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teCnOlOgIa

O paradOxO dO CIO de Saúde

Como sEr um visionário E imPlantar novas tECnologias Em uma oPEração quE não Para

panOrama

Foto: Ricardo Benichio

na éPoCa dE falta dE talEntos, ganha a EmPrEsa quE ofErECEr mElhor ambiEntE dE trabalho

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rECursos

eSCaSSOS EstE é o grandE dEsafio da santa Casa dE são Paulo. antonio Carlos fortE, suPErintEndEntE da instituição, Conta as Estratégias dE sobrEvivênCia dE um hosPital sECular

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ÍNDICE

Julho de 2012 • FH 201

W W W . s a u d e W e b . C O M . b R

10 – Conexão saúde web

MediCina diagnóstiCa

Confira conteúdos multimídia, destaques do Saúde Web e interação dos leitores

48 – Por UMa fração do MerCado IMEB busca visibilidade internacional e pretende quebrar o paradigma de que diagnóstico por imagem é só no eixo Rio -São Paulo

entrevista 14 – eM bUsCa de ProdUtividade Paul Terry, CEO da Staywell, dá dicas de como manter o profissional saudável e produtivo

20 – aCHados e Perdidos

Para reter os profissionais e reduzir a escassez de mão de obra do setor, empresas de saúde terão de mostrar que, além de cargos e salários, são um bom lugar para trabalhar

HosPital

teCnologia 50 – Pé no Presente, olHo no fUtUro Pensar, implementar, gerenciar e tornar a TI um departamento estratégico do hospital. Esses são os novos desafios dos CIOs da saúde

28 – UMa lUta seCUlar Com um passado repleto de histórias e conquista, Santa Casa de São Paulo luta para sobreviver diante da falta de recursos do SUS

58 – livros

saúde bUsiness sCHool

artigos

31 – ProntUário eletrôniCo

60 – vitrine

26 – eConoMia Os telefones, os juros e a mão de obra barata

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saúde CorPorativa

39 – gestão

40 – Contratando saúde

Governança corporativa: sentido obrigatório para as instituições de saúde

Colaboradores saudáveis podem ser fator estratégico para as empresas

56 – rH O que falta para o progresso da Saúde?

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saúde PúbliCa 42 – MUito aléM do verde

66 – PaPo aberto

Saúde e meio ambiente podem andar de mãos dadas

Stela Lachtermacher, diretora editorial da IT Mídia, inaugura sua coluna na FH abordando a fragilidade das empresas em tempos de internet

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25 anos de valor para você Crescer é a melhor parte da vida. Olhar para trás e ver o quanto evoluímos juntos é o que nos motiva a seguir em frente. A MV continua crescendo e, neste mês, comemoramos 25 anos, a idade que une o vigor da juventude e a sabedoria da maturidade. Esses e outros valores fazem parte da nossa história. São a nossa marca registrada desde 1987. Foi com eles que conquistamos a sua confiança e nos tornamos líderes em gestão de saúde.

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ExpEdiEntE

pRESidEntE-ExECUtiVO

Adelson de sousA • adelson@itmidia.com.br

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Miguel Petrilli • mpetrilli@itmidia.com.br

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Gabriela Marcondes • gmarcondes@itmidia.com.br • (11) 3823-6640 / (11) 7144-2543 Leandro Premoli – leandro.premoli@itmidia.com.br • (11) 9656-1148 Rosana Alves • rosana.alves@itmidia.com.br • (11) 7144-2538 Rodrigo Morais- rmorais@itmidia.com.br • (11) 9655-6413 Suellen Marques -suellen.marques@itmidia.com.br • (11) 9639-7527

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As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicados refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídiaou quaisquer outros envolvidos nessa publicação. As pessoas que não constarem no expediente não têm autorização para falar em nome da IT Mídia ou para retirar qualquer tipo de material se não possuírem em seu poder carta em papel timbrado assinada por qualquer pessoa que conste do expediente. Todos os direitos reservados. É proibida qualquer forma de reutilização, distribuição, reprodução ou publicação parcial ou total deste conteúdo sem prévia autorização da IT Mídia S.A.

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Editorial

Como ser um homem saudável em um planeta

doente?

Foto: Ricardo Benichio

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maria carolina buriti Editora IT Mídia S.A

m época de Rio+20 e de suas tão comentadas (poucas) conquistas, há de se perguntar: como tornar um homem saudável em um planeta doente? Dentro da temática “verde” e de sustentabilidade, a saúde como setor, como direito e como futuro nos coloca sérias dúvidas. Afinal, como será esse amanhã com recursos finitos? Como ser um homem saudável exposto ao ambiente poluído, alto índice de estresse no trabalho e vivendo em grandes metrópoles? Como lidar com as toneladas de lixo produzido pelo próprio hospital? Uma entidade construída para tratar de pessoas, mas que, por vezes, é causadora de doenças. Basta lembrar dos danos que um descarte incorreto de lixo hospitalar pode gerar em um País onde o lixo é fonte de renda para muitas famílias. Ou de que há profissionais dentro dos próprios hospitais que estão com alguma doença ocupacional. Muito além de reciclagem e dessas práticas que já deveriam ser “praxe”, ainda há muito a ser feito. Há o desafio de se viver em grandes metrópoles, em cidades polúidas, com altos níveis de estresse, depressão e outras doenças. Temos um homem doente em um planeta também doente. O homem doente das grande metrópoles e das grandes empresas também é um assunto abordado nesta edição. Você, líder do setor, já parou para pensar se as pessoas que trabalham com você são felizes? A felicidade no ambiente de trabalho pode ser altamente produtiva e, melhor, econômica. O trabalhador mais feliz, menos estressado é menos doente, por isso, custa menos para empresa que lhe paga o seguro saúde. E, mais, em tempos de escassez de talentos, um bom ambiente, que traga qualidade de vida e diferenciais que vão além de salários e benefícios, é um imã para atrair profissionais. Boa leitura!

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Conexão Saúde web

tecnologia

SeguroS unimed implanta SmS A Seguros Unimed acaba de implantar o Projeto SMS, que busca manter os segurados mais bem informados sobre o trâmite de seus processos de sinistro por meio de mensagens SMS. Toda vez que os sinistros referentes a produtos Vida e SERIT forem comunicados por meio da ferramenta Aviso On-Line, disponível no site da seguradora, os clientes serão imediatamente avisados por um SMS, contendo informações sobre a liberação do pagamento e sobre a eventual necessidade de documentos complementares para a correta avaliação do processo. O diretor de Operações da Seguros Unimed, responsável pela área de regulação de sinistros, Helton Freitas (foto), acredita que a ação trará um novo patamar de excelência para os beneficiários.E diz que a operadora espera que os questionamentos aos Escritórios Regionais e as Centrais de Relacionamento da Seguros Unimed caiam consideravelmente, pois desse modo a satisfação do cliente será maior.

inveStimento

a.c.camargo inveSte r$70 mi e inaugura nova torre Dando continuidade ao projeto de expansão, o Hospital A.C.Camargo, localizado em São Paulo, inaugura sua nova Torre Professor Dr. Ricardo Renzo Brentani, que possui 120 novos leitos de internação totalizando 441. O empreendimento contou com um investimento próprio de R$70 milhões. De acordo com a instituição, a estrutura possui oito andares, disponibilizando centro cirúrgico, quimioterapia, oncopediatria, oncologia clínica, psicologia, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia, estomatologia.

tecnologia

HoSpitaiS querem trocar monitoreS comerciaiS por eSpecíficoS de Saúde A maioria das instituições brasileiras ainda usa monitores comerciais para a realização de laudos e visualização de imagens diagnósticas. No entanto, esta realidade vem mudando, a demanda por monitores médicos para diagnóstico em radiologia e outras modalidades é crescente. Durante a Jornada Paulista de Radiologia (JPR) deste ano, o gerente da fabricante de monitores Barco Healthcare, Marcos Barboza, constatou que o interesse por monitores médicos aumentou em aproximadamente 60% quando comparado ao ano anterior. No Saúde Web, você entende as diferenças no dianóstico entre um tipo de produto e outro. http://bit.ly/Qse53s

expanSão

operadora clinipam verticaliza e inaugura unidade do coração A operadora de saúde curitibana Clinipam inaugurou uma unidade de atendimento especializada: a Unidade do Coração. Agora, os beneficiários passam a contar com uma rede de assistência médica com 12 unidades próprias. Para o diretor da Clinipam, Cadri Massuda, oferecer unidades próprias é uma tendência para melhorar o atendimento ao usuário. Em 2012, a operadora reestruturou a Unidade da Criança, inaugurou o setor de UTI, no Hospital Ônix, e outra nova unidade, chama Colombo. A Unidade do Coração – que opera em parceria com o Hospital Cruz Vermelha – foi uma resposta à alta procura por serviços especializados na área de cardiologia. “As consultas cardiológicas passam a ficar centralizadas na nova unidade, facilitando e otimizando o atendimento especializado ao usuário”, explica a gerente de marketing da Clinipam, Demetra Mattos.

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integração

cartão SuS traz interoperabilidade para municípioS Considerado o maior projeto hoje dentro do SUS, o Cartão Nacional de Saúde tem como objetivo informatizar o setor público, possibilitando que, por meio da integração de dados, se realize um melhor atendimento ao indivíduo e aprimorar a gestão aos administradores do sistema. “Hoje o cadastro tem 205 milhões de registros. Acreditamos que foram identificados univocamente 170 milhões. E estimamos que até 2014 todos os 190 milhões de brasileiros já tenham o cartão SUS”, afirma o diretor da Secretaria de Gestão Participativa do Ministério da Saúde, Sylvain Levy. Levy afirma que o cartão tem a tarefa de ser a chave integradora entre os sistemas de informação em saúde que hoje são operados pelo Datasus, possibilitando assim uma interoperabilidade entre as ferramentas.

qualidade

barra daY HoSpital vai atender claSSe a Impulsionado pelo aumento de hospitais-dia no País, o pediatra Mário Novais acaba de investir R$15 milhões em um novo empreendimento no setor, o Barra Day Hospital, localizado no Rio de Janeiro. De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), atualmente, existem 421 unidades com esse perfil, principalmente em cidades como São Paulo, Bahia, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro – que obteve um crescimento de 72% nos últimos cinco anos. A instituição tem o objetivo de oferecer serviços diferenciados e tecnologia de qualidade para atender às necessidades da classe A. Com centro cirúrgico, UTI, sala de recuperação pós-anestésica e 13 apartamentos, o Barra Day oferece serviços para pacientes e acompanhantes, como transporte de paciente em carro executivo, cardápio individualizado para o paciente, cozinha contemporânea para o acompanhante, internet wireless gratuita, TV a cabo e Smart TV em todos os apartamentos.

novo

amil lança plano por adeSão para entidadeS de claSSe A Amil está lançando um novo modelo de plano de saúde, o plano por adesão. A opção permite que os indivíduos (pessoas físicas) contratem o plano de saúde por meio de associações de classe, como de engenheiros, advogados e jornalistas, entre outros. O novo produto é voltado exclusivamente para os clientes de Minas Gerais, congregando os hospitais e clínicas do Estado e com rede credenciada no Brasil, além de abrangência nacional. De acordo com o superintendente da Amil filial de Minas Gerais, Emerson Fidelis Campos, o plano por adesão é uma opção para aqueles que pretendem contratar um plano de saúde.

Saúde corporativa

rotina doS HoSpitaiS cauSa Síndrome de burnout Atos criativos estão relacionados aos momentos em que a mente consegue se afastar dos problemas a serem resolvidos. Os insights costumam ocorrer em horas inesperadas - quando é possível permitir que os pensamentos se libertem e nos mostrem novas soluções para situações cotidianas. O problema é que em ambientes hospitalares implantar essas dinâmicas criadoras parece ser uma tarefa secundária. No entanto, assim como nas empresas, as instituições de saúde também devem olhar e incentivar essas práticas se quiser alcançar bons resultados e relacionamento sadio. De acordo com o master coach da Sérgio Ricardo Company, Sérgio Ricardo Missioneiro, a rotina dos hospitais tem causado em suas equipes a síndrome de Burnout, distúrbio de caráter depressivo, seguido de esgotamento físico e mental. A principal causa deve-se ao fato de que os hospitais apresentam uma rotina de atendimento ao cliente ao invés de produção de saúde. Em entrevista ao Saúde Web, Missioneiro dá algumas dicas para fomentar a criatividade: contemplar o belo, fazer caminhos diferentes, frequentar ambientes lúdicos, deixar o computador e o celular desligados uma hora por dia são algumas formas de estimular a criatividade. Além disso, quem quer ter criatividade deve aguçar o cérebro, exercícios como cantar em karaokê, jogar cartas, videogames, cozinhar e fazer trabalhos com as pontas dos dedos, tocar um instrumento e mexer na terra são dinâmicas assertivas para criar redes neurais diferentes.

canal do leitor tWitter Fred mendes • @seufred

“@Saude_web: gsk vai pagar US$ 3 bilhões por má conduta. //pena que é lá nos eUa. aqui pintam e bordam e fingem que não vêem http://bit.Ly/oipnye

Carlos emir júnior • @carlosemir

É o maior problema a se discutir na eleição!! Rt @saude_web: governo dilma tem desaprovação de 66% no setor da saúde http://bit.Ly/odrbgj

@saude_web facebook/saudeweb editorialsaude@itmidia.com.br

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Conexão Saúde web

númeroS

vai e vem

Saúde vai receber

r$ 994 milHõeS

até 2014

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou investimentos de R$ 994 milhões para produção e inovação no complexo industrial da saúde até 2014. A prioridade será o fortalecimento da pesquisa e da produção de medicamentos e equipamentos médico-hospitalares no país. Serão dadas margens de preferência para 80 itens nacionais. Estes poderão ser comprados com preços até 25% superiores aos dos concorrentes internacionais. O governo vai também estimular ainda a produção de biotecnológicos, que representam aproximadamente 30% do orçamento da pasta da Saúde, embora estejam presentes apenas em 5% das unidades de tratamento no País.

anS reajuSta preço de planoS em

7,93%

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fixou em 7,93% como o índice máximo de reajuste para os planos de saúde médico-hospitalares individuais/familiares contratados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/98. O percentual, válido para o período entre maio/2012 e abril/2013, incidirá sobre os contratos de cerca de 8 milhões de beneficiários, o que representa 17% dos consumidores de planos de assistência médica no Brasil. A metodologia aplicada pela ANS para obter o índice é a mesma desde 2001.

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Fanem empossa nova diretora administrativa

A executiva Karin Schmidt Rodrigues Massaro assume a diretoria administrativa da Fanem. Formada em medicina, mestre e doutora em hematologia e moléstias infecciosas pela USP, ela foi por quatro anos diretora científica, tendo também participado de atividades internacionais da Fanem. Karin pretende continuar o trabalho desenvolvido por sua mãe, a ex-diretora executiva, Marlene Schmidt Rodrigues, falecida em abril deste ano. Além das atribuições de caráter administrativo e operacional, a diretoria assumida pela executiva englobará a gestão de comércio exterior e as políticas de internacionalização e expansão da empresa que hoje exporta para mais de 90 países.

david oliveira assume ti do Hospital sepaco

O Hospital Sepaco (SP) anunciou a contratação de David Oliveira como novo gerente de TI da instituição. Segundo o executivo, seus objetivos iniciais são consolidar a TI do hospital e da autogestão e finalizar a implementação do sistema de gestão da entidade. “Além disso, o objetivo é tornar a TI uma área estratégica para o negócio do hospital e da autogestão. Tenho grandes desafios e ótimas expectativas à frente da TI”, diz Oliveira.

anS SuSpende planoS de Saúde de 37 operadoraS Os produtos encaixaram-se nos critérios estabelecidos pela ANS para a suspensão dos que já foram reincidentes no não cumprimento da Resolução Normativa nº 259, que determina prazos máximos de atendimento para consultas, exames e cirurgias. As operadoras foram notificadas e os produtos ficam proibidos de ser comercializados a partir de 13/07/2012 até a próxima avaliação trimestral, que será divulgada em setembro.

gSk vai pagar o record de

uS$ 3 bilHõeS

por má conduta

pró-Genéricos eleGe nova presidente

Telma Salles é a nova presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos). Com 19 anos de atuação no segmento farmacêutico, Telma ocupava anteriormente a diretoria de relações institucionais do laboratório Aché e atuou em postos estratégicos em empresas como EMS e Sandoz. A executiva substitui Odnir Finotti, que esteve à frente da entidade desde 2007 e acaba de se desligar da organização para assumir a presidência executiva da Bionovis S.A.

A gigante farmacêutica GSK (GlaxoSmithKline) declarou que vai pagar uma indenização de US$ 3 bilhões nos EUA. O caso já é considerado como a maior fraude de saúde pública da história do país. Os processos envolvem irregularidades em medicamentos como os antidepressivos Paxil e Wellbutrin; e o Avandia, usado no tratamento de diabete.

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blogS Leia e discuta com nossos colaboradores os assuntos mais quentes do mês: www.saudeweb.com.br/blogs POlítiCAs DE VigilânCiA sAnitáRiA RObERtO lAtini Sim, o sistema é perverso e anacrônico O advogado relata que várias empresas têm deixado de investir no Brasil para iniciar seus trabalhos na América Latina por países como Chile, Colômbia, Venezuela, Equador, Panamá, Peru, Costa Rica e República Dominicana.

tECnOlOgiA & FARMA ERiC ViniCius ViEiRA nEVEs eHealth na Indústria Farmacêutica Para o analista comercial, se o eHealth é o desejo do paciente, na indústria farmacêutica isto deveria ser uma obsessão.

suPRiMEntOs HOsPitAlAREs ROniE OliVEiRA REyEs Não há bom senso em ética “Compradores precisam ser conscientes que nem sempre terão as respostas para suas dúvidas em um documento formal. E nessas situações, devem procurar apoio em seus superiores ou no próprio Conselho de Ética, evitando tomar ações baseadas apenas na sua interpretação daquilo que é correto”, afirma o especialista em gestão de aquisição de produtos para saúde.

gEstãO COMERCiAl EM sAúDE EniO sAlu Aumentando o Faturamento - Parte 2 “Outra ação da maior importância para aumentar o faturamento hospitalar é a padronizar da forma adequada os lançamentos do que se deve cobrar e, por mais dificuldade que possa haver nisso, cobrar de alguém”.

enquete

participe da nossa enquete! vote em: www.saudeweb.com.br/enquete O PAC Equipamentos, anunciado pela presidente Dilma Rousseff, é resolutivo no que se refere à redução da dependência nacional em relação ao mercado internacional?

reSultado

confira o resultado da última enquete

Você é a favor da Medida Provisória 568/12, que visa equiparar os salários

43,18 %

43,18 % - Sim. A MP compensa as perdas ao criar a Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada (VPNI), que corresponde à diferença entre os salários anteriores e a nova tabela. De acordo com a Lei 9.436/97, podem optar por 40h semanais, recebendo como se fossem duas situações de 20h, e com o direito de estender seus vencimentos aos benefícios de aposentadoria e pensão.

56,82 %

56,82 % - Não. Entidades médicas alegam que a medida não extingue o regime de 20h, mas lhe atribui metade do valor da nova tabela de 40h, já reduzida à metade, de modo que também corresponderá a 50% do valor atual.

multimídia Acompanhe entrevistas, galerias de imagens e todo o conteúdo multimídia: www.saudeweb.com.br

WebcaSt Faça um tour pelo novo Hospital do Grupo notredame intermédica

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MUTE

O Grupo Notredame Intermédica acaba de inaugurar o Hospital Renascença Campinas, localizado na cidade de Campinas, interior do Estado de São Paulo. Trata-se de um hospital geral e maternidade com 100 leitos e possibilidade de realizar 14 mil atendimentos por mês.

Veja na saúde tV: http://migre.me/9p5li

galeria veja o Barra day Hospital por dentro

Barra Day Hospital em números Área construída: 750m² • área total: 1.500m² • leitos de UTI: um • número de leitos: 12 • salas cirúrgicas: três • estacionamento • capacidade: 360 cirurgias por mês

Veja na galeria do saúde Web http://migre.me/9p5s1

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entrevista

Em busca dE

produtividade Maria Carolina Buriti • mburiti@itmidia.com.br

Para se ter mais produtividade é preciso trabalhar menos. Pode parecer contraditório, mas o segredo está em equilibrar qualidade de vida e saúde. De acordo com o CEO da Staywell, Paul Terry, as companhias podem adotar inúmeros programas de educação em saúde em prol dessa proposta. Só resta saber como engajar o profissional

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omo tornar um profissional mais produtivo? a resposta pode ser realmente o oposto do que se pensa: equilibrar vida pessoal e trabalho. e não é só balancear as atividades pessoais e profissionais no dia a dia, pois é preciso gerir a saúde dos colaboradores e, consequentemente, os gastos com seguros e planos médicos. essa tarefa nem sempre é fácil, mas para isso as empresas podem apostar em premiações e incentivos financeiros. é o que conta o ceo da staywell, empresa americana de gestão em saúde, paul terry. o executivo veio ao brasil para participar do “encontros de saúde corporativa”, realizado pela cph health. na véspera de sua palestra, ele conversou com fh.

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FH: Como promover a saúde corporativa dentro das empresas? Paul Terry: há muitas coisas novas desenvolvidas e existe pouca promoção da saúde no trabalho. penso que para promover as melhores práticas e o caminho da promoção e da produtividade no trabalho não há uma só resposta. não existe uma política mágica e sim, diferente abordagens. as empresas se mostram mais eficazes e aumentam a produtividade se compreendem que a abordagem tem diferentes componentes. mas uma nova pesquisa da staywell estudará as performances chave, que inclui fortes apoios para as lideranças e contém, na maior parte do uso, um modelo de educação com uma grade de diferentes abordagens. por último, nos estados unidos, está crescendo o número de empresas que usam incentivos financeiros. Isso pode significar que você põe uma quantidade de dólares a cada ano dentro de uma poupança de saúde ou contribuir para oferecer aos colaboradores uma saúde “premium”. agora depende de como as empresas vão se engajar para obter esses programas de educação em saúde e também do que os colaboradores vão aprender com isso, é relativo.

Quem é: Paul Terry é cEO da staywell Editor do “art of Health Promotion” american Journal of Health Promotion Ex-coordenador de pesquisa do center of disease control (usa)

Fotos: RicaRdo Benichio

Ex-presidente da associação de saúde Pública de minnesota

FH: Sobre a crise econômica, há algum estudo que mostre que as pessoas que trabalham estão mais estressadas em razão da crise? Terry: quando estudamos a capacidade, olhamos como obter resultados dos exames de saúde, medindo a pressão arterial, o peso, avaliando o colesterol , se fumam ou não e etc. nós conectamos as duas coisas: uma, quanto custa relatar sobre a maior ou menor produtividade no trabalho? essa é uma boa pergunta para estudar. também tem a segunda conexão que é saber quanto se gasta na saúde, quanto se gasta quando se vai ao médico e assim mostrar resultados específicos por idade, gênero e os níveis de riscos de saúde e exatamente como, as mudanças na saúde afetam a produtividade das pessoas. se alguém sofre com dor nas costas, por exemplo, é muito em termos de produtividade. as pessoas também reportaram sobre alto nível de estresse e também têm menos produtividade no ambiente de trabalho. e quando as pessoas procuram menos atividade física, isso se repete. comparando os dois exemplos (dor nas costa e estresse), o alto nível de stress custou mais para a saúde. e a parte mais importante de todo o estudo

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“AlgumAs empresAs usAm penAlidAdes finAnceirAs, por exemplo, se há pessoAs que AindA fumAm nA compAnhiA, elAs pAgAm mAis por um seguro sAúde” é saber como as pessoas reduziram o risco, melhorando os cuidados, atividade física e reduzindo o estresse e, assim, tendo um alto nível de produtividade. FH: Dentro das empresas, existe uma sobrecarga de trabalho que pode ser causadora de doenças como o estresse entre outras. Como a companhia pode identificar e combater isso? Terry: na minha empresa e no meu país há uma discussão de como as pessoas podem ter equilíbrio entre vida e trabalho. não se pode trabalhar muito, é preciso se cuidar, tirar férias e viajar. para ensinar ter esse equilíbrio, depende do tipo de programa que a empresa implanta, algumas pessoas vão questionar se não serão prejudicadas, pois para elas, fazer isso pode resultar em reduzir as horas de trabalho. As pessoas, às vezes, são resistentes em fazer isso. então, como equilibrar? ,pois trabalhar muitas horas com certeza tem impacto na saúde pessoal e na produtividade. a maioria das empresas, simplesmente, não pensam em trabalhar poucas horas porque algumas pessoas amam o trabalho e amam trabalhar muitas horas. para muitas delas, não é só trabalhar muitas horas, provavelmente, elas tentam ter capacidade física e podem negociar com a carga de trabalho, pois são muito mais resilientes. isso é uma espécie de retorno, se elas têm estresse, cansaço, fazem mais exercício físico, tem uma boa alimentação, boa forma, pois acham que se reduzirá os danos. FH: Como inovar na gestão da saúde corporativa? Terry: primeiro, as empresas precisam começar a entender melhor como oferecer programas de educação em saúde para os empregados. Isso se faz oferecendo e gerenciando

programas no ambiente de trabalho, como os de controle de peso, estresse e de saúde para fumantes, exames médicos. mas, ao mesmo tempo, para aplicar esses programas é preciso mudar o ambiente e a cultura no trabalho melhorando a saúde. também há exemplos de inovação no ambiente de trabalho. a minha empresa desenhou escolhas fáceis e saudáveis, como por exemplo, as empresas podem escolher ter locais para oferecer alimentação saudável no lugar de “junk food” . outro exemplo que está acontecendo no meu país é com a tecnologia. o smartphone ou outro dispositivo pode lembrar de melhorar a saúde, avisando a hora de se mexer ou de fazer um intervalo, ou para saber quantos degraus de escada se subiu no dia e etc. também há os incentivos financeiros. Uma dessas inovações é o uso de prêmios de incentivo e um sistema de pontos como um jogo em algumas companhias. é possível mostrar quantos pontos se ganha pela promoção do comportamento saudável. Então, a empresa premia o profissional se ele faz atividade física, por exemplo, ou se o colaborador participa de um programa como empresa entrega mais pontos se participa de um treinamento em saúde. algumas empresas usam penalidades financeiras, por exemplo, se as pessoas ainda fumam, elas vão ter de pagar mais por um seguro saúde para ter melhores resultados. FH: Nesses programas de educação, se escolhe os empregados na companhia para passar a mensagem para outros colaboradores sobre hábitos e comida saudáveis. Existe um programa com pagamento de um profissional para isso? Terry: É preciso pagar um profissional e preciso desenvolver ideias e usar prêmios ou penalidades relativas

à saúde, porque alguns empregados podem dizer: minha saúde é o meu trabalho. ou por que a empresa quer se envolver na minha saúde? e as empresas, por sua vez, vão dizer que a responsabilidade da saúde do colaborador é como se fosse uma habilidade, pois afeta o trabalho. para as empresas, a saúde afeta a produtividade no trabalho e esse é o negócio delas. portanto, elas precisam ajudar as pessoas a aumentar a produtividade da companhia. mas existe uma importante questão: usar incentivos financeiros é muito bom, fazer com que os profissionais participem oferecendo exames também. mas se é usado premiações em excesso, pode ocorrer resistência a mudanças, pois a motivação é intrínseca e não se pode mudá-la apenas com incentivos financeiros. é como a expressão ” you can lead a horse to water, but you can’t make it drink” (você pode levar um cavalo à água, mas você não pode fazê-lo beber ), ou seja, é possível usar incentivos para ajudar as pessoas participarem, mas não se saberá ao certo se efetivamente ocorrerá grande retorno, caso não se consiga mudar o comportamento e o estilo de vida.

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PANORAMA

aCHadOS ACHADOS PerdIdOS PERDIDOS Por Gilberto Pavoni Junior • editorialsaude@itmidia.com.br

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num cenário que combina a dificuldade de encontrar pessoas qualificadas, pouco interesse pela área de saúde e profissionais que almejam muito além de salários e benefícios, sai na frente quem consegue se mostrar como um bom lugar para trabalhar

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sócio-diretor sênior da Korn Ferry, responsável pela Especialização em Ciências da Vida e Saúde, Rodrigo Araújo, costuma fazer uma pergunta em suas palestras sobre gestão de talentos. Para saber como anda a expectativa de profissionais e recém-formados sobre o mercado de trabalho, ele olha enfaticamente para a plateia e indaga: “quem aqui gostaria de entrar na área de saúde e seguir carreira?” A resposta é um silêncio intrigante e preocupante. Esse segmento da economia tem sofrido com a escassez de mão de obra qualificada para várias áreas e essa falta de interesse pode agravar ainda mais a situação. “De alguma forma o setor perdeu a capacidade de mostrar sua empregabilidade para os trabalhadores e vem perdendo a atenção desses para outros ramos que também estão em pleno crescimento e transformação”, diz Araújo. Para ele, as empresas de saúde devem se espelhar nas melhores práticas de captação e retenção de talentos de suas co-irmãs e voltar a serem atrativas para os profissionais. “Se avaliarmos direito, veremos que é uma indústria que começa agora a trilhar a modernidade de gestão e ainda não conseguiu comunicar direito sua proposição de valores”, diz. Para o consultor, enquanto o varejo, bancos, comércio e mesmo novas empresas de tecnologia falam além de salário, benefícios básicos e planos de carreira, a ampla maioria das empresas de saúde ainda não conseguiram ganhar os corações dos profissionais com qualquer diferenciação. “O trabalhador sabe que terá desafios em qualquer empresa, portanto está desejando ferramentas, ambiente e lideranças que o ajudem a superar isso e ainda lhe traga reco-

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Oferta x demanda Para o diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde da Fundação de Apoio à Unifesp, Marcos Bosi Ferraz, o mercado de saúde vive uma distorção entre o que está sendo necessitado e a formação de profissionais. “O profissional médio existe e é fácil de achar, o que falta é formar para a especialização”, diz. Segundo ele, há um erro do modelo educacional que não adequa a oferta com a demanda e acaba se preocupando com a quantidade e não com a qualidade. “O erro é geral, as escolas não formam e as empresas em geral não dão o ganho adequado”, alerta.

em apagão da mão de obra, os economistas avaliam se entramos em outra fase de pleno emprego, mesmo com uma dinâmica menor do PIB prevista para esse ano e, provavelmente, o próximo. Se a escassez de profissionais atinge o Brasil e o mundo, as empresas precisam repensar suas políticas internas e se preparar para um futuro com muito mais dificuldades na formação do capital humano. “Há um vazio entre o problema e a solução e poucos estão percebendo isso, já que envolve desafios para as empresas, sistema educacional e trabalhadores”, aponta o professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore. De acordo com ele, as empresas estão a procura de um profissional que ainda não foi formado nas salas de aula, os capacitados encontram poucos lugares que se adaptem a suas expectativas e no meio disso a tecnologia está transformando os meios de produção de forma tão rápida que somente uma ação conjunta com planos de curto, médio e longo prazo irão resolver. Dentre as soluções consideradas essenciais está a empresa assumir um papel mais abrangente na vida de seus trabalhadores. A oferta de benefícios básicos como vale-transporte, plano de saúde e plano de carreira já não

“O trabalhadOr sabe que terá desafiOs em qualquer empresa, pOrtantO está desejandO ferramentas, ambiente e lideranças que O ajudem a superar issO e ainda lhe traga recOnhecimentO e qualidade de vida. É muitO mais dO que um planO de carreira” RodRigo ARAújo, dA KoRn FeRRy

marcia, unimed rio de janeiro: a gestão de pessoas é um conjunto de ações, mas a comunicação aberta tem se mostrado importante para atrair novos profissionais

Foto: Divulgação

nhecimento e qualidade de vida. É muito mais do que um plano de carreira”, explica. A situação se agrava porque nesse deserto de mão de obra as empresas de saúde acabam concorrendo com outros setores. Quem oferece o melhor acaba contratando mais e segurando o bom profissional dentro de seus quadros. O mercado atual está longe de ser um oceano de gente procurando vagas penduradas em qualquer poste ou classificado de jornal. Segundo pesquisa da Robert Walters, consultoria da área de Recursos Humanos, 74% dos brasileiros recusam a primeira oferta de emprego que aparece e avaliam melhor várias propostas nesse cenário favorável a eles e aceitam. O País fica somente atrás da China (92%) e Coréia do Sul (91%) e bem acima da média mundial (35%) nesse mundo de múltiplas escolhas. A isso se junta outra dificuldade. A saúde não é o único setor que tem passado aperto na hora de contratar e reter talentos. Outras empresas de atividades diversas têm a mesma reclamação. Faltam estatísticas específicas sobre os profissionais que trabalham em hospitais, laboratórios, empresas de serviços, etc. O único dado concreto que se tem é a relação médico por habitante, que não define todo o cenário. Mas a explicação para esse quadro está nos diversos índices econômicos que mostram uma economia ainda entusiasmada com crescimento dos últimos anos e uma geral falta de mão de obra qualificada. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o desemprego em maio ficou em apenas 5,8%, recuando de 6% em abril. Em 2011, a desocupação havia ficado em 6,4% nesse período. A taxa é a menor para o mês de maio desde o início da série histórica, em 2002. Mesmo a baixa contratação de pessoal com carteira assinada ocorrida em maio, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) não altera o momento especial do mercado. Se por um lado, algumas empresas falam

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emocionam mais. “E não é fácil saber o que os trabalhadores querem hoje em dia, às vezes nos preocupamos com algo e é justamente outro que faz sucesso”, diz a diretora de Recursos Humanos da Eurofarma, Regina Cintra. Fazendo a unha para conquistar talentos A empresa tem se destacado na gestão e retenção de talentos com vários projetos que inovam as propostas básicas do mercado (veja quadro ao lado). Mas é uma ação inusitada que tem conseguido melhores feedbacks nas pesquisas. Um salão de beleza fica disponível para os trabalhadores cuidarem da aparência fora do horário do expediente e entre um creme, uma limpeza de pele e uma manicure, a Eurofarma consegue realçar seu brilho aos olhos de quem trabalha por lá, sejam homens ou mulheres. “É espantoso porque era algo que havíamos programado como um benefício adicional, mas tem se mostrado muito importante para afirmar aos trabalhadores que a empresa se preocupa com eles”, “Há um vazio entre o destaca Regina. E a empresa nem problema e a solução precisaria reafirmar essa política. Ambulatório, Odontologia, prograe poucos estão ma para gestantes, ingressos para percebendo isso, já teatro e cinema, creches, salão de jogos, academia, pilates e fisioteque envolve desafios rapia estão no pacote de vantagens para as empresas, de quem trabalha lá. sistema educacional e E ainda tem mais. Toda sexta-feira, os funcionários saem às 13h. trabalHadores” O tempo extra é usado para aproveitar os incentivos culturais ou viajar e aproveitar o horário sem José Pastore, da trânsito das estradas. O tempo de Faculdade de economia folga nesse dia é compensado due administração da usP rante a semana.

Foto: Divulgação

marly vidal , do sabin: “se os funcionários estão sorrindo, conversando e mostram satisfação no local de trabalho, pode ter certeza que a empresa acertou na gestão de talentos e não terá dificuldade em contratar ou reter profissionais”

ComuniCação aberta e Colaboração Para algumas empresas, o termo “apagão da mão de obra” é um exagero. Elas enxergam que o nível médio tem mais procura e em cargos de liderança e especializações o real problema é que as empresas estão falhando em se mostrar como boa opção para os trabalhadores. Recentemente, a Unimed do Rio de Janeiro abriu 1.200 vagas. Cerca de 70 mil candidatos se inscreveram. “Ampliamos nossas ferramentas para buscar profissionais e temos nos mostrado uma boa empresa para trabalhar, isso ajuda na captação de mão de obra”, diz a gerente de RH Marcia Amorim. A empresa tem diversas políticas de gestão de pessoas que são diferenciadas da concorrência. Conversas com o superintendente geral e encontros com os principais executivos ajudam a atualizar as demandas, resolver os gargalos e formar uma cultura corporativa. Mas é na união de tecnologia, comunicação e colaboração que a empresa consegue atrair talentos. A intranet tem sistemas que permitem a troca de ideias e informação. Os funcionários podem ler as notícias do dia e ver as últimas notícias da Unimed. Uma equipe de jornalistas percorre a empresa diariamente para gravar depoimentos sobre o que está ocorrendo na companhia e os vídeos são colocados na rede para que todos vejam. “A gestão de pessoas é um conjunto de ações, mas a comunicação aberta tem se mostrado importante para atrair novos profissionais”, diz Marcia.

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Não basta ser melhor, tem que mostrar Na teoria, muitas empresas são boas para se trabalhar. Missão e valores pendurados em molduras brilhantes na parede e planos de carreira definidos ajudam a mostrar uma gestão sintonizada com a modernidade. Mas, hoje em dia, o trabalhador não quer só teoria, ele quer que a empresa pratique o que pensa, senão ele opta por outra colocação. Esse paradigma tem sido bem resolvido na Boehringer Ingelheim. A empresa mudou de endereço e atitude há três anos. O antigo escritório no Centro Empresarial de São Paulo deu lugar a um novo espaço, sem papel e sem barreiras para a comunicação. Não há lugar para todos, mas isso é proposital para incentivar o trabalho em casa. E o máximo de papel que um funcionário pode ter no final do dia é o que cabe numa gaveta. Para favorecer isso, a empresa investiu em plataformas digitais e numa arquitetura aberta do escritório. Sem baias e com salas que podem ser usadas por todos, a Boehringer quer mostrar que o ambiente é exatamente aquilo que prega em seus valores. “Não basta definir o que são, o funcionário quer ver no dia a dia tudo que a empresa define como valor”, comenta a gerente de Recursos Humanos da farmacêutica, Fernanda Coutinho. Outro exemplo de fazer e mostrar é baseado em um dos valores da empresa – paixão. No átrio, onde funcionários tomam café e descontraem, existe uma carta de uma consumidora que explica como um medicamento da marca mudou sua vida. Mas só o papel emoldurado não é o suficiente. A empresa levou a consumidora para falar aos funcionários na inauguração do novo escritório. “Quando definimos a paixão como valor, é porque precisamos mostrar ao funcionário que ele está ajudando a mudar e garantir a diferença na vida de pessoas, não é só fazer o trabalho e vender mais”, diz.

Com tantas ações, o turn over da companhia tem ficado estável e abaixo do 1% mensal. “Esse é um dos resultados importantes que a diretoria precisa ver para saber que no fundo está fazendo um investimento”, aconselha Regina. Números que mostram menor absenteísmo e a relação favorável na relação candidato por vaga é o retorno desse tipo de política. E para manter esses índices no azul, é preciso ter todas as políticas de RH já consagradas e mais alguma inovação nesse sentido. “Mesmo que pareça inusitada num primeiro momento” , diz Regina. SorriSo no roSto e comunicação aberta É exatamente essa diferenciação que parece satisfazer os profissionais. Existe algo novo que eles estão procurando nas empresas as quais irão dedicar horas de seus dias e provavelmente alguns anos de suas vidas. E nesse aspecto podem surgir outras métricas que não envolvem números. “Se os funcionários estão sorrindo, conversando e mostram satisfação no local de trabalho, pode ter certeza que a empresa acertou na gestão de talentos e não terá dificuldade em contratar ou reter profissionais”, ensina a superintendente de Gestão e Recursos Humanos do Laboratório Sabin, Marly Vidal. A empresa, situada no Distrito Federal, tem que se mostrar mais atraente do que os concursos públicos se quiser arrumar bons profissionais. Para isso, desenvolveu mais do que uma política de RH – criou um bom clima para trabalhar. “Fomos adotando benefícios diferentes para nossos funcionários ao longo dos anos

e hoje temos plena confiança para decidir se, por exemplo, colocar música ao vivo na recepção é algo bom”, define Marly. Sim, quem passa pela porta de entrada da empresa se depara com um músico tocando violão. Não é um delírio gerencial nem algo para ganhar manchetes na mídia, a empresa está apenas seguindo suas proposições e acatando o que os próprios funcionários desejam. “Há alguns anos começamos a reparar que na pesquisa de clima organizacional o item qualidade de vida poderia ultrapassar o item carreira na motivação para trabalhar e começamos a nos preparar para isso”, lembra. Aos poucos, a empresa começou a trabalhar essa demanda. Além dos benefícios básicos e salários competitivos com a média de mercado, o Sabin passou a fornecer atividades que completam a vida do funcionário. É o caso de programas para educação financeira, academia e ajuda nos estudos que variam de 25% a 80% dos gastos dos funcionários. Quando isso se mostrou uma tática correta, a empresa começou a inovar. O Sabin tem uma ampla lista de benefícios que fogem completamente do usual. Há auxílio-casamento, dia da noiva, auxílio enxoval, ajuda em financiamentos para casa, carro e outros bens duráveis e semi-duráveis. Chegaram, inclusive, a ter uma espécie de aula sobre como se vestir bem. Mas não como uma ditatura estética corporativa, apenas para melhorar a autoestima. “Existe sim uma falta de mão de obra, mas existe também uma falta de compreensão das empresas do que os trabalhadores querem hoje”, diz Marly.

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economia

Os telefOnes, Os jurOs e a mão de obra barata H

Maria Cristina aMoriM economista, professora titular da puc-Sp

Eduardo PErillo médico, mestre em administração, doutor em história econômica

ouve um tempo, não muito distante, em que alguém. ‘Agora, não é preciso trabalhar para ter as pessoas “de bem” compravam linhas tele- dinheiro no bolso, e ninguém mais quer trabalhar ’. fônicas — tantas quantas pudessem — para O argumento é mero juízo, desprovido de análise depois alugá-las e fazer disso um meio de vida. Na séria de causas e consequências. verdade, não era bem assim. Antes da privatização Se o brasileiro não mais precisa submeter-se a um das teles, conseguir uma linha telefônica, residencial salário de fome para ter um mínimo de dignidade, ou comercial, pagando o preço oficial da companhia ponto para o Brasil! Um dos indicadores de bemestatal, era uma via crucis e privilégio de poucos; -estar nas economias de mercado é justamente o era preciso ser bem relacionado e conhecer os me- aumento do preço do trabalho. andros do setor para ter sucesso. O setor da saúde, como vários outros setores Mas esse meio de vida acabou quando tornou-se econômicos, é levado a operar com maior produticorriqueiro conseguir uma linha telefônica fixa, e vidade, deixando para trás o amadorismo e, para o golpe de misericórdia ocorobtê-la, reordenar processos, reu com a expansão da telefobuscar maior profissionalização nia celular. Agora, como ouvi da mão de obra, acompanhar a Se a queixa do Setor quanto à dizer outro dia, “até cachorro concorrência, essas coisas da dificuldade de contratar mão de tem celular”. economia de mercado — trata-se obra é verdadeira, há uma Saída: Está acontecendo algo parecide um fenômeno com avanços e ofertar condiçõeS competitivaS, do com os juros. Não são todas recuos, mas no geral, positivo. relativamente àS outraS as pessoas que estão satisfeitas Profissionalização não signipoSSibilidadeS de emprego ou com a queda das taxas de juros. fica um amontoado de cursos Aquelas que viviam — e ainda (a indústria dos cursos está em preStação de ServiçoS. fácil, não? vivem — dos rendimentos de expansão), mas salários compeaplicações financeiras veem essa titivos, perspectivas de carreira fonte minguar, dia a dia. É verdade — se cai o custo e mobilidade na instituição, motivação, condições do dinheiro, cai também o rendimento da aplicação adequadas e ambiente agradável de trabalho, ótimo financeira, então é melhor ir se preparando para clima organizacional, revisão contínua de processos, um futuro diferente daquele planejado quando os protagonismo nas decisões operacionais, etc. juros estavam nas nuvens. Se a queixa do setor quanto à dificuldade de Com a mão de obra também ocorre uma grande contratar mão de obra é verdadeira, há uma saída: mudança. A economia cresceu, o mercado de tra- ofertar condições competitivas, relativamente às balho sofreu alterações e a mão de obra barata se outras possibilidades de emprego ou prestação de tornou escassa. ‘É tudo culpa do bolsa família’, diz serviços. Fácil, não?

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Uma lUta

secular Verena Souza • vsouza@itmidia.com.br

Ela viu a ocupação das terras tupiniquins, amparou escravos, presos, doentes abandonados, defuntos indigentes, soldados. Foi o berço de importantes faculdades de medicina. E, hoje, ainda em meio a números estrondosos de atendimentos e importantes conquistas, luta para sobreviver diante da falta de recursos do sistema

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sua imponência fulgura por entre os contornos precisos de uma arquitetura milenar. Não é preciso ser um entendido sobre o estilo gótico, em que as construções expressam uma comunhão com a religião, para ser pego contemplando a sede da Santa Casa de São Paulo, que domina um quarteirão inteiro no bairro Santa Cecília, região central da capital paulista. As portas e janelas altivas, os móveis, em sua grande maioria de madeira escura - como jacarandás e imbuias -, os objetos provenientes da arte sacra, todos os detalhes o conduzem para uma viagem no tempo. Apesar das características sóbrias, os tijolos alaranjados do complexo hospitalar contrastam com o verde dos jardins, contribuindo para suavizar o ambiente da unidade central da Santa Casa, que possui, ao todo, mais 13 hospitais, duas policlínicas, uma UPA, três pronto-socorros municipais e 12 Unidades Básicas de Saúde; e constitui-se como o maior hospital

filantrópico da América Latina, atendendo cerca de oito mil pessoas diariamente em todas as especialidades médicas. Assim como as missões jesuíticas trazidas pelos portugueses durante o processo de colonização do Brasil, as casas de misericórdia – originárias de Lisboa – eram outro sinal da ocupação europeia. E, desde então, há mais de 400 anos, a entidade paulista é referência em medicina no País. A instituição protagonizou alguns fatos históricos – sempre regidos sob a finalidade de exercer a caridade, misericórdia para o socorro e assistência aos enfermos. O amparo a crianças abandonadas por meio da famosa “Roda dos Expostos” desde 1825, o tratamento dos soldados feridos com a Revolução de 1932 e a criação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo em 1963 foram alguns desses momentos. Ao caminhar nos dias de hoje pela unidade principal, é fácil perceber sua origem abastada, mantida pela aristocracia brasileira e portuguesa. “Quando as pessoas de famílias ricas morriam, boa parte dos bens eram doados para as Santas Casas”, conta o superintendente Antonio Carlos Forte, que há 20 anos dedica-se à administração da entidade. Tal costume já não condiz com os dias de hoje em que os graves problemas financeiros imperam, representados por uma dívida de R$ 120 milhões. Apesar disso, a Santa Casa é reconhecida nacionalmente pelo desenvolvimento de pesquisas técnico/

científicas, possui um dos maiores serviços de captação de órgãos e tecidos do mundo, é referência nos atendimentos de Ortopedia, Pediatria, serviços de alta complexidade como Neurocirurgias e Transplantes, e de Emergência – tendo o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) como o seu maior cliente, seguido por entidades de classe como a do Corpo de Bombeiros e Metroviários. Estrutura dE gEstão Cerca de 500 colaboradores voluntários compõe o Conselho de Irmãos da Santa Casa. Destes, são eleitos 50 participam da mesa administrativa, que também contempla o provedor (presidente) - atualmente sob o comando de Kalil Rocha Abdlla -, vice-provedor, escrivães, mordomos, tesoureiros e procuradores jurídicos.

Santa CaSa

números

Leitos: 2.195 Funcionários: 13.000 aproximadamente Pacientes: 701.183/dia* Internações: 92.301* Atendimentos ambulatoriais: 1.424.877 Atendimentos de emergência: 1.827.869 Cirúrgias: 46.572 exames: 5.540.843 * números referente a 2010

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sobrEvivência Por ser referência emergencial, o pronto-socorro da Santa Casa de São Paulo é a porta de entrada para o hospital. Tendo sofrido um aumento de 30% no último ano, o local atende mais de mil pacientes por dia e, em meados de 2011, ameaçou fechar as portas, caso não recebesse mais recursos do governo. Com uma capacidade para 200 leitos, a unidade está sempre lotada e, em média, 60 a 80 macas são espalhadas a mais pela emergência diariamente. “Os doentes chegam e não temos lugar. Eles ficam em macas pelos corredores”, lamenta o superintendente. A partir de um orçamento de R$ 1,2 bilhão, os atendimentos voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS) - 95% do total - contabilizam um déficit de R$ 5 milhões por mês, segundo Forte. “Precisamos ter mais R$ 60 milhões por ano para o balanço zerar”, compartilha o executivo, que utiliza outros meios de financiamento para tentar amenizar o rombo da instituição. Os Santa Isabel I e II, únicos hospitais que atendem convênios médicos do grupo, foram construídos com recursos da entidade para justamente auxiliar no financiamento e fidelização dos médicos às unidades da Santa Casa. Além deste, a verba decorrente do aluguel de mais de 250 imóveis, de parcerias como a da Nota Fiscal Paulista, que resultou em R$ 6,5 milhões até o momento, são exemplos de outros subterfúgios para a arrecadação de dinheiro. Apesar das adversidades, o superintendente garante que a qualidade assistencial e os colaboradores não são impactados. “Nossos salários são de mercado. A Santa Casa tem um compromisso em mantê-los. Não deixamos que as dificuldades financeiras cheguem até o corpo funcional e nem no nível assistencial. Em nossas grandes crises não falta nada. O endividamento fica restrito aos bancos”, enfatiza.

Fotos: Ricardo Benichio

“O provedor é o responsável legal. O restante geralmente aparece uma vez por mês para acompanhar o planejamento estratégico”, explica Forte, que não descarta o caráter burocrático do organograma, que ainda segue o modelo de Portugal. Hoje, a entidade não possui nenhuma relação com a igreja católica, constituindo-se como uma instituição laica, filantrópica e privada. Além da diretoria executiva, espécie de conselho de acionistas, existem os cargos de coordenadores, divididas pelos tipos de gestão (OSS ou próprios), e a administração corporativa, em que cargos de diretoria centralizam a demanda de todas as unidades da Santa Casa: Diretoria Financeira, Recursos Humanos, Ensino Profissionalizante, Diretoria de Enfermagem, Assistência Farmacêutica, Engenharia e Operações, Tecnologia da Informação e Qualidade e Desenvolvimento Organizacional. “Os líderes corporativos cuidam para que a conduta médica seja igual em todas as unidades”, enfatiza Forte. A tecnologia da informação auxilia nesse objetivo, tanto é que os sistemas assistências, desenvolvidos internamente, e os de back office, contratados do mercado, são iguais para todos os empreendimentos hospitalares da Santa Casa. Forte antecipa que o prontuário eletrônico – presente apenas no Hospital particular Santa Isabel II -, deve ser implementado para todo o complexo nos próximos meses.

Antonio Carlos Forte, da santa Casa de são Paulo: “O problema não é de gestão. Fazer mais com menos, o Brasil faz. O problema está no acesso ao sistema”

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hospital

As unIdAdes de sAúde dA IrmAndAde dA sAntA CAsA de mIserICórdIA de são PAuLo • Irmandade da Santa CaSa de mISerICórdIa de São Paulo - ISCmSP • HoSPItal Santa ISabel - HSI • HoSPItal Santa ISabel II - HSI II • HoSPItal GerIátrICo e de ConValeSCenteS dom Pedro II - HGdPII • HoSPItal munICIPal São luIz GonzaGa - HmSlG • mICrorreGIão Jaçanã/tremembé - mrJt • Centro de atenção InteGrada à Saúde mental - CaISm Vm • HoSPItal Geral de GuarulHoS - orGanIzação SoCIal de Saúde “Prof. dr. Waldemar de CarValHo PInto fIlHo” • PolIClínICa marIa dIrCe - Pmd • PolIClínICa JardIm ParaíSo - PJP • unIdade de Pronto atendImento São João/laVraS “dr. JoSé SérGIo IGleSIaS” - uPa/SJ • ambulatórIo médICo de eSPeCIalIdadeS dr. Geraldo bourroul - aeGb • Centro de Saúde eSCola barra funda “dr. alexandre VranJaC” - CSebf • HoSPItal eStadual de franCISCo morato “Prof. CarloS da SIlVa laCaz” - Hefm • HoSPItal eStadual de franCo da roCHa - Hefr • Centro de atenção InteGrada à Saúde mental de franCo da roCHa - CaISm fr • Centro HoSPItalar do SIStema PenItenCIárIo - CHSP • Pronto-SoCorro munICIPal “21 de JunHo” - P. S. freGueSIa do ó • Pronto-SoCorro munICIPal “dr. álVaro dIno de almeIda” - P. S. barra funda • Pronto-SoCorro munICIPal “dr. lauro rIbaS braGa” - P. S. Santana • unIdade de enSIno ProfISSIonal - ueP • eSCola de enfermaGem • faCuldade de CIênCIaS médICaS da Santa CaSa de São Paulo - fCmSCSP

“não deIxAmos que As dIFICuLdAdes FInAnCeIrAs Cheguem Até o CorPo FunCIonAL e nem no níveL AssIstenCIAL. em nossAs grAndes CrIses não FALtA nAdA. o endIvIdAmento FICA restrIto Aos bAnCos”

saída O cenário crítico resvala em algumas soluções que estão por vir. Forte está esperançoso e leva em consideração a boa gestão do atual ministro Alexandre Padilha. No final do ano passado, o governou anunciou o programa SOS Emergência, com a finalidade de melhorar a gestão e qualificar o atendimento nos maiores prontos-socorros do País. Com a medida, Forte explica que o valor pago pelo leito do PS passará de R$ 480 para R$ 800 e pela Unidade de Terapia Intensiva, de R$ 150 para R$ 300. Outra proposta para regionalizar o atendimento e, assim, distribuir a demanda, recentemente aprovada, foi a construção de uma AMA/UPA (Atendimento Médico Ambulatorial/Unidade de Pronto Atendimento) na rua Marques de Itu, cujo terreno foi cedido pela Santa Casa. A unidade 24 horas terá a capacidade para atender mil doentes por dia. “Dessa forma, o PS será referenciado. O que não for resolvido lá vem para cá. Isso soluciona a porta de entrada”, explica. Para resolver a porta de saída, ou seja, os doentes

que ficam em macas por falta de vagas, a entidade está tentando alugar um hospital desativado na região – para que exerça o papel de uma retaguarda do PS. “Quando o doente estiver estável, mas ainda precisando de internação, será transferido para lá”, conta Forte, mantendo em sigilo o nome do hospital. Para o superintendente, a causa dos problemas por que todas as Santas Casas brasileiras estão enfrentando referem-se a uma só palavra: recurso. Com um déficit de R$ 5 bilhões, muitas dessas instituições seculares gritam por ajuda. As filas, a demora para o atendimento, a falta de infraestrutura dos hospitais, todos os entraves da saúde brasileira hoje, na opinião de Forte, perpassam pela falta de recursos, o que limita o acesso à assistência. “Esses hospitais de ensino têm uma importância muito grande para a medicina. Se estiverem “mal” acabam formando mal seus profissionais e isso vira uma bola de neve, afinal, os médicos dos hospitais cinco estrelas do País também são formados nessas instituições. O problema não é de gestão. Fazer mais com menos, o Brasil faz. O problema está no acesso ao sistema”.

sua opinião é muito importante // editorialsaude@itmidia.com.br twitter // @saude_web

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Saúde BuSineSS School Os melhOres cOnceitOs e práticas de g e s t ã O , a p l i c a d O s a O s e u h O s p i ta l

módulO 07

Prontuário ElEtrônico patrocínio:

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saúde business school

introdução depoiS do SuceSSo doS primeiroS Saúde BuSineSS School continuamoS com o projeto. eSte ano, falaremoS SoBre tecnoloGia da informação em Saúde na busca por auxiliar as instituições hospitalares em sua gestão, trouxemos no terceiro

na organização de seus departamentos de ti e na interação da

ano do projeto saúde Business school

área com os stakeholders.

o tema tecnologia da informação em

em cada edição da revista Fh, traremos um capítulo sobre o

saúde. ainda que exista literatura sobre

tema, escrito em parceria com médicos, professores, consultores

o tema, a nossa função aqui é construir

e instituições de ensino, no intuito de reunir o melhor conteúdo

um manual prático para a geração de um

para você.

ambiente de tecnologia hospitalar mais

Os capítulos, também estarão disponíveis para serem baixados

seguro, que auxilie e oriente às equipes

em nosso site: www.saudeweb.com.br

o projeto envolve oS SeGuinteS temaS: módulo 1 - infraestrutura de ti nos hospitais módulo 2 - O papel do ciO módulo 3 - governança de ti nos hospitais módulo 4 - erps módulo 5 - segurança dos dados módulo 6 - terceirização de ti em hospitais módulo7 - prontuário eletrônico módulo 8 - a integração entre engenharia clínica e ti módulo 9 - ris/ pacs módulo 10 - gestão dos indicadores módulo 11 - mobilidade nos hospitais módulo 12 - cloud computing

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prontuÁrio eletrÔnico luiS GuStavo GaSparini KiataKe e rafael Shoji

conceitoS Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) é o conjunto de informações de saúde, no formato digital, sobre uma pessoa. na denominação usual, o PEP também se refere ao sistema computacional que registra, recupera, manipula, armazena, processa ou comunica informações de saúde relativas a uma ou mais pessoas, em geral de uso interno a uma instituição de saúde. Segundo a resolução do conselho Federal de Medicina cFM 1638/2002, prontuário é o “documento único constituído de um conjunto de informações, sinais e imagens registradas, geradas a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada, de caráter legal, sigiloso e científico, que possibilita a comunicação entre membros da equipe multiprofissional e a continuidade da assistência prestada ao indivíduo.” Quando essa informação pode ser compartilhada, e utilizada inter e multi-instituições, dentro de uma região (município, estado ou país), ou ainda, entre um grupo de hospitais, evolui-se para um conceito ainda maior, que é o registro Eletrônico de Saúde (rES). o uso de sistemas de PEP/rES proporciona muitos benefícios para a assistência à saúde, tais como a maior disponibilidade e acesso mais amplo a informações de saúde, as quais estão mais atualizadas e legíveis; alertas em casos de inconsistências e interações medicamentosas, aumentando a segurança do paciente; possibilidade de comparar computacionalmente resultados de exames e a evolução do tratamento, auxiliando o diagnóstico e o plano assistencial; capacidade de rápido compartilhamento de informações, quando necessário; geração de relatórios e indicadores de gestão e assistenciais, tanto para fins epidemiológicos quanto estatísticos, colaborando para os processos de acreditação; e muitos outros. Além disso, a possibilidade de controle da segurança e auditoria é muito superior ao papel, resultando em maior privacidade a todos envolvidos. os sistemas computacionais em muito podem ajudar os profissionais em seus procedimentos clínicos. Ao mesmo tempo fazem um registro claro e preciso do ato clínico, impossibilitando alterações, e identificando univocamente o profissional, ficando a responsabilização mais evidente. Essa característica resulta em uma assistência mais atenciosa e consciente, consequentemente de melhor qualidade. como o objetivo do PEP é participar integralmente do processo assistencial, são usuários desses sistemas todos os profissionais de saúde envolvidos no

cuidado, assim como os profissionais administrativos de suporte, já que a assistência também tem um forte relacionamento com o faturamento, processo fundamental para a sustentabilidade das instituições. Funcionalidades e tecnologias do PeP Existem sistemas de PEP dedicados para especialidades médicas, assim como desenhados para diferentes tipos ou setores de instituições de saúde. como exemplo, é possível mencionar um sistema para consultório, outro para laboratório, outro para hospitais. nesse último caso, há uma diversidade de áreas, com necessidades distintas, e eventualmente sistemas igualmente distintos. nesse cenário, é possível mencionar as funcionalidades mais básicas, como prescrição, evolução, checagem de enfermagem; e outras mais específicas, como anestesiologia, farmácia, transplante, oncologia, banco de sangue etc. Além da área assistencial, mas não menos importante, tem-se as funcionalidades administrativas, incluindo rH, logística, faturamento, pagamento, qualidade, indicadores e outros, módulos usualmente chamados de Enterprise resource Planning (ErP). não há dúvidas da necessidade de comunicação entre as funcionalidades assistenciais e administrativas para uma gestão eficiente de um hospital, promovendo um atendimento clínico de alto nível, de forma eco-

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nomicamente viável. o padrão da troca de informações na Saúde Suplementar (tiSS) da Agência nacional de Saúde Suplementar (AnS) é um bom exemplo da integração das informações clínicas para a geração das guias de faturamento. Assim, está sendo cada vez mais importante questões de interoperabilidade, intra e inter sistemas, de forma que o acesso adequado às informações promovam a assistência longitudinal, ou seja, a continuidade do cuidado durante, idealmente, toda a vida do paciente. E esse é um dos maiores desafios tecnológicos atuais, já que o Brasil possui baixa cultura do uso de padrões para troca de informações em saúde, e em geral os pacientes passam por inúmeras instituições de saúde durante sua vida, deixando informações espalhadas e desconectadas. os consumidores de sistemas de PEP desempenham um papel importante nesse cenário, de forma a compreender a importância do uso de padrões de interoperabilidade e demandar que os mesmos estejam efetivamente implementados nos sistemas. os sistemas de PEP/rES podem ser baseados em diversas tecnologias, linguagens de programação, sistemas operacionais, base de dados, navegadores. Em termos de arquitetura, basicamente podem ser cliente-servidor, modelo que exige a instalação de um aplicativo executável em cada máquina cliente, ou baseados em navegadores (browsers), sendo a aplicação desenvolvida como um portal web. A pergunta natural que surge é: “qual é a melhor alternativa?” E a resposta adequada seria: “depende das características da empresa e do negócio específico”. olhando de uma forma mais ampla, considerando o comportamento histórico de como a tecnologia evolui e é implementada, percebe-se a coerência com o Hype cycle do Gartner, o qual indica que a tecnologia tem um estágio de lançamento, o de empolgação, o da desilusão, o do amadurecimento e finalmente o da maturidade. ou seja, é criado um assunto da moda, que demora um tempo para ser efetivamente utilizado em produção com sucesso, se é que se chega nesse estágio. inclui-se temas como downsizing, convergência, gerenciamento, software livre, camadas, grid, internet, web, mobilidade, webservices, cloud, consumerização.

Poucos refutam os benefícios do PEP e repositórios eletrônicos de saúde tem se popularizado em hospitais, laboratórios e clínicas, mas no contexto da figura ao lado para novas tecnologias, vale ressaltar quais seriam os riscos de desilusão com o PEP, ou mais precisamente, que tipo de riscos deve ser mitigado na escolha e implantação de software de PEP. Essa questão tem várias facetas, mas é possível ressaltar três pontos que podem trazer problemas. o primeiro risco diz respeito a mecanismos relativamente fracos de autenticação, em geral baseados em usuário e senha. Autorizações, reembolsos e outras informações administrativas são disponibilizados por muitos planos de saúde, mas o processo de autenticação é relativamente frágil, o que possibilita a fraude e a perda de privacidade e confidencialidade da informação de pacientes. Por outro lado, poucas dessas informações estão disponíveis para o paciente de forma confiável e o uso da assinatura digital, que traz integridade e segurança ao processo, é ainda algo em processo de disseminação e nem todos os sistemas de PEP incluem essa funcionalidade. outro risco, conforme sugerido acima, é que os repositórios de informação crescem exponencialmente e estão dispersos, sendo controlados por diferentes sistemas, o que é normal no contexto da saúde. o problema se torna importante, entretanto, quando existe a replicação de entrada de dados, que podem estar inconsistentes, reduzindo a confiabilidade da informação e dificultando seu acesso. O crescimento exponencial dos repositórios de informação e a consequente dificuldade de gerenciar esses dados é um dos grandes desafios atuais da computação. caso os prontuários eletrônicos não sejam implantados tendo-se em mente padrões de interoperabilidade, possibilidades de exportação e importação de dados, mineração e integração de informação, o risco é que não se tenha integridade e recuperação inteligente dos dados, o que compromete os benefícios prometidos pela implantação de um sistema de PEP. Do ponto de vista do PEP, outro risco é a diversidade de tecnologias que há atualmente no mercado. Só para ficar em uma das facetas dessa questão, recentemente havia a visão de que os sistemas precisavam ser web, com interface de acesso pelo navegador. Apesar de uma interface web prover uma relativa independência do sistema operacional, na prática, o foco era dado para a arquitetura dominante para os Pcs, a partir do internet Explorer e pelo Windows. os equipamentos móveis estão mudando essa visão, trazendo novos desafios. Nesses casos, é necessário desenhar um aplicativo específico para a plataforma daquele dispositivo. Lojas virtuais de aplicativos, agregado à complexidade do controle da segurança nos navegadores e ao mecanismo de promoção e comercialização, trouxeram de volta a cultura da instalação de aplicativos nos clientes, muito voltado para os dispositivos móveis, mas que também se expande para os desktops. Esse é um exemplo recente da transformação, ou evolução, da tecnologia. os desenvolvedores de sistema precisam também apostar e investir em algumas ideias e tecnologias, as quais nem sempre se consolidam, seja por força do mercado ou por decisões das empresas que as suportam. Assim, na escolha das soluções, é tão importante a confiança e a dinamicidade da empresa desenvolvedora quanto a arquitetura do sistema ofertado. o desenvolvimento interno da aplicação também é uma opção, mais comum em instituições de pesquisa e ensino, ou com atuação especializada. A maior dificuldade nesse caso é possuir e manter, continuamente e por um longo tempo, uma equipe com a qualificação adequada, assim como implementar as melhores práticas para o desenvolvimento de sistemas. não há dúvidas que a instituição pode ser grande conhecedora do negócio. contudo, pode ser interessante aceitar um sistema de mercado que resolva a maior parte dos processos, e trabalhar em parceria com o fornecedor para a evolução das funcionalidades específicas, contando que haverá atualizações de melhorias, muitas vezes identificadas por outros clientes.

FontE: GArtnEr

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infraeStrutura É importante relembrar que, para a aplicação proporcionar o desempenho esperado e adequado aos usuários, a infraestrutura precisa estar adequadamente dimensionada. os componentes mais básicos consistem nos servidores, como internet, de aplicação, base de dados e armazenamento (storage), assim como os elementos de rede, como switches, roteadores, cabeamento, links de comunicação. com vistas a manter a devida disponibilidade dos dados, é necessário prever redundância, que pode ser online, por meio de vários servidores ativos simultaneamente, situados em localidades afastadas fisicamente, ou offline, por meio de mídias de backups e servidores stand by. Outros elementos, voltados à segurança, como firewall, Intrusion Detection, sistemas anti-vírus, também devem estar presentes na arquitetura. tem crescido o uso de sistemas biométricos para a autenticação, assim como de certificação digital para assinatura, demandando sistemas específicos. A autenticação centralizada é algo bastante desejável, pois promove a mitigação do risco de descentralização acima citado. Alguns usos do PEP podem demandar outros tipos de infraestrutura, tais como redes sem fio e dispositivos móveis, como carrinhos, tablets e PDA (Personal Digital Assistant), para atendimento à beira de leito, centro cirúrgicos e locais onde a desinfecção dos materiais é necessária; equipamentos com rFiD (radio-frequency identification) e leitores do código de barras para identificação de pacientes, profissionais e equipamentos, assim como localização geográfica na instituição, dentre outros. Sistemas de gerenciamento eletrônico de documentos podem disponibilizar, por meio de scanners, as informações de prontuários em papel em formato digital. todos esses dispositivos, de alguma forma, interagem com o PEP e requerem integrações

pep Sem papel um dos pontos mais discutidos ultimamente são os hospitais sem papel, impulsionados pela demanda de projetos sustentáveis e pela redução de custos. E o PEP, apesar de não ser o único, é o principal ator nessa história. Para evitar a impressão em papel de um ato clínico é necessário que se utilize um PEP que integre as funcionalidades de verificação e assinatura digital, e que as assinaturas sejam geradas com uso de um certificado digital ICP-Brasil, produzindo um documento assinado com valor e eficácia legais. Para o reconhecimento desse documento como válido pelo conselho Federal de Medicina (cFM), adicionalmente é necessário que o sistema esteja em conformidade com os requisitos do manual de Certificação de Sistemas de registro Eletrônico de Saúde da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS). Há algumas dezenas de casos dessas implantações no Brasil e os resultados são bastante positivos, tanto por parte dos usuários, que aprovaram a substituição da assinatura manuscrita pela digital, quanto pelas instituições, que registraram efetiva redução de impressão e custos, e significativa melhora nos processos. Destaca-se que uma implantação de PEP sem uso da certificação digital, resulta em um aumento do uso de papel, já que todo ato clínico necessita ser impresso para registro da assinatura do profissional.

o uSo efetivo do pep o envolvimento da equipe assistencial para o uso efetivo do PEP é uma questão que não pode deixar de estar no planejamento. A começar pelo comprometimento da alta direção, uma equipe multidisciplinar precisará atuar na redefinição dos processos, no treinamento, na implantação e no suporte pós-implantação, com dedicação intensa nos primeiros dias de produção, mas que se mantenha acompanhando por alguns meses. Eliminar o problema dos usuários assim que identificados, preferencialmente mantendo pessoas de suporte próximas fisicamente, é um fator que pode contribuir para o sucesso do projeto, assim como o forte engajamento do time de enfermagem. A grade de treinamentos deve considerar horários e locais variados, assim como um programa de incentivo aos participantes.

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reGulamentaçõeS o cFM, por meio da resolução 1821/2007, estabeleceu que um sistema de PEP deve estar em conformidade com os requisitos do manual de Certificação de Sistema de Registro Eletrônico em Saúde da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde – SBIS, complementando que, se for a intenção eliminar o suporte em papel, que o PEP deva atender ao requisitos NGS-2. Dessa forma, é importante verificar se o PEP possui a certificação SBIS/CFM, e assim pleno atendimento à resolução. com a visão de elaborar um sistema de rES de âmbito nacional, dentre outros, o Ministério da Saúde constituiu o comitê de informação e informática em Saúde (ciinFo/MS), o qual tem discutido questões de arquitetura e de interoperabilidade. A proposta inicial é que o governo disponibilize um barramento de serviços eletrônicos em saúde, o qual deverá ser instanciado pelos sistemas de PEP, promovendo a troca de informações e serviços. todos esses esforços de regulamentação proporcionam ao mercado critérios confiáveis para avaliação da cadeia de software e hardware associada aos prontuários eletrônicos, além de normatizar uma padronização na forma de comunicação entre os sistemas, de forma a trazer os benefícios do PEP e tentar organizar a esperada descentralização das informações a partir da interoperabilidade.

referênciaS BiBlioGrÁficaS: resolução do conselho Federal de medicina – cFm cFm nº 1.638/2002, publicada no d.O.u. de 9 de agosto de 2002 (http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2002/1638_2002.htm) resolução do conselho Federal de medicina – cFm 1821/2007, publicada no d.O.u. de 23 nov. 2007 (http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2007/1821_2007.htm); manual de certificação de sistemas de registro eletrônico em saúde da sociedade Brasileira de informática em saúde (http://www.sbis.org.br) pOrtaria ministério da saúde nº 2.073, de 31 de agOstO de 2011 (http://bvsms.saude.gov. br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2073_31_08_2011.html) the hype-cycles (http://www.gartner.com/technology/research/methodologies/hype-cycle.jsp) transforme a informática na locomotiva do seu hospital, claudio giulliano alves da costa, anuário sindhosp 2011 (http://www.sindhosp.com.br)

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caSo de SuceSSo 100% diGital adOçãO dO prOntuáriO eletrônicO dO paciente permitiu aO institutO dO câncer de sãO paulO Otimizar suas Operações e gerar inFOrmações estratégicas paraas áreas administratiVa e clínica Guilherme Batimarchi – gbatimarchi@itmidia.com.br em fevereiro deste ano, o instituto do câncer do estado de são paulo Octávio

mais necessitadas. O próximo passo é cruzar essas informações clínicas com as

Frias de Oliveira (icesp), tornou-se o primeiro hospital público do país 100%

administrativas como: quantidade de consultórios utilizados, disponibilidade de

digital. um dos alicerces dessa base tecnológica é a utilização do prontuário

salas cirúrgicas e leitos disponíveis.”

eletrônico do paciente (pep). nele informações clínicas e administrativas são

as informações geradas a partir do pep poderão auxiliar até na construção de

geradas e gerenciadas de forma inteligente para que as operações do hospital

uma nova torre, uma vez que as necessidades do hospital já estão mapeadas. O

– que em 2011 foi responsável por 561 mil atendimentos – seja realizada da

executivo explica que com o sistema integrando as informações é possível criar

melhor forma possível, aproveitando ao máximo os recursos públicos destina-

um modelo virtual e simular a demanda desse novo prédio. “isso só é possível

dos à entidade.

graças à uniformidade de dados sob um único sistema.”

a adoção dessa tecnologia vai muito além de apenas a necessidade de concentrar

O icesp foi buscar seu prontuário eletrônico no mercado e optou pelo tasy, da

todas as informações do paciente em uma única base de dados. O diretor de ope-

multinacional holandesa philips. “O negócio principal do hospital é atender o

rações e tecnologia da informação, Kaio Jia Bin, explica que desde o início do

paciente, e não criar sistemas. se o hospital partir para o desenvolvimento de sis-

projeto, a arquitetura do hospital já contemplava a ti como um dos pilares para a

temas, chegará o momento em que a limitação de recursos fará com que a institui-

segurança do paciente. “um prontuário eletrônico completo é, além de uma fer-

ção escolha entre o desenvolvimento de software ou a compra de medicamentos”,

ramenta de gestão clínica do paciente, uma ferramenta administrativa e operacio-

avalia o executivo.

nal. Optamos por esta ferramenta também por ela estar totalmente integrada com

O diretor de operações e ti conta que o desenvolvimento do tasy pelo fornecedor

a operação do hospital”, acrescenta Bin.

ocorreu de forma gratuíta para o hospital. além da philips, outros parceiros tam-

como parte do hospital information system (his) do icesp, o prontuário eletrô-

bém participaram da implementação do pep no hospital: a certisign e e-val, na área

nico utilizado é capaz, por exemplo, de identificar todo o tipo de conduta médica

de certificação digital e a evolução, parceira da philips na implantação do tasy.

relacionada a um paciente, como a administração de medicamentos. “pelas infor-

além do suporte, a ti do icesp possui outro papel dentro da instituição, que é o

mações que estão no sistema, eu consigo saber qual medicamento foi solicitado

de analista de negócios. O objetivo desse profissional é discutir novos processos

por um médico, o horário em que deve ser dado, quem preparou e qual foi o

dentro da entidade, pois, segundo Bin, não há mudança de processos sem que

enfermeiro que administrou o medicamento”, exemplifica o diretor de operações

ocorra uma mudança de sistemas de informação no hospital. atualmente, embai-

e ti do icesp.

xo do guarda-chuva da ti estão a gestão de todas as recepções, ambulatórios e

de acordo com Bin, além dessa rastreabilidade aumentar a segurança do paciente,

leitos e salas cirúrgicas.

na esfera administrativa é possível ter o controle dos estoques do hospital, uma

atualmente, 1,6 mil estações de trabalho têm acesso ao tasy, e cerca de dois mil

vez que são inseridas nesse mesmo sistema todas as informações sobre os mate-

profissionais de saúde possuem a certificação digital para acessar esse sistema.

riais disponíveis no hospital. a consequência disso é a redução de desperdício e o

após a implementação do pep, 94% das cirurgias oncológicas canceladas com

controle sobre possíveis desvios de medicações de alto custo.

24h de antecedência são substituídas, fazendo com que os recursos alocados para

Outro motivo que levou a instituição a adotar a ferramenta foi a geração de infor-

os procedimentos cirúrgicos não sejam desperdiçados. “uma cirurgia cancelada

mações estratégicas para o planejamento do icesp. segundo Bin, devido ao mape-

significa que um grupo de médicos, enfermeiros, leito e sala cirúrgica ficarão

amento das necessidades dos novos pacientes atendidos na entidade, dentro de

ociosos por um determinado período, e o custo disso é muito alto para o hospital,

alguns meses, será possível suprir novas demandas por meio de recursos predeter-

aumentando também o tempo de espera por cirurgias de outros pacientes, que

minados. “esses dados farão com que direcionemos nossa atenção para as áreas

poderiam estar usando aquele espaço e tempo”.

SoBre o autor autoreS

luis Gustavo Gasparini Kiatake, diretor de relações institucionais da sBis e representante no cOpiss/ans, coordenador do grupo de segurança da comissão de informática em saúde da aBnt, diretor de marketing e Vendas da e-Val tecnologia, engenheiro e mestre pela pOli-usp. kiatake@evaltec.com.br rafael Shoji, diretor de pesquisa e desenvolvimento da e-Val tecnologia, Bacharel em computação pelo ime-usp, mestre pela puc-sp, phd pela universidade de hannover - alemanha. rafael@evaltec.com.br

aSSociação

a Sociedade Brasileira de informática em Saúde - SBiS tem como objetivo contribuir para transformar a saúde para melhor por meio do uso adequado e inovador da informática em saúde. www.sbis.org.br

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Saúde BuSineSS School

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GESTÃO

GOVERNANÇA CORPORATIVA: SENTIDO OBRIGATÓRIO PARA AS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE

H

GENÉSIO KORBES Sócio-diretor da Korbes Consulting Diretor-associado da NP Consulting

á muito tempo, me debruço sobre o tema das assim como são as contrapartidas de cunho social melhores práticas de gestão em serviços de saú- à isenção de impostos permitida pelo governo. de. Os leitores da revista FH, quero crer, têm Indo para o campo da prática, deixo aqui minha acompanhado diferentes debates em torno de um mes- contribuição no sentido de apresentar, resumidamo objetivo: a profissionalização, sustentabilidade mente, o “como fazer” da governança corporativa. e perenidade das organizações de nosso segmento. Receita que começa, obrigatoriamente, pela formaA recente conclusão do curso de Conselheiro de ção de um Conselho de Administração com pelo Administração pelo Instituto Brasileiro de Gover- menos um terço de conselheiros independentes e nança Corporativa (IBGC) só veio reforçar uma cer- remunerados para este fim. teza há muito por mim defendida, como pode ser Seguindo as diretrizes do IBGC, autoridade naconferido em artigos anteriores: o caminho para o cional neste assunto, será atribuição do Conselho sucesso das instituições, em especial as filantrópicas, de Administração discutir, aprovar e acompanhar: sem fins lucrativos, passa obrigatoriamente pela as políticas para atingir os fins; o orçamento e sua implantação da governança corporativa. execução; a gestão dos ativos; a direção estratégica; Para justificar minha afirmativa, gostaria de reto- a organização societária; a contratação, avaliação mar aqui uma questão fundamental que, certamente, e eventual demissão do diretor-executivo; a atuaflige grande parte dos dirigentes dos serviços de ação de auditorias independentes; a sucessão de saúde brasileiros: a eficácia dessas organizações é conselheiros; a sucessão de diretores-executivos; o mais prejudicada pela má gestão relacionamento com – todas – as ou pela deficiência de recursos? partes interessadas; e o controle Para muitos, seria o mesmo que dos limites de alçada. PARA MUITOS, SERIA O MESMO QUE perguntar: “quem veio primeiro Além disso, o Conselho de PERGUNTAR: “QUEM VEIO PRIMEIRO – O – o ovo ou a galinha?”. Administração deverá apoiar OVO OU A GALINHA?” Após refletir muito sobre o a gestão das atividades sociais assunto, e considerando que há pelo menos uma (todas as que foram relacionadas ao voluntariado e linha de financiamento “garantida” para essas ins- à política de sustentabilidade); dos riscos inerentes tituições através da Emenda Constitucional 29 – o à evolução do negócio; e das pessoas, através de Sistema Único de Saúde –, além das possibilida- políticas de desenvolvimento dos recursos humanos. des, cada vez mais numerosas, como o BNDES e Por fim, este mesmo conselho deverá prestar conos bancos privados, acredito que há, sim, recursos tas aos associados e/ou acionistas; ao Ministério financeiros, porém, mal ou subutilizados. Mas, sem Público; ao Ministério da Justiça; e aos Conselhos ter medo de soar redundante, afirmo: falta preparo Públicos. Bem como promover a avaliação anual dos dos gestores na aplicação das melhores práticas de conselheiros; do diretor-executivo; das auditorias ingestão desses recursos. dependentes; de consultorias específicas; e do próprio Daí a constatação da importância inestimável conselho (feita pelo presidente e pelos conselheiros). da governança corporativa para as instituições de Entendendo a importância do tema, voltarei saúde, por se tratar, ela mesma, de um conjunto de a abordá-lo oportunamente em outros artigos. boas práticas de gestão. Convido você, caro leitor, Lembrando, sempre, que o Conselho Admia contribuir para o debate sobre a necessidade de nistrativo não pode interferir na operação do adoção da governança nas entidades de saúde, em negócio, que é papel exclusivo da Diretoria. especial as filantrópicas. Mais do que uma neces- Ele está lá para auxiliar a instituição em seu sidade, a meu ver, esta deveria ser uma obrigação, direcionamento estratégico.

sua opinião é muito importante // editorialsaude@itmidia.com.br twitter // @saude_web

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SAÚDE CORPORATIVA

CARTEIRA DE TRABALHO NOME: .............................................................................. RG: .............................................. SEXO: ........................ NACIONALIDADE: .......................................................... ÚLTIMO EMPREGO: ....................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... DATA CONTRATAÇÃO: ...................................................

INFORMAÇÕES: .......................................................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... .......................................................................................... ..........................................................................................

g

aratir uma remuneração competitiva com o mercado, oferecer participação nos lucros e promover os funcionários a cada meta alcançada. Esta seria uma receita de sucesso se a administração de uma companhia se limitasse a um plano cartesiano, mas os gestores bem sabem: gerenciar pessoas não consiste apenas em uma designação de tarefas e recompensa pelo trabalho desempenhado. Assim como o emprego pode ser visto como a segunda casa, os funcionários acabam sendo a segunda família e necessitam de cuidados e valorização do bem-estar, para manterem as tarefas em execução. O problema é que, durante muito tempo, a preocupação

CONTRATANDO

SAÚDE itm idia .co m.b Cín thya Dávila • ci nthya. dav ila@

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durante muito tempo, a preocupação das empresas estava somente na obtenção de lucros, com a qualidade de vida dos colaboradores em segundo plano. a boa notícia é que a e necessidade de atenção à saúd é do colaborador, cada vez mais, s percebida por grandes empresa s brasileiras e internacionais. Essa corporações estão levantando a bandeira de que para se mostrar competitiva para a concorrência se deve-se cuidar também do que tem dentro de casa

das empresas estava somente na obtenção de lucros, com a qualidade de vida dos colaboradores como item secundário no planejamento estratégico. Essa falta de atenção não apenas com a saúde de quem trabalha na corporação, mas também com a maneira como as pessoas se relacionam resultou em estatísticas de baixa produtividade, insatisfação com o ambiente de trabalho, absenteísmo e demissões. A boa notícia é que essa necessidade cada vez mais é percebida por grandes empresas brasileiras e internacionais. Essas corporações estão levantando a bandeira de que para se mostrar competitiva para a concorrência deve-se cuidar também do que se tem dentro de casa.

Afilosofia de velar tanto pela qualidade de vida quanto estado de espírito dos trabalhadores é conhecida como Wellness e serviu como pano de fundo para os diálogos realizados no “Encontro de Saúde Corporativa”, que ocorreu em São Paulo, no dia 19 de junho. O CEO da Staywell, Paul Terry, conta que a promoção do binômio saúde e produtividade está atrelado à possibilidade de as pessoas serem fisicamente capazes de realizar suas funções, mas, para isso é preciso criar um ambiente correto. “Os indivíduos pensam saúde corporativa ligada apenas ao bem - estar físico, mas essa questão envolve também o clima organizacional. Tem a ver com o tipo de abordagem que os funcionários utilizam para se comunicar e a compreensão do

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significado de cada tarefa realizada”. Sem fazer menção a uma filosofia utópica, Terry afirma que é possível criar um ambiente de trabalho agradável para todos e chama atenção para o conceito de unicidade. “Para as pessoas se sentirem confortáveis, é necessário se sentir parte de um todo. Deve-se amar o campo de trabalho”. O sócio- consultor da Havik, Fernando Goes, conta que é determinante o tamanho do envolvimento quando se quer fazer uma transformação. “Essa mudança só ocorre quando os indivíduos se sentem parte de um mesmo princípio”. Quem emprega, cuida Uma pesquisa realizada pela consultoria alemã GFK, com o objetivo de analisar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, em níveis de stress, mostra os resultados do Brasil entre os piores na média do mundo. Entre os pontos abordados, o que mais chama atenção é o indicador de nível de mal estar no trabalho. Amédia do mundo mostra um índice de 40%. Já no Brasil esse resultado chega a 53%. No quesito pressão para realizar longas jornadas, a média global é de 31%, os trabalhadores brasileiros apresentam 42%. O diretor de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Luiz

“É necessário que as empresas olhem para o ambiente de trabalho de forma mais flexibilizada e que os departamentos de recursos humanos se comprometam em educar e promover uma mudança de cultura dentro das organizações”

Edmundo Preste Rosa, pontua alguns motivos que têm levado os trabalhadores a apresentarem tais características. “Nos últimos anos têm ocorrido uma venda intensa de automóveis, as pessoas estão demorando mais de uma hora para chegar ao trabalho e para voltar também. Estão ficando mais ansiosas e estressadas. É necessário que as empresas olhem para o ambiente de trabalho de forma mais flexibilizada e que os departamentos de Recursos Humanos se comprometam em educar e promover uma mudança de cultura dentro das organizações”. A Basf, empresa do segmento químico, tem como um dos seus princípios ter uma equipe apta para trabalhar e satisfeita com a sua rotina dentro da companhia. Para isso, investe em uma política de atração interessante, uma estrutura de trabalho agradável e líderes que saibam trabalhar dentro desta premissa. Dentro das concepções da empresa, o balanceamento das dinâmicas do dia a dia foi a estratégia escolhida para aliar mente e corpo saudáveis. Assim, a Basf desenvolveu a campanha “Vida em Equilíbrio”, para incentivar o colaborador a contribuir para o seu próprio bem-estar. “Nós valorizamos os funcionários que conseguem junto a sua liderança se organizar com as tarefas e suas necessidades pessoais”, afirma a médica do trabalho da empresa, Lorena Al-Hakim. Com 14 mil funcionários espalhados pelo mundo, Lorena conta que a estratégia de promoção de saúde da Basf é incentivar que as pessoas tenham qualidade de vida enquanto estão no período ativo, para que envelheçam com boa saúde. Isso porque além de o envelhecimento populacional ser uma realidade, estima-se que até 2020 a empresa tenha aproximadamente 2500 funcionários com mais de 65 anos. Diante disso, a Basf realiza palestras, dinâmicas, faz uso de material informativo e conversas periódicas para educar seus colaboradores a ter uma vida mais saudável. Mesmo com um índice de tabagismo baixo, a Dow Química tinha como meta combater e diminuir o vício entre os funcionários. Para alcançar essa meta criou, na sua unidade do Guarujá, a campanha “Eu Quero Parar” e convidou os colaboradores a participarem. “Se não quisessem eles não precisavam fazer parte, mas tivemos 100% de adesão, totalizando 26 pessoas”, afirma o médico do trabalho da Dow, Lucio Ribeiro. Com o grupo montado, a empresa se viu diante da necessidade de primeiramente diagnosticar os motivos que levavam os indivíduos a fumarem. Com o levantamento, a Dow concluiu que os principais fatores eram ansiedade e a dependência da nicotina. Tomando como base esses dados, foi decidido que as pessoas seriam divididas em dois grupos: um seria tratado apenas com terapia e o outro faria uso do medicamento Vareniclina usado no combate ao tabagismo. Ribeiro conta que os participantes foram divididos levan-

do em consideração as razões pelas quais cada um fazia uso do cigarro. O tratamento com medicamento teria duração de 12 semanas e acompanhamento psicológico durante 1 ano após o termino do tratamento. “Conseguimos alcançar o abandono do vício em 70% dos participantes e redução substancial de 100%. Pessoas que fumavam 20 cigarros por dia, diminuíram para 1”. Atuante no setor químico, a empresa faz uso da esfera a qual está inserida para exemplificar seu interesse em cuidar da sua força de trabalho com a filosofia corporativa: “Falta um componente na tabela periódica: o componente humano”, afirma Ribeiro. Se depender deles, não faltará mais. Já a Cia Vale do Rio Doce investe em um modelo para tratar de forma integrada os recursos pessoais de saúde, ambiente físico de trabalho e psicossocial. Por isso, a companhia vem trabalhando com o programa Saúde Integrada Vale, com o objetivo abordar essas questões nos pilares de saúde ocupacional, assistencial e saúde da comunidade. Entre as iniciativas elaboradas pela empresa, as mais importantes são cuidados com os dependentes, flexibilidade no trabalho, suporte financeiro, descanso remunerado e não remunerado, envolvimento com a comunidade, mudança da cultura organizacional, saúde e bem- estar. dificuldades no processo O gerente de saúde corporativa da empresa da Cia Vale do Rio Doce, Fernando Coelho Neto, afirma que um dos principais desafios no processo de promoção e prevenção de saúde é a mensuração de dados. Isso porque empresas de grande porte possuem diferentes formas de aplicação das iniciativas. Sendo assim, não há como estabelecer um número padrão para os resultados obtidos nas campanhas. Ribeiro aponta que o principal desafio pelo qual a Dow passou foi a quebra de paradigmas, uma vez que seria necessário lidar com um grupo resistente que já havia tentando parar de fumar anteriormente. No entanto, o executivo valoriza a criatividade e acreditar que tudo é possível como motivador. Além de vontade, para um projeto como esse prosperar, é preciso fazer investimentos. E, como se sabe, durante muito tempo as iniciativas relacionadas à saúde dentro das empresas foram vistas como algo supérfluo. Logo é possível que os gestores do departamento financeiro limitem o orçamento dos projetos. Para Rosa, da ABRH, esse posicionamento é um reflexo da percepção que ainda norteia algumas empresas que veem a saúde como benefício quando, na verdade, ela precisa ser encarada como um valor. Dados da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) mostram que os custos com planos de saúde empresarial são o segundo maior gasto na folha de pagamento. Os gestores que não quiserem continuar alimentando essa estatística devem mudar a maneira de pensar.

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saúde pública

Muito aléM

do verde Analice Bonatto - editorialsaude@itmidia.com.br

Apesar de ainda estar “engatinhando”, o papel da saúde ganha destaque na discussão sobre sustentabilidade

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Foto: Divulgação

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e por um lado as grandes obras como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a expansão da oferta de crédito, promovida pelo governo, - com o crescimento da economia brasileira em 40% entre 2004 e 2011 - colocam em pauta a expansão e o desenvolvimento de uma nação. Por outro, traz a questão dos modelos de produção, que ameaçam o equilíbrio do planeta. Diante deste cenário, o campo da saúde aparece como pré-requisito para o desenvolvimento sustentável, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O macro problema apontado por especialistas é o esgotamento dos recursos que a Terra tem para oferecer. “Todos os diagnósticos apontam para um padrão de consumo que gasta um planeta e meio, ou seja, não conseguimos repor em termos de recursos naturais o consumo. Outra questão é a desigualdade social. Estudos demonstram que se a população mundial adotasse o padrão de consumo dos Estados Unidos, precisaríamos hoje de cinco Terras. Este modelo põe em risco a atual e as futuras gerações”, avalia diretor do Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes) e pesquisador da Fiocruz, José Noronha. Estes processos impactam diretamente a saúde, por isso o tema vem ganhando visibilidade. Recentemente foi destaque no documento “O Futuro que Queremos” - texto final da conferência sobre desenvolvimento sustentável da ONU (Rio+20). Segundo o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, apesar de o texto ficar aquém das expectativas, a questão da saúde ganhou oito parágrafos no documento. “Pensar a sustentabilidade ambiental sem pensar a saúde é inaceitável, na medida em que a saúde é um dos maiores indicadores do processo de degradação ambiental”, afirma Gadelha. O presidente destaca a importância do complexo econômico industrial da saúde no Brasil, que movimenta cerca de 8% do PIB por meio de várias áreas. Entre elas, a área da indústria farmacêutica, que pode gerar inúmeros processos de contaminação. Evidencia também a área de serviços que vai da

José Noronha, da Fiocruz: “Quando aumentamos a capacidade de ofertar mais serviços hospitalares, cresce a produção de lixo hospitalar processado e tratado”

construção sustentável ao tratamento do resíduo hospitalar, como o descarte correto de antibióticos, desinfetantes e produtos químicos usados com grande intensidade dentro dos hospitais. “Este complexo precisa ser pensado como uma das dimensões da dinâmica econômica de desenvolvimento, uma vez que pode caminhar no sentido amigável do ponto de vista ambiental e social ou ser mais um contribuinte para o processo de agravamento deste quadro.” O papel da saúde também foi discutido durante a Conferência Mundial Sobre Determinantes Sociais, realizada no Rio de Janeiro, no final de 2011. “O sistema foi colocado como parte central dos determinantes sociais pelo seu impacto sobre a forma como se produz saúde ou doença e também pelo impacto na maneira como se produz sustentabilidade.” Ainda assim, segundo ele, a forma do sistema de saúde tratar a questão ambiental ainda está ‘engatinhando’. “Os profissionais de saúde e as políticas ainda estão aquém de eleger para o centro da sua reflexão e resposta a questão ambiental como prioritária.”

Lixo hospitaLar Apesar dos avanços, alguns problemas antigos ainda persistem no Brasil, como o esgoto e os resíduos sólidos que podem provocar uma série de enfermidades. “É uma situação paradoxal, pois estas questões se agravam com o progresso. Quando aumentamos a capacidade de ofertar mais serviços hospitalares, cresce a produção de lixo hospitalar processado e tratado. Assim, o próprio setor de saúde contribui para a degradação ambiental quando não consegue vencer o tratamento e destino adequado do lixo hospitalar”, ressalta Noronha. Outra questão atual é a importação de lixo. Em maio, a alfândega da Receita Federal no porto de Itajaí (SC) reteve um contêiner com 20 toneladas de lixo hospitalar espanhol. Em 2011, no porto de Suape (PE), dois contêineres vindos dos Estados Unidos também foram barrados. Durante a Rio +20 foi citado, por exemplo, o caso do acidente radioativo com o Césio- 137, em Goiânia, em 1987. “É preciso analisar qual será o destino desses resíduos radioativos”, ressalta Noronha. Outro problema em voga , que impacta a saúde por meio da contaminação de

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rios, refere-se à produção das indústrias químicas, siderúrgicas, mineradoras. A utilização de forma imprópria de agrotóxicos na produção de alimentos também contribui para a presença de toxinas na água das cidades. Além disso, trabalhadores são intoxicados durante sua manipulação. Educação Segundo diretor de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), Luiz Edmundo Prestes Rosa, a saúde sempre foi tratada do ponto de vista curativo, ou seja, como uma maneira de acolher quem está doente. “A estrutura de acolhimento é muito antiga na história da humanidade, mas sempre foi uma ação reativa após a doença estar instalada”. Segundo ele, o ser humano ainda não olha para a saúde de uma forma preventiva, porque o conceito era o atendimento a alguém com uma necessidade. Embora esta ideia tenha evoluído muito, ainda é predominante no modelo vigente. Assim, o diretor destaca que os ambientes hospitalares também poderiam ser locais para se trabalhar o conhecimento sobre a própria saúde. Muitos dos problemas atuais, como o número crescente de pessoas com obesidade mórbida (com 45 quilos ou mais acima do peso normal) poderiam ser abordados pela instituição hospitalar. “Todos são

hospitalares mais acolhedores e outras questões a respeito da saúde e meio ambiente. Os ingleses queriam saber mais sobre hospitais públicos brasileiros que conseguiram, em 2011, uma verificação da Global Reporting Initiative (GRI). A entidade, com sede em Amsterdã, desenvolve diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade. Henriques conta que o National Health Service (NHS) - sistema público de saúde do Reino Unido -, possui uma área de sustentabilidade. Para se ter uma ideia, quase todos os hospitais sabem sua emissão de carbono e, claro, trabalham para reduzir ou neutralizar essas emissões. No entanto, começaram a pensar nos relatórios de sustentabilidade agora. “Eles gostaram da nossa experiência e nos convidaram para viver um pouco a deles”, conta Henriques, que é sócio-diretor da consultoria Lanakaná e membro da GRI. Durante a visita, os executivos puderam observar como o sistema de saúde inglês lida com as questões econômicas, ambientais e sociais do desenvolvimento sustentável. Como aqui, lá também precisam resolver problemas como os custos do sistema de saúde. “Por exemplo, com o aumento do número de idosos no país, cresce o número de atendimentos, mas há pouco investimento do poder público e de outros parceiros. “Por isso, há necessidade de se buscar a sustentabilidade em diversas áreas. Entre as tendências, estão as construções sustentáveis , que já são realidade por lá. “Hoje todos os hospitais novos no Reino Unido têm a certificação de construção sustentável.” O grupo também viu de perto hospitais que adotaram práticas “verdes”, como a eficiência energética. Além disso, para melhorar a saúde, os hospitais estão criando ambientes mais acolhedores para a família e o paciente. Outra tendência forte é o chamado co-design, em que o hospital procura melhorar e entender os serviços a partir da perspectiva do paciente. “Tudo isto traz algo que é intangível: o ganho de imagem. Olhar não apenas para o cliente, mas também para o fornecedor, sindicatos e governo é outro exemplo que tem reforçado o desenvolvimento sustentável britânico. ”Após a viagem, há uma discussão junto à Fundação Dom Cabral que se disponibilizou a criar um centro de estudo sobre o impacto da sustentabilidade na saúde, primeiramente com as entidades que participaram da missão.

“PeNSar a SuSteNtabilidade ambieNtal Sem PeNSar a Saúde é iNaceitável, Na medida em que a Saúde é um doS maioreS iNdicadoreS do ProceSSo de degradação ambieNtal” PAUlO GADElHA, fiOCRUz responsáveis pela própria saúde, mas não é possível assumir responsabilidade por algo que não se conhece”, ressalta ele. sustEntabiLidadE hospitaLar Em fevereiro deste ano o consultor Rodrigo Henriques foi ao Reino Unido com representantes de empresas brasileiras para discutir os desafios do desenvolvimento sustentável na saúde. Durante uma semana, o grupo formado pelas instituições Lanakaná, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Israelita Albert Einstein, Pró-Saúde, Fundação Dom Cabral e Projeto Hospitais Sustentáveis conheceram hospitais públicos ingleses e conversaram sobre custos do sistema de saúde, construções sustentáveis, ambientes

PráticaS e ProJetoS iNovadoreS Durante a Rio+20, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP anunciou a Pós-Graduação em Sustentabilidade, o primeiro programa stricto sensu do gênero no Brasil. Entre os professores do curso está o pesquisador médico Paulo Saldiva, que coordena a maior parte dos estudos de poluição do ar na cidade de São Paulo e os seus impactos na saúde. O EACH também conseguiu apoio da reitoria para montar um laboratório de sustentabilidade direcionado para o ensino da graduação. A proposta é analisar o entorno e assim buscar desenvolver a curiosidade, a inovação e preparar o aluno para uma formação mais eclética. “A ideia é por meio da experimentação em laboratório trazer soluções para o mundo real principalmente das grandes cidades”, explica o coordenador do curso, Marcelo Antunes Nolasco. O laboratório não só atenderá os cursos da área ambiental, mas também os de obstetrícia, gerontologia, ciências da atividade física que podem estudar através do olhar de suas áreas o problema da poluição, por exemplo. “Assim, a obstetrícia vai olhar para os processos que se desenvolve durante a gravidez. No curso de gerontologia qual é o impacto da poluição na saúde do idoso e no curso de ciências da atividade física de que forma a capacidade pulmonar de crianças é afetado pela poluição do ar de SP”. O coordenador espera que a partir de setembro iniciem a compra dos materiais, dos equipamentos e montem a infraestrutura do laboratório. E até o final deste ano já conseguirão rodar o laboratório coletando os primeiros dados.

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A IT Mídia é uma adolescente! Quinze anos nos ajudando a encontrar caminhos promovendo a arte do encontro! Meu desejo neste simbólico momento de seu crescimento é que continue contribuindo para a construção de um mundo melhor através da disseminação/inseminação/fertilização de nossos sonhos e visões de um futuro que merecemos se o construirmos! Parabéns – CONSTRUTORES!! Gonzalo Vecina Superintendente Corporativo do Hospital Sírio Libanês Professor da Faculdade de Saúde Pública da USP

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IT Mídia, parabéns pelos 15 anos conectando pessoas e empresas e incentivando o desenvolvimento e sucesso dos clientes, com paixão pelo resultado, integridade e responsabilidade. Por meio dos eventos, publicações e ações organizados pelo grupo, vocês fazem a diferença no mercado brasileiro, inspirando os líderes da indústria e contribuindo para a prosperidade das empresas! Raymundo Peixoto Diretor Geral Dell

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medicina diagnóstica

Por uma fração

do mercado Maria Carolina Buriti • mburiti@itmidia.com.br Cínthya Dávila • cinthya.davila@itmidia.com.br

No iNtuito de mudar a visão de que a radiologia brasileira se limita ao eixo rio-são Paulo, o laboratório imeb, de brasília, quer se torNar referêNcia iNterNacioNal no setor. Para isso veM iNvestiNdo em aquisição de equiPameNtos, Novas uNidades, amPliação de exPertise, Para mostrar que a cidade também tem qualidade a oferecer

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e nos anos 80, o rock dominava a preferência musical de quem morava em Brasília, no setor da saúde, a endocrinologia era o mainstream. No intuito de disponibilizar um serviço para suprir essa demanda, dois endocrinologistas e um especialista em medicina nuclear fundaram, em 1988, o Instituto de Medicina Nuclear e Endocrinologia (IMEB). Com o passar do tempo, o empreendimento ganhou maior visibilidade na região e mais quatro unidades. No entanto, assim como um bom arranjo musical não se limita a três acordes, o segmento laboratorial não está restrito a uma especialidade. Essa foi a constatação necessária para a instituição estender seu escopo de expertise. “Há três anos, passamos a atender também a área de radiologia e diagnóstico de mama. Decidimos expandir porque vimos esta área carente em Brasília”, afirma o diretor e fundador da instituição, Alaor Barra Sobrinho. O executivo conta que, diante da nova modalidade de serviço, foi decidido manter a marca IMEB, mas mudar o nome do laboratório para Imagens Médicas de Brasília, trabalhando assim com medicina nuclear, radiologia e diagnóstico de mama. A marca é composta por cinco unidades distribuídas pelo Distrito Federal. São 400 mil pacientes atendidos mensalmente por cerca de 180 funcionários e 50 prestadores de serviço. No último ano, o laboratório teve um faturamento bruto de R$33 milhões. Neste ano, o executivo almeja os R$40 milhões. “De 2011 para este ano, tivemos uma alta no faturamento de 15%. Em relação ao primeiro semestre do ano passado, já

aumentamos 29%. Esse ritmo está acima das nossas expectativas”. O motivo do crescimento, segundo o executivo, se dá pelas melhorias realizadas na área administrativa da instituição, como participação nos lucros, auxílio educação e investimentos em capacitação dos funcionários. Meio conservador, Meio revolucionário Aos 59 anos, Sobrinho, se considera um executivo conservador. “Sou bairrista, não tenho, por enquanto, a pretensão de levar o laboratório para outros estados. Preferimos esgotar nossa atuação aqui”. Ainda que se considere uma pessoa ortodoxa, Sobrinho tem ideais revolucionárias. Ele conta que se mudou com a família para Brasília quando ainda era pequeno e sempre teve um questionamento do por quê que os brasilienses não poderiam ter uma cidade como São Paulo. “Sempre ouvi falar muitas coisas relacionadas à radiologia de São Paulo, mas aqui em Brasília quase nada. Escutava que o melhor médico de Brasília era a ponte área, eu não aceito isso”. Inconformado com tais fatos, o fundador do IMEB resolveu perseguir a meta de transformar o laboratório em uma referência internacional. Como parte disso, decidiu investir em equipamentos e adquiriu recentemente duas novas tecnologias: a cintilografia mamária de alta resolução e a mamografia com contraste. Ambos os equipamentos são fabricados pela GE Healthcare. Com a compra, a clínica passa a ser o primeiro lugar do mundo a ter instalado para fins comerciais o equipamento de imagem molecular Discovery NM 750b (cintilografia mamária de alta resolução), antes disso, ele funcionava como protótipo

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saúde pública Focando sua atuação no atendimento de pacientes particulares e planos de saúde, o laboratório possui convênio com operadoras como Cassi, Amil e SulAmérica. Além disso, atende também medicina de grupo, convênios de autogestão e estatais. No entanto, a instituição não atende o setor público. Ainda que tenha uma capacidade instalada que permite oferecer exames ao Sistema Único de Saúde (SUS). Sobrinho conta que há mais de um ano entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal, mas não obteve retorno. “Temos interesse em trabalhar junto ao setor público, pela tabela do SUS, mas não recebemos nenhuma informação sobre esse pedido”. Para driblar a situação, Sobrinho aproveitou o investimento nos novos equipamentos para fazer uma espécie de mutirão do diagnóstico. A campanha “ A fila anda- Imeb”, é um acordo com sistema público da região, onde a cada três meses são resgatadas dez pacientes da fila do SUS, onde aguardam para fazer a mamografia, que são encaminhadas para realização dos exames nos novos aparelhos. planejando o futuro A inauguração de uma unidade direcionada unicamente a realização de exames de PET - CT é uma das pretensões do laboratório. Estima-se que esse prédio será inaugurado entre dezembro deste ano e o próximo trimestre de 2013. Expandir a atuação em oncologia, doenças cárdicas e mama, fora do eixo Rio-São Paulo, também está no planejamento estratégico da instituição. Bem como a obtenção do selo ONA II. “Em outubro vamos ser submetidos a avaliação da empresa certificadora. Além disso, possuímos a IS0 9001”. Por último, como um bom “garoto de Brasília”, Sobrinho gostaria que as pessoas conhecessem a realidade do local. “A gente precisa mostrar que Brasília não tem só político corrupto”.

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Foto: Divulgação

Alaor Sobrinho, do Imeb: “escutava que o melhor médico de Brasília era a ponte área. eu não aceito isso”

na Mayo Clinic, nos Estados Unidos, onde foi testado por seis anos. Já o equipamento para mamografia com contraste, o Seno Bryght, está presente em países como Japão, Áustria e França, mas é a primeira vez que o aparelho é instalado no continente americano. Ele é utilizado com apoio de contraste semelhante aos aplicados em exames de tomografia. Seu uso é feito como exame complementar à mamografia tradicional, pois com o uso do contraste é possível ter mais informações sobre a presença de lesões. O objetivo do equipamento é trazer mais conforto do que os mamógrafos tradicionais e privilegiar as mulheres com tecido mamário mais denso, ou seja, àquelas que são menos suscetíveis de se beneficiar da mamografia convencional. O fundador do Imeb conta que trata-se de um avanço rumo à personalização do tratamento. Ele explica que um terço das mulheres com mais de 50 anos tem a mama densa (característica que dificulta o diagnóstico do câncer de mama). “A mamografia não é tão eficiente em mulheres com mama densa. Nos Estados Unidos há até uma associação de mulheres com esse perfil que reivindicam outros exames para o diagnóstico”, conta. De acordo com o gerente geral de Imagem Molecular da GE Healthcare para América Latina, Eudemberg Silva, a aprovação do Discovery NM 750b pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorreu em seis meses. “Submetemos ao FDA e à Anvisa ao mesmo tempo. E colocamos a importância do Brasil ser o pioneiro”, explica, acrescentando que Rio de Janeiro e São Paulo devem receber os equipamentos entre seis e oito meses. Silva afirma que cada aparelho tem custo médio de US$ 480 mil, mas quando se soma impostos, frete e outros gastos, esse valor salta para US$ 800 mil.

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tecnologia

PÉ NO PRESENTE,

DE OLHO NO FUTURO *Cylene Souza • cylene.souza@itmidia.com.br

O CIO do setor de saúde vive hoje um paradoxo: como ser um visionário e implementador de novas tecnologias e ainda gerir sistemas e operações que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, e que nunca podem parar?

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stabelecida há menos de 30 anos, a função de Chief Information Officer (CIO), ou o principal executivo de TI de uma empresa, ainda está se desenvolvendo. Os antigos gerentes de processamento de dados e de sistemas de informação passaram a ser membros das diretorias executivas e assumiram papéis cada vez mais importantes nos negócios, incluindo as instituições de saúde. A visibilidade destes profissionais aumentou à medida que TI passou a ser ferramenta fundamental tanto para garantir a segurança dos pacientes como a saúde dos negócios. A adoção do prontuário eletrônico é um exemplo típico de tecnologia que tornou o papel do CIO mais crítico entre os líderes das organizações. Este novo papel demandou também novos conhecimentos e habi-

lidades. Para ser o líder desejado pelas empresas de saúde, o CIO precisou passar de técnico para estratégico e desenvolver habilidades como bom relacionamento interpessoal e gestão de relacionamentos, já que agora se relaciona constantemente com executivos das áreas administrativa e clínica e tem como responsabilidades garantir que a TI esteja alinhada ao planejamento estratégico da empresa e que o investimento em tecnologia traga rápidos retornos financeiros. O CIO, enfim, deve liderar as transformações em larga escala no que se refere à tecnologia, já que as maiores tendências disruptivas têm passado pela TI, como: mobilidade, cloud computing, big data e redes sociais. “O CIO de saúde precisa ter um pensamento estratégico, holístico e de longo prazo, excelente relacionamento interpessoal e capacidade de aprender rápido, incluindo a habilidade de liderar e executar bem projetos que ainda não vivenciou. Cada vez mais o foco em resultados norteia as relações em saúde. O gestor de TI precisa vender ideias, saber como propor conceitos abrangentes”, sintetiza o sócio-diretor sênior responsável pela área de Ciências da Vida e Saúde da Korn/Ferry, Rodrigo Araújo. E além de tudo isso, o profissional de TI vê surgir um novo cargo dentro das instituições de saúde: O CMIO (Chief Medical Information Officer). Esta posição será ocupada por ele, por um par ou este novo executivo será seu superior? “O CMIO tem de ser médico?”, questiona o diretor técnico do

“AINDA VIVEMOS UM CONFLITO PARA SABER ONDE COMEÇA E ONDE TERMINA A ÁREA DE TI. ESTES PONTOS DE SOBREPOSIÇÃO LEVAM A UMA INTERAÇÃO NEBULOSA ENTRE AS ÁREAS. PRECISAMOS ENTRAR EM HARMONIA, PORQUE MUITAS VEZES ENTRAMOS EM QUESTÕES QUE NÃO SÃO NOSSAS E NÃO CONSEGUIMOS RESOLVÊ-LAS. O PAPEL DE TI É IMPORTANTE, MAS NÃO DOMINANTE” ANDRÉ LUIZ ALMEIDA,  SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO

O QUE O MERCADO ESPERA DE UM CIO • FORMAÇÃO EM ENGENHARIA, SISTEMAS DE INFORMAÇÃO OU CIÊNCIAS DA COMPUTAÇÃO • INGLÊS FLUENTE • MBA É CONSIDERADO UM DIFERENCIAL • EXPERIÊNCIA EM DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE, HARDWARE, INFRAESTRUTURA, TELECOMUNICAÇÕES, ARQUITETURA DE DADOS E GESTÃO DE PROJETOS • HABILIDADE PARA SER PARCEIRO DE NEGÓCIOS, LIDERAR PROJETOS, ANTECIPAR DEMANDAS, NEGOCIAS E INFLUENCIAR • GERIR O ORÇAMENTO • TER BOM TRÂNSITO EM TODAS AS ÁREAS DA ORGANIZAÇÃO FoNte: KorN/FerrY

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UM PROFISSIONAL PARA CADA TIPO DE ORGANIZAÇÃO ORGANIZAÇÃO MATRICIAIS E MULTINACIONAIS – OPERADOR CORPORATIVO

START UP – CONSTRUTOR PRAGMÁTICO CRIAR O NOVO MANTER O FOCO ENTENDER O NEGÓCIO LIDAR COM PROBLEMAS FOCO EM FINANÇAS HABILIDADE PARA RELACIONAR-SE GESTÃO DOS PROCESSOS DE TRABALHO

COMPANHIA NACIONAL EM TRANSFORMAÇÃO – CATALISADOR DA EVOLUÇÃO

ENTENDER O NEGÓCIO GERIR RELACIONAMENTOS DIVERSOS EXPERIÊNCIA EM NÍVEL ORGANIZAÇÕES COMUNICAÇÃO EFETIVA SUPERAR EXPECTATIVAS CONSEGUIR QUE O TRABALHO SEJA FEITO COM A COLABORAÇÃO DE OUTRAS PESSOAS FOCO EM FINANÇAS

INSPIRAR PESSOAS GERIR OS PROCESSOS DE TRABALHO TOMAR DECISÕES COMPLEXAS CRIAR O NOVO E DIFERENTE DEMONSTRAR FLEXIBILIDADE SER ORGANIZADO SABER DAR MÁS NOTÍCIAS

FoNte: KorN/FerrY

QUE TIPO DE CIO VOCÊ É? LÍDER DA FUNÇÃO GESTÃO DE OPERAÇÕES GESTÃO DE SEGURANÇA MELHORIA DO DESEMPENHO DOS SISTEMAS GESTÃO DE CRISES

AGENTE DE MUDANÇA REDESENHO DE PROCESSOS DE NEGÓCIOS LIDERANÇA DOS ESFORÇOS PARA MUDANÇA ALINHAMENTO DA TI À ESTRATÉGIA CORPORATIVA RELACIONAMENTO COM C-LEVEL (DIRETORIA)

ESTRATEGISTA DE NEGÓCIOS DESENVOLVIMENTO / REFINAMENTO DAS ESTRATÉGIAS DE NEGÓCIOS ENTENDIMENTO DAS TENDÊNCIAS DE MERCADO DESENVOLVIMENTO DAS IDEIAS DE CLIENTES EXTERNOS DESENVOLVIMENTO DA INOVAÇÃO IDENTIFICAÇÃO DE OPORTUNIDADES PARA DIFERENCIAIS COMPETITIVOS

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departamento de saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, André Luiz Almeida. “Ainda vivemos um conflito para saber onde começa e onde termina a área de TI. Estes pontos de sobreposição levam a uma interação nebulosa entre as áreas. Precisamos entrar em harmonia, porque muitas vezes entramos em questões que não são nossas e não conseguimos resolvê-las. O papel de TI é importante, mas não dominante. O impacto e a mudança ainda precisam ser percebidos pela alta direção”, opina. Para Araújo, o CMIO não seria um real agente de mudança, mas ajudaria com fluxos de trabalho, processos e comportamento. “Muitos hospitais

ainda não têm o perfil do cargo de CIO como deveria ser. Quem lidera a informação médica muitas vezes está separado da TI. O executivo de TI precisa entender e antecipar tendências, e não ser apenas seguidor. Qualquer que seja o contexto de negócios é necessário não saber só de tecnologia, mas também de estratégia e criar alicerces para as soluções, para que elas não sejam apenas paliativas. Não se resolvem problemas estruturais com ações de conjuntura.” EQUILIBRANDO PRATOS Uma imagem que vem comumente à cabeça dos CIOs quando levados à refletir sobre seu cargo

é o de equilibrista: é preciso pensar estrategicamente e apontar tendências, mas também ter senso de urgência e foco na operação, para que as instituições de saúde possam rodar de acordo com sua demanda, 24 horas por dia, sete dias por semana, sem que falhas de TI prejudiquem o atendimento. Além disso, é preciso adequar as expectativas ao perfil dos negócios de saúde, muitas vezes ainda imaturos no que se refere a processos e gestão. “Precisamos ter um perfil mais estratégico e inovador, mas muitos de nós ainda estamos implantando ERP, que é uma coisa dos anos 1990”, compara o gestor de TI e Facilities do Hospital

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Sabará, Milton Alves. Almeida, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, corrobora. “Temos problemas de processos, mas acabamos trocando os sistemas de gestão em busca de soluções.” O diretor administrativo da Cabesp, Sérgio Kiyoshi Hirata, aponta também dificuldades em fazer com que as informações geradas pelos sistemas apóiem, de fato, a tomada de decisão. “Hoje os bancos têm sistemas maravilhosos: é só apertar um botão e toda a informação aparece. E nós, que trabalhamos até com um perfil parecido, já que ambas as instituições lidam com dados confidenciais, ainda temos dificuldades em saber como investir em tecnologia e estimar o retorno sobre o investimento. Precisamos juntar as informações que realmente nos levem à tomada de decisão”. Os desafios são muitos e os cenários de futuro mostram que os CIOs deverão ter a habilidade de equilibrar ainda mais pratos, mas isso também pode ter um lado positivo. O acúmulo de funções pode levá-los a ter uma visão mais completa e geral das instituições em que trabalham, aprimorando suas funções de estrategistas de negócios e tornando seu papel mais relevante nas organizações. Foi o que aconteceu no Hospital Sabará, em São Paulo. Ao propor o projeto Single Point of Contact (Spoc – na sigla em inglês, Ponto Único de Contato), o diretor de TI acabou acumulando todas as áreas de apoio da instituição (facilities). “Com o novo organograma por processos, fiquei com áreas como segurança, cafeteria, recepção, engenharia, etc. As áreas que eram clientes internas da TI agora são colaboradoras”, lembra Milton Alves. As novas atribuições mudaram a visão do gestor no que diz respeito ao relacionamento com outras áreas. “A TI muitas vezes fica com a percepção de que o usuário está sempre errado e, na realidade, não é assim. O CIO fica ansioso, acha que sabe mais do que o profissional da área de negócios, mas quando passa a viver o dia a dia das áreas, consegue fazer sugestões melhores e buscar mais

Fotos: Roger Soares

tecnologia

Milton Alves, do Hospital Sabará: Papel da TI precisa ser revisto

Rodrigo Araújo, da Korn/ Ferry: “Muitos hospitais ainda não têm o perfil do cargo de CIO como deveria ser

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AS TRÊS ONDAS DE TI 1 HORIZONTES

CRESCIMENTO DAS ATIVIDADES DE TI NAS ORGANIZAÇÕES, IMPLEMENTAÇÃO DE ERP

2 TERCEIRIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES, FOCO EM ASSUNTOS ESTRATÉGICOS

3 DOMINÂNCIA DE CLOUD COMPUTING E COLABORAÇÃO

HIPÓTESES E DESENVOLVIMENTO

PROFISSIONAL TÍPICO

CIO COM CONTROLE ABRANGENTE DE TODAS AS ATIVIDADES DE TI

PRINCIPAIS DESAFIOS

RÁPIDO CRESCIMENTO DA EQUIPE E DA INFRAESTRUTURA DIVERSIFICAÇÃO E EXPANSÃO DOS SISTEMAS

COMPETÊNCIAS-CHAVE

HABILIDADE DE CONSTRUIR E ENTREGAR

PROFISSIONAL CORPORATIVO, FOCADO EM ESTRATÉGIA PROFISSIONAL DE SERVIÇOS, FOCADO NO ATENDIMENTO AO CLIENTE

AGENTE DE MUDANÇA

BUSCA POR EFICIÊNCIA OPERACIONAL E POR DIFERENCIAIS COMPETITIVOS

PROVOCAR MUDANÇAS RADICAIS NA FORMA QUE SE FAZEM NEGÓCIOS

INTEGRAÇÃO DOS NEGÓCIOS

TRAZER E GERIR EVOLUÇÕES DISRUPTIVAS GERIR CRISES

FOCO NO CLIENTE

FoNte: KorN/FerrY

Sérgio Hirata, Cabesp: dificuldade em reunir informações para a tomada de decisão

oportunidades. Precisamos reciclar o papel da TI: hoje vendemos sonhos e entregamos pesadelos”, afirma Alves. Almeida concorda. “Somos muito ruins de comunicação, não sabemos vender nossas ideias e, com isso, parece que a TI é uma área que só gera custos”. A solução, na opinião do gerente corporativo de TI do Sepaco, David Oliveira, é transformar a visão de custos para valor. “O recurso aparece quando o decisor vê valor e nós precisamos buscar e mostrar este valor. Apresentar o impacto positivo que a tecnologia pode trazer para os negócios é diferente de dizer que precisa gastar dinheiro em um novo projeto”. Para dominar este cenário no futuro, o CIO vai precisar aprender a lidar com a ambiguidade e se comunicar de forma efetiva, habilidades que serão conquistadas aos poucos, com a experiência adquirida no próprio ambiente de trabalho. “Esta é a melhor forma de desenvolver competências novas. Saiam do casulo”, finaliza Araújo. O debate “O novo papel do CIO” foi promovido pela IT Mídia, durante o 1.2.1 CIO Saúde, no dia 28 de junho. *Cylene Souza é editora de Foruns da It Mídia

sua opinião é muito importante // editorialsaude@itmidia.com.br twitter // @saude_web

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RECURSOS HUMANOS

O QUE FALTA PARA O

PROGRESSO DA SAÚDE? O

RODRIGO ARAÚJO Sócio-Diretor Sênior responsável pela Especialização em Ciências da Vida e Saúde

s países do Norte da Europa continuam sendo refe- missão, valor, cultura organizacional, estratégia e esrência mundial, principalmente quando se trata de trutura do negócio e, acima de tudo, na proposição de desenvolvimento humano. A Fundação Save The valor, as reais vantagens competitivas e estímulos que as Children divulgou recentemente uma nova lista dos dez empresas oferecem e se diferenciam. E tudo deve estar melhores países para criar os filhos e a grande maioria é alinhado à perspectiva de carreira dos talentos execueuropeu. Em ordem, são eles: Noruega, Islândia, Suécia, tivos que as empresas possuem e/ou querem atrair. Nova Zelândia, Dinamarca, Finlândia, Austrália, Bélgica, Por se tratar de um segmento que cuida de pessoIrlanda e Holanda. Lugares ideais para a família são os as e trata vidas, as empresas querem a qualidade do que oferecem uma infraestrutura completa, inclusive serviço como prioridade para, assim, garantir a satisna área da Saúde. Então fica a pergunta: o que o Brasil fação de clientes, colaboradores, gestores, governo e, precisa para evoluir e chegar ao top 10? consequentemente, aprimorar o setor da Saúde como A indústria da Saúde está atravessando uma fase um todo. Do ponto de vista pessoal, percebemos uma decisiva em que precisa se posicionar de forma menos preocupação maior com o bem-estar e em proporcioconservadora, passo que será fundamental para sua nar uma experiência única aos que dependem deste evolução. Há uma clara necessidade de mudança que serviço. Sob qualquer ângulo que se avalie o setor, fica já está afetando todos os aspectos do negócio, os inte- claro a necessidade de o Brasil atrair e desenvolver grantes da cadeia e, principalmente, mais profissionais que expressam o papel dos líderes. Neste processo, interesse e paixão para o progresso a Europa já concretizou transfore evolução deste setor. O conheciO GRAU DE EXIGÊNCIA DE mações que incluem mudança nas mento do negócio especificamente é QUALIFICAÇÕES MÍNIMAS É ALTO E É A atitudes dos líderes tomadores de importante, mas não determinante TENDÊNCIA DA CORRIDA POR TALENTOS decisões, consolidação de novas para a escolha do líder. Também é entidades influentes, uma maior ESPECIALIZADOS QUE DEVE CONTINUAR fundamental olhar para outras diNOS PRÓXIMOS ANOS competitividade nos preços e sermensões, muitas delas relacionadas viços prestados, implantação de regulamentos menos a aspectos comportamentais e de liderança para ter complexos e regras de conformidade mais alinhadas êxito nesta jornada transformadora. ao contexto dos negócios. Outros setores também navegam por mudanças de Mesmo diante deste cenário, no entanto, os avanços magnitude similares ao setor da Saúde. Portanto, este da Saúde brasileira são visíveis em todas as esferas (ne- seria um movimento essencial para elevar o patamar de gócios, mão de obra, qualidade de vida), mas não são competitividade da Saúde brasileira. O quanto antes as suficientes. Atualmente, as companhias e seus líderes empresas enxergarem a necessidade de se reinventar estão mais abertos e preocupados em buscar sinergia diante do cenário atual, mais cedo elas identificam do negócio como um todo, maximizando eficiência, ser- vantagens, conseguem atrair e reter talentos e ficam viços e competitividade. Entretanto, é notável o déficit bem posicionados com relação ao mercado. A evoludo setor entre a demanda de executivos e a capacidade ção também na cultura da indústria elevará o share de formação qualificada. of mind e a tornará mais atrativa para os novos e exO grau de exigência de qualificações mínimas é alto perientes talentos – chave para a sustentabilidade no e é a tendência da corrida por talentos especializados longo prazo. O investimento em mudanças proativas que deve continuar nos próximos anos. Esforços formais em gestão e liderança refletirá de maneira positiva e para sanar este gap via educação, comprovadamente trará recompensas significativas para a relevância e trarão resultados no longo prazo. O foco seguirá na o impacto da indústria na economia.

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LIVROS

Arquitetura e planejamento na gestão da saúde

A obra traz uma abordagem de planejamento e gestão de saúde e permite às empresas oferecerem tratamentos médicos mais eficazes e obter um valioso aprendizado clínico durante o tratamento de problemas de saúde menos conhecidos. Com exemplos de instituições internacionais, o autor demonstra como são as empresas que combinam a prestação do serviço de saúde e a aprendizagem a partir da prática. Autor: Richard M. J. Bohmer Tradutor: Lucia Lovato Leiria Editora: Bookman Companhia Número de páginas: 272 Preço Sugerido: R$59,00

Administração de hotelaria hospitalar

Este livro tem o objetivo de fazer um alerta sobre a realidade do mercado e a necessidade de adotar o conceito de hotelaria hospitalar como estratégia para atender às exigências e expectativas do cliente de saúde. A publicação também revela a importância da hotelaria hospitalar como instrumento capaz de alavancar a humanização, elevar a qualidade dos serviços assistenciais e estabelecer uma nova concepção sobre a relação entre cliente de saúde, hospital e médico. Autor: Fadi Antoine Taraboulsi Editora: Atlas Número de páginas: 212 Preço sugerido: R$63,00

Manual de Psicologia Hospitalar

Este manual apresenta ao leitor noções fundamentais sobre psicologia hospitalar e propõe um método de trabalho para o psicólogo que atua no segmento. O método se divide em dois passos; diagnóstico e terapêutica. O primeiro ensina o profissional a olhar questões que vão além do biológico, identificando aspectos psicológicos em torno do adoecimento. O segundo descreve as principais estratégias e técnicas da psicologia hospitalar, oferecendo meios ao psicólogo para seu trabalho na cena hospitalar. Autor: Alfredo Simonetti Editora: Casa do psicólogo Número de páginas: 201 Preço sugerido: R$40,00

Manual de gestão hospitalar do CQH

Desenvolvido pelo grupo de avaliadores do CQH e, caracterizado como um dos mais sólidos núcleos de administradores hospitalares no País, este manual de gestão hospitalar é a divulgação da experiência de 18 anos em gestão. No livro, são enfatizados, por meio de exemplos práticos, a necessidade de os gestores entenderem a importância da definição de um modelo de gestão para suas organizações. Organizador: Haino Burmester Editora: Yendis Número de páginas: 704 Preço sugerido: R$119,00

Auditoria de enfermagem Nos hospitais e operadoras de planos de saúde

A publicação reúne experiências do arquiteto e autor da obra, Jarbas Karman nas áreas de planejamento, construção e manutenção hospitalar. O conceito de preditividade em hospitais abordado no livro recomenda que os projetos de hospitais sejam elaborados considerando a lógica, a racionalidade, a economia e a responsabilidade. Portanto, os trabalhos nele reunidos, buscam trazer à tona a natureza de suas atividades e obrigações, que não permitem falhas, faltas ou interrupções no abastecimento de insumos médico-hospitalares.

O livro pretende auxiliar o leitor no aprendizado sobre a prática da auditoria de enfermagem em hospitais e operadoras de planos de saúde de forma sistematizada. Ele aborda conceitos e condutas gerais para a análise das contas, cada item que compõe a conta hospitalar, modelos de contratos e tabelas, normas e o perfil do enfermeiro auditor. Também são apresentados modelos de cobrança, medicamentos e materiais anestésicos utilizados em cirurgias, e orientações gerais para controle de infecção hospitalar relacionada a cateteres centrais e as vantagens e desvantagens dos pacotes nas negociações atuais.

Autor: Jarbas Karman Editora: Estação Liberdade Número de páginas: 440 Preço sugerido: R$95,00

Autor: Ana Leticia Carnevalli Motta Editora: Iatria Número de páginas: 168 Preço sugerido: R$63,50

Manutenção e segurança hospitalar preditivas

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CONTEÚDO, RELACIONAMENTO E GERAÇÃO DE NEGÓCIOS

Ações consistentes para negócios sustentáveis Conteúdo, relacionamento e geração de negócios, esta é a premissa do trabalho na IT Mídia, que há 15 anos se posiciona como líder em mídias de negócios e está focado em dois importantes setores da economia: Tecnologia da Informação e Saúde. A sua missão consiste em desenvolver comunidades de negócios por meio de informações, conhecimentos e da integração de profissionais e empresas, por meio da distribuição de conteúdo de alto valor agregado para audiências previamente qualificadas, integrando comunidades de negócios, por meio das seguintes plataformas de mídia: publicações impressas e digitais, portais na internet, fóruns, estudos e catálogo. “Meu grande desafio dentro da companhia é gerar cada vez mais visibilidade e conexão estruturada com foco em geração de negócios para clientes e parceiros. O setor de Saúde vem evoluindo constantemente e, acompanhando essa dinâmica, temos um conjunto de ferramentas e produtos para a construção de um plano consistente e estruturado que gere valor real.” Adriana Cantamessa, Diretora de Marketing e Vendas – Divisão de Mídia

A nova divisão de mídia é responsável pelas publicações impressas da Revista FH, sites segmentados, como o Saúde Web e o Catálogo Hospitalar, ferramentas online e encontros editoriais presenciais e digitais com temas, cases e estudos relevantes para o mercado, com objetivo claro de gerar posicionamento de marca e leads qualificados aos clientes, em veículos reconhecidos e de grande credibilidade do setor. Tudo isto cobrindo toda o trade de Saúde e as maiores empresas e instituições do mercado brasileiro.

EQUIPE DE MARKETING: Focada em geração de demanda e audiência. Esq. Gabriela Vicari, Adriana Cantamessa e Gabriela Mendes

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O O-Arm, da Medtronic, é um dispositivo que emite imagens tridimensionais para cirurgias ortopédicas e de coluna. A tecnologia possibilita aos neurocirurgiões e ortopedistas visualizarem em tempo real, a anatomia da região operada, avaliando a evolução cirúrgica e confirmando o resultado da operação antes de o paciente deixe o centro cirúrgico. O equipamento permite que as equipes tenham mais segurança durante os procedimentos e maior controle sobre o que foi planejado.

MONITORAMENTO SEGURO

O CardioMax, da Instramed, é um monitor cardioversor e desfibrilador bifásico com uma interface capaz de se ajustar automaticamente ao número de parâmetros, apresentando informações importantes de forma mais amigável e organizada, além de alarmes inteligentes de monitoração. Equipado com o módulo DEA - Desfibrilador Externo Automático, o equipamento se torna mais completo, sendo adequado para o acompanhamento de pacientes em alto risco por contar com a tecnologia de Prevenção de Morte Súbita (PMS).

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O carro de emergência, BKCE 011, produzido pela BK, é destinado a intervenções de socorro imediato, como paradas cardiorrespiratórias dentro dos hospitais. Produzido em aço inoxidável e com cantos arredondados, o carrinho de parada comporta cinco gavetas com dimensões diferentes para guardar material hospitalar, como, instrumentos para intubação endotraqueal, cilindro de oxigênio com capacidade para três litros, aspirador compacta para oxigênio, tomada tripla para oxigênio, reanimadores manuais, adulto e infantil, entre outros.

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A fechadura eletrônica SSFRF, da Saga Systems, pode ser utilizada em qualquer ambiente do hospital, principalmente leitos. Feitas em aço inoxidável e atendendo todas as normas internacionais de segurança contra incêndio, essas fechaduras podem ser integradas ao sistema de gestão hoteleira do hospital, identificando quem entra, e quem sai do ambiente. A fabricante também oferece suporte e manutenção das fechaduras 24 horas e garantia do equipamento.

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Foto: Magdalena Gutierrez

Papo Aberto

A sua empresa está pronta para “ficar nua”? Em tempos de transparência sua marca, cultivada ao longo de muito tempo, pode desmoronar em questão de segundos por um mau passo

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sta pergunta foi feita por Don Tapscott, professor, palestrante e autor e estudioso da área de gestão empresarial nos novos tempos de internet. Em “A empresa transparente” Tapscott afirmava que se sua empresa vai “ficar nua” ela tem que estar em ordem, ou com as medidas adequadas. Mas o que significa estar com tudo em ordem? Pois vamos por partes. Para começar você saberia dizer, antes de ler o próximo parágrafo, quais os maiores bens de uma empresa? Muitos deverão pensar em seus equipamentos, incluindo móveis e todos os que levam aquela plaquinha de ativo da empresa. E eu pergunto, estes farão a diferença entre sua empresa e as demais que atuam no mesmo ramo? Acredito que não. Pois os maiores bens de uma empresa são sua marca (atenção o logotipo é apenas uma forma de apresentação da marca; estamos falando propriamente da marca e o que ela representa para o mercado); 2 - das pessoas que dela fazem parte e compõem sua imagem e o terceiro grande bem é o conhecimento gerado e acumulado na empresa. E o “estar em forma” significa zelar pela marca, pelas pessoas e pelo conhecimento todo o tempo, de forma que estes bens atribuam cada vez mais valor à marca de sua empresa e que a organização possa ficar nua na frente de qualquer pessoa já que ela está, “com tudo em cima”. Não é nada fácil estar com tudo em cima. Para começar, a instituição tem que fazer valer sua missão, a razão de sua existência; correr atrás de sua visão, de como vê o futuro e praticar seus valores, começando pelo público interno. De nada adiantam plaquinhas espalhadas pela empresa com os

dizeres definidos pela direção e que, muitas vezes, sequer são do conhecimento daqueles que devem zelar por tudo isso. E começando por aí podemos ver o quanto a empresa cuida das pessoas que dela fazem parte. E se a empresa não zela por suas pessoas como pretende que o conhecimento seja compartilhado e armazenado compondo a história da organização. Me ocorreu uma comparação curiosa. Se você perguntar sobre os últimos resultados do Brasil nas copas mundiais de futebol alguns chegarão a recitar as escalações de tempos e tempos atrás. Agora, pergunte sobre a missão, a visão e os valores da organização onde atuam e vamos ver quantos os conhecem de fato, sem ter que “colar” no quadrinho emoldurado. Pois estes têm que estar não só na mente das pessoas mas em tudo o que praticam com seu “sobrenome corporativo”. E lembrando as palavras do jornalista Mário Rosa em “A reputação na velocidade do pensamento”, que mostra como a revolução tecnológica mudou completamente as formas de se preservar a credibilidade na esfera pública e na mesma linha de Tapscott diz: reputações e marcas construídas ao longo de anos ou décadas desabam em segundos, reduzindo a nada a credibilidade, a honra, a imagem de pessoas públicas ou privadas, empresas ou instituições. Não existe mais privacidade. Absolutamente ninguém está protegido. E sua empresa está pronta para ficar nua? Stela Lachtermacher Diretora Editorial IT Mídia stela@itmidia.com.br

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A GESTÃO HOSPITALAR, EM 2025, ATINGE UM NOVO PATAMAR INTEGRANDO OPERADORAS, CLÍNICAS E HOSPITAIS. COMO ISSO ACONTECE? A Gestão Clínica é reestruturada para atender de forma completa e eficaz hospitais, clínicas e pacientes. Sistemas rigorosos e totalmente integrados foram criados para controle de: • • • • • • •

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Revista FH - Ed. 201  

A REVISTA DE GESTÃO, SERVIÇOS E TECNOLOGIAS PARA O SETOR HOSPITALAR - Ano 20 • Edição • 201 • Julho de 2012

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