Revista Acontece - Setembro 2022

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Qual foi o seu brinquedo favorito?

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Carlos Augusto M. Costa Professor e Profissional de Marketing, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e especialista em Tecnologia da Informação. Empreendeu no segmento de tecnologia por 10 anos e atuou como gerente de Tecnologia da Informação do Shopping Partage Natal por outros 7 anos. Leciona desde 2013 para os cursos de Marketing e Administração. É proprietário da Agência Marketing Mossoró. @ProfessorCarlosAugusto @MktMossoró

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ACONTECE . Setembro 2022

om o dia das crianças chegando, lembro do meu caminhãozinho de madeira, que foi comprado por meu pai em alguma dessas feiras do interior do RN, era o meu brinquedo favorito. Minha filha, quando tinha sete anos, adorava uma ratinha de plástico que custou R$ 2,00. Convido você, então, a fazer uma reflexão sobre crianças, consumo e tecnologia. Será que o gosto das crianças mudou, ou será que elas estão sendo condicionadas a querer brinquedos cada vez mais caros e complexos? Normalmente, as crianças gostam de coisas simples. Entretanto, canais de tv apelam para o consumismo, transformando-as em “consumidoras” cada vez mais jovens. A mídia insere a criança muito cedo na cultura do consumo; alguns autores consideram que isso é parte do processo que vem sendo chamado de “adultização da infância”. Em paralelo a isso, temos, muitas vezes, uma sobrecarga de atividades. É comum observarmos pais exibindo orgulhosamente o quanto seus filhos são precoces; o quanto são maduros, espertos para a idade, extremamente inteligentes e capazes de dar conta da rotina da escola, que por si só já é muito exigente, sem contar as atividades esportivas semanais e os muitos cursos extras. É preciso cautela para não deixarmos passar despercebido que atividades e expectativas além da conta podem colocar em perigo o desenvolvimento emocional deles. No contexto atual, os presentes do dia das crianças são decididos em propagandas de canais infantis. Sabe aquela loja que “ri feliz”? Quando as crianças vão a loja, identificam produtos já vistos exaustivamente em comerciais, repetidos a cada intervalo. Isso é obra da Publicidade (uma perna do Marketing). Vale a regra: quanto mais

visto, mais lembrado, e esse fator será determinante para a escolha no momento da decisão de compra - o que não necessariamente significa que o brinquedo seja um bom produto. Todavia, por ser mais lembrado, ele é, consequentemente, mais desejado. Outra questão de máxima relevância é o “consumo” de telas. Um estudo de 2016 da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, analisou dados de 40.000 crianças americanas com idade entre 2 e 17 anos. A pesquisa nacional de saúde continha informações sobre questões médicas, emocionais, de desenvolvimento, comportamento e hábitos, como o uso diário de mídias digitais. Os resultados mostraram que crianças que passam muito tempo em frente às telas eram duas vezes mais propensas a serem diagnosticadas com ansiedade ou depressão do que aquelas que passavam apenas uma hora por dia. A superexposição da criança a celulares, internet, tablets e televisão está relacionada ao déficit de atenção, atrasos cognitivos, dificuldades de aprendizagem, impulsividade e problemas para lidar com sentimentos como a raiva. Outros problemas comuns seriam: obesidade (porque a criança passa a fazer menos atividade física), privação do sono (quando as crianças usam as tecnologias dentro do quarto) e o risco de dependência por tecnologia. A criança gosta mesmo é de brincar e de ter a atenção dos pais. Isso promove a saúde geral e a segurança emocional. E sabe qual a melhor brincadeira? É aquela da qual nós, pais e mães, participamos. Pode ser jogar com bola de meia, ou desenhar deitado no chão. O essencial é estarmos lá – com o smartphone no silencioso – para que este momento feliz fique registrado para sempre, não nas telas, mas nas mentes e corações.