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Revista Islâmica

Rabi’ Athani / Jumada Al-Ula / Jumada Athani 1430 (A.H.) Abril / Maio / Junho 2009 (A.D.) - Ano 2 / Número 7

Medicina A eutanásia é permitida?

Mulher Por que o uso do véu?

Valores O sexo na ótica do islã

Verdades magníficas A ciência convoca para a fé


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Telefone

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3331-2641

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Em nome do Altíssimo Revista Islâmica

Caro leitor,

S “Em Nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso” “Enviamos os Nossos mensageiros com as evidências e enviamos, com eles, o Livro e a balança, para que os humanos observem a justiça.” Alcorão Sagrado (57:25)

Revista Islâmica Evidências

é uma publicação da Associação Beneficente Islâmica do Brasil CNPJ 09.086.788/0001-75

Rua Eliza Witacker, 17 – Brás - São Paulo - SP - CEP 03009-030

Telefones: (11) 3315-0569 e 3329-9200

Publicação Trimestral

rábi;úl çaanii/ jámaadil úlaa/ jámaadi çaaniyáh 1430 (A.H.) abril / maio / junho 2009 (A.D.) - Ano 2 / Número 7

Diretor-Presidente:

Assayyed Sharif Sayyed (Teólogo e Pesquisador em Pensamento Islâmico) sayyed@revistaevidencias.org

Vice-presidente:

Abdallah R. Hammoud

MTB: 53199/SP abdallah@revistaevidencias.org

Tradução:

Samir El Hayek (Matemático e Físico pela UNISA) Profº Jamil Ibrahim Iskandar (Filósofo, Pós-doutor em Filosofia pela Universidade Complutense de Madri)

audando inicialmente a todos, chamamos a sua atenção para os assuntos que estão sendo abordados nesta nova edição de Evidências. Trazemos matéria que fala sobre a relação entre Fé e Ciência. Muitos intelectuais, especialmente no Ocidente, consideram estes termos irreconciliáveis. Alegam eles que, à medida em que a Ciência avança, enfraquece-se a crença em Deus. Nós advogamos exatamente o oposto: quanto mais os estudos científicos avançam, mais evidente fica a necessidade lógica da existência de um Criador consciente de tudo quanto existe. Se o Universo dá notícia de sua presença por meio dos nossos sentidos, torna-se até intuitiva a noção de que um “motto” inicial, uma causa incriada deste Universo é logicamente obrigatória. Abordamos neste novo número de Evidências outros temas candentes, como a visão islâmica a respeito do sexo. Como qualquer necessidade humana, o sexo é fundamental para a vida. No entanto, também como qualquer necessidade humana, deve ser praticado no marco de certos limites e com responsabilidade. A perda de controle e o exagero no exercício da sexualidade levam a distorções e à corrupção. Falamos, ainda, sobre a eutanásia e o suicídio, além de darmos continuidade à exegese do Alcorão Sagrado. Nesta edição, trataremos do milagre maravilhoso que é o Livro de Deus. Até hoje, nenhuma obra literária humana se equiparou em profundidade e beleza à Escritura. Aproveitando a oportunidade, gostaríamos de avisar aos queridos leitores que a periodicidade de Evidência foi mudada de bimestral para trimestral. A assinatura, agora, compreende quatro edições anuais da revista. O objetivo da mudança é atender de forma sempre eficiente e cordial os interesses do nosso público. Contando com sua compreensão, nos despedimos respeitosamente. Que a paz esteja convosco! O Editor.

Jornalista responsável:

Omar Nasser Filho - MTB - 26164

Revista Islâmica

Departamento Jurídico

Ricardo Trovilho (OAB/SP n° 119.760)

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Fale conosco:

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Os artigos publicados na “Revista Islâmica Evidências” não refletem, necessariamente, a opinião da revista. NOTA EXPLICATIVA: Ao longo dos textos de “Revista Islâmica Evidências”, o leitor encontrará algumas siglas e sinais particulares, os quais explicamos a seguir: Após a menção ao nome do Profeta Muhammad, segue-se uma letra “S” entre parênteses. Esta é a abreviatura da expressão arábe: “Salla allahu aleihi wa álihi wa sallam”, ou, traduzindo: “Deus o abençoe e lhe dê paz, bem como à sua Família”. Quando é citado o nome de um outro Profeta ou de um Ma’assum (isto é, pessoa imaculada), segue-se a sigla (A.S.), que significa: “aleihi salam” (A paz esteja com ele); “aleiha salam” (A paz esteja com ela); ou “aleihem salam” (A paz esteja com eles). Outra sigla utilizada é (R.A.), que significa “radi’allah an-hu (an-ha)”, ou “Deus esteja satisfeito com ele (ela)”. Revista Islâmica Evidências - 1


Sumário

01 03 Cartas 08 Editorial A Caridade

Caro leitor

33 41

o Alcorão 08 Interpretando Exegese do Alcorão Sagrado 43 18 Mulher Por que o uso do véu no Islã? 46

49 54

22

Conceitos errôneos A utilização do nome familiar

23

Jurisprudência

26

Nós e a vida

27 32

Conceito de diligência (ijtihad)

Uma Olhada para nós mesmos

Nobres sentimentos O Amor

Narrativas do Alcorão Parte 3

2 - Revista Islâmica Evidências

57

Pilares da fé A Ressureição e a Vida após a Morte

Nossas Crenças Sinais fundamentais da mensagem islâmica - parte 4

Religiões Os Evangelhos no Cristianismo

Sabedoria Profética O Mensageiro de Deus conversa conosco

Atualidades A Eutanasia

Verdades Magníficas A Ciência convoca para a fé

Comportamento O Sexo na Ótica do Islã

59 Perguntas e respostas 63 Normas islâmicas Artigo 68 O Direito da pessoa e a precisão da balança

Turismo 68 Rio de Janeiro, cidade maravilhosa

75 79

Proteção ambiental Palavras Cruzadas


Cartas

Envie-nos sua opinião através de carta para: Revista Islâmica Evidências Rua Eliza Witacker, 17 - Brás São Paulo - SP - CEP 03009-030, ou pelo e-mail cartas@revistaevidencias.org Deus, o Altíssimo, diz: “Em suas histórias há um exemplo para os sensatos” (12:111). Foi dito: “O sensato é quem aproveita a advertência dos outros, quem consulta as pessoas e participa de suas idéias.” Leitor, esta página é dedicada à sua participação: opiniões, pensamentos, críticas e sugestões. Basta enviar sua mensagem pela internet ou carta, citando sempre o seu nome, número do RG e endereço. Devido ao espaço disponível, algumas mensagens podem ser editadas. Desde já, agradecemos por sua contribuição. Política Assalam aleikum.Gostaria de transmitir as minhas congratulações à equipe de Evidências pela qualidade do texto, dos assuntos e da diagramação da revista. No entanto, acho que faltam assuntos ligados à política, especialmente aos fatos do Oriente Médio. Será que vocês poderiam abordar estas questões? Saudações! Mortada Radawi - Campinas (SP)

Mulher Como brasileira e mulher, tem me causado surpresa a maneira como vocês tratam as questões femininas. Muito diferente da imagem a que estamos acostumados e que é transmitida por revistas manipuladas e redes de televisão tendenciosas: o Islã como religião machista e de machistas. Estou vendo que não é nada disso. Gostei muito da matéria sobre a maternidade (Edição nº 6). Salam aleikum! Marisa Gonçalves - Curitiba (PR)

Religiões Muito interessante a abordagem de vocês sobre as religiões. Quem lê Evidências não conhece apenas o Islamismo, mas outras crenças. Gostaria de sugerir que numa próxima edição vocês tratassem das crenças evangélicas, que surgiram como contestação ao Catolicismo. Obrigado, Manoel Agamenon - Recife (PE)

Juventude Como uma jovem estudante do Islamismo - tenho 20 anos - gostaria de manifestar minha concordância com a matéria “A honra da jovem”, publicada na edição passada. Para mim, o pudor eo recato, tão defendidos pelo Islamismo tanto para o homem quanto para a mulher, são fundamentais nos dias de hoje, em que aumentam os casos de jovens grávidas sem estrutura para cuidar dos filhos. Ingrid Wiederhoff - São Paulo (SP)

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Editorial

Assayyed Sharif Sayyed

D

eus, exaltado seja, disse: “Em verdade, os caritativos e as caritativas e aqueles que emprestam espontaneamente a Deus serão retribuídos em dobro e obterão uma generosa recompensa.” (57:18). A Shari’a¹ confirmou, com base no Alcorão e na Nobre Sunna Profética, a importância do pagamento de caridade e prometeu aos que cumprem esta obrigação a recompensa tanto neste mundo como no Outro. A caridade foi incentivada principalmente em determinadas épocas e períodos, como às sextas-feiras, durante 1 - Shari’a é o código legal islâmico (NE).

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o mês de Ramadã e para determinados grupos, como os vizinhos e os parentes. A Tradição nos ensina: “Não se deve dar caridade a outro enquanto o parente é necessitado.” Deus, exaltado seja, prometeu aos que dão caridade a multiplicação da Sua recompensa, tanto nesta vida como na Outra. Quanto à recompensa neste mundo, as Tradições dizem: “Ela constitui-se na cura para as enfermidades, afasta as desgraças e isso foi ratificado várias vezes. Com ela a riqueza é concedida, as dívidas são saldadas, as bênçãos são conferidas, o dinheiro é aumentado, evita-se com ela as maldades, as


enfermidades, a morte por incêndio, o afogamento, a demolição, a loucura e fecha-se até setenta portas da maldade. A cada dia a caridade evita o azar e os seus males. Mesmo em pouca quantidade, ela é importante. Foi relatado: “Fazem caridade mesmo com um bocado ou com menos, mesmo com um pedaço de tâmara. Quem não tiver, que seja com uma boa palavra. A caridade, mesmo em pequena quantidade, constitui comércio lucrativo.” Uma Tradição diz: “Se ficardes pobres, comercializai com a caridade.” Quanto à utilidade da caridade na Outra Vida,

ela é enorme e importante, como o Alcorão e as Nobres Tradições explicam. O Mensageiro de Deus (S) disse: “A terra da Ressurreição é um calor sem sombra; a sombra do crente é constituída pela sua caridade.” Outra Tradição diz: “Deus, exaltado seja, guarda a caridade dos que a praticam até que as encontre no Dia da Ressurreição como uma enorme montanha.” No Alcorão está escrito: “Deus destituirá a usura de todas as benesses e multiplicará a recompensa aos caritativos; Ele não aprecia nenhum incrédulo, pecador.” (2:276).

“Deus destituirá a usura de todas as benesses e multiplicará a recompensa aos caritativos.” E mais adiante: “O exemplo daqueles que gastam os seus bens pela causa de Deus é como o de um grão que produz sete espigas, que irão produzir, cada espiga, cem grãos. Deus multiplica mais ainda a quem Lhe apraz, porque é Munificente, Sapientíssimo.” (2:261).

necessitava. Ele costumava esconder o rosto para que as pessoas não o conhecessem. Deus, exaltado seja, diz: “Aqueles que gastam dos seus bens, tanto de dia como à noite, quer secreta, quer abertamente, obterão a sua recompensa do Senhor e não serão presas do temor, nem se angustiarão.” (2:274). E diz: “Se fizerdes caridade abertamente, quão louvável será! Porém, se a fizerdes dando aos pobres dissimuladamente, será preferível para vós e isso vos absolverá de alguns dos vossos pecados, porque Deus está inteirado de quanto fazeis.”

Deus, exaltado seja, prometeu aos que dão caridade a recompensa tanto nesta vida como na Outra

A caridade desejada é feita às ocultas. A Tradição diz: “A caridade oculta apaga a cólera de Deus e o pecado como a água apaga o fogo.” O Imam Ali Ibn Hussein (a.s.) costumava sair durante a noite carregando um saco nas costas e ía de casa em casa, dando a quem

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(2:271). A expressão “Se fizerdes caridade abertamente, quão louvável será!” faz referência à Zakat obrigatória; “Porém, se a fizerdes dando aos pobres dissimuladamente” indica a caridade voluntária. Dar a Zakat obrigatória abertamente encoraja a sua prática, enquanto ocultar a doação voluntária protege o ato da ostentação. A intermediação na entrega da caridade é preferível para quem a exerce. O Imam Assádiq (a.s.) disse: “Se o favor for efetuado por oitenta mãos, todos serão recompensados, sem reduzir em nada a recompensa do concedente.” O Profeta (S) disse: “Quem entregar uma caridade em nome de alguém a um necessitado terá a mesma recompensa do concedente, mesmo que quarenta pessoas se revezassem até que ela chegue ao necessitado. E todos serão recompensados.!” É necessário sabermos que a boa palavra é melhor do que a caridade acompanhada de injúria. Deus, exaltado seja, diz: “Palavras cordiais e perdão são preferíveis à caridade seguida de injúria, porque Deus é, por Si, Tolerante, Opulentíssimo. Ó crentes, não desmereçais as vossas caridades com exprobração e injúria, como aquele que gasta os seus bens, por ostentação, diante das pessoas, e não crê em Deus, nem no Dia do Juízo Final.” (2:263-264).

outros, negando-se a dar. Eles preferem os outros em detrimento de si mesmos, mesmo que estejam necessitados, e dão em caridade nas duas situações.

É preciso que o caridoso faça a intenção de se aproximar de Deus com o exercício do ato de caridade. Se pronunciar a intenção, deve dizer: “Caridade com a intenção de me aproximar de Deus, exaltado seja.” A melhor caridade é a constante, pois sua recompensa permanece ininterrupta enquanto ela durar. O Mensageiro de Deus (S) disse: “Há cinco pessoas que, mesmo estando em seus túmulos, terão sua recompensa aumentada em seu registro: quem plantar uma tamareira; quem cavar um poço; quem construir uma mesquita; quem escrever um livro; quem deixar um filho benevolente.” Foi narrado que o Mensageiro de Deus (S) abateu uma ovelha na casa de Aisha. Quando os pobres de Medina souberam, foram ter com ele e lhe pediram uma parte do animal. O Mensageiro de Deus (S) os atendeu. Quando chegou a noite, nada sobrou da ovelha, além do pescoço. Ao perguntar a Aisha o que havia sobrado do animal, ela respondeu que havia restado apenas o pescoço. O Mensageiro de Deus (S), então, retrucou: “Diz que sobrou todo o animal, menos o seu pescoço”. Com isso, queria ele dizer que o que era realmente importante era a ovelha inteira, que foi doada aos necessitados, pela qual ele seria recompensado. Deus, exaltado seja, diz no Seu Livro Sagrado: “Os bens e os filhos são o encanto da vida terrena; por outra, as boas ações, perduráveis, são mais meritórias e mais esperançosas, aos olhos do teu Senhor.” (18:46).

Deve-se fazer caridade nem que seja com um bocado ou menos; mesmo com um pedaço de tâmara

É dever da pessoa gastar e fazer caridade em todas as situações, quer seja pobre ou rico. Deus, exaltados seja, diz: “Apressai-vos em obter a indulgência do vosso Senhor e um Paraíso, cuja amplitude é igual à dos céus e da terra, preparado para os tementes, que fazem caridade, tanto na prosperidade, como na adversidade.” (3:133134). As pessoas verdadeiramente abnegadas fazem caridade na prosperidade e na adversidade, em situação de facilidade ou de dificuldade, em situação de riqueza ou pobreza. A riqueza não os torna arrogantes e avarentos, nem a pobreza os faz sentir que são mais necessitados que os

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“Os bens e os filhos são o encanto da vida terrena”, ou seja, proporcionam à pessoa alegria e satisfação. Os bens representam – na vida terrena – um elemento significativo, que abre portas, atrai o


auxílio e o interesse dos demais, realizando desejos e elevando o seu proprietário a posições elevadas no setor político, social e econômico, assegurando-lhe liberdade de movimento no que ele deseja para si e na realização dos sonhos futuros, sempre renováveis. Quanto aos filhos, representam as forças da sua continuidade, a sua contribuição a esta vida e este mundo. O pai e a mãe sentem que reviverão em cada um deles após a morte. Os filhos lhes concedem a permanência sentimental e espiritual, além de distração, companhia e entretenimento na infância, fazendo-os recordar a sua própria infância, permitindo o exercício de uma forma nova e diferente de amor e carinho. Os pais se sentem orgulhosos, lisonjeados, elevam-se quando se colocam ao seu redor, na sua juventude e idade adulta, pois vêem que os filhos simbolizam uma honra acrescida à sua própria honra, uma lisonja. Especialmente quando eles se transformam em personalidades fortes e de destaque na sociedade.

durante a sua vida terrena e após a sua morte. “São mais meritórias e mais esperançosas, aos olhos do teu Senhor”, porque Deus estabeleceu a recompensa do ser humano pelo empenho que ele demonstra pela verdade, justiça, beneficência e pela vida, que se coaduna com suas recomendações e admoestações e se movem na linha de sua satisfação. Quanto aos bens materiais, não têm valor em si e no seu acúmulo perante Deus, a não ser que sejam empregados na prática do bem e gastos pela causa de Deus. No que diz respeito aos filhos, o seu valor perante Deus é quanto ao empenho efetuado pela pessoa para que sejam crentes, retos, reformando a si mesmos com a obediência e reformando as pessoas com o ensino, a orientação e a atividade benéfica.

Assim, caso os bens e os filhos sejam aplicados, na vida quotidiana do ser humano, ao serviço de Deus, serão abençoados como uma recompensa pelas boas ações perduráveis. “(...) E mais esperançosas (...)” significa que entre as dádivas mais valiosas concedidas ao ser humano está a misericórdia de Deus, a Sua indulgência e satisfação, graças às quais a pessoa aufere o bom destino neste mundo e no Outro.

As pessoas verdadeiramente abnegadas fazem caridade na prosperidade e no adversidade

Assim, o ser humano vive com seus bens e filhos o encanto material, sentimental, espiritual e, nem por isso, menos significativo. Porém, o que há além disso? Os bens desaparecerão antes ou depois de seu proprietário se despedir do mundo; os filhos se separarão dos pais ou os pais se separarão deles, ficando ambos sozinhos, até o sepultamento. No Dia da Ressurreição não haverá “pais” e “filhos”, sendo as almas congregadas completamente sozinhas.

Por outro lado, “As boas ações, perduráveis, (...)”, representadas pelas atitudes que o indivíduo praticou ao longo da sua vida para melhorar a situação da sua família, comunidade ou país, pelas palavras sinceras e úteis que ele pronunciou para ensinar um insensato, orientar um extraviado, auxiliar um injustiçado, fortalecer um débil, resolver um desentendimento, apoiar um direito, combater uma maldade, estabelecer a justiça ou anular uma injustiça perpetuam a sua influência

É assim que o ser humano deve viver na dinâmica de seu pensamento e ação: na direção do aperfeiçoamento da vida terrena, distinguindo entre as singularidades efêmeras e as perduráveis. Assim, sua vida será dedicada ao que permanece, não ao que morre, desaparece e desvanece com a escuridão. Observação: Fique sabendo, caro irmão, que essa revista é uma caridade permanente. Quando você a divulga e a presenteia a alguém, sua recompensa dependerá de Deus e permanecerá contigo enquanto houver quem a leia e se utilize dela, orientando-se para o verdadeiro caminho. O Mensageiro de Deus (S) disse para o Imam Ali (a.s) : “Ó, Ali, se Deus orientar por teu intermédio um único homem, é melhor para ti do que tudo sobre o que nasce o sol.”

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Interpretando o Alcorão

Assayyed Sharif Sayyed

Exegese do Alcorão Sagrado

E

Parte 8

se tendes dúvidas a respeito do que revelamos ao Nosso servo (Mohammad), componde uma Surata semelhante às dele (o Alcorão), e apresentai as vossas testemunhas, independentemente de Deus, se estiverdes certos. Porém, se não o fizerdes – e certamente não podereis fazê-lo –, temei, então, o fogo infernal cujo combustível serão os homens e as pedras; fogo que está preparado para os incrédulos.” (2:23-24).

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“E se tendes dúvidas a respeito do que revelamos ao Nosso servo”. Este trecho do Livro Sagrado refere-se ao fato de alguns pensarem que o Profeta não era um ser humano, ou que fosse falsário, ou coisa similar. Convocamos a dirimir essas dúvidas e más interpretações com o estudo do Alcorão. Não há nada igual a ele quanto à eloqüência e método. Ele nos desafia a compor “uma Surata semelhante às dele”, para que se perceba a incapacidade humana de igualar qualquer obra a essa Revelação Celestial, dimensionando o aspecto divino da missão e da convocação.

utilizar todas as suas potencialidades no enfrentamento. Assim, em caso de incapacidade, ele ficará sabendo que está perante um fenômeno divino e não humano. Por isso, os versículos seguintes afirmam: “Porém, se não o fizerdes”, ou seja, não apresentardes obra literária semelhante ao Alcorão: “e certamente não podereis fazê-lo” – pois a função está além da capacidade humana – “temei, então, o fogo infernal, cujo combustível serão os homens e as pedras”, ou seja, fogo alimentado por pessoas e pedras que se transformarão em brasas. É um fogo para eles e com eles, “fogo que está preparado para os incrédulos” por Deus e que foi anunciado pelo Seu Mensageiro, que acontecerá no Dia do Juízo Final, depois de ser sido apresentado o argumento contra os pecadores.

Não há nada que se compare ao Alcorão Sagrado quanto à eloqüência e método

Para confirmar esse desafio, o Alcorão convoca os seres humanos a conseguir o seu intento não apenas individualmente, mas coletivamente: “apresentai as vossas testemunhas”, ou seja, aqueles que a humanidade tomou por deuses, alegando que eles possuem grande poder, “se estiverdes certos” em suas alegações e apego ao politeísmo. Essa frase visa a incentivá-los a aceitar o desafio. Ela significa: “Se fordes incapazes de fazê-lo, isso indica vossa mentira”. Ajam para confirmar suas alegações! A natureza do desafio exige que o desafiado utilize o que puder. Em outra momento, o Livro Lúcido procura estimular no desafiado o entusiasmo para

Por que essa junção entre as pessoas e as pedras, formando imagem tão apavorante? Esse fogo foi preparado para os incrédulos que foram descritos no início da Surata: “Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados”... Estes são os desafiados pelo Alcorão, incapazes e que não correspondem à Mensagem divina. São, então, como pedras,

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mesmo que tenham aparência humana. A reunião entre as pedras propriamente ditas e as pessoas que agem como elas é o aguardado!

Gostaríamos de ressaltar aqui algumas características importantes: 1- O indicador do envio dos profetas verazes, que sejam equipados com o milagre indicador da veracidade de suas alegações. O milagre, como é indicado pela sua pronúncia, é um ato penetrante que o profeta apresenta e os outros são incapazes de repetir. 2- O Alcorão é o milagre eterno – mas não o único, como muitas vezes se diz – do Profeta do Islã. O Alcorão é um livro que está acima da capacidade literária h u m a n a . Ninguém conseguiu, até hoje, criar algo semelhante a ele. O Livro Celestial constitui num milagre extraordinário.

significativo.

Quanto a ser um milagre racional: Os milagres dos profetas anteriores não eram dessa forma. Era necessária a existência do profeta para que as pessoas comentassem o seu milagre e ele os desafiasse, diferente do Alcorão. Ele é um milagre racional, não necessita de apresentação. Ele convoca para si mesmo, desafia por si mesmo os opositores e sai vitorioso. Ele continua desafiando hoje em dia toda a humanidade, como a desafiava na época da Revelação da Mensagem. Constitui um sistema de vida e um milagre, é um código legal e um documento espiritual que comprova a divinização do código. Quanto à eternidade e à sua abrangência mundial: O Alcorão destruiu os limites de tempo e espaço, porque os milagres dos profetas anteriores, e mesmo os milagres do derradeiro dos profetas, além do Alcorão, estão registrados em um momento histórico específico. Eles aconteceram em um local determinado, perante um grupo restrito de pessoas, como os milagres de Jesus (AS), que falou ainda no berço e ressuscitou os mortos. É claro que a imagem e

O Alcorão é um livro extraordinário, que está acima da capacidade literária humana

Esse Livro Sagrado é considerado – dentre os milagres do Profeta (S) – o maior apoio vivo da profecia do derradeiro Mensageiro, porque é um milagre racional, eterno, mundial e

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lembrança dos acontecimentos atados a tempo e lugar específicos vai se apagando quanto mais nos afastarmos da data do evento. Isso devido à particularidade das coisas temporais. O Alcorão, porém, não se vincula a um tempo ou lugar. Ele se nos apresenta hoje como apresentou-se aos árabes da época pré-islâmica, 14 séculos atrás. O passar do tempo aumentou a potencialidade da humanidade em conhecimento e meios para se beneficiar dele, mais do que antigamente. O que não se vincula a local ou lugar possui elementos de permanência e de eternidade e seu círculo de influência é mundial. É evidente que uma Religião Mundial Eterna necessita de um documento mundial eterno como esse.

pensamentos, os espíritos e as mentes humanas. É clara a distinção desse tipo de milagre sobre os milagres físicos.

3 - O Alcorão desafia a humanidade em várias suratas, entre as quais, citamos: a) “Dize-lhes: Mesmo que os humanos e os gênios se tivessem reunido para produzir coisa similar a este Alcorão, jamais teriam feito algo semelhante, ainda que se ajudassem mutuamente.” (17:88). b) “Ou dizem: Ele o forjou! Dize: Pois bem, apresentai dez suratas forjadas, semelhantes às dele, e pedi (auxílio), para tanto, a quem possais, em vez de Deus, se estiverdes certos. Porém, se não fordes atendidos, sabei, então, que este (Alcorão) foi revelado com a anuência de Deus.” (11:13-14).

O Alcorão não se vincula a tempo ou lugar, apresentando-se hoje como apresentou-se aos árabes, 14 séculos atrás

Quanto à qualidade significativa do Alcorão: Compreendemos isso ao examinarmos os milagres dos profetas anteriores, verificando que na maioria dos casos eles tiveram caráter material, físico, a exemplo da cura das enfermidades, da fala da criança no berço. Estes milagres restringiamse a submeter os membros do corpo à ação sobrenatural. O Alcorão, porém, submete os corações e as almas, fazendo ressuscitar neles a admiração e o engrandecimento. Ele interage com os

c) “Dizem: Ele o forjou! Dize: Componde, pois, uma Surata semelhante às dele; e podeis recorrer, para isso, a quem quiserdes, em vez de Deus, se estiverdes certos.” (10:38). d) Os versículos 23 e 24 da Surata Al Báqara, dos quais tratamos desde o início deste em nosso artigo. O Alcorão desafia com clareza

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e força, nesses versículos, toda a humanidade. Essa clareza e força são, portanto, uma indicação viva de sua legitimidade. Ele não se contenta a convocar as pessoas a compor algo semelhante a ele, mas as estimula e as incentiva a tentar. Nos textos de incentivo vemos, nas palavras de Deus, o Altíssimo: “Se estiverdes certos ... apresentai dez suratas forjadas, semelhantes às dele... Componde, pois, uma Surata semelhante às dele; e podeis recorrer, para isso, a quem quiserdes, em vez de Deus ... Dize-lhes: Mesmo que os humanos e os gênios se tivessem reunido para produzirem c o i s a similar a este Alcorão, jamais teriam feito algo semelhante... Porém, se não o fizerdes – e certamente não podereis fazê-lo –, temei, então, o fogo infernal cujo combustível serão os homens e as pedras.”

incontestável. Esse estímulo, incentivo e comunicação não aconteceu dentro do círculo ético ou ideológico, mas no círculo de uma batalha política, econômica e social, dentro de um círculo de batalha de vida ou morte, vinculada, com o seu destino, à existência desse novo fenômeno. A incapacidade dos opositores perante esse gritante desafio vital mostra, de forma mais clara, a extensão do milagre corânico. É preciso citar que o desafio do Alcorão não está restrito a um tempo ou lugar, mas continua até hoje. Os sábios estão em desacordo quanto à forma do milagre e o seu segredo. Será o estilo, a beleza e a excelência, ou o conteúdo, o que abrange de ciência, regras legais, notícias do desconhecido e coisa similar, ou tudo isso junto? Muito se falou a respeito. Não desejo me prolongar mencionando tudo o que se disse. Atenho-me ao que vejo quanto ao milagre. Resume-se em que o homem consegue imitar e provocar uma pessoa igual a ele mesmo, com palavras ou atos, com fingimento ou dissimulação, levando-se em consideração que cada ato de contestação do outro surge da mente e da imaginação. Porém, imitar ou provocar seu Criador em um de seus sinais é impossível, porque o

A clareza e força do Livro Lúcido são, portanto, uma indicação viva de sua legitimidade

O desafio é admirável e a afirmação da incapacidade de consegui-lo é mais admirável ainda. Se houvesse potencialidade para desmenti-lo, seus detratores ou os que duvidam não perderiam um só instante. Sem dúvida que a decretação do Alcorão Sagrado de que eles não conseguirão seu intento afirma por si só um milagre

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homem não consegue ultrapassar seus limites como criatura, não importa a força e a grandeza que alcance na vida. Chamamos a atenção para o fato de que o desafio só pode se realizado se o ato for do tipo que o desafiado pode realizar, como quando se pede para colocar a mão sã na cabeça, ou erguer uma pena do chão. Porém, se se pedir ao analfabeto ler, ou a quem não for médico curar um doente, ou a um iletrado criar versos, não se consegue realizar nenhum desafio. O Profeta Mohammad (S) desafiou os teimosos com algo que eles tinham capacidade de utilizar: a palavra, e foram incapazes de fazê-lo. Essa sua incapacidade, conferiram ao Alcorão a característica de um milagre.

ouvi de Mohammad palavras que não são palavras de humanos nem de gênios. São tão doces e é algo que prevalecerá! São palavras muito elevadas e nada se assemelha a elas!” b) O sábio britânico Carlyle² disse a respeito do Alcorão: “Se dirigirmos um olhar a esse Livro Sagrado, verificaremos as grandes verdades, as características dos segredos da existência, apresentados de forma madura em seus conteúdos, o que mostra, com clareza, a grandeza do Alcorão. Essa extraordinária distinção é característica do Alcorão e não é encontrada em nenhum outro livro científico, político e econômico. Sim, a leitura de alguns livros deixa uma influência profunda na mente humana. Essa influência, porém, não pode ser comparada à influência do Alcorão. Aqui, é necessário dizermos: As distinções básicas do Alcorão vinculam-se com as verdades e os sentimentos puros, com as grandes questões e conteúdos importantes e indubitáveis. Esse livro abrange todas as virtudes necessárias para o fornecimento da perfeição e da felicidade para a humanidade.”

Imitar ou provocar o Criador em um de seus sinais é impossível

4 – É útil mencionarmos as famosas declarações a respeito do Alcorão, entre elas as falas dos que foram opositores do Alcorão. a) Al Walid Ibn Mughira al Makhzumi. Era um árabe conhecido pela sua inteligência e qualidade. Era denominado de “Ás de Quraish¹”. Ao ouvir a recitação da Surata Gháfer, ele retornou a seu povo, o clã de Bani Makhzum, e lhes disse: “Por Allah, eu

1 - Tribo de Quraish – os coraixitas – à qual pertencia o Profeta Muhammad (s.a.a.a.s) (NE). 2 - Thomas Carlyle, escritor, historiador e ensaísta nascido em Ecclefechan (Escócia), em 1795, e falecido em Londres, em 1881 (NE).

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c) Jan Daven Burt, autor do livro “Al I’tizar ilá Mohammad wal Qur’an” (Pedido de Desculpa a Mohammad e ao Alcorão), diz: “O Alcorão está longe de qualquer defeito de tal forma que não necessita de qualquer revisão ou alteração. A pessoa o lê, do início ao fim, sem sentir qualquer tédio.” Ele disse, ainda: “Não há dúvida que o Alcorão foi revelado na mais eloquente língua, o dialeto de Quraish, a tribo árabe de maior originalidade lingüística, repleto das mais eloqüentes e extraordinárias expressões”.

da ciência, afasta-se da nossa vista o véu da ignorância e do fanatismo abominável. Em breve, esse livro ímpar chamará a atenção do mundo, tornandose o eixo do pensamento d a humanidade.” Ele disse, a i n d a : “Estávamos rejeitando o Alcorão, mas esse livro chamou a nossa atenção e provocou nossa dúvida, tornando-nos submissos ao que ele apresenta em termos de fabulosos princípios e regras práticas”.

Não há dúvida de que o Alcorão foi revelado no mais eloquente idioma

d) Goethe, o poeta alemão, disse: “A pessoa que lê o Alcorão sente, primeiro, o peso das expressões corânicas. Porém, gradativamente, passa a sentir uma atração muito forte. Ao se aprofundar nele, é atraído voluntariamente pela sua beleza mágica”. e) Em outro momento, o grande nome da literatura germânica disse: “Por longos anos, os eclesiásticos nos afastaram da compreensão das verdades corânicas sagradas e da grandeza do Profeta Mohammad. Porém, toda vez que percorremos o caminho da compreensão 3 - William Durant, historiador, filósofo e escritor norte-americano, nascido em North Adams (1885) e falecido em Los Angeles (1981) (NE)

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f) Will Durant³ , o famoso historiador, disse: “O Alcorão concedeu aos muçulmanos: glória, justiça, piedade, sem igual em qualquer outra parte do mundo.”g). O pensador francês Gustave Le Bon, em seu livro: “Tafssil al Ayát” (O Detalhamento dos Versículos), escreveu: “A ciência se expandiu no mundo pelas mãos dos muçulmanos. Eles tiraram a ciência do Alcorão, pois ele constitui um mar de conhecimento. Dele derivaram-se rios que percorreram o mundo”. h) O orientalista britânico Dinort disse: “Devemos reconhecer que a ciência natural, astronômica, filosófica e matemática que se espalharam


na Europa são, de forma geral, das bênçãos dos ensinamentos do Alcorão. Nós estamos em dívida para com os muçulmanos. Toda a Europa tem essa dívida com os países muçulmanos.” i)

por ele no espírito humano deriva de sua distinção e sublimidade. Como é possível que esse livro milagroso seja da autoria de Mohammad, sendo ele um analfabeto? Achamos que este livro é um tesouro de conhecimento que supera a capacidade de muitas p e s s o a s inteligentes, os maiores filósofos e os maiores políticos e jurisprudentes. Por isso, é impossível considerar o Alcorão como uma obra de um ser humano, mesmo que com conhecimento e sabedoria.”

O Livro Sagrado é um tesouro de sabedoria, que supera os maiores filósofos e pensadores

A Doutora Laura Valieri, professora da Universidade de Nápoles, no livro em que apresenta o Islã, disse: “O Livro celestial do Islã é um modelo de milagre ... (o Alcorão). Um livro impossível de ser imitado. Seu estilo é inigualável. A influência deixada

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Revista Islâmica Evidências - Ano 1 - número 0

Uma nova

visão do Islamismo

Edições avulsas

nº 3

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Jesus Cristo segundo o Alcorão Sagrado

Jesus Cristo segundo o Alcorão Sagrado

Sagrado Alcorão segundo o Jesus Cristo

Sagra orão o Alc ndo segu risto

Jesus Cristo segundo o Alcorão Sagrado Primeira Edição: 2007 E.C. 1428 H.

do

Livros

Jesu

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“O livro aborda os mais importantes assuntos pertinentes à vida de Jesus (a.s.), esclarecendo a sua posição no Alcorão Sagrado e mostrando a opinião dos muçulmanos a seu respeito. O autor descreve, sob o ponto de vista islâmico, o nascimento de Maria, João e Jesus (que a paz esteja com eles) e discute, baseado no Alcorão Sagrado e nos Evangelhos, questões como a filiação de Jesus (a.s.), a Trindade, a Crucificação e o anúncio da vinda do Profeta Muhammad (S.).”

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Você conhece a História e a Cultura Islâmica?

Sabe quem são os muçulmanos e no que acreditam?

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A partir de agora, você poderá ter acesso a estes temas, tão importantes para compreender o mundo em que vivemos. Afinal, a Religião Islâmica é considerada a que mais cresce no mundo, contando com 1,5 bilhão de seguidores em todo o planeta.

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Mulher

Assayyed Sharif Sayyed

Por que o Uso do Véu no Islã? O tema do véu, como é sabido, diz respeito à mulher. Porém, quem é a mulher?

A

mulher é a criatura que Deus, glorificado seja, criou na mais perfeita forma. A sua criação era necessária para ser companheira do homem, por quem tem carinho e amor. Ele encontra nela o alívio para sua solidão física e espiritual, alento quando o desejo desperta nele e quando as dificuldades diárias o atingem. Ela, por sua vez, é a mãe do homem, sua esposa, sua irmã, sua filha e sua companheira em todas as etapas da vida. Ela foi e continua sendo a causa primordial da continuidade da criação, um elemento básico para a multiplicação e perpetuação da espécie. Nem o homem, nem a mulher geram sem o concurso um do outro. Portanto, com ambos formam-se as nações e os povos. É verdade incontestável que a mulher é um dos elementos importantes da retidão das gerações. Do seu caráter dependem os valores morais. Dos limites de sua conscientização e sua conduta depende a marcha do desenvolvimento. Com ela começa a marcha da civilização. Com o seu atraso há retrocesso da civilização. Portanto, graças a ela se consegue o desenvolvimento e a prosperidade. Em geral, o ponto de vista quanto à mulher oscila entre considerá-la um ser inferior, parecido mais com as coisas do que com os seres vivos, um demônio que causa mal e pecado, ou a senhora da sociedade, governante de seu destino e do destino de seus governantes. A mulher constitui a humanidade. Ela é a produtora da espécie humana, a sentinela do ninho em que se forma a infância, é

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a responsável pela formação da conduta da alma humana. O seu papel na perfeição desse elemento não é igualado por nenhum outro ser. Isso não era considerado na época dos sistemas pré-islâmicos. A relação entre os dois sexos é um instrumento a serviço da espécie humana, responsável pela formação de um abrigo seguro, estável, harmônico e pacífico, onde a pessoa pode formar-se de maneira integral. É o pilar da sociedade, pois todo o futuro da humanidade reside nela, bem como o desenvolvimento do indivíduo.

ma efetiva na construção da sociedade. A mulher, sob o ponto de vista islâmico, desfruta de todos os direitos sociais. O Islã modificou a situação da mulher profundamente, concedendo-lhe direitos completos no âmbito espiritual, humano, legislativo e social. Deus, exaltado e glorificado seja, dirige-Se a ela como Se dirige ao homem, responsabilizando-a da mesma forma que responsabilizou o homem, igualando-os quanto aos valores humanos e espirituais.

A mulher é a criatura que Deus, glorificado seja, criou na mais perfeita forma

Essas considerações não tinham sentido nos sistemas pré-islâmicos. Neles, a mulher era uma mercadoria que podia ser comprada e vendida. Não tinha direito de protestar contra a vida de humilhação a que era submetida. Entre os persas, ela era vista com desprezo e desdém. Na China, a mulher era considerada coisa sem valor em comparação com o homem: apenas recebia e executava ordens. Entre os egípcios, era depreciada e aviltada. Entre os gregos, era considerada manobra do demônio. Entre os romanos, sofria extrema humilhação e desprezo. Entre os assírios, era o elemento do pecado e da decadência. Da mesma forma era a mulher suméria, babilônica, acádia, sassânida e entre outros povos que tiveram suas civilizações. A mulher permaneceu tateando nas trevas até o surgimento do Islã.

O Islã deseja que a mulher viva mais para o seu espírito e a sua mente do que para a sua aparência. Quer que ela se destaque como ser humano completo na sociedade, não apenas por seu aspecto físico, pois a sua feminilidade é sagrada no Islã, porém deve ser exercida diante do seu marido.

O Islã é o único sistema correto e bem sucedido no que tange à questão feminina. Com todas as suas instituições e leis, é a única solução para a mulher, traçando para ela um caminho específico e seguro, concedendo-lhe um sistema correto e claro, um papel elevado na vida, a extensão de sua responsabilidade na sociedade, destacando o seu valor e a sua posição entre os demais seres da Criação. O Islã determinou para ela os seus direitos e deveres, concedendo-lhe o que não lhe foi dado antes ou depois por qualquer outra religião, nação ou povo. À sombra da organização islâmica, a mulher consegue, como ser humano, participar de forRevista Islâmica Evidências - 19


boneca que dança, numa mercadoria sexual nos cabarés, danceterias e locais de prostituição é, na realidade, escravidão horrível, rejeitada pela mente e pela consciência. Deixem-nos ultrapassar a realidade da falsa religiosidade que a mulher pratica ou que a ela é imposta, bem como as alegações de falsa e mentirosa liberdade com seus símbolos atrativos e aparências enganadoras. Deixem-nos ir além de tudo isso e procurar nas verdades e ensinamentos da Mensagem Eterna do Islã, nas profundezas de sua magnífica história, a extensão das capacidades e as potencialidades ocultas da natureza desse ser humano – a mulher – e como podemos despertar essas potencialidades, orientando as suas virtudes a serviço das necessidades legítimas das gerações e da batalha do destino. Nosso foco, porém, é quanto a todos os atos e causas de seu afastamento dos problemas da sociedade e dos acontecimentos da vida, ora em nome da religiosidade e da castidade, ora em nome da emancipação e pureza. Em ambos os casos a capacidade da mulher é anulada e paralisada, apesar da necessidade premente da nação quanto ao seu empenho e potencialidades. Será que a religiosidade e a pureza exigem da mulher a sua clausura e isolamento, prendendo-a entre as paredes da casa, restringindo a sua preocupação aos assuntos da cozinha? Será que a emancipação e a pureza significam instabilidade, preocupação com coisas secundárias e fúteis, gastando o seu tempo e o empenho pessoal na satisfação dos desejos alheios e na frequência a locais que despertam desejos e exploram o corpo feminino? Certamente que não. A religiosidade que convoca a mulher para a insensatez e a restrição, paralisando as suas potencialidades, é uma religiosidade falsa, que não foi inspirada pelo Céu nem foi ordenada pela Mensagem Divina. Por outro lado, a emancipação absoluta, que transforma a mulher numa

E tu, ó, mulher fragilizada e subjugada, frágil e preterida pela ignorância a que foi relegada em muitas ocasiões e tempos, até quando permanecerás dissoluta, dominada, ignorando teus direitos, olvidando tua função e descuidando conhecer os teus valores humanos? Até quando seguirás os desejos mentirosos, com palavras, atos e aparência, com a ilusão inútil de alcançar a caravana adiante? Até quanto te deixarás guiar por objetivos imaginários, praticando a nudez humilhante e a descompostura vergonhosa, seguindo os costumes corruptos que atraem os que cobiçam tudo, que se infiltram através deles para atingi-la? Assim, os ventos do atraso se abatem sobre ti, levando-te pelas correntes da fragilidade e da decadência, arruinando consigo os valores, os lugares e as pessoas! Até quando vais continuar viajando nas águas revoltosas, distante da orla do mar do conhecimento e do sol brilhante? Não chegou o tempo de se livrar dessa longa estagnação que ultrapassou os limites do equilíbrio da evolução? A tua honra foi maculada, a tua dignidade foi atirada na lixeira chamada de “civilização do século vinte”.

A nudez e a exibição das atrações físicas não levam a mulher a não ser para a perdição e o erro

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A nudez e a exibição das atrações físicas não levam a mulher a não ser para a perdição e o erro. Mesmo que alguns queiram convencê-la que a nudez é modernismo, que a dança é arte, que a mistura sexual é igualdade, que as noitadas duvidosas são liberdade, a intenção por trás disso tudo é o incentivo à concupiscência, fazendo-a ingressar no campo das condutas indignas, para destruir a família de várias formas. O incentivo à exibição dos encantos femininos foi um dos instrumentos usados por esta sórdida conspiração. A nudez vergonhosa transformou o jovem dócil em lobo, salivando, querendo devorá-la. Que estranho! Tu, mulher desviada, transformas o homem em animal selvagem para machucar-te e, em seguida, acusas: “Ele me machucou!”. Tu incentivas o desejo animalesco nele – e o olhar furtivo – com a tua aparência provocadora, ele te agride – mesmo com uma palavra – e tu dizes: “Ele não tem educação!”. Tu o atrais para o desejo físico com a descompostura e a libertinagem – “Quão bonito é o meu cabelo!” –, ele colhe com um olhar um pedaço daqueles cabelos negros que caem sobre os teus ombros e aí tu dizes: “Ele é ladrão!”. Quem o transformou em animal selvagem, agressor e ladrão, além de ti? Depois que causas tudo isso, tu, mulher corrupta, dizes: “Sou a frágil vítima, a coitada”, esquecendo e ignorando que a doença é também tua e que o remédio também está em ti. Tu só podes te proteger com o hijab, o véu do corpo, e com o véu da língua, num lar de moral elevada, de pudor, que te eleva e dignifica! Se tu conheces os aspectos das ações pelo seu final, qual é o melhor: Que tu saias na condição de noiva do lar de teu pai, acompanhada pela alegria e felicidade, com a moral e as virtudes que te ensinaram na família, ou como a camisa suja que o pai, coitado, tirou, com mãos que só conheceram o carinho, o bem e a bênção? É honroso, acaso, que tu estejas descoberta, sendo filha de um excelente e purificado pai?

efeito por muitos jovens e pais, que obscurecem os teus direitos e ignoram o teu papel, desorientando-te através dos caminhos da fraude e de palavras melodiosas. Em segundo lugar, vemos o crime que tu praticas livremente, quando pensas ilusoriamente que o véu é sinal de atraso, deixando-te dominar pela descompostura, transformando-te de um ser humano alegre e carinhoso em demônio que desperta a preocupação e a tristeza para si e para muitos outros. Minha amiga: Com as tuas crenças errôneas a respeito da civilização iminente, está te suicidando e o suicídio é ilegal e proibido!

Muitos jovens e até mesmo

pais obscurecem os direitos da mulher, desorientado-a

Irmã, nessa época vemos os sofrimentos – os teus sofrimentos – em dois crimes: Um, levado a

Vem, para que te mostremos o caminho, iluminemos as trevas dos pensamentos errôneos em que tropeças, de forma cega, na tua incompreensão. Assim, eliminaremos a ignorância, que te carrega como uma pena levada pelo vento, ou um frágil tronco de madeira levado pelas ondas do mar.

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Conceitos Errôneos

A Utilização do Nome Familiar

A

questão do nome familiar, do nome pessoal, do apelido, da reputação, da fama continua desempenhando papel importante na vida da pessoa. O jovem e a jovem continuam sendo influenciados pela glória da família, seu nome, sua reputação e seu glamour, por serem descendentes de uma família de influência social, refletindo neles um brilho de cuja criação eles não participaram. Pode ser que o nome familiar desempenhe o papel de dissimular os defeitos e os erros dos indivíduos que compõem esta família. O filho de família conhecida e famosa não presta contas, socialmente, como presta contas o filho de uma família desconhecida. O Mensageiro de Deus (S) advertiu sobre esta questão, dizendo: “Os povos anteriores a vós fracassaram. Quando o filho do nobre roubava, ele ficava impune, e quando o filho do plebeu roubava, este era punido.” O nobre aqui é o descendente de uma família conhecida entre as pessoas, por ter destaque no âmbito econômico, científico, literário, político ou religioso. Esse também é um dos conceitos errôneos. Devemos nos concentrar no seguinte: O que esse jovem ou essa jovem, independentemente do nome da família, apresentam em atos que indicam a sua capacidade, habilidade e empreendimento? Um poeta disse:

“O jovem é quem diz: ‘Eu sou’!”, “Não quem diz: ‘Meu pai era...’” Um estrado que o jovem faz com seu empenho pessoal é melhor para ele do que um púlpito que o pai ou o avô ou um dos seus tios utilizava. Para conquistar o direito de se sentar diante do púlpito, ele deve oferecer o que seu pai ou seu avô ofereceram, ou mais ainda, para ser digno de seu nome e não do nome deles. Eu levo o nome da família, porém não levo mais do que o nome. Não herdo o conhecimento, ou a reputação que eles adquiriram com o seu empenho, luta e longa perseverança, principalmente se for incapaz, de conteúdo vazio, vivendo da glória do passado. Talvez alguns pais cometam o erro de casar as filhas com um filho de família conhecida por apenas ter nome, sem verificar os aspectos, as qualidades e as particularidades pessoais de quem está pedindo a mão da filha. Alguns pais se preocupam, também, em casar o filho com uma moça de família conhecida pelas mesmas razões. Contudo, o nome da família nada tem a ver com a felicidade do casal. Talvez, apenas ater-se ao nome da família, sem levar em consideração as outras qualidades, proporcione ao casal só arrependimento.

Ater-se apenas ao nome da família, sem levar em consideração outras qualidades, pode levar ao arrependimento

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Jurisprudência

O conceito de Diligência (Ijtihad) Depois de abordarmos o significado da Lei no seu aspecto técnico, sendo a Legislação Divina que organiza a vida do ser humano e suas diversas relações, e discorrermos sobre os encargos da Lei, de forma sucinta vamos apresentar, agora, o conceito de diligência (Ijtihad) e explicá-lo, revelando a relação estreita e o vínculo orgânico entre estes termos.

É

Ijtihad (Diligência)

o processo, por parte do jurisprudente, para descobrir as leis islâmicas secundárias que dizem respeito à organização da vida humana. Também pode ser definida como a elaboração de uma regra com base nos estudos das fontes básicas. Estas regras podem dizer respeito aos atos de adoração, propriedade, trabalho, riqueza, jurisprudência,

política, assuntos da família, etc. Esse processo científico (Ijtihad) desempenha um papel cultural e civil muito avançado e importante na vida do indivíduo, da sociedade e da nação, pois colabora no desenvolvimento da vida civil, cultural e religiosa, abrindo os horizontes legais e jurídicos perante ela, destruindo as barreiras da petrificação e estagnação da sociedade. Se não fosse a operação de Ijtihad, o vigor islâmico

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seria impossível. A vida do ser humano cresce, move-se. As relações humanas desenvolvem-se e multiplicam-se. Os acontecimentos e as realidades humanas giram e renovam-se. Todas essas novidades e mudanças, enfrentadas pelos bancos, empresas, relações de trabalho, diretorias, indústrias e descobertas, seja no campo cultural, religioso ou civil, necessitam de uma organização legal, um esclarecimento jurídico, mostrando a responsabilidade do muçulmano e organizando suas relações, estabelecendo a sua posição, limites e o seu papel jurídico.

Está vinculada a essas duas situações uma situação cultural e internacional perigosa: incapacitar o Islã de se adaptar à vida, vedando o caminho da Nação Islâmica para o estabelecimento de uma existência internacional e cultural evoluída, calando-a no sentido de divulgar a todos a bondade divina, imprescindível para o mundo humano, permitindo-o debater-se na anarquia.

Se não fosse a operação de Ijtihad, o vigor islâmico seria impossível

O processo de Ijtihad é responsável por atender todas essas exigências, proporcionando respostas a cada pergunta formulada nesse sentido. Se não fosse o Ijtihad, o muçulmano responsável se viria perante duas situações:

a) A petrificação e a estagnação, a rejeição de tudo que é novo e evoluído na vida, por desconhecimento da sua classificação legal, da falta de clareza quanto à sentença legal específica a respeito das novas questões na vida do ser humano. b) Livrar-se da responsabilidade legal, diluindo-se no meio circundante e assumindo princípios não-islâmicos, adotando leis e conceitos alheios à Religião, estabelecendo situações e condutas errôneas, baseando-se nos métodos, idéias, princípios legais e culturais estranhos ao Islã. Em ambos os casos, o muçulmano incorre em agressão aos objetivos islâmicos, alienando-se em relação à extensão das eternas leis divinas e contrariando o seu espírito vivo. 24 - Revista Islâmica Evidências

Tudo isso é contrário aos objetivos islâmicos, ao espírito da lei islâmica, aos valores da Eterna Mensagem Islâmica, como testemunha o Alcorão Sagrado e a nobre Sunna:

“Temos-te revelado, pois, o Livro, que é uma explanação de tudo, é orientação, misericórdia e boas-novas para os muçulmanos.” (16:89). E a Nobre Tradição diz: “Deus, bendito e exaltado seja, revelou no Alcorão a explicação para tudo, nada deixando que as pessoas necessitassem, para que nenhum servo pudesse dizer: ‘Se tivesse sido revelado no Alcorão!’ Certamente Deus revelou tudo no Alcorão.” E diz mais: “O Alcorão é vivo e não morre. Ele acontece como acontecem a noite e o dia, como acontecem o sol e a lua, e acontece para o primeiro e o último de nós.” Ao analisarmos esses eternos textos islâmicos, percebemos que o Alcorão é a fonte do Islã, a origem de suas Leis, o recipiente de suas prescrições e suas regras, valores e conceitos. Eterno como a noite e o dia, uma luz que espalha os raios da orientação sobre o planeta terra, assim como o sol e a lua espalham a sua luz. Porém, nós, individualmente, não temos a capacidade para avaliar todas as implicações do Alcorão, nem descobrir as regras da vida e da Lei Islâmica dentre os tesouros do Livro: “Os versículos do Alcorão são tesouros. Toda vez que um tesouro é aberto, deves analisá-lo.” Essa riqueza legislativa, essa enorme fortuna cultural que os versículos do Alcorão abrangem, necessita de empenho científico, de esclarecimento correto, capaz de colher desta fonte sagrada os elementos necessários e suficientes para as respos-


tas às necessidades e anseios do ser humano. É natural que alcançar a profundeza e o sentido legal do Alcorão não seja algo pacífico ou pré-determinado em algum lugar ou questão. É impossível ao jurisprudente cumprir essa tarefa superficialmente, porque esta é uma incumbência de quem recebeu a revelação, ou seja, o Nobre Mensageiro (S). Ele entendeu o espírito do Livro, conheceu suas palavras e provas, a sua forma espiritual, o seu conteúdo, as normas legislativas e prescrições práticas nele contidas com orientação divina, bem como o seu conhecimento evidente através da revelação. Isso determina o papel da Sunna Profética quanto ao Alcorão. Ela incorpora o descobrimento do conteúdo do Alcorão, de sua elaboração como norma e prescrição manifesta na vida do indivíduo, em todas as esferas em que não foi especificada a prescrição e a clareza. Por isso, a relação entre os dois – Livro e Sunna – se parece em muito com a relação entre a constituição e a lei ordinária. A constituição de um país manifesta a base fundamental das leis e normatizações. Por exemplo, ela estabelece “a liberdade de posse e o respeito à propriedade”, transmitindo, então, a questão para a norma. O legislador é quem detalha as normas, colocando-as de maneiras a permitir a plena vigência do artigo constitucional, evidenciando-o detalhadamente.

Vamos dar um exemplo: O Alcorão determina o pagamento da Zakat, mas não especifica as quantias, nem todos os seus fatos geradores. Foi a Sunna Profética que se encarregou disso, esclarecendo-a e a detalhando. Esse esclarecimento e detalhamento acontecem com a expressão do nobre Mensageiro, traduzindo-os em palavras humanas. Para a plena execução deste papel fundamental da Sunna, foi da anuência de Deus que houvesse Imames orientadores que representassem a extensão natural dela, constituindo o lado sensato, conhecedor do espírito e do conteúdo do Alcorão, por meio da preparação e orientação profética especial, permitindo, deste modo, que a corrente da Sunna permanecesse viva e ativa, enriquecendo a vida, dirigindo-a sob a orientação do Alcorão. Os Imames são os descendentes da Casa Profética (AS). Depois deles vêm os jurisprudentes e os Mujtahids, desempenhando o papel de descobrir e apresentar as leis e as normas, extraindo-as de suas fontes. Por isso, deixar a porta do Ijtihad aberta era necessário para a extensão dos horizontes da lei, enriquecendo a comunidade humana com os conceitos e as normas necessárias para a organização da evolução da vida. Por isso, também, o Ijtihad é uma necessidade coletiva dos muçulmanos, baseada na compreensão da lei e no descobrimento de seus preceitos.

O Alcorão é a fonte do Islã, a origem de suas Leis, o recipiente de suas prescrições e regras

O mesmo acontece com a nobre Sunna. O seu papel é traduzir o conteúdo do Alcorão e a sua elaboração como norma efetiva para a vida. Há necessidade de um esclarecimento vinculado a esse exemplo: a Sunna não deve ser vista como empenho profético na elaboração do espírito corânico, expressando o seu conteúdo de forma normativa, como é o caso da relação entre a constituição e a lei. Ela é inspiração e ensinamento divino, no seu conceito e abrangência. Porém, a sua expressão e a sua dimensão literária pertencem ao próprio Mensageiro (S).

Resumindo, o Islã possui duas fontes: a) o Livro, b) a Sunna. Como o jurisprudente executa a operação de descobrimento das normas é o que trataremos no número seguinte, se Deus quiser.

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Nós e a Vida

Uma Olhada para Nós Mesmos Os caminhos da vida são inúmeros e variados, neles há a perdição e o desvio, o bem e a orientação.

É

certo que devo conhecer a mim mesmo, conhecer a minha personalidade e meu valor na vida. Sou ser humano e o ser humano tem enorme importância nessa existência, tem responsabilidade importante nesta vida. Nasci nesse mundo honrado e respeitado. Deus, glorificado seja, me concedeu todos esses direitos, como me concedeu direito e sorte nesta vida. Ele disse: “Enobrecemos os filhos de Adão e os conduzimos pela terra e pelo mar; agraciamo-los com todo o bem e os preferimos enormemente sobre a maior parte de tudo quanto criamos.” (Alcorão Sagrado. 17:70) Como nasci na fitra (natureza inata) de forma límpida, livre de todo o mal, nasceram comigo instintos, sentimentos, consciência e sensibilidades. Ela cresceu juntamente com o meu corpo e abriu a minha mente. Com a mente e com os instintos comecei a me relacionar com a vida. É certo que eu expresse isso de forma correta, esteja consciente de que tenho a responsabilidade de conservar imaculado o meu “registro da vida”. A minha personalidade e o meu futuro são dados em confiança a mim. Devo dispor deles como eu quiser e guiar a mim mesmo como quiser. Os caminhos da vida são inúmeros e variados, neles há a perdição e o desvio, o bem e a orientação. Muitas pessoas se desviam ainda jovens, algumas não alcançando os dezessete anos de idade. Elas caem vítimas da violência, da corrupção e se deixam levar pelos instintos. São dominadas pela ignorância, pela ilusão, ou se rendem à imaginação e ao mundo da fantasia; ou são guiadas pelo prazer na direção do abismo. Seu caráter foi poluído. O juízo e os departamentos de polícia confirmam que seus atos são um ponto de desonra em suas condutas. Os demais passam a olhá-las com desprezo e poucos têm piedade delas, não tendo nenhum estímulo para salvá-las da péssima situação em que se encontram. 26 - Revista Islâmica Evidências


Nobres Sentimentos

Assayyed Sharif Sayyed

O Amor

F

alar sobre o amor é necessário, principalmente na época atual, quando o mundo vive, de ponta a ponta, uma vida repleta de anarquia, guerras, exclusão, perseguição, enfim, de todo tipo de arbitrariedade, rancor e inimizade.

Esse nosso ensaio representa uma lição modesta de filosofia do puro amor divino, sorvido pelo Sistema Islâmico, que Deus concedeu à humanidade como misericórdia, com carinho. Esperamos, por intermédio deste texto, satisfazer o desejo do querido leitor, para que a verdadeira visão islâmica sobre o amor se manifeste, claramente. Vamos enfatizar o que a Mensagem Celestial nos expôs na terra em termos de ensinamentos luminosos divinos, por intermédio dos quais se move à pulsação dos sentimentos e das sensibilidades em relação ao amor verdadeiro.

A Religião Islâmica nos ordena ter amor e nos convoca a ele, nos incentiva a praticá-lo. O Mensageiro de Deus (S) disse: “Amai a Deus pelo que Ele vos proporciona de dádivas, e amai a mim por amor a Deus e amai a minha Família por amor a mim.” A convocação islâmica é: Amor a Deus, amor ao Mensageiro de Deus, amor à religião e amor às Suas criaturas. Deus, exaltado e glorificado seja, tornou o amor entre os casais como sinais nobres, como prova de Sua onipotência. Deus, abençoados sejam Seus nomes, diz: “Entre os Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que com elas convivais; e colocou amor e piedade entre vós. Por certo que nisto há sinais para os sensatos.” (30:21).

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O amor é uma das marcas da vida espiritual do crente, um sentimento que possui peso no Sistema Islâmico. Os muçulmanos não se alegraram mais com outra coisa, depois do Monoteísmo, do que com o amor. Um beduíno foi ter com o Profeta (S) e lhe perguntou: “Ó, Mensageiro de Deus (S), quando acontecerá a Hora (o Dia do Juízo Final)?” Respondeu-lhe o Profeta (S): “O que tu preparaste para ela?” O homem respondeu: “Não preparei muitas orações, nem muito jejum, nem muita caridade, mas eu amo Allah e o Seu Mensageiro.” O Mensageiro de Deus (S) lhe disse: “As pessoas estarão com quem amam.” Os muçulmanos se alegraram com a ordem ao amor e com a pregação do amor e se ocuparam com o que os alegrou. Eles ouviam o Mensageiro de Deus (S), quando ele evocava o seu Senhor, suplicando: “Ó, Deus, peço o Teu amor, o amor de quem Te ama e o que me aproxima de Teu amor.” A fé no Islã está baseada no amor e na amizade. O Mensageiro de Deus (S) disse: “Por Aquele em Cujas Mãos está a minha alma, não ingressareis no Paraíso até crerdes e não crereis se não amardes uns aos outros. Quereis que vos indique algo que, se o fizerdes, amar-se-ão? Espalhei a paz entre vós.” Ele tornou o ingresso no Paraíso dependente da fé e tornou a fé dependente do amor. Portanto, o amor é uma condição da fé, um pilar da crença e a base da religião.

como se fossem uma sólida muralha.” (61:4). O Alcorão Sagrado estabelece, em muitos de seus versículos, o amor. Deus, Todo-Poderoso, ama “os arrependidos, os purificados, os benevolentes, os pacientes e os tementes...” O Glorificado espalha o Seu amor sobre quem O ama. Ele diz a Moisés (AS): ”Eu lhes infundi amor para contigo, para que fosses criado sob a Minha vigilância.” (20:39). Os crentes amam e o seu amor maior é para Deus, corroborando as Suas palavras: “...mas os crentes só amam fervorosamente a Allah” (2:165). Eles amam e se aproximam de seu Senhor e Amado. O amor constitui aproximação... e concessão. Aproximação do amado e concessão ao amado. A respeito disso, a Tradição Sagrada diz: “Jamais o Meu servo se aproximará de Mim com algo que Eu goste mais do que lhe prescrevi como obrigatório. Que Meu servo continue se aproximando de Mim através dos atos opcionais (orações, jejum, caridades), até que Eu venha a amálo. E, ao amá-lo, serei os ouvidos com os quais ouve, as vistas com as quais enxerga, as mãos com as quais opera e as pernas com as quais anda. Se Me pedir algo, dar-lhe-ei.”

A Religião Islâmica nos ordena ter amor e nos convoca a ele, nos incentiva a praticá-lo.

Desejar o bem aos outros é um complemento para a fé. O Mensageiro de Deus (S) disse: “Nenhum de vós será verdadeiramente crente até desejar ao irmão o que deseja a si mesmo.”

O amor no Islã é um método que possui limites, meio, marcas e restrições. É um plano educacional divino que eleva os sentimentos, educa a conduta, restringe os instintos, oferece a cada alma o que a protege dos delitos, que a veda dos deslizes e das inclinações, a conduz até se tornar uma alma limpa, iluminada, que ama e é amada.

Deus Todo-Poderoso ama quem O procura, depende d’Ele, é sincero com Ele, obedece-O, bate à Sua porta e espera ser recebido por Ele. Ele ama as pessoas que se amam e estão dispostas ao sacrifício, ao martírio e ao empenho pela causa d’Ele, pela elevação da Sua Palavra e pelo apoio à Sua Religião: “Em verdade, Allah aprecia aqueles que combatem, em fileiras, por Sua causa,

O mundo atual está envolvido com a matéria, decaindo para o abismo da intranqüilidade, da preferência pessoal e do egoísmo. Com o seu coração insensível repleto de rancor, ódio e aversão, está necessitando de boas doses de amor e amizade, que curem as feridas, lavem o ódio, dispersem a preferência pessoal e eliminem a aversão e o egoísmo.

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O amor, com tudo o que abrange de significados, com tudo o que espalha de segurança e tranqüilidade e por tudo que dissemina em termos de satisfação, amizade e paz é um tratamento para a insegurança, um tratamento para o homem urbano, o homem da época moderna que entende, de maneira equivocada, que o amor é liberdade ilimitada, desprendimento sem restrições, anarquia irracional e satisfação dos instintos animalescos. Ele decaiu e foi levado pela corrente até os abismos da intranqüilidade, do egoísmo, de aflição, da desordem, à procura

da salvação. E não há salvação a não ser no amor, no amor à justiça, à luz, à paz. Deus é Justiça, Luz e Paz.

Após essa introdução, nos próximos números falaremos sobre todo tipo de amor, utilizando o Alcorão Sagrado e as Tradições do extraordinário Mensageiro de Deus (S) e de sua Família Purificada¹.

O amor é uma das marcas da vida espiritual do crente, um sentimento que possui peso no Sistema Islâmico.

Que Deus nos torne daqueles que amam e são amados. Pedimos-Lhe que nos conceda o Seu amor, o amor de quem O ama e o amor a todo ato que nos aproxima d’Ele.

1-I.é, Os crentes amam e o seu amor maior é para Deus, corroborando as Suas palavras: “...mas os crentes só amam fervorosamente a Allah” (2:165). Eles amam e se aproximam de seu Senhor e Amado. (a.s.) (NE).

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Narrativas do

Alcorão e daVida Parte 4

Os Jovens da Caverna O afastamento do desvio e o ingresso nele.

S 1ª Cena:

amud é o povo do profeta Sálih (a.s.), a quem Deus ordenou que deixasse a fêmea do camelo beber água um dia e ele, outro. Porém, o povo de Samud desobedeceu à ordem divina e matou o animal, injustamente. Isso é relatado pelo Alcorão: “Respondeu-lhes: Eis aqui a fêmea

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de camelo, que tem direito à água, assim como vós tendes o vosso direito, num dia determinado. Não lhe causeis dano, porque vos açoitará o castigo do Dia Terrível. Porém, a esquartejaram, se bem que logo se arrependeram. E o castigo os açoitou. Sabei que nisto há um sinal; porém, a maioria deles não crê.” (26:155-158).


2ª Cena Em um lugar qualquer havia um governante e seu povo, que adoravam os ídolos. O governante obrigava as pessoas a adorar aquelas imagens. Porém, um grupo de jovens crentes rejeitou isso. Uma vez que o governante era tirano e castigava quem não o obedecia, eles pediram a Deus que lhes concedesse um local para se retirar e procurar uma saída da situação crítica em que se encontravam. Ele os guiou a uma caverna. Porém, a vontade de Deus determinou que dormissem lá por longo tempo, até que a situação mudasse e outro governante assumisse, com outro tipo de governo. O resumo da história é apresentado nos dois versículos seguintes: “Narramos-te a sua verdadeira história: Eram jovens que acreditavam em seu Senhor, pelo quê os aumentamos em orientação. E robustecemos os seus corações; e quando se ergueram, disseram: ‘Nosso Senhor é o Senhor dos céus e da terra e nunca invocaremos nenhuma outra divindade em vez d’Ele; porque, com isso, proferiríamos extravagâncias’.” (18:13-14).

A Comparação Entre as Duas Cenas: 1 – A primeira cena apresenta um líder correto, crente e profeta, que não ordena ao seu povo a não ser o que Deus lhe ordena. Além disso, ele não lhes deseja a não ser o bem e a reforma. A segunda cena apresenta um governante tirano, que ordena seu povo à idolatria, ao extravio e ao politeísmo.

3 – Na primeira cena as pessoas respondem com o esquartejamento da fêmea de camelo, entre quem preparou o equipamento, quem executou a tarefa, quem viu o mau ato e se calou. Por isso, Deus castigou a todos. Na segunda cena, o clima geral imposto não representou justificativa para um grupo de jovens crentes aceitarem o politeísmo. Por isso, Deus os salvou do povo injusto. 4 – Deus descreveu o grupo desviado do povo de Samud com as palavras: “E orientamos o povo de Samud; porém, preferiram a cegueira à orientação.” (41:17). E descreveu o grupo crente dos jovens (o Povo da Caverna), dizendo: “Eram jovens que acreditavam em seu Senhor.” (18:13). A diferença é clara: Há lá a preferência da cegueira à visão e há aqui a crença e o aumento da orientação.

O povo de Samud desobedeceu à ordem divina e matou a fêmea do camelo, injustamente

2. Na primeira cena um grupo de pessoas desobedece à ordem de seu profeta, que é a ordem de Deus, e na segunda cena um grupo de pessoas obedece ao seu governante, apesar de ser uma desobediência crucial a Deus.

5 – As pessoas, na segunda cena, obedecem ao governante politeísta e tirano e aceitam os seus atos, calando-se e permitindo a adoração aos ídolos. Porém, os jovens da caverna eram monoteís

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tas e rejeitaram adorar a alguém além d’Ele. Eles não se renderam à corrente, mas nadaram contra ela. As pessoas, na primeira cena, porém, fizeram o contrário, seguiram todos a corrente e mesmo aqueles que não participaram do esquartejamento da fêmea do camelo, aceitaram-no, permitindo que tal ato fosse praticado. A Tradição diz: “A participação coletiva é companheira do ato propriamente dito e sua aceitação. O esquartejamento da fêmea do camelo por um só homem de Samud fez com que Deus incluísse todos no castigo por causa da anuência geral.” Outra Tradição diz: “Quem aceita o ato de um povo é como quem participa dele. Cada um que participa de um mau ato comete dois pecados: O pecado de participar dele e o pecado de aceitá-lo”. Assim, podemos resumir as diferenças em: - Na história do povo de Samud, há a participação coletiva no ato ilícito. - Na história do povo da caverna, os jovens se separam do grupo incrédulo. - No primeiro caso, há uma mente coletiva que domina as vontades e as paralisa, fazendo-as mover-se sem consciência ou discussão sobre as ordens impostas.

Nós encontramos jovens de ambos os sexos desprovidos totalmente de liberdade e independência. Se nós lhes perguntamos: “Por que estão fazendo isso, perdendo a sua honra e tumultuando sua personalidade?” Respondem: “Fazemos parte da coletividade e não desejamos nos separar dela”, sem levar em consideração se a sua coletividade está agindo corretamente ou não, está certa ou errada, pratica coisas lícitas ou ilícitas. Esse é o fanatismo cego, muito parecido com o do povo de Samud, que se auxilia na prática do ilícito. A aplicação prática do segundo tipo é o que observamos em termos de crença e conscientização dos jovens de ambos os sexos, que não são levados pela corrente, por mais forte que ela seja. Eles traçaram o seu caminho e discerniram entre o certo e o errado. Mesmo que a sociedade seja débil, injusta e corrupta, isso não justifica a debilitação, o aproveitamento, a injusta e a corrupção. Eles constituem os pilares da luz nos caminhos escuros. Se não fossem eles, seu empenho e paciência, sua conscientização e crença, se não fossem seus protestos em favor da verdade e sua conduta reta, estaríamos tateando nas trevas.

O grupo de jovens crentes não aceitou o politeísmo. Por isso, Deus os salvou do povo injusto

- No segundo caso, uma mente aberta e uma vontade independente rejeitam serem incrédulos como membros, de uma manada. - No primeiro caso, a incredulidade e o extravio movem-se com base na violência, eliminação das pessoas e auxílio na injustiça. - No segundo caso, a crença profunda convoca para a conscientização e rejeição da adoração a alguém além do Deus Único.

As Aplicações Práticas: Entre as aplicações práticas da primeira cena (do povo de Samud), estão os sem caráter ou os que seguem os outros, os envolvidos com a banda, os grasnadores que acompanham todo grasnador,

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ou a maioria calada que deixa de fazer o que for necessário para evitar a injustiça ou o extravio.

Comete erro quem diz: “Que valor tenho? Que diferença posso fazer? Não passo de um ponto de luz num ambiente de escuridão!”. Ele esquece que um ponto de luz aqui, outro acolá, causa furos na escuridão e que todas as trevas do mundo não conseguem apagar a luz de uma só vela. Resta dizermos que os jovens da caverna não se isolaram da situação reinante, fugindo da responsabilidade, mas correram à procura de uma solução ou uma saída para combater o politeísmo reinante, que desejava que eles fossem parte dele. Eles quiseram construir o seu próprio edifício, baseado na Unicidade de Deus e na obediência a Ele.


Pilares da Fé

A Ressureição e a Vida após a Morte A vida fica sem sentido sem a Ressurreição

C

remos que a humanidade será ressuscitada após a morte uma só vez para ser julgada, para que cada pessoa receba o que lhe é destinado, de acordo com as suas ações. Quem fizer o bem terá o Paraíso como destino e quem fizer o mal terá como parada final o Inferno: “Deus! Não há mais divindade além d’Ele! Ele vos congregará para o indubitável Dia da Ressurreição.” (4:87) “Então, quem tiver transgredido, esse certamente terá a Fogueira por morada. Ao contrário, quem tiver temido o comparecimento ante o seu Senhor e se tiver refreado em relação à luxúria, terá o Paraíso por abrigo.” (79:36-41). Nós acreditamos que esse mundo é uma ponte. O dever do ser humano é passar por ela para alcançar o seu eterno destino. Em outras palavras, é uma escola ou plantação para o Outro Mundo. O Imam Ali (A.S) disse a respeito da vida mundana: “Em verdade, este mundo é uma casa de veracidade para quem a aprecia, um lugar de segurança para aquele que o entende, uma casa de riqueza para quem junta provisões (para o Outro Mundo) e uma casa de instruções para aquele que dela sabe tirá-las. É um local de culto para os adoradores de Deus, um lugar de oração para os anjos de Deus, um local onde a revelação de Deus se apresenta e um centro de comércio para os devotados a Deus.”¹

1- ALI BIN ABI TÁLIB, Imam. Nahj Al Balágha (O Método de Eloqüência), pg. 383

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Os sinais da Ressurreição são cristalinos Cremos que os sinais da Ressurreição são extremamente claros, por que: Primeiro: É impossível que a vida terrena seja o objetivo final do ser humano, como se ficássemos aqui alguns dias, enfrentássemos muitos problemas e, então, sem mais nem menos, de repente, fossemos embora e tudo acabasse: “Pensais, porventura, que vos criamos por diversão e que jamais retornareis a Nós?” (23:115). Nesse versículo há um indício de que a vida terrena é inútil sem o retorno.

suas vidas e suas mortes serão iguais? Que péssimo é o que julgam!” (45:21). Terceiro: A vasta Misericórdia Divina exige que não cessem as bênçãos celestiais e as dádivas depois da morte do ser humano, dando sequência à humanidade para quem merece: “Ele impôs a Si mesmo a clemência. Ele vos congregará no indubitável Dia da Ressurreição!” (6:12).

Esse mundo é uma ponte pela qual o ser humano deve passar para alcançar o seu destino eterno

Segundo: A Justiça Divina exige que os virtuosos sejam separados dos maldosos, para que cada um obtenha o que merece: “Pretendem, porventura, os delinqüentes, que os equiparemos aos crentes que praticam o bem? Pensam, acaso, que

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O Alcorão Sagrado se dirige aos quem têm dúvida sobre o retorno: “Porventura, estafamo-nos com a primeira criação? Qual! Estão em dúvida acerca da nova criação.” (50:15). “E nos propõe comparações e esquece a sua própria criação, dizendo: Quem poderá recompor os ossos, quando já estiverem decompostos? Dize: Recompô-los-á Quem os criou da


primeira vez, porque é Conhecedor de todas as criações.” (36:78-79). Acrescento a isso que a criação do ser humano não é uma coisa difícil em comparação com a criação dos céus e da terra. Quem tem Poder de criar o vasto universo, com tudo de maravilhoso que existe, tem Poder de ressuscitar os mortos: “Não reparam, acaso, em que Deus, que criou os céus e a terra, sem Se esforçar, é capaz de ressuscitar os mortos? Sim! Porque é Onipotente.” (46:33).

A maior parte dos versículos corânicos que falam sobre a Ressurreição aborda a ressurreição dos corpos. O Alcorão respondeu aos que duvidam disso e se perguntam como os ossos deteriorados poderão voltar a viver. Diz: “Dize: Recompôlos-á Quem os criou da primeira vez, porque é Conhecedor de todas as criações.” (36:79). “Porventura, o homem crê que jamais reuniremos os seus ossos? Sim, porque somos capazes de restaurar as pontas dos seus dedos.” (75:34). Esses versículos e outros semelhantes mostram claramente a Ressurreição dos corpos. Por outro lado, os versículos que falam sobre a Ressurreição das pessoas nos túmulos indicam claramente a Ressurreição dos corpos, como os versículos 36:51-52, 54:7 e 70:43. A maior parte dos versículos específicos quanto à Ressurreição, no Alcorão Sagrado, indicam a Ressurreição espiritual e física.

É impossível que a vida terrena seja o objetivo final do ser humano, como se tudo acabasse de repente

A Ressurreição física: Cremos que o corpo e o espírito em conjunto serão ressuscitados na Outra Vida para nos ser concedida uma nova vida, porque as ações terrenas findaram para o corpo e o espírito e ambos devem ser recompensados ou castigados, em conjunto.

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O Mundo Após a Morte

A Ressurreição e as ações

Cremos que as coisas ocultas do Mundo Após a Morte, da Ressurreição, do Paraíso e do Inferno são muito mais do que imaginamos nesse nosso mundo limitado: “Nenhuma alma caridosa sabe que deleite para os seus olhos lhe está reservado, em recompensa pelo que fez.” (32:17). A Tradição Profética ensina: “Deus diz: Tenho disposto para os virtuosos dentre Meus servos o que um olho jamais viu, um ouvido jamais ouviu, nem foi imaginado por cérebro humano algum.” Somos, neste mundo, parecidos com o feto no útero da mãe, que desconhece o sol, a lua, o ar, as flores, o barulho do mar. Mesmo que ele tenha cérebro e inteligência, este mundo em comparação com o mundo da Ressurreição é como o útero em relação ao nosso mundo.

Cremos que os registros que mostram as nossas ações ser-nos-ão entregues no Dia da Ressurreição. O virtuoso receberá o seu registro com a mão direita e o corrupto receberá o registro com a esquerda. Nesse dia, os virtuosos se alegrarão e os pecadores e desobedientes se desesperarão: “Então, aquele a quem for entregue o seu registro, na destra, dirá; Ei-lo aqui! Lede o meu registro; sempre soube que prestaria contas! E ele gozará de uma vida prazenteira, em um jardim sublime, cujos frutos estarão ao seu alcance. (E será dito àqueles que lá entrarem): Comei e bebei com satisfação, pelo bem que propiciastes em dias passados! Em troca, aquele a quem for entregue o seu registro na sinistra, dirá: Ai de mim! Oxalá não me tivesse sido entregue

Os nossos registros, que mostram as nossas ações, ser-nos-ão entregues no Dia da Ressurreição

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o meu registro.” (69:19-25). Porém, não está claro para nós como os registros serão escritos, nem conhecemos sua forma.

As testemunhas do Dia da Ressurreição Cremos que Deus, exaltado seja, testemunha todos os nossos atos, como há outras testemunhas que são as nossas mãos, os nossos pés, a nossa pele, o solo sobre o qual morávamos, etc.: “Neste dia, selaremos as suas bocas; porém, as suas mãos Nos falarão, e os seus pés confessarão tudo quanto tiverem cometido.” (36:65). “E perguntarão às suas peles: Por que testemunhastes contra nós? Responderão: Deus foi Quem nos fez falar; Ele faz falar todas as coisas!” (41:21). “Nesse dia, ela declarará as suas notícias, porque o teu Senhor lhas terá

revelado.” (99:4-5).

A Senda e a Balança das Ações Cremos na existência da Senda e da Balança no Dia da Ressurreição. A primeira é a ponte que será estendida sobre o Inferno, para ser ultrapassada por toda a humanidade. Ou melhor, o caminho do Paraíso passa por sobre o Inferno: “E não haverá nenhum de vós que não tenha de passar por ele, porque é um decreto irrevogável do teu Senhor. Logo salvaremos os devotos e deixaremos ali, genuflexos, os injustos.” (19:7172). A passagem por essa Senda perigosa tem relação com os atos do próprio ser humano. O Hadith (Tradição) diz: “Alguns passam como um raio, outros com a velocidade do vento, outros passarão andando, outros passarão segurando nas beiradas, com o fogo alcançando algumas partes dele.”

Os profetas, os Imames e os escolhidos por Deus intercederão para que alguns sejam incluídos no perdão de Deus

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Quanto à Balança, como o seu nome diz, serve para pesar os atos do ser humano. No Dia da Ressurreição todos os nossos atos serão pesados e teremos de prestar contas de cada um deles: “E instalaremos as balanças da justiça para o Dia da Ressurreição. Nenhuma alma será defraudada no mínimo que seja; mesmo se for do peso de um grão de mostarda, têlo-emos em conta. Bastamos Nós por cômputo.” (21:47). “Porém, quanto àquele cujas ações pesarem na balança, desfrutará de uma vida prazenteira. Em troca, aquele cujas ações forem leves na balança, terá como lar um (profundo) precipício.” (101:6-9). Certamente, cremos que a salvação da pessoa, no mundo pósmorte, depende de seus atos e não de suas esperanças e preocupações. Estas não a salvarão do Inferno. Não há proveito em

todos os meios sem o caminho do temor: “Toda a alma é depositária das suas ações.” (74:38).

A Intercessão no Dia da Ressurreição Cremos que os profetas, os líderes infalíveis e os escolhidos por Deus irão interceder por alguns pecadores para serem incluídos no perdão de Deus. Essa licença é concedia para aquele que não corta o seu vínculo com Deus e Seus escolhidos. A intercessão não é absoluta, mas tem suas condições, dependendo dos nossos atos e intenções. “Não poderão interceder em favor de ninguém, salvo de quem a Ele aprouver.” (21:28). A intercessão e um método educacional e uma forma de coibir a pessoa de se aprofundar em seus pecados,

A recompensa virtual incorpora o conhecimento Divino, a aproximação do Criador e a manifestação de Sua Beleza e Magnificência

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cortando totalmente todos os seus vínculos com os escolhidos por Deus, que o aconselham a abandonar os pecados e retornar a Ele. Sem dúvida que a Intercessão mais importante é a do Mensageiro de Deus (S); em seguida vem a dos outros profeta e dos Líderes Infalíveis (Imames). Mesmo os sábios, os mártires e os crentes, mesmo o Alcorão e as boas obras irão interceder por alguns pecadores. O Imam Assádeq (A.S.) disse: “Ninguém dentre os primeiros e os últimos deixará de necessitar a intercessão do Profeta Mohammad (S), no Dia da Ressurreição.”

permanecerá até o Dia da Ressurreição: “E ante eles haverá uma barreira, que os deterá até ao dia em que forem ressuscitados.” (23:100). Não temos muita informação a respeito desse mundo, a não ser que os espíritos dos virtuosos permanecem nos níveis mais altos e desfrutam de muitas dádivas: “E não creiais que aqueles que sucumbiram pela causa de Deus estejam mortos; ao contrário, vivem, agraciados, ao lado do seu Senhor.” (3:169). Por sua vez, os espíritos dos injustos e dos sedutores e seus seguidores são castigados, como Disse Deus a respeito do Faraó e seu povo: “É o fogo infernal, ao qual serão apresentados, de manhã e à tarde; e, no dia em que chegar a Hora, (Deus dirá): Fazei entrar o povo do Faraó, para o mais severo dos castigos.” (40:46).

Sem dúvida que a Intercessão mais importante é a do Mensageiro de Deus (S)

O mundo do Barzakh (Barreira) Cremos na existência de um terceiro mundo entre este e o Outro chamado de Barzakh (Barreira), para onde o espírito da pessoa vai após a morte e onde

Há uma terceira categoria entre estes e aqueles. Ela ingressa em uma situação parecida com a constância no mundo de Barzakh, até seus membros serem ressuscitados:

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“E no dia em que chegar a Hora, os pecadores jurarão que não permaneceram nos sepulcros mais do que uma hora. Assim se equivocavam! Porém, os sábios e os crentes dir-lhes-ão: Permanecestes no decreto de Deus até ao Dia da Ressurreição. E este é o Dia da Ressurreição; porém, vós ignoráveis.” (30:5556). O Profeta (S) disse: “O túmulo é um dos jardins do Paraíso ou uma cova do Inferno.”

A recompensa virtual e material

O mais importante é a recompensa virtual, que incorpora o conhecimento Divino, a aproximação espiritual do Criador e a manifestação de Sua Beleza e Magnificência, quando Deus concede aos crentes um prazer inigualável que não pode ser descrito de nenhuma forma. Alguns versículos do Alcorão citam evidências de um número de dádivas materiais dos jardins: “... complacência de Deus é ainda maior do que isso. Tal é o magnífico benefício.” (9:72). Certamente, não há nada mais importante do que o prazer que a pessoa obtém quando se conscientiza que o seu Criador está satisfeito com ela. Isso está expresso na seguinte convocação: “E tu, ó alma em paz, Retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele satisfeito (contigo)! Entra no número dos Meus servos! E entra no Meu Paraíso!” (89:2730).

Não há nada mais importante que a satisfação do Criador com o crente

Cremos que a recompensa do Dia da Ressurreição tem duas dimensões: material e virtual, porque a Ressurreição é também assim. O que o Alcorão Sagrado e as Tradições Nobres dizem é o que segue : “... jardins, abaixo dos quais correm os rios.” (9:89). Quanto à inesgotabilidade dos alimentos e da sombra: “... seus frutos são inesgotáveis, assim como suas sombras.” (13:35); “... companheiros puros.” (3:15) e outras dádivas similares. Quanto ao fogo abrasador do Inferno e

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seu severo castigo, é direcionado para a dimensão material da punição do Dia de Ressurreição.


Nossas Crenças

Sinais Fundamentais da Mensagem Islâmica Parte 4

No número anterior, falamos sobre a identidade do muçulmano e os princípios em que está fundamentado o Islã. Nesse número, vamos falar sobre um terceiro ponto... o conteúdo da Mensagem Islâmica

O Conteúdo da Mensagem Islâmica

A

o examinarmos a Mensagem Islâmica e analisarmos a unidade da edificação e composição dessa religião, conseguiremos dividir os assuntos dos quais ela trata – e que abordam tudo que o homem necessita – em três partes fundamentais: a Crença; a Lei; e a Conduta - na qual podemos incluir a Ética Social. 1. A Crença Abrange uma série de pensamentos e conceitos que explicam o surgimento deste mundo e esclarecem o significado da vida. A crença é adotada como alicerce e ponto de partida para todas as edificações desta religião. O Islamismo é a

crença no Monoteísmo, postulando a Unicidade de Deus, Que possui todas as características de auto-suficiência e perfeição absoluta. Sob a guia desse pressuposto, o muçulmano traça o seu método do pensar e agir, estabelecendo as suas relações com o Criador do Universo. A crença muçulmana está baseada em três pilares principais, que são: a. A existência de um Deus Único, distinto das características humanas, caracterizado pela auto-suficiência e pela perfeição absoluta. D’Ele surgiu a existência, que a Ele está vinculada e a Ele retornará;

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b. A Revelação e a Profecia, assim como tudo o que está ligado a elas em termos de mensagem e liderança; c. A existência da Outra Vida, da Ressurreição, do Juízo Final e da recompensa ou castigo. 2. A Legislação É a segunda questão da qual a Mensagem Islâmica veio tratar e planejar; é o código e a organização, a evidência do caminho legal para o homem, em todos os setores da vida, quer seja social ou ritual.

ao aspecto ritual, como a oração, o jejum, a peregrinação, a higiene, etc., a Lei Islâmica definiu os preceitos e as legislações necessárias para traçar a relação com Deus, glorificado seja. Estabeleceu, assim, o método correto de adoração. Assim sendo, as enciclopédias da jurisprudência e os estudos canônicos e legislativos islâmicos estão repletos de uma bem estruturada e abrangente legislação, englobando um vasto método de vida, refletindo o espírito legislativo e seus objetivos. 3. A Conduta e a Ética Social: A humanidade não

O Islã divide os assuntos dos quais No campo social, a conheceu jamais uma Lei Islâmica organizou o homem necessita em três partes: mensagem religiosa, em as questões da justiça, da toda sua história, que tea Crença; a Lei; a Conduta economia, das finanças, nha se preocupado com das propriedades, do cona qual está incluída a Ética Social a moral, a ética social e mércio, da herança, do com os meios educaciocasamento, do divórcio, nais como o Islã. Ele se das relações trabalhispreocupou e cuidou desse importante aspecto da tas, dos serviços, dos assuntos de guerra e paz, do vida humana. O Islã considera a moral como a empenho, dos pactos, dos acordos, etc. Quanto mais importante das distinções humanas e o mais veraz dos fenômenos humanos, pois o distingue dos animais. Por isso, o Mensageiro da humanidade, Mohammad (S), disse: “Fui enviado para completar a excelência da conduta moral.” A Mensagem do Islã, portanto, é uma mensagem moral, também. A sua preocupação é formar a moral vinculada à educação geral, na preparação da personalidade correta e na construção de uma sociedade digna. Por isso, o Islã concentrou-se na construção da personalidade humana interior, preocupando-se em desenvolver os talentos morais, a educação do sentimento e da consciência moral no homem. Procura, dessa forma, dar uma formação completa ao ser humano: crença, legislação, moral, ética, princípios de relacionamento social e orientação educacional. Portanto, o Islã é um método abrangente de vida, uma mensagem que compreende a atividade humana, distinta das outras legislações e ideologias sociais.

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Religiões

Os Evangelhos no Cristianismo O significado da palavra “Evangelho”

A

palavra “Evangelho” é grega e significa “notícia auspiciosa” ou seja, as boas novas de salvação que Jesus (a.s.) apresentou. É um conjunto de livros que foram escritos em períodos sucessivos e que tratam da vida de Jesus (a.s.), seus ensinamentos, seus milagres, sua morte, sua ressurreição, seu retorno. Porém, Jesus (a.s.) não escreveu nenhum deles. Os Evangelhos canonizados pela Igreja Católica são quatro: Mateus, Marcos, Lucas e João. As igrejas cristãs reconheceram esses Evangelhos no século 3 e rejeitaram todos os outros. Foram confirmados por Irineu no ano 209 d.C., antes de seu anúncio no concílio de Nicéia. Antes dele, no ano 206, Clemente de Alexandria anunciou que se deveria adotar os Quatro Evangelhos. Em 325, o Concílio de Nicéia canonizou-os e rejeitou todos os outros.

O Evangelho de Mateus Foi escrito por Mateus, um dos doze discípulos de Jesus, que são chamados pela igreja de “Apóstolos”. Ele era arrecadador de impostos do Império Romano na Palestina. Jesus (a.s.) o escolheu para seu discípulo.

A língua do Evangelho é hebraica ou siríaca. Mas concorda-se que a mais antiga cópia é na língua grega e foi perdida. Há controvérsias a respeito da data da compilação desse Evangelho (foi escrito entre os anos 37 e 64 d.C.) Não se especifica o ano em que o Evangelho de Mateus foi concluído, ou quando foi iniciada a sua compilação. Diz-se que quem o traduziu foi João. O Dr. Bust diz que Mateus escreveu o seu Evangelho em grego antes da destruição de Jerusalém – em 70 d.C. Ele escreveu o Evangelho para os judeus que acreditaram em Jesus (a.s.), por isso se utilizou das

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previsões que constam na Torá, nos Salmos e no Livro dos Profetas a respeito de Jesus (a.s.), confirmando a veracidade quanto ao retorno de Jesus (a.s).

O Evangelho de Marcos Foi escrito por João Marcos, denominado simplesmente “Marcos”. Sua origem é judaica, de uma família da Terra Santa, na Palestina. Ele seguiu Jesus (a.s.) no início de sua missão e foi ativo na divulgação do cristianismo em Antióquia, para onde foi enviado com o Apóstolo Paulo. Seu tio materno foi Barnabé. Ele retornou para Jerusalém, encontrou o tio Barnabé e viajou com ele para o Chipre. Separaram-se e Marcos foi para o Norte da África, em meados do século I da Era Cristã. Ele encontrou no Egito uma terra fértil para a sua missão e o adotou como centro missionário. Dali, viajava a Roma e África para divulgar a religião. Permaneceu no Egito até que os politeístas romanos o prenderam e o mataram em 62 d.C. Os historiadores citam que ele, que negava a divindade de Jesus, escreveu o seu evangelho atendendo ao pedido de povos romanos. Porém, Ibn Batrik tem uma opinião contrária quanto ao autor do Evangelho de Marcos. Ele diz que Pedro é seu autor, escrevendo em cidade romana e conferindo sua autoria a Marcos. Quanto a Irineus, diz: “Marcos escreveu seu Evangelho após a morte de Pedro e de Paulo”. Os historiadores concordam que a língua deste texto foi a grega, mas discordam, cristãos entre eles, quanto ao tempo em que foi escrito. Horun, por exemplo, afirma que o Segundo Evangelho foi escrito entre o ano

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de 56 d.C. até o ano de 65 d.C.

O Evangelho de Lucas O autor é Lucas. Porém, há um mistério a respeito de sua personalidade. Alguns dizem que ele era médico e judeu, tendo acompanhado Paulo nas suas atividades, viagens e trabalhos. É o que as epístolas de Paulo indicam. Porém, o Dr. Bauset crê que ele não fosse de Antióquia, mas um romano que cresceu na Itália. De acordo com este estudioso, quem alega que Lucas era antioquiano está em dúvida. Outros historiadores cristãos dizem que Lucas era pintor. Há consenso entre os historiadores de que a língua em que foi escrito o Evangelho de Lucas é a grega. Quanto à data da compilação, há um desacordo agudo entre eles, porque o povo para quem foi escrito este evangelho é objeto de discórdia. O Padre Ibrahim Said opina que foi escrito para


os gregos, enquanto o Dr. Bauset opina que o Evangelho foi escrito após a destruição de Jerusalém. O mais razoável é que tenha sido escrito durante o período em que Paulo esteve preso, entre os anos 58 e 60 d.C.

O Evangelho de João Os especialistas cristãos do século 2 negam a autoria do discípulo João ao Evangelho que Jesus amava. Essa negação está baseada na informação de Irineu, que foi discípulo de Policarpo, o discípulo imediato do Apóstolo João, discípulo, por sua vez, de Jesus. O Evangelho de João foi escrito em grego, baseado nos Evangelhos anteriores, com alguns acréscimos. Ele foi escrito para a Igreja em geral, o que indica que o Evangelho de João não se intitula assim por causa de João Batista, mas de outro João. O propósito do autor foi inspirar nos leitores a fé em Jesus Cristo como filho de Deus. Ele também dá ênfase à total dependência humana em relação a Deus para a salvação.

4:36. Os historiadores cristãos concordam que a mais antiga cópia que conseguiram foi a cópia italiana, que o prelado Karim, um dos conselheiros na corte de um rei russo no ano 1709, encontrou. Junto à cópia italiana foi encontrada uma cópia espanhola, traduzida da italiana, sem se saber, até hoje, quem a traduziu. Quanto à cópia italiana, ela foi traduzida para o inglês pelo orientalista Sale. Só se conhece dela alguns trechos que foram citados pelo Dr. Huain. O Evangelho foi compilado por Barnabé, um dos apóstolos cheios de Espírito Santo, os verdadeiramente empenhados pela causa da religião que Jesus anunciou. Os historiadores calculam a data de seu achado entre o século 15 e 16 d.C. Eles também acreditam que a cópia italiana encontrada em 1709 é a mesma cópia que o padre Framino encontrou na biblioteca do Papa Xisto V (1572-1585).

Data da compilação: Não há consenso entre os historiadores a respeito do tempo da compilação do Evangelho de João, o que era de se esperar, uma vez que o seu autor é desconhecido. Foi escrito entre os anos 68 e 98 d.C.

O Evangelho de Barnabé Não pertence aos Evangelhos canonizados. Seu autor se chama José, apelidado de Barnabé (em aramaico, “filho da consolação”). Era um judeu levita, natural de Chipre, como foi informado pelos Atos dos Apóstolos, da autoria de Lucas, no Capítulo

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Sabedoria Profética

O Mensageiro de Deus Conversa Conosco

O

Nobre Profeta (S) disse: “Quem tiver quatro coisas terá a Luz de Deus Magnífico: a mais importante é o testemunho de que não há outra divindade além d’Ele e que sou o Seu Mensageiro; quem for acometido por alguma desgraça e disser: ‘Somos de Deus e a Ele

retornaremos’; quem obtiver algum bem e disser: ‘Louvado seja Deus’; e quem cometer um pecado e disser: ‘Arrependo-me e peço perdão a Deus’.” 46 - Revista Islâmica Evidências

O Mensageiro de Allah (S) também disse: “Quem obtiver quatro coisas, não ficará privado de outras quatro: a quem for concedido o perdão, este não ficará privado da indulgência; a quem for concedido o agradecimento, este não será privado do acréscimo; a quem for concedido o arrependimento, este não será privado da aceitação; e a quem for concedida a prece, este não será privado do atendimento.” O Profeta Muhammad (S) também, disse:


E disse, mais: “A virtude do conhecimento é preferível, diante de mim, à virtude da adoração. O mais virtuoso na sua religião é aquele que teme a Deus.”

aconselha-me.” Ele respondeu: “Não deves associar ninguém a Deus, mesmo que sejas queimado no fogo ou torturado; o teu coração deve estar tranqüilo com a fé; deves alimentar os teus pais, respeitá-los, quer estejam vivos ou mortos. Se eles te ordenarem a abandonar teus familiares e tuas riquezas, faze-o, pois isso faz parte da fé; nunca deves deixar de praticar a oração prescrita intencionalmente, pois quem assim age, fica isento de Deus. Tem cuidado para não ingerir bebidas alcoólicas ou outros inebriantes, pois são a chave de todo o mal.”

O Nobre Mensageiro (S) também afirmou: “Quem emitir um parecer jurídico sem conhecimento, será amaldiçoado pelos anjos dos céus e da terra”. Certa feita, um homem foi ter com ele (S) e disse: “Ó, Mensageiro de Deus,

Um homem do clã de Bani Tamim, chamado de Abu Umaiya, foi ter com o Nobre Mensageiro (S) e perguntou: “Por que convidas as pessoas, ó, Mohammad?” O Mensageiro de Deus lhe disse: “Convoco para Deus com lucidez, tanto

“O conhecimento é um tesouro e sua chave é a pergunta. Portanto, perguntai, que Deus terá misericórdia de vós, pois quatro pessoas são recompensadas: quem pergunta, quem responde, quem ouve e quem aprecia.” Ele (S) disse, ainda: “Perguntai aos sábios, conversai com os prudentes e sentai com os pobres.”

O Profeta Muhammad (S) ensinou: “O conhecimento é um tesouro e sua chave é a pergunta”

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eu como aqueles que me seguem. (12:108). Convoco a Quem, se fores atingido por algum mal e O evocar, Ele o removerá; se Lhe pedires ajuda quando estiver em apuros, Ele o ajudará; se pedir-Lhe provimento, estando necessitado, Ele O proverá.” O homem continuou: Aconselha-me, ó, Mohammad.” Disselhe, então, o Profeta (S): “Não te irrites!”O homem pediu, novamente: “Aconselha-me mais.” Disse-lhe: “Aceita das pessoas o que desejas que elas aceitem de ti.” Prosseguiu, então, o homem: “Aconselha-me mais.” Falou o Nobre Mensageiro (S): “Não deves insultar as pessoas, pois obterás a inimizade delas.” Pediu o homem: “Aconselha-me mais.” Disselhe Mohammad (S): “Não deves desprezar o favor perante quem o faz.” Pediu novamente: “Aconselha-me, mais.” Disse-lhe: “Ama as pessoas, que elas te amarão; recebe o teu irmão com o rosto sorridente. Não deves te aborrecer, pois o aborrecimento veda o bem deste mundo e do Outro.” O Mensageiro de Deus (S) disse ainda mais: “Quem fingir pobreza, pobre se tornará.”

e a sua satisfação não envolver coisas ilícitas; aquele que, zangado, não se afastar da justiça; aquele que, tendo poder, não se apossar daquilo que não lhe pertence.”

E disse ainda mais: “A perfeição é de Deus e a pressa é do Demônio.” E disse ainda o Nobre Mensageiro (S): “Quem adquire conhecimento para se igualar aos insolentes, se vangloria perante os sábios ou chama a atenção das pessoas para elogiarem-no, que aguarde o seu lugar no Inferno, pois a liderança só serve para Deus e para quem a merece. Quem se colocar em posição que não lhe foi conferida por Deus, Ele o detestará; quem se autoproclamar, dizendo: ‘Sou o vosso líder’, não o sendo, Deus não o olhará até se retratar do que disse e se arrepender perante Deus pela sua alegação.” Ele disse, também: “Jesus, filho de Maria, disse para os discípulos: ‘Amai-vos por Deus e aproximaivos d’Ele.’ Disseram: ‘Ó, Espírito de Deus¹, como podemos amar e nos aproximar de Deus?’ Respondeu: ‘Afastando-se dos desobedientes e esperando a satisfação de Deus com o afastamento deles.’ Perguntaram: ‘Ó Espírito de Deus, com quem nos misturamos, então?’ Respondeu Jesus: ‘Com quem vos lembra de Deus ao vê-los, aumenta o vosso conhecimento com suas palavras e cujos atos vos faz interessar pela Outra Vida.’

Disse o Mensageiro de Allah(S): “A virtude do conhecimento é preferível, diante de mim, à virtude da adoração”

E disse: “Tratar bem as pessoas constitui metade da fé. Ser amigo delas, constitui metade da vida.” Ele também disse: “O ápice do saber, após a fé, é tratar bem as pessoas, sem abandonar a justiça.” Ele também disse: “Não faz parte de nós quem engana, prejudica ou engana o muçulmano.” Disse, ainda: “Que Deus tenha misericórdia do servo que diz o que é bom e será agraciado, ou fica calado para não prejudicar ninguém, e será salvo.” E disse mais: “Quem possuir três coisas terá a fé completa: aquele que estiver satisfeito

O Profeta (S) disse: “Quem está mais distante de se parecer comigo é o avarento, o indecente, o abominável.” E disse: “A má conduta é mau augúrio.” E disse, ainda: “Deus vedou o Paraíso a todo indecente, abominável, inescrupuloso, que não se importa com que diz ou com o que se diz dele.”

1 -Em árabe, Ruhollah, um dos epítetos do Profeta Jesus, filho de Maria (que a paz esteja com ambos) (NE).

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Atualidades Conceitos culturais para questões contemporâneas

A

A Eutanásia

eutanásia tem gera uma discussão ampla a respeito de sua definição e as condições de sua aplicação, entre outras questões que a religião e a ciência devem responder, cada uma sob a sua ótica e de acordo com o seu ponto de vista. Apesar da palavra “cérebro” não ocorrer nos textos religiosos, os sentimentos e a devoção humanas estão geralmente ligados à noção de “coração”, como se este órgão vital fosse o centro das emoções. Assim, ao longo do tempo, causou-se um pouco de confusão entre algumas pessoas, que consideram que há um vazio entre as duas definições: a científica e a religiosa. Sua Eminência, o Jurisconsulto Sayyed Mohammad Hussein Fadlallah, esclarece essa questão, emitindo sua opinião abalizada, esclarecedora e detalhada sobre o tema.

A mente e o cérebro no Alcorão Sagrado “O Alcorão Sagrado não analisa de forma detalhada as funções orgânicas ou psicológicas do cérebro. Ele não explica como o cérebro armazena as informações que o ser humano adquire na sua vida. A mente, em

nosso ponto de vista, é similar ao espírito, sendo uma espécie energia que o ser humano armazena para organizar as informações que adquire, estudá-las, e onde origina-se o sentimento e o pensamento. Assim, a mente não é um elemento orgânico, mas uma energia oculta, não visível.” Em outras palavras: “uma energia espiritual, que se desenvolve por meio do conhecimento e experiências, no sentido da reflexão.”(1) Enquanto alguns, baseados no conhecimento moderno, associam todas as atividades, consciência, pensamento, e convicções humanas ao cérebro, o Alcorão considera todas as ações humanas como decorrência da atividade do coração, como é citado no sagrado versículo: “Todavia, a cegueira não é a dos olhos, mas a dos corações que estão em seus peitos!” (22:46). Sua Eminência, em sua interpretação a respeito da ciência e do Alcorão, opina que as palavras de Deus, exaltado seja, são figurativas, porque o peito mostra a frente humana, levando-se em consideração que ele abrange os órgãos que conservam a vida, também ligados ao cérebro, e porque ele orienta todos os

1 - Pensamento e Cultura, as Questões do Alcorão, número 316. 1 - Pensamento e Cultura, as Questões do Alcorão, número 316. Revista Islâmica Evidências - 49


órgãos existentes no corpo. A questão não reside na limitação à região do coração, mas no aspecto figurativo das afirmações corânicas. Da mesma forma que o rosto representa o ser humano, significando que ele fala da própria pessoa, como esclarece o Altíssimo: “Tudo perecerá, exceto o Seu Rosto!” (28:88).(2) Uma vez que Deus não possui rosto, Ele está falando de Si próprio. A Morte Cerebral A respeito da morte cerebral, que é considerada pelos médicos como a morte real, Sua Eminência diz: “Emitimos o parecer jurídico de que se a morte cerebral é verificada sem nenhuma dúvida, sistemas auxiliares empregados para fazer funcionar o coração não devem ser instalados; também não é proibida a retirada dele, se for verificada a morte cerebral definitiva (da pessoa).”(3)

A medicina moderna realiza exames clínicos para detectar atividade ou morte encefálica, um desses exames é a constatação de circulação sanguinea como mostra a imagem a direita, ou a total falta dela como a imagem à esquerda.

à morte cerebral, só é conhecida pelos especialistas.”(5)

“Por isso, perguntamos: Será a morte definitiva a morte do cérebro, uma vez que todos os sistemas do corpo pararam e, portanto, o corpo não está mais vivo? Nós também perguntamos sobre a pulsação do coração, de onde vem? Será que do sistema respiratório ou da energia vital Porém, Sua Eminência sabe que o significado ainda presente no corajurídico da morte é proção? Alguns juristas diblemático, uma vez que zem que se a pulsação é não há definição precisa O Alcorão Sagrado o resultado da respiração da morte. Quando o hoartificial, isso significa mem morre? Quando o não analisa de forma detalhada que a pessoa está morta. coração pára de bater ou as funções orgânicas ou Mas, se houver qualquer quando o cérebro morresquício vital no corpo, re? Será que as batidas psicológicas do cérebro isso significa que ela está do coração após a morviva. Esse ponto contite cerebral representam nua controverso.”(6) que a pessoa está viva, ou representam vida vegetativa? Isso permanece “Há outro ponto lançado à discussão juríuma questão aberta ao debate.”(4) dica, distante da compreensão do que é morte e qual é a extensão da vida. Alguns podem di“A opinião geral considera a morte como zer que pode ser que a pessoa morra e algumas a parada do coração. Muitos médicos também, células continuem vivas. Por exemplo, quando quando desejam saber se uma pessoa está viva ou extraímos o olho e lhe fornão, medem a pulsação. Se não houver pulsação, necemos as substânentão a pessoa está morta. Esta é a experiência humana da morte, que cada um conhece. Quanto

2 - Pensamento e Cultura, as Questões do Crença, número 315. 3 - Pensamento e Cultura, as Questões de Jurisprudência, número 309. 4 - A Medicina e a Religião – Palestra no “Hospital do Oriente Médio”, Beirute, 12-09-1995. 5 - Id. 6 - Id.

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namos que seja proibido removê-lo. Certamencias necessárias, ele continua vivo por um longo te, há muitas reservas entre alguns juristas. Mas, tempo. Outro exemplo é o da cobra que morre, quando estudamos a questão do ponto de vista da mas cujo rabo permanece vivo e se movendo. nossa compreensão e das informações médicas à Esta é uma vida celular ou “vegetativa”. É uma nossa disposição, achavida artificial e não uma mos que não é um dever vida normal. Se deixarinstalar o sistema auximos essa discussão de O significado jurídico da morte liar, se estamos 100% lado, continuamos a certos que a pessoa em perguntar: Será a moré problemático, uma vez que questão está em estado te a morte cerebral ou de morte cerebral e a a morte de ambos, cénão há definição precisa dela vida que ela está levanrebro e coração? Aqui do é vegetativa. Nesse surge outra questão: ‘O caso, a instalação do sisque me compele a contema auxiliar não é obriservar essa pessoa ou gatória e removê-lo não é proibido, uma vez que instalar-lhe um sistema auxiliar? O que me ima instalação não seria um ato de preservar a vida pede de remover o sistema?’ Pode ser dito que e a remoção não seria um ato de assassinato.”(8) eu devo instalar o sistema auxiliar porque é meu dever preservar a vida da pessoa. Quando vejo “Há diferença entre essa morte e a eutanáque a vida da pessoa está correndo perigo, tenho sia. Há uma pessoa que está sofrendo de dores de salvar-lhe.”(7) terríveis e que pode morrer daqui a 6 meses,

“Por que é proibido remover o sistema auxiliar? Porque é considerado assassinato. Há alguns juristas que dizem que há evidências na Lei Islâmica (Shari’a) que indicam a obrigatoriedade da preservação da vida. O que significa aqui é a vida do corpo, a vida do ser humano, mesmo que esteja paralisado. Essa forma de vida, porém, que depende do sistema auxiliar, de tal forma que se o removermos, a pessoa morre, não é a vida que iríamos salvar. Portanto, remover o sistema auxiliar não é assassinato; assassinato é a matança de uma vida estável, mesmo de metade do corpo, caso a outra esteja paralisada.

ou mesmo um mês. Nesse caso, não é permitido matá-la, mesmo que ela ou a sua família peçam isso. Não temos nenhuma autoridade sobre a vida da pessoa e a própria pessoa não está autorizada a acabar com a sua vida, porque a medicina pode, uma hora depois, ou no dia seguinte, descobrir algo que possa eliminar a dor ou salvar a sua vida.

Por isso, não opinamos que o sistema auxiliar deva ser instalado e não opi-

“Quanto ao encerramento da vida e à paralisação do tratamento de doenças fatais, isso significa deixar a pessoa doente morrer sem salvá-la,

Por isso, a eutanásia é sem sentido nesse caso. Pode ser considerada um ato misericordioso naquele instante em particular e cruel se for julgada tendo-se como escopo toda a vida da pessoa. Pode ser até o oposto da misericórdia.”(9)

7 - Id. 8 - Id. 9 - Id. Revista Islâmica Evidências - 51


o que contradiz a teoria de respeito à vida humana. Temos o dever de permitir que a vida se defenda ou termine por si só. Não temos o direito de terminar com a vida, quer sejamos o médico ou o paciente... O ponto que eu gostaria de ressaltar a respeito da eutanásia, do ponto de vista da ética médica, é que: Na ética islâmica, e provavelmente também na cristã, a religião, no sentido da vontade de Deus exercida por meio dos entendimentos que auferimos da cultura religiosa, não apenas protege o ser humano dos outros, mas também de si mesmo. Como não é permissível matar a outros, não é permissível matar-se. O princípio é o mesmo: Respeitar a vida, em ambos os casos. Ele não se aplica ao morto, às plantas ou às coisas inanimadas; proíbe matar um ser humano porque não é permissível exterminar a vida. Portanto, não há diferença entre a vida do outro e a minha própria vida. Essa vida não me pertence. Ela é uma dádiva de Deus e uma confiança depositada em mim e no outro. Não tenho permissão de me matar, bem como de causar a mim mesmo qualquer dano, porque estaria cometendo pecado contra mim mesmo, expondo-me a qualquer dano, físico ou não. É por isso que em nosso parecer jurídico proibimos fumar, o que pode causar câncer, mesmo depois de vários anos. Daí a sentença jurídica (fatwa) que proíbe tudo que causa prejuízo ao corpo.”(10)

se pratica contra si próprio. É uma questão de equilíbrio. Assim, quando se verifica o caso de uma pessoa que não sofre de doença fatal, ela está sendo morta de maneira cruel. E não há diferença entre matança negativa e positiva. O indivíduo tem de preservar a vida dos outros como a sua mesma.”(12)

“Da mesma forma que o Islã considera a sua vida, considera a vida dos outros e aplica em você o que aplica nele.”(11)

“Onde há morte para eu comprá-la, a vida é inútil”.

A partir desse princípio, rejeitamos a eutanásia como forma de misericórdia. A morte é por sua natureza física, cruel, porque tira a vida e transforma a pessoa em coisa. Ela confisca a vida e a existência. Portanto, existe, islamicamente, o direito de se matar, porque o suicídio é pecado: ‘Não cometais suicídio.’ (4:29). ‘...sem permitir que as vossas mãos contribuam para vossa destruição.’ (2:195). Não é permitido ao paciente pedir ao médico uma injeção para terminar com a sua vida, como não é permitido para o médico atender ao apelo, pois não ele tem autoridade sobre a (13) vida de seu paciente.”

Não é dever instalar sistema auxiliar se há certeza de que a pessoa está com morte cerebral

“A moral não pode ser dividida. Não é apenas o que se pratica contra os outros, mas o que

Então, quando aqueles que falam sobre a eutanásia justificam-na devido às dores físicas que atingem o paciente, se legalizarmos isso, como foi legalizado na Holanda, devemos também legalizá-lo para os que sofrem de dores psicológicas e acreditam que a morte para eles é melhor que a vida. É o que deduzimos das palavras do poeta árabe:

Se abrirmos a porta da eutanásia, devemos legalizá-la para a garota que ex-

10 - A Ética Médica e a Ética da Vida – Palestra proferida na Universidade Qadis Yussif, início de março de 2002. 11 - Id. 12 - Id. 13 - Id.

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perimenta um choque emocional ou para o jovem que sente intranqüilidade e sofre de distúrbios, que sente que sua vida não tem valor. Devemos legalizá-la para o empresário que amarga perdas na bolsa ou crises financeiras. Quando aceitamos o princípio, não podemos confiná-lo em um círculo. A intensidade das dores físicas é, muitas vezes, a mesma das dores espirituais ou psicológicas. Além do mais, as dores psicológicas podem afligir mais do que as dores físicas. Podemos, então, legalizar o ato que acaba com a vida da pessoa, tirando-lhe o valor de sua existência?”(14) Por outro lado, por que prejulgamos as potencialidades da medicina? Não seria possível que uma hora depois da morte do indivíduo fosse descoberto um tratamento para a doença que causou a sua morte? Todas as descobertas médicas, antes de serem colocadas em prática, eram extremamente esperadas por muitas pessoas acometidas por doenças fatais. Deixemos que a vida se defenda! Se a pessoa está sofrendo dores, podemos recorrer aos valores espirituais, que a ajudam fisicamente a suportá-las.”(15) A morte por suicídio Quanto ao fato de a morte por suicídio ser a mesma morte que Deus determinou para todo ser humano, Sua Eminência diz: “Sim, porque Deus, glorificado e exaltado seja, sabe que Fulano irá morrer, por sua vontade, por meio de suicídio. Deus, glorificado seja, quando predeterminou as coisas, as fez com as suas causas e sabe da realização das causas. Como Deus conhece os acontecimentos futuros, sabe que Fulano irá morrer por ataque cardíaco, ou por causa de uma doença específica

e também sabe que Fulano morrerá atingido por um tiro, ou suicidando-se. Deus, o Altíssimo, não tem duas medidas. Mesmo quando se diz que ‘há um destino traçado e um destino furado’. Isso não quer dizer que Deus, o Altíssimo, fixou uma idade para determinada pessoa e outro a antecipou ou postergou. O destino predeterminado é o destino natural, que acontece pela natureza do corpo humano com seus elementos, quer por causa de enfermidades que ele contrai ou coisa similar. O destino ‘furado’ significa o destino ao qual o ser humano se dirige devido a suas escolhas, como o suicídio e o que o causa.” (16)

14 - Id. 15 - Id. 16 - Pensamento e Cultura: as Questões da Crença, número 362.

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Verdades magníficas

A Ciência Convoca Para a Fé

D

e pronto lhes mostraremos os Nossos sinais em todas as regiões (da terra), assim como em suas próprias pessoas, até que lhes seja esclarecido que ele (o Alcorão) é a verdade.” (41:53)

Louvado seja Deus, Senhor do Universo, e que a paz e a graça estejam com o Profeta Mohammad, o melhor dos mensageiros, com seus Familiares Purificados e Companheiros Sinceros. Deus o enviou com a orientação e a legislação evidente, a legislação perfeita que foi edificada sobre a verdade, a veracidade, o conhecimento e a realidade. Por isso, constitui uma legislação à qual o tempo e o conhecimento acrescentam solidez e clareza. Apesar de ser o único tratamento para todos os problemas da humanidade, indivíduos e comunidades, foi concedida para incentivar as pessoas na busca do conhecimento, mostrando-lhes o caminho para a ascensão e o saber, fornecendo-lhes exemplos científicos, tornando o nível dos sábios o mais alto. Deus, exaltado seja, diz: “Allah dignificará os crentes, dentre vós, assim como os sábios” (58:11). Hoje, quando temos uma época repleta de opostos, vivemos uma realidade complexa, onde coexistem a crença e o ateísmo, o bem e o mal, a felicidade e a infelicidade. A humanidade está afundada 54 - Revista Islâmica Evidências


num excesso de matéria e desejos, usando o conhecimento como meio para obter os lucros e benefícios pessoais, ingressando numa fase de ignorância que rivaliza com a época da ignorância dos tempos primevos¹. A corrupção, a injustiça e a imoralidade se espalharam. Os corações das pessoas se esvaziaram da fé, que é a base da justiça, da misericórdia, da fraternidade e da felicidade. Isso, apesar de a ciência moderna ter atingido uma etapa que não deixou para o ser humano uma escapatória a não ser crer no monoteísmo. Uma crença consciente, baseada na realidade, vai mostrar ao homem que cada ramo da ciência e cada nova descoberta, se forem investigados minuciosamente pela mente sã, indicarão o poder enorme, a organização precisa, a criação admirável do universo, que não poderia ser obra de qualquer criatura, por mais poder que tenha, ou do acaso. A maravilha do universo mantém o homem, muitas vezes, estático, incapaz até de entendêla, mesmo que tenha acreditado, no passado, de forma hipócrita ou tradicional, no que seus pais disseram, em milagres ou fenômenos perceptíveis.

de Suas criaturas em termos de criatividade, sabedoria e poder. Isso, muitas vezes, é suficiente para convencer qualquer ser humano, que possui algo de razão e visão, que Deus é o Criador de tudo, organizador de todas as questões. Em Suas Mãos está o destino de tudo, pois Ele é, glorificado seja, Maior e mais Glorioso do que qualquer ente do universo.

Os ministérios do corpo Podemos comparar o corpo, até certa forma, com uma comunidade ou país. As células constituem os trabalhadores; o agrupamento das células numa só função parece-se com os departamentos e as instituições; as especialidades do corpo são comparadas aos ministérios, até certo ponto; o sistema nervoso central tem o papel da autoridade governamental - sincera, racional, sábia; todo o corpo representa o povo, envolvido em obediência e lealdade; quanto ao sistema circulatório, ele tem a função de transportar os alimentos e o oxigênio para os tecidos sedentos e famintos, retirando deles os resíduos gerados pelo metabolismo e os restos de alimentos. Esse sistema aplaina os caminhos, abre as ruas e melhora os transportes. Por isso, é parecido com o Ministério dos Transportes; quanto ao sistema digestivo, transporta para os intestinos os açúcares, as proteínas, as gorduras, a água, os sais minerais e as vitaminas, dispensando os resíduos desnecessários para o corpo. Por isso, se parece com o Ministério de Abastecimento do corpo; quanto às glândulas sudoríparas, assemelham-se ao Ministério do Turismo, resfriando o corpo e diminuindo a sua temperatura; quanto à pele, aos tecidos externos, às unhas e os pelos, representam a parte externa do ser humano e parecem-se com o Ministério do Exterior; no que diz respeito ao sistema respiratório, ele fornece os gazes necessário para o corpo, como o oxigênio, dispensando o gás carbono, filtrando o sangue das impurezas. Por isso, assemelha-se ao Ministério da Economia, porque importa e exporta; quanto aos

A Mensagem Islâmica foi concedida para incentivar as pessoas na busca do conhecimento

Hoje, vivemos numa época em que encontramos em cada átomo evidências suficientes e provas incontestáveis para que o ser racional tenha uma crença inabalável no Onipotente. A ciência utilizada hoje em dia, em todos os lugares, constitui um belo meio para se conhecer Deus e reafirmar a crença n’Ele. Se o indivíduo O conhecer, irá amá-Lo, se O amar, irá obedecê-Lo e seguir as suas determinações. A legislação divina orienta para todo o bem e abrange toda boa conduta, felicidade e fraternidade. Se as pessoas seguissem esse caminho, a face do mundo se transformaria de sóbria para sorridente e feliz, dissipar-se-ia a preocupação e a infelicidade, fazendo prevalecer a felicidade e o bem estar. Nas pesquisas dos cientistas, contudo, resta sempre uma janela do conhecimento que dá para o que Deus, glorificado seja, depositou em algumas 1 - Refere-se aqui, o autor, à época pré-islâmica, chamada de “Jahiliya” (NE).

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músculos, às articulações e aos ossos, parecem-se com o Ministério de Defesa, porque agem na defesa do ser humano, atacando os elementos adversos, quando necessário. O fígado é o centro alfandegário, porque tudo que entra no corpo através do sistema digestivo passa por ele, afastando o que é suspeito, deixando ingressar o desejado. Ele também modifica o que é suspeito, enviando um observador para expulsá-lo para fora dos limites corporais, por intermédio dos rins. É o ácido sulfúrico. ; quanto ao baço, constitui-se no cemitério dos glóbulos vermelhos, porque os glóbulos não vivem mais do que dois meses, aproximadamente. O sistema de enterro no baço é curioso. Parece com o sistema de enterro islâmico: sepulta-se o corpo e se devolve o caixão, diferente do método em outras religiões, que enterram corpo e caixão juntos. Assim, os átomos de ferro retornam, para que o corpo se beneficie dele na constituição de novos glóbulos vermelhos.

Fica a pergunta: Onde se situa o Ministério dos Bens Religiosos? A resposta: Não há necessidade de um local específico, porque todo o corpo, com suas glândulas, sangue, veias, músculos, cabelos, pele, ossos e tudo o mais segue o método e plano desenhados pelo Criador. Todas as células, tecidos, membros e sistemas estão em situação de adoração, submissão e crença em Deus, o Senhor do Universo. “Ó meus companheiros de prisão, que é preferível: deidades discrepantes ou o Deus Único, o Irresistível?” (12:39). Todos os elementos do corpo adoram e glorificam a Deus. Todos oram para Ele de acordo com suas funções: O sangue ora com seu fluxo, os pulmões oram com sua respiração, o coração ora com suas pulsações, os nervos oram com suas descargas elétricas: “Cada um está ciente do seu (modo de) orar e louvar. E Deus é Sabedor de tudo quanto faz (cada um).” (24:41).

Se as pessoas seguissem o caminho da fé, dissipar-se-ia a preocupação e a infelicidade

Quanto ao tutano existente no meio dos ossos e em outras partes do corpo, parece com o Ministério da Indústria, porque forma os glóbulos vermelhos e brancos e as placas, além de outros elementos; o sistema urinário assemelha-se ao Ministério do Interior, porque joga os elementos suspeitos para fora dos limites corporais, conservando o sistema interno do corpo para sua harmonia. Também regula os líquidos que entram e saem das células. Portanto, é o grande filtro do corpo, que conserva sua harmonia interna. Quanto aos sentidos, são extensões do Ministério do Exterior, ou seja, a pele. A língua e os órgãos do sistema vocal, por sua vez, são como o Ministério de Informações, que divulga os conhecimentos, fatos, pensamentos e entendimentos. A emissora é o centro do som, reunindo as cordas vocais, a garganta e suas cartilagens, a língua e seus músculos, o crânio, os lábios e a parte da frente da boca.

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Glândulas salivares Parótidas Submaxilares Sublinguais Faringe Língua Esôfago

Cavidade oral

Pâncreas Conduto pancreático Estômago

Fígado Vesícula Biliar Duodeno Conduto Biliar comun Intestino Grosso Colon Transversal Colon Ascendente Colon Descendente

Íleo

Apêndice Reto

Ânus


Comportamento

Xeique Mohsen ‘Atawi

O sexo na

Otica

do Isla

D

evo esclarecer qualquer erro que o título do artigo possa gerar. Ele não faz parte da arte das relações sexuais e seus estimulantes, que proporcionam uma vida sexual constituída de prazer, porque esta é uma tarefa que faz parte da especialização dos médicos e cientistas que se dedicam ao estudo dos problemas da atividade sexual do indivíduo e suas soluções. Este que vos trago é, certamente, um estudo sério e conservador, que aborda o sistema que o Islã estabeleceu para a vida sexual do muçulmano, de forma dogmática e acadêmica. O seu objetivo é traçar as linhas gerais possíveis de serem extraídas de vários textos educacionais islâmicos, bem como dos conceitos das leis constantes nos livros da jurisprudência, esclarecendo os mal entendidos levantados contra essa teoria pelos pensadores seculares e seus seguidores nos países muçulmanos.

A atividade sexual é considerada um dos mais importantes métodos da batalha cultural contra os muçulmanos. É um dos primeiros objetivos que o inimigo escolhe para o seu empreendimento. Ele procura nos derrotar também nesse campo, por meio dele, introduzir-se em nosso meio. Continua a se imiscuir e a influenciar os muçulmanos com a teoria de que essa parte da atividade humana está muito viva e ansiosa por satisfação permanente, alegando que sua pressão é muito forte sobre o ser humano e sua conduta. Por isso, não é estranho que o ser humano se torne débil perante os próprios desejos, o que o leva a negligenciar sua imunização e fortalecimento, enfraquecendo-o temporariamente, o que garante que o muçulmano abandone a sua religião, seus valores e sua nobreza. Principalmente quando esses estimulantes são apresentados de maneira

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chocante, pintados com cores dogmáticas diferentes das utilizadas pelo Islã. A questão sexual é um dos mais destacados problemas do homem desde os tempos remotos, como é um dos mais destacados problemas da época atual, uma vez que a passagem do tempo não provocou a diminuição de sua importância. Pelo contrário, este assunto preside muitos problemas sociais. A questão sexual ocupa essa importância porque, na realidade, trata da natureza das relações entre os dois pólos da humanidade: o homem e a mulher, sendo uma característica básica de todas as variadas relações humanas. Ela se reflete na feiúra e beleza, de forma negativa e positiva, para ser um agente de estabilidade do indivíduo e da sociedade, podendo ser um instrumento para o progresso ou o atraso das sociedades. Quanto mais organizada e controlada essa relação, maior retidão e organização para os assuntos humanos e os propósitos da vida. O homem não consegue viver sozinho, nem a mulher consegue viver sozinha. Devido à necessidade de um pelo outro, no aspecto psicológico, ou à perpetuação de cada um, no aspecto natural e material, não se deve estranhar que seja a relação mais analisada e estudada entre as relações humanas, a que ocupa lugar de destaque nos assuntos humanos, no desenrolar da história. Se em época passada possuía importância, na nossa época ocupa uma importância vital, devido ao tipo de civilização em que vivemos e à rigidez de suas complexidades. Hoje, a questão sexual interfere em muitas questões.

modo de vida, estabelecidos com base em satisfações claras. Se isso acontecer, a força se torna a base, na ótica do Islã, do estabelecimento das organizações e das condições à sua disposição para o aproveitamento da vida humana. Ela é a base na manipulação da vida e do seu domínio, de acordo com a sua visão e o seu modo de vida. Não é certo, em nenhuma circunstância, que o ser humano seja débil, inflexível, manipulado de forma implacável pelas circunstâncias econômicas ou estímulos sexuais, conduzido sem liberdade de escolha. Essa força é que distingue o ser humano e o enobrece. É ela que o Islã defende e ensina, colocando uma regra para que caminhe de forma que se coadune e se equilibre com o método de vida e com a natureza da criação. Esse tratamento que o Islã estabeleceu em seus fundamentos não é subjetivo e temporal, mas abrangente e permanente. Suas complexidade, o desenvolvimento das ciências e a passagem do tempo em nada diminuem da sua importância, pois o ser humano é ser humano, em todas as circunstâncias. Com esse estudo, queremos estabelecer uma doutrina e fixar a teoria que acreditamos certa para o tratamento desse assunto. É um estudo da opinião islâmica nas relações sexuais, por ser o Islã um método completo na construção da vida, que exige a arbitragem do fator moral e do ideal em todas as relações humanas. Ele propõe um sistema conservador no relacionamento com o desejo sexual, em vez do pensamento materialista. Este contrapõe-se ao método islâmico, afastando o fator moral como valor original e constante na construção das relações. O pensamento materialista convoca para um modo livre e particular no relacionamento da pessoa com a vida, transformando o relacionamento sexual no principal problema social moderno, criando um fenômeno distinto dessa época, “o fenômeno da liberdade sexual”, que pode exterminar toda a existência humana, em todos os seus aspectos. No número seguinte iremos, se Deus quiser, falar a respeito do sexo na civilização materialista e da opinião do Islã sobre este assunto.

Não é correto que o ser humano seja manipulado pelas circunstâncias econômicas ou estímulos sexuais

Quando o Islã tratou dessa relação, levou em consideração tudo que pudesse surgir no futuro. Ele, imediatamente, levou em consideração os aspectos positivos e negativos do ser humano, os aspectos de debilidade e os aspectos de fortalecimento constantes e imutáveis em sua personalidade, não importa quanto às circunstâncias materiais mudem. Se o desejo é forte e enraizado, a vontade humana e a sua força é que controlam e dominam a sua visão e o seu

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Perguntas e respostas

Por que o Islã proibiu o consumo do animal encontrado morto?

Resposta: Porque o abate antes de sua morte garante a higiene de sua carne. Deus, Altíssimo, diz: Estão-vos vedados: o animal encontrado morto, o sangue, a carne de

suíno e tudo o que tenha sido sacrificado com a invocação de outro nome que não seja o de Deus; os animais estrangulados, os vitimados Revista Islâmica Evidências - 59


a golpes, os mortos por causa de uma queda, ou chifrados, os abatidos por feras, salvo se conseguirdes sacrificá-los ritualmente.” (5:3). A questão do abate do animal faz parte dos mandamentos Divinos, que são infalíveis e não sofrem de falta ou defeito. Muitos debates têm ocorrido com as minorias muçulmanas na Inglaterra, nos Estados Unidos, na França e em outros países a respeito deste tema. A Sociedade Protetora dos Animais nestes países e em outros está entre as mais destacadas no debate essa questão e rejeição a estes procedimentos. Seus representantes apresentam cenas de carneiros sendo degolados pelos muçulmanos, dando coices e se torcendo de dor, acusando os autores de selvageria” e rudeza”. Além de serem cenas manipuladas com o objetivo de suscitar ódio contra os muçulmanos e difamá-los, elas demonstram ignorância total quanto aos últimos avanços da ciência, que comprovam a propriedade do sistema islâmico de abate.

hipótese: Consultar-te-ão sobre o que lhes foi permitido; dize-lhes: Foram-vos permitidas todas as coisas sadias.” (5:4). De qualquer forma, os muçulmanos rejeitam categoricamente, devido a esse conhecimento, o consumo da carne do animal encontrado morto, seguindo as ordens do Criador em Seu Livro Sagrado, porque acreditam no que o Alcorão diz e que é a verdade absoluta, imutável e indubitável: É impossível que este Alcorão tenha sido elaborado por alguém que não seja Deus. Outrossim, é a confirmação das (revelações) anteriores a ele e a elucidação do Livro indubitável do Senhor do Universo.” (10:37). Portanto, a carne do animal encontrado morto constitui-se em fonte de micróbios e de doenças fatais. É sabido que o sangue contém quantidades enormes de micróbios. Após a morte do animal, torna-se um poluente prejudicial à saúde do ser humano, se for ingerido ou guardado em algum local e bebido posteriormente.

O abate correto do animal antes de sua morte garante a higiene de sua carne

Em seguida, vamos mostrar a sabedoria implícita na degola e na proibição do consumo de outros tipos de carne, citadas pelo versículo sagrado à luz do que a ciência descobriu.

O animal morto sem abate e o sangue O animal morto naturalmente é o que morre sem ser abatido ou degolado. É confirmado cientificamente, e de forma incontestável, que o corpo do animal morto naturalmente retém o sangue com todos os seus resíduos e toxinas. Ele atinge todos os tecidos e as toxinas começam a destruir todas as células do corpo. Por isso, o animal adquire uma cor escura e as veias superficiais se enchem de sangue. O sistema circulatório do animal pára de funcionar e ele passa a ser uma fonte viciosa de doenças, de um conjunto fatal de micróbios. Começa, então, a deterioração do corpo, deixando na carne cor, gosto e cheiro desagradáveis. Portanto, o animal encontrado morto não é considerado sadio, sob nenhuma

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O sangue opera duas funções importantes no organismo: primeira, o transporte de substâncias nutritivas que são digeridas no estômago, como proteínas, açúcares, gorduras e água, e direcionadas aos diversos tecidos e órgãos do corpo, além de transportar vitaminas, hormônios, oxigênio e várias outras substâncias vitais necessárias; segunda, transporta substâncias tóxicas produzidas pelo corpo, para que sejam expelidas juntamente com a urina, o suor ou os excrementos. Se o animal estiver doente, os micróbios se multiplicam e suas toxinas são transportadas pelo sangue também. Aqui reside o perigo, porque se a pessoa bebê-lo, ingere todos os micróbios e secreções nele contidos, correndo o risco de sofrer de inúmeras doenças, como o aumento da uréia no sangue, o que leva a disfunção renal, ou o aumento do nível de amônia, causando disfunção hepática. Muitos micróbios que o sangue carrega causam danos à flora do estômago e dos intestinos. Por causa de tudo isso, o Islã preceituou a degola, que faz jorrar o sangue


do animal. Da mesma forma, proibiu o consumo do sangue, de qualquer forma. Isso há 14 séculos, antes da invenção do microscópio e de o homem saber qualquer coisa sobre os micróbios e as bactérias!

tecidos, causando a morte do animal. Além disso, o consumo da sua carne significa a transferência dessas substâncias tóxicas para o corpo do consumidor, causando-lhe doenças.

Tipos de animais mortos:

Os vitimados a golpes: São os animais golpeados por bastões, pedaços de madeira ou pedra, até a morte. As carnes desses animais se deterioram por causa da necrose dos tecidos e por eles possuírem grande número de micróbios oriundos da retenção do sangue, quando não abatidos conforme Deus, o Altíssimo, ordenou.

Os animais estrangulados: São os que morrem por estrangulamento, quer intencionalmente ou não, como os que se enroscam em redes, armadilhas e morrem. Foi confirmado cientificamente que quando o animal morre estrangulado, ou é vedada a chegada do oxigênio aos pulmões, ele acumula no seu corpo o venenoso gás carbônico, bem como as secreções perniciosas que normalmente são expelidas pela respiração. Essas substâncias, se forem conservadas e não saírem do corpo, causam o envenenamento em todos os

Se o animal for degolado antes de morrer, o corpo se livra da proliferação de bactérias

Os mortos por causa de uma queda: São os animais cuja morte é provocada pela queda de um local alto, num poço ou por atropelamento. As carnes desses animais se deterioram é não servem para o consumo humano devido às

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micróbios existentes neles. Os chifrados: Há animais que morrem vítimas das chifradas que recebem de seus semelhantes. A morte desse tipo é parecida com a morte dos vitimados por golpes, mas é mais perigosa. Na maioria das vezes, quando um animal chifra outro o faz na região do abdômen, principalmente nos intestinos. O chifre contaminado por micróbios e bactérias penetra no sangue dos intestinos do animal. O sangue percorre o seu corpo e este, então, morre em seguida. O consumo da carne do animal nessa situação é um perigo enorme para o consumidor.

circular, os micróbios ficam sem combate. Nessa situação, o melhor meio é a liberação completa do sangue, tirando-o do corpo o mais rápido possível.

A misericórdia pelo animal Se vamos degolar o animal cortando suas aortas, para que saia todo o sangue do corpo, será que o animal sente dor por isso? A resposta é simples. A ciência descobriu que os centros da dor são anulados quando o sangue para de circular neles por três segundos apenas, porque eles necessitam do oxigênio contido no sangue.

Os muçulmanos rejeitam categoricamente o consumo da carne do animal encontrado morto

Os abatidos por feras: As carnes dos animais que foram abatidos por feras também são proibidas devido à sabedoria Divina. A medicina moderna descobriu um aspecto importante, confirmando que as bactérias e impurezas contidas nas garras das feras são transmitidas por estas quando dilaceram suas vítimas, causando infecções em quem consumir as carnes da vítima, posteriormente. Pode ser, ainda, que a fera tenha sido atingida por doenças que contaminaram sua boca e saliva, transmitindo estas ao corpo da vítima e causando nelas males incalculáveis para quem consumir aquela carne. Salvo se conseguirdes sacrificá-los ritualmente”: A sabedoria da degola no Islã O que acontece se o animal for sujeito a um dos atos citados anteriormente e continuar vivo, com tempo de ser degolado antes de morrer?

Pela degola, conseguimos nos livrar da fonte potencial de transmissão das bactérias, que é o sangue, não permitindo a sua transferência para o resto dos órgãos. Se o animal for degolado antes de morrer, o corpo se livra das substâncias que causam a proliferação das bactérias. Devemos nos lembrar que o sangue é um líquido vital, que tem a capacidade de combater milhões de parasitas por meio dos glóbulos brancos (leucócitos) e anticorpos. Isso enquanto o ser estiver vivo, com a temperatura normal. Se o animal morrer e o sangue parar de 62 - Revista Islâmica Evidências

Mas, como podemos dizer que o animal não sente dor se o vemos dando coices, movimentando-se, retorcendo-se e agitando-se?

Isso acontece porque o sistema nervoso ainda está vivo. O animal só perde a consciência. Nessa situação, se não cortarmos o pescoço, não atingimos o sistema nervoso e ele continua vivo. O que acontece na operação de degola islâmica é que o sistema nervoso começa enviar sinais do cérebro para o coração, pedindo-lhe o fornecimento de sangue. Como se anunciasse: O sangue parou. Envia-nos sangue, ó coração! Forneça sangue ao coração, ó corpo! Mande sangue, porque o cérebro está em perigo!”. Quando os órgãos reagem imediatamente, há um movimento forte dos órgãos e dos nervos internos e externos. O coração, por sua vez, acelera suas batidas, depois de se encher de sangue, enviando-o imediatamente para o cérebro. Porém, naturalmente, o sangue acaba fluindo para fora do corpo e não chega ao cérebro. Por isso, vemos o animal se retorcendo, expelindo o sangue constantemente, até que o corpo fique sem sangue nenhum. Assim, o corpo do animal é purificado de sua maior fonte de bactérias e substâncias perigosa para o ser humano. Ou seja, o animal degolado perde a vida em três segundos apenas, se for abatido de forma correta. Os coices e a agitação do animal são causados pelos impulsos involuntários provocados pelo sistema nervoso. Na verdade, o animal abatido não sente mais nada.


Normas Islâmicas

Islã

O é uma Religião

Coletiva

D

entre as particularidades da Religião Islâmica, que fazem com que ela se destaque sobre outras religiões e seitas, está o fato de ser uma religião coletiva. Ela não se contenta com as obrigações do indivíduo, apenas, e a sua formação espiritual e psíquica particular, mas ultrapassa este limite e se estende à organização coletiva. Primeiro, é preciso citar um ponto importante na vida de todos: alcançar a felicidade é o objetivo sublime e almejado pela humanidade. Na sua natureza, as pessoas clamam pela perfeição e almejam a riqueza e a elevação da perfeição, buscando sempre uma posição mais elevada. Essa é uma verdade incontestável: não há na face da terra quem, em sã consciência, rejeite o bemestar, a riqueza, o sucesso e o progresso na vida. A humanidade, em acréscimo ao que é inato nela quanto ao amor à perfeição, não deseja parar um só instante na sua marcha impulsiva na direção da perfeição. Daí, se um indivíduo for obrigado

Revista Islâmica Evidências - 63


pelas circunstâncias a parar a marcha da vida ou reduzi-la, ficará agitado, desesperado e triste. Essa é a verdade que os sábios muçulmanos denominaram de “A Busca da Perfeição Inata”. É certo que ninguém tem dúvida a respeito dessa verdade inata. Ao estudarmos as religiões e as várias crenças e filosofias, sejam celestiais ou materialistas, encontramos a alegação de que o método que elas desenham conduz o ser humano à perfeição e assegura-lhe a felicidade. Mesmo que haja diferença entre elas, guardam em seu íntimo uma proposta de perfeição e felicidade, definindo os marcos no caminho que garantiriam ao ser humano a obtenção da perfeição e da felicidade. Contudo, essa tendência para a perfeição oculta na profundeza das pessoas muitas vezes desconhece a finitude, a paralisação e a estagnação. Ao nos submetermos a essa verdade, percebemos que a perfeição que o ser humano busca é aquilo que o Islã limita e indica: aproximar-se de Deus. Somente Ele constitui a perfeição absoluta nessa existência.

Sabemos que cada ente do universo segue na direção do finito, a não ser Deus. Nada e ninguém além d’Ele consegue realizar o desejo humano de eternidade. Por isso, aqueles que fazem dos bens e da riqueza um motivo para a felicidade estão errados. O dinheiro e os bens, por maiores que sejam, são limitados e perenes. Além disso, a vida humana transcorre com muitos problemas e dificuldades que o dinheiro é incapaz de resolver. Quanto a Deus, glorificado seja, é o Criador de tudo, a Fonte da Perfeição, a Origem do Bem e da Beleza. Ele é o único que permanece depois do desaparecimento de todas as coisas. Confiar e apoiar-se n’Ele capacita o ser humano a adquirir a riqueza verdadeira e a Eternidade.

A perfeição que o ser humano busca é o que o Islã limita e indica: aproximar-se de Deus

Do ponto de vista do Islã, o ser humano atinge a sua perfeição verdadeira apenas quando busca a proximidade de Deus e isso depende da obediência a Ele, a Suas ordens e proibições, anelando a Sua satisfação, exaltado e glorificado seja.

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O Alcorão Sagrado diz: “Ó humanos, sois vós que necessitais de Deus, porque Deus é, por Si, o Opulento, o Laudabilíssimo.” (Alcorão Sagrado, 35:15). O ser humano representa a pobreza absoluta em comparação a Deus, que simboliza a riqueza absoluta. O Imam Hussein (A.S.), na prece de ‘Arafat, repleta de verdades e de conhecimento divino, disse: “O que encontra quem Te perde e o que perde quem Te encontra?” O Imam Hussein (A.S.) des venda uma verdade


de suma importância: D e u s constitui a Existência Perfeita e que quem se dirige a outro além d’Ele se dirige à perenidade, está sujeito ao desaparecimento e à perdição. Quem se dirige a Ele, dirige-se à perfeição, riqueza e não sente qualquer falta ou vazio durante sua marcha. Se o Islã torna a proximidade de Deus um objetivo sublime, perfeição e felicidade, qual é o caminho que ele traça para chegar a este ponto? O Versículo Sagrado responde a essa pergunta nas palavras de Deus, o Altíssimo: “Quem espera o comparecimento ante seu Senhor, que pratique o bem e não associe ninguém ao culto a Ele.” (Alcorão Sagrado, 18:110). Portanto, a ambição humana em encontrar Deus depende de duas condições:

Quando analisamos todas as leis divinas no que tange às questões de devoção, encontramos que a maioria depende do relacionamento do ser humano com a sociedade. É raro encontrar uma regra individual que não leva em consideração o meio no qual vive o indivíduo. Em outras palavras, o Islã vê a devoção do ser humano a Deus como o único caminho para a obtenção da vasta misericórdia divina. Isso não significa a separação do ser humano da coletividade em que ele vive, isolando-se numa montanha ou floresta, cortando suas relações com o mundo. Ao contrário, o Islã ordena servir à coletividade e participar na solução dos problemas das pessoas por meio da cooperação, solidariedade e da fraternidade. Isso realiza a aproximação de Deus, exaltado seja, e incorpora o significado da devoção a Ele. Citamos, em seguida, algumas regras que demonstram a responsabilidade coletiva na Lei Islâmica.

Cada ente do universo segue na direção do finito, a não ser Deus, glorificado e exaltado seja!

1- A prática do bem. 2- A sinceridade e o afastamento do politeísmo. O alcance da felicidade, do ponto de vista do Islã, reside na obediência completa às ordens e proibições de Deus. Com o cumprimento das nossas obrigações e o afastamento de atos e fatos ilícitos, conseguimos satisfazer a Deus, elevado e exaltado seja, uma vez que a devoção a Ele indica para o ser humano o significa do sublime da liberdade.

•A Oração Coletiva : Primeiramente, a oração, que representa a devoção e a servidão a Deus, é um ato individual, pois é possível a qualquer pessoa

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c u m p r i - l a individualmente, para agradar e Deus e obter a Sua complacência. Mas, devemos saber que a Lei Islâmica frisa em inúmeras oportunidades o cumprimento da oração em congregação, ao ponto de torná-lo um princípio importante. A ordem corânica abrange a oração coletiva nas palavras de Deus, o Altíssimo: “Praticai a oração, pagai o zakat e inclinai-vos, juntamente com os que se inclinam.” (Alcorão Sagrado, 2:43) Em todas as batalhas do Mensageiro (S) e mesmo ciente da gravidade da situação de guerra, que exige uma observação minuciosa do movimento do inimigo, o Nobre Profeta (S) praticava as orações em congregação. Relata-se que Ele (S) disse: “Não pratica a oração quem não o faz na mesquita com os muçulmanos, a não ser com justificativa.” O b s e r v a m o s nas normas da oração, mesmo que seja praticada individualmente, uma dimensão coletiva, que se manifesta com a recitação da Surata da Abertura, quando o praticante diz: “Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda” (Alcorão Sagrado, 1:5), ou seja, com os verbos “adorar” (na’budu) e “implorar ajuda” (nast’ain) na terceira pessoa do plural; a mesma manifestação coletiva está presente quando o praticante encerra a oração, dizendo: “Que a paz esteja conosco e com os servos virtuosos de Deus” (Assalamu

‘aleina wa ‘ala ‘ibadi’llahi assalihin). Em ambos os momentos, temos representada a forma coletiva de orar, que torna o indivíduo passível de vivenciar o sentimento coletivo, mesmo na prática individual da oração.

•A Oração da Sexta-Feira O Islã tornou obrigatória a Oração da Sexta-Feira (Salat Al-Jumu’a), que o muçulmano pratica no momento da Oração do Meio-Dia. A Oração da Sexta-Feira possui um significado vital, ou seja, é um ritual que só pode ser cumprido em congregação. Acrescente-se a isso a obrigatoriedade que o Imam tem de proferir um sermão a respeito dos assuntos coletivos e dos interesses das pessoas, incentivando os indivíduos a cumprir as obrigações coletivas.

O alcance da felicidade, do ponto de vista do Islã, reside na obediência às ordens e proibições de Deus

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•A Ordem da Prática do Bem e Afastamento do Ilícito

É a ordem para a prática dos atos benéficos, evitando-se cometer atos nocivos. Devido a essas duas regras, a comunidade islâmica tornou-se a melhor nação. Deus, o Altíssimo, diz: “Sois a melhor nação que surgiu na humanidade, porque recomendais o bem, proibis o ilícito e credes em Deus.” (Alcorão Sagrado, 3:110). Há


um número enorme de versículos e tradições que confirmam a importância dessas duas obrigações e incentiva praticá-las. A consequência da prática de ambos é a supervisão coletiva, que protege a comunidade moralmente e a preserva do desvio.

• O Quinto (Khoms) e a Zakat (Tributo) Estes são dois preceitos coletivos que o Islã impôs sobre os ricos, constituindo uma regra para ajudar os necessitados e os pobres. O Islã incentiva a prática da caridade, da cooperação e da solidariedade entre os membros da sociedade, considerando os crentes como um

O Islã incentiva a prática da caridade e solidariedade, considerando os crentes como um só corpo só corpo. Se um órgão se queixar, o resto do corpo se solidariza, manifestando-se por meio da febre e/ou insônia. Nas próximas edições abordaremos o sistema de direitos e obrigações no Islã, que regularizam as relações entre o indivíduo e a sociedade.

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Artigo

Por Mariam Annuri

Com a sua perseverança singular, o Profeta Muhammad (S) incorporou o método sublime do verdadeiro líder

H

á uma lição eterna na vida do Mensageiro Escolhido (S), que se situa no ápice do que apareceu no palco das originalidades de conduta daquela biografia sublime. Essa incomparável lição abrange toda a verdade religiosa, humana e emocional, a qual o Nobre Profeta (S) tornou eixo e espírito de sacrifício de sua vida. Com a sua perseverança singular e seus grandes esforços, ele conseguiu incorporar o método sublime do verdadeiro líder, que vive para seu Senhor, para a sua consciência e para a sua comunidade. É a lição que despontou da alvorada da derradeira profecia, com suas grandiosas provas: a profundidade da fé, a santidade do ser humano e a precisão da balança. A biografia diz: O Mensageiro de Deus (S), durante a enfermidade que ceifou sua vida, pediu a Bilal(1) para reunir as pessoas na mesquita para uma questão urgente. Quando Bilal o informou que estavam já reunidos, foi ter com eles, com a cabeça amarrada. Parou na frente de todos e lhes disse: “Meu Senhor, exaltado seja, determinou e estabeleceu que não irá tolerar nenhuma injustiça. Peço, por Deus, que se houver alguém dentre vós contra quem eu tenha cometido algu1 - Refere-se a autora a Bilal Al-Habashi, o Abissínio, primeiro muezin, nomeado pelo Nobre Profeta (S) em pessoa. (NE).

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ma injustiça, que se apresente e cobre a sua parte. Certamente prestar contas no mundo é preferível do que prestar contas no Outro Mundo, perante anjos e profetas.” Um homem, de nome Sawada Ibn Kaiss, se apresentou e disse: “Ó, Mensageiro de Deus, que sejam sacrificados meus pais por tua causa. Quando tu chegaste de Taif, fui receber-te. Tu estavas montado em tua fêmea de camelo, portando uma vara delgada. Ao tentar cutucar a montaria, atingiu-me no abdômen, não sei se de propósito ou acidentalmente”. O Mensageiro de Deus (S) respondeu: “Por Deus, certamente que não foi de propósito”. Então disse: “Ó, Bilal, vai até a casa de Fátima e me traz uma vara delgada.” Bilal foi gritando nas ruas de Medina: “Ó, gente, quem quer prestar contas antes do Dia da Ressurreição? Mohammad está prestando contas.” Ao retornar com a vara, ele a entregou ao Rassulullah(2)(S). Este disse: “Onde está o idoso?” Respondeu o homem: “Estou aqui, ó, Mensageiro de Deus!” O Profeta (S) lhe disse: “Venha cobrar tua represália como quiser.” O idoso disse: “Descobre o teu abdômen, ó, Mensageiro de Deus.” O Profeta (S) descobriu o abdômen. O idoso disse: “Por meus pais, ó, Mensageiro de Deus, permita que eu encoste os meus lábios no teu abdômen?” O Profeta (S) deu permissão. O homem disse: “Que Deus proteja o local da represália no abdômen do Mensageiro de Deus do Fogo do Inferno.” O Nobre Profeta lhe perguntou: “Ó, Sawada, tu estás perdoando ou cobrando?” Respondeu: “Estou perdoando, ó, Mensageiro de Deus.” O Profeta (S) prosseguiu: “Ó, Deus, perdoa a Sawada da mesma forma que perdoou o Teu Profeta.” 2 - Rassulullah: em árabe, literalmente, “Mensageiro de Deus” (NE).

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Turismo

Rio de Janeiro, P

or suas inúmeras facetas, o Rio é a capital do turismo brasileiro. A cidade maravilhosa, localizada na Região Sudeste do Brasil, com 6 milhões de habitantes, numa área de 1.224,56 km², extensão litorânea de 246, 22 km² e área verde de 325,6 km², é um mosaico de encantos espalhados entre o mar e a montanha. O Rio é mais de um e a cada dia cria soluções para atender a todos os desejos e gostos. O Rio cartão-postal é a marca do Brasil. O Corcovado, com o Cristo Redentor, é uma das novas 7 Maravilhas do Mundo, eleita em concurso internacional. E tem, também, o Pão de Açúcar, um passeio prazeroso, que descortina a cidade. Os pontos turísticos emblemáticos são inúmeros, mas é importante citar o Estádio do Maracanã, templo maior do futebol cinco vezes campeão mundial, além de outros monumentos construídos pelo homem. O Rio foi escolhido, depois de pesquisas realizadas pelas universidades de Michigan e da Califórnia, como a cidade com o povo mais cordial do mundo. Este é o maior

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segredo da cidade maravilhosa: o espírito carioca, que torna todos os espaços urbanos um mosaico de diferentes atrações. O Rio é das praias, da montanha, das áreas verdes, dos esportes ao ar livre. O Rio é histórico, é cultural, é diurno, é noturno. Possui muitos sabores. É para todas as idades. O Rio é como um dos seus símbolos, o Cristo Redentor, de braços abertos, para receber bem os visitantes. Nesta matéria, trazemos apenas algumas de suas incontáveis belezas e atrações turísticas. Cristo Redentor O Cristo Redentor, símbolo da Cidade do Rio de Janeiro, foi eleito uma das 7 Novas Maravilhas do Mundo Moderno, em votação realizada pela internet e por mensagens de celular, organizada pela New 7 Wonders Foundation, da Suíça. O cartão postal carioca tem 38 metros de altura e teve sua pedra fundamental lançada em 1922. Foi inaugurado em 12 de outubro de


Capital do turismo 1931, sendo a única maravilha brasileira, ao lado de importantes outras maravilhas, também eleitas, como a Muralha da China. E a escolha foi merecida. O Cristo é a imagem da fé e da simpatia do povo carioca e completa, em 2009, 78 anos. Desde o ano de 2000, quando recebeu nova iluminação, o monumento e seus acessos vêm passando por um processo de revitalização. O ponto alto foi a inauguração do acesso mecanizado, em 2002, com elevadores panorâmicos e escadas rolantes. O Cristo Redentor conta agora com três elevadores panorâmicos, cada um com capacidade para 14 pessoas. O acesso se dá por uma área que

atende tanto os visitantes que chegam de carro quanto os que desembarcam na plataforma de trem da Estrada de Ferro do Corcovado. Também foram construídas passarelas metálicas, sustentadas por outra estrutura, com aproximadamente quatro metros de largura e quatro escadas rolantes, com capacidade de tráfego para 9 mil pessoas por hora. E antes mesmo de chegar ao Cristo, os visitantes já podem conhecer um pouco da história do cartãopostal. A Estação do Cosme Velho, totalmente revitalizada, transformou-se em um ambiente de lazer e entretenimento moderno e confortável.

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O grande destaque é o Espaço Cultural, onde se perpetua toda a rica história da Estrada de Ferro e do Monumento ao Cristo.

oposição aos colonizadores portugueses. Araribóia, líder dos índios Temininós, apoiava a facção portuguesa.

Ilha de Paquetá

Os portugueses acabaram por derrotar e expulsar os invasores franceses, ocasião em que os índios Tamoios foram quase exterminados.

O nome Paquetá significa “muitas pacas” na língua indígena “nheengatu” . Esta era a língua falada pelos índios Tupis na Baía de Guanabara por ocasião da chegada dos portugueses ao Rio de Janeiro. Há referências da existência de pacas em grande quantidade na ilha, de acordo com o relato dos navegadores da época, confirmando o acerto do nome. Paquetá foi ocupada pelos índios Tamoios até o final do século XV. O viajante francês André Thevet registrou a descoberta da ilha em dezembro de 1555. O Rei Henrique II da França reconheceu a ilha em 1556. Durante a invasão francesa, os índios Tamoios, seus aliados, foram um foco de resistência, em

Os portugueses dividiram então a ilha em duas sesmarias. Fernão Valdez ficou com a parte denominada Ponte e Inácio de Bulhões, outro português, ficou com a área denominada de Campo. Ainda hoje esta divisão continua existindo provocando rivalidades durante os eventos festivos na ilha, brincadeiras e blocos carnavalescos e mesmo em jogos de futebol. Estádio do Maracanã Entre as maravilhas que o Rio de Janeiro possui, encontra-se um dos mais importantes patrimônios turísticos e culturais do país: o Maracanã, o maior estádio do mundo. Na terra do futebol, que faz desse esporte a sua religião, ele é considerado por muitos o “Templo dos Deuses”. Foi construído em 1950 para sediar a Copa do Mundo, e projetado para receber 166.369 pessoas. Hoje, após as reformas, comporta um público de 114.145. Seu nome oficial, Estádio Jornalista Mário Filho, é uma homenagem a um dos mais importantes jornalistas brasileiros e fundador

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do Jornal dos Sports. Em 16 de junho de 1950, o Maracanã foi inaugurado com um jogo entre cariocas e paulistas, com o eterno Didi marcando o primeiro gol de placa da história do estádio. Desde então, foi palco de grandes conquistas do futebol brasileiro, dentre elas, a decisão do mundial de clubes em 1963. Naquele ano, cerca de 200 mil pessoas assistiram à vitória do Santos, de Pelé, em cima do Milan, da Itália. Paixão, emoção e muita adrenalina se misturam nas espetaculares torcidas organizadas, que balançam o estádio levando o público ao delírio. Parada obrigatória de turistas nacionais e estrangeiros, estudantes e visitantes de todas as idades, o gigante tornou-se conhecido mundialmente e perde, em popularidade, apenas para o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Pão de Açúcar Idealizado em 1908 pelo engenheiro brasileiro Augusto Ferreira Ramos e inaugurado no dia 27 de outubro de 1912, o bondinho do Pão de Açúcar

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completa 97 anos em 2009. Primeiro teleférico instalado no Brasil e terceiro no mundo, é um dos mais importantes ícones do turismo carioca, tornando-se uma das principais marcas registradas da cidade do Rio de Janeiro.

Desde sua inauguração até a data do aniversário, o teleférico transportou 31 milhões de turistas. Nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e julho – de alta temporada – a freqüência diária chega a três mil pessoas. Nestes quase cem anos de funcionamento, o bondinho recebeu a visita de turistas de todos os cantos do mundo, dentre os quais, personalidades, autoridades e artistas, como Einstein – que lá esteve em 1925.

dois no trecho Praia Vermelha/Morro da Urca e dois no trecho Morro da Urca/Pão de Açúcar. O Morro da Urca tem 220m de altura e o do Pão de Açúcar, 396m.

Considerado um dos mais seguros do mundo pelas entidades internacionais de teleféricos de passageiros, há quase cem anos o bondinho do Pão de Açúcar circula sem ter registrado nenhum acidente com vítimas. As atuais linhas são dotadas de dispositivos de segurança, com alarme em todos os pontos.

O parque faz parte do Solar da Boa Vista, residência real e dos imperadores do Brasil de 1822 e 1889, quando foi proclamada a República. Possui uma área de 155 mil metros quadrados, ajardinada em 1869, segundo projeto do paisagista francês Auguste Glaziou.

Diariamente pela manhã, antes de receber os primeiros turistas, os bondinhos saem numa viagem de vistoria. O percurso é todo programado e controlado por equipamento eletrônico, que verifica 47 itens de segurança.

O visitante, ao entrar pelos portões laterais, percorre a Alameda das Sapucaias, ladeada por estas árvores, e percorre o traçado romântico criado pelo paisagista, que ainda conta com lagos, grutas e recantos nos seus jardins imperiais.

O complexo turístico é formado por três estações – a da Praia Vermelha, Morro da Urca e Pão de Açúcar – interligadas por quatro bondinhos –

Fonte: Riotur (www.riodejaneiro-turismo.com.br) Revisão e edição: Revista Islâmica Evidências

Quinta da Boa Vista

Copacabana princezinha do mar... Tom Jobim já descrevia em poema a beleza desta que é, sem dúvida, uma das mais belas paisagens do Rio de Janeiro

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Proteção Ambiental

A poluição em nossa vida

V

amos olhar ao nosso redor. Como estão as nossas casas?

Fumaça emitida pela queima do óleo de cozinha, enchendo o ambiente do lar, fazendo suar as superfícies das paredes. As casas que utilizam a madeira para aquecimento, mesmo com o uso das chaminés para condução da fumaça, não conseguem vedar totalmente

a penetração dos gases tóxicos em seu interior. Os aquecedores a gás com defeito podem emitir monóxido de carbono, que não é percebido por quem o inala, mas é fatal. Se acrescentarmos a isso o fato de que o dono da casa ou outro membro da família fume ou utilize o arguile¹, dá para imaginar a aglomeração de poluentes naquele local fechado. Estas substâncias causam males sem que nos defendamos, muitas vezes.

1 - Aparelho para fumar muito usado entre os árabes (NE).

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Elas nos atingem com elementos prejudiciais, de ação lenta ou rápida, fazendo mal à nossa saúde ou podendo levar à morte. Acrescentemos à lista os odores dos modernos produtos de limpeza, compostos por elementos químicos que aspiramos sem ver. A eles somamse as substâncias que emanam do sótão ou do porão das casas, entre cheiros e umidade, o que é gerado na garagem e penetra na casa quando colocamos o motor do carro em movimento e antes de desligá-lo; o que penetra da água da chuva pelas fissuras nos telhados e paredes, atingindo os tapetes estendidas no chão, formando um foco de produção de bactérias. Mesmo o sistema de ar condicionado central acumula pó e bactérias durante o funcionamento. As tintas, por sua vez, cumprem seu papel enviando outras levas de veneno para poluir o ar puro da casa. Será que, diante de tudo isso, há lugar para o ar puro?

cabeça e dificuldade de respiração. Os médicos trataram a situação com antibióticos e nada obtiveram: nenhuma melhora na saúde do corpo docente, nem do corpo discente. Foi observado, mais tarde, que a situação das pessoas melhorava ou desaparecia durante os feriados e fins de semana. Os especialistas foram procurar a causa e descobriram que o edifício da escola era aquilo que se convencionou chamar de “edifícios enfermos”. São construções muito freqüentadas e que estão sempre fechadas, constituindo-se em fonte de poluição por nunca respirarem ar puro.

Nossos lares podem estar cheios de elementos poluidores, de ação lenta ou rápida, que fazem mal à nossa saúde

Quanto às regiões frias, ou durante o inverno, estamos condenando a nós mesmos com o sufoco e o ar viciado, de maneira premeditada, deixando as janelas e portas sempre fechadas. Podemos afirmar que a poluição residencial é, em muitos casos, mais perigosa que a poluição externa. Por acaso você já ouviu falar de “edifícios enfermos”? Vamos falar deles! Em uma escola de Chicago, nos Estados Unidos, os professores e os alunos sofreram de sequidão da garganta, de cansaço, de dor de

Os edifícios enfermos de hoje em dia são numerosos: casas, escritórios, escolas, indústrias, mercados, shopping centers. Se o indivíduo quer saber se é atingido pela enfermidade do edifício fechado, não há necessidade de consultar um médico. Os seus sinais são os mesmos da gripe: olhos lacrimejantes, dor de cabeça permanente, tosse e sudorese. As sugestões apresentadas para a solução dos problemas dos edifícios enfermos são a limpeza permanente, remoção do pó acumulado sobre os tapetes, papéis de parede e tetos, remoção da poeira acumulada nos arescondicionados, além da utilização de produtos naturais, em vez de químicos - na medida do possível. Foi observado, também, que as plantas que crescem no interior das casas funcionam como purificadores de ar, ao ponto de se dizer que elas oferecem a melhor solução para os problemas de poluição no século 21.

Podemos eliminar ou reduzir a poluição? Sim. Os preceitos islâmicos proíbem jogar lixo nas ruas, pois esta atitude favorece a proliferação de doenças, o acúmulo de moscas e outros insetos nocivos, além de mau cheiro. Os resíduos devem ser colocados em sacos fechados e jogados em locais 76 - Revista Islâmica Evidências


apropriados. As pessoas não têm o direito de utilizar as ruas como quiserem, de forma que prejudiquem os passantes e os habitantes locais, sem falar em cuspir, urinar e defecar nas vias públicas. Os preceitos islâmicos proíbem urinar em solo impermeável, porque ele não absorve a urina. A urina seca e seu cheiro venenoso evapora, atingindo o nariz dos passantes. Nós devemos avaliar os males causados à saúde pela nossa negligência. Se o Islã nos aconselha a não urinar nos ninhos dos insetos, afogando-os e matando-os, que dirá fazê-lo nos locais de descanso e de lazer das pessoas?

Esse é o significado corrente quanto à poluição ambiental. Porém, há outra dimensão do problema, à qual nem sempre damos importância. Ela não diz respeito, apenas, à sujeira, ao lixo, aos resíduos, ao mau cheiro. É a poluição sonora, que tem relação com a balbúrdia e os ruídos, causadores de danos à audição, reduzindo a sua eficácia, destruindo-a de forma irreversível em alguns casos, além de influenciar negativamente a tranqüilidade pessoal, o pensamento sossegado e o sono profundo.

O uso excessivo de buzinas automotivas e a utilização de alto-falantes em volume exagerado são proibidos pelo Islã, porque prejudicam as pessoas, causando perturbações de ordem psíquica e física, mesmo os aparelhos que transmitem programas religiosos. O mesmo se aplica ao som alto do rádio, da televisão e do gravador. A Tradição do Profeta (S) diz: “Não se pode prejudicar a si mesmo, nem prejudicar ao próximo.” O conselho de Lukman para o seu filho foi: “E modera o teu andar e baixa a tua voz, porque o mais desagradável dos sons é o zurro dos asnos.” (31:19).

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A partir de agora, você poderá ter acesso a estes temas, tão importantes para compreender o mundo em que vivemos. Afinal, a Religião Islâmica é considerada a que mais cresce no mundo, contando com 1,5 bilhão de seguidores em todo o planeta. A Revista Islâmica Evidências traz a você o conhecimento sobre o Alcorão Sagrado, a vida do Profeta Muhammad (S), práticas e costumes dos muçulmanos.

Revista Islâmica Evidências - Ano 1 - número 4

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Revista Islâmica Evidências - Ano 1 - número 3

Você conhece a História e a Cultura Islâmica? Sabe quem são os muçulmanos e no que acreditam? Revista Islâmica Evidências - Ano 1 - número 2

Revista Islâmica Evidências - Ano 1 - número 1

Revista Islâmica Evidências - Ano 1 - número 0

Revista Islâmica

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Palavras Cruzadas

por Chadia Kobeissi

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2. Nome da mãe do Imam Mehdi (que DEUS apresse o seu retorno)... 4. Reino antigo de Canaã, situado no Oriente Médio. Antes de os judeus chegarem lá, havia um povo que habitava a região, estes habitantes eram chamados de... 6. Um dos atributos de Deus... 7. Após o discurso do Profeta Muhammad (s.a.a.a.s), todos os presentes parabenizaram o Imam Ali (a.s) pela sucessão. Este dia é chamado “Dia do ... 8. A mulher deve ser valorizada e não apenas sua beleza exterior. É obrigatório, no Islã, o uso do... 10. Por intermédio do Arcanjo Gabriel desceu a primeira revelação sobre o Profeta, quando ele orava na gruta de... 11. Em que cidade nasceu Sayyed Mohammad Hussein Fadlullah? 13. Todo muculmano __________a Deus, somente. 14. Deus atende aos seus servos, principalmente se fizerem... 18. Há dois anjos que indagarão ao morto em seu túmulo sobre seus atos, bons ou ruins. Munkar e... 19. Lugar de sepultamento do Imam Al Hassan (a.s.), filho de Ali Ibn Abu Taleb (a.s.) ... 20. Grande filósofo e político muçulmano, que estudava o sistema ideal de governo baseando-se em teorias de Platão e apontava como solução o imamato... 21. Quantos imames estão enterrados no Cemitério de Al-Baqui, em Medina? 22. Rei da antiga Abissínia, que era cristão e se converteu ao Islamismo, logo após conhecer a Mensagem Divina

VERTICAL

1. Edward Said ficou mais famoso devido a um livro que mostra a forma como o Ocidente descreve, de forma este reotipada, o Oriente, em especial os árabes. O nome que ele dá ao livro é... 3. Quem falou a frase: “Aquele que dorme enquanto seu vizinho está faminto não é muçulmano”? 5. Nacionalidade do grande filósofo, matemático, médico e cientista Avicena. 6. Palavra árabe que tem significado literal de “Empenho” ou “Esforço”... 9. Mesquita também construída pelo profeta Abraão, traduzida como a “Mesquita Distante”; de lá houve a Viagem Noturna, quando o Profeta Muhammad (s.a.a.a.s) ascendeu ao céu. 12. Antes da oração o muçulmano deve fazer a ... 14. O termo_________ tem como principal designação o con junto linguístico composto por uma família de vários povos, entre os quais se destacam os árabes e hebreus, que compartilham as mesmas origens culturais. 15. Quatro mulheres que o Paraíso anseia pela sua presença: Fátima Azahrá(a.s), Virgem Maria, Assia e ... 16. Diferente dos cristãos, muçulmanos e judeus não acreditam na.... 17. “Isaac é especialmente abençoado, mas a Ismael Deus pro meteu transformar em uma grande nação”. Esse é um versículo presente na… Revista Islâmica Evidências - 79


Palavras Cruzadas F 2 I Q A H M B B 8 A S

Respostas das cruzadas edição número 6

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D 12 U I 15 14 V O N O B 17 I I R R A R 19 C A L I F A D O I G Q O A U 21 E T I T O L I T E R A T24 U R I M A O 25 D E S E J A S H 10

23

J A 5 A D 7 E L F A R E S P

B I D D O Q U E N C I A T E9 I T O S L 11 J 13 A U 16 O M A D E S E I A 18 F A R S U M S A O 20 Y 22 O P I A M A A M A T O

HORIZONTAL

4. Os livros anteriores ao Alcorão Sagrado, como o Evangelho, citaram o nome do Profeta que viria após Jesus. No Evangelho, o nome de Muhammad (S) apareceu como... 7. A primeira obra coletada que continha os ditos, cartas e sermões do Imam Ali (A.S.) foi o Nahjul Balaghah, ou seja “O Método da ...” 8. Os muçulmanos sempre devem buscar o diálogo entre si e com os membros de outras religiões. Este diálogo deve ter... 15. Como os árabes eram considerados e vistos antes do Islamismo? 18. Poeta famoso por seu elogio a Ahlul Bait (A.S.). 19. O versículo do Alcorão Sagrado “Oh, Apóstolo! Proclama o que tem sido revelado a ti por teu Senhor. Se tu não o fizeres, não terás cumprido e proclamado a Sua Missão. E Allah te protegerá das pessoas” (5: 67). Esse versículo foi referente a qual fato? 20. Como era chamado o oásis “Al-Madinat Arrasul” ou “Al-Madina Al-Munauwara”, antes da chegada do Profeta (S)? 21. O Mensageiro de DEUS(S) resolveu permitir a um número de seus seguidores emigrarem para a Abissínia, garantindo-lhes proteção e livrando-os da perseguição dos politeístas. A Abissinia, atualmente, é conhecida como... 23. Os árabes e os muçulmanos contribuíram em várias áreas para a humanidade. Na matemática, ciência, filosofia e...? 25. Dito do Imam Ali (A.S.). Se você conhece, complete: “A paciência se define em duas formas: a paciência sobre aquilo que detestas e a paciência frente aquilo que ...” 80 - Revista Islâmica Evidências

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C I R C U N C A I L S J A S D A Q M O I A T H R I B H 6

VERTICAL

1. A Jurisprudência Islâmica. 2. Qual dos Imames falou esse dito, referindo-se ao adultério: “Aquele que pensar em adultério é como quem ateia fogo em casa decorada. A fumaça corrompe a decoração, mesmo que a casa não pegue fogo”. 3. Criação de algo que não tem fundamento na religião... 4. Nome do irmão do Imam Hussein(a.s), que teve as mãos cortadas e os olhos atingidos na batalha de Karbalá. 5. É considerado um presente que o homem se comprometerá a dar à mulher que se casa com ele. 6. No Islã, como no Judaísmo, existe uma obrigação especial para o homem. Cientificamente, é comprovado que esta obrigação confere maior higiene a ele. Como é o nome de essa obrigação? 9. O fator mais importante, contribuinte para união das tribos árabes... 10. O Islã não declara ilegal, sendo algo permitido. No entanto, deve ser evitado ao máximo. Ao que nos referimos? 11. Quem representava a segunda forçaa depois dos muçulmanos, no inicio da Hégira? 12. Atualmente, nós, muçulmanos, precisamos de mais... 13. Livro que contém tudo que as pessoas necessitam em termos de jurisprudências e regulamentos. Tal obra foi o ponto de atenção do Imam Assadeq (A.S.) da seguinte forma: “Não há algo que ela não contenha”. 14. De acordo com os sábios, os atos humanos se dividem em cinco: 1-Permitidos, 2-Desejáveis, 3-Desaconselháveis, 4- Ilícitos e ... Qual é o quinto? 16. Montanha do lado da Caaba, em Meca, na qual é realizado um dos rituais da Peregrinação. 17. O que representa atualmente a antiga Mesopotâmia? 22. Continuação do profetismo e da religião... 24. Comunidade muçulmana...


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Revista Evidências - Edição 07  

Primeira revista em portugues, trantando assuntos como: Religião, Cultura, Comportamento mulçumano. Matérias - Medicina: A eutanásia é permi...