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PROVA DE CAMPO

TRATOR JOHN DEERE 6180J

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PROVA DE CAMPO

Introdução Com o intuito de avaliar o desempenho do trator John Deere modelo 6180 J, o mais novo lançamento da marca no Brasil, foram realizadas uma série de provas a campo. Esses trabalhos foram conduzidos pelo grupo de pesquisadores do Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas (NEMA) da Universidade Federal de Santa Maria. Para esta prova foi adotada uma metodologia particular, adequada à verificação do desempenho do trator, desenvolvida a partir dos princípios utilizados pelas normas internacionais de ensaios de tratores. A avaliação foi realizada no Sítio Palmeiras, Bairro Pinheiros, no Município de Artur Nogueira, na região de Campinas, no Estado de São Paulo. Nesta Fazenda em que o senhor José Augusto de Mello cultiva cana de açúcar, o seu filho, Fernando nos recebeu e disponibilizou toda a estrutura para o desenvolvimento de todos os procedimentos necessários para concluir a tarefa avaliativa. 2 AGRIWORLD

Este trator está incluído na Série 6J, que tem os modelos 6110J de 110cv, 6125J de 125cv, 6145J de 145cv, 6165J de 165cv e 6180J de 180cv. Os tratores dessa série, por serem da especificação J, são bastante completos em itens de tecnologia. Em relação aos modelos que foram substituídos há várias novidades como o novo design, que inclui duas novas saídas de ar do capô e a abertura total do capô, o que facilita a servicibilidade. Também como inovação há a possibilidade de equipar-se opcionalmente com o piloto automático Autotrac.

O modelo que testamos, assim como todos da série, possui estrutura modular com chassi integral, o que facilita a manutenção e incrementa o conforto do operador, pela diminuição das vibrações. O motor e o sistema de transmissão são montados sobre este chassi de alta resistência, aliviando desta forma, esforços sobre a estrutura do bloco do motor por não constituir uma estrutura única.

Motor O trator JD 6180J é equipado com motor John Deere da série 350, desenvolvido exclusivamente para a realização das atividades agrícolas. Possui seis cilindros, 6,8 litros, turbo-compressor e intercooler que conferem uma potência de 132 kW (180 CV) a 2100 rpm, com torque máximo de 722 Nm a 1400 rpm. A reserva de torque é de aproximadamente 20%, valor este considerado bem acima daqueles tidos como referência,


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MOTOR Marca / Modelo John Deere / Powertech 6068 H Potência do motor na rotação nominal - (kW) cv 132 / 180 Potência na TDP na rotação nominal do motor - (kW)/cv 112 / 152 Torque máximo - Nm @ Rotação - rpm 722 @ 1400 Rotação máxima - rpm 2100 Reserva de torque - % 20 Número de cilindros - Cilindrada / Litros 6 / 6.8 Aspiração Turboalimentado - Intercooler Norma de Potência SAE J 1995 Sistema de injeção de combustível: Bomba injetora rotativa

que garantem um maior rendimento de campo em todos os tipos de trabalho, principalmente nas operações de grande demanda de potência, como preparo de solo e descompactação a profundidades bastante consideráveis. Tais procedimentos são comuns na atividade canavieira, sendo a reserva de torque constantemente utilizada nestas operações, justificando que tratores com elevada reserva de torque apresentam um desempenho muito superior, em relação aos que possuem menor reserva, pois faz com que menos marchas sejam trocadas, características estas, extremamente visíveis neste trator durante a realização dos testes a campo. Este motor apresenta uma série de particularidades, que garantem uma maior eficiência, entre estas podemos destacar o cabeçote dos cilindros de fluxo cruzado, onde os coletores de admissão e escapamento de ar estão dispostos em lados opostos do motor evitando que os gases oriundos da combustão préaqueçam o ar que está sendo admitido, o que diminuiria a

eficiência do sistema de alimentação. Também apresenta um sistema de duplo arrefecimento composto por dois circuitos que trabalham em temperaturas diferentes. O circuito principal de alta temperatura (CAT) é responsável pela refrigeração do motor, enquanto o circuito de baixa temperatura (CBT) faz o resfriamento do ar de admissão no intercooler e do óleo do sistema hidráulico através de um trocador de calor montado em frente à transmissão. Esses dois circuitos são tocados pela mesma bomba d’água e a divisão em dois flu-

xos distintos se dá através de um orifício calibrado. O sistema de alimentação é formado por um filtro de ar utilizando o sistema de filtragem Power Core, que consiste de um ejetor de poeira integrado que promove uma pré-limpeza do ar deixando para o elemento filtrante apenas a sujeira mais fina e um turbo compressor associado a um intecooler que refrigera o ar de admissão, aumentando sua densidade e consequentemente o volume de alimentação, através do líquido de arrefecimento do circuito CBT, aumentando assim a potência e a eficiência do motor.

Transmissão A transmissão desse trator utiliza o sistema de embreagem hidráulica arrefecida a óleo Permaclutch II®. Esse sistema proporciona a redução do desgaste e aumento da vida útil da embreagem, característica muito requisitada prin-

TRANSMISSÃO E EMBREAGEM Tipo Multi-disco em banho de óleo - PermaClutch Acionamento Hidráulico auto-ajustável Diâmetro dos discos - mm 225 mm Transmissão Tipo - Velocidades PowrQuad 16 marchas à frente e 16 à ré

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PROVA DE CAMPO cipalmente em operações com maior demanda de potência. O sistema, composto por cinco discos, é auto ajustável, ou seja, compensa o desgaste de modo a manter a máxima capacidade de transmissão de potência. Talvez neste quesito esteja uma das únicas críticas que fizemos ao modelo testado, pois notamos que a embreagem, além de dura, não Velocidades com motor em rotação máxima - km / h - Frente: Com Pneu traseiro 20.8-38 R1 A1 2,6 A2 3,1 A3 3,7 A4 4,6 B1 5,5 B2 6,6 B3 7,9 B4 9,7 C1 8,7 C2 10,5 C3 12,5 C4 15,4 D1 18,0 D2 21,7 D3 26,0 D4 31,9 Velocidades com motor em rotação máxima - km / h - Ré: Com Pneu traseiro 20.8-38 R1 A1 2,7 A2 3,2 A3 3,9 A4 4,8 B1 5,7 B2 6,9 B3 8,2 B4 10,1 C1 9,1 C2 10,9 C3 13,1 C4 16,0 D1 18,8 D2 22,7 D3 37,1 D4 33,3

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permitia a entrada de movimento de forma gradual e suave. Todavia, segundo informações da fábrica, tal fato pode corrigido através de uma simples regulagem. O trator 6180J que tivemos a oportunidade de conhecer e avaliar era equipado com o sistema de transmissão hidrostática Powrquad®, que utiliza pacotes de discos múltiplos com embreagens que direcionam a potência e o torque diferentemente dentro do sistema de transmissão. Esse sistema torna possível a redução da velocidade e consequente ampliação do torque sob carga, sem a necessidade de paradas do trator, sendo necessário apenas acessar a embreagem para a seleção dos diferentes grupos (A, B, C ou D). A troca de marchas (1ª, 2ª, 3ª e 4ª) pode ser realizada sem a necessidade do uso da embreagem, e sem interrupção de potência nas rodas, o que aumenta a eficiência operacional. A transmissão do trator 6180J é composta por 16 velocidades à frente, oriun-

das das combinações entre as quatro marchas e os quatro diferentes grupamentos. A mesma gama de velocidades pode ser utilizada no regime à ré, graças ao sistema Powershuttle® que com uma mesma alavanca torna possível controlar o avanço à frente e à ré, sem a necessidade do uso de embreagem ou de parada do trator. As velocidades mínimas são de 2,57 km/h e as máximas de 31,87 km/h à frente, utilizando pneus traseiros 20.8-38 R1 standard e a uma rotação do motor de 2100 RPM. Outro atributo padrão nos tratores John Deere de maior porte também está presente nesse modelo: a posição parking na própria alavanca de marchas do trator, o que dispensa a presença da tradicional alavanca de freio de estacionamento, visto que esse sistema promove o bloqueio direto da transmissão.

Tomada de potência O trator testado apresenta tomada de potência (TDP)

Eixo Traseiro: Redução final Tipo planetária, montada internamente Bloqueio do diferencial Acionamento eletro-hidráulico Tipo de ponta de eixo Pinhão & Cremalheira Eixo Dianteiro 4 x 4: Acionamento Eletro-hidráulico Bloqueio do diferencial Autoblocante Eixo Dianteiro Preparado para Bitola de até 3m Opcional Freios: Freio de serviço A disco em banho de óleo, com acionamento hidr. Auto-ajustável Freio de estacionamento Bloqueio da transmissão, pela alavanca de câmbio - Posição "P" Freio Pneumático para Reboque Opcional


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Tomada de Potência: Tipo Rotação nominal do PTO - rpm Rotação do motor na rotação nominal da PTO - rpm

independente, com acionamento eletro hidráulico, o que facilita a atividade em tarefas onde se torna necessária a troca de marchas sem que a TDP deixe de operar. Outro ponto de destaque é o desarme automático da TDP quando o motor é desligado ou venha a apagar sob carga, o que garante uma maior proteção da transmissão e do motor, além de prevenir maiores riscos em relação ao operador. O sistema opera em duas velocidades: 540 e 1000 RPM, o que é padrão em tratores equipados com transmissão Powrquad®. Ambas as velocidades são atingidas a uma mesma rotação do motor (2100 RPM), sendo que a seleção entre uma ou outra velocidade é realizada a partir da alternância da

Independente com acionamento eletro-hidráulico 540/1000 rpm 2100/2100 rpm

posição do eixo entalhado da TDP.

Eixos dianteiro e traseiro O JD 6180J possui uma distância entre eixos de 2730 mm, de forma totalmente equilibrada, o que proporciona

maior estabilidade longitudinal sem prejudicar a manobrabilidade, devido a redução no raio de giro. Sua versão standard conta com tração dianteira auxiliar (TDA), podendo esta ser estendida para a cultura da cana-de-açúcar com bitolas de 2800 ou 3000 mm, para ajuste entre linhas. Outra característica é o sistema Caster-Action®, com inclinação de 12º que facilita as manobras, além de contar com um sistema auto blocante, através do bloqueio automático do diferencial controlado pela diferença de rotação entre as rodas. Esse sistema também permite que no momento que o freio é acionado, a tração dianteira também seja acionada, fazendo com que as quatro rodas sejam freadas e garantindo maior segurança em terrenos mais declivosos, principalmente ao tracionar reboques ou semi reboques de elevada capacidade de carga. Além disso, a tração dianteira auxiliar pode ser acionada com o trator em movimento, através de um sistema ele-

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PROVA DE CAMPO Sem tração dianteira Com tração dianteira

tro hidráulico, sem a necessidade de se usar a embreagem da transmissão. Esse sistema também permite que no momento que o freio é acionado, a tração dianteira também seja acionada, fazendo com que as quatro rodas sejam freadas e garantindo maior segurança em terrenos mais declivosos, principalmente ao tracionar reboques ou semi reboques de elevada capacidade de carga. O eixo traseiro é do tipo pinhão – cremalheira na versão longa (2776 mm), com reduções finais do tipo planetárias montadas junto a carcaça do diferencial, que permitem um fácil ajuste na bitola do rodado traseiro para trabalhos nas entre linhas, como tratos culturais, cultivo e transbordo. Nas operações que demandam alta potência de tração, este sistema permite que sejam utilizados rodados duplos, podendo os mesmos serem retirados, deixando o trator ajustado para trabalhos que exijam bitola reduzida. O bloqueio do diferencial se dá através de um disco de freio de acionamento elétro hidráulico que impede a ação do diferencial e não com luva de bloqueio como ocorre em outros tipos de tratores, protegendo o sistema em caso de erro de operação, podendo ainda ser acionado sob carga. Para caracterização da manobrabilidade deste modelo 6 AGRIWORLD

Raio de giro (m) 6,73 7,15

foi desenvolvido um procedimento para medir o raio de giro, em duas condições: com e sem tração dianteira conectada, ambas sem o auxílio do freio.

Sistema hidráulico O sistema hidráulico desse modelo é composto por uma única bomba hidráulica, a qual também fornece óleo ao sistema de direção e as três válvulas de controle remoto (VCRs) presentes nesse trator. Trata-se de uma bomba com pistões axiais e centro fechado, a qual proporciona uma vazão total de 110 L/min a

uma pressão de trabalho de 200 bar. O fabricante destaca que o sistema é simples e pode até mesmo promover uma redução do consumo de combustível, visto que as válvulas de load sensing, presentes no sistema de direção e nas VCRs, além de priorizarem o fluxo de óleo ao sistema de direção, por questões de segurança, identificam a carga a qual o sistema está sendo submetido, enviando ao mesmo apenas a quantidade de óleo necessária para cumprir essa demanda de esforço. O sistema de controle remoto tem vazão máxima de 105 L/min, sendo composto por duas VCRs na versão standard, porém, há a opção com uma terceira válvula, a qual estava aplicada ao trator tes-

Sistema Hidráulico: Tipo da bomba hidráulica Vazão máxima da bomba hidráulica - L/min Pressão máxima de trabalho - bar 200 Categoria do levante hidráulico Força máxima de levante no engate - kgf Capacidade de levante a 610mm do engate - kgf Tipo de controle do levante hidráulico Número de VCRs Vazão máxima na VCR - L/min

Pistões Axiais de 45CCM 110 +/- 5 bar III 6000 5800 Eletrônico, com sensores nos braços inferiores 2 ou 3 105


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tado. As válvulas presentes pertencem à série 300 da linha John Deere, que apresentam algumas funções a mais em relação às válvulas da série 100, além de incorporarem as funções básicas de extensão, retração e flutuação (adaptação do implemento ao perfil do solo trabalhado). As válvulas da série 300 possuem a função de fluxo constante, a qual tem aplicação típica para uso em motores hidráulicos diversos e/ou turbinas de vácuo em semeadoras de precisão, e a função chamada de “detente”, que desarma automaticamente a válvula quando o cilindro finaliza o seu curso. A seleção das funções nesse tipo de válvula pode ser feita através de um seletor localizado acima das mesmas, onde ao lado também se localiza o manípulo para a determinação da vazão sob a função de fluxo contínuo.

Sistema hidráulico de três pontos O sistema hidráulico montado neste trator é da Categoria III, com sistema de engate rápido nas extremidades dos

braços inferiores. Embora não tivéssemos utilizado este sistema durante os nossos testes, apreciamos a boa construção mecânica e o excelente controle na cabina, com toque fácil e boa posição da alavanca.

Direção e freios O sistema de direção é hidrostático, sendo que o fluxo de óleo proveniente da bomba hidráulica é direcionado prioritariamente para o sistema de direção com pressão proporcional a carga identificada pelo sensor “Load Sensing”. Este sistema garante um menor esforço para o esterçamento das rodas, mesmo o motor estando em baixa rotação e alto lastro na parte frontal do trator. Os freios que equipam o modelo em questão são de discos imersos em óleo arrefecido e filtrado, com acionamento hidráulico através de um pistão de duplo estágio, com retração automática quando retira-se o pé do pedal, eliminando assim o arraste dos discos e o desgaste prematuro. A medida em que o disco vai desgastando, o siste-

ma ajusta-se automaticamente , garantindo sempre a mesma eficiência de frenagem. Como opção, o modelo pode vir equipado com compressor de ar, com o mesmo sistema de funcionamento e compatibilidade dos equipamentos rodoviários, sendo utilizado na frenagem dos reboques de transbordo ou semireboques de transporte de cana, do interior da lavoura até as estradas secundárias devido ao elevado peso, onde posteriormente são engatados nos cavalos mecânicos.

Pneus e lastragem Originalmente, o peso de embarque do trator aproximase dos 7.500 kg, todavia, utilizando os recursos de lastragem hidráulica (água nos pneus) e/ou metálica (pesos dianteiros e de rodas) o trator pode chegar aos 10.350 kg, peso esse que seria o limite para que não haja o comprometimento do sistema de transmissão, além de não se aumentar demasiadamente o consumo de combustível. O modelo avaliado pesava 9.480 kg, apresentando oito pesos AGRIWORLD 7


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PROVA DE CAMPO RODADOS 6180J TRASEIROS

DIANTEIROS

24.5 - 32 R1

18.4 - 26 R1

30.5L - 32 R1

18.4 - 26 R1

650/75 R32 R1 Radial

480/70 R28 R1W

20.8 - 38 R1 DUPLO

16.9 - 28 R1

20.8-R42 R2 Radial DUPLO

16.9R30 R2 Radial

APLICAÇÃO Semeadura; preparo de solo e transbordo de cana Semeadura e preparo de solo Semeadura; preparo de solo e transbordo de cana Semeadura; preparo de solo solo; cultivo* e pulverização* Arroz irrigado (áreas de baixa sustentação) – semeadura e preparo de solo

* Sem utilização do rodado traseiro externo

dianteiros de 50 kg cada, sendo que cada pneu traseiro apresentava um centro de roda de 205 kg. Além dos pesos adicionados, a lastragem hidráulica ajudava a compor o peso final do trator. Quanto aos rodados, esse modelo possui cinco diferentes combinações, algumas diagonais e outras radiais, sendo que certos pares podem se enquadrar na opção de eixo alongado (três metros). Cada um dos pares é recomendado para determinados tipos de operação, todavia a maior parte se enquadra em mais de uma atividade, facilitando o processo de escolha por parte do usuário.

adaptação do assento aos mais variados perfis de operadores. Nesse sentido, a possibilida-

de de ajuste da coluna de direção também proporciona maior conforto de acordo com as exigências do operador. A presença de coxins de borracha, utilizados na fixação do motor ao chassi e sob a plataforma de operação, minimizam o impacto das vibrações inerentes ao funcionamento do motor, tornando o ambiente operacional bastante confortável. No quesito segurança, o apoio da estrutura de proteção contra capotamento (EPCC) em quatro pontos, tanto na versão cabinada quanto da versão sem

Posição dos comandos de operação no perfil superior horizontal determinados pela Norma NBR ISO 15077.

Cabina O conforto e segurança das plataformas e cabines de operação, característicos da marca, são fatores marcantes no trator testado. Regulagens longitudinais, realizadas pelo deslocamento da estrutura em trilhos e de altura, por pressão de mola, permitem a rápida 10 AGRIWORLD

Posição dos comandos de operação no perfil vertical longitudinal determinados pela Norma NBR ISO 15077.


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cabine, confere maior segurança ao operador em caso de acidentes. A visibilidade do operador também é assegurada na versão cabinada, em parte graças ao posicionamento da plataforma de operação ligeiramente à frente do eixo traseiro. Já a acessibilidade à cabine é facilitada devido à presença de uma escada com múl• 01 Chave de Partida • 02 Chave de luces • 03 Pisca Alerta • 04 Pisca Direscional • 05 Buzina • 06 Intensidade de luz • 07 Luz Auxiliar • 08 Acionamento da TPD • 09 Bloqueio do diferencial • 10 Freio de estacionamento (junto ao cámbio) • 11 Acionamento da TDA • 12 Acelerador manual • 13 Hidráulico: levante e abaixe • 14 Hidráulico: comando 1 • 15 Hidráulico: comando 2 • 16 Hidráulico: comando 3 • 17 Posiçao do hidráulico • 18 Reposta do hidráulico • 19 Alavanca de inversâo de sentido • 20 Alavanca de marchas: velocidades • 21 Alavanca de grupo: A, B, C • 22 Pedal: embragem • 23 Pedal: freio esquerdo • 24 Pedal: freio direito • 25 Pedal: acelerador • 26 Volante de direçâo: centro • 27 Memorizador hidráulico

tiplos degraus (três no total) o que garante maior conforto e evita esforços desnecessários por parte do operador. Ainda no âmbito da acessibilidade, também merece atenção o adequado posicionamento da maior parte dos comandos de operação, ao lado direito do operador em um console único, o que permite a rápida visualização e acesso dos mesmos. Os comandos que devem estar na zona de conforto são os de acionamento frequente, ou seja, acionamento no período de tempo igual ou inferior a 5 minutos. Na zona de acesso devem estar situados os comando de acionamento não frequente. O amplo e bem iluminado painel de instrumentos permite ao operador a visualização das principais informações de funcionamento do motor, além de sinalizar a atuação de sistemas como a tração dianteira auxiliar (TDA),

tomada de potência (TDP), e bloqueio do diferencial, entre outros. Por fim, visando maximizar o bem estar do operador, o ambiente interno da cabina apresenta um eficiente sistema de ar condicionado e calefação, além de adequada vedação, a qual se traduz na redução do nível de ruídos e minimização da entrada de pó e/ou resíduos de pulverização.

Manutenção Quanto à servicibilidade, o modelo chama a atenção pelos detalhes, aliás característica esta, sempre marcante nos tratores John Deere, que vão desde a forma como são dispostos os componentes constituintes dos sistemas complementares do motor, até o capô dianteiro. Este último possui uma ampla abertura, que possibilita fácil acesso ao radiador e filtro de ar, e qualquer outro constituinte AGRIWORLD 11


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PROVA DE CAMPO ESPECIFICAÇÕES GERAIS Capacidade do tanque de combustível Sistema Elétrico: Tensão - V Alternador - A Bateria - Ah

300 litros

12 90 150 Ah "Load Sensing", com vazão Sistema de direção Hidrostática assegurada pela válvula prioritária Sistema De Gerenciamento Agrícola AMS: Opcional (Esperas elétricas para Preparação para Piloto Automático Universal conexão do volante ATU200, antena e monitor) Opcional (ATU200 com Piloto Automático Universal Monitor colorido GreenStar2 2600 ou GreenStar2 1800) SF1 (25cm), SF2 (10cm) Opções de correção de sinal ou RTK* (2,5cm) (*Requer Rádio-base vendido separadamente) Peso máximo com lastro 10350 kg Peso médio de embarque sem lastro EPCC 7195 kg Peso médio de embarque sem lastro CABINE 7477 kg Distância entre eixos 2730 mm Comprimento total com pesos dianteiros 5420 mm e levante hidráulico Largura total do eixo traseiro pinhão curto Ø 93 mm x 2406 mm & cremalheira Largura total do eixo traseiro pinhão longo Ø 93 mm x 2776 mm & cremalheira Altura máxima com pneu standard 2930 mm Bitolas dianteiras (mín/máx) 1426 / 2136 mm Bitolas traseiras (mín/máx) flange NA pinhão & cremalheira Bitolas traseiras (mín/máx) 1588 / 3219 mm Vão livre no centro do eixo dianteiro 520 mm Vão livre na barra de tração 460 mm

externo do motor que necessitar ser feito algum tipo de manutenção, como troca de filtros, tanto do combustível, quanto os óleos lubrificantes e hidráulicos, assim como verificações diárias como nível de óleo do cárter e da água do radiador. A estrutura possui o sistema modular, ou seja, motor e transmissão não são unidos formando uma única es12 AGRIWORLD

trutura rígida, sendo estes fixados a um chassi, que permite que cada módulo seja desmontado para realização da manutenção de forma separada.

Desempenho à campo Utilizou-se um trator do modelo anteriormente descrito e de propriedade da John Deere, o qual está em testes

nesta fazenda, com aproximadamente 2000 horas de funcionamento. O trator foi pesado, resultando as seguintes informações: Distribuição Dianteiro Traseiro Total

Peso (kg) 3640 (38,39%) 5840 (61,61%) 9480

A partir de uma recomendação do fabricante para que a relação massa/potência deva variar, neste modelo, entre 56,64 kg/kW a um máximo de 78,41 kg/kW, este espécime foi configurado para operar com 71,82 kg/kW, em função da lastragem colocada. Para chegar-se a esta relação utilizou-se lastro metálico como descrito e água em ambos os pneus. Para o cálculo da relação cinemática entre o eixo dianteiro e traseiro do trator, foram desenvolvidos procedimentos de avaliação da relação mecânica entre eixos e percurso em pista para medir o raio de cir-


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cunferência, com e sem a tração dianteira conectada, o que resultou em uma relação cinemática de 0,99985 (0%), levemente abaixo dos valores de referência (1 a 5%). Calculou-se a velocidade crítica deste trator, em função das suas características e das condições de lastragem. Considerando que a potência do motor é de 132 kW (180 cv) e o seu peso é de 9480 kg e que a superfície do campo de provas é de solo coberto com resíduos, onde se estima um coeficiente de aderência de 0,6, podemos calcular a velocidade critica deste trator:

Isto significa que este trator utilizando 80% da sua

potência no motor, em um solo com estas condições e este peso somente poderá utilizar toda a sua potência se a velocidade de deslocamento for superior a este valor. Para velocidades abaixo desta referência, deve-se incrementar o pe-

Relação mecânica entre eixos Circunferência de rolamento da roda dianteira com tração conectada Circunferência de rolamento da roda dianteira sem tração conectada Circunferência de rolamento da roda traseira com tração conectada Circunferência de rolamento da roda traseira sem tração conectada Avanço cinemático

1,319891 21,98 21,97 29,02 29,01 0,99985

so, o que consequentemente resultará em um aumento da relação massa/potência. Para a tomada de dados visando a avaliação, instalouse no trator uma instrumentação eletrônica de aquisição de dados, composta de uma central de armazenamento, com um datalogger e suas conexões e sistema de alimentação de energia. Este dispositivo de armazenamento estava ligado a sensores que permitiam medir a velocidade de

deslocamento, a força de tração e o consumo instantâneo de combustível, com aquisição de dados a cada 2 segundos. Após cada dia de trabalho os dados armazenados no datalogger eram descarregados em um computador portátil. De forma suplementar se colocou dentro da cabina do trator um dispositivo de barra de luzes para a orientação do operador dentro da parcela e com indicação de parâmetros operacionais, medidos pela instrumentação. Evidentemente os trabalhos mais complexos foram os de adaptação dos sensores ao trator, principalmente o de medição de consumo de combustível pela existência de retorno do combustível não

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aproveitado pelos bicos injetores. As provas foram realizadas nos dias sete e oito de abril, localizadas na região de Artur Nogueira. As áreas utilizadas para as provas estavam localizadas geograficamente em coordenadas de Latitude 22º33795’ e Longitude 47º07598’ a uma altitude de 597 metros com predomínio de solo de textura média, classificado como Argissolo vermelho Amarelo, com umidade próxima ao ponto de friabilidade (entre 15 e 25%) e com as seguintes características:

lizado para os testes prévios em que se escolheram as marchas e as profundidades para cada um dos dois implementos utilizados. O segundo e o terceiro, bastante homogêneos, foram utilizados para a verificação do desempenho. Foram utilizados dois implementos, um escarificador e uma grade aradora de discos. O mesmo operador foi encarregado de operar o trator durante todos os testes. O trator teve os pneus ajustados para uma pressão proporcional à dimensão dos pneus, o peso com lastro e a

PH CaCl2 5,5

P μg/cm3 15

Matéria orgânica % 1,5

Havia cobertura plena de palha de milho e a declividade média do terreno era de entre 10 e 14%, com terraços dispostos em nível para contenção da enxurrada. Aproveitaram-se os espaços entre terraços para instalar três blocos de testes. O primeiro foi utiDianteiros Traseiros

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K Meq/100cm3 0,09

transferência de peso que seria provocada pelos implementos em tração. Desta forma foram calibrados em 100 kPa (15 lb/pol2) nos pneus traseiros e 80 kPa (12 lb/pol2) para os dianteiros. Como lastragem foram utilizados os seguintes pesos:

8 placas de 50 kg cada sobre um suporte dianteiro de 80 kg Dois discos de 205 kg cada sobre um centro de roda de 160 kg

Foram configuradas duas situações para as provas, para cada implemento. A primeira compunha-se de uma rotação alta, próximo à rotação de potência máxima e uma velocidade de deslocamento mais baixa e a segunda de uma rotação mais reduzida com uma velocidade mais alta. Para a avaliação de ruído foi utilizado um decibilímero marca Instrutherm modelo DEC415 posicionado sobre um tripé de máquina fotográfica a distâncias pré estabelecidas, com o qual tomaramse os resultados indicados nas tabelas na página ao lado. Para avaliar o desempenho do trator se organizou um conjunto de passadas, acompanhando a linha dos terraços, com trajeto aproximado de 90 metros pela largura do implemento. De cada um dos tratamentos adotado se fizeram três repetições, para composição da média. Para as condições de dimensionamento do escarificador em relação ao trator estimou-se que haveria uma condição de superdimensionamento o que se verificou buscando o ponto de imobilização, aumentando-se gradualmente a profundidade de


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Escarificador marca Stara modelo Asa Laser Canavieiro de 5 hastes Grade aradora* marca Tatu Marchesan, modelo GAICR 300, de 22 discos

Rotação do motor 2000 1800

Marcha e velocidade A4 (4,3 a 4,4 km/h) B1 (4,7 a 4,9 km/h)

2000 1800

B4 (7,40 km/h) C1 (8,66 km/h)

* Espaçamento entre discos de 30 cm.

trabalho até que houvesse a parada do trator por ter alcançado o ponto de 100% de patinamento. Feito este proce-

dimento chegou-se ao valor de 52,56 kN como ponto de imobilização. Pode-se concluir que a imobilização se deu por

ESCARIFICADOR Rotação 1800 2000 1800 2000 1800 2000 Ruído de fundo

Marcha B1 A4 B1 A4 B1 A4

Distância (m) 10 10 5 5 Ouvido* Ouvido*

Ruído dB(A) 77,2 78,1 84,2 85,2 70,0 70,7 55,5

falta de aderência, pois mesmo nesta condição limite o motor não “morreu”, o que significa que se fosse aumentada a relação massa/potência se poderia continuar aumentando a profundidade e em função disto a potência requerida pelo implemento. Na condição da grade aradora, mesmo com todas as rodas suspensas e com as boas condições de umidade do terreno, com profundidade de trabalho medida em aproximadamente 14 cm, não haveria possibilidade de avaliar ponto de imobilização, pois o implemento já estava com sua máxima exigência.

* O ruído ao nível do ouvido do operador foi medido a 15 cm, com todas as aberturas fechadas.

GRADE ARADORA Rotação 1800 2000 1800 2000 1800 2000 Ruído de fundo

Marcha C1 B4 C1 B4 C1 B4

Distância (m) 10 10 5 5 Ouvido* Ouvido*

Ruído dB(A) 79,9 73,6 82,7 86,0 71,0 71,6 55,5

* O ruído ao nível do ouvido do operador foi medido a 15 cm, com todas as aberturas fechadas

ESCARIFICADOR

B1 A4

Velocidade Patinamento de deslocamento (%) (km/h) 4,71 7,00% 4,13 7,82%

C1 B4

Velocidade Patinamento de deslocamento (%) (km/h) 8,66 4,62 7,40 2,41

Rotação do motor 1800 2000

Marcha

Consumo de Força de Tração combustível (L/h) (kN) 22,69 20,66

35,79 33,35

Potência em Tração (kW) 46,82 (59,12%) 38,26 (48,31%

GRADE ARADORA Rotação do motor 1800 2000

Marcha

Consumo de Força de Tração combustível (L/h) (kN) 25,88 22,20

24,73 23,75

Potência em Tração (kW) 59,48 (75,10%) 48,82 (61,64%)

AGRIWORLD 15


-JD prueba

25/4/11

15:40

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PROVA DE CAMPO

A equipe de avaliacão foi formada por Alexandre Russini, Fernando Schlosser, Ulisses Frantz e Gustavo Heller do NEMA/UFSM.

Conclusões gerais Durante o trabalho de campo e confirmação pelos dados obtidos, se pode concluir que o trator John Deere modelo 6180J possui torque suficiente no motor para realizar trabalhos de campo, com exigência superior àquelas requeridas pelos implementos utilizados. Os implementos foram insuficientes para proporcionar maiores sobrecargas do motor,

16 AGRIWORLD

necessitando uma melhor adequação do trator ao trabalho (lastragem). Em relação à avaliação ergonômica, boa parte dos comandos avaliados situava-se dentro das zonas ótimas de

acesso, proporcionando um menor esforço por parte do operador. Da mesma forma, pôde constatar que o nível de ruídos ao que operador fica exposto durante a operação situou-se dentro de limites toleráveis. No que tange à eficiência operacional, o reduzido raio de giro promovido pelo esterçamento do eixo dianteiro durante as manobras, também foi outro fator que nos chamou a atenção, promovendo economia de tempo ao longo da jornada de trabalho. Ao final das provas ficou uma nítida sensação de que a transmissão que equipa este trator é um grande diferencial para que se possa obter altas eficiências de campo. A suavidade do comando e o acionamento sem utilização da embreagem fazem deste mecanismo um dos pontos altos deste modelo.❏


Suplemento prova de campo especial JD - edição 4