois de pronta e ainda quente, coloque em tigelas individuais e polvilhe a canela em pó; - Se preferir, substitua as espigas de milho verde por cinco latas de milho em conserva. Envie a sua receita para a Revista Agrominas jornalismo@revistaagrominas.com.br


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Classificados


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22ª Edição Julho 2012