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REVISTA

ano I | n° 001 | setembro e outubro de 2010

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CORDEL

referências - moda - beleza - decoração - tecnologia - cultura Revista Feito Brasil | 


SUMÁRIO

ED IT O

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EXPEDIENTE

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Pelas cordas do cordel

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Um universo inspirador

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Moda de cordel

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Diretores Lena Peron Almir Peron

Natural Renda-me Xilogravura

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Jornalista responsável Alexandre Fumagalli MTb 7390/Pr Redação/Arte/Produção Alexandre Fumagalli Conselho editorial Alexandre Fumagalli, Lena Peron, Almir Peron, Fernanda Iantas, Tiago Lenartovicz, Vinícius Nunes, Milene Haraguchi Padilha, Andréia Santos Volpato e Louise Nauck.

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A Revista Feito Brasil, de periodicidade bimestral e distribuição gratuita, é um veiculo de comunicação externa da Feito Brasil Industria de Produtos Artesanais Ltda., localizada na rua Ipanema, 579, bairro Ipanema Praia Clube, CEP 87.160-000, Mandaguaçu (PR). A Revista não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos ou ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização dos editores.

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Os segredos da beleza nordestina

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Aqui mora o cordel

Revisão Jeferson Nunes Jucélia Nunes Impressão Gráfica Idealiza

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Site www.feitobrasil.com

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O Cordel Feito (o) Brasil

CAPA

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A nova “roupa” dos contos infantis

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Twitter @feito_brasil

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Surge um novo “cordel”?

 | Revista Feito Brasil

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Contato imprensa@feitobrasil.com

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Os contatos de todas as marcas

Nossa capa deste mês é uma foto de beleza do desfile da marca Ronaldo Fraga, clicada nos bastidores, durante o São Paulo Fashion Week verão 2010/2011. Crédito: Marcelo Soubhia (Agência Fotosite).


EDITORIAL

Não imaginávamos lançar uma Revista, mas aconteceu. A idéia surgiu ao pesquisarmos sobre o cordel para elaboração de nosso lançamento, a linha de Perfumes de Ambientes, Aromas em Cordel. Encontramos as características deste estilo literário na moda, tecnologia, decoração, beleza, estilo e, claro, literatura, além da área de produtos para casa, na qual realizamos nossos lançamentos. Percebemos com tudo isto, que o cordel está na moda. Deste ponto em diante começamos a pensar na revista como um meio de repassar todas estas referências, para ampliar a compreensão ao nosso público acerca da proposta deste lançamento. Foram mais de 60 dias de trabalho para definir a revista, os assuntos, a forma de apresentação, fotografar, entrevistar, escrever, conferir e fazer contatos. Ufa! Muito trabalho num prazo curtíssimo. Outro detalhe importante, até certo momento a Revista da Feito Brasil seria um material disponibilizado somente no formato digital, mas o resultado ficou tão interessante, que decidimos pela impressão e distribuição ao nosso público. Nas próximas páginas queremos apresentar o universo Feito Brasil. Um espaço em que todos os temas dialogam livremente com a nossa proposta. Estamos em um mundo interligado, em que uma referência regional torna-se uma tendência mundial em pouquíssimo tempo. O leitor irá entender cada coisa que pesquisamos ao definir os lançamentos, cada idéia que surgiu ao definir um texto, uma ilustração, um frasco e uma fragrância. Cada matéria, cada peça, foram estudadas e selecionadas dentre várias outras. Tudo para passar a cara da Feito Brasil e seu amplo espaço brasileiro. Embarquem nas próximas páginas e inspirem-se neste universo cheio de novidades.

Equipe Feito Brasil

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Fotos: Fernanda Iantas e Alexandre Fumagalli

Páginas de inspiração


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Foto: Rafael Saes

INSTITUCIONAL

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Ser Feito Brasil

Quem consome a marca não procura somente beleza e saúde por meio de cosméticos, busca um estilo de vida Feito Brasil, inspirado no que a natureza tem de melhor. Este público encontra na Feito Brasil Cosméticos itens produzidos com matérias-primas naturais e biodegradáveis em embalagens recicladas e recicláveis, que além de tudo, valoriza o trabalho das mãos que fazem, entregando produtos com capricho e cuidados artesanais. São pessoas especiais que valorizam as riquezas da terra por meio de cosméticos com fragrâncias, extratos e ativos provenientes da diversidade da flora brasileira e reconhecem seus benefícios para o corpo e também para a mente. A Feito Brasil é para aqueles que sabem o quanto o meio-ambiente é importante, e conhecem a necessidade de preservação, procurando, em pequenas ações, escolher e contribuir para a saúde da Terra. São brasileiros que transbordam sentidos, harmonia e energia para todos ao seu redor e fazem deste país um lugar maravilhoso para se viver e ser feliz, com orgulho de pertencerem a uma nação de riquezas tão únicas e preciosas. Enfrentam o dia-a-dia com ginga, graça, coração alegre e acolhedor, pois, sabem que começar uma nova manhã de bom humor é chave para o sucesso e felicidade. Acreditam tanto nisto que transmitem este estado de espírito para muitos. São pessoas que encontraram em cada cosmético da Feito Brasil um estilo de vida que faz bem ao corpo, a alma e ao meio-ambiente.

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ESPECIAL

Pelas cordas do cordel

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Foto: Rafael Saes

O estilo do cordel ressurge e extrapola os limites das obras literárias, invadindo áreas até então inimagináveis

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Desde o auge do cordel, na década de 1960, nunca ouvimos falar tanto deste estilo como nos últimos anos. Porém, o cordel chega renovado e vai além de um estilo literário, se transformando em uma verdadeira tendência nacional. Hoje é possível encontrar o cordel na moda, decoração, estilo, tecnologia e, obviamente, na literatura, mas em um novo formato. Por isto, digam adeus ao cordel vendido em cordas ou varais e preparem-se para encontra-lo onde menos se espera. O cordel é um livreto impresso em papel simples, normalmente no formato de 11x15 centímetros, e com capas estampadas por xilogravuras. O termo cordel vem de corda e remete ao formato em que eles eram comercializados, pendurados em barbantes, em feiras livre pelo nordeste. Mas os cordéis também eram expostos para comercialização em lençóis, esteiras ou em malas, qualquer lugar era lugar para expor as obras literárias, podendo ser em feiras, praças, mercados, portas de igrejas ou bancas. Trata-se de uma literatura genuinamente oral e aborda diversos assuntos do passado e do presente e das mais variadas áreas. Não há limite para os assuntos, tudo vira

cordel nas palavras do poeta popular. Mas não vale lembrar de cordel e esquecer das xilogravuras, que são as imagens reproduzidas por meio de matrizes talhadas em madeiras. História – Descrever a origem do cordel é algo que exige muita pesquisa, mas a maioria dos textos sobre o assunto apontam a França do século XI como o local onde surgiu. Posteriormente, o cordel foi para Itália, Alemanha, Holanda, Inglaterra e, por volta do século XVI, Espanha e Portugal, de onde veio para o Brasil no período da colonização. Aqui, o cordel encontrou no nordeste o ambiente perfeito para seu desenvolvimento. Entretanto, resgatar essa história, neste caso o estilo literário, nos faz cruzar com as histórias da xilogravura, um importante componente desta forma de expressão popular. Da mesma forma que não se conhece ao certo a origem do cordel, a da xilogravura também possui seus fatos desconhecidos. Levando em consideração a xilogravura em papel mais antiga já encontrada, a sua possível origem foi na China, no ano de 868, ilustrando uma edição da oração budista Sutra

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Linha de Perfumes de Ambientes Aromas em Cordel Feito Brasil.


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ESPECIAL Diamante, de Wang Chieh. Mas acredita-se que a arte da xilogravura já estampasse tecidos séculos antes, no extremo oriente. Influências – Cordel e xilogravura receberam influências dos mais diversos lugares, culturas e épocas. O cordel e a poesia popular receberam influência da poesia mesopotâmica, mediterrânea, hindu e persa. Além disto, outras fontes literárias também influenciaram os textos do cordel, como a Bíblia, a mitologia, as enciclopédias, os dicionários, os almanaques e os cânticos. Ainda na França, o cordel tem seu tom poético fortemente influenciado pelos trovadores de Provença. O mesmo aconteceu em Portugal, onde os trovadores foram responsáveis pela repercussão da literatura de cordel e a tornaram popular. No Brasil, mais especificamente no nordeste, os cantores repentistas, que são parte da manifestação popular daquela região, foram os responsáveis por popularizar o estilo literário. O cordel encontra a rica cultura local e recebe influência dos bandeirantes, jesuítas, negros, índios, caboclos, mamelucos, cafusos, mulatos, garimpeiros, aventureiros, lavradores, vaqueiros e tropeiros, adquirindo características mais fortes de poesia popular. Já a xilogravura é uma arte que passou por diversos países com diversos usos. Elas estamparam tecidos, imagens sacras, cartas de baralho, livros, jornais e revistas na Europa. Na Itália, livros e ornamentos recebiam ilustrações desta forma. As paisagens do Japão foram reproduzidas em xilogravuras. Mesmo com a evolução da reprodução de imagens, a xilogravura nunca desapareceu por completo graças a expressão artística, que viu arte na linguagem plástica e dramaticidade do contraste entre preto e branco. No Brasil, a xilogravura foi a principal forma de ilustrar cordéis, mas também foi aproveitada em obras de arte e ilustrações para revistas, livros e jornais. Temas – O cordel pode contar de tudo um pouco. Este estilo literário deixou o sertão e foi para as metrópoles e hoje é possível encontrar os cordéis nas salas de aula e nos vestibulares. Há cordel para todos os gostos. Os assuntos são muitos: religiosidade, costumes, romances, história, heroísmos, cavalaria, valores, moral, ética, atualidade, circunstâncias, fatos sociais, notícias, fantasias, louvações, profecias, apocalipse, biografias, política, exemplos, natureza, crimes, coronelismo, cangaço, valentia, banditismo, televisão, cinema, ciências, tecnologia, críticas, sátiras, guerras, modernidade, desafios, contemporaneidade, terrorismos, cantorias, pelejas e temas adultos, ou seja, não há limites para o cordel. Mão na massa – Lembrando-se que o texto de cordel é uma literatura oral, ou seja, sua história pode ser cantada, a “receita” para o cordel possui três regras básicas: métrica, oração e rima. A métrica mede o tamanho de casa verso nas estrofes, sempre com sete versos, e cada verso sempre com o mesmo número de sílabas, mas a contagem de sílabas poéticas é diferente da separação silábica. As sílabas poéticas são contadas até a última sílaba tônica de um verso. A oração, como em qualquer texto, necessita de começo, meio e fim. Um bom assunto também é importante, já que os contos de cordéis abordam temas diversos, além de  | Revista Feito Brasil

adaptações de importantes obras literárias. Outra característica é a rima, que são palavras que combinam por meio do som, o que dá a sonoridade pela qual o cordel é apreciado. Parece fácil, mas a arte de escrever um cordel exige muita prática e conhecimento, tanto das regras do estilo como da língua portuguesa, mas também de fatos históricos e atualidade. Para completar a receita do cordel, a xilogravura é essencial para ilustrar estas obras literárias. A receita da xilogravura começa com a escolha do suporte para execução da matriz. O tradicional é a utilização de madeira, mas atualmente a borracha tem sido utilizada, como também é possível fazer a matriz no isopor. No caso de utilizar a madeira como matriz existe a xilogravura ao fio, que utiliza madeira cortada da copa à raiz, e xilogravura de topo, com madeira do corte transversal da árvore. Uma alternativa para a madeira e a utilização de placa de compensado, que é mais barata. O primeiro passo é transferir o desenho para a madeira ou borracha. Muitos fazem os traços a lápis diretos na matriz, mas outros fazem isto com o auxílio de um papel carbono para deixar os traços mais nítidos. As partes que ficam em alto relevo são as que serão transferidas ao papel na hora da impressão. Para esta etapa é necessário esculpir as partes que não entrarão na xilogravura. O próximo passo é transferir a tinta para a matriz. Nesta etapa pode-se utilizar um rolo ou pincel para passar a tinta para a peça. Para imprimir a xilogravura no papel, a matriz deve estar apoiada na mesa e o papel deve ser posicionado em cima da placa. Para deixar a impressão perfeita, pressione o papel sobre a matriz com o auxilio de uma colher de pau. Tendência – Hoje mais do que nunca se ouve falar de cordel. Uma forma de expressão da cultura popular que saiu dos livretos e influenciou produtos para a casa, beleza, culinária, estilo, moda, decoração, tecnologia, música, cinema, arte e literatura, que volta de “cara” nova. Para aqueles que se atrevem a pesquisar sobre o tema, encontrarão o cordel de nome de restaurante. O Cordel da Vila foi um restaurante de comida típica pernambucana, que ficava na tradicional Vila Madalena, em São Paulo, mas infelizmente fechou suas portas recentemente. Um fim que encontramos também na banda Cordel do Fogo Encantado, que começou como uma peça de teatro e, com o passar dos anos, evidenciou a música em suas apresentações. Ainda falando em música, cordel integrou o título de um álbum de Gilberto Gil, o Banda Larga Cordel, que possui uma música com o mesmo título. No cinema o cordel influenciou Glauber Rocha e sua obra-prima, o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, considerado um marco do cinema novo. Este filme conta a história do cangaceiro Manuel e sua mulher, que após matar seu patrão são obrigados a viajar pelo sertão, onde se deparam com um Deus negro, um diabo loiro e um homem temível. Outro filme que tem trechos inspirados no cordel é O Auto da Compadecida, baseado em uma obra de Ariano Suassuna, que conta as façanhas de João Grilo e Chicó para se darem bem no sertão da Paraíba.


Foto: Divulgação

Estampa Cordel nos modelos para o verão 2010/2011 apresentados durante o São Paulo Fashion Week Amapô.

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Fotos: Marcia Fasoli

Xilogravura nas camisetas para o verão 2010/2011 Puramania.

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Foto: Divulgação

ESPECIAL

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Cadernos da coleção Alice no País do Cordel Mercado Mambembe.

Nas artes não há como não falar sobre o Museu Casa da Xilogravura, em Campos do Jordão. O espaço foi criado pelo professor Antonio Costella, em 1987, e reúne aproximadamente 250 xilogravuras e outras duas mil obras na reserva técnica. São xilogravuras de artistas internacionais e nacionais, como a série Retirantes, de Renina Katz. A xilogravura passou pelas mãos de Yan Tchau, Hiroshige Rissae, Oswaldo Goeldi, Lasar Segall, Marcelo Grassmann, Antonio Henrique Amaral, Tarsila do Amaral, Livio Abramo, Aldemir Martins, Aldo Bonadei, Itajahy Martins e Maria Bonomi. O cordel, uma forma de produção literária basicamente artesanal, encontrou na tecnologia, mais precisamente na internet, um forte aliado para sua divulgação. No universo digital, diversos cordelistas divulgam e comercializam suas obras para o Brasil todo. Os sites da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC (www.ablc.com.br) e do Cordel Campina (www.cordelcampina.com.br) são alguns exemplos. Produtos para casa – Para pessoas que querem tornar seus ambientes únicos e com personalidade, o setor de cuidados para casa vem lançando aromatizantes em diversos formatos e aromas. Seguindo a inspiração no cordel, a Feito Brasil Cosméticos lança sua nova divisão de cuidados para casa. No 10 | Revista Feito Brasil

segundo semestre deste ano a linha de Perfumes de Ambientes Aromas em Cordel chega ao público com seis fragrâncias diferentes, baseadas na perfumaria fina internacional, sendo elas: cítrico, amadeirado, lavanda, frutado, oriental e floral. A poesia popular do cordel foi perfeita para criação de uma linha de Perfumes de Ambientes que tem a cara do Brasil. O objetivo deste lançamento é mostrar ao consumidor expressões da cultura popular. Cada item da nova linha possui xilogravuras e poemas de cordel, além de etiquetas em cada frasco que trazem um breve histórico desta forma de expressão. A nova linha explora todas as classes olfativas do universo das fragrâncias, desenvolvidas em conjunto com a Drom Fragrances, empresa alemã responsável por grandes sucessos da perfumaria internacional. A composição dos Perfumes de Ambientes leva álcool orgânico e matérias-primas de origem vegetal e biodegradáveis e não possui corantes. As embalagens são de material reciclável e reciclado. Moda – Ao falar de cordel, fica quase impossível não pensar no nordeste, seu povo e cultura, o que abre mais ainda o leque de referências encontradas nos dias de hoje. Na última edição do São Paulo Fashion Week, onde as marcas apresentaram suas propostas para o verão 2010/2011,


Foto: Divulgação

Caneca em vidro com serigrafia em estilo xilogravura da coleção Brasil Paca Imaginarium.

exclusiva possui bolsas, almofadas, cadernos, camisetas e broches. Decoração – A região onde o cordel começou traz fortes referências para nosso cotidiano e isto não seria diferente na concepção de ambientes modernos, mas com um toque regional. Foi no nordeste, base da cultura brasileira, que a Imaginarium seguiu para a concepção da coleção Brasil Paca, que procura em cada item destacar sentimentos, memórias e experiências do povo brasileiro. A xilogravura e o cordel, mais especificamente, entraram numa coleção de copos intitula Copos Cordel, além de outros itens da coleção que levam estampas inspiradas em xilogravuras. Literatura – Mesmo com o seu auge nos anos 1960, o cordel ainda é encontrado em seu formato tradicional e tem se adaptado aos assuntos do presente, como nas modalidades urbana e virtual. A maioria das editoras começou a prestar mais atenção nesta forma de expressão popular e complementaram o mercado literário nacional com obras com poemas políticos, gramática, biografias, clássicos infantis, meio-ambiente, saúde e astronomia pela visão dos cordelistas nacionais. O mesmo aconteceu com as xilogravuras, que algumas editoras reuniram em livros e copletaram com poemas populares. Revista Feito Brasil | 11

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estes temas foram bem presentes em coleções como a de Ronaldo Fraga, que se inspirou na cultura pernambucana, com suas estampas e bordados, ao apresentar seu “Turista Aprendiz”, e Maria Bonita, que se inspirou nos 20 anos de registros das casas do nordeste pela fotógrafa Anna Mariani. A arte no cordel, neste caso a xilogravura, virou estampa pelas mãos de Carolina Gold e Pitty Taliani, da marca Amapô. Uma estampa estilizada de cordel e xilogravura esteve presente em algumas propostas da marca para a próxima estação. Aliás, foi com um poema popular que as estilistas descrevam sua coleção e finalizaram com a “Fexta Regional dos Estados Unidos da Amapô”. A inspiração no nordeste do Brasil invadiu outras estampas, que receberam os nomes de: Maracatu, de Carlos Dias; Bandeiras, de Fabio Gurjão; da Lama ao caos, de Filipe Jardim; e Cavalo marinho, da própria marca. Outra marca que passou pela xilogravura foi a Puramania, em sua coleção masculina de verão incluiu camisetas que falam sobre cordel, com estampas inspiradas na xilogravura. Estilo – A expressão artística por meio da xilogravura, traz todo um estilo novo para o cotidiano. Nesta área até Alice, do escritor Lewis Carroll, passou pelo País do Cordel no Mercado Mambembe. Está coleção


ESPECIAL O Pequeno Polegar, de Varneci Nascimento Panda Books.

Cordel e Ciência A Ciência em Versos Populares, de Ildeu de Castro Moreira, Luisa Massarani e Carla Almeida Vieira & Lent.

Xilogravuras, de Valdir Rocha Escrituras.

Fotos: Reprodução

Romances de Cordel, de Ferreira Gullar José Olympio Editora.

Histórias do Brasil em Cordel, de Mark Curran Edusp.

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Branca de Neve, de Varneci Nascimento Panda Books.

Lições de Gramática em Versos de Cordel, de Janduhi Dantas Editora Vozes.

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Os relatos de eventos e acontecimentos do cotidiano sempre estiveram presentes na literatura de cordel. No livro Histórias do Brasil em Cordel, da Edusp, mais de 300 folhetos reunidos documentam os 100 anos do cordel no Brasil. O autor Mark Curran vai além ao apresentar uma reflexão sobre a estrutura formal, temas, autores e histórias no registro histórico do país. As histórias políticas de Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira, foram reunidas pela primeira vez no livro Romances de Cordel, da editora José Olympio. Nas 96 páginas, o autor apresenta em poesias de cordel toda sua vivência política no país durante os anos 1960 e apresenta um Brasil com desigualdades sociais extremas. Além da poesia, as xilogravuras de Ciro Fernandes complementam a obra. A ciência é o tema central de Cordel e Ciência – A Ciência em Versos Populares, da editora Vieira & Lent, que reúne 22 folhetos com poemas populares sobre descobertas científicas, saúde, meio-ambiente, vida de cientistas e acontecimentos astronômicos. Os textos foram selecionados e reunidos por Ildeu de Castro Moreira, Luisa Massarani e Carla Almeida. Este livro comprova que as formas de expressão popular podem abordar a análise de vários aspectos na relação entre ciência e sociedade, além de tornar-se mais um instrumento de divulgação científica. As crianças passam a contar com um outro formato dos clássicos infantis, além das histórias tradicionais e filmes. Títulos como O Pequeno Polegar, conto original de Charles Perrault, e Branca de Neve, dos Irmãos Grimm, podem ser encontrados em contos de cordel pela editora Panda

Books. Os clássicos de 1697 e 1812 resgatados por meio da oralidade das histórias populares é trabalho do escritor Varneci Nascimento. O Pequeno Polegar é um pequeno menino, caçula de uma família de sete filhos, que enfrenta um perigoso ogro para salvar suas vidas, tem ilustrações de Rogério Coelho. Já Branca de Neve, história que conquistou o público graças à versão da Disney, mostra os planos da malvada madrasta em matar a princesa e se tornar a mulher mais bela do mundo, que no estilo cordel é ilustrado por Andréa Abert. Essa adaptação de clássicos infantis vem sendo indicada para a sala de aula, onde os professores podem explorar o gênero narrativo da obra original e comparar com a poesia lírica do cordel, além de apresentar os valores moral e ético presentes nestas histórias. Aliás, essa utilização em sala de aula conquista novos leitores a cada dia que passa. O cordel nas escolas também é uma importante ferramenta para o ensino da gramática, ainda mais depois do novo acordo ortográfico. A compreensão destas regras e conceitos são um “terror” para a maior parte dos estudantes. Este é o caso do livro Lições de Gramática em Versos de Cordel, de Janduhi Dantas, lançado pela Editora Vozes, que apresenta as lições de gramática de uma maneira criativa e lúdica, facilitando a sua compreensão e uso. O espaço dos livros não fica restrito somente para os poemas de cordel. Algumas editoras lançaram livros que reúnem xilogravuras. Este é o caso do livro Xilogravuras, da Escrituras Editora, onde os trabalhos de Valdir Rocha encontram os poemas de Álvaro Alves de Faria, Celso de Alencar, Eunice Arruda e Raquel Naveira.

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INSPIRAÇÕES

Natural

biquini New Beach

Os tons terrosos, os tecidos naturais e os trabalhos manuais são tendências propostas pela inspiração no nordeste, terra de onde surgiu o cordel e berço da cultura brasileira. Muitas marcas inspiraram-se naquela região ao apresentarem suas coleções para o verão 2010/2011 durante as semanas de moda nacional. Aqui, linho e algodão, tons terrosos e nude, mais os trabalhos de tecelagem, se unem em várias propostas para o dia-a-dia e logo poderão ser encontradas no mercado. O clima quente e seco das terras nordestinas exige uma pele com um leve tom de dourado, além de roupas leves para enfrentar o calor escaldante, que nos próximos meses tomará conta de todo o Brasil.

anel Morana blusa Chek e short Alto Giro

relógio Everlast

água perfumada e hidratante corporal Perfeitos Sentidos Ilumine-se Feito Brasil

macacão Chek

cinto Puramania

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rasteirinha Puramania

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carteira Puramania

pulseira Balonè

regata Chek e jeans boyfriend, blazer linho e óculos escuros Puramania

Foto: Agência Fotosite www.feitobrasil.com

sandália Raphaella Booz

Maria Bonita verão 2010/2011 Revista Feito Brasil | 15


INSPIRAÇÕES

Renda-me

água perfumada e hidratante corporal Perfeitos Sentidos Envolva-se Feito Brasil

As famosas rendas nordestinas são referências para alguns estilistas nacionais e tomam conta das tendências para o verão 2010/2011. A renda pode compor a peça inteira ou em pequenos detalhes que traz um diferencial para a roupa. Além disto, a combinação de rendas pode ser feita em algumas propostas para o cotidiano, colocando em voga um toque regional para a produção. Outras propostas imitam tramas de renda ou suas cores nas estampas, gerando a ilusão de vestir peças com renda. Alguns acessórios também levam as rendas para deixar um toque glamuroso. Para abusar destes tecidos, uma pele acetinada faz com que os eles fluam pelo corpo e tenham um toque macio.

bermuda e camisa Chek e colete Puramania

sandália Naturezza

vestido saída de banho New Beach

meia-calça rendada Lupo

pulseira Amarjon Biojóias

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pulseira Chek

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regata Puramania e saia Chek


vestido Puramania

colar Balonè

maiô New Beach

brinco Vivara

Foto: Agência Fotosite www.feitobrasil.com

esmaltes linha Rendas do Brasil e Natural Risqué

Ronaldo Fraga verão 2010/2011 Revista Feito Brasil | 17


INSPIRAÇÕES macacão Puramania

Xilogravura As xilogravuras são ilustrações presentes no cordel feitas por matrizes talhadas na madeira. Atualmente seu valor artístico é utilizado em várias áreas, inclusive na moda. As propostas para a proxima estação são inspiradas nesta expressão artística e no contraste entre preto e branco. As marcas lançam peças com estampas gráficas nestas cores. Já os acessórios abusam dos trabalhos artísticos e artesanais, outra grande característica da xilogravura, utilizando o dourado e as pedrarias pretas. Para o verão as estampas são carregadas de folhagens e florais, mas os trabalhos abstratos têm seu espaço nas tendências. Para completar, as produções combinam com peças pretas ou brancas.

bolsa Puramania

pulseira Morana

sal de banho esfoliante e mousse hidratante corporal Adorável Sedução - Orquídea Negra Feito Brasil

vestido saída de banho Recco Praia corsário e top Alto Giro

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bolsas Mercado Mambembe

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anel Vivara

biquini e short Puramania

maiô Recco Praia

chinelo Puramania

Foto: Marcia Fasoli

broche Mercado Mambembe

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André Lima verão 2010/2011 Revista Feito Brasil | 19


www.feitobrasil.com Fotos: Alexandre Fumagalli

MODA

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Depois da literatura, a moda vai para o cordel e busca nas suas terras de origem inspiração para as tendências atuais.

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MODA

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Vestido de algodĂŁo estampado e bordado (usado como blusa), saia cetim e sandĂĄlia jeans Puramania.

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Chamisier de linho Zapp e bolsa de couro Puramania.

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MODA

Macaquinho de sarja Chek.

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Vestido de malha com aplique de saia de jeans cintura alta, cinto tressĂŞ de couro e sandĂĄlia abortinada de jeans Puramania.

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MODA

Top de linho estampado, camiseta de algodão, calça sarouel de linho estampado e rasteirinha de jeans Puramania.

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Bermuda de sarja e regata de algod達o Puramania e colete de tricoline Chek.

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MODA

Vestido de tricoline Chek.

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Blusa saĂ­da de banho Recco Praia.

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BELEZA

Os segredos da beleza nordestina

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Foto: Agência Fotosite

No último São Paulo Fashion Week as passarelas foram tomadas pela mulher nordestina, Celso Kamura e Ricardo dos Anjos mostram os detalhes e as apostas.

Bastidores do desfile de Lucas Nascimento durante o Fashion Rio verão 2010/2011. 30 | Revista Feito Brasil


Fotos: Heitor Marcon www.feitobrasil.com

mousse facial de limpeza e esponja facial Puro Luxo - Rosas Silvestres Feito Brasil

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Foto: Christian Parente

BELEZA

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Maria Bonita por Celso Kamura

Fotos: Reprodução

Os vinte anos de registros fotográficos das casas populares do interior do nordeste, da fotógrafa Anna Mariana, inspiraram a coleção da Maria Bonita para o verão 2010/2011, apresentada no São Paulo Fashion Week. A coleção explorava o rústico da região por meio de texturas, cores, materiais e acessórios, traduzindo a singularidade presente na paisagem dura e agreste. A beleza dessa mulher nordestina foi criada por Celso Kamura, que seguiu a mesma inspiração da marca, “a beleza para este desfile era seca e árida”, resume. A maquiagem para este desfile dava um aspecto de pele queimada pelo sol, “neste caso a pele tinha quase nada, somente um corretivo, rímel e blush rosado nas bochechas e nariz e para completar um corretivo na boca para dar um ar pálido e seco”, descreve. Neste trabalho o blush utilizado foi da marca Givenchy, o Le Prisme Blush It-girl Violet, que pode ser substituído pelo mesmo produto na cor Purple. Para completar, o cabelo tinha somente uma trança, tendência que vem desde o ano passado. “Era uma trança lateral que começava bem firme e ia se soltando, até ficar bem desfiada na lateral da cabeça e a pontinha da trança era escondida para dentro”, explica.

base líquida Vult

blush Le Prisme It-girl Purple Givenchy

primer para lábios Contém 1g

Fotos: Divulgação www.feitobrasil.com

máscara alongadora para cílios Archy

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Foto: Marcia Fasoli

BELEZA

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Amapô

por Ricardo dos Anjos

Foto: Reprodução

As festas do norte e nordeste do Brasil foram as inspirações da Amapô para a coleção do verão 2010/2011, apresentada durante o São Paulo Fashion Week. O colorido do maracatu e das ruas enfeitadas com bandeiras e fitas em dias de festa, davam cor para as peças da coleção. As danças regionais também foram outra influência. No desfile, a mulher nordestina foi retratada de uma forma peculiar. “A minha inspiração foi a Maria Bonita e sua referência na história”, explica Ricardo dos Anjos, responsável por este trabalho. Mesmo inspirando-se em Maria Bonita a beleza da Amapô tinha ousadia e era contemporânea. A mulher mestiça da região foi destaque e o primeiro passo para a definição da beleza, “foi deste ponto que partimos para brincar com as diferenças de cores dos cabelos”, completa Ricardo. O cabelo, foco da beleza do desfile, tinha franjas falsas de cabelo natural tingidos nas cores castanho, ruivo, preto, mel e louro claríssimo. “O shape da franja pode até ir para o dia-a-dia, mas o colorido fica para as mais ousadas, mas recomendo”, frisa. Para completar a beleza a pele tinha só um blush tom terroso e hidratante labial na boca.

duo blush Duda Molinos

coloração para cabelo Biocolor Fotos: Divulgação

hidratante labial C. Kamura

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Fotos: Divulgação

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DECORAÇÃO

TV (2009), tela de 66x48 centímetros por Derlon Almeida, na Galeria Choque Cultural.

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Aqui mora o cordel O ressurgimento do cordel traz o nordeste como referência e todas as suas vertentes para a decoração de ambientes

Kit Pinga Mandinga da coleção Brasil Paca Imaginarium.

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DECORAÇÃO Alice no País do Cordel. Nas almofadas que fazem parte da coleção, os personagens Alice, Gato Risonho e Chapeleiro Maluco chegam ao nordeste brasileiro e encontram na xilogravura uma forma de aparecer. As cenas mais clássicas, do que até hoje conhecemos em livros e filmes, recebem um novo tratamento visual bem nacional. Além da peças, os decoradores estão criando espaços com características regionais do nordeste. Os ambientes recebem peças de tapeçaria, renda, tramas naturais e barro. A diversidade cultural da região traz aos profissionais de decoração uma grande variedade de inspirações para projetar novos ambientes. As cores verde, rosa, azul, vermelho e amarelo podem ser utilizadas nos tons claros, igual das casas, e escuros, presentes nas festas populares. As peças decorativas podem ser de linho, renda, couro, palha, ráfia, madeira e outras matérias-primas da região. Mesmo que de materias diferentes, podem ser unidas em um único espaço, o que deixa a decoração baseada na diversidade cultural do nordeste do Brasil. A riqueza da região pode ser ainda mais explorada com uma visita ao local para aquisição de peças produzidas por artesãos, o que é bem comum no nordeste, que valoriza este tipo de trabalho e arte. Todas estas inspirações são responsáveis por transformar o cordel e o nordeste em uma tendência nacional, podendo ser vistas nos mais elegantes espaços em qualquer lugar.

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Fotos: Divulgação

As expressões artísticas provenientes do cordel têm conquistado o design e a decoração nos dias de hoje, deixando de ser exclusivamente literário. Nestas novas áreas, a poesia popular e as xilogravuras são utilizadas de muitas formas diferentes, tanto em conjunto como separado. Além da forte influência do cordel, os objetos de decoração têm grande inspiração no nordeste, seu clima, cultura, ambiente e povo. Estes objetos reunidos permitem que os decoradores criem ambientes completos remetendo ao nordeste do país, com atenção aos detalhes de cores, texturas e formas. A xilogravura vem sendo resgatadas a cada dia em novas peças disponíveis no mercado de arte. Na Galeria Choque Cultural é possível encontrar a tela TV, de 66x48 centímetros, onde o artista Derlon Almeida retrata um nordestino retirante e sua moderna bagagem. Pelo ambiente entre o cordel e o nordeste, a Imaginarium achou um campo perfeito para inspirar-se e lançar a coleção Brasil Paca. Nas peças desta coleção a xilogravura, mandingas, crenças e dizeres populares tomam formas em copos para pinga e cerveja, canecas e imagens de santos flocados em nylon e muitas outras peças para decoração de ambientes. Os vidros das peças recebem serigrafias que usam as formas da xilogravura. Além disto, as cores fortes aplicadas nas peças dão um tom de contemporaneidade. Levando em consideração a tendência de adaptar clássicos infantis para o cordel, o Mercado Mambembe criou a coleção

Conjuto de Tulipa Mandinga coleção Brasil Paca Imaginarium.

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São Jorge Flocado Vermelho coleção Brasil Paca Imaginarium.


Almofadas coleção Alice no País do Cordel Mercado Mambembe. www.feitobrasil.com Revista Feito Brasil | 39


TECNOLOGIA

Surge um novo “cordel”?

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Na era moderna, o IPad é a nova forma de leitura de livros, configurando um novo formato de comercialização de obras literárias

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Foto: Divulgação

Ipad Apple. www.feitobrasil.com Revista Feito Brasil | 41


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TECNOLOGIA

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A comercialização e distribuição do cordel desde sua chegada no Brasil, na década de 1960, ajudou muitas pessoas a terem acesso a cultura popular. Assim, o cordel foi responsável por educar e alfabetizar muitos nordestinos por muitos anos. Atualmente a literatura de cordel encontrou na internet o novo meio para divulgação e comercialização de suas obras. Pode-se dizer que a internet é uma das responsáveis pela volta do cordel para os dias de hoje e ter extrapolado a área da literatura popular, sendo considerado uma tendência nacional por muitos. Porém, dentre os avanços tecnológicos deste ano vale lembrar do IPad, um aparelho revolucionário para acessar a internet, ler e enviar e-mails, ver fotos, assistir vídeos, ouvir música, jogar, ler as versões digitais de livros e outras utilidades. A Apple apresentou o aparelho no dia 27 de janeiro deste ano, na cidade de São Francisco, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos da América. O lançamento possui 0,5 polegadas de espessura e peso de 680 gramas. Um aparelho deste custa a partir de US$ 499, nos Estados Unidos da América. Além de todas as funções que um IPad possui, ele ainda permite que o usuário interaja com aplicativos e conteúdos graças a tela sensível de alta resolução com Multi-Touch. O aparelho vem com teclado virtual e possibilita acesso de internet por Wi-Fi e 3G. Sua bateria tem carga para até 10 horas de duração. No mercado encontram-se disponíveis modelos com 16, 32 e 64 GB. Estes aparelhos eletrônicos são feitos de alumínio reciclável, telas econômicas retroiluminadas por LED e vidro sem arsênico, não possuem mercúrio, retardantes de chama à base de brominato e PVC. “O IPad cria e define uma categoria inteiramente nova de dispositivos desenvolvidos para conectar os usuários aos seus aplicativos e conteúdos de uma forma muito mais pessoal, intuitiva e divertida”, descreve Steve Jobs, CEO da Apple. Com o IPad, os cordelistas podem oferecer uma nova experiência de leitura, unindo o tradicional da poesia popular com as possibilidades dos avanços tecnológicos. Uma das possibilidades é unir os poemas com som e imagem, produzindo xilogravuras até animadas. A interação do leitor pode ser possível com a escolha de um final para o conto e outras interferências produtivas dentro dos textos. Se até o presente momento os cordelistas encontraram na internet um poderoso meio para difundir a cultura do cordel, isto não será diferente com o IPad e todas as suas possibilidades de inovação.

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CULTURA

A nova “roupa” dos contos infantis

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Os contos de cordel trazem um novo modo de contar as famosas fábulas infantis e reconquistar o público

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O Soldadinho de Chumbo em Cordel, de Jo茫o Bosco Bezerra Bonfim Editora Prumo. Pin贸quio - Hist贸rias do mundo em cord茅is, de Manoel Monteiro DCL.

Fotos: Alexandre Fumagalli www.feitobrasil.com Revista Feito Brasil | 45


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CULTURA Um dos clássicos da literatura infantil, o Soldadinho de Chumbo, de Hans Christian Andersen, recebe a influência do cordel pela poesia popular de João Bosco Bezerra Bonfim. O escritor nasceu no Ceará, em 1961, e mudou-se para Brasília em 1972, onde vive. Sua vivência no sertão levou-o a admirar e pesquisar as histórias narradas pelos mais antigos. Possui duas dezenas de livros publicados, vários deles para crianças, atua em escolas, feiras e festas literárias, contando histórias e ministrando oficinas sobre a arte de ler e criar. O personagem Pinóquio ensina que “mentira tem perna curta” de uma forma bem brasileira. Isto foi uma vitória do cordelista Manoel Monteiro, paraibano, que publicou seu primeiro cordel em 1951 e hoje tem mais de 90 títulos. Possui uma atração pelos contos de fadas, é um dos mais importantes poetas brasileiros. Revista Feito Brasil - Quais os benefícios em unir o cordel com as fábulas infantis? João Bosco Bezerra Bonfim - O cordel é uma das tradições mais “brasileiras” que podemos ter, em termos de manifestação das artes verbais. Sua “fôrma”, isto é, o modo como organiza versos reflete essa sonoridade bonita de nossa língua e dialoga com o oral. Por outro lado, os clássicos se tornaram conhecidos exatamente por seu caráter de “humanidade”. Então, quando recontamos o Soldadinho de Chumbo em Cordel, por exemplo, estamos falando de valores humanos universais (amor, paixão, inveja) numa linguagem própria da nossa gente. No caso dessa minha versão, editada com xilogravuras que retomam a tradição dos cordéis. Manoel Monteiro - A adaptação de contos tradicionais para o cordel é juntar o útil ao agradável. Hoje o cordel está disseminado e as editoras se despertaram para isto. As histórias tradicionais emprestaram leitura para os jovens e o cordel auxilia os professores dentro das salas de aula. Estes contos junto com o cordel vão fundo na alma do leitor e ajudam os jovens a tomarem gosto pela leitura. Por isto, é uma união de boa para excelente. FB - A adaptação da fábula para o cordel ajuda a tornar ambos mais populares? João - A adaptação de clássicos para o cordel brasileiro consiste numa aproximação cultural. Se tomarmos essas fábulas, mesmo que não tenham tido origem na Europa, elas projetam personagens e cenários europeus. Então, o cordel traz tramas e personagens para a paisagem e para o palavreado brasileiro, para o ritmo cantante das sextilhas. Manoel - Sim. É uma troca de mão dupla de sucesso. O cordel começou no início do século passado e era nordestino, mas com a ida de muitos nordestinos para o Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, na época de seu advento, disseminou o cordel para o Brasil, pois, na poesia popular eles, os nordestinos, carregavam suas saudades da terra natal. A partir deste momento, o cordel passou a pertencer para o Brasil, inclusive alguns vestibulares tomaram a forma de expressão popular em suas avaliações. Tudo isto faz com que o cordel seja bem visto por todos. Hoje o cordel é um artigo de consumo nacional, no tanto que a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) é localizada no Rio de Janeiro. As aulas com a presença do cordel são sempre uma festa. FB - Quais as principais mudanças que ocorrem com as fábulas ao serem adaptadas ao cordel? João - Por incrível que pareça o que faz um bom cordel é seu 46 | Revista Feito Brasil

caráter de fábula. Fora aqueles que são escritos para tratar de um escândalo político ou um crime que se tornou notório, os bons cordéis fazem justamente o que uma fábula faz: montam um cenário (de paz e tranqüilidade, de preferência), a seguir introduzem um conflito (um rapto, uma falência, uma doença, uma praga), para, em seguida, ir buscar uma solução para o problema enfrentado. Por fim, só falta transpor a fábula para a forma tradicional para o cordel brasileiro, que consta, geralmente, de setilhas (versos de sete sílabas) organizados em conjuntos de sextilhas (seis versos). Manoel - Sempre que faço a adaptação de uma fábula para o cordel, eu faço uma leitura pessoal da obra. Para contar um clássico hoje, ele merece ser atual. Por isso, nas minhas obras eu faço algumas alterações propositais. Na conclusão eu reforço o conselho, moral e educação da obra, exemplo não mentir, respeite o próximo e estude. O objetivo destas adaptações é passar uma mensagem e ao mesmo tempo em que trate dos problemas cotidianos. Nos meus livros eu não deixo passar medo para as crianças, quero é contribuir com a melhor educação delas. FB - O que o cordel perde e ganha ao abordar fábulas infantis? João - Primeiro, é preciso que a gente rememore que o rótulo “infantil” nem sempre esteve vinculado a fábulas. Os contos, os “causos”, as anedotas, as histórias exemplares eram contadas em rodas das quais faziam parte tanto crianças como adultos. Se você toma as Mil e Uma Noites, da tradição árabe, encontrará muitas fábulas. E se você ler as “fábulas italianas”, recolhidas pelo Calvino, encontrará tanto contos semelhantes aos recolhidos pelos Irmãos Grimm quanto os que rememoram Scherazade. E na tradição do cordel brasileiro, nas primeiras manifestações, já encontramos o reconto dessas fábulas pelo cordel. Então, eu apenas retomo esse veio narrativo e criativo. Manoel - O cordel é modernizado, sofre as modificações do tempo, pois, é uma literatura como outra qualquer. O cordel, adaptando uma fábula, recebe uma linguagem nova, transforma-se em um novo produto na literatura. O resultado é que temos mais que um conto, o conteúdo fica enriquecido, mais informativo e com entretenimento. A modernização do cordel foi responsável pelo seu ingresso nas salas de aula. FB - Sabemos a utilização pedagógica do cordel e das fábulas. A união dos dois pode trazer uma ferramenta pedagógica mais eficaz? João - O cordel agora faz parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais. O que significa que, ao lado de outros escritores como Cecília Meireles, também Leandro Gomes de Barros ou Rouxinol do Rinaré estarão nas bibliotecas e nas salas de aula. Qual a vantagem disso? O cordel recria muito a linguagem oral. As rimas e a extensão dos versos (sete ou dez sílabas, em geral) remete aos processos de memorização. E você pode ver que as crianças adoram as brincadeiras com as palavras. Gostam das parlendas (hoje é domingo, pé de cachimbo...) e das quadrinhas (quando eu era pequenino, do tamanho de um botão...) e os adolescentes gostam de rap que não é mais do que a junção das iniciais de rythm and poetry, do inglês. Enfim, penso que


JoĂŁo Bosco Bezerra Bonfim e o livro O Soldadinho de Chumbo em Cordel, da Editora Prumo.

Foto: CĂ­cero Bezerra www.feitobrasil.com Revista Feito Brasil | 47


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CULTURA o cordel ajuda nesse diálogo entre o falado e o escrito, que tanto precisa ser trabalhado nas escolas, pelo lado do prazer da leitura. Manoel - Sim, mas o cordel não substituirá nada em sala de aula. O cordel é uma ferramenta paradidática e é responsável por trazer mais alegria para as aulas. Entendo o cordel como um complemento para as aulas. Entretanto, o objetivo do cordel na educação não é fazer novos poetas, mas apresentar a diversidade cultural. FB - Estamos falando de fábulas mundialmente conhecidas, o que a versão em cordel traz de novidade para quem já conhece a fábula? João - A recriação de uma fábula em outra cultura e em outras mídias está vinculada aos valores das respectivas sociedades em que circula. Então, recompondo: todas essas fábulas (ou a quase totalidade delas) que conhecemos como sendo dos Irmãos Grimm ou de Hans Chistian Andersen, veiculadas pelo modo escrito, já foram, algum dia, apenas veiculadas pelo modo oral. E o que um dia se tornou conhecido como Ilíada e Odisséia, atribuídas a um ser histórico ao qual se chamou Homero, não passam de um conjunto de histórias que circulavam, oralmente e em versos, pelo mundo grego. Então, voltando ao Nordeste e ao cordel: as narrativas em versos de cordel, em grande parte reproduziam antigas narrativas do Oriente. Várias delas vieram das Mil e Uma Noites (via prosa narrada na Europa). O Romance do Pavão Misterioso, cordel clássico, em parte, retoma uma narrativa (em prosa) que está em Carlos Magno e os Doze Pares de França. Então, adaptar para o cordel narrativas que classicamente foram narradas em prosa (oral e depois escrita) é o que há de melhor para a tradição. E o que é recompor a tradição? É reinventá-la. Por isso, no meu soldadinho de chumbo, há um baile funk, que é um abrasileiramento da história. Na Roupa Nova do Imperador em cordel, toda a história é contada por um cantador-repentista, típico do Nordeste. Manoel - O cordel traz a síntese para as fábulas já conhecidas mundialmente. Temos conhecimento que o brasileiro não gosta de ler e isto já é comprovado com a pouca tiragem de livros, jornais e revistas. Neste campo, o cordel entra como um produto sintetizado, o que acaba conquistando o público e deixando o gosto pela leitura. FB - O cordel foi responsável por popularizar a leitura principalmente no nordeste. Podemos dizer que a internet é o cordel deste século, pois, popularizou a leitura, a distribuição de conteúdo e a venda de livros, inclusive as obras de cordel? Por quê? João - Ao falarmos do folheto de cordel e da internete, estamos falando, num certo sentido da acessibilidade. No início do século XX, o que circulava mais pelas feiras era o folheto de cordel. Por quê? Pelo baixo preço da impressão, pela facilidade de circulação (os fardos de cordéis iam para os armazéns do interior do Nordeste nos mesmos comboios de burros ou caminhões que levavam fumo, querosene e açúcar). Mas, principalmente, pela portabilidade. Não podemos nos esquecer, entretanto, de que o cordel cria um vínculo com seus consumidores leitores. Então, devemos saber se essa rede mundial de computadores poderá ser o veículo privilegiado para fazer circular o cordel (narrativas em versos). Nesse ponto, ainda há um gargalo. Nem todos os leitores tradicionais de cordel têm acesso à internete. Ou melhor, poucos deles têm acesso a computador. 48 | Revista Feito Brasil

Se pensarmos em “portabilidade”, esta está surgindo com os leitores digitais (Kindle, Ipad, etc.) E esses leitores, por muitas décadas, ainda circularão apenas no meio da elite econômica. Mas, por outro, lado, o cordel continua a ter os bons atrativos que tinha: uma história ligeira, dita em versos, o que guarda muita semelhança com a oralidade. O que a internete pode fazer? Ajudar a configurar novos leitores, ao fazer circular com maior facilidade os cordéis clássicos existentes. Hoje, como já disse, o cordel faz parte (ou deveria fazer) dos currículos escolares do ensino fundamental. E qual a melhor maneira de fazer chegar a alunos e professores os cordéis clássicos? Em pêdêéfes (arquivos de fácil portabilidade), que circulem pela internete e que lancem mão de acervos como o da Fundação Casa de Rui Barbosa e da Fundação Joaquim Nabuco. Manoel - Tranquilamente. Todo meio de divulgação é importante, inclusive para o cordel. Porém, o computador não substituirá o livro e o prazer que ele proporciona ao leitor. FB - Com o avanço das novas tecnologias, qual é o provável futuro do cordel? João - Devemos abstrair o “cordel” dessa imagem – aliás, faz muito tempo que é apenas uma imagem – de um folheto pendurado no barbante. O cordel sempre se caracterizou por ser uma história que era reproduzida no meio mais econômico possível (e, em seus primórdios, no Brasil, pelas tipografias, usando um papel jornal tamanho A4, em duas dobras). E hoje? O que é mais barato, em termos de reprodução? E o que pode circular com mais velocidade? Não há dúvida de que a internete pode abrigar as narrativas em verso de cordel. Manoel - Estas novas tecnologias são um braço forte para disseminar o cordel para aqueles que não conhecem a beleza da poesia popular, chamando a atenção para o cordel. Devemos lembrar que o cordel não é só um livro, mas sim um estilo literário, com um bom texto e entretenimento. FB - Uma das características do cordel são as xilogravuras. Hoje, em que a fotografia e a imagem digital dominam, a xilogravura tem espaço? Como? João - A xilogravura é tão antiga quanto podemos localizar nas descobertas arqueológicas. O que houve é que, nos primeiros tempos do cordel, era mais barato para o poeta fazer ou mandar fazer uma “chapa” em madeira (xilo) do que em metal, o clichê. Enfim, essa trajetória de xilogravura e cordel faz parte do momento mais heróico, digamos assim, do cordel, quando ele precisava, com poucos recursos, ser reproduzido aos milhares. E isso é bonito e precisa ser valorizado. Mas, hoje, muitos outros tipos de imagens podem e devem ser utilizados para ilustrar os cordéis. Inclusive o uso da ilustração interna (desenhos, xilogravuras), o que não era comum nos cordéis mais antigos, pois era mais barato fazer uma xilo apenas para a capa. Manoel - Não e digo isto com experiência gráfica que tenho. Não há como imprimir o taco (matriz para xilogravura) hoje, não há espaço. Hoje, o artista desenha e escaneia o material, sofrendo o processo gráfico atual. Mas o estilo da xilogravura permanecerá com os desenhos tendo a mesma simplicidade. Tudo se moderniza, igual ao cordel, que hoje é publicado por editoras e na internet. A xilogravura hoje é um processo que encarece e dificulta o trabalho de publicação de cordéis.


Manoel Monteiro e o livro Pinóquio - Histórias do mundo em cordéis, da Editora DCL.

Foto: Divulgação www.feitobrasil.com Revista Feito Brasil | 49


PENSAMENTO

O Cordel Feito (o) Brasil por Lili Peron

Cada gosto tem um cheiro Que vieram pra ficar Alecrim com hortelã Servem para acalmar Tem cacau, tem macadâmia Tudo para hidratar

Cada canto, uma riqueza Que Brasil sensacional! Suas belezas brotando Nas matas e pantanal Dá emprego a muita gente Nenhum país é igual.

E também não se esqueça Às crianças, de dizer Cuidem bem deste planeta Ajudando a entender Que o amor é o antídoto Pro mundo inteiro viver.

Grave bem: Feito Brasil Hidratante corporal Sabonetes que beleza! Tudo muito natural Em muitas formas e cheiros Pra você que é especial.

Chocolate com morango Tudo pode acontecer! Pimenta com canela Pro desejo florescer Buriti e guaraná A energia faz crescer.

Preparadas com carinho As essências de um jardim Silvestres orquídeas e rosas Perfumam você e a mim Os produtos Feito Brasil Agradecem o seu sim!

Portanto tome ciência Do que não se pode fazer Deixe o lixo separado E a reciclar aprender Respeitando a natureza Cidadão do alvorecer.

Vendo o mapa do Brasil Com impressão digital Aparece nos produtos Sua marca industrial Respeitando o ambiente Esclarece no portal.

Do pequi e maracujá Da pitanga e da amora O calmante e o refrescante Que o mundo todo adora A Feito exporta produtos Por todo esse mundo afora.

Para as mulheres charmosas Pra quem gosta de agradar Para o homem de vanguarda O sucesso alcançar Sabonetes feito bicho Pras crianças encantar.

Para um povo evoluído Este lema vai ficar Sustentar a humanidade Muita coisa tem que mudar Pra colher o que é de direito Antes temos que plantar.

As essências utilizadas Com cuidado e tudo mais Revelam com todo o carinho As riquezas naturais De um país tão bonito Com misturas culturais.

Erva doce, cupuaçu Falta espaço pra contar Os produtos especiais Que no norte vai buscar No nordeste e Centro-oeste Encantos para agradar.

Se gostou desse cordel Com as rimas caprichadas Aproveite estes versinhos Pra falar do nosso amor Pelas coisas brasileiras Nosso povo de valor.

Fica aqui o meu adeus Mas este não é para sempre Já andei por tantos cantos Sigo o caminho contente Respeitando a natureza Vou atrás e Deus na frente.

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Ilustração: Tiago Lenartovicz

Tudo é artesanal Inspirado pra você In natura brasileira Sinta a leveza do ser Esse jeito Paraná De cosméticos fazer.

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ENDEREÇOS A Alto Giro (44) 3033-0101 www.altogiro.net Amapô (11) 3333-3322 www.amapo.com.br Amarjon Biojóias (21) 2421-9120 www.amarjon.com.br André Lima (11) 3849-3444 www.andrelima.com.br Apple 0800-7610867 www.apple.com/br Archy 0800-0197366 www.archy.com.br

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Revista Feito Brasil | ano 1 - n° 001 - setembro e outubro de 2010  

Revista da marca de cosméticos artesanais e sustentáveis que tem a cara do Brasil.

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