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Revista Islâmica

Shawwal/Zul Qa’adah/Zul Hijjah de 1431 A.H - Outubro / Novembro / Dezembro 2010 (A.D.) - Ano 3 / Número 13 R$

Profetas

A nobreza de José(a.s.)

Mulher

O recato ao vestir-se

Conduta A ética da sensibilidade

9,90

Ambiente O respeito à natureza


Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo Revista Islâmica

Prezado (a) Leitor (a),

“Em Nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso” “Enviamos os Nossos mensageiros com as evidências e enviamos, com eles, o Livro e a balança, para que os humanos observem a justiça.” Alcorão Sagrado (57:25)

Revista Islâmica Evidências

é uma publicação da Associação Beneficente Islâmica do Brasil CNPJ 43.759.802/0001-92

Rua Eliza Witacker, 17 – Brás - São Paulo - SP - CEP 03009-030

Telefones: (11) 3315-0569 e 3329-9200

Publicação Trimestral

Shawwal/Zul Qa’adah/Zul Hijjah de 1341 A.H. Outubro / Novembro / Dezembro 2010 (A.D.) Ano 3 / Número 13

Diretor-Presidente:

Assayyed Charif Sayyed (Teólogo e Pesquisador em Pensamento Islâmico) sayyed@revistaevidencias.org

Vice-presidente:

Abdallah R. Hammoud

MTB: 53199/SP abdallah@revistaevidencias.org

Tradução:

Samir El Hayek (Matemático e Físico pela UNISA)

Jornalista responsável:

Omar Nasser Filho - MTB - 26164 Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Muitas vezes, em nossas vidas, nos deparamos com a questão do exemplo. Nós, pais e mães, devemos ser exemplos para nossos filhos. Da mesma forma que eles, porém, buscamos em nosso cotidiano paradigmas, modelos de comportamento que nos inspirem em nossa procura por uma vida melhor. Entre os muçulmanos, é obrigatório seguir um Marja’ Taqalid, um sábio prudente que nos guia em nossas questões, especialmente aquelas relativas à crença religiosa e ao comportamento social. Isso não significa, contudo, que nós não possamos, mesmo sem perder nossa humilde condição de seres falíveis, constituirmo-nos em exemplos para os outros. Mesmo com pequenas ações ou palavras. Ser exemplo para os outros significa comportar-se de maneira correta, escolher as palavras ao falar, agir com prudência e serenidade. Além deste tema, nesta edição de Evidências tratamos de outros assuntos de grande relevância. O respeito ao meio-ambiente é um deles. Questão cada vez mais grave no mundo moderno, em que os grandes níveis de poluição degradam de maneira acelerada a natureza, a questão ambiental deve preocupar a todos. Especialmente por causa das futuras gerações. Que mundo queremos deixar para nossos filhos? Um mundo cinza, sem matas, com rios mal cheirosos, sem água potável? Ou um mundo transparente, de água límpida, ar perfumado, onde todos possam desfrutar das belezas das matas? A escolha está em nossas mãos e o futuro do meio-ambiente terrestre depende de pequenas atitudes, que podemos adotar em nosso dia-adia. Uma boa leitura a todos! E que a paz esteja convosco! Editor

Departamento Jurídico

Ricardo Trovilho (OAB/SP n° 119.760)

Projeto gráfico / Diagramação: Marcos Faccio Ferreira - (11) 9911-2513 Fale conosco:

faleconosco@revistaevidencias.org abib@mesquitadobras.org.br evidencias_islamicas@hotmail.com Assinaturas:

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Os artigos publicados na “Revista Islâmica Evidências” não refletem, necessariamente, a opinião da revista. NOTA EXPLICATIVA: Ao longo dos textos de “Revista Islâmica Evidências”, o leitor encontrará algumas siglas e sinais particulares, os quais explicamos a seguir: Após a menção ao nome do Profeta Muhammad, segue-se uma letra “S” entre parênteses. Esta é a abreviatura da expressão arábe: “Salla allahu aleihi wa álihi wa sallam”, ou, traduzindo: “Deus o abençoe e lhe dê paz, bem como à sua Família”. Quando é citado o nome de um outro Profeta ou de um Ma’assum (isto é, pessoa imaculada), segue-se a sigla (A.S.), que significa: “aleihi salam” (A paz esteja com ele); “aleiha salam” (A paz esteja com ela); ou “aleihem salam” (A paz esteja com eles). Outra sigla utilizada é (R.A.), que significa “radi’allah an-hu (an-ha)”, ou “Deus esteja satisfeito com ele (ela)”.

Revista Islâmica Evidências - 1


Revista Islâmica Evidências - Ano 2 - número 13

Por que o uso do véu no islã

•Escrituras

Milagres verbais, numéricos e aritméticos do Alcorão Sagrado

•Histórias do Alcorão

O Profeta José e o Profeta Jacó(a.s)

•Sexualidade

O Sexo na Concepção Islâmica

10

15

22

28 38

•Ficção

O Chamado

•Comportamento

Siga e seja exemplo

•Personalidade Islâmica O Sábio Arrazi

PAG.

Qual é o significado da adoração no Islã?

PAG.

PAG. PAG.

•Perguntas e respostas

PAG.

04

A Ética da Sensibilidade no Diálogo e na Fala

PAG.

•Mulher

03

•Artigo

•Interpretação do Alcorão

Exegese do Alcorão Sagrado

•Palavras Cruzadas

PAG.

A Prece de Sexta-Feira

01

PAG.

•Preces Diárias

PAG.

A Revolução do Imam Hussein (a.s.).

PAG.

•Boa Guia

PAG.

•Cartas

PAG.

Omar Nasser

PAG.

•Caro Leitor

PAG.

Alcorão Sagrado (57:25)

13

PAG.

SUMÁRIO

Em Nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso “Enviamos os Nossos mensageiros com as evidências e enviamos, com eles, o Livro e a balança, para que os humanos observem a justiça.

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Cartas

Envie-nos sua opinião através de carta para: Revista Islâmica Evidências Rua Eliza Witacker, 17 - Brás São Paulo - SP - CEP 03009-030, ou pelo e-mail cartas@revistaevidencias.org

Deus, o Altíssimo, diz:“Em suas histórias há um exemplo para os sensatos” (12:111). Foi dito: “O sensato é quem aproveita a advertência dos outros, quem consulta as pessoas e participa de suas idéias.” Leitor, esta página é dedicada à sua participação: opiniões, pensamentos, críticas e sugestões. Basta enviar sua mensagem pela internet ou carta, citando sempre o seu nome, número do RG e endereço. Devido ao espaço disponível, algumas mensagens podem ser editadas. Desde já, agradecemos por sua contribuição.

Prova

Misericórdia

Já me deparei com muitas provas em minha vida. Não vou entrar em detalhes, que não vêm ao caso, mas posso afirmar que a confiança em Deus me ajudou muito a superar minhas dificuldades. A matéria que fala da prova e da aflição, publicada na última edição da Revista Evidências, é o espelho do que ocorre com as pessoas que confiam n’Ele para conquistar a paz e a serenidade, tão necessárias em momentos difíceis. Allahu Akbar!

Achei muito interessante a matéria sobre a “Misericórdia Divina”, publicada na última edição de Evidências. É muito bom viver com a esperança de sermos alcançados pela Misericórdia de Deus, pois isso nos dá confiança para continuar seguindo em frente em nossa jornada. Nossa vida fica mais iluminada, nosso destino é certo e nossa esperança num futuro melhor se renova a cada dia. Parabéns a todos da Revista Evidências pelas belas reportagens!

Hussein Majid Iskandar Rio de Janeiro (RJ)

Alda Aparecida Santos Cachoeira Paulista (SP)

Adolescência

Influência

Tenho filhos na adolescência e as matérias publicadas em Evidências sobre o relacionamento entre os jovens e as jovens, bem como aqueles que falam sobre o sexo, têm sido muito úteis para orientá-los de maneira correta. No mundo em que vivemos, existe um apelo muito grande para que os jovens comecem sua vida sexual muito cedo, um comportamento errado, a meu ver, estimulado por novelas indecentes que passam na TV em qualquer horário. Ganhei uma revista de um amigo da família e gostei muito do seu conteúdo. Obrigada a vocês de Evidências!

Li as duas últimas edições da Revista Evidências e apreciei muito seus textos. É muito bom conhecer melhor a Cultura e a Religião Islâmica, que tanto influenciou o nosso Ocidente. Talvez fosse o momento de os ocidentais procurarem entender melhor o Islã, talvez, assim, progridam como fizeram os europeus que conheceram os muçulmanos nos séculos X, XI, XII, etc. Vou assinar a revista! Celso Gantois Colombo (PR)

Aminah Murad Belo Horizonte (MG) Revista Islâmica Evidências - 3


Boa Guia

“Que a paz esteja contigo, ó, Pai do Servo de Deus Al-Hussein”

Opinião dos Orientalistas e dos Cientistas Ocidentais a Respeito da Revolução do Imam Al-Hussein (a.s.) (1)

O

Incidente de Karbalá(2) deixou um impacto profundo sobre as ideias dos seres humanos, mesmo dos nãomuçulmanos. A grandeza da revolução, o apogeu do sacrifício e outras qualidades exibidas por Hussein (a.s.) e seus apoiadores suscitou uma série de considerações sobre este 4 - Revista Islâmica Evidências

épico do Islã. Este fato memorável requer a renião de todas as palavras escritas pelos sábios, o que formaria um enorme volume, especialmente porque alguns autores não muçulmanos também escreveram livros a seu respeito. Vamos apresentar, em seguida, a opinião de uma série de personalidades muçulmanas e não muçulmanas sobre


a Revolução de Hussein (a.s.) Disse o arqueólogo inglês William Loftus: “Hussein ibn Ali (a.s.) apresentou o mais profundo martírio da história da humanidade e alcançou o nível de um heroísmo ímpar”. O orientalista alemão Marbin disse: “Al Hussein (a.s.) legou ao mundo uma lição de sacrifício e redenção por meio do sacrifício das pessoas mais queridas (a ele) e por meio da demonstração de sua opressão e elegibilidade. Ele ingressou o Islã e os muçulmanos no registro histórico, elevendo o seu conceito. Esse bravo soldado provou ao mundo muçulmano e a todos os seres humanos que a injustiça e a tirania não são perenes. Não importa quão firme e formidável na aparência seja a tirania, ela não é, perante o direito e a verdade, nada mais do que uma pena levada pelo vento”.

E disse mais: “O Imam Hussein e seus poucos companheiros crentes estavam determinados a lutar até a morte, e lutaram heroicamente e com coragem, desafiando a nossa admiração ao longo dos séculos até hoje em dia.” Sir Percy Dickens também disse: “Na verdade, a coragem e o heroísmo demonstrados por aquele pequeno grupo estão ao grau de levar todos os que ouvirem falar dele louvá-lo e elogiá-lo involuntariamente. Esse corajoso e nobre grupo fez-se notoriamente sublime e imortal, permanentemente.” O hindu, ex-presidente da Conferência Nacional Indiana, Tamlas Tundun, disse: “Esses grandes sacrifícios do Imam Hussein elevaram o nível do pensamento humano e devem ser mantidos e lembrados para sempre”.

O Incidente de Karbalá deixou um impacto profundo sobre as ideias dos seres humanos, mesmo dos não-muçulmanos

O pensador cristão libanês Antoine Bara disse: “Se Hussein fosse de nós, teríamos espalhado para ele, em toda a terra, um estandarte e estabelecido em cada lugar um púlpito e convocaríamos as pessoas ao cristianismo, em nome de Hussein”. O orientalista Inglês Edward Beroan, disse: “Haveria algum coração que não ficaria cheio de tristeza e dor quando ouvisse falar de Karbalá? Até os não-muçulmanos não negariam a pureza do espírito em que esta batalha teve lugar”.

O escritor Inglês Sir Percy Dickens disse: “Se O Imam Hussein estivesse lutando por objetivos mundanos, não entendo por que ele levaria consigo as mulheres, os jovens e as crianças. Então, a razão atesta que ele se sacrificou apenas por causa do Islã.”

Disse o líder indiano Mahatma Gandhi: “Eu sou um hindu de nascimento, no entanto, não sei muito do hinduísmo. Pretendo fazer um estudo cuidadoso da minha própria religião e de outras religiões, tanto quanto a minha capacidade permite”. E disse: “Tenho discutido com alguns amigos muçulmanos e espero ser um bom amigo dos muçulmanos”. Após um profundo estudo de outras religiões, conheceu o Islã por intermédio da personalidade do Imam Hussein e se dirigiu ao povo indiano, dizendo: “Permitam-me que leia com atenção a vida do Imam Hussein, o grande mártir do Islã. Analisei as páginas de Karbalá e me dei conta de que a Índia, se quiser alcançar a vitória, terá de conhecer a biografia de Hussein”. O libertador da Índia foi afetado pela personalidade do Imam Hussein. Ficou sabendo que ele representava uma escola da vida

(1) Imam Al-Hussein ibn Ali ibn Abi Tálib (a.s.), filho do Santo casamento do Imam Ali com a filha abençoada do Profeta Muhammad, Fátima Azzahrá (que a paz esteja com todos eles). No século VII, liderou uma revolução contra o governo corrupto de Yazid ibn Moawiya ibn Abu Sufián, cujo avô, inclusive, foi um dos grandes inimigos do Santo Profeta do Islã (S). (NE) (2)Karbalá corresponde a uma região desértica situada, atualmente, no território do Iraque. Neste local, no dia 10 do mês de Muharram – o primeiro do calendário lunar islâmico – o Imam Hussein (a.s.) e seus seguidores foram martirizados pelo exército de Yazid. O ano era 61 A.H. ou 680, no calendário cristão. (NE) Revista Islâmica Evidências - 5


digna e o símbolo alcorânico do Islã, o modelo de moralidade, dos valores humanos e a medida do Direito... Gandhi se concentrou, em suas palavras, nos sofrimentos de Imam Hussein, dizendo: “Aprendi com Hussein a ser oprimido e, mesmo assim, ser vitorioso”. O pesquisador inglês John Acher disse: “A tragédia da Hussein ibn Ali envolve o mais alto sentido de martírio pela causa da justiça social”.

xiitas de todo o mundo islâmico revivem a data do martírio de Hussein, lamentando o dia 10 de Muharram, não distante de Karbalá. Hussein ficou perambulando no deserto, até acampar em Karbalá. Foi, então, cercado por seus inimigos e os recursos hídricos foram-lhe impedidos. Os detalhes desses fatos continuam claros no pensamento das pessoas até hoje em dia, mesmo depois de 1.257 anos. Não é possível para aqueles que visitam essas cidades santas se beneficiarem muito da sua visita, a menos que fiquem sabendo algo desta história, porque a tragédia de Hussein permeia tudo, mesmo até alcançar os alicerces. É uma das poucas histórias que, ao ler, não consigo ficar sem chorar.”

Disse o líder hindu, Mahatma Gandhi: ‘se a Índia quiser alcançar a vitória, terá de conhecer a biografia de Hussein’

O orientalista húngaro Ojnans Goldzaihr disse: “Foi travado entre Hussein bin Ali e o usurpador Omíada(3) permanente conflito. O caso de Karbalá tem proporcionado à história do Islã um grande número de mártires .. o luto por eles tem, ainda hoje, um aspecto emocionante.” A escritors inglesa Freya Stark disse: “Os (3) I.é, Yazid ibn Moawiya ibn Abu Sufian (NE).

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Mohammed Ali Jinnah, o fundador do Paquistão, disse: “Não se pode encontrar no mundo um exemplo de coragem como o sacrifício do


Imam Hussein. Creio que todos os muçulmanos devem seguir o exemplo deste homem que sacrificou a si mesmo na terra do Iraque”. Thomas Carlyle, o filósofo e historiador Inglês, disse: “A maior lição que tiramos da tragédia de Karbalá é que Hussein e seus partidários tiveram uma crença firme em Deus, provaram com o seu ato que a superioridade numérica não importa quando o confronto é entre o bem e o mal. O que me surpreendeu foi a vitória de Hussein, apesar do pequeno número que estava com ele”.

Morris Ducapri disse: “No obituário de Hussein diz-se que ele sacrificou-se para a manutenção da honra e a dignidade das pessoas, para salvar a santidade do Islã e não ceder à dominação e os caprichos de Yazid. Então, vamos adotá-lo como o nosso modelo, para nos livrar do jugo do colonialismo e preferirmos a morte decente a levar uma vida humilhante”. A Filha de Cháti: “Zainab, a irmã de Hussein (a.s.), corrompeu a vitória de Yazid e dos Omíadas e distilou as gotas de veneno no copo de sua vitória. Zainab, a heroína de Karbalá, desempenhou o papel de catalisador em todos os eventos políticos que se seguiram à Achurá, como a revolta de Muktar, de Abdullah bin Zubair, a queda da dinastia Omíada, o estabelecimento da dinastia Abássida e a disseminação do xiismo”.

Disse o fundador do Paquistão, Mohammad Ali Jinnah: ‘Não se pode encontrar no mundo um exemplo de coragem como o sacrifício do Imam Hussein’

Frederick James disse: “O chamado do Imam Hussein é o de qualquer herói e mártir: de que neste mundo, os princípios da justiça, compaixão e amor, não se alteram. Eles nos asseguram que sempre que uma pessoa aparece para defender essas qualidades e exortar as pessoas a se prender a elas, é prescrito para esses valores e princípios a estabilidade e a permanência”.

O famoso historiador americano, Washington Elving, disse: “Era fácil para o Imam Hussein salvar-se entregando-se à vontade de Yazid. Porém, a missão do líder, que foi a razão do surgimento das revoluções no Islã, não permitiu que ele reconhecesse Yazid como sucessor. Ele estabeleceu para si suportar todas as pressões e tragédias, a fim de salvar o Islã das garras dos Omíadas. O espírito de Hussein permaneceu imortal, enquanto seu corpo caiu nas areias escaldantes do Iraque. Hussein caiu mártir nas areias de Karbalá. Ó, herói! Ó, exemplo de coragem! Ó alferes!Ó, Hussein!” Thomas Masaryk disse: “Apesar do fato de que os sacerdotes têm influência sobre os sentimentos das pessoas por causa da paixão de Cristo, não se consegue encontrar nos seguidores de Cristo o entusiasmo e a emoção que se encontra nos seguidores de Hussein (a.s). Parece que a razão disso é que a paixão de Cristo, em relação ao martírio de Hussein (a.s.), não representa uma palha perante um grande monte.”

Liakat Ali Khan, primeiro-ministro do Paquistão, disse: “Nesse dia de Muharram, há um profundo significado para os muçulmanos em todo o mundo. Nesse dia houve mais um incidente de tristeza e luto na história do Islã. O martírio do Imam Hussein (a.s.), com tudo que possui de tristeza, constitui, na verdade, uma conquista final do verdadeiro espírito islâmico, porque foi um reconhecimento pleno da vontade divina. Devemos aprender com ele e não termos receio de desvio do caminho da verdade e da justiça, não importa o tamanho dos problemas e riscos”. George Jurdak, o escritor e intelectual cristão, disse: “Quando Yazid recrutou as pessoas para matar Hussein e provocar o derramamento de seu sangue, elas diziam: ‘Quanto você paga em dinheiro?’ Os partidários de Hussein, porém, disseram: ‘Morreremos setenta vezes, estamos preparados para lutar ao seu lado e voltar a morrer novamente.” Abbas Mahmoud Al Akkad, o escritor e intelectual egípcio, disse: “A revolta de Hussein, uma das originais revoluções da história, tem-se Revista Islâmica Evidências - 7


demonstrado inigualável até agora entre as chamadas revoluções religiosas ou políticas. A dinastia Omíada não permaneceu. Não passaram, após a revolução de Hussein até a queda da dinastia Omíada, mais de 60 anos.” Ahmad Mahmoud Subhi disse: “Apesar de Hussein Bin Ali (a.s.) ter sido derrotado política e militarmente, a história nunca viu uma derrota que acabasse a favor dos vencidos, como aconteceu com o sangue de Hussein. O seu sangue foi seguido pela revolução de Ibn al-Zubair, o aparecimento de Mukhtar, entre outras revoluções, até a queda da dinastia Omíada. As vozes pedindo o castigo pelo sangue de Hussein tornaram-se um apelo que abalou tronos e governos”. Kepone, o historiador Inglês, disse: “Apesar da passagem de longo tempo do incidente de

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Karbalá, mesmo que não nos una com o personagem uma só pátria, as dificuldades e tragédias que ocorreram com Hussein (a.s.) despertam os sentimentos do leitor, mesmo que a pessoa tenha o mais cruel coração. Sente-se uma espécie de simpatia e atração por aquele caráter.” O orientalista Nicholson disse: “Os Omíadas eram ditadores opressores. Ignoraram os preceitos do Islã e subestimaram os muçulmanos. Ao estudarmos a história, verificamos que a religião era contra a tirania e a opressão. O estado teocrático enfrentou os estados imperiais. Com base nessa história, é permitido dizer que o sangue de Hussein (a.s.) está na consciência dos Omíadas. Abdel Rahman El-Sharkawi, escritor egípcio, disse: “Hussein foi mártir pela religião e pela liberdade. Os xiitas não deveriam ficar or-


gulhosos sozinhos em nome de Hussein (a.s.),

mas todo o mundo livre deveria ter orgulho deste nobre nome.” Taha Hussein, escritor e intelectual egípcio, disse: “Al Hussein (a.s.) tinha a esperança de aproveitar a oportunidade de retomar o Jihad e dar continuidade à marcha que o seu pai havia iniciado. Ele exigiu a liberdade perante Moáwiya e seus seguidores a tal ponto que fez este ameaçá-lo. Al Hussein, porém, obrigou os seus seguidores a defenderem o direito.” Abdul Hamid Jauda Asshar, escritor egípcio, disse: “Hussein não podia jurar fidelidade a Yazid e curvar-se ao seu governo, porque um ato desse significa justificar a imoralidade e a libertinagem, reforçar a injustiça e a tirania e ajudar o falso governo. Hussein não ficou satisfeito com aqueles atos, mesmo que tenham condenado sua família ao catriveiro e o assassinato deles e de seus seguidores.”

Conclusão: a partir das palavras citadas acima, podemos dizer o seguinte: 1. Que o Imam Hussein (a.s.) revoltou-se pelas seguintes razões: a sobrevivência e a grandeza do Islã, o Governo do Alcorão, a responsabilidade dos Imames, a proteção da honra das pessoas, a reforma do país, o ordenamento da prática do bem e a coibição da prática do mal, o propósito de defender os oprimidos e o interesse público.

As vozes pedindo o castigo pelo sangue de Hussein tornaram-se um apelo que abalou tronos e governos

O sábio e filósofo egípcio Attantáwi disse: “A tragédia de Hussein instila nos amantes da liberdade uma ânsia para o sacrifício pela causa de Deus, fazendo-os encarar a morte com a maior esperança, até fazê-los competir pelo martírio.” Al Obeidi, o Mufti de Mossul, disse: “A tragédia de Karbalá, na história da humanidade é rara, como os seus personagens são raros. Al Hussein Bin Ali (a.s.) percebeu sua obrigação e apegou-se às regras de defesa do direito dos oprimidos e do interesse público, baseada nos preceitos de Deus, inscritos no Alcorão, e nas palavras do nobre Profeta. Ele não hesitou em fazê-lo. Sacrificou-se naquele grande matadouro e tornou-se, perante o seu Senhor ,”o Senhor dos Mártires”. Na história geral, tornou-se o “Líder dos Reformadores” e conseguiu o que ele estava procurando, e mais ainda”.

2. A revolução do Imam Hussein (a.s.) demonstrou que foi declarada com base na moralidade e cavaleirismo, na finalidade do interesse público. Foi o empenho para erradicar o vício e promover a virtude.

3. A revolução de Hussein (a.s.) causou o despertar das pessoas, transformando a religiosidade aparente e superficial em uma fé verdadeira e profunda. 4. O que as pessoas aprenderam dessa verdadeira escola? A lição oferecida pelos acontecimentos de Karbalá é fundamental e perene. Ela reflete as crenças na liberdade, na justiça e no amor, a adoção do nobre método no enfrentamento ao oponente. As pessoas aprenderam, com o exemplo de Hussein (a.s.) a não se curvar perante a injustiça e a enfrentar o poder colonial. Karbalá exorta-as a mostrar emulação, coragem, sacrifício, paciência e persistência perante a adversidade, a firmeza no caminho do Direito. Incentiva a alma a lutar contra o erro e eliminá-lo. Confirmou que o direito, a virtude, a justiça e a fé são capazes de vencer a injustiça, a infidelidade, a mentira e a tirania. Os fieis companheiros do Imam (a.s.) ensinaram às pessoas as melhores lições de fé em Deus, pavimentaram o caminho para a vitória do povo e confirmaram que a vitória é do crentes, embora mesmo em menor número e com recursos reduzidos. Revista Islâmica Evidências - 9


Prece da Sexta-Feira(1) Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso “Louvado seja Deus, o Primeiro antes da formação e da vivificação, o Último após o desaparecimento das coisas. Ele não Se esquece de quem O recorda e não diminui a recompensa de quem O agradece. Ele não decepciona quem Lhe suplica, nem corta a esperança de quem Lhe roga. Ó Deus, faço-Te Testemunha, e é suficiente o Teu testemunho, e faço testemunhas todos os Teus anjos, os habitantes dos Teus Céus, os portadores do Teu Trono, os profetas e mensageiros que enviaste e as variedades de criaturas que criaste. Presto testemunho de que és Deus, não há outra divindade além de Ti, Único, sem parceiro nem igual. As Tuas palavras não se anulam nem mudam, e que Mohammad (que Deus o abençoe e lhe dê paz, bem como aos seus familiares) é Teu servo e Mensageiro. Ele transmitiu o que lhe encarregaste transmitir aos servos, empenhou-se na causa de Allah devidamente. Ele comunicou a respeito do que é verídico (em termos) de recompensa, e advertiu a respeito do que é verdadeiro (em termos) de punição. Ó, Deus, fixa-me em Tua religião enquanto me conservas vivo. Não desvia o meu coração depois de me orientar, concede-me a Tua misericórdia, pois Tu és Quem Agracia. Abençoa Mohammad e sua família, e me torne um de seus seguidores e partidários, congrega-me em seu círculo social e auxilia-me para desempenhar a obrigação das orações das sextas-feiras em congregação e o que estabeleceste nelas (em termos) de obediências, e dividirá entre o povo as concessões no Dia das Recompensas, pois Tu és o Poderoso, o Prudentíssimo”. (1) Uma das orações do Imam Ali Ibn Al Hussein Ibn Ali Ibn Abi Tálib, apelidado “Zain El ‘Abidin” (AS).


Preces diárias

A

Nas Mãos da Prece

Prece de Sexta-Feira começa falando da unicidade de Deus, pois Ele é o Primeiro antes da criação, é o Último que herdará a terra e o que ela possui. Ele é Onisciente, e não há limite ao Seu conhecimento. Ele não se esquece de quem se lembra d’Ele, não diminui a recompensa de quem Lhe agradece, mas aumentalhe os benefícios. Este é um depoimento prestado pelo crente - em prece - perante todo o universo, como testemunha da profecia do Profeta Mohammad (S), que cumpriu a mensagem da melhor forma e com melhor desempenho, empenhou-se pela convocação a Deus, defendendo a Sua religião e enfrentando Seus inimigos. Ele notificou os obedientes e os temerosos quanto à recompensa; advertiu os desobedientes e os ingratos quanto à punição. Ao fazer isso, o crente começa pedindo a Deus para permanecer firme na fé do Islã, com sua crença, lei e conceitos, para que o coração e a mente não se desviem após conhecerem a orientação. Passa, então, ao pedido para cumprir as orações e recordações obrigatórias da sexta-feira, bem como todas as formas de obediência estabelecida por Deus.

“Louvado seja Deus o Primeiro antes da formação e da vivificação”. Allah é o Primeiro na existência, não há ninguém antes d’Ele,

nem ninguém vivo antes d’Ele ou com Ele, porque foi Ele Que criou tudo, e não há Criador antes d’Ele ou com Ele. “É o Último após o desaparecimento das coisas.” Ele é Quem permanecerá após o encerramento da vida e das coisas, como afirmou em seu Livro Glorioso, falando sobre o fim do mundo: “Tudo quanto existe na terra perecerá. E só subsistirá o Rosto do teu Senhor, o Majestoso, o Honorabilíssimo.” (55:26-27). “Ele não Se esquece de quem O recorda”. Os que se recordam de Deus, que têm o conhecimento e reconhecem a Sua Soberania, Engrandecem a Sua Posição. Lembram-se d’Ele pela Sua grandeza, Que menciona o testemunho em caso de reverência espiritual, Cujo nome se manifesta em todos os segredos da consciência pela Sua existência, pela Sua misericórdia para com a Sua criação, pela Sua bondade para com eles. Destes, Deus não es-


habitantes de Teus Céus, os portadores de Teu Trono, os profetas e mensageiros que enviaste e as variedades de criaturas que criaste.” É o testemunho perante toda a criação, todo o universo, porque ela é A Prece de Sexta-Feira começa proveniente de toda minha existência e falando da unicidade de Deus, pois ameu ser, um testemunho expressado por Ele é o Primeiro antes da criação todos os meus órgãos, e pelo movimento da minha vida.

quece. Ele diz: “Recordai-vos de Mim, que Eu Me recordarei de vós. Agradecei-Me e não Me sejais ingratos!” (2:152). “Não diminui a recompensa de quem O agradece.” É Ele Quem diz: “E de quando o vosso Senhor vos proclamou: Se Me agradecerdes, multiplicar-vos-ei” (14:7). Ele, de Sua generosidade e compaixão, agradece quem O agradece, não diminui a recompensa de ninguém, porque conhece seus corações pulsando de amor por Ele, em servidão à Sua Soberania, no mistério da grande sinceridade. “Ele não decepciona quem Lhe suplica”, porque garante atender a quem Lhe suplica, em Sua veraz e inigualável promessa, Ele disse: “E o vosso Senhor disse: Invocai-Me, que vos atenderei!” (40:60). E disse, Glorificado seja: “Quando Meus servos te perguntarem por Mim, dize-lhes que estou próximo e ouvirei o rogo do suplicante quando a Mim se dirigir. Que atendam o Meu apelo e que creiam em Mim, a fim de que se encaminhem.” (2:186).

“Presto testemunho de que és Deus, não há outra divindade além de Ti, Único, sem parceiro nem igual.” Porque és o Único, o Uno, o Absoluto, que: “Jamais gerou ou foi gerado! E ninguém é comparável a Ele!” (112:3-4). Nada se assemelha a Ti. És o Criador de toda a existência, não há criador além de Ti. Então, de onde vem o parceiro!? E de onde vem o semelhante que Te iguala em Tua grandeza!? Como pode ser o Teu parceiro quem criaste?! E como pode ser semelhante quem deste os elementos e atributos!?

“Ó Deus, faço-Te Testemunha, e é suficiente o Teu testemunho”: és Testemunha da veracidade de minha fé, à qual submeti a vida, de mente, de coração e de todo “eu”, e Tu és o responsável pelo testemunho de Teu servo.

“As Tuas palavras não se anulam nem mudam”. És o Veracíssimo e o Verdadeiro em tudo o que dizes. Não quebras a Tua promessa, não deixas de cumprir o Teu pacto, não alteras a Tua revelação nem as Tuas regras. És Quem diz em Teu Livro: “Porém, nunca acharás variações na Lei de Allah; e nunca acharás mudanças na Lei de Allah.” (35:43). É um testemunho de monoteísmo puro, sincero, profundo, que colocaste em minha natureza desde que me criaste. Tornou-se o segredo da profundidade de minha consciência e da minha existência: “Volta o teu rosto para a religião monoteísta. É a obra de Allah, sob cuja qualidade inata Allah criou a humanidade. A criação feita por Allah é imutável. Esta é a verdadeira religião; porém, a maioria dos humanos o ignora.” (30:30).

“Faço testemunhas todos os Teus anjos, os

“Que Mohammad (que Deus o abençoe e

“Nem corta a esperança de quem Lhe roga.” Ele é Quem deseja que os Seus servos peçam a Sua misericórdia em todas as suas necessidades, porque Ele é o Refúgio de todo rogador e dos desejos finais, o Aliviador de toda aflição, o Dissipador de toda preocupação e toda calamidade. Assim a ampla esperança continua, de cada uma de Suas criaturas, em todos os seus assuntos.

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lhe dê paz, bem como aos seus familiares) é de punição.” É como está no Teu Sagrado Teu servo e Mensageiro.” Ele é quem viveu Livro: “Ó, Profeta, em verdade, enviamosverdadeiramente a servidão na forma mais te como testemunha, alvissareiro e admosincera, e empunhou estador! E, como a mensagem como a convocador (dos mais importante peshumanos) a Allah, Ele notificou os obedientes e os soa que transmitiu a com Sua anuência, e Tua mensagem. temerosos quanto à recompensa; como uma lâmpada luminosa.” (33:45“Ele transmitiu o 46). Aqui estou eu, advertiu os desobedientes e os que lhe encarregaste Senhor, testemunhantransmitir aos serdo que ele transmiingratos quanto à punição vos”, de Tua revelatiu a mensagem com ção e de Tua lei. Ele que foi encarregado, aconselhou a comunianunciando aos obedade com tudo que eleva o nível das pessoas dientes e aos justos a recompensa que proe as beneficia neste mundo e no Outro. meteste aos Teus preferidos, e comunicando aos desobedientes e ingratos a punição. Ele “Empenhou-se na causa de Deus devidadisse no final de sua vida: “Ó povo, eu lhes mente”, enfrentando os Teus inimigos e ajucomuniquei tudo que os aproxima do Paraídando os Teus preferidos, em defesa do direiso e os afasta do Inferno; proibi tudo que os to e em defesa do Islã perante os principais aproxima do Inferno e os afasta do Paraíso.” desafios levantados pelos politeístas, infiéis e arrogantes. “Ó, Deus, fixa-me em Tua religião enquanto me conservas vivo”, pois ela é infalível “Ele comunicou a respeito do que é verídiem todos os meus assuntos. Torna-me daqueco (em termos) de recompensa, e advertiu les que vivem em profunda consciência com a respeito do que é verdadeiro (em termos)

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gação das orações das sextas-feiras em congregação e o que estabeleceste nelas (em termos) de obediências”. Neste dia, ó Senhor, concedes muitas bênçãos pela “Não desvia o meu Tua Vontade. Peço-Te Os que se recordam de Deus, coração depois de sinceramente que me me orientar”, não concedas o prazer de que têm o conhecimento e desviando os meus praticar a oração, que pensamentos da Senestabeleceste em Teu reconhecem a Sua Soberania, da Reta para a qual Livro, sobre Teus serme orientaste. Não vos. Disseste, Glorifiengrandecem a Sua Posição permitas que Satanás cado sejas: “Ó crenpossa me tentar com tes, quando fordes os seus sussurros e convocados para a ilusões. Oração da Sexta-feira, recorrei à recordação de Allah e abandonai os vossos negó“Concede-me a Tua misericórdia, pois Tu cios; isso será preferível, se quereis saber. és Quem Agracia.” A minha vida é uma Porém, uma vez observada a oração, disdádiva de Tua misericórdia. Todas as linhas persai-vos pela terra e procurai as graças de orientação e sabedoria são uma extensão de Allah, e mencionai muito Allah, para dela. Continuo em meus assuntos e disposique prospereis.” (62:9-10). Alertaste todos ções, flutuando nos locais desta vasta miseos entretidos com a diversão e o comércio ricórdia que abrange todas as coisas, pois Tu a abandonar suas atividades e dedicar-se a és Misericordioso para com os Teus servos na esta oração congregacional, a esta reunião dinâmica da existência de todas as coisas. sócio-política, como acontecia na época do “Abençoa Mohammad e sua família”, com Profeta (S). Daí as Tuas palavras a respeia melhor bênção concedida a alguém antes to, ao dirigir-se ao Nobre Profeta Muhmmad dele ou depois dele. Ele é o Profeta veraz e (S): “Porém, se ao se depararem com o fiel, que empunhou toda a luz, e é testemunha comércio ou com a diversão, se dispersade Tua criação, fiel a Ti em todas as obedirem, correndo para eles e te deixarem a ências e em todo conhecimento e fiel ao seu sós, dize-lhes: O que está relacionado com povo com todo o seu esforço e empenho. Allah é preferível à diversão e ao comércio, porque Allah é o melhor dos provedo“E me torne um de seus seguidores e partires.” (62:11). dários”, para ser o muçulmano que mantém os segredos dos fundamentos da fé, e as extensões dos ramos da Shari’a (Lei) e a clareza dos sentidos dos conceitos morais, espirituais e sociais.

o Islã mental e emocionalmente no coração e dinamicamente em sua vida, sendo um de seus seguidores com palavras e atos, que segue o exemplo de sua vida, de sua conduta e perfeição. “Congrega-me em seu círculo social” para ser um dos seus fiéis e sinceros companheiros quanto à sua religião que escolheste, como crença e ação, na morada do prazer.

“E dividirás entre o povo as concessões no Dia das Recompensas”, o Dia do Juízo, quando as pessoas se apresentarão: “Nesse dia, os homens comparecerão, em massa, para que lhes sejam mostradas as suas obras. Quem tiver feito o bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á. E quem tiver feito o mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á.” (99:6-8).

“E auxilia-me para desempenhar a obri-

“pois Tu és o Poderoso, o Prudentíssimo.”


Mulher

Assayed Charif Sayyed Al ‘Ámili

Por Que o Véu no Islã?

Equívocos Sobre o Véu e Suas Refutações

S

abe-se que o conflito continua entre o filho de Adão e Satanás. É um conflito antigo e contínuo, que persistirá até que Deus herde a terra e o que há sobre ela. Satanás se aproveita das fraquezas do ser humano, sussurra-lhe ao ouvido e o tenta até dominá-lo. O ser humano, então, cai no erro. A história de Adão e Eva com Satanás é a primeira e a maior prova disso. Sua tentação se mostrou expondo-lhes as vergonhas. Assim, descobrimos que aquilo foi um objetivo intencional para promover graves imoralidades e causar medo quanto à honra e à pessoa. Em seguida, Deus, Exaltado seja, advertiu-nos especialmente quanto àquela intriga, dizendo: “Ó filhos de Adão, que Satanás não vos seduza como seduziu vossos pais no Paraíso, fazendo-os sair dele, despojando-os dos seus

invólucros (de inocência), para mostrar-lhes as suas vergonhas! Ele (o Satanás) e seus asseclas vos espreitam, de onde não os vedes. Sem dúvida que temos designado os demônios como amigos dos incrédulos.” (7:27). Por isso, torna-se claro que Satanás é o autor principal da exposição das vergonhas, o principal fundador da exposição dos atrativos em graus excessivos, é o primeiro líder dos demônios humanos que defendem que a mulher se “liberte” do pudor, da proteção e da castidade. Eles divulgam conceitos ilícitos que incentivam a exibição gratuita e o desvelo, que Satanás introduziu em seus corações. Eles as espalham no caminho dos muçulmanos também, como espinhos injuriantes para fazer muitos deles cair como presas. Só se salvam com a misericórdia de Deus e armando-se com a Ciência IslâmiRevista Islâmica Evidências - 15


ca, protegendo-se com as provisões do temor a Deus. Vamos começar expondo algumas dessas tentações diabólicas, para refutá-las: O primeiro equívoco: a Liberdade A primeira objeção dirigida à ideia do “hijab” (véu) das mulheres é que o véu tira o direito de liberdade, que é um direito natural do ser humano, considerando-se o cobrir-se uma espécie de insulto à dignidade pessoal da mulher. Resposta: É necessário lembrar a diferença entre a reclusão das mulheres em casa e a consciência de que ela precisa, quando estiver diante de um homem estranho, estar com o véu. A questão da reclusão das mulheres não existe no Islã. Já o véu, no Islã, é uma atitude tomada por mulheres quando têm de encontrar com um homem estranho. Os homens também devem levam em conta o estilo particular de vestir, e isso não é incompatível com a dignidade humana. Tal responsabilidade não é uma violação dos direitos naturais que Deus nos deu. O atendimento a alguns interesses sociais que levam à restrição da liberdade de homens e mulheres - como a prática de métodos especiais nas relações, seguir uma forma especial de mo-

vimento de modo a não constranger os outros, sem a perda do equilíbrio e da moralidade - não pode ser chamado de “prisão” ou “servidão”, não pode ser considerado contrário à dignidade humana e à liberdade. Corresponde à etiqueta comportamental, algo comum e necessário para o convívio social. Há, nos países do mundo civilizado, os mesmos desafios, nos nossos dias atuais, para homens e mulheres. Se o homem sai nu ou vestido com roupas de dormir para a rua, a polícia irá prendê-lo porque ele cometeu um ato contrário aos valores da sociedade. A honra das mulheres requer delas, ao saírem, que sejam respeitadas e pisem firmemente na terra, evitando qualquer movimento que cause excitação. Que elas não convidem os homens para si, não usando roupas transparentes nem apresentando um andar insinuante ou termos excitantes. O andar da pessoa fala e o método da fala acrescenta outro significado às palavras ditas deliberadamente. Tomemos um militar como exemplo. Quando se apresenta perante suas tropas, carrega em seus ombros e na altura do peito decorações e medalhas militares, exibindo-se em seu andar, dando suspiros de alívio e sua voz sai apressadamente. Expressa a todos de sua situação, patente e condição superior, sem nenhuma palavra. Sem falar, diz: “Tenham medo; que o medo invada seus corações!” O mesmo se aplica às mulheres. É possível vestir uma cor de roupa ou caminhar de uma maneira especial, de modo que o vestir e o andar falam. Ela convida o homem com voz alta para acompanhá-la, encontrar-se com ela, mostrandolhe amor e paixão. Será que a dignidade da mulher permite que esse seja o caso? Se a mulher seguir o seu caminho de forma tranquila e natural, sem chamar a atenção, sem convidar os homens a olhar seu corpo com segundas intenções, seria isso incompatível com a dignidade dela


ou com a dignidade do homem? Estaria em conflito com os interesses da sociedade ou em oposição à liberdade? Sim, quando alguém diz: “É preciso prender as mulheres em sua casa, fechar as portas, e impedir a sua saída da casa de qualquer maneira!”. Esta afirmação é contrária à liberdade inata, à dignidade humana e aos direitos divinos inerentes às mulheres. Está é uma restrição comum na época pré-islâmica e nada tem a ver com o Islã. O comportamento imoral de muitas mulheres demoliu, em nome da liberdade, a família, sem construir algo que a substituísse. Se analisarmos, a liberdade exagerada, desenfreada - da qual ela é a maior vítima - fez com que até mesmo a escola - e outros lugares de convívio social – fossem destruídos, também.

Ele clama em nome da mulher para dela se aproximar. Queixa-se por ela, para atrair a sua satisfação. As mulheres possuem sentimentos finos, de forte emoção, elas se inflamam facilmente. E, infelizmente, são enganadas pelos elogios, são enganadas pelas queixas e são atraídas pela – muitas vezes falsa – vitória. São enganadas pelo elogio fácil e malicioso, mesmo que mentiroso, são enganadas pelas queixas, mesmo que o queixoso esteja fingindo, são atraídas pela vitória, mesmo que o vitorioso seja injusto ou tirano. Certamente, é uma grande injustiça! Uma grande injustiça para com a mulher, injustiça para com a verdade, um atentado contra a razão, contra a sabedoria de Deus, contra a Sua Legislação, é a ultrapassagem aos Seus limites. Alguém pode dizer: “A mulher é oprimida com a obrigação do uso do hijab”. Dizem isto para fazer a mulher cair vítima da armadilha que montaram e cair no buraco que cavaram! Para que a coitada caia em suas mãos e entre seus dentes e presas, vítima deliciosa para ser saboreada, fácil de ser caçada para onde se virarem e onde estiverem: na rua, no mercado, nos locais de diversão, no restaurante, em qualquer lugar que frequentem, público ou privado.

O conflito entre o filho de Adão e Satanás é antigo, contínuo e persistirá até que Deus herde a terra

Juntamente com os efeitos da decomposição e da perda dos limites humanos, o nível de educação dos jovens diminuiu. Eles abandonaram a escola. A percentagem dos crimes sexuais aumentou. O número dos freqüentadores das salas de cinema cresceu. Os bolsos dos fabricantes de cosméticos ficaram recheados. O conceito dos bailarinos e bailarinas sobrepujou o dos estudiosos, intelectuais e reformadores. Se quisermos saber a verdade sobre este assunto, comparemos a recepção dada a uma bailarina ou cantora famosa, quando esta chega a uma cidade, e a recepção a um grande inventor ou sábio. Comparemos a reação dos jovens em ambos os casos. Caros senhores: O que é isso que vocês pedem para a mulher, em nome da liberdade e da defesa de seus direitos? Não é mais do que um dos métodos utilizados pelo Demônio, como pretexto para implantar o seu objetivo, uma das maneiras utilizadas para enganar os seus discípulos?

Eles exigiram a emancipação das mulheres... Que bom seria se fosse a libertação dela da ignorância, das ilusões e dos mitos, dos falsos costumes e das más práticas, das teorias desleais e inferiores! Mas eles partem do significado da liberdade, que derivam da palavra libertação, defendendo o que é negado pelo instinto, pela razão e pela religião. Então, o que esperam do Islã depois disso? Que esperam dos pregadores em nome do Islã? A liberdade é um direito inerente do ser humano, que lhe deve ser dado, desde que não tire o direito à liberdade Revista Islâmica Evidências - 17


de outro indivíduo, ou a liberdade e o direito da comunidade. Ao concedermos à pessoa liberdade absoluta em seus trabalhos, em suas ações e nos seus assuntos, sem limite ou condição, isso significa que decidimos implantar total anarquia, que destrói a comunidade e invalida as leis. Isto estabelece a debilidade das palavras, algo muito comum no Ocidente, onde se dá à palavra liberdade mais importância do que ela merece.

O segundo equívoco: A igualdade Quanto ao segundo equívoco, de os ocidentais se oporem ao uso do véu, é: “O véu elimina a plena igualdade entre homens e mulheres!” Vamos ver exatamente o que significa a “igualdade”, exageradamente alegada com gritos histéricos e apelos descontrolados, aplicando a sua própria regra no caso da mulher e na definição de seu status em relação aos homens e à sociedade.

Satanás é o autor principal da exposição das vergonhas, o principal fundador da exposição dos atrativos em graus excessivos

Será que os defensores da omissão no uso do véu, da promiscuidade entre homens e mulheres, da liberdade sem limites, os que acham que a moça – e o moço – devem fazer o que desejam e ir para onde quiserem conseguem, com isso, frear os seus caprichos? Conseguem fazê-los retornar ao caminho da retidão e da verdade, sem seguir as suas paixões? O poeta Azri disse:

“Confinaram o seu tratamento à omissão do uso do véu, sem saber que o que descreveram é a própria doença.” “Não viram que a jovem, por sua natureza, é como água, que não pode ser mantida fora do recipiente?” “O véu não é inibidor da sua aprendizagem, pois o conhecimento não é adquirido por intermédio da moda.” “Quem garante que as meninas, depois que emergem, deixem de pensar no que corre na mente da virgem?” “Quem consegue impedir os jovens de se enganar a cada bela donzela?”

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Querem estas pessoas referir-se à plena igualdade no direito à vida? À igualdade plena dos direitos humanos? À plena igualdade perante os tribunais de justiça e os poderes executivos? À plena igualdade entre muçulmanos e muçulmanas, quanto aos direitos no Islã?

Sim, nestes casos estamos de pleno acordo! Tudo isto existe e é estabelecido pelo Islã, há catorze séculos! O Islã instituiu as suas regras, estabeleceu as suas bases, elevou a construção de uma sociedade igualitária, nestes aspectos, entre homens e mulheres vários séculos antes dos apelos ocidentais! O que, no entanto, se quer, além disso? A igualdade entre mulheres e homens em todas as áreas e em todos os pontos de cada atividade? É isto justiça? É isto aprovado pelo instinto e pela Biologia? Se a natureza divide os encargos da vida, onerando ambos – homem e mulher – por igual, em valor, sacrifício e influências, a vida não se equilibra, não se coaduna, não é feliz, não se desenvolve, não continua, a não ser com a reunião de ambos. Se a natureza dividiu os encargos da vida em duas partes iguais e estabeleceu para o homem uma das duas partes e à mulher a outra parte, fornecendo a cada um a sua função, de acordo com a sua natureza e formação, em todas as partes, é nos permitido ignorar esta inteligente orientação natural e pedir à mulher


que cumpra com ambos os encargos, tanto dos homens como das mulheres? O Poder Criador e Organizador (1) estabeleceu para a mulher, pela sua formação e por todas as suas características, uma função na vida que os homens mais fortes não conseguiriam exercer. Seria injusto e opressor encarregá-la com as funções do homem, também! Certamente, a mulher foi preparada, em todas as suas características, em todas as suas células, de forma especial, diferentemente da preparação do homem em suas características e células, e a ciência estabeleceu e confirmou isso, sem nenhuma dúvida. Ao consultarmos qualquer livro escrito a esse respeito, descrevendo a formação do feto, como é formada a sua primeira célula, como as células se multiplicam e se regeneram, verificamos a verdade inegável e indubitável.

humana, assim como a noite e o dia, para a continuação da natureza cósmica. É possível igualar entre homens e mulheres na regra mensal, que aparece no início de cada mês? É possível fazer com que o esperma do homem seja o mesmo nas mulheres? É possível inserir o óvulo no interior do homem, da mesma forma que ele produzido no útero da mulher? Não creio que nem mesmo um habitante da selva possa dizer algo dessa natureza. A maternidade, com tudo que possui de sentimentos nobres, funções sublimes, paciência quanto ao esforço sustentado, o rigor na observação e no desempenho, é o ajuste psicológico, nervoso e intelectual, que corresponde ao condicionamento físico de gravidez e lactação, inerentes à natureza física feminina.

A honra das mulheres requer delas, ao saírem, que sejam respeitadas e pisem firmemente na terra, evitando excitação

Então eu não vejo como essa tagarelice vazia sobre o mecanismo da igualdade entre os dois gêneros possa vicejar! A igualdade na humanidade inata ao homem e à mulher é uma exigência natural e razoável. A mulher e o homem são duas partes de uma mesma humanidade, ou as duas metades de uma maçã, como se refere a famosa crença popular. Quanto à igualdade entre as funções e as atividades cotidianas, como poderiam ser implementadas? Mesmo se todas as mulheres da terra realizassem conferências e emitissem uma decisão, estariam em posição estas conferências, e suas graves decisões, de mudar as coisas, estabelecendo a participação dos homens na gravidez, no parto e na amamentação? Não podemos unir por decreto humano as funções fisiológicas do homem e da mulher. Cada um tem um papel específico a desempenhar na vida, para a continuidade da natureza

Ambos, homem e mulher, complementam um ao outro, concordam um com o outro. Por isso, é surpreendente anomalia que haja um na ausência do outro. Este tipo de ternura, a reação rápida na emoção e a revolução de sentimentos fortes que faz o lado emocional, não intelectual, reagir sempre, ao primeiro toque, é fundamental. Por outro lado, todas as funções essenciais à maternidade estão presentes na natureza da mulher, porque as demandas da infância não precisam de pensamento, que pode acelerar ou desacelerar, pode responder ou não responder. Mas, é preciso sentimento, para atender àquilo que é necessário para a criança, sem demora nem inércia. Este é o estado correto das mulheres, ao desempenhar sua função original e objetivo traçado. O homem, por outro lado, é encarregado de outra função, estando preparado para ela à sua forma. É encarregado da luta pela vida no exterior, quer o encargo de enfrentar as feras da floresta, ou as forças da natureza, do céu e da terra, ou o regime dominante e as leis da ecoRevista Islâmica Evidências - 19


nomia. Tudo isso para adquirir o sustento, para proteger a si, à esposa e aos filhos, defender seu clã da agressão. Esta função não precisa que os sentimentos sejam a fonte principal, pois isso prejudicaria a ação masculina, diminuindo sua eficiência. O sentimento, por sua vez, em momentos, muda de um extremo a outro. Não é aceita uma só direção, a não ser por pouco tempo, passando depois para uma nova direção. Isto serve para as exigências da maternidade, que são mutantes. Não serve para um plano de trabalho elaborado para o homem, mais apto ao seu pensamento. Ele é intrinsecamente mais capaz de medir e calcular projetos e os seus resultados, antes de sua implementação. É uma atividade mais lenta, mais minuciosa, do que a emoção, que tem natureza agitada e explosiva. O que lhe exigido não é a pressa na avaliação das possibilidades e consequências, mas a preparação das melhores razões para alcançar o objetivo desejado, quer seja capturar uma presa, inventar uma máquina, estabelecer um plano econômico ou regra política, deflagrar uma guerra ou determinar a paz; todas essas atividades precisam de método, de raciocínio e são deterioradas pela volatilidade da emoção. Por isso, o homem está na sua correta posição quando atinge o seu verdadeiro objetivo. Isso explica muito as diferenças entre o homem e a mulher.

homem apto a cozinhar, limpar a casa, tomar conta de crianças com delicadeza feminina, ou que seja emocionalmente instável, momentaneamente, passando de um extremo a outro. Tudo isso é normal, esperado na convivência entre ambos os sexos, mas destituído dos significados e interpretações falsos que se deseja incutir, quer seja no Ocidente como no Oriente. A questão deve ser colocada de maneira adequada da seguinte forma: “Será que todas essas funções que são adequadas às mulheres, em acréscimo à sua função natural, substituem a sua função original? Substituem o desejo de ter casa, filhos e família? Substituem o desejo de ter esposo, independentemente do desejo sexual e da fome do corpo?” Eis o relatório científico do Instituto de Estudos Sócio-Psicológicos de Paris: “Um grupo de peritos realizou estudos durante dois anos completos, tendo chegado ao seguinte resultado: A mulher, quando sente a igualdade completa com os homens, perde muito de sua feminilidade. Por isso, não sente nenhuma felicidade, porque esta nasce no dia em que estiver sob a proteção do homem.” Certamente, a igualdade humana é outra coisa. Ambos os sexos são da mesma natureza e da mesma origem. Ambos são criaturas e não anjos ou animais, mesmo que sejam capazes de se elevar até a posição de anjos, ou descer até o nível dos animais.

A Biologia apresenta inúmeras diferenças entre o corpo do homem e o corpo da mulher. São diferenças naturais que não devem ser ignoradas, porque cada uma desempenha uma função específica. Mas isso não significa que um não tenha a capacidade de executar certos trabalhos do outro. Podemos encontrar uma mulher adequada para executar atividades de governo, ou para o Poder Judiciário, ou para o transporte de cargas pesadas, ou para a guerra e a luta... Podemos, por outro lado, encontrar um

Portanto, são recíprocos nas atividades da vida, dividem seus encargos, reforçam-se mutuamente para executá-los. A visão do Islã concentrou-se na distribuição das funções, com base nas disposições e nos direitos relativos às mulheres e aos homens, estabelecendo a justiça entre ambos, no que cada um pode suportar e no que está preparado para exercer.

Prender as mulheres, fechar as portas e impedir a sua saída de qualquer maneira é contrário à liberdade e à dignidade humana

20 - Revista Islâmica Evidências

Finalmente, a relação do véu com a questão de igualdade em que acreditam está em que, se


for necessária a plena igualdade entre homem e mulher, torna-se direito dela destacar-se nos campos da vida e se engajar em atividades nas quais o homem se engaja, da mesma forma e em pé de igualdade, sem nenhum tipo de véu. Dizemos a quem defende este ponto de visa: A mulher alcançou o que querem, mas a igualdade e a liberdade resolveram o seu problema? Tornaram-na mais feliz? Elevaram-na na visão do homem? Manteve ela a sua honra e dignidade? Certamente que não... Seus jornais confessam, dizendo: “É verdade que a lei da igualdade proporcionou às mulheres ganho financeiro, mas causou aumento no divórcio e desintegrou os laços familiares, por causa

de sua ausência de casa, longe dos filhos, sem cuidar deles, transferindo essa função para as creches”. Qual é a vantagem do ganho material se a segurança está distante da casa, se a tranquilidade está ausente (a tranquilidade do marido... da mãe... das crianças)? A religião de Deus, diz claramente, quer isto seja aceito ou rejeitado: “Dize: ‘Ó humanos, já vos chegou a verdade do vosso Senhor, e quem se encaminha o faz em benefício próprio; e quem se desvia o faz em seu próprio prejuízo, porque não sou o vosso guardião’” (10:108).


Escrituras Milagres verbais, numéricos e aritméticos do Alcorão Sagrado

Por que o número 19?

O

Alcorão Sagrado ... O Livro de Deus, Exaltado seja... O Criador e o Onisciente... O Conhecedor do invisível... Conhecedor das situações das pessoas, de seu presente e futuro...

repetida no Alcorão é repetida em múltiplos de 19. Por exemplo, a palavra “Issm” (nome) é repetida no Alcorão exatamente 19 vezes;

Não há dúvida de que o Alcorão possui, em suas páginas, todo tipo de exemplo. O milagre deste livro permanece até o Dia da Ressurreição. A cada dia descobre-se mais de seus milagres, que são muitos. O milagre numérico do Alcorão Sagrado é, na verdade, um sinal da veracidade de Mohammad (S) e de que este Alcorão provém do Criador dos céus e da terra!

A palavra “Rahman” (Clemente) é repetida no Alcorão 57 vezes, ou 3 vezes o número 19.

O tempo em que vivemos é marcado pelo materialismo e, com a anuência de Deus, descobre-se que o Alcorão Sagrado consigna milagres de ordem material. Vamos testemunhar neste estudo o milagre eterno e constante do Profeta Muhammad (S), de forma sensível, concreta, exatamente como os filhos de Israel, os magos e o Faraó testemunharam os milagres de Moisés (a.s.), exatamente como os Apóstolos testemunharam os Milagres de Jesus (a.s.).

A palavra “Allah” (Deus) foi repetida, no Alcorão inteiro, 2.698 vezes, ou 19 × 142.

A palavra “Rahim” (Misericordioso) é repetida 114 vezes, ou 6 vezes o número 19. Como sabemos, o Alcorão possui 114 suratas, ou 6 vezes o número 19. O que significam esses fatos concretos? Existem apenas três conclusões que podem ser extraídas deles:

O milagre numérico do Alcorão Sagrado é, na verdade, um sinal da veracidade de Muhammad (S)

Estes milagres materiais encontram-se no primeiro versículo do Alcorão: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”. Se contarmos as letras deste versículo (em árabe), perceberemos que são dezenove. Cada palavra 22 - Revista Islâmica Evidências

A primeira conclusão: Isso tudo teria acontecido por acaso. Podemos supor que esta conclusão tem base no raciocínio de que um acidente ocorre uma vez e, possivelmente, duas vezes; mas, acontecer três ou mais vezes, isso é impossível!

A segunda conclusão: o Profeta Muhammad (S) escreveu o Alcorão e o esquematizou dessa forma, calculando estas coincidências numéricas. Os defensores deste raciocínio defendem a possibilidade de que um homem sem instrução, vivendo no século VII, entre beduínos, no deserto e sem aprendizado da ciência matemática avançada, disse para si mesmo:


“Eu vou escrever um grande livro, cuja primeira frase será composta de 19 caracteres e cada palavra será repetida um número de vezes que é múltiplo de 19”. Em seguida, passou o homem analfabeto a escrever o livro de versículos diferentes no tempo e no espaço, no período de 23 anos. Podemos, imediatamente, perceber a impossibilidade de tal feito, a não ser se a pessoa fosse influenciada por loucura, o que é improvável.

toriamente ou tem um significado especial no Alcorão? Podemos encontrar o número 19 na Surata “Al-Mudassir” (“O Emantado”), cujo teor consideramos que vale a pena mencionar. Vamos ler os versículos da Surata:

A única possibilidade que resta é que Deus, Todo-Poderoso e Único, foi Quem, realmente e de fato, revelou o Alcorão Sagrado!

A única possibilidade que resta é que Deus Todo-Poderoso e Único foi Quem, realmente e de fato, revelou o Alcorão Sagrado!

Mas, será que o número 19 é citado alea-

“Deixa por Minha conta aquele que criei solitário, que depois agraciei com infinitos bens e filhos, ao seu lado, a quem agraciei liberalmente e que ainda pretende que lhe sejam acrescentados (os bens)! Qual! Por ter sido insubmisso quanto aos Nossos versículos, infligir-lhe-ei um acúmulo de calamidades, porque mediRevista Islâmica Evidências - 23


tou e planejou. Que pereça, pois refletiu; depois, tornou-se austero e ameaçador; depois, renegou e se ensoberbeceu; e disse: ‘Este (Alcorão) não é mais do que magia, oriunda do passado; esta não é mais do que a palavra de um mortal!’” (74:111-25)

3 – “Para que os crentes aumentem em sua fé.” Nós acreditamos que o Alcorão Sagrado é composto das palavras de Deus, que é uma mensagem do Criador para nós. Assim, após o conhecimento dessas verdades, a nossa fé é aumentada.

Esta é a conclusão à qual a pessoa chegou depois de pensar, analisar e estudar o Alcorão. Disse que eram palavras de um ser humano. O que acontecerá com essa pessoa?

4 – “e para que os adeptos do Livro, assim como os crentes, não duvidem.” Toda e qualquer suspeita desaparece de nossos corações.

“Por isso, introduzi-lo-ei no fogo abrasador! E o que te fará compreender o que é o fogo abrasador? (Ele) nada deixa perdurar e nada deixa a só! Carbonizador dos humanos, guardado por dezenove guardiães.” (74:26-30).

5 – E o último motivo: “e para que os que abrigam a enfermidade em seus corações, bem como os incrédulos, digam: ‘Que quer dizer Allah com esta prova?’” Encontraremos essa situação e encontraremos algumas pessoas que dirão: “Que significa isso?”

Nós acreditamos que o Alcorão Sagrado é composto das palavras de Deus, que é uma mensagem do Criador para nós

Portanto, a pessoa que decide que o Alcorão é da autoria de seres humanos terá o Inferno como punição, sob a supervisão de dezenove guardiães. A antiga interpretação para este versículo é que o número dezenove representa os guardiões do Inferno. Isso é o que diz o versículo seguinte: “E não designamos guardiões do Fogo senão os anjos”. Esta parte do versículo mostra a explicação aceitável para o número “19”. Porém, o versículo continua, dizendo: “e não fixamos o seu número, senão”: 1 – “como prova para os incrédulos”, ou seja, perturbação para eles. Essas verdades de fato perturbaram e perturbarão os que não creem. 2 – “para que os adeptos do Livro se convençam.” Há entre os povos do Livro (cristãos e judeus) indivíduos que veem no Alcorão Sagrado um Livro sem erros, que ordena a prática do bem e coíbe a prática do mal. Porém, não têm certeza de que provenha de Deus, Glorificado seja. Esta é a segunda razão.

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É por isso que a quinta razão fala dos incrédulos e dos hipócritas, descrevendo a sua natureza cega: “Assim, Allah extravia quem quer e encaminha quem Lhe apraz”. O versículo diz: “e ninguém, senão Ele, conhece os exércitos do teu Senhor”. Somente Ele sabe quantos anjos são guardiães do Inferno. “Isto não é mais do que uma mensagem para a humanidade.” (74:31) Isto é o que aparece para nós no Alcorão Sagrado para o número dezenove. Temos notado que a “Bassmallah” (a recitação “Bismillahir Rahamanir Rahim”, ou “Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo”) é uma expressão que tem uma posição central para o sistema do número19. Que o sistema numérico do Alcorão seja construído com base na “Bassmallah” é uma questão perfeitamente compreensível e lógica. No entanto, devemos notar que o número 19 inclui o maior dos algarismos (9) e o menor dos números inteiros (1), ou seja, o número 19 é o menor número que representa todos os algarismos da escala numérica. Existem propriedades características do número 19 que confirmam que representa os algarismos de


19 × 1= 19 19 × 2 = 38 19 × 3 = 57 19 × 4 = 57 19 × 5 = 95 19 × 6 = 114 19 × 7 = 133 19 × 8 = 152 19 × 9 = 171 19 × 10 = 190 19 × 11 = 209

a soma destes algarismos (1+9) = 10, que é a soma de (1+0) = 1 a soma destes algarismos (3+8) = 11 e a soma de (1+1) = 2 a soma destes algarismos (5 +7) = 12 e a soma de (2 +1) = 3 a soma destes algarismos (5 +7) = 12 e a soma de (3 +1) = 4 a soma destes algarismos (9 +5) = 14 e a soma de (4+ 1) = 5 a soma destes algarismos (1+1+ 4) = 6 a soma destes algarismos (1 +1 +3) = 7 a soma destes algarismos (1 + 5 + 2) = 8 a soma destes algarismos (1+ 7+1) = 9 e o total (0+9+1) = 10 e a soma de (0+1) = 1 e do total (9+0+ 2) = 11 e a soma de (1 + 1) = 2

1 a 9 e o número 19 é o menor que possui essa característica. Eis os desdobramentos disso: ... Assim, iniciamos com 1 e finalizamos em 9; em seguida, retornamos ao 1 e finalizamos em 9. . . etc. A escrita do nº 19 contém o número 9 e o número 1. O que notamos? Notamos que os algarismos 9 e 1 não mudam em seu desenho, se forem escritos com algarismos arábicos ou indianos. Todos os outros algarismos diferem. Veja abaixo: Os algarismos arábicos

1 2

3

4 5

6 7

8

9 0

Os algarismos indianos: Os algarismos

arábicos

Os algarismos indianos:

A primeira Surata revelada no Alcorão sagrado é a Surata “Al ‘Alaq”, cujo número de versículos é 19. A sua posição no Alcorão Sagrado é a 19ª, de trás para frente. A última Surata revelada foi a Surata “An Nasr”, que consiste de 19 palavras. A tradução do primeiro versículo dela é a seguinte: “Quando te chegar o socorro de Allah e o triunfo”. Em árabe, o

versículo tem 19 caracteres. Noé (a.s.) permaneceu com o seu povo 950 anos. “Enviamos Noé ao seu povo; permaneceu entre eles mil anos menos cinquenta, e o dilúvio surpreendeu esse povo em sua plena falsidade.” (29:14). Vem, então, a Surata de Noé (a.s.) para expressar com suas letras uma forma desta questão, de forma compatível ao seu tempo. Ou seja, o total dos caracteres desta surata é de 950. Cada caracter representa um ano daquele período. O número (950) = 19 × 50 e ele é um múltiplo do milagre. O multiplicador de 19, o 50, corresponde ao período de exceção citado no versículo acima. A “Bassmallah” (“Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo”) é repetida no Alcorão Sagrado 114 vezes, ou seja, 19 x 6. Se começarmos a contar a partir da Surata do Arrependimento, que não inicia com a “Bassmallah”, encontramos que a ordem da Surata “As Formigas”, que inclui duas “Bassmallah”, é 19. E não nos esqueçamos que o versículo 30 da Surata “As Formigas” diz: “É de Salomão (e diz assim): ‘Em nome de Allah, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo.” Deus, o Altíssimo, diz: “Dize-lhes: Mesmo que os humanos e os gênios se tivessem reunido para produzir coisa similar a este Alcorão, jamais teriam feito algo semelhante, ainda que se ajudassem mutuamente.” (17:88). Esta é uma declaração do Senhor da glória e majestade, o Todo-Poderoso, que determina a Revista Islâmica Evidências - 25


incapacidade dos seres humanos e dos gênios em produzir um Alcorão semelhante ao que temos, ainda que se ajudassem mutuamente. Este versículo, que desafia gênios e humanos, possui 19 palavras. O versículo 30 da Surata “Al Mudassir” diz: “guardado por dezenove.” No versículo 30 da Surata “As Formigas”, temos: “É de Salomão (e diz assim): Em nome de Allah, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo”. Observemos que o número que identifica dois versículos é um só: 30. A Surata da “Letra Qaf” contém 57 caracteres. Este valor é igual a (19 × 3). A única outra surata que inicia com a letra “Qaf” - ‫ ق‬- é a Surata “Ach-Chura” (“A Consulta”), que contém o mesmo número de caracteres “Qaf”. Se 26 - Revista Islâmica Evidências

somarmos o número de repetições da letra Qaf nas duas suratas, teremos: 57+ 57 = 114, ou seja, o número de suratas do Alcorão Sagrado. A letra Qaf é o símbolo do Alcorão. E a quantidade de 114 “Qaf” nas duas suratas declara que as suratas são114 e representam o Alcorão, todo o Alcorão e nada mais do que o Alcorão. Observe-se que o versículo 13 da “Surata Qaf” fala do povo de Lot, que não acreditou neste profeta. E observe-se que as pessoas são sempre chamadas de “Povo de Lot”, exceto na Surata Qaf, onde são chamados de “Irmãos de Lot”. Não há dúvida de que a escolha da palavra “irmãos” determinou o número de repetições da letra Qaf dentro do limites do número 57, o que equivale a (19 × 3).


Entre os milagres numéricos do Alcorão Sagrado, destaca-se:

vezes, o mesmo número da palavra “rahma” (misericórdia).

• O número de vezes em que foi mencionado o mundo terreno, no Alcorão Sagrado, é igual ao número de vezes em que é mencionada a Outra Vida, ou seja: 115 vezes.

• “Jazá” (pena) foi repetida 117 vezes, mas “maghfira” (perdão) foi repetida exatamente o dobro de vezes, ou seja, 234 vezes, lembrando que, no Islã, o perdão é mais importante que a punição.

• A menção da palavra “Malá’ika” (anjos) e da palavra “Shaiatin” (demônios) aconteceu, cada uma, 88 vezes. • A menção da palavra “Hayat” (Vida) e “Maut” (Morte) ocorre igualmente: 145 vezes. • A menção da palavra “Nass” (“gente” ou “pessoas”) é igual ao menção da palavra “mensageiros”: 368 vezes.

• Concluímos este estudo com a palavra “iman” (fé, crença) e seus derivados, que foi repetida 811 vezes, a palavra “ilm” (ciência, conhecimento) e seus derivados, repetida 811 vezes, “ma’rifa” (conhecimento) e seus derivados, repetida também, 811 vezes. No entanto, a incredulidade e seus derivados, o extravio e seus derivados, foram repetidos 679 vezes, ou seja, a diferença entre a fé, de um lado e a incredulidade e o desvio, do outro, resulta em 114, o número das suratas do Alcorão Sagrado – aliás, um múltiplo de 19.

O Senhor da glória e majestade, o Todo-Poderoso, determina a incapacidade dos seres humanos em produzir um Alcorão semelhante

• A menção da palavra “qálu” (disseram) equivale à soma de tudo o que falaram todas as criaturas - seres humanos, gênios e anjos - nesta vida e na Outra. Ela é igual ao número repetido do verbo no tempo imperativo “qol” (“diz”), ou seja, a ordem dada por Deus a todas as Suas criaturas: 332 vezes. • Foi mencionada a palavra mês doze vezes, ou o número dos meses do ano. • Foi mencionada a palavra “dia” (“yaum”) 365 vezes, ou seja, o número dos dias do ano. • “Assálihat” (“os benefícios”) é palavra que foi citada 180 vezes, igual à palavra “Saiiát” (malefícios), • “Annafa’” (Benéfico) foi citada 50 vezes, o mesmo número da palavra “Fassad” (Maléfico) • “Sabr” (paciência) foi mencionada 102 vezes, o mesmo número da palavra “shidda” (dificuldade). •

• “Al ‘Usr” (dificuldade) foi repetida 12 vezes e “Yussr” (facilidade) foi repetida exatamente três vezes mais, ou seja, 36 vezes.

“Hudá” (orientação) foi mencionada 79

Não é possível, caro leitor, depois dessa turnê abençoada pelas palavras do Alcorão, a não ser confessar e reconhecer que é o Livro Sagrado é uma benção e uma ordem de Deus. Quanto mais nos aprofundamos nesta pesquisa, mais aumentamos a nossa admiração por essa extraordinária força, porque a igualdade numérica, o equilíbrio aritmético, a proporcionalidade em todos os tópicos do Alcorão é algo que a energia humana não consegue abranger, nem consegue absorver. Nossas explicações, exposições e entendimentos sobre a natureza são limitadas, porque trata-se o universo e seus mistérios de uma questão mais profunda, mais ampla e maior do que e capacidades humana permite abarcar. Esse é um fenômeno que não é nenhum segredo para ninguém: o Alcorão Sagrado é a Palavra de Deus. Quem pode absorvê-lo, ter pleno conhecimento dele e desvendar os seus segredos? Revista Islâmica Evidências - 27


Histórias do Alcorão

Xeique Nasser Makarim Shirazi

O Profeta José e “José é encarregado dos tesouros da terra”

E

ntão, o rei disse: “Trazei-mo! Quero da, informou-o que o rei tinha atendido à sua que sirva exclusivamente a mim!” solicitação de procurar e investigar as mulhe(Alcorão Sagrado, 12:54). E assim o res egípcias e as acusações contra ele. Todas rei ordenou que José (a.s.) fosse levahaviam testemunhad o explicitamente sobre a do a ele para nomeá-lo o seu Assessor Especial inocência dele. Após isso, não há motivo para e seu vice nas tarefas, beneficiandoatraso. Apronta-se ele para ir até se de seu conhecimento o rei. Quando este oue experiência para viu as respostas Quando o rei ouviu as respostas de José resolver os prode José (a.s.), (a.s.), seu conhecimento, sagacidade e blemas difíceis. que expressaperspicácia, gostou ainda mais dele vam seu conheO rei enviou cimento, sagacidade um emissário para e perspicácia, gostou ainda visitá-lo na prisão. Foi ter com mais dele. Disse-lhe: a partir de hoje, você tem ele e lhe transmitiu a saudação do soberano e uma elevada posição, amplos poderes e está em seus sentimentos em relação a ele. Em seguiuma situação de confiança e apoio: “E quan-

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Nesta edição nº 13 de Evidências, damos continuidade à história do Profeta José (a.s.), iniciada no número 10.

o Profeta Jacó (a.s)

do lhe falou, disse: Doravante gozarás, entre e suas características”. Nas palavras do Alcorão nós, de estabilidade e de confiança.” (12:54). Sagrado: “Pediu-lhe: Confia-me os armazéns Você deve tratar das funções importantes neste do país que eu serei um bom guardião deles, país, e se preocupar com a reforma das coisas pois conheço-lhes a importância.” (12:55). deterioradas. Você sabe (quando interpretou o José estava consciente de que a turbulência sonho) que uma grave crise da comunidade, caracterizaeconômica devastará da pela injustiça e Quando os olhos do ministro caíram o país. Acredito desigualdade, que você é a úniescondia-se nas sobre o belo menino, este ficou feliz e ca pessoa capaz questões ecoteve a intenção de adotá-lo como filho de superá-la. José nômicas. Após os escolheu a administraórgãos de governo teção do Tesouro do Egito. Disse ele: rem sido incapazes de resolver os “Nomeia-me supervisor dos cofres do país, pois problemas, pediram a ajuda de José (a.s.). Era serei seu guardião. Sou conhecedor e estou famelhor para ele dominar a economia do Egito, miliarizado com todos os segredos da profissão para que pudesse ajudar os mais vulneráveis e Revista Islâmica Evidências - 29


reduzir o máximo possível sua dor e dificuldades, recuperando os seus direitos das mãos dos tiranos.

Sete espigas verdes e sete secas Como era esperado, houve melhoria na produção agrícola do Egito durante os sete anos consecutivos, devido ao impacto das chuvas sucessivas e a abundância de água do Nilo. José (a.s.), que estava encarregado dos assuntos econômicos do Egito e era administrador do Tesouro, ordenou a construção de grandes depósitos para armazenar grandes quantidades de alimentos e protegê-los de deterioração. Ele obrigou a população de vender para o Estado o excesso de sua produção agrícola. Desta forma, os depósitos ficaram lotados.

José (a.s.) visava a organizar as questões deterioradas daquele grande país, tornando a organização da agricultura o seu primeiro objetivo, especialmente depois de saber que os próximos anos seriam de abundância, seguidos por anos de fome e seca. Ele convocou as pessoas para plantar mais e aumentar a produção, sem que houvesse extravagância no uso de produtos agrícolas, armazenando os grãos para serem utilizados nos dias de seca e dificuldade. E assim, José percebeu que deveria Os sete anos de prosperidade e abundância assumir o cargo de supervisão dos tesouros passaram e a seca começou a mostrar o seu do Egito. Alguns disseram: “Quando o rei viu lado indesejável. Do céu deixou de naquele ano que as coisas cair a chuva, nenhum ficaram difíceis e fruto era produJosé (a.s.) ordenou a construção de foi incapaz de zido, nenhuma resolver os prograndes depósitos para armazenar o tamareira problemas, procuduziu algo. Asalimento e protegê-lo de deterioração rou alguém em sim, a população quem pudesse confiar, passou necessidade com a mantendo-o distante das dificuldadiminuição de suas produções agrícolas. Podes. Por isso, quando conheceu José, achou rém, tinham conhecimento do conteúdo dos por bem dar-lhe as rédeas do sistema de poder armazéns do país, abarrotados de produtos e ele renunciou ao cargo”. Outros disseram: alimentícios. José (a.s.) ajudou a população “O rei deu-lhe o cargo de primeiro-ministro como pode, com um plano estratégico, tenem lugar de governador do Egito”. do em conta o aumento das necessidades nos Outra possibilidade é que ele permaanos seguintes. Para aliviar as dificuldades do necesse como supervisor dos tesouros do povo, foi justo para com eles. É notável obEgito. Deus, Todo-Poderoso, diz: “E assim servar que José (a.s.) preocupou-se em recoestabelecemos José no país, para que golher os alimentos durante os sete anos férteis, vernasse onde, quando e como quisesse. armazenando-os e, quando passaram aqueles Agraciamos com a Nossa misericórdia anos e começaram os anos de seca, vendeu quem Nos apraz e jamais frustramos a reos alimentos no primeiro ano por dinheiro, compensa dos benfeitores.” (12:56). Sim, no segundo ano por jóias e pedras preciosas, Deus agracia com Sua misericórdia e Suas no terceiro ano por animais e gado, no quarto bênçãos e graça, com a integridade física e ano por escravos e escravas, no quinto ano por moral, a quem quer de Seus servos que julimóveis, no sexto ano por fazendas e fontes gar necessário fazê-lo: “Agraciamos com de água, no sétimo ano pela vida das pessoas. a Nossa misericórdia quem Nos apraz” Ele tornou-se dono de seus livres e escravos, (12:56). O Todo-Poderoso não se esquece de seu dinheiro e de suas propriedades. Ende recompensar aqueles que fazem o bem, e tão, disse: “Eu não fiz reforma no Egito para que não importa quanto tempo permanecem corromper o povo. Não os livrei das dificulna terra: “E jamais frustramos a recomdades para ser rude com eles. Deus os salvou pensa dos benfeitores.” (12:56). por meu intermédio. Estou libertando todo o 30 - Revista Islâmica Evidências


povo do Egito, devolvendo-lhes todas as suas propriedades e escravos!”.

Os irmãos de José no Egito

haviam comprado o que queriam de grãos e pago o preço com dinheiro, calçados ou outro produto qualquer, que haviam levado de Canaã para o Egito.

Aquela seca não se limitou somente ao A nova proposta de José (a.s.) Egito, mas atingiu, também, os países viziaos irmãos nhos, inclusive o povo da Palestina e as reQuanto a José (a.s.), ele recebeu bem os giões adjacentes de Canaã, vizinhas do Egito, irmãos e abriu a porta do diálogo com eles. localizadas na fronteira nordeste. A família de Eles disseram: “Nós somos dez irmãos, filhos José (a.s.), que vivia lá, foi afetada pela seca. de Jacó, e este é filho de Abraão, o profeta de E as dificuldades se intensificaram, obrigando Deus, Todo Poderoso. O nosso pai é também Jacó (a.s.) a enviar todos os seus filhos para o um dos importantes profetas de Deus. Ele já Egito, exceto Benjamim, que manteve com ele é muito idoso e vive em tristeza profunda”. após a ausência de José. Eles viajaram com José perguntou-lhes: “Por que essa melanuma caravana que se dirigia para o Egito e lá colia e tristeza?” Eles disseram: “Ele chegaram depois de 18 dias. Os tinha um filho, sendo estrangeiros, quando o mais novo de entravam em terJosé (a.s.) ajudou a população como todos os irritório egípcio, pode, com um plano estratégico, tendo mãos, e gostaeram obrigados va muito dele. em conta o aumento das necessidades a se registrar em Um dia o irmão listas, que eram encasaiu conosco para caçar minhadas a José (a.s.). Quane o lobo o comeu. Desde então, ele chora a do o relatório dos funcionários foi mostrado a perda do filho.” José e ele viu o registro dos pedidos de cereais e da caravana palestina, viu os nomes de seus Havia uma notícia de que o hábito de José irmãos. Ele, então, ordenou que fossem trazi(a.s.) era não vender a cada pessoa mais que dos a ele, sem que ninguém soubesse que eram a carga de um camelo. Como os irmãos eram seus irmãos. O Sagrado Alcorão diz: “E chedez, vendeu-lhes dez cargas de grãos. Eles disgaram os irmãos de José, ao qual se apreseram: “Temos um pai, idoso, incapaz de viasentaram. Ele os reconheceu, porém eles jar e um irmão menor que cuida de nosso pai.” não o reconheceram.” (12:58). Por isso, pediram ao ministro para vender-lhes a sua parte. José (a.s.) mandou serem adicioEra natural que os irmãos não reconhecesnadas mais duas cargas. Então foi até eles e sem José, porque havia se passado muito tempo lhes disse: “Eu vejo em seus rostos nobreza, - cerca de quarenta anos - desde que o colocaram grandeza e que têm bom caráter. Vocês citaram no poço, de lá ele foi tirado e ingressou no Egique seu pai ama muito ao seu irmão menor. to. Por outro lado, não lhes ocorreu que o irmão Isso significa que ele tem qualidades e talenhavia se tornado governador do Egito, e mesmo tos sublimes. Por isso, gostaria de conhecê-lo. que houvesse semelhanças entre o governador Por outro lado, as pessoas aqui pensam mal de e o irmão, aquilo seria considerada uma coincivocês e os acusam, porque são de um país esdência. Além disso, as roupas de José (a.s.) eram trangeiro. Tragam o seu irmão menor na sua diferentes das de antes. Era difícil conhecê-lo próxima viagem, para provar-lhes que dizem vestindo roupas do povo do Egito. Por outro a verdade e eliminar a acusação contra vocês”. lado, a probabilidade de sobrevivência de José Quanto a isso, o Sagrado Alcorão diz: “E quanapós aquele período era mínima, na opinião dedo, lhes fornecendo as provisões, disse-lhes: les. De qualquer forma, os irmãos de José (a.s.) ‘Trazei-me um vosso irmão, por parte de Revista Islâmica Evidências - 31


vosso pai! Não reparais em que vos cumulo a o seu irmão (José)?” (12:64). “Como vocês medida, e que sou o melhor dos anfitriões?’” esperam que eu confie em vocês e aceite o seu (12:59). Porém, ele concluiu com uma ameapedido, concordando em deixar o meu filho ça dissimulada: poderia deixar de fornecer-lhes viajar com vocês a terras distantes? Eu ainda as provisões e os suprimentos de grãos se não me lembro da quebra de sua promessa na última trouxessem o irmão: “Porém, se não mo trouvez.” Em seguida acrescentou: “Porém, Deus é xerdes, não tereis aqui mais provisões nem o melhor Guardião e é o mais clemente dos podereis acercar-vos de mim!” (12:60). José misericordiosos.” (12:64). (a.s.) estava tentando, de várias formas, por veQuando os irmãos voltaram do Egito: “E zes ameaçando, e por outras sugerindo aproxiquando abriram os seus alforjes constatamação, encontrar-se com o irmão, Benjamin, e ram que os seus produtos haviam-lhes sido mantê-lo com ele. Os irmãos de José (a.s.) atendevolvidos.” (12:65). Viram que aquilo era deram ao pedido do irmão: “Responderamuma prova conclusiva da validade de seu pelhe: ‘Tentaremos persuadir seu pai; faremos dido. Foram ter com o pai e “Disseram então: isso, sem dúvida’.” (12:61). Finalmente, José Ó pai, que mais queremos? Eis que os nosordenou aos seus homens para colocar as mersos produtos nos foram devolvidos!” (12:65). cadorias trazidas para a troca entre “Haveria, acaso, favor e geos grãos, para cativar nerosidade maiores os seus sentimenJosé (a.s.) passou horas amargas que um govertos: “Então, nador estrangeina escuridão do poço, mas sua fé disse aos seus ro, em época de em Deus iluminou nele a esperança servos: ‘Coloseca, nos ajudasse, cai seus produtos vendendo-nos alimen(trazidos para a troca) em tos e nos devolvendo o preço que seus alforjes para que, quando regressem pagamos? Ele devolveu a nossa mercadoria de para junto de sua família, os encontrem e forma secreta para não nos constranger. Isto não talvez voltem’.” (12:62). é prova de muita honra e generosidade? Por-

Os irmãos de José (a.s.) voltaram para Canaã alegres, levando consigo uma mercadoria preciosa, mas estavam pensando na sua sorte, no futuro e que se o pai não concordasse com a viagem do irmão mais novo (Benjamin). Assim, temiam que o governador do Egito não os recebesse e não lhes concedesse a sua parcela de grãos e insumos. O Alcorão Sagrado diz: “E quando regressaram e se defrontaram com seu pai, disseram: ‘Ó pai, negar-nos-ão as provisões (se não enviares conosco nosso irmão)’” (12:63). Não há possibilidade de obter alimentos, a não ser com o envio do irmão: “Se enviares o nosso irmão conosco,” (12:63), tenha certeza que vamos preservá-lo e protegêlo: “tê-las-emos, e nós tomaremos conta dele” (12:63). O idoso pai, que não havia apagado a imagem de José da memória ao longo dos anos, quando ouviu aquele pedido, foi tomado pelo medo e disse-lhes: “Porventura, deverei confiá-lo a vós, como anteriormente vos confiei 32 - Revista Islâmica Evidências

tanto, não devemos perder esta oportunidade. Envia conosco o nosso irmão para comprarmos os nossos alimentos”; “Proveremos a nossa família” (12:65). Teremos muito cuidado em proteger o nosso irmão: “cuidaremos do nosso irmão.” (12:65). Assim, conseguiremos comprar a carga de um camelo de grãos, “uma vez que nos darão a mais a carga de um camelo”. Temos certeza que a tolerância e a generosidade do ministro egípcio irão nos facilitar conseguir isso: “a qual não é de pouca monta!” (12:65). Jacó (a.s.) mostrava-se irredutível, recusando-se a enviar o filho Benjamim com eles. Mas foi confrontado com a insistência dos filhos, com seu forte argumento. Por fim, teve de ceder e aceitar, com a condição de que: “Disse-lhes: ‘Não o enviarei, até que me jureis solenemente por Deus que o trareis a salvo, a menos que sejais impedidos disso’.” (12:6). Aquilo significava que a promessa e o juramento, em nome


de Deus, Exaltado seja, deveriam ser honrados. Os irmãos de José (a.s.) aceitaram as condições impostas pelo seu pai, quando lhe deram a promessa e fizeram o juramento. Disse Jacó (a.s.): “E quando lhe prometeram isso, disse: Que Deus seja testemunha de tudo quanto dizemos!” (12:6).

José (a.s.) planeja manter seu irmão

daquele grupo no Egito, com rostos brilhantes e corpos graciosos e fortes, caminhando pelas ruas, poderia provocar inveja e ódio em almas fracas, que poderiam recorrer contra eles perante o rei, apresentando-os como um grupo que visava a minar a segurança do país e do seu sistema político. Jacó (a.s.) tentou evitar, com seu conselho, esses problemas. Depois de percorrer uma longa distância, os irmãos entraram na terra do Egito.

O que se pretende dizer com “tudo quanto tenham cometido” é o mau tratamento dos irmãos a Benjamim, que haviam planejado afastá-lo e expulsá-lo do meio deles, como fizeram com José. Este disse ao irmão: “Não fique triste com as tentativas que fizeram para me prejudicar. Elas foram transformadas em glória e felicidade para mim. Não fique triste e tenha certeza de que suas tentativas serão em vão”.

Finalmente, os irmãos se encontraram com José (a.s.) e o informaram que haviam atendido ao seu pedido e levado, juntamente com eles, seu irmão menor, apesar da negativa do pai, no começo. Mas insistiram, e tiveram a aprovação de Jacó (a.s.), a fim de provar que cumpririam o pacto. José os recebeu de braços abertos, com generosidade, e os convidou para jantar em sua Não entrar por uma só porta mesa. Ele ordenou que sentassem cada dois, Os irmãos de José foram ao Egito, pela separa dividir um prato de comida. Sentaram-se gunda vez, após a permissão do pai e seu contodos; cada um ao lado do irmão, para comer, sentimento para levar o irmão mais novo com deixando Benjamin sozinho. Ele sentiu-se sozieles. Ao saírem o pai recomendou-lhes: “Ó, finho e, lamentando, disse: “Se o meu irmão José lhos meus, não entreis (na cidade) por uma estivesse vivo, seria bondoso comigo e sentaria só porta; outrossim, entrai por portas distinao meu lado na mesa, porque somos irmãos do tas” (12:67). mesmo pai e mãe.” José disse, chamando a atenção Ele pensou que a deles: “O seu irJacó (a.s.) estava muito preocupado capital do Egito, mão ficou sonaqueles dias, com a atenção que os seus onze filhos zinho e eu vou era como a de poderiam despertar entre os egípcios sentá-lo ao meu todos os países, lado à mesa e comeque tinha um muro alto remos juntos o alimento.” Em e várias portas. Jacó aconselhou a seguida, José (a.s.) ordenou que fossem prese dividirem em pequenos grupos e que cada parados aposentos para descansarem e dormigrupo entrasse por uma porta. É consenso que rem. Novamente, Benjamin ficou sozinho. José o conselho de Jacó dizia respeito à formosura convidou-o para o seu aposento e estendeu-lhe dos irmãos de José, que compartilhavam para sua cama, ao lado dele. Ele notou no rosto cela substancial de sua beleza (embora não de Benjamim tristeza e dor e ouvi-o lembrar-se como José, mas em todos os casos eles eram com saudade do irmão José. Nesse instante, a seus irmãos), sendo detentores de físicos forpaciência de José (a.s.) se esgotou e ele revetes e esguios. O pai carinhoso estava muito lou os fatos a seu respeito. O Alcorão descreve preocupado com a atenção que os seus onze esses fatos, dizendo: “E quando se apresenfilhos poderiam despertar entre as pessoas, taram a José, este hospedou seu irmão e lhe com seus semblantes indicando que eram esdisse: ‘Sou teu irmão; não te aflijas por tudo trangeiros. A inveja dos olhos perscrutadores quanto tenham cometido’.” (12:69). poderia atingi-los. Outra razão é que a entrada

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“Ó, caravaneiros, vocês são ladrões!”

Responderam: “O castigo de quem for dono dos alforjes onde for encontrada a ânfora será a prisão.” “Responderam: Aquele em cujo alforje se achar a ânfora será retido como escravo; assim castigamos os injustos.” (12:75). Então, José (a.s.) ordenou aos funcionários que arriassem os alforjes e estes fossem abertos, um a um, sem exceção. O plano de José era começar a procura no equipamento dos irmãos, antes de procurar no de Benjamim. Finalmente, encontraram a ânfora nos apetrechos de Benjamim: “E começou ele a revistar os alforjes, deixando o de seu irmão Benjamim por último; depois tirou-a do alforje deste.” (12:76).

Então, José (a.s.) sugeriu ao irmão, Benjamin: “Quer ficar comigo e não voltar com eles?” Benjamin disse: “Sim, mas meus irmãos não concordarão, porque deram a sua palavra ao meu pai que irão retornar comigo são e salvo.” José (a.s.) disse: “Não se preocupe com esse assunto, vou pôr o meu plano em prática para que sejam obrigados a deixá-lo”. José começou a por seu plano em execução e ordenou que fosse dada a cada um deles uma parte dos grãos e alimentos. A respeito disso, o Alcorão diz: “E quando lhes forneceu as provisões, colocou uma ânfora no alforje do seu irmão” (12:70). Sem dúvida, José (a.s.) fez aquilo em total sigilo. Só conhecia o plano um único funcionário. “Você nos desonrou, ó ignorante!” Em seguida, os servidores sentiram falta da ânDepois de terem encontrado a ânfora nos fora real. Procuraram-na, porém não a enconapetrechos de Benjamim, a surpresa e a contraram. “Logo um arauto gritou: “Ó caravafusão se abateram sobre os irmãos. Aquele inneiros, sois uns ladrões!” (12:70). Quando os cidente causou-lhes um impacto e uma dúvida irmãos de José (a.s.) ouviram o grito, tremeram, atroz. Por um lado, o seu irmão havia cometido apreendidos pelo medo, pois não lhes ocorreu algo péssimo, roubando a ânfora real. Aquilo os que fossem acusados de roubo após a hospitalienvergonhava. Por outro, aquilo os faria dade estendida a eles por José. Dirigiperder a consideração e o ram-se aos funcionários privilégio perante e trabalhadores, José recebeu os seus irmãos de o rei, principale perguntarambraços abertos, com generosidade, mente quando lhes: “Que hatinham necessiveis perdido?” e os convidou para jantar em sua mesa dade premente de Disseram: “Perdealimento. Além disso, que mos a ânfora real e pensamos responderiam ao pai? Como o convenceriam do que está com vocês.” “Responderam-lhes: erro de seu filho ou da sua falta de culpa? Perdemos a ânfora do rei” (12:72). Pode ser que a ânfora fosse valiosa e quem a restituísDepois que a ânfora foi encontrada, os irse receberia um prêmio, ou seja, a carga de um mãos se dirigiram a Benjamim e o censuraram camelo com alimentos: “e quem a restituir gravemente. Disseram-lhe: “Não tem vergonha receberá a carga de um camelo.” (12:72). O de seu péssimo ato? Você nos desonrou e ao seu arauto e responsável pela ânfora exigiu que esta pai, Jacó, e aos familiares de Jacó. Diga-nos fosse procurada e acrescentou: “Garanto pescomo roubou a ânfora e o colocou no seu alsoalmente o prêmio.” “(E o arauto disse): E forje?” Benjamim respondeu com sinceridade, eu garanto isso.” (12:72). A preocupação dos pois sabia da história e seus segredos: “Quem irmãos aumentou ao ouvirem aquilo. Eles se colocou a ânfora no meu alforje é a mesma pesdirigiram ao funcionário, dizendo: “Amparasoa que colocou as mercadorias dentro de seus mo-nos em Deus! Bem sabeis que não vieapetrechos, da outra vez.” Os irmãos, porém, mos para corromper a terra (egípcia) e que não perceberam, por causa da gravidade da sinão somos ladrões!” (12:73). Os funcionários, tuação. O Alcorão Sagrado continua mostrando dirigindo-se a eles, disseram: “Qual será, encomo José (a.s.) conseguiu ficar com o irmão tão, o castigo, se fordes mentirosos?” (12:74). 34 - Revista Islâmica Evidências


graças ao plano traçado: “Assim inspiramos a José esta argúcia, porque de outra maneira não teria podido apoderar-se do irmão, seguindo uma lei do rei.” (12:76).

“O seu irmão roubou antes”

e não se manifestou a eles,” (12:77), porque sabia que eles haviam-no injuriado e acusado injustamente. Ele, porém, nada respondeu: disse resumidamente: “Estais em pior situação” (12:77), ou seja, vocês estão em pior situação e posição do que aquele que acusam de roubo. Então, acrescentou: “Deus bem sabe o que inventais.”

Finalmente, os irmãos de José (a.s.) convenceram-se de que seu irmão (Benjamin) cometeu um erro grave e que os havia difamado peranPor que não foi aceito te o governador do Egito. Querendo se eximir o sacrifício dos irmãos de culpa, disseram: “Se Benjamim roubou, Os irmãos perceberam que estavam enum irmão seu já havia roubado antes dele!” tre dois problemas: de um lado, a aplicação (12:77). Em outras palavras: se ele roubou, isto das regras e da constituição não é algo estranho, pois adotadas por eles, o seu irmão, José, Depois de terem encontrado a ânfora tendo de deixar havia cometido o irmão menor, tal ato. “Nós nos apetrechos de Benjamim, a Benjamim, prenão somos de surpresa e a confusão se abateram so e escravizado ascendência difesobre os irmãos no Egito; de outro, harente”. Assim, quiseram viam afiançado ao pai de que prose distanciar de Benjamim, vinculando-o tegeriam seu irmão e voltariam com ele são e ao seu irmão, José. Quando José ouviu as palasalvo. Diante da situação, dirigiram-se a José vras deles, ficou seriamente sentido, mas guar(a.s.),que ainda não havia se identificado, e dou para si. “Porém, José dissimulou aquilo

Revista Islâmica Evidências - 35


mim, em segurança? O que lhe dirão? Outra lhe disseram: “Ó excelência, em verdade vez nos difamamos pelo que fizemos com o ele tem um pai ancião respeitável; aceita, nosso irmão José “Recordais quando vos pois, em seu lugar um de nós,” (12:78), para desvencilhastes de José?” (12:80). A situação que possamos devolvê-lo ao seu pai e seragora é a mesma. Não vou deixar as terras do mos fieis à nossa promessa. Ele é idoso e não Egito: “Jamais me moverei, pois, desta tersuportaria a ausência de seu querido filho. ra, até que mo consinta meu pai ou que Deus Pedimos-lhe encarecidamente que seja piemo comande, porque é o melhor dos comandoso conosco e com o pai dele: “porque te dantes.” (12:80). O irmão mais velho, em seconsideramos um dos benfeitores.” (12:78). guida, ordenou-os que voltassem ao seu pai e o José (a.s.) rejeitou veementemente o pedido, informassem do que tinha acontecido: “Voltai dizendo: “Deus me perdoe! Não reteremos ao vosso pai e dizei-lhe: Ó pai, teu filho rousenão aquele em cujo poder encontramos bou” (12:81). Prestamos este testemunho de a nossa ânfora” (12:79), porque a justiça acordo com o que soubemos do incidente, pois impõe que o castigo seja aplicado ao ladrão soubemos do desaparecimento da ânfora real e não a um inocente. Se isso fizermos, seríe, em seguida, ela foi encontrada nos alforjes amos injustos: “porque do contrário seríado nosso irmão e pareceu a todos mos injustos” (12:79). Por outro que ele havia roubado: lado, José (a.s.) não “e não declaraacusou o irmão Os irmãos de Benjamin tentaram mos mais do de ladrão, mas resgatá-lo de várias maneiras, que sabemos” disse: “aque(12:81). Só sale em cujo poporém sem êxito bemos o que vimos der encontramos a com nossos próprios olhos: nossa ânfora” (12:79). Isto “e não podemos nos guardar do desconhedemonstra a sua boa conduta e retidão. cido.” (12:81). Então, eles quiseram remover a dúvida e a desconfiança do coração de seu O retorno frustrante dos irmãos para pai. Disseram: “Pode investigar e perguntar na cidade onde estávamos: “E indaga na cidade junto do pai em que estivemos” (12:81). E com a caravana Os irmãos de Benjamim tentaram, de vácom que viajamos ao Egito e voltamos, pois rias formas, resgatar o irmão, porém sem êxinela há pessoas que o conhecem. Você pode to. Viram que todos os meios de resgate foram perguntar-lhes a respeito da realidade do fato: bloqueados, depois de terem falhado de ino“e aos caravaneiros com quem viajamos.” centar o irmão e depois da recusa do ministro (12:82). De qualquer caso, tenha certeza de de aceitar escravizar outro deles em lugar de que somos honestos, e não lhe informamos Benjamin, o desespero se abateu sobre eles mais do que a verdade e a realidade: “e come resolveram retornar a Canaã, para inforprovarás que somos verazes.” (12:82). mar ao pai sobre o ocorrido. O Alcorão diz, descrevendo-os: “E quando desesperaram de demovê-lo, retiraram-se para deliberar” Jacó e a compaixão divina (12:80). Ou seja, após o desespero de demover o ministro do Egito de regatar o irmão, disFinalmente, deixaram o Egito em direção tanciaram-se dos outros, reuniram-se de lado a Canaã, deixando os seus irmãos, o mais vee começaram a se consultar e deliberar entre lho e o mais novo. Quando chegaram extesi. Nessa reunião, o irmão mais velho, disse a nuados em casa e foram ter com o pai, este eles: “Ignorais, acaso, que vosso pai recebeu viu a tristeza e a dor estampadas em seus de vós uma solene promessa perante Deus?” rostos (diferente da viagem anterior, quando (12:80). Que vocês retornariam com Benjademonstraram muita alegria). Ficou, então, 36 - Revista Islâmica Evidências


ciente de que estavam trazendo uma notícia A vergonha dos irmãos e a cegueira triste, especialmente quando sentiu falta de de Jacó Benjamim e de seu irmão mais velho. Quando Quando os irmãos ouviram o nome de lhe contaram sobre o incidente em detalhes, José, apareceu o remorso no seu rosto, cresele foi assolado pela raiva e repetiu a frase ceu a vergonha deles e ficaram tristes com o que proferiu quando eles quiseram explicardestino de seus dois irmãos, Benjamin e José. lhe o ocorrido com José: “(Quando falaram O sofrimento e o choro de Jacó intensificaao seu pai), este lhes disse: ‘Qual! Vós mesram-se, pelas reiteradas desgraças e a falta mos deliberastes cometer semelhante cridos seus filhos queridos: “E seus olhos ficame!’” (12:83). Mas, após esta advertência ram anuviados pela tristeza” (12:84). Jacó cheia de tristeza e dor de Jacó, ele recobrou (a.s.), porém, tinha o controle da dor e aliviaa consciência e disse: “Porém, resignar-meva a tristeza suprimindo a sua raiva. Não proei a ser paciente” (12:83). Ou seja, eu vou nunciava nada que causasse a insatisfação de me conter. Não vou permitir que o desespero Deus Todo-Poderoso. Entende-se do Alcorão tome conta de mim, na esperança de que Deus que Jacó não era cego, mas as calamidades Todo Poderoso irá restaurar-me os meus fido passado, a gravidade da dor e lhos (José, Benjamim, e o a duração do choro o irmão mais velho): fizeram perder Após este diálogo entre Jacó (a.s.) “talvez Deus me a visão. Como e seus filhos, ele foi dominado devolva todos” mencionamos (12:83). Pois Ele pela tristeza e pela dor anteriormente, é o Conhecedor dos a tristeza, a angúsassuntos e conhece os acontia e a cegueira estavam fora de tecimentos passados e os futuros do mundo. seu controle e escolha, pois não são incompaTodo que Ele faz é com prudência e preparatíveis com a paciência. Quanto aos irmãos, esção. “porque Ele é o Sapiente, o Prudentístavam angustiados com tudo o que aconteceu simo.” (12:83). a eles. De um lado, o tormento de consciência não os deixava pelo que fizeram com José. Após este diálogo entre Jacó (a.s.) e os No caso de Benjamim, viram-se em uma situseus filhos, ele foi dominado pela tristeza e ação difícil e diante de uma nova prova. Por a dor. Quando viu o local de Benjamim vaum terceiro lado, foi difícil para eles ver o pai zio, as lembranças do seu querido filho, José, sofrer de amargura e dor e continuar a chorar voltaram-lhe à memória. Lembrou-se dos bedia e noite. Dirigiram-se ao pai e disseramlos dias que ele abraçava o seu lindo filho, de lhe: “Por Deus, não cessarás de recordarboa moral, boas qualidades e alta inteligênte de José até que adoeças gravemente ou cia. Sentia o cheiro agradável dele e se lemfiques moribundo!?” (12:85), ou seja, você bra de sua atividade. Não havia permanecido continua se lembrando de José, lamentando a nenhum vestígio de sua vida. Além, disso, o sua ausência até adoecer e morrer. Porém, o seu sucessor (Benjamin) também foi acomeXeique de Canaã, o grande profeta, de constido por um acidente doloroso, como aconciência vigilante, respondeu-lhes: “Só expoteceu com José, tendo um destino e consenho perante Deus o meu pesar e a minha quências desconhecidas. Quando Jacó (a.s.) angústia.” (12:86), e não a vocês que traem lembrou-se destes fatos, afastou-se dos filhos o prometido, porque: “sei de Deus o que vós e lembrou-se tristemente de José: “E afasignorais…” (12:86), pois Ele é o Generoso, tou-se deles, dizendo: Ai de mim! Quanto o benevolente e não peço a ninguém mais. sinto por José!” (12:84). Revista Islâmica Evidências - 37


Sexualidade

Xeque Mohsen al-Atawi

O Sexo na Concepção Islâmica

A Moralidade Sexual

A

moral constitui um conjunto de regras práticas que regulam a conduta dos indivíduos e as relações sociais. Não é necessária a Lei Islâmica para regulamentá-la em termos de origem... No entanto, um conjunto de regras morais foi tomado e considerado legítimo e obrigatório, tais como a justiça, os aconselhamentos (quanto à promoção da virtude), além de outras dimensões desses valores morais, incluindo os seguintes: 1. A castidade: é um valor moral segundo o qual todos se abstêm de praticar e perpetrar 38 - Revista Islâmica Evidências

atos sexuais ilícitos; é a capacidade arbitrária que torna a alma sublime, abandonando tudo o que deve ser deixado de lado, na lei ou nos costumes. É uma determinação legal nos atos obrigatórios e um valor moral nos atos opcionais. Torna-se obrigatória se a sua fonte é obrigatória; é desejável se a sua fonte for conveniente. É considerada como um dos atributos de fé. O Alcorão estimula a sua prática no versículo: “Aqueles que não possuem recursos para casar-se, que se mantenham castos” (24:33). E em outras questões não sexuais como no ver-


sículo: “...o ignorante os crê ricos, porque são reservados.” (2:273) como é incentivada nas Nobres Tradições (1): “A melhor adoração é a castidade do estômago e dos órgãos sexuais.” Foi incentivada, também, com diferentes expressões tais como “conservação”, “abstenção” e expressões similares nos assuntos do instinto sexual, como no versículo: “Que observam a castidade.” (23:5). Portanto, as virtudes morais e as qualidades nobres querem que o crente seja casto, mantendo-se afastado das coisas proibidas por Allah, Exaltado seja. Se este é o ascetismo, o pudor é tido, pelos costumes, como valor similar à castidade. Uma tradição do Imam Jafar Assádeq (a.s.) diz: “O pudor faz parte da fé e a fé conduz ao Paraíso”.

descarga e calma para restituir à pessoa a estabilidade e a tranquilidade. Como a tensão sexual é um estado natural e a sua satisfação também, o papel da ação moral não é reprimir este desejo e condená-lo. O valor da moral sexual é regular e controlar o instinto para evitar o mal, restringindo o desejo a certo ponto, adotando, para aliviá-lo, um caminho legal, de objetivos claros. Isso educa a pessoa a ser um ser humano coerente, não derrotado pelos desejos e pelas concupiscências.

2. A paciência: É o segundo valor relacionado com o instinto sexual. A paciência faz parte dos solenes valores morais, com implicações significativas na educação do indivíduo e da melhoria das relações sociais, por causa da aceitação dos acontecimentos e a resistência à dor, com força e determinação. Deseja-se, aqui, que a paciência seja utilizada para suportar as dificuldades de se evitar os prazeres proibidos para o ser humano esmagado pelas circunstâncias, que não pode se casar, ou que se dispôs a praticar o ilícito, mesmo depois do casamento. 3. A piedade: É a reunião das qualidades da fé e da moral, tecendo-as num mesmo tecido, incorporando-as na figura da pessoa que representa perfeitamente o Islã. A fé não é apenas uma crença teórica nas origens da religião, nem é apenas comprometimento com a legitimidade da lei, não representa apenas a moral e a ética do Islã. A fé é tudo isso... É a piedade... que basicamente significa o temor a Deus, ter receio d’Ele e adorá-Lo realmente, extraída da prevenção. É fazer tudo que agrada a Deus e afastar-se de tudo que O insatisfaz. Por isso, torna-se uma barreira para a perversão sexual, um impedimento ao impulso do instinto sexual pervertido. Uma vez que os valores morais tratam sempre das respectivas condições psicológicas que conduzem a um determinado comportamento, natural ou anormal, a libido causa um estado de plenitude e de stress psicológico que requer Revista Islâmica Evidências - 39


Artigo

Amr Khaled

A

mados e queridos leitores: o nosso Islã é grandioso, nosso Islã é belo. Não há falha no Islã, o defeito está em nós mesmos. Entenda o seu Islã e viva-o plenamente, que o universo irá se reformar à sua volta. O mundo precisa do Islã. Será que você o pratica neste mundo? Faz parte da sensibilidade no falar que a língua esteja pura, não pronuncie futilidades nem mesmo por brincadeira. Eis uma situação: Um dos crentes caminhava com o filho. O menino viu um cachorro passando e disse: “Passa seu cão, filho de um cão.” O pai lhe disse: “Nunca diga isso.” O filho perguntou: “Por que, papai? É um cão, filho de outro cão.” O pai respondeu: “Ó, filho! Você disse isso por desprezo e não por simples afirmação. Você não deve agir assim!”. O que este exemplo nos transmite? Uma ótima educação e ética. Vamos nos comprometer, a partir de agora, para que não saia de nossa boca uma palavra que fira os sentimentos dos outros, mesmo que sua origem seja a verdade. Quem estiver acostumado com palavras educadas nunca recorre a outras. Narra-se que um dos justos estava andando com seus companheiros e encontrou um

Faz parte da sensibilidade no falar que a língua esteja pura, não pronuncie futilidades nem mesmo por brincadeira 40 - Revista Islâmica Evidências

A Ética da Sensibilidad


de no Diálogo e na Fala

porco morto, exalando mau cheiro insuportável. Cada um deles começou a falar mal: “Que sujeira! Que mau cheiro!” O justo observou: “Quão brancos são seus dentes!” Os companheiros ficaram maravilhados com sua afirmativa. Ele lhes explicou o seu ato: “A minha língua não está acostumada a pronunciar palavras ofensivas.” Queremos ressaltar que a sensibilidade em relação aos sentimentos dos outros é algo muito importante, nomeadamente, não ferir os sentimentos dos outros, independentemente do ato. O Profeta (S) costumava, quando condenava o ato de uma pessoa, não mencionar explicitamente o seu nome, mas dizer: “O que está errado com as pessoas que estão fazendo tal e tal coisa...” sem ser explícito, para preservar os sentimentos alheios. Isto pela excelência de sua sensibilidade. Sejamos, a partir de agora observadores, entendendo as coisas no ar, como dizem: Se sentirmos que a palavra que será pronunciada vai irritar quem estiver à nossa frente, não a pronunciemos. Vivamos de acordo com os versículos seguintes e olhemos para a sensibilidade, o

Vivamos de acordo com os versículos do Alcorão, e olhemos para a sensibilidade e o bom gosto Revista Islâmica Evidências - 41


bom gosto e a conservação dos sentimentos dos outros. Percebamos como Deus exortou ao respeito em relação ao próximo no Alcorão até o acontecimento da Hora (1). Todos nós conhecemos a história do Profeta José (a.s.) e quantas atribulações sofreu, primeiro com a conspiração de seus irmãos para matá-lo. Deus fala em seu Livro Lúcido: “José disse: ‘Ó, meu pai, esta é a interpretação de um sonho passado que meu Senhor realizou. Ele me beneficiou ao tirar-me do cárcere’” (12:100). Glorificado seja Deus! É surpreendente, era mais certo dizer: “Ele me beneficiou ao tirar-me da prisão e do poço.” Por que só citou a prisão? Isso ocorre porque os irmãos estavam na frente dele. Se ele dissesse aquilo, iria ferir seus sentimentos. Ele agradece e louva a Deus por tê-lo salvo do poço em segredo, não diante dos seus irmãos.

sor universitário, o professor secundário, o pai... Faz parte da sensibilidade que coloquemos as pessoas em seus devidos lugares. Aprendamos com o Profeta (S). Ele enviou uma carta para Kosroes, rei da Pérsia, que adorava o fogo (2). Dizia a missiva: “De Mohammad, o Mensageiro de Deus, para Kosroes, o rei dos persas”. Enviou outra carta para o Imperador Heráclito, na qual estava escrito: “De Mohammad, o Mensageiro de Deus, para o grande Rei Heráclito.” Como pode o Profeta de Allah (S) escrever isso, sendo eles infiéis? A ética entre nós não pode ser dividida... Tratemos as pessoas com a nossa moralidade, não pela dos outros! Nunca digamos a um professor: “Você”. Assim, estamos nos conduzindo de maneira contrária ao que o profeta Muhammad (S) ensinou. Digamos: “Senhor”.

É muito elevada a sensibilidade que o Alcorão nos ensina. Então, José disse: “Ele me beneficiou ao tirar-me do cárcere e ao trazer-vos do deserto.” (12:100). Palavras que revelam bom gosto, tendo em conta os sentimentos dos outros. Os irmãos de José (a.s.) estavam passando por muita fome, as suas condições estavam péssimas por causa da carestia e José (a.s.) disse calmamente: “Ele vos trouxe do deserto e ao trazer-vos do deserto, depois de Satanás ter semeado a discórdia entre meus irmãos e mim”. Como assim? O Satanás tentou semear a discórdia entre seus irmãos e ele. O Profeta José (a.s.) não quis ferir os sentimentos deles e permitir que o diabo encontrasse outra chance. Ele disse: “Entre mim e meus irmãos”, como um exemplo de boa conduta.

Com a ética do Islã, queremos causar um impulso em nossas sociedades, disseminando a sensibilidade e o bom gosto. O entendimento e a fraternidade não acontecerão a não ser com a nossa sensibilidade e bom gosto. Entre ambos está a importância de ser educado e sensível com os que têm méritos sobre nós. Todo aquele que tem méritos sobre nós tem direito sobre nós. O primeiro desses direitos é sermos educados com ele.

O Profeta José (a.s.) não quis ferir os sentimentos de seus irmãos e permitir que o diabo encontrasse outra chance

O bom gosto faz parte da conduta dos que detêm altos cargos, tais como: o profes42 - Revista Islâmica Evidências

Em conclusão: A partir do que foi mencionado, podemos entender que o Islã é uma religião com bom gosto com tudo e em tudo. Esta é a melhor resposta a todos aqueles que acusam o Islã de atrasado, reacionário e extremista. Dizemos-lhes: “Esta é a nossa religião e nossa civilização. O ocidente aprendeu o bom gosto, a sofisticação e a civilização que ontem o Islã lhes apresentou. Hoje, procuram tudo isso novamente”.


Perguntas e Respostas Recebemos a seguinte pergunta:

“Qual é o significado da adoração no Islã?” Eis a resposta:

A

adoração no Islã é o nome dado a tudo que emana de cada muçulmano em termos de palavras, ações e sentimentos, em resposta à ordem de Deus, o Altíssimo, e em conformidade com a Sua vontade e anuência. Não há limitação ou especificação quanto ao tipo de ação, ideias, declarações, sentimentos e sensações com os quais se adora a Deus. A oração, a caridade, o jihad, refletir sobre a criação de Deus, a ajuda aos fracos, a reforma dos corruptos, a devolução dos depósitos confiados, o estabelecimento da justiça entre as pessoas, rejeitar a injustiça e não consumir bebidas inebriantes, rejeitar a usura e o monopólio, etc. todas essas ações fazem parte do culto. Praticá-lo ou se eximir de fazê-lo é a diferença entre atender ou não ao comando de Deus, o Altíssimo. Certamente, encontramos Tradições e Narrativas do Profeta (Deus o abençoe e lhe dê paz) e de seus Familiares (a paz esteja com eles) que esclarecem este conceito do Islã e personalizam a sua ampla e abrangente dimensão. Foi relatado que o Mensageiro de Deus (S) disse: “A adoração é composta de sete partes, a melhor delas é a procura do que é lícito”. Disse ele (S) também: “O olhar amoroso do filho aos pais é adoração”. Foi narrado que o Imam Báquir (a.s.) disse: “A melhor adoração é a castidade do ab-

dômen e dos órgãos sexuais”. Foi narrado que o Imam Sádiq (a.s.) disse: “O melhor do culto é a conscientização de Deus e ser humildade perante Ele”. Foi narrado que o Imam Ali ibn Mussa al Ridha (a.s.) disse: “A adoração não é a prática de muitas orações e jejuns, mas refletir constantemente a respeito da ordem de Deus”. Partindo destas premissas - do conceito islâmico de culto - depreendemos que a adoração, no Islã, não é um conjunto específico de obrigações e ações, mas expande-se para incluir tudo o que o ser humano faz para se aproximar de Deus, obedecer às Suas ordens e se afastar de Suas proibições. No entanto, essa palavra (culto) tem uso específico entre os jurisprudentes muçulmanos. Começaram a empregá-la em alguns atos de adoração, de forma convencional e particular, como a oração, o jejum, a peregrinação, etc. Este uso convencional limitado, porém, não existe na origem da lei, nem em seus conceitos primários. Trata-se de um conceito construído, de um termo científico e técnico adotado pela sistemática em jurisprudência islâmica. Durante o desenvolvimento do estudo da jurisprudência, de sua divisão e organização, de suas pesquisas e observações, os estudiosos dividiram a investigação da jurisprudência islâmica em duas partes: uma que precisa da intenção de aproximação

A adoração no Islã é o nome dado a tudo que emana de cada muçulmano em termos de palavras, ações e sentimentos

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44 - Revista Islâmica Evidências


de Deus, o Altíssimo, e abrange a adoração e a devoção; outra que não necessita da intenção de aproximação e constitui-se do relacionamento, incluindo todas as ações e as atitudes humanas nos campos da política, da jurisprudência, da herança, do dinheiro e do comércio, etc. Assim, o estudo da jurisprudência separou os atos que não dependem da intenção de aproximação dos que dependem dele, para sua validade. O estudo introduziu sob o capítulo do culto atos como o jejum, a oração, a peregrinação, o tributo, o quinto, o jihad, a prática do bem e a proibição da prática do mal, a prece, etc. Tais ações requerem a validade da aproximação no ato e a continuidade da intenção para a sua conclusão. Sem a intenção exclusiva a Deus, TodoPoderoso, consideramse esses atos inaceitáveis, ao contrário dos outros, como contrato de compra, venda e casamento, de herança, divórcio, do sistema jurídico e executivo, etc. A sua validade não necessita de intenção de aproximação e a sua falta não as invalida. Invalida, outrossim, a recompensa. Quem os executa nada merece da recompensa e satisfação de Deus. No entanto, o muçulmano pode exercer tais operações e atividades sociais, para obter a recompensa de Deus, fazendo-as com a intenção de aproximar-se de Deus como base e causa do ato. Assim, ele concilia, entre suas ações, a vontade e a anuência de Deus, a fim de obedecer ao Seu comando e rejeitar todos os tipos de manipulações contrárias à Shari’a e ao método de Sua mensagem. Desta forma, realizase o conceito de culto com legitimidade, ou seja: submeter-se à vontade de Deus e a sua anuência, atendendo a Sua ordem. Tanto o sábio como o comerciante, o trabalhador, o agricultor e o juiz são capazes de praticar o culto no exercício da sua atividade profissional quotidiana, no trabalho diário, quando intencionam obedecer ao comando de Deus. Estes profissionais sentem, com essa intenção, o sentido de obediência a Ele, o

compromisso com Suas leis. Assim, seguem, em todos os seus atos e atividades, a orientação oferecida pela Shari’a, à luz dos princípios da Eterna Mensagem Divina, rejeitando as leis dos tiranos e os métodos do extravio. Realizam a servidão a Deus, dirigindo o objetivo e a intenção interior a Allah Todo-Poderoso, moldando sua atividade e comportamento de acordo com a Lei Islâmica. Com esta posição, a pessoa se torna adoradora, na intenção e na prática. A fé sincera em Deus tem o seu valor, mesmo sem agir. Constitui o bem em si mesmo e a pessoa é recompensada por isso. Quando o Mensageiro de Deus (S) partiu para a Batalha de Tabuk, disse: “Em Medina há pessoas que, mesmo tendo permanecido lá, participaram conosco ao passarmos pelo vale. Não demos um passo para enfrentar os incrédulos, nem tivemos um gasto, nem fomos afligidos por algo sem que eles estivessem conosco.” Perguntaram-lhe: “Como assim, ó, Mensageiro de Deus, ‘não estando conosco’!?” Ele disse: “Eles têm a sua justificativa: participaram conosco pela sua boa intenção.”

O Imam Ridha (a.s.) disse: ‘A adoração não é a prática de muitas orações e jejuns, mas refletir constantemente a respeito da ordem de Deus

A intenção é o resultado final de uma série de operações e estímulos intelectuais e psicológicos que, em última análise, demonstram a posição oculta do homem e incentivam sua força física e a materialização do ato. A intenção só é válida após: 1. O conhecimento do que se intenciona fazer, a finalidade e o objetivo do ato e o resultado dele, para que a pessoa possa escolher e determinar o aspecto da intenção. 2. A tendência e certeza, quanto à conformidade do ato, com o objetivo, de tal forma que proporcione o desejo de agir. Assim, o ato, nesta fase, é um objetivo que deve ser alcançado pelo indivíduo. 3. Decisão voluntária para realizar o ato e remover os obstáculos físicos, psicológicos e inRevista Islâmica Evidências - 45


telectuais para executá-lo. Assim, o ato passa a ser um fim necessário, interiormente, e, assim, o praticante torna-se merecedor da recompensa pelo ato, porque a sua atitude representa a harmonização do exterior com o interior da pessoa. Deus, Todo-Poderoso, diz: “Dize-lhes: Cada qual age a seu modo; porém, vosso Senhor conhece mais do que ninguém o melhor encaminhado.” (Alcorão, 17:84). Portanto, a estrutura formal do ato de culto não reflete a fé do praticante, mesmo que seja compatível com o exigido externamente, e a presença manifesta do culto. Isso só ocorre se o ato for realizado com intenção sincera, porque a contradição entre intenção e culto faz com que este perca o seu valor real, anulando-o. Neste caso, o praticante só tem esforço e trabalho. Portanto, a recompensa não pode ser conseguida pela quantidade de atos praticados, mas pela sinceridade da intenção concentrada no ato, e na medida da sua conformidade com a vontade de Deus, a vontade verdadeira e benéfica.

este universo, incluindo os seres humanos, foi criado com prudência, de acordo com um sistema de relações e de leis, que se relacionam uns com os outros, dependendo uns dos outros, resultando um do outro. As coisas existentes no mundo da matéria, da vida e do homem e os resultados e impactos decorrentes fazem parte das equações e dos equilíbrios precisos, submetendo-se a uma base das causas e dos efeitos controlados deste mundo. Nada há de um lado que não seja compensado do outro. Não há nenhuma causa que não esteja relacionada com uma consequência. De acordo com esta regra e de acordo com esta lei da existência geral, pela vontade e sabedoria de Deus, foi estabelecida a relação do homem com seu Criador, porque o ser humano representa uma parte da existência e se esforça para obter resultados neste mundo e no outro. Esta busca se baseia no pressuposto de que existe uma correlação e um equilíbrio entre as partes, uma regularidade de fatos e de existências, tanto recursos naturais quanto atividades humanas. O Alcorão Sagrado fala desse fato: “E de quando o vosso Senhor vos proclamou: Se Me agradecerdes, multiplicar-vos-ei os favores; se Me desagradecerdes, sem dúvida que o Meu castigo será severíssimo.” (Alcorão, 14:7). E diz: “Deus jamais mudará as condições que concedeu às pessoas, a menos que elas mudem o que há em seus íntimos.” (Alcorão, 13:11) E diz mais: “Porém, logo vos chegará a Minha orientação e quem seguir a Minha orientação, jamais se desviará, nem será desventurado.” (Alcorão, 20:123). E estabelece: “Allah recompensa os verazes, por sua veracidade, e castiga os hipócritas como Lhe apraz; ou então os absolve.” (Alcorão, 33:24). E afirma: “E os que crêem em Allah e praticam o bem, Ele os introduzirá em jardins abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Allah lhes reservou uma excelente provisão.” (Alcorão,

A fé sincera em Deus tem o seu valor, mesmo sem agir. Constitui o bem em si mesmo e a pessoa é recompensada por isso

Por que o culto? Por que a pessoa pratica o culto? Por que suporta as dificuldades e se empenha? Ela ora, jejua, peregrina, luta e sacrifica o seu dinheiro, etc. Deus não precisa de adoração; isso é dispensável para Ele. O ser humano encontra fadiga física no seu desempenho e gasta tempo e dinheiro no processo. Então, por que tudo isso?! O Alcorão fala da adoração, dizendo: “Não criei os gênios e os humanos a não ser para Me adorarem.” (Alcorão, 51:56). Qual é o segredo por trás disso? Por que a adoração? Rapidamente é determinada a resposta, anunciando-se para todos aqueles cuja compreensão e consciência ultrapassam a superficialidade da existência sensível e a compreensão ingênua do mundo dos objetos e existências materiais. A pessoa consciente compreende claramente que 46 - Revista Islâmica Evidências


65:111). Todos esses versículos simplificam as causas e os seus consequentes efeitos. Tornam o agradecimento a causa do aumento do bem, das bênçãos e das recompensas. Também promovem a mudança da condição humana e as condições globais associadas à mudança de conteúdo do processo, incluindo idéias, conceitos e emoções. Fazem da honestidade e da devoção a Deus uma razão para a recompensa; da hipocrisia e da duplicidade uma razão para a penalidade. Tornam a prática do bem um motivo para as dádivas e a eternidade no Paraíso.

também, demonstrar o reconhecimento das graças por todos os meios de expressão disponíveis para a pessoa, seja em palavras ou atos, como a oração, a súplica, o louvor e o jejum, ou com o reconhecimento pessoal, o sentimento interior das virtudes com total gratidão, porque a graça é um ato oriundo de um lado, Que é Deus, Glorificado seja, Que concede à outra parte, que é o ser humano. O que deve a segunda parte fazer, de acordo com as leis da existência? Por isso, Deus estabeleceu a adoração: é o método e a forma pelos quais a humanidade deve expressar gratidão, completando a equivalência pelas bênçãos e as benevolências divinas.

A intenção é o resultado final de uma série de operações e estímulos intelectuais e psicológicos que impulsionam o ato

Dessa visão, podemos desvelar o conceito do Alcorão quanto ao culto, a sua obrigatoriedade a partir do fato ser um ato causal vinculado a um resultado. Deixar a sua prática é negligência causal vinculada a um resultado. Em conformidade com a sabedoria de Deus em Sua criação, foi decidida a relação do homem com Deus, e a existência de direitos neste mundo e no outro, sujeitos a esta lei existencial geral, a lei da interdependência entre causa e efeito. Deus, Glorificado seja, tornou a imortalidade e a felicidade no Paraíso dependentes de uma lei específica (a adoração) e ambas só podem ser alcançadas com o compromisso da alma humana, que a leva a um resultado específico, ou seja, a satisfação de Deus Todo-Poderoso. Também tornou o seu abandono a causa da privação e do sofrimento: “E para todos haverá graus, segundo o que fizeram, para que Ele lhes pague pelas suas recompensas, e para que não sejam defraudados.” (Alcorão, 46:19).

Outra razão que está sujeita à mesma lei e dá o mesmo resultado é a realidade do senso moral, o seu conceito no famoso ditado: “É obrigatório agradecer pelas graças”. Isto significa que as bênçãos que Deus concede ao homem têm de ser agradecidas, porque o direito d’Aquele que concede a graça é receber o agradecimento e ter a concessão das graças reconhecida. Deve-se,

Mas, como o culto do ser humano pode equivaler às incontáveis graças do Clemente? Acrescenta-se um outro motivo para o culto. Ele assume uma dimensão específica no interior da pessoa. É também uma conseqüência natural da relação entre os objetos e seu valor. Esse motivo é o desejo e o amor a Deus, é o afastamento da alma do que a rodeia, a perspectiva de recompensa e prazer por causa do vínculo à magnificência de Deus e à Sua Perfeição Absoluta. Esse resultado inevitável é expressado pelo reconhecimento do ser humano de sua extrema pequenez, de sua excessiva deficiência, de sua necessidade da Perfeição Divina. Esta constatação atrai os desejos da alma e reforça a sua consciência, talento e paixão pelo seu Criador, o Grandioso Deus. Da mesma forma, o indivíduo perdido no deserto atroz segue para a fonte de luz e brilho e o sedento se dirige para as fontes de água. O Método de adoração no Islã A adoração é o caminho de acesso a Deus, a razão para a obtenção de Sua recompensa. A adoração no Islã é um método integral composto por estágios e lições; é um caminho de sinais claros de conduta. A sua finalidade é atingir a perfeição humana, a purificação da consciência humana e Revista Islâmica Evidências - 47


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a precaução dos desvios, em preparação para a iminente aproximação de Deus e a obtenção de Seu aprazimento. Os atos de culto estabelecidos pelo Islã são suficientes, devido à sua influência integral, para elevar e aumentar o valor do ser humano ao nível de perfeição humana, atraindo-o para o Reino Superior, efetivando a sua servidão a Deus e obtendo o Seu aprazamento. Portanto, não podemos chegar a Deus de outra forma que não aquela que Ele indica... Os cultos no Islã são elevação gradual do espírito humano, etapa após etapa, até a sua serenidade e pureza. Assim, consegue-se visualizar a realidade do Outro Mundo e discernir quanto à realidade da existência. Desta forma, a pessoa transcende os lucros da vida efêmera devido à sublimidade da Outra Vida, seus grandes objetivos, sua relação com o mundo da imortalidade e da bem-aventurança eterna. Os atos de culto no Islã são, na sua totalidade, elevação da alma e do corpo, purificação do eu e desenvolvimento do espírito e do arbítrio, uma correção da atividade do corpo e do instinto. Cada um dos cultos no Islã tem um impacto psicológico e físico, tem seus resultados integrais nas áreas de espírito, da ética e das complexas relações humanas. O Islã fez da oração a abstenção do orgulho, adoção da virtude e do amor pelos outros, o encontro com Deus, para o perdão e a renúncia aos erros e aos pecados, para aguçar o empreendimento da alma e controlá-la no caminho da sublimidade. Por exemplo, o jejum exercita o corpo, fortalece a recusa a submeter-se aos desejos, cair sob o peso de temerosos impulsos sensoriais. A súplica desenvolve a força do sentimento espiritual, para o estreitamento da relação permanente com Deus, vinculando-se a Ele, confiando n’Ele, dependendo somente d’Ele. O crente recorre somente a Ele nas atribulações, quando comete erros e pecados. Ele está confiante de que está recorrendo ao Senhor Indulgente e Misericordioso, Que lhe fornece ajuda, aceita o seu arrependimento. Assim,

tranquiliza-se e aumenta a sua confiança na sua capacidade de continuar a vida de retidão, e supera as adversidades. Portanto, os cultos no Islã se integram dentro de uma unidade devocional, tornando-se um método integral para purificar a alma e o espírito, corrigir o processo da atividade do corpo, como um prelúdio para a plenitude que capacita o ser humano a viver feliz nesta vida e de forma segura na Outra. O sistema de culto no Islã é caracterizado como sendo um método inato de cunho social dinâmico. Ele não prescreve a separação entre este mundo e o Outro, não luta contra as exigências físicas, como comida, bebida, casamento e conforto, não nega o desfrute das coisas boas, alegando que se opõe à integração espiritual e à aproximação de Deus, mas fornece um perfeito equilíbrio entre o espírito e o corpo e separa entre eles, porque o Islã não vê nas demandas do corpo uma barreira perante o desenvolvimento do espírito, ou um entrave ao desenvolvimento moral. Acredita, porém, que a meta do corpo e do espírito, em termos de composição inata, é uma só. O método de sua organização e integração é um só.

A pessoa consciente compreende claramente que este universo, incluindo os seres humanos, foi criado com prudência

Por isso, todo ato de culto constitui-se na reforma da saúde do corpo e da vida da sociedade, tendo um efeito complementar sobre a alma, a moral e a relação com Deus. A purificação, o jejum, a oração, o tributo, a peregrinação e o jihad... Todos são atos de culto que proporcionam uma reforma na saúde do indivíduo, na composição física e no sistema da sociedade. Da mesma forma, as práticas do corpo e as diferentes necessidades físicas têm uma relação estreita com o desenvolvimento do espírito e o compromisso com a ética, quando estão ligadas ao conceito de lícito e ilícito, quando geram sentimentos de agradecimento e louvor ao Criador. Cada um destes princípios interage com os conceitos da prática espiritual, para desenvolver Revista Islâmica Evidências - 49


o vínculo com Deus, reforçar o relacionamento com Ele. O homem, aos olhos do Islã, é um todo integrado e não uma entidade dual e separável, como acredita o cristianismo monástico, ou algumas anômalas seitas sofistas ou budistas e muitas outras doutrinas populares, que preconizam exercícios espirituais e físicos extenuantes, adotam a auto-flagelação e a negação dos prazeres e das coisas boas da vida, alegando aspectos ligados ao desenvolvimento espiritual e ético. Iludem-se, privando-se de alimentos, adotando o celibato ou boicotando a utilização de vestes de qualidade e a tranqüilidade do lar e a constituição de uma família. Isolam-se em montanhas e vales ou se isolam na escuridão das cavernas e florestas para a adoração e a ruptura com a vida mundana. Tudo isso é desvio, condenado pelo Islã. O apelo do Islã é simples e claro para se abandonar este método, a rejeitar tal conduta. Deus, Todo-Poderoso, diz: “Procura, com aquilo com que Allah te tem agraciado, a morada do Outro Mundo; não te esqueças da tua porção neste mundo, e sê amável, como Allah tem sido para contigo, e não semeies a corrupção na terra, porque Allah não aprecia os corruptores.” (Alcorão, 28:77). E diz: “Dize-lhes: Quem pode proibir as galas de Allah e o desfrute dos bons alimentos que Ele preparou para Seus servos? Dize-lhes ainda: Estas coisas pertencem aos que crêem, durante a vida neste mundo; porém, serão exclusivas dos crentes, no Dia da Ressurreição.” (Alcorão, 7:32).

e que se impõem punições corporais dolorosas. Quando alguém comete uma infração, impõe a si mesmo o castigo de não dormir por dias, ou queima o corpo, ou mergulha na lama ou no pântano, dias ou meses, como padres e monges faziam. O Islã rejeita toda essa perversão, categoricamente. Ele faz do perdão e do sentimento de remorso, quando se comete o pecado, atos suficientes para limpar a consciência e livrar-se da falha. Estabelece a responsabilidade de reposição dos atos de culto e do trabalho devocional do que foi negligenciado pelo ser humano, porque o sentimento de remorso e a resolução de se arrepender significam a rejeição íntima do desvio e do abuso, um desejo sincero na integridade e na moderação. Em alguns casos, o Islã impõe penitências físicas, como o jejum, ou penitências financeiras pagas aos pobres e aos necessitados, como alimentos e vestuários, sem expor o corpo à tortura ou à fadiga e auto-sofrimento. Deus, Altíssimo, diz: “E Allah deseja aliviarvos o fardo, porque o homem foi criado débil.” (Alcorão, 4:28). E diz: “Allah vos deseja a comodidade e não a dificuldade.” (Alcorão, 2:185).

A adoração é o caminho de acesso a Deus, a razão para a obtenção de Sua recompensa

A Lei Islâmica estabelece o culto por causa da vida. Ela não pode ser dificultada por causa do culto. O Islã, pelo seu método e apelo, rejeita o ascetismo, o monasticismo, a auto-flagelação para reforçar o espírito, como alegam os desviados da lógica do direito e do caminho da retidão. O Islã não prega a auto-flagelação ou a privação, a fim de esimular a dimensão espiritual, como imaginam os que seguem métodos não islâmicos 50 - Revista Islâmica Evidências

O Islã leva em conta que todos os atos de culto devem ter um efeito complementar sobre a pessoa, um reflexo efetivo para a reforma da sociedade e a melhora das suas condições. A oração proíbe a indecência e o ilícito. O jejum faz a pessoa sentir a unicidade, a igualdade e a cooperação, participa junto com as pessoas necessitadas e pobres do sentimento de dor pelo sofrimento de fome e sede. A peregrinação é a assembléia para a compreensão, o entendimento mútuo e a reforma. As penitências e os votos, as caridades, a Zakat e o Quinto (Khoms) são atos de adoração para satisfazer as necessidades materiais dos pobres e para atingir o equilíbrio econômico na sociedade. Servem para a libertação dos escravos, dando-lhes liberdade, e assim por diante.


Desta forma, a adoração contribui para a formação da personalidade individual e constrói a estrutura da sociedade, distinguindo o caráter islâmico evidente, como resultado que se resume na meta da servidão a Deus, Glorificado seja. Ela abrange o benefício secular, bem como o objetivo fundamental: a servidão e a devoção a Deus e a obtenção de Seu aprazimento. A adoração se manifesta neste planejamento, uma vez que a tendência humana procura o conforto, a acumulação de dinheiro e, muitas vezes, entrega-se ao sentimento do egoísmo. O papel do culto é domar os desejos íntimos ao invés de combatêlos, transferir o sentido pessoal para Deus com uma compensação concedida ao responsável quando adora a Deus na forma de contribuições em dinheiro obtido com dificuldade e vigilância, ou na forma de resistência à injustiça e à corrupção, ou na forma de esforço físico. Esta compensação é a recompensa da Outra Vida que tranqüiliza a alma e pela qual o espírito anseia.

em eras passadas. O sistema de adoração no Islã implica, também, no atendimento às necessidades básicas do ser humano. O papel do culto veio reafirmar a fé na vida e a interligação entre as várias dimensões da realidade humana. A entrega e submissão na adoração maior promovem um impacto na ligação entre o adorador e Deus. Se a ação praticada pelo servo é dominada pelo interesse e benefício, a adoração a Deus deixa de ser uma prática do adorador para se beneficiar dos seus efeitos. O senso do adorador deve se desenvolver em conexão com o seu Senhor, comissionando-o a exercer esses atos de culto em seus aspectos práticos e metafísicos, entregando-se e se submetendo, sem questionar os seus segredos e interesses. Essa metafísica aparece somente na adoração dominada pela inclinação devocional do indivíduo, tais como a oração e o jejum.

Os atos de culto no Islã são, na sua totalidade, elevação da alma e do corpo, purificação do eu e desenvolvimento do espírito

Assim, os atos de culto resolvem a essência do problema enfrentado pelas escolas doutrinárias, conciliando os interesses do indivíduo e da sociedade. O sistema de culto trata da necessidade fixa da vida humana, expressa no desenvolvimento social e criação de métodos e máquinas, transformando o arado em máquinas movidas por combustíveis ou eletricidade. Isso impõe uma mudança na relação entre o homem e a natureza. Tudo que representa uma relação entre o ser humano e a natureza, como a agricultura, que pressupõe uma relação entre a terra e o agricultor, deve desenvolver-se, na forma e no conteúdo, do ponto de vista material, em conformidade com as normas equilibradas do Islã. O culto não se restringe à relação entre o homem e a natureza, influenciada apenas por fatores de desenvolvimento. Por isso, defendemos que a humanidade, no decorrer da história, vive um sem número de necessidades fixas enfrentadas pelo homem, seja atualmente, na era do petróleo, quanto

Estágios de adoração: 1. Culto racional: é a prática mais elevada no Islã e a mais capaz de vincular a pessoa ao seu Criador e atraí-lo a Ele. A pessoa exerce tal culto por intermédio do pensamento e conhecimento. A mente se volta para Deus, Glorificado seja. O Islã considera refletir sobre a criação de Deus e ponderar sobre a Sua Grandeza a melhor forma de culto e o mais elevado meio de escalada e auto-integração do ser humano. Porque o pensamento científico e racional é o caminho para o conhecimento de Deus, Todo-Poderoso, e o descobrimento de Sua grandeza. É o que abre, perante o ser humano, as portas da integração, concedendo-lhe a capacidade de olhar as coisas sob o prisma da ciência, com base na consciência e na liderança, refletindo a manifestação humana da grandeza e onipotência de Deus. A mente, então, submete-se a essa grandeza, livrando-se de seu orgulho e sua arrogância intelectual e científica. Ela conta consigo mesmo e sua capacidade para entregar-se à adoração a Deus Todo-Poderoso, Revista Islâmica Evidências - 51


conscientizando-se de sua pequenez perante o Seu Poder. Por isso, o Alcorão estimula o exame racional da fé e chama a atenção para os intelectuais e as pessoas que raciocinam, que lidam com a idéia e a palavra consciente, cuidadosamente, procurando orientação e retidão, para serem um modelo e um exemplo para os crentes. O Elevado diz: “Anuncia, pois, as boas notícias aos Meus servos, que escutam as palavras e seguem o melhor (significado) delas! São aqueles a quem Allah encaminha, e são os sensatos.” (Alcorão, 39:17-18). “Os sábios, dentre os servos de Allah, só a Ele temem.” (Alcorão, 35:28). De acordo com a Nobre Tradição, de autoria do Profeta Muhammad, temos: “A reflexão por uma hora é melhor que um ano de adoração”. Foi narrado que o Imam Ali (a.s.) disse: “Nada há melhor para se adorar a Deus do que a mente.” O Imam Ridha (a.s.), disse: “A adoração não é a prática de muitas orações e jejuns, mas o refletir constantemente a respeito da ordem de Deus, Exaltado seja”.

3. Adoração Física: É cada ato corporal que resulta da utilização da força física para o cumprimento das obrigações legais de submissão a Deus, obedecendo aos Seus Mandamentos ou satisfazendo as necessidades biológicas de acordo com a Lei Divina e Suas regras para a vida. Ao mesmo tempo, consiste em cumprir as diferentes obrigações práticas da Religião, tais como a oração, o jejum, a peregrinação, e o jihad, ou a abstenção de práticas proibidas e imorais, como as bebidas inebriantes, a fornicação, a usurpação dos bens dos outros, etc., a fim de treinar o corpo, educá-lo na obediência e acostumá-lo a cumprir regularmente a vontade de Deus. O Imam al-Báquir (a.s.) demonstrou a reflexão mais precisa do culto, dizendo: “O melhor culto é a castidade do estômago e dos órgãos sexuais.”

A Lei Islâmica estabelece o culto por causa da vida. Ela não pode ser dificultada por causa do culto

2. A adoração psicológica: Resulta da submissão e da entrega com fé e sinceridade aos Mensageiros e às Leis Divinas e consiste em apegar-se aos princípios e às determinações religiosas, orientando-se ao seu método e comando. Todas essas verdades influenciam positivamente na orientação psicológica para Deus, Glorificado seja, acatando Suas Ordens, entregando-se a Ele, confiando n’Ele, aceitando o Seu decreto, agradecendo Suas dádivas e nutrindo o amor e a devoção a Ele. Essas atitudes psicológicas que aparecem na conduta do crente são as mais virtuosas e as mais sinceras. Elas representam o reflexo da crença no íntimo do ser humano e sua interação, desenvolvendo verdadeiros sentimentos quanto ao culto a Deus, a vontade de submissão, cumprindo Sua vontade e anuência, Louvado e Altíssimo seja.

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O Islã, na sua prática, não separa o culto e a realização dos interesses sociais do povo, em qualquer área da sua legislação. Assim, estes atos físicos de culto trouxeram inúmeros benefícios sociais e de reforma da comunidade. Eles contribuem para a manutenção do sistema e dos valores da vida e para frear a tendência de agressão, arrancar as raízes do mal e do desvio do mundo como um prelúdio para a construção de uma sociedade humana estável, vivendo à sombra da justiça e da paz. 4. Adoração financeira: Como o Islã traçou os planos de culto, esclarecendo à mente, à alma e ao corpo o caminho da adoração, identificou, também, o caminho da adoração no campo financeiro, da riqueza e da propriedade. Ele definiu as responsabilidades financeiras do ser humano e a forma do culto financeiro. Instituiu a Zakat, o Khoms (Quinto), a peregrinação, estimulou o sacrifício financeiro pela causa de Deus para completar o plano de adoração e afeiçoar-se ao seu método. O Islã não se contentou em esclarecer os métodos e os objetos dos gastos fiscais, mas es-


tabeleceu, também, os meios de se obter riqueza e bons recursos financeiros. Ele também apontou os objetos cuja propriedade não é válida, proibiu os meios maléficos para se arrecadar dinheiro ilícito, abençoando a conquista do dinheiro lícito e a reforma da vida. A partir dessa atitude objetiva foram projetados os cultos, no Islã, com base mental e sensorial. O praticante da oração exerce uma atividade intelectual, isentando o seu Senhor de qualquer limite, medida e semelhança. Por isso, ao iniciar as suas orações, diz: “Allahu Akbar” (Deus é Maior). Mas, ao mesmo tempo, adota a nobre Caaba comom um símbolo divino, ao qual se orienta com seus sentimentos e movimentos, para viver o culto em pensamento e prática, com lógica e emoção, com plena consciência.

de conduta. Isso faz brotar no íntimo da pessoa fontes do bem, estendendo-o a toda a humanidade. A adoração é a prática humanitária efetiva para excluir totalmente o egoísmo, abrindo horizontes amplos perante o ser humano e amplas orientações, que absorvem toda a existência. A adoração liberta dos grilhões do egoísmo e da estreita prisão que mantém o ser humano preso e o escraviza. O homem, quando pratica o culto a Deus Único, demonstra a realidade da situação humana perante o seu Criador, a relação da humanidade com Ele, para que toda a humanidade viva representada em sua humanidade, destinada ao seu Criador. A adoração, então, é um sentimento permanente da existência de Deus e o despertar permanente da consciência. A adoração é o exercício espiritual, que abstrai o ser humano do mecanismo da vida, da sua aborrecida marcha monótona e materialista, conduzindo-o a uma atmosfera ampla, onde ele pode respirar a fragrância do conforto e o gosto da felicidade. Assim, as forças da alma se renovam e renasce na alma o senso de estabilidade e tranquilidade.

Os cultos, na sua totalidade, afetam a construção da personalidade humana e promovem a integração do indivíduo

O impacto da adoração na integração do ser: Os cultos, na sua totalidade, afetam a construção da personalidade humana e promovem a integração do indivíduo, removendo todos os obstáculos que impedem a melhoria e a interação psicológica e social, eliminando o egoísmo, o ódio, a hipocrisia, a ganância e a criminalidade. A adoração age sempre para a purificar as pessoas da imperfeição, contribuindo para resgatá-las de vários males - psicológicos e morais - e colabora para que o conteúdo interno da pessoa esteja em conformidade com a aparência e o comportamento externo. Assim, elimina as contradições e tensões internas e favorece a harmonia entre a personalidade, os valores e princípios sublimes da vida. Age, também, para incutir o amor da perfeição e da sublimação, que motiva a pessoa à transcendência, direcionando sua atenção para o ideal realizado nos atributos divinos e na perfeição espiritual, em preparação para a integridade

O culto tem, em adição, efeitos preventivos e terapêuticos representados pelo resgate da confusão caótica quotidiana e do desespero, da culpa, da vaidade, porque a permanência do ser humano nas mãos de Deus e a manutenção da relação com Ele fazem-nos sentir próximos do Senhor da Existência, amando-o e sendo gentil com Ele. Ao mesmo tempo, fazem-nos sentir o nosso valor humano. O homem pode, por meio da sua adoração, descobrir o elemento mais importante de sua vida, a importância e a dignidade do Criador: é a sua importância e dignidade perante o seu Criador, Quem dele cuida. Assim, seus sentimentos de esperança de reforma permanecem, bem como o alívio de sua consciência, libertada da fadiga, do senso de culpa e da sensação de inutilidade e perda na vida.

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Ficção

Mai Abu Sunna

“O que você espera? A porta do arrepedimento está aberta”

E

le dirigia seu carro tentando alcançar rapidamente o compromisso com os amigos. Ele se acostumou a encontrálos quase que diariamente para passarem a noite juntos, quando fumavam e bebiam, desfrutando dos momentos de sua juventude, sem quaisquer restrições. Certa feita, foi surpreendido pela interrupção do motor de seu carro. Tentou várias vezes ligá-

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lo, mas sem resposta. Desceu para perguntar sobre a oficina mais próxima. Para sua sorte, encontrou uma próxima e lá foi ele. Acompanhado pelo mecânico, foram verificar o defeito. Depois de um rápido exame, o jovem informou que o problema era simples e podia ser resolvido em meia hora. O dono do veículo ficou ao lado, esperando o fim do conserto, irritado pelo atraso do encontro com os amigos. Sua situação psicológica não


O Chamado era tão boa naquele dia. Ele precisava encontrar seus camaradas, esquecer os problemas e levantar a sua moral. Alguns instantes depois, o chamado para as orações da noite entoou na mesquita do outro lado. A voz do muezim (1), que se distingue pela excelência e piedade, fê-lo sentir um tremor do corpo. Seria a primeira vez que ouvia aquele chamado? Claro que não! Ele ouvia aquela voz melodiosa desde o seu nascimento, mas sentiu como se tivesse sido a primeira vez que ouvia aquele apelo. É como se fosse compelido a ele, dessa vez. Teve uma idéia estranha. Por que não entrava na mesquita à espera do término do conserto de seu carro? Ele não havia entrado numa mesquita em toda sua vida. Ele nem sabia como rezar. Sim... Tudo que sabia era que a sua identidade dizia que ele era muçulmano, de acordo com o que estava escrito nela, como a sua família também era muçulmana, mas apenas por força da genética. Nunca antes viu seus pais rezarem, jejuarem ou participarem de qualquer evento religioso. Ninguém lhe falou de religião e ele não tentou se aprofundar nela. Tudo o que lembrava é que ele tinha pedido uma vez ao pai, quando era criança: (1)Muezim é o responsável pelo chamamento às orações, nas mesquitas (NE).

Ele se acostumou a encontrar os amigos, quando fumavam e bebiam, desfrutando de sua juventude sem quaisquer restrições

“Por que você não jejua durante o mês de Ramadã, como os pais dos meus colegas da escola?”. Seu pai respondeu: “A fé está no coração. Não há nenhum benefício na prática da formalidade ritual... O importante é a fé em Deus”. Desde aquele tempo, não tentou perguntar sobre qualquer coisa relacionada à religião. Ao


atingir a idade da adolescência, começou a experimentar tudo, não sendo impedido de fazer o que quisesse. Seus pais não se preocuparam com seus assuntos, tudo o que exigiam é que apenas as suas necessidades materiais fossem satisfeitas. O dono do carro disse, então, que ia entrar na mesquita por alguns minutos e que voltaria rapidamente. Com passos hesitantes por todo o caminho, continuou em direção ao templo. Sentiu como se não tivesse direito de entrar naquele lugar. Tirou os sapatos à porta e entrou... Ficou confuso, sem saber o que fazer... Não sabia nem como fazer a ablução ou como praticar a oração. Permaneceu de pé alguns minutos, então teve vontade de sair. Foi surpreendido por uma pessoa perguntando se ele queria alguma coisa. Permaneceu em silêncio, relutante em responder. Em seguida, respondeu timidamente que queria rezar, mas que era a primeira vez que iria fazê-lo, e não sabia como realizar as orações. O homem sorriu, deu tapinhas em seu ombro por piedade e o levou para o lugar da ablução. Mostrou-lhe como fazê-la e, em seguida, saíram para rezar, tendo ouvido a voz do muezim. Colocaram-se em linha e então o homem lhe perguntou: “Como vai orar se não sabe alguma coisa do Alcorão?” O jovem ficou surpreso porque não tinha pensado naquilo. Tudo o que sabia é que ele queria rezar naquele instante. Queria ter aquela experiência sem conhecer as regras. O homem combinou com ele que ficasse sentado e assistisse a uma oração, que esperasse por ele para lhe ensinar a rezar.

mas não tinha experimentado a sensação de fazer parte da regularidade das linhas, unir o seu coração aos dos demais e orar humildemente ao Deus Único. Sentiu como se tivesse sido transportado para outro mundo, de luz, dominado pela paz, tranquilidade e equilíbrio interior. Os muçulmanos terminaram a oração. O homem foi ter com ele e observou que estava impressionado. Começou a ensiná-lo a Surata da Abertura (“Al Fátiha”) e a Surata da Unicidade (“Al Ikhlas”). Ele aprendeu ambas com rapidez. Combinou com ele seguir suas palavras e atos, e, em seguida, rezaram juntos. Ao terminar de recitar a Surata Al Fátiha, o jovem sentiu as lágrimas escorrendo-lhe pelo rosto. Não sabia qual era a razão daquilo. Após a oração e acabada a pronúncia da saudação final (3), prostrou-se novamente, com as lágrimas molhado o local em que se prostrou. Nem ele conseguia identificar a causa daquele choro.

Sua situação psicológica não era boa naquele dia. Ele precisava encontrar seus camaradas, esquecer os problemas e levantar a sua moral

Começou a oração. O Imam (2) conduzia as orações e de pé, atrás dele, com humildade, as pessoas o seguiam. O rapaz, vendo o que estava acontecendo, ficou impressionado. Na verdade, já havia visto a oração em congregação pela TV, (2) Imam é o líder da oração congregacional (NE) (3) Conhecida por “Attaslim” (NE)

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O homem observou-o em silêncio e emocionado pela sua reverência. Então, optou por retirar-se, para deixá-lo naquela situação espiritual. O jovem continuou a chorar e a soluçar em voz alta, sem nada dizer, até se cansar. Ele se estendeu no chão e dormiu, provavelmente não por muito tempo, porém sentiu que pela primeira vez, dormia profundamente relaxado, sem nenhuma angústia sentir. Só percebeu a mão de alguém no seu ombro para acordá-lo. Abriu os olhos para ver o rapaz que estava consertando seu carro. Disselhe que esperou por ele depois de consertar o carro, mas ele havia demorado. Passou a procurá-lo dentro da mesquita e o encontrou dormindo. O dono do carro permaneceu em silêncio por algum tempo; foi como se a língua fosse incapaz de falar... Como se aquilo tudo fosse um sonho ou uma experiência da fantasia. O mecânico voltou a


falar, exortando-o a receber o carro, porque havia se atrasado na “oficina”. O jovem levantou-se e ambos saíram juntos da mesquita. Parou para calçar os sapatos. Olhou para trás, como se não quisesse sair da mesquita... Não queria deixar a sua terra natal, da qual havia se desviado... Não queria sair para aquele mundo barulhento, que não conhecia a verdade.

Espantado, o mecânico olhou para ele como se tivesse feito alguma loucura. Perguntou-lhe: “Você não quer o telefone?”. Respondeu: “Não”. O mecânico saiu à procura, esperando que nada tivesse acontecido ao aparelho para poder levá-lo para si mesmo. Ele o encontrou, colocou-o no bolso e, em seguida, foi até o jovem. Próximo ao carro, o jovem verificou que tinha sido consertado. Pagou o trabalho ao mecânico e, em seguida, conduziu o veículo por outro caminho, diferente do que tinha a intenção de adotar, o caminho pelo qual buscaria a verdadeira felicidade espiritual e a eternidade.

Nunca antes viu seus pais rezarem, jejuarem ou participarem de qualquer evento religioso

De repente, o toque do celular tirou-o das suas reflexões. Era um dos amigos que estavam esperando por ele. Certamente eles estavam preocupados com o seu atraso. Ficou olhando por longo tempo para o celular, sem responder. Então, de repente, agarrou-o e lançou-o para longe.


Comportamento

Siga e Seja Exemplo

A posição do muçulmano na comunidade


C

ada pessoa é responsável pelo seu trabalho, mas a posição do ser humano na sociedade tem uma sensibilidade particular, que vai além de sua função produtiva. Podemos dizer que o muçulmano ou a personalidade islâmica não são donos de si mesmos, mas são propriedade do Islã, que monitora suas boas e más ações. Se as ações e as palavras do indivíduo são boas, bem como suas posições e relações, dizse: “Esta é a educação do Islã!”. Se estas ações e palavras são abusadas, extraviadas, desviadas ou causarem dano individual ou coletivo, diz-se: “Assim são os muçulmanos!”. Será que é culpa do Islã? Claro que não! O Islã educa seus seguidores a fazer o bem e ter amor pelas pessoas, promover a paz para todos, e recomenda a cooperação na aplicação da justiça e da piedade. Se o muçulmano não se preocupa em fazê-lo e age ao contrário disso, a culpa é dele, porque agiu de acordo com sua vontade e gostos e não como a sua religião exige.

observam o seu comportamento (como exemplo) e julgam. Se o muçulmano frustrar suas esperanças ou seus pontos de vista, as pessoas ficam chocadas. Se respeitarem suas posições e títulos, contribuem para reforçar a imagem dos muçulmanos como um exemplo na sociedade. Um sábio atuante prestou atenção neste ponto. Ele advertia seus discípulos quanto a cair na no erro do comportamento corrupto. Dizia-lhes: “As pessoas, ao verem o mau comportamento do estudante de ciência religiosa, ficam com má impressão de todos os estudantes de ciências religiosas, e não apenas da pessoa. Deveriam satisfazer-se em ter má impressão apenas do faltoso, não de todo o grupo.” Ele acrescentava, comentando a sensibilidade da posição do crente atuante e que serve à comunidade: “As pessoas não analisam as coisas logicamente quando vêem a ação inadequada de um religioso. De mesma forma que há entre os outros grupos humanos pessoas corruptas, entre as pessoas religiosas há, também, os corruptos e os desviados. Porém, se o dono da mercearia agir de maneira incorreta, as pessoas comentarão que apenas o fulano é corrupto. Se o farmacêutico for desviado, as pessoas dirão que o farmacêu-

O muçulmano ou a personalidade islâmica não são donos de si mesmos, mas são propriedade do Islã

Por que, então, as pessoas dizem isso? A posição do muçulmano e a personalidade Islâmica são realmente sensíveis, como dissemos. As pessoas olham para o pensamento e as emoções da personalidade islâmica,


tico ‘fulano’ está errado. No entanto, quando um religioso pratica más ações, dizem que ‘os religiosos são maus’.” Em outras palavras, as pessoas olham para a posição do crente, do agente ou do sábio como pessoas responsáveis por apresentarem uma conduta pessoal viva, expressiva a respeito do que é verdadeiro ou não em termos de Islã. Isto é expresso pelo Alcorão Sagrado, em sua abordagem a respeito das esposas do Profeta (S) como “Mães dos Crentes”: “Ó esposas do Profeta, vós não sois como as outras mulheres; se sois tementes, não sejais insinuantes na conversação, para evitardes a cobiça daquele que possui enfermidade no coração, e falai o que é justo. E permanecei tranquilas em vossos lares, e não façais exibições, como as da época da idolatria; observai a oração, pagai o zakat, obedecei a Allah e ao seu Mensageiro, porque Allah só deseja afastar de vós a abominação, ó membros da Casa, bem como purificar-vos integralmente. E lembrai-vos do que é recitado em vosso lar, dos versículos de Allah e da sabedoria, porque Allah é Onisciente, Sutilíssimo” (33:32-34).

com os ensinamentos de seu marido, o Mensageiro de Allah, a respeito de Deus, Exaltado e Bendito seja, acontece proporcionalmente o impacto nas outras mulheres, por serem consideradas modelos. Por isso, o Alcorão determina o castigo em dobro pelo adultério cometido por uma delas. Da mesma forma, considera a recompensa em dobro pelo bom ato praticado por elas. Se não, vejamos: “Ó esposas do Profeta, se alguma de vós for culpada de uma má conduta evidente, ser-lhe-á duplicado o castigo, porque isso é fácil a Allah. Por outra, àquela que se consagrar a Allah e ao Seu Mensageiro, e praticar o bem, duplicaremos a recompensa e lhe destinaremos um generoso sustento.” (33:30-31).

O Islã educa seus seguidores a fazer o bem, ter amor pelas pessoas e promover a paz para todos

Pressupõe-se que as esposas do Profeta (S) sejam o modelo e o exemplo para as mulheres muçulmanas. Na medida em que a esposa do Profeta (S) seja excelente e comprometida

O mesmo pode ser dito de cada crente, homem ou mulher, porque eles estão na posição de exemplo para o resto dos homens e das mulheres muçulmanos. Certamente, podem ser um exemplo, mesmo para os não-muçulmanos. Por isso, o Alcorão vincula a tradição a respeito das esposas do Profeta (S) e os muçulmanos, homens e mulheres, de forma direta, na sequência dos versículos citados anteriormente: “Quanto aos muçulmanos e às muçulmanas, aos crentes e às crentes, aos consagrados e às consagradas, aos verazes e às verazes, aos perseverantes e às perseverantes, aos humildes e às humildes, aos caritativos e às caritativas, aos jejuadores e às jejuadoras, aos recatados e às recata-


das, aos que se recordam muito de Allah e às que se recordam d’Ele, saibam que Allah lhes tem destinado a indulgência e uma magnífica recompensa.” (33:35).

O acréscimo de modelos aumenta o saldo de bons exemplos entre as pessoas e eleva o grau da comunidade de uma sociedade tradicional em uma sociedade que se eleva cada vez mais. Certamente que o exemplo é Ou seja, os que têm esses excelentes asum modelo específico estabelecido por enorpectos servem de modelo para os outros. Pormes e contínuos esforços para atingir o mais tanto, a sua recompensa é excelente, como a alto grau na condição humana. O Livro de recompensa das esposas do Profeta (S), que Deus diz: “Designa-nos líderes dos devorespeitam sua posição perante a comunidade e tos.” (25:74). Não é pedido ao ser humano, tornam-se “Mães dos Crentes”. apenas, para ser piedoso, mas também para ser um modelo para os justos. Os imames são um exemplo superior e a congregação Se você não encontrar exemplos ... segue sempre o exemplo do imam. Porém, seja exemplo! ao mesmo tempo em que seguimos o exemplo de outros, devemos ser um exemplo para os outros. O que chama a atenção no nobre Os profetas e imames (a paz esteja com versículo é que o pedido representa um níeles) e os servos virtuosos de Deus são aqueles vel de ambição. A liderança exigida não é cujo nome a história imortalizou como modepara os muçulmanos ou crentes, especificalos eternos e não como modelos para uma etamente, mas para os justos. Se a piedade é o pa limitada de tempo. Mesmo que eles se tecritério para a diferenciação entre as pessonham ido, Deus Todo-Poderoso nos pede para as de acordo com o versículo: “Sabei que seguir-lhes o exemplo, apesar da distância de o mais honrado, dentre vós, ante Allah, tempo, que excede milhares de anos. é o mais temente.” (49:13), nós podemos Partindo do presser um modelo para suposto de que não enas melhores e mais contraremos um exemnobres pessoas. O caO homem e a mulher plo no nosso ambiente minho para isso está para seguir os seus aberto e não é momuçulmanos devem ser passos, devemos nos nopólio de ninguém. tornar a nós mesmos exemplo para os outros, mesmo Será que pensamos exemplo para os ouem ser modelos para para os não-muçulmanos tros, ou seja, devemos os justos e virtuosos? tentar nos estabelecer Nada é impossível como modelos no amcom a determinação biente social e prática em que nos encontramos. e a vontade. Que cada um de nós aja para ser um modelo, competindo nos benefícios e nas boas obras.

Revista Islâmica Evidências - 61


Se vocĂŞ nĂŁo encontrar exemplos ... seja exemplo!


Um pequeno exemplo Pode-se pensar que é necessário uma diferença de idade, em outras palavras, que o idoso – de acordo com este ponto de vista - seja necessariamente modelo para os jovens. À primeira vista, esta opinião pode parecer correta, uma vez que o mais velho possui cultura mais ampla, experiência mais rica e uma compreensão melhor da vida. Mas isso não é uma regra rígida. Pode ser que a criança seja modelo para o adulto. Entre as crianças há as que possuem mente e raciocínio mais desenvolvidos do que alguns mais velhos. Por isso, a vemos liderando outras crianças, com talento.

terrenas, mais humilde deve-se ficar, porque o seguidor potencial é muito observador. Ele não segue sem reflexão, sem estudo, sem conhecimento. Ele lê - se for possível usar este termo – muito bem a personalidade do líder. Se se convencer que serve como líder pelo pensamento, pelo caráter, pela conduta, é atraído por ele. A primeira coisa que chama a atenção num verdadeiro líder é a modéstia, apesar de ele possuir idéias iluminadas, caráter excelente, conduta virtuosa e aspectos inigualáveis. Eis o seguinte exemplo: Uma criança conta a sua experiência com o pai; “Eu era uma criança órfã de mãe. Era filho único. Meu pai me amava muito, porém ele tomava bebida alcoólica. Aquilo me perturbava, causava dor e angústia. Por isso, pensei muito na questão. A pergunta que me ocupava era: ‘Como consigo fazer o meu pai abandonar o vício?’. Um dia cheguei à solução. Disse a mim mesmo que meu pai me amava. Não devo eu utilizar este argumento para conseguir convencê-lo a abandonar o vício? Naquele tempo tinha aprendido a praticar as orações com o professor da educação religiosa. Eu e alguns dos meus colegas e amigos freqüentávamos a mesquita próxima de casa para praticar a oração. Meu pai não me proibia de fazê-lo. Considerei a sua permissão de eu praticar a oração uma atitude positiva para mim e para ele. Chegou o ‘dia D’. Enquanto praticava a ablução e me preparava para ir à mesquita, vi que meu pai observava longamente o que estava fazendo. Mesmo sabendo

Que cada um de nós aja para ser um modelo, competindo nos benefícios e nas boas obras

O jovem pode ser um exemplo para os irmãos mais velhos e mesmo para os pais. A menina pode ser um bom exemplo para suas irmãs mais velhas e para a mãe, também. Para um de nós ser um exemplo para os mais velhos, necessitamos: - preencher razoavelmente as condições de bom exemplo mencionadas na introdução; - não nos sentir superiores e iludidos perante os que seguem o seu exemplo, sentindonos melhores do que eles. Dentre as características do bom exemplo está a modéstia. Toda vez que se adquire mais conhecimento no tratamento das questões


que estava me preparando para ir à mesquita, perguntou-me:” ‘Onde você vai, filho?’” “Respondi: ‘À mesquita para praticar a oração.’ Ele se calou e abaixou a cabeça, constrangido. Porém, aproveitei a oportunidade para tirá-lo do constrangimento, perguntando: ‘Que você acha de irmos juntos à mesquita?’ Ele ficou confuso e o seu rosto ficou vermelho. Disse, gaguejando: ‘Ah, se Deus quiser, na próxima vez.’ Porém, vi naquilo um sinal de encorajamento. Disse-lhe: ‘O que veda de irmos agora?’” “Ele disse: ‘Nada. Mas devo higienizarme e limpar as vestes.’ Para cortar o caminho das desculpas, disselhe: ‘Vai se higienizar que fico à espera.’ Ele não viu meios para não atender ao meu pedido e aconteceu o que eu esperava.”

sim, ocupei o tempo dele para ele não pensar mais na bebida.” O pai conta a respeito desta experiência: “O mérito por eu ter largado o vício da bebida é de meu filhinho, que foi bom exemplo para mim. Aprendi com ele a higiene, a limpeza, a esperança, o retorno para razão e para o mais importante de tudo isso: o retorno a Allah, Abençoado e Exaltado seja”. Nós também podemos fazer isso. Que sejamos exemplo para os mais idosos, praticando as orações em seus devidos horários, sendo sinceros em nossas relações, sendo leais aos nossos amigos, cumprindo as obrigações da melhor forma possível, evitando as maldades e a prática do mal, sendo tolerantes, carinhosos, aculturando-se em todas as coisas. É exigido do idoso que seja exemplo para os mais novos. Porém, o mais novo que se propõe a ser exemplo tem uma posição digna perante Allah.

Os imames são um exemplo superior e a congregação segue sempre o seu exemplo

“Após esta experiência bem sucedida, disse a mim mesmo que talvez o meu pai voltasse para o seu vício sem eu saber. Resolvi fazer outra experiência. Eu lhe colocava um plano que o ocupava de pensar sobre as suas aflições. Algumas vezes acompanhava-o em passeios públicos, outras juntava-me a ele em passa tempos e diversões. Outras ainda, pedialhe que me ensinasse algo. Outras, pedia-lhe que me falasse de suas experiências, ou íamos para a biblioteca pública para escolher alguns livros para discutir a respeito. De vez em quando ouvíamos uma palestra gravada. As-

Seguir o exemplo dos mais idosos Entre os erros mais comuns cometidos pelos jovens, de ambos os sexos, está o fato de eles atribuírem algumas das suas ações e declarações aos outros, considerando-os – quer percebam ou não – um modelo para eles. Este é um mau exemplo, pois adquirem determina-


do comportamento também por auto convencimento, não só pelo que veem as pessoas fazer, imitando-os sem críticas e sem controle. O jovem que repete os argumentos dos desesperados, derrotistas, pessimistas e frustrados segue o seu exemplo - quer sinta ou não. A moça que imita as mulheres sem véu em palavras e ações, considerando isso parte da cultura humana e da civilização da comunidade, toma os maus exemplos como modelos, quer conheça os resultados de suas ações ou não se importe com isso.

Se olharmos para os povos emergentes e os países desenvolvidos, veremos que eles calculam o impacto dos modelos no domínio do trabalho e da gestão, de liderança e ética, acima de tudo. Os ideais do homem são dados ao crente, ao sábio, ao trabalhador, à pessoa educada e de bom caráter. São dados, também, aos indecentes, concupiscentes, aos maledicentes e aos difamantes. Porém, os exemplos edificantes são dados para servir de modelos a serem seguidos. Os exemplos negativos são apresentados para que sejam evitados e para que nos afastemos deles. Deus nos deu o exemplo de duas mulheres virtuosas, a saber: Ássia, filha de Muzahim e esposa do Faraó, e Maria, filha de Imran, mãe de Jesus (a paz esteja com eles). Também deu exemplos de duas mulheres traidoras: a esposa de Noé e a mulher de Lot, para incentivar as moças e as mulheres a seguir o exemplo das duas primeiras e alertar para se afastarem do exemplo das duas últimas.

O jovem pode ser um exemplo para os irmãos mais velhos e mesmo para os pais

Seguir cegamente o exemplo dos idosos não é correto e o Islã adverte severamente contra este comportamento, porque priva o ser humano da dignidade, liberdade e vontade própria. Pode ser que alguém diga que seguir o bom exemplo também priva o seguidor de liberdade e torna a sua personalidade uma sombra dos outros.

A diferença entre os dois casos é clara. Seguir os maldosos significa satisfação e aceitação do que eles fazem, incluindo praticar atos indecentes e proferir palavras obscenas. Isto significa perder o reconhecimento pessoal, renunciar a ele em troca de algo ínfimo. Quanto à imitação dos justos e ao seguimento de suas orientações, esta também é uma escolha e não obrigação, porque é uma das formas de aprendizagem e educação. A imitação dos generosos leva ao sucesso.

Portanto, sigamos o bom exemplo, cujos atos confirmam as palavras, cujas idéias estão conforme a conduta. Se não encontrarmos um bom exemplo, tornemo-nos bons exemplos. Se houver vários bons líderes, que sejamos o melhor entre eles. Em todo o caso, sigamos o bom exemplo, sejamos um modelo de virtude. Finalizamos, louvando a Deus, Senhor do Universo.


Arrazi:

o Médico, o Homem, o Sábio e o Polímata (250 A.H. (864 D.C.).)


Personalidades Islâmicas Estes artigos visam esclarecer os mais ilustres personagens, conhecer seus currículos, os papéis de suas vidas e suas conquistas a serviço da humanidade, os campos em que se destacaram, descobriram e se sacrificaram para a obtenção de cada conquista, a fim de se beneficiar das suas experiências e das suas riquezas morais.

S

eu nome completo é Abu Bakr Ar-

razi nasceu em Rai (atual Irã) no ano 250 A.H. (864 D.C.). Ficou conhecido desde a infância pelo seu amor à aprendizagem. Desde muito cedo inclinou-se para o estudo da música, da matemática e da filosofia. Porém, há desacordo entre sábios e pesquisadores a respeito de seus estudos e trabalhos médicos. As fontes antigas citam que ele se dirigiu à prática da medicina após os quarenta anos de idade. Um dos pesquisadores modernos, Albert Zaki, considera que Arrazi começou a prática da medicina na sua juventude. O que importa é que Arrazi era um leitor assíduo, principalmente à noite. Ele colocava a sua lamparina num nicho na parede, à sua frente, e deitava de costas segurando o livro. Quando era vencido pelo sono durante a leitura, o livro lhe caía no rosto e o acordava, para que ele continuasse com a leitura. Após completar os seus estudos de medicina em Bagdá, Arrazi retornou à cidade de Rai, atendendo ao convite de seu governador, Mansur Ibn Itzhaq, para assumir a administração do hospital psiquiátrico local. Arrazi escreveu um livro para aquele governador, denominado “Almansuri fi Tib” (Al-Mansuri na Medicina). Na sequência, escreveu o livro “Attib Arrauhani” (A Medicina Espiritual), sendo um complemento do outro. O primeiro tratava das doenças físicas e o segundo, da medicina psiquiátrica. Com eles, Arrazi ficou famoso. O sábio viajou várias vezes entre as cidades de Rai e Bagdá, algumas vezes por questões políticas e outras para ocupar postos elevados em ambas as cidades. Porém, passou a última parte

de sua vida na cidade de Rai. Ele foi acometido por glaucoma e perdeu a visão, vindo a falecer em sua cidade natal. Dizem que faleceu em 313 A.H./925 D.C. ou em 320 A.H./932 D.C..

A Prática da Medicina Ele exerceu a medicina por longo tempo nos hospitais. Assumiu posições importantes nos estabelecimentos em que trabalhou. Assumiu a administração do hospital psiquiátrico de Rai. Quando foi para Bagdá e lá residiu, administrou um dos seus hospitais por longo tempo. Uma vez que Arrazi era sábio e médico, tinha muitos seguidores e discípulos que se sentavam ao seu redor em conferências constantes, ouvindo-o com muita admiração.

O Homem Sábio Arrazi, com sua elevada inteligência e sua admirável memória, conseguia decorar o que lia ou ouvia, ficando famoso por isso entre seus leitores e discípulos. Arrazi era muito rico. Tinha vários servos e os mais exímios cozinheiros. Mesmo assim, ficou famoso pela sua generosidade e desprendimento. Ele favorecia os amigos e os conhecidos, tinha pena dos pobres e necessitados, principalmente os doentes. Ele gastava com eles de seu próprio dinheiro, designando-lhes salários. A fama de Razi causou a inveja das pessoas e a indignação de seus inimigos. Eles o acusaram de ateísmo e maniqueísmo, incutindo-lhe opiniões perniciosas e declarações mentirosas. Porém, ele se defendeu de todas as acusações, anulando-as na sua tota-

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lidade. Arrazi, um dos principais médicos árabes Arrazi é considerado um médico pioneiro, não apenas entre os sábios muçulmanos, mas a nível mundial. O mais destacado pioneirismo e a magistratura ímpar dele destacam-se em vários aspectos. Arrazi é: • Considerado o inventor dos fios de sutura; • O primeiro a fabricar a pomada de mercúrio; • Responsável por apresentar uma descrição das doenças infantis, das mulheres, de parto, das doenças hereditárias, da cirurgia e das doenças dos olhos; • Pioneiro na cirurgia. Antes de operar pessoas, ele fez experiências com animais, como macacos. O emprego de cobaias animais é prática comum na ciência médica, nos dias de hoje. Arrazi dava-lhes remédios e observava as suas reações. Quando as experiências eram bemsucedidas, aplicava-os nos seres humanos;

espírito, eliminando-lhe os temores utilizando vários métodos psicológicos conhecidos, até que o paciente sarasse. Dizia a respeito disso: “É dever do médico dar esperanças ao doente. A adaptação do corpo segue a conduta psicológica.” Ele adquiriu fama no campo da medicina clínica. Tinha amplos horizontes neste sentido. Diferenciou a varíola do sarampo. Foi pioneiro em descrever essas doenças de forma precisa, descrevendo os tratamentos corretos. • A orientalista alemã Ziegrid Honka, disse a seu respeito no seu livro “O Sol dos Árabes Ilumina o Ocidente”: “A personalidade de Razi incorpora tudo o que se destaca na medicina árabe, pelo que realizou de deslumbrantes descobertas científicas. Ele é o médico que conhecia perfeitamente a sua responsabilidade, cumprindo em todos os sentidos a sua missão, de todo coração e alma, ajudando os necessitados e os pobres. Ele é o polímata que adquiriu todo o conhecimento anterior na medicina, digerindo-a e apresentando-a para a humanidade da melhor forma. É o médico cientista que dava à observação clínica o seu valor e importância. É o pesquisador químico prático e bem sucedido. Finalmente, a sua metodologia, no seu conhecimento, concedeu à medicina, em sua época, uma esplêndida organização e uma explicação admirável”.

Abu Bakr Arrazi ficou conhecido desde a infância pelo seu amor à aprendizagem

• O primeiro a preocupar-se com o histórico do doente, registrando a evolução da doença para ficar à par da situação e ministrar o tratamento correto; • O primeiro a defender o tratamento preventivo com medicamentos mais simples (medicina homeopática e nutritiva), sem utilizar remédios compostos, a não ser por necessidade. Por isso, dizia: “Enquanto poder tratar com remédio simples, não utilize remédio composto.”; • Médico que costumava aproveitar as informações da análise de sangue, da urina e da pulsação para diagnosticar a doença; • Cientista que se preocupou com os aspectos psicológicos do doente, elevando-lhe o 68 - Revista Islâmica Evidências

Arrazi e a “Medicina da Alma” Em seu livro “A Biografia Filosófica”, Arrazi defendeu a sua auto-biografia e o método da vida do filósofo, traçando um método para a vida do ser humano, baseado em que após a morte ele terá uma vida repleta de felicidade ou infelicidade. Por isso, não deve seguir as suas paixões, que o incentivam a exercitar os prazeres mundanos. Deve seguir a razão, utilizar a ciência e a justiça. Eis o que Arrazi disse:


“O que o nosso Criador Misericordioso quer é almejarmos a Sua recompensa e temermos o Seu castigo.” Em resumo, filosoficamente ele defende que o ser humano, em seus atos, siga o seu Criador, Justo, Piedoso, Indulgente. Quanto aos detalhes dessa biografia, eles nos encaminham para o livro da “Medicina da Alma”, que o Emir de Khorassan, Mansur Ibn Nuh Assamáni, pediu-lhe para escrever. Deu-lhe o nome e o juntou ao livro “Al Mansuri”, que Arrazi escreveu a respeito da medicina física. Na opinião do Emir, foi justo juntá-los, devido aos seus benefícios gerais, unindo os aspectos psicológicos e físicos do ser humano. A base disso é a crença de Arrazi na relação da saúde psicológica com a saúde física e a influência das situações psicológicas sobre o corpo, como veremos em alguns de seus apontamentos de ordem psicológica. Arrazi baseou a sua medicina psicológica e comportamental na razão, com a qual Deus preferiu o ser humano a todas as outras criaturas. Por intermédio dela o ser humano conseguiu adquirir o conhecimento e agir no mundo, conscientemente. Isso exige que a razão seja responsável pela preparação da vida humana e que o ser humano domine os desejos, controlando-os com o pensamento, a reflexão e o exercício físico. Seguir apenas e de maneira desenfreada os desejos, fazendo qualquer coisa para satisfazêlos, rebaixa o ser humano ao nível dos animais irracionais. Arrazi tem, a respeito dos prazeres, a opinião de que não são coisas positivas, mas mero descanso de uma dor que acomete a pes-

soa na situação natural. Não é saudável que o ser humano queira ter prazer, a não ser na medida da necessidade, para praticar uma vida de pensamento e de conhecimento. Arrazi preocupa-se com a necessidade de o ser humano conhecer as suas deficiências. Isso não lhe é facilitado com os prazeres e o egoísmo. Por isso, deve recorrer a um educador experiente e permanecer sob a sua supervisão, para que este o faça ver como eliminar os comportamentos reprováveis que se apresentam para a pessoa. Arrazi refere-se a estes comportamentos e sentimentos, denominando-os de “paixões”, que são “aflições” enormes por seus reflexos no rebaixamento da alma, provocando a submissão, a humilhação, a falsidade e a falta de escrúpulos. Arrazi acrescenta ao que denomina “paixão” o que chama de “inclinação”, que nasce com o apego excessivo a uma pessoa e se reflete na profunda insatisfação pela perda do amado, o que constitui em “luto”. Se for juntada à paixão, torna-se difícil se livrar da inclinação. Este sentimento cresce com o passar do tempo, sem que a pessoa perceba. Quando a perda ocorre, aparece na forma de uma dor enorme, que atinge a alma. Arrazi dirige a sua crítica àqueles que considera “venenosos” por suas opiniões e falta de ética. Estes filósofos exaltam a elegância, o ornamento e a boa aparência, acrescentando a

Quando era vencido pelo sono durante a leitura, o livro lhe caía no rosto e o acordava, para que ele continuasse com a leitura Revista Islâmica Evidências - 69


isso as palavras eloquentes dos poetas famosos, incluindo neste rol os Profetas. Arrazi responde a eles dizendo que a fineza, as mentes claras e corteses são reconhecidas e consideradas por terem o domínio do conhecimento das coisas ocultas, distantes, e das ciências exatas. Só os filósofos possuem isso. Ele cita os gregos, observando que o amor, na sua expressão, tem uma dimensão menor do que entre outros povos. Quanto aos Profetas, Arrazi não concorda que o amor seja uma das suas características ou virtudes mais importantes.

fica sujeitar-se a separar-se do amigo em situações diferentes. O ser humano deve se acostumar com isso, pois passará por essa situação, em algum momento da vida. Arrazi fala sobre muitos tratamentos a enfermidades psicológicas e de conduta, os quais, por falta de espaço não vamos abordar. Porém, é bom mencionar o seu método de tratamento, dando alguns exemplos. Ele analisa as más condutas e as considera “sintomas psicológicos maldosos”, como, a inveja e o ódio, explicando as suas causas e fornecendo o tratamento. Trata, também, de muitos “sintomas psicológicos péssimos” como a cólera, a mentira, a aflição, a avidez, a gula, etc. Ele cita as calamidades da embriagues e da fornicação e estimula a pessoa a usar a razão e se auxiliar com a força sublime e digna para suplantar a força de vileza, principalmente a volúpia.

Arrazi, com sua elevada inteligência e sua admirável memória, conseguia decorar o que lia ou ouvia, ficando famoso por isso

Se perguntarmos a ele a respeito do tratamento médico, ele nos orientará para a necessidade da prevenção, antes da ocorrência da doença. “É preciso, racionalmente, apressar-se em vedar a alma antes de cair na paixão e abster-se desta se ela se manifestar, antes de dominar a alma”. O mesmo se dá quanto à amizade. Resguardar-se dela signi-

Esse médico/filósofo não se esqueceu de tentar afastar o luto por causa da morte. Ele diz que é impossível se livrar desse efeito totalmente, a não ser com a consciência de que após a morte o indivíduo estará em melhor situação do que estava em vida. Esse assunto, como ele diz, precisa de longa abordagem. Ele frisa a necessidade do estudo das seitas e das religiões e se preocupa com aqueles que acreditam que a alma morre junto com o corpo. Arrazi destaca que o medo da morte não tem base na razão. Se a morte é inevitável, o ser humano que pensa nela continua aflito. Por muito imaginar a morte, é como se morresse várias vezes toda vez que nela pensa. É melhor para ele esquecê-la e tentar afastar a aflição. O importante é crer no destino e na recompensa após a morte. O ser humano bom, digno, que pratica o que a Shari’a determina, não deve ter medo dela, porque lhe foi prometido o sucesso, a tranquilidade e a gra70 - Revista Islâmica Evidências


ça eterna. Aquele que tem dúvida quanto à validade da Shari’a deve pesquisar e avaliar. “Se utilizar toda sua capacidade e todo seu empenho, sem incapacidade ou debilidade, ele não deve perder a esperança, pois Deus, Exaltado seja, pode perdoá-lo, pois Ele não exige do ser mais do que sua capacidade”.

Os Livros de Razi Arrazi escreveu mais de 200 livros em medicina, filosofia, em química e em outros ramos de conhecimento. Suas obras variam entre enciclopédias e tratados. O livro “Al Háwi fi Tib” (“A Vida Virtual” ou “O grande Livro Compreensivo”) é considerado sua obra mais importante. É uma importante enciclopédia de medicina, contendo suas observações precisas e suas experiências. Arrazi era tão preciso que citou as fontes de conhecimento natural que ele utilizou, entre autores gregos e indianos. Suas anotações se destacam pela beleza de estilo e originalidade da matéria, como nos livros “Galeno” e “Al Mansuri na Medicina”, “Varíola e Sarampo” e “Dos Remédios Simples”. Todos os originais estão incluídos no livro “Al Háwi Fi Tib”. A obra é o resultado do trabalho de alguns médicos árabes, que reuniram as anotações de Razi, após a morte dele.

o leitor encontrar anotações clínicas a respeito das doenças do próprio Razi. Ele compilou anotações a respeito de situação de seus pacientes. É sabido que ele defendia o segredo quanto aos dados pessoais dos pacientes, anotando isso no seu livro: “A Função do Médico”. Nele constam descrições precisas das queixas de cada paciente, indicando um conjunto de informações como a profissão, local de residência, idade do paciente. Em seu livro “A Biografia Filosófica”, ele escreve: “Avalio a minha paciência e empenho, com os quais escrevi com o objetivo da prevenção, em um só ano, mais de vinte mil receitas. Permaneci trabalhando no Grande Hospital quinze anos, noite e dia. Mesmo durante o enfraquecimento das minhas vistas, tendo sido acometido por debilidade nos músculos da mão, o que me vedou a prática da leitura e da escrita. Nesta situação,

Seguir apenas e de maneira desenfreada os desejos rebaixa o ser humano ao nível dos animais irracionais

Os cientistas ocidentais se iluminaram com a luz do conhecimento árabe. Eles traduziram a enciclopédia médica para o Latim em 1279 e ela tornou-se conhecida com o nome “Continens”. O livro foi traduzido na Europa e impresso na Itália em 1486. É considerado o livro mais volumoso impresso após a invenção da imprensa. Foi dividido em 25 volumes. Foi reimpresso no século 16 da era cristã. O livro permaneceu como fonte médica até o século 17. O que indica que “Al-Háwi fi Tib” era composto de anotações particulares é o fato de Revista Islâmica Evidências - 71


não esmoreci. Pedi ajuda de quem sabia ler e escrever.” O livro “Al Mansuri” é considerado menos volumoso do que o livro “Al Háwi”. Arrazi em pessoa levou-o para o seu amigo, o Emir de Rai, Al-Mansur Ibn Al Haqq. Porém, “Al Mansuri” teve ampla fama tanto no Oriente como no Ocidente. Ele foi impresso na Itália, pela primeira vez em 1481. Foi reimpresso várias vezes. Partes dele foram traduzidas para o francês e o alemão. É composto de 10 volumes. É considerado uma introdução à medicina. Seus volumes foram divididos como segue: 1 - Introdução à Medicina. 2 - Forma dos membros. 3 - Apresentação dos órgãos do corpo. 4 - Da importância dos alimentos e dos remédios. 5 - Conservação da saúde. 6 - Dos enfeites. 7 - Da preparação dos viajantes. 8 - Da Técnica da redução de fraturas. 9 - Das cirurgias, úlceras, e venenos. 10 - Das doenças da cabeça, dos pés e das dietas. Entre os livros escritos por Razi, temos, ainda, “A Varíola e o Sarampo”. Apesar de ser pouco volumoso, é considerado como a mais

antiga obra que descreve a varíola e o sarampo e a melhor obra de medicina islâmica. O “Livro dos Benefícios dos Alimentos” é outro dos famosos livros de Razi. Fala sobre os alimentos e as bebidas, como a farinha, tipos de pão, os benefícios da água fria e quente, quando não se deve tomar uma ou outra. A obra também aborda os benefícios e os malefícios das bebidas inebriantes, da carne, do peixe, dos vinagres, da azeitona, dos condimentos, das frutas úmidas e secas. Outro dado interessante em Razi é que ele acreditava que a sangria é benéfica para o tratamento das enfermidades. O cientista diz no livro “A Orientação e a Separação”: “Não é suficiente, na técnica médica, a leitura de livros. É necessária a animação do enfermo. Quem ler os livros e animar o enfermo adquirirá muita experiência. Animar o enfermo sem ler os livros significa perder muitas provas e não conseguir senti-las, não conseguir alcançá-las por toda a vida, mesmo que se trate do maior animador de enfermos. O consultor dos livros, imbuído de menor animação, será como aquele citado por


Deus, Exaltado seja: “E quantos sinais há nos céus e na terra, que eles contemplam desdenhosamente!” (12:105). O Livro sobre as dúvidas de Galeno: Este é um livro de conteúdo excepcional. Não foi impresso até hoje. Arrazi critica nesse livro vinte e oito dúvidas de Galeno. O primeiro é o “Livro da Prova” e o último é o “Livro da Grande Pulsação”. As seleções de Razi no “Livro da Prova” deveriam ser profundamente estudadas.

do Resto dos Órgãos”, “O Benefício Constante das Pálpebras”, “A Causa da Redução da Visão na Luz e sua Ampliação no Escuro”, o “Livro Quanto às Condições da Visão” e um artigo sobre “O Tratamento do Olho com Ferro.”

Se a morte é inevitável, o ser humano que pensa nela continua aflito. É melhor

Inventor na Física

Arrazi inventou a balança utilizada para medir os pesos específicos dos líquidos, a esquecê-la e tentar afastar qual permitiu a descoesta aflição berta de suas densidades. Ele a denominou de “Balança Natural”. O amor de Arrazi pela química começou antes A maior parte deste livro filosófico estava da medicina por causa da tentativa de transforperdida na época de Hunain Ibn Itzhaq (873 – mação dos minerais sem grande valor monetário 808 D.C. ou 192-260 da A.H.). Este conta que em metais valiosos, como ouro e prata. A quíviajou até Alexandria à procura de manuscritos mica era utilizada para se conseguir riqueza. Por raros existentes daquele valoroso livro. As crítiisso, ele escreveu vários livros a respeito. Arrazi cas de Razi aos livros de Galeno é uma forte prochegou a preparar algumas barras parecidas com va de uma nova direção, louvável, entre os médiouro. Assim, formulou operações químicas que cos do mundo árabe. Quantas gerações herdaram continuam sendo utilizadas até hoje, como destiteorias e opiniões científicas errôneas, sem ter lação, calcificação, cristalização, impermeabilicoragem de criticá-las ou corrigi-las, com receio zação, fundição, decantação, purificação, vapode sair do conhecimento corrente e dominante? rização e desidratação.

Arrazi foi um dos mais destacados químicos, médicos e físicos do Islã na Idade Média. Ibn Abi Ussaiba’a citou que Razi apresentou no livro “A Propriedade da Ótica” o cerne da teoria deste ramo do conhecimento natural. Ele escreveu: “Pela primeira vez na história, digo que a luz não é um clarão que sai do olho para o corpo. Ao contrário disso. A luz sai do corpo visto”. Ele criticou a teoria de Euclides a respeito da ótica. É preciso citar que Razi é mais antigo do que Ibn al Haissam e do que este diz a respeito dessa teoria por sete séculos.

O seu livro “Assir Al Asrar” (O Segredo dos Segredos) obteve uma fama enorme na Europa. Foi traduzido para o alemão. Por isso, Arrazi foi considerado único em sua época. Na citação dos equipamentos que o sábio muçulmano utilizou na produção química, fica clara a extensão da qualidade de seu inventor. Foram citados, entre seus equipamentos, os instrumentos de vidro, como copos, ânforas e funis, além de materiais metálicos, cerâmicos, pilões, fornos, colheres, pinças, lavadouro hídrico, lavadouro arenoso e lâmpadas de aquecimento. Arrazi chegou a descrever o fenômeno da oxidação, a corrosão cáustica e a glicerina, entre outros elementos e processos.

Os historiadores confirmam os trabalhos de Razi em ótica estão perdidos, salvo alguns textos, como: “O Livro Sobre a Separação do Olho

Talvez o interesse de Razi pela química tenha surgido na primeira fase de sua vida, como citam as fontes antigas. O registro de suas des-

O Químico Destacado

Revista Islâmica Evidências - 73


cobertas nesta área, contudo, aconteceu na segunda fase, numa idade mais avançada.

tra a amplidão de seu conhecimento quanto aos livros gregos, quer de teor médico ou filosófico, e o uso que fazia deles. Há, até mesmo, a indicação de que ele é autor de um livro em grego, no qual cita os livros de Galeno.

Há divergência a respeito do que acometeu ao olho de Razi. No livro “Os Cientistas do Islã”, afirma-se que ele foi acometido de glaucoma por manipular produtos químicos. Seu olho teria sido afetado pelos vapores dos produtos O livro ‘A Varíola e o Sarampo’ utilizados nos elixires. Outro célebre cientista é considerado por muitos o melhor muçulmano, Al-Biruni, afirma que o glaucoma livro da medicina islâmica nos olhos de Razi foi provocado por causa de sua intensa leitura. Parece que Arrazi dominava a língua grega, ao contrário do que foi dito nas notas do trabalho sobre a varíola e o sarampo. O seguinte texto, tirado do livro “Os Olhos da Notícias” comprova isso. Abu Bakr Ibn Zakaria disse no livro “Al Háwi”: “Pode-se utilizar, no grego, o “j” como o “g” ou o “c”. Diz-se, por exemplo, Jaleno, Galeno ou Caleno. Tudo isso é válido. Pode-se utilizar o “a” e o “l”, de acordo com isso, como “l” duplo, e isso é mais certo em grego”. Este texto nos indica que Arrazi conhecia a língua grega. Isso demons-

Podemos dizer que Abu Bakr Mohammad Ibn Zakaria Arrazi era um polímata, único em sua época, destacandose em todos os campos da ciência. Ele escreveu sobre medicina, filosofia, química, matemática, comportamento, metafísica, música, entre outros assuntos. Na realidade, ele foi o mestre de sua época. Seus inúmeros livros foram fonte preciosa de conhecimento para sábios e pesquisadores de todos os tempos, principalmente em medicina. Tais livros foram adotados nas universidades européias por vários séculos. Por isso, há um consenso entre os historiadores de que Arrazi foi um dos mais proeminentes médicos de toda a história humana. Foi denominado de “Galeno dos Árabes”. Azzarkali disse que ele foi o pioneiro na atividade médica.


Interpretando o Alcorão

Assayed Charif Sayyed Al ‘Ámili

Exegese do Alcorão Sagrado Parte 14

E

ntão, o Alcorão Sagrado narra a hisentendimento e de relacionamento. Não fossem tória do extraordinário Segredo Divias palavras, quando cada indivíduo necessitasse no, que Deus colocou no ser humano, se entender com os outros a respeito de algo, teentregando-lhe as tradições da legatariedade: ria de apresentar essa coisa perante eles para se “Ele ensinou a Adão os nomes (de todas as fazer entender. Se a “conversa” fosse, por exemcoisas)”. Este trecho do versículo acima revela plo, sobre uma tamareira, não haveria possibilique Allah informou aos anjos que eles não têm dade de entendimento, a não ser apresentando-a poder para ser Seus substitutos. A glorificação ao vivo. Se a discussão dissesse respeito a uma e a celebração dos louvores de Deus – atributos montanha, não haveria possibilidade de entendos anjos – não representam tudo no processo dimento a não ser indo até ela. Se a questão fosda legatariedade, que se a respeito de uma é condicionado pelo pessoa, não haveria conhecimento conspossibilidade de enO valor da glorificação e da ciente, o ato produtivo, tendimento a não ser que são características consagração se manifestam na ciência, com a presença dela. da glorificação no ser Seria uma dificuldade no conhecimento e na conscientização, humano, um dos aspecenorme, incompatível tos de sua consagração. com a vida. A vida que são atividades humanas Nos aspectos da mente não seguiria o seu case manifesta a glorifiminho se Deus não ticação e nas impressões vesse concedido a essa da força e da inovação se manifesta a consagracriatura – o ser humano – o poder de indicar as ção. Certamente, o valor da glorificação e da pessoas e coisas com nomes, palavras. consagração se manifestam na ciência, no coQuanto aos anjos, eles não necessitam desnhecimento e na conscientização, que são ativisa particularidade porque não é necessária para dades humanas. a sua função, pois possuem aspectos específiNa base deste ensinamento esta o mistério do poder de denominar a natureza e as pessoas, com nomes pronunciáveis. Assim, as palavras tornam-se símbolos das pessoas e das coisas perceptíveis. É um poder de extraordinário valor na vida do ser humano na terra. Avaliemos as grandes dificuldades que teríamos se o ser humano não fosse agraciado com o poder de nomear as pessoas e as coisas, a dificuldade de

cos, que não lhes permitem receber todo esse conhecimento. Os anjos foram criados para outro objetivo. Essa verdade foi entendida e aceita pelos anjos, depois de passarem pela experiência citada no versículo corânico. Deus ensinou a Adão esse segredo: “apresentou aos anjos.” Apresentou aos anjos e disse: “Nomeai-os para Mim se esti-

Revista Islâmica Evidências - 75


“Ele ensinou a Adão os nomes (de todas as coisas) e depois os apresentou aos anjos e lhes falou: Nomeai-os para Mim se estiverdes certos. Disseram: Glorificado sejas! Não possuímos mais conhecimento além do que Tu nos proporcionaste, porque somente Tu és Prudente, Sapientíssimo. Ele ordenou: Ó Adão, revela-lhes os seus nomes. E quando ele lhes revelou os seus nomes, asseverou (Allah): Não vos disse que conheço o mistério dos céus e da terra, assim como o que manifestais e o que ocultais?” (2:31-33)


verdes certos.” Não souberam dar os nomes. Não souberam como colocar os símbolos pronunciáveis nas coisas e nas pessoas. “Disseram: Glorificado sejas! Não possuímos mais conhecimento além do que Tu nos proporcionaste, porque somente Tu és Prudente, Sapientíssimo.” Eles expressaram a sua incapacidade glorificando seu Senhor, reconhecendo a sua incapacidade, confessando o limite de seu conhecimento, fornecido por Ele. Assim, os anjos perceberam o poder que Adão possuía, que o tornava capaz de ser o legatário de Alalh na terra, entendendo a posição dessa criatura na existência.

os elementos que compõem o planeta. O sucesso do homem no conhecimento dessas duas questões (do Criador e do conhecimento terreno) garante-lhe uma vida mais progressista. Ambas as questões se complementam. Por isso, Deus, Exaltado seja, diz na primeira surata revelada a Mohammad (Allah o abençoe e a sua Família e lhe dê paz): “Lê, em nome do teu Senhor Que criou; criou o homem de algo que se agarra (coágulo). Lê, que o teu Senhor é o mais Generoso, Que ensinou através da pena, ensinou ao homem o que este não sabia.” (96:1-5). Deus iniciou as Suas Nobres Palavras citando a dádiva do conhecimento. Se houvesse uma dádiva mais elevada do que o conhecimento, teria merecido ser citada antes. É como se Deus, Glorificado seja, tivesse dito: “Tu estavas, no início, em posição baixa e atingistes, por fim, um grau de grande excelência”.

Avaliemos as grandes dificuldades que teríamos se o ser humano não fosse agraciado com o poder de nomear as pessoas e as coisas

“Ele ordenou: Ó Adão, revela-lhes os seus nomes.” Adão passou a informá-los os nomes das coisas: “E quando ele lhes revelou os seus nomes” – este foi o momento em que eles perceberam a prudência do Onisciente, Prudentíssimo: “asseverou (Allah): Não vos disse que conheço o mistério dos céus e da terra, assim como o que manifestais”, ou seja, viu o assombro deles quando lhes informou que criaria Adão: “e o que ocultais?” Como tinha conhecimento do que eles ocultavam de dúvida na compreensão da prudência de Deus, e o que Iblis (1) ocultou de desobediência e de obstinação. Os anjos perceberam que Adão é a criatura que tem conhecimento, a característica mais digna, o poder de aprender e adquirir conhecimento. Eles entenderam o segredo que o tornaria legatário de Deus na terra, podendo o ser humano dispor desta bênção como quisesse, desde que com instrução e conhecimento, ou seja, o conhecimento do Criador. A isso se denomina fé e Islã: Conhecimento dos meios para habitar a terra, transformá-la, governá-la e liderá-la. Nesse processo, entram todos os conhecimentos sobre

(1) Iblis, isto é, o Satanás (também denominado Shaitan) (NE) Revista Islâmica Evidências - 77


Palavras Cruzadas

Chadia Kobeissi

HORIZONTAL

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8.

Primeiro país europeu a reconhecer o Islã como uma religião oficial.

9.

Qual Imam era denominado de “Karim Ahl Bait”, isto é,”O Generoso da

1.O grande Profeta de Deus (s.a.a.a.s.) disse: “Nenhum dia se parece com os dez primeiros dias de Zul-Hijjah (12° mês lunar), quando Deus gosta que as pessoas rezem”. Esta é a época da... 2.Os muçulmanos não são contra os judeus, são contra o ________. 3.O Primeiro homem (Imam) a ser criado na educação e nas leis islâmicas. 4.Fruta com inúmeras vitaminas, é muito mencionada no Alcorão Sagrado. 5.Disse o Mensageiro de Deus (s.a.a.a.s.): “Quem reconforta o seu irmão de uma aflição na vida terrena, Deus lhe reconfortará de uma das aflições no Dia da ....” 6.O abate islâmico de carne ou frango é feito na direção da ________. 7.A ama de leite do Profeta Muhammad (s.a.a.s). 10.O pensador francês ________ disse: “Muhammad é o Profeta, o filósofo, o orador, o legislador, o guerreiro, eliminador dos desejos. Se analisarmos todas as medidas de grandeza humana, gostaria de perguntar: Há alguém entre as pessoas maior do que o Profeta Muhammad?” 12.Qual é a surata (capítulo) do Alcorão que não inicia com: “Em nome de Deus, O Clemente, O misericordioso.” 16.Deus sustenta e supre as necessidades de suas criaturas, seja ela crente ou não, porque Ele é “O ___________”. 20.O ano em que o Profeta Muhammad (s.a.a.s) nasceu foi no ano do... 21.Uma das quatro filhas do Profeta Muhammad (s.a.a.s).

Linhagem Profética”? 11. De qual mesquita o Profeta Muhammad (s.a.a.s), ascendeu aos céus? 13. Qual Profeta fez o milagre no qual a Lua se partiu ao meio? 14. Imam ________ (A.S.): “Seja quem for que morre a caminho de Meca ou voltando de Meca, será liberto do medo no Dia do Juízo”. 15. Deus é ___________. 17. Ato pecaminoso, contrário às leis islâmicas. 18. Na comunidade islâmica deve haver _________. 19. Componente da arquitetura islâmica. 22. Michael Hart escreveu o livro que fala dos homens mais influentes da história em ________, ele mencionou o Profeta Muhammad (s.a.a.s) e justificou dizendo que foi o único homem bem sucedido na historia em ambos os níveis: secular e religioso. 23. Como se chama a mãe do Profeta Muhammad (s.a.a.s)? 24. É um dever de todo muçulmano recomendar o bem e proibir o ______. 25. A _________de Tony Blair, Lauren Booth, (jornalista e radialista) converteu-se ao Islamismo. 26. A ciência comprova que é melhor para a criança se a mãe amamentá-la por dois anos. Um dos Livros Sagrados mencionava isso antes. Qual é esse Livro?

78 - Revista Islâmica Evidências


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Chadia Kobeissi - Respostas edição 12 HORIZONTAL

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2.ARREPENDIMENTO—Única surata do Alcorão Sagrado que não possui em seu

1.BADR—Refere-se à primeira batalha contra os incrédulos, na região de mes-

início a frase: “Em nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso”. É a Surata do....

mo nome.

4.FAJR—Oração muito importante, feita antes do nascer do Sol. 6.PERDOADOR—Muitas vezes o ser humano comete erros e volta arrependido ao seu Senhor. Deus possui muitos atributos, um deles é ser _________. 10.JEJUM—Faz bem para o corpo e para a alma.

3.RAJAB—No calendário islâmico, estamos no mês de ___________. 5.TESTEMUNHO—O primeiro dos cinco pilares do Islã. 7.PURIFICACAO—Limpeza, higiene e ____________ são essenciais na vida de um muçulmano. 8.PEREGRINACAO—Uma das obrigações de todo muçulmano, pelo menos

11.TERRA—A Ablução pode ser feita com água ou com_______.

uma vez na vida, se tiver saúde e condições financeiras.

15.IQAMAH—Convocação depois do Azán e antes da oração.

9.ALCORANICO—Qualquer versículo ou surata que está mencionado no

17.ORACAO—” A _______ é o pilar da religião” Imam Ali (a.s)

Alcorão Sagrado é um versículo...

18.ALI—Imam que nasceu na Caaba, lavou o corpo do Profeta Muhammad (s.a.a.s)

12.RAMADAN—Mês de profunda adoração, física e espiritual.

após a sua morte e foi o primeiro a crer no Islã.

13.KHADIJA—Com sua ajuda, o Islã pode crescer muito e se tornar conhecido

19.ANSAR—Literalmente significa “Apoiadores”. É o nome dado aos primeiros muçul-

muito rapidamente. Não é um homem.

manos de Medina, os quais apoiaram seus irmãos em fé oriundos de Meca.

14.ISLAMISMO—Religião que mais cresce no mundo.

20.ASSAJAD—Um dos nomes do quarto Imam (a.s.). 21.SUPLICAS—No Islã, as _________ têm papel muito importante na vida do crente, com elas o muçulmano fica mais perto de seu Senhor. 23.INTERPRETACAO—O Tafsir é a _____________ do Alcorão Sagrado. 24.FENOMENO—Quando ocorre Terremoto, Eclipse, ou qualquer outra anormalidade na natureza, o muçulmano deve fazer a Oração do ___________.

15.IMAM—Oficialmente é o título do sucessor do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) e líder da nação. É, igualmente, um título dado aos principais líderes islâmicos, ao xeique ou à pessoa que lidera a reza. 16.CARIDADE— O Profeta Muhammad (s.a.a.s) disse: “Aquele que dorme sabendo que seu vizinho sente fome não é um muçulmano. O Islã sempre incentiva a fazermos ______________. 22.MORTO—No Islã existem vários banhos de purificação, um deles é o banho dado no _________.

Revista Islâmica Evidências - 79


Revista Islâmica

Você conhece a História e a Cultura Islâmica? Sabe quem são os muçulmanos e no que acreditam? A partir de agora, você poderá ter acesso a estes temas, tão importantes para compreender o mundo em que vivemos. Afinal, a Religião Islâmica é considerada a que mais cresce no mundo, contando com 1,5 bilhão de seguidores em todo o planeta. A Revista Islâmica Evidências traz a você o conhecimento sobre o Alcorão Sagrado, a vida do Profeta Muhammad (S), práticas e costumes dos muçulmanos.

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Revista Evidencias N 13  

Primeira revista em portugues, trantando assuntos como: Religião, Cultura, Comportamento mulçumano. Profetas: A nobreza de José(a.s.) Mulher...