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Aos leitores de Voz Amiga A todos os Padres Aos nossos Agregados e Agregadas Aos Irmãos e Irmãs Os votos de um Natal Santo, de Paz, Serenidade e de Íntimo encontro com Cristo


Sumário Carta Aberta do Delegado ............................................... Verbo Domini ..................................................................... Ide e fazei discípulos ........................................................ Palavra do Papa ................................................................. Recebi uma carta inesperada ........................................... Notícias do Mundo Sacerdotal ......................................... Padre André no paraíso ..................................................... Um Padre exemplar ............................................................ Uma vida para os padres e para os pobres .................... Obrigado .............................................................................. Notícias das Comunidades ................................................. Centenário Sacerdotal do Fundador ................................

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* * * * * O segredo da alegria sacerdotal Eis portanto o segredo da alegria sacerdotal: a consciência da própria indignidade, o exercício de uma humildade, especialmente interior e prática, que é fundamento e medida da santidade, humildade que Deus premia com uma graça sempre maior, capaz de inundar o coração do Sacerdote de santa Alegria. Esta alegria sacerdotal eu lhe desejo hoje, novo Sacerdote. A desejo a você para que seja contínua e progressiva. Mas por isso seja pequeno, seja humilde, sinta-se indigno de tanto favor. Em modo particular o acompanhe este sentimento do seu nada na sua primeira Santa Missa, que agora continuará. Peça esta graça para você, para os seus Confrades da Pia Sociedade, para todos os Sacerdotes, para todos os que se tornarão um dia. Será a sua humildade no S. Sacrifício que fará descer copiosas graças sobre todos os seus parentes, sobre a Pia Sociedade, sobre as almas sacerdotais pelas quais anela sacrificar-se. A Virgem Imaculada, a Mãe do Sacerdote, o acompanhe ao altar: Ela, que entre os humildes foi a mais humilde e por isso a mais rica de graças, lhe alcance, com a sua onipotência suplicante, de ser cada dia menos indigno Sacerdote do seu Jesus. Amém! (Do discurso de Pe. Mário Venturini, na Primeira Missa de Pe. André)


Carta Aberta do Delegado

Estimados Amigos e Amigas de Voz Amiga, Paz no Senhor! O fiel autor da primeira página desta revistinha mui amiga, pe. Ângelo, com a carta aberta do delegado, a partir de Outubro deixou de ser delegado da Congregação de Jesus Sacerdote no Brasil e foi substituído, por escolha dos co-irmãos, por mim, Pe. Carlos e portanto a caneta para escrever a carta aberta passou para as minhas mãos. Muito agradecemos ao Pe. Ângelo pelo serviço prestado como delegado da Congregação no Brasil e pela colaboração na Revista, mas ele continuará contribuindo, sem dúvida, se não na primeira página, em outras. Estarei assumindo a função de delegado do superior geral, animando as comunidades do Brasil e sendo elo de ligação entre elas e com o superior geral que mora na Itália. Mais um ano... É isso mesmo; é esta a conversa nos lábios de todos: estamos já no mês de Dezembro, passou tudo rapidinho. É espontâneo olhar para trás para avaliar as coisas feitas, lamentar as falhas e agradecer a Deus pelos acertos. Olhando para o passado e projetados para o futuro, caminhamos sempre na esperança de dias e coisas melhores. O que aconteceu neste ano de especial para podermos agradecer a Deus? Nossas três comunidades estiveram sempre empenhadas em viver unidas e acreditamos ter feito o possível para isso acontecer. Fomos fiéis aos nossos encontros intercomunitários mensais que serviram para fortalecer nossos laços fraternos e o nosso ministério sacerdotal. 1


Mais um intercessor... Na Voz Amiga do Dezembro de 2009, foi dedicada a última contra capa ao nosso irmão de Congregação, Pe. André Bortolameotti que completava 90 anos. Neste final de ano ele não está mais conosco. Faleceu no dia 28 de Outubro u.p., após mais de quarenta dias de sofrimento. Porque mais um intercessor? A comunidade paroquial de Nossa Senhora do Rosário em Barretos, onde atuou desde 1984, o considerava um santo pela sua vida de oração, sua simplicidade, pelo amor à Eucaristia e está sepultado dentro da mesma Igreja paroquial. Para nós da Congregação e para a Igreja acreditamos termos mais um intercessor em favor dos sacerdotes junto de Deus e de Pe. Venturini e outros co-irmãos falecidos da Congregação. Jesus disse que para ganhar é preciso perder. Nós “perdemos” um irmão sacerdote da Congregação aqui na terra para ganhar um no céu. Embora sejamos poucos membros na Congregação, somos confiantes que Pe. André intercederá junto de Jesus, Sacerdote eterno para que a nossa Congregação tenha mais vocações e padres santos. Mais uma Congregação... Mais uma? Certamente, porque no dia 07 de Dezembro de 1926 Pe. Venturini fundou a Congregação de Jesus Sacerdote em Cavarzere, perto de Veneza , na Itália. Mais uma numericamente mas sobretudo como dom a mais pela riqueza da Igreja, rezando e trabalhando pela santificação dos padres. É uma Congregação pequena mas desejamos seja um grãozinho capaz de ser uma força dentro da Igreja e de auxilio aos padres: Deus a fará prosperar com a sua graça. Celebramos com gratidão esta data. Mais um sacerdote... Comemoramos também em Outubro o 100º aniversário de ordenação sacerdotal do nosso fundador Pe. Venturini. Mais um sacerdotes, e que sacerdote! Graças a Deus temos nele um grande

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apóstolo do sacerdócio para estimular todos os padres a serem fervorosos no ministério. Mais irmãos/ãs... A Congregação conta também com os agregados, sacerdotes, leigos/as solteiros e casados que abraçam e vivem o mesmo carisma e espiritualidade. No último dia 8 de Dezembro em Marilia, 9 renovaram a promessa de serem agregados externos da Congregação e uma de ser agregada definitiva externa. Outros em Barretos e Osasco renovaram anteriormente e assim podemos sentir a força e a presença dos leigos/as rezando e oferecendo para os sacerdotes. Muito mais ... Muito mais motivos temos, além dos “mais” lembrados acima, para agradecer a Deus pela sua paternal bondade e misericórdia manifestada para com todos nós. O Natal de Jesus que celebraremos é o grande sinal deste amor que está no meio de nós. Faço votos de viverem um Natal de tanta serenidade e paz em vossas casas, vidas e atividades e iniciando um novo ano com as benção de Deus. Um grande abraço fraterno em Cristo Sacerdote.

Pe. Carlos Bozza Delegado

Feliz Natal!!!

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Uma primeira leitura sacerdotal do documento

VERBUM DOMINI O sínodo sobre a Palavra de Deus tinha, no momento de sua celebração, despertado muita atenção, seja pela importância do tema, seja pelas significativas intervenções dos Padres Sinodais. Muitos esperavam que logo saísse o documento pontifício post-sinodal. Só agora temos nas mãos e pode ser que precise de um certo esforço para voltar ao tema e assumir o trabalho, urgente e necessário, que uma vivência e uma pregação da Palavra exige. Esta intervenção quer ser um fraterno convite a todos, aos padres em particular, a assumir esta missão.

Recebemos, finalmente, o documento post-sinodal “Verbum Domini”. Bento XVI o assinava e colocava à disposição da Igreja na data significativa do dia 30 de setembro, memória de São Jerônimo. Era esperado. Muitos até pensavam que estava atrasando demais. Durante o Sínodo se criara na Igreja uma atenção e um interesse particular pela Palavra de Deus. Pelos relatórios e as intervenções dos Padres dava para perceber o destaque que o tema estava assumindo, e como a Igreja queria sempre mais colocar ao centro uma realidade tão rica, preciosa e fundamental pela sua vida e sua missão. Não ignoramos o que já foi feito no passado. Depois do Vaticano II, sobretudo, percebemos que o Espírito criava uma atenção nova e animava a Igreja para um renovado esforço espiritual e pastoral através da Palavra. Mas esta ainda não alcançou aquela centralidade e eficácia, que merece e deve alcançar na Igreja. Esperávamos o documento a curto prazo, aproveitando mesmo da sensibilização do momento. Estamos acostumados ao bombardeio das notícias, continuamente estimulados a prestar atenção à última, para regularmente esquecêla logo depois e passar para outros interesses. Com a Palavra de Deus não pode ser assim. O que teremos que fazer será um esforço para renová-lo e mantê-lo continuamente vivo. È importante que a Palavra ocupe sempre mais seu lugar na nossa vida espiritual e na nossa ação pastoral. 4


Os padres, como sempre, na linha da frente. A Palavra de Deus é para a Igreja. Todos os Cristãos são convidados “a comunicar a alegria que deriva do encontro com a Pessoa de Cristo, Palavra de Deus no meio de nós”, Ele que só tem palavras de vida eterna, para “um mundo que frequentemente pensa Deus como supérfluo e alheio”(DV 2). Como sempre, porém, os padres são os primeiros a assumir o compromisso de acolher com fé e viver a Palavra. É condição indispensável para tornarem-se por sua vez apóstolos e educadores dos fieis. Os ministros do Pão da vida são aqueles que devem, também, partir a Palavra da vida, e “só quem se coloca à escuta da Palavra é que pode, depois, tornar-se anunciador”. A Verbum Domini em vários momentos sente a necessidade de falar diretamente aos padres para destacar o “ministério” específico deles com a Palavra. Antes de tudo se preocupa em incentivar a formação bíblica, para que “o maior número possível de ministros da Palavra de Deus possa oferecer com fruto ao Povo de Deus o alimento das Escrituras, que ilumine o espírito, robusteça as vontades e inflame os corações dos homens no amor de Deus». (45) Numa primeira, rápida leitura do documento, queremos destacar algumas destas passagens. A Palavra de Deus na vida do Padre. Bento XVI não tem receio em apoiar a forte expressão do Sínodo: “A Palavra de Deus é indispensável para formar o coração de um bom pastor, ministro da Palavra». Bispos, presbíteros e diáconos não podem de forma alguma pensar viver a sua vocação e missão sem um decidido e renovado compromisso de santificação, que tem um dos seus pilares no contacto com a Bíblia (78). O bispo terá que dar primeiro o exemplo, e tornar-se primeiro ouvinte da Palavra: entre tantos seus deveres do seu serviço este deve ser o primeiro. O Papa retoma e completa as recomendações da “Pastores dabo vobis”: «Antes de mais, o sacerdote é ministro da Palavra de Deus, é consagrado e enviado a anunciar a todos o Evangelho do Reino, chamando cada homem à obediência da fé e conduzindo os crentes a um conhecimento e comunhão sempre mais profundos do mistério 5


de Deus, revelado e comunicado a nós em Cristo. Por isso, o próprio sacerdote deve ser o primeiro a desenvolver uma grande familiaridade pessoal com a Palavra de Deus: não basta conhecer o aspecto linguístico ou exegético, sem dúvida necessário; é preciso abeirar-se da Palavra com coração dócil e orante, a fim de que ela penetre a fundo nos seus pensamentos e sentimentos e gere nele uma nova mentalidade – “o pensamento de Cristo” (1 Cor 2, 16)». E consequentemente as suas palavras, as suas opções e atitudes devem ser cada vez mais uma transparência, um anúncio e um testemunho do Evangelho; «só “permanecendo” na Palavra, é que o presbítero se tornará perfeito discípulo do Senhor, conhecerá a verdade e será realmente livre».(80). Desde o tempo de formação Será necessário que, desde os anos de teologia no seminário, o aspirante ao Sacerdócio possa sempre mais alimentar sua espiritualidade e seu zelo pastoral no encontro com a Palavra de Deus. “O Sínodo deu particular atenção ao papel decisivo da Palavra de Deus na vida espiritual dos candidatos ao sacerdócio ministerial: «Os candidatos ao sacerdócio devem aprender a amar a Palavra de Deus. Por isso, seja a Escritura a alma da sua formação teológica, evidenciando a circularidade indispensável entre exegese, teologia, espiritualidade e missão». Os aspirantes ao sacerdócio ministerial são chamados a uma profunda relação pessoal com a Palavra de Deus, particularmente na lectio divina, porque é de tal relação que se alimenta a sua vocação: é com a luz e a força da Palavra de Deus que pode ser descoberta, compreendida, amada e seguida a respectiva vocação e levada a cabo a própria missão, alimentando no coração os pensamentos de Deus, de modo que a fé, como resposta à Palavra, se torne o novo critério de juízo e avaliação dos homens e das coisas, dos acontecimentos e dos problemas.”(82) “Estudo e oração” serão as duas condições para fazer que a Palavra de Deus entre eficazmente na vida do padre. Na administração dos Sacramentos Os ministros ordenados são responsáveis da celebração dos sacramentos e da liturgia em geral. O Sínodo quis destacar a relação entre Palavra e

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celebração. Não sempre os fiéis percebem a unidade entre o gesto sacramental e a Palavra. “Exorto os Pastores da Igreja a fazer com que todos os fiéis sejam educados para saborear o sentido profundo da Palavra de Deus que está distribuída ao longo do ano na liturgia, mostrando os mistérios fundamentais da nossa fé. Também disto depende a correta abordagem da Sagrada Escritura. (52) Certamente, a liturgia da Palavra é um elemento decisivo na celebração de cada um dos sacramentos da Igreja; na prática pastoral, porém, nem sempre os fiéis estão conscientes deste vínculo, vendo a unidade entre o gesto e a palavra. É “dever dos sacerdotes e diáconos, sobretudo quando administram os sacramentos, evidenciar a unidade que formam Palavra e Sacramento no ministério da Igreja”.(53) Sobretudo na Eucaristia. Os Padres sinodais indicaram a narração de Lucas sobre os discípulos de Emaús como paradigmática do relacionamento entre a escuta da Palavra de Deus e a fração do Pão. E concluem: “Deve-se ter sempre presente que a Palavra de Deus, lida e proclamada na liturgia pela Igreja, conduz, como se de alguma forma se tratasse da sua própria finalidade, ao sacrifício da aliança e ao banquete da graça, ou seja, à Eucaristia».] Palavra e Eucaristia correspondem-se tão intimamente que não podem ser compreendidas uma sem a outra: a Palavra de Deus faz-Se carne, sacramentalmente, no evento eucarístico. A Eucaristia abre-nos à inteligência da Sagrada Escritura, como esta, por sua vez, ilumina e explica o Mistério eucarístico. Com efeito, sem o reconhecimento da presença real do Senhor na Eucaristia, permanece incompleta a compreensão da Escritura. Por isso, «à palavra de Deus e ao mistério eucarístico a Igreja tributou e quis e estabeleceu que, sempre e em todo o lugar, se tributasse a mesma veneração embora não o mesmo culto.(55) E concluem: “A Palavra da Escritura é verdadeiramente o Corpo de Cristo e o seu Sangue”. (56) A homilia: atualização preciosa e não fácil da Palavra. Não podia faltar na Verbum Domini uma atenção especifica para com a homilia, “parte integral da ação litúrgica” e tarefa não fácil. Os Padres conhecem as exigências que este serviço apresenta, seja em relação à Palavra seja pensando nos seus fiéis. e fiéis (normalmente bastante críticos e insatisfeitos) A necessidade de melhorar sua homilia é sentida (e sofrida) por todo padre consciente da sua importância e de suas dificuldades. O Papa escreve mais uma vez:

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“A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e a eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida. Aquela deve levar à compreensão do mistério que se celebra; convidar para a missão, preparando a assembléia para a profissão de fé, a oração universal e a liturgia eucarística.”(59) O padre é alertado a evitar “homilias genéricas e abstratas” capazes de atrair a atenção para o pregador, mais que para a mensagem do evangelho. “Cristo deve estar ao centro da homilia”, por isso são dadas algumas indicações: “É preciso que os pregadores tenham familiaridade e contacto assíduo com o texto sagrado; preparem-se para a homilia na meditação e na oração, a fim de pregarem com convicção e paixão”. (Ibid.) Os Padres sinodais sugeriram até algumas perguntas que o próprio padre teria que se fazer diante da Palavra: “O que dizem as leituras proclamadas? O que dizem a mim pessoalmente? O que devo dizer à comunidade, tendo em conta a sua situação concreta? (Ibid.) É esta a maneira mais eficaz de deixar-se interpelar pela Palavra que anunciamos. O Papa aceitou o pedido do Sínodo de preparar um “Diretório sobre a homilia”. Não será uma coisa simples para fazer, mas é julgado um subsídio importante para o padre que prega. * * * Apresentei algumas reflexões, fruto de uma leitura rápida e parcial da Verbum Domini. Queria só com isso fazer um convite e, se possível, dar um estímulo a todos, e em particular aos nossos padres, a fazer do documento um estudo mais calmo e meditado. O tema é importante para todos os cristãos, para nossa Igreja e para aquela nova evangelização da qual sentimos tanta necessidade e urgência. Pe. Ângelo Fornari 8


Ecos do III Congresso vocacional

“IDE E FAZEI DISCÍPULOS TODOS OS POVOS” (Mt 28,19) A autora do artigo é uma jovem religiosa das filhas do Coração de Jesus, a nossa congregação-Irmã. Está aprofundando em Roma sua formação de Agente de Pastoral Vocacional. Aproveitando de sua visita ao Brasil, participou do Congresso vocacional e com disponibilidade aceitou de partilhar sua esperiência.

Do dia 3 a 7 de setembro de 2010 foi realizzado o 3° Congresso vocacional do Brasil, com o tema “Discípulos missionários a serviço das vocações”. Eu tive a possibilidade de participar juntamente com 400 pessoas e gostaria de partilhar com vocês a experiência vivida durante o Congresso. A Palava de Deus, que foi proclamada e celebrada com muito entusiasmo e esperança, nos ajudou a aproximar da realidade com muita positividade e nos permitiu a elaboração de propostas e pistas para todos aqueles que trabalham pelas vocações e os ministérios. O Congresso confirmou que o SAV-PV é parte da missão que realizamos em comunhão com a Igreja e à luz do Espírito Santo. No Congresso foi falado da importância de testemunhar a nossa adesão incondicionada a Jesus Cristo e a necessidade de multiplicar a oração ao “Senhor da messe”. O SAV/PV é chamado também a passar por um processo de conversão para ser fiel ao Evangelho e atento aos sinais dos tempos. Como missionários a serviço das vocações, queremos partilhar com mais ardor, desejosos de encontrar sempre o Senhor que nos ama, nos chama e nos envia. No Congresso realizamos três dias de trabalho muito intenso em clima de muita familiaridade e amizade. Para mim foi uma ocasião preciosa de aproximarme das várias realidades da animação vocacional do Brasil, tão diferentes de uma região para outra. Além disso, o mais enriquecedor foi ter tido a possibilidade de conhecer pessoas de várias regiões do Brasil. Os participantes do Congresso eram sacerdotes, religiosos/as e leigos, todos unidos na mesma missão. Os pontos mais sublinhados no Congresso foram: o testemunho do animador vocacional; a formação que deve integrar as ciências teológicas e as ciências humanas para aqueles que desejam dedicar-se a esta missão; a linguagem que deve ser clara, apta às varias realidades juvenis e compreensível para poder trans-

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mitir-lhes a mensagem evangélica e para poder esclarecer o sentido profundo de cada chamado. Sabemos que a leitura da realidade nos permite de ver que estamos inseridos numa dinâmica de mercado que absolutiza a eficiência e a produtividade, sobretudo no âmbito das relações pessoais, sociais e religiosas. As mudanças são rápidas, a novidade infinita; se evidencia uma crise das instituições e uma falta de sentido da vida, em consequência a vida é uma experimentação contínua com novas opções e com o desejo de provar novas possibilidades. É a ética do “depende” e do gosto pessoal, mas aumenta também a sede de Deus, resultado de uma profunda “anemia espiritual”. Diante de uma cultura pluralista podemos ter a sensação de fracasso como se tudo fosse perdido e sem saída ou então ter a tentação de procurar segurança nas respostas do passado, fixando-nos excessivamente nas regras e nas normas. Nós, discípulos missionários, somos chamados a uma atitude de serenidade e de discernimento, abertos aos sinais dos tempos, amparados por uma viva esperança. Mantenhamos a fidelidade no presente e valorizemos a experiência do passado, projetando-nos na construção de um futuro melhor, certamente não sem riscos, mas com audácia e coragem, tendo come suporte a fé em Jesus Cristo. Conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi a coisa melhor que aconteceu na nossa vida e manifestá-lo com as nossas palavras e obras é a nossa alegria. É aquilo que desejamos para que possamos ser hoje e amanhã verdadeiros discípulos missionários a serviço das vocações. Para mim, os três dias de Congresso marcavam a conclusão da minha ida ao Brasil e o meu retorno à Itália. Foi realmente frutuoso em todos os sentidos. Fiquei muito contente de ter participado, como também de ter retornado a minha comunidade em Roma. Ir. Márcia, FCSJ Pe. Reginaldo - assessor da CNBB setor vocacional

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Palavra do Papa aos Padr adrees seus ffilhos ilhos e amigos * Cristo Sacerdote fonte da identidade do padre. O sacerdote encontra sempre, e de modo imutável, a fonte da própria identidade em Cristo Sacerdote. Não é o mundo quem estabelece o seu estatuto, segundo as necessidades e as concepções dos papéis sociais. O sacerdote está marcado pelo sigilo do Sacerdócio de Cristo, para participar na sua função de único Mediador e Redentor. Em virtude deste vínculo fundamental, abre-se ao sacerdote o enorme campo do serviço das almas, para a sua salvação em Cristo e na Igreja. (Palermo, 03/10/2010) * Atenção especial à pastoral juvenil. Queridos sacerdotes, dedicai sempre uma particular atenção também ao mundo juvenil. Como disse [...] o Venerável João Paulo II, abri de par em par as portas das vossas paróquias aos jovens, para que possam abrir as portas da seu coração a Cristo! Que nunca as encontrem fechadas! (Palermo, 03/10/2010) * Empenho pelas vocações à vida consagrada. Perante a diminuição dos membros em muitos Institutos e o seu envelhecimento, evidente em algumas partes do mundo, muitos se interrogam se a vida consagrada seja ainda hoje uma proposta capaz de atrair os jovens e as jovens. Bem sabemos, queridos Bispos, que as várias Famílias religiosas [...] tiveram a sua origem na história, mas a vida consagrada como tal teve origem com o próprio Senhor que escolheu para Si esta forma de vida virgem, pobre e obediente. Por isso a vida consagrada nunca poderá faltar nem morrer na Igreja: foi querida pelo próprio Jesus como parcela irremovível da sua Igreja. Daqui o apelo ao compromisso geral na pastoral vocacional: se a vida consagrada é um bem de toda a Igreja, algo que interessa a todos, também a pastoral que visa promover as vocações à vida consagrada deve ser um empenho sentido por todos: Bispos, sacerdotes, consagrados e leigos. (Aos bispos do Paraná, 05/11/2010)

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* Destinar tempo a estar com Ele. Os vossos dias sejam ritmados pelos tempos da adoração, durante os quais, a exemplo de Jesus, vos detendes em diálogo regenerador com o Pai. Não é fácil manter-se fiéis a estes encontros quotidianos com o Senhor, sobretudo hoje que o ritmo da vida se tornou frenético e as ocupações absorvem sempre mais tempo. Contudo devemos convencer-nos: o momento da oração é fundamental: nela, age com mais eficácia a graça divina, dando fecundidade ao ministério. Temos muitas preocupações, mas se não estamos interiormente em comunhão com Deus nada podemos dar nem sequer aos outros. Devemos destinar o tempo necessário para «estar com Ele» (cf. Mc 3, 14). (Palermo, 03/10/2010) * O seminário, tempo precioso para o futuro do jovem. O Seminário é muito precioso para o vosso futuro, porque, através de uma experiência completa e de um trabalho paciente, conduz-vos a ser pastores de almas e mestres de fé, ministros dos santos mistérios e portadores da caridade de Cristo. Vivei com empenho este tempo de graça e conservai no coração a alegria e o impulso do primeiro momento da chamada e do vosso «sim», quando, respondendo à voz misteriosa de Cristo, fizestes uma mudança decisiva na vossa vida. (Palermo, 03/10/2010) * Aos jovens: coragem de acolher o chamado de Deus! Queridos jovens amigos, só Jesus conhece o «serviço específico» que tem em mente para vós. Sede abertos à sua voz que ressoa no profundo do vosso coração: também agora o seu coração fala ao vosso coração. Cristo precisa de famílias que recordem ao mundo a dignidade do amor humano e a beleza da vida familiar. Ele precisa de homens e mulheres que dediquem a sua vida à nobre tarefa da educação. (Londres, 18/09/2010) * Permanecer com Cristo na oração. Para imitar Cristo, é necessário dedicar um tempo adequado a «permanecer com Ele» e contemplá-lo na intimidade orante do diálogo de coração a coração. Estar frequentemente na presença de Deus, ser homem de oração e de adoração: o Pastor é chamado principalmente a isto. Através da oração, como afirma a Carta aos Hebreus (cf. 9, 11-14), torna-se vítima e altar para a salvação do mundo. A vida do Bispo deve ser uma oblação contínua a Deus para a salvação da sua Igreja, e especialmente para a salvação das almas que lhe foram confiadas. (Aos novos Bispos, 11/09/2010) 12


Um seminarista “recebe” a carta do Papa

RECEBI UMA CARTA INESPERADA Sinto o desejo de participar a todos os leitores de Voz Amiga uma minha alegria particular. No dia 18 de outubro de 2010, recebi uma carta inesperada. Era destinada a todos os Seminaristas, e eu, como seminarista me senti diretamente interessado. O remetente se dirigia a mim com uma proximidade, com uma informalidade e com uma expressão de carinho: “queridos amigos”, expressão de estímulo, de alguém que tem esperança no chamado que Deus me fêz. Sim, este amigo acredita que eu possa realizar com zelo, a missão a qual fui convocado. Percebi que o autor conhece bem a realidade do mundo e seus desafios e quer partilhar comigo,através de sua experiência pessoal, e propor alguns elementos importantes para o meu caminho de formação. Meus olhos foram receber cada palavra que este amigo me dizia, e o entusiasmo apoderou-se de mim. Palavras profundas, que motivam uma vida e iluminam o sentido mais profundo da minha resposta ao chamado de Deus. Se quiser me tornar sacerdote, devo ser primeiramente um homem de Deus, um homem que cultiva uma profunda relação pessoal com o Senhor Jesus vivo na minha vida e na vida do mundo. São chamado a ser mensageiro de Deus aos homens, conduzir a humanidade a uma comunhão com Deus e, com isso, fazer crescer a comunhão dos homens entre si. Mas para que isto aconteça é importante primeiramente que eu aprenda a viver em permanente contato com Deus. Seguindo esta íntima relação com o Senhor sei que me tornarei mais atento aos meus erros e fragilidades, e poderei trabalhar para melhorar e perceber, também, os tantos dons e graças

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que o Senhor tem me cumulado na vida. Se for o Senhor que me conduz o que pode me faltar? Este amigo continua sua mensagem. Esta relação com Deus não pode ser vivida na sua plenitude, fora de uma vida eucarística, centro de toda relação com Deus. E segundo meu amigo é o centro de toda jornada. Através desse convite que Cristo me faz de viver eucaristicamente, ou seja, de viver na sua presença, sinto a necessidade de viver bem esse encontro que se dá também através da liturgia na sua forma concreta. Na liturgia somos formados num espírito de fé e de comunhão universal. O amigo partilha na carta sua experiência pessoal, como a liturgia o ajudou em sua vida: “A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isso foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando”. Outro aspecto importante indicado nesta preciosa carta é a importância do sacramento da Penitência. Através da vivência deste sacramento posso aprender a ver o mundo e as pessoas com os olhos misericordiosos de Deus, e também a ser honesto comigo mesmo, compreendendo os meus próprios limites e exercitando o dom da humildade. É mesmo sentindo amado e perdoado por Deus que encontro estímulo e força para continuar a caminhar rumo ao aperfeiçoamento e santidade. Quando faço este caminho de perdoar a si mesmo, perdôo o outro, quando reconheço minha miséria, me torno mais tolerante com as fraquezas do próximo. Mostrando um interesse particular pela minha formação o Amigo, na sua carta, me alerta: “O tempo de seminário é também e sobretudo tempo de estudo” . No seminário vivemos este compromisso da formação intelectual, em alguns momentos árduo, mas necessário. A fé possui também uma dimensão racional. A verdadeira fé é uma fé operante, viva, procura compreender. Por isso é importate uma formação que saiba dar respostas aos questionamentos de hoje, havendo um diálogo sempre aberto, para não pecar de simplicismo ou cair na rigidês. Com força o amigo insiste na importância dos estudos afirmando que não irei me arrepender. No caminho ao sacerdócio,como ele afirma, é de fundamental importância conhecer em profundidade a Sagrada Escritura, seja o Antigo como o Novo Testamento, como, também, conhecer os Padres da Igreja, a história dos grandes Concílios, aprofundar as questões essenciais da teologia moral, da doutrina

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social católica, com uma abertura ao diálogo ecumênico. Todos estes aspectos são de suma importância para a formação do futuro presbítero e são indicações essenciais que o amigo transmite. Importante, também, são os estudos filosóficos para buscarmos compreender a realidade mais profunda do ser humano, suas angústias e realizações, e principalmente entender o seu desejo do infinito. Aconselha-me de amar o direito canônico, seja na sua forma como na sua expressão prática. Pois o direito é condição do amor. Somos chamados a amar a nossa ciência, a ciência do padre - a Teologia. Fiquei impressionado pela insistência para que eu cure o aspecto humano da minha pessoa. Percebi nas palavras do amigo uma certa tristeza ao falar dos padres que por questões pessoais não souberam integrar e viver com serenidade a condição assumida. Mas percebi também a alegria em relação aos padres que são testemunhas da verdade, homens, que vivem plasmados pela fé, que são felizes na condição de celibatários. Olhando estes padres, que são a maioria, vemos que é possivel chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. O amigo nas sua palavras me ajuda a entender que o sacerdócio não é uma profissão e eu como seminarista não devo buscá-la como tal finalidade. Mas é algo mais profundo, é uma resposta de amor àquele que é o Amor. O seminário deve ser assumido como a escola de Jesus, onde a formadora é Maria Santíssima. Diante desta carta, tão rica em indicações e em paterna comprensão, sinto-me feliz e na necessidade de compartilhar com você, caríssimo leitor, e dizer que este Amigo, já entenderam, é o nosso Papa Bento XVI, que pensa sempre em nós seminaristas e reza por cada um. Até nos convida a rezar por ele, para que possa desempenhar o seu serviço de sucessor de Pedro. A ele, nós seminaristas como filhos e amigos agradecemos por este sinal de carinho, que tem demonstrado a cada um de nós. Nivaldo Moisés Junior

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 PERU: ASSASSINATO UM

de levar a cabo medidas eficazes para a proteção dos jovens, está fazendo todo o possível para comprovar as acusações, para colaborar com as autoridades civis e para entregar à justiça o clero e os religiosos acusados destes crimes”.

SACERDOTE FRANCISCANO

Lima viveu o comovente funeral do Pe. Linán Ruiz Morales, um sacerdote franciscano assassinado junto ao seu assistente, em seu convento, na capital peruana. Os cadáveres foram encontrados com várias facadas. O Pe. Ruiz Morales era de nacionalidade portoriquenha e tinha cerca de 80 anos. Nos últimos anos, dedicou-se em particular aos mais pobres: o refeitório do qual se encarregava servia refeições a 1.200 pessoas, entre crianças e idosos muito carentes, que vinham de diversas partes da cidade.

 PÁROCO É ASSASSINADO NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

Dois homens armados com uniforme militar assassinaram, o sacerdote Christian Bakulene, de Kanyabayonga, em Kivu do Norte, ao leste da República Democrática do Congo. Os assassinos não roubaram nada. Segundo a imprensa local, trata-se de um assassinato premeditado para assustar os sacerdotes que trabalham na região. O presbítero voltava de moto à sua paróquia, com um amigo, quando os dois soldados o bloquearam e um deles atirou no sacerdote várias vezes, sem darlhe tempo sequer para estacionar a moto. O amigo do pároco saiu ileso.

 BENTO XVI SE REÚNE COM GRUPO DE VÍTIMAS DE ABUSOS SEXUAIS

O Papa Bento XVI se encontrou, na nunciatura apostólica de Londres, com um grupo de pessoas vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero. “O Santo Padre - comunica uma nota oficial divulgada pela Santa Sé - se comoveu ouvindo as histórias das vítimas e expressou profunda dor e vergonha pelos seus sofrimentos e de suas famílias.” O Papa “rezou com elas e lhes assegurou que a Igreja Católica, além

 CUBA: INAUGURADO SEMINÁRIO EM HAVANA

O Seminário de São Carlos e Santo Ambrósio foi inaugurado recentemen-

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te em Havana. Bento XVI enviou uma mensagem em que expressa seu desejo de que este centro seja sede “de uma esmerada preparação humana, espiritual e acadêmica dos futuros sacerdotes”. Em uma área de 22 hectares, erguem-se oito prédios que acolherão mais de 100 estudantes. Ali situam-se os cursos de teologia e filosofia, a reitoria, biblioteca, sala magna e capela.  NO NORTE DO LAOS A PRIMEIRA ORDENAÇÃO SACERDOTAL EM 40 ANOS

cente ao primeiro grupo de sacerdotes do movimento de Schönstatt, foi beatificado, na catedral de Munique. Peregrinos de toda a Alemanha e também da Polônia e da República Tcheca, onde a lembrança do sacerdote está muito viva, peregrinaram até a cidade alemã para assistir à beatificação. O Pe. Gerhard Hirschfelder foi proclamado beato como “mártir e testemunha da fé”. O cardeal Meisner destacou que o sacerdote rejeitou a inumana lógica nazista e recordou seu especial compromisso na pastoral juvenil.

O norte do Laos prepara sua primeira ordenação sacerdotal em 40 anos: será celebrada no dia 12 de dezembro deste ano O futuro sacerdote nasceu há 30 anos, na localidade de Phomvan, onde também será sua ordenação. Ele se chama Pierre Buntha Silaphet e compartilha o nome de Buntha com o primeiro sacerdote da região, o Pe. João Bosco Buntha, também da etnia K’hmu’, que foi ordenado em 1970.  BEATIFICADO O SACERDOTE DE SCHOENSTATT GERHARD HIRSCHFELDER

Colaboração: Pe. José Antonio de Sousa Barretos/SP.

O sacerdote martirizado durante o nazismo no campo de concentração de Dachau, Gerhard Hirschfelder, perten-

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Uma notícia não inesperada!

PADRE ANDRÉ COMO TANTO DESEJAVA, CONSEGUI IR PARA O CÉU A sua foi mesmo uma morte esperada e preparada. No dia 28 de outubro, à 2h:20, ele nos deixava. Tinha ficado em agonia durante mais de quarenta dias. A quem o visitava pedia de falar só de Deus e, sobretudo, de rezar com ele: não para sarar, mas para “fazer a vontade de Deus. Tinha clara a consciência de ter concluída sua missão e de estar pronto para o céu. Em dezembro teria atingido a idade de 91 anos. Foi o primeiro da nossa Congregação a chegar ao Brasil, em 1967, para transplantar aqui a nossa pequena família: a Congregação de Jesus Sacerdote. Até a morte trabalhou com generosidade a serviço da Igreja, sobretudo pela santificação dos padres e a for-

mação dos seminaristas. A veneração do povo de Barretos, onde mais exerceu seu serviço sacerdotal, com o seu Bispo e os padres da diocese demonstraram a grande veneração. “Morreu um santo!”: era a afirmação comum. Nós da Congregação de Jesus Sacerdote vivemos com dor sua morte, mas agradecemos a Deus pelo seu exemplo de generosa fidelidade e pela intercessão que, sem dúvida, continuará por todos nós. Voz Amiga perde com ele um colaborador precioso e disponível a dar sua contribuição até o número precedente. Pensamos necessário dar neste número da revista um espaço particular ao acontecimento. A Redação

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Um padre exemplar!!! Dom Edmilson, bispo da Diocese de Barretos, seguiu com paterna atenção os últimos momentos do nosso Pe. André e os acontecimentos, que marcaram a comunidade paroquial do Rosário e a nossa Família. Quis tornar-se presente com esta sua mensagem nas páginas de Voz Amiga.

Tive meu primeiro contato com o Pe. André no dia 31 de janeiro de 2008, quando vim pela primeira vez à diocese de Barretos encontrar-me com o clero, dias depois de ter sido nomeado bispo. Vindo para a diocese pude conviver com Pe. André no presbitério por mais de dois anos. Desde os primeiros momentos pude perceber que não se tratava somente de um presbítero idoso a quem se deve todo o respeito. Pe. André, nestes últimos 26 anos de sua vida, marcara a diocese de Barretos e, de modo particular, a cidade de Barretos, com a sua presença presbiteral. Acredito que, os que conviveram com ele mais que eu, hão de concordar que a força animadora do Pe. André sempre esteve na oração e intimidade com Cristo. Os meus dois últimos encontros com o Pe. André foram marcados pela cena da oração. No primeiro, chamou-me ao hospital para que o dispensasse da recitação do Ofício das Leituras, pois estava com dificuldade para enxergar. No segundo e último encontro, na UTI onde viria a falecer, encontrei-o cheio de dificuldades para respirar, mas recitando sem pausa o rosário. Nos dois encon19


tros o que me pediu foi que fizesse uma oração por ele e o abençoasse. Pe. André é conhecido como o padre que tem como preocupação primeira a cura e salvação das almas. Esta preocupação nunca foi somente “espiritualizante”, pois o seu compromisso evangélico foi sempre do ser humano em todas as suas dimensões. Desta forma, a presença do Pe. André foi marcada pela sua dedicação aos pobres. A pobreza a quem serviu Pe. André atingiu várias dimensões e coube no seu coração presbiteral um cuidado muito especial pela Pastoral Carcerária. A pertença à Congregação de Jesus Sacerdote foi “marca registrada” do Pe. André. A sua presença participativa nos encontros diocesanos do clero e a preocupação com a caminhada espiritual e pastoral dos padres, foram sempre um testemunho de comunhão presbiteral. Seguramente, pela sua idade avançada, estava dispensado destes encontros, mas fazia questão de estar presente. Até mesmo nos momentos de lazer de confraternização do clero, fazia questão de marcar presença. Será inesquecível a sua participação e vivacidade na confraternização do clero que realizamos nas Thermas da cidade de Olímpia. Um dia antes de cair doente, Pe. André esteve presente na reunião geral do clero, última que participou, sempre atento buscando compreender todas as coisas e conversas, pois estava com acentuada dificuldade na audição. A presença do clero da diocese de Barretos nos vários momentos dos dois dias de seu velório, testemunha o reconhecimento desta presença-testemunho em nosso meio. +Edmilson Amador Caetano, O.Cist. Bispo diocesano de Barretos

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Um testemunho fraterno

UMA VIDA PARA OS PADRES E PARA OS POBRES O autor, como colega e companheiro de missão desde o início, quer apresentar aos amigos e aos padres a figura de Pe. André Bortolameotti, sem dúvida modelo de religioso e de padre, que dedicou sua vida toda ao serviço dos irmãos, sobretudo dos irmãos sacerdotes.

Uma morte santa A família religiosa de Jesus Sacerdote está em luto pela morte de Pe. André, acontecida na madrugada de quinta-feira 28 de outubro, na UTI do hospital da Beneficência Portuguesa, em S. José do Rio Preto, distante uns 100 km de Barretos. Fora internado no hospital de Barretros em 15 de setembro. Ao serem descobertos problemas graves no coração, pulmões e rins, foi transferido a S. José do Rio Preto, onde ficou na UTI até a morte, sempre mostrando serenidade, edificando todos os que cuidavam dele ou o visitavam, pedindo que o ajudassem a fazer em tudo a vontade de Deus. Foi assistido com grande atenção e até veneração pelo pessoal do hospital, deixando todos edificados da sua calma e entrega total a Deus. A comunidade de Barretos se desdobrou em assisti-lo. Durante a longa agonia todo dia algum membro da comunidade e agregados iam visitá-lo e todo dia Pe. José Antonio informava também as outras comunidades da Congregação. O seu funeral em Barretos foi uma homenagem extraordinária de devoção e gratidão pelos exemplos de bondade e caridade que sempre demonstrou. Foi velado um dia na catedral da cidade e dois dias na paroquial de Nossa Senhora do Rosário. As duas igrejas ficaram lotadas o tempo todo em que permaneceu nelas. Em sinal de gratidão e de veneração o povo quis que fosse sepultado na sua Igreja paroquial do Rosário, ao lado do altar lateral, perto da entrada da secretaria.

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A sua vida Pe. André Bortolameotti nasceu em 22 de dezembro 1919 em Vigolo Vattaro, uma aldeia distante uns 15 km da cidade de Trento, no Norte da Itália. Ficou órfão de mãe em tenra idade e o pai, muito pobre, sustentava a família cuidando dos cabritos e procurando lenha nos bosques dos montes ao redor da aldeia. O menino, desde a infância, mostrou muita bondade, devoção e desejo de se tornar padre. O pároco o apresentou ao nosso padre Fundador, que, ao chegar em Trento em 1929 tinha aberto o “Pequeno Seminário S. José” para ajudar os meninos pobres, que não conseguiam pagar a mensalidade no seminário diocesano. O aluno André entrou com 12 anos, em 1932. Eu, também, entrei no mesmo pequeno seminário três anos depois e logo notei a piedade, a observância exata do regulamento e o amor ao estudo do aluno Bortolameotti. Lembro que quando PE.Venturini, toda noite, nos pedia o tema da meditação feita na manhã, muitos não lembravam nada, mas André sempre lembrava fielmente. Quatro anos depois, já religioso professo, Frei André foi nomeado prefeito de disciplina da minha turma. Pude admirar mais de perto sua bondade e a conduta de religioso exemplar. O seu exemplo me provou que o instituto de Pe. Venturini formava religiosos de grande valor e me convenceu a entrar no mesmo, embora tivesse entrado com a intenção de ser padre diocesano. O irmão André repetia: “Abraçando esta vocação trabalhamos sobre multiplicadores, orando para suscitar vocações. Ajudando a formação de bons sacerdotes continuemos, depois, a orar para que perseverem no fervor sacerdotal”. Pe. André fez a profissão religiosa em 1938 e foi ordenado Presbítero em 29 de junho de 1943. Era muito estimado pelo Padre Fundador, que o escolheu como confessor. Era, também, mestre de cerimônias nas funções litúrgicas

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solenes. Tarefa que Pe André exercitava sempre com grande devoção e exatidão. Por alguns anos (1956-1961) foi superior da casa de Intra, passou depois, a Tempio Pausânia na Sardenha como diretor espiritual do seminário. Em 1964 o Capítulo Geral o elegeu Assistente do Superior Geral e três anos depois foi encarregado comigo de formar a nossa primeira comunidade no Brasil. Chegamos ao Brasil no dia 20 de dezembro de 1967. Paramos por primeiro tempo em S. Paulo, tomando conta da Igreja da Boa Morte, perto da praça da Sé. Pe. André ficou lá oito anos, atendendo às confissões naquela igreja e na catedral da Sé. Em 1975 voltou para a Itália para se aperfeiçoar nos estudos da Teologia moral. Era seu sonho se formar para cumprir melhor a sua missão de confessor e diretor espiritual à disposição dos padres. Voltou ao Brasil em 1984, quando a Congregação decidiu abrir uma segunda comunidade em Barretos. Foi pároco lá da paróquia Nossa Senhora do Rosário por 16 anos, quando, (superados os 80 anos), foi substituído por um padre mais jovem. Mas continuou como vigário paroquial, trabalhando com zelo admirável, dando exemplo de bondade, espírito de oração, sempre assíduo no serviço ao povo nas confissões. Era procurado como confessor, conselheiro e apoio espiritual por todas as pessoas que o conheciam. E ele nunca recusou sua ajuda, com uma disponibilidade, até aos últimos dias de vida, que deixava todos maravilhados. Os pobres, sobretudo, aproveitavam da sua generosidade e atenção. Era disposto (e fácil) a deixar-se enganar por algum espertalhão, mas não queria corre o risco de deixar faltar ajuda a quem tivesse verdadeira necessidade. Também quando não podia dar dinheiro, sempre dava sua atenção, carinho e paterno interesse. Por 24 anos assistiu os presidiários da cadeia de Barretos, com fraterna atenção e simpliPe. André entre Pe. Pio e a agregada Cecília cidade evangélica. Sabia

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penetrar nos corações com a sua caridade desarmante. Mais vezes houve quem aproveitasse da sua simplicidade e mansidão para humilhá-lo, mas ele nunca perdeu a calma nem mostrou ressentimento: oferecia tudo a Deus. Tinha boa inteligência e também sabia cuidar de negócio materiais. Quando foi na Boa Morte, melhorou a Igreja, recuperou locais inutilizados para serviços úteis. Pároco em Barretos encontrou a Igreja de S. Luis ainda na primeira fase da construção, com muitos sacrifícios conseguiu chegar ao seu acabamento. Instituiu uma obra social a serviço dos doentes de câncer, que dedicou à madre Paulina, oriunda da Itália da sua mesma aldeia. Construiu, com a ajuda de benfeitores da Itália e do Brasil, mais dois Centros pastorais e algumas casas para os pobres. Oferecia a Deus todas as orações, trabalhos, sofrimentos pela Glória de Deus, a santificação do clero e o aumento das vocações. Sempre manso e cheio de ternura, era amado por todos e venerado como um santo. Temos confiança que, do céu, continuará a interceder por nós. Pe. Pio Milpacher

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OBRIGADO Pe. Gianluigi Pastó, superior geral, na missa do enterro assim expressava seu agradecimento.

Antes de tudo a Deus Pai que, através de Giuseppe e Giuditta – pai e mãe – deu a vida a Pe. André em tempos difíceis, de apertos econômicos e de pobreza (a mãe morreu poucos anos após ter dado a vida a Pe. André). Obrigado a Jesus Sacerdote, tanto rezado e invocado durante a vida toda por Pe. André, que tanto cultivou a preciosa devoção ao seu Coração Sacerdotal. Jesus Sacerdote o chamou a fazer parte da Família religiosa dos Filhos de seu Coração sacerdotal, três anos após a chegada em Trento do seu Fundador, Pe. Venturini , com a sua Obra, fundada 5 anos antes em Chioggia (Veneza). Jesus sacerdote revestiu Pe. André do grande dom do Ministério presbiteral, tornando-o por mais de 67 anos sua presença viva na Igreja. Obrigado ao Espírito Santo, que com a sua presença de luz e força fez de Pe. André um apaixonado ministro da misericórdia e da Caridade, doadas a quantos encontrava no seu ministério; que, através da sua presença, fez com que o pão e o vinho se tornassem por mais de 33.000 vezes o Corpo e o Sangue de Jesus no sacramento da Eucaristia. Obrigado a Maria, Mãe do Sacerdote, que, pela sua doçura materna, fez sentir a Pe. André aquela ternura que sua mãe Giuditta não pude doar-lhe e destesta sua experiência filial tornou nosso irmão testemunha e grande missionário. Obrigado à Congregação de Jesus Sacerdote que acolheu o pequeno André, o acompanhou e educou no discernimento vocacional, na formação e na valorização dos seus dons humanos e espirituais (não esqueçamos que por muitos anos foi também o confessor ordinário do próprio Fundador); deulhe responsabilidades nos ministérios específicos da Congregação, seja no

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acompanhamento dos sacerdotes hóspedes, seja na formação dos nossos confrades (foi também meu mestre do noviciado). Obrigado à Comunidade paroquial de Nsa. Senhora do Rosário de Barretos, que com admiração e fé acolheu o zelo apostólico do seu pároco (a presença, o interesse, a aproximação de inúmeras pessoas nestes dias, e de hoje em particular, o está demonstrando), e respondeu com entusiasmo ao seu zelo, dando sempre prioridade à construção de uma verdadeira comunidade-família, ao crescimento na vida espiritual, evangélica dos cristãos, sem esquecer a organização e as construções também materiais; obrigado, também, à Comunidade paroquial pelo seu zeloso cuidado e pela caridade em valorizar a experiência, as intuições e os conselhos do ancião Pe. André nestes últimos seus anos de vida. Obrigado aos confrades da nossa Comunidade religiosa e aos Agregados da Congregação que estiveram perto dele na colaboração, na compreensão fraterna, na disponibilidade em valorizar os seus dons pessoais e carismáticos, na escuta dos seus ensinamentos e na partilha da sua longa experiência de religioso e sacerdote. Obrigado à Igreja particular que vive em Barretos aqui presente com o seu pastor, o Bispo Edmilson, os muitos presbíteros e fiéis da cidade e dadiocese . Obrigado pelo respeito, a acolhida, a escuta, a colaboração e muitas vezes, a devoção filial que tiveram para com Pe. André; obrigado Dom Edmilson pela sua presidência nesta nossa liturgia eucarística.

Último encontro com Dom Pedro Fré

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Obrigado aos muitos amigos – como é difícil enumerá-los...! – que o acolheram na sua casa, que aderiram com disponibilidade às suas iniciativas, ajudaram-no com afeto filial nas necessidades físicas, na assistência hospitalar, mas sobretudo estando-lhe perto, favorecendo-lhe o seu ministério de caridade para com os doentes, os pobres, os encarcerados: sem a vossa presença quanto teria sido bloqueado no seu zelo apostólico! Obrigado por fim a você, Pe. André: obrigado pelo seu exemplo, pela sua contribuição na construção do Reino de Deus, pelo seu ensinamento dado em palavras e com a vida; por ter-se colocado muitas vezes, na primeira fila para arriscar novas iniciativas, novas contribuições para o nosso crescimento; obrigado porque sempre nos lembraste que a única coisa necessária é “salvar-nos a alma”, como você definia o caminho de santidade; porque com o exemplo e a palavra nos ensinaste a pôr o Senhor em primeiro lugar como o nosso Absoluto, como o Esposo da nossa alma. Em uma das suas últimas mensagens, caríssimo Pe. André, você me escrevia: “Temos a certeza de todos nos encontrar no paraíso pela misericórdia de Deus, e então faremos uma grande festa” e continuava: “Espero que o Senhor me receba no paraíso quando ele quiser. Fiz muitas coisas tortas, mas confio na misericórdia de Deus. Com afeto me abençoe”. Hoje nós pedimos a você, Pe. André: do paraíso, aguardando a grande festa anunciada, quando também nós chegaremos lá, dai a sua bênção a mim e a todos nós...

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MARÍLIA MARÍLIA

Na paróquia colabora nas celebrações eucarísticas e visitando os doentes. Com seu jeito amigo e simples logo ganhou a simpatia dos paroquianos e dos amigos da casa. Encontro dos Vocacionados Nos dias 20 e 21 de novembro, aconteceu um encontro vocacional com os jovens que estão sendo acompanhados por nossas comunidades. O encontrou contou com a presença de três jovens que, atendendo ao chamado de Deus, vieram para conhecer nossa congregação. Os padres e aspirantes da comunidade se organizaram para dialogar sobre vário aspectos: a teologia das vocações, o nosso carisma, a pessoa do nosso fundador Pe. Mario Venturini, e algums aspectos da vida em comunidade.

Retiro dos Seminaristas de Ourinhos De 09 a 11 de outubro ocorreu em casa o retiro dos seminaristas da Diocese de Ourinhos, sendo 14 seminaristas entre propedêuticos, filósofos e teólogos. Padre Carlos acompanhou os retirantes com momentos de pregação, deserto, celebrações eucarísticas e atendendo-os individualmente. Foi gratificante perceber a alegria e satisfação na vida daqueles irmãos que se renovavam espiritualmente para seguirem firmes em sua vocação.

Houve também um momento com a Ir. Rosecler FCSJ e a Agregada Luciana Pereira para mostrar aos jovens as ramificações de nossa família religiosa. Rezemos para que o Senhor acompanhe estes jovens e a semente colocada no coração deles possa crescer e frutificar.

Presença de Pe. Francisco. Nossa Comunidade, desde setembro, acolhe Pe. Francisco da Diocese de Barretos. Para nós é sempre motivo de alegria poder abrir as portas a um irmão no ministério. Em nossa comunidade se colocou logo à disposição organizando melhor os livros da biblioteca.

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Retiro dos Agregados. Entre 13 a 15 de novembro, aconteceu em casa mais um Retiro dos nossos Agregados. Estavam presentes os Agregados dos três núcleos, totalizando 35 pessoas. O tema foi “A Eucaristia”. Pe. Ângelo deu uma bela e emocionada formação a respeito da Eucaristia, levando a todos a amar ainda mais o Cristo Eucarístico e a sentir a necessidade de encontrá-lo mais vezes na missa e no sacrário. Foram dias intensos de experiência, desertos e orações. Tínhamos vivos a lembrança e os exemplos de Pe. André, que pela primeira vez não participou fisicamente conosco do retiro,

mas sabemos que intercedia por nós do céu. Tivemos também a oportunidade de aprender a meditar a Palavra de Deus através da “Leitura Orante, ajudados pelos dois jovens noviços da Congregação. Foi muito gostoso saborear o que Deus queria nos dizer seguindo os quatro passos propostos por este método. No último dia celebramos a Santa Missa e acompanhamos a gravação da voz de mais uma exortação do Fundador, nos fazendo conhecer um pouco mais a sua espiritualidade.

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BARRETOS

messas e alguns fizeram as Promessas Definitivas. Uma celebração muito bonita e bem preparada. Ao final uma pequena confraternização para destacar também, a Festa de Maria Mãe do Sacerdote. Festa Nossa Senhora do Rosário. No dia 07 de Outubro o calendário litúrgico marcava a memória de N. S. do Rosário. Para a nossa paróquia em Barretos, padroeira da paróquia foi ocasião para festejarmos a Padroeira. Sendo dia de semana, houve apenas duas missas: uma às 15 horas para pessoas idosas e enfermas, presidida pelo nosso bispo Dom Edmilson, às 20 horas, presidida pelo pároco Pe. José Anto-

Os Agregados crescem. No dia 15 de Setembro na capela de nossa casa com a Celebração Eucarística presidida por Pe. José Antonio, (estava prevista com o nosso saudoso Pe. André, hospitalizado no mesmo dia) vários agregados renovaram as Pro-

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nio, com pouca participação de pessoas. Não foi possível fazer a procissão, devido a forte chuva e tempestade que caiu sobre a cidade de Barretos,.

sado por uma forte pneumonia. Internado desde o dia 15 de setembro, Pe. André faleceu na cidade de São José do Rio Preto, no Hospital Beneficência Portuguesa. Seu corpo foi velado na Catedral de Barretos, por quase um dia inteiro, enquanto se preparava o seu túmulo na igreja do Rosário. Depois por mais de um dia inteiro ainda foi velado na igreja do Rosário, onde foi pároco por dezesseis anos e, depois, continuou até sua morte, como vigário paroquial. Seu velório e o enterro, presidido pelo nosso Bispo e acompanhado por muitos padres da diocese, foi um reconhecimento significativo de sua vida e de sua missão.

Viagem de Pe. Mário pra a Itália. De 15 de Agosto à 15 de Outubro, Pe. Mário foi visitar sua terra natal: a Itália. Reviu os confrades de quase todas as comunidades, fez retiro espiritual, visitou amigos e benfeitores. Teve também a ocasião de encontrar-se com sua única irmã de 86 anos de idade, que vive num asilo. Ficou sozinha. Toda a semana em Trento passa um dia com a nossa comunidade de Trento. Pe. Mário voltou da Itália satisfeito e descansado, não obstante o deságio da viagem, que para Pe. Mário pesa bastante.

Presença do Superior Geral. O nosso superior geral, Pe. Gian Luigi Pastò, fez questão de vir da Itália para os funerais de Pe. André. Sua presença foi muito significativa entre nós, uma presença amiga e paterna que muito nos ajudou. Permaneceu em nossa comunidade até a Missa de sétimo dia de Pe. André. Teve que retornar logo para a Itália, mas estará entre breve entre nós, em janeiro próximo, para uma visita as nossas três comunidades brasileiras.

Morte de Pe. André. No dia 28 de Outubro, nossa Comunidade de Barretos experimentou a visita do Senhor na vida de Pe. André depois de um longo período de sofrimento, cau-

Saúde de Pe. Mário. Pe. Mário, nos dias que faleceu Pe. André, teve a saúde abalada pela anemia e vários distúrbios. Foi convencido a passar um período de convalescência na Cidade de Maria, na Casa das Pequenas Missionárias Eucarísticas. Estas Irmãs amigas ementação, um ponto fraco para o nosso Irmão. Parece estar bem melhor, embora ainda continue pelos seus reumatismos endêmicos. Rezemos por ele.

Túmulo de Pe. André

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09 de novembro. Foi para eles uma experiência nova de oração e de retiro. Havia duas colocações por dia, uma na parte da manhã e outra na parte da noite, e no final da tarde havia a Santa Missa. Todo o OSASCO ambiente e a casa ajudam a criar um clima de silêncio, de oração Notícias do Noviciado. Os dois e de encontro pessoal com Deus. jovens continuam bem a caminhada de Trabalhos na Nova Igreja. Conformação. Participaram de uma sema- tinuam os trabalhos para a construção na de Novinter em Vinhedo nos dias 25 da Igreja de Jesus Sacerdote. Já foram a 29 de outubro, que teve como tema: colocadas as portas de ferro e assenta“A teologia dos votos” e como assessor dos o piso da nave central da Igreja. O Pe. Luís G. Quevedo, SJ. Infelizmente mármore para o presbitério já chegou e na madrugada do dia 28, fomos surpre- logo será assentado. Recebemos o cruendido pelo telefonema de Pe. José An- cifixo artístico em madeira, encomendatonio, avisando da morte do nosso esti- do em julho a um escultor de Ortisei (Itámado co-irmão Pe. André. Logo pela lia). Foi doado por um Padre amigo do manhã decidimos deixar o Novinter, para Brasil. Graças a Deus muitas pessoas ficar mais perto da comunidade de generosas têm ajudado com ofertas para Barretos neste momento tão difícil. a construção da nova Igreja. Mas ainda Os mesmos noviços participaram há muito que fazer e confiamos na Divido retiro para noviços em Itaici de 01 a na Providência para o futuro. Nivaldo: fim do semestre. Nivaldo, que voltou à nossa Comunidade depois de uma experiência de dois anos fora, está concluindo contente o semestre escolar e, com isso, segundo ano de Teologia. Pretende fazer um retiro de oito dias em Itaici no começo de dezembro, preparando-se a retomar os votos. Mostra-se contente em retomar sua caminhada e continuar rumo ao sacerdócio.

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A Voz dos Agregados

Centenário de Sacerdócio do Fundador manha tão rica de espiritualidade e informações. Toda esta mesa redonda foi transmitida ao vivo pela televisão católica “Telepace”. Ao fim da mesa redonda, várias pessoas foram entrevistadas ao vivo como o Pe. Gianluigi, Pe. Mário Revolti, etc. O almoço festivo foi oferecido no Centro de Espiritualidade diocesano Às 16 horas foi a vez da celebração da Ordenação Presbiteral do nosso irmão Roberto Raschetti. Numerosos foram os padres presentes na ordenação. Afilem dos nossos padres estavam também vários padres da Diocese de Chioggia e amigos da nossa família religiosa. Durante a celebração tivemos também uma “teofania” como o próprio bispo chamou. Uma grande ventania com chuva de pedra. Queremos acreditar que Deus quis marcar a sua presença no meio de nós. Pe. Costante

Tivemos a graça e a alegria de participar, em nome de nossa Família Brasileira , às celebrações dos 100 anos de Ordenação Sacerdotal do fundador, eu como Agregado interno e três Agregadas externas brasileiras: Luciana, Isabel e Rosalva, que integravam nossa pequena comissão. As sete da manhã dia 28 de agosto, no mesmo dia de aniversário da Ordenação de Pe. Venturini, saimos de ônibus , de Zevio para Chioggia. Estavam presentes amigos, Padres, Irmãs, Agregados que vieram um pouco de todos os lugares.Estava presente também o “noivo”, o nosso irmão Roberto, muito feliz. Foram duas horas de estrada. Chegando a Chioggia n. Fomos todos diretos para a Igreja de São Domingos onde às dez horas estava programado um momento de oração e uma mesa redonda com o Superior Geral, Pe. Gianluigi, como moderador. Pe. Márcio leu a primeira relatório preparado por Pe. Gianantonio (ausente porque adoentado) mas mandou a sua relação. O tema que desenvolveu foi a pessoa de Pe. Mário Venturini até o dia 7 de março de 1912. Em seguida Pe. Albino Finotto continuou a apresentação da pessoa do Pe. Mário após o dia sete e a sua convivência com o Fundador. Terminou a mesa redonda a Madre geral das nossas Irmãs, Ir. Giustina, apresentando a jovem Lourença de Rorai e o surgimento do Instituto feminino das Filhas do Coração Sacerdotal de Jesus. A Hora Média, presidida pelo Bispo Diocesano de Chioggia, encerrou esta

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Subsídio para rezar

COMO MARIA, DISCIPULOS DE JESUS

O

tempo do Advento é o mais apro priado e privilegiado para admirar Maria, aquela que aguardava o nascimento de Jesus Salvador. A pura, sem pecado, preparada por Deus para tão sublime missão, quero honrar e admirar neste momento de reflexão. Ponho-me em atitude de escuta da Palavra. Amigo da Voz Amiga, a Congregação de Jesus Sacerdote, seguindo seu fundador Pe. Venturini, celebra com muito carinho a festa de Maria Imaculada. Este subsidio ajudará na meditação e reflexão olhando para a Mãe de Jesus. Evangelho de Lucas (1, 26-34) Quando Isabel estava no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia , chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem de nome José, da casa de Davi. A virgem se chamava Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse:” Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo”. Ela ficou muito confusa com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. O anjo, então, disse:”Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto de Deus. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó, e o seu reino não terá fim”. Maria, então, perguntou ao anjo:”Como acontecerá isso, já que não convivo com um homem?”

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Oração Ó Virgem santíssima, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja, contigo damos graças a Deus, pela sublime vocação e pela grande missão dos que são chamados pelo nome a viver em comunhão de amor e de santidade com Deus, enviados a irradiar a luz de Cristo e a comunicar o fogo do Espírito pela vida cristã.Tu que foste a “serva do Senhor”, dá-nos a mesma disponibilidade para o serviço de Deus e pela salvação do mundo.Virgem corajosa, ensina-nos a tratar as realidades do mundo com responsabilidade cristã. Virgem Mãe, guia-nos e sustenta-nos para que vivamos sempre como autênticos filhos e filhas da Igreja de Jesus e possamos contribuir a estabelecer sobre a terra o amor e a pazPara a glória de Deus. Amém! Invoco a Maria Maria, mulher acolhedora, faze-nos alegre na acolhida. Maria, mulher missionária, ajuda-nos a percorrer os caminhos do mundo. Mãe atenciosa, ajuda-nos a ver os irmãos com a luz do Ressuscitado. Maria, mulher do pão, dá-nos o desejo de repartir nossos dons. Maria, mulher do silencio, faze-nos capazes de acolher Jesus e sua Palavra. Rezo uma dezena do Terço, colocando uma intenção: pela santificação dos sacerdotes. Medito o Evangelho de Lucas (1, 35-38) O anjo respondeu: “O Espírito Santo descerá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice. Este já é o sexto mês daquela que era chamada estéril, pois para Deus nada é impossível”. Maria disse:”Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua

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palavra”. E o anjo retirou-se. Com Maria, permaneço na escuta da Palavra, mergulhado na oração e no silêncio para fazer com ela a experiência que dá a vida. Com Maria quero eu também dizer: “eis-me aqui”, para uma entrega à ação de Deus e colaborar com o Espírito que molda em mim os traços da beleza de Cristo. Entrego a Maria a minha oração e a minha vida, para que ela me acompanhe e me ensine a imita-la no coração e nos gestos. Rezo assim: Santa Maria, nossa Mãe, solidária com Isabel, ajuda-me a ser pessoa de esperança que é a arte de transformar, que a leve aos irmãos que vivem na fragilidade, no sofrimento. Santa Maria, pura e simples de coração, ajuda-me a ser humilde no caminho como membro da Igreja. Santa Maria, concede-me a pobreza e pureza de coração para poder perdoar. Rezo a Maria Imaculada com a oração da Congregação de JesuSSacerdote: Reunidos diante de vós, ó Maria, Virgem Imaculada, com alegria vos proclamamos “Mãe do Sacerdote “ e invocamos vosso auxílio. Vós sois a Mãe de Cristo, único e eterno Sacerdote, fonte e pleni-

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tude do Sacerdócio para todo o povo de Deus. A vossa divina maternidade chamou-vos perto da cruz, para unir-vos, de forma singular, à oferta imaculada que Cristo vosso Filho fez ao Pai. Naquela hora suprema Jesus vos confiou, no discípulo João, em particular os ministros sagrados. Por isso, invocando-vos como Mãe do Sacerdote, vos pedimos acolher no vosso coração os ministros da Igreja e dar toda proteção. Mostrai-vos mãe a todos os padres: confirmai no amor os fervorosos, consolai os atribulados, dai novo fervor aos cansados, ficai perto daqueles que têm o coração ferido, para que todos permaneçam junto ao Coração Sacerdotal do vosso Filho ou voltem para ele. Acompanhai os que deixam o ministério, para que continuem a crer no seu amor. Guardai perto de vós aqueles que Jesus sacerdote chamou e irá chamar para fazer parte do seu pequeno rebanho: formaios nas características virtudes sacerdotais, para que - a exemplo de João -possam viver em comunhão profunda com Jesus e convosco. Intercedei, enfim, ó Mãe de misericórdia, para que todos os padres, sustentados até o fim pela vossa ajuda, cantem eternamente convosco o hino de louvor na Liturgia do céu. Amém. Pai Nosso...Ave Maria.. Glória ao Pai... Concluo rezando Ó Deus, quisestes que ao anúncio do anjo a Virgem imaculada, a bendita entre as mulheres, concebesse o vosso Verbo eterno, e envolta pela luz do Espírito Santo se tornasse templo da nova aliança: fazei que acolhamos a vossa vontade, como a Virgem si entregou à vossa palavra. Por Cristo nosso Senhor. Amém!

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Obrigado, Pe. AndrĂŠ!!!

Revista Voz Amiga - Ano 2010 - Edição 04  

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