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EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

SOMOS O QUE

EM VOLTA DO FOGÃO

FOMOS O passado ainda existe, mesmo que não aparente. É ele quem decide, o jeito nosso de ser gente.

QUEM É QUEM

COMPADRE JORGE

NO 10

JUNHO 2012

REVISTA DE REMINISCÊNCIAS E ATUALIDADES, PARA RECORDAR... E VIVER!

R$ 2,00


MÃES DE ANTIGAMENTE (autor desconhecido)

Nossa homenagem e reverência àquelas mães que tiveram que educar sua "escadinha" de filhos e cuidar da casa com muita dedicação e trabalho, numa época de poucos recursos tecnológicos e muitos valores morais. Numa linguagem própria e peculiar, hoje condenada pelos educadores e psicólogos, elas iam nos passando, na correria do seu dia-a-dia, algumas mensagens subliminares, aparentemente absurdas e desconexas, mas que, mesmo não sendo prontamente atendidas, eram geralmente "muito bem entendidas". Parece que deu certo... Não fomos "santos" na nossa juventude, aprontamos bastante, mas tínhamos um limite, Eu, por exemplo, aprendi muito com algumas dessas "mensagens"... Minha mãe me ensinou...

Minha mãe me ensinou...

a VALORIZAR O SORRISO, quando dizia: "Me responde de novo e eu te arrebento os dentes!"

GENÉTICA, quando dizia: "Você é igualzinho o seu pai..."

RETIDÃO, quando dizia: "Eu te ajeito nem que seja na pancada"

sobre as minhas RAÍZES, quando dizia: "Tá pensando que nasceu de família rica é...???"

a VALORIZAR O TRABALHO DOS OUTROS, quando dizia: "Se você e o seu irmão querem se matar, vão lá pra fora. Eu acabei de limpar a casa!"

a PENSAR NO FUTURO, quando dizia: "Quando tiver a minha idade você vai entender..."

LÓGICA E HIERARQUIA, quando dizia: "Porque eu digo que é assim! Ponto final. Quem é que manda aqui?" o que é MOTIVAÇÃO, quando dizia: "Continua chorando que eu vou te dar um bom motivo pra você chorar de verdade"

o sentido de JUSTIÇA, quando dizia: "Um dia você vai ter seus filhos e eu espero que eles façam pra você o mesmo que você faz pra mim" RELIGIÃO, quando dizia: "É bom rezar para essa mancha sair do tapete..." o BEIJO DE ESQUIMÓ, quando dizia: "Se rabiscar de novo, eu esfrego seu nariz na parede!"

Minha mãe me ensinou...

Minha mãe me ensinou...

o que é CONTRADIÇÃO, quando dizia: "Fecha a boca e come!"

CONTORCIONISMO, quando dizia: "Olha só essa orelha! Que nojo..."

sobre ANTECIPAÇÃO, quando dizia: "Espera só até o seu pai chegar..."

DETERMINAÇÃO, quando dizia: "Vai ficar aí sentado até comer toda essa comida!"

TER PACIÊNCIA, quando dizia: "Calma... Quando chegarmos em casa você vai ver só..."

TÉCNICAS DE VENTRÍLOQUO, quando dizia: "Não resmungue! Cala a boca e me diga por que é que fez isso?"

ENFRENTAR DESAFIOS, quando dizia: "Olhe pra mim! Me responda quando eu te fizer uma pergunta!"

o PESO DA IDADE, quando dizia: "Você que é maior é que tem que parar!"

o RACIOCÍNIO LÓGICO, quando dizia: "Se você cair dessa árvore, vai quebrar o pescoço e eu ainda vou te dar uma surra"

a ESCUTAR, quando dizia: "Se você não abaixar esse volume eu vou aí e arrebento esse rádio!"

sobre o REINO ANIMAL, quando dizia: "Se você não comer essas verduras, os bichos da sua barriga vão comer você!"

a ter GOSTO PELOS ESTUDOS, quando dizia: "Se a hora que eu for aí você ainda não tiver terminado essa lição, você já sabe..."


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EXPEDIENTE Projeto Editorial e Comercialização XARAMIX - Asses. Mkt. e Comunicão Edição, Diagramação e Artes Byron A. Freire Jr. " Xará " Colaboraram nesta edição Alberto Marino, Antônio Leite Netto, Cidinha Ayres Freire, Compadre Jorge, Fernando Baldy, Hélcio Gomes de Abreu, José Araújo (Dodito), Juracy R. Soares, Manoel Júlio da Costa, Marcelo Rogick Pacheco, Marco Antônio F. Gomes, Marinaldo Cruz Filho, Neyde A. Marciano, Nilze Ayres Mucci, Osmar de Nicola Filho, Paulo A. Freire, Raymundo G. Abreu, Vanete Corrêa, Veridiana Domingues Freire, Virgílio Damásio, Wilma Hirata. Jornalista Responsável Marinaldo Cruz Filho Periodicidade "Conjuntural" Tiragem 1.000 exemplares Distribuição Piedade, Sorocaba, Ibiúna e assinantes de outras cidades Impressão Piegraf DIREITOS

Olá amigos! Tirando o 1, o 4 e o 7, todos os outros números têm alguma coisa de redondo, mas o 10, seja por convenção ou por estar sempre à(s) mão(s), é especial. Cronologicamente, a chegada a ele (e seus múltiplos) não dá para passar desapercebida e, na maioria das vezes, deixar de ser comemorada. Discursos de agradecimentos e o reconhecimento dos méritos geralmente fazem parte dessas comemorações, então, como esta é a edição de número 10 da nossa revista, ou do nosso jornalzinho, REMEMBER, vamos a eles: Meu agradecimento e reconhecimento... aos amigos e amigas daqueles maravilhosos anos dourados em Piedade, representados pelos meus "irmãos" Adilson, Gil e Márcio, que não puderam esperar pelos nossos reencontros, pela inspiração; aos membros da Turma Remember Piedade 60, representados pelo Célio, Fio e Iraydes, Getúlio e Renato, que estiveram comigo na nossa primeira reunião-encontro no dia 6 de junho de 2007, há exatos e meio redondos cinco anos, pelas palavras e e.mails de incentivo; aos colaboradores cujos nomes façam parte (ou não) do Expediente desta e das edições anteriores, representados pelos amigos Botuquinha, Compadre Jorge, Marinaldo, Neyde Marciano, Osmarzinho e meu irmão Paulinho, pelos textos, revisões e respostas às minhas frequentes consultas;

As datas e outras referências históricas são passíveis de correções, às quais antecipadamente agradecemos.

aos anunciantes e patrocinadores desta e das edições anteriores, representados pelos empresários, e amigos, Alberto (Albemar), Bernardo (Rede Lar), Bub (Contábil), Gilmar (GV Veículos), Hideki (Objetivo), Marcel (Pousada Rec. Primavera), Renato (Posto Cesar), Rodrigo (Bebidas Brand), Sérgio Pires (SP Financiamentos), Wanderley (Despachante), pela confiança e apoio financeiro por cinco edições consecutivas;

A cópia e reprodução do conteúdo da Revista Remember são autorizadas para uso não comercial, desde que dado o devido crédito à publicação e aos autores. Para reprodução com fins comerciais, entre em contato.

e finalmente, aos nossos leitores, cuja fidelidade, além do agradecimento, retribuímos com esta edição que pela quantidade de páginas (28), de fotos históricas (21), de personagens e de pesquisas demandadas consideramos especial.

As fotos antigas que compõe esta edição são de autores desconhecidos e foram obtidas através de e.mails, na internet e/ou doações pessoais.

As opiniões e informações emitidas em matérias e textos assinados são de responsabilidade dos seus autores. CONTATOS REVISTA REMEMBER Cartas R. Benjamin da S. Baldy, 1.150 18170-000 - Piedade SP Telefones (15) 3244.2548 - 9781.6502 E.mail revista.remember@gmail.com

TURMA REMEMBER PIEDADE 60 DIRETORIA EXECUTIVA 2011 / 2012 Presidente: Dayton Andréa daytonremember@hotmail.com Vice-Presidente: Ricardo Godinho rilogo@gmail.com Secretário: Cherubim de Camargo cheivo@ig.com.br Tesoureiro: Oswald Konrad "Bub" bubkonrad@hotmail.com CONSELHO DELIBERATIVO Presidente: XARÁ xara@remember.net.br Secretário: Osmarzinho de Nicola osmardenicolafilho@yahoo.com.br

Mas chega de discurso e vamos ao que interessa. Depois de escolher por onde você vai começar, coloque o fundo musical adequado e pode dar a primeira lambidinha no dedo... O EDITOR xara.xaramix@gmail.com

Papo Firme ................................................................................................................... Boletim Informativo da "Turma Remember 60" ......................................................... Em algum lugar do passado R. Porther entrevista dona Theodora ........................... Marketing - Construindo Bons Relacionamentos ......................................................... Compadre Jorge, com as "confissões" de Neyde Marciano e Paulinho Freire ............. 1956 - O Ano de Ouro do Futebol de Piedade: PFC no Campeonato Regional Amador ............................................................ 1° Campeonato Municipal no Estádio Lino de Mattos ....................................... O Ano de Prata (1945) ...................................................................................... FHC - Farpas, Humor e Curiosidades, por Paulo A. Freire ............................................ Em volta do fogão, com o "causo" da Procissão das Almas ........................................ Ginástica Mental, com novos problemas e respostas da edição anterior..................... Quem é quem na edição anterior, com os nomes dos personagens do Carnaval ...

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Papo Firme Mensagens recebidas dos leitores, com comentários e eventuais correções referente às edições anteriores, sugestões de temas para as próximas, informação e localização de velhos amigos e consultas sobre a história de Piedade. Para falar com o editor ou colaboradores da Revista Remember, mande seu e.mail para revista.remember@gmail.com ou carta tradicional para Rua Benjamin da Silveira Baldy, 1.150 - CEP 18170-000 Piedade SP. Não esqueça de colocar seu nome completo, apelido (se tiver), profissão ou atividade e a cidade onde mora!

Sua revista já chegou em Floripa...!!! A recebemos pelas mãos da dona Lála, mãe da Eliane, e ficamos recordando tantos fatos e fotos da época. Foi uma viagem ao tempo. Minha mãe, Maria Aparecida Machado de Souza, foi para Piedade muito nova, depois que perdeu a sua mãe. Era uma família com quatro irmãos e um pai muito amoroso, sr. José Câncio Machado Junior - militar carioca que adotou essa cidade pitoresca como sua. Seus irmãos, conhecidos da terrinha: Clóvis Meira Machado (Fiscal da Fazenda) e Cláudio Meira Machado (do DER). Ela mora há muito em Florianópolis e gostaria de saber se é possível ter a assinatura de revista e como fazê-la. Rosana Machado de Souza (Florianópolis) Estamos ansiosos pela chegada do "nosso" jornal. Não resisti à curiosidade e já dei uma "olhada" pela internet. Mais uma vez parabéns.Você não pode simplesmente chamá-lo de "jornalzinho". É muito pouco pela imensidão de emoções, alegria e conhecimento que o jornal Remember nos oferece. Márcia Costa Albuquerque, membro RMB-60 (Franca) A edição n° 09 proporciona prazeroso entretenimento ao leitor e desperta muitas lembranças dos eventos culturais e históricos ocorridos na cidade presépio e que ainda estão retidos em nossa memória afetiva. Piedade dispõe de um veio aurífero inesgotável de motivos e caberá a você, como hábil garimpeiro, pinçar as preciosas pepitas apresentadas e depois publicá-las para gáudio de seus assíduos leitores para momentos de deleite e irreprimidas saudades do que aconteceu em nossas vidas. Encerro com a passagem do ilustre escritor e poeta Menotti Del Picchia, que ao perguntar para o caboclo "o que é saudade", este respondeu-lhe: "Mecê qué sabê mesmo? É a vontade de vê de novo". Arthur José de Macedo, advogado (Sorocaba) Nosso "jornalzinho" está fazendo sucesso. Fiquei impressionado com opiniões vindas "de fora", todas elogiosas e algumas até dando conta de certa frustração por não existir em sua cidade algo semelhante. Isso tudo é muito gratificante para nós, meninos e meninas, que fizemos dos anos 60, em Piedade, a primeira década do resto de nossas vidas. Osmarzinho de Nicola, membro RMB-60 (Franca)

PONTOS DE VENDA E DISTRIBUIÇÃO DESTA EDIÇÃO

Belo trabalho... Resgatar nossas memórias. Neste momento em que somos lançados somente para visualizar o futuro, muitas vezes esquecemos do nosso passado. Parabéns!!! Orides Júnior, advogado (Piedade) Após ter adquirido a edição número 09, fiquei encantada com o conteúdo da revista e parabenizo com enorme satisfação à nobre iniciativa. Um povo sem passado é um povo sem futuro. É uma delícia ver nossa história contada pela voz dos protagonistas e afins com tamanha riqueza e delicadeza. Muito já nos honra os livros sobre a história de Piedade e Remember vem trazer uma leitura singular, didática e cheia de encantamentos. Remember vem satisfazer aquele gostinho de "quero mais" que ficava após as esporádicas pinceladas históricas em jornais da região por ocasião de datas festivas. Por conta disso, acabei por também adquirir o nº 08, onde encontrei parte da família de minha mãe – Victorino Dias, pois salvo engano, Benedito Victorino Dias era irmão de Brasílio Victorino Dias (avô materno de minha mãe), que era muito conhecido na cidade, em cuja chácara de sua propriedade recebia habitualmente e de forma muito festiva a Banda da cidade e vários outros cidadãos que a acompanhavam. Nasci em 1962 e pude relembrar queridos professores e amigos, assim como personagens, alguns que cheguei a conhecer, como Gregório e outros que apenas ouvi falar. Tenho certeza de que muitas histórias e informações ainda surgirão. Mais uma vez parabenizo a iniciativa da revista e se eu puder contribuir em algum momento com certeza o farei com imenso prazer. Maria do Carmo Godinho, advogada (Piedade) Li e reli o último Jornalzinho Remember através do computador. Vi as fotos dos antigos carnavais e ontem, minha tia Helena me ligou para comentar que ela estava na foto de 1956... Daí foi uma prosa longa e gostosa, relembramos muitas coisas e demos boas risadas. Tudo isso graças ao Remember! – E realmente, foi através dele que pude reencontrar parentes e amigos de uma época que foi muito marcante em minha vida. Só tenho a agradecer. Lucy M. de Abreu Pricolli, membro RMB-60 (São Bernardo)

Em PIEDADE: Bancas e Revistarias: Samuka (Praça Cel. João Rosa), Zezinho (Calçadão) e Roquinho (Pça. da Bandeira). Outros locais: Auto Posto Cesar, Empório Saint Pierre, Moreira Supermercados (Paulas e Mendes), Restaurante Piccin (Alto de Piedade).

Cada anunciante ou patrocinador recebe uma pequena quantidade de exemplares para distribuição gratuita a seus amigos, clientes e funcionários. É a oportunidade para você conseguir mais um exemplar para um amigo ou parente


B o l e t i m I n f o r m a t i v o

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TURMA REMEMBER PIEDADE 60

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19 Encontro Pousada Recanto Primavera, 31 de março de 2012

ENCONTROS E DESENCONTROS Aproveitando que vieram do Rio para São Paulo para o lançamento de um livro no final de março, a Neuza (irmã da Berty) e seu esposo Nery deram uma esticadinha até Piedade para participar do último Encontro, como convidados. A Neuza, apesar de ter nascido e morado em Piedade, passou boa parte da sua juventude em Itu e por isso faz parte do "Grupo Ano 60", uma turma como a nossa, que reúne velhos amigos e amigas da cidade. Dadas as devidas explicações, transcrevemos a mensagem que ela nos enviou após o nosso Encontro, não só pelo incentivo e reconhecimento do que temos conseguido (todos!) nesses quase cinco anos de Turma Remember, mas também, por que não, como um alerta. Xará. Este é o recado melancólico (abaixo) do grupo "Ano 60", de Itu. Foi como lhe falei... Até o momento eu não tive oportunidade de ir e outros também não vão por diversas razões. Já fizeram algumas reuniões, uma por ano. Vocês estão de parabéns, porque vi muito carinho e união na turma de Piedade. Toninho é um amigo querido que tem se esforçado muito... Neuza e Nery (mensagem do "Toninho" aos membros do Grupo Ano 60, de Itu) Prezados amigos, Devido à pouca participação do pessoal neste grupo, estou achando que não compensa mais, para mim, continuar pagando manutenção, hospedagem, provedor, Fapesp, etc. As pouquíssimas participações que há poderão ser feitas através dos e_mails pessoais. Assim sendo, estou encerrando este grupo. Obrigado a todos Toninho PS - O almoço do dia 21 p.f. teve pouquíssimas adesões. Mesmo assim, eu estarei lá

Felizmente, lá como aqui, parece que certos tipos de amizades podem dar uma cochiladinda, talvez até adormecer, mas não acabam, assim, "sem mais nem menos"... Soubemos que o grupo "reagiu" e o Toninho recuperou o pique para continuar mantendo o site e organizando os Encontros. Boa sorte ao "Toninho" e parabéns aos membros do "Grupo Ano 60", de Itu. Quem sabe um sábado qualquer a gente possa "compartilhar" um Encontro, já que além da Neuza e da Berty, provavelmente temos outros amigos (velhos ou novos) em comum. O site da turma de Itu é www.ano60.com.br

Edição 09

Preço Onde adquirir 2,00 Alguns revendedores da edição atual ou com o editor 08 3,00 Editor 07 5,00 Editor 06/05 8,00 Editor Mais antigas - - Esgotadas

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Faltou gente, mas "sobrou" entusiasmo e empolgação nos que vieram.

PRESENÇAS Titulares e Familiares Adalberto; Adolfo e Márcia Eloisa; Berty; Cecília Godinho; Célio e Miriam; Cherubim; Colé; Dalva Rosa; Dayton; Edson Batista; Eliane; Fio; Getulio; Gláucia; Guto; Inezita e Atahala; Jomar e Dirce; Márcia; Miriam Rosa; Nilze; Osmarzinho e Ida; Regina Passarelli; Renato; Ricardo e Rita; Rita Rosa; Toninho Godinho e Evelin; Wilma e Francisco; Xará, Cidinha, Fabiana (filha) e Catharina (neta); Xú e Conceição; Zezinho.

Convidados Neuza e Nery (Berty) e Fernando Baldy (Ricardo).

Sexta-Pré Quatorze "remembers" começaram a festa já na sexta-feira à noite, dia 30, na Pousada!

REGISTROS Obrigada pelo encontro do Remember!!!! Curtimos demais e fiquei encantada como o Francisco, que é mais reservado, se sentiu acolhido e se enturmou tão bem... Voltou falando muito sobre o Encontro, amou estar com todos e o melhor... se divertiu pra valer! Wilma Hirata Agradeço mais uma vez pelo fim de semana alegre que vivi aí em Piedade. Em cada Encontro temos a oportunidade de conhecermos mais profundamente os elementos da Turma e estreitarmos os laços da nossa amizade. O mais gratificante é sentir em toda reunião um "querer bem" que nunca termina. Márcia Tristão C. Albuquerque

NOVOS MEMBROS Resultado do 8o Processo de Seleção Após indicação e aprovação em mais de 50% das respostas às consultas enviadas por e.mail em março passado, quatro dos cinco aprovados cumpriram as demais formalidades e já fazem parte da "Turma Remember Piedade 60". São eles: Antônio "Botuquinha" Leite Netto (Sorocaba), Eunice Mazzer Pedroso (Itu), Maria Madalena Godinho Bueno de Camargo (Piedade) e Marta Bueno de Camargo (Piedade).

Pesquisas e Consultas A biblioteca de Piedade dispõe de TODAS as edições para pesquisas ou simples leitura. Versões Digitais Envie mensagem eletrônica para revista.remember@gmail.com informando o número da edição e nós enviaremos o "link" para acesso.

EDIÇÕES ANTERIORES DISPONIBILIDADE E MEIOS DE AQUISIÇÃO


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Dona Theodora conta detalhes da sua infância e juventude em Ibiúna, Piedade e Itapetininga em entrevista exclusiva à Revista Remember, em dezembro de 1960. O autor da façanha foi nosso enviado especial para reportagens intertemporais R. Porther, que retornou daquele ano trazendo uma bela reportagem, inclusive com uma foto aérea da cidade, tirada a bordo da nossa máquina do tempo, minutos antes de chegar ao seu destino. No final da entrevista, veja a nota explicativa das circunstâncias em que ela ocorreu e um breve perfil biográfico da Professora Theodora de Camargo Ayres, a dona Theodora. Revista Remember - Dona Theodora, obrigado por concordar em contar para os leitores da Revista Remember um pouco da sua vida e nos receber nesta chácara tão bonita e aconchegante. A sra. sabe que acabo de chegar de 2012 e ela está lá ainda, quase do mesmo jeito? Pois é... Está lá! Um tanto abandonada, é verdade, mas despertando ainda muitas boas lembranças aos seus netos, netas e muitas outras pessoas que por aqui passaram depois da sra.... Mas vamos começar: Onde a sra. nasceu? Dona Theodora - Nasci no dia 25 de janeiro de 1895, em um sítio querido: Campo Verde. [ Ibiúna ] Os seus pais eram de lá? Conte-nos alguma coisa sobre eles... Tive como pai um professor, que para mim era um sábio. Soube sempre compreender-nos e estimar-nos. Sua companheira primeira foi a mamãe, que foi criada no sítio e não sabia ler, mas recebera uma educação moral elevadíssima. Falava pouco, mas tudo que falava se aproveitava. Sempre teve desejo bom a seus filhos, tanto é assim que procurou ajudar a papai para que ele não encontrasse dificuldade em mandar-nos estudar. E os seus avós... A sra. chegou a conhecer? Não conheci meu avô José. Eu tinha 10 meses quando ele morreu. Minha avó Maria era um amor. Criatura estimadíssima naquelas imediações. Era madrinha de todos os parentes. Tinha um coração de ouro... Não conhecia a palavra não, atendia a todos sempre satisfeita. Não sabia falar [de ninguém], nem de quem lhe julgava mal, apenas ria quando tal acontecia. Lembro-me da expressão de uma sitiante: ”Quem não pode não se ajusta”, porque vovó costumava servir como curiosa e eu disse: “Coitada da

vovó, às vezes está doente e tem que sair com tempo ruim para atender as doentes” e então ela me respondeu com aquelas palavras. Nessa ocasião eu tinha uns 12 anos. Mais tarde tive oportunidade de receber junto de meus filhos todas as amabilidades que os estranhos receberam de minha avó. O que a sra. lembra de quando era criança, nesse sítio? Esse Campo Verde para mim foi um paraíso! Aos quatro anos de idade vim para Piedade morar, mas as férias que sempre tivemos em casa foram passadas ali, até eu me casar. Deve ter sido muito bom passar as férias nesse paraíso... Para mim não havia época melhor porque eu, Cypriano [irmão] e meus tios passávamos sonhando com brinquedos, passeios nas casas dos avós, bisavós, tios e parentes... Era ir pular nos charcos, nadar, subir em árvores, andar a cavalo, ir à roça, lavar roupa, carregar água, lenha, pescar e [tantas] outras coisas, que o tempo era pouco. De vez em quando algumas briguinhas... Pelo jeito a sra. aproveitou bem a infância... Foi muito “moleca”? Aos meus nove anos caí da pitangueira e quase fiquei aleijada. Dei trabalho à mamãe, papai, à vovó Guilhermina e ao médico. Lembro-me muito bem que nesta idade eu já era uma dama de salão... Dançava com os moços, como se fosse uma moça, não me deixavam perder uma contradança... Gostava de jogar com os meninos... Sempre os achei simples, sem malícia, de sentimentos puros, sinceros, respeitosos e sendo assim mereciam toda nossa confiança. Aos seis anos completos tive a coragem de fugir de casa e ir à escola, sem nada dizer a meus pais.

Como é que foi isso? Fugiu de casa e foi para a escola, sem estar matriculada? A professora, dona Maria da Gloria Gomide, me recebeu carinhosamente e logo me deu uma lousa e um lápis de pedra para escrever a primeira lição – Eu fui para a escola e não levei nada! Estava muito satisfeita, quando apareceu alguém a minha procura, como fugitiva, e a dona Maria da Gloria mandou um recado para o papai: “Que deixasse a menina... Que não fazia mal ela não ter idade escolar...” Isto era em janeiro de 1900. No dia seguinte trouxe a cartilha de J. Galhardo e comecei as primeiras lições. Em abril do mesmo ano eu já lia bem e sabia fazer a conta de somar com números altos. Então dona Maria da Glória Gomide foi a sua primeira professora... A sra. lembra de alguma outra? Durante o tempo de aluna de dona Maria da Gloria não encontrei dificuldade. Mais tarde veio outra professora, dona Julieta Marques. Esta começou o programa mais desenvolvido... Eu achei um absurdo ter que decorar geografia, história e outras matérias, mas nunca desanimei. Depois veio dona Joana, que já ensinava com muito cuidado e aproveitamento, mas foi removida, sendo substituída pela dona Judith Silva, que depois se tornou uma ótima professora. E por falar em professoras, quando é que a sra. resolveu que queria ser uma? Depois eu fiquei em casa e papai me fez estudar um programa mais desenvolvido... Aí eu propus que ele me mandasse estudar para professora e ele achou que não podia, porque o seu meio econômico era insuficiente. Então eu propus um negócio que foi o seguinte: Ele me custearia durante o tempo que estudasse e logo depois de


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formada eu lhe iria restituindo de acordo com o meu ordenado. Assim não iria prejudicar meus irmãos que quisessem estudar e que fizessem a mesma promessa. Assim passaram-se cinco anos e em 1915 fui diplomada pela Escola Normal Secundária de Itapetininga. E deu certo? Conseguiu cumprir o combinado com o seu pai? Tive sorte que em decreto de 16 de fevereiro de 1916, fui nomeada e imediatamente tomei posse e fui trabalhar. Ganhava cento e oitenta mil réis... Dava mensalmente cem mil reis a papai e me contentava com o restante. Eu já estava acostumada a viver com o pouco, porque quando estudante recebia cem mil reis e com ele pagava mensalmente a pensão, livros, cadernos, lápis, pena, roupa, sapato, o leite, a fruta e até a lâmpada elétrica do quarto de dormir. Às vezes eu completava o dinheiro que precisava, costurando para algumas das colegas e assim foi minha vida no lado econômico. A sra. morava em Piedade e com 15 anos foi morar em Itapetininga, para fazer a Escola Normal... Foi difícil se acostumar? Em meu tempo de estudante não tive medo de dificuldade... Não era inteligente, mas não encontrei dificuldade em nada. Nunca me faltou nota de aplicação. Gozei da estima de todos os professores, recebi muitas

atenções do sr. Diretor, amizade e respeito de meus colegas... Ajudei a muitos deles com livros e cadernos, porque muitos estudavam com muita dificuldade econômica, mais que eu. Então emprestava meus livros e cadernos de pontos, porque eu tinha todos completos. A sra. passou então quase toda a sua juventude em Itapetininga, estudando... Como foram esses anos lá? Como estudante me diverti muito. Sempre as moças e os moços... Vivíamos juntos. Não tínhamos inimigos, não havia ciúmes, inveja, orgulho em ninguém de nossa turma. Não havia namoro, era amizade... Era uma só família e por isso gozávamos de uma confiança sem limite. As festas e bailes que frequentávamos eram sempre felizes porque não havia espírito perverso entre nós... Tomei parte nos orfeões da escola e no clube... Fui corista todo o tempo que morei em Itapetininga. O prof. Mozart me confiava todas as partes dos cantos e sempre ocupei lugar de destaque nas festas, onde ele me confiava os solos que eram ouvidos pelos assistentes e depois, com grande prazer ao sair da igreja, recebia elogios, parabéns etc. Nessa época as melhores famílias dali eram minhas amigas: as dos professores, as dos colegas e outras... Sempre era convidada para participar em seus lares em qualquer oportunidade.

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Dá para perceber que a sra. gosta muito de música... A sra. toca algum instrumento? Gostei sempre de música... Toquei um pouco de piano, cantei, me diverti e alegrei muita gente com minha atitude alegre... Sempre encontrei muita companhia para dançar, cantar e outros passatempos. Vejam como fazíamos muitas vezes: Porque não havia rádio, orquestra ou discos, nós então muníamos de um pente, um papel de seda e um violão: Estávamos com música para dançar, duas ou três horas! No sul, nas fazendas, a mocidade usa a gaita, sempre trazendo uma nas bolsas, assim estão sempre munidos de música. Nós simplificávamos, porque nunca lembramos da gaita... Esses bailes improvisados, com pentes, papel de seda e violão, eram lá em Itapetininga... Mas em Piedade, como era? Nas férias, em Piedade, a nossa orquestra era a sanfona do Zezinho Machado, o cavaquinho do Amâncio, a requinta do Zacarias, o violão do Jorge, o pistão do Nhô Juca e o baixo do Zé Bueno, sempre prontos aos convites... O que pagávamos era pouco... Estas brincadeiras eram sempre começadas as oito ou oito e meia da noite e terminavam duas, três ou quatro horas da manhã... E não eram monótonas! Todos dançavam. Não havia pares selecionados como hoje [1960]. Durante o baile não se dançava ( continua na página seguinte )

Foto aérea de Piedade tirada por R. Porther no sobrevôo de chegada a 1960, pilotando a nossa máquina do tempo. Ao fundo, bem no centro da imagem, a Chácara Santo Antônio, local da entrevista.

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mais que uma em seguida com o mesmo par, muito menos passar a noite presa a um só cavalheiro, como é hoje, deixando assim uma festa monótona. A sra. disse que começou a dar aulas no início de 1916... Já namorava com o seu Dito nessa época? Tive um namoro longo e um noivado curto. Dia 5 de junho de 1916 fiquei noiva oficial e casei em 9 de julho, do mesmo ano... 1916... Pois é. No ano que vem a sra. completa 45 anos de casamento: Bodas de Rubi. Estamos sabendo que está planejando uma grande festa para poder reunir todos seus filhos e netos, antecipando de certa forma, por "garantia" segundo nos contaram, a comemoração que normalmente as famílias fazem nas Bodas de Ouro do casal. Se der, a gente volta em julho... Agora vamos ter que religar nossa “máquina do tempo” e voltar para 2012. Temos certeza que os leitores da Revista Remember vão gostar de conhecer esta primeira fase da sua vida, do nascimento até o seu casamento, o que de certa forma retrata um pouco do cotidiano, dos hábitos e costumes de uma jovem numa pequena cidade do interior de São Paulo, do final do século 19 até as primeiras décadas do século 20... Muito obrigado!

Nota do Editor As respostas desta entrevista foram transcritas de anotações feitas no final de 1960 pela dona Theodora no seu diário pessoal, provavelmente na Chácara Santo Antônio, localizada na saída para Ibiúna, hoje Rua Saladino de Araújo Leite, em Piedade. Segundo ela própria comenta nas páginas iniciais, estes e outros registros do diário tinham por finalidade deixar a seus filhos "cousas reaes para não se admirar de cousas existentes" ou seja: para que eles pudessem entender algumas coisas que aconteciam no presente, precisariam saber o que realmente aconteceu no passado. Na transcrição das respostas procuramos preservar ao máximo a estrutura e as expressões do manuscrito original, mesmo onde o entendimento, numa primeira leitura, não fosse muito claro. No entanto, acrescentamos "entre chaves" [ ... ] algumas notas complementares.

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"Nasci na escola" – É como dona Theodora define no seu diário sua vocação para ensinar. E esta foto, provavelmente tirada em 1900 no quintal da sua casa, comprova. Em pé à direita, seu pai, o Prof. Carlos Augusto de Camargo com os alunos da classe masculina das "primeiras letras" que lá funcionava. E lá atrás, na última fileira de alunos, a menina Theodora, que mesmo não sendo da classe, não perdeu a chance de sair na foto! À frente, sentados, talvez outros professores, cuja identificação contamos com a ajuda dos leitores para publicar na próxima edição.

THEODORA DE CAMARGO AYRES A professora Iniciou a carreira em fevereiro de 1916, lecionando no Bairro do Caetezal e depois foi removida para o Grupo Escolar de Piedade (atual Côn. José Rodrigues de Oliveira), na sede do município, onde deu aulas por 19 anos. Em seguida foi transferida para Sorocaba, onde se aposentou em 1947, após 31 anos de magistério.

A mãe No dia 9 de julho de 1916, com 21 anos, se casou com Benedito Ayres da Silva – "Dito Maria" – e um ano depois, dia 2 de junho de 1917, dava a luz a dois meninos: Thyrso e José. O segundo a nascer, José, foi batizado na própria casa pela sua avó Maria, pois sobreviveu apenas algumas horas. Muitos anos depois o fato passou a ser motivo de algumas brincadeiras na família: "Qual nasceu primeiro? Thyrso ou José?" Ao que ela respondia, com toda convicção: "Foi o Thyrso!" – que viveu até 2002, quando faleceu aos 84 anos. Depois vieram: Ruy (fev. 1919); Elzy (dez. 1920); Hyrcia (out. 1922); Celso (nov. 1924); Benedito Carlos (out. 1926); Judith (jul. 1928); Ugo (jul. 1930); Heitor, que morreu com seis meses (1932); Heitor Frank (dez. 1933); Alberto, que morreu com 2 anos (1935) e José Alberto, (jul. 1937). Dez dos seus treze filhos deram à dona Theodora e seu Dito Maria, ainda em vida, 34 netos.

A mulher decidida e independente "Fugir" de casa com 6 anos de idade para ir à escola às escondidas, sem estar matriculada e ao menos ter a idade pra isso; frequentar bailes e ser disputada pelos moços mais velhos nas "contradanças" com 9 e tomar a decisão de deixar o conforto e convívio da família e a "segurança" de Piedade aos 15, para morar numa pensão e estudar em Itapetininga... Só esses fatos, considerando os costumes e a discriminação que as meninas sofriam na virada do século 19 para o século 20, já justificariam o subtítulo acima. Porém, o fato mais marcante da personalidade decidida e independente de dona Theodora foi, mesmo dispondo de todos os recursos existentes na época, ter optado por dar à luz a seus 13 filhos, sozinha! Chegado o momento do parto, pedia para alguém preparar tudo e deixar ao lado da cama. "Expulsava" todos da casa, só permitindo o retorno quando ouvissem o choro da criança. Quando retornavam ao quarto, o recém-nascido já estava nos seus braços, com o cordão umbilical cortado. Doze partos "solo", sendo o primeiro de gêmeos, em 20 anos!

SABIA QUE... ... até as primeiras décadas do século 20, o caderno que os alunos das primeiras letras levavam à classe era uma lousa de pedra ardósia de aproximadamente 15x30cm onde se escrevia e desenhava, em ambos os lados, com um lápis de pedra mais dura? E que a "borracha" era pedaço de pano úmido, mas que uma cuspidinha e uma esfregada com o antebraço também resolviam?


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MARKETING

Construindo Bons Relacionamentos Um relacionamento duradouro, sólido e confiável, como já dizia meu avô, é como uma sementinha que a gente planta e, dia a dia, vai regando, cuidando do terreno, dando atenção... A semente germina, brota, cresce e você vai colhendo os frutos por toda a sua vida. No entanto, os dias atuais, onde a agitação e dinamismo tomam conta de todos, parece que a construção desses laços foi sendo deixada de lado. Enquanto indivíduos, afirmamos não ter mais tempo para nada, que o dia precisava de 36 horas, que temos muitas responsabilidades e compromissos, não tendo tempo nem para ligar aos amigos. Já as empresas, pautando seu "core business", buscam produzir e vender cada vez mais, deixando de dar atenção a todos que a levaram a um posto de destaque. Uma das maiores premissas do Marketing, afirma que "pessoas se relacionam com marcas, empresas e pessoas que conhecem, gostam e confiam". E é a mais pura verdade de qualquer relacionamento. Quando iniciei o relacionamento com minha esposa, conhecia num ambiente profissional, onde tivemos a oportunidade de trabalhar juntos. Então, como percebemos muitas afinidades, interesses comuns e valores similares, passamos a nos gostar. E, como consequência de um contato sincero, a confiança depositada um no outro se desenvolveu, levando-nos ao altar. E, todos os dias, olhares, gestos, juras de amor fazem parte do nosso cotidiano, como forma de fortalecer aquilo que já sabemos: a certeza de que teremos uma vida feliz um ao lado do outro. Nos relacionamento de amizade acontece o mesmo. Você conhece uma pessoa, gosta dela por diversos motivos e passa a confiar nela, tornando-se um grande amigo. Os demais, aqueles que você apenas conhece, mesmo que gostem um pouco, não geram maior proximidade devido à confiança. Os primeiros são seus grandes amigos, aos quais você liga nos aniversários e faz questão de estar presente nos eventos mais importantes; os outros são as pessoas que passam pela nossa vida. Já na esfera empresarial, a criação desses laços que constroem o relacionamento é ainda mais importante. Afinal, as organizações assumem esforços enormes de capital humano e financeiro para conquistar seus clientes. Depois, na maior parte das vezes, esquecem de manter esse relacionamento iniciado. E, no caso do universo corporativo, as marcas possuem "amigos de vários níveis", aqueles a quem chamamos de stakeholders ou públicos de interesse, como os clientes propriamente ditos, acionistas e diretores, colaboradores, fornecedores e parceiros, imprensa, comunidade onde a empresa de insere, poder público, terceiro setor e a sociedade. A fim de promover o contato com esses públicos, tornando-se relevante e pertinente a cada um deles de acordo com seus interesses, a empresa precisa assumir um posicionamento que intensifique o relacionamento e que sustente a confiança depositada na corporação. Em suma, a organização precisa de ações em que demonstrem seu carinho e interesse pelos "stakeholders", ações essas tão bem representadas nos dias de hoje pela comunicação corporativa, ações de responsabilidade sócio-ambiental e patrocínios a projetos esportivos e culturais. Afinal, cada um desses públicos apoiou a empresa, direta ou indiretamente; como consequência de reciprocidade, a marca tem o dever de oferecer algo em troca.

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Marcelo Rogick Pacheco, Consultor de Marketing e Negócios marcelo@mktsorocaba.com.br

Criar ações que estreitam o relacionamento, dar demonstração de interesse pelo próximo, evidenciar a preocupação com as causas coletivas, são prioridades para uma vida harmoniosa. E aí, já disse ao seu marido, esposa, filhos, namorados o quanto os ama? Ligou para aquelas suas grandes amizades dizendo o quanto são importantes para você? Preparou aquele anúncio institucional ou ação social para retribuir à comunidade tudo o que recebe em troca? Então, o que você está esperando?

"Aquele que não tem confiança nos outros, não lhes pode ganhar a confiança". Lao-Tsé

Anúncio publicado na Revista Fon-Fon, em 1908

SABIA QUE... ... ao patrocinar um projeto cultural a empresa se diferencia das demais a partir do momento em que toma para si determinados valores relativos àquele projeto (por exemplo tradição, modernidade, competência, criatividade, popularidade etc.) e também amplia a forma como se comunica com seu público alvo, mostrando para a sociedade que não está encastelada em torno da sua lucratividade e de seus negócios?


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Se você está com a consciência pesada por faltas passadas, poderá agora lavar sua alma confessando seus "pecadinhos" e molecagens com o Compadre Jorge, que, graças à sua sensibilidade e apego à moral, bons costumes e aos valores vigentes na década de sessenta, tornou-se o grande guru e guia espiritual, não só da "Turma Remember Piedade 60", mas de todos aqueles que buscam o lenitivo do sincero arrependimento das "artes", "aprontadas" e traquinagens cometidas na infância, adolescência e juventude. Envie sua carta, bilhete manuscrito ou mensagem eletrônica, para a Revista Remember (endereços na pág. 3), aos cuidados do "Compadre Jorge". A publicação nesta seção dependerá, à critério do editor, da natureza do seu conteúdo.

"MINIEMPRESÁRIAS" Boa tarde, Compadre... Cá estou eu do novo. "Rua Comendador Parada, Piedade, 1956". Meu pai tinha uma barbearia e à noite ele cuidava de uma casa de jogos de carteado, que ficava do outro lado da rua. Eu e a minha sobrinha Sônia tínhamos quase a mesma idade – uns 10 anos – e gostávamos de limpar a "sede", como era conhecido o local, porque além do pagamento do meu pai pelos "serviços prestados", a gente sempre achava algumas moedas perdidas pelo chão. Num belo dia, antes de iniciar a faxina, resolvemos brincar um pouco: Éramos "Donas de Bar". E o bar "estava" lotado... "Uma bebidinha pro freguês, mais um copinho pro seu amigo..." – Uma "correria", na nossa fantasia de criança. Depois, para tornar a brincadeira um pouco mais real, resolvemos que, enquanto uma sentava, como se fosse um freguês e pedia uma dose de qualquer coisa, a outra "servia", como se fosse um garçom... Só que a gente fazia tudo direitinho ou seja, colocava naqueles copinhos pequenos um fundinho de bebida, que variava no tipo e na marca, porque "eram muitos os fregueses"... "Agora sua vez!" E a brincadeira foi ficando cada vez mais animada... "Mas isso é uma casa de jogos e não um bar!" – pensamos. Então pegamos um baralho e começamos a "jogar"... Não demorou muito, estávamos fumando as bitucas de cigarro dos cinzeiros. Nossa,.. Fumamos até charuto...!!! "Mais uma dose, parceira?" Ficamos mal, muito mal mesmo... Com muito custo conseguimos atravessar a rua e ir pra casa, de tão tontas que estávamos. O resultado foi uma baita de uma bronca, que doeu bem mais do que devem doer as palmadas de hoje e o pagamento pelos serviços "não" prestados foi uma semana de castigo, sem sair de casa. Esta traquinagem está sendo confessada depois de 56 anos e embora não sirva de exemplo, até hoje rimos muito quando nos lembramos desse dia. Por isso Compadre Jorge, esperamos que nossa penitência seja branda, afinal de contas, em crianças tudo é perdoado. Sônia e Neyde Marciano

Caríssimas Neyde Marciano e Sônia. Absolver vocês de tanta jogatina, fumacê e bebedeira passaria errônea impressão de que sou muito liberal, defeito que, como orientador espiritual, não posso me dar ao luxo de ter. Imaginem, caras penitentes, que eu as ouvisse em confissão após haver esvaziado garrafa inteira daquele bom e envelhecido vinho que guardo para degustar uma só taça quando medito nas bodas de Caná. Por certo, ouviriam de mim, em vez de palavras edificantes, algo horrível como: "Vocês são bom exemplo para a batota". E prosseguiria eu no sermão para lhes dizer: "Negó é o seguim: nada como uma boa pinga pra quebrar o gelo da cerveja e da conversa. Vocês sabem das coisas". A seguir, envolvendo-as com fumaça de charuto e chorando as proverbiais lágrimas dos bêbados eu lhes diria que vocês não deveriam abusar de minha sensibilidade, trazendo à baila aquele maravilhoso poema da autoria de ambas, cujo título "MAIS UMA DOSE, PARCEIRA?" arrancaria de mim suspiros enlevados e expressões como "Que coisa linda! Que tempo inocente!". Após, afagar-lhes-ia a cabeça com estas palavras de bondosa compreensão: "Vocês passaram mal depois da esbórnia? Normal. Atravessaram a rua tropicando e chutando pardal? Num esquenta". Não, minhas filhas! Não contem comigo para justificar tamanha lambança. Como penitência, todas as vezes que chegarem a Piedade, cidade famosa pela abstinência alcoólica de seus habitantes, dirijam-se imediatamente à sede do nosso Batalhão de Polícia Militar e submetam-se ao teste do bafômetro. Compadre Jorge.


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"O MOTOCICLISTA INCENDIÁRIO" Compadre Jorge, eu estudava no Ginásio... O ano era 1962; eu tinha 14 anos e estava na 2ª. série do período da manhã. Um dia, as aulas terminaram um pouco mais cedo e eu, juntamente com meu amigo e fiel companheiro, Katsuki Sakamoto, ficamos por ali, pensando sobre o que poderíamos fazer naquele espaço de tempo que nos restava até a hora do almoço. Jogar sinuca no bar do seu Orlando Neme não dava mais tempo. Pra isso seria preciso 'matar' aula desde o início da manhã, coisa que não era muito do nosso feitio... Daí, olhando para o terreno baldio que existia em frente ao Ginásio, vimos alguns galhos secos e, como dizia minha avó, "cabeça vazia é oficina do..." (o senhor sabe de quem, né?), tivemos a 'brilhante' idéia de fazer uma fogueirinha, pra matar o tempo... Mas como o tal do tempo estava muito quente e seco, a 'fogueirinha' logo começou a se alastrar e nós não demos conta de apagar em tempo as labaredas que cresciam rapidamente, pra cima e pros lados... Desesperadamente, começamos a pisotear os galhos, tentando apagar o fogo, mas já não dava mais... Nesse meio tempo vimos o seu Toninho Tardelli, zelador do Ginásio, que o senhor deve ter conhecido, correndo em nossa direção... "E agora..!!!???" Fizemos o que todo moleque fazia (e ainda faz) na hora do medo e desespero: saímos correndo em disparada ao abrigo seguro de nossas respectivas casas. Eu morava na Chácara Santo Antonio, que dava fundo para o Rio Pirapora, dividindo com o fundo do Campão, na saída para São Paulo, portanto meio longinho do Ginásio. Quando cheguei em casa, com o coração disparado, olhei para os lados do Ginásio e vi aquela enorme fumaceira subindo e se espalhando pelo céu... "Vai pegar fogo na cidade!" – pensei. 'Sobrou' pro seu Toninho, coitado, que felizmente e provavelmente com a ajuda de terceiros, conseguiu desfazer a lambança que armamos... No dia seguinte fomos chamados à sala da dona Sebastiana, pedindo explicações sobre o ocorrido. Como não tinha o que dizer, falei que simplesmente joguei o cigarro aceso no chão e uma fagulha provocou a queima dos galhos secos que estavam no chão... A emenda saiu pior que o soneto: ela me perguntou se meu pai sabia que eu fumava... Não vi outra alternativa se não responder que sim, passando mais alguns dias com medo que ela fosse confirmar com ele... Mas tem mais, Compadre. Ainda não terminou... Alguns dias depois, como de costume, saí de casa por volta das seis e meia da manhã para ir 'direto' pra escola, como todo e qualquer estudante. Mas naquele dia, subindo pela Rua do Cinema, passei na frente da oficina mecânica que trabalhava o Zé Surano, um outro amigo, e resolvi entrar. Ele estava terminando de testar uma motocicleta e eu, 'por farra', perguntei se ele me deixava 'dar uma voltinha'... Com toda preocupação e responsabilidade, o Zé me perguntou se eu sabia andar e eu, sem nenhuma das duas, disse: "Claro!" ('malemal' sabia andar de bicicleta...!!!). Ainda dentro da oficina, subi na moto. Ele me ensinou como engatar a primeira e eu saí... e fui... Fui com tudo, porque soltei toda a embreagem, acelerando. Não deu tempo nem de perguntar pra ele como é que parava aquela 'coisa'...!!!

Não deu outra... Passei por cima de um monte de lixo e sucatas da oficina e entrei direto no muro. A moto caiu para um lado e eu para o outro, com a cabeça numa pedra. Acordei na Santa Casa, com a coitada da minha mãe ao meu lado, preocupada com o seu filhinho, tão bonzinho, que tinha saído às seis e meia da manhã, todo arrumadinho, para ir à escola... Depois das férias forçadas por exigência médica, ao entrar na minha classe no primeiro dia do meu retorno às aulas, fui surpreendido por uma frase, escrita com letras muito bem desenhadas e coloridas (coisa de japonês, pensei...), tomando toda a extensão do quadro negro: "Saudamos a volta do motociclista incendiário". Então Compadre Jorge, é isso... Tenho certeza que o senhor vai entender os meus descuidos e me perdoar. Ah! Perdoa também o Katsuki, coitado. Ele também já se arrependeu do que fez... Paulo A. Freire

Caro penitente Paulo Depois de ouvir confissão anterior de duas matronas, que iludiram toda a sociedade piedadense, passando-se, até hoje, por discípulas da Madre Tereza de Calcutá, minhas esperanças no ser humano se derreteram. Minha paciência se esgotou. E, agora, no meio desta ressaca moral em que me encontro, vem você, meu filho, com a conversa mole de que era muito jovem quando praticou as barbaridades narradas. Saiba que não só de boas intenções, mas também de adultos e adolescentes que já foram crianças, o (você sabe o quê) está cheio. Atear fogo na mata, mentir para Dona Sebastiana, enganar o Zé Surano, causar-lhe prejuízo material e dirigir moto sem devida habilitação não são simples "descuidos", como você insiste em tratar seus atos de puro vandalismo. Quer minha compreensão? Espere sentado ou ajoelhado no milho porque não posso por em risco a humanidade e permitir mais um trágico retorno do motociclista incendiário. Eu o perdoei no caso das linguiças escondidas na japona, mas mantive-o em liberdade vigiada. Desta feita, a situação o mostra como sociopata, piromaníaco e agressor da sustentabilidade da natureza. Ouvir sua confissão me dá certeza de estar diante do responsável pelo aquecimento global e pela extinção dos dinossauros. Não posso livrá-lo do castigo ecológico de pagar este mico leão dourado: arrependa-se, não queira dividir a culpa com o inocente Katsuki Sakamoto e, sobretudo, deixe de sair por aí carregando caixa de fósforos ou isqueiro. Dê uma chance à Mata Atlântica, meu filho. Compadre Jorge


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Sempre ouvimos falar que 1956 foi o "Ano de Ouro" do futebol de Piedade. O radialista esportivo e pesquisador José Araújo, "Dodito", inclusive registrou essa marca no seu "Almanaque - Esporte por Esporte". Recentemente, viajando no tempo e nas imagens do acervo fotográfico de outro grande pesquisador do esporte piedadense, Manoel Júlio da Costa, o "Mané do Esporte", encontramos um mini-ábum, tipo sanfona, montado pelo Foto São Luiz, com fotos em tamanho postal, de boa qualidade, das 11 equipes que disputaram o Campeonato Municipal... de 1956...!!! Foi aí que surgiu a ideia e começamos a mentalmente formatar esta retrospectiva. Como a classificação de "ouro" para o ano de 1956 veio do desempenho do Piedade FC no Campeonato Estadual Amador daquele ano, fomos pesquisar o que realmente aconteceu. Nada na internet, nenhuma reportagem de jornal, nenhum registro significativo na secretaria do clube... Felizmente pudemos contar com a boa memória e as anotações de dois protagonistas daquela façanha: os primos e atacantes Raymundo (Mundinho) e Hélcio Gomes de Abreu (Léco). Enquanto conseguíamos, aos poucos, resgatar as lembranças e fotos dos dois atletas, propusemos ao "Mané" um desafio: "Será que você consegue identificar os jogadores, diretores e outros personagens que estão nestas 11 fotos?" Ele não só aceitou o desafio, como nos entregou algumas semanas depois a relação praticamente completa, faltando somente os nomes de dois jogadores. Quase 150 pessoas! Consultamos ainda com o nosso "consultor-mór", o amigo e historiador Antônio Leite Neto, para saber se ele tinha algum registro ou informação para complementar o nosso projeto, ao que ele nos respondeu por e.mail: "1945 também foi um ano de ouro ou

pelo menos de prata do futebol de Piedade. Tenho um material sobre esse ano, quando o PFC disputou o primeiro campeonato regional e disputou duas memoráveis partidas com o São Martinho, de Tatuí. Seria interessante para a próxima edição do REMEMBER...???" A resposta, complementada com outros registros garimpados na internet, está na reportagem "1945, o Ano de Prata", da página 21. Afinal, mesmo o destaque da edição sendo "1956, o Ano de Ouro", por que não relembrar esse outro grande momento do futebol piedadense?

Muitos dos personagens citados ou mostradas nas fotos desta retrospectiva já morreram, mas seus filhos, netos e bisnetos poderão, saudosos e orgulhosos, relembrar (ou conhecer!) um pouco mais da história dos "seus ídolos". A eles, personagem ou descendente, dedicamos o tema central desta edição da Revista Remember.

Piedade FC - Campeão da Zona

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Estádio Municipal Lino de Mattos Jogo Cavalheiros X Leites, pelo Campeonato Municipal de 1956

13 do Campeonato Estadual de Futebol Amador Em 1956, o campeonato paulista de futebol profissional era dividido em três divisões. As equipes que não estivessem numa dessas divisões eram consideradas amadoras e poderiam se inscrever para disputar o Campeonato Estadual de Futebol Amador, também organizado pela Federação Paulista de Futebol, com critérios e formas de disputas que poderiam variar de um ano para outro. Nesse ano, embora sem contar com dados oficiais da Federação, podemos deduzir, juntando informações de várias fontes, que as equipes inscritas foram inicialmente classificadas em duas grandes categorias: Capital e Interior, que por sua vez foram divididas em Regiões, que eram compostas por Zonas, subdivididas em Setores. Não sabemos em quantas regiões,

Os Campeões Em pé: Carlinhos, Zé Pintor, Celso, Fredi, Isidoro, Mário Gomes, Álvaro e Totó (Técnico) Agachados: Cherubim (Massagista), Gustavo, Léco, Davizinho, Osvaldo Godinho, Raymundo, Mário Professor e Nelsinho Tardelli

zonas e setores o interior foi dividido, mas tudo indica que cada Setor abrigava de quatro a seis equipes, sempre procurando respeitar as proximidades geográficas ou os eixos rodoviários. O Piedade Futebol Clube, sob comando do seu presidente Eurico Cerqueira Cesar, ficou no Setor 42, da Zona 13, da 8ª Região, juntamente com o São Miguel FC, a AA Itapetininga e o CASI, também de Itapetininga. Em seis partidas (3 em Piedade e 3 no campo dos adversários) o PFC obteve o primeiro lugar do setor, assegurando o direito de passar para a fase seguinte. O nível das equipes ia aumentando. Agora o PFC teria que medir forças com os outros vencedores de setor da Zona 13: EC Primavera (Indaiatuba), AA Saltense (Salto), AA Portofelicense (Porto Feliz), CA Mairinque e o CA Ituano. Novamente numa classificação por pontos corridos, em jogos "de ida e volta", o representante de Piedade faz uma ótima campanha e posa com a faixa de Campeão do Setor 42 e da Zona 13 do Campeonato Estadual de Futebol Amador de 1956, deixando de fora da fase seguinte alguns favoritos, como o Ituano. Mas apesar da conquista inédita, a batalha pelo Estadual continua...


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O GOL. Um momento comum na vida do artilheiro Mundinho, que marca mais um numa partida pelo Campeonato Amador de 1956, e raro na vida do fotógrafo Mário Brand, provavelmente o único: Mundinho ainda no ar após subir para cabecear e a bola ultrapassando a linha de gol. Ainda na foto (de branco): Davizinho, Léco, Álvaro, Mário Professor e mais um não identificado.

Agora as partidas são eliminatórias, com um jogo "em casa" e outro no campo adversário, o conhecido "mata-mata". Piedade FC x AE Laranjalense, de Laranjal Paulista, outro campeão da sua zona. O "sobrevivente" seria o Campeão da 8ª Região e teria pela frente uma curta mas nada fácil caminhada: "bastaria" superar os vencedores das demais regiões para garantir o título de Campeão do Interior e depois disputar com o Campeão da Capital o tão almejado título de Campeão Estadual de Futebol Amador de 1956!

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Estádio Municipal, 9 de dezembro de 1956 – Namoradas, esposas e filhas dos campeões na solenidade de entrega das faixas. (ajude-nos a identificar quem está na foto para publicação na próxima edição)

Foram duas partidas marcantes e decisivas para a história do futebol piedadense, que a Revista Remember, por não ter encontrado nenhum registro jornalístico sobre as circunstâncias que as envolveram, resolveu ouvir o depoimento de dois atletas que atuaram nesses jogos: o meia ponta de lança Mundinho, artilheiro do PFC na competição com 19 gols (com seu caderninho de notas com dados de todos os jogos), e o atacante Léco; Raymundo e Hélcio Gomes de Abreu.


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Piedade FC Campeonato Estadual de Futebol Amador - Interior

A "força aérea" e o juiz acabam com o sonho de voar mais alto O MATA - ... Naquele domingo, 16 de dezembro, o dia começou cedo para os jogadores, diretoria, técnico e massagista do Piedade Futebol Clube. No horário combinado estavam todos lá, na Praça, fazendo a distribuição para ver "quem ia no carro de quem", já que poucos naquela época, principalmente os mais jovens, podiam se dar ao luxo de ter o seu próprio carro. E os "carrões" eram os de sempre: do 'seu' Eurico (presidente), do Totó Gaiola (técnico), dos jogadores Carlinhos, Celso e Fredi e do torcedor e grande incentivador do time, Dr. Celso Baeta Neves, engenheiro do DER. Alguns torcedores seguiriam mais tarde, com seus próprios carros ou de carona.

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Mais ou menos três horas depois estavam em Laranjal Paulista. Depois de almoçar e dar umas voltas pela praça e ruas centrais da cidade para relaxar e fazer a digestão, o grupo seguiu para o estádio local, para a primeira partida do "matamata" que definiria o Campeão da 8ª Região do Interior. Sob vaias e provocações dos torcedores locais que lotavam a praça de esportes, Zé Pintor, Carlinhos e Celso; Isidoro, Álvaro e Mário Gomes; Gustavo, Léco, Fredi, Mundinho e Mário Professor assumem o comando da partida, sabendo o quanto era importante conseguir pelo menos um empate nesse primeiro jogo em Laranjal. Mostrando sua superioridade e que tinha condições de ganhar o jogo, Piedade abre o marcador ainda no primeiro tempo, com um gol de Mário Professor. Infelizmente, o gol que poderia abrir o caminho para uma vitória de gala da equipe piedadense, acabou detonando o festival de pancadaria do time local, que era formado por vários cadetes da Base Aérea de São Paulo. Com a conivência do árbitro Raul Nóbrega, que não se sabe se motivado por alguns sacos de laranja ou preocupado com a sua integridade física, o jogo "desandou"... Depois de validar o gol de empate do Laranjal, com o atacante em clara posição de impedimento, o "sr. Nóbrega" anula o gol que seria o segundo do Piedade. Mesmo sofrendo em seguida mais um gol e perdendo por 2x1, o PFC ainda é uma ameaça. Como as regras daquela época não permitiam substituição de jogadores durante a partida, mesmo em caso de contusão, reverter ou garantir o resultado de um jogo não era uma tarefa muito difícil, principalmente se acompanhada da "compreensão" do juiz... E assim foi.

"Sempre digo, nas minhas crônicas, que a arbitragem normal e honesta confere às partidas um tédio profundo, uma mediocridade irremediável. Só o juiz gatuno, o juiz larápio dá ao futebol uma dimensão nova e, se me permite, shakespeareana. O espetáculo deixa de se resolver em termos chatamente técnicos, táticos e esportivos. Passa a ter uma grandeza específica e terrível. Eis a verdade: – o juiz ladrão revolve no time prejudicado e respectiva torcida esse fundo de crueldade, de insânia, de ódio que existe adormecido no mais íntegro dos seres. O mínimo que nos ocorre é beber-lhe o sangue." (trecho de crônica de Nelson Rodrigues, publicada na Manchete Esportiva de 21 de abril de 1956)

Ainda no primeiro tempo, a "força aérea" dos donos da casa provoca duas baixas na equipe de Piedade: Mundinho e Léco, ambos com ferimentos na cabeça. O primeiro precisou ser levado para o Pronto Socorro local para curativos e fechar o corte – "Costuraram a minha cabeça como se fecha um saco de farinha", lembra Raymundo. Léco não precisou ser "costurado", mas guarda até hoje, além da medalha e da faixa de campeão da Zona 13, uma cicatriz na cabeça. Placar final do primeiro tempo: Gols: Laranjal 2 X Piedade 1. Jogadores: Laranjal 11 x Piedade 9. No segundo tempo Piedade perde mais um atleta, o zagueiro Carlinhos, desta vez por expulsão, e sofre mais três gols, terminando o jogo com oito jogadores e o placar adverso de 5x1. ... MATA No domingo seguinte, em Piedade, o PFC precisa vencer por uma diferença cinco gols para garantir a passagem à fase seguinte. Mesmo com um jogador a menos (Mário Gomes foi expulso ainda no primeiro tempo), vence por 2x0, com dois gols do seu artilheiro Mundinho, mas não consegue a classificação. Após o apito final, nosso zagueiro Carlinhos, inconformado pela injusta eliminação, parte pra cima e dá uns "chega pra lá" no árbitro, que não era o mesmo do jogo anterior (ah, se fosse...). Como o jogo já estava encerrado, algumas semanas depois o Piedade FC recebe um ofício da Federação, comunicando a suspensão do atleta. Tristezas, frustrações e injustiças à parte, naquela antevéspera do Natal de 1956 ninguém provavelmente deve ter lembrado que 11 anos antes, no dia 1° de julho de 1945, naquele mesmo campo, o Piedade FC acabou com os sonhos da equipe de Laranjal, eliminando-a da competição, numa fase equivalente (pág. 21). Portanto, em se tratando de eliminações e "cabeças inchadas", a disputa entre Piedade e Laranjal continua sem vencedor.


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Campeonato Municipal 1956. Santos, campeão paulista; Corinthians, vice. Nesse mesmo ano, enquanto em Santos chegava o garoto Pelé, com 15 anos, em Piedade era realizado pela primeira vez um campeonato municipal no Estádio Municipal Lino de Matos, inaugurado cinco anos antes com as reformas e melhoria nas instalações no "Campo da Floresta". Com sua equipe principal disputando o campeonato regional amador, o Piedade FC monta mais dois times "Extras" (primeiro e segundo quadro) para disputar com outras 10 equipes da cidade e da zona rural também o campeonato municipal (veja nas páginas seguintes). "Sobravam" craques... O Extra do PFC foi, juntamente com a equipe da Vila Elvio, o "dono da festa" e teve seu feito destacado no jornal A Gazeta Esportiva, no início do ano seguinte (recorte ao lado). Na categoria primeiro quadro, enquanto o Extra levava para a sede do Piedade Futebol Clube o troféu e as faixas de campeão, a Vila Elvio ficava com o vicecampeonato. Na disputa dos segundos quadros, as posições se inverteriam: o Extra teve que se contentar com o vice-campeonato, já que o "segundão" da Vila Elvio levou a taça de campeão.

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Ulisses Artilheiro do campeonato

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Reportagem publicada no jornal A Gazeta Esportiva do dia 20 de abril de 1957 Além do erro na grafia dos nomes de alguns atletas, a formação da equipe não é exatamente a do time titular que havia sido campeão no ano anterior, mas de um jogo realizado no dia 10 daquele mês, em que o Extra atuou com os jogadores da foto: Em pé: Dala, Airton, Issa, Jura, Dito Garcia, Toninho Escanhoela e Hiládio (técnico). Agachados: Mércio Gomes, Kazuo, Célio, Aécio e Kurt. O primeiro quadro do Extra que foi campeão municipal de 1956 jogava com Mércio Gomes, Jura e Ditinho Garcia; Ailton (ou Álvaro Ferreira), Issa e Dito Santos; Toninho Escanhoela, Kazuo, Ulisses (ou Célio), Aécio e Kurt.

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Em pé: Luiz (sem uniforme), Milton, Anizião, Geraldo, Avelino, Tarcizo, Milton e Toninho. Agachados: Hercílio, Jorginho, Bertinho, Odair e Jandir – Mascote: Jackson


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Campeonato

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Além do Extra do Piedade FC e da Associação Recreativa Vila Elvio, que repartiram os títulos de campeão e vice com seus primeiros e segundos quadros, disputaram o campeonato municipal de futebol de Piedade de 1956 equipes representantes de outros bairros da zona rural, como dos Cavalheiros, Correas, Leites, Piratuba e Roseira; da "cidade", o Pingo D'água e três equipes formadas por representantes dos servidores públicos, Municipais, Estaduais e do DER. Os árbitros Moacir Bueno, José Ramalho, José Antunes e Totó Gaiola revezaram no apito e nas bandeirinhas. Ao todo onze clubes ou associações se empenharam na disputa daquele inédito campeonato, que daria ao vencedor o privilégio de expor na sua sede, e guardar para sua história, o Troféu Hospital São Roque, uma grande taça doada pelo empresário "Chico Gato", representante dos produtos Antarctica em Piedade. Como se pode imaginar, o acontecimento agitou a cidade por quase todo aquele ano. Além dos atletas, cada equipe deveria inscrever uma candidata ao título de "Rainha do Campeonato", ficando responsável pela venda dos cupons representativos da beleza e da simpatia da sua representante, com renda revertida a favor do Club Literário e Recreativo, que na época estava carente de recursos financeiros. A eleita, Odila Ferreira dos Santos, representante da equipe dos Funcionários Municipais e logo reconhecida como "Miss Piedade de 1956", foi coroada no final da competição, juntamente com as "Princesas" Erica Stelzer e Aurora Borgatto, representantes de duas outras equipes.

Cavalheiros FC

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Em pé: Paulo Murakawa (sem uniforme), Raimundo Pinto (banderinha), Miguel, Constantino, Zé Pontes, Ezequiel, Gustavo Kaubatz, Arthur e Zé Ramalho. Agachados: Kurt Hoffman, Meli Tuasek, Dito Português, Gino e Zé Pires

Centro Instrut. Recr. Colônia Roseira Em pé: Índio, Herbert, Zelão, Dito Bueno e Marcos. Agachados: Lauro Vieira, Bruno, Artur Phol, Pedro Kruppel, Jacozinho e Sebastião

Correias FC Em pé: Moacir Bueno (banderinha), Zé Belo, Lázaro Bueno, Roque Bueno, Otavião, Roberto Rodrigues e Gustavo. Agachados: Marcelo Ponte, Lazinho Ponte, Mané Lemes, Gentil Hopper e Celestino


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Municipal Antônio Augusto da Silva Filho "Totó Gaiola" Quem for pesquisar sobre o futebol de Piedade, particularmente na década de 1950, vai se deparar muitas vezes com esse nome: Totó Gaiola. Provavelmente o esportista local que melhor tenha capitalizado e transferido para a política a popularidade adquirida através do futebol, uma tradição no Brasil. Basta imaginar quantas pessoas estiveram direta ou indiretamente envolvidas nos acontecimentos desta retrospectiva e atentar para a participação de Totó Gaiola neles: além de técnico dos três times do Piedade FC, ganhando dois títulos e um vice-campeonato, foi o idealizador e responsável pela organização do campeonato municipal, um evento que durante alguns meses movimentou toda a cidade e envolveu duas outras entidades extremamente prestigiadas pelos piedadenses, o Club Literário e Recreativo e o Hospital São Roque, hoje Santa Casa de Misericórdia. Não vamos aqui detalhar números e raciocínios, mas se considerarmos somente os atletas, diretores e o pessoal envolvido na organização e logística desses dois torneios, regional e municipal, já são mais de 400 pessoas! E os familiares, os prestadores de serviços e as torcidas, entre elas as de seis populosos bairros da zona rural? Totó Gaiola participou de duas eleições pela Prefeitura de Piedade, uma em 1951 e outra em 1959, cujos números e resultados foram registrados e comentados pelo historiador Antônio Leite Netto, no capítulo a ele dedicado no seu livro História de Piedade II. (continua)

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Esportiva Benefic. Rodoviário – DER Em pé: Amaro, Pedrinho, Amador Paes, Dodô, ?????? e Federzoni. Agachados: Roquinho, Toninho, Lúcio, Marino e Ciro

Funcionários Municipais FC Em pé: Moacir Bueno (bandeirinha), Raimundo Pinto, Dito Ferraz, Nilton Baldy, ??????, Odila Ferreira (Miss Piedade 1956), Martins, Argemiro Tardelli, Emílio e Zé Ramalho (bandeirinha). Agachados: Jamil Marum (massagista), Mário, Flavinho, Oswaldinho Rojo, Dide e Titico – Mascote: Jamelão

Leites FC Em pé: Dito Santos (sem uniforme), Raimundo Pinto (banderinha), João Leite, Salvador Leite, Ciro, Zé Leite, Elias Leite, Dilão e Zé Ramalho (bandeirinha). Agachados: Mané Miano, Zé Tatú, Célio, Osmar Leite e Toninho Miano

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Campeonato Municipal

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O "Ano de Ouro" do futebol de Piedade talvez justifique porque nosso personagem "não desistiu", como observa o historiador num trecho do seu resumo biográfico: "Responsável pelo Cartório de Registro Civil, gostava de política e futebol. Fez um curso de árbitro na Liga Sorocabana de Futebol e foi técnico do Yara, time juvenil, nos anos cinquenta. Em 1951 se candidatou a prefeito pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e foi fragorosamente derrotado por Orestes Romano, 1085 votos contra 435... Mas não desiste. Em 1959 lá está ele com seu PTB, candidato a prefeito novamente. Praticamente só. O comércio (grupo de comerciantes mais influentes na época) estava totalmente contra. Apoio mesmo só do Serviço de Alto-Falantes, do seu Lázaro, que repetia sem cessar o refrão – Totó Gaiola, homem de capacidade, vamos todos votar nele, prá prefeito de Piedade.” Naquele tempo os eleitores eram transportados dos bairros até a cidade em caminhões fretados pelos candidatos. Totó não conseguiu nenhum. Todos já estavam fretados para o candidato da situação Djalma de Almeida Ramalho. No dia 4 de outubro tivemos as eleições mais disputadas deste município, Totó venceu com 1047 votos contra 1043 para o Djalma Ramalho. Orestes Romano ficou em terceiro lugar com 691. Na semana seguinte os dois mais votados jantaram juntos para cumprir a aposta que tinham feito: Quem perdesse pagaria o jantar."

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Pingo D'água FC Em pé: Zinho Escanhoela e Raimundo Pinto (sem uniformes), João (técnico), Ugo, Chico Mula, Toca, Alceu, Valdemar e Toninho Vieira – Wilson Lopes, João Takahashi e Paulo Murakawa (sem uniformes). Agachados: Zé Emilião (massagista), Zé Mendes, André Alamino, Zé Claudino, Nino e Camilo. Mascotes não identificados

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A. A. U. Piratuba Em pé: Moacir Bueno (banderinha), Raimundo, Pedro, Uílio, Odila Ferreira (Miss Piedade 1956), Mario Torres, Flávio, Lauro e Zé Ramalho (banderinha). Agachados: Edgar, Levino, Erasmo, Eleno "Óleo Cru" e Zeca

Grêmio Esportivo Servidores Estaduais Em pé: Raimundo Pinto (sem uniforme), Milton Correia, Zé Borges, Moacir, Joaquim Francisco, Osvaldo Toniko e Assis. Agachados: Virgílio Damásio, Romeu Professor, Delázari, Nelson Castro e Dr. Castro

SABIA QUE... ... no dia 20 de maio de 1961 um grupo de esportistas, liderados pelo empresário José Antônio Gomes, fundou o Esporte Clube XX de Maio, dividindo com o Piedade FC a preferência dos torcedores piedadenses nos campeonatos municipais e regionais por praticamente duas décadas?


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Piedade FC de 1946

Em pé: Antonio Honório (Árbitro), Carlinhos Ayres, Milton Correa, Valdemar, Fredi, Dito Ferraz e Ângelo Agachados: Tufí, Lhô, Nelsão, Nelsinho Tardelli e Nelson

Piedade FC "faz bonito" na 23ª Região do Campeonato Estadual de Futebol Amador - Interior Representada pelo Piedade FC, Piedade estreia em torneios oficiais disputando o Campeonato Amador do Interior no ano de 1945. Depois de suplantar vários adversários na fase classificatória, o PFC passa às eliminatórias, cruzando primeiramente com o Laranjal FC. A primeira partida do "mata-mata" foi em Laranjal Paulista e o PFC, de Regi II, Orlando e Bagé, Carlinhos, Ferraz e Celso, Bueno, Paulo, Regi I, Bento e Titico, derrotou o time local por 2x1, com gols de Carlinhos e Bento. No domingo seguinte, 1° de julho, em Piedade deu a lógica: o Laranjal é eliminado pelo placar de 3x1 e Piedade continua na competição, encontrando agora pela frente um dos favoritos à conquista do Campeonato, o São Martinho, de Tatuí, que havia eliminado o Portofelicense. Domingo, 8 de julho, o PFC viaja para Tatuí para enfrentar o temível "Leão do Sul", que vinha vencendo seus últimos jogos em casa por goleada. Mesmo jogando bem e o goleiro Regi II fazendo defesas incríveis, a equipe de Piedade perde por 3x1. A superioridade da equipe de Tatuí era tanta que, apesar da derrota, o Jornal Cruzeiro do Sul abre a notícia do jogo enaltecendo o desempenho da equipe de Piedade: "O TIME DE PIEDADE FEZ BONITO EM TATUÍ", complementando com o sub-título "Contrariando todos os prognósticos, Tatuí vence por 3x1, apenas". "Com esse feito está de parabéns o time de Eurico, pois os eternos apostadores de futebol estavam dando uma vantagem grande, enorme de pontos, para os jogos feitos aqui, e nos quais o Piedade era dado como presa fácil para o São Martinho" –

registrou o jornal de Sorocaba, destacando que "o feito irá servir de incentivo para o domingo próximo, em Piedade, quando receberão a visita do famoso bando de Badith, sério candidato ao título nesta nossa região dada a potencialidade do onze, muito nosso conhecido." Realmente, embora a equipe de Tatuí continuasse como grande favorita, o desempenho da equipe de Piedade no primeiro jogo e o fato do segundo ser "em casa" deixava os torcedores piedadenses com alguma esperança... Foi uma semana de grande expectativa. A partida do dia 22 de julho foi memorável. Com o campo lotado, o primeiro tempo termina com o placar de 2x1 para o São Martinho. No segundo tempo o PFC entrou para o "tudo ou nada", pressionando o adversário, até sofrer um pênalti. Era a grande oportunidade de empatar o jogo e, quem sabe, conseguir a vitória, mesmo que fosse na prorrogação. Depois da euforia pela assinalação do árbitro, o silêncio foi tomando conta do "campão"... "Quem será que vai bater?" Logo viram Bagé saindo da rodinha que os jogadores do PFC haviam formado no meio do campo. Caminhando lentamente até a área adversária com a bola embaixo do braço, nosso zagueiro ajeitou-a com capricho e carinho na marca de cal, retrocedeu uns cinco passos e foi, decidido, mas ciente da sua responsabilidade... No jogo da vida, aquele dia era do goleiro! O São Martinho venceu por 2x1 e seguiu sua caminhada rumo ao título de Campeão Amador da 23ª Região do Interior do Estado de São Paulo. O Piedade Futebol Clube perdeu, "mas fez bonito" na sua estreia em competições regionais.

SABIA QUE... ... que o velho tabu de que o Corinthians ficou sem ganhar do Santos durante 11 anos (1957/1968) da chamada "Era Pelé" é falso? O Timão teve esse período de jejum "somente em jogos pelo campeonato paulista"! Pelo Torneio Rio-São Paulo, o Corinthians ganhou do Santos em março de 1958 (2x1), de 1960 (2x1) e de 1961 (2x0), além de um jogo pela Taça São Paulo, em junho de 1962 (3x1).


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FARPAS, HUMOR E CURIOSIDADES PAULO A. FREIRE

QUESTÃO DE ESTILO O sujeito chega ao escritório e repara que o colega, bastante conservador, agora usa um brinco na orelha. – Olha lá, Moreira... Quem diria? Achava que você não gostava desse tipo de adereço... – Ah... Isso não tem nada de especial. É só um brinco… – Ah, é só um brinco? E desde quando você usa isso, cara? – Desde que a minha mulher o encontrou no meu carro, na semana passada.

PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO Uma coisa todos sabem, mas poucos se lembram: o resultado de uma comunicação não é o que você fala (ou escreve); mas sim o que as pessoas entenderam do que foi dito ou escrito... Veja o que ocorreu em uma empresa, a partir de um comunicado da presidência sobre a passagem do Cometa Halley. De: Presidência Para: Diretoria de Recursos Humanos Na próxima sexta-feira, aproximadamente às 17h00, o Cometa Halley poderá ser visto a olho nu pela população do nosso Estado. Trata-se de um fenômeno que ocorre somente a cada 78 anos. Sugiro que reúnam todos os funcionários no pátio da fábrica, onde farei uma apresentação sobre o fenômeno. Se estiver chovendo não será possível ver o espetáculo e todos deverão dirigir-se ao refeitório, onde será exibido um documentário sobre o Cometa Halley. De: Diretoria de Recursos Humanos Para: Diretores Por ordem do diretor-presidente, na sexta-feira, às 17h00, o Cometa Halley vai passar sobre a fábrica. Se chover, reúnam todos os funcionários de suas respectivas áreas e os encaminhem ao refeitório, onde o raro espetáculo terá lugar, o que ocorre a cada 78 anos e que pode ser observado a olho nu. De: Diretoria de Área Para: Gerentes A convite do nosso querido diretor, o grande cientista Halley, com 78 anos, vai aparecer nu, no refeitório da fábrica, na próxima sexta-feira, dia 17, pois vai ser apresentado um filme sobre os problemas causados pela chuva. Após o filme, o Prof. Halley fará uma apresentação no pátio da fábrica.

DO CARIOCA PARA O PAULISTA O carioca diz que o grande problema do paulista é distinguir 'singular' e 'plural'. Para ilustrar essa afirmação, conta uma história: Estava o carioca na esquina da Av. São João com a Av. Ipiranga, quando observou um tumulto e aproximou-se para ver o que estava ocorrendo. Presenciou uma grande discussão entre o gerente de uma Pizzaria e o cliente que esbravejava: – Pô meu! Eu comi 2 pizza; 1 pastéis, 1 chopps e você quer me cobrar 200 pau...!!!

DO PAULISTA PARA O CARIOCA

De: Gerentes Para: Supervisores Todo mundo nu, sem exceção, deverá estar no pátio da fábrica, no próximo dia 17, pois o Diretor e o Sr. Halley, com 78 anos, figura muito conhecida no meio artístico e musical, estarão presentes para apresentar o raro filme: 'Dançando na chuva'. Caso comece a chover, todos deverão se encaminhar para o refeitório onde ocorrerá o show. Esperamos que ninguém cometa qualquer acidente no dia 17. De: Supervisão Para: Todos os funcionários No dia 17 de fevereiro, o chefe vai completar 78 anos de idade. Para comemorar, convida todos os funcionários para uma festa no refeitório. O grande baile será animado pela internacional banda de Bill Halley e seus Cometas. Todo mundo deverá ficar nu, porque a banda é muito louca e o rock vai rolar solto até no pátio, mesmo com chuva.

Estava o paulista entrando no elevador de um edifício de escritórios no Rio de Janeiro e ouvia os cariocas solicitarem ao ascensorista: – Doishhh! E o ascensorista acionava o número 2. – Treishhh! O número 3 era acionado. – Seishhh! O ascensorista acionou o 6. Chegando a vez do paulista, este solicitou: – Oito! Vendo a imobilidade do ascensorista, o paulista acrescentou: – Ssshhhh! Imediatamente o ascensorista acionou o número 8...

MAL ENTENDIDO... Numa delegacia, o escrivão já havia tomado o depoimento de todos os envolvidos numa briga generalizada, ocorrida num bar. Faltava só a Maria, que estava visivelmente ferida, com escoriações aparentes. – Então, a senhora também foi atingida na encrenca? – Não sinhoire! Foi um pouquinho mais para cima...


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Meu bisavô passou a vida contando esta história para todos e morreu jurando que foi verdade. Minha avó Brasília contava essa experiência terrível à minha mãe, Terezinha Marciano Hirata, e a meus tios nas noites frias de Piedade, quando se reuniam à beira do fogão e a história passou por gerações, chegando até a minha infância, quando ficávamos todos (amigos e primos) ao redor de mamãe para ouvir seus “causos” de assombração.

Há mais de cem anos, na pequena Vila de Piedade, muito fria e Contudo, a romaria ultrapassou o Largo da Matriz e, pior, tomal iluminada por lampiões, vivia o Capitão Benedito Vitorino dos os romeiros se dirigiam ao cemitério e sumiam na bruma tão Dias, casado com a Professora Maria da Gloria Gomide, raízes de logo penetravam naqueles umbrais. É peça pregada pela cerração, numerosa descendência de piedadenses e pais, entre outros fipensou o já aterrado Capitão, que, por via das dúvidas, ouviu a prulhos, da menina Brasília Vitorino Dias, que se tornaria minha dência, apagou a vela, guardou-a no bolso e desceu a passos largos avó. A família morava na Praça da Bandeira, numa imensa casa para sua casa, na outra extremidade da vila, onde entrou esbaforionde, depois, instalou-se a primeira escola de Piedade e, mais do, olhar esbugalhado e suando em bicas apesar do frio. recentemente, funcionou o Hotel Santo Antonio. Clareava a madrugada e minha bisavó assustou-se, vendo o marido chegar em tão deplorável Até altas horas da noite, o estado. Club Literário propiciava, sem “Pelo amor de Deus, o que discriminação de patentes miliaconteceu, Dito?” – disse ela, entares, o lazer de um carteado a quanto tentava acalmar o resto coronéis, capitães, tenentes e da família acordada com os grimuito soldado raso. Numa destos do patriarca. sas madrugadas, o Capitão Vito“Cruz credo, Glorinha, o que rino Dias, que lá se encontrava, eu passei não desejo para o meu despediu-se dos amigos e tomou pior inimigo”, – respondeu, enrumo de casa pela rua “de baiquanto abria uma canastra e ali xo”, como eram conhecidas a guardava a malfadada vela. Cônego José Rodrigues e CoSó então contou a história da mendador Parada. aterradora aventura noturna. Mas aquela madrugada não Ninguém acreditou. A coisa estaestava como a tantas outras... va mais para esfarrapada desculVindo sorrateira do rio, espessapa de alguém que chegou à casa va-se viscosa neblina pela encoscom o dia amanhecendo. ta do vale. As esmaecidas luzes O nervosismo de meu bisavô dos lampiões já bruxuleavam e, persistiu, aumentado pela perentre as volutas da névoa, esparcepção de seu baixo crédito junto giam sugestões de vultos disforà esposa e filhos. Como seu estames. do inspirava cuidados, decidiuMesmo sendo homem de se chamar o médico, mais provacoragem, o Capitão apressou o velmente algum boticário ou benpasso, sentindo-se muito só no zedor, como costume daqueles Causos, curiosidades e histórias do cotidiano de meio daquele casario silente, tempos. Piedade em décadas passadas, contadas pelos cujas janelas pareciam olhos a Médico, boticário ou benzedor, próprios personagens... ou "testemunhas". espreitá-lo. o fato é que ele também não acreDe repente, estacou. Pasmo, ditou na mirabolante história. coração aos saltos, avistou, descendo da Capela do Jacueiro, “Se vocês não acreditam em mim”, – urrou o Capitão, “abram estranho desfile de luzes vindo em sua direção. a canastra e vão encontrar a vela que recebi para acompanhar a Nessa altura do bizarro evento, ele já se encontrava próximo ao procissão”. Largo da Cadeia, mas impedido de chegar à sua casa pela torrente O médico abriu o baú, mas não encontrou ali nenhuma vela. luminosa. Viu, então, tratar-se de uma espécie de procissão, todos Porém, não voltou de mãos vazias, pois, estarrecido e mostrando vestidos de branco e portando vela acesa. O Capitão assistia ao aos estupefatos familiares um pedaço de osso do bracinho de um insólito cortejo, cujo significado lhe escapava, quando gélida mão anjinho, como, naquele tempo, eram tratadas crianças mortas, tocou-lhe o ombro. Voltou-se e deu com alguém que lhe ofereceu dirigiu-se ao paciente: uma vela e o convidou a acompanhá-lo. “É, Capitão, vosmecê esteve mesmo acompanhando uma Seja porque era homem de princípios religiosos, seja porque o procissão de almas penadas!” olhar penetrante de seu soturno interlocutor não admitia recusa, Este causo foi relatado por Wilma Hirata e editado e ambientado por meu bisavô se postou no meio da romaria, acompanhando as Osmar de Nicola Filho, respectivamente, bisneta e tetraneto do lentas passadas em direção à Igreja Matriz, na esperança que lá personagem principal, Capitão Vitorino Dias. chegando, o pároco lhe daria as devidas explicações.

Em volta do fogão


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Estudo realizado pela Universidade de Harvard, mostrou que comer frutas vermelhas pode ajudar a reduzir as taxas de declínio cognitivo, adiando a perda de memória e do raciocínio em até 2.5 anos. Foram utilizados dados de 121.700 mulheres, com idade entre 30 e 55 anos de idade. Entre 1980 e 2001,

GI N

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ÁS TIC AD ÁP RÊ

MI O!

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GM 10.01

QUEM É QUEM?

Qual o nome desta personalidade que: MESMO TENDO NASCIDO NAS TERRAS DE UM ORIXÁ AFRICANO E DO SEU NASCIMENTO NÃO SER DO PAI NEM DA MÃE (QUE ERAM DOS SANTOS E DE JESUS), CANTOU PARA O PAPA JOÃO PAULO II E FOI TEMA DO ENREDO DE UMA ESCOLA DE SAMBA NO CARNAVAL DE 2012...??? E TEM MAIS UMA BOA PISTA: SE VOCÊ GOSTA DE DESAFIOS, PODE AINDA ENCONTRAR O SEU NOME NESTA EDIÇÃO!

GM 10.02

ZIGUE-ZAGUE SILÁBICO

As casas destacadas formarão o nome e o epíteto de um cantor e compositor brasileiro que, se vivo fosse, estaria completando 100 anos.

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Mande sua resposta por e. mail para a Revista Remember (revista.remember@gmail.com) até 10 DE AGOSTO de 2012 e concorra a um livro "História de Piedade - Vol. II", do prof. Antônio Leite Netto. REGULAMENTO 1. Mande somente UMA mensagem, com UMA única resposta. 2. As respostas excedentes de um mesmo remetente; as com mais de um palpite ou sem a identificação completa do remetente não serão consideradas. 3. Coloque seu nome, profissão, endereço completo e um número de telefone para contato. 4. Caso haja mais de um acertador, o ganhador do livro será definido por sorteio, que será realizado em local e data a ser definida e comunicada com antecedência aos concorrentes. 5. Não havendo acertador até a data limite para envio das respostas, a promoção irá para a segunda fase, com novas dicas publicadas na próxima edição, mais uma rodada de respostas... e mais prêmios! 6. Na hipótese acima, as respostas corretas eventualmente recebidas após o encerramento do prazo serão incluídas automaticamente no sorteio da segunda fase.

Solução das ginásticas mentais da edição anterior Pegue a REMEMBER n° 09 e confira seu desempenho GM 09.01 - QUEM É QUEM? A personalidade do teste é o jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador brasileiro Ruy Barbosa (veja na pág. 26). Sete leitores responderam corretamente e o ganhador do livro História de Piedade Vol. I, definido em sorteio realizado no saguão do Hotel JWF, foi José Antônio Marciano, de Brasília. O livro, de autoria do Prof. Antônio Leite Netto, foi doado para o nosso teste por Alberto Marino, representando o Educandário Lar de Jesus, entidade que recebeu do autor os direitos de edição e comercialização da obra, em 1987. Obrigado, Alberto.

Colaboração: Cherubim de Camargo - 2012 CHAVES (verticais): 1 - Que tem forma de meia lua 2 - Condimento picante utilizado na culinária japonesa 3 - Engenhóca 4 - Agilidade 5 - Dominado 6 - Principiante, novato 7 - Recuperar ou tentar recuperar 8 - Compaixão 9 - Abatido, humilhado 10 - Gênero de répteis que tem o poder de mudar de cor Use as seguintes sílabas: ÃO, BAI, BIS, CA, CA, CIA, CAR, CON, ÇA, DI, DO, DO, FI, FOR, FOR, GA, GE, GEI, GON, IZ, JU, LE, LEN, LI, LU, MA, ME, NE, NI, O, RA, RE, REI, RIN, SUB, TE, TO, VIN, XO, ZA.

GM 10.03

SERÁ...???

45 amigos participaram do último Encontro da Turma Remember. Conferindo as comandas de despesas do bar após o evento, constata-se que 27 tomaram cerveja, 23 tomaram caipirinha e 15 não fizeram discriminação, tomaram cerveja e caipirinha! Sabendo-se que não havia outro tipo de bebida disponível, é correto afirmar que o número de abstêmios foi: > > > > >

GM 09.02 ENGRENAGEM SILÁBICA 1-2) 3-4) 5-6) 7-8) 9-10) 11-12) 13-14) 15-16) 17-18) 19-20)

COTURNO PERTURBAR AIMARÁ TEMÁRIO TAREFA XERETA DESMEMBRAR TREMEMBÉ ABERRAR IMBERBE

GM 09.03 SEQUÊNCIA LÓGICA O número que deveria estar no espaço em branco da última coluna é 3, já que todos números da linha de baixo representam a quantidade de letras da linha de cima.

A) B) C) D) E)

23 20 15 10 6

GM 09.04 - TRAVESSIA FLORESTAL NOTURNA Para facilitar a compreensão da resposta, montamos um gráfico e identificamos os amigos pelo tempo que cada um gasta na travessia.

Travessias

Quem (com a lanterna)

Minutos gastos

Ida

> 5 e 10 >

10 min

Retorno

<5<

5 min

Ida

> 20 e 25 >

25 min

Retorno

< 10 <

10 min

Ida

> 5 e 10 >

10 min

TEMPO TOTAL >

Quem fica do outro lado 10

20 e 25 5, 10, 20 e 25

60 min

GM 09.06 - TRAÇOS DE PERSONALIDADE A fatia de cima é de um Pálio, da Fiat. A de baixo, que até quem nasceu muito depois dela deixar de ser fabricada identificou, é a "velha", e para muitos saudosa, Brasília. Questão de personalidade...


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elas responderam a questionários sobre hábitos alimentares e estilo de vida. A partir de 1995, aquelas que já haviam completado 70 anos ou mais realizaram testes anuais que avaliaram a capacidade cognitiva de cada uma. Os resultados mostraram que o maior consumo de frutas vermelhas, importante fonte de flavonóides (composto químico com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias), retardou o declínio cognitivo entre as participantes.

GM 10.04

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Memória Fotográfica

NA CRISTA DA ONDA

No esquema abaixo têm-se indicadas as operações que devem ser sucessivamente efetuadas, a partir de um número "X" a fim de obter-se como resultado final o número 12. adicionar 39

dividir por 4

Então, o número X é A) primo B) par C) divisível por 3 D) múltiplo de 7 E) quadrado perfeito subtrair 12

multiplicar por 3

X

12

GM 10.05

"RECALL"

GM 10 .06

De modo geral, as pesquisas Recall funcionam como um termômetro no marketing das empresas. É ela que completa uma campanha, trazendo informações do quanto e como a mensagem foi absorvida pelos consumidores. Vamos ver como anda o seu "recall" em relação a estes produtos, completando os slogans.

Este time foi tri-campeão mundial. Será que a sua memória ajuda a lembrar, pelo menos, da escalação titular?

GM 10.07

1. ...................................... "É melhor e não faz mal" 2. ...................................... "Um raro prazer" 3. ...................................... "Impossível comer um só" 4. ...................................... "Dê férias para os seus pés" 5. ...................................... "Parece mas não é" 6. ...................................... "Eu sou você amanhã"

INDUÇÕES ALFA-NUMÉRICAS

Alguns números, quando combinados com determinadas letras, induzem o raciocínio lógico a frases, títulos ou afirmações amplamente aceitas e conhecidas. Sabendo que as letras maiúsculas representam iniciais de palavras, não fica muito difícil descobrir que "24 H do D", por exemplo, significa "24 horas do dia". Está certo que nem todas são assim tão simples, mas vamos ver quantas você consegue descobrir nas cinco abaixo (se você tem menos de 50 anos, não perca tempo com a 1 e a 3): 1) 7 A e 1 C;

2) 10 M tem o C;

3) 7 H e 1 D;

4) 4 R, 4 D e 4 V do B;

5) 12 M do A

7. ...................................... "Energia que dá gosto"

GM 09.05 - PALPITEIROS

GM 10.08

Antônio e Davi são os dois finalistas. Os dois nomes que aparecem três vezes nos palpites dos entrevistados.

GM 09.07 - TRÊS TEMPOS 11 12 1 10

2

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3

8

4 7

6

5

GM 09.08

Título do Exercício - "letra & música" Enigma 1 - "aquarius" Enigma 2 - "waldemar espinosa" Enigma 3 - "lyra são joão"

Raciocinando em termos de letra e música e usando o mesmo alfabeto musical da edição anterior (desprezando os acentos), encontre a correspondência entre os caracteres para decifrar o título deste exercício e esta frase antológica da música popular brasileira.


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Quem é quem na edição anterior

CAPA - F-09.01 Ano: 1955 n°

Ruy Barbosa

2 0 1 2

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nome

1

Virgílio (Rei)

2

Irani (Rainha)

3

Celina

3/4 Gilson

Nesta página, identificamos algumas personagens mostradas na edição anterior; de Ruy Barbosa, personalidade do teste "Quem é quem", aos foliões e folionas que fizeram a história dos carnavais de Piedade. Pegue a sua Remember 09 e veja quem é quem em cada uma das fotos nas tabelas abaixo... Você vai se surpreender com algumas "revelações".

4

Osmilda

5

Valdeliz

6

Natália

7

Chiquinho

8

Valdiva

1

Chiquinho (Rei)

1

Prof. Gomes (Rei)

9

Romeu

CAPA - F-09.02 Ano: 1956 nome

CAPA - F-09.03 Ano: 1957 n°

nome

2

Irene (Rainha)

2

Marli Chedid (Rainha)

10 Lalau

3

Guilherme

3

Irene

11 Murilo

4

Norma

4

12 Wilson Gomes

5

Helena

5

Neuza Espinoza

13

6

Maria Lúcia

6

Ada Borgatto

14 Silvano

7

Cidinha "de Bada"

7

Fredi

15

8

Inácia

8

16 Piturrinha

9

Didinho

9

17 Toninho Mundico

10 Terezinha

10 Celeste Maciel

18 Carlito Bechara

11 Álvaro Ferreira

11 Xistinho

19

12 Osmar de Nicola

12 Cristina Passarelli

20 Rubinho

13

13 Eliane

21 Zé Ponga

14 Maria Binder

22 Adãozinho

15 Marli

23 Joaquim "Bucho"

16 Natália

Dicas do teste GM 09.01 e referências da sua biografia 1 - herdou de seu pai um "pé de azeitona"; Ruy Barbosa de Oliveira é o seu nome completo. O "Oliveira" veio do seu pai. 2 - foi deputado, mas não é por isso que Brasília aparece na sua biografia; Em 1872 viveu a sua primeira crise amorosa e Brasília era o nome da "gentil senhorinha". 3 - defendeu a igualdade de alguns estados e condenou a neutralidade de outros: Na II Conferência da Paz, em Haia (1907), notabilizou-se pela defesa do princípio da igualdade dos Estados e em 1917, em seu discurso intitulado o Dever dos Neutros - a propósito da Guerra Mundial em curso na Europa - defendeu o princípio de que neutralidade não pode ser confundida com indiferença e impassibilidade. 4 - "Deus acendeu um vulcão na sua cabeça"; Em 1885, no auge da campanha abolicionista, José do Patrocínio escreveu: "Deus acendeu um vulcão na cabeça de Ruy Barbosa.". 5 - é referência pública na cidade onde nasceu e em quase todas cidades brasileiras: Nasceu na rua dos Capitães, hoje rua Ruy BarCAPA - F-09.04 bosa, freguesia da Sé, na Ano: 1962 cidade do Salvador. n° nome Hoje, no Brasil, poucas cidades não têm uma 1 Márcio rua ou praça com o seu 2 Hilda nome. 3

Ângela Tsuyoshi

17 Bertinho Ayres

Pag. 13 - F-09.09 Ano: 1954

4 5

Marise

18 Osmilda

nome

6

Adilson

Pag. 12 - F-09.08 Ano: 1935

Pag. 14 - F-09.16 Ano: 1962

19 Virgílio Damásio

1

Álvaro Ferreira

7

Neyde

20 Edson Hauada

2

Bertinho Ayres

8

Mathias

1

Gentil Batista

nome

21 Toninho Mundico

3

Toninho

9

Zezinho

2

Gustavo Marciano

1

Zé Maria Nery

22 Flavinho

4

Zé Pereira

10 Virgílio

3

Joaquim Bueno

2

Totó Gaiola

23 Hélio Godinho

5

Agenor Flora

11 Xará

4

Thyrso Ayres

3

Ângela (Rainha)

24 Joaquim "Bucho"

6

Checo

12 Cidinha

5

Flávio V. Pinto

4

Dr. Sebastião

25 Zenóbio

7

Darci Soares

13 Dayton

6

Joaquim

5

Beatriz

26 Silvano

8

Cido

14

7

Cherubim Agápito

6

Márco (Rei)

27 Toniquinho

9

Vico

15 Zumara

8

Zeca G. Abreu

7

Dr. Giovani

28 Xisto

10 Laidão

16 Dr. Giovani

9

Zico

8

Gustavo

29 Mathias

11 Virgilio Damásio

17 Beatriz

10 Sócrates Rosa

9

Tsuyoshi

30 Edson Leite

12 Gerson Escanhoela

18 Dr. Sebastião

11

nome

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Revista Remember n° 10 - Junho/2012