Revista Impúrpura - 2ª Edição

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2ª Edição


SUMÁRIO GERAL EQUIPE DA REVISTA..................................................06 EDITORIAL.............................................................................08 SEÇÃO INFECÇÃO.........................................................10 SEÇÃO QUARENTENA............................................26 SEÇÃO NEGACIONISMO......................................34 SEÇÃO PÓS-VERDADE.............................................56 SEÇÃO MÁSCARAS......................................................72 SEÇÃO MEDICAÇÃO..................................................84 SEÇÃO ESPERANÇA...................................................96

01 INFECÇÃO

AÇÕES QUE O CAMPUS DESENVOLVEU DURANTE A PANDEMIA...............................................................................12 RELATOS - IFRN CAMPUS CAICÓ.........................................................................................20

02 QUARENTENA

R.FERNANDES...................................................................28 JOÃO PEDRO......................................................................30 MAYSSA......................................................................................31


SUMÁRIO

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04

IFRN ALÉM DOS MUROS......................................36

SOL-19...........................................................................................58

SEM NOS RENDER AO NEGACIONISMO.............................................................37

MARIA, MARIA....................................................................60

NEGACIONISMO

DEPOIMENTOS DE PROFESSORES SOBRE O ENSINO REMOTO.........................................................42 RELATOS DE EGRESSOS DO IFRN .................................................44 DOBRADO SERIDOENSE: UM SONHO MUSICAL NO IFRN.......................................................48 DEPOIMENTOS DE PESSOAS SOBRE A CIÊNCIA OU O FATO DE SE NEGAR A CIÊNCIA..............................................52

PÓS-VERDADE

A COROA..................................................................................63 SELEÇÃO (DES)NATURAL..................................64 VIOLÃO......................................................................................65 PÓS-VERDADE...................................................................66 RELATO DE SAUDADE.............................................68 UMA PANDEMIA E SUA FERIDA.....................................................................70


SUMÁRIO

05 MÁSCARAS

A PANDEMIA COMO DOCUMENTO HISTÓRICO: O QUE DEVERÍAMOS APRENDER COM O VÍRUS...................................74 THE LAST GUARDIAN, AVENTURA E LIRISMO SE MESCLAM À SOLIDÃO E INVENÇÃO.............................................................................76 E ASSIM FEZ-SE A LUZ! - ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA E SUAS MÚLTIPLAS ASSIMILAÇÕES NA REALIDADE BRASILEIRA.......................................80 AS LIÇÕES APRENDIDAS POR UM ESTUDANTE DURANTE A QUARENTENA...................................................................83


SUMÁRIO

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A ARTE EM EXPOSIÇÕES INSTANTÂNEAS...............................................................86

JORNADA NO RIO MUNDO.........................................................................98

MEDICAÇÃO

ENTREVISTA COM A ARTESÃ BEATRIZ LUCENA..........................................................88 ENTREVISTA COM OS PROFESSORES DE ARTES...................................90 CONTEÚDO DIGITAL.................................................93

ESPERANÇA

PARA LEMBRAR AMANHÃ..............................................................................100


Revista Impúrpura 2ª Edição

Equipe da Revista Antes de iniciar sua leitura, conheça os nomes e rostos dos integrantes da Revista Impúrpura

Felipe Garcia

Rodrigo Fernandes

Edição, revisão e produção dos textos

Edição e produção da revista

Edição, revisão e produção dos textos

Maria José

Eduarda Mirelly

Pedro Henrique

Edição, revisão e produção dos textos

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João Gomes

Projeto Gráfico, Direção de Artes

Colaboração e produção


Revista Impúrpura 2ª Edição

Alamberg Smytth

Ana Júlia

Colaboração e produção

Colaboração e produção

João Pedro

Mayssa Silva

Colaboração e produção

Letícia Linhares

Colaboração e produção

Colaboração e produção

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Revista Impúrpura 2ª Edição

EDITORIAL

O

tempo é nossa matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. Drummond tinha razão. Nós somos o Presente, a vida que é no Agora, e por isso mesmo é tempo de recuperar nossa confiança no mundo que a ciência nos legou, a filosofia, a sociologia, a lógica, e todos os conhecimentos que contribuíram para a existência possível da humanidade. E graças à educação, um legado humano atemporal, podemos dizer que, enquanto houver vida, haverá Esperança. Pois a educação transforma o mundo, nos devolve a essência do ser humano. O patrono da educação brasileira, Paulo Freire, nos ensina, somos mediatizados pelo mundo e, coletivamente, aprendemos como corajosos, desafiamos as trevas, e para garantirmos essa confiança no mundo, enfrentamos dia a dia uma realidade insípida, caótica e beligerante.

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A nova edição da Impúrpura, depois de quase dois anos de Pandemia, atravessou um percurso longo e difícil do país. Doloroso. Viveu-se sob o fio da navalha, entre a ameaça vírus de um vírus e a de um governo que se desgovernou justamente num momento em que os brasileiros precisavam de apoio e direção; um governo federal indiferente, insensível e suspeito, que demonstrou total ignorância quando confrontado com a realidade, com um saldo de mais de 600 mil mortos, milhares de desempregados, com um histórico precedente de Negacionismo, Fake News, além do atraso deliberado das vacinas da Pfizer, a recusa dos e-mails, fatos comprovados e registrados pela CPI da COVID. Perguntamo-nos: é possível acreditar em algo mais cruel? As imaginações mais férteis temem represálias.


Revista Impúrpura 2ª Edição

Enfim, não foi fácil ser brasileiro nestes últimos dois anos de Pandemia, depois de tanto descaso, luto e negligência, vivendo sob ataques constantes daqueles que deveriam garantir a soberania e a força do seu país. A revista, portanto, não só atravessou esses dois últimos anos, mas também foi atravessada pela incúria daqueles que promoveram e fizeram ataques às universidades, aos institutos, à ciência. Mais uma vez, as intervenções claramente invasivas do governo federal ferindo a liberdade de cátedra dos professores, desrespeitando a decisão democrática das eleições de reitores para universidades e institutos pelo país – mostram como foi difícil se tornar alvo quando o alvo deveria ser a opressão, a corrupção, a ignorância, os paraísos fiscais, e os demais crimes previstos pela nossa Constituição. Essa terrível infecção que assolou o país não foi só fruto de um vírus, uma lei irrevogável da Natureza. Pois os sufocados também respiram sem auxílio de aparelhos, mesmos os assintomáticos. A crise de asfixia nacional não é recente, mas agora, contra a ciência e os fatos, os aparelhos do Estado entraram na linha de frente dessa miséria; a liberdade, tão esbravejada em peitos ocos, sob máscaras inaparentes, nunca foi tão vilipendiada como nos últimos dois anos; o bom senso, o equilíbrio, a razão, a lista de direitos humanos invioláveis que sofreram ataques não caberiam neste parágrafo. Que a nossa consciência faça um esforço!

Nós, da Impúrpura, nesta segunda edição, resistimos às intempéries, a medicação foi a ciência, o conhecimento, a força de nossa abalada Democracia. Portanto, acreditamos que é a hora e a vez da Esperança, do Saber, da confiança na Ciência, e que o tempo não nos contradiga, porque ser brasileiro tem sido tão difícil quanto acreditar que sempre pode ficar pior. Esperamos que assim não seja, mas gostaríamos que as seções a seguir sirvam de registro dos momentos pandêmicos que passamos e ainda enfrentamos, como sugere a decomposição do título desta edição, um instantâneo do Panorama Democrático dos Novos Dias (Pandemias). Seguindo essa lógica do fragmento, dada a liquidez e inconstância dos fatos, se pensarmos como Bauman, todas as seções da Impúrpura foram organizadas conforme a disposição de um roteiro inescapável vivido nos dois últimos anos. Introduzidas por um breve texto narrativo, que apresenta um tortuoso quebra-cabeça de erros, enganos e descobertas, da Infecção à Esperança, percorremos a Quarentena, o Negacionismo, a Pós-verdade, as Máscaras e a Medicação, nosso roteiro busca um horizonte utópico que, talvez, nos traga alguma Unidade em meio às inúmeras ondas e isolamentos, a fim de que a Esperança possa navegar por esse mundo líquido, e a inevitável negação desse período seja, em parte, reduzida pelo fluxo da vida enquanto se desliza sobre o presente todos os sonhos da época. A Impúrpura agradece ao leitor por fazer parte desta viagem.

A REVISTA

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@damfilhoartes


SEÇÃO INFECÇÃO

I

nfecção, as notícias mencionam sujeira ou contaminar-se, gabinetes paralelos, mácula, embora seu corpo seja atlético, imune a minúsculas gripes, Constituições, seus olhos não vão acreditar no que ouvem – e seus ouvidos não irão ver o que sentem, porque seu paladar não poderá sentir a saliência do martelo que esmaga sua língua – e perfura seus pulmões como um tsunami de desinformação e remédios ineficazes que atentam contra a vida e a humanidade, mantendo o vírus seguro na sua alma, tão seguro quanto o plástico na barriga das baleias, o espinho de peixe na areia, a corrupção no país; pouco a pouco, assim resguardada no centrão das promessas vazias, a infecção tomará conta do

cidadão de bem brasileiro e, em colapso iminente de intubação, disfarçarão o cheiro do miasma tocando o berrante dourado, e não poderemos escapar das inesgotáveis variações asfixiantes do ódio, da tirania, e do atentado irrefreável à democracia. A infecção se dá através do uso de aglomeração intensiva, intolerância e ignorância não- auditáveis, exercício ilegítimo da fé (apocalipse) e da ciência (charlatanismo) e, não menos importante, por meio do contato com as fake news que estão no ar (irrespirável). Recomenda-se resistir, ou revoltar-se – como preferir; porque o organismo resistente é capaz de vencer o vírus, ou um verme, seja qual for o parasita em questão que reluta em sobreviver em ti, enquanto lutas para sobreviver.


Seção Infecção - Revista Impúrpura 2ª Edição

Ações que o campus desenvolveu durante a pandemia

C

om a constatação da pandemia da Covid-19, as aulas do IFRN foram suspensas, porém as atividades e muitas ações continuaram acontecendo, dentre as quais pode-se destacar ações de assistência estudantil, parcerias com outras instituições, assim como o retorno gradual das atividades.

Auxílio para aquisição de serviço de internet: por meio de auxílio financeiro mensal, no valor de até R$ 100,00 (cem reais), para aquisição de pacotes de dados por operadoras móveis ou empresas locais de fornecimento de internet. Auxílio financeiro para aquisição de dispositivo eletrônico: em parcela única de até R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), o auxílio é destinado à compra de dispositivo eletrônico (computador/notebook ou Desse modo, inicialmente, destacam-se as ações que o tablet). Auxílio para material didático-pedagógico: destinado campus desenvolveu durante a pandemia, como o edital de à aquisição de materiais didático-pedagógicos necessários à auxílio, para que os alunos pudessem superar esse momento adaptação do estudante ao ensino remoto, por existência de online de forma mais tranquila, especificamente aquelas que necessidade educacional específica. O auxílio foi concedido em apresentavam vulnerabilidades sociais. parcela única de até R$ 400,00 (quatrocentos reais), podendo Assim sendo, a Diretoria de Gestão de Atividades Estudantis ser solicitado continuamente, enquanto durar o período de do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (Digae/IFRN) divulgou aulas remotas. o Edital nº 4/2021, que trata dos Auxílios e Ações Emergenciais de Assistência Estudantil no contexto do ensino remoto. As ações, voltadas prioritariamente a estudantes ingressantes em situação de vulnerabilidade social, têm o objetivo de contribuir para a garantia do acesso à educação, através de acesso à internet, dispositivos eletrônicos e materiais didáticos.

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Na sequência, o Campus também se envolveu em atividades de parceria com outras instituições, visando melhoras a prática profissional de nossos alunos, como por exemplo, a discussão da parceria com o instituto Riachuelo. Dessa maneira, representantes do IFRN Caicó e do Instituto Riachuelo dialogaram sobre uma possível parceria entre as instituições. O encontro virtual contou com a participação do Diretor-Geral do IFRN Caicó, do Diretor Acadêmico e de alguns Coordenadores além dos representantes do Instituto Riachuelo: Gabriel Kammer, Renata Fonseca e Valesca Magalhães. Os Coordenadores dos Cursos do IFRN apresentaram aos membros da organização como ocorre a Prática Profissional com foco nos Projetos de Pesquisa e Extensão, sendo parte essencial para que o aluno conclua o curso com êxito e uma possível contratação pelas empresas envolvidas. Para Max Miller, Diretor-Geral do Campus: “A reunião conseguiu mostrar um pouco do que somos capazes de fazer, de modo que demonstramos sinergia com o objetivo do Instituto Riachuelo”. Ainda sequenciando as ações do IFRN, no período pandêmico, pensando na alimentação como algo elementar para o desenvolvimento de práticas mais saudáveis de vida, já que influencia o crescimento e o desempenho cognitivo dos discentes, é preciso enfatizar o trabalho social que a instituição ofereceu aos seus alunos, especificamente aqueles que apresentavam vulnerabilidade social e econômica constatada. Logo, visando assegurar o direito à alimentação escolar e atenuar situações de vulnerabilidade socioeconômica que pudessem comprometer a segurança alimentar e nutricional dos(as) estudantes. Vale ressaltar que durante o período de enfrentamento à, COVID-19, o IFRN Campus Caicó realizou uma enquete juntos aos estudantes dos cursos técnicos integrados, subsequentes e superiores interessados em receber doações de alimentos. Os estudantes puderam responder à enquete no Sistema Unificado de Administração Pública (SUAP) de 15 a 21 de julho atestando o interesse em receber o auxílio alimentar.

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Do mesmo modo, ainda na linha da assistência estudantil, procurando incluir todos os alunos nas aulas remotas, o IFRN pensou na disponibilização de chips, por meio de uma enquete, através da qual se pode constatar aqueles que necessitavam desse recurso para frequentar o ambiente remoto. Nesse sentido, o Campus Caicó lançou mais uma etapa do Projeto Alunos Conectados, que teve como objetivo fornecer e monitorar pacote de dados em Serviço Móvel Pessoal (SMP) aos(às) alunos(as) em condição de vulnerabilidade socioeconômica do IFRN, para o desenvolvimento de suas atividades acadêmicas, na modalidade de ensino remoto. Foram contemplados(as) com o Projeto Alunos(as) Conectados(as) os(as) estudantes MATRICULADOS(AS) nos cursos Técnicos integrados de nível médio, EJA, Subsequente e Graduação no período letivo 2021.1 (cursos presenciais) e período 2021.2 (cursos a distância). Em continuidade às ações de assistência ao aluno, no IFRN, com vistas à preservação da qualidade de vida, esses foram convidados a uma avaliação biomédica on-line, visando à construção de um perfil de saúde dos nossos alunos. Assim

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sendo, a Diretoria de Gestão de Atividades Estudantis (Digae/ IFRN), por meio do ser viço de saúde, todos os anos realiza avaliação biomédica de forma presencial com estudantes do ensino médio integrado ao técnico ingressantes na Instituição. Entretanto, no semestre de 2021.1, devido à pandemia da Covid-19, a avaliação biomédica foi realizada no modelo digital entre os dias 23 de agosto e 17 de setembro, em formato de enquete, através do Sistema Único de administração Pública (Suap). O objetivo da avaliação foi oportunizar a saúde integral dos estudantes, tendo em vista a avaliação biomédica, contando com o olhar das seguintes especialidades (médica, nutrição, odontologia e da enfermagem) e assim, também, poder desenvolver ações com vistas à construção do perfil de saúde de modo a colaborar no planejamento das ações educativas na Instituição nesse período de aulas remotas. Além disso, outras especialidades tais como Psicologia, Fisioterapia e Serviço Social, puderam contribuir com as análises e feedback das avaliações biomédicas, conforme as particularidades das situações apresentadas pelos estudantes.


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Ademais, considerando que as ações de arte e lazer são fundamentais para à saúde mental de nossos discentes, o campus da música, em Jucurutu, sediou a sanfonada, de forma on-line, tendo em vista ainda estar em tempo de pandemia. Dessa forma, a Sanfonada é promovida em modelo on-line, pela segunda vez, pelo Grupo de Estudo Colaborativo de Sanfona, transformado em projeto de Extensão recentemente, mas que já conta com mais de 100 participantes. A coordenadora do projeto e do evento, Carolina Benigno, explica a diferença entre a primeira e a segunda edição do evento: “A primeira aconteceu quando o projeto ainda não era vinculado ao IFRN, então, eu acho que a principal diferença é essa institucionalização agora”.

É valido destacar que em em março de 2020, o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) suspendeu suas atividades presenciais, com o objetivo de evitar a contaminação de seus servidores e estudantes pela Covid-19. Desde então, a comunidade acadêmica e a gestão institucional vêm acompanhando e avaliando os cenários e planejando o retorno gradual das atividades presenciais. Seguindo a ordem dos acontecimentos, depois do surgimento das vacinas, a pandemia começa a diminuir, e eis que chega o momento dese pensar em uma volta gradual às aulas presenciais. Desse modo, o IFRN planeja voltar às aulas, trazendo uma parte dos servidores na forma presencial e outra de forma remota, alternando entre elas o turno, de forma que haja atividades presenciais todos os dias da semana.

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Para um retorno seguro e responsável precisa-se de muito planejamento. A diretora pedagógica Amélia Reis diz que a maior preocupação neste momento é “garantir a segurança e a preservação da vida, tanto dos servidores como dos estudantes”. Ela ressalta que a comissão busca “garantir ou discutir a possibilidade de um planejamento em que não haja um aumento da carga horária docente e que possamos minimizar as dificuldades de estudantes no acompanhamento das aulas durante o ensino remoto’’, explica. Nessa ótica, o retorno gradual da presencialidade do ensino do IFRN deve atender às condições de biossegurança, de acordo com o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do Instituto e da Comissão Local de Enfrentamento à Covid-19 de cada Campus. Conforme a minuta, que ainda está em discussão, a previsão para o início do ensino misto provisório (com aulas presenciais e remotas) é para o semestre letivo 2021.2. A ampliação da retomada do ensino presencial ocorrerá conforme a redução da ocupação de leitos críticos, da taxa de transmissibilidade do novo coronavírus no município.

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Dentro do contexto da volta gradual das aulas, considerando as diretrizes para o retorno do ensino presencial, de forma gradual e no formato misto, o Campus Caicó lança uma enquete no SUAP, que visa levantar informações acerca das condições de acesso ao transporte escolar pelos estudantes, cujos resultados obtidos por meio dessa pesquisa servirão de base para o planejamento de ações da assistência estudantil e diretoria acadêmica, que possam vir amenizar as dificuldades ligadas ao deslocamento diário dos(as) estudantes até o campus.


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A participação em competições é aberta a todos de quem dela deseje participar. O IFRN apoia essa causa, concretizando-a através do apoio à participação nas Paralimpíadas Universitárias 2021 realizadas de 16 a 19 de setembro, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. Tal evento contou com a participação de 382 atletas inscritos, que representarão 180 instituições de ensino superior nas disputas de sete modalidades paralímpicas. O objetivo das Paralimpíadas Universitárias é estimular a participação dos estudantes universitários com deficiência física, visual e intelectual em atividades esportivas de todas as Instituições de Ensino Superior (IES) do território nacional, promovendo ampla mobilização em torno do esporte.

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Com as condições sanitárias adequadas para o momento é visando à segurança de todos o Conselho Superior do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (Consup/IFRN) divulgou, na última quarta-feira, 6 de outubro, a Resolução nº 47/2021, que apresenta as diretrizes para volta gradual do ensino presencial. Conforme o documento, o retorno da presencialidade ocorrerá em fases, cuja primeira começará no início do semestre letivo 2021.2. Para se descolocar para o IFRN o transporte é essencial, tendo em vista as condições financeiras a Diretoria de Gestão de Atividades Estudantis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) divulgou o Edital nº 006/2021 – DIGAE/IFRN, para inscrição e renovação de bolsas de Auxílio Transporte, referentes ao semestre letivo 2021.2.

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O retorno escolar está próximo, de forma online e presencial os docentes do IFRN campus Caicó se reúnem para o encontro pedagógico, discutindo e vendo formas de melhor aprendizagem O Encontro Pedagógico é organizado pela Diretoria Pedagógica da Pró-Reitoria de Ensino do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (Diped/Proen/IFRN), em parceria com as diretorias acadêmicas dos campi. O evento marca a abertura do semestre letivo 2021.2, e é destinado aos servidores docentes e técnicosadministrativos do Instituto.


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@pedro__henrique.1

O Campus Caicó do IFRN, através do Edital interno de seleção de projetos na área de comunicação promovido pelo setor de Extensão, tem desenvolvido projetos com o objetivo de promover a cultura digital, com vistas a contribuir para o desenvolvimento educacional, social, cultural e tecnológico dos alunos e da comunidade. Um dos projetos que trata sobre esse tema é o "Coletivo de produção cultural: Comunicação e mídias na educação", sob a coordenação do professor João Gomes da Rocha.

Escrito por Pedro Henrique

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Relatos - IFRN Campus Caicó

Os alunos do 1° ano do curso tecnico do IFRN campús Caicó relatam as experiências vividas durante o modelo de ensino remoto

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E

ntrar no Instituto Federal sempre foi meu grande sonho, pois minha irmã estudou lá e sempre me incentivava muito, eu lembro que quando ia prestigiar ela nas apresentações dos projetos ficava maravilhada e sonhando quando seria minha vez. No processo seletivo de 2019/2020 me inscrevi para uma vaga no curso de Vestuário, e infelizmente não consegui ser aprovada, fiquei muito triste e desanimada, mas com o apoio da minha família e amigos consegui ter determinação e força de vontade para tentar mais uma vez em 2020, infelizmente devido a pandemia do COVID-19 o processo seletivo foi por meio do histórico escolar, felizmente consegui passar para o curso de Informática para Internet e hoje estou aqui, por isso é tão importante nunca desistirmos dos nossos sonhos. A experiência de estudar no IF está sendo incrível, mesmo que remotamente, conheci pessoas maravilhosas e fiz novas amizades, além disso os professores, que são excepcionais, e servidores se esforçam diariamente para garantir nosso aprendizado, estou muito ansiosa para o retorno presencial, para conhecer todo mundo pessoalmente e viver novas experiências incríveis e cheias de aprendizado.

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Q

Elane Azevedo Curso: Eletrotécnica 15 anos; Caicó

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Francilânia Araújo Saraiva Curso: Informática para Internet 17 anos; Caicó

uando soube que tinha passado para o IFRN, nem acreditei, para mim, foi muita emoção por ter conseguido o que desejava. Não conheço nenhum daqueles corredores, salas, quadras, biblioteca, nadinha. E isso faz a ansiedade aumentar mais ainda. Confesso que estou tendo uma experiência muito boa, mas, ainda tem algumas desvantagens do ensino remoto. Nunca imaginei que estaria vivendo essa experiência nessa instituição maravilhosa. Tenho muitas expectativas em voltar para o campus presencialmente, conhecer pessoas novas, colegas, professores, entre vários funcionários que irão contribuir para o meu aprendizado. Enfim, só tenho expectativas boas para a volta às aulas no Campus. Nesses quatro anos pretendo aprender muitas coisas novas, participar de projetos, apresentações, e deixar minha timidez de lado. Fé que todo esse caos irá passar, e iremos nos conhecer em breve. Até lá, bons estudos a todos!


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E

ntrar no Instituto Federal sempre foi um sonho para mim; via o quão alguns amigos mais velhos eram participativos com os projetos criativos da instituição e queria fazer parte desse mundo espetacular que nos é proporcionado. No processo seletivo de 2020/2021, me inscrevi para uma vaga no curso de Informática para Internet no Campus Caicó, fui aprovada no fim de um dia bastante receoso para mim. Infelizmente, devido à pandemia do COVID-19, a realidade de caminhar pela estrutura do IF foi deixada temporariamente de lado e substituída pela comunicação e interação através da tela de um dispositivo tecnológico. Não era o que eu esperava, mas, ainda sim, fui surpreendida pelas possibilidades que o Instituto me trouxe, como a participação nesta revista.

Ana Júlia Cunha de Macêdo Curso: Informática para Internet 16 anos; Jardim do Seridó

Tudo era novo, e saber que fui acolhida tão bem por professores e colegas que estavam tão ansiosos quanto eu para o período letivo, mesmo que remotamente, foi uma das melhores experiências para mim; eu me identificava com eles, desde as brincadeiras ao fim da aula até a angústia dos resultados das provas. Não conheço os corredores do Campus que tão gentilmente abriu os braços e portas para mim e para os meus colegas, mas a esperança de que em breve o conhecerei faz com que cada dia seja devidamente contado, inquieta pela hora em que o tão sonhado Instituto não cumprirá seu papel apenas pelo meu computador, mas também em sua estrutura. Até lá, espero que o brilho da luz se estenda para os nossos olhos e ilumine o caminho pela frente, repleto de cinzas pelos os que se foram brutalmente pela pandemia.

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P

oder entrar no Instituto Federal não era um sonho para mim, só que eu me inscrevi no processo seletivo 2020/2021, para o curso de eletrotécnica no campus Caicó, ser aprovada foi uma surpresa pois não imaginava isso acontecer, em meio a tantas pessoas concorrendo por uma vaga em uma instituição tão bem qualificado quanto o IF. Entrar em uma instituição em meio a uma pandemia, foi um tanto quanto desafiador, pois era algo bastante novo, a ansiedade de saber se iria ser presencialmente o ensino para conhecer o instituto, só que infelizmente não foi possível por causa do COVID-19. Apesar de ser tudo tão novo, ser acolhida pelos profissionais e colegas me confortou muito, e foi uma das melhores experiências, fiquei bastante ansiosa para as aulas começarem e com medo ao mesmo tempo de não dar conta de tudo. A ansiedade para conhecer o campus, colegas e professores só aumenta a cada dia, a esperança de que em breve estarei lá, me conforta, por saber que ainda tem um longo caminho pela frente. Vai ser uma experiencia única sair de uma pandemia tão drástica, e aos poucos voltarmos a frequentar a sala de aula juntos com todos, e poder retomar a vida de antes.

Letícia Isabelly Batista da Silva Curso: Eletrotécnica 16 anos; Tibauba dos Batistas

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E

studar no Instituto Federal começou a ser um sonho para mim a partir do 7° ano do ensino fundamental, pois foi quando eu entendi o que realmente é e onde queria estar alguns anos depois.

Ingridy Gabriely Faria Gomes Curso: Informática para Internet 16 anos; Serra Negra

Me senti extremamente realizada ao receber a aprovação e depois me matricular. Estava com um pouco de medo do que poderia vir pela frente , pois escutei muitos “boatos” sobre o local. Logo percebi que é um lugar muito acolhedor e que busca respeitar a escolha e opinião do próximo em diversos aspectos. Ademais, existem, também, diversas formas que os professores buscam para manter a interatividade com alunos (apesar de estarmos em um momento difícil). Sou uma pessoa um pouco introvertida, então ainda não tenho tantas amizades, mas entendo que é um processo. Além disso, o ensino é muito bom e existem muitas oportunidades. Portanto, a minha experiência tem sido ótima e não me arrependo de ter escolhido estar no IFRN.

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T

er sido aprovado aqui no Instituto Federal (IF) para todos aqueles que tenho algum convívio próximo; porém, nunca chegou a ser uma surpresa para mim. Já esperava a aprovação de uma certa forma, mas após ter a conquistado, me senti bastante satisfeito pelo meu esforço dado ao longo de minha trajetória escolar até chegar aqui onde estou. Lamentavelmente, não podemos ter o mesmo contato que no momento presencial, mas creio que o IF está dando o máximo para nos proporcionar um bom ensino. Com projetos como este, nós (Alunos) temos a oportunidade de mostrarmos o que somos capazes de fazer; e, possivelmente, ajudar a Instituição de forma direta ou indireta.

Guilherme Fernandes Curso: Informática para Internet 15 anos; Jardim do Seridó

Além disso, saber que foi acolhido tão bem foi meio que um ‘gás’ para continuar dentro do Instituto, mesmo que de forma remota. Em geral, a experiência dentro da Instituição está sendo excelente; desde brincadeiras no final da aula até a angustia de receber uma nota, absolutamente tudo era ‘novo’. No geral, não conheço praticamente nada do que o IF realmente tem a nos oferecer, mas estou no aguardo de que o sonho de conhecer a Instituição está cada vez mais próximo. Até lá, espero estar preparado como pessoa; e, principalmente, como aluno.

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L

ogo mais, no ano de 2020 quando estava no nono ano, fiz a inscrição para o curso de Informática para Internet, que depois tive a notícia que seria realizado a partir do histórico escolar, devido a pandemia. Após passado um determinado tempo na ansiedade e na espera, tenho a incrível notícia de que finalmente tinha passado no Instituto e tudo veio à tona dentro de mim com todas as possíveis emoções, pois embora tenha criado tantas expectativas em cima disso, nunca imaginei viver um momento tão gratificante como tal. Entretanto, infelizmente, o meu primeiro ano dentro do IF seria diferente do que já estava acostumado, todos teriam que manter o contato e interagir de forma totalmente on-line e virtual, estaríamos todos isolados e escondidos por trás de uma tela de um aparelho tecnológico. Mesmo um pouco desanimada por essa situação, o IFRN conseguiu superar todas as minhas expectativas até no ensino remoto, onde fui bem acolhida, com todas as assistências possíveis. E então comecei a perceber que não só eu, mas todos meus colegas, professores e coordenadores estavam tentando levar todas essas condições da melhor maneira possível, e assim, apesar de algumas dificuldades, juntos conseguimos realizar um ótimo ano letivo. Foi a partir daí que tive umas das melhores experiências de toda minha vida, a de me sentir fazendo parte da família IFRN.

Paloma Oliveira Dantas Curso: Informática para Internet 15 anos; Jardim do Seridó

Até agora, não conheço ninguém de lá pessoalmente, mas tenho enorme desejo que tudo isso acabe logo e que em breve volte aos poucos a ser como antes para que possamos ter essa experiência dentro da própria estrutura ainda mais intensamente e dar boas-vindas ao novo normal.

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E

u sempre quis ter boas opções de ensino, algo que conta muito pra mim, porque é basicamente todo o meu futuro sendo formado a partir de agora.

O IF, foi a melhor das opções, sempre ouvi coisa positivas sobre o ensino de lá, embora eu nunca tenha presenciado, nem vivido nada dessa experiência, eu já sabia que era o que eu queria. Só que infelizmente, entrei quando o pique da pandemia ainda estava alto demais, e isso me impediu de ter aulas presenciais e de conhecer o IF de fato. As aulas remotas, não trazem tanta emoção para mim. A falta de contato com os meus colegas, com os meus professores e de estar no Campus, desanima. Mas espero que essa fase ruim passe logo, pra que todo mundo que, assim como eu, não conhece nada do IFRN, possa ter logo o prazer de fazer parte desse instituto e de todas as coisas que ele pode nos proporcionar.

Micaelle Medeiros Curso: Eletrotécnica 16 anos; Várzea

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sonho de ser aluna do IFRN Campus Caicó sempre esteve presente na minha vida, afinal, é uma instituição de grande prestígio nacional. Quando o ano de 2020 começou, iniciei minha preparação para o processo seletivo que até então era por meio de uma prova. No entanto, a pandemia da Covid-19 atrapalhou todos os meus planos, mas, mesmo assim, me inscrevi e passei no Processo Seletivo 2021 que, diferentemente dos outros anos, foi uma análise do histórico escolar. Até não confirmarem a volta às aulas de forma remota, eu tinha esperança que o meu primeiro dia de aula no IF ia ser presencial, mas a pandemia não deixou. Apesar disso, a experiência com as aulas remotas está sendo maravilhosa, é uma sensação indescritível ter colegas diferentes, professores bem capacitados e, o mais importante para mim, estar realizando meu sonho.

Laísla Brandão D. da Silva Curso: Informática para Internet 16 anos; Ouro Branco

Ainda assim, todo dia penso em quando vou estar caminhando pelos corredores do IFRN, conversando com os alunos dos outros cursos, conhecendo os professores pessoalmente e aproveitando tudo de bom que a estrutura da instituição tem a oferecer. Enquanto esse momento não chega, sigo me motivando a não desistir do formato EAD, com a esperança de que esse vírus seja combatido e tudo volte ao normal.

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I

ngressar no Instituto pra mim sempre foi considerado uma meta pessoal desde o início do meu fundamental II; sempre ouvi que dentro do instituto criamos uma família com nossos colegas e uma grande experiência acadêmica. No proitec de 2021 me inscrevi para concorrer a uma vaga do curso técnico de informática para internet no IFRN Campus Caicó, a qual fui aprovado ,após de uma ansiosa espera pelo resultado. Devido a pandemia do COVID19, o ensino presencial foi cancelado e substituído pelo ensino híbrido. Mesmo com as aulas online sempre me senti acolhido no instituto tanto por colegas, que mesmo separados já somos muito próximos, tanto por professores que desde o início nos apoiaram nesse momento remoto e demonstraram seu amor e interesse pela nossa educação. Um dos momentos mais aguardados de 2021 é novembro que é quando haverá possibilidade de nosso ensino voltar gradualmente e com as medidas de segurança aguardo muito ansioso pela volta do ensino presencial e ansioso para conhecer pessoalmente os colegas que dividirei aulas, risadas, brigas e etc até 2024.

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Lucas Gabriel Curso: Informática para Internet 16 anos; Caicó


Seção Infecção - Revista Impúrpura 2ª Edição

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F

alar do IFRN, é sobre um diferencial que nos alunos queremos para a vida, uma vez que apresenta uma super estrutura, laboratórios fantásticos e excelentes professores, ou seja, padrão Federal de Educação.

Pedro Henrique Curso: Informática para Internet

15 anos; Ouro Branco

Os últimos tempos foram atípicos, consequência da pandemia da Covid-19, que, por sua vez, impactou a educação. Nós, alunos, tivemos que ficar em casa, com aulas remotas, eu estava muito ansioso para começar a estudar na instituição fisicamente, experimentar as vivências do cotidiano escolar, mas não foi possível. Porém, mesmo sem conhecer o próprio instituto em seu cotidiano, tivemos outra experiência- aulas remotas- e agora a sala de aula é em casa. Assim, posso afirmar que um novo olhar foi conquistado com esse novo jeito de ensinar e aprender, creio que possa ficar, para somar mais ainda, porque gostei bastante... Contudo me introduzi nos espaços de oportunidades mesmo a distância, como participar e colaborar junto com a revista Impúrpura do IFRN Caicó, Assumi no primeiro ano do meu curso o papel de líder de classe, bastante significativo para mim. Mesmo assim, a falta das trocas e o sentimento de estar em sala de aula, cultivando muito saberes e aprendizagens, hoje, é sonho de nós alunos. Para mim, foi uma nova oportunidade de me promover ainda em um processo de transformação digital. Como ensinamento para a nossa vida, penso que mais à frente possamos pensar tudo o que já foi trabalhado e vivenciado por nós alunos, tais como inovação, tecnologia, praticidade, qualidade, modernidade e diversidade.

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E

ntrar no IFRN, para mim, é um privilégio imenso e algo a ser considerado de muita gratidão e esforço. Sempre tive o sonho/desejo de ingressar no IF por ser uma instituição muito estruturada, de qualidade, e que possui um ensino muito plausível. Entretanto, em decorrência deste ano bastante atípico, não tive como conhecer mais a fundo o instituto, mas, com o pouco tempo que ingressei, já estou percebendo que fiz a melhor escolha. Sobre as aulas presenciais... ansiedade está á mil por horas, estudar no remoto, tem seus altos e baixos, mas afinal, tudo faz parte do processo, né? Quero muito que as aulas presenciais voltem, pois só assim será possível desfrutar de tudo que o IFRN tem a nos oferecer. Sem falar no contato presencial com os colegas, os aprendizados, dentre diversos motivos.

Myrella Ágnis Curso: Eletrotécnica 16 anos; Timbaúba dos Batistas

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@damfilhoartes


SEÇÃO QUARENTENA

Q

uarentena, no desenho surreal do instante, vê-se o corpo murcho se invalidando – e a alma tensa se abismando, e o amanhã que não chega – e o agora novo normal que já foi embora mais cedo que nunca, acompanhado pela ilusão de que se está isolado, enquanto as festas continuam pelo país, e a vacina se perde em ilhas fiscais. Ademais, se não volta nem vai, a lei do Tempo é uma flecha que produz instantes sucessivos, como o Tik Tok, à medida que os segundos se tornam passado e o presente se deixa escoar a cada momento, efeito-boomerang ou paralisia destes tempos, sem que

o fluxo de ideias ou informações se interrompa; e como um cadafalso sob os pés de um Judas, a quarentena segue no mundo das ideias durante o passeio do vírus; além do mais, não é possível retroceder em verdade, voltar atrás, porém, em uma Pandemia, parece crível, pois todo o progresso é uma reação ao futuro, e às vezes a política das sombras é a única da Caverna, mesmo que haja luz, por isso estamos dando voltas redondas como o cachorro atrás do próprio rabo. Enfim, todos os dias são o mesmo, mas nenhum dia é igual a outro e, com o tempo, quarenta vezes quarenta, a vida continua voltando ao obituário normal até o próximo carnaval.


Seção Quarentena - Revista Impúrpura 2ª Edição

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Seção Quarentena - Revista Impúrpura 2ª Edição

Rodrigo Fernandes Rodrigo Fernandes de Sousa é licenciado em Letras e mestre em Linguagem e Ensino pela Universidade Federal de Campina Grande. Leitor dedicado à literatura fantástica e professor realizado na busca efetiva e afetiva dos conhecimentos de seus alunos, há mais de uma década atua na educação pública. Atualmente é professor do IFRN lotado no Campus Avançado Jucurutu.

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Seção Quarentena - Revista Impúrpura 2ª Edição

João Pedro Estudante do IFRN no curso de Informática e voluntário nos projetos da Rádio Escolar e Revista Impúrpura do campus Caicó. Apaixonado por arte, música e todas as suas áreas.

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@jpvieirra


Seção Quarentena - Revista Impúrpura 2ª Edição

Mayssa Silva Potiguar nascida na cidade de Serra Negra do Norte, estudante do IFRN Campus Caicó atualmente cursando o 1 ano de Informática para Internet. Sempre gostei de novas experiências e participar de projetos.

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Seção Quarentena - Revista Impúrpura 2ª Edição

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Seção Quarentena - Revista Impúrpura 2ª Edição

@mayssart_

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@guilherme_caolho


SEÇÃO NEGACIONISMO

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egacionismo, a verdade verdadeira não existe em verdade, e tudo o que se diz a respeito do que é vero, mente, é Mito; nega-se a negação, porque não se pode afirmar nada em um mundo líquido onde as pessoas precisam de comida, enquanto vidas se afogam, pretensos intelectuais esbanjam inúteis teorias que esvaziam os pratos dos brasileiros, porque as universidades, em verdade, apenas produzem narrativas grotescas, estudos que não servem para nada, sobretudo, para tudo que é importante ou útil; e os escritores, jornalistas, para além das ciências irresponsáveis, não sabem o que é mentira, ficção ou fato, perdendo-se sempre em personagens encafifados e ilusões estagnadas. Que não se questione, portanto, que,

entre a verdade e a mentira, todos estão no mesmo Titanic, nosso Brasil, e acima de todos: o mito. Sem medo de ser infeliz, passeando entre a dureza fria das calotes de gelo da Terra Plana, e a fluidez assombrosa das fake news rumo ao choque de realidade que não se poderá provar, visto que tudo é improvável, até o glorioso rompimento com tudo o que “está aí”, incluindo a vida, a ciência e a própria verdade inacessível que, como já foi dito, não pode ser apenas verdadeira, senão como invenção daquilo que cada um acredita, a realidade não pode ser galgada pela humanidade. A Matrix do conhecimento inacessível e improvável das essências voláteis do Universo é uma bênção; negue-se tudo o que se disse aqui até então.


Seção Negacionismo - Revista Impúrpura 2ª Edição

IFRN ALÉM DOS MUROS

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om a intensificação da onda da Covid-19, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte teve que suspender o calendário letivo, em março de 2019, no entanto não parou as atividades internas, especificamente, desenvolvendo projetos de extensão, visando suprir necessidades e proteção à sociedade, no que diz respeito ao contágio por meio do coronavírus. Nesse sentido, alguns projetos foram pensados e realizados, no período, como, por exemplo o Projeto de extensão sobre a fabricação e distribuição de sabões para auxiliar na prevenção à COVID-19, coordenado pelo técnico João Carlos Soares de Melo. Esse projeto visou suprir a indisponibilidade dos produtos de limpeza que sumiram das prateleiras no momento crucial da pandemia e teve como propósito atender às comunidades carentes da cidade de Caicó. Para a fabricação dos produtos, utilizou-se o laboratório de Química do IFRN- Caicó. Na sequência, foi desenvolvido também o Projeto de extensão que tratava da confecção de capotes hospitalares como ação de combate à Covid-19, coordenado por Adair Divino Silva Badaró, cujo objetivo foi confeccionar capotes hospitalares no IFRN-CA para distribuição nos setores públicos das áreas de saúde e segurança na cidade de Caicó, propositando a proteção e minimização de contágio através do coronavírus.

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Escrito por Maria José

Do mesmo modo, desenvolveram-se mais dois projetos de extensão. O primeiro que visou à produção de protetores faciais, utilizando as instalações dos laboratórios de Eletrotécnica e Informática do IFRN-CA, coordenado pelo professor Francisco das Chagas Souza. Tal produção foi distribuída de forma gratuita para os profissionais de saúde que atuavam diretamente com casos de coronavírus; o segundo disse respeito à produção de capotes hospitalares, máscaras e lençóis para distribuição gratuita nos setores públicos das áreas de saúde e segurança do município de Caicó-RN, coordenado pela técnica Simone Carla Pereira da Silva. Além disso, outros projetos de extensão como o que trata do impacto dos têxteis no contexto da pandemia também foi desenvolvido. Coordenado pela professora Tatiana Ribeiro Ferreira, tal projeto objetivou avaliar os impactos causados pelos produtos têxteis, no que diz respeito ao descarte e reutilização desses produtos, assim como por e-commerce, além da consciência ambiental dos setores ligados à moda, vestuário e têxtil. Os materiais resultantes do trabalho compuseram um acervo da biblioteca têxtil, no Youtube, para atendimento tanto ao público interno como externo do IFRN-CA. Logo, através dessas ações produzidas através dos projetos comentados, pode-se constatar que o IFRN cumpriu uma agenda de grande relevância para a contenção do coronavírus, assim como se preocupou com a formação da consciência ambiental da comunidade escolar, mesmo no período do calendário suspenso, firmando um compromisso com o conhecimento e a extensão.


Seção Negacionismo - Revista Impúrpura 2ª Edição

SEM NOS RENDER AO NEGACIONISMO

E

m vista da pandemia da COVID-19, o IFRN- Caicó, por força do Decreto Federal, suspendeu suas aulas presenciais, porém continuou os trabalhos de pesquisa, mais uma vez, ratificando o seu caráter de instituição que defende a ciência e o conhecimento sistematizado, conforme se pode observar, através de um índice satisfatório de produção da instituição em referência nos últimos dois anos, sob a coordenação do técnico, Jorge Luiz Ferreira Rabelo. Dessa forma, pode-se relacionar os projetos que foram desenvolvidos ou estão em desenvolvimento durante o biênio 2020-2021, a seguir listados. 1.O IMPACTO DAS SEGMENTAÇÕES NAS PREFERÊNCIAS CROMÁTICAS EM PRODUTOS DE MODA, de autoria de Livia Juliana Silva Solino de Souza, executado de 27/07/2020 a 30/12/2020; 7. MAPEAMENTO E DIAGNÓSTICO DO VAREJO DE VESTUÁRIO 2. DOCTORASK: JOGO DIGITAL PARA AUXÍLIO NA FORMAÇÃO DE NA CIDADE DE SERRA NEGRA DO NORTE – RN. Autoria de Livia PROFISSIONAIS MÉDICOS, proposta por Francisco das Chagas Juliana Silva Solino de Souza, executado de 17/08/2020 a Souza Junior e executado em 18/08/2020 a 19/03/2021; 12/03/2021; 3.ESTUDO SOBRE A PERCEPÇÃO DE VALOR E ORIENTAÇÃO À 8. ESTUDO DA INFLUÊNCIA DA PASTEURIZAÇÃO E DA ESTOCAGEM COMPRA DO CONSUMIDOR BRASILEIRO POR PRODUTOS SLOW SOB CONGELAMENTO DOS DIFERENTES BLENDS DE NONI FASHION, autoria de Livia Juliana Silva Solino de Souza, (MORINDA CITRIFOLIA L) EM RELAÇÃO AS SUAS PROPRIEDADES executado em 14/12/2020 a 12/07/2021; FÍSICOQUÍMICAS, autoria de Joao Carlos Soares de Melo, 4. ESTUDO SOBRE O PLÁSTICO COMO PRODUTO DE MODA: DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE PARA INDÚSTRIA TÊXTIL, autoria de Livia Juliana Silva Solino de Souza, executado em 18/08/2020 a 24/05/2021;

executado de 15/08/2020 a 15/03/2021;

5. JAQUETA TRANSMUTÁVEL: INOVAÇÃO HÍBRIDA NO CONTEXTO DA MODA CONTEMPOR NEA, autoria de Livia Juliana Silva Solino de Souza, executado em 18/08/2020 a 12/04/2021;

10. REDS - SISTEMAS DIGITAIS, autoria de Max Miller da Silveira, executado de 15/08/2020 a 15/03/2021;

9. EFEITO DO CATIONIZADOR SOBRE O TINGIMENTO DA FIBRA ALGODÃO COM CORANTES REATIVOS REDS, autoria de Rubens Capistrano de Araujo, executado de 15/08/2020 a 15/03/2021;

11. DUCMAC - UM PLATAFORMA PEDAGOGICAMENTE CONCEBIDA 6. BR-AGRO4.0 - UMA SOLUÇÃO DE IOT PARA A AGRICULTURA 4.0 PARA O ENSINO DE PROGRAMAÇÃO, autoria de Daniel Enos - Fase Final , autoria de Francisco das Chagas Souza Junior, Cavalcanti Rodrigues de Macedo, executado em 14/04/2020 a executado de 18/08/2020 a 19/03/2021; 14/12/2020;

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Seção Negacionismo - Revista Impúrpura 2ª Edição

12. A CONSTRUÇÃO DOS SIGNOS DA COTONICULTURA: UMA ANÁLISE SEMIÓTICA À LUZ DA CULTURA MATERIAL E IMATERIAL DO SERIDÓ POTIGUAR, autoria de Alan Jones Lira de Melo, executado de 18/08/2020 a 19/03/2021; 13. POLÍTICA E REPRESENTATIVIDADE: UM PANORAMA DA MULHER NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS LEGISLATIVAS DA CIDADE DE CAICÓ-RN EM 2020, autoria de Kelson Gerison Oliveira Chaves, executado de 15/08/2020 a 15/03/2021; 14. AVALIAÇÃO DA SOLIDEZ DAS CORES EM TECIDOS DE ALGODÃO TINTO UTILIZANDO SABÃO LÍQUIDO “ECOLÓGICO”, autoria de Adair Divino Silva Badaró, executado de 15/08/2020 a 15/03/2021;

FONTE: JOGO DE PLATAFORMA 2D: AS AVENTURAS DE DANDARA - UMA VIAGEM PELO MUNDO MATEMÁTICO

15.AVALIAÇÃO DA INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA E DA CONCENTRAÇÃO DE ÁCIDO CÍTRICO NOS PAR METROS FISICOQUÍMICO DO TOMATE CEREJA SECOS EM ESTUFAS, autoria de Joao Carlos Soares de Melo, executado de 15/08/2020 a 15/03/2021; 16. INTERAÇÃO.TV 2.0 - UMA ANÁLISE DE DESEMPENHO DA MIGRAÇÃO DE ROR PARA DJANGO, autoria de Max Miller da Silveira, executado de 18/08/2020 a 19/03/2021; 17. SCH - SISTEMA DE CONTROLE HOSPITALAR, autoria de Max Miller da Silveira, executado de 16/11/2020 a 11/04/2021; 18.TAGSEED: ETIQUETAS TÊXTEIS CULTIVÁVEIS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL, autoria de Rubens Capistrano de Araújo, executado de 15/08/2020 a 30/04/2021; 19. ESTUDO DA INFLUÊNCIA DO MÉTODO DE DESENGOMAGEM/ ALVEJAMENTO APLICADO NO SUBSTRATO TÊXTIL 100% ALGODÃO E AVALIAÇÃO DO RESULTADO DE TINGIMENTO, autoria de Rubens Capistrano de Araújo, executado de 15/08/2020 a 15/03/2021; 20. SÍNTESE DE NANOPARTÍCULAS PARA APLICAÇÕES TÊXTEIS, autoria de Rubens Capistrano de Araújo, executado de 15/08/2020 a 15/03/2021;

FONTE: Projeto FILOMÚSICA

21. LIVRO RÁPIDO - APLICATIVO PARA TROCA/EMPRÉSTIMO DE LIVROS, autoria de Romerito Campos de Andrade, executado de 15/08/2020 a 15/03/2021; 22. OPEN SUS BASE - UMA BASE DE DADOS UNIFICADA PARA O SUS, autoria de Daniel Enos Cavalcanti Rodrigues de Macedo, executado de 18/08/2020 a 19/03/2021;

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Seção Negacionismo - Revista Impúrpura 2ª Edição

23. ATELIÊ: UMA VISÃO ECONÔMICA E SOCIAL DO SEGMENTO E SEUS EMPREENDIMENTOS NA CIDADE DE SERRA NEGRA DO NORTE, autoria de Moally Janne de Brito Soares Medeiros, executado de 15/08/2020 a 12/03/2021; 24. JOGOS 2D: A TECNOLOGIA INTEGRADA AO ENSINO DA MATEMÁTICA, autoria de Joaildo Maia, executado de 01/09/2020 a 30/03/2021; 25. CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO EMPREENDEDOR (CCE’S) E EMPREENDEDORISMO FEMININO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM SERRA NEGRA DO NORTE/RN, autoria de Dellany Maria Dantas Souza, executado de 15/08/2020 a 15/03/2021; 26.DIAGNÓSTICO DO SETOR DE BONELARIA DA CIDADE DE SERRA NEGRA/RN ATRAVÉS DO MAPEAMENTO DESSE SEGMENTO NA INDÚSTRA DO VESTUÁRIO, autoria de Joseclebio da Fonseca Lucena, executado de 17/08/2020 a 08/03/2021;

33. OPEN SUS ANALYTICS - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA 27. AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE TÊXTIL NA CIDADE DE SERRA NEGRA ANÁLISE DE DADOS DA SAÚDE, autoria de Daniel Enos Cavalcanti DO NORTE RN: UMA PERSPECTIVA SOCIOECONÔMICA DO ESPAÇO Rodrigues de Macedo, executado de 11/08/2020 a 31/07/2021; GEOGRÁFICO, autoria de Duciane Oliveira de Freitas Furtado, executado de 14/08/2020 a 25/03/2021; 34. ESTUDO DOS MODELOS MATEMÁTICOS PARA A PREDIÇÃO DA MASSA ESPECÍFICA DO TOMATE CEREJA E DETERMINAÇÃO DO 28.DESENVOLVIMENTO DE MODELAGEM COM CONFORTO PARA COEFICIENTE DE EXPANSÃO TÉRMICA, autoria de Joao Carlos CADEIRANTES, autoria de Edson Caetano Bottini, executado de Soares de Melo, executado de 01/09/2020 a 31/08/2021; 18/08/2020 a 19/07/2021; 35. SMT - SISTEMA DE MONITORAMENTO DE TEMPERATURA 29. ESTUDO COMPARATIVO DO RENDIMENTO DAS CORES A PARTIR USANDO MICROCONTROLADORES, autoria de Max Miller da DA ESTAMPAGEM COM CORANTES REATIVOS EM SUBSTRATOS Silveira, executado de 11/08/2020 a 31/07/2021; 100% CO NOS PROCESSOS COM E SEM A VAPORIZAÇÃO, autoria de Jose Henrique Batista Lima, executado de 10/08/2020 a 36. COLETA INTELIGENTE - APLICATIVO PARA AUXÍLIO À COLETA DE LIXO, autoria de Romerito Campos de Andrade, executado 31/03/2021; de 11/08/2020 a 31/07/2021; 30. FIT LIFE – SISTEMA DE AVALIAÇÃO FÍSICA, autoria de Ari 26.DIAGNÓSTICO DO SETOR DE BONELARIA DA CIDADE DE SERRA Barreto de Oliveira, executado de 01/01/2021 a 15/07/2021; NEGRA/RN ATRAVÉS DO MAPEAMENTO DESSE SEGMENTO NA 31. SISTEMA DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO DO USO DA INDÚSTRA DO VESTUÁRIO, autoria de Joseclebio da Fonseca BIBLIOTECA DO IFRN CAMPUS CAICÓ, autoria de Ari Barreto de Lucena, executado de 17/08/2020 a 08/03/2021; Oliveira, executado de 01/01/2021 a 15/07/2021; 37. BR-OPENDEMIA: SOFTWARE PARA ANÁLISE DE DIN MICA 32. SISTEMA DE GESTÃO DE QUEIJARIAS, autoria de Ari Barreto ENDÊMICA, autoria de Thiago de Araujo Sobral Silva, executado de Oliveira, executado de 01/01/2021 a 14/07/2021; de 11/08/2020 a 31/07/2021;

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Seção Negacionismo - Revista Impúrpura 2ª Edição

44. ESTUDO DA CONCENTRAÇÃO IDEAL DE CORANTE E ANÁLISE DA SOLIDEZ DO PROCESSO TIE DYE DOMÉSTICO, autoria de Adair Divino Silva Badaró, executado de 10/05/2021 a 17/12/2021; 45. CONEXÃO DE SABERES ENTRE FÍSICA E LITERATURA NAS TURMAS DO INTEGRADO DE 1º E 2º ano do IFRN, autoria de ITALO BATISTA DA SILVA, (em execução) 01/03/2021 a 01/03/2022; 46.2º ESTUDO DO PROCESSO DE TINGIMENTO SEM A UTILIZAÇÃO DE SAL, autoria de Rubens Capistrano de Araujo, (em execução) 08/10/2021 a 30/04/2022; 47. ESTUDO COMPARATIVO ENTRE OS PROCESSOS DE DESENGOMAGEM EM TECIDOS 100% CO, autoria de Rubens Capistrano de Araujo, (em execução) 08/10/2021 a 08/04/2022; FONTE: DOCTORASK: JOGO DIGITAL PARA AUXÍLIO NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS MÉDICOS

39. VESTES AFETIVAS: ENTRE MODA E MEMÓRIA COMPÕE-SE UMA HISTÓRIA, autoria de Livia Juliana Silva Solino de Souza, executado de 10/05/2021 a 17/12/2021;

48. TECITECA VIRTUAL NA ERA DIGITAL, autoria de Romerito Campos de Andrade, (em execução) 01/08/2021 a 28/02/2022; 49. PERCEPÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA, COMPORTAMENTO SEDENTÁRIO E QUALIDADE DO SONO DOS ESTUDANTES DO IFRN DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19, autoria de Elias dos Santos Batista, executado de 07/06/2021 a 29/10/2021; 50. CORPO, CULTURA E MOVIMENTO EM PAULO FREIRE, autoria de Hudson Pablo de Oliveira Bezerra, (em execução) 10/06/2021 a 30/03/2022;

40. A AUTENTICIDADE DAS AÇÕES DE SUSTENTABILIDADE EM MARCAS BRASILEIRAS DE SLOW FASHION: UM ESTUDO SOBRE 51. INTERAÇÃO.TV 2.0 - ANÁLISE DO GANHO DE DESEMPENHO AS PRÁTICAS DE GREENWASHING, autoria de Livia Juliana Silva DE UMA MIGRAÇÃO DE SOFTWARE EM RUBY RAILS PARA PYTHON Solino de Souza, de 08/11/2021 a 18/04/2022 (em execução); COM DJANGO, autoria de Max Miller da Silveira, executado de 41. FILOMÚSICA, autoria de Lindoaldo Vieira Campos Junior, 10/05/2021 a 17/12/2021; executado de 31/05/2021 a 30/11/2021;

52. JOGO DE PLATAFORMA 2D: AS AVENTURAS DE DANDARA UMA VIAGEM PELO MUNDO MATEMÁTICO, autoria de Joaildo 42. INFLUÊNCIA DA PASTEURIZAÇÃO NAS PROPRIEDADES Maia, executado de 10/05/2021 a 17/12/2021; FÍSICOQUÍMICAS DOS BLENDS DE NONI (MORINDA CITRIFOLIA L) COM CAJÁ E UMBU, autoria de Joao Carlos Soares de Melo, 53. A REALIDADE DA POPULAÇÃO LGBT+ NO MEIO RURAL executado de 10/05/2021 a 17/12/2021; NORDESTINO, autoria de Rafael Dias Toitio, (em execução) 16/08/2021 a 16/08/2022; 43. CONSTRUÇÃO DE UMA PLATAFORMA DE JOGOS DIGITAIS PARA PESSOAS SEM OS MEMBROS SUPERIORES - fase II, autoria de 54. INTERAÇÃO.TV 2.0 - INTEGRAÇÃO COM API PARA SISTEMA DE Francisco das Chagas Souza Junior, executado de 10/05/2021 TOTEM PARA IDENTIFICAÇÃO DE TELESPECTADORES, autoria de Max Miller da Silveira, executado de 10/05/2021 a 17/12/2021; a 17/12/2021;

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Seção Negacionismo - Revista Impúrpura 2ª Edição

55. A UTILIZAÇÃO DE SUBSTRATOS NATURAIS DO SERIDÓ COMO 65. DESENVOLVIMENTO DE UMA WEB RADIO BASEADA EM ESTAMPARIA BOT NICA EM PRODUTOS TÊXTEIs, autoria de Moally SOFTWARE GRATUITOS, autoria de Pedro Iuri Soares de Souza, Janne de Brito Soares Medeiros, (em execução de) 01/10/2021 executado de 01/02/2021 a 31/08/2021; a 01/04/2022; 66. INTELECTUAIS E A DITADURA MILITAR NO BRASIL: O CASO DE 56.OS JOVENS MICROEMPREENDEDORES INDIVIDUAIS DO ARIANO SUASSUNA (1964-1981), autoria de Jossefrania Vieira SETOR DE VESTUÁRIO DE CAICÓ/RN E SEU ENFRENTAMENTO À Martins, (em execução) 06/09/2021 a 31/08/2022 PANDEMIA DA COVID-19, autoria de Dellany Maria Dantas Souza, (em execução de) 20/09/2021 a 31/03/2022; Diante de vasta exposição, observe-se que o Instituto Federal de Educação (IFRN), mesmo em período de trabalho 57. MÁSCARAS NA MÍDIA, autoria de Tatiana Ribeiro Ferreira, remoto, mobilizou técnicos servidores , professores e alunos (em execução de) de 31/05/2021 a 31/12/2021. em contínua busca de fomento para as suas pesquisas, 58.APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS ERGONÔMICOS NA ELABORAÇÃO DE incentivando o consenso científico, baseado na existência, nas UMA VESTIMENTA DE TRABALHO ADEQUADA PARA COSTUREIROS evidências e na verdade, provando caminhos que enveredam INDUSTRIAIS DA REGIÃO DO SERIDÓ /RN, autoria de Duciane por uma realidade cientificamente comprovada, capaz de Oliveira de Freitas Furtado, (em execução de) 08/10/2021 a conduzir e ajudar a sociedade a conviver e tirar proveito de fatos e experiências sem distorcer as verdades, refutadas, 18/03/2022; muitas vezes, pelo jugo do obscurantismo científico. Assim 59. VOCÊ CONHECE O TECIDO NÃO TECIDO? O USO DO TNT NA sendo, não se pode negar que tal instituição somou recursos, e INDÚSTRIA TÊXTIL, DE CONFECÇÃO DO VESTUÁRIO E SEUS mais uma vez, fez progredir os caminhos da investigação ampla ACESSÓRIOS E DE MODA, autoria de Joseclebio da Fonseca em seus vários âmbitos. Lucena, (em execução de) 08/11/2021 a 29/04/2022; 60.ELIMINAÇÃO DA VAPORIZAÇÃO NA ESTAMPAGEM COM CORANTE REATIVO, autoria de José Henrique Batista Lima, (em execução de) 31/05/2021 a 04/02/2022; 61. DESENVOLVIMENTO DE WEBSITE PARA CURSOS DE INFORMÁTICA DO CAMPUS CAICÓ, autoria de Romerito Campos de Andrade, (em execução) de 01/08/2021 a 28/02/2022; 62.UM ESTUDO HISTÓRICO SOBRE AS BANDAS DE MÚSICA DO SERIDÓ-RN E SEUS ITINERÁRIOS FORMATIVOS, autoria de Joao Gomes da Rocha, executado de 25/05/2021 a 17/12/2021; 63. DESENVOLVIMENTO DE PLATAFORMA DE CONTROLE DE ACESSO À REDE EM AMBIENTE LABORATORIAL, autoria de Pedro Iuri Soares de Souza, executado de 01/02/2021 a 31/08/2021; 64. ELABORAÇÃO DE UM PROTÓTIPO PARA REMEDIAR OS DESCONFORTOS SENTIDOS AO UTILIZAR A MÁSCARA FACIAL, autoria de Edson Caetano Bottini, (em execução) de 03/11/2021 a 31/03/2022;

FONTE: SISTEMA DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO DO USO DA BIBLIOTECA DO IFRN CAMPUS CAICÓ

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Seção Negacionismo - Revista Impúrpura 2ª Edição

DEPOIMENTOS DE PROFESSORES SOBRE O ENSINO REMOTO Depoimento 01

D

epois de trinta anos de carreira na docência, pensei que já tinha enfrentado todos os desafios da vida de um professor. Porém com o avanço da pandemia da Covid-19, novos desafios se interpuseram, dessa vez, protagonizado pela necessidade de se trabalhar de forma remota.

Desse modo, comecei a me familiarizar com os recursos oferecidos pelo Google, e nessa caminhada passei também a deixar de ter medo dos erros necessários, das janelas do Google e até das minhas caras e caretas, quando das tentativas de gravações. Então, iniciei o processo de gravar minhas aulas, obviamente, com muito atrapalhadas (risos), tendo que começar tudo de novo, até que consegui levar minhas gravações A princípio, a ideia soou um pouco estranha. Vislumbrei para o You Tube... momento apoteótico!... (e que sensação de caminhos obscuros de grandes dificuldades, no entanto não vitória!!), além dos momentos de gamificação, que se seguiram me entreguei ao desânimo, uma vez que ter o poder de levar a outros muito salutares, os quais possibilitaram motivar e o conhecimento aos nossos alunos, mesmo que através das facilitar a aprendizagem de nossos alunos. Assim sendo, não telas, trazia-nos a segurança de não ficar à mercê de um é demais ressaltar que, apesar das dificuldades e dos desafios vírus oportunista à espreita de nos ceifar a vida. Dessa forma, constantes, foram muitas as aprendizagens significativas que tratei logo de procurar um curso que me trouxesse segurança irei carregar, de forma positiva, na bagagem da experiência, para lidar com as tecnologias. Fiz a primeira capacitação, a para replicar nos momentos presenciais. segunda, a terceira... e, apesar de minha apatia àquela gama de apps ou aquela onda que mais parecia uma conspiração googlemaníaca... quase enlouquecedora para aquele momento, depois de muitas tentativas, às vezes, frustradas, fui me rendendo aos caprichos das telas. Entretanto, isso só aconteceu depois de ter acesso a mais capacitações, as quais foram oferecidas pelos colegas do IFRN, a quem devemos gratidão. A começar pelo professor Airton, que nos trouxe metodologias e apontou caminhos para se usar as tecnologias como ferramentas, além do quarteto “RomeritoJoão-Pedro Yuri e Rodrigo” que deram continuidade aos caminhos abertos por Airton, desmistificando e mostrando com mais praticidade como trabalhar com as ferramentas do Google de forma mais adequada e tranquilizadora.

Maria José Maria José de Oliveira é doutora em Linguística; mestra em Estudos da linguagem e professora de Língua Portuguesa e Literaturas do IFRN- CA.

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Depoimento 02

A

palavra-chave para o período que vivemos é desafio. Como professores, passamos por isso frequentemente, mesmo antes da pandemia e de seu ensino remoto. Como alunos também, mesmo antes do ensino remoto e da pandemia. E, como um professor nunca deve abandonar seu lado aprendiz, fomos surpreendidos mais uma vez com o momento. Para o bem e para o mal. O ensino remoto testou nossa capacidade de adaptação de forma espetacular, assim como a de nossos alunos. Como em qualquer outro desafio, portanto, nem tudo deu certo. Mas, assim como em qualquer outro desafio, muitos resultados nos surpreenderam “positivamente”. Uma das coisas, por exemplo, que, paradoxalmente, me chamou bastante atenção durante essa fase de interação remota com os alunos foi a importância do nosso corpo para a aprendizagem. Aparentemente somos seres presenciais, necessitamos do contato imediato com o outro para que a reciprocidade da aprendizagem aconteça. Particularmente, eu preciso ver que o aluno me ouviu em sala, enxergar a dúvida naquele que é mais tímido, ou o riso de desaprovação naquele outro que se enxerga superior. Esses comportamentos me reconectam com a diversidade caótica da humanidade.

Me mostram que o aprendizado que está sendo gestado durante o momento de aula é diverso e confuso e precisa ser revisto continuamente. Ai, como eu senti falta de um aluno que me pegasse pelo braço enquanto eu explicava e me dissesse algo como “peraí, mas não é bem assim, professor!”. Esse é um aprendizado que está para além dos livros e dos conteúdos, mas que, ainda assim, não deixa de ser um bom exemplo do exercício da cidadania e da democracia diárias. Ao que me parece, uma sala de aula que exige muito controle dos discursos que circulam, embora justificados pelo sucesso e progresso da atividade social, nos aproxima muito mais do fascismo, mesmo que assim não o queiramos, já que todo este pudor com a fala do outro retira toda e qualquer alteridade da jogada, mantém a partida sem conflitos, sem arestas, sem participação, sem cor, sem cheiro, sem sabor. Tudo se torna apenas calmaria e transparência, como diz Byung-Chul Han. Calmaria esta que impede o refluir da atividade intelectual, apaga as dúvidas e questionamentos, reduz a ludicidade típica do momento, sua espontaneidade, sua arbitrariedade, em outras palavras, a balbúrdia necessariamente válida da aprendizagem.

Escrito por Rodrigo Fernandes 43


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RELATOS DE EGRESSOS DO IFRN

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Ketlly Azevedo Ketlly Azevedo, aluna egressa do curso de Informática do IFRN- Caicó; atualmente, cursa o primeiro período de Sistema de Informação na UFRN.

uando fui informada da volta às aulas de forma remota, ficamos demasiadamente animados, pois assim, não viria a prejudicar nossa entrada para a faculdade. No entanto, para isso ocorrer, pagamos basicamente o ano inteiro em seis meses, o que fez ser tudo mais corrido e isso veio a prejudicar o aprendizado, devido à falta de tempo. Agora na faculdade, devido à experiência que tivemos com o IF, as aulas on-line estão mais fáceis, além de que, os professores, com a experiência obtida no primeiro ano de aula remota, adquiriram mais conhecimento em como seria melhor transmitir os assuntos. Porém, o maior problema encontrado, em meu ponto de vista, é a falta de foco, devido ao conforto da casa, a liberdade que se tem a mais, ou mesmo serviços externos, como uma ajuda à família, ou o trabalho.

S

em sombra de dúvidas, terminar o IFRN no formato EaD não fazia parte do meu imaginário, mas foi motivante ver a determinação dos professores em passar conhecimento e segurança. Afirmo com toda certeza que essa experiência desafiante foi imprescindível para a minha adaptação na UFPB, na qual curso uma disciplina híbrida e oito remotas. E é por isso que torço para que todos possam aproveitar as oportunidades edificantes oferecidas pelo IFRN - CA, instituição que nos prepara fortemente para o meio acadêmico e para a vida.

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Elisa Arcanjo de Sousa Morais Elisa arcanjo de Sousa Morais é egressa do curso de Eletrotécnica- IFRN-Caicó; atualmente, cursa o primeiro período de Fonoaudiologia na UFPB.


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O

Eduardo Guilherme Eduardo Guilherme é egresso do curso de nível médio Integrado de Eletrotécnica - IFRN-Caicó; atualmente, cursa o primeiro período de Fonoaudiologia na UFPB.

ensino remoto foi um desafio novo tanto para alunos quanto para os professores, pois passamos por um processo de adaptação, mas sempre com muita compreensão e empenho dos professores do Instituto para nos entregar de forma satisfatória os conteúdos. Assim que adentrei na faculdade pude ver o quão bem preparado fui no Instituto, uma vez que consegui levar com leveza e de forma tranquila os momentos síncronos e assíncronas da universidade.

B

em, a minha experiência como uma formanda do ensino médio e uma caloura da universidade foi/é algo difícil que eu jamais imaginei passar. O ensino remoto exige (mais do que no presencial) dedicação e atenção para que se consiga compreender o que está sendo passado. Mas além disso, é preciso ter calma e controle para conseguir dar prosseguimento à vida acadêmica em meio ao caos que estamos vivendo, é necessário viver um dia de cada vez e se motivar com a esperança de que tudo isso vai passar.”

Amanda Cristina Amanda Cristina é egressa do Curso de nível médio integrado de InformáticaIFRN-Caicó; atualmente, cursa o primeiro período de Direito na UFRN.

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ntão, para mim as aulas on-line não foram tão ruins, porque conseguia revisar bem o assunto e voltar para rever as aulas quando tinha uma dúvida, o que não conseguia no presencial. Porém, apesar dessa vantagem sinto que não aprendi totalmente bem os conteúdos, só consegui passar de ano e receber o diploma. Já na faculdade, eu tinha consciência desse problema, então comecei a trabalhar em mim, então aprendi mais do que pra passar de ano, mas não deixou de ser desafiante e um pouco cansativo, por fatores que tiram a concentração.

O

Ana Carolina Ana Carolina é egressa do Curso de nível médio integrado de Informática-IFRNCaicó; atualmente, cursa o primeiro período de Sistema de Informação na UFRN.

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José Pereira José Pereira é egresso do Curso de nível médio integrado de Informática-IFRNCaicó; atualmente, cursa o primeiro período de Sistema de Informação na UFRN.

último ano do IF foi um verdadeiro desafio, entre tantos já presentes, como o ENEM e as responsabilidades da vida adulta, veio a inesperada pandemia e toda a sua inconstância (emocional, econômica, educacional, etc). Confesso que no começo eu tinha esperança que isso iria passar rápido, mas com o decorrer do tempo fui descobrindo a complexidade do problema. A partir desse momento eu tive que me reinventar totalmente, para que eu conseguisse me situar nesse ensino a distância, e acabei descobrindo métodos de estudos bastante eficientes que eu não fazia ideia que funcionavam para mim. Eu trouxe essa experiência pra faculdade, e estou enfrentando o ensino superior, a distância, com bastante dedicação, disciplina e responsabilidade.


Seção Negacionismo - Revista Impúrpura 2ª Edição

O

Vitor Daniel Vitor Daniel é egresso do Curso de nível médio integrado de Informática-IFRNCaicó; atualmente, cursa o primeiro período de Sistema de Informação na UFRN.

novo normal que a pandemia nos trouxe foi um pouquinho estranho. Apesar de estarmos sempre conectados com a tecnologia, a nova forma de assistir às aulas torna isso um pouco chato e enfadonho. A falta de contato com os colegas, a rotina de levantar e ir pra escola faz muita falta. O último ano do IFRN não foi nada como eu esperava ser, foi um ano complicado e estranho, um ano que foi como umas férias sem fim. Esse ano se tornou ainda mais pavoroso pelo fato de termos que fazer o ENEM e uma pressão enorme em ter que passar. No entanto, foi dando certo, a aprovação na universidade veio e ainda continuamos com esse método de ensino muito chato e que não vejo a hora de acabar. Por fim, concluo que esses dois últimos anos vem sendo uma enorme CONFUSÃO.

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Dobrado Seridoense: um sonho musical no IFRN

É

Seção A: o sonho

de conhecimento que a música nos leva a sentimentos tão sublimes que nos parece ser algo divino, enviado por Deus ou Deuses que nos move e nos transporta a experiências que nenhuma outra área de conhecimento seria capaz de nos levar. Talvez seja por isso que muitos vejam a música como um donu (dádiva ou dom), um presente dado a poucos. Em se tratado de Brasil, de fato, a música parece ser uma dádiva, já que estudar música em nosso país é um privilégio. Enquanto professor de música vindo de família pobre, sempre pensei nessa arte, devido às circunstâncias em que vivi, quando jovem, como algo que não tinha futuro ou que estava muito distante da minha realidade. Por causa disso, acreditava que não era possível sonhar com voos mais altos, tendo em vista as amarras que me prendiam à realidade difícil da periferia natalense. Contudo, para alguém que não tem nada, se agarrar a qualquer coisa já era uma sorte grande. A música entrou na minha vida assim, como uma porta que se abre para o futuro, foi a esperança de ter uma vida melhor por meio da arte e da docência. Não sei se é masoquismo, mas se não bastasse ser músico no Brasil, ainda decidi ser professor. Todavia, não é preciso de muito para ser feliz, apenas fazer o que gostamos já é suficiente, e foi isso que aprendi amando a música e conhecendo o prazeroso ato de ensinar. Ao entrar no serviço público como professor de música, vi a oportunidade de ser uma porta de esperança para outros, assim como o foi para mim em tempos difíceis, e para minha sorte, passei a exercer a função de professor federal na região mais musical do Rio Grande do Norte: o Seridó. O sonho começava a se tornar realidade, e eu poderia mostrar aos outros que também é possível sonhar com o impossível e fazer acontecer.

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Seção B: o dobrado

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o Seridó, é muito comum a presença das bandas e filarmônicas nas cidades. Elas são sinônimos de cultura, tradição e identidade de um povo que, mesmo afligido pela dura vida do sertão, é alegre e musical. As manifestações musicais vão desde as bandas marciais, fanfarras e filarmônicas aos grandes grupos instrumentais que tocam a trilha sonora das festas e cantam a cultura de uma região. Não podemos esquecer que o Seridó também é terra de grandes nomes da música, como o Tonheca Dantas, o Felinto Lúcio, Elino Julião, Dodora Cardoso, entre outros também maravilhosos. A música é, desse modo, para nossa região, como água é para o sertão, faz parte da vida e é impossível viver sem. No entanto, para aqueles que sonham em seguir na carreira se veem obrigados a deixar sua terra, como êxodo que assola o sertão na falta d’água. As bandas/filarmônicas trazem em si histórias e tradições que marcam a região como a mais musical do estado, não é à toa que no dia 13 de junho de 2021, Carnaúbas dos Dantas recebe o título de terra da música no Estado, mesmo dia em que o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte – IFRN aprova o primeiro curso de música do instituto. Para mim, que participei diretamente da idealização e construção do curso juntamente com meus pares, ter um curso de música no Seridó é como a chuva que molha a terra seca e faz brotar sementes de esperança, cultura e arte numa terra sedenta de cursos nessa área, que dê oportunidades a talentos da região, profissionais de modo geral envolvidos com essa arte, e que atenda à natural vocação pela música do Seridó.

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Seção C: o IFRN

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s professores de música do IFRN já vinham há muito tempo lutando pela criação de um curso de música no instituto, o que só foi possível com a criação de um novo campus na cidade de Jucurutu/RN. O IFRN, com seus 112 anos de existência, sempre teve a música presente, seja nos currículos ou nos corredores dos seus campi. Hoje, o IFRN conta com mais de 20 professores de Arte/Música em seu quadro efetivo, atuando em diversos campi do instituto, mesmo o campus que ainda não dispõe de professor específico, a música não se faz menos presente, ao contrário, as manifestações musicais de alunos e servidores são latentes no Instituto. Resultado disso é que, em junho de 2021, o IFRN aprovou por unanimidade o curso técnico em Instrumento Musical, na forma subsequente, a ser ofertado no campus avançado Jucurutu. O campus, que ainda não dispõe de prédio finalizado, está atuando com aulas on-line para pessoas de todo o país, uma vez que são mais de 200 alunos atendidos nos cursos básico e cursos de formação inicial e continuada (FIC) em música. A previsão é que em 2022 as atividades já possam ser desenvolvidas de forma presencial com cursos em níveis básico, técnico e superior em música que atendam à necessidade da região Seridó e Vale do Açu.

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Seção AB: um sonho para todos

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e antes os integrantes das filarmônicas da região, os que tinham condições pelo menos, saíam das suas cidades rumo à capital para estudar música, agora, com o curso de música sendo ofertado pelo IFRN, passa a ser uma realidade possível para todos, um sonho coletivo. No campus Jucurutu, os músicos poderão se formar de forma integral e ampliar seus horizontes de atuação no mercado de trabalho. Em terra de grandes músicos, como os já citados anteriormente, ter uma instituição como o IFRN possibilitando formação profissional na área da música é sonhar sonhos impossíveis, é reconhecer que a música pode transformar a vida das pessoas para melhor, é acreditar que o donu (dom) são ações que possibilitam a qualquer um descobrir seus talentos e fazer deles dádivas na vida das pessoas. Aquele sonho de menino da periferia natalense, enfim, se realizou, um despertar para música e para o ensino, a vocação de um menino que floresceu e que trará bons frutos para o Seridó, ensinando a sonhar e a acreditar que sonho que se sonha junto, como diz a canção, é muito melhor, é realidade.

João Gomes Licenciado e Bacharel em Música pela UFRN, Especialista em Educação Musical (UCAM) e Mestre em Música (UFRN). Atualmente é Diretor Acadêmico do IFRN campus avançado Jucurutu.

Playlist: Para ouvir e viver, porque o show tem que continuar

Playlist Sugerida

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Depoimentos de pessoas sobre a ciência ou o fato de se negar a ciência Depoimento 01

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abemos que a humanidade tem dado passos enormes nos últimos 160 anos e estamos assistindo a guerra contra a doença, estando longe de acabar. Novos avanços são contra-atacados velozmente por vírus e bactérias que evoluem de forma acelerada. Essa é uma realidade bem visível por todos.

A medicina é a ciência mais jovem e humana e não pode tornar frágil diante de tanto desencontro. Temos que seguir o caminho dos grandes pesquisadores e aguardar o protocolo universal firmados pelos grandes mestres. Diz Siddhartha Mukherjee, em As leis da medicina: "Para cada experimento médico perfeito, há um viés humano perfeito".

E o mundo superlotado apresenta um ambiente ideal para Ao concluir, oriento ser indispensável o uso de máscaras, do o rápido alastramento global de nova doença. O importante álcool, do distanciamento e sobretudo da vacinação. é observar como ela ocorre e evolui e isso requer paciência e dedicação. É fácil você tomar decisões perfeitas com informações perfeitas. Entretanto, a medicina pede que você tome decisões perfeitas com informações imperfeitas. Isto é ciência. Não é tão fácil. Péssimo é tomar decisões carentes de estudo aprofundado e tornar-se abominável. O filósofo Karl Popper, em "A lógica da descoberta"-1934 -, propôs um critério essencial para distinguir um sistema científico de um não científico. A característica fundamental de um sistema científico, não é fato de suas proposições serem verificáveis, mas de serem falsificáveis, ou seja, há possibilidade de se tornar falsa. Entende-se que não é tão simplório tomar decisões sem serem bem fundamentadas. Temos que ter informações objetivas e clinicamente relevantes que podem ser avaliadas e implementadas na prática. Por isso tem de ter medicina baseada em evidências, pois o uso cuidadoso, explicíto e sábio da melhor evidência existente na tomada de decisões. Vale acrescentar que é preciso se ter o cuidado de distinguir a pesquisa genuína das aventuras de má qualidade de amadores bem-intencionados para poder polidamente ignorar.

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Francisco Lucena Profissão: Médico


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Depoimento 02

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credito na ciência e no seu objetivo maior...o conhecimento, desde criança ouvimos falar de ciência, na escola, nos meios de comunicação. Quando falamos em ciência antiga nos lembramos dos filósofos da Grécia antiga, dos físicos, dos Astrônomos que estudamos nos livros na escola. A ciência moderna tem haver, com método científico, com pesquisa, experimentos a ciência testa para provar algo. Lembrando que a ciência no passado era contestada pela igreja. Hoje em dia, a ciência moderna caminha a passos largos, tendo em vista que as novas tecnologias nos envolvem há todo tempo e em todos os lugares. A ciência possibilitou e favoreceu a todos os avanços da humanidade, contudo, há coisas que não se pode provar através da ciência ainda; nós, sabemos ainda muito pouco sobre o universo, desse modo, há segredos para serem desvendados. A ciência, a religião, a filosofia, a arte nos encantam. O maior exemplo: o arquiteto do universo chamamos de Deus, Pela religião tentamos encontrar uma resposta... Pela ciência, como biólogo que sou...penso na natureza O ambiente e os seres vivos e suas relações Lembrando, essas relações também são objetos de estudo da ciência. Enfim, a ciência é um meio de se obter conhecimento.

Aldemir Dantas de Araújo Biomédico, biólogo, citopátológista, sanitarista, analista clínico laboratorial, Professor, Mestre e Doutor em ciências da Educação.

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Depoimento 03

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grande legado cultural da humanidade se manifesta em forma de saberes e práticas guardadas, desenvolvidas, aprofundadas, aperfeiçoadas. A ciência integra essa herança, resumindo todos aqueles conhecimentos obtidos com método e com rigor. Não se faz inteligente nem oportuno negá-la, principalmente nos tempos de crise, quando são os(as) cientistas que apresentam as mais pertinentes soluções para os desafios a serem vencidos. Contra o negacionismo e pela ciência, nós somos!

João Quintino de Medeiros Silva Historiador, professor da UFRN/ Campus de Caicó

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Depoimento 04

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os últimos anos e, principalmente, nesse período de Pandemia que estamos vivendo, tem se tornado comum nos depararmos com artigos, reportagens e publicações diversas, contestando e/ou divergindo de conhecimentos aceitos e difundidos pela comunidade científica e acadêmica. Diferentemente de uma opinião sobre determinado assunto, fenômeno ou acontecimento, o conhecimento científico, se produzido de forma séria e comprometida, deve se basear em algumas etapas de pesquisa do chamado “Método Científico”, onde uma hipótese deve ser testada ou experimentada e apenas em caso de resultados favoráveis que corroborem o conceito inicial é que essa teoria deve ser considerada válida e posteriormente publicada, o que não impede que essa seja contestada a qualquer tempo, inclusive por outros cientistas, podendo serem utilizados outros métodos ou linhas de pesquisa. Já os que negam a ciência, normalmente se baseiam apenas em opiniões divergentes dessa, mesmo que de forma parcial ou em conhecimentos populares acumulados durante algum tempo, não se preocupando em comprovar as suas teorias, que podem ser ainda assim, aceitas pela comunidade científica, desde que comprovada a sua veracidade através de métodos usuais de pesquisa científica.

Antônio de Pádua de Medeiros Santos Bacharel em Farmácia com especialização em Bioquímica pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Licenciado em Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Licenciado em Biologia pela Universidade Cruzeiro do Sul (UNISUL), Professor titular de Química nos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte.

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Por Felipe Garcia


SEÇÃO PÓS-VERDADE

F

ake news, de origem estrangeira, expressão que designa o mais alto e plangente patriotismo nacional, o estouro da mentira farfalhante, a celebração do impostor com direito a pipoca com pimenta em defesa da crença genuína no palco vazio onde impera a ciência de si mesmo; a farsa como tragédia, depois os fatos – esta visão distorcida de qualquer horizonte – que mentem a si mesmo através de fontes inomináveis, sob a pressão das verdades acachapantes, assim nascem as informações oriundas da deepweb ou do abismo profundo de um refluxo fecal no cérebro atravessado por caixinhas paralelas. Ignorando o que se vê, ouve e diz, portanto, tudo aquilo que se considera como crível, vivido, ou verdade inalienável, as fake news expressam a conveniência do acaso de acordo com as circunstâncias das ameaças que ponha em risco

essa fábrica de desserviços metodologicamente elaborada para educar supostos patriotas. como escapar da realidade, para além de negá-la, e viver no mundo real onde as pessoas espirram, assoam, e depois se lavam? Notícias falsas podem ser verdadeiras, assim como a Literatura, então, o que pode viver, visto que tudo não passa de uma falsa notícias de que estamos vivos e bem? Encaminha-se, portanto, uma pergunta a quem produz fake news, aquele ou aqueles que provavelmente detêm toda a sabedoria do Plano: como vocês sabem o que é verdade ou mentira? Caso se recusem a responder, façamos um novo apelo antes que as urgências se tornem perda de tempo ou atraso de oxigênio: Se sabem o que é fato e fake, por que não nos libertam da opressão que cresce a cada dia no país? Se houver insistência no silêncio, roguemos ao divino, antes que a noite nos encerre a vida como um livro – toda realidade. PÓS-VERDADE


Seção Pós-Verdade - Revista Impúrpura 2ª Edição

Sol-19 Eram tempos difíceis. O sol não brilhava mais para todos, mas o teto branco ainda estava lá. Na verdade, ele sempre esteve ali, esperando que você entre e salve sua vida. O sol não brilhava mais para todos, mas o professor ainda estava lá. Ensinava em casa, por um computador muitas vezes emprestado, a internet aprimorada e a criatividade reinventada. Muitos desistiam no caminho, não aprendiam nada, eles diziam, mas o professor, na verdade, sempre esteve ali, esperando que o ícone de identificação que não revelava rosto nenhum se comunicasse por mensagens corridas.

Ana Júlia Cunha de Macêdo Ana Júlia Cunha de Macêdo é Potiguar nascida na cidade de Jardim do Seridó, atualmente estudante de Informática para Internet no IFRN Campus Caicó. Desde cedo teve contato com a arte, onde escreve e desenha para satisfação própria.

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O sol não brilhava mais para todos, mas o carteiro, o motorista, a manicure, o médico, o professor, o dentista, o carpinteiro, o pastor e tantos outros que não podiam parar ainda estavam todos lá, temendo por um dia estar em outro lugar, incerto para a própria ciência, mas que o fiel acredita ser um bem. Será que o sol há de brilhar para mim? Pergunta a senhora de 87 anos, deitada em um leito de hospital pela irresponsabilidade de desconhecidos. Um tecido cobria o rosto de todos ao seu redor, e só lhe restava acompanhar seus olhos. Os médicos sempre foram esperançosos; ela era sadia, a doença não a incubou para a própria sorte.


Seção Pós-Verdade - Revista Impúrpura 2ª Edição

Nos seus últimos dias, azuis, castanhos, verdes olhos lhe lançavam algo novo. Ela, no entanto, ansiava o momento em que partisse para casa, o qual nunca veio, mas que descobriu o destino da sua fé pregada por 60 anos entre filhos e netos. O sol não brilhou para ela, mas no leito seguinte alguém se pergunta a mesma coisa. Dessa vez, é o motorista, que não podia estacionar o carro. As filhas de dois e quatro anos não entendiam o porquê ele estava longe a dias, e sua única preocupação era sobre pão na mesa, temendo por sua vida, pois na sua família não havia outro sustento. O mais impressionante veio em seguida, no leito com aparelhos caros, importados e de alta precisão. O empresário também estava deitado em uma cama branca de hospital, ao lado de todos aqueles que um dia ele se julgou superior.

@anaju_39

O sol não brilhava mais para todos, mas o branco do teto substituiu e deu àqueles seres a esperança de dias melhores. Lá fora, as pessoas comemoraram milhares de mortes enquanto os doentes rogavam por mais uma chance, promessas lançadas ao vento sobre ações diferentes. Com certeza o sol não alcança aquelas mentes, que aglomeravam às centenas, nenhum tecido bonito cobrindo nariz e boca. Restrições são decretadas, mas ainda assim o sol, teimoso como era, não se deixava brilhar para todos os doentes. Algum dia há de raiar esperança no leito 9, e, enquanto isso, que tal uma bebida para comemorar esse fim?

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Maria, Maria

A casa, toda escura, apenas com a luz de led do painel acesa (os pais deixavam-na ligada para ampará-la), punha de pé apenas uma sombra no meio da sala: a de Maria Maria, inerte, “catatônica”. Deixara de ir para escola há um mês, perdera o convívio social, os amiguinhos da escola sempre perguntavam por ela, saltitantes e lívidos, “Maria Maria”, e a professora sempre dizia que ela estava de férias especiais, viajando pelo Podia ser também um problema de caráter psicológico, mundo para tratar de assuntos particulares – e, para não deixar nem sempre acertavam – diziam com certa parcimônia, então os pequenos ainda mais tristes ou saudosos, terminava "se recomendaram aos pais mais uma consulta. acalmem, pirralhos da titia, ela vai se lembrar de cada um de Assinaram a receita, dois remédios para dormir, muito suco vocês nos seus sonhos". de maracujá e, se possível, para surpresa dos pais desamparados, Sem aula, sem amigos, não havendo saída para os pais, a leitura de alguns livros que ajudam, segundo os médicos, aquele farolzinho no topo da montanha cintilava solitário; cada “a entrar no mundo dos sonhos”. Os pais, sem fé, depois de vez mais sem tempo para se dedicarem a ela (autônomos, meses indo de cima para baixo, ignoraram o último conselho, vendiam produtos de beleza de casa em casa), levaram-na para e tentarem resolver com todos os antídotos e indicações de um psicólogo, na décima segunda noite de desespero – quando caráter científico, preciso, embora nem tanto para a criaturinha as lamúrias se transformaram em gritos bestiais. insone. Depois de rodar meio mundo e gastar bastante dinheiro, - Ou ela dorme ou ninguém dorme! – gritava a mãe, aos resolveram parar o tratamento daquela criancinha de apenas 9 anos de idade, imaginando que poderiam resolver sozinhos, em prantos, ninando a criança, e pensando nas contas que deveriam pagar se tudo desse certo com os cheques e as cobranças. casa, com ajuda de Deus. s pediatras não sabiam o que fazer com Maria Maria. Depois de exames bem detalhados, de raios-X, ecocardiogramas, abre boca, fecha boca, segura respiração, solta, vira para cima, vira para baixo, confere coração, confere pressão, o último diagnóstico dado foi o de crise do sono, ou melhor, da falta de sono.

“Papai, mamãe, eu quero dormir” – puxando a blusa da mãe, falava a garota cansada, entristecida, com os olhos fundos e o peito sufocado, porque já se passaram seis meses, seis longos meses, e nenhuma gota de sono lhe fora dada. Boa parte das noites, a menina ficava abraçada a um dos pais, até que dormiam, e só lhe sobrava um ursinho ou uma almofada. Os lamentos da pequena cresciam ao longo da noite, durante as semanas, e se transformavam em infinitas ladainhas e soluços.

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No outro dia, depois de a mãe adormecer sobre o colo da filha, Maria Maria parecia-se um zumbi. Não pregara os olhos nenhum segundo sequer. Os pais estavam bem por fora, dormiram a noite todinha, embora arrasados por dentro, porque sabiam que a menininha deles tinha pesadelos com a realidade (como eles). Os braços balançavam sem vida quando caminhava pela sala e seu corpinho frágil lembrava o de uma boneca antiga, de pano, quase sem as articulações para mantêla firme, sustentar-se.


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Os pais a olhavam com pena e, já cansados de ouvirem tantas respostas negativas, diagnósticos incertos e vagos, pensavam, se nada desse certo no psicólogo, não havia jeito, em tratá-la com as drogas mais pesadas. “Mesmo que ela sofra, - Porque não. dizia a Mãe, minha filha vai dormir e, em seus sonhos, estará conosco, sorrindo”. Depois do café, a menina comeu só um O homem ficou travado feito travesseiro murcho, sufocado pouquinho, não tinha vontade nem de comer mais, arrumaram- pela pressão de alguma coisa muito desagradável, passou na para ir ao consultório. a mão na cabeça como se batizasse sua ignorância. Não Ao chegar a vez dela, a pequena entrou se arrastando, baleada extraíra nada dela e suas conclusões parciais foram de que ela, pela fraqueza, os pais tentavam controlá-la como se fosse uma possivelmente, se apegara a algo que desconhecia, tivera um marionete sem uso, até que, após se equilibrar, sentou numa trauma ou coisa assim. “É uma regressão antinatural ao início cadeirinha amarela e pôs-se a brincar com uma boneca que do tempo, quando ainda não tinha consciência de si, algo talvez estava ali por perto – mais saudável talvez do que Maria Maria até antes da existência do tempo”. Como estava na infância, que apenas parecia estar viva. Sem olhar diretamente para o e nessa fase as crianças costumam criar um mundo paralelo, profissional, ignorou-o completamente. Mexia para lá e para cá em breve ficaria boa, sem que se precisasse fazer qualquer a triste criatura sem vida, a pequena rainha apoiada na cadeira, tratamento específico. Enfim, “não se preocupem com Maria pondo-a para pular um pouco, e logo em seguida, beijar outro Maria, ela é extremamente saudável e é só uma questão de boneco, o de um dinossauro que também ficara por ali. “La, passar dessa fase para que ela possa dormir como um urso”. la, la... o prín-ci-pe e a da-mi-nha” – cantava quase morrendo, desfalecida. O psicólogo a observava e, impaciente, constrangido pela situação deplorável em que se encontrava a menina, tentou dizer algo. A menina continuou a brincar sem lhe dar atenção. Depois de esperar um contato por quase meia hora, Maria Maria lhe pergunta se gosta de brincar de dormir. O psicólogo, finalmente com algum material para trabalhar, se desencosta da poltrona, descruza as pernas e diz – melodiosamente, “claro, pequena Maria, claro que gosto de dormir, e você, gosta?”. A menina sorriu fracamente, começou a tossir, porque faltava-lhe forças até para esboçar o mínimo gesto, e disse: “eu também, só não consigo”. Isso já fazia um ano! Que desespero! A criança não sabia mais por que as pessoas acordam se o mundo é tão cruel, e também por que não dormia, se estava tão sem vida. O psicólogo, percebendo que a colocara contra a parede, intentando salvá-la com palavras, estava prestes a resolver o mistério, e perguntou-lhe:

Os pais – sem uma resposta mais concreta, fartos de remédios e teorias, deram-se por satisfeitos e praticamente já podiam até ouvir (esperança de pais é promessa de vida) os roncos aos berros da menina quando tudo isso passasse e ela dormisse “o sono dos justos”. Mas, reforçou o psicólogo, “precauções são necessárias, como: evitar celular, TV principalmente e, quem sabe, não é certeza, mas leiam um livro bom de dormir como aqueles clássicos infantis para ela”. E, acrescentou, “não se esqueçam de dar-lhe uma alimentação baseada em alimentos saudáveis, bons hábitos alimentares ajudam a consciência a dormir, e o inconsciente agradece, além de praticar pequenos exercícios com ela, como brincar, estimular a criatividade, curiosidade, etc”.

O doutor deixou que Maria Maria levasse os brinquedos “leve, são seus”. Os pais a colocaram na cadeirinha e partiram para casa. Conversavam sobre a opinião desse último, sobre as recomendações que eram semelhantes, sem uma solução plausível, etc (quase chegaram a brigar novamente). A única - Maria Maria, por que não consegue? – ela olhou para cima, coisa que faltava mesmo era ler um livro para ela. “Que viu aquele rosto risonho, largo e liso, com os cabelos mais lisos bobagem! Se bem, querido, que tenho tanto sono quando leio ainda colocados de lado para cobrir uma calvície precoce, os alguma notícia na internet sobre política, que talvez dê certo óculos fundos, e deu-lhe, para surpresa, a resposta máxima das com algum livrinho para crianças” – dizia, apertando a mão dele com confiança, enquanto ele, com a outra mão, conduzia o crianças: carro absorto, abstraído.

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Mas, “mulher, veja, de todas as alternativas, já pensou, essa foi a única que não fizemos, que palhaçada, justamente por ser tão absurda!” – quem sabe seja o jeito, se animaram.

Os pais chegaram e viram a criança tentando se levantar, tremendo, apoiando-se no sofá, para ficar de pé. Correram para acudi-la e estavam com um livrinho, com belas ilustrações, nas Quando amanheceu, a menina estava de pé, perambulando mãos cujo título era A bela adormecida. A criança parecia mole, pela casa, acesa, como se procurasse um sossego perdido por mal dava para segurá-la e sua cabecinha já não se sustentava aí. Os pais, depois de despertaram de uma bela noite de sono, em cima de um pescoço delicado, “desarticulado”. Diante da descobriram que não havia nenhum livro em casa! Nenhum! cena, o coração fisgou uma ponta de dor bem fininha na alma “Mamãe, quero dormir...” – e Samanta olhou-a com pena, como amortecida da mãe! “Foram tantas noites de vigília, filhinha, se olha um condenado à prisão perpétua. “Não se preocupe, eles irão acabar!” E o pai sentira um calafrio atravessar-lhe o filhinha, eu e papai vamos à livraria comprar seu remédio” – e corpo inteiro! – A criança ainda estava viva, palidazinha, corada deixaram a pequena sozinha em casa, desperta, já perdendo as pelo amor ardente dos pais. Depois do susto, apoiaram a forças. Todos os dias anteriores foram assim: pela manhã, suas cabeça da miúda no travesseiro, estampado com flores brancas forças começavam bem e iam minguando; à tarde, praticamente num fundo azul, deixaram-na confortável, e os olhinhos, quase ficava sentada e respirava; e durante à noite, recobrava um fechados, pareciam querer dormir. Foi nessa hora que a criança pouco as energias até a madrugada, depois fraquejava de novo, falou para os pais, com uma voz fraquinha, cândida e serena, e assim seguia seu ciclo interminável. Mas a solução devia quase sumindo: “leia, mamãe, ou papai, leia pra mim”. ser uma leitura, sim, “em breve, seus olhos pousarão sobre as O pai e a mãe começaram a ler, quase se atrapalham, nuvens”. mas, aos poucos, só se ouve a voz da mãe, firme, o olhar do pai atento – incrédulo para Maria Maria – que fechava os olhos A criança, em breve, teria o grande sono das maçãs! paulatinamente ouvindo o eco distante daquela voz indiscernível Dormiria tanto que viveria por séculos em um belo conto de - imemorial - que sumira com o tempo "antes da existência do fadas, e poderia até mesmo ser acolhida por um príncipe ou tempo". um dinossauro. Acordaria num mundo sem príncipes também, porque agora é bonito ser princesa independente, e seria engenheira, astronauta, presidenta! Os pais tinham o coração palpitante, pela primeira vez, Caio Ferreira soltara uma lágrima no rosto, na frente da mulher, algo que nunca o fizera até então. Esse sinal de esperança só podia ser um presságio de bons ventos por vir! A menina estava agitada, eram umas nove da manhã, suas forças voltavam ao corpinho mirrado, e sem descanso, pouco a pouco. Deitada no chão, já conseguia mover o bracinho para alcançar o celular da mãe. Com esforço, levantara o outro e começava a jogar (o celular era desbloqueado para Maria Maria, isso a distraíra, com seus joguinhos coloridos e cantantes, durante todo esse período de insônia colossal). - Oba, o-ba, mamãe vem já, o joguinho me a-le-gra... – cantarolava a coitada, derramando uma pequena lágrima.

Escrito por Acantos Garcia

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A Coroa Assassino turista disfarçado de rei RNA positivo pra atacar Proteínas virais pra fabricar Receita mortífera apelidada de “gripe” Tosse, tosse, tosse, tosse. Cemitério de corpos Corpos que não queriam Corpos que não precisavam Corpos que não tinham De morrer dessa maneira. O pulmão, sua principal casa Casa essa que destrói Sem pena, sem piedade Sem ar, sem nada Nada sobra Senão tossir infinitamente Na tentativa exaustiva De expulsá-lo da casa.

Economia estagnada Vidas interrompidas Escola paralisada A mim não resta nada Senão o triste lamento Pois percebi com o tempo Que a criança pobre É a mais prejudicada A esperança ainda existe Enquanto existir ciência A tecnologia é de ponta Vacinas em experiência Mas o tempo não espera Novos contaminados Famílias desesperadas E, infelizmente, quem tossia Já não tosse mais.

A doença de nome mortal Com o seu radical “cov” De cova e coveiro De cavar a cova Do povo brasileiro

@biancaverass

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Seleção (des)natural O vermelho escuro da chama queima a esperança, o medo e a agonia apertam o coração, meus pensamentos estão emaranhados, como um firme nó da corda de enforcamento. Não tenho mais fôlego pra suportar tal realidade inóspita e caótica que se firma. O fogo do Pantanal destrói a alma da mãe natureza, ele é a metástase incontrolável da ação humana. Não consigo dar adeus aos filhos da terra, coati, cachorro-do-mato, bugio-do-pantanal, capivara, tamanduá-bandeira, porco do mato. O olhar de medo da onça-pintada, sim, o maior felino das Américas tem medo, sua casa está pegando fogo, mas não como antes, ele é feroz, o vento que o leva é feroz.

A ganância humana não tem limites, provoca incêndios criminosos, acaba com a biodiversidade local, desmata a grande Amazônia, e ainda destrói o Pantanal. Nessa seleção supérflua, com o fogo do terror, o escuro substitui o verde, o calor substitui a água, o medo substitui a alegria, e a morte substitui a vida.

A brasa tomou conta do que antes era água, o incêndio tomou o lugar do que era terra, a fogueira demoníaca substituiu todo o mato, o calor sem precedentes queima fauna e flora, e o queimor tomou conta do que antes era vida. As patas do coati estão sangrando, a terra também sangra, não tem coagulação, o ardor traz trevas ao que antes era verde. Quase metade das terras indígenas tomadas por essa combustão perversa, o meio ambiente deixado pra depois mas e se não houver um depois?

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Bianca Veras Bianca Araújo Fernandes Veras faz graduação no curso de Medicina pela UFCG. Finalizou o curso técnico em Informática no IFRN - Campus Caicó no início deste ano. Seu interesse pela poesia começou cedo ao aprender versos em cordel que seu avô costumava recitar. Desde então, escreve poemas para expressar sentimentos, narrar histórias e protestar contra a realidade vigente.


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Violão Eu comprei um violão há alguns meses, mas nunca aprendi a tocá-lo. Mesmo em isolamento, eu nunca sequer comecei e acredito que este violão emoldura várias coisas na minha vida. Apenas o assisto pendurado na parede sem nem sequer tentar afiná-lo ou dedilhar as suas cordas. Apenas o assisto escondido atrás de uma bolsa preta onde a poeira cai e se acumula.

@alambergsmytth

Tantos calos que nunca surgiram e tantas notas que nunca aprendi como manusear. Tantas músicas que nunca ganharam vida e tanto potencial que desperdicei. Este corpo de madeira está me matando porque ele me lembra como faço o mesmo com tudo. Há coisas que realmente quero e há coisas que realmente sonho, mas eu nunca as começo, mesmo elas estando tão próximas a mim. Agora estou tornando este violão tão inútil quanto eu. E às vezes soa poético um violão não sendo tocado e um artista não se eternizando através da arte, não sei o porquê, mas continuo me preservando de mim mesmo e preservando a minha vida de ser vivida. As cordas nunca quebrarão e minhas mãos permanecerão intactas pois não há nada para se resistir, mas sem este processo, o violão nunca ressonará e ele foi feito para fazer som. Um dia, espero ter coragem de resgatar aquele complexo de madeira de seu casulo e fazer com que ele cumpra a sua função no mundo, aprendendo a tocá-lo e dando vida à música

Alamberg Smytth Sou Alamberg Smytth, estudante do IFRN Campus Caicó do curso de Informática. Moro em Caicó e estive regando cada vez mais o meu amor pela escrita: escrevendo curtas, narrativas e poesias

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Pós-Verdade Tua tese era de que eu não teria uma alma tranquila e me borraria de medo da noite enquanto tu passeavas nas avenidas escuras tua tese sempre foi a de nunca aceitar o outro porque a vida nunca sabe se é o que é ou o que dizem e as pessoas fingem ser o que são para nos enlouquecer tua tese nunca me disse que os homens e as mulheres eram um só e seus olhos se incendeiam quando vivem juntos nas noites mais frias da vida tua tese jamais considerou que houvesse harmonia entre tudo que as árvores e os seres se perdem na cidade e ninguém sabe como preservar a vida tua tese destruiu tudo o que eu sabia sobre a tristeza e minha felicidade se tornou um calvário onde meu corpo é sacrificado todos os dias tua tese me isolou da internet porque eu não era ninguém e todo mundo se torna ninguém quando ninguém se aglomera com todos

Acantos Garcia Autor de “Os bons anos de Juiz Bandelo”, quase doutor em Literaturas, nascido no fim da década de oitenta, sobrevive ao presente século.

tua tese era de que éramos amigos e jamais nos separaríamos mesmo se morrêssemos tua tese calculava o movimento dos planetas e dos sistemas financeiros descobria como Beethoven era gênio e como a democracia libertava o indivíduo

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acabou comigo porque eu fiquei sem ter o que dizer naquele dia específico a respeito daquele tema minúsculo

e engoliu a ti mesmo enquanto refutava a tese do outro –

tua tese

e tua tese se tornou o veneno e a cobra e o outro e no final das contas

silenciou os pássaros e fez as pontes tremerem o dia cair e a noite descer tua tese queimou minha língua e a ponta dos meus dedos desfigurando meu verbo

soberana, incontestável, proeminente enquanto os céus se fechavam no absurdo prevaleceu sobre tudo como uma sinfonia incandescente tua tese

tua tese

e choveu no deserto por 365 dias e tuas palavras se tornaram a gigantesca arca

a tua tese nunca concluída inacabada e efêmera sobre mim e sobre tudo

onde todos se refugiaram da umidade e do mofo da Terra...

tua tese uma cruz no meio do nada um abismo cujo filho é o mundo e as tuas mãos intrépidas no espelho tua tese

encerrou o enigma entre a morte e a vida e, finalmente, nos libertou das algemas Tua tese isolando-nos do mistério e do silêncio como o sol da verdade.

termina, encerra, fecha toda a discussão do eterno e leiloa o Universo tua tese anulou a tua tese e esta tese se tornou o absoluto e a tua tese se enrolou como uma cobra

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Relato de Saudade Sinto saudade do despertador Que me apressava a sair da cama Sinto saudade da mochila Que pesava minhas costas Sinto saudade da comida fria Que supria a minha fome Sinto saudade até da chuva Que num dia exaustivo caiu Me enxarcou inteira E me deixou com tanto frio Sinto saudade do antes E do que ficou pra depois

Clara Andressa Clara Andressa de Souza tem 18 anos, reside na cidade de São João do Sabugi - RN e atualmente se encontra no 3° ano do curso de Vestuário no IFRN Campus Caicó. Fascinada por música, se arrisca na voz, violão e em algumas composições. É uma das Bárbaras do Acauã e desbravadora da literatura

Do futuro tão planejado Que virou uma grande bagunça Entulhada e escura Ainda tento me achar Sinto saudade de tudo Não hei de sentir do presente Período estranho, sombrio É tudo tão diferente! O peso não é nas costas Talvez na cabeça, no coração A comida não mata a fome

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@_clarxsouza

Nem quente, nem fria Não há. A chuva cai fortemente Me afogando de dentro pra fora E o despertador já não toca Não o ouço há muito tempo Somente a buzina dos carros Que alerta o início do dia. E eu que julgava a saudade Um sinônimo de falta Hoje a vejo tão presente Nos meus dias vazios Sinto a frieza de seu toque O tom azul de sua face E a rispidez na sua voz Sempre que vem me abraçar.

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Uma pandemia e sua ferida

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Isadora Beatriz Isadora Beatriz Lucena de Medeiros tem 17 anos e é estudante do 2° ano de Informática para Internet

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achucados e cicatrizes estão cravados em minha alma e fazem parte de quem eu já fui, sou e serei. Eu sou uma pessoa ferida. Talvez a dor pareça muito banal para alguém, porque a convivência com a aflição pode torná-la mais suportável. Mas, em cada dor pessoal há uma singularidade de perspectiva e não dá para medir dores pessoais de acordo com as de outrem. Então, diante de um suportamento diário, até quando a resistência consegue perdurar? Em meio a uma pandemia e diferentes perspectivas sobre isso, estou a ter aulas online. A vacina contra o vírus está avançando no país e as mortes diminuíram. Um pingo de esperança permeia-me ao saber que irei tomar vacina, mas ao lembrar do que estou a passar neste período em específico, sinto-me triste de novo. Meus pais tiveram covid e ficaram internados, minha madrinha descobriu que tem câncer de pele maligno, minha avó acabou de morrer, estou cheia de atividades e trabalhos para fazer, no momento sinto dor de cabeça pela abstinência de café e estou escutando música para concentração no youtube. Há tanta coisa para pensar que me pergunto se algum dia irei explodir minha mente. Estamos todos atordoados aqui em casa pela recente morte da minha avó. Ela teve covid, depois disso começaram a achar que ela estava com câncer de pulmão, só que na verdade o câncer era de fígado; enquanto estava no seu tratamento, morreu de infarto. Bem irônico, não? Eu estava até sem conseguir comer uns dias atrás, mas isso já passou. Acontecimentos como esses me fazem refletir sobre a incerteza da vida e o quanto isso dói em mim, de modo que o meu coração se assemelha a um agulheiro ansioso.


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Normalmente, sempre tento ser positiva e esperançosa, porque se eu não for, o que restará de mim? Quando pessimista eu entro em um redemoinho difícil de sair, e é mais motivacional ver o copo meio cheio do que meio vazio. Quando há muita coisa para resolver e lidar, é melhor tentar do que não tentar, não? E essa é uma escolha diária que muitas vezes não parece nada recompensadora e atrativa. Decidir assistir aula em casa invés de ir dormir parece bem chato, mas por mais clichê que pareça, é uma oportunidade de potencialização, causa e consequência. Claramente a motivação nem sempre está presente e não é legal romantizar momentos difíceis. Mas mesmo assim, por nós mesmos, é preciso seguir em frente de alguma maneira, né? Mesmo que não 100%, 50% torna-se mais interessante do que 0% levando em conta a não linearidade e ascensão que se pode ter.

@isadoralcn

O mundo sempre foi um espaço em constante movimentação e evolução, mas agora tudo está tão estático em casa que em minha percepção ainda estou no ano passado, quando a pandemia começou. De lá para cá, um ano depois, houve várias mudanças internas em mim. Eu saía mais de casa, fazia mais atividade física, descansava e aproveitava. Agora, quase sempre fico em casa, não descanso e aproveito bem menos. Nesse sentido, fico reflexiva: eu estou vivendo ou só existindo? Ou estou existindo mais do que vivendo? Não sei a resposta do sentido da minha existência nem de que se o que eu estou fazendo é o certo, mas quem é que um dia soube cem por cento? Essa insegurança me aflige, é claro, sou ansiosa; mas a vida é assim, cheia de individualidade e múltiplas possibilidades. Eu poderia dizer que “o que tiver que acontecer, acontecerá”, mas será que o destino existe? Será que tenho alguma vocação? Será que...? Não sei. Talvez só eu possa descobrir algo sobre mim, por mim. Preciso me autoconhecer mais.

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Por Eduarda Rodrigues


SEÇÃO MÁSCARAS

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áscaras, a lembrança de um rosto desnudo, proteção ou adorno, depende de quem usa (e se usa), focinheira ideológica para os radicais negacionistas de plantão, artigo de moda quase abstrata na Pandemia, símbolo da vaidade sem-par, além de preservar a vida, é estilo e fingimento ou encenação no sentido figurado também. Os seus muito usos derivam do sentimento de incerteza que acompanha a vida durante a busca pela liberdade durante o isolamento cada vez mais incapacitante e insuportável. Utensílio básico da verdade desfeita em mentira por trás dos pronunciamentos oficiais, nos bastidores, máscaras também podem ser representações da face inquietante do

mais sombrio mistério que ronda o país (e que não nos atrevemos a sonhar), significando até mesmo silêncio do que um dia foi luz, apagado depois de muitas inibições; em censura, aos poucos, as máscaras vão ganhando força e se misturam à Lei, perdem-se nas políticas obscuras, e se espalham nas ruas sob a vigilância permanente do vírus. Um dia, as máscaras serão tiradas ou cairão, e de uma vez por todas as opiniões cairão por terra, ou brotarão em um novo chão, face a uma realidade futura – quando as máscaras, trágicas ou cômicas, rirão de nós diante da estranha feição que nosso rosto, deformado pela dor e descaso, adquiriu. Recomenda-se o uso de máscaras – literalmente; metaforicamente, às vezes, levando em conta o Bem, a Arte, e o bem-estar do Amanhã.


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A pandemia como documento histórico: o que deveríamos aprender com o vírus “De nada havendo servido os saberes e as providências humanas, como a limpeza das imundícies da cidade (...) e tampouco encontrando efeito as humildes súplicas feitas a Deus pelos devotos, (...), era já quase início da primavera quando começaram a manifestar-se de maneira prodigiosa seus horríveis e dolorosos efeitos.” É o que nos conta o italiano Giovanni Boccaccio a respeito da peste bubônica em um dos contos de Decamerão. A doença contagiosa, manifestava-se por um pronunciado inchaço nos gânglios linfáticos, em especial os localizados nas axilas e nas virilhas, que era acompanhado de febre, dores de cabeça e vômitos. Estima-se que a moléstia tenha eliminado um terço da população adulta da Europa no século XIV e tão cedo foi erradicada. Entre os sobreviventes, o horror. Havia a crença de que aquele era um castigo imposto aos humanos insistentemente pecadores. Cresceram, então, as irmandades de flagelados que buscavam a purificação para os espíritos enquanto os perigos para o corpo insistiam em aparecer. Nas cidades, o mal se alastrou mais rápido graças às aglomerações e à precariedade dos cuidados de higiene. Cadáveres se acumulavam. O resultado é que existem tumbas de vítimas da epidemia por todo o continente. Londres, por exemplo, abriga em seus subterrâneos os vestígios mortais de uma onda da enfermidade que ocorreu no século XVII. Tamanha mortalidade, acompanhada do terror experimentado pelos enfermos, deve ter sido decisiva para que Boccaccio criasse um dos mais notáveis registros literários de sua época. O coronavírus nos aproximou dos caídos pela peste medieval. Mais do que nós, orgulhosos de nossas bugigangas tecnológicas, gostaríamos de admitir. Conhecemos o medo da proximidade das outras pessoas, os números assustadores

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de internações e falecimentos, a dor da subtração repentina de familiares e personalidades que admirávamos, os enterros em massa e os cuidados sanitários que pareciam ineficientes. Ouvimos justificativas estapafúrdias para a tragédia. No Rio de Janeiro, dizia-se nas ruas – e nos grupos de zap – que a pandemia era a resposta do além para as demonstrações de promiscuidade no carnaval de 2020. Fico pensando o que especificamente foi feito naquela folia que não terá sido feito nas anteriores, motivando a abominável ira dos deuses. Por aqui, escutei que essa seria uma oportunidade para nos redimirmos de tanto desamor. Uma chance para a espécie melhorar. Queria acreditar. Quem não se recordará da desinfecção meticulosa de compras e do uso, quase compulsivo, do álcool em gel? Devemos ponderar: não se sabia de onde a ameaça viria e a desinformação correu solta. O que é, de certo modo, paradoxal, se levarmos em conta o avanço das comunicações. Remédios para verminoses e malária venderam feito água apresentados como kits de proteção. Vitória dos fabricantes de medicamentos (e de ilusões). Há paralelos históricos possíveis. Em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, houve uma severa epidemia de influenza. As nações envolvidas no conflito censuraram seus jornais para que as notícias dos sintomas e dos mortos pela doença não atingissem o moral das tropas nas trincheiras. Na Espanha, contudo, havia maior liberdade de imprensa e as informações vieram a público. Nasceu assim a “gripe espa espanhola”, que levou de 20 a 50 milhões de pessoas a óbito. Segundo Lília Schwarcz e Heloísa Starling, autoras do livro “A bailarina da morte”, o vírus chegou ao Brasil em setembro, talvez a bordo do navio Demerara, no Recife. Depois foi distribuído pelas escalas da embarcação em Salvador e Rio de Janeiro.


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A primeira reação das autoridades e de especialistas foi negar o desastre. O médico cearense Teodorico Costa declarou à Folha do Povo, de Fortaleza: “Não há razão para esse medo. Cada um ponha em prática a sua higiene individual e estamos certos de que esse vento saturado da toxina vagabunda há de passar sem fazer estragos”. O periódico “A Luta”, de Sobral, debochou. A peste não teria resistido aos “36 graus de calor acusados por nosso termômetro à sombra”. Não foi bem assim. Os casos dispararam e, em muitas cidades do Nordeste, o comércio foi fechado e as aulas, suspensas.

Apesar dos esforços, a contaminação ocorreu. Do litoral para o interior. “O município”, publicação de Jardim do Seridó, destacou em dezembro, mês em que a gripe já havia enfraquecido na capital: “Parece querer assumir caráter epidêmico entre nós a terrível infecção gripal que de norte a sul do país faz vítimas diariamente e traz sobressaltos às populações”. Certamente atingiu Caicó. Monsenhor Walfredo Gurgel, que era caicoense e mais tarde governaria o Rio Grande do Norte, perdeu o pai para a espanhola.

Dizemos em História que um documento é todo e qualquer vestígio do passado que nos permite buscar compreendê-lo. Sabemos que um dia o sertão já foi mar (ou algo como um agradável lago) graças a fósseis, como os encontrados em Apodi. Conhecemos as leis babilônicas, a moda dos nobres de Versalhes ou os costumes guerreiros dos chineses pelos escritos e objetos que restaram. O passado das sociedades africanas, pelas histórias e tradições que ainda se escutam. Tudo, desde relatos orais, obras de arte até textos literários e No RN, a espanhola chegou em outubro, mês de aniversário os mais convencionais registros de governo nos servem como do governador Joaquim Ferreira Chaves, que não deve ter pistas para a complexa investigação que a ciência sobre o ficado nada feliz com o presente vindo de fora. Diria sobre a passado implica. epidemia que “mesmo não sendo tão mortífera como em outros Quero dizer que a atual conjuntura relacionada à COVID-19 lugares, roubou-nos muitas vidas preciosas e pesou cruelmente possibilita uma fotografia privilegiada de nossos dias. Ela sobre todas as classes da sociedade”. A conta, apresentada à é, em si, um documento. Mais adiante poderemos descobrir Assembleia Legislativa no ano seguinte, acusava pouco mais de informações que serão úteis para uma explicação mais 300 mortes. completa do que tem acontecido e o que escrevemos agora Indícios apontam, entretanto, a subnotificação dos casos. talvez seja superado. Mas, mesmo com tal risco, vale o esforço Segundo matéria de Rostand Medeiros, publicada em 2008 reflexivo, para o qual as observações históricas contribuem. na Tribuna do Norte, a gripe espanhola veio forte e passou Hoje, como ontem, a emergência sanitária despertou a a habitar o cotidiano da população de Natal. Só no bairro do Alecrim, atendia-se cerca de 350 por dia com o quadro típico negação dos fatos evidentes e o apelo a fórmulas rápidas, da doença. Os avisos do governo davam “conselhos ao povo”, “precoces” de tratamento. Sobraram também explicações entre os quais “evitar aglomerações, não fazer visitas, evitar místicas para o corona. Há, porém, uma diferença significativa entre 2021 e o tempo da espanhola ou da peste. Antes, a ciência toda fadiga e excesso físico”. não conhecia em detalhes o que causava tais doenças e a Havia, ainda, distribuição de alimentos e remédios, com resposta foi lenta. O bacilo da bubônica só foi desvendado no ajuda de escoteiros e de sociedades de assistência. As farmácias fim do século XIX, quando se percebeu que a transmissão se aproveitavam para ofertar aos consumidores as soluções dava principalmente pelas pulgas dos ratos. No caso da COVID, alegadamente eficazes. Xaropes, vitaminas e comprimidos que as universidades foram ágeis em identificar a patologia e os prometiam força contra o inimigo invisível. Entre elas, o sal de meios de preveni-la. A pandemia demonstrou que não podemos renunciar à pesquisa científica. quinino, vendido como elixir milagroso.

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O nosso maior problema foi a postura daqueles políticos e figuras públicas que, a despeito de fartas e sólidas evidências, desprezaram a gravidade da epidemia e dos cuidados necessários a seu adequado combate. Para evitar responsabilidades e o ônus político, legitimaram a negação do óbvio, reforçando narrativas fantasiosas e movimentos antivacina nas redes sociais. Além de desinteligente, pois cedo ou tarde ficará clara a artimanha, é necessário dizer que o artifício foi perverso, pois custou a vida de muitos. Mundo afora, o combate à pandemia serviu a reforçar o papel do Estado nas relações sociais. Em vez do receituário neoliberal da mínima intervenção, ganharam fôlego as vertentes políticas que atribuem ao governo a tarefa de construir uma sociedade mais justa. Mesmo na sede do império do Liberalismo, os estadunidenses trataram de evitar a reeleição do pavoroso Donald Trump e elegeram Joe Biden, que garantiu trilhões de dólares de investimento público. A pandemia escancarou e as agravou, já demasiado graves, desigualdades sociais sobre as quais se assenta a sociedade brasileira. Se houve um lado bom, é o de que soou alto mais um alerta a respeito da perigosa articulação daqueles que defendem o desmonte do Estado brasileiro, prometendo, em troca, a pujança capitalista. Sinto-me obrigado a fazer a denúncia da falácia. Atividade estatal fortalecida não é sinônimo de ineficiência. Pense em uma das superpotências. Qualquer uma que o leitor tenha considerado teve sólidos antecedentes de apoio estatal para seu desenvolvimento. Tenho ainda olhar estrangeiro sobre os domínios potiguares, pelos quais me encantei e onde escolhi passar meus dias. Pude, contudo, observar a onipresença dos postos do SUS nos interiores, ao lado das infalíveis igrejas. “A quem interessa o desmonte do sistema de saúde?” é pergunta que a reflexão histórica nos ensina pertinente. Consideração semelhante é válida para a educação. A quem interessa a precarização de uma instituição formidável, como o IFRN? Creio que o leitor saberá indicar prontamente as respostas. Não podemos desperdiçar a oportunidade aberta. Narrar o desenlace pandêmico pode ser um ponto de partida para entendermos melhor o que temos vivido. E para imaginarmos um futuro diferente.

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Diego Knack Professor de História no IFRN/Caicó. Doutor em História Social pela UFRJ e autor de “Ditadura e corrupção”, que ganhou a edição 2014 do Prêmio Memórias Reveladas, concedido pelo Arquivo Nacional.


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The Last Guardian, aventura e lirismo se mesclam à solidão e invenção

s jogos de Fumito Ueda despertam em nós o que há de mais íntimo e recôndito sob o controle ou descontrole de nossas mãos suspensas, à luz da razão e das emoções mais intangíveis diante da tela, o encantamento pelo desconhecido aflora, e o sentimento que se sobressai da aventura vivida pelo jogador é permeado pelo lirismo inerente ao enredo que nos prende como o esquecimento; é poético e até mesmo catártico deixar-se levar por horas de gameplay. Nesse sentido, The Last Guardian é a metáfora perfeita para o isolamento, esquecer-se e lembrarse, aventurar-se pelo desconhecido e abstrair, da experiência, toda poesia, é a busca incessante de si mesmo durante um processo duro, mas recompensador, de reinvenção. Porém, antes de adentrarmos nesse funil mágico onde se encontram os protagonistas, e nós nos metemos a explorá-lo, lembremonos do início. “Foram dez anos de espera” – todos disseram à época. Para quem aguardava a demorada produção do jogo, os fãs atentos, sim, reviravoltas na equipe de produção, quase desistência do projeto, foram dez longos anos de espera até a data do lançamento. Mas, para quem apenas o descobriu às portas do lançamento, foram poucos meses de espera até tê-lo em mãos. Os dez anos, de certa forma, tornaram-se um marco na história de produção dessa obra jogável, aliás, é uma década, e o jogo, inevitavelmente, será recebido de duas formas diferentes até que se superem as distâncias temporais: para aqueles que o aguardaram por todo esse tempo e para os demais, que só tiveram notícias do jogo pouco meses antes de ele estar disponível no mercado. Eu faço parte dos demais.

Tive o prazer de não amargar ou depurar o vinho por tanto tempo. É relativo, enfim. Quando começamos a jogálo, a sensação é de que nós viveremos uma aventura zoológica estranha, mística, e completamente verossímil. As imagens iniciais remetem a livros antigos sobre animais que existiam, descrições anatômicas, como se fosse um bestiário em movimento no qual se mesclam às criaturas reais, as fantásticas, que são apresentadas como variações possíveis da zoologia que se estuda. Essa abertura parece dizer ao jogador que tudo aquilo é possível, dentre as variadas espécies que rondam a terra, haverá a possiblidade de existir uma Fênix, um grifo, uma quimera, aceite-se o maravilhoso então. Crianças que vivem em uma pequena aldeia brincam na relva, a floresta salta belamente aos olhos, o gráfico é realista, vemos um bosque vasto e, logo mais, a cena de abertura apresenta algo brilhante que surge envolto em meio ao mistério e à sugestão, e assim a história começa de fato. Após o prólogo, o jogo se inicia de maneira inusitada, o recurso narrativo in media res é revisitado por Fumito Ueda e o player se vê abandonado, de cara, numa situação desconfortável, desconhecida, como se tivesse perdido a memória no abismo mais fundo de uma torre imensa dentro de uma montanha mais descomunal ainda e, no mais abissal fosso, tivesse de lutar até o fim para descobrir o que aconteceu e, é claro, como sair daquele imenso buraco, como esta pandemia, não? O jogador, um pequeno menino da aldeia, com tatuagens e um manto quase helênico, se depara, então, com uma grande criatura ferida que é bem grande, semelhante a um grifo, com orelhas de gato e chifres azuis e curtos (estão quebrados), olhos profundos e cintilantes, que mudam de cor às vezes, o corpo emplumado, com penas azuis e rútilas, com leves toques negros, cinzas, brancos e uma longa cauda poderosa. Que criatura mais bizarra! E se chama Trico.

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Ambos estão perdidos, o menino e o Trico, no que parece a ruína de algo que foi gigantesco, e outrora, glorioso; e os dois precisam agir juntos para conseguir vencer todos os desafios numa escalada épica até saída, pois a ruína é monumental, e eu diria que ela é o terceiro personagem da história, uma vez que aquele espaço transmite o significado do fim de uma era, uma civilização, uma vez que a arquitetura é de abrir a boca, de tão O maior desafio do jogo, do ponto de vista técnico, já é detalhada e sugestiva, além de guardar segredos do passado, lançado de cara ao cenário que é: abrigar uma criatura tão os jogadores se deslumbram também ao longo da aventura grande e dinâmica, pois ela tem vida própria, desenvolveram com a dimensão daquele espaço. No meio de tudo isso, lá está uma programação de AI que foi capaz de torná-la quase Trico, machucado, que é sensível a tudo, preso a uma corrente, senciente! E, entre você, player, e ela, deverá haver o mínimo munido por uma inteligência artificial que é admirável, por de harmonia e cooperação para que você avance durante vezes você crê que está jogando com uma criatura realmente todo o jogo. Com lanças cravadas no seu corpo, você precisa vive de forma independente, como se fosse outra pessoa no salvá-la, mesmo sem saber por que e, inicialmente, como. controle do animal. O jogador conversa com ele, mesmo sem Começa-se, assim, a estabelecer uma ligação íntima com ela, entendê-lo, como fazem os grandes amigos, por horas e horas, quase filial. A voz de um narrador estranho, que parece ser a interage e aprofunda a relação para que os desafios e quebrado personagem no futuro, não se sabe, sempre acompanha cabeça do jogo sejam superados. O menino, sob seu controle, o jogador pela jornada, e irá te guiar pontualmente, com o pode interagir com ele de várias formas: através de carinho, intuito de reconstituir a história, oferecer dicas e estreitar o elo comandos: Trico é totalmente utilizável, montaria, puxá-lo, entre menino e a criatura. A narrativa do jogo é fragmentada, alimentá-lo, tomar banho junto,... a relação íntima é parte da e isso a potencializa as possibilidades de imersão de quem jogabilidade, quase orgânica. joga, porque você tem a liberdade de preencher as lacunas como um quebra-cabeça ilimitado, e imaginar possibilidades, expandir a sensação de que você faz parte de algo maior, e incompreensível. É dessa forma que o jogo se apresenta: como uma história estranha sobre acasos no qual o menino e a fera, em plena solidão a dois, irão estabelecer um vínculo tão forte quanto o familiar. E a jogatina reforça isso, pois ela nos ensina que, na verdade, será a bela amizade entre eles a chave da liberdade e a “revelação” de todos os segredos que rondam tão inexplicáveis sinas, e atos.

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De certa forma, apesar de estreitar a relação entre o menino e a criatura, a jogabilidade é limitada, e às vezes é repetitiva. O que estrutura, praticamente, todo o jogo, são os quebracabeças. Você precisa resolvê-los com o animal que, aliás, é bastante genioso, a depender da relação, ele não irá obedecerlhe, e isso reforça seu grau de condição de criatura senciente, o que para alguns jogadores pode ser frustrante, mas que dá um toque de realismo e magia ao jogo, e não poderia ser diferente, uma vez que a proposta do jogo seria impraticável se Trico fosse desafiado a realizar tarefas mais complexas, envolvendo combates e escolhas extremamente precisas e racionais, que não seriam compatíveis com sua natureza selvagem e sensível da criatura que, como sabemos, fazia parte de uma tribo guerreira desconhecida como máquina de guerra e transporte. À parte disso, o jogador poderá se entreter, e muito bem, com os belíssimos gráficos daquelas ruínas e florestas ocultas no “ninho”, a vida que o próprio Trico carrega, senti-lo como um amigo fiel, como um cão, naquela imensa solidão no qual os dois são conjugados em uma aventura introspectiva com o jogador. A imersão nos sentimentos dos personagens é forte, pois é incrível como se pode sentir – seja nos momentos de fúria do bicho ou de carinho – que o Trico é tão vivo quanto aquele que está por detrás do controle, que se entrega totalmente à aventura de The Last Guardian como se estivesse dentro do próprio jogo, que já não poderia mais se chamar de jogo, mas de mundo. É por isso que nos identificamos com ele, o animal, a fera, com sua falta de memória, com sua dor, e também com o menino, que se perdeu e precisa se reencontrar, como muitos neste isolamento, desenraizados muitos vezes do mundo, conectados a algo remoto, pois a afeição a tudo que é humano não nos é estranho, como diria Montaigne, e há bastante humanidade na narrativa fantástica e fragmentada do jogo. O tempo de jogatina – ou experiência – pode variar (de sete a nove horas), mas, no geral, não se estende muito. A narrativa segue uma linha de ascensão, subida, você e Trico devem chegar até ao topo e, como o cimo é distante, o jogador realmente se sente como se estivesse subindo aos céus, até ao paraíso!

Mas, apesar de breve, a depender da intensidade de cada um, o jogo é intenso, lírico, e, a cada obstáculo superado, a amizade entre você e eles se estreita. Um ajuda o outro de uma maneira que ambos não podem mais seguir separados, tão forte é o laço. O jogo é um belo conto contemporâneo sobre amor e amizade, e por que não, mistério e fantasia. É um hino à natureza, uma ode à sensibilidade animalesca, um canto por um mundo mais sensível às questões cruciais da existência. The Last Guardian fala sobre amizade, sobre aquela fiel e verdadeira, que também pode ser perdida, como tudo nesta vida e, diante de todos os óbices, se abrigar, ao fim de tudo, nas escuras cavernas da memória e existir estranhamente na cabeça do jogador que, finda a aventura, jamais se esquecerá do Tempo. Do tempo que viveu, se dedicou e emprestou à realidade – algumas horas de poesia.

Felipe Garcia de Medeiros Graduado em Letras pela UFRN (Natal) e mestre pela mesma instituição. Professor de Português e Literaturas do IFRN, lotado no campus Caicó. É pesquisador na área de literatura e estudos culturais. Atualmente, pesquisa a contística de Lygia Fagundes Telles.

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E assim fez-se a luz! Ensaio sobre a Cegueira e suas múltiplas assimilações na realidade brasileira

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través das palavras escritas por José Saramago, no livro “Ensaio sobre a Cegueira”, adentramos em uma torturante distopia, ou melhor, em um colapso sociopolítico ocasionado pela epidemia de uma cegueira branca, que começou em um piscar de olhos e se espalhou como em um efeito dominó. Uma ficção conveniente para o novo normal epidêmico deste mundo, evidenciando vítimas, vilões, invertendo papéis, criando humanos desumanizados para voltar à essência, à aspirante necessidade de sobrevivência. Nesse sentido, “Ensaio sobre a Cegueira” torna-se uma ótima oportunidade para se refletir acerca de um cenário epidêmico em suas extremas realidades, evidenciando a real cegueira enraizada, em quantidades desproporcionais, dentro de cada ser humano. De forma resumida, inicialmente o livro narra uma série de contaminações entre seus personagens, começando pelo “primeiro cego”, que inesperadamente perde a visão dentro de um carro em meio ao trânsito; seguindo para o “médico oftalmologista” que o atendeu; passando pelo caso da “rapariga dos óculos escuros” que também esteve no consultório; como também pelo “menino estrábico”, que igualmente esteve com o médico antes de se cegar. Posteriormente, tem-se o relato das atitudes do “ladrão”, nomeado assim por ter roubado o carro do primeiro cego enquanto o “ajudava” no trânsito, e que, assim como os demais, tem sua visão perdida posteriormente. Todos relatam sucumbir subitamente a uma visão branca, um mar de leite como é descrito no livro.

Essa cegueira que se vê branco, e não preto, essa luminosidade em vez de trevas, foi investigada pelo médico oftalmologista antes de perder sua visão. Em seus estudos, dois termos são sugeridos por ele: “agnosia” e "amaurose''. O primeiro diz respeito a uma patologia de não-reconhecimento, algo como ver e não reconhecer o que aquilo é em sua completude. Já a segunda patologia, é uma treva total, diferente desta que se vê tudo branco, mas poder-se-ia existir uma treva branca? A luminosidade estampada em vista, permeada por uma camada leitosa de cegueira involuntária? Por suposto que sim, afinal, tu, caro leitor, também já estás cego. Todos estamos. Até o próprio autor do livro concorda, já que o que deu início a essa angustiante narrativa foi a tal pergunta da cegueira universal. E certo está ele, diga-se de passagem, cegos de uma extrema necessidade de individualismo, esquecendo o que é básico e cabível à vivência humana, em outras palavras, a coletividade, já que não podemos fazer nada sem a existência do outro. Nem existir seria possível sem o outro, afinal, não é só pensar para existir, e sim, o reconhecimento do outro que nos insere no mundo sensível.

Voltando para a narrativa, os órgãos públicos são informados sobre a tal cegueira branca. Primeiro o médico tenta informálo, porém é ignorado, mas após algumas horas, quando de fato se vê o número de casos aumentar, finalmente o governo é obrigado a atuar de alguma forma, apesar de não ser de uma maneira propriamente correta e digna. Dessa maneira, após uma discussão no parlamento, decidem “mandar” os infectados Agitava as mãos à frente da cara, nervosamente, como e os contaminados para um manicômio desativado, jogando-os se nadasse naquilo a que chamara um mar de leite, [...] ao relento, como quem joga o lixo fora, a fim de não o ver, e por não ver, não existir. (Página 7).

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Analisando o papel governamental retratado no livro, não se vê muita diferença comparado ao que foi e ainda é vivenciado no Brasil, apesar de ser um livro escrito por um europeu. Entretanto, por mais que haja uma tomada de ações deverasmente mais rápidas, a palavra indiferença ainda é vibrante ao extremo. Juntando-se a ela, pode-se agregar, agora para o cenário real e abrasileirado, a ignorância e a famigerada negligência a que estamos frequentemente acostumados, até poderia inserir mais algumas, entretanto, deixo para o caro leitor refletir e acrescentar mentalmente. E fica a pergunta:

[...] o procedimento criminoso dos cegos opressores, que preferem deixar que se estrague a comida a dá-la a quem dela tão precisado está, pois se é certo que alguns daqueles alimentos podem durar umas semanas sem perder a virtude, outros, em particular os que vêm cozinhados, se não são comidos logo, em pouco tempo estão azedos ou cobertos de bolores, portanto imprestáveis para seres humanos, se estes o são ainda. (Página 133). E por falar em comida, este bem mais que precioso do

É desta massa que nós somos feitos? metade de cosmo, ele também determina os destinos da narrativa, quem vive e quem morre, e as relações sociais. No livro (e indiferença e metade de ruindade. (Página 30). No desenrolar das palavras, vê-se brutalidade, crua e viscosa, através dos olhos da mulher do médico (inexplicavelmente a única a se manter enxergando ao longo de toda a narrativa), tornando-se mais e mais difícil de engolir. Veem-se abusos de poder, externos, da parte dos militares, por exemplo, que costumavam atirar em qualquer um que ousasse se aproximar da fronteira, e internos, como o da hierarquia construída entre os cegos formada pelos detentores da comida, seguida pelos que podiam pagar pela comida, e por fim, os miseráveis que pareciam apenas esperar lentamente a própria morte, sem mais esperança.

na vida?), por alimento costuma-se trocar tudo, até a própria dignidade, honestidade e, por fim, a alma remanescente. E é o que acontece, mais especificamente com as mulheres ao serem abusadas sexualmente pelos cegos opressores, que hediondamente impõem a elas tal crime como condição para lhes ceder uma porção de comida.

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Realmente, se estavam todas condenadas ali a passar pelo mesmo, não valia a pena gastar o tempo e esfriar a concupiscência com escolhas de alturas e medições de busto e ancas. Já as levavam para as camas, já as despiam aos repelões, não tardou que se ouvissem os costumados choros, as súplicas, as implorações, mas as respostas, quando as havia, não variavam, Se queres comer, abre as pernas. (Página 154).

Para fechar, em vez de divagar, os cegos retornam a ver, um por um. Pelas esquinas se ouvem vários “eu vejo!”, em uma tamanha felicidade momentânea após o que se viveu até agora, criando uma nova atmosfera aliviante (alienante, talvez?) que em meio ao caos pode ser re-experimentada. São essas, entre outras, aproximações da realidade exploradas por “Ensaio sobre a Cegueira” que nos fazem refletir sobre a sociedade em sua completude e nos levam a pensar em como uma “simples anomalia repentina” muda drasticamente a realidade de todos, Esse, pode-se dizer, é o fim das torturas mais vis até onde trazendo à tona o pior que se pode encontrar no ser humano, este livro chegou, pois quando se perde a própria alma, o mas também um resquício de bondade e uma necessidade hospedeiro já está morto - mesmo vivo -, chegando a realizar constante de avaliarmos nossas próprias ações e omissões. ações as quais, num começo distante, lhe causava repulsa, mas que, agora, só lhe resta fazer para recompensar aquilo que se perdeu. Enfim, todos ficaram cegos, em qualquer lugar para onde se olhasse, menos a mulher do médico, nosso par de olhos que enxergam o que não pode ser visto pelos demais. Todos passam a viver à flor da pele, à base do toque e do olfato, e talvez da sorte. Todos desesperados e sedentos pelo bem precioso, e outros bens preciosos não mencionados para a subsistência, agora tão escassos. Mas, infelizmente, é nessa escassez que se valoriza o essencial, não? De fato, afinal, escassez é o que não falta no Brasil. Escassez de governo, de empatia, de solidariedade, de respeito, de humildade, de informação segura e outras mais. Entretanto, ainda se insiste em desvalorizar, desacreditar, no essencial, e, em seu lugar, crer naquilo que é totalmente descabível. Na realidade, a escassez não evidencia, ela nubla os olhares, deixando-os susceptíveis a acreditar em qualquer coisa que faça algum sentido e, assim, por fim, nos torna cegos para a complexidade do outro. Em seu lugar, tenta nos fazer enxergar uma razão para o individualismo egocêntrico, para o fim da necessária coletividade empática.

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Eduarda Mirelly Concluinte do Curso Técnico Integrado em Informática no IFRN Campus Caicó. Atuou como pesquisadora voluntária em projetos de pesquisa voltados para desenvolvimento de softwares e jogos de aprendizado, como também, em projetos de extensão, atuando na construção de materiais digitais para a Rádio Desopila e para a Revista Impúrpura.


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Carta:

As lições aprendidas por um estudante durante a quarentena Prezados professores, Para mim, falar com vocês é muito bom, melhor ainda é aprender com vocês, mas estamos vivendo esse momento de quarentena, que a cada dia me surpreende. Muitas são as experiências vividas nesse momento, muito além até do que imaginava, tendo em vista que muitas são as lições que estou aprendendo. Vale ressaltar que, por um lado, o ambiente que agora estou vivendo foi reverso, devido à pandemia, pois o medo era enorme. E para melhor me proteger de um vírus, tive que ficar em casa em uma quarentena. Nem por isso desanimei, revigorei o meu local de estudos, já que iria passar uma boa parte do tempo nesse ambiente de casa. É nesses dias que se passam, mesmo estando em casa, acordar cedo, por em prática os conhecimentos adquiridos, alimentação, é sem dúvida algo muito importante... as dúvidas, as incertezas sempre estavam presentes no dia a dia, pois não sabia de fato o que poderia acontecer nessa quarentena, mas na certeza de adquirir conhecimento nesse momento que agora estou, além de muito pensamento, brincadeiras e conversas com os amigos, foram algo essencial e muito valioso para os momentos em casa. Contudo professores, tudo é de fato muito novo, o emocional e a ansiedade são sentimentos muito presentes, em vista das incertezas, mas tenho certeza que veio para mostrar novos caminhos e novos jeitos. Assim, com essa experiência aprendi muito, me promovi de casa mesmo, alcançando espaços de oportunidades, através dos quais me reinventei, me descobri mais ainda, com novos potenciais, que levarei de ensinamento e de aprendizagem. O momento não é de desânimo e, sim, de se levantar e seguir adiante. A quarentena está passando, as medidas continuam e os ensinamentos ficam. Com certeza, colocarei em prática tudo aquilo que aprendi, pois, professores, o momento foi de muito desafio e ensinamentos. Temos lados ruins e bons, mas todos servem de lição para crescer mais ainda e lutar pelos meus ideais que estão pela frente. A pandemia me ensinou, portanto, que o dia de hoje é muito importante e merece ser vivido em sua plenitude, pois, literalmente, é a única coisa que temos nas mãos.

Pedro Henrique Medeiros Dutra

Pedro Henrique

É de Ouro Branco-RN, tem 16 anos, estudante, e cursa o 1° ano do curso de Informática para internet, onde é lider de classe de sua turma. A Educação é onde ele busca o seu desenvolvimento humano e social, identificando-se mais com a área de Humanas.

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@404neves


SEÇÃO MEDICAÇÃO

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edicação, tratamento precoce, polêmica polissêmica: remédio assiduamente ineficaz, placebo extraído do bico da Ema, droga sujeita a livre recomendação do profissional que é livre como um parasita no ar, não como o artista no mundo flutuante, mas como indivíduo independente da ciência e dos resultados malévolos da escolha entre a vida e a morte; infiltração precoce no coração do Saber, tratamento que se espalha feito o vírus – tão mortalmente quanto; se desconsiderarmos o sentido nefasto, a expressão “tratamento precoce” como isolamento, respeito e reconhecimento dos outros, sobretudo, os essenciais, atitudes que – se dão através da Arte (da vida em convivência benevolente) e seus efeitos catárticos

(libertadores), culturais e sociais, da música entoando no espírito em delírio poético como livramento da morte precoce – e do tratamento psiquiátrico, psicanalítico ou psicológico; tratamento precoce da alma, em saber instituído pelas ciências oficiais, sobretudo as científicas (para ser redundante, como a Terra é redonda); com o tempo, apesar de cem e-mails serem recusados para salvar vidas, a Vacina – salvará o Mundo – e o tratamento precoce da arte, do respeito, da empatia, da solidariedade, da razão e do bom-senso irão dar Novo Oxigênio a um país tão sufocado pela inépcia de um era destruída pelo ódio e pela fúria dos que usaram o nome dos deuses em vão em defesa do fim do mundo como a única sorte dos seres humanos. Arte!


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A arte em exposições INSTAntâneas

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os últimos meses, tenho realizado várias chamadas de vídeos, mais até do que gostaria. Porque estando em quarentena estas se tornaram um hábito cotidiano, ocupando o lugar das aulas presenciais, as reuniões escoteiras, os almoços de família e encontros com os amigos. Os olhos chegam a lacrimejar, em meio aos meses distantes, a saudade já virou uma velha companheira, e por vezes esqueço-me de diminuir a luz do celular. Foi assim que em uma ligação entre amigos, a qual poderia facilmente remeter as nostálgicas conversas na calçada, pois os assuntos se intercalavam de maneira surpreendente, que surgiu o seguinte questionamento: As fotos do Instagram são arte? Despretensiosamente, levantaram-se algumas ideias. O ponto de partida era que as mídias postadas eram apenas por diversão, ou uma forma de se registrar aquele momento. Sejamos realistas, é difícil acreditar que em uma rede social ditada pelo perfeccionismo, entretenimento e dados numéricos, seus usuários não visem um fim estético ao escolher a foto para compartilhar. Mesmo assim, em um grupo com diferentes perspectivas, ao nos aproximarmos da linha tênue que define a arte, iniciaram-se argumentos com um tom que se distanciava cada vez mais da antiga pacificidade. Quando presencio debates como estes, em que um tema polêmico ganha destaque, frequentemente penso o quão cômico é termos nos autonomearmos seres civilizados.

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@aninhalu_art

Mas de forma sistemática, se você compreende que os movimentos artísticos sempre foram influenciados pelo contexto histórico do mundo, na cultura contemporânea não seria diferente. Por essa razão, o Instagrammism é apontado por Lev Manovich como uma nova vanguarda. Crescem cada vez mais o número de perfis que constroem imagens visualmente perfeitas, com um estilo próprio, alcançando assim a poesia pelo designer. Além disso, com os museus, exposições e teatros fechados, as redes sociais possibilitaram (para o nosso deleite) que os artistas continuassem compartilhando os seus trabalhos. Porém, diante do mais diversificado público de distintos locais, idades, gêneros e culturas, como uma criação humana conseguiria incluir todas as opiniões e visões de mundo possíveis? Considero assim utópico que a boa arte seja aquela compreendida por todos, como afirmou Tolstói. Embora neste momento de reclusão, mesmo que virtualmente, a arte pode sim nos interligar, fornecendo como este analisava um momento de comunhão entre as pessoas. Talvez seja essa uma das razões por termos presenciado tantas lives.


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Claro que, ao entrar em meu Instagram, não encontrarei apenas obras que considero belas e me causam bons sentimentos. Afinal, a arte não deve estar limitada a esses padrões. Pessoalmente, considero isso o mais genial nela. É o poder de me causar angústia presente em O Grito. A confiança, diante de uma amedrontosa tensão em Rest Energy. O cartoon que repete “Presidente Jair Bolsonaro, Por que a sua esposa Michele recebeu 89 mil de Fabrício Queiroz?”. Aquelas músicas, que no início da década de 60 foram proibidas pelo governo, mas não cederam frente o cale-se. Afinal, a arte nem sempre está dentro da lei. Por fim, devemos admitir que as experiências de ver uma obra presencialmente e pelo mundo virtual são diferentes. Claro, é outro ambiente, iluminação, ângulo, sons... Contudo igualmente impactantes, de sua maneira singular. Acaso concorde comigo, ao dizer que nem todos produzem arte, mas eventualmente, por mais que não tenham percebido a encontram ao passar da timeline em seu Instagram. Comece também a abrir seus horizontes. Pois é justamente nesses tempos, quando notícias ruins são fabricadas em um pequeno período e uma grande frequência, nos fazendo encarar a nossa insignificância no mundo. Que ao admirar o brilho das aquarelas de @amykour e a nostalgia nas de @vandebergmedeirosart, rir nas ilustrações de @ cassandracalin e viajar nas de @izzyburtonart, refletir a cada publicação de @veraholtz e colagem de @kandrart_elder, se identificar nos designers de @marianacorteze, ficar emocionado após um poema de @zackmagieze e os textos de @rubelrubelrubel, sonhar em algum dia passar por aquelas ruas que guardam as artes de @kobrastreetart e @banksy. Permitimos assim, mesmo diante do caos, nos reencontrar com a esperança, a liberdade e a indagação. Um poder que só a arte tem.

Ana Luíza Mafra Costa Ana Luíza Mafra Costa tem 18 anos, é de São João do Sabugi - RN e atualmente está no 3º ano do Curso de Informática no IFRN Campus Caicó. É escoteira, pintora, desenhista, leitora voraz e uma das Bárbaras do Acauã.

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ENTREVISTA COM A ARTESÃ BEATRIZ LUCENA

ara muitas pessoas, manter a arte presente em momentos difíceis como a pandemia é muito importante tanto para manter o psicológico saudável quanto para desenvolver sua relação cultural e também o aspecto financeiro. A maioria das pessoas tiveram que se reinventar nesse período e, entre as artes que se destacaram na pandemia, está o artesanato. Muitos produtos de artesãos ganharam as redes sociais e o bordado virou uma forma de terapia nesse período. A universitária Beatriz Lucena, por exemplo, foi uma das pessoas que se descobriu artesã em meio à pandemia: e o que antes era apenas uma terapia, para ela, também se tornou uma fonte de renda. R. I. - Diante do cenário pandêmico em que vivemos, como foi se descobrir artesã em Caicó? B. L. – Atualmente sou universitária do curso de Letras Português na cidade de Currais Novos, mas sou de Caicó. Quando a pandemia começou, eu ainda estava morando lá em Currais Novos e recebia bolsas de estudo, como a do PIBID, por exemplo. Com a pandemia, entretanto, parei de receber esses auxílios, que eram minhas únicas fontes de renda, e tive de voltar para Caicó. Nesse período, minha mãe também ficou desempregada e, em meio a todo esse caos, comecei a bordar como uma forma de terapia, hobby, um jeito de “desopilar” usando o artesanato para me expressar. Por causa da dificuldade financeira, muitas pessoas começaram a me incentivar a vender os meus bordados. Foi assim que, a partir da necessidade de renda, passei a produzi-los também como negócio. R. I. – Considerando que existem diversos tipos de bordados nesta área, qual foi o que você passou a produzir? B. L. - Eu produzo o chamado bordado livre. Na verdade, foi o primeiro tipo que aprendi e é com ele que mais me identifico, justamente pela sua liberdade de elaboração, aliás, como o próprio nome sugere. Ele possibilita o uso de qualquer tipo de tecido, todo o tipo de linha e uma infinidade de temas.

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R. I. – Na sua opinião, qual a importância do bordado em Caicó do ponto de vista cultural? B. L. - Para mim, ele tem um significado muito importante. Do ponto de vista pessoal, minha família vem de várias gerações que bordam. Além disso, mesmo que as produções variem bastante do tipo de bordado que faço, vejo que é algo muito presente em muitas casas caicoenses, sejam em lençóis, panos de mesa e outras variedades de peças. Quando comecei a bordar na cidade, não conhecia ninguém que fizesse bordado livre, mas percebo que isso vem mudando agora e que este tipo de produção tem ganhado mais espaço nas casas e na cultura artesanal de Caicó. R. I. - Quais são suas maiores fontes de inspiração? B. L. - Quando comecei a bordar, eu apenas aprendi os pontos básicos. Aos poucos, porém, fui sentindo necessidade de pesquisar outros tipos de pontos para desenvolver melhor minhas criações. A partir daí foi que conheci este tipo de conteúdo em plataformas como o Instagram e o Youtube e, por causa delas, comecei a expandir e aprender mais. O “Clube do Bordado” é uma das minhas principais inspirações: ele reúne várias mulheres que bordam e dão dicas. Também costumo me inspirar em outros perfis, como @bordadospraiaia, @ah.bordadoamao, @gisellequinto e @ cerejinhabordados. R. I. - Como você concilia os estudos com o trabalho artesanal? B. L. - Pois é, não é fácil. Além da faculdade e do trabalho com o bordado, agora também concilio minhas atividades com um emprego de meio período. É uma rotina intensa. Os bordados representam uma forma de empreendedorismo, então, sou eu que faço grande parte dos processos - desde o momento de criar um logotipo ou as publicações no Instagram, passando pela compra de tecidos e linhas, até a entrega das encomendas... Na verdade, tenho uma rede de apoio que envolve familiares e amigos, porém, a maior parte dos trabalhos demanda muito do meu próprio tempo.

Beatriz Lucena 21 anos, sou universitária do curso de LetrasPortuguês. Nasci em São Paulo, mas vim para Caicó ainda criança então me considero caicoense afim da força. Sempre fui devota e amante das artes, em qualquer representação, então o bordado veio para mim como minha expressão de arte. Vocês podem encontrar meus bordados e entrar em contato comigo a partir do Instagram @borda_rt

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Entrevista com os professores de artes

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erlúzia Azevedo e Ricardo Guti, professores de Artes I e Teatro, respectivamente, no Campus Caicó, assim como o professor de Música no Campus Natal-Central, Valdier Ribeiro, foram os docentes entrevistados para refletir sobre como a disciplina de artes e suas ramificações se moldaram em um plano de ensino remoto, no período correspondente ao ano letivo de 2020/2021. Buscando compreender a dinâmica por trás da adaptação das atividades anteriormente realizadas presencialmente e, agora, reformuladas para o Ensino a Distância (EaD), a entrevistadora levantou questões acerca dos desafios e das adaptações necessárias para confortar os alunos na nova realidade virtual. O primeiro ponto se baseia na dificuldade de manter os alunos conectados à disciplina ministrada por cada professor, tendo em vista que, com a tecnologia, o múltiplo acesso de sites paralelos, fugindo dos direcionados pelos docentes pode ser um problema, distraindo os discentes de seu compromisso escolar. A professora Gerlúzia, no entanto, direcionou seu ponto de vista para a turma subsequente, relatando a dificuldade dos alunos em acompanhar o ensino remoto por trabalharem durante do dia. De forma geral, o conflito se mantém na ausência de práticas presenciais. Essa problemática, ao contrário do que se imaginava, dinamizou as aulas do professor Valdier, que driblou o virtual e se aproximou mais dos alunos utilizando outros aplicativos que, antes, eram apenas de uso social, a exemplo do WhatsApp; “Eu mando áudio para os alunos escutarem, eles conseguem cantar, conseguem interagir, mas é um pouco diferente do que se fosse presencial.”, menciona. “Como a gente fez um replanejamento dos conteúdos, eles estão sendo

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Gerlúzia de Oliveira Azevedo Professora do IFRN - Campus Caicó, desde 01/09/2009. Ministra as disciplinas: Desenho Técnico, Desenho CaD e Arte 1 (Artes Visuais). Coordenadora do NUARTE-Campus Caicó. Membro do Projeto Conexões: Cultura Popular no IFRN.

avaliados pelo o que está sendo ofertado, só que essa oferta foi diminuída no que diz respeito à parte prática [...]. Porém [...] a exemplo do curso [de extensão] de piano, eu notei que o ensino remoto colaborou muito porque as aulas ficam gravadas; os alunos podem mandar os vídeos e, como a gente usa um grupo de WhatsApp, eles podem assistir entre si e é uma maneira de adquirir aprendizado.”


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solidão que esse tipo de ensino apresenta”, referindo-se ao vazio da não comunicação. “Os silêncios muito longos, as dificuldades de onde você está, os ambientes complicados que cada um tem quando está assistindo aquela aula assíncrona... O maior desafio foi tentar deixar tudo isso um pouco quente, um pouco legal; vencer esse espaço de solidão que o mundo digital nos coloca”, menciona.

Professor Valdier Iniciei os meus primeiros Contatos com a música exercendo a função de músico em bandas da cidade do Natal/RN, chegando a acompanhar artistas renomados, a exemplo de Nara Costa, Messias Paraguai, dentre outros. Acompanhei artistas nacionais também, a exemplo de Perla, Moacir Franco, Gilliard, Odair José, dentre outros. Já como professor, trabalhei na Casa Talento (professor de teclado e teoria musical), professor de Arte - Música na Prefeitura do Natal e atualmente professor de Música do IFRN, campus Natal Central. Sobre a formação acadêmica: graduação em Música pela UFRN, especialização em Psicopedagogia pela FIP e Mestrado em Educação Musical pela UFRN.

Ainda que a dificuldade se mantenha nos quesitos supracitados, ao perguntar sobre o maior desafio enfrentado no período pandêmico, referindo-se amplamente a aulas, comunicação e trabalho, as respostas dadas pelos três docentes foi esclarecedora sobre o papel do professor no meio da pandemia de Covid-19. Enquanto Gerlúzia direciona seu olhar para a distância, Valdier pontua as questões tecnológicas e a necessidade de aprender a gravar aula e a se comunicar com a câmera como o seu maior desafio. Guti, no entanto, pontua “a

Questionado sobre a interrupção de seus projetos devido à Pandemia, pois não poderia haver apresentações presenciais referentes ao Campus, o professor Guti, ainda, menciona a necessidade de adaptação do Teatro, arte de palco, para um modelo que se enquadrasse no ensino remoto. A solução encontrada foi utilizar o vídeo (cinematografia) como meio de avaliar sua disciplina e assim buscar no modelo uma forma de expor a sua arte. “O trabalho com vídeo tem teatralidade [...], mas é diferente. [...] Não foi teatro, foi audiovisual.”, diz Guti, abrindo espaço para a reflexão sobre a adaptação inesperada de uma disciplina exclusivamente presencial. Gerlúzia, no entanto, prefere acreditar que “interromper” não seja a palavra adequada para a situação. “Adiamos as partes práticas, mas não interrompemos; suspendemos temporariamente essa parte que exige o presencial.”, conclui, revelando a esperança de que, em breve, o retorno ao campus Caicó seja possível e os projetos acadêmicos retomem o seu fluxo normal. Em outro retrato pandêmico, vimos aplausos aos profissionais de saúde (que trabalharam bravamente nas linhas de frente dos enfermos do Covid-19) e pedras atiradas a vários professores, esquecidos nesse cenário, mas que não cessaram em cumprir o seu papel de manter a educação funcionando, ainda que a tecnologia não fosse possível a todas as realidades. “Eu acho curioso que muitas pessoas diminuem a imagem do professor dizendo que ele não trabalhou na pandemia, mas para aprender eu tive que gastar, criar um estúdio em casa, comprar equipamentos, programas, tive que aprender a mexer em edição... Tudo isso é resultado de horas e horas sentado tentando [...].”, menciona Valdier, referindo-se ao período que ministrou aulas em casa.

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Cansaço, desmotivação e tristeza foram alguns dos adjetivos utilizados pelos entrevistados ao comentaram sobre o trabalho que realizam nas atividades remotas. “O fato da gente estar trabalhando de casa não quer dizer que não estejamos trabalhando; estamos muito. Eu, por exemplo, estou falando com você (entrevistadora) enquanto estou com uma reunião aberta no meu tablet. [...]” revela Gerlúzia. “[...] A escola procurou ajudar muito a gente também com curso de capacitação. Os professores se uniram muito, sempre colaborando [...] nesse momento de dificuldade, e eu nunca me senti desamparado, mas triste, às vezes, [...] e com muita, muita, muita saudade do espaço de sala de aula.” diz Guti, que tem seu posicionamento próximo ao de Valdier ao falar que “a Instituição do IFRN é referência no Brasil, então em todos os momentos de desmotivação existem pessoas qualificadas que chegam para trabalhar conosco, e existem recursos na Instituição que ofertam isso tanto para os professores quanto para os alunos. [...] É normal a desmotivação em qualquer área, mas isso foi algo trabalhado na Instituição; foi algo levado muito a sério.” O trabalho realizado pelos professores não só do IFRN, mas sim de todos os profissionais da área, é, assim como dos médicos, de verdadeiros heróis. Afinal, é através dos conhecimentos repassados para os alunos que os profissionais do futuro se formam, e, com certeza, se a escola tivesse sido paralisada durante mais de um ano e meio de pandemia, o prejuízo e as lacunas deixadas na educação seriam desastrosas.

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Escrito por Ana Júlia

Ricardo Guti Ricardo Guti é professor de Teatro do IFRN/Caicó e brincante do grupo Folguedo Folgado, atualmente mora em Ipueira/RN onde, junto com Catarina Calungueira. Organiza o Encontro de Culturas Populares. Durante a pandemia organizou com alunos diversas apresentações na web.


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Conteúdo Digital Visão Geral

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ssim como o título sugere, "conteúdo digital" é qualquer informação produzida pela internet. O objetivo dela é atrair visibilidade e convencer pessoas a alcançar certos objetivos. E, nessa pandemia, tal realidade ganhou muita força. O isolamento social, as milhares de pessoas desempregadas ou mesmo os baixos desempenhos de renda nas empresas fizeram com que as redes sociais tornassem o conteúdo digital sua principal estratégia de marketing. Neste cenário, a chamada "mídia social'' foi, sem dúvidas, a que mais se destacou para que a conexão e a interação entre os usuários ocorresse.

Mídia Social no Nordeste Muitos artistas nordestinos se destacaram nesse tempo pandêmico pelas mídias sociais, como cantores, humoristas e atletas, por exemplo. O nordeste ganhou muito alcance, principalmente no Instagram e TikTok com vídeos de humor, e também as Olimpíadas de Tokyo deram visibilidade a diversas histórias de sucesso no universo dos esportes! A revelação desses artistas trouxe muito conhecimento e novo ânimo para muitas pessoas que já acompanhavam esse conteúdo, mas também para aqueles que se viram diante dessas coberturas pela primeira vez. Alguns suportes de conteúdo muito explorados nesta pandemia foram os podcasts, as lives e os audiobooks.

Mulher usando o Facebook Foto: Mayssa Silva/Revista Impúrpura A atleta Rebeca Silva. Imagem: Olimpíadas de Tokyo 2020.

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Meios digitais de sucesso Podcast

Audiobooks

As pessoas estão ouvindo cada vez mais os formatos de podcast. Embora essa mídia já exista há algum tempo, ela se permite a uma infinidade de temas, como notícias, jogos, músicas e entrevistas.

O formato nada mais é que a gravação, em áudio, de algum conteúdo originário de um livro. Ouvir a narração de um livro, em vez de lê-lo, pode ser uma ótima forma de executar duas coisas ao mesmo tempo. Assim, dá para acompanhar o desenrolar daquela sua história de amor favorita enquanto você limpa a casa, se exercita, cozinha ou até mesmo enquanto simplesmente relaxa.

O que é um podcast? Basicamente é um programa de rádio, mas ouvido pela internet na hora que o ouvinte decide, com o qual é possível se informar, estudar ou se distrair. Um ótimo exemplo de podcast é o "Papo Podcast", da "Rádio Desopila", do campus Caicó do IFRN. Nele é possível acompanhar diversos assuntos, desde notícias até entrevistas com convidados especiais. Antes da pandemia, a rádio era feita toda no campus próprio do IFRN, mas, com a necessidade de isolamento imposta pela pandemia, tudo passou a se desenvolver de forma remota e a rádio também adaptou toda sua rotina de trabalho.

Lives As lives foram uma sensação desse período de pandemia, algumas bombásticas. Com as restrições, as festas, as baladas, os eventos foram todos proibidos e logo os artistas usaram as redes sociais para fazer suas apresentações.

Aplicativo Rádio Desopila IFRN Foto: Mayssa Silva/Revista Impúrpura

Em sua grande maioria, foram os cantores os que mais se aproveitaram do formato. Além de fazerem seus shows de forma virtual, usaram também as lives para ações beneficentes, como doações de alimentos e de dinheiro para instituições de caridade ou para pessoas carentes. Mulher assiste live do Cantor Gusttavo Lima Foto: Mayssa Silva/Revista Impúrpura

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Existem algumas opções de audiobooks, algumas integrais, ou seja, sem cortes ou abreviações do exemplar, e outras em que o conteúdo aparece sintetizado. Os audiolivros também podem ser uma opção inclusiva para leitores que têm algum tipo de restrição física na visão - seja uma simples dificuldade para ler letras menores, seja mesmo alguma deficiência visual.

Conteúdos digitais virais Humorístico O conteúdo humorístico sempre foi algo de grande alcance, porém nestes tempos ele ganhou mais visibilidade do que antes, principalmente artistas nordestinos que ganharam muita fama com conteúdo humorístico pelas principais plataformas que foi: Instagram, Tiktok. A maioria eram vídeos de tempo curto com no mínimo 15 a 30 segundos , geralmente eram memes sobre a rotina de muitos brasileiros. Esse tipo de vídeo ganhou o coração e Carisma de muitos brasileiros e até mesmo gringos.

Fake News Jovem escutando audiobook Foto: Mayssa Silva/Revista Impúrpura

Existe um ponto negativo, entretanto, no uso das tecnologias atualmente: as chamadas Fake News. E, no tempo da quarentena, essas notícias falsas ganharam muita repercussão, principalmente nas redes sociais. A disseminação de notícias falsas sobre a covid-19, por exemplo, prometendo remédios e curas milagrosas, foi muito comum. Esse tipo de notícia se espalha de uma forma tão grande que dificulta a divulgação de informações e orientações verdadeiras.

Comediante Cremosinho em rede social Foto: Mayssa Silva/Revista Impúrpura

Escrito por Mayssa Silva

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@mayssart_


SEÇÃO ESPERANÇA

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sperança, nobre e ambiciosa palavra que espera ser acontecida no fundo da caixa de Pandora, o futuro em aliança (nada de pacto ou acordos espúrios) com o presente e o passado, além do agora como aprendizado intermitente e o depois como uma chama segura para nossos futuros rebentos; habilidade de sonhar para adiante, esperar e ter esperança, sonhando mais um sonho impossível, em dias melhores que virão e que estarão em nós como um berço esplêndido e tranquilo; magnífica dor suave que nos alerta sobre o descaso, versão desperta das nossas revoltas, porque todas as lutas são esperanças em um amanhã que será agora, e todos aqueles que sobreviveram

à dor da Peste e do Cavaleiro do Apocalipse, o falso messias, irá carregar dentro de si a voz e vez de um mundo redondo e melhor, onde a arte, a ciência, a verdade e a beleza poderão abrir novos horizontes; assim, construirse-á uma nova humanidade, em suspiros de grandeza e repousos de leveza, sem interrupção, assim como se deve à Natureza todo o amor e respeito que ela nos deu, ou seja, esperança: uma promessa de que o amanhã será sustentável: ecologicamente, politicamente, socialmente, educacionalmente, culturalmente, artisticamente, humanamente, e em todas as Mentes possíveis, porque enquanto houver vida – haverá esperança, assim disse aquele que nos deixou em silêncio, porque sua voz pertence ao Cosmo de nossas esperanças num Amanhã incrível.


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Jornada no Rio Mundo

erta vez me disseram que alguns sonhos se confundem com alguns desejos. Não sei quem disse, mas estou tentado a concordar. Pois bem, gostaria de falar de sonho e de desejo, dessas coisas da vida, do dia a dia. Confúcio, o pensador chinês, disse certa vez que “a vida é muito simples, mas insistimos em torná-la complicada”. Dessa forma, a simplicidade e não os simplismos devem guiar os nossos passos, os nossos caminhos, as nossas jornadas. É de desejo, de sonhos e de uma jornada que quero agora falar.

Olhando para a margem direita, observei muitas cenas tristes, enquanto a margem esquerda exibia os contrapontos, pois, ali, se percebia toda a beleza e as cenas mais desejáveis. Como se estivesse assistindo a uma partida de tênis, minha cabeça se movimentava, sedenta, para os dois lados, as duas margens do Rio Mundo.

Vi na margem direita a tristeza que conversava com o egoísmo e apontava para os cenários mais tristes. O autoritarismo se insinuava como se fosse a única possibilidade. Vi que a riqueza sobrevoava aquela triste margem, enquanto Sonhei que estava de rente a um grande rio, chamado Rio esnobava de tudo. O barqueiro com algumas lágrimas nos olhos Mundo. Ali, em meio à vegetação rasteira e à brisa suave que apontava para um lugar, ali, na margem direita que me fez tentava encrespar as marolas da correnteza, ouvi uma voz a enxergar a fome, a miséria, a falta de amor e de solidariedade e, me chamar e a me convidar para um passeio. Era o barqueiro mais à frente, olhando de forma mais atenta, percebi que toda a que ganhava sua vida mostrando as belezas e as tristezas do margem direita estava coberta por uma névoa amedrontadora. Rio Mundo. Entrei no barco e descemos ao sabor da correnteza. Aqui e ali, o barqueiro esboçava uma remada. Aproveitei a tranquilidade do passeio, da jornada para analisar tudo aquilo que se apresentava nas margens daquele belo rio.

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Ao tempo que observava tudo isso, também olhava para a margem esquerda, e ali, percebi a alegria conversando com a solidariedade e elas apontavam os cenários mais alegres que já vi. A democracia falava das muitas possibilidades de “ser no mundo”. Não consegui discernir as diferenças entre riqueza e pobreza e, portanto, não enxerguei o esnobe. O barqueiro com brilho no olhar apontava para um lugar, ali, na margem esquerda que me fez avistar o amor, a fraternidade, a liberdade na diversidade. A esperança dançava com a alteridade e ali, naquela margem esquerda não tinha névoa escura, ao contrário, o sol se deitava sobre a relva verde e exalava sinais de prosperidade. Ao chegar a certa distância já percorrida no Rio Mundo, pedi que o barqueiro fizesse a volta e subisse contra a correnteza. Ouvi o barulho de um motor e agora o barco cortava a água e voltava para o lugar de onde partimos. Então percebi que não é uma questão de se enxergar o Rio Mundo a partir da margem direita ou da margem esquerda, pois na viagem de volta, tudo se inverteu, percebem? As nossas jornadas devem estar permeadas de reflexões acerca dessas brutais diferenças que o mundo (o Rio Mundo) nos apresenta e tais diferenças estão em toda parte. Cabe a cada um de nós enfrentá-las e, desarmados, fazer com que o mundo se torne, a cada dia, um lugar melhor, mais humano, mais feliz. E que, a partir de um gigantesco movimento ecumênico, essa nossa casa, chamada Planeta Terra, esse nosso mundo, seja econômico, social e ambientalmente sustentável e sustentado. Acordei. Será que foi somente um sonho? Ou esse pode ser o nosso desejo? Será que Confúcio tem razão e nós somos realmente complicadores da simplicidade? Sonhei, acordei e fiquei pensando. Por que existem mansões e casebres? Por que existem a fome e o desperdício de alimentos? Por que existe a guerra enquanto podemos semear a paz? Por que tanta riqueza rodeada de tanta pobreza? E, assim, pensei em Jesus Cristo, nos seus ensinamentos e voltei para o Rio Mundo. Vamos navegar de novo?

Professor Carlos Eugênio de Faria O Professor Carlos Eugênio de Faria é graduado em Geografia, é Especialista em Desenvolvimento Regional, é Mestre e Doutor em Geografia Urbana. Todos esses níveis cursados/cursando na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É Professor de Geografia desde o ano de 1990. Se tornou Professor de Geografia e Meio Ambiente do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, desde o ano de 2009.

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Para lembrar amanhã “Se no percurso da existência os percalços são inevitáveis, que as lições que deles tiramos se consolidem como alimento de uma vontade irrefreável de superá-los.” Prof. Maurício Sandro de Lima Mota.

“Que a melodia da esperança possa reverberar em nossos corações como a obra mais sublime da vida e que possamos com ela seguir caminhando, mesmo com as dissonâncias que a vida nos impõe.” Prof. João Gomes

“Perdoe-nos, o poeta, pois se algum dia pensamos perder o bonde e a esperança, isso foi apenas obra de um momento virótico. As ruas, as escolas, os templos...continuam úteis e nós gritamos: sim, esperança! Podemos recomeçar e aprender com esses momentos que pareceram/parecem (in)fecundos. Assim desejamos!!” Profª. Maria José de Oliveira

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“Espero que consigamos reconhecer, mais do que antes, que nossa luta diária não se dá apenas contra um vírus, mas contra todo um sistema que nos adoece. Meu desejo é de que nos curemos integralmente.” Prof. Rodrigo Fernandes de Sousa


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"Vamos ter só um pouquinho de paciência que logo logo estaremos voltando presencialmente. Que nos cuidemos e cuidemos do nosso próximo para que não falte ninguém no nosso retorno." Prof.ª Gerlúzia de Oliveira Azevedo.

“ ‘Finda a tempestade o sol nascerá ...‘ já dizia Cartola. Não perca a esperança, não desista dos seus sonhos.” Ricardo Rodrigues

“Que as lutas e lutos, as perdas e ganhos, a proximidade na distância, tudo seja banhado em amor e esperança!” Prof Damião Filho

“Um dia, em um futuro breve, olharemos para o passado recente e diremos: foi doído, foi difícil, houve perdas, mas não há dor eterna, não há dificuldades sem soluções e as perdas hão de ser atenuadas pelo milagre das boas lembranças!” Prof. Carlos Eugênio de Faria

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