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DIA DE CAMPO: SÉRGIO AMARAL REVELA TODA A QUALIDADE DO GADO NELORE Carlito Costa ao lado do filho Luiz Costa

Ano 1 l N° 5 l Agosto 2010

Entrevista Entenda a inconstitucionalidade do Funrural

Perfil Profissional Conheça a trajetória de Henrique Lobo

Sustentabilidade Destinação de embalagens vazias de agrotóxicos

Distribuição Gratuita

GRANDES CRIATÓRIOS

Marca 33

Referência nacional na criação de gados da raça Nelore, o proprietário da Marca 33, Carlito Costa, revela os segredos para uma criação de sucesso Agosto 2010

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EDITORIAL Caros leitores, A Revista AgroMinas tem alcançado um público cada vez mais abrangente. Esse fato tem nos impulsionado a uma busca constante por assuntos atualizados, em consonância com o contexto de nossa região. Procuramos, assim, levar até você um conteúdo sério e de qualidade a cada nova publicação. Nesta edição, abrimos espaço para duas novas seções: a Mão na Massa, que traz dicas de como fazer uma horta em casa e a AgroVisão, uma seção que conta com a colaboração do Engenheiro Agrônomo Alexandre Sylvio, e que trata, neste número, da importância da conservação do solo para a agropecuária. Para esclarecer sobre a inconstitucionalidade do Funrural, o advogado da FAEMG, Francisco Maurício Barbosa Simões, explica o assunto na seção Entrevista. Grandes Criatórios e Dia de Campo trazem para os leitores duas fazendas que se dedicam à criação de Nelore: A Marca 33, de Carlitos Costa, que investe em biotecnologias para a reprodução e melhoramento genético, e a Fazenda Esmeralda, de Sérgio Amaral, que investe em gado de corte para o abate e venda em frigoríficos. Na seção Sustentabilidade, você poderá aprender como se faz a destinação adequada de embalagens de agrotóxicos vazias e entender melhor o trabalho do inPEV. No Perfil Profissional, conheça a trajetória do Engenheiro Agrônomo e ambientalista, Henrique Lobo. Em Entidade de Classe, o Sindicato dos Produtores Rurais de Almenara revela a sua história. E não deixe de conferir a página Especial da Expoagro, com os resultados da 41ª edição do evento. Devido às restrições eleitorais, IEF e IMA, assim como a EMATER, não estarão presentes em nossas páginas durante o período que antecede as eleições. Apesar disso, os demais colaboradores permanecem e continuam contribuindo para o sucesso de nossa publicação. Boa leitura!

Denner Esteves Farias Editor-Chefe

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ndice 4 Giro no Campo 6 Entrevista

Funrural

8 Grandes Criatórios Marca 33

11 Dia de Campo

Fazenda Esmeralda 14 Sustentabilidade Destinação de embalagens vazias

15 Perfil Profissional

Henrique Lobo 16 Entidade de Classe

20 Especial Expoagro 23 Caderno Técnico 26 Meteorologia 27 Mão na Massa 28 AgroVisão 30 Mercado 32 Cotações 34 Senar 36 Aconteceu 37 Agenda e Resultados 38 Culinária

Uma publicação da Minas Leilões e Eventos Ltda.

Editor-Chefe Denner Esteves Farias Zootecnista – CRMV-MG 1010/Z Jornalista Responsável: Diagramação / Redação Andressa Tameirão - MG 14.994 JP Jornalista Colaboradora Alessandra Alves - MG 14.298 JP Estagiária Nathália Schubert Edição de Texto Heloísa Scatena Ferraz Esteves Farias Fotografia da capa Bruno Franca

Colaboração Alexandre Sylvio – Eng. Agrônomo SENAR Hyberville Neto- médico veterinário SCOT Consultoria Waldir Francese Filho-Eng. Agrônomo- Coocafé Prof. Ruibran Reis - Minas Tempo Marcelo Conde Cabral- Médico Veterinário Denis Cabral M. Júnior - Ger. Com. Minas Leilões Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce – Governador Valadares Contato Publicitário Bruno Franca (33) 8859.3992 (33) 3271.9738 comercial@revistaagrominas.com.br

Distribuição Gratuita nos Vales: Rio Doce, Mucuri, Jequitinhonha, Aço e no Extremo Sul Baiano e Norte Capixaba. Impressão: Gráfica Arco Íris Tiragem: 5.000 exemplares Projeto Gráfico: Andressa Tameirão As ideias contidas nos artigos assinados não expressam, necessariamente, a opinião da revista e são de inteira responsabilidade de seus autores. Administração/Redação Minas Leilões e Eventos Rua Ribeiro Junqueira, 383 – Loja - Centro 35.210-000 / Governador Valadares/MG Tel.: (33)3271-9738 E-mail: jornalismo@revistaagrominas.com.br Website: www.minasleiloes.com.br Agosto 2010

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Giro no Campo 4

Brasil quer ampliar exportação de carne para UE A União Europeia (UE) vai estudar o pedido apresentado em julho pelo governo brasileiro para ampliar as exportações de carnes para o bloco. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wagner Rossi, teve uma reunião na manhã de ontem com o comissário de Saúde e Defesa do Consumidor, John Dalli. Os dois trataram de avaliar medidas que permitam a retomada da venda de carne brasileira para o mercado europeu, em níveis anteriores a 2008. No ano passado, houve uma retração de 85% nas exportações de carne bovina brasileira. Rossi confirmou a entrega de relatório técnico em cumprimento às exigências europeias para permitir a importação de carne suína pela UE. Uma reunião de técnicos do Ministério da Agricultura e da Comissão de Saúde e Defesa do Consumidor da UE tratou o tema, após o encontro das autoridades. “Foi uma reunião positiva e um passo importante para estreitarmos os contatos para beneficiar a agricultura brasileira”, disse Rossi. O comissário ressaltou que o Brasil é um dos maiores produtores de alimento do mundo, ocupando papel de destaque no mercado mundial de carne bovina e a Europa é o destino de boa parte dessa produção. Ele reiterou que a questão da segurança de alimentos não é traçada pelas autoridades apenas para produtos estrangeiros, mas também europeus. “Tais procedimentos são exigidos para todas as importações”, justificou. Rastreabilidade - Rossi ouviu de Dalli que a União Europeia está aberta a estudar, com cautela, a demanda brasileira sobre a ratreabilidade animal. O ministro pediu às autoridades europeias permis-

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são para o Brasil indicar as fazendas credenciadas a exportar carne para aquele mercado. Em contrapartida, o comissário sugeriu atenção especial às missões de inspeção. Rossi afirmou que as autoridades brasileiras estão dispostas a dar todo o apoio logístico e operacional para os fiscais europeus. Outro tema da reunião foi o mecanismo de consulta em temas sanitário e fitossanitários. O ministro ratificou a importância que o governo brasileiro dispensa a essa medida. O comissário foi convidado por Rossi a vir ao Brasil para conhecer pessoalmente a pecuária nacional. O comissário sinalizou o seu interesse e uma visita ao Brasil deve ocorrer nos próximos meses. De acordo com o ministro da Agricultura, o convite será estendido a outras autoridades europeias, que receberão a comitiva brasileira. Além do ministro, os secretários de Defesa Agropecuária, Francisco jardim, e de Relações Internacionais do Mapa, Célio Porto, integram a missão oficial, que também inclui técnicos das áreas de defesa e sanidade. Diplomatas da missão junto à Comunidade Europeia acompanharam as reuniões. Gases - O comissário mostrou-se inteirado das medidas de política agrícola que vêm sendo adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No encontro, Rossi traçou um panorama da atividade agrícola no Brasil e relatou as medidas tomadas nos últimos anos para aumentar a produção no campo, sem ampliar a área plantada e protegendo o meio ambiente. “O Brasil dá exmplo de que sua contribuição para minimizar os gazes de efeito estufa vai além do discurso”, disse o ministro. (Fonte: Diário do Comércio)

Funcafé libera recursos para apoiar safra 2010 O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), autorizou, no dia 30 de maio, a liberação de R$ 345 milhões, do montante de R$ 2,088 bilhões previstos para a safra de 2010. Os recursos serão aplicados na contratação de linhas de crédito. São R$ 145 milhões para colheita, R$ 170 milhões para estocagem e R$ 30 milhões em Financiamento para Aquisição de Café (FAC). O diretor do Departamento de Café do Mapa, Robério Silva, ressalta que continua à disposição do setor cafeeiro o montante de R$ 1,74 milhão para apoiar esta safra, já que as liberações ocorrem de acordo com a demanda efetiva de cada linha apresentada pelos agentes financeiros contratados pelo Mapa. (Sophia Gebrim)- (Fonte: MAPA)

Clima seco leva consultoria a reduzir previsão de moagem de cana-de-açucar Foto: Portal do Agronegócio

A estimativa é mais de 10 milhões de toneladas menor do que a previsão inicial de todo o setor, que é de processar 595 milhões de toneladas nesta temporada. Apesar de ainda não ter divulgado revisão de seu prognóstico de safra, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) reconheceu que o clima seco em junho pode prejudicar a produção de açúcar, segundo disse à Bloomberg o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues. Lucas Toledo Burin, analista da FG/ Agro, explica que o clima seco deve prejudicar o desenvolvimento da cana resultante do rebrote de áreas que foram colhidas no ano passado. (Fonte: Portal do Agronegócio)


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Foto: ACS FAEMG

Entrevista

FUNRURAL Entenda a inconstitucionalidade do imposto com o advogado Francisco Simões

Desde fevereiro de 2010, os produtores rurais, mediante uma ação judicial, não são mais obrigados a efetuar o pagamento do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural, mais conhecido como Funrural. O Fundo é uma contribuição social rural criada em 1992, pela Lei 8.540/92, e cobrado sobre o resultado bruto da comercialização rural e descontado na venda pelo adquirente da produção. O artigo 1° da lei foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e diante dessa notícia, diversas pessoas iniciaram uma corrida na justiça para obterem a restituição. Os produtores que recorreram até o dia 9 de junho tiveram a chance de obter a restituição dos valores pagos durante os últimos 10 anos, mas inúmeras dúvidas permaneceram para aqueles que não conseguiram recorrer a tempo. Para esclarecer sobre o assunto, o advogado e coordenador da Assessoria Jurídica da FAEMG, Francisco Maurício Barbosa Simões, concedeu uma entrevista à Revista Agrominas e destacou pontos importantes que permeiam o tema. Revista AgroMinas- Por que o produtor rural não deve efetuar mais o pagamento do Funrural? Francisco- Primeiro, o chamado Funrural, contribuição previdenciária sobre a comercialização, é descontado do Produtor Rural, porém recolhido pelas empresas adquirentes(cooperativas, frigoríficos). Segundo, o produtor rural somente não deve recolher o Funrural caso tenha ele ajuizado ação em que tenha sido concedido liminar desobrigando-o ou determinando o depósito judicial da mencionada contribuição. Não recomendamos que o produtor rural

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simplesmente deixe de recolher o Funrural. Revista AgroMinas- Por que o imposto tornou-se inconstitucional? Em quais pontos se baseia a inconstitucionalidade? Francisco- Houve o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do recurso extraordinário interposto pelo Frigorífico Mataboi (RE 363.852). Entendeu o Supremo que havia necessidade de Lei Complementar para instituir o Funrural, pois a Constituição de 1988 não previa a incidência do tributo sobre a comercialização (art. 195 da CF/88), o que somente se deu com a Emenda Constitucional nº 20/98. Como as leis que instituíram o Funrural eram ordinárias (Lei 8.540/92, Lei 8.861/94 e Lei 9.528/97 – alteraram o art. 25 da Lei 8.212/91), não se prestavam a tal, pois anteriores à EC 20/98. Portanto, inconstitucionais. Outra tese adotada no julgamento foi da determinação pela Constituição Federal da necessidade de isonomia no custeio da previdência (art. 194, parágrafo único, inciso V, da CF/88). Como o urbano apenas recolhe pela folha, o produtor rural, exceto o segurado especial (agricultor familiar), também deve recolher sobre a folha (art. 22 da Lei 8.212/91)- entendimento do Supremo. Devemos advertir, entretanto, que a decisão do Supremo ainda não transitou em julgado. Foram interpostos Embargos de Declaração ainda não julgados. Além do mais, os efeitos desta decisão apenas recaem entre o Frigorífico Mataboi e a União. Ou seja, não tem efeito a favor de todos os produtores. Revista AgroMinas- Como o produtor deve agir para obter a restituição do Funrural? Quais documentos são necessários? Francisco- Deve avaliar os riscos da ação

e as consequências das teses adotadas para definir se quer ajuizar ou não. As informações devem ser obtidas junto ao Sindicato. Se decidir pelo ajuizamento, na inicial deve apresentar a tese ou as teses que lhe forem convenientes e, ao mesmo tempo, pleitear a restituição. Para tanto, como em processo, a prova documental deve vir com a inicial, deve trazer com esta as notas fiscais que contenham o desconto do Funrural e os comprovantes de recolhimento fornecido pelos adquirentes ao longo do período em que pleiteia a restituição. Revista AgroMinas- Caso não haja todos os documentos que comprovem o pagamento do imposto, como o produtor deve proceder para não ser prejudicado? Francisco- Deve buscar junto aos adquirentes, seja uma cópia da via das notas fiscais ou dos comprovantes respectivos dos recolhimentos. Revista AgroMinas - Até o dia 8 de junho o produtor poderia conseguir obter a restituição dos valores pagos durante os últimos 10 anos. O que acontece com quem não conseguiu entrar com a ação de restituição dentro desse prazo? Ainda é vantajoso entrar com uma ação mesmo após esse prazo ter vencido? Francisco- Hoje, após 08 de junho de 2010, no entendimento do Superior de Tribunal de Justiça, a restituição deve recair sobre o prazo de 5 anos. Quanto a ser vantajoso, recomendamos que avalie as teses, os riscos e as conseqüências. Nunca deve ajuizar sem ter esta cautela. Revista AgroMinas- É necessário que se entre com uma ação para a suspensão do


pagamento do Funrural? Francisco- Sim, pois não há nenhuma Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada e nem mesmo há qualquer Lei que desobrigue o Produtor Rural do Funrural. Revista AgroMinas- Quem tem o direito de ser ressarcido? O ressarcimento é feito com correção? Francisco- Hoje, somente terá direito à restituição caso o produtor venha a ajuizar ação de desobrigação do Funrural cumulada com pedido de ressarcimento e venha a ser vitorioso na mesma. Neste caso, o ressarcimento dos valores recolhidos indevidamente se dá com a correção. Revista AgroMinas- Com a inconstitucionalidade do Funrural, o recolhimento volta a incidir sobre a folha de salários? Francisco- É uma das perguntas contidas nos Embargos de Declaração interpostos pela União no processo do Frigorífico Mata-

boi. Esta resposta está com o Ministro Marco Aurélio, relator do processo no Supremo. Revista AgroMinas- A ação para requerer o direito ao ressarcimento só pode ser feita pelo produtor, de forma individual, ou pode ser realizada via sindicato? Francisco- O contribuinte do Funrural é o produtor. Portanto, a ele cabe o ressarcimento. O Sindicato representa todos os produtores rurais. O Sindicato, ao ajuizar uma ação, entra por todos e não por alguns. A consequência da ação pode ser benéfica a alguns, porém prejudiciais a outros. Além do mais, não detém ele a prova do recolhimento do Funrural de todos. O Sindicato deve avaliar, se convém ou não ajuizar. Em Minas Gerais, apenas 40 Sindicatos, de um total de mais de 400, decidiram ajuizar. Revista AgroMinas- Após entrar com o pedido de restituição, é possível saber quanto tempo levará para que o produtor

seja ressarcido? Francisco- O processo do Frigorífico Mataboi já levou 12 anos e ainda não terminou. Alguns dizem que os novos processos levariam 5 ou 6 anos. Não há previsão para o tempo no Judiciário, em verdade. Revista AgroMinas- O ressarcimento é integral? Francisco- É descontado do Produtor Rural e recolhido à Previdência 2,3% sobre o valor da comercialização. Porém, somente 2,1% refere-se à contribuição previdenciária. Os outros 0,2% são recolhidos para o Senar e isto não se trata de contribuição previdenciária, tem outra base legal totalmente distinta do Funrural, sequer foi objeto de arguição na ação e nos recursos interpostos pelo Mataboi. Portanto, as ações que venham a ser ajuizadas devem reportar-se a 2,1%, que, em caso de êxito, deve ser o valor a ser restituído com os acréscimos legais. A parte do Senar, 0,2%, continua tendo que ser recolhida.

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Grandes Criatórios

Marca 33

revela todo o potencial da criação de Nelore PO A criação do Nelore projeta-se no cenário da agropecuária como um negócio rentável e que tem adquirido notoriedade internacional. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o valor da produção de carne bovina atingiu US$ 9 bilhões, em 2001, o que representa 1,8 % do PIB brasileiro. A Marca 33 destaca-se nacionalmente na produção de Nelore PO e constitui referência na criação da raça, com uma estrutura

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que revela modernidade e funcionalidade. A região árida do Vale do Jequitinhonha não foi empecilho para a concretização dos sonhos e planos de José Carlos Costa, mais conhecido como “Carlito”. Proprietário da Marca 33, Carlito deixou a cidade de Ituaçu, na Bahia, e se fixou na cidade de Almenara, no norte de Minas, ainda jovem. Aos 82 anos, casado e pai de cinco filhos, o proprietário ainda encontra disposição para

administrar a fazenda e conta com a ajuda do filho Luiz Lisboa Costa, veterinário responsável pelo plantel. A Fazenda Alcobaça está localizada na rodovia Almenara-Jacinto, KM 1, à aproximadamente 780 km da capital mineira. A Fazenda Serra Azul, localizada no município de Jacinto, possui 660 hectares e é destinada à parte de cria. A propriedade também possui um setor destinado ao gado de corte,

Foto: Bruno Franca


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alimentos mais grosseiros. Diante disso é que a Marca 33 opta em produzir um gado mais enxuto. “A nossa ideia é vender um gado mais enxuto e que tenha maior musculosidade, pois, se vendermos um gado mais gordo, o outro proprietário pode não conseguir oferecer as mesmas condições de alimentação para o gado e terá, consequentemente, prejuízo”, destaca o veterinário. Melhoramento Genético e reprodução que possui 150 hectares. Mas é na Fazenda Alcobaça, de 140 hectares, que os animais são terminados para a venda. Toda a parte de cria e inseminação acontece na Fazenda Serra Azul. Assim, os bezerros já chegam apartados na Fazenda Alcobaça, de onde saem para exposições e leilões. A Marca 33 teve início em meados de 1950, com a aquisição de matrizes de outras marcas como a Marca 11 e a Marca VR. “Somos os pioneiros na criação de nelore no Vale do Jequitinhonha junto à Marca 11 e, hoje, a propriedade conta com um plantel de Nelore PO de 300 animais, incluindo pequenos e adultos. Todo esse rebanho é produto de inseminação artificial e TE”, explica Luiz. A propriedade também se dedica à criação de animais comuns de corte, mas foi o investimento em Nelore que tornou a Marca 33 referência em todo o país. Carlito explica a origem desse nome. “Marca 33 remete à idade de Cristo, ao Grau máximo da Maçonaria, além disso a letra C, de Carlito Costa, é a 3ª letra do alfabeto”, esclarece o proprietário da fazenda. A opção pela raça fez-se em consonância com a necessidade de mercado. “O Nelore é mais resistente e domesticável. É um animal rústico e que ganha peso

rápido, além disso, a procura pela raça, no mercado, é muito grande”, afirma Carlito. Há mais de 50 anos, a Marca 33 faz a seleção de bovinos e o melhoramento genético com a compra de sêmen. O veterinário Luiz garante que os resultados são positivos. “O melhor Nelore do mundo está no Brasil. Não é por menos que usamos o sêmen dos melhores touros, e o acasalamento é direcionado de acordo com as vacas, observando-se não apenas o genótipo, mas também o fenótipo dos animais”. Alimentação Em decorrência da aridez da região de Almenara, as fazendas sofrem com a falta de água e a produção de volumoso é deficiente. Nessa perspectiva, os animais da Fazenda Alcobaça são basicamente criados a pasto e o semiconfinamento é realizado de maio a setembro. Apesar da cidade de Almenara viver essencialmente da pecuária, os fazendeiros encontram dificuldades na criação dos animais. Mas devido à capacidade de adaptação do Nelore a regiões secas e à resistência da raça ao calor, o animal consegue ingerir

Na Marca 33, o melhoramento genético é constante e indispensável para a cadeia de desenvolvimento da fazenda, fato que implica num melhor resultado de produção e melhor rentabilidade para a fazenda. A inseminação artificial é a biotecnologia aplicada com maior frequência na Fazenda Alcobaça, mas a propriedade não dispensa o uso de outras técnicas de reprodução como a Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF), Transferência de Embriões (TE) e Fertilização In Vitro (FIV). Manejo Sanitário Para garantir maior rentabilidade à fazenda é fundamental que se ofereça ao gado uma boa alimentação e que se invista em melhoramento genético. Mas não se pode esquecer que a saúde animal é um requisito indispensável para uma boa produção e para que haja retorno financeiro ao proprietário. Nesse ponto, a Fazenda Alcobaça possui grande preocupação e investe no manejo sanitário da propriedade, sem se esquecer da vacinação do gado nas épocas certas, como a vacinação contra a brucelose, a aftosa, a raiva, manqueira, dentre ou-

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Foto: Arquivo Pessoal

tras, tudo de acordo com o calendário de vacinas. Assim, o proprietário garante uma melhor proteção dos animais contra as enfermidades ocorrentes na região. Para atestar o potencial dos touros para a reprodução, a propriedade realiza o exame andrológico nos animais. De acordo com Luiz Costa, os touros que se encontram fora do padrão, cujo exame andrológico não deu positivo, são descartados. Além disso, ao adquirir um tourinho da Marca 33, além do exame andrológico, segue também para o comprador o exame negativo contra Brucelose e Tuberculose. O caminho de sucesso e os novos rumos A Marca 33, excelência na produção de Nelore PO, participa há anos de exposições, julgamento de animais e leilões. Com diversos animais premiados, o escritório da Marca estampa incontáveis troféus e faixas que revelam toda a qualidade e empenho de um trabalho realizado com esmero pelo proprietário Carlito Costa. “O segredo para uma boa produção de Nelore é o melhoramento da manga, das pastagens e napiê para o gado. Mas acima de tudo, é gostar do que faz. O segredo é fazer tudo com amor. É ter integridade e moral no trabalho realizado, ter dedicação extrema e buscar animais de alta qualidade”, garante Carlito. A Marca 33 já possuiu uma das 10 melhores vacas do Brasil, a Locutora 33 de Alcobaça. Locutora é doadora de embriões, que são vendidos por todo o país. Até três anos atrás, o animal pertencia à fazenda em sociedade com a marca Ypê Ouro de Uberaba. Também passou pela fazenda o Filé 33 de Alcobaça, touro que já foi campeão de várias exposições. O touro morreu há quatro anos, mas deixou cerca de duas mil doses de sêmen. O Nelore da Marca 33 evoluiu notoriamente com o passar dos anos e hoje, entre as características do rebanho, estão a precocidade e a capacidade reprodutiva dos tourinhos ofertados à venda. O rebanho também foi destaque na agência do Banco do Brasil de Almenara, em 1994. Através de um projeto do banco, duas vacas e um bezerro da Marca 33 ficaram em exposição na agência como forma de valorizar as riquezas da região, no caso, a pecuária. O fato inusitado

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Carlito ao lado do touro Filé 33 de Alcobaça. O touro campeão de exposições morreu há quatro anos.

foi destaque em vários jornais da época. Carlito Costa afirma que o investimento em Nelore é recompensador e garante que não se arrepende da escolha da raça. Em relação aos planos futuros, o veterinário Luiz Costa diz que a expectativa da fazenda é vender produtos de FIV e sêmen

de touro. “A minha ideia é montar um laboratório de FIV na região, pois a maior dificuldade encontrada aqui é a de levar as doadoras ou produtos aspirados para fertilização em laboratórios distantes e a obtenção do retorno desses em tempo hábil para implante na fazenda”, afirma. Foto: Arquivo Pessoal

A vaca Locutora 33 de Alcobaça (última vaca da esquerda para a direita) está entre as melhores do país.


Fazenda Esmeralda traduz a força do campo em criação de Nelore

Contemplar uma criação de Nelore de excelência é um privilégio para quem faz da pecuária a profissão. Mais do que isso, para um apaixonado pelo campo como Sérgio Barreto Amaral, o empenho e zelo dedicados à criação de gados de qualidade têm agregado valor aos animais, além de gerar bons negócios. Em um plantel de 3600 touros da raça Nelore, Sérgio, aos 41 anos, vence as dificuldades do semiárido mineiro e administra a Fazenda Esmeralda, que pertence ao tio José Marconi de Almeida Santos. Há oito anos, o pecuarista Sérgio Amaral, natural de Governador Valadares

(MG), deu início à sua jornada de idas e vindas, fazendo a ponte entre Almenara (MG) e Valadares. Com a ida da família para a região, há dois anos, o pecuarista fixou-se em Almenara, onde vive atualmente com a esposa e dois filhos, e mantém um comércio de gado paralelo à administração da fazenda. Ao contrário de Sérgio, José Marconi é natural de Almenara, mas reside atualmente em Brasília. Apesar da distância, o proprietário da fazenda não exitou em investir na região. Em 2002, José Marconi adquiriu a Fazenda Esmeralda, localizada no Município de Jacinto, a 42km de Al-

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Foto: Bruno Franca

menara, mas a experiência em fazendas teve origem em Buritis, no norte de Minas Gerais. A Fazenda Esmeralda trabalha exclusivamente com a pecuária de corte, priorizando a criação do Nelore. O pecuarista Sérgio Amaral garante que a criação da raça na região é extremamente vantajosa. “O Nelore é um animal rústico e bem fácil de lidar. Na seca, por exemplo, ele sente menos, na chuva ele responde mais rápido. Ele se adequa melhor às estações do ano, de um modo geral. E isso é importante para a nossa região, onde a seca é mais intensa”. O pecuarista destaca, ain-

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da, que todo o gado da fazenda é rastreado. “O rastreamento do rebanho faz-se da seguinte maneira: todos os animais que entram aqui são brincados, ou seja, a gente coloca o controle do brinco. O gado só pode sair da fazenda para o abate após 90 dias. Providenciamos uma documentação na entrada desses animais, apesar do gado daqui ser todo de origem de transferência de outras fazendas, e quando sai para o frigorífico, é o mesmo processo. Duas vezes por ano, o Ministério da Agricultura faz a fiscalização e dá a certificação”, esclarece. Para uma melhor administração, a propriedade conta com 50 funcionários, sendo 20 fixos e 30 diaristas. Além disso, as terras são divididas em setores: Fazenda Pedra Parda, Fazenda Barcelona, Fazenda Babilônia, Fazenda do Corguinho, Fazenda Bom Destino, Fazenda Monte Alto e Fazenda Esmeralda. A setorização da propriedade foi realizada atentandose para questões geográficas. “A divisão dessas áreas foi feita mais ou menos pela ordem geográfica, porque essas fazendas seguem um percurso. Daqui para a mais longe dá uns 25 Km. Então, eu coloco o gado mais jovem na fazenda Pedra Parda, e os outros, à medida que vão crescendo, vou os trazendo para as fazendas mais próximas. Eu trabalho dessa forma. Assim, os animais dão entrada na Pedra Parda e a saída se dá na Fazenda Esmeralda”, destaca. Recria, engorda de animais e alimentação A Fazenda Esmeralda conduz todo o processo de recria e engorda até o abate dos animais. Todo esse trabalho exige um cuidado especial quando o assunto é a alimentação. “O gado aqui é criado a pasto e como a Fazenda Esmeralda é rastreada para exportação à União Europeia, não se pode dar complemento algum. Basicamente, o que utilizamos é o sal mineral, vermífugo e pastagem. O gado mais novo tem um tratamento específico e o tipo de sal dele é diferenciado. Como a Fazenda Esmeralda é de acabamento, as pastagens são melhores”, argumenta Sérgio Amaral.

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Foto: Arquivo Pessoal

Sérgio Amaral ao lado do filho mais novo, na sede da Fazenda Esmeralda.

A localização da Fazenda Esmeralda é estratégica. O local encontra-se a aproximadamente 7 km do asfalto, o que facilita a saída de carretas. Não é para menos que há um cuidado especial em relação às pastagens, fato que reflete diretamente no ganho de peso dos animais. A propriedade não realiza nenhum tipo de confinamento, mas no período da seca faz-se uso do proteinado e mantém-se o animal a campo. Um dos problemas que o pecuarista enfrenta com o rastreamento do gado é o fato dos frigoríficos não comprarem animais diariamente. Apesar disso, o retorno obtido com a venda de animais rastreados ainda assim é compensatório. “Criar o animal a campo me dá o conforto de poder segurar o gado, já que dependo do período de compra do frigorífico. Eu já trabalhei com ração em outros casos e funciona, mas aqui eu tenho este problema, porque eu não vendo o boi a hora que eu quero. Por outro lado, o custo que eles me pagam a mais no gado rastreado compensa. Eu já cheguei a vender boi até R$8,00 mais caro do que a @ comum”, afirma o pecuarista.

Pastagens e preservação Em termos de pastagens, na Fazenda Esmeralda há a predominância da braquiária, mas o local conta também com decumes e colonião. Segundo Sérgio Amaral, a adubação das pastagens não foi praticada, até então, devido à recente aquisição da propriedade. Mas Sérgio ressalta que o uso de herbicida para a limpeza das pastagens é aderido na fazenda. “Hoje, nós somos um dos que mais compram herbicidas na região. E pretendemos continuar comprando, porque o resultado ainda não está 100%, mas o pouco que está sendo feito já dá resultado. A mão- de- obra é grande, mas sem herbicida você não consegue limpar a pastagem”, diz. A maior preocupação do proprietário gira em torno da questão da água. A região seca, na qual a propriedade encontra-se inserida, exige que o administrador da fazenda tenha uma atenção e zelo por esse recurso. A propriedade conta com várias nascentes e há um cuidado especial com a preservação das matas. “A Fazenda Pedra Parda possui uma mata que deve ter uns 15 alqueirões. O local possui


muita madeira de lei, mas não a extraímos, pois estamos preocupados com a preservação”, ressalta Sérgio. Para o pecuarista, a instalação de bebedouros constitui um alicerce para o desenvolvimento da criação. A água encanada reflete diretamente no resultado da fazenda. “Nós temos uma água que vem da serra e que, inclusive, estamos renovando a tubulação e fazendo uma reforma para suprir outras demandas. Com a minha experiência, vejo a diferença das mangas que possuem o bebedouro e das que contam apenas com a água natural, no chão. A água do bebedouro, o boi bebe toda hora e eu acredito que seja até por causa de temperatura. A água do chão já é diferenciada. Tem hora que ela está quente e, assim, o boi não bebe à vontade. As mangas que contam com essa água de gravidade nos dão um resultado melhor, não resta dúvida”, enfatiza Sério Amaral.

do boi que eu produzo. O boi que morre mais perto, me dá um melhor resultado. Mas, por outro lado, eu estou próximo da minha matéria-prima, que é o boi de pasto. No fim, uma coisa compensa a outra”, explica o pecuarista. O rastreamento do gado garante à Fazenda Esmeralda um melhor suporte e assistência quando se faz necessário. O administrador da fazenda explica como funciona o rastreamento do gado. “O rastreamento funciona da seguinte maneira: a gente se consocia com a certificadora, a SBC Certificação Animal, que nos dá o suporte técnico. A certificadora acompanha as vistorias veterinárias e presta orientações sobre a documentação. Essa certificadora é de São Paulo, mas tem um escritório em Nanuque”, esclarece Sérgio. Seleção de animais Em meio aos avanços da pecuária,

no que diz respeito ao emprego de biotecnologias para a reprodução bovina, há quem prefira investir apenas na seleção de gado. Esse é o caso da Fazenda Esmeralda. “Eu procuro comprar o gado de quem já faz o melhoramento genético. Então, eu dou continuidade só de acabamento e a seleção fica por minha conta. Um dos motivos que me fizeram vir morar em Almenara foi isso e estou satisfeito. Eu seleciono, desde bezerro, aquele gado que me interessa trabalhar pela resposta que ele me dá. Para mim, comprar esse gado é mais vantagem, porque já saio na frente. O comércio, de um modo geral, é uma corrente. Se eu pegar um produto bom, minha resposta vai ser melhor. Por isso, nós resolvemos trabalhar com gado de corte na região, porque é um gado que tem volume e qualidade. E o fato de estarmos nessa região já é uma vantagem”, garante o pecuarista.

Venda de animais e assistência técnica O pecuarista Sérgio Amaral conta atualmente com três opções de frigorífico para venda do rebanho. Hoje, a média paga por arroba é de R$76,00, mas Sérgio diz que já chegou a receber a oferta de R$77,00/@. A fazenda já vendeu animais para o Triângulo Mineiro, São Paulo e Betim, além dos frigoríficos da região. O abate do boi gordo é custeado pelo frigorífico e o preço é livre de frete. Mas, nesse cenário, os obstáculos também despontam. Sérgio Amaral afirma que uma das maiores dificuldades que encontra na criação do gado de corte é o fato de não estarem próximos a um frigorífico, apesar do retorno positivo da criação. “O boi produzido aqui é um boi pesado e bem acabado. Como matamos no gancho, estou satisfeito com os resultados que temos obtido no rendimento do peso vivo para o peso morto. Em compensação, eu sei que um boi que viaja 400 km para o abate me dá uma perda, porque a viagem dá um desgaste. O frigorífico mais perto para mim está em Teófilo Otoni. Eu assisto praticamente todas as matanças e vejo que o boi não deixa de chegar com hematomas. Se eu tivesse um frigorífico mais perto seria melhor, pela qualidade

Foto: Arquivo Pessoal

O gado da Fazenda Esmeralda é vendido para vários frigoríficos e é transportado em caminhões.

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Sustentabilidade

Destinação correta de embalagens vazias de agrotóxicos Melhor para você, melhor para o meio ambiente

Antigamente, era hábito dos agriculto- defensivos agrícolas e agricultores cerca de embalagens vazias das unidades de receres lavarem as embalagens de defensivos R$380 milhões no programa de descarte de bimento e encaminhá-las para o destino agrícolas para a sua reutilização. Um ato embalagens, sendo que a indústria (repre- final. Na prática, esse processo acontece comum e que ocasionava sérios danos à sentada pelo inpEV) investiu cerca de 85% com o prazo médio de seis dias. saúde. Só no ano de 2000 foi criada a Lei desse valor. Os distribuidores (revendedoResponsabilidade 9.974/00, que disciplina o recolhimento e res e cooperativas) participam com cerca de 13% e os agricultores com 2%. destinação final das embalagens dos proO principal objetivo de dar uma destinaSegundo a legislação, é de responsabilidutos fitossanitários. A Lei atribui responção final correta para as embalagens vazias dade dos revendedores e cooperativas dissabilidades a todos os agentes atuantes na de agrotóxicos é diminuir os riscos para a por de um local para que o agricultor possa produção agrícola do Brasil, ou seja, agriculsaúde das pessoas e de contaminação do devolver as embalagens vazias dos produtores, canais de distribuição, indústria e pomeio ambiente. A campanha também retos que adquire, indicar na nota fiscal o ender público, em todo o território nacional. força o impacto positivo do cumprimento dereço para a devolução, além de orientar Numa iniciativa de se criar um sistema de sua responsabilidade, principalmente no e conscientizar o agricultor sobre as suas que viabilizasse a destinação das embalaque diz respeito à preservação do meio amresponsabilidades. gens vazias de agrotóxicos no país, os próAtualmente, a prioridade dos elos parprios fabricantes de defensivos agrícolas biente pelo bem das futuras gerações. Cabe ao agricultor lavar as embalagens, ticipantes deste sistema é a busca por memobilizaram-se. A partir disso, nasceu o armazená-las temporariamente na fazenda canismos que tornem o programa autoinpEV, no intuito de representar a indústria e devolvê-las. Para tanto, deve respeitar o sustentável, já que hoje ele é deficitário e fabricante em sua responsabilidade. Em prazo de até um ano após a compra, no lointegralmente financiado por agricultores, operação há oito anos, atualmente existem cal indicado na nota fiscal de venda, e guardistribuidores, cooperativas e indústria fabri412 unidades de recebimento de embaladar o comprovante por um ano para fins de cante, cada qual com sua cota de responsagens vazias, estrategicamente localizadas fiscalização. bilidade. O programa não visa lucro e sim o nos centros agrícolas do Brasil. Os fabricantes também possuem o cumprimento da legislação com benefícios O sistema engloba desde ações que promovem assistência técnica e orientações prazo de até um ano para retirarem as ao meio ambiente. aos produtores rurais, até reuniões para reforçar a legislação. A participação nas principais feiras agrícolas, a organização e realização de palestras e treinamentos, em parceria com universidades e instituições são alguns exemplos do trabalho desenvolvido. O ponto alto do sistema e a principal ação de conscientização e de integração dos elos da cadeia agrícola é o Dia Nacional do Campo Limpo, que acontece no dia 18 de agosto. Em 2010, a data será comemorada por 104 centrais de recebimento de embalagens vazias de 23 Estados. Nos últimos oito anos foram inves- Diagrama sobre o procedimento da tríplice lavagem que todo agricultor deve realizar antes de tidos pela indústria, distribuidores de encaminhar suas embalagens às unidades credenciadas do sistema.

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histórias do Rio Doce na infância transformaram a paixão pelo Meio Ambiente em projetos profissionais Nascido em Governador Valadares, o neto de Antônio Lobo ouvia muitas histórias do Rio Doce e da Mata Atlântica. Desde a infância, aprendeu a gostar e estudar sobre esta bacia hidrográfica e o grande bioma brasileiro da Mata Atlântica. E o aprendizado não parou por aí. Hoje, é Engenheiro Agrônomo, especialista em Engenharia Sanitária e Ambiental. Atualmente, Henrique Lobo reside em Vila Velha (ES), mas a ligação do engenheiro agrônomo com Valadares é familiar. “Nos meus primeiros 20 anos morei com minha família no Bairro de Lourdes, em Governador Valadares, onde fiz o ensino fundamental e o segundo grau. Saí para estudar e voltei a morar em Valadares em 1988”, conta. Casado com Nona Salmen desde 1990, Henrique morou no centro da cidade até o ano de 2000, onde tiveram dois filhos, Gabriel e Daniel.

Primeiros passos

Em 1983, aos 22 anos, Henrique ingressou no curso de Engenharia Agrônoma da Universidade Federal de Viçosa (UFV), após ter concluído o curso técnico em Agropecuária na CEPLAC/EMARC, em Teixeira de Freitas (BA). Durante o curso, realizou trabalhos e pesquisas acadêmicas voltados para a região do Rio Doce: ‘Introdução da Cultura da Seringueira no Estado de Minas Gerais. Buscando soluções para a recuperação de topos de morros na Bacia Hidrográfica do Rio Doce’ e ‘Estudos dos solos e da cobertura vegetal da Bacia Hidrográfica do Rio Doce’. Como primeiro emprego, Henrique arriscou-se na docência. “Fui ser professor em Governador Valadares de Biologia no Supletivo do Segundo Grau no SESC e do Segundo Grau da FUNSEC”, diz o agrônomo. A partir daí, Henrique enveredou-se na área do ensino. “Como pesquisador, fui para a sala de aula passar o que tinha de conhecimento para as crianProfissionais s a ças conhecerem melhor o ambiente e ci n ê ri e Exp a sfera da Mat io B a cidade em que moravam e aprenda o lh Conse -Membro do derem a olhar para o Rio Doce. LeAmbiente Atlântica. ional de Meio ac N cionei em Governador Valadares por o nd Fu - Membro do s. re 12 anos no Instituto Imaculada Conda la Va ernador (FNMA). DEMA de Gov os iç CO rv ceição, no Colégio Presbiteriano, Se do te ão aç en Fund - Presid s. o Ambiente da ei re M da la no Colégio Cip-Com e no curso de de Va te r en do - Ger Governa e Cultura de unidades m co Engenharia Civil da Universidade s A . es de Educação çõ Rios em 40 na ando sempre seus Vale do Rio Doce (Univale)”, diz. - Estudos de rv se am, ob mor e os rios onde s. lo idades do usos dos so com as comun le Va em a es pr Mineradores - Na Em us Complexos ão se aç s uc do o Ed rn ento ramas de Rio com os Prog s do ai er es G nt as ue in afl M tes dos en sc trada na s Es na da l o ao long Ambienta es ad id un m as co Doce e com ia a Minas. ór it V o rr Fe de

Perfil Profissional

Henrique Lobo:

de Cheias do Rio Doce; trabalha na Empresa Vale, com Relações Institucionais da Estrada de Ferro Vitória a Minas e, além disso, desenvolve projetos sócioambientais na Bacia Hidrográfica do Rio Doce. “Vejo que este é um mercado sempre crescente e de muitas possibilidades. Temos que ter uma visão do todo e focar em um ponto onde podemos ser bons no que fazemos e nos propomos a dedicar”, enfatiza. Quando perguntado se tem interesse em retornar à vida acadêmica, é enfático. “Sim. Vejo que a academia é a formação de novos valores que irão definir as ações das iniciativas públicas e privadas”, afirma.

Mercado de Trabalho Hoje, Henrique Lobo trabalha na área ambiental. É membro do Comitê do Rio Doce e coordena neste comitê o Grupo

Foto: Geraldo Soares

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Entidade de Classe

Sindicato Rural de Almenara mostra sua história e reafirma compromisso com associados

A cidade de Almenara, no nordeste de Minas Gerais, está situada às margens do Rio Jequitinhonha e foi fundada em 1943. Com uma população estimada em 36.254 habitantes, de acordo com o Censo de 2004, a cidade vive essencialmente da pecuária. Diante dessa conjuntura econômica, que se firma na criação de gado, há de se destacar o trabalho desenvolvido pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Almenara (SINRURAL). A história do Sindicato é marcada por conquistas, mas revela em sua trajetória grandes dificuldades quanto ao emprego de políticas de participação que viabilizem uma maior adesão do produtor rural em defesa de causas pertinentes à classe. Fundado em 14 de junho de 1966, o SINRURAL teve como primeiro presidente o Dr. José Joaquim Peixoto Prinz. Ao longo dos anos, já passaram pela diretoria 11 presidentes. A criação da entidade deu-se em decorrência da necessidade dos fazendeiros do município terem um sindicato que os representasse e fizesse frente perante a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de

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Foto: Bruno Franca

O Sindicato dos Produtores Rurais de Almenara possui sede própria.

Minas Gerais (FAEMG), entidade que representa os produtores rurais mineiros. Há um ano à frente do SINRURAL, o presidente Roberto Aguiar Figueiredo, além de produtor rural, é odontólogo e exerce ambas atividades há 21 anos, em Almenara. Natural de Jordânia, Roberto, aos 44 anos, é casado e pai de dois filhos. O fascínio pelo campo tem raízes na família. “Meus familiares são de produtores rurais e isso já virou tradição. Tivemos uma propriedade no Pará e por isso nos deslocamos pra lá. Retornamos em 2001, quando vendemos a propriedade. Hoje, na pecuária, eu faço a seleção de gado Nelore PO”, explica Roberto. Segundo o produtor rural, a qualidade do rebanho da região é notória e, consequentemente, o número de produtores rurais do local é significativo. “O que se destaca aqui é a qualidade do nosso Nelore. A cidade ficou até conhecida como ‘capital do bezerro Nelore de qualidade’, pois vários mercados como o de Governador Valadares, Bahia e São Paulo vêm para a região comprar os bezerros. O número de produtores rurais da região gira em torno de 700 a 1000. Recentemente, no


IMA, havia uma relação de 850 mil cabeças de gado no município de Almenara”, afirma.

Foto: Bruno Franca

os leilões eram realizados exclusivamente no período de Exposição. Então, procurei mudar este método de trabalho, Gestão pois os pecuaristas daqui não têm o costume de O esforço e a dedicacomercializar os animais ção de Roberto Figueireem leilões. Apesar de Aldo para mobilizar a classe menara possuir um podos produtores rurais são tencial para leilões maior constantes. O presidente que o de Joaíma, em assumiu o Sindicato em quantidade de animais, Fevereiro de 2009 e cuma cidade vizinha chega pre o mandato até 2011. a fazer de cinco a seis O SINRURAL tem tradição leilões ao ano. Assumi o em promover exposições Sindicato em fevereiro agropecuárias e para dar do ano passado e já em continuidade a esse trabamaio marquei um leilão, lho, Roberto empenhouque teve uma quantidase na realização do evento de de venda excelente. no ano passado e, neste Em julho também realizei ano, atuará em mais uma um leilão em que foram Exposição Agropecuária comercializados mais de de Almenara. R$ 1 milhão. Em 2010, O Parque de Exposifizemos um leilão fora do ções da cidade não perParque de Exposições, na tence ao Sindicato. A Fazenda Mexicana”, desárea do Parque foi adqui- Roberto Figueiredo está em seu segundo ano de mandato na presidência do Sindicato. taca o pecuarista. rida há aproximadamente O presidente do Sindi50 anos por um grupo de pessoas que significativa para a entidade, onde teve cato acredita que os leilões são fundamenconstituíram uma associação denomi- a chance de implementar uma série de tais para fomentar o comércio da cidade nada Associação dos Pecuaristas e La- benfeitorias no Parque de Exposições e mostrar o produto e a qualidade dos vradores de Almenara (Aplan). O grupo de Almenara. “O Parque não oferecia animais das propriedades da região. “Os possuía a escritura da área e, por conta condições favoráveis. Sua localização é leilões aquecem o nosso mercado. Às vedisso, a exposição era realizada no Par- estratégica, mas os expositores, orga- zes o mercado está em baixa, e no leilão, o que por meio de um contrato. Segundo nizadores, visitantes, produtores, co- preço sempre está além do que está sendo Roberto, o contrato venceu e a Aplan merciantes e usuários não recebiam o praticado no mercado. Os animais são coentrou com uma ação de reintegração suporte básico para o sucesso dos even- mercializados a um preço mais alto. Então, de posse, a qual ganhou. “A minha ideia tos. A área era comum, não oferecia cada vez que se faz um leilão, o mercado era tentar negociar a fusão da Aplan segurança, as barracas eram de lonas fica aquecido na semana posterior. Isso com o Sindicato Rural e procurar trazer pretas ou de palhas de coqueiros. Não acontece porque os valores dos leilões benfeitorias para a classe ruralista. As havia sanitários e o tattersal para even- servem de referência para os próximos exposições agropecuárias já estiveram tos era rústico. Nesse período, iniciou- negócios. No leilão de julho, realizado na paralisadas por aproximadamente cinco se uma grande parceria de trabalho, fazenda Mexicana, por exemplo, vendeanos, mas no mandato de José Virgínio, que trouxe transformações para as ex- mos bezerros a R$700 ou R$800. Isso quer o Sindicato tomou forma. Junto à pre- posições e eventos no Parque”, explica dizer que os machos na faixa de sete arrofeitura, o SINRURAL ajudou a reformar José Virgínio. bas estavam saindo por volta de R$ 110 a o Parque e as exposições voltaram a ser Em pouco tempo de mandato, Ro- R$120 reais a arroba”, garante. realizadas. Isso foi há uns 25 anos”, es- berto Figueiredo já conseguiu realizar clarece o presidente. Dificuldades da gestão três leilões no ano passado, e um leilão José Virgínio Gil de Fretas, de 62 neste ano. Segundo o presidente, Almeanos, presidiu o Sindicato durante nove nara não possui tradição na realização Como toda entidade de classe, o Sinanos (1994-2002) e teve uma atuação de leilões. “Quando assumi o mandato, dicato dos Produtores Rurais de Alme-

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venda. Assim, toda segunda-feira nara enfrenta empecilhos que, faríamos uma relação dos animais por vezes, limitam a atuação Confira abaixo como é feita a à venda e divulgaríamos todos os da diretoria. Antes mesmo de cobrança da mensalidade pelo dados desses animais. Caso cheRoberto assumir o mandato, o gasse um comprador de outra reSindicato de Almenara: número de associados vinha digião em Almenara, ele iria diretaminuindo e esse problema ainmente ao Sindicato Rural e não a da assombra a presidência. “Eu De 100 a 120 hectares: R$ 21,25 um intermediário. Ele teria acesso assumi o Sindicato num período à relação de animais ofertados e fiDe 120 a 180 hectares: R$ 31,87 de dificuldades. Com a perda do caria mais fácil para ele comprar o domínio do espaço do Parque A partir de 180 hectares: R$ 42,50 que estava buscando. O problema de Exposições, é provável que é que há muitas pessoas que trabaa situação piore. A tendência lham na região fazendo essa intermedesses associados, agora, é disdiação e vivem da comissão”, argumenRoberto Figueiredo não pensa difepersar, desassociar do sindicato, ta o presidente. porque muitos produtores rurais se as- rente e destaca ainda que a classe pesociavam para obter vantagens na Expo- cuarista possui certa resistência em unir Os associados e a estrutura sição, no intuito de expor seus animais, forças e trabalhar em conjunto. “Muitas da entidade ter um desconto no caso da comissão vezes o produtor rural trabalha de uma dos leilões, ter acesso livre ao Parque, e maneira isolada e não tem aquele senPara resgatar os associados, a atual isso tudo vai acabar, já que agora não te- timento de cooperativismo. Eu tentei presidência pretende investir numa área mos mais o domínio da área. Agora, nós montar um sistema de vendas de bovipara o Parque de Exposições e tentar imtemos que inovar para manter os asso- nos, que seria uma espécie de Central plantar mais uma vez a Central de Venda de Vendas e pensamos até em fazer um ciados”, ressalta Roberto. de animais. Além disso, o Sindicato preA questão que envolve a falta de parti- frigorífico. No caso do frigorífico, cada tende ampliar a sua atuação e vai ofecipação dos associados no Sindicato é um produtor rural teria que disponibilizar recer ao produtor rural uma assessoria problema que acompanha a entidade des- um valor, mas a ideia não seguiu. Em jurídica, a partir de agosto. A proposta de outros mandatos. Romércio Oliveira Go- relação à Central de Vendas, o produtor do Sindicato Rural é disponibilizar um bira, 44 anos, foi presidente do SINRURAL rural, através do escritório do Sindicato, advogado dentro de suas dependências por dois mandatos (2003-2008). Além de iria relacionar os animais que estão à produtor rural, Romércio Foto: Arquivo SINRURAL é veterinário e atua hoje como Secretário de Saúde de Almenara. O veterinário revela que teve uma diretoria atuante, mas acredita que a classe ainda se encontra enfraquecida. “Em meu mandato, o Sindicato, que contava apenas com pouco mais de 30 associados ativos, aumentou este número para quase 140 sócios ativos. Realizamos também algumas reformas no Parque e aos poucos conseguimos recuperar a credibilidade com o produtor. Mas é preciso ainda que haja uma maior atuação por parte do associado, pois muitos não sabem usufruir dos serviços oferecidos pela entidade”, Diversas reformas foram realizadas no Parque de Exposições de Almenara, por meio de ações do SINRURAL. enfatiza Romércio.

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para atuar em questões como invasão de terras e questões trabalhistas. Para se associar, o produtor paga uma quantia no valor de um salário mínimo e depois deve quitar a mensalidade. A mensalidade é definida de acordo com o tamanho da propriedade. Roberto Figueiredo explica que o pagamento é importante para a manutenção das atividades da entidade. “O Sindicato sobrevive da arrecadação das mensalidades e do valor proveniente da parceria com o Senar. Além disso, 60% do valor arrecadado pela CNA, a Confederação Nacional da Agricultura, na região de abrangência do Sindicato, vai para a entidade. Isso vem como uma contribuição do produtor ao Sindicato Rural, mas a inadimplência é grande. De acordo com as informações que a Faemg tem nos passado, se a inadimplência dos produtores rurais fosse cobrada, teríamos uma arrecadação para Almenara de R$ 600 mil. A inadimplência em relação à CNA é muito alta, porque os contadores orientavam os produtores a não pagarem, argumentando que não era imposto, mas o valor é imposto sim”. O escritório do Sindicato Rural encontra-se alocado juntamente ao do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e, atualmente, conta com a parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que promove por ano cerca de 200 cursos. A entidade também oferece aos associados um convênio com plano de saúde e coloca à disposição um escritório de contabilidade, onde o produtor tem acesso a vários serviços como o de registro de empregado, emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA), nota fiscal de produtores e praticamente todos os serviços relacionados à contabilidade rural, com exceção do Imposto de Renda.

Presidentes do Sindicato dos Produtores Rurais de Almenara: 1º-Dr. José Joaquim Peixoto Prin período:1966 a 1968. 2º-Hélio Souza Gomes período:1969 a 1974. 3º-Dr. Cândido Mares Neto período: 1975 a 1977. 4º-Delavigne Ferreira Santos período:1978 a 1980. 5º-Dr. José Rodrigues de Figueiredoperíodo:1981 a 1986. 6º-Dr. Antônio Evandro Alves de Freitas período: 1987 a 1989. 7º-Junta Governativa-ahos torres cordeiro período:1990. 8º-Edvaldo José Lopes das Neves período:1991 a 1993. 9º-José Virgínio Gil de Freitas período:1994 a 2002. 10º-Dr. Romércio Oliveira Gobira período:2003 a 2008. 11º-Dr. Roberto Aguiar Figueiredo período:2009 a 2011.

Novas perspectivas Segundo Roberto Figueiredo, o Sindicato estava desenvolvendo um projeto para o Parque de Exposições no intuito de se conseguir um tattersal para o local, mas com os atuais problemas envolvendo o Parque, novos rumos serão traçados. “Fizemos arrecadações, tínhamos uma conta-poupança

para construirmos um novo tattersal, mas depois desse problema que tivemos com o Parque, a nossa pretensão agora á adquirir uma área e construir um novo Parque de Exposições. No próximo ano, a partir de agosto, nós já vamos trabalhar esta meta,

mas é necessário que o associado mantenha-se próximo do sindicato, porque só conseguimos realizar as ações através de um sistema cooperativo. O associado deve buscar o Sindicato para andarmos junto”, argumenta o presidente.

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Especial

Expoagro 2010 comemora bons resultados

A 41ª Exposição Agropecuária de Governador Valadares (Expoagro) deixou mais uma vez sua marca no cenário do agronegócio e consagrou a nova diretoria da União Ruralista Rio Doce como um exemplo de trabalho, sucesso e ousadia. A Expoagro 2010 manteve a qualidade de todos os anos e superou as expectativas de muitos que ansiavam por resultados positivos. O mérito dessa edição pertence a todos os organizadores e funcionários que trabalharam para a realização do evento. A 41ª Expoagro se despede como sinônimo de bons negócios. Agropecuária na Escola Com o objetivo de despertar nas crianças o interesse pelo campo, o projeto Agropecuária na Escola proporcionou aos alunos da Rede Pública Municipal de Ensino de Governador Valadares o contato com as profissões do campo. Aproximadamente 600 crianças participaram de palestras que mostraram os benefícios que o leite traz para a saúde e conheceram toda cadeia produtiva da carne e do leite. Além disso, os alunos visitaram os stands das empresas parceiras do projeto: Universidade Vale do rio Doce (Univale), Prefeitura Municipal de Governador Valadares, Sicoob Crediriodoce e Banco do Brasil. Os animais foram apresentados por espécie: equídeos, caprinos e bovinos. Para fechar com chave de ouro, as crianças puderam usufruir do Parque de Diversões Trombine, que disponibilizou os brinquedos gratuitamente para os alunos. Ação social Para os habituados à rotina do campo, os dias 15 e 16 de Julho, no Parque de Exposições, foram diferentes. Entre a ordenha ou o trato dos animais, o cui-

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dado com a saúde tornou-se prioridade para colaboradores da Expoagro 2010. Em uma parceria entre União Ruralista Rio Doce, SEST/SENAT e SESC, um stand foi montado para que profissionais da saúde e da beleza atendessem ao público do Parque. Ao todo, um médico e três dentistas aferiram a pressão arterial, orientaram sobre a hipertensão e sobre a diabetes, realizaram testes de glicose, palestras sobre a saúde do homem e sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Ainda, 10 cabeleireiros fizeram escovas e cortes para homens, mulheres e crianças. Todo o serviço foi gratuito. De acordo com Vanessa Merlo, diretora do SEST/SENAT, o objetivo desta ação é melhorar a qualidade de vida das pessoas que trabalham no campo. “Só no primeiro dia, tivemos uma média de 80 pessoas. Algumas nem sabiam o que era a diabetes e a importância de controlar a glicose. Uma ação como essa fortalece o objetivo das instituições participantes na transmissão de conhecimento”, afirma. João Ornela de Souza, que trabalha na União Ruralista, fez uma pausa nas tarefas e foi aferir a pressão. Para ele, a saúde vem em primeiro lugar. “É muito importante esta ação social. Com a saúde em dia, os riscos de acidentes diminuem e a gente trabalha bem mais tranquilo”, reforça. Balanço positivo A Expoagro movimentou, em 09 dias de evento, uma média de R$ 8 milhões só no setor agropecuário. “Nós buscamos o valor de R$ 10 milhões. Eu até acho que nós superamos isso no total movimentado dentro da Expoagro, mas como lidamos com a parte de agropecuária, trabalhamos com o valor divulgado”, explica André Merlo, atual presidente da União Ruralista. Os valores comprovam um

bom resultado alcançado. Para o presidente o retorno foi acima da expectativa. “Não tivemos tempo de trabalhar os expositores, de fazer um convite mais corpo a corpo e nós achamos que isso ia atrapalhar, mas correu tudo bem”, esclarece. Quanto aos parceiros, André Merlo enfatiza a importância de tê-los em um evento deste porte. “Eu acho que qualquer evento se não tiver parceiros, apoiadores ou patrocinadores, você não consegue realizar. É muito difícil você ter um evento desse porte, que seja alto-sustentável. As despesas são muitas e a gente depende desses patrocínios”, explica. Neste ano, dentre as novidades do evento, a prova de Team Penning e a ocorrência de dois leilões, concomitantes, surpreenderam. “Estes foram pontos fortes do evento. Quebramos um tabu com os leilões simultâneos e apresentamos um esporte à Valadares”, comemora o presidente. Ao todo, a 41ª Expoagro contou com 12 leilões, realizados em dois tattersais. O lote mais valorizado foi a fêmea Bárbara, da raça Guzerá, da Fazenda Ygarapés, arrematada no 8º Leilão Duplo Provado Guzerá, por R$ 260 mil, por um criador de Goiás. Além disso, aconteceram a Feira de Ovinos e Caprinos, a Feira de Gado de Leite e Rodeio. André afirma que quer deixar um modelo de exposição que seja o ideal. “O nosso objetivo principal é mostrar a agropecuária para Valadares e região, afinal a União ruralista existe para defender os interesses da agropecuária”, diz e completa, ressaltando que muitas mudanças precisam acontecer para os próximos anos, e que em função disso, duas pesquisas estão sendo feitas entre os participantes da Expoagro. “A gente quer que todo mundo se sinta satisfeito com o evento. Mas, de um modo geral, a exposição foi muito boa e acima das expectativas”, comemora.


confira fotos da Expoagro 2010 nardo Morais

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Leilões Expoagro ledo ão Haras To de Toledo il e L ° 7 : to ezen Even inícius de R V : o ã ç o m o Pr 3 animais: 6 e d o r 56.000,00 e 6 m $ ú R N : s o d vimenta Monteiro Valores mo dor: Daniel de Souza e Toledo pra Maior com or: Vinícius de Rezend ed Maior vend

Evento: 1° Leilão G uzolando Rio Doce Promoção: Fazenda Taboquinha e Ygarap és Número de animai s: 235 Valores movimenta dos: R$ 525.912,00 Maior comprador: José Senna da Silv eira Maior vendedor: Si nval Mar tins de Mel o

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o Brahman IC o ã il e L ° 1 : to n Eve rsian aac Cohen Pe Is : o ã ç o m ro P nimais: 49 Número de a ntados: R$ 226.400,00 ime oto da Silva ix Valores mov e P n o rs e G dor: Maior compra Isaac Cohen Persiano dor: Maior vende Agosto 2010

Even t Prom o: Leilão U Núm oção: Un nião do G iã e Valor ro de an o Ruralis irolando im t e Maio s movim ais: 223 a Rio Do ce r com e ntad Maio p o r s a : d r ven R dedo or: Ferna $ 642.12 n r: An 0 dré M do Melo F ,00 ranco erlo

rga do Mangala a ia c n lê e c x E ão alarg Evento: Leil cleo do Cavalo Mang Nú iro Promoção: Leste Mine o d r o d a h c Ma 6 animais: 4 e 00,00 d o r e m ú N s: R$ 241.3 elo o d ta n e im v b Valores mo dor: Antônio José Ra a r lho p Maior com or: Magno Nunes Coe ed Maior vend

Evento: 12° Leilão Excelência do Cor te Promoção: Sindicat o Rural de GV Número de animai s: 1184 Valores movimenta dos: R$ 974.337,00 Maior comprador: Paulo Campos Barr oso Maior vendedor: Pa ulo Campos Barros o


Gabriel Augusto Monteiro Doutorando em Reprodução Animal pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, UNESP, Botucatu. E-mail: monteiroga@yahoo.com.br.

Caderno Técnico

Colheita de espermatozóides do epidídimo de garanhões Priscilla Nascimento Guasti Mestranda em Reprodução Animal pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, UNESP, Botucatu. Frederico Ozanam Papa Professor Titular do Departamento de Reprodução Animal e Radiologia Veterinária, UNESP, Botucatu. Introdução A morte inesperada, processos obstrutivos ou distúrbios traumáticos podem interromper prematuramente a vida reprodutiva de garanhões de alto valor genético. Nesses casos, novas formas de colheita espermática têm sido estudadas com objetivo de preservar a genética valiosa desses animais. A primeira prenhez obtida com a utilização de espermatozóides congelados na espécie equina foi relatada a partir de espermatozóides recuperados da cauda do epidídimo (BARKER e GANDIER, 1957). No entanto, somente nos últimos anos intensificou-se o estudo na preservação de espermatozóides a partir do epidídimo (TIPLADY et al., 2002; JAMES et al., 2002; MORRIS, 2002; PAPA et al., 2008; MONTEIRO, 2010). Isso ocorreu devido ao crescente interesse pela preservação de células espermáticas de animais de produção geneticamente superiores, impossibilitados de

realizar cobertura ou colheita de sêmen com vagina artificial. Após a morte do animal, os espermatozóides permanecem viáveis no epidídimo até que ocorra a decomposição tecidual e afete a viabilidade espermática (BRUEMMER et al., 2002; MURADÁS et al., 2006). Se os epidídimos forem armazenados a 5°C, a qualidade espermática pode ser mantida por um período maior (BRUEMMER et al., 2002; JAMES et al., 2002). Nos últimos anos, a recuperação de espermatozóides do epidídimo tornouse uma técnica promissora na preservação espermática, devido aos altos índices de fertilidade, além de permitir a colheita mesmo após a morte do animal. Portanto, o presente trabalho tem por objetivo descrever as técnicas de colheita, transporte e índices de fertilidade de células espermáticas do epidídimo na espécie equina. Colheita de Expermatozóides da cau-

da do epidídimo Normalmente dois métodos de colheita são utilizados para a recuperação de espermatozóides em equinos: flutuação e fluxo retrógrado. O método de flutuação consiste em cortar ou fatiar a cauda do epidídimo (Figura 1a e 1b). Várias incisões são realizadas longitudinalmente para expor os espermatozóides ao meio exterior. Posteriormente, a cauda do epidídimo é mantida em meio gelatinoso, dessa maneira, os espermatozóides migram para o meio (Figura 1c) e são recuperados através da filtração (YU & LEIBO, 2002). A técnica de fluxo retrógrado modificada consiste na separação do complexo testículo-epidídimo (Figura 2a), remoção dos tecidos que envolvem o epidídimo a partir da dissecação do tecido conjuntivo que recobre a cauda do epidídimo (Figura 2b), desenovelamento dos contornos do ducto epididimário (Figura 2c). Após essas fases, deve-

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se introduzir uma ponteira acoplada a uma seringa gerando uma pressão no ducto deferente com meio a base de leite (Botu-Semen®) até que os espermatozóides epididimários sejam carreados pelo diluente até o corte realizado na junção entre a cauda e o corpo epididimal (Figura 3; GARDE et al., 1994). A recuperação espermática média com esse método em equinos varia de 15 a 20 bilhões de espermatozóides por epidídimo (MONTEIRO, 2010).

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b

c

Figura 1 – As etapas que antecedem a recuperação de espermatozóides pela técnica de flutuação consistem em: separação da cauda do epidídimo (a); incisões para proporcionar a migração dos espermadozóides no lumen da cauda do epidídimo, remoção dos tecidos, tecido conjuntivo que recobre a cauda do epidídimo (b); repouso para migração dos espermatozóides para o meio (c).

Retirada e transporte do epidídimo Sabe-se que após a morte do garanhão, os espermatozóides permanecem viáveis no epidídimo até que a decomposição tecidual afete sua viabilidade (BRUEMMER et al., 2002; MURADÁS et al., 2006; MONTEIRO, 2010). Para manutenção da integridade celular é importante que os epidídimos sejam mantidos a 5°C até o processamento e congelação espermática (BRUEMMER et al., 2002; JAMES et al., 2002; MONTEIRO, 2010). Para a retirada dos testículos e epidídimos, devem-se realizar cuidadosamente duas incisões paralelas à rafe mediana, uma em cada escroto. Durante o procedimento, evitar que a lâmina de bisturi traumatize a cauda do epidídimo, localizado na região caudal do testículo. Após a retirada do complexo testículoepidídimo, o funículo espermático deve ser ligado com fios de nylon ou seda, evitando o extravasamento de sangue e espermatozóides durante o transporte. Imediatamente após a orquiectomia o, material deve ser colocado em sacos plásticos com 50 mL de Ringer Lactado para evitar a desidratação tecidual. Após esta primeira etapa, o epidídimo deverá ser preparado para ser transportado. Para isso é importante que o material seja armazenado a temperaturas próximas de 5°C, pois esta temperatura tem a função de diminuir o metabolismo espermático necessário para transportes a longas distancias. Uma forma prática e eficiente na manutenção da temperatura do epidídimo a 5°C é a utilização de sistemas

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a

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Figura 2 – A etapas que antecedem a recuperação de espermatozóides pela técnica de fluxo retrógrado consistem em: separação do complexo testículo-epidídimo (a); remoção dos tecidos, tecido conjuntivo que recobre a cauda do epidídimo (b); desenovelamento dos contornos da cauda do epidídimo (c).

Figura 3 – Recuperação de sêmen do epidídimo pela técnica de fluxo retrógrado: após a secção do ducto da cauda do epidídimo em três partes, ele é estendido na posição vertical e o diluente injetado no lúmen até a outra extremidade (a, b, c).

de transporte passivo (Botutainer® ou Equitainer®) comumente utilizado para transporte de sêmen. Fertilidade dos espermatozóides da cauda do epidídimo A primeira prenhez utilizando espermatozóides congelados na espécie equina foi relatada em uma égua inseminada com espermatozóides da cauda do epidídimo (BARKER & GANDIER, 1957). No entanto, apesar de comprovada a fertilidade destes espermatozóides, os estu-

dos realizados até a década de 90 apresentaram baixos índices de fertilidade. Somente nos últimos anos, devido a modificações realizadas na recuperação e criopreservação, foram obtidas altas taxas de concepção em éguas inseminadas com espermatozóides criopreservados da cauda do epidídimo (PAPA et al., 2008; MONTEIRO, 2010). Papa et al. (2008), obtiveram taxa de concepção de 66,6% em éguas inseminadas no ápice do corno com 400 x 106 de espermatozóides viáveis pré e pós inseminação. Outro estudo realizado re-


centemente (MONTEIRO, 2010) demonstrou que os espermatozóides recuperados do epidídimo imediatamente após a morte do animal (Grupo 1) ou armazenado por 24 horas a 5°C (Grupo 2) apresentaram parâmetros espermáticos iguais ou superiores aos espermatozóides do ejaculado (Grupo 3). Ainda neste estudo, foram obtidas taxas de concepção de 92.3%, 61,5% (8/12) e 61,5% (8/12) nos grupos 1, 2 e 3, respectivamente. Considerações Finais O sucesso recentemente alcançado com altos índices de fertilidade mostra a importância da utilização desses espermatozóides epididimários em biotecnologias da reprodução, visando à obtenção de produtos de animais geneticamente superiores. Esta tecnologia torna-se ainda mais relevante quando se considera que a colheita de espermatozóides da cauda do epidídimo pode, em alguns casos, ser a última chance de preservação espermática. No entanto, deve-se ressaltar que todas as fases envolvidas no processo de preservação dos espermatozóides do epidídimo (Figura 4) são fundamentais para a obtenção de células espermáticas de boa qualidade levando a melhores índices de fertilidade e, consequentemente, melhor aproveitamento genético destes animais. Referências BARKER, C.A.; GANDIER, S.C.C. Pregnancy in a mare resulting from frozen epididymal spermatozoa. Canadian Journal of Comparative Medicine, v.21, n.2, p.47-51, 1957. BRUEMMER, J.E.; REGER, H.; ZIBINSKI G.; SQUIRES, E.L. Effect of storage at 5°C on the motility and cryopreservation of stallion epididymal

Figura 4 – Etapas para preservação de espermatozóides do epidídimo

spermatozoa, Theriogenology, v.58, p. 405–407, 2002. GARDE, J.; AGUADO, M.; PEREZ, S.; GARRIDO, D.; PEREZ-GUZMAN, M.; MONTORO, V. Physiological characteristics of epididymal spermatozoa from postmortem rams. Theriogenology, v.41, n.1, p.2003, 1994. JAMES, A.N.; GREEN, H.; HOFFMAN, S.; LANDRY, A.M.; PACCAMONTI, D.; GO-

DKE, R.A. Preservation of equine sperm stored in the epididymis at 4 ºC for 24, 48, 72 and 96 hours. Theriogenology, v.58, n.2, p.401-404, 2002. MONTEIRO, G.A. Criopreservação e fertilidade de espermatozóides recuperados da cauda do epidídimo de garanhões. 2010. 65f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual Paulista, Botucatu.

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Meteorologiaa

Agosto, mês dos ventos * Prof. Ruibran dos Reis- Minas Tempo

Historicamente, o mês de agosto é considerado o mês dos ventos. É quando a criançada aproveita para soltar pipa. Dificilmente você vai achar um adulto que não brincou de soltar pipa, pois é uma brincadeira feita ao ar livre, com muita adrenalina e alegria. Os ventos de agosto são favoráveis a esse tipo de brincadeira, porque são constantes ao longo do dia e sopram quase sempre da mesma direção. É a atuação do Anticiclone do Atlântico Sul, que existe todos os dias do ano entre o Brasil e a África, mas que ganha força no interior do Brasil durante os meses de inverno. A diminuição da quantidade de radiação solar, nesta época do ano, favorece pra que o Anticiclone intensifique sua atuação, principalmente nas regiões

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norte e leste do estado de Minas Gerais. Os ventos predominantes são de NE e E, dependendo da topografia do município. Na região leste, os dias ficam parcialmente nublados, não há ocorrência de chuvas e a umidade relativa do ar se mantém à tarde acima de 40%. Nas regiões noroeste e Triângulo, o tempo fica seco, a umidade relativa do ar chega a atingir índices abaixo de 20%. Neste ano, o fenômeno La Niña está atuando, isto é, as temperaturas das águas do mar na Costa do Peru e do Equador estão abaixo do padrão normal, que significa uma grande possibilidade de ocorrência de temporais isolados no mês de agosto. A temperatura deverá se manter dentro da normal para a época do ano, porém, chuvas isoladas acom-

panhadas de raios poderão ocorrer na segunda quinzena do mês. Devido ao aquecimento global, o que está se observado nos últimos anos é uma grande variabilidade no clima no estado de Minas Gerais. Não se pode mais esperar que aconteça o padrão de clima normal para a época, pois a grande disponibilidade de energia que existe causa sempre perturbações na atmosfera e isto se reflete em anomalias. Vamos aproveitar os dias típicos de agosto com ventos constantes, céu quase todo azul e temperatura agradável. Mas se você necessita das condições do tempo para suas atividades, fique atento às previsões meteorológicas, que hoje já possuem um acerto de 93% para antecedência de 5 dias.


Mão na Massa

em sua própria casa

Como fazer uma

A horta orgânica é uma excelente opção para quem deseja consumir alimentos mais saudáveis e livres de agrotóxicos. E se a horta estiver em sua própria casa ou em um cantinho no quintal, o prazer é ainda maior, sem contar a satisfação de poder produzir os alimentos da própria mesa. Os locais para o plantio requerem muita luz, por isso, você deve observá-los. Para quem dispõe de pouco espaço, pode-se cultivar as hortaliças em vasos ou jardineiras. Para tanto, você deve ficar atento a algumas dicas: Os vasos ou jardineiras a serem utilizados para o plantio devem possuir alguns furos no fundo, para que ocorra drenagem da água. Preencha aproximadamente 1/3 desses recipientes com pedriscos, pedaços de telha ou argila expandida para facilitar a drenagem; Jogue sobre esse material duas partes de terra comum, uma parte de composto orgânico e uma parte de húmus. O vaso deve ficar cheio. Por fim, espalhe um pouco de areia sobre esse material. A escolha das hortaliças a serem cultivadas é muito importante. Se você optar pelas mudas de temperos, basta posicioná-las de maneira intercalada, em forma de triângulo. Não se pode esquecer de dar um espaço entre uma muda e outra e, para auxiliar no crescimento, coloque palitos para dar apoio. Caso você opte pelo plantio de hortaliças em canteiros, atente para as dicas abaixo e escolha um local com bastante sol e que tenha fonte de água em abundância: Limpe o terreno e are a terra com uma enxada; Coloque uma camada de adubo de aproximadamente 4 cm; Alise a terra, faça sulcos a cada 30 cm e lance sobre esses sulcos as sementes, cobrindo-os com uma terra fina; No caso das mudas, elas também devem ficar dispostas de maneira intercalada, em forma de triângulos; Em regiões quentes como a do vale do Rio Doce, deve-se regar duas vezes ao dia as hortaliças, até crescerem.

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AgroVisão

Erosão de solos Entenda a importância das técnicas de conservação do solo para a implantação de atividades agropecuárias. Os processos erosivos são um dos principais problemas enfrentados nas propriedades * Por Alexandre Sylvio

O solo é considerado por muitos como uma entidade viva, pois além de minerais e água, é a casa (habitat) de diversos organismos com fungos, bactérias, minhocas e outras milhares de espécies que interagem entre si e com as raízes das plantas, criando um ambiente equilibrado. Com a ocupação humana e a implantação da agricultura e pecuária, todos os ciclos são rompidos afetando os organismos vivos e o próprio solo, tornando-o suscetível aos processos erosivos. Apesar dos impactos ambientais que surgem com a ocupação humana, ela é uma necessidade, já que a produção de alimentos é prioridade. Cabe ao homem ocupar as áreas agrícolas de forma racional visando a redução dos impactos da sua atividade, principalmente no solo, pois se tornam altamente suscetíveis com a implementação das atividades agrícolas. O solo é o maior patrimônio de uma propriedade agrícola e a sua utilização de forma racional é fundamental na manutenção da sua produtividade. Um dos problemas que surgem na propriedade com a implantação da atividade agropecuária são os processos erosivos. Mesmo em áreas aparentemente planas, a erosão pode se estabelecer de forma agressiva, inviabilizando por completo extensas áreas da propriedade, mesmo com a implantação de processos de recuperação. Isto acontece, principalmente, com o surgimento das voçorocas, sulcos profundos formados pela movimentação da água em determinados pontos da propriedade e que podem atingir vários metros de profundidade. Nesses casos, o papel do produtor é utilizar técnicas de conservação visando evitar o aumento

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do problema, pois a recuperação da área para uso agropecuário torna-se praticamente impossível. Mas, para podermos comentar sobre os processos erosivos do solo temos que conhecer o próprio solo. Os solos são formados pela degradação das rochas, processo chamado de intemperismo. Essa degradação acontece por ação dos fatores ambientais como o sol, a chuva, o vento, além dos microrganismos e as plantas. A degradação é importante, pois além da formação dos solos, ocorre a liberação dos nutrientes minerais que estão nas rochas e que são fundamentais no desenvolvimento das plantas. O tempo de formação dos solos é variável, demorando alguns milhares de anos. Para a natureza formar uma camada de solo de apenas um centímetro, o tempo varia entre 100 e 300 anos, dependendo dos fatores ambientais e do

material de origem. No Brasil, por exemplo, um país tropical e de fatores climáticos intensos, os solos são formados rapidamente. Apesar dessa característica importante, em solos agrícolas recém arados, gradeados e expostos às chuvas de verão, um centímetro de solo pode ser perdido em pouco mais de 20 minutos. Durante a degradação das rochas, formam-se partículas minerais de diversos tamanhos que são de grande importância na determinação das características dos solos e do seu manejo. As partículas minerais maiores são chamadas de areia, as médias de silte e as menores de argila. Os solos apresentam a mistura das três partículas, com predominâncias. Em função dessas predominâncias, caracterizamos os solos como argilosos, arenosos e suas diversas variáveis. Essas partículas minerais do solo formadas são quimicamente ativas possuindo cargas elétricas, sendo Foto: Site Viva Terra

Ação da voçoroca em uma propriedade agrícola.


que, as partículas minerais menores, as argilas, possuem maior quantidade em relação as partículas maiores, as areias. Isto é fácil de constatar na prática. Segure na mão um torrão seco de solo argiloso. Podemos verificar que é extremamente difícil quebrá-lo. Isto acontece porque as cargas elétricas estão unindo as partículas. Se o torrão seco de solo apresentar características arenosas, verificamos que ele é facilmente destruído com as mãos, porque as partículas de areia apresentam poucas cargas elétricas, por isso, o torrão é mais frágil. Essas características do solo são importantes na avaliação da suscetibilidade aos processos erosivos. Partículas ligadas de forma mais intensa tendem a tornar o solo mais resistente aos processos erosivos. A formação dos torrões está associada à estrutura do solo e a sua porosidade. Os solos, de modo geral, são ricos em poros, grandes e pequenos, chamados de macroporos e microporos, respectivamente. Este equilíbrio entre os poros torna-se importante visando à distribuição da água pelo sistema. Quando a água penetra nos microporos ela fica retida. A água armazenada é aproveitada pelos organismos do solo e pelas raízes das plantas. O excesso de água entra nos macroporos e desloca pelo solo até atingir os lençóis de água subterrâneos, o freático e o artesiano. Essa água permanece armazenada no solo sendo disponibilizada aos poucos pelas nascentes que abastecerão os lagos e rios, inclusive no período seco. Quando o solo apresenta muitos poros grandes, (macroporos), ele tende a infiltrar quase toda a água, retendo pouco. Com isso, as plantas secam mais rapidamente devido ao déficit hídrico. Com o solo rico em poros pequenos, (microporos), a água tende a não se movimen-

tar pelo interior do solo, aumentando o encharcamento, o escorrimento da água pela superfície e os riscos de erosão, ou seja, o ideal é o solo equilibrado em relação aos poros. As chuvas são um dos principais fatores promotores da erosão dos solos, principalmente no Brasil, onde são mal distribuídas ao longo do ano, apresentando-se no verão com elevada intensidade e frequência. As gotas de chuva quando caem dos céus adquirem velocidade e energia. Quanto maior as gotas, maior a velocidade e a sua energia. Quem nunca tomou banho de chuva no verão quando criança? Lembram como as gotas chibatavam nossas costas? Era a energia da chuva. Imagine essa mesma chuva liberando sua energia na superfície do solo recém arado e gradeado? As gotas destroem a estrutura do solo, soltando as partículas que são jogadas para o alto, retornando para o solo e entupindo os seus poros. O entupimento reduz a infiltração da água das chuvas, aumentando o escorrimento superficial, que também libera energia com o aumento da velocidade, desagregando as partículas e promovendo a erosão do solo. A solução para esse sério problema está em práticas de manejo que associam a presença da vegetação, a disposição de

plantio e de arranjo do solo com a construção de terraços e cordão de contorno. Com a vegetação, as gotas de chuva não atingem diretamente o solo liberando sua energia nas folhas, evitando a destruição da estrutura do solo. A presença das raízes aumenta os poros do solo e a infiltração da água, reduzindo a quantidade de água que escorre. A água das chuvas que escorre na superfície não adquire grande velocidade devido a presença do caule das plantas que estão pelo caminho, reduzindo também o processo erosivo. A construção de terraços e cordões de contorno são técnicas mecânicas utilizadas no campo visando também à redução da velocidade da água que escorre pela superfície do solo e o aumento de sua infiltração. O solo é a base da produção agropecuária e as técnicas de conservação não podem ser desconsideradas, principalmente em sistemas produtivos intensivos onde os riscos de degradação são elevados. * Engenheiro Agrônomo; DSc. Em Produção Vegetal; Professor Titular/Solos e Meio ambiente; Coordenador do Curso de Agronomia da Universidade Vale do Rio Doce asylvio@univale.br Foto: Site Viva Terra

Imagem ilustrativa do impacto da gota de chuva na superfície do solo e erosão das partículas.

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Mercado

Mercado de tourinhos e abate de fêmeas O mercado de tourinhos está aquecido. Há boa procura por reprodutores e a tendência é de aumento nos negócios nos próximos meses. Esta movimentação ocorre devido à aproximação da estação de monta, que começa em outubro e novembro na maior parte do país. Os mercados do boi gordo e da reposição firmes, também estimulam o investimento em cria. Bezerros valorizados são fatores positivos para o criador, por dois motivos principais. Com a produção valorizada (bezerros), o criador tem caixa para investir em reprodução, incluindo a compra de reprodutores. A receita maior gerada pelo preço da reposição serve de estímulo ao investimento na atividade. Esse investimento na cria é refletido na participação de fêmeas nos abates. A figura 1 mostra a relação inversa entre esta participação e o preço do boi gordo. Na figura 2 estão as participações de fêmeas nos abates no primeiro trimestre de cada ano. Tal participação está em queda desde 2006. A exceção foi Minas Gerais, onde a proporção de fêmeas abatidas aumentou entre 2006 e 2008. Vale destacar que, em 2006, foi registrado o pior preço do leite pago ao produtor nos últimos 11 anos. O aumento de abate pode ter sido decorrente da diminuição de rebanhos leiteiros.

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Hyberville Neto – médico veterinário Scot Consultoria

Figura 1

Preços do boi gordo (deflacionados) e participação das fêmeas nos abates totais, desde 2002.

Fonte: IBGE/Scot Consultoria

Figura 2

Participação de fêmeas nos abates dos primeiros trimestres de cada ano.

Fonte: IBGE/Scot Consultoria


Preço do leite volta a cair neste mês Os preços do leite caem novamente neste mês de junho, o que é atípico, considerando que estamos em período de entressafra no Sudeste e Centro-Oeste do país. Mas este ano tem sido diferente dos outros. A cotação começou a subir em Janeiro, manteve-se em ascensão até Abril, e em Maio/Junho voltou a cair. Isso, considerando que o normal é o valor do leite começar a subir no final de Abril, tendo uma pequena queda a partir de Julho/ Agosto. Uma possível explicação para essa baixa é a queda na exportação do leite em pó. Os consumidores não absorveram as altas de preços dos lácteos no varejo no início do ano, o que gerou queda nas vendas do produto. Na época, o aumento da exportação para o exterior acresceu a oferta e a procura diminuiu. Como consequência, houve uma redução dos preços no atacado. O mesmo ocorre no mercado internacional, que se apresenta instável. Segundo o portal Milkpoint, as indústrias internacionais alegam a impossibilidade da viabilização das importações, o que prejudica o mercado nacional. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a “média nacional”, que considera os estados de RS, PR, SC, SP, MG, GO e BA, foi

de R$ 0,7718/litro (preço bruto) em junho. Redução de 3,3% ou 2,7 centavos por litro frente ao mês anterior. Os representantes de laticínios e cooperativas acreditam em nova queda de preços para julho. Ainda segundo o Cepea, o mercado spot de leite cru (comercialização entre os laticínios), houve redução de 5 a 10 centavos por litro no mês de junho. Essa desvalorização tende a influenciar os

preços pagos aos produtores rurais, por isso, o produtor precisa ficar atento ao período de seca e focar na produção de concentrados e volumosos. Esperamos que no mês de Agosto em diante, este cenário mude um pouco. Vamos esperar para ver. *Por Assessoria de Imprensa da Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce comunicação@coaperiodoce.com.br

Mercado do café permanece firme e aquece o setor As cotações do café arábica tiveram reflexos positivos nos preços no meio da colheita e permaneceram firmes até o início da segunda quinzena de Julho. A melhora nos preços está sendo importante para a antecipação do vencimento do custeio do ano anterior e muitos produtores já estão garantindo a alta dos preços das commodities para comprar os insumos da próxima safra. A quebra na colheita do café devido a estiagem de Janeiro e Fevereiro na Zona da Mata, Leste de Minas e Espírito Santo ameniza um pouco a situação dos produtores

devido a melhora dos preços dos cafés superiores, como o Bebida Dura tipo 6 e o Cereja Descascado. A situação somente não está mais favorável devido a menor produção e pela diminuição da qualidade dos cafés, que foram agravados pela quantidade excessiva de floradas, levando o café de verde para seco. As cotações em alta influenciaram o mercado de insumos neste início de Julho. A antecipação dos negócios está sendo estimulada pela melhor relação de troca dos insumos pelo café. O aquecimento do setor é importante para as indústrias que antecipam seus

Insumos Fertilizantes – 20 05 20 (sc)

negócios, diminuem os gastos com logística no pico de safra, para o produtor que garante os insumos da próxima safra e o comércio, que aumentam seus rendimentos em um período sazonal. Observe as relações de troca dos insumos por café nos dois anos. Cotação julho/10. Arábica – Duro tipo 6 – R$ 285,00 e Cereja Descascado Fino – R$ 350,00.

*Eng. Agr. Gerente Comercial Coocafé Waldir Francese Filho

Relação de troca com café Duro Tipo 6 2009

2010

5,4 sc adubo / sc café

7,1 sc adubo / sc café

Defensivos – Controle ferrugem (ha) 1 ha tratado / 1,52 sc café 1 ha tratado / 1,25 sc café Agosto 2010

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Boi Gordo (R$/@)

Cotações

Mercado Futuro (BM&F) - 28/07 Venc.

Ajuste (R$/@)

Var. (R$)

C.A.

Jul/10

85,18

0,12-

3.447

Ago/10

85,78

0,92-

2.127

Set/10

86,09

0,76-

1.854

Esalq/BM&F Boi Gordo Data

Vista

Prazo

26/07

84,96

85,81

27/07

85,20

85,87

28/07

85,49

86,51

Fonte: BeefPoint, IEA, CentroBoi, Faeg, Deral/Seab/PR, Minas Bolsa, Banco Central e BM&F

Preços do Leite (R$/L) Cotações do leite cru - preços pagos ao produtor MG

RS

SP

PR

GO

BA

SC

Mar/10

0,7002

0,6503

0,6656

0,6767

0,6832

0,6105

0,6871

Abr/10

0,7840

0,7274

0,7524

0,7494

0,7676

0,6616

0,7455

Mai/10

0,8138

0,7371

0,8020

0,8067

0,8219

0,6958

0,7936

Jun/10

0,8122

0,6896

0,7899

0,7731

0,7659

0,6926

0,7798

Jul/10

0,7550

0,6378

0,7524

0,7198

0,7141

0,6829

0,7291

R$/litro

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Fonte: Cepea - Esalq/USP (Milk Point)


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Cursos de Agosto Assoc.C.R.Morad. Córregos Água Preta e Barreirão (Campanário): Trab. na Operação e na Manutenção de Motosserra; Trab. na Bovinocultura de Leite; Higiene, Conservação e Armazenamento de Alimentos; Cerqueiro.

Associação Apícola de Belo Oriente: Trab. na Produção de Derivados do Leite.

Assoc. Balde Cheio de Inhapim e região: Trab. na Prod. de Cons. Vegetais, Compotas, Frutos Crist. e Desid.

Sind. P.R. de Águas Formosas: Trab. na Inseminação Artificial de Bovinos; Trab. na Olericultura Básica.

Sind. P.R. de Aimorés: Trab. na Inseminação Artificial de Bovinos; Trab. na Equideocultura.

Sind. P.R. de Ataleia: Trab. na Produção de Derivados do Leite; Trab. na Olericultura Básica; Trab. na Equideocultura.

Sind. P. R. de Caratinga: Trab. na Piscicultura; Trab. na Prod. de Cons. Vegetais, Compotas, Frutos Crist. e Desid.; Pintura em Tecido.

Sind. P.R. de Carlos Chagas: Trab. na Operação e na Manutenção de Tratores Agrícolas; Trab. na Inseminação Artificial de Bovinos.

Sind. P.R. de Conselheiro Pena: Trab. na Inseminação Artificial de Bovinos; Trab. na Olericultura Básica; Cerqueiro; Artesanato de Tecidos.

Sind. P.R. de Dom Cavati Trab. na Prod. de Cons. Vegetais, Compotas, Frutos Crist. e Desid.

Sind. P.R. de Governador Valadares Produção Artesanal de Alimentos; Trab. na Bovinocultura de Leite; Trab. na Equideocultura; Cerqueiro.

Sind. P.R. de Ipatinga Trab. na Prod. de Cons. Vegetais, Compotas, Frutos Crist. e Desid.; Pintura em Tecido.

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Sind. P.R. de Itambacuri Trab. na Operação e na Manutenção de Motosserra; Artesanato de Fibras Naturais; Trab. na Op. e na Manut. de Sist. Convencionais de Irrigação por Aspersão.

Sind. P.R. de Machacalis Sind. P.R. de Malacacheta Trab. na Inseminação Artificial de Bovinos; Trab. na Piscicultura; Cerqueiro; Artesanato de Tecidos.

Senar

Artesanato em Argila e Congêneres; Trab. na Operação e na Manutenção de Motosserra.

Sind. P.R. de Mantena Artesanato de Fibras Naturais; Trab. na Bovinocultura de Leite.

Sind. P.R. de Nanuque Trab. na Aplicação de Agrotóxicos; Saúde Bucal.

Sind. P.R. de Pavão Trab. na Apicultura; Artesanato de Fibras Naturais.

Sind. P. R. de Resplendor Trab. na Produção de Derivados do Leite.

Sind. P.R. de Sobrália

Program e-se eventos d para os e Para mais ste mês! informaç ões entre em contato com o Se nar pelo telefone (33) 327 1.6536

Trab. em Reflorestamento (Matas Homogêneas).

Sind. P.R. de Tarumirim Trab. na Avicultura Básica; Trab. na Inseminação Artificial de Bovinos; Trab. na Bovinocultura de Leite.

Sind. P.R. de Teofilo Otoni Trab. na Bovinocultura de Leite; Trab. na Doma Racional de Equídeos; Trab. na Apicultura

Sind. dos Trab. Rurais de Ubaporanga Trab. na Op. e na Manut. de Máq. de Benef. Primário de Prod. Agrícolas; Trab. na Operação e na Manutenção de Roçadora.

Sind. dos Trabalhadores Rurais de Vargem Alegre Cerqueiro; Trab. na Produção de Derivados do Leite.

Sind. Trab. Rurais de São Domingos das Dores Trab. na Caprinocultura

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Aconteceu

Foto: ACS FAEMG

Políbio Esteves (à esquerda) ao lado do governador interino de Minas Gerais, Cláudio Costa, durante a entrega da Medalha do Mérito Rural .

Mérito Rural

Liderança rural de Itambacuri recebe Medalha do Mérito Rural. A medalha é uma iniciativa da FAEMG Autoridades e lideranças empresariais e ruralistas compareceram à solenidade de entrega da Medalha do Mérito Rural 2010, no dia 8 de julho, em Belo Horizonte. O evento é uma iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG). Na oportunidade, o ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli foi condecorado com a Grande Medalha do Mérito Rural. Além dele, nove produtores rurais de todas as regiões do Estado foram homenageados: Antônio Pontes da Fonseca (Corinto), Elenir de Souza Ferreira (Serro), Políbio Esteves Guedes Júnior (Itambacuri), Evandro do Carmo Guimarães (Muriaé), José Coelho Vitor (Passos), José Joaquim da Silva (Luz), José Ribeiro de Carvalho (Patos de Minas), Marco Túlio Paolinelli (Uberaba) e Moacyr Dias Pereira (Conceição do Rio Verde). Segundo o presidente da FAEMG, Roberto Simões, a escolha dos produtores não se deve ao tamanho da produção, e sim à importância do trabalho desenvolvido por eles na sociedade. Dentre os homenageados, a Revista AgroMinas destaca o trabalho do líder ruralista Políbio Esteves Guedes Júnior. Natural de Itambacuri, Políbio é destaque por sua atuação e representatividade no meio rural. Além de fundador da União Ruralista de Itambacuri, o homenageado foi presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Itambacuri por três mandatos e atualmente é vice-presidente. A trajetória de Políbio como produtor rural teve início aos 19 anos, quando assumiu a direção da Fazenda São João, localizada no município de Itambacuri. A propriedade é referência nacional e recebe constantes visitas

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de produtores e de técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Atualmente, a fazenda produz 2 mil litros de leite por dia, e investe em melhoramento genético e na produção de cana-de-açucar. O produtor foi o primeiro da região a fazer o uso de irrigação de pastagens e realiza inseminação artificial há mais de 20 anos. Políbio é criador de cavalos campolina e gados da raça Guzerá e para ele, como líder ruralista, receber um mérito de tamanha importância para o cenário da agropecuária foi gratificante. “Essa homenagem foi muito importante e serviu de motivação para mim, visto a grandeza dessa medalha. Adquiri esse mérito às custas de muito trabalho e suor”, afirma. Na solenidade, também foram condecorados cinco Sindicatos dos Produtores Rurais: Barbacena, Capinópolis, Carlos Chagas, Santo Antônio do Monte e Sete Lagoas. Na Categoria Política, foi agraciado o deputado federal Carlos Melles (DEM/MG), além do pesquisador Artur Chinelato de Camargo, da Embrapa Pecuária Sudeste, na Categoria Técnico-Científica e do jornalista João Batista Olivi, do Canal Rural, na Categoria Comunicação. Mérito Rural A Medalha do Mérito Rural foi instituída em 2007 e os agraciados são definidos a partir de sugestões encaminhadas à FAEMG pelos Sindicatos Rurais. O mérito representa todo o conhecimento e gratidão da FAEMG pelos trabalhos desenvolvidos pelos homenageados em prol da agropecuária. (Com informações da Assessoria de Comunicação da FAEMG)

Exposição de Almenara agita a cidade A Exposição Agropecuária de Almenara movimentou a cidade em três dias de festa. De 30 de julho a 1° de agosto, o Parque de Exposições da cidade foi palco de shows e trouxe em mais uma edição Julgamento de animais, Torneio Leiteiro, Concurso de Marcha de Equinos e Leilões. O Torneio Leiteiro teve início no dia 30, com a 1ª ordenha, e finalizou no dia 1° de agosto. Os Leilões de Leite e de Corte foram realizados no dia 30, em horários diferentes. Para fazer a festa do público presente, a Exposição trouxe Netinho do Forró, no dia 30; Edu e Maraial, no dia 31 e a banda RG7, no último dia de evento. A Exposição Agropecuária é uma promoção do Sindicato dos Produtores Rurais de Almenara.

Feagro revela qualidade em mais uma edição Quem pôde conferir a 33ª Feagro não teve dúvida de que a qualidade tem sido marca de cada nova edição do evento. De 22 a 25 de Julho, o Sindicato dos Produtores Rurais de Águas Formosas organizou uma grande festa no Parque de Exposições Olinto Medrado, que contou com a realização de Provas Funcionais, Torneio Leiteiro, Exposição de Animais, Leilões de Corte e Leite, Parque de Diversões, Stands Comerciais e Shows. Neste ano, as provas funcionais, que aconteceram do dia 23 ao dia 25, ofereceram uma moto 0 km e R$ 3 mil reais em prêmios. No dia 22, o público conferiu o show de DJ.Kilesse & Budú e a Banda Louco Desejo. No dia 23, a grande atração foi a banda Mastruz com Leite e no dia 24, a banda Rapazolla. No último dia de festa, foi promovido um bingo beneficente de uma moto, da APAE, e a Banda Pegada Ousada fechou a noite.


Agenda e resultados

Fique por dentro dos próximos leilões e os resultados do mês de Julho Resultados

Evento: 2° Leilão Qualidade Total Promoção: Haras Recanto- Dr. Nelmar Filho Número de animais: 504 animais Valores movimentados: R$549.640,00 Maior comprador: Joaquim Vilonga de Pinho Maior vendedor: Gerson de Oliveira Costa Filho Confira os resultados dos leilões realizados na Expoagro, na página Especial.

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Pernil de carneiro ao molho de hortelã Culinária

A receita desta edição foi enviada pela leitora Rosa Maria Scatena Ferraz

Rendimento: 8 porções fartas Ingredientes 1 pernil de carneiro bem limpo, sal, cebola, alho, vinagre, salsa, cebolinha, pimenta do reino a gosto, 1 molho de salsa, 1 molho de cebolinha, 1 maço de hortelã miúda. Modo de fazer Bater todos os ingredientes no liquidificador, menos a hortelã. Temperar o pernil do carneiro com os temperos batidos e deixar descansar (de preferência) de véspera. Colocar para assar por 2 horas, coberto com papel alumínio. Ve-

rificar o cozimento, retirar o papel e deixar corar levemente. Servir com o molho de hortelã. Molho de hortelã Bater no liquidificador somente as folhas de um molho de hortelã miúda, meio dente de alho, cebola de cabeça, sal, azeite e pimenta a gosto e água gelada o suficiente para bater. Servir acompanhado com torta de queijo com brócolis ou arroz de brócolis com alho frito, sem se esquecer do molho de hortelã em terrina separado.

Envie a sua receita para a Revista AgroMinas revista@minasleiloes.com.br ou jornalismo.revagrominas.com.br

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Classificados

Nelson Cereais

ComĂŠrcio, Ind. e Transporte de Cereais Telefone.:(0**33) 3355-1110

RUA ASTOLFO M.VIEIRA, 95- IAPU-MG

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