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Revista Islâmica

Muharram / Safar / Rabi’ul Awal 1431 (A.H.) - Janeiro / Fevereiro / Março 2010 (A.D.) - Ano 3 / Número 10

Ashura O Martírio do Imam Hussein (a.s.) História Muhammad (S), o Mensageiro da humanidade Jurisprudência A necropsia à luz da Lei Islâmica Alcorão Os Profetas José e Jacó (a.s.)

ensagem de

usseim


Revista Islâmica

Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo Prezado (a) Leitor (a)

É com imenso prazer que nos dirigimos a você mais uma vez. Nesta edição de Evidências, trazemos matéria muito interessante sobre o véu feminino, também chamado de hijab. O texto faz um interessante contraponto entre a visão que o Ocidente tem sobre a relação entre o homem e a mulher e a visão islâmica, revelando a “Em Nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso”

importância do recato e do pudor no vestir-se para a construção

“Enviamos os Nossos mensageiros com as evidências e enviamos, com eles, o Livro e a balança, para que os humanos observem a justiça.” Alcorão Sagrado (57:25)

Outro texto tem relação com este assunto, falando sobre o amor,

Revista Islâmica Evidências

é uma publicação da Associação Beneficente Islâmica do Brasil CNPJ 43.759.802/0001-92

Rua Eliza Witacker, 17 – Brás - São Paulo - SP - CEP 03009-030

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Publicação Trimestral

Muharram/Safar/Rabi’ul Awal. 1431 (A.H.) Janeiro / Fevereiro / Março 2010 (A.D.) - Ano 3 / Número 10

Diretor-Presidente:

de relações sinceras, sólidas e duradouras entre ambos os sexos. uma necessidade cada vez maior, especialmente no mundo violento em que vivemos. Falar e debater sobre o amor é uma iniciativa de grande relevância, pois a mídia, de uma forma geral, dá grande destaque ao seu oposto. Os noticiários, seja na TV, no rádio, nos jornais ou revistas, parecem preferir falar dos conflitos, do ódio, das guerras. Pois nós, de Evidências, queremos dar um destaque ao AMOR, do qual o mundo anda sedento. Num momento em que o planeta discute os efeitos do superaquecimento global e outras ações perniciosas do ser humano sobre o meio ambiente, trazemos aos nossos leitores matéria que aborda

Assayyed Charif Sayyed (Teólogo e Pesquisador em Pensamento Islâmico) sayyed@revistaevidencias.org

a visão islâmica sobre este assunto tão importante. Não podemos

Vice-presidente:

Copenhage, acabou de ocorrer, reunindo grandes mandatários e

Abdallah R. Hammoud

MTB: 53199/SP abdallah@revistaevidencias.org

Tradução:

Samir El Hayek (Matemático e Físico pela UNISA)

Jornalista responsável:

Omar Nasser Filho - MTB - 26164 Mestre em história pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

nos esquecer que importante congresso na capital da Dinamarca, especialistas. O Islã defende a preservação da natureza, por ser esta criação divina e trazer, em si, os sinais desta divindade. Os recursos naturais são uma bênção para a humanidade e devem ser tratados como tais. Desejamos ao nosso público uma excelente leitura! Que a paz esteja convosco!

Departamento Jurídico

Ricardo Trovilho (OAB/SP n° 119.760)

Projeto gráfico / Diagramação: www.c2pontos.com.br (11) 9911-2513 / 3592-6398 Fale conosco:

abib@mesquitadobras.org.br evidencias_islamicas@hotmail.com.

Os artigos publicados na “Revista Islâmica Evidências” não refletem, necessariamente, a opinião da revista. NOTA EXPLICATIVA: Ao longo dos textos de “Revista Islâmica Evidências”, o leitor encontrará algumas siglas e sinais particulares, os quais explicamos a seguir: Após a menção ao nome do Profeta Muhammad, segue-se uma letra “S” entre parênteses. Esta é a abreviatura da expressão arábe: “Salla allahu aleihi wa álihi wa sallam”, ou, traduzindo: “Deus o abençoe e lhe dê paz, bem como à sua Família”. Quando é citado o nome de um outro Profeta ou de um Ma’assum (isto é, pessoa imaculada), segue-se a sigla (A.S.), que significa: “aleihi salam” (A paz esteja com ele); “aleiha salam” (A paz esteja com ela); ou “aleihem salam” (A paz esteja com eles). Outra sigla utilizada é (R.A.), que significa “radi’allah an-hu (an-ha)”, ou “Deus esteja satisfeito com ele (ela)”. Revista Islâmica Evidências - 1


•História

O Mensageiro da humanidade e da liberdade

•Nós e a Vida

Como entendemos a Vida?

•Histórias do Alcorão O Profeta José e o Profeta Jacó(a.s)

•Nossas Crenças

Sinais fundamentais da mensagem islâmica

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•Respeito 54 Quem Odeia Quem?

•Liçoes Suscintas

Mesquita O coração da Sociedade

•Bênçãos Divinas

Os Horizontes da Misericordia e os climas de afeto

•Atualidades Proteção Ambiental

PAG. PAG. PAG.

O que Disseram a respeito do Islâ

PAG.

PAG. PAG.

•Encontro de civilizações

PAG.

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A Importância do Sexo

PAG.

As Preces de Terça-feira

08

•Ótica do Islã

PAG.

•Preces diárias

04

O Amor do Homem e da Mulher

•Ideologia 69

PAG.

A filosofia do Véu

03

•Relacionamento

•Jurisprudência

PAG.

•Atualidades

01

Terrorismo é uma arma poderosa

A necrópsia

•Saúde

Como Deixar de Fumar

PAG.

Parte 11

PAG.

•Interpretando o Alcorão

PAG.

A hitória de Husseim em karbala

PAG.

•Ashurá

PAG.

•Cartas

PAG.

Omar Nascer

PAG.

•Caro Leitor

PAG.

Alcorão Sagrado (57:25)

PAG.

SUMÁRIO

Em Nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso” “Enviamos os Nossos mensageiros com as evidências e enviamos, com eles, o Livro e a balança, para que os humanos observem a justiça.

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Cartas

Envie-nos sua opinião através de carta para: Revista Islâmica Evidências Rua Eliza Witacker, 17 - Brás São Paulo - SP - CEP 03009-030, ou pelo e-mail cartas@revistaevidencias.org

Deus, o Altíssimo, diz: “Em suas histórias há um exemplo para os sensatos” (12:111). Foi dito: “O sensato é quem aproveita a advertência dos outros, quem consulta as pessoas e participa de suas idéias.” Leitor, esta página é dedicada à sua participação: opiniões, pensamentos, críticas e sugestões. Basta enviar sua mensagem pela internet ou carta, citando sempre o seu nome, número do RG e endereço. Devido ao espaço disponível, algumas mensagens podem ser editadas. Desde já, agradecemos por sua contribuição.

Mulher

Mudança

Como mulher vivendo numa sociedade que não dá valor à nossa condição, vejo a cada edição o carinho e a posição elevada que nós temos nesta religião. Fui criada em outra crença, mas abracei o Islamismo e os ensinamentos do Profeta Muhammad (S) quando me aprofundei no conhecimento sobre a condição feminina no Islã. Meu desejo é que todas as brasileiras soubessem a mensagem que o Islã tem para elas.

Caros irmãos Muçulmanos! Há muito que gostaria de saber a respeito da Religião Islâmica. E foi através da Revista Evidências que tive oportunidade de esclarecer algumas dúvidas. Li todas as edições. Fiquei fascinado com tanto conteúdo agradável, informativo e saudável. Foi o bastante para mudar alguns hábitos. Aprendi que a bebida é desprezível, tanto quanto a carne de porco. Hoje, posso dizer que tenho outra visão do Islamismo. Abraços!

Ângela Carmona – Vitória (ES)

Anderson A.C. Moura - Contagem (M.G)

Assalam Aleikum,

Satisfação

Superação

Assalam Aleikum,

Foi com grande satisfação que recebi mais um exemplar da Revista Evidências em minha casa. Parabenizo a equipe que faz tão bem cuidada publicação, pelos conteúdos que nos oferece e pela qualidade de vosso trabalho. Tornei-me assinante e recomendo a revista para todos aqueles que querem conhecer a verdadeira face do Islamismo. Que Allah os abençõe!

A Revista Islâmica Evidências vem se superando a cada número. Fico feliz em saber que a comunidade islâmica brasileira tem um veículo de tanta qualidade à sua disposição. E por saber, também, que existe uma publicação para fazer frente à imprensa mentirosa que quer denegrir o Islã e os muçulmanos. Que Allah lhes dê força para prosseguir! Mabruk! (Parabéns!).

Adalberto Fávero – Maringá (PR)

Ali Ibrahim Atallah – Campinas (SP) Revista Islâmica Evidências - 3


Ashurá

Assayyed Charif Sayyed

A História de

E

‘Ashurá retornou... ‘Ashurá não retorna porque nunca

termina. ‘Ashurá continua onde há injustiça e trevas... Karbalá continua onde há dor e aflição. O que posso dizer e como me expresso?

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Hussein em Karbalá

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Há, acaso, língua que possa demonstrar a gravidade da tristeza? Há pensamento que demonstre o significado do martírio? O que posso narrar a respeito de Hussein? Narro como as pedrinhas escapavam sob seus pés, quando atacava os inimigos que fugiam à sua frente? Ou narro como ele, cravado de flechas, não emitia nenhum lamento pelas feridas, para que seu lamento não chegasse às tendas e os inimigos se alegrassem? Ou narro como se apressava em ajudar os companheiros, enquanto caiam como ovelhas, não sendo ajudado por eles nem com uma gota de água? Ou narro a cena do livre Riáhi, que se arrependeu de seus atos, usou seus pensamentos para rejeitar o combate a Hussein. Ele abandonou o comando das forças que liderava para obter o martírio juntamente com Hussein, dizendo: “Ó, filho da filha do Mensageiro de Deus! Fui o primeiro a sair para combater-te, ofendendo-te noite e dia, formando barreira entre ti e as águas do Eufrates! Agora, arrependo-me pelo que fiz. Será que meu arrependimento será aceito?”

Há, acaso, língua que possa demonstrar a gravidade da tristeza? Há pensamento que demonstre o significado do martírio?

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Ou narro a cena de Abbas, que procurava o Shari’a para mitigar a sua sede? Ele se lembra de sua promessa à sua irmã, Zainab, de garantir água para que as crianças parassem de chorar. Ele nada bebe e corre com a vasilha de água, carregando-a com a mão direita. Quando a cortam, pega a vasilha com a esquerda. Quando lhe cortam a esquerda e cai desfalecido, seu irmão Hussein nega-se a levá-lo para as tendas, para que Zainab e as crianças lhe pedissem água. Ou narro a cena de Ali Al-Akbar, deitado no solo, e que mais parecia


com

a história da gota de orvalho derramada pelas sobrancelhas da noite triste, para empedernir as lágrimas até nos olhos das mães. É a história do som que feriu a quietude das noites escuras, para libertar a prisioneira luz do sol. É a história da extensão revolucionária que elimina todo erro e ilícito. É a história do pensamento exigente, cujo dono ofereceu a vida como sacrifício para poder destruir as fortalezas da tirania e fazer tremer os tronos dos tiranos. É uma história de fé, que brota do dom, uma tragédia de heroísmo e de sacrifício, que lava as trevas e mistura os grãos da terra para fazer brotar as mais belas flores. É a história de todo injustiçado e perseguido entre os seres humanos. A h i s t ó r i a d e K a r b a l á n ã o é a p enas a história do Imam ferido, mas é a h i s t ó r i a d a f é q u e o j o v e m l utador abraçou com o xeique asceta, a m u l h e r l u t a d o r a e a c r i a n ç a e xpulsa. É a história da minha terra e da minha identidade, é a história deomeu povo e da minha nação, é a história da minha honra.

A história de Hussein em Karbalá é a história da gota de orvalho derramada pelas sobrancelhas da noite triste.

o Mensageiro de Deus (S)? Ou narro a cena de Zain al ‘Ábidin, doente, observando a batalha ao longe, sendo levado, depois da morte do pai, com as mulheres para ser exibido a Yazid? Ou narro a cena da mãe das desgraças, Zainab, a quem o destino concedeu ser a mãe das viúvas e dos órfãos? Ou narro a cena de Wahab, o cristão, que preferiu morrer junto a Hussein, pela verdade e a justiça, do que a vida no mundo de Yazid, do mal e da injustiça? A história de Hussein não termina nunca. A história de Hussein em Karbalá é

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Interpretando o Alcorão

Assayyed Charif Sayyed

“(...) Que violam o pacto com Deus, depois de o terem concluído; separam o que Deus tem ordenado manter unido e fazem corrupção na terra. Estes serão os perdedores.” Alcorão Sagrado (2:27). 8 - Revista Islâmica Evidências


E

sse versículo sagrado esclarece as características dos corruptos, depois de o versículo anterior ter tratado do extravio desse grupo de pessoas, estabelecendo três características: 1 – Estes são os “que violam o pacto com Deus”, o pacto quanto à autoridade de Deus sobre Seus servos, quer a fonte dessa autoridade seja natureza, a mente, um livro revelado, ou as palavras de um profeta. (...) “depois de o terem concluído”: A conclusão, ou seja, confirmação e consolidação do pacto. Os mais importantes pactos de Deus, confirmados e consolidados, são a afirmação de Sua Unicidade e a adoração somente a Ele. São comportamentos indicados pela razão e estabelecidos pela Lei. Os corruptos ou “perdedores” a que se refere o versículo corânico são aqueles que fizeram suas promessas, como o monoteísmo, a Soberania Divina, a rejeição de Satanás e dos desejos pessoais. Porém, violaram todas essas promessas e se rebelaram contra as ordens de Deus, seguindo seus próprios desejos e o que o Satanás lhes desejou e ordenou. Alguém pode perguntar: “Quando concluímos com Deus um dos pactos citados?” A resposta a essa pergunta se manifesta ao sabermos que Deus, glorificado seja, depositou no fundo da alma humana sentimentos e energias em particular, por meio dos quais o ser humano orienta-se para o verdadeiro caminho, evitando os deslizes de Satanás e os desejos pessoais, atendendo às exigências

de Deus. Essa energia inata é designada pelo Alcorão como “Pacto Divino”. É realmente um pacto constitucional e não legal ou normativo. Deus, o Altíssimo, diz: “Porventura não vos prescrevi, ó filhos de Adão, que não adorásseis Satanás, porque é vosso inimigo declarado? E que Me adorásseis, porque esta é a senda reta?” (36:60-61). É claro que o versículo indica a tendência inata para o monoteísmo e a perfeição da alma humana. Toda a dádiva que Deus concede ao ser humano é acompanhada por uma promessa natural entre Ele e o ser humano. A dádiva da visão é acompanhada pela promessa de o ser humano visualizar a verdade. A dádiva da audição é acompanhada por uma promessa inata que determina a audição da convocação à justiça. O ser humano viola as promessas quando negligencia o aproveitamento da energia inata depositada nele, ou o aproveitamento das potencialidades que lhe foram conferidas, seguindo o caminho da corrupção. Dessa maneira, ele viola algumas ou todas as promessas divinas inatas. 2. A outra característica dos corruptos é que “separam o que Deus tem ordenado manter unido”. A maior parte dos exegetas disse que a separação citada no versículo quer dizer “cortar os laços de parentesco”. Porém, o significado do versículo, de forma mais profunda, é mais abrangente. Cortar os laços de parentesco é um dos seus critérios, porque o versículo fala da violação de todas as promessas que Deus ordenou manter unidas, entre as quais os laços co-

Os perdedores são os que violam o pacto com Deus quanto à Sua autoridade, quer a fonte dessa autoridade seja a natureza, a mente, um livro revelado, ou as palavras de um profeta

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sanguíneos, os laços de amizade, sociais, de orientação da humanidade para Deus, com Deus... Nada indica a restrição do versículo aos laços cosanguíneos. 3. A terceira característica dos corruptos é a própria corrupção: “e fazem corrupção na terra.” A corrupção na terra adquire vários matizes, brotando todos do afastamento da Palavra de Deus, da violação do pacto com Deus, da separação do que Deus ordenou que fosse unido. Está claro porque eles são classificados de corruptos: esqueceramse de Deus e O desobedeceram. Suas almas

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ficaram desprovidas de qualquer sentimento humano, mesmo em relação aos seus parentes. Eles só se movem na linha de seus próprios interesses e objetivos mundanos. Não se importam, dessa forma, de espalhar a corrupção na terra, cometendo todo tipo de desvio. O versículo confirma, no seu final, que “Estes serão os perdedores.” Que perda é maior do que dissipar toda a energia material e espiritual depositada no ser humano, que visa a sua felicidade, e desperdiçála provocando a infelicidade, a desgraça e o desvio?


Atualidades

Assayyed Charif Sayyed

Por que o Uso do Véu no Islã?

A Filosofia do Véu

P

ara obtermos a base da instituição do véu no Islã, é necessário responder, em primeiro lugar, a seguinte pergunta: “Há, realmente, necessidade de estabelecer regras para a relação entre o homem e mulher? Ou a relação entre eles entra no círculo da liberdade individual, em que não é permitido a ninguém ou às regras controlar nada?” Revista Islâmica Evidências - 11


Há uma orientação no pensamento ocidental que concede ao ser humano liberdade total na sua relação com o sexo oposto, considerando que o sexo é um assunto que diz respeito ao homem e à mulher, apenas, e que lhes é permitido praticar qualquer ato, sem restrições ou condições. Quanto ao Islã, às outras religiões e às linhas de pensamento moral, há certas restrições na liberdade individual nesse assunto, porque a liberdade total gera a anarquia, refletindo negativamente na sociedade, no que diz respeito à descendência e à família.

âmbito familiar do casamento legal, deixando o âmbito social para as atividades do trabalho e da produção. Ao contrário, a organização ocidental do mundo favorece que o prazer sexual e o trabalho se misturem. O Islã deseja separar os dois círculos completamente. Vamos, agora, explicar as quatro dimensões anteriores:

1.O Equilíbrio Psicológico A liberdade que mistura homens e mulheres, sem restrição nem regra, aumenta a percentagem das doenças venéreas e transforma a necessidade do sexo em busca insaciável.

Daí decorre o fato de o Islã circunscrever o prazer sexual ao âmbito do casamento, da relação conjugal, o que ajuda a conservar o equilíO desejo sexual é muito forte, muito probrio psicológico e leva fundo e muito voraz ao aprofundamento se lhe dão corda livre. das relações sinceQuanto mais a pessoa O pensamento ocidental ras e cordiais entre os se entrega a ele, mais membros da família. concede ao ser humano liberdade cresce o desejo, como Conduz, também, soo fogo cresce à medicialmente, à proteção total na sua relação com da que se lhe dá mais e ao aproveitamento o sexo oposto combustível. das potencialidades no campo do trabalho e da É da sua natureza produção, elevando os também submeter-se valores e as considerações da mulher perante o ao condutor exímio, que o conduz com carinho homem. e coloca limites a ele, a exemplo do fogo que é O véu indica à mulher que ela deve se elevar como ser humano e nos ajuda a realizar isso, restringindo seus atrativos femininos dos olhares. Indica ao homem, por sua vez, que ele não deve olhar para a mulher a não ser como ser humano, vedando o corpo dela de seus olhares. O véu, então, representa um meio elevado para fechar as janelas que criam um ambiente de desvio na sociedade. A filosofia do véu islâmico se baseia em vários fatores, alguns psicológicos, outros familiares, outros ainda sociais e outros mais, vinculados à elevação do nível da mulher, o respeito por ela e o impedimento da vulgaridade. Todos esses fatores surgem de uma base mais ampla e mais abrangente. É que o Islã deseja restringir os aspectos dos prazeres sexuais, quer sejam visuais, auditivos ou de contato, ao 12 - Revista Islâmica Evidências

controlado, sendo orientado para objetivos nobres e benéficos.

De qualquer forma, o Islã se preocupou totalmente com a potência desse instinto acentuado. Há vários textos islâmicos quanto à restrição no olhar e isolar-se com a mulher. O Islã estabelece preparativos para orientar o instinto e estabelece, nesse campo, obrigações para os homens e as mulheres. Ele os encarrega quanto ao olhar, sobre o qual já falamos em outra oportunidade, para que cada um não examine ao outro com os olhos. Devem evitar o olhar com desejo. Isso não lhes é permitido. O Islã também encarregou a mulher de cobrir o seu corpo perante os homens estranhos, orientando-a a não sair sem estar coberta. Também estabelece que ela não faça qualquer gesto que excite homens estranhos.


Por isso, o véu, na ótica do Islã, é a garantia legal para a castidade, protegendo a mulher do desvio causado pela tentação da nudez e da agressão oculta nos seus aspectos e no desvio de conduta. Não se trata da castidade da mulher apenas, nem da castidade do homem, mas da castidade de toda a sociedade. Por isso, a castidade, na concepção do Islã, se empenha em criar, desenvolver e proteger um direito social geral. Estas normas não dizem respeito a um membro da família, apenas, nem termina com seus limites. O espírito humano é propenso ao excitamento excessivo. É errado pensarmos que a vontade espiritual humana é limitada de certa forma, e sossega após atingir esse limite. O véu, então,

recer para conquistar os corações dos homens. Não é normal que os homens usem roupas que mostrem seu físico ou se embelezem de forma excitante. Quando acontece isso, é muito raro e anômalo. A mulher, pela sua natureza, deseja atrair o coração do homem e torná-lo prisioneiro seu. Por isso, mostrar os encantos e a nudez. Estes são desvios particulares da mulher e, por isso, a regra de se cobrir é estabelecida para ela.

2.As Regras do Vínculo Familiar: Sem dúvida, cada questão que resulta nas regras da relação familiar e cria um novo espírito do afeto verdadeiro entre o casal é uma questão útil para a família, que necessita de empenho maior para a sua realização.

representa um meio elevado para fechar as janelas que criam um ambiente de desvio na sociedade

Da mesma forma que o ser humano - homem e mulher - não se contenta com a riqueza e a fama, dá-se o mesmo em relação ao sexo. Não há um homem que se sacie em acompanhar as beldades, como a mulher não se contenta em chamar a atenção dos homens e conquistar os seus corações. Por isso, todos os corações são insaciáveis.

Por outro lado, o pedido ilimitado não pode ser satisfeito, quer queiramos, quer não. A incapacidade de se atingir estes objetivo materiais pode acarretar intranquilidade e doenças psicológicas. Porque as doenças psicológicas crescem no Ocidente? A causa maior é a liberdade sexual, o excitamento sexual causado pelos meios de comunicação através de revistas, jornais, festas, cinemas, etc. Quanto à instituição do véu no Islã, ela surge pela tendência para o embelezamento, uma característica particular e inata na mulher. Do ponto de vista sentimental, o homem é a caça e a mulher é a caçadora. Do ponto de vista físico, a mulher é a caça e o homem é o caçador. Por isso, cresce a tendência da mulher de apa-

Ao contrário, cada ato que causa o enfraquecimento da relação entre o casal e o resfriamento do amor entre eles é uma questão prejudicial à vida familiar e deve ser combatido.

A restrição dos prazeres sexuais ao círculo do matrimônio e sob a luz do casamento legal aprofunda a relação entre o casal e resulta na sua união de forma intensa. A regra do véu e a proibição dos prazeres sexuais fora do casamento, restringindo-os ao âmbito matrimonial, fazem com que a esposa legal se torne, do ângulo psicológico, um fator da felicidade do homem. Contudo, no âmbito da permissividade sexual, a esposa torna-se um controle perturbador e a família envereda pelo caminho da inimizade e do atrito. Antigamente, o casamento era consumado após uma etapa de espera e esperança. À luz disso, cada um dos membros do casal passava a ser um fator da felicidade para o outro. Hoje, porém, não há motivo para a saudade, uma vez que a satisfação do prazer sexual, fora do círculo do casamento, é abundante. Por isso, a sociedade que restringe as relações sexuais ao

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círculo do casamento legal difere da sociedade que permite a relação sexual livre. O casamento, na primeira situação, coloca um ponto final à etapa da liberdade da moça e do rapaz, obrigando-os à fidelidade mútua.

3.A Coesão Social Conduzir as relações sexuais do círculo matrimonial para o círculo social leva ao enfraquecimento da atividade produtiva, ao contrário do que alegam os que se opõem ao véu e dizem: “O véu causa a perda de metade da potencialidade social, econômica e cultural”. Não há no Islã nenhum registro disso.

mãos, não veda qualquer atividade cultural, social ou econômica. O que leva à perda da atividade produtiva da sociedade é a poluição do círculo do trabalho com atividades e insinuações sensuais. Qual é o melhor método para os estudantes assimilarem o conhecimento e prestar atenção à aula: classes independentes e/ou mistas, com as moças com o corpo coberto, sem qualquer embelezamento ou enfeite, ou um ambiente em que o rapaz senta ao lado de uma moça embelezada e enfeitada, usando roupas curtas, mostrando-lhe as pernas? Será que o trabalhador nas ruas, nos mercados, nas indústrias e nas instituições públicas que vê as moças excitantes tem mais capacidade de trabalho do que o que não é afetado com isso?

O Islã não diz para a mulher não sair de sua casa, não proíbe a mulher de estudar; ao contrário, defende que a procura do conhecimento é Se você não acreuma obrigação conjundita que não, pergunta tanto para o homem te aos que trabalham como para a mulher. Toda vez que a mulher se conduz nesses campos. Cada Ele também não proíbe instituição ou empresa de forma mais casta e solene, a atividade econômica que deseja fazer andar da mulher. O Islã não evitando mostrar-se perante suas atividades com quer em absoluto que a mulher seja um mem- o homem, o respeito a ela aumenta seriedade, não permite a mistura. Se você não bro inútil, pois o ato acredita, vá e verifique! de cobrir o corpo, com exceção do rosto e das 4.A Elevação da Dignidade da Mulher: O homem, de forma geral, é superior fisicamente à mulher. No aspecto intelectual e mental, a superioridade do homem permanece, ao menos, sujeita à pesquisa e à dúvida. Com base nesses dois níveis, a mulher não consegue enfrentar o homem. Porém, ela demonstra que é capaz de dominar o homem no âmbito do afeto e do coração. A colocação de uma barreira e limite entre a mulher e o homem faz parte dos meios ocultos dos quais a mulher se beneficia para proteger o seu valor perante o homem. O Islã estimula o aproveitamento desse meio, principalmente a sua confirmação de que toda vez que a mulher se conduz de forma mais casta e solene, evitando mostrar-se perante o homem, o respeito a ela aumenta. Vimos, anteriormente, no texto a respeito do véu no Alcorão que, após a ordem para que as mulheres se cobrissem, Deus diz: “...isso é mais 14 - Revista Islâmica Evidências


conveniente, para que se distingam das demais e não sejam molestadas.” (32:59). O véu constitui um símbolo da castidade e da dignidade da mulher para os homens, evitando que seja vítima das injúrias dos néscios.

gência e conscientização quanto aos ensinamentos divinos, a plena consciência feminina de seu papel missionário nos vários campos da vida.

A instituição do véu não aconteceu por acaso, pois Deus, A alegação de alguns de que a Quanto à alegaexaltado seja, em toimposição do uso do véu para a ção de alguns de que das os Seus mandaa imposição do uso mentos, levou em conmulher constitui em violação à sua do véu para a mulher sideração a natureza constitui em violação honra como ser humano é infundada com a qual criou o ser à sua honra como ser humano. A legislação, humano, ela é infundano Islã, é feita para o da. O véu não viola a equilíbrio que garante honra da mulher, mas confirma o respeito das ao ser humano a conduta correta na vida. Por pessoas a ela, porque, quando ela revela suas isso, o Islã estabeleceu as vestes, para proteformas, é vista como fêmea e não como ser ger as nossas vergonhas, e também instituiu humano. Sabemos que em todas as sociedades as vestes morais, para não cometermos indeditas “civilizadas” há muita violação do direicências. Deus, exaltado seja, diz: “Ó filhos de to da mulher como ser humano, por aparecer Adão, enviamos-vos vestimentas, tanto para apenas como fêmea. Entre essas violações há dissimulardes vossas vergonhas, como para o o estupro, quando o homem aplica a sua agresvosso aparato; porém, o pudor é preferível!” são sexual diretamente à mulher, mesmo em so(7:26). ciedades em que há liberdade sexual total. Isso Essa ponderação preventiva não é mais do significa que a natureza da conduta da mulher que uma proteção para o homem e a mulher, faz com que o homem a olhe com olhar de deseprevenindo-os de cair na imoralidade, nos prajo. É o que refletem muitas atividades em que a zeres corruptos e na permissividade sexual, que sensualidade da mulher é empregada, de forma atingem, atualmente, o limite extremo da imobásica, por causa da centralidade desse lado da ralidade. No Ocidente, que vive estes problenatureza feminina, que atrai o olhar para ela, mas hoje em dia, temos a prova cristalina da como nos casos da secretária e da espiã. importância destes temas. Portanto, o véu, no Islã, não representa apenas um pedaço de pano que enfeita a cabeça e o corpo; não é um trapo, cujas linhas foram juntadas aqui e ali, nem é um tipo de moda, de enfeite e de atração. Nós rejeitamos todos os véus que cobrem apenas uma pequena parte da cabeça e do corpo. O véu da mulher não significa separá-la do esforço mental e do conhecimento. Não significa a eliminação de sua liberdade, independência cultural e social. Não significa, também, restringir os seus direitos e destruir a sua personalidade. Não significa limitação e retraimento. O véu da mulher é a auréola sagrada com que o Islã a coroou para a proteção desta verdadeira pérola social e de sua essência humana. O seu véu não é um pedaço de pano, mas representa a sua inteliRevista Islâmica Evidências - 15


Preces diárias

As Preces de Terça-Feira

L

ouvado seja Deus, louvado seja como e quanto merece ser louvado. Peço refúgio a Ele contra os malefícios de minha alma, pois a alma é ordenadora do mal, exceto aqueles de quem meu Senhor tem piedade. Peço refúgio junto a Ele contra as maldades de Satanás, que deseja acrescentar pecado aos meus pecados. Protejo-me com Ele contra todo tirano injusto, todo governante opressor, todo inimigo impiedoso. Ó Deus, torna-me um de Teus soldados, pois os Teus soldados serão os vencedores. Torna-me de Teu partido, pois o Teu partido é dos bem-sucedidos. Torna-me de Teus preferidos, pois aos Teus preferidos não os atinge o temor nem a atribulação. Ó Deus, dispõe para mim a minha religião, pois ela é a proteção de todos os meus assuntos e dispõe para mim os assuntos da minha Outra Vida, que é minha salvaguarda, e para ela fujo para não permanecer ao lado dos vis. Torna a vida um acréscimo para mim de todo bem e faz a morte descanso de todo mal. Ó Deus, abençoa e dê paz a Muhammad, o Selo dos Profetas e o último Mensageiro, aos seus Descendentes Puros, seus companheiros escolhidos. Concede-nos na terça-feira três coisas: Não deixa de perdoar pecado algum, não deixa de aliviar toda aflição, não deixa de fazer cessar toda tristeza, não deixa de afastar todo inimigo. Em nome de Deus, o mais belo dos nomes, em nome de Deus, o Senhor da Terra e dos Céus, afasta todo o indesejável que se inicia com insatisfação, aproxima tudo que é desejável que se inicia com satisfação. Termino pedindo o Teu perdão, ó Benevolente.”

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O significado da prece: Ela começa pedindo proteção de Deus contra todo tirano que se impõe com sua tirania à pessoas, contra o governante que oprime as pessoas, pratica iniquidade na terra, contra o inimigo impiedoso que persegue os fracos com seu poder e pelo seu rancor criminoso. Então, roga a Deus para que lhe conceda o sucesso na conscientização da verdade, no movimento da piedade, no fortalecimento da posição, para proteger a Sua religião de todo mal, erro e desvio. Que a vida esteja aberta para o acréscimo do bem; que a morte seja o fim de todo mal, para que o ser humano se apresente a Deus em paz com sua religião e livre dos males. Pede a Deus, como inspiração para o dia que se inicia, para que o atenda em

três coisas: Perdão de todos os pecados, fazer cessar toda tristeza e afastar todo inimigo. Termina a prece solicitando uma espécie de viagem espiritual com Deus, para afastar, com o Seu Nome, todo o mal e atrair todo o bem. “Louvado seja Deus, louvado seja como e quanto merece ser louvado.” Ele é o louvado por todos os Seus atributos, por todos os Seus atos. O louvor Lhe pertence por todas as formas da perfeição e da majestade. Ele é Que merece tudo isso em absoluto, porque o louvor a Ele é o louvor que não tem limite para elogios, não termina por mais que seja louvado pelas pessoas. Louvado seja como merece e deve ser feito por causa de Sua Generosidade,

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de Sua Glória e Majestade. Eis que, hoje, eu inicio o meu dia pela sua graça.

mir posição de ilícito. Quando saio de um pecado, ele me envolve com outro pecado. Se não fosse alcançado pela misericórdia de meu Senhor, que me inspira a me dirigir a Ele, fortalecendo a minha vontade por meio da fé, aproximar-me-ía de Satanás, das suas teias, astúcias, promessas, seduções, instrumentos, asseclas, partidos, seguidores e de todos os seus ardis.

“Peço refúgio a Ele contra os malefícios de minha alma”, do sussurro oculto inspirado pelo sussurro do malfeitor (1) e a sua inserção, em meus sentimentos, de seus instintos que ordenam o mal, que me conduzem a examinar as causas do mal que facilitam a prática da desobediência “Protejo-me n’Ele contra todo tirae dificultam a prática do bem, que me leno injusto, todo governante tirano, todo vam a sentidos do mal, como Deus, gloriinimigo impiedoso.” Protejo-me em Deus ficado seja, cita em Seu Livro Sagrado: “A de todo tirano injusto, ou desviado da veralma é ordenadora do mal, exceto aquelas dade, envolvido de quem o meu Senas tramas da denhor tem piedade.” sobediência, da (12:53). Eu peço Esta oração começa injustiça, do ilícirefúgio n’Ele, para to, que me aflige que tenha misepedindo proteção de Deus e aos servos de ricórdia de mim, contra todo tirano que se impõe Deus, aproveiajudando-me a não tando a fraqueza obedecer aos maus com sua tirania à pessoas dos débeis peraninstintos e ser atrate ele. Deus, poído por eles. rém, é Quem eli“Peço refúgio mina a sua tirania com Sua onipotência e junto a Ele contra as maldades de Satapoder. Protejo-me em Deus de todo governás, que deseja acrescentar pecado aos nante tirano, que me injustiça com sua aumeus pecados.” Peço refúgio n’Ele contra toridade, de todo inimigo impiedoso. Deus o Satanás, que ameaçou os filhos de Adão, é o Protetor. A segurança é d’Ele e com como o Alcorão conta: “Disse (Satanás): Ele, em todos os assuntos, para enfrentar Juro que, por me teres extraviado, desviátoda a injustiça e inimizade. los-ei da Tua senda reta. E, então, atacálos-ei pela frente e por trás, pela direita e pela esquerda e não acharás, entre eles, muitos agradecidos!” (7:16-17).

A Sua vontade foi que Iblis (2) tivesse liberdade de movimento para sussurrar aos Seus servos. Disse em Seu Livro Sagrado: “ele e seus asseclas vos espreitam, de onde não os vedes” (12:27). Ele percorre o meu corpo como o sangue percorre as veias e se estende para os meus sentimentos e instintos para fazer despertar o desejo ilícito e a má intenção. Ele me leva a praticar o ilícito, a me envolver com o ilícito e a assu-

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“Ó Deus, torna-me um de Teus soldados, pois os Teus soldados serão os vencedores”, que se juntam sob o estandarte da verdade, os que foram preparados para enfrentar Seus inimigos, concedendo-lhes a força, o poder e a proteção, conduzindo-os para os campos da vitória. Disse no Seu Livro Sagrado: “E de que os Nossos exércitos sairiam vencedores” (37:173), porque não temem a censura de ninguém, não se enfraquecem perante os inimigos, não retrocedem perante os desafios da batalha. São os que venderam a


si próprios e dedicaram suas vidas para a morte pela Sua causa. “Torna-me de Teu partido, pois o Teu partido é dos bem-sucedidos”. O partido representa o grupo cujos vínculos são fortes, cujas decisões são firmes, sua marcha se move com organização prática, para que a Sua palavra seja a superior perante o partido de Satanás, na luta permanente entre as fileiras de Deus e as fileiras de Satanás.

lhes o Paraíso eterno. Ele lhes concedeu o certificado de sucesso neste mundo e no Outro. São aqueles a respeito dos quais fala em outro versículo, por serem considerados o grupo vencedor pela força da lealdade, da vontade, do desafio e do enfrentamento. Ele disse: “Quanto àqueles que se voltam (em companheirismo) para Deus, Seu Mensageiro e os crentes, saibam que os partidos de Deus serão os vencedores.” (6:56).

“Torna-me de Teus preferidos, São aqueles a quem Deus descreveu pois aos Teus preferidos não os atinge no Alcorão Sagrado com as palavras: o temor nem a “Não encontrarás atribulação”. povo algum que Torna-me de creia em Deus e Teus preferidos, O louvor a Ele é o louvor no Dia do Juíque viveram em zo Final, que teque não tem limite para elogios, estado sincero nha relações com para Contigo, não termina por mais aqueles que conpois não há Protrariam Deus e o que seja louvado tetor além de Ti. Seu Mensageiro, És o Protetor ainda que sejam dos crentes, a seus pais ou seus quem proteges e de quem tendes piedade, filhos, seus irmãos ou parentes. Para ajuda-os e os auxilia porque Te adoram aqueles, Deus lhes firmou a fé nos corae não Te atribuem parceiros, adoram-Te ções e os confortou com o Seu Espírito, e não adoram a outro e se aproximam de e os introduzirá em jardins, abaixo dos Ti e não de outro. São os tementes, como quais correm os rios, onde morarão eterdissestes em Teu Livro: “Ninguém é seu namente. Deus se comprazerá com eles e guardião, a não ser os tementes.” (8:34). eles se comprazerão n’Ele. Estes formam Eles foram citados no Teu Livro com essa o partido de Deus. Acaso, não é certo posição em que revelas que estão sob a que os que formam o partido de Deus seTua proteção, cuidado e segurança. Disrão os bem-aventurados?” (58:22). São sestes, sagrado seja o Teu nome: “Não os que são fieis à Sua religião, que estão é, acaso, certo que os diletos de Deus envolvidos no Seu amor, vivem por ela, se jamais serão presas do temor, nem se elevaram com a sua fé para o grau de suas angustiarão?” (10:62). mentes se encherem com os seus segredos “Ó Deus, dispõe para mim a minha e significados. Eles se abriram para o Esreligião, pois ela é a proteção de todos pírito Divino com o qual lhes deu apoio, os meus assuntos.” Certamente a minha satisfazendo-Se com eles por intermédio de religião é a proteção que me escuda de suas crenças e atos, estando eles satisfeitos toda humilhação em todos os meus ascom o Altíssimo por meio de aceitarem as suntos da vida, é o firme a inquebrantáSuas determinações, Suas predestinações, vel sustentáculo. Ela representa a minha Seu carinho e misericórdia, preparando-

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firmeza neste mundo na Tua senda reta. profetas, verazes, mártires e virtuosos. Peço-Te, ó Senhor, que disponha a minha Que excelentes companheiros serão!” religião na linha da conciliação, no círculo (4:69). É o lar onde me afasto de todos os da conscientização, que eu não seja extravilões, que vivem para o mal em seus penviado no pensamento nem na crença, que samentos, em seus atos com as pessoas. não me desvie em sentimento, intenção, ou “Torna a vida um acréscimo para ato. Assim, mantemim de todo nho-me aferrado bem”. Se deseao Teu forte vínjares, ó Senhor, Deus é o Protetor. A segurança culo, a obter a Tua aumentar a misatisfação, e coné d’Ele e com Ele, em todos os nha vida, que seguir alcançar a seja para a práassuntos, para enfrentar Tua proximidade. tica do bem, em “Dispõe para minhas palavras, toda a injustiça e inimizade mim os assuntos meus atos, meus da minha Outra relacionamentos, Vida que é minha seguindo todos os salvaguarda”. Peço-Te, ó Senhor, dispor valores da fé que me conduzem a adotar para mim a minha Outra Vida, com os os graus elevados na vida terrena, almemeus bons atos e assumir as minhas resjando a Outra Vida. ponsabilidades perante Ti, empenhando“e faz a morte descanso de todo me em obter a Tua satisfação, pois no Dia mal”, de forma que o final da minha da Ressurreição só se obtém a salvação vida constitua no final de todo mal que com obras que nos aproximam de Ti, e por poderia surgir de mim, como consta da Tua misericórdia, que não leva em considePrece do Dono da Excelência de Conduração os erros. O Teu Profeta Muhammad ta: “Concede-me mais idade enquanto (S) disse: “Só haverá salvação com o bom a minha vida for para obedecer-Te. Se ato junto da misericórdia.” Foi estabelea minha vida for pasto para Satanás, cido em Teu Livro, em muitos versículos, leva-me antes que Teu rancor e Tua ira que não há sentido para a fé se ela não me atinjam.” estiver vinculada aos bons atos. É sufi“Ó Deus, abençoa e dê paz a ciente para nós a Surata da Era, onde Muhammad, o Selo dos Profetas, o últidizes: “Pela era, que o homem está na mo Mensageiro, aos seus Descendentes perdição, salvo os crentes, que praticam Puros, seus companheiros escolhidos. o bem, aconselham-se na verdade e reConcede-nos na terça-feira três coisas: comendam, uns aos outros, a paciência!” Não deixa de perdoar pecado algum”, (103:1-3). pois Tu és o Indulgente, o Misericordio“E para ela (a Outra Vida) fujo para so, que perdoa todos os pecados, ninguém não permanecer ao lado dos vis.” É o loperdoa os pecados além de Ti. cal em que irei viver feliz e satisfeito por “não deixa de fazer cessar toda meio do que fiz, obedecendo a Ti. Dissestristeza”. Tu és o Senhor Misericordioso, te no Teu Livro Sagrado: “Aqueles que o Amável com Teus servos, Que remove obedecem a Deus e ao Mensageiro, consuas tristezas. Portanto, afasta a minha tar-se-ão entre os agraciados por Deus:

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é desejável que se inicia com satisfação.” tristeza que pesa sobre o meu espírito, atriSe afastas tudo isso em Teu Nome, e aprobula os meus sentimentos, aflige a minha ximas tudo isso vida: “Ó, Aliviaem Teu Nome, eu dor da aflição, o afasto e o aproQuem afasta a Tu és o Indulgente, ximo por Ti, pela tristeza, ó, CleTua Misericórdia, mente nesta vida o Misericordioso, que perdoa generosidade e e na Outra.” todos os pecados, ninguém amabilidade, por“Não deixa que o Teu Nome perdoa os pecados além de Ti de afastar todo me inspira e Tu és inimigo”. Tu és misericórdia, geQuem me protege nerosidade, amada injustiça e da bilidade, a Quem adoro, peço ajuda no opressão dos inimigos. Afasta o meu inimique me interessa. go com o Teu poder, poise nada o incapacita, por mais grave que seja.

Em nome de Deus, o mais belo dos nomes; em nome de Deus, o Senhor da Terra e dos Céus, afasta todo o indesejável que se inicia com insatisfação, aproxima tudo que

“Termino pedindo o Teu perdão”, assim, vou ao Teu encontro, livre de todo pecado e limpo de toda impureza.

“Ó Benevolente”, ó Agraciante, Generoso e Que concede todo o bem.

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História

e d a id n a m u h a d o ir e g oMensa . e d a d r e b i l a ed á’i K á z im A s s ib

Mesquita do Profeta Muhammad (S), na cidade de Medina Al-Munawara, onde ele está sepultado.

O

que o Profeta Muhammad (S) fez para se tornar tão importante? O que Muhammad (S) proporcionou ao ser humano no período de sua vida a ponto de toda vez que se destacam pessoas importantes, geniais, pensadores, personalidades, eles se transformam em anões perante este gigante? O professor Staubert disse a respeito dele: “Não existe alguém em toda a história humana que se aproxime da personalidade de Muhammad.” Por que Muhammad (S) tornou-se Senhor dos enviados por Deus e o último Profeta? Qual é a distinção existente no Profeta derradeiro, que não existe em quem o precedeu? Se consi-

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derarmos Muhammad (S) como qualquer reformador que apareceu para seu povo e o salvou do atraso, da decadência e da privação, proporcionando-lhe uma vida de liberdade, agraciando-o com satisfação, amor e harmonia, o seu caso seria o de qualquer reformador social. Durante um período, ele assume a liderança e ocupa certas páginas da história. Então, passa um tempo e aquelas páginas são encerradas, o reformador é esquecido, desaparecendo na memória do tempo e das novas gerações. A não ser daqueles que se preocupam em estudar a história e seus personagens. Quem quiser examinar as folhas amareladas da história e ler entre as linhas esquecidas, consegue encontrar o nome de


alguém, de algum período, que fez tal e tal coisa. Então, o que faz Muhammad (S) viver na vida cotidiana das pessoas, ser contemporâneo de todas as eras e as pessoas continuarem repetindo o seu nome diariamente? É necessário que Muhammad (S) ocupe a vida cotidiana do indivíduo a ponto de seu nome ser repetido dezenas de vezes a cada dia, ser lembrado e ser invocada a paz de Deus para ele? O que foi que Muhammad (S) fez para continuar até hoje em dia, vivendo com as gerações que se renovam, comemorando a cada ano o seu nascimento, a sua ascensão, a sua hégira, suas batalhas e expedições? Sabemos que pessoas importantes viveram um período, trabalharam, produziram grandes obras, porém, devido à passagem do tempo, dos dias e dos períodos, tornaram-se bonitos mosaicos que enfeitam as paredes da história e se tornaram produto arqueológico, fábulas inscritas em livros históricos, a exemplo de Alexandre o Grande, Sócrates, Aristóteles, Napoleão, Galileu, Newton, Edison, Einstein e outros cientistas e inventores, reis

Que foi que ele fez para merecer toda essa grandeza e eternidade? O que ele ofereceu e continua oferecendo para a humanidade, para que seja exigido da pessoa que o recorde todos os dias, personificando-o em suas orações e orientações para receber cada novo dia? A resposta: Estamos agora na época dos foguetes e da eletricidade, na época das cabeças eletrônicas, das teorias científicas. O homem quase preencheu suas necessidades materiais e se satisfez no aspecto tecnológico e com aparelhos mecânicos. Vive ao lado de instrumentos de comodidade e transportes modernos, no mais elevado nível. Os aparelhos e as tecnologias, porém, preencheram apenas as necessidades materiais do ser humano. Quanto às necessidades psicológicas e espirituais, continuam sem satisfação. A civilização moderna, com todos os seus meios e poderes, não conseguiu atender a essas necessidades. A civilização materialista moderna levou o ser humano à beira do precipício, porque não possui em seus

e conquistadores. Muhammad (S), porém, é o único que participa da vida cotidiana das pessoas e merece a lembrança eterna, a convivência diária na vida das sociedades modernas. Faz parte da vida normal do muçulmano. Nós o vemos amanhecer recordando-se de Muhammad (S) e anoitecer recordando-se de Muhammad (S), agradecer recordando-se de Muhammad (S). É a única pessoa que vive em todos os tempos e todos os lugares. Está presente em todas as terras e em todos os instantes alguém está agradecendo, recordando-se de seu nome abençoado. Qual é o segredo disso? Será que Muhammad (S) permanece vivo pelo que ele fez pela vida e pelo que ele proporcionou ao ser humano?

meandros a solidariedade humana e não contempla o verdadeiro objetivo do ser vivo: “Alivia-os dos seus fardos e livra-os dos grilhões que os deprimem.” (7:157). A mais importante tarefa da mensagem do Profeta é “libertar o ser humano dos grilhões que o afastam da verdade, libertar o ser humano dos grilhões psicológicos (feitiçaria), dos grilhões sociais e políticos {o sedutor (1)}. Portanto, a condição da fé na mensagem do Profeta Muhammad (S) é, primeiro, rejeitar a feitiçaria e o sedutor, ou seja rejeitar as algemas e os grilhões, remover os sistemas injustos, combater os tiranos externamente, depois de se libertar dos grilhões do medo, da covardia, da arrogância e dos desejos

1 - I. é, Satanás (NE).

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mundanos, internamente. O mais importante ato que o Profeta Muhammad (S) ofereceu para a vida e para a humanidade foi quebrar as algemas que prendiam a mente, suas mãos e pés, impedindo-as de seguir com liberdade, garantindo-lhes a felicidade, a independência e a honra. As algemas e os grilhões psicológicos e externos que prendiam a vida do ser humano eram muitos e terríveis. Muhammad (S) trouxe a mensagem da liberdade e quebrou estas algemas, umas após a outra. Por exemplo, as algemas da ignorância e da imitação cega, os grilhões das superstições e das

um vento de liberdade. O Profeta Muhammad (S) surgiu numa sociedade cuja metade era escrava e a outra era constituída de senhores, ricos, arrogantes, escravizando as pessoas fracas à força, roubando o produto de seus trabalhos, esgotando suas energias, jogando-lhes as sobras de suas comidas, misturadas com humilhação e vergonha. Então, surgiu o Profeta (S), convocando-os para a religião do Mono-

Não existe alguém em toda a história humana que se aproxime da personalidade de Muhammad imitações estúpidas. A estupidez era patente naquela sociedade ignorante. Era a escuridão dominando os pensamentos humanos. Essa estupidez era o motivo de todas as dores, problemas e crimes que assolavam o ser humano daquele tempo. O ser humano aceitava aquela realidade de opressão e a situação de renúncia, porque ignorava o caminho da felicidade e da justiça na vida. O ser humano aceitava ser dominado por um pequeno grupo de senhores e comerciantes, sob a coberta dos ídolos sagrados. Os opressores e os embusteiros brincavam com a sua mente e esgotavam seus empenhos, escravizandoo permanentemente. A maior parte das pessoas em Meca vivia como escrava sob o domínio de um arrogante grupo de senhores e abastados. Eles castigavam as costas dos escravos ao som dos açoites e os carregavam com pesos. Os escravos se lamentavam por isso, sem poder respirar um ar puro ou sentir 2 - Do árabe “qalam”, que significa “lápis” ou “caneta” (NE).

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teísmo e a mensagem da liberdade. A primeira palavra na mensagem do Profeta (S) foi: “Lê”, que é a palavra do conhecimento: “Lê, em nome do teu Senhor Que criou; criou o homem de algo que se agarra (coágulo). Lê, que o teu Senhor é o mais Generoso, que ensinou através da pena, ensinou ao homem o que este não sabia.” (96:1-5). Palavras que falam do conhecimento, da leitura, do cálamo(2) e explicam coisas a respeito da criação do ser humano (ciência da Anatomia e da Fisiologia). É uma mensagem do conhecimento contra a ignorância e a superstição, naquela sociedade iletrada,


ignorante, onde as pessoas que sabiam ler e escrever não equivaliam aos dedos das mãos. Então, a mensagem que batia em seus ouvidos falava da leitura e da escrita, sobre o cálamo como instrumento de cultura e ensino. “Nun. Pelo cálamo e pelo que com ele escrevem” (68:1). O cálamo e o pensamento. O Profeta (S) surge naquela sociedade com verdades práticas e choca seus membros com elas, pois d e

tar e seguir a mensagem do Profeta reconheceram as amarras que os inibia de crer na sua mensagem? Eles reconheceram que o que os inibia de aceitá-la era a sua ignorância: “E afirmam: Os nossos corações estão insensíveis a isso a que nos incitas; os nossos ouvidos estão ensurdecidos e, entre tu e nós, há uma barreira. Faze, pois, (por tua religião), que nós faremos (pela nossa)!” (41:5). As suas mentes, afundadas na ignorância e nas trevas, não entendiam suas palavras. Seus ouvidos ensurdecidos com narrativas supersticiosas e pensamentos espúrios formavam entre eles e a compreensão da mensagem do Profeta uma barreira intransponí-

Muhammad (S) é o único que participa da vida cotidiana das pessoas e merece a lembrança eterna, a convivência diária na vida das sociedades modernas n a d a sabiam eles. Algumas das verdades científicas que o Profeta e o Alcorão citaram são reveladas hoje pela ciência moderna, desvendando alguns dos segredos da natureza. O Alcorão registra uma promessa respeito disso, quando revela: “De pronto lhes mostraremos os Nossos sinais em todas as regiões (da terra), assim como em suas próprias pessoas, até que lhes seja esclarecido que ele (o Alcorão) é a verdade.” (41:53). É uma mensagem que fala de cultura, de ciência, que veio para quebrar as algemas da ignorância, da superstição, e da imitação da mente e do pensamento humano. Não é acaso certo que aqueles que rejeitaram acei-

vel. Ao mesmo tempo, eles se justificavam com a imitação cega de seus pais e do fanatismo pela sua religião pagã: “Dizem: Em verdade, deparamonos com os nossos pais a praticarem um culto, por cujos rastros nos guiamos.” (43:22). “Quando lhes é dito: Segui o que Deus revelou! dizem: Qual! Só seguimos as pegadas dos nossos pais! Segui-lasiam ainda que seus pais fossem destituídos de compreensão e orientação?” (2:170). Na verdade, a mensagem do Profeta (S) foi do conhecimento e da luz. Os que a seguiram, unindose à pregação do Profeta (S), foram os escravos pobres e débeis, que encontraram na sua mensagem a salvação, a chave da porta da liberdade, da honra e da orientação. O Profeta (S) libertou o ser humano dos grilhões da ignorância, da injustiça, das trevas, destruindo as ações discriminatórias e a diferença de classes entre os membros da sociedade, concedendo às pessoas sentimento de honra, liderança,

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auto-confiança e igualdade com os filhos da mesma espécie. Disse o Nobre Mensageiro de Allah (S): “Não há distinção entre o árabe e o não-árabe, do branco e do negro a não ser pela piedade.” Os muçulmanos passaram a ser os portadores da mensagem da justiça, da fraternidade e da igualdade dos povos, fatigados sob a trama dos opressores e dos escravagistas, sob o peso da injustiça e da diferença de classes. Assim, o Islã libertou os povos do mundo ao libertar o indivíduo e mostroulhe o seu valor humano. Libertou-o do jugo dos senhores e dos arrogantes, os que governavam o seu destino. O Islã tornou o ser humano livre na sua vontade e no estabelecimento de seu destino com as próprias mãos. O Islã estabeleceu uma só medida para se recorrer: a razão e a lógica. A mente é a unidade de medida da verdade e da crença. Se a mente se libertar do domínio da ignorância, dos desejos e do extravio, ela verá a luz e orientará o ser humano para a felicidade. Os grilhões impostos à mente humana, que o vedam de pensar com liberdade e retidão, são: 1. Os grilhões da ignorância e das paixões pessoais; 2. Os grilhões da imitação cega e seguir aos pais; 3. Os grilhões dos extraviadores, dos interesseiros que dominam a sociedade. Esses representam o “sedutor”, na terminologia do Alcorão. O sedutor que o Alcorão nos ordenou a negar e não nos submeter a ele aparece em três fases, ou depende de três pilares:

ligião. Todos estes postaram-se numa só fila contra o Profeta Moisés (a.s.) e sua mensagem libertadora. Quando o Profeta Muhammad (S) chegou e encontrou os grupos dominadores da sociedade, revoltouse contra eles e rompeu os grilhões que dominavam as pessoas daquela época. Ele se revoltou contra os ídolos e seus custodiadores, que dominavam a mente humana e os seus sentimentos, explorando suas energias através da santificação e adoração dos ídolos na Caaba. Os comerciantes coraixitas se aproveitavam da religião e da adoração santificada na Caaba para o comércio e a satisfação dos interesses materiais. Eles se aproveitavam dos inocentes e dos simples e os extraviavam, enchendolhes as mentes com superstições e ignorância. A custódia da Casa estava nas mãos dos comerciantes e abastados de Meca. Os interesses se concentravam nas mãos de uma classe da burgueses e abastados, a exemplo de Abu Sufian, Abu Jahl, Unmaiya Ibn Khalaf e os chefes das tribos. Dominavam tudo e dispunham de tudo. Exploravam tudo para o seu interesse pessoal. Os árabes viviam sob o domínio dessa classe aristocrática, sem ter liberdade de pensamento, de conhecer e abandonar as crenças e pensamentos que eles disseminavam. Ou seja, a idolatria, oferecimento de sacrifícios e de promessas. O rendimento da venda de imagens e ídolos ia para os bolsos dos abastados e exploradores. Além disso, havia os aspectos da instabilidade, da dissolução, da corrupção moral proliferadas naquele ambiente contagioso. Isso é o que atraia os jovens de Meca e os árabes para o mercado de Ukaz, para cometer loucuras e dissoluções em todos os centros e locais. O Profeta (S) via aquelas cenas com repugnância e asco. Aquele ambiente contagioso e perverso o obrigava a fugir de Meca e se isolar nas suas montanhas e caminhos vazios, distanciando-se para meditar na caverna de Hirá, a 12 quilômetros de Meca, no centro de uma montanha íngreme que foi denominada, depois, de Montanha da Luz.

Os aparelhos e as tecnologias preencheram apenas as necessidades materiais do ser humano. Quanto às necessidades psicológicas e espirituais, continuam sem satisfação

1. Força; 2. Dinheiro; 3. Mídia. Eles são representados na história pelo Faraó, o símbolo do domínio e da sedução política. Representados por Karun, símbolo da exploração e da sedução econômica, e por Bal’am Ibn Ba’ura, símbolo do extravio de comunicação e da exploração da re26 - Revista Islâmica Evidências


Cotidiano Nós e a Vida

Parte 6

EnciclopédiadaTransmissão da Mensagem ComoEntendemosaVida?

C

omo iremos entender a vida que levamos, na qual colocamos a nossa existência e nosso destino? Como nos relacionamos com ela? A vida do ser humano é formada por atividades físicas, intelectuais e espirituais que ocorrem entre o nascimento e a morte. Nela produzimos a nossa existência, completamos a nossa identidade, personalidade e espírito. Realizamos isso por meio do que possuímos de energia e razão, sentindo o mundo que nos cerca, sentindo prazer e dor, conscientizando-nos das coisas existentes. Comemos e bebemos, vestimos e nos divertimos, brincamos e apreciamos a beleza e as coisas boas, temos relações sexuais, sentimos amor e ódio, tristeza e alegria, o prazer e a dor, rimos e choramos, sentimos desilusão e abrem-se à nossa frente as esperanças. Pensamos e inventamos, deduzimos e descobrimos coisas. Demonstramos os nossos sentimentos com a palavra, o desenho, a poesia, a alegria e a tristeza. Avançamos, com a nossa consciência e pensamento, para fora dos limites deste mundo. Pensamos em sua formação, em como ele surgiu. Conhecemos o princípio da existência e o seu

Criador. Pensamos e sentimos, agimos e fazemos. Constituímos a vida com o nosso pensamento e sentimento e o que resulta do nosso ato. Somos corpo e espírito, mente e sentimentos. Foi-nos dado tudo isso e formamos a vida como o desenhista faz o quadro. A vida de cada indivíduo é um quadro pessoal. Quem de nós desejaria que sua foto fosse feia? A vida não se constitui de prazer e gozo apenas, mas é uma mistura de dores e tristezas. Não é uma anarquia, mas responsabilidade, responsabilidade perante Deus, Glorificado seja, responsabilidade perante a sociedade e as pessoas com quem convivemos, responsabilidade perante a lei e responsabilidade perante a consciência. Deus Altíssimo, diz: “Inquiriremos aqueles aos quais foi enviada a Nossa mensagem, assim como interrogaremos os mensageiro.” (7:6). O nobre Mensageiro (S) disse: “Todos vós sois pastores e todos vós sois responsáveis pelos vossos rebanhos.” O Criador da existência explica a natureza da vida e nos fornece exemplo que aproxima o entendimento para as nossas mentes, esclarecendo que é uma operação de formação, crescimento, aperfeiçoamento e pros Revista Islâmica Evidências - 27


peridade,então desabrochamento, dissolução e desaparecimento. É essa a vida de cada indivíduo: “Expõe-lhes o exemplo da vida terrena, que se assemelha à água que enviamos do céu, a qual se mescla com as plantas da terra, as quais se convertem em feno, o qual os ventos disseminam. Sabei que Deus prevalece sobre todas as coisas.” (18:45). A vida, apesar de ter enfeites e belezas, gozos e prazeres, constitui-se de acontecimentos que caem e terminam, como as plantas, que nascem, crescem e prosperam, então envelhecem, amarelam, transformam-se em feno e são levadas pelos ventos. Quando termina essa etapa da vida humana, começa outra: é a vida futura, a vida da eternidade, mundo em que não há mudança nem fins, mundo da graça, da beleza e do Paraíso, ou mundo de desgraça, da dor, para quem agiu mal na vida terrena. O que determinará o destino do ser humano naquele mundo é a natureza de seus atos e a sua crença neste mundo. Como o empenho e o aproveitamento do aluno determinam o resultado de seus exames e seu futuro intelectual na vida. O ser humano prepara, na vida atual, o caminho para a Outra Vida como o feto se prepara para o mundo extra-uterino. O Alcorão Sagrado nos fala dessa realidade, dizendo: “Aqueles que tiverem praticado o bem, estenderão leitos (para repouso) para si próprios (no Céu)” (30:44). Por isso, as leis divinas foram estabelecidas para organizar as atividades humanas e sua conduta na vida. Algumas vezes, o ser humano é conduzido pelos desejos, prazeres e gozos, ou é dominado pela ilusão, pela ignorância e a injustiça. A vida para ele se transforma em operações de satisfazer os desejos e dos prazeres, ou caminho para a criminalidade e a imoralidade na terra, adorando os prazeres pelo domínio do “eu” sobre tudo o mais e a admiração pessoal, ou narcisismo. O Criador da Vida concedeu a vida ao ser humano para que ela viva em paz e desfrute das

boas coisas da vida, de acordo com as normas da proteção da vida, organizando as condutas do ser humano de forma que consiga obter o bem para si próprio e para a sua comunidade. Quando o ser humano erra na compreensão da vida, ele faz mal a si mesmo e a conduz para a destruição. Não sente o seu erro a não ser depois de perder a oportunidade. Milhões de pessoas são conduzidas pelos desejos, pelos prazeres e pelas ilusões para as aflições e os arrependimentos. Assim, a vida de muitas pessoas terminará nas prisões ou no suicídio, ou com o acometimento de doenças venéreas, em vício nas drogas, em extravios, aflições e perda da felicidade. Os institutos de estatística e os relatórios das organizações especializadas, como hospitais, clínicas psicológicas e departamentos de combate à criminalidade mostram números assombrosos. A nossa vida é uma dádiva do Clemente. É nosso dever nos relacionarmos com ela de acordo com normas saudáveis, de proteção à vida. São normas divinas que proíbem tudo que nos é maléfico, permitindo-nos as coisas boas, os usufrutos, os prazeres benéficos para nós. Há meios para o entendimento da vida, aos quais devemos recorrer. Nós dependermos deles. Esses meios são:

A vida do ser humano é formada por atividades físicas, intelectuais e espirituais que ocorrem entre o nascimento e a morte

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1. O Livro de Deus e a orientação do Profeta: Eles nos fornecem uma explicação completa da natureza da vida, fornecendo-nos um meio e uma prova orientadora. Devemos lê-los com consciência, atenção e ciência, para sabermos o que possuem de bem e de sabedoria. 2. O conhecimento humano e as descobertas científicas: A ciência nos forneceu o conhecimento e a consciência, conseguindo nos transmitir o que é maléfico e o que é benéfico na natureza. Suas pesquisas e estudos estão de acordo com o que o Alcorão evidenciou quanto ao lícito e ilícito. A ciência conseguiu desvendar o


perigo das bebidas alcoólicas, das drogas, das imoralidades sexuais, dos juros, do monopólio, a utilidade da higiene, do amor, da coesão entre os membros da família, a sua influência na salvação psicológica do ser humano, a influência da fé na felicidade, na retidão da conduta, no livrar-se da aflição e da criminalidade, etc. A ciência colaborou efetivamente na elevação da consciência humana e na compreensão da vida, no desenvolvimento dos meios de produção, no fornecimento dos serviços públicos, na organização da sociedade e na dinâmica da vida. Colaborou na solução dos problemas do ser humano e na disposição de novas meios para solvê-los. O descobrimento da eletricidade, do átomo, do petróleo, do rádio, da televisão, dos meios de impressão, de transporte e de outros instrumentos abriu ao ser humano outra consciência da vida. Quanto mais aumenta o nosso entendimento e a nossa conscientização, mais compreensão e consciência temos da religião e do significado da fé. A ciência é a propagadora da fé e a sua companheira na vida. 3. A razão e a experiência: A razão é a guia do ser humano na vida. Quando o ser humano utiliza a sua razão de forma correta, ela o conduz para o bem, salvando-o de cair no precipício, na perdição e no arrependimento. O ser humano pratica na sua vida muitas coisas. Ele adquire experiência e deve se beneficiar de sua própria experiência na vida, como deve se beneficiar da experiência dos outros em todos os campos da vida pessoal, matrimonial, econômica, política, cultural, etc. Por isso, o Alcorão nos convoca a utilizar a mente e nos beneficiarmos das experiências dos povos anteriores. A experiência humana, os acontecimentos passados e históricos, as produções da mente humana quanto ao conhecimento e cultura, sabedoria, ética, arquitetura, são todos dádivas que colaboram para enriquecer a vida e abrir novos horizontes para

entendê-la. Por isso, o Alcorão nos orienta a utilizar as experiências dos povos e dos indivíduos, aprofundando-nos nos pensamentos e no uso da razão. Ele diz: “Ele foi Quem dilatou a terra, na qual dispôs sólidas montanhas e rios, assim como estabeleceu dois gêneros de todos os frutos. É Ele Quem faz o dia suceder à noite. Nisto há sinais para aqueles que refletem.” (13:3). E diz: “Antes de ti, não enviamos senão homens que habitavam as cidades, aos quais revelamos a verdade. Acaso, não percorreram a terra para observar qual foi o destino dos seus antecessores? A morada da Outra Vida é preferível, para os tementes. Não raciocinais? Quando os mensageiros se desesperavam e pensavam que seriam desmentidos, chegava-lhes o Nosso socorro; e salvávamos quem Nos aprazia, e o Nosso castigo foi inevitável para os pecadores. Em suas histórias há um exemplo para os sensatos. É inconcebível que seja uma narrativa forjada, pois é a corroboração das anteriores, a elucidação de todas as coisas, orientação e misericórdia para os que crêem.” (12:109-111). O Imam Ali (a.s.) aconselha seu filho, Hassan (a.s.), a se beneficiar das experiências dos outros e levá-las em consideração. Ele disse: “Estejas pronto a aceitar, por meio da tua inteligência, os resultados das experiências dos outros, e estejas a salvo de passar, tu mesmo, por essas experiências. Desse modo, tu evitarias a aspereza de procurá-las e as dificuldades de experimentá-las. Dessa maneira, começarás a conhecer a experiência pelo que passamos, e mesmo aquelas coisas que talvez tenhamos deixado escapar estão-se tornando claras para ti.” (1) Quando adquirimos entendimento saudável da vida, de acordo com a Lei Islâmica, da razão e da ciência, conseguimos interagir com ela com consciência e sucesso.

A vida de cada indivíduo é um quadro pessoal. Quem de nós desejaria que sua foto fosse feia?

(1) “Nahjul Balágha” - O Método da Eloquência, pág. 302.

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Histórias do Alcorão

Xeique Nasser Makarim Shirazi

O Profeta José e o Profeta Jacó (a.s) Antes de ingressarmos na narrativa de José, devemos fazer uma introdução:

tia conluio com os opressores. Noé (a.s.) foi o herói da paciência, da retidão, da compaixão e do coração aflito, em sua longa e memorá1- Alguns narradores - sem intenção ou vel vida. Moisés (a.s.) foi o herói educador de os mal-intencionados - tentaram transformar seu povo inoportuno, enfrentou o arrogante e a narrativa edificante deste Profeta (a.s.) em opressor Faraó. José (a.s.), por sua vez, foi o narrativa romanceada, que move as paixões herói da piedade, da continência e da pureza, e os desejos. Tentaram mudar a face real de perante uma mulher bela e apaixonada, porém José (a.s.) chegando a produzir um filme cineembusteira. Diante de tudo isso, mamatográfico, retratando-o de nifesta-se o poder eviforma ordinária. O dente da revelaAlcorão, porém, José (a.s.) foi o herói da piedade, ção do Alcorão, por meio de váda continência e da pureza, perante de forma que rios exemplos, deixa a pessoa uma mulher bela e apaixonada, refletiu em suas perplexa, porque é porém embusteira páginas as mais elevauma narrativa, como sabedas lições de castidade, de automos, que menciona, em alguns de seus casos, domínio, piedade e fé. Se uma pessoa as ler questões de paixão. O Alcorão descreve os várias vezes, ficará certamente impressionada acontecimentos com minúcias. Ele cita todos com o seu estilo extraordinário. os acontecimentos com firmeza, repletos de O Alcorão designou a história do Profeta raios fortes de piedade e pureza. José (a.s.) como a mais formosa das narrativas, colocando nela exemplos para os sensatos. José (a.s.) no Alcorão e na Torá: O Herói da Castidade 2. O exame minucioso da narrativa revela a seguinte verdade para o ser humano: que o Alcorão é um milagre em todas as suas dimensões, pois os heróis que ele apresenta na narrativa são reais. Cada um deles é inigualável: Abraão (a.s.) é o herói que destruiu os ídolos com o seu elevado espírito. Ele não admi30 - Revista Islâmica Evidências

3- Sem dúvida que o caso de José era conhecido pelas pessoas antes do Islã, porque é citado no capítulo 14 e entre os capítulos 37 e 50 do Gênesis, detalhadamente. Na realidade, o exame minucioso dos versículos mostra a extensão da divergência entre o texto do Alcorão e da Torá. Ao compararmos ambos, verificamos que a narrativa do Alcorão é totalmente correta e desprovida de extrava-


gância. Na Torá, quando Jacó (a.s.) viu a túniDisse aos filhos: “Então lhe mostraram sua ca de José ensanguentada, disse: “É a túnica túnica falsamente ensanguentada; porém, de meu filho; uma fera o comeu; certamente Jacó lhes disse: Qual! Vós mesmos tramasJosé foi despedaçado. Então Jacó tes cometer semelhante crime! rasgou as suas vestes, Porém, resignar-mepôs saco sobre ei pacientemenJacó (a.s.), como o Alcorão expressa, os seus lombos te, pois Deus nada fez como rasgar roupas e e lamentou a me confortará chorar, mas disse: ‘Resignar-me-ei’, seu filho muitos em relação ao dias. E levantaramque me anunciais.” confiante em Deus se todos os seus filhos e to(12:18). Apesar de estar com das as suas filhas, para o consolarem; recusou o coração ardente de aflição por causa do fiporém ser consolado, e disse: Porquanto com lho, Jacó, como o Alcorão expressa, nada fez choro hei de descer ao meu filho até à sepultuquanto a rasgar roupas e chorar, não amarrou ra”. (Gênesis, 37:33-35). saco nenhum sobre as costas, que era sinal de desgraça, mas disse: “resignar-me-ei”, dissiNo Alcorão, porém, Jacó (a.s.) não acredimulando a sua tristeza. De qualquer forma, tou no que seus filhos disseram, não ficou com essa narrativa – depois do Islã - foi transmitida medo nem desesperado pelo que aconteceu ao por escritores orientais e ocidentais, e algumas filho José (a.s.). Ele reagiu como reagem os vezes com alguns acréscimos. profetas, com paciência e confiança em Deus.

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A mais formosa das narrativas

por falta de respeito e capacidade. Na realidade, a narrativa está repleta de sublimes valores humanos. Veremos, mais tarde, se Deus quiser, que não se pode ultrapassar os belos e abrangentes capítulos da narrativa.

Então, Deus, exaltado seja, diz: “Nós te relatamos a mais formosa das narrativas, ao inspirar-te este Alcorão, se bem que antes disso era um dos desatentos.” (12:3). Por que O brilho da esperança não seria a mais bela das narrativas, se abrane o início das dificuldades ge em seus episódios as mais sublimes lições da vida? Observamos a soberania da vontade de Deus sobre todas as coisas na narrativa coO Alcorão começa citando a narrativa de rânica. Vemos com os nossos próprios olhos o José (a.s.), a partir de seu estranho sonho, de destino negro em que terminaram os invejosos enormes significados, porque aquele sonho, na e o que tramaram. Materializa-se, por meio de realidade, é considerado um dos episódios da suas ações, a humilhação, a vulgaridade e a vida conflitante dele (a.s.). falta de castidade. Vê-se, também, a grandeza Certa manhã, ele foi ter com o pai, com o da piedade e a imagem do jovem, sozinho, no desejo de conversar a respeito de seu sonho e fundo do poço. Em outra cena vemo-lo pasdescobrir um novo acontecimento. Era o início sar os dias e as noites, sem culpa, na prisão de um novo capítulo de sua vida: “Recordaescura. Então, surge a luz da esperança por te de quando José disse a seu pai: Ó, pai, vi, trás da frustração e das trevas. Vemos, depois em sonho, onze estrelas, o sol e a lua; vi-os disso, o seu poder amplo como resultado de prostrando-se ante mim.” (12:4). sua perseverança e confiança. Todas essas cenas se mostram para o leitor da narrativa de Que idade tinha José quando teve o sonho? forma uniforme. Percebemos Há quem diga que tinha que, numa questão nove anos de idade. de instantes e Numa questão de instantes e por causa Outros dizem por causa de um que tinha sete de um sonho, o destino de uma nação sonho, o destie outros, ainda, muda e ocorre a salvação de uma no de uma nação dizem doze anos. comunidade inteira da perdição Basta sabermos que era muda e ocorre a salvação de uma comunidade inteira da jovem. perdição, pelas mãos de um comando divino. O sonho, estimulante e instigador, deixou Dezenas de outras grandes lições se manifeso profeta Jacó (a.s.) absorto nos seus pensatam nessa narrativa. Por que não se constitui mentos. Que significavam a lua, o sol e as na mais bela de todas? estrelas, e que estrelas? Onze estrelas prosFinalmente, não é suficiente que a narrativa trando-se todas perante meu filho José? Que de José (a.s.) seja a mais bela. É preciso que sonho é esse? Sem dúvida que o sol e a lua tenhamos a capacidade de entender essa grande representam eu e a mãe ou a madrasta dele. As lição e conhecer a sua posição em nós mesmos. onze estrelas representam seus irmãos. O valor de meu filho é tão elevado que o sol, a lua e as Muitas pessoas continuam olhando a narestrelas do céu se prostram perante ele? O meu rativa de José (a.s.) como um acontecimento filho, José, é caro para Deus por ter tido esse dramático. Seu exemplo é como o da besta que estimulante sonho! vê um pomar cheio de flores. Ela, porém, o vê apenas como forragem para matar a sua fome.

Muitos, ainda, acrescentam à narrativa elementos imaginários e falsos para alterá-la, 32 - Revista Islâmica Evidências

Por isso, Jacó dirigiu-se ao filho com um tom denotando perturbação e medo, misturado com alegria. Disse-lhe: “Ó filho meu, não


relates teu sonho aos teus irmãos, para que não conspirem astutamente contra ti. Fica sabendo que Satanás é inimigo declarado do homem.” (12:5). Satanás estava aguardando a oportunidade para sussurrar aos irmãos e atear o fogo da discórdia e da inveja, fazendo os irmãos se matar.

anuência de Deus não conseguirão subtrair-lhe um só fio de cabelo.

Jacó (a.s.) tinha doze filhos, dois deles, José e Benjamim, de uma mãe de nome Raquel. Jacó tinha um amor especial por esses dois filhos, principalmente por José, porque, primeiro, eram os mais novos deles e, naturalmente, Aquele sonho, porém, não era indício apeprecisavam de maiores cuidados e mais amor. nas da grandeza de José (a.s.) no futuro aparenEm segundo, sua mãe havia morrido, de acorte e material, mas indicava a posição de profeta do com algumas narrativas. Apesar de tudo, os que ele iria atingir no futuro. Por isso, Jacó (a.s.) sintomas de distinção e de extrema inteligência acrescentou: “E assim teu Senhor te elegerá e apareciam em José (a.s.). Essas questões levaensinar-te-á a interpretação das histórias, e ram o Jacó (a.s.) a prestar mais atenção a esse te agraciará com a Sua mercê, a ti e à família filho. Os irmãos invejosos, porém, sem olhar de Jacó, como agraciou anteriormente teus esses aspectos, se doeram por causa do amor avôs, Abraão e Isaac, porque teu Senhor é do pai a José (a.s.) e seu irmão, principalmenSapiente, Prudentíssimo.” (12:6). te por serem de mães diferentes e pela competição natural no caso. Por isso, reuniram-se e discutiram o que deveriam fazer e resolveram O complô fazer um complô: “Eis que (os irmãos de José) disseram (entre si): José e seu irmão (Benjamim) são mais queridos por nosso pai do que Aqui começa a narrativa sobre o desafio nós, apesar de sermos muitos”, e condenaram e o conflito dos irmãos de José (a.s.) com ele: o pai, dizendo: “Certamente, nosso pai está O Alcorão Sagrado mostra as muitas lições (mentalmente) divagante!” (12:8). O fogo da que a narrativa inspira, dizendo: “Na história inveja e do rancor não os deixou pensar em tode José e de seus irmãos há dos os aspectos para desexemplos para os cobrir indicações que procuram O sonho, estimulante e alimentador, do amor que (a verdade).” deixou o profeta Jacó (a.s.) absorto nos unia Jacó a José (12:7). Que lie a Benjamim. seus pensamentos. Que significavam a ção é maior do Os interesses partilua, o sol e as estrelas? que a reunião de várias culares de cada um criaram pessoas para eliminar uma pessoa entre eles uma barreira, sentenciando unilatedébil e sozinha – pelo menos na aparência – ralmente o resultado: “o extravio em todos os com planos gerados pela inveja, empenhandosentidos”. Certamente, acusar o pai de extravio se para a tarefa? Porém, aquele ato, sem pernão significava o extravio religioso, porque o ceberem e sem intenção, tornou-se a causa de Alcorão mostra a sua crença na profecia de seu ele assumir a responsabilidade de ministro de pai, mas protestaram contra o método de seu reum país grande como Egito. Seus irmãos, poslacionamento. teriormente, irão, cabisbaixos, submeter-se a ele. Isso demonstra que quando Deus deseja algo, Ele tem Poder para realizá-lo até por inMatem José! termédio das mãos contrárias a Ele. Isso demonstra para o crente e puro que ele não está sozinho neste mundo. Se todos os membros Então, a inveja os levou a planejar matádeste mundo quiserem tirar sua vida, sem a lo. Reuniram-se e alguns opinaram: “Matai, Revista Islâmica Evidências - 33


pois, José ou, então, desterrai-o – enviai-o para um local distante -; assim, o carinho de vosso pai se concentrará em vós” (12:9). Na verdade, irão reconhecer o erro e a vergonha de consciência porque irão praticar esse crime contra o seu irmão menor. Porém, se se arrependerem e expiarem o pecado, “depois disso, sereis virtuosos.” (12:9). Entre os irmãos, porém, havia quem era mais inteligente e mais afetuoso. Porque não aceitou matarem José ou enviá-lo para um local distante em que podia perecer. Sugeriu uma terceira alternativa. Que fosse jogado num poço (contanto que não seja ferido) e uma caravana pudesse levá-lo, ficando afastado do pai e deles. O Alcorão diz a esse respeito: “Um deles disse, então: Não mateis José, mas arrojai-o no fundo de um poço, pois se assim o fizerdes poderá ser tirado por alguém de alguma caravana.” (12:10).

A trama sinistra Depois de aceitar a sugestão do irmão para não matar José (a.s.), mas jogá-lo no poço, começaram a pensar no método de separar este do pai. Por isso, traçaram outro plano. Foram ter com o pai, com palavras doces para que fossem considerados bons, demonstrando que eram sinceros. Segundo o Livro Lúcido: “Disseram (depois de combinarem afastar José 34 - Revista Islâmica Evidências

do pai): ‘Ó pai, que há contigo? Por que não nos confias José, apesar de sermos conselheiros dele?’” (12:11). Ó pai, não nos acuse de que o odiamos! Somos irmãos e ele é ainda jovem e precisa brincar e se divertir. Não é certo deixá-lo preso contigo em casa. Solte-o: “Envia-o amanhã conosco, para que se divirta e brinque,” (12:12). Se você está com receio que lhe aconteça algum mal, nós vamos protegê-lo: “tomaremos conta dele.” (12:12). Com esse esquema, planejaram afastar o irmão do pai, com perícia. Talvez tenham dito a José para pedir ao pai deixá-lo ir com eles, para brincar e se divertir, como faziam os seus irmãos. Assim, ele iria respirar o ar puro fora da cidade


Os lobos do Deserto de Canaã Jacó (a.s), porém, sem acusar os irmãos de José (a.s.) de má intenção, mostrou reticências em enviar seu filho amado com eles por duas razões. Primeiro, José (a.s.) ficaria distante e ele ficaria triste por isso, e segundo: Talvez houvesse, fora da cidade, lobos ferozes que pudessem atacá-lo. Desculpou-se dizendo: “Respondeu-lhes: Sem dúvida que me condói que o leveis, porque temo que o devore um lobo, enquanto estiverdes descuidados.” (12:13). Essa é uma preocupação natural, uma vez que os irmãos de José (a.s.) poderiam descuidar dele e um lobo poderia devorá-lo. O estranho é que os irmãos não tinham resposta

para o primeiro caso que o pai deles citou, porque a tristeza e o sufoco pela separação de José (a.s.) não era uma coisa natural que pudesse ser compensada. Talvez a preocupação do pai tenha estimulado a inveja nos irmãos de José (a.s.). Por outro lado, essa questão indicada por Jacó (a.s.), ou seja, a tristeza pela separação de José (a.s.), pode ser respondida e não necessita de explicação, porque a criança precisa se distanciar dos pais para que possa crescer e se desenvolver. Se se deseja que permaneça sob as asas do pai, tornar-se-ia um problema para ele. Portanto, é necessário o distanciamento, para que a criança se desenvolva. Hoje distanciamento, amanhã empenho e constância para a obtenção do conhecimento, depois de amanhã, trabalho e luta pela vida. Finalmente, a separação é indispensável. Por isso, não lhe responderam a respeito da primeira parte da fala. Responderam à segunda parte, porque era importante e fundamental em relação a eles. Por isso, disseram: “Se o lobo o devorar, apesar de sermos muitos, seremos então desventurados.” (12:14). Ou seja, pensa que estamos mortos e não conseguimos defender o nosso irmão, ficando a observar o lobo devorandoo? Além da relação de fraternidade que nos estimula a defendê-lo, o que as pessoas irão dizer de nós? Esperamos, acaso, que digam: um grupo forte constituído de jovens corajosos ficou sentado, vendo o lobo devorando o seu irmão! Poderemos conviver depois disso com as pessoas? De qualquer forma, os irmãos de José (a.s.) conseguiram por a trama em ação, demovendo os sentimentos puros de seu irmão e convencendo-o a ir passear com eles para fora da cidade. Talvez fosse a primeira vez que lhe era dada a oportunidade. Por isso, conseguiram levá-lo com eles e lograram que o pai se resignasse perante a questão, concordando com o pedido. Revista Islâmica Evidências - 35


José e a despedida emocionada Finalmente, os irmãos de José (a.s.) foram bem sucedidos e convenceram o pai a enviar o irmão com eles. Passaram a noite tranqüilos, aguardando o amanhecer para colocar o seu plano em ação, afastando o irmão que era um empecilho no caminho deles. Sua única preocupação era que o pai se arrependesse e não deixasse José (a.s.) ir com eles.

força física. Por isso, alegrei-me e disse a mim mesmo: Não pode ter receio dos acontecimentos quem tiver irmãos como esses. Por isso, confio em vocês e meu coração está sossegado por causa de sua força. Agora, sou prisioneiro em suas mãos e peço a proteção de vocês, um por um, em vão. Deus fê-los fazer isso para me dar uma lição: de não confiar em ninguém, mesmo em meus irmãos, a não ser n’Ele.

De qualquer forma, o Alcorão Sagrado diz a esse respeito: “E assim o levaram, resolviDe manhã, foram ter com o pai. Ele redos a arrojá-lo no fundo do poço” (12:15). O comendou, reiteradamente, que cuidassem de versículo revela que Deus inspirou José (a.s.), José (a.s.). Os filhos demonsacalmando-o e informando-o traram obediência, que no fim ele seria respeito e proo vencedor, Diz: Satanás estava aguardando a fundo amor, “mas revelaoportunidade para sussurrar aos e se dirigiram mos-lhe: Alirmãos e atear o fogo da discórdia, para fora da cigum dia hás de dade. fazendo os irmãos se matar inteirá-los desta sua ação, mas eles não te conheceDiz-se que o pai se despediu deles rão.” (12:15). na porta da cidade, pegou José (a.s.) e abraçou, com lágrimas. Então, entregou-lhes o menino e voltou. Jacó (a.s.), porém, despedia-se deles com os olhos. Eles, por sua vez, tratavam José (a.s.) com muito carinho, enquanto percebiam que os olhos do pai continuavam a observálos. Quando se distanciaram do pai e se tranquilizaram de que ele não os veria mais, o seu complexo se manifestou e descarregaram todo seu rancor e inveja acumulados por vários anos sobre a cabeça de José (a.s.). Cercaramno e começaram a golpeá-lo. Ele se escondia e pedia a proteção de cada um deles, mas foi em vão. José entre o choro e a alegria

José chorava devido às palavras ásperas e aos golpes dolorosos. Porém, quando quiseram jogá-lo no poço, começou a rir de repente. Os irmãos estranharam e deduziram que José (a.s.) pensava que estavam brincando. Porém, ele revelou o motivo, dando-lhes uma grande lição. Disse-lhes: “Não esqueço, meus irmãos que senti os músculos de suas mãos e a sua 36 - Revista Islâmica Evidências

Um dia ele se sentará no trono, sendo forte e honesto. Os seus irmãos irão ter consigo, estendendo-lhe a mão com necessidade. Estarão sedentos à procura de uma fonte potável no deserto em chamas. Irão apressados procurá-lo, com humildade. Porém, ele estará em situação de grandeza e eles não o reconhecerão. Irá dizer-lhes naquele dia: “Não foram vocês que fizeram tal e tal coisa com o seu irmão pequeno, José?” Quão envergonhados estarão de sua ação daquele dia!. José nu, no poço Quando José (a.s.) foi jogado no poço, tiraram-lhe a túnica e deixaram-no nu. Ele gritou: “Deixem a minha túnica, pelo menos, para cobrir o meu corpo, se eu permanecer vivo; ou para que seja a minha mortalha, se eu morrer. Seus irmãos lhe disseram: “Pede-a ao sol, à lua e às onze estrelas que você viu em sonho para serem seus companheiros no poço e para que lhe proporcionem vestes. Os irmãos de José (a.s.) executaram a sua trama, porém


deveriam pensar na volta como seria, se o pai iria acreditar neles, quando dissessem que José morreu de forma natural e não vítima da trama deles, garantindo o afeto do pai. A ideia que os levou àquele objetivo foi o temor do pai. Eles o convenceram, alegando que o lobo comeu José (a.s.), levando-lhe provas falsas.

de um detalhe importante: pelo menos rasgar a túnica ensangüentada, para provar o ataque do lobo. Mostraram a túnica inteira, sem nenhum rasgo. Assim, o pai percebeu a sua trama. Quando seus olhos viram a túnica, ele percebeu tudo e disse: “Qual! Vós mesmos tramastes cometer semelhante crime!” (12:18).

Mentira revelada

Que lobo compassivo!

O Alcorão Sagrado diz: “E, ao anoitecer, apresentaram-se chorando ante seu pai.” (12:16), um choro dissimulado, o que denotava que o choro falso é possível. Contudo, não é possível enganar uma pessoa apenas com o choro.

Jacó (a.s.) pegou a túnica e começou a examiná-la, dizendo: “Não vejo o vestígio de um dente nem de uma unha. Essa fera é compassiva!” Outra narrativa diz que ele pegou a túnica e colocou-a no rosto, chorando até molhar a face com o sangue da túnica. Então disse: “Por Deus, Quanto ao pai, que esperava a volta nunca soube de um lobo mais de José (a.s.) com toda compassivo do que paciência, tremeu esse que comeu o Quando Deus deseja algo, Ele quando viu que meu filho, pois tem Poder para realizá-lo até por seu filho quenão lhe rasgou a rido não estava intermédio das mãos contrárias a Ele túnica!”. Foi tamcom eles. Pergunbém narrado que ele tou por ele e recebeu a chorou, gritou e perdeu os sentidos. resposta: “Disseram: Ó pai, estávamos aposBorrifaram-lhe o rosto com água, porém ele não tando corrida e deixamos José junto à nossa se mexeu. Chamaram-no e não respondeu. Judá bagagem”, por causa de sua pouca idade e por colocou a mão nas suas narinas, não sentiu a sua não ter capacidade para correr, descuidamos respiração nem suor. Disse: “Seremos castigados dele “quando um lobo o devorou. Porém, tu no Dia do Juízo! Perdemos o nosso irmão e manão irás crer, ainda que estejamos falando tamos o nosso pai!”. Ele não acordou a não ser a verdade!” (12:17), porque você nos advercom o frio da madrugada. tiu quanto à essa possibilidade, e pensará que nossa alegação é uma farsa.

As palavras dos irmãos de José (a.s.) eram estudadas minuciosamente. Primeiro, falaram com o pai, chorando para fazê-lo acreditar na sua estória. Disseram-lhe: “Porém, tu não irás crer, ainda que estejamos falando a verdade!” (12:17). E para provarem as suas afirmações “Então lhe mostraram sua túnica falsamente ensanguentada” (12:18), pois ensanguentaram a túnica com sangue de cordeiro. Porém, a mentira tem perna curta e qualquer pretensa verdade construída com estórias contraditórias impossíveis de serem agrupadas constitui mentira. Os irmãos de José (a.s.) esqueceram

Apesar do coração ardendo e chamas na alma, Jacó (a.s.) não pronunciou algo que denotasse ingratidão, aflição, medo ou angústia. Disse: “Porém, resignar-me-ei pacientemente” (12:18). Então, falou: “pois Allah me confortará em relação ao que me anunciais.” (12:18). Peço-Te que transforme o amargor de minha boca em doçura e me conceda a força e o poder de suportar mais perante essa enorme calamidade e não desoriente minha direção e que eu não pronuncie o que é desagradável. Ele, contudo, não falou: “Peço que me conceda a paciência pela morte de José, porque sabia que ele não tinha sido morto”. Disse: “Peço paciência pela separação de José e pelo que descrevem.” Revista Islâmica Evidências - 37


Nossas Crenças

Sinais Fundamentais da mensagem Islâmica

V

amos encerrar o assunto nesse número a respeito dos objetivos do Islã, depois de termos abordado nos números anteriores os temas: 1. O que é o Islã? 2. Os Princípios Básicos em que se Fundamenta o Islã. 3. As Particularidades Gerais da Mensagem Islâmica. 38 - Revista Islâmica Evidências


do ser humano, protegê-lo de todo perigo, que destrói a sua integridade ou causa-lhe dano. Deus, Exaltado seja, diz: “São aqueles que O Islã visa, em sua missão, como uma menseguem o Mensageiro, o Profeta iletrado, o sagem divina, a reforma da humanidade, a conqual encontram mencionado em sua Tora e servação da organização da vida por intermédio seu Evangelho, o qual lhes recomenda o bem do objetivo final da mensagem religiosa, que se e lhes proíbe o ilícito, prescreve-lhes todo o baseia na Unicidade de bem e veda-lhes o Deus e na promoção da imundo, alivia-os dos adoração a Ele. Por isso, seus fardos e livra-os O Islã visa, em sua missão, a Mensagem do Islã asdos grilhões que os sumiu a responsabilia reforma da humanidade e a con- deprimem.” (7:157). dade de desempenhar São os objetivos da um papel de construção servação da organização da vida por mensagem do Islã que cultural, o desenvolviintermédio da mensagem religiosa o Alcorão resumiu no mento de uma organicombate à imoralidade zação da vida, partindo e à corrupção, deterdo princípio de libertar minando o método da o ser humano da adoração dos sedutores e dos delegislação e das normas, que mostram o camisejos, incentivando a adoração a Deus. É possível nho da vida, conservam a segurança e a orgaao seguidor dos propósitos e dos objetivos da Lei nização, libertam o ser humano das algemas da Islâmica resumi-los como segue: servidão humana, salvando-o das trevas dos pecados. Quão maravilhosa é a expressão do Alcorão Sagrado a respeito da verdade quando se 1- Estreitar as Relações dirige aos muçulmanos, dizendo: “Ó crentes, entre o Ser Humano e o Seu Criador atendei a Deus e ao Mensageiro, quando ele vos convocar à salvação. E sabei que Deus inA Mensagem Islâmica visa a estreitar as relatercede entre o homem e o seu coração, e que ções entre o ser humano e o seu Criador, fazendosereis congregados ante Ele.” (8:24). o conhecer a responsabilidade que tem para com Há uma verdade fabulosa nesse texto corâo seu Senhor. Sem dúvida, o conhecimento do ser nico, que chama a atenção e deve ser examinahumano em relação ao seu Criador e a organização da: O Alcorão não vê a vida como um conjunto da relação humana com Ele é a mais importante de atividades e força física que emprega apenas realidade da vida do ser humano, a que tem maior os sistemas físicos e os órgãos do corpo. A vida, influência no seu destino, porque o conhecimento do ponto de vista corânico, é uma estrutura fora respeito de Deus, Glorificado seja, e o vínculo com Ele significam o conhecimento da verdade, da benevolência e da paz. A construção da vida e a sua orientação de acordo com esses princípios, de forma clara, capacitam o ser humano a abrir o caminho da segurança que leva a alcançar Deus, garantindo seu destino, no Dia do Retorno, ao Mundo Eterno e Permanente. Os Objetivos do Islã

2- Conservar a Organização da Vida: A Mensagem Islâmica visa a conservar a organização da vida, alcançar a maturidade Revista Islâmica Evidências - 39


mada de objetivos e Quem retornará. Com posições humanas suesse sentimento, deO Islã visa realizar a coordenação saparecem da vida do blimes, que elevam o ser humano ao nível da e a harmonia entre o ser humano e ser humano a indigperfeição, conduzinnação, impaciência, a do-o à expressão dos o mundo ao seu redor, para fazê-lo obscuridade, a perda seus elementos natusentir que faz parte da existência destruidora no mundo: rais. Por isso, o apelo “Pensais, porventura, e o método islâmico que vos criamos por com que ele se dirige diversão e que jamais à humanidade, estabelecendo os traços legais retornareis a Nós? Exaltado seja Deus, Vere sistemáticos integrados que traçam o molde dadeiro, Soberano! Não há mais divindade da vida e planejam as suas dimensões de acoralém d’Ele, Senhor do honorável Trono!” do com o conceito da justiça e da benevolên(23:115-116). cia para o ser humano. O dito do Mensageiro de Deus (S) é a melhor interpretação e a mais 4- A Habitação e a Construção Cultural: eloquente a respeito deste tema: “Ninguém proporcionou tanto bem ao seu povo como lhes proporcionei, tanto nesta vida como na Outra.” O Islã visa a fortalecer o ser humano, para De acordo com esses conceitos fundamentais, que cumpra a sua missão de habitar e reformar foram estabelecidas grandes regras legais para a terra, construir a civilização humana, desenincorporar o espírito do Islã e concentrar seus volver a vida com a ciência, trabalho e flosublimes objetivos na vida, como dita a regra: rescimento. O ser humano nasceu nesta terra “O Islã veio para atrais os interesses e afastar as para cumprir a vontade de Deus de construir imoralidades.” E: “O Islã veio para conservar um mundo de bem e de satisfação. O Alcorão os direitos”, entre outros ditos memoráveis. Sagrado explicou a função do ser humano por intermédio das palavras do Profeta Saleh (a.s.) quando disse: “E ao povo de Samud enviamos 3- Desenvolvimento da Consciência seu irmão Sáleh, que lhes disse: Ó povo meu, e do Vínculo Cósmico: adorai a Deus porque não tereis outra divindade além d’Ele; Ele foi Quem vos criou O Islã visa realizar a coordenação e a harda terra e nela vos enraizou. Implorai, pois, monia entre o ser humano e o mundo ao seu Seu perdão; voltai a Ele, arrependidos, porredor, para fazê-lo sentir que faz parte da exisque meu Senhor está próximo e é Exorável.” tência, que tem a sua posição natural nele para (1:61). E disse: “Ele foi Quem vos designou desenvolver a consciência cósmica em geral, legatários na terra e vos elevou uns sobre descobrindo a sabedoria e o grande objetivo outros, em hierarquia, para testar-vos com de sua existência. Assim, vincula-se a ela e se tudo quanto vos agraciou. Teu Senhor é Desconscientiza da vida por seu intermédio, depois tro no castigo, conquanto seja Indulgente, de lhe revelar a unidade da lógica mental que Misericordiosíssimo.” (6:165). E disse, mais: organiza a natureza, a sociedade e a vida. Por “E não causeis corrupção na terra, depois de intermédio disso, o ser humano alcança a conshaver sido pacificada. Outrossim, invocai-O ciência cósmica de que a sua existência consticom temor e esperança, porque Sua miseritui numa parte desse mundo minucioso, perfeicórdia está próxima dos benfeitores.” (7:56). to, sem frivolidades nem perdas. Uma existênPara a proteção dessas funções de florescimento cia ligada a um objetivo sublime, a orientação e reforma para as quais convocou o ser humapara Deus, o Criador Supremo do Universo, a no, o Alcorão adverte com rigor os destruidores 40 - Revista Islâmica Evidências


e os corruptores, amearegimes anteriores; çando-os com doloroso não eram como o ser castigo. Deus, exaltado humano oprimido e O ser humano nasceu nesta terra seja, diz: “E quando explorado imaginou. para cumprir a vontade de Deus se retira, eis que a sua A aplicação confirintenção é percorrer mou a sua desilusão, de construir um mundo a terra para causar a impondo-lhe novos de bem e de satisfação corrupção, devastar as problemas. Juntasemeaduras e o gado, mente com esses framesmo sabendo que a cassos e maus resulDeus desgosta a cortados, restaram, conrupção. Quando lhe é dito que tema a Deus, tudo, alguns conceitos corretos. Afinal, o conapossa-se dele a soberbia, induzindo-o ao junto desses princípios e conceitos – liberdade, pecado. Mas o inferno ser-lhe-á suficiente igualdade, justiça, etc. – faz parte das atitudes castigo. Que funesta morada!” (2:205-206). livres da mente humana, cuja beleza e benefício Dessa forma, o Alcorão esclarece o papel do ser a razão percebe no decorrer dos tempos e das humano no esquema da Criação, estabelecendo gerações. Ficaram conceitos gerais, que necessuas responsabilidades vitais sobre a terra, ou sitam de tradução para estabelecer um limite seja, colonizá-la, desfrutar de seus bens, enchêprático das leis e dos valores que conseguem la com o conhecimento, com o trabalho benéfitransformá-los em princípios práticos e métoco e a utilização de todas as energias humanas dos de vida. de maneira construtiva e salutar. Como a realidade prática confirmou, as teEnganação Na amarga competição entre os impérios da história e sob a crueldade da injustiça e da opressão política, que escravizou os povos, tirandolhes a liberdade e o direito natural à vida, o ser humano começou a se debater e a procurar nos campos da perdição uma saída, um caminho. Esse ser humano, extraviado da Senda Reta, descreve os seus sentimentos com a amargura da realidade e o sofrimento da injustiça, criando ideologias, teorias e princípios políticos como a democracia, o socialismo, o comunismo, etc. Essas teorias e esses princípios começaram a erguer símbolos de liberdade, de igualdade, de justiça econômica e social, etc. O ser humano, à sombra do terrorismo político, começou a se sacrificar por esses pensamentos e seus similares, tentando quebrar o círculo ao seu redor, ou derrubar as paredes da prisão em que vive. Quando esses princípios e teorias foram transpostos para o campo da aplicação prática, não provaram ser melhores do que os tratados dos

orias e os princípios políticos que o ser humano apresentou de “democracia, socialismo e comunismo” foram incapazes, pela sua natureza, de transformar as percepções humanas em geral - que alegam que essas teorias são de sua especialidade - em normas práticas e métodos de vida. O homem, por causa de seu extravio e ausência do método correto, continuou agarrado a esses regimes em muitas partes da terra, en-

Revista Islâmica Evidências - 41


ganado pelos seus símbolos e propagandas. Era natural, também, que essas correntes políticas se dirigissem para o Mundo Islâmico. Isso depois da decadência da consciência política entre os muçulmanos, proliferando em suas fileiras a ignorância em relação à Mensagem e Legislação Islâmicas. Depois de provarem as dores da injustiça, da opressão e da servidão, e depois da vitória da invasão colonialista, militar e cultural em seus países, depois de tudo isso, era natural que muitos dos filhos dos muçulmanos se influenciassem com os movimentos políticos, sem perceber o perigo desses princípios ou sua falsidade e fracasso. Muitos não perceberam as contradições desses princípios - Democracia, Socialismo e Comunismo, etc. - com a organização e a crença islâmica. Muitos muçulmanos, enganados por esses princípios – entre eles alguns escritores - imaginaram que o Islã é um regime democrático. Alguns deles o consideraram um regime socialista. Outros se excederam tanto que aceitaram o encontro entre o Islã e o Marxismo, enganados por lemas como liberdade, justiça, igualdade, a comodidade econômica e social, combate ao monopólio e à exploração, etc. Depois que viram as raízes desses lemas no Islã e a sua preocupação com eles, concluíram, erroneamente, que haveria uma afinidade entre o Islã e as outras ideologias. Quem encontrou

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os conceitos de liberdade, justiça e igualdade no Islã considerou este um regime democrático, pois a democracia defende estes princípios e os exige. Quem conheceu o conceito econômico islâmico e o combate que este dá à ganância e individualismo, características do Capitalismo, passou a denominar o Islã de socialista, pois o Socialismo defende esses lemas. Assim, os conceitos foram misturados, perdeu-se a clareza e a visão ficou confusa. Esse perigoso problema precisava de uma modificação profunda em suas raízes, um tratamento bem-sucedido das repercussões culturais geradas por ele, retornando-se para o Islã, estudando-o com uma análise precisa. Assim, reiteramos que o Islã tem os seus princípios próprios, seus desprendimentos, normas, leis, valores e moral, tem suas particularidades e objetivos, que distinguem a sua personalidade e identidade, no campo econômico e político, das ideologias. Portanto, se há semelhanças entre alguns conceitos e princípios do Islã e das ideologias, isso não significa unicidade de natureza e união de existência. O Regime Islâmico é apenas islâmico, desprovido de qualquer caracterização que o enquadre sob o conceito de “Socialismo, Democracia, Capitalismo” ou qualquer outra construção mental humana.


Relacionamento

Assayyed Charif Sayyed

o d r o m O A lher

u M a d e m e Hom

M

uitos leitores esperam ansiosos a fala sobre esse tipo de amor. A fala sobre o olhar faminto, o desejo obstinado, de afeto, as ânsias inflamadas, os sonhos despertados, a relação entre os dois sexos, o respeito à feminilidade e ao mundo da mulher, ao espaço em que os adolescentes, os jovens e as jovens vivem, sonham e imaginam, movidos pelo amor.

Perguntam sobre a opinião da Religião Islâmica sobre a sua vida imaginária ante do mundo real. Indagam: “Queremos saber, com clareza, a opinião do Islã quanto ao amor físico do homem pela mulher e vice versa”. A opinião a respeito do coração, da tendência nele contida, a respeito do corpo e o seu uso; perguntas quanto à realidade que os jovens vivem na época da

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mescla entre o lícito e o lícito, em que a mente dói, derrotada pelo afeto, em que o jovem e a jovem muçulmanos começam a procurar a opinião do Islã para conhecer as regras e os preceitos relacionados com o homem e a mulher. Vinde, ó interessados, ver e conhecer, de forma clara, a opinião do Alcorão e da Lei Islâmica quanto ao amor físico, a relação afetiva entre macho e fêmea! Vinde para o mundo do homem e da mulher, para encontrá-los como pai e mãe, filho e filha, irmão e irmã, esposo e esposa, ou duas pessoas estranhas sem vínculo familiar ou de parentesco, ou sangue. São as situações em que sempre há a existência do homem e da mulher! O homem e a mulher, em todas essas situações, possuem, nos ensinamentos, nas orientações e normas

do Islã, bases específicas, conhecimento manifesto, traços claros e sublimidades evidentes. Como introdução, dizemos: Cada ser humano possui igualmente, quer seja homem ou mulher, afeto relacionado à dinâmica de seus sentimentos em relação a outras pessoas e outras coisas. O afeto, em muitas situações, é uma questão de escolha, pois o ser humano pode ter um sentimento de amor ou de ódio, baseado na impressão calcada em alguns aspectos, ou alguns acontecimentos, ou algumas situações que são dados da realidade, em movimento. Por isso, o Islã não deseja que o homem enfrente uma questão de afeto, negativa ou positivamente no seu aspecto humano de forma direta como pressão, porque a pressão sobre o sentimento, com ação de enfrentamento, não proporciona um resultado positivo. Por isso, o Islã se preocupa em proporcionar ao ser humano uma educação islâmica, que se abre para Deus e os valores espirituais que Ele, Elevado seja, aprecia. Assim, a pessoa se abre para o ser humano e para a vida por meio de Deus. O Islã deseja que o ser humano constitua em si raízes sobre as quais o afeto se sustente. É preciso educar-se para ser compreensivo, não influenciável, racional e não sentimental em demasia, no sentido de que treinemos os nossos pensamentos e sentimentos para enfrentar as situações de forma objetiva, levando em consideração os aspectos positivos e negativos nelas contidos, os pontos de força e fraqueza, para que este se transforme num sentimento do tipo que abranja várias dimensões de nossas vidas. Isso não significa que o Islã não deseja que o sentimento se solte para se explicar, mas deseja que a mente permaneça viva no coração do sentimento. Isso significa que o Islã confirma e aconselha o equilíbrio, orientado pela retidão, pois os princípios, os passos, os meios, os objetivos, e as relações do Islã devem influenciar o indivíduo quanto às questões em que ele acredita na vida, como ser humano crente em Deus e no Islã. À luz desses entendimentos, vamos ingressar no assunto diretamente. O Islã não proíbe o rapaz de ser

Muitos querem saber, com clareza, a opinião do Islã quanto ao amor físico do homem pela mulher e vice-versa

1 - I. é, Satanás (NE).

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atraído pela jovem por algum estímulo que influencie na operação de atração, representado pelo amor ou pelo afeto. Não proíbe, também, que a jovem seja atraída, enquanto a atração gerada por estímulos humanos equilibrados não rondem ambientes ilícitos e corruptos, no sentido de que a atração esteja presente em ambientes de relacionamento saudável. Nessa situação, pode acontecer que a tração de um pelo outro se transforme em relação lícita. Pode ser, contudo, que se desenvolva a relação em outro sentido, tornando-se um meio de se pensar em relacionamento ilícito. O Islã rejeita o pensamento que se transforma em sentimento de caráter desviado, mas não o sentimento que visa a resultados legais esperados. O Islã tentou fortificar esses sentimentos para não conduzir as partes para o desvio. Ele colocou as normas para todos os níveis de relacionamento, quanto ao olhar, ao toque, à reunião isolada entre homem e mulher, levando em consideração que o demônio será a terceira pessoa entre eles. Faz isso para que a situação sentimental não se transforme em situação desviada com a influência dos ambientes calorosos e as práticas erradas que leva

ambas as partes ao desvio. O amor é institucional no Islã, porém, qual é o movimento desse amor nas práticas entre homem e mulher? Ele se move para que sua prática ocorra na desobediência ou na obediência a Deus? Isso é que determina para o amor o seu significado legal no círculo do agrado a Deus, ou no círculo de Seu desagrado. O Imam Assádiq (a.s.) foi perguntado a respeito da opinião do Islã quanto ao amor. Ele respondeu: “Será que a religião é outra coisa além de amor?” O amor humano é uma questão natural que o homem não consegue anular ou proibir. É como o sangue que corre nas veias. Pode-se parar o fluxo do sangue nas veias? O Nobre Mensageiro (S) disse: “Amo três coisas neste mundo: o perfume, as mulheres, e o sossego dos olhos, a oração.” A mulher, então, é, como a oração, crença e pureza. É como o perfume, reanimador e tranquilizante. O amor ordinário e barato, porém, que se tornou um símbolo portado por todos que procuram o prazer ou procuram a relação sexual meramente animal, não é mais que um falso amor.

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O Islã, desde o primeiro dia, respeitou o amor. Pediu ao jovem para se casar com a jovem que ama, não a que o pai escolhe (se houver diferença de opinião), como pediu para não se casar a jovem com quem ela não ama ou deseja. O próprio amor, hoje, em dia, tornou-se o símbolo em que se pratica todo tipo de comércio sexual barato. O Islã não aceita isso. Quanto à conversa a respeito do politeísmo no amor, essa é uma situação psicológica em que o ser humano se envolve com a pessoa amada, que se transforma em situação de adoração. É o que vemos em muitas poesias amorosas, nas quais o amante expressa os seus sentimentos em relação ao amado com palavras de adoração e expressões similares. Foi o que acontece com os dois versos do Abul Kassim Ach-Chábi, na poesia “Orações no templo do amor”. Diz ele:

aos quais professam igual amor que a Ele.” (Alcorão Sagrado, 2:165). Os crentes não comparam Deus a ninguém. Eles amam as pessoas por meio de seu amor a Deus, na base da relação dessas pessoas com Deus. Apresentamos essa questão perante a sociedade para que as pessoas controlem seus sentimentos e os restrinjam aos limites impostos por Deus, Glorificado e Exaltado seja, nas suas práticas e dizeres, levando em consideração que devem olhar para os outros como sendo meros servos do Altíssimo. Quando são impressionadas pela beleza, devem saber que Deus é Quem concedeu essa beleza ao ser humano. Quando são impressionadas pelo heroísmo, devem saber que esse heroísmo é uma dádiva de Deus. Quando Deus está presente em nossa consciência, em nossos sentimentos, em nossas posições perante os outros, esses vão se tornando pequenos, cada vez mais, perante Deus. Assim, Ele Sozinho torna-se o Maior na nossa consciência, o Magnífico em nossos sentimentos, o Único, de Quem ninguém se aproxima mediante sua capacidade limitada de pensar e de sentir. Devemos saber que Deus nos ensinou que o Seu amor não é um mero sentimento do coração, mas, além disso, é um movimento real. O Livro Lúcido diz: “Dize: Se verdadeiramente amais a Deus, segui-me; Deus vos amará e perdoará as vossas faltas, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.” (3:31). O que devemos confirmar é representado pelo seguinte: Se dissermos a nós mesmos: “Amamos a Deus”, devemos confirmar o nosso amor com atos. Quando dizemos: “Desejamos que Deus nos ame”, devemos confirmar isso com a busca do amor a Deus por meio da obediência a Ele. Se amarmos a Deus e, então, o desobedecermos e nos rebelarmos contra a Sua vontade, seremos como o poeta disse:

Cada ser humano, homem ou mulher, possui afeto relacionado à dinâmica de seus sentimentos em relação a outras pessoas

“Você está acima da imaginação, da poesia e da arte, Acima do conselho e dos limites Você é a minha santidade, templo e minha manhã, Meu verão, minha primeira notícia, Minha eternidade”. Essa situação muitas vezes surge nas relações humanas e é dirigida a indivíduos de grande vulto - os líderes e heróis da sociedade - quando os admiradores se envolvem com o herói ou do líder, numa relação em que se esquece de tudo, menos do amado. A pessoa, neste caso, dispõe-se até a desobedecer Deus e entregar-se de corpo e alma ao ídolo, desviando-se do Caminho Divino para seguir o caminho daquele. Chega, inclusive, a matar pela causa do ídolo. Isso é o que acontece a alguns fãs que se suicidam após a morte de alguns cantores. Adorando-os sem perceber, adoram-nos por causa de suas belas vozes e o tomam como deuses. Este comportamento doentio se aproxima do politeísmo oculto, se não do politeísmo manifesto, que guarda no íntimo do ser humano uma pessoa santificada ao lado de Deus, glorificado seja. Isso é o que o Deus expressa a respeito, dizendo: “Entre os humanos há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele)

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“Desobedece a Deus, mostrando amor a Ele, Por sua vida, és, na realidade, inovador. Se o teu amor fosse sincero, O obedeceria, Pois o amante obedece ao seu amado”.


Ótica do Islã

Xeique Mohsen ‘Atawi

A Importância do Sexo

A

importância de algo está ligada aos vestígios que este “algo” deixa nas pessoas e nas coisas. Toda vez que seus vestígios interferem em outros círculos, necessita de maior cautela de quem observa o fenômeno. Assim sendo, o amplo espaço ocupado pela prática sexual, no Islã, é uma prova cabal da importância que esta religião

lhe dá. Vamos tratar disso em dois aspectos:

a) O significado das Coisas Boas A aflição, a usura e a consideração do celibato como incompatíveis com o espírito do Islã são características que o distinguem de outras religiões contemporâneas. Significa que o Islã desencoraja e

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até mesmo proíbe o impedimento do desejo sexual, descrevendo-o como uma das coisas boas que Deus, Exaltado seja, criou para ser desfrutada e saboreada pelo ser humano. As coisas boas, no Islã, são tudo o que é lícito e agrada à pessoa usar, fazer ou olhar. Entre essas coisas está o sexo. Se uma determinada comunidade abandonar e substituir as coisas boas que são permitidas ao ser humano, como vestimentas confortáveis, alimentos saborosos, moradias e transportes, etc., por vestimentas desconfortáveis e comida desgostosa, não será prejudicada, caso a substituição seja lícita e não cause males maiores. Porém, do lado educacional, é desgostoso deixar de desfrutar as coisas boas, porque Deus, ao agraciar o servo, gosta de ver o vestígio de Sua graça nele. Isso se torna patente quando o Alcorão Sagrado revela: “Dize-lhes: Quem pode proibir as galas de Deus e o desfrutar os bons alimentos que Ele preparou para Seus servos? Dize-lhes ainda: Estas coisas pertencem aos que crêem, durante a vida neste mundo; porém, serão exclusivas dos crentes, no Dia da Ressurreição.” (7:32). Talvez, a causa desta orientação seja guiar o ser humano em relação ao que há de bom no atendimento à necessidade física e na tranquilidade da alma, que constituem parte da felicidade. Abrange, também, louvor a Deus, Exaltado seja, algo que é exigido espiritualmente. Quanto à prática sexual, é ilícito para a comunidade evitá-la e abandonar o casamento, pois tal ato constitui em enorme dano; constitui na perdição da espécie humana. É dever do ser humano resguardar a sua existência. Em casos isolados e anormais é permitido não casar, mas é muito desaconselhável, porque faz parte da felicidade do indivíduo ter uma boa esposa ou a esposa, um bom marido. O sexo, sendo uma das coisas boas, que a pessoa deseja, pela sua natureza e consistência, deve ter o seu quinhão, a sua importância e a sua prática. Não lhe é permitido sair da ordem natural, pelo dano e pela anormalidade causados à norma da vida. Nas palavras de Deus, exaltado seja: “Ó

crentes, não vos priveis das coisas boas que Deus permitiu...” (5:87). Diz-se que o versículo foi revelado por causa do Emir dos Crentes1, de Bilal e de Osman Ibn Maz’um. Quanto ao Emir dos Crentes, ele jurou não dormir à noite nunca, Bilal jurou não quebrar o jejum durante o dia e Osman Ibn Maz’un jurou nunca mais ter relações sexuais. A esposa de Osman, que era uma mulher bonita, foi ter com Aisha2. Esta perguntou: “Que há com você, que está desleixada?” Respondeu: “Para quem devo me enfeitar? Meu marido não me procura desde tal data. Ele se tornou um monge, vestiu o hábito e ignorou o mundo.” Quando o Mensageiro de Deus (S) chegou, Aisha o informou a respeito do relatado. Ele saiu e fez um chamado para a oração em congregação. As pessoas se reuniram. Ele subiu ao púlpito, louvou a Deus e disse: “Que acontece com pessoas que proíbem a si mesmas desfrutarem das coisas boas? Fiquem sabendo que durmo durante a noite, tenho relações sexuais, e quebro o jejum durante o dia. Quem se negar de seguir o meu exemplo, não pertence a minha comunidade.” Os três acima citados se levantaram e disseram: “Ó, Mensageiro de Deus, juramos nos afastar destes atos.” Deus, então, revelou: “Deus não vos reprova por vossos juramentos fúteis e não intencionais.” (5:89). Por outro lado, o Islã não incentiva a cobiça das coisas boas de forma que o ser humano fique dependente delas e desesperado na sua ausência. O Islã rejeita que o prazer domine o ser humano e que este exagere ao desejá-lo, afundando-se e ultrapassando os limites. Não pode o alimento saboroso levá-lo a roubar. Não pode o sexo levá-lo à fornicação e à perversão, porque com isso se afasta da retidão. A cobiça em relação às coisas boas causa a queda do ser humano como vítima delas. Por isso, não se permite o exagero. Por causa disso, o muçulmano não se sente constrangido ao procurar os prazeres e gostar das coisas boas, entre as quais o desejo sexual. Ele não tem complexo, acompanhado de aflição e devaneio

O amplo espaço ocupado pela prática sexual, no Islã, é uma prova da importância que esta religião lhe dá

1 - I.é, o Imam Ali bin Abi Tálib (a.s.) (NE) 2 - Uma das esposas do Profeta (S) (NE)

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com o surgimento de tensão sexual existente no seu interior. Ao mesmo tempo em que ordenou o muçulmano satisfazer o seu desejo, o Islã educouo a se preocupar com as coisas sérias, a força de vontade e a vinculação com a Outra vida, para que o prazer deste mundo se torne desprezível perante o prazer da Outra Vida.

b) O Interesse da Lei Islâmica: Nos nobres textos islâmicos – entre versículos corânicos e tradições do Profeta (S) – destaca-se o profuso interesse com a atividade sexual do ser humano. Nesses textos tratou-se do assunto de vários ângulos: desde o início da maturidade sexual, que se inicia com a puberdade, acrescida de outros indícios, e o que foi disposto em termos de normas legais como a necessidade de cobrir-se, banhar-se, etc. Ou o que se relaciona ao casamento, sua ética, preparo, suas normas e relações, ou o que é relacionado com o adultério, tipos de perversões, suas normas e castigos pertinentes. Tudo isso foi trata-

do pela Lei Islâmica em detalhes e com profunda sinceridade, sem lugar para vergonhas ou tabus, uma vez que se trata de uma necessidade humana e um instinto natural. Se o Islã trata de todas as questões do ser humano e o orienta para a senda reta, é natural tratar da questão sexual de forma equivalente à sua importância e pertinência. O Alcorão Sagrado se concentrou em muitos versículos sobre a biologia do processo sexual, como sendo um dos milagres da constituição do ser humano que indicam a grandeza do Criador. Nas Suas palavras: “Não foi a sua origem uma gota de esperma ejaculada, que logo se converteu em algo que se adere, do qual Deus o criou, aperfeiçoando-lhe as formas, e dele fez dois sexos, o masculino e o feminino?” (75:37-39). E mais: “Que o homem considere, pois, do quê foi criado! Foi criado de uma gota ejaculada, que emana de entre a espinha dorsal e as costelas.” (86:5-7). Ele também se concentrou no ato sexual como constituindo uma das formas de desvio, de desobediência e de embelezamento do mal, por

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seu lado ilícito. Condena em vários versículos a voluptuosidade, o papel do demônio na desobediência e no adorno do mal. Ele condena o homossexualismo, a fornicação e considera estes atos uma agressão contra a natureza, por levar o homem a desviar-se da marcha natural, ultrapassando os limites de Deus e Sua organização com excessos e negligências. Abordou também o ato sexual quanto a seus objetivos e benefícios. O sexo é descanso, convivência e recato para o ser humano, nas palavras de Deus, exaltado seja: “Elas são vossas vestimentas e vós o sois delas.” (2:187). O Elevado também disse: “Entre os Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que com elas convivais; e colocou amor e piedade entre vós.” (30:21). Esses dois versículos mostram que o ato sexual não é mero ato mecânico, mas um ato vital, que proporciona profundidade no relacionamento entre homem e mulher insuperável por qualquer outro tipo de relacionamento. O sexo institui amor mútuo, o mais profundo amor, porque possui compaixão, o mais elevado grau de amizade. Estes sentimentos são resultados do ato sexual entre o casal. Nas Nobres Tradições, o Profeta (S) se coloca como exemplo nessa questão, incentivando os muçulmanos a se casar e estimulando-os a perguntar sobre tudo que desejarem nessa questão, com toda franqueza. Isso por causa do elevado nível de vícios e da vergonha inerentes a essas questões. Assim, os muçulmanos se abriam com o Mensageiro de Deus e lhe perguntavam sobre coisas que talvez se envergonhassem de perguntar se ele não tivesse removido as barreiras nesse sentido. Suas palavras são as mais famosas de serem lembradas: “As três coisas mais agradáveis do mundo são: perfume, mulheres e oração”, entre outras conhecidas. Uma vez que o ato sexual é aprovado e incentivado no Islã, a Religião destaca as seguintes questões: Primeiro: A ampla permissão e importância

dada ao casamento, nas suas várias formas: o permanente, que permite até quatro esposas; o temporário, firmado por um determinado tempo; as cativas, com quem se poderia ter relações compradas – isso no tempo em que havia esse tipo de relação. Segundo: O incentivo ao casamento prematuro para homens e mulheres. Terceiro: O interesse da Nação Islâmica em ajudar os que não têm meios de casar, fornecendolhes o dinheiro suficiente para constituírem família e vedar a proliferação da prostituição, proporcionando felicidade geral. Se é válido gastar os recursos do país para combater a fome, é também válido, na mesma proporção, gastá-lo para combater o sexo ilegal. Deus, Glorificado seja, quer para nós a facilidade e esse é o Seu caminho. Assim, cremos ter demonstrado neste estudo o valor e o interesse do Islã em relação a esta dimensão da realidade humana, considerando-a uma atividade natural e respeitada, um sistema para servir ao objetivo da vida, algo que não é, intrínseca e necessariamente, prejudicial. É necessário confirmar que o interesse pelo desejo sexual, no Islã, é completo, tanto para o homem como para a mulher. Se o texto em muitas oportunidades é feito no masculino, não significa preferir o homem e desprezar a mulher. O termo “homem” faz referência às pessoas em geral, de ambos os sexos. Talvez, o uso do masculino nas questões sexuais seja mais conveniente devido ao pudor, por ser o homem o agente e, naturalmente, quem toma a iniciativa. Não há nisso, porém, preferência do homem sobre a mulher. De qualquer forma, o interesse que o Islã demonstra pelo sexo mostra a vitalidade, a flexibilidade e a harmonia da sua Legislação com a natureza humana, da qual foram dotados o homem e a mulher. Isso também indica que o Islã está sempre a serviço do ser humano, pavimentando o su caminho para a felicidade.

As coisas boas, no Islã, são tudo o que é lícito e agrada à pessoa usar, fazer ou olhar. Entre essas coisas está o sexo

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Encontro de civilizações

O que Disseram a respeito do Islã

O

(S)} e a minha opinião é que ele está longe de escritor irlandês George Bernard ser o ‘anti-Cristo’; ele deve ser denominado Shaw disse: “O Islã é a religião ‘Salvador da Humanidade’. Creio que se alguém da democracia e da liberdade como ele assumisse o governo do mundo de pensamento. É a religião dos moderno, seria bem sensatos. Porém, há sucedido em resolver uma questão que não seus problemas e pode ser esquecida: Que Disse o escritor inglês de tal forma lhe o Islã é uma coisa e os proporcionaria a muçulmanos são outra. Bernard Shaw: ‘Sempre tive o Islã paz e a felicidade O Islã é excelente, necessárias. Tenho porém, onde estão os em alta estima por causa de profetizado a respeito muçulmanos? Sempre sua maravilhosa vitalidade da fé de Muhammad, tive o Islã em alta que será aceita pela estima por causa de sua Europa de amanhã maravilhosa vitalidade. como está começando É a única religião que me parece possuir a a ser aceita hoje em dia”. capacidade de mudar a fase da existência que se transformará no apelo de todas as épocas. Estudei O inglês Winthrop disse: “Admiro a esse maravilhoso homem {o Profeta Muhammad simplicidade do Islã, a sua sensatez, a ausência de Revista Islâmica Evidências - 51


disse: “Estranhos são os europeus. Eles complexidade, de crenças estúpidas, cerimônias continuam assumindo a posição de inimigos sem sentido, prelados que alegam estar atingindo dos muçulmanos sem nenhum motivo para isso. a divinização.” E afirmou: “Apesar de frequentar Continuam negando os direitos e os méritos dos a Igreja Anglicana, na realidade não pertenço muçulmanos. A Europa reconheceu os méritos a ela. Ao atingir os vinte anos de idade, ainda do Islã, porém um reconhecimento morno, vejo que a Igreja é muito beneficiada pelo que emitido por alguns eruditos. Eles disseram: ‘Os seus membros oferecem. Porém, não aceito as muçulmanos desfrutavam da mais desenvolvida suas crenças nem seus rituais e pontos de vista civilização enquanto a Europa estava insensatos.” Ele prossegue: “Não penso que seja mergulhada no mar da selvageria.’ Isso, porém, o único que vê no Islã uma forte atração. Tenho não é suficiente, porque o mérito do Islã não se um amigo com vinte e oito anos de idade, cristão limita à benevolência para com a Europa antiga, católico, que está ocupado em estudar o Islã e o mas continuou sendo-lhe benéfico e continuará Alcorão. Não é de se estranhar que esse católico, assim para sempre.” Ele continua dizendo: “Nós que nasceu em um ambiente de fanatismo, adote devemos reconhecer, nós que alegamos ter o Islã com convicção. É atraído por ele com uma atingido o ápice da civilização, que se não fosse vontade e força inabaláveis porque acredito que a educação islâmica o Islã se coaduna com e a sua civilização, a nossa época mais ciência, cultura e do que o cristianismo Se os ocidentais estudassem excelente organização com seus ensinamentos universitária, a e rituais.” Winthrop o Alcorão, estenderiam as mãos Europa continuaria se encerra a sua aos muçulmanos em vez de se debatendo nas trevas declaração, dizendo: da ignorância. Será “Creio que há na afastar deles e nutrir inimizade? que esquecemos que Europa muitas pessoas a tolerância islâmica é que não acreditam totalmente diferente do no cristianismo e não condenável fanatismo da Europa de antigamente vêem nele o que se coaduna com o espírito da e de agora? Será que esquecemos que os povos civilização. Apesar de não lhes ser facilitado muçulmanos se fortaleceram, se desenvolveram conhecer o Islã, eles o adotam em grupos.” e criaram uma civilização perene, isso durante Sir Lawndry Lobon disse: “Creio que a o califado, enquanto os nossos antepassados se religião de Muhammad é uma religião forte, matavam e levavam uma vida de decadência baseada em firmes fundamento e ensinamentos e ignorância? Como pode o coração se encher que beneficiam a humanidade e defendem seus de ódio aos muçulmanos, negando o seu favor, interesses.” negando as obras que promoveram, as produções O inglês Edmund Waller disse: “Toda religião que deixaram no interior dos livros e sobre a face que não leva em consideração a civilização em da terra? Devemos lembrar, envergonhados, a suas diferentes fases deve ser rejeitada, pois destruição de centenas de milhares de volumes, conduz os seus seguidores à perdição. A religião devido ao fanatismo excessivo do cristianismo verdadeira que leva em consideração o espírito cego! Que foi que os muçulmanos fizeram da civilização é a islâmica.” conosco por isso? Eles nos perdoaram devido à generosidade e a sublimidade de seu caráter, Collan disse: “Na realidade, o Islã é a como o pai carinhoso perdoa os erros de seu religião de progresso e da civilização. A prova filho ignorante! Devemos reconhecer que a disso é que os muçulmanos desenvolveram Europa cristã empenhou tudo ao seu dispor, em todos os locais que conquistaram. Foram eles todos os séculos passados, para apagar o mérito que transportaram a civilização persa para a dos muçulmanos sobre ela, mas não teve sucesso Espanha.” e não terá, porque as obras resplandecentes e a O famoso escritor inglês, Mr. Leonard, 52 - Revista Islâmica Evidências


diz: “O Islã é uma religião fácil para as pessoas conduta generosa são impossíveis de serem o adotarem porque está espalhado em todas ocultas ou camufladas. Mesmo sendo coberto as partes do mundo, pelas nuvens, os raios e mesmo nos confins o calor do sol indicam Será que esquecemos que da Ásia, África, a sua existência! A Europa e América.” Europa e o continente a tolerância islâmica é totalmente Disse também: “Os cristão no futuro – sem diferente do condenável muçulmanos são dúvida – reconhecerão fortemente ligados o mérito do Islã e dos fanatismo da Europa de às suas pátrias e muçulmanos. Ela será antigamente e de agora sacrificam tudo por obrigada a reconhecer a isso. Creem que é religião perene e eterna, dever dos muçulmanos a religião monoteísta do dar apoio a um irmão muçulmano e lhe conceder Islã.” a ajuda possível. Prezam as suas crenças e não O Sr. Eugene disse: “Nós, os europeus, permitem que alguma pessoa as ofenda. Esse reconhecemos que não podemos, em nenhuma laço que une os muçulmanos é o que chamamos hipótese, pagar os árabes devidamente pelos de Jami’a Islamiya (União Islâmica)”. Ele serviços prestados à ciência e à civilização. encerra suas palavras, dizendo: “Esta é a São os nossos professores, dos quais religião do Islã e estes são os muçulmanos. recebemos todo tipo de ciências e artes. O que dissemos sobre ambos não é exagero.” A ciência, entre nós, estava restrita aos A Doutora Salonas Hassan Ismail, a conventos e às celas, num ambiente propagadora islâmica do Centro Islâmico muito restrito.” Ele continua, dizendo: de Califórnia, que obteve o grau de “Os árabes nos proporcionaram lições doutoramento em doenças das mulheres, de tolerância e de generosidade. Eles disse: “A sociedade americana está não obrigaram os povos que eles pronta para receber os pensamentos dominaram a adotar a sua religião. islâmicos, com a condição de que Eles respeitavam todas as religiões, sejam bem expostos. É exigido da mesmo sendo estas muito mulher muçulmana que seja um débeis e de poucos seguidores. belo exemplo da sua religião.” Ela Não se pode esquecer que citou que teve certeza disso durante a peculiaridade do Islã é se o seu trabalho no Centro Islâmico empenhar pela paz mundial. de Califórnia, que é frequentado por Quem se relaciona com os 300 mil muçulmanos, de todas as muçulmanos se certifica que nacionalidades. Devemos citar possuem corações límpidos, que a Doutora Salonas é uma das livres de qualquer ódio e personalidades que adotou o Islã rancor. Ele se empenham e se prontificou a divulgá-lo. na conciliação dos corações e dos O pesquisador espíritos. Se os estadunidense, Muss’ab ocidentais estudassem Abdullah, depois de se o Alcorão, estenderiam converter ao Islã, disse: “A as mãos para os conversão dos americanos muçulmanos em vez de é algo estranho. O estranho se afastar deles e nutrir é que não ingressem todos os inimizade.” Em outro americanos na religião de ponto em seu livro, Deus, em grupos.”

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Respeito

Insultar o Profeta do Islã Renova a Pergunta:

Quem Odeia Quem?

A

questão das caricaturas: liberdade de expressão ou discriminação cultural? A agressão ao Profeta Muhammad (S) com as caricaturas de um jornalista desconhecido num jornal insignificante da longínqua terra da Dinamarca despertou um acalorado debate de proporções mundiais. Foi dito naquela oportunidade que se tratava de um caso de desvio de comportamento de um homem ignorante, um fato que não se deveria levar em consideração. Porém, aquele caso isolado naquele país longínquo tornou-se, depois de quatro meses, um grande incêndio, rapida-

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Profeta todos os que puderem”.


mente globalizado, com suas chispas se espalhando por toda a terra. Essa mudança de qualidade do acontecimento de particular e limitado para algo geral e amplo foi resultado de um ato propagandístico, tanto dos que o consideraram uma expressão do direito e liberdade de expressão e opinião, quanto dos que se colocaram do outro lado, alegando violação dos limites desse direito. Analisando-se ambos os lados, não se pode duvidar da veracidade e da razão dos que protestaram irritados, de acordo com o que é estabelecido, conhecido como necessário, lógico e moral. A liberdade do indivíduo ou da sociedade cessa quando se inicia a liberdade dos outros. Se isso é propagado e verdadeiro em relação aos indivíduos, geral e individualmente, é mais necessário e mais verdadeiro ainda quando se trata de profetas e mensageiros de Deus. O que nos surpreende e desgosta não é apenas a ousadia de uma pessoa ou agência de notícias atacar o Profeta do Islã e os locais sagrados dos muçulmanos. Os fanáticos, os insultadores, os rancorosos e os provocadores estão presentes em todas as sociedades, e são muitos no Ocidente, principalmente quando se trata de questão islâmica. É uma pena que as vozes dessas pessoas sobrepujaram as vozes dos intelectuais ocidentais sensatos e corretos. Porém, o que surpreende e ressente também, com maior gravidade, é o comportamento dos governos e juízes da Dinamarca, onde se supõe que suas posições deveriam estar livres de fanatismo, mais afeitas à justiça e ao interesse geral. Não é correto que a mofa e o ataque ao Profeta do Islã (S) e aos símbolos dos muçulmanos seja considerado “liberdade de expressão”, porque o que aprendemos no estudo das leis é que não há liberdade absoluta a não ser no que diz respeito a liberdade de crença e de pensamento. Quanto à expressão, é uma conduta social que deve ser orga-

nizada em qualquer sociedade civilizada. Para os especialistas em jurisprudência no sistema anglosaxônico e no sistema latino, além da Lei Islâmica, a liberdade de expressão é protegida pela lei contanto que esteja à serviço de qualquer questão social e não represente agressão aos outros. O tribunal Superior dos Estados Unidos tem uma série de veredictos nesse sentido. A expressão reiterada naqueles veredictos diz que a proteção da liberdade de expressão permanece garantida enquanto estiver dentro do limite mínimo do resgate do valor social. A expressão em inglês é: A minimum of social redeeming value. Todos os códigos condenam o insulto e a injúria às pessoas, para que isso não se torne uma espécie de liberalidade excessiva, porque o insulto nessa situação é considerado agressão a uma outra pessoa. Portanto, é mais merecedor de castigo o insulto a um Profeta, como o do Islã (S), em cuja missão quase um terço da humanidade acredita. Mesmo se aceitarmos que não há textos nas leis dinamarquesas que castiguem a conduta do jornal, há uma obrigação moral e política que obriga as autoridades responsáveis pelo país a condenar aquela conduta, à partir da proteção às crenças religiosas e em defesa da diversidade cultural. A falta de uma posição firme por parte do governo dinamarquês quanto aos ataques ao Profeta do Islã (S) abre a porta para muitos conflitos, entre eles guerras culturais sem utilidade para ninguém. No limite teríamos o corte das relações entre os povos e culturas, no lugar do estreitamento das relações, a luta em lugar de cooperação. Não se crê que é isso que o governo dinamarquês deseja. De qualquer forma, a agressão continua gritante. Se o Ocidente, com seus ataques ao cerne da crença islâmica, representado pelo Selo dos Profetas (S), deseja que nos desculpemos de crer na

A liberdade do indivíduo ou da sociedade cessa quando se inicia a liberdade dos outros

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religião de Muhammad (S), ou neguemos a sua missão, ou reconheçamos algum erro cometido por Muhammad (S) a respeito de Jesus e Moisés (a.s.), que fique sabendo que: 1. Não podemos e não temos o direito de crer em uma parte do Livro e negarmos outras; 2. Somos uma comunidade em que o amor ao Profeta (S) faz parte da crença e de seu âmago, não importa se Muhammad (S) esteja vivo ou morto. Sendo assim, não aceitamos qualquer insulto nem difamação quanto ao que cremos, sob qualquer circunstância; 3. No mesmo nível, e sem nenhuma diminuição no mínimo que seja, não aceitamos insultos a qualquer profeta, desde Adão (a.s.) e passando pelos profetas Moisés (a.s.), Jesus (a.s.) e finalizando com o Profeta Muhammad, o Selo dos Profetas (S). A crença nos profetas é um dos pilares do Islã. Por isso, não permitimos que ninguém insulte qualquer profeta ou Mensageiro, não importa quem seja. Que o Ocidente fique sabendo que todas as proibições, as permissões, os códigos e as

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leis nada valem se o Islã, a crença ou os símbolos religiosos correrem perigo ou sofrerem difamação. Agora, temos de confessar que os protestos que se espalham pelo mundo por causa das caricaturas difamatórias ao Mensageiro de Deus (S) não estão no nível do insulto que os muçulmanos, o Mensageiro e a crença islâmica receberam, sem falar na tradição árabe islâmica e nos povos, nas nações, na história e na civilização. Contudo, a maioria absoluta das pessoas no Mundo Islâmico não teve acesso às caricaturas. Se vissem os desenhos publicados pelo jornal dinamarquês e analisassem o que eles expressavam, compreenderiam que estão diante de um desafio gravíssimo, em todos os sentidos. Desafio calculado, que faz parte de planos e maquinações intencionais, maléficas, discriminatórias, rancorosas, arquitetadas de forma secreta e com profundidade inimaginável. Finalmente, a realidade renova outra pergunta formulada no início da nossa conversa a respeito da alegada inimizade dos muçulmanos ao Ocidente: Quem na realidade odeia quem?


Lições Suscintas

Assayyed Charif Sayyed

O Coração da Sociedade

“Só frequentam as mesquitas de Deus aqueles que crêem em Allah e no Dia do Juízo Final, observam as orações, pagam a zakat e não temem ninguém além de Deus. Quiçá, estes se contem entre os encaminhados” (9:18). Revista Islâmica Evidências - 57


“L

ogo após a chegada do Mensageiro de Deus (S) a Medina Munauwara (1) e, com ele, dos primeiros muhajirun (2), o Profeta Muhammad (S) anunciou a construção de uma mesquita e convocou todos os muçulmanos a colaborar na obra. Dessa forma, os crentes, juntamente com o seu Profeta (S), começaram a disputar o transporte das pedras e levantamento das paredes. Ammar Ibn Yássir (R) carregava duas pedras enquanto os outros carregavam uma só. Ouvia-se a entoação de versos de poesia durante a abençoada construção:” Não se igualam os que frequentam as mesquitas, Que permanecem nelas em pé e sentados E quem considera a terra como empecilho. Quando terminou a construção, o Mensageiro de Deus adotou-a como sede de administração dos assuntos dos muçulmanos e dos habitantes de Medina. Transformou-a no ponto de partida para a saída dos exércitos conquistadores e ponto de reunião dos mujáhidin (3). Estabeleceu-a como escola de conhecimento e de jurisprudência religiosa, como ninho de adoração e um importante eixo para vincular-se a Deus, exaltado seja. Assim, a mesquita tornou-se o coração da comunidade, que insufla em todos os seus níveis e interstícios o espírito da vida, da prática religiosa e da dedicação. A partir daquela nobre e abençoada construção pioneira, as mesquitas passaram a se espalhar no mundo com a expansão dos muçulmanos e o ingresso das pessoas em grandes multidões na Religião de Deus. As mesquitas desempenharam e desempenham, até hoje, um papel destacado nas comunidades muçulmanas. Delas surgiram lâmpadas para

iluminar os caminhos do bem e do conhecimento, universidades em que se formaram caravanas de cientistas e portadores da mensagem celestial. Sim, a ciência casou-se com a religião nas mesquitas muçulmanas. Se recorrermos às obras dos sábios que se destacaram no mundo islâmico, em todos os campos da ciência, como medicina, astronomia, ótica e química, entre outros, verificaremos que estes estudos começaram nas mesquitas, onde muitos especialistas se formaram. Então, partiram para os campos de sua especialização da mesma forma que os sábios religiosos iniciaram-se nos campos da exegese, da jurisprudência e da tradição. Com a bênção das mesquitas, os muçulmanos não enfrentaram obstáculos para a especulação científica e os seus jurisprudentes não tiveram conflito com as teses científicas experimentais, porque muitos cientistas naturais eram também jurisprudentes. Muito diferente do que a Igreja fez com os cientistas e os pensadores no Ocidente cristão. Sim, das mesquitas de Medina Munauwara, de Kufa (4), de Bagdá e da Andaluzia (5) os benefícios da ciência e do conhecimento se espalharam pelo mundo ao ponto de os não muçulmanos se dirigirem às mesquitas à procura do conhecimento. Quanto mais os muçulmanos são conscientes do papel da mesquita e das excelências que deixaram em suas vidas e condutas, mais trilham os caminhos do bem em si mesmos, em sua educação e retidão. A principal função da mesquita é ser filtro de todas as enfermidades e desvios que atingem o ser humano, em contato com o seu ambiente social. Ele sai da mesquita com o coração puro, de alma purificada, de conduta reta para a vida. Assim, a vida se desenvolve com dedicação. Por isso, surgiram as tradições que apelam para a

A mesquita tornou-se o coração da comunidade, que insufla em todos os seus níveis o espírito da vida, da prática religiosa e da dedicação

(1) Isto é, “Cidade Iluminada”, como é conhecida a cidade de Medina, para onde o Profeta Muhammad (S) e os primeiros muçulmanos emigraram e onde o Mensageiro de Allah (S) estabeleceu o primeiro governo islâmico na Terra. Este evento, a Hijrah, marca o início do calendário islâmico (NE). (2) Isto é, “emigrantes” (NE). (3) Isto é, “combatentes” (NE). (4) Importante cidade do atual Iraque, onde floresceram grandes escolas de pensamento islâmico (NE). (5) Nome dado, em árabe, à região atualmente ocupada pela Espanha e Portugal (NE).

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necessidade do apego às mesquitas, e a sua perene frequência. O Emir dos Crentes (a.s.) (6) disse: “Quem frequenta a mesquita aufere uma de oito coisas: um irmão útil em Deus, um conhecimento raro, um versículo objetivo, uma piedade esperada, uma palavra que o inibe do mal, uma sunna para ser segui da, uma palavra ouvida que o orienta para o bem, ou o faz abandonar um mal, por temor ou pudor.” O Imam Ali (a.s.) também disse: “Sentar na mesquita é preferível, para mim, do que sentar no Paraíso, porque no Paraíso eu satisfaço a mim mesmo e na mesquita satisfaço a meu Senhor.” As narrativas são muitas advertindo os muçulmanos para não abandonar as mesquitas. O Imam Assádiq (a.s.) disse: “Três coisas se queixam a Deus, exaltado seja: A mesquita abandonada, onde as pessoas não rezam; o sábio no meio de ignorantes; um Alcorão pendurado cheio de poeira, que ninguém lê.”

Como a sociedade necessita de hospital para tratamento das doenças físicas, o ser humano necessita mais da mesquita, porque nela tratam-se doenças espirituais quanto à moral, à conduta, ao relacionamento, à superação das crises, orientando a comunidade para as sendas do bem. Deus, exaltado seja, diz: “(Semelhante luz brilha) nos templos que Deus tem consentido sejam erigidos, para que neles seja celebrado o Seu nome e neles O glorifiquem, de manhã e à tarde. Os homens a quem os negócios e as transações não desviam da recordação de Deus, nem da prática da oração, nem do pagamento da zakat. Temem o dia em que os corações e os olhos se transformem, Para que Deus os recompense melhor pelo que tiveram feito, acrescentando-lhes de Sua graça; sabei que Deus agracia imensuravelmente a quem Lhe apraz.” (24:36-38).

Delas surgiram lâmpadas para iluminar os caminhos do conhecimento, universidades em que se formaram caravanas de cientistas

(6) sto é, o Imam Ali bin Abi Tálib (as) (NE).

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Bênçãos Divinas

Os Horizontes da Misericórdia e os Climas de Afeto - 1

V

ocê abre os olhos, ainda criança, para ver o doce sorriso carinhoso pairando no seu rosto. É o sorriso de compaixão de sua mãe, a companheira amorosa. Os seus sentimentos começam perceber o que está ao seu redor. Você vê um pai inclinar-

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se até você, irmãos que lhe tratam com benevolência, um avô ou uma avó tratando-o com muito carinho. Então segue as fases da vida e irá encontrar muitas pessoas que o amam e o respeitam, sendo afetivo com eles e eles com você. Quando alcança a fase de adulto, o seu co-


ração vibra por alguma moça que você almeja que seja sua companheira na vida, como esposa sincera e fiel, amada e obediente. Assim, você alcança o que deseja. Deus coloca entre vocês amor e compaixão e a vida se torna agradável, cômoda, os dias serenos com a graça da afinidade, da convivência e a participação nas alegrias e nas tristezas. São agraciados, então, com filhos e filhas e encontram no coração um amor pleno e uma compaixão enorme, que vocês dividem entre cada um deles. Conta-se que uma mulher passou, um dia, na frente da mesquita do Profeta (S), abraçando o filho, perdidamente apaixonada por ele. O Profeta (S) disse aos companheiros: “Olhem para a compaixão dessa mulher pelo filho. Fiquem sabendo que Deus é mais compassivo com os Seus servos do que essa mulher pelo filho!” O Profeta (S) passou um dia por uma pomba protegendo os ovos sob as asas, com cuidado e carinho, esperando ter filhotes que voassem ao seu redor, abrindo os seus pequenos bicos, pedindo alimento. Ela coloca na boca de cada um uma semente cujo sabor se mistura com o sabor do amor dela. O Mensageiro de Deus disse: “Observem a compaixão dessa pomba com os seus ovos. Certamente a compaixão de Deus pelos Seus servos é muito mais forte do que a compaixão da pomba pelos filhotes.” Portanto, esse é um mundo fundamentado na compaixão, que significa afeto, delicadeza, bondade e graça. Só se manifesta pelo coração puro, amoroso. Ao amar a outro você será compassivo com ele; se ele amá-lo, será compassivo consigo. Se vocês se amarem mutuamente, a compaixão se espalhará e as pessoas respirarão o seu perfume. Perguntamos: Por que, então, essa crueldade em todas as direções para onde nos vira-

mos? Crueldade nos lares, entre amigos, perpetrada por alguns governantes e mandatários, crueldade entre organizações e nações? Se a compaixão for extraída do coração, só sobrará a dureza das pedras, a argila endurecida, os espinhos contundentes, as garras e os dentes. O carrasco, o tirano, o criminoso, o violento, o sem sentimento, talvez sintam prazer com a sua dureza, da mesma forma que o amoroso, o carinhoso, o delicado, o amigo, o afetuoso, cujos sentimentos são puros, sente prazer em amar e ser amado, em ter compaixão e ser compassivo. Onde você se classifica no meio de todos? A classificação aqui é muito importante. Dela depende a divisão entre insensíveis e compassivos, entre os que possuem fontes de amizade nos corações e aqueles cujos corações fervem como fogo ao ponto de, ao nos aproximarmos deles, ouvirmos a sua crepitação. Porém, será que compaixão significa amor, afeto, delicadeza e benevolência, apenas? O seu pai, quando é rígido na observação, nas exigências, nas palavras de advertência e de ameaça, ou até quando é violento em atos, será que, do seu ponto de vista, está sendo duro com você? A compaixão dele em relação a você é que o leva a censurá-lo quando você erra, ou quando persiste no erro. A sua compaixão para com você é que o leva a ser duro, sem relaxar e negligenciar as suas obrigações e responsabilidades. A sua compaixão com você é que o leva a fazê-lo ouvir palavras de conotação áspera, para que você acorde e corrija os seus erros. Ele não utiliza esse método imediatamente, mas o adverte e o aconselha várias vezes antes de recorrer a um método mais rigoroso.

Você abre os olhos, ainda criança, para ver o doce sorriso carinhoso pairando no seu rosto. É o sorriso de compaixão de sua mãe, a companheira amorosa.

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O cirurgião que amputa um membro gangrenado do corpo, ou um órgão que pode expor os outros ao perigo, é um médico compassivo com o seu paciente e não duro com ele. Ele é compassivo pelo resto do corpo, com receio de que a enfermidade se estenda. Por isso, ele é compassivo, mesmo utilizando os instrumentos e os bisturis para cortar. Da mesma forma funciona a compaixão de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Quando Ele nos coloca à prova com dores e atribulações, isso não é vingança d’Ele ou desejo de nos agredir, porque quem precisa de vingança é o fraco e Deus está totalmente distante disso. A prova também é uma compaixão de Deus, mesmo que não consigamos avaliar a influência e o resultado dela. É uma mensagem de advertência, admoestação e lembrança, da mesma forma que o descobrimento dos dons, das capacidades e dos temperamentos. A prova é para separar o bom do mau, o forte do fraco, o firme do tombado. Deus, Exaltado seja, diz: “Porventura, pensam os humanos que serão deixados em paz, só porque dizem: Cremos!, sem serem postos à prova? Havíamos testado os seus antecessores, a fim de que Deus distinguisse os leais dos impostores.” (29:23). Ele nos conhece antes e depois de nos colocar à prova. Porém, nós, os seres humanos, precisamos de discernimento e serenidade em nossa vida, para não nos perdermos nem misturarmos as medidas, fazendo com que o bom e o mau se igualem. Clemência e Misericórdia são dois atributos de Deus. Clemência significa que a pessoa tem muita misericórdia e Misericórdia significa que alguém é sempre misericordioso. Se a miseri-

córdia de Deus fosse muita e não permanente, estaríamos em perigo em algumas oportunidades. Ela pode ser muita em algum tempo e ausente em outro. Porém, se nos conscientizarmos que é muita e permanente, à nossa disposição a todo o tempo e em todo lugar, sentimos sossego e tranqüilidade, como quem leva sempre água consigo não sente receio de morrer de sede. Mesmo se fossemos como Jonas (a.s.) no ventre da baleia e nos lembrássemos da enorme e permanente misericórdia de Deus, ela nos alcançaria: “E (recorda-te) de Zan-Nun quando partiu, bravo, crendo que não poderíamos controlá-lo. (Depois) Clamou nas trevas: Não há mais divindade do que Tu! Glorificado sejas! É certo que me contava entre os injustos!” (21:87). Não deixamos de ter misericórdia dele: “E o atendemos e o libertamos da angústia. Assim salvamos os crentes.” (21:88), que acreditam na misericórdia de Deus. É misericórdia abrangente, neste mundo, no túmulo e na Outra Vida. Deus assumiu para Si a misericórdia, e a nossa esperança e desejo é alcançá-la ampla e permanentemente. Deus a assumiu como atributo d’Ele. Certamente, Ele é Severo no Castigo, porém, a Sua misericórdia supera a sua ira, Sua indulgência e benevolência são bem mais amplas do que Sua ira, vingança e ódio. Um intelectual disse: “Vivi por toda a vida com medo de Deus. No fim, descobri que Ele é Agradável.” É educar mal os pais e os professores se concentrarem no atributo da severidade de Deus, apenas. Eles retratam Deus como duro, de visão penetrante, olhando as pessoas com cólera, com ódio saindo pelos olhos, com um único desejo: vingança. Não desejamos diminuir o castigo de

Esse é um mundo fundamentado na compaixão, que significa afeto, delicadeza, bondade e graça, manifestos pelo coração puro e amoroso

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Deus. Da mesma forma que o Paraíso é amplo: “cuja amplitude é igual à dos céus e da terra.” (3:133), o Inferno também é tão amplo que quando o Senhor lhe pergunta: “Estás já repleto? E responderá: Há alguém mais?” (50:33). Porém queremos lembrar o que Deus disse a respeito de Sua misericórdia e castigo: “Disse: Com Meu castigo açoito quem quero e Minha clemência abrange tudo.” (7:156). O prato da misericórdia é mais pesado. Por isso, o Imam Ali Ibn Abi Tálib (AS) disse: “O jurisprudente é aquele em que as pessoas não se desesperam da misericórdia de Deus.” É excelente a esperança que o mestre, o educador, o irmão, o amigo compassivo plantam na minha alma, lembrandome da amplidão, permanência e abrangência da misericórdia de Deus, que me faz arrepender-me, reformando, à luz disso, a minha marcha, abrindo uma nova página, respirando por seu intermédio os ventos suaves, e não os ventos ardentes que eu respirava enquanto estava distante da misericórdia d’Ele. Vamos observar com profundeza o seguinte caso: O Imam Ali Ibn Hussein (a.s.) viu uma pessoa pendurada na cobertura da Caaba, chorando e gritando: “Ó, Allah, perdoa-me, mas sei que não irá perdoar-me.” O Imam estranhou as suas palavras, negando-as. Disse-lhe: “Vejo você desesperado da misericórdia de Deus. O que você tem?” A pessoa chorosa e desesperada disse-lhe: “Se você soubesse o que fiz, saberia o motivo de meu desespero na misericórdia de Deus.” Perguntou-lhe o Imam: “O que você fez?” Respondeu: “Fui um dos que saiu para combater o seu pai.” Ali Ibn Hussein (a.s.) disse: “O seu desespero da misericórdia de Deus é mais grave do que ter combatido o meu pai.”

Podemos generalizar: “O seu desespero da misericórdia de Deus por qualquer motivo, não importa quão grave seja, é pecado gravíssimo. É ignorar a amplidão da misericórdia de Deus. É a sentença de morte pessoal. Deus, exaltado seja, diz: ‘Ó servos Meus, que se excederam contra si próprios, não desespereis da misericórdia de Deus; certamente, Ele perdoa todos os pecados, porque Ele é o Indulgente, o Misericordiosíssimo.’” (39:53). Podemos resumir tudo da seguinte maneira: 1- A misericórdia de Deus é muita, pois Ele é Clemente. 2- A misericórdia de Deus é permanente, pois Ele é Misericordioso. 3- A misericórdia de Deus é ampla: “Se te desmentirem, dize: A clemência de Vosso Senhor é ampla” (6:147). 4- Deus impôs a misericórdia a si mesmo: “Que a paz esteja convosco! Vosso Senhor impôs a Si mesmo a clemência” (6:54). 5- A misericórdia de Deus supera a Sua ira. 6- Se não fosse a misericórdia de Deus, seríamos desventurados: “Se não fosse pela graça de Deus e pela Sua misericórdia para convosco, contarvos-íeis entre os desventurados.” (2:64). 7- Se não fosse a misericórdia de Deus, perderíamos a esperança e a vida seria um Inferno insuportável. 8- Deus não necessita de nosso castigo, e nós somos pobres e necessitamos da Sua misericórdia: “Teu Senhor é, na Sua Opulência, Misericordiosíssimo” (6:133). 9- O desespero da misericórdia de Deus é incredulidade: “Porque não desesperam da Sua misericórdia senão os incrédulos.” (12:87). 10- O desespero da Misericórdia de Deus é extravio: “Disse-lhes: E quem desespera da misericórdia do seu Senhor, senão os desviados?” (15:56).

Se a compaixão for extraída do coração, só sobrará a dureza das pedras, a argila endurecida, os espinhos contundentes, as garras e os dentes

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Atualidades

Proteção Ambiental A Fauna

O animal é companheiro do ser humano desde os primórdios de sua vida. Não estava o corvo presente no local onde aconteceu o caso de Caim e Abel? Não desempenhou a ave, particularmente a pomba, um papel importante na história de Salomão (a.s.)? Quantos animais foram citados no Alcorão! Deus, o Altíssimo, colocou-os a serviço do ser humano, para montálos, utilizá-los nas suas vestimentas, na elaboração de suas riquezas, remédios, para se alimentar de sua carne (dos animais que são lícitos, obviamente). É uma excelente dádiva divina. Por isso dizemos sempre durante os agradecimentos do Dia do Sacrifício : “Louvado seja Deus pelo que nos concedeu de animais.”

vido à caça predatória, desorganizada. O meio ambiente possui regras que devem ser respeitadas. O primeiro beneficiado é o homem, senão haverá certamente desequilíbrio. Por exemplo, há períodos específicos para a pesca; há períodos em que esta atividade é proibida devido à procriação. Se não respeitarmos o período de multiplicação e crescimento dos peixes, estaremos privando muitas pessoas de uma enorme fonte de alimentos, que poderia sanar a fome de uma grande parte da população.

A Lei Islâmica permite ou proíbe a caça e a pesca, dependendo da época do ano, para preservar a fauna

A fauna abrange todos os animais terrestres, marítimos e aves. Constitui uma riqueza inestimável. Os cientistas ligados ao meio-ambiente falam sobre a extinção de alguns animais, que só são citados, atualmente, em obras científicas ou encontrados empalhados, em museus de história natural, onde ainda é possível encontrar fragmentos de seu esqueleto. Alguns foram extintos de-

Há limites e linhas vermelhas que não devem ser ultrapassadas. Se essas regras não forem respeitadas, animais e peixes desaparecerão ou o escopo de sua existência será reduzido ao mínimo. A Lei Islâmica permite e proíbe a caça e a pesca, dependendo da época do ano, para que o ser humano se beneficie delas permanentemente, obtendo seu alimento, sua vestimenta, sua pele, utilizando suas penas e sua lã, mesmo para o embalsamento. Quanto à caça esportiva, desprovida de benefícios práticos, é proibida pelo Islã e quem a praticar estará pecando.

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A Riqueza Hídrica

A falta de água no mundo ameaça a eclosão de guerras. Alguns a monopolizam e restringem; outros estão prestes a morrer de sede. Parte da privação é causada por conflitos entre países; parte por pecados cometidos pelas pessoas. Não vimos o que Noé (AS) disse a seu povo?: “Implorai o perdão do vosso Senhor, porque é Indulgentíssimo; enviar-vos-á do céu copiosas chuvas, aumentar-vos-á quanto aos vossos bens e filhos, e vos concederá jardins e rios.” (Alcorão Sagrado, 71:10-12). Outra causa da falta de água é o seu mau uso e consumo irracional. O desperdício da água é maior do que imaginamos. Os pingos da torneira defeituosa podem encher grandes caixas. Uma olhada rápida sobre o nosso método de uso da água esclarece que desperdiçamos água exageradamente.

água potável, nos rios e especialmente na água corrente. Em muitos casos, estamos colaborando com a matança e enterro de uma bela lagoa ou de um caudaloso rio, pelo que jogamos de pedras, garrafas vazias, lixo dos mais variados tipos e tamanhos. Matamos a lagoa intencional ou inadvertidamente. Quando ela seca, ou se torna mera superfície aquática poluída, ficamos lamentando: “Como era linda e poética aquela lagoa que esteve aqui um dia!”. Os biólogos descobriram que o salmão necessita de águas limpas para se multiplicar. Por sua vez, os riachos em que ele vive necessitam de florestas saudáveis. O admirável nisso tudo é que, segundo estudos mais recentes, as próprias florestas necessitam do salmão para permanecer vivas. Como é isso? Simples: na natureza, um ser vivo depende do outro, estando todos nós intimamente ligados. Glorificado seja Quem criou e aperfeiçoou tudo, e que predestinou e encaminhou a Sua criação!

Deus não gosta de desperdício, mesmo das sementes ou sobra de água

Quando precisamos de meio copo d’água, enchemos o copo todo e jogamos o resto no ralo. Tomamos banho de chuveiro com certa quantidade de água; porém, se utilizarmos a banheira, gastamos muito mais. A dona-decasa lava a louça, deixando a torneira aberta até o final da lavagem, entre outros exemplos. Como parte da preservação do meio-ambiente da agressão humana, o Islã proibiu o desperdício da água, mesmo a que sobra no copo. Que diríamos, então, sobre a lavagem dos carros, quando muitas vezes deixa-se a água escorrendo sem parar, ou a rega do jardim, de maneira constante e desnecessária, deixando o regador aberto toda a noite? E a falta de manutenção dos canos de água? Para a conservação e preservação da água potável, o Islã proibiu urinar e defecar nas reservas de

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Fontes de energia A energia solar é inesgotável – pelo menos nos próximos bilhões de anos. É o que afirmam os astrônomos. Os poços de petróleo, por outro lado, têm um tempo predeterminado para se esgotar. O mesmo acontece com o gás e os demais dos combustíveis. Se não fosse isso, o homem não estaria pensando em obter energia alternativa, como a nuclear, solar, eólica ou hidráulica.


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Há muitos outros exemplos de desperdício As lâmpadas que permanecem acesas até dude energia. Alguns que não estudam o problerante o dia, sem necessidade efetiva, quer nos lama racionalmente, dizem: “Eu pago pelo uso da res, quer nos estabelecimentos comerciais, consenergia, por que tenho de prestar contas daquitituem desperdício de energia. Deixar o aparelho lo que pago?”. A fatura da energia elétrica cerde rádio ou de televisão ligado durante o dia inteitamente inclui o consumo virtual e efetivo e o ro, mesmo que não estejamos ouvindo ou vendo, manômetro registra o consumo. Porém, qual é constitui desperdício de energia. A utilização de a quantidade da energia efetivamente utilizada? mais de uma lâmpada em um local onde uma só é Qualquer importância suficiente constitui enerem dinheiro que pagia desperdiçada. Não gamos para a compaapagar a lâmpada ao se Glorificado seja nhia elétrica pelo uso deixar o local, alegando indevido da energia que iria voltar em breQuem criou e aperfeiçoou tudo, é desperdício, tanto ve, é outro desperdício. e Que predestinou e encaminhou de dinheiro quanto de A restrição das horas de energia. Assim sendo, fornecimento de energia a Sua criação! estaremos cometendo elétrica, em alguns paídois desperdícios. Se ses, muitas vezes não é um só já é muito, que causada pela falta de dirá dois ou mais? Uma tradição do Imam Jaafar oferta de energia elétrica, mas pelo modo Assádiq (a.s.) diz: de utilizá-la. O fato de esquecer uma só lâmpada acesa, mesmo que ínfima, “Deus não gosta de desperdício, mesmo das no carro, pode descarregar a basementes ou sobra de água.” teria e impedir a pessoa de A semente pode ser projeto de uma árvoir ao serviço de manhã. re frutífera. Não fez isso o Emir dos Crentes, o Pode, ainda, atrasá-la Imam Ali (AS), quando plantou as tamareiras? até que a bateria Quanto ao que resta de água no copo: seria posseja recarresível despejar apenas a quantidade necessária. gada. Imagine se para um indivíduo sedento no deserto, sem uma gota de água, quase morrendo de sede, não seria a sobra dessa água suficiente para salvá-lo da morte certa? Ele trocaria essa gota de água por toda a sua fortuna para permanecer vivo. Esses são exemplos e testemunhos verídicos, sobre os quais devemos raciocinar. Deus, o Altíssimo, diz a respeito dos Seus servos: “São aqueles que, quando despendem, não esbanjam nem restringem, colocando-se no meiotermo” (Alcorão Sagrado, 25:67).

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Ideologia

Mônica Nasser*

Terrorismo,

uma arma poderosa “Todos se preocupam em deter o terrorismo. Bem, há uma maneira realmente simples: parem de participar dele.” Noam Chomsky

S

ituar os ataques terroristas no contexto da intervenção externa norte-americana ao longo das décadas do pós-guerra - no Vietnã, na América Central, no Oriente Médio e noutros lugares - já não é uma novidade para quem tem acesso ao bom e velho jornalismo. Porém, na grande mídia, as coisas não funcionam dessa maneira. Anestesiado e pacífico demais, o leitor não consegue identificar a realidade. Exemplos não faltam na história recente, acompanhados como espetáculos midiáticos: A ocupação israelense nos territórios palestinos, a guerra Israel-Líbano em 2006 - que culminou com a morte de milha-

res de civis libaneses - e o último ataque perpetrado por Israel, de forma desproporcional e indiscriminada, na Faixa de Gaza. E o que falar dos genocídios na África do Sul, dos assassinatos e extermínios da população afegã e iraquiana? E as torturas na Prisão de Guantánamo? É neste contexto que o termo “terrorismo” merece ser revisto ou mesmo abolido da imprensa. Partindo da premissa de que ele é o exercício da violência contra populações civis, independe do perpetrador. Seja ele “extremista islâmico” ou mesmo o estado mais poderoso do mundo, é terrorismo. Revista Islâmica Evidências - 69


Seguindo os manuais militares norte-americanos, terror é a utilização calculada, para fins políticos ou religiosos, da violência, da ameaça de violência, da intimidação, da coerção ou do medo. Uma definição aplicada exatamente ao que os Estados Unidos chamaram de “guerra de baixa intensidade”, necessária para a manutenção do imperialismo e status quo norte-americano, embora seja preferível mascarar colocando o foco no “inimigo”. Para Rafael Mandagaran Gallo, bacharel em Relações Internacionais e Mestre em Sociologia Política, um foco importante foi o estabelecimento da associação do epíteto “terrorismo” a “fundamentalismo islâmico” ou, até mesmo, “islâmico”. “Assim, há o estabelecimento de relações de poder por meio de elementos simbólicos, frente que se traduz como legitimidade para intervenções dos Estados Unidos no Oriente Médio. Colocam-se em contradição todos os valores próprios da cultura política estadunidense, pautada no liberalismo e pragmatismo políticos, em especial o princípio democrático”, afirma. O terrorismo, sem dúvida, foi e ainda é utilizado para justificar, em especial depois do 11 de setembro, ações militares estadunidenses. Rastros da chamada “Era Bush”, com suas guerras injustificáveis na busca de um inimigo cuja existência é interessante e serve bem em cruciais situações políticas. Com a guerra ao “eixo do mal”, as diretrizes da política externa da “Era Bush Filho” deixam claro ao mundo sua unilateralidade, quando declaram que “existem apenas duas escolhas: quem está do lado dos EUA e quem está contra”. “De fato, a imposição de uma das alternativas à comunidade internacional apresenta muito bem a fragilidade de um discurso apoiado em valores culturais próprios da sociedade estadunidense - a democracia, a excepcionalidade estadunidense, o destino manifesto - frente a uma política externa desenhada para a manutenção de uma hegemonia no sistema internacional, que vem diminuindo, principalmente a sua dimensão política (convém lembrar a falta de apoio e legitimidade da invasão dos EUA ao Iraque em março de 2003)”, afirma Rafael Mandagaran Gallo. Para Avram Noam Chomsky, lingüista e ativista político socialista e libertário, é possí-

vel sim fazer uma análise profunda entre poder e terrorismo, título de uma de suas obras. “(...) quando alguém pratica o terrorismo contra nós ou contra nossos aliados, isso é terrorismo, mas, quando nós ou nossos aliados o praticamos contra outros, talvez um terrorismo muito pior, isto não é terrorismo, é anti-terrorismo ou guerra justa”, alerta. O fato é que não podemos esquecer que as grandes potências mundiais controlam os aparelhos ideológicos e culturais, que permitem que o terror deles seja visto como uma coisa diferente do terror difundido pela grande mídia. O terrorismo hoje é uma pauta importante nas Relações Internacionais e desafia a segurança internacional, já que deixou de ser regional para se internacionalizar e assumiu uma visão não apenas nacionalista, porém muito mais perigosa. O “novo terrorismo” já é uma constante geopolítica. Não é fácil prever quando ou onde ocorrerá uma ação. Com o patrocínio de qual Estado e com que interesses. Em contrapartida, o alto custo da proteção fez com que as ações anti-terroristas também se internacionalizem. É importante analisar as motivações e as implicações civilizacionais da ação. Casos freqüentes do uso desta “arma dos poderosos”, porém ignorados e não colocados na balança do terrorismo, são a Nicarágua, o Haiti e a Guatemala. Apesar de tentarem esconder, a história registrou a intervenção militar dos Estados Unidos e o apoio às atrocidades nestes países. A Colômbia, na década de 90, outro exemplo, foi o principal destinatário da ajuda militar norte-americana, sem falar de Israel e Egito, que constituem casos à parte. Até 1999, logo atrás desse país, o primeiro lugar cabia à Turquia, a quem os Estados Unidos entregaram uma quantidade crescente de armas desde 1984, permitindo a guerra terrorista contra os curdos, que teve como resultado de 2 a 3 milhões de refugiados, dezenas de milhares de vítimas, 350 cidades e vilarejos destruídos. Casos de terrorismo mascarado, mais uma vez ignorados pelos grandes veículos de comunicação, cujo papel primordial deveria ser o de esclarecer e não desinformar a população. Uma realidade que quase sempre acontece quando o terror é empregado por seus principais utilizadores: as potências estabelecidas.

*Mônica Nasser é jornalista formada pela União Dinâmica de Faculdades Cataratas (UDC), especialista em Geopolítica e Relações Internacionais e estudante de Relações Internacionais na Faculdade Anglo-Americana de Foz do Iguaçu (PR).

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Jurisprudência

Por Sua Eminência, Jurisconsulto Sayyed Muhammad Hussein Fadhlallah

A necropsia e suas características à luz da Lei Islâmica e Secular

O

tema da necropsia é um dos temas que os jurisprudentes nunca cessaram de discutir. Foi talvez, tratado de um ângulo textual estático, sem levar em consideração a realidade social e a herança cultural. Por isso, surgiu a sentença proibitiva de alguns, baseados na consideração de que o procedimento é um tipo de desfiguração. Ao mesmo tempo, alguns opinam que a operação é válida do ponto de vista de utilidade, tomando o cuidado com a santidade do corpo, como observamos nos textos religiosos. Para que não haja qual-

quer dúvida, Sua Eminência, Allamah (Jurisconsulto) Sayyed Muhammad Hussein Fadhlallah, deu um parecer jurídico nesse teor. Vamos apresentálo, evidenciando os casos em que é proibida a necropsia e aqueles em que é permitida, tornando-se até obrigatória. Os casos que geraram controvérsias são vários e tentaremos esclarecer alguns deles, para termos uma ideia cabal sobre o assunto.

O Islã proibiu dissecar o corpo do morto muçulmano. Porém, há casos em que a Lei Islâmica permite a necropsia

Dos casos da necropsia: O Islã proibiu dissecar o corpo do morto muçulmano. Porém, há situações em que a

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Lei Islâmica permite a necropsia, como no caso do estudo ou para determinar a causa da morte, ou coisa similar. É a opinião de Sua Eminência: Na origem, não é permitida a necropsia no corpo morto do muçulmano, porque o morto tem a sua santidade perante Deus, assim como o vivo. O que Deus proibiu quanto ao vivo proibiu, também, quanto ao morto, como consta em mais de uma Tradição. A Lei Islâmica estipulou até mesmo uma compensação financeira para o corte da cabeça do morto ou da mão, ou outro membro. Porém, a necropsia é permitida se for para estudo do corpo humano e descobrir a causa da morte. Também é autorizada quando o diagnóstico de uma determinada doença resultar em

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benefício da saúde geral da população, de forma que se possa salvar muitas vidas ou tratar muitas pessoas. Assim, este procedimento é permitido de forma que gere um conhecimento científico para proteger a vida humana, no futuro. Se houver, por exemplo, médicos que estão estudando e pesquisando e não existam corpos disponíveis para dissecação, esta passa a ser permitida, pois para não paralisar as pesquisas médicas e o ensino dos estudantes de Medicina. A importância do ensino prático dos estudantes de medicina supera o mal virtual gerado pelo dano causado ao corpo do morto. A necropsia também é permitida se for para confirmar um direito do morto ou sua herança, verificar se a herança seria proveniente de seu assassino, para se saber se o indivíduo foi morto intencionalmente ou por


acidente, ou por coisa similar que represente interesse individual que ultrapasse a santidade do corpo humano. Nesses casos, é permitida a dissecação, dando-se prioridade ao mais importante perante o menos importante, bem como por questão racional, que evidencia a sentença legal em caso de litígio de caráter judicial. Há, também, casos específicos em que é permitida a necropsia. Por exemplo, se supormos que uma mulher morreu, estando grávida. É preciso abrir o seu ventre, de alguma forma, para salvar a criança. Se a criança morrer dentro do ventre da mãe e constituir perigo para a vida dela e for impossível retirá-la a não ser dissecando-a, é permitido fazê-lo para proteger a vida da mãe. A dissecação rotineira, porém, para casos comuns, sem importância, fica proibida. Discussão das opiniões dos opositores:

A partir do que foi dito acima, Sua Eminência vê que o caminho à frente da necropsia não está fechado. Há mais de uma porta aberta para servir à experiência científica, às leis penais e à realidade social. A operação de dissecação choca-se, muitas vezes, com a negativa e a proibição dos familiares. Sua Eminência considera, com base nas situações que citou anteriormente, que “Não se deve pedir a anuência dos familiares, a não ser do ponto de vista social e afetivo. Porque há um aspecto afetivo que deve ser levado em consideração, além do social”. Talvez, para algumas pessoas, comunidades ou famílias a dissecação de um morto constitua uma desonra, representando problema social. Por isso, devemos estudar a questão à luz das consequências negativas que tal ato possa ocasionar aos familiares do morto ou à realidade regional, à integridade física do médico, entre outras questões.

A necropsia é permitida se for para estudo do corpo humano, descobrir a causa da morte ou de uma doença

Se a maior parte das opiniões que tende para a proibição da necropsia se baseia em Tradições que não permitem a desfiguração nem do cão feroz, Sua Eminência já discutiu essa questão, alegando que há diferença evidente entre a dissecação na sua forma atual e a questão de desfiguração, dizendo: “Há alguns jurisprudentes que informam que a desfiguração acontece ao se cortar o corpo do morto, mesmo que seja com boa intenção. Há uma opinião que diz que a desfiguração adquire o significado de castigo, fúria e sanção, etc. Nós não apoiamos essa opinião. Sentenciamos que a dissecação não pode ser considerada desfiguração se for com intenção correta”.

Entre o Código Civil e a Lei Islâmica

Quanto à questão de divergência entre o Código Civil e a Lei Islâmica a respeito da necropsia, Sua Eminência chama a atenção de que a divergência continua entre ambos os campos. Há pessoas que, quando falam a respeito da necessidade médica da necropsia ou da sua necessidade criminal, referem-se à rejeição de forma muito estreita e limitada, tornando a questão circunscrita. Por isso, considero que o Código Civil deve levar em consideração essa questão, que necessita, é verdade, de congressos jurídicos, legislativos e médicos para alinhavar os traços gerais que venham a atender os interesses de todos.

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Saúde

Como Deixar de Fumar

U

Da mesma forma, entre os malefícios de m estudo recente revelou os perigos do fumar estão várias doenças crônicas e fatais. O fumo para as pessoas que não costumam fumo é responsável pelo óbito de uma pessoa a fumar ou que estejam no mesmo local cada 13 segundos e tira 11 minutos de vida do dos fumantes. Os resultados revelaram que as fumante a cada cigarro. mulheres estão em É a causa principal perigo. As pesquisas da rigidez dos vasos confirmam que as É sobejamente sabido sanguíneos e doenças mulheres que fumam que fumar cigarros crônicas do coração. entre um a cinco Se a pessoa fuma cigarros diariamente é a porta principal do mais de 20 cigarros estão sujeitas a ingresso no vício das drogas por dia está sujeita adquirir doenças do a morrer de parada coração na proporção cardíaca em proporção de cinco vezes mais do 5 vezes maior que os que as que não fumam, não fumantes. Está sujeita, também, a ataques enquanto que entre os homens a proporção é de cardíacos em proporção 3 vezes maior que os não três vezes. Quanto às que fumam uma carteira fumantes. O vício é causa de 25% dos ataques de cigarros diariamente, a chance de adquirir cardíacos. Além disso, fumar aumenta o perigo câncer de pulmão é trinta vezes maior que entre de trombose cerebral em 400%, elevando muito as não-fumantes. 74 - Revista Islâmica Evidências


Os malefícios sociais do vício de fumar: 1 – O fumo afasta as pessoas de seu redor, provocando constrangimentos; 2 – Dificulta a formação de relacionamentos sociais saudáveis; 3 – Representa - na maioria das vezes - um empecilho para se obter uma profissão respeitável; 4 – Causa o afastamento do sexo oposto; 5 – Fumar diante de menores de idade é um mau exemplo, causando desvio no comportamento dos filhos, ameaçando sua saúde. É sobejamente sabido que fumar cigarros é a porta principal do ingresso no vício das drogas!

A Aparência Pessoal: 1 – Cheiro desagradável do suor; 2 – Amarelamento dos dedos; 3 – Deterioração do hálito; 4 – Amarelamento dos dentes; 5 – Odor desagradável das roupas; 6 – Aparecimento precoce de rugas.

Familiarmente: 1 – O ar poluído dentro do lar causa danos excessivos em todos os membros familiares, sem exceção; 2 – Paredes e tetos sujos; 3 – Cinzeiros repletos de pontas de cigarros com cheiro desagradável;

Socialmente: 1 – A intranquilidade permanente de os cigarros acabarem; 2 – A procura constante de locais onde é permitido fumar. 3 – Fumar durante a condução do automóvel muitas vezes causa acidentes; 4 – A escravidão permanente à carteira de cigarros; 5 – O grande e constante prejuízo material devido à despesa para a compra de cigarros e acessórios; 6 – Fumar é responsável por 50% dos incêndios.

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o risco de derrames, paralisia e óbito. Causa também o aumento da pressão sanguínea e das batidas do coração, aumentando a necessidade de oxigênio por parte do coração. Mesmo assim, provoca insuficiência de oxigênio no corpo, o que causa maior dano ao coração e aos pulmões. É confirmado que é origem de câncer de pulmão em nove de cada dez doentes, além de levar ao envelhecimento precoce. Antes de iniciarmos um diálogo a respeito de como deixar de fumar, é preciso que você, fumante, responda às seguintes perguntas, com toda a sinceridade e veracidade: 1 – Você fuma diariamente? 2 – Quanto lhe custa fumar diariamente, mensalmente? 3 – Você já pensou em contar o número dos cigarros que você fuma anualmente? 4 – Será que você recorre ao cigarro porque é tímido e crê que o cigarro lhe dá um pouco de confiança em si? 5 – Será que o fumar para você é um meio para fugir da intranqüilidade e do aborrecimento quando está sob pressão? 6 – Será que o seu cigarro já estragou ou furou suas roupas ou o banco de seu carro? 7 – Você já foi obrigado sair à rua, a altas horas da noite, para comprar cigarros? 8 – Você fica zangado se alguém lhe diz que a fumaça de seu cigarro o aborrece? 9 – Será que o médico já lhe pediu para parar

de fumar? 10 – Você já prometeu a alguém que vai parar de fumar e quebrou a promessa? 11 – Você já teve a oportunidade de conseguir parar de fumar por um tempo? Que benefício teve com essa tentativa? 12 – Você acha difícil viver sem cigarros? 13 – Já aconteceu de você acender um cigarro sem querer? 15 – Fumar causa-lhe problemas na casa ou no serviço? 16 – Você está acostumado a fumar sem levar em consideração os malefícios que você causa a quem está ao seu redor, como crianças e adultos não fumantes? 17 – Você está decidido a continuar a fumar, apesar de conhecer os perigos causados por ele? 18 – Você está satisfeito com a sua saúde enquanto fuma? 19 – Do seu ponto de vista, quais são os piores perigos e malefícios de fumar? 20 – Por que você deseja largar de fumar? 21 – Quais são os mais difíceis desafios que você espera enfrentar se parar de fumar? 22 – Quem é o mais conveniente para lhe dar uma ajuda na sua tentativa de parar de fumar: A família? Os amigos? O médico? Ou ex-fumante? 23 – Você conhece alguém que teve problemas de saúde por causa do fumo? 24 – Você conhece algum fumante que teve sucesso em parar de fumar? Como ele conseguiu fazê-lo? 25 - Qual é a sua resposta se alguém lhe perguntar a respeito dos benefícios e malefícios de fumar? É sabido que o fumar torna-se um vício por causa da mistura da nicotina com o sangue. Nesse caso, é difícil ao fumante deixá-lo com facilidade. Porém, se o fumante tiver força de vontade ele deixa de fumar. Os seguintes passos podem ajudá-lo a fazê-lo:

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1º) Estabelecer uma data limite para parar de fumar. Normalmente ela não pode ultrapassar 3 a 4 semanas. É importante que escolha bem a data. A escolha de uma data conveniente, em que a pessoa não passe por aperto e pressão, irá ajudar o fumante a abandonar o vício.

estão impregnadas com o cheiro do cigarro.

2º) Convença a si mesmo: Registre as justificativas para largar de fumar num papel e organize-as de acordo com as prioridades. Entre elas, certamente, estarão os perigos para a saúde, as enfermidades, a economia, livrarse dos odores desagradáveis. Conserve o papel sempre para lembrá-lo disso.

7º) Tente participar de trabalhos ou praticar hobbies para se ocupar e esquecer de fumar. Por exemplo: atividades físicas, visitas sociais, ler e pesquisar. Ocupe as mãos. Se sentir uma grande vontade de pegar um cigarro, pegue um lápis, escreva uma carta, pratique a sua paixão preferida e não atende à sua vontade.

3º) Converse com os amigos e os parentes próximos sobre sua vontade de parar de fumar, porque isso representa apoio e solidariedade.

6º) Dia-a-dia: Não pense que irá enfrentar situações estressantes ou pressões que o façam voltar a fumar. Pense apenas que hoje não vai fumar e desfrute o prazer de dar essa feliz notícia a quem ver.

O fumo é responsável pelo óbito de uma pessoa a cada 13 segundos e tira 11 minutos de vida do fumante a cada cigarro

4º) Renove o seu ambiente. Limite os locais que costumava frequentar e o tempo que ficava neles quando fumava e tente ficar distante deles, pelo menos nesta primeira etapa.

5º) Livre-se dos acessórios, como isqueiros, cinzeiros e fósforos. Não deixe qualquer carteira de cigarros e m seu ambiente. Procure, também, desfrutar do cheiro da casa limpa. Mande lavar todas as roupas que

8º) Diminua gradativamente o número de cigarros que fuma durante as três ou quatro semanas que estabeleceu para largar o vício. As tentativas e os fracassos:

Se você já tentou antes parar de fumar e fracassou, fique sabendo que não é o único. Pense, porém, que as oportunidades de parar final aumentam a cada tentativa. Alguns são bem sucedidos depois da quarta tentativa, ou menos ou mais. Não importa. O que importa é considerar que são tentativas sinceras a caminho do sucesso. Os cigarros leves: A pesquisa confirmou que os cigarros que possuem uma quantidade menor de nicotina e monóxido de carbono são mentira, não existem. A diferença real entre eles e os outros cigarros é o tipo de filtro. Não o transforme em substituto temporário. Fique ciente que o único tipo e o único número permitido para você fumar de cigarros diariamente para estar seguro do perigo é zero.

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Palavras CRUZDAS

Chadia Kobeissi

HORIZONTAIS

Palavras CRUZDAS

4. 5. 7. 9. 10. 14. 15. 18. 19. 20. 21.

Em qual mês ocorreu a conquista de Meca? - RAMADAN O Profeta Muhammad (s.a.a.s) teve dois filhos homens e ambos morreram em tenra idade, um era Al- Qassem e o outro era Al-TAHER. “Acima de toda devoção há uma devoção ainda maior, e o nosso amor aos Ahlul Bait é a melhor das devoções”. Qual dos Imames falou essa frase? - JAFAR. Região que faz fronteira com o Senegal e a Guiné, é majoritariamente habitada por muçulmanos e é a primeira comunidade religiosa monoteísta da Guiné-Bissau. - GABU Qual é o nome da Mesquita onde o profeta recitou o primeiro discurso, na cidade de Medina? - BANISALEM País insular situado no Oceano Índico, ao sudoeste do Sri Lanka e da Índia, ao sul do continente asiático, constituído por 1.196 ilhas, onde 90% da população é muçulmana. - MALDIVAS Companheiro do Profeta Muhammad (S.A.A.S.), foi sobre ele que o Profeta disse: “SALMAN é de nós Ahlul Bait”. Deus, o Poderoso, denominou Fátima (a.s) com oito cognomes, um dos cognomes é “A CONFIDENTE. Com a perseguição aos muçulmanos em Meca, o Profeta (S.A.A.S) permitiu que eles emigrassem. Para onde dirigiu-se a primeira caravana de exilados? - ETIOPIA Todos os Imames nasceram em Medina, exceto o Imam Ali (a.s), o Imam Mussa (a.s) e o Imam MAHDI. Dos 22 países considerados árabes, um deles tem o presidente chamado Abdelaziz Bouteflika, qual é esse país? - ARGELIA

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VERTICAIS 1. 2. 3. 6. 8. 11. 12. 13. 16. 17.

lavras CRUZDAS CRUZDAS

Palavras

CRUZDAS

Palavras CRUZDAS

Palavras Cruzadas

A viagem noturna ocorreu milagrosamente da cidade de Medina até JERUSALEM. Profeta que mandou construir fortes muralhas na cidade de Jerusalém, bem como diversas cidades fortificadas e torres de vigia. - SALOMAO Se não fosse ZAINAB nós não teríamos conhecido os objetivos do Qiyam (Levantamento) de Hussain ibn Ali (A.S.). Seu objetivo teria sido perdido e esse trágico evento teria sido esquecido. Cantor famoso no mundo do reggae, convertido ao islamismo, seu segundo nome é Cliff,qual é seu primeiro nome? - JIMMY Califa Abássida na época do Imam Ali Redá (a.s). - ALMAMUN “O mês de Ramadan é o mês em que Deus multiplica as boas ações, apaga as más e eleva as recompensas. Neste mês, quem der caridade, fizer o bem, tiver bom caráter, contiver sua ira e quem se confraternizar com seus parentes, Deus o perdoará” Qual Imam (a.s) falou esse dito? - ALI O minarete da grande Mesquita de Samarra, chamado Malwiyya, é em espiral. Com mais de 50 metros de altura, foi construído entre 848 e 852 d.C., ao lado da maior Mesquita do Mundo, no IRAQUE. Qual o nome da ama de leite do Profeta Muhammad (S.A.A.S).? HALIMA Montanha na cidade de Meca, a qual testemunha a realização de um dos rituais da peregrinação na sua região. - MENA Onde esta localizado o túmulo do Profeta Noé (a.s)? - LIBANO


CRU

1

Z S R A M A D A M T I L N O J A F A R M B G A B U B A N L L O M H M A L D I V M S A L M A N U L M C O N F I D E N T E M N A M A H D I A

HORIZONTAL 4. 5. 7. 9. 10. 14. 15. 18. 19. 20. 21.

Em qual mês ocorreu a conquista de Meca? - RAMADAN O Profeta Muhammad (s.a.a.s) teve dois filhos homens e ambos morreram em tenra idade, um era Al- Qassem e o outro era Al-TAHER. “Acima de toda devoção há uma devoção ainda maior, e o nosso amor aos Ahlul Bait é a melhor das devoções”. Qual dos Imames falou essa frase? - JAFAR. Região que faz fronteira com o Senegal e a Guiné, é majoritariamente habitada por muçulmanos e é a primeira comunidade religiosa monoteísta da Guiné-Bissau. - GABU Qual é o nome da Mesquita onde o profeta recitou o primeiro discurso, na cidade de Medina? - BANISALEM País insular situado no Oceano Índico, ao sudoeste do Sri Lanka e da Índia, ao sul do continente asiático, constituído por 1.196 ilhas, onde 90% da população é muçulmana. - MALDIVAS Companheiro do Profeta Muhammad (S.A.A.S.), foi sobre ele que o Profeta disse: “SALMAN é de nós Ahlul Bait”. Deus, o Poderoso, denominou Fátima (a.s) com oito cognomes, um dos cognomes é “A CONFIDENTE. Com a perseguição aos muçulmanos em Meca, o Profeta (S.A.A.S) permitiu que eles emigrassem. Para onde dirigiu-se a primeira caravana de exilados? - ETIOPIA Todos os Imames nasceram em Medina, exceto o Imam Ali (a.s), o Imam Mussa (a.s) e o Imam MAHDI. Dos 22 países considerados árabes, um deles tem o presidente chamado Abdelaziz Bouteflika, qual é esse país? - ARGELIA

1. 2. 3. 6. 8. 11. 12. 13. 16. 17.

J E A H E R U J S I A M I S A L E M E Y R M A S Q U L E T I O P I A B R G E L I A N O

VERTICAL A viagem noturna ocorreu milagrosamente da cidade de Medina até JERUSALEM. Profeta que mandou construir fortes muralhas na cidade de Jerusalém, bem como diversas cidades fortificadas e torres de vigia. - SALOMAO Se não fosse ZAINAB nós não teríamos conhecido os objetivos do Qiyam (Levantamento) de Hussain ibn Ali (A.S.). Seu objetivo teria sido perdido e esse trágico evento teria sido esquecido. Cantor famoso no mundo do reggae, convertido ao islamismo, seu segundo nome é Cliff,qual é seu primeiro nome? - JIMMY Califa Abássida na época do Imam Ali Redá (a.s). - ALMAMUN “O mês de Ramadan é o mês em que Deus multiplica as boas ações, apaga as más e eleva as recompensas. Neste mês, quem der caridade, fizer o bem, tiver bom caráter, contiver sua ira e quem se confraternizar com seus parentes, Deus o perdoará” Qual Imam (a.s) falou esse dito? - ALI O minarete da grande Mesquita de Samarra, chamado Malwiyya, é em espiral. Com mais de 50 metros de altura, foi construído entre 848 e 852 d.C., ao lado da maior Mesquita do Mundo, no IRAQUE. Qual o nome da ama de leite do Profeta Muhammad (S.A.A.S).? HALIMA Montanha na cidade de Meca, a qual testemunha a realização de um dos rituais da peregrinação na sua região. - MENA Onde esta localizado o túmulo do Profeta Noé (a.s)? - LIBANO

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Revista Evidências - Edição 10  

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