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Fotos Milla Ma

gnabosco

Entre lentes e pincéis, essa artista plástica e fotógrafa se realiza ao eternizar momentos e transformar através do reaproveitamento de matérias-primas, criando resultados únicos e originais. Autodidata e espiritualizada, já teve obra premiada na Argentina, ministra oficinas de arte e artesanato e tem sido requisitada para ensaios que transbordam sensibilidade e carinho Natural de Cachoeira do Sul, Milla Magnabosco se considera porto-alegrense de coração, já que cresceu e viveu na capital gaúcha até se casar. Mudou-se para Caxias do Sul há quase 23 anos, após conhecer o marido, André, com quem tem três filhos. Aqui ou lá, a arte sempre esteve presente em sua vida, já que puxou a veia criativa e inventiva do lado paterno. Enquanto artista plástica, desenvolve técnicas próprias, dá aulas e oficinas de arte e artesanato para todas as idades, e adora transformar materiais que estão à disposição, e poderiam parar no lixo, em algo que possa ser admirado e se eternize. Com obra premiada em cenário internacional, não se contentou em ficar apenas entre pincéis e tintas. A partir da gestação dos gêmeos, Guilherme e Carolina, começou a aventurar-se na fotografia, fazendo registros da filha mais velha, Mariana. O gosto pelas lentes é o que mais a tem ocupado nos últimos anos, quando captura momentos de amor e convivência em família, mas sem deixar de lado as artes plásticas. Taurina com ascendente em Virgem e lua em Capricórnio, todos signos de terra, se considera enraizada, e crê em energias superiores que a auxiliam. Entre suas exposições destacam-se as que retratam o universo feminino. Sejam mães, gestantes ou “simplesmente mulheres”, aprecia homenagear a força, a versatilidade e a sensibilidade femininas, unindo fotografia e intervenções visuais, como técnicas de decoupage. Autodidata, está sempre estudando, buscando eternizar momentos e compartilhar conhecimentos. Em uma conversa solta no espaço de arte Casa do Meio, onde ministra aulas, Milla fala de sua trajetória e momentos marcantes enquanto artista. Fotógrafa e artista plástica, de onde vem a veia artística? Milla Magnabosco: Vem desde minha infância, sempre gostei de brincar com lápis de cor, aquarela. O lado da família do meu pai tem muito esse dom, da arte misturada com criação. Ele não desenvolveu esse lado, faleceu cedo, mas sempre procurou criar com os materiais que tinha e é assim que faço com as minhas alunas também. Criei um grupo de arte justamente porque queria passar minhas técnicas, porque não somos eternos. Acredito que devemos dividir o nosso dom com as pessoas, acho bem importante.

E como se deu o seu desenvolvimento artístico? Milla: Em 1986 entrei num curso de desenho publicitário, porque na época não se fazia layout pelo computador, era tudo manual, e aí fui aprimorando minhas técnicas, meu gosto pela arte. Um ano depois fiz vestibular para Artes Plásticas na UFRGS, mas acabei não cursando... achava que na faculdade iria passar pintando, mas não é assim, então, quando descobri isso nem iniciei. Em 1989 comecei a namorar o André e, em 1994, vim para Caxias do Sul. Como morei a vida inteira em Porto Alegre, estranhei muito os costumes daqui. Mas fui muito bem recebida. Vim em janeiro, para ver se me adaptava, e casamos em maio. Aqui nasceram meus filhos, a Mariana, o Gui e a Carol. Em 1998, quando engravidei dos gêmeos, ganhei do André uma máquina profissional, que para a época era até um luxo, uma Pentax MZ-50, e passei a me dedicar bastante à fotografia. Fazia fotos da Mariana. Nisso o pessoal começou a conhecer meu trabalho e fiz uns “free” (freelances). Mas aí surgiram muitos alunos na parte de artes plásticas e eu não dava conta, pois queria dar uma atenção para a família, acompanhar os filhos crescendo... o tempo passa muito rápido. Pelo quê você optou, conciliar tudo ou abrir mão de algo? Milla: Continuei. Tinha um atelier no último andar do Magnabosco (loja), onde vendiam materiais e eu dava os cursos. Em 2001 conheci uma técnica com o artista plástico Ale Zanonato de misturar certos elementos no tecido para fazê-lo endurecer. Achei a ideia legal para fazer esculturas, porque eu tinha um problema com a cerâmica, com o barro: não conseguia fazer com que ele não rachasse. De 1996 a 1998 havia feito curso na Ampliatto, e foi quando comecei a desenvolver minhas técnicas, mas a escultura em quadro veio a partir dos ensinamentos do Ale, porque ele deu a receita, como disse, mas a gente iria desenvolvê-la do nosso jeito. Então, desenvolvi minha própria massa para fazer as frutas em relevo que ele ensinava. É como uma receita de bolo, você pode substituir uma farinha normal por uma integral. Gosto até quando falta um ingrediente, pois acho que a vida é assim, é criar, AFRODITE | 33

Afrodite38  
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38ª Edição da Revista Afrodite.

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