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Edição nº 33 | Maio 2010 | www.acapa.com.br

DIMMY KIEER

Drag abre o jogo pós-BBB

SEXO

Cobaia de amigo hétero

THOMAZ DE OLIVEIRA

FORÇA NA PERUCA

Entenda melhor a calvície

Top brasileiro arrasa em looks militares

Ismael Álvarez, Renato Russo, Talessa Top, Toy 7 anos ...


editorial

AQUECENDO OS MOTORES... Maio não é somente o mês das noivas, mas também quando nos preparamos para a maior Parada Gay do mundo. E este ano o evento promete ser ainda mais especial, com a participação do trio elétrico do site A Capa/Disponivel.com. Enquanto o mês de junho não chega, deixamos que você disfrute do belíssimo editorial de moda com o top brasileiro Thomaz de Oliveira. Fotografado por Fernando Lessa, o modelo, que já posou para grifes importantes (leia entrevista na página 25), reacende nosso fetiche por looks militares. E tem ainda a resenha de Tino Monetti sobre a recém-lançada coletânea de Renato Russo, uma reportagem de Paulo Basile sobre a calvície e outra de Emerson Lisboa sobre héteros que resolvem experimentar o sexo gay. A repórter Lilian Ambar estreia suas colaborações para a revista abordando os cuidados de prevenção da hepatite C, uma doença silenciosa que merece cuidados especiais. Também fomos atrás dos arquitetos responsáveis pelo projeto de reurbanização da Frei Caneca, a rua mais gay de São Paulo. Para finalizar, Dimmy Kieer abriu o jogo para Gustavo Vianna e contou detalhes de sua participação no BBB 10. Até o mês que vem, com mais novidades! Capa Thomaz de Oliveira (EGM) foi clicado por Fernando Lessa em São Paulo, com styling de Leandro Lourenço e Diogo Brasiliano.

Boa leitura! Paco Llistó SUMÁRIO

EXPEDIENTE

Música 10

DIRETOR EXECUTIVO

Sergio Di Pietro sergio@ibe.com.br

EDITOR-CHEFE

EDITOR DE ARTE Régis Olivar regis@ibe.com.br

Dimmy Kieer_26

Ismael Álvarez_15

Diana Carvalho diana@acapa.com.br Erik Galdino erik@ibe.com.br Lufe Steffen lufe@acapa.com.br Marcelo Hailer marcelo@acapa.com.br COLABORADORES Emerson Lisboa, Gustavo Vianna, Heloisa Caprioli, Lilian Ambar, Paulo Basile e Tino Monetti. PUBLICIDADE Bruno Niz bruno@ibe.com.br Alessandro Moretto alessandro@ibe.com.br PARA ANUNCIAR (11) 3284.4564

Especial Thomaz de Oliveira

24

Entrevista 26

Paco Llistó paco@acapa.com.br

REDAÇÃO

Renato Russo

Nova Frei Caneca_38

Renato Russo_10

Para enviar seu COMENTÁRIO, escreva para

redacao@acapa.com.br

Dimmy Kieer

Nova Frei Caneca

Pride 38

Seções Cult Atitude Portfólio Moda Saúde Beleza Sexo Tecnologia Achados Retrato

06 08 15 18 30 32 34 37 44 46

A Capa é uma publicação da Infonet Business Ltda. Rua Condessa Siciliano, 85, Jardim São Paulo, CEP 02044-050, São Paulo, SP. Maio/2010. A revista A Capa é uma publicação mensal e de distribuição gratuita.

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Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução ou cópia dos textos, fotos, ilustrações e outros elementos contidos nesta revista sem a sua expressa autorização.

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cult

Estante

Uma seleção especial de livros de temática LGBT “Por que toda mulher precisa de um gay em sua vida” O livro procura explicar os benefícios que muitas mulheres adquirem ao longo da vida ao cultivar uma bela amizade com um homem gay. Para a autora e jornalista Andrea Franco, a questão não é amar de paixão os gays e, sim, amar gente de bem. “Eu vou amar se ele for honesto, íntegro. E tenho amigos assim, que por acaso são homossexuais. Eles geralmente são pessoas descoladas, de bem com a vida e ótimos para oferecer um ombro amigo”, diz. Título Por que toda mulher precisa de um gay em sua vida. Autora Andrea Franco. Editora Matrix. Preço R$ 28.

“Segredos da Casa Grande” A história contada pelo escritor Marcelo Santana tem como ponto de partida a passagem de Luís Kristo pelo seminário diocesano e o seu amor platônico pelo colega André. Amizade que marcará a vida de Luís. Porém, a sua passagem pelo seminário será rápida e trágica, fazendo com que Luís tenha que voltar para a fazenda Esperança, onde irá iniciar uma relação quase que destrutiva com o dono da “Casa grande”, Antônio Araújo. Título Segredos da casa grande. Autor Marcelo Santana. Editora Nelpa. Preço R$ 39.

“Meus dois pais” Muita gente até pode conhecer o novelista Walcyr Carrasco, autor de sucessos como “Caras e Bocas”. Porém, poucos devem saber do outro lado dele, que é escrever livros infantojuvenis. Em seu novo livro, os pais do protagonista Naldo se separam e ele fica com a mãe. Mas o garoto acaba indo morar com o pai, pois a mãe vai para outra cidade e não quer que ele mude de escola. É nesse momento que Naldo descobre que o pai divide moradia com o “amigo” Celso. Entre idas e vindas, o garoto descobre o real papel da amizade e da família. Título Meus dois pais. Autor Walcyr Carrasco. Editora Ática. Preço R$ 24,90. 6 www.acapa.com.br


Cinema

portfólio

As Melhores Coisas do Mundo Novo filme de Laís Bodanzky mostra além dos simples conflitos da adolescência TEXTO DIANA CARVALHO FOTOS BEATRIZ LEFÈVRE “Filho de viadinho, viadinho será”? Essa frase é dita por uma das alunas de um colégio paulistano, onde estuda Hermano (Francisco Miguez), mais conhecido como Mano. O jovem é o personagem principal do novo filme de Laís Bodanzky, “As Melhores Coisas do Mundo”, que retrata além dos clássicos conflitos da adolescência, o cyberbullying. A vida de Mano é aparentemente tranquila. Suas únicas preocupações são as notas no colégio, ser notado pela menina dos seus sonhos e a espera pela primeira transa, até que um acontecimento familiar muda totalmente sua rotina e popularidade. Em meio a um casamento em crise, o pai de Mano sai de casa e revela aos filhos que se apaixonou por outra pessoa: um publicitário, com quem passa a morar junto. A partir daí, o dia a dia de Mano e de seu irmão Pedro, interpretado pelo astro teen da vez Fiuk, começa a passar por diversos desafios. Entre eles, o de manter em “segredo” a orientação sexual do pai, o que passa a tirar o sono de Mano. Tudo isso somado a uma sucessão de acontecimentos, como a perda da virgindade, uma briga com a melhor amiga e o comportamento conturbado do irmão, que leva uma fora da namorada. Por falar em irmão, o papel de Fiuk no filme é uma mistura de erro e acerto de Laís Bodanzky. O rapaz pode servir para quase tudo, menos atuar. Sim, ele é lindo e fotografa muito bem, mas dar a ele mais que duas falas é desperdiçar o texto. No entanto, com a escalação de Fiuk para o elenco, o filme atrai uma quantidade maior de público, mesmo que boa parte dela seja formada só por meninas e gays, que se deixam levar por seu “rostinho bonito”. “As Melhores Coisas do Mundo” é baseado na série de livros “Mano”, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, e vale o ingresso. Onde ver O filme está em cartaz nas principais salas de cinema. A estreia foi em 16 de abril. www.acapa.com.br 7


atitude

TOY 7 ANOS NO MOINHO FOTOS WOLNEY KYOMOTO

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música

LEGIÃO DE DOIS Lançamento que compila os melhores duetos do gênio Renato Russo com ícones da música nacional e internacional mostra que o legado do poeta segue mais vivo do que nunca

TEXTO TINO MONETTI FOTO DIVULGAÇÃO

”M

as é claro que o sol vai voltar amanhã...”. A profecia musical não foi verdadeira para Renato Manfredini Júnior no Dia das Crianças de 1996. Um dia antes, em 11 de outubro do mesmo ano, o mundo perdia o cantor, compositor e músico Renato Russo em consequência a complicações causadas pela Aids. Um dos mais belos capítulos do rock/pop brasileiro terminava ali.

artística, Renato Russo sempre foi influenciado pelas belas artes, estrelas internacionais e pela qualidade musical, dentro e fora de casa. E são estes ingredientes, associados ao seu profundo conhecimento de seus colegas de profissão contemporâneos, que fazem de “Duetos” (2010), lançamento da EMI com diversas parcerias do cantor, um dos melhores e mais completos álbuns do artista.

Líder da inesquecível Legião Urbana, uma das bandas mais críticas ao decadente cenário político-social brasileiro que já existiu no país,

Calcado em grandes temas musicais nacionais, mas com pitadas de canções em outros idiomas, o disco mostra um Renato que é

e do transgressor Aborto Elétrico, primeiro grupo do artista que acabou ficando mais conhecido após sua morte, Renato foi um como poucos na história da música nacional.

Russo, brasileiro, italiano, norte-americano, mundial. Um disco que poderia facilmente, em nosso mundo globalizado, ser editado e (bem) vendido em qualquer parte do planeta. Carregado de baladas suaves (ou melhor, emocionantes) e com doces surpresas ao longo do caminho, o trabalho teve idealização e produção executiva de Marcelo Fróes.

Nascido e criado no Rio de Janeiro, com uma breve passagem familiar por Nova York, e tendo Brasília como cenário de sua iniciação 10 www.acapa.com.br


música O disco abre com a deliciosa “Like a Lover”, onde o cantor – que se assumiu bissexual para sua mãe com 18 anos e 10 anos depois para o grande público – canta e encanta ao lado de Fernanda Takai. Em momento singelo, Renato também aparece com uma camiseta do Patu Fu dentro do encarte, mostrando seu amor ao grupo mineiro. A seguir, uma surpreendente e inusitada parceria de 1993 com Marisa Monte rende um dos melhores momentos do álbum. “Celeste” mescla a linguagem de ambos com melodia de Marisa e letra de Renato e tem trechos geniais como “vivo feliz, eu tenho amor e eu vou cantar uma canção pra mim”. Na sequência, ele entoa a bela “Vento no litoral”, clássico da Legião, ao lado de outro ícone de nossa música que também foi muito cedo: Cássia Eller. Gravada em 1991 para o disco “V” da banda composta também por Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, a canção traz a voz grave e inesquecível da cantora lésbica que nos deixou no fim de 2001. “Mais uma vez”, com 14-Bis, e “A carta”, ao lado de Erasmo Carlos, funcionam como os temas mais doces e alegres do disco, abrindo espaço para o hit “A cruz e a espada”, imortalizado pelo timbre rouco de Paulo Ricardo, ex-RPM, lançada originalmente em 1995. Também um relançamento é “Cathedral Song / Catedral”, música que deu projeção à Zélia Duncan e cujos vocais em inglês ficaram por conta de Renato.

da bota, conta com Célia Porto e é uma versione de um dos maiores sucessos de Lulu Santos, “Como uma onda no mar”. Para terminar, Renato ainda exibe sua grandeza vocal com aclamados de nossa MPB como Dori Caymmi (Só louco), Adriana Calcanhotto (Esquadros) e o eterno Paralama do Sucesso Herbert Vianna (Nada por mim). A faixa derradeira “Summertime” foi gravada em Brasília, em 1984, com Cida Moreira no piano e voz, acompanhando Renato no início de sua meteórica trajetória ao sucesso de crítica e público. Ouvir “Duetos” é lembrar instantaneamente de como Renato Russo marcou a vida e a identidade emocional de muitas gerações entre os anos 80 e 90. Se estivesse vivo, Renato completaria 50 anos em 2010. Como já não está mais entre nós, ele sempre será nosso poeta magistral, nosso ícone de rebeldia com muitas causas, nosso grande representante da liberdade de expressão sexual. Nosso eterno Eduardo sem Mônica, nosso Daniel na cova dos leões, nosso João de Santo Cristo, que era santo porque sabia morrer, mas que conseguiu o que queria quando veio para Brasília para falar e ajudar toda essa gente que só faz sofrer.

Para a oitava do álbum, “Change partners”, Caetano Veloso foi a estúdio prestar sua homenagem. Já Laura Pausini enviou sua voz pela internet para “Strani amori”, um de seus maiores hits, para que a mesma fosse mixada com a do cantor. Outro hit em italiano, “La solitudine”, traz uma inspirada Leila Pinheiro ao lado do ícone. “Come fa un’onda”, a última canção da língua do país www.acapa.com.br 11


portfólio uem passa quinzenalmente às quintasfeiras na rua Haddock Lobo, na região do Baixo Augusta, e vê a enorme fila na porta da Funhouse nem imagina o que acontece naquele que é um dos redutos rockers mais tradicionais de São Paulo.

çar e se divertir”. Por isso, uma boa pedida é ir acompanhado por um grupo de amigos. Afinal, assim é mais divertido e fácil de entrar no clima, dançando ao som de hits antigos do axé como “Oh, Mila” e “Eva”.

MELANCOLIA EM LONDRES

A festa gay mais absurda da atualidade tem Por falar nisso, a trilha sonora é bastante ecO ESPANHOL ISMAEL ÁLVAREZ É CONHECIDO MUNDIALMENTE POR SUAS ILUSTRAÇÕES DE FORTE chamado a atenção dos notívagos. A Balada léticaBASTANTE e não é só formada por “bagaceira”. APELO HOMOERÓTICO. SEUS DESENHOS TÊM TRAÇOS REALISTAS, O QUE IMPRIME MúEROTISMO A SUA OBRA. O CLARO,para É O PRINCIPAL TEMA DE SEUS TRABALHOS. ENTENDOMaMixta, como é chamada, é SEXO, um evento ansicas pops, atuais e antigas“NÃO de Britney, POR QUE AS PESSOAS ACHAM QUE O SEXO TEM A VER COM ALGO SUJO”, DISSE CERTA VEZ. “PELO tenados e modernos em geral. Nas conversas donna, Beyoncé estarão lá, bem como CONTRÁRIO, MEU TRABALHO REFLETE O MUNDO DA BELEZA E DO EROTISMO.” PARA SABER MAIS:“Bad WWW.ISMAELALVAREZ.COM. que se ouvem, há sempre alguém que conhece Romance”, de Lady Gaga, que funciona quase alguém importante – um estilista famoso, um como um “hino” extra-oficial, com todos canjornalista da Folha, da Caras e até da Rede TV! tando em uníssono. É sério. Apesar disso, longe da caretice blasé que marca alguns clubes alternativos, na Mixta a ordem é festejar. E uma coisa não falta aos frequentadores do projeto: bom humor. Prova disso são as cartolinas espalhadas pela casa. Com um canetão, os presentes deixam todo tipo de recados e mensagens nos cartazes como “não faz a Luciana, mexe esse corpo”, em referência à novela “Viver a Vida”, de Manoel Carlos. Daniel Carvalho, 22, ou melhor dizendo o DJ por trás da travestchy e blogueira Katylene, acha isso “meio tosco”, como explica em entrevista à revista A Capa. “A decoração da Fun House é bem ruim, né? Como nós não tínhamos verba pra decoração, no começo do projeto começamos a colocar as cartolinas na parede”.

Encabeçada por uma travesti imaginária, é difícil imaginar que a Balada Mixta não tinha a pretensão de ser gay, como contou Daniel à reportagem. “Essa não era a ideia inicial, mas o projeto foi ficando mais gay”, diz. O moço acredita que alguns héteros que frequentavam a festa se assustaram com algumas coisas. Um exemplo? “Uma vez eu estava tocando uma música e, quando vi, tinha quatro meninas na pista brincando de briga de galo”, lembra Daniel. De fato, quem passa na Haddock Lobo e vê a enorme fila na porta da Funhouse nem imagina o que acontece por ali.

Sob a coordenação de um time de DJs jovens, formado por Pedro Beck, Pomada e Katylene, mais um dos ingredientes do sucesso do projeto são os convidados que recebem. Do host Alisson Gothz a Davis Reimberg, conhecido na internet por defender a Xuxa, passando pela drag e DJ da Tunnel, Ginger Hot. Comparada a outros clubes e festas, a pegação não é uma característica muito forte da Balada Mixta. Para Daniel, isso acontece porque quem vai à festa “está mais a fim de danwww.acapa.com.br 15


moda

SIM, senhor, SIM!

FOTOS FERNANDO LESSA EDIÇÃO DE MODA LEANDRO LOURENÇO | DIOGO BRASILIANO BELEZA ISRAEL ESCOBAR MODELO THOMAZ DE OLIVEIRA (EGM)

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moda

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moda

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moda

calรงa LORENZO MERLINO e luvas JADSON RANIERE

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moda

Nesta página e à direita casacos originais do EXÉRCITO brasileiro (MINHA AVÓ TINHA), calça MARIO QUEIROZ, coturno CAVALO DE FOGO para JADSON RANIERE e acessórios JADSON RANIERE

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moda

camiseta DER METROPOL

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especial

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especial

“QUE VENÇA O MELHOR” Top brasileiro Thomaz de Oliveira fala de seu primeiro editorial para uma revista gay TEXTO PACO LLISTÓ FOTO FERNANDO LESSA

E

le é um dos modelos brasileiros mais requisitados no exterior. O pernambucano Thomaz de Oliveira, 25, já estrelou importantes campanhas de grifes internacionais, como Dior Homme, Dolce & Gabbana, Armani e John Galliano. Este ex-soldado da Aeronáutica também já desfilou para as principais semanas de moda da Europa e, recentemente, posou para a campanha mundial da John Richmond. Ao lado da atriz Olivia Wilde, o modelo de traços marcantes apareceu em um anúncio do perfume “Desire Me”, da Escada.

produção, beleza, foi tudo muito legal. Foram todos superatenciosos. Quais foram seus últimos trabalhos no exterior? O mercado lá fora exige mais dos modelos? Estou na atual campanha mundial do John Richmond e fiz alguns editoriais e desfiles. O mercado lá fora exige muito mais, com certeza, é muito mais concorrido pelo grande número de modelos. Que vença o melhor! Depois de tanto trabalho, o que gosta de fazer para fugir do estresse? Primeiro ver a família, depois mergulhar e lutar capoeira. E praia, sempre.

Nesta rápida conversa, o top conta como foi participar de seu primeiro editorial para uma revista gay e qual é o maior desafio da profissão. Sensato, pensa no futuro e diz: “Um dia tudo passa.”

Com que grife internacional você ainda tem a pretensão de trabalhar? Por quê? Para mim trabalho é trabalho. Mas é sempre bom trabalhar com uma grife importante.

Este é seu primeiro editorial para uma revista dirigida ao público gay? O que achou do resultado? Sim, foi bem legal e diferente. Ainda não vi o resultado final, mas em termos de

Qual é o maior desafio para um modelo de carreira internacional hoje em dia? Sustentar o posto de ser um modelo internacional e saber o que vai ser no futuro, porque um dia tudo passa. www.acapa.com.br 25


entrevista

DIMMY KIEER

TODA TRABALHADA, DRAG VIVE SEUS MOMENTOS DE

CELEBRIDADE TEXTO GUSTAVO VIANNA FOTOS BATHISTA LIMA

E

la é a drag mais famosa do Brasil. Depois de deixar a casa do Big Brother, Dimmy Kieer vive momentos de celebridade nacional. Paparicada na rua por héteros e gays, Dimmy conquistou o público ao mostrar sua dupla personalidade: seja como artista da noite, seja como o maquiador Dicesar, a ex-BBB representou, com dignidade e muita ferveção, diga-se de passagem, a comunidade LGBT ao lado de Serginho e Angélica.

Que importância teve sua participação no BBB para a imagem da comunidade LGBT no Brasil? Nós pudemos mostrar realmente a diversidade do Brasil e do mundo. Mostrei que, além de drag queen e maquiador, sou um ser humano normal como qualquer outro.

Não houve quem não repetisse alguns de seus bordões, que se tornaram clássicos: frases como “toda trabalhada” e “não faz a louca, bee” estão na boca de todo mundo. 13ª eliminada do programa, com 58% dos votos, Dimmy protagonizou momentos inesquecíveis e fez história ao ser até então a única drag queen a participar de um reality show.

O BBB deu muita visibilidade ao seu trabalho. No entanto, quais são os aspectos positivos e negativos de participar de um reality show? O negativo é que eu não posso sair à rua, que até as formigas me conhecem. O positivo é o carinho e a atenção do público. Outra coisa negativa é que não posso nem ir à sauna ou fazer um “banheirão”, a louca! (risos). Nem paquerar um bofe na rua eu posso, que ele já grita: ‘Aí, gostosa!’

Agora, Dimmy colhe os louros da fama. O cachê, claro, aumentou. E ela não para. Faz

Você já recebeu algum convite para um programa de TV?

shows por todo o país – no mês que vem, é possível que tenhamos uma overdose da drag, com início da temporada de Paradas gays. Entre um compromisso e outro, Dimmy Kieer falou com a reportagem da revista A Capa sobre sua participação no Big Brother e, principalmente, sobre a imensa repercussão que causou.

Por enquanto, sou contratado da Globo por seis meses e tenho uma agenda que inclui participar de todos os programas da emissora. Então, durante esse tempo, sou exclusiva deles.

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Você se arrepende de alguma coisa? Participaria novamente do programa? Lógico que sim. E não me arrependo de


entrevista nada, absolutamente nada. Na verdade, me arrependo de apenas uma coisa: de não saber jogar com as pessoas. Não sei jogar com a vida das pessoas. Sou de verdade, brinco, dou pinta, fervo... Lá [no programa] a obrigação era indicar alguém, mas quando indicava, a pessoa não aceitava bem. E isso, ao invés de soar como integridade, soava como falsidade. Você mantém contato com Serginho ou outro participante? Eu tenho mais contato ultimamente com a Fernanda, a Cacau e o Eliéser. O Serginho anda tão ocupado quanto eu... O que você tem achado das caricaturas que fazem em relação a você nos programas humorísticos? Achei tudo ótimo. São engraçadíssimos. Só acho uó esses outros programas de celebridades que divulgam a nossa imagem sem pagar nada, estereotipando nossos personagens de uma forma irresponsável.

Lia criaram. Repetiram 600 vezes a mesma história que até eu acreditei... Quais são seus planos para a Parada Gay de SP em junho? Meu sonho é ser convidado para participar de todos os trios... Mas não quero simplesmente chegar nos lugares e dar pinta, acho que agora tem que rolar um cachezinho... (risos) Acho que o público LGBT tem que valorizar os artistas gays. E somos artistas gays de verdade. Levo no meu coração a bandeira da causa gay. Por falar nisso, o cachê aumentou? Ah, aumentou de 1 mil para 5, 8, 12 [mil]... Basta o povo ter “aqué” que estou indo... Só não faço mais nada por 500 [reais], confesso. Você vai fazer ensaio sensual no Paparazzo? Como Dimmy ou Dicesar? Não me chamaram ainda. Quem sabe?

Todo mundo que sai do BBB reclama da edição do programa. Você acha que o BBB deturpou de alguma forma a imagem dos gays?

Surgiram boatos que havia mais um participante gay na casa. Você apostaria em algum? Fiquei sabendo quando saí da casa. Mas no meio do programa percebi que um deles tinha envolvimento

Não, na rua recebo o carinho de homens, mulheres, héteros e gays. Eu não quis ver nada depois que saí do programa. Só assisti àquela vez que o Dourado ficou falando que eu estava em cima do muro, que era falso. Depois achei mesmo que estava passando uma imagem de falso, mas quando fui eliminado vi que foi uma coisa que ele e a

com o meio GLS... Não posso falar o nome, né? Mas ele era lindo demais, homem demais e a mulherada dava em cima dele – e acabou ficando sem ninguém! Algum palpite? (risos)

O que você acha do Dourado ter ganhado o BBB? Acho que todos que estavam na casa foram guerreiros. Os cinco últimos finalistas, todos passaram pelo que passei. Confesso que, quando saí, estava torcendo pela Fernanda e pelo Cadu. Mas não mudaria as regras lá dentro...

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saúde

UMA DOENÇA

SILENCIOSA

Milhares de brasileiros são vítimas da hepatite C, que tem evolução lenta e discreta e é transmitida principalmente pelo sangue. Saiba como se prevenir! TEXTO LILIAN AMBAR

C

om evolução lenta e silenciosa, a hepatite C é mais comum do que se imagina. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros são portadores crônicos do vírus causador da doença, o HCV, ou seja, cerca de 1% a 1,5% da população. Transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado pelo vírus, a doença é capaz de passar até 20 anos provocando lesões no fígado, um dos órgãos mais importantes do organismo, sem dar sequer um sinal de sua presença. E, ao contrário das hepatites A e B, a regra da hepatite C é tornarse crônica: cerca de 80% dos que adquirem o vírus serão incapazes de eliminá-lo.

O coordenador do Programa Nacional para a Prevenção e Controle das Hepatites Virais, Ricardo Gadelha, explica que a maioria dos casos de hepatite C não apresenta sintomas. “É uma doença grave e milhões de pessoas só percebem que estão doentes quando ela começa a se manifestar de forma mais grave, como por exemplo, uma cirrose ou câncer de fígado”, alerta. Apesar de avançar sem dar sinais, a hepatite C pode levar à morte. Num período de 20 anos, aproximadamente 20% dos infectados pelo HCV desenvolverão cirrose e uma em cada 50 pessoas com cirrose apresentará câncer de fígado. No entanto, a hepatite C tem grande chance de cura. Cerca de 20% dos infectados eliminam o vírus espontaneamente. Dos outros 80%, cerca de metade dos pacientes poderão desenvolver uma forma de doença mais agressiva e deverão ser tratados. De maneira geral, aproximadamente 65% dos pacientes, quando tratados corretamente, têm a doença controlada. A prevenção é a melhor forma para não contrair o vírus. Saiba como se prevenir:


saúde

Transmissão do HCV

Como se prevenir

• Ocorre principalmente pelo sangue, por meio de transfusão (especialmente as realizadas antes de 1993, quando ainda não havia a triagem sorológica);

• Não compartilhe agulhas, seringas e equipamentos para drogas inaladas e pipadas; Não use lâminas de barbear ou de depilar de outras pessoas;

• Contato com o sangue de pessoas infectadas;

• Use seus próprios instrumentos de manicure e pedicure;

• Via sexual;

• Exija materiais esterilizados ou descartáveis em estúdios de tatuagens e de piercing, serviços de saúde etc.

• Mãe infectada para o filho; • Compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas; • Colocação de piercing; • Procedimento de tatuagem;

Diagnóstico É feito por meio de um exame de sangue chamado de sorologia anti-HCV.

• Manicure/pedicure com materiais não esterilizados; • Compartilhamento de objetos de higiene contaminados (escovas de dente, lâminas de barbear ou de depilar); • Acupuntura;

Tratamento Não há vacina contra a hepatite C. O tratamento é realizado com medicamentos orais e injetáveis, disponíveis no SUS.

• Hemodiálise; • Procedimentos médicos-odontológicos.

Possíveis sintomas Febre, vômitos, fraqueza, mal-estar, dor abdominal, enjoo/náuseas, perda de apetite, urina escura, olhos e pele amarelados e fezes esbranquiçadas.

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beleza

FORÇA NA

PERUCA

Você sabe porque surge a calvície e, melhor ainda, que há várias maneiras de tratá-la? Entenda mais sobre este distúrbio que deixa alguns homens de cabelo em pé TEXTO PAULO BASILE 32 www.acapa.com.br


beleza

S

e antigamente a calvície era associada apenas à velhice, hoje é um assunto que ferve a cabeça de homens cada vez mais jovens. A tendência genética é responsável por grande parte dos casos. “Nos homens, 95% dos casos são de origem genética. Apenas os 5% restantes podem ter causas hormonais ou metabólicas”, explica Valcinir Bedin, médico tricologista (especialista em cabelos) e presidente da Sociedade Brasileira para Estudos de Cabelo (SBEC). Quando o assunto é origem genética, os números provam que os cabelos começam a cair bem antes do que imaginamos. Cerca de 80% desenvolvem a calvície entre 24 e 26 anos de idade, 15% apresentam os sintomas do distúrbio abaixo dos 18 anos e apenas 5% têm de lidar com o problema após os 30. “Às vezes, acontece de aparecer um careca em uma família de pessoas ‘cabeludas’. Isso acontece porque os genes responsáveis pela calvície podem vir de gerações muito antigas. Seu tataravô era calvo e você poderá ser também”, explica Bedin. No entanto, outros fatores também podem ser decisivos para alavancar este problema. Além de uma má alimentação, o estresse também provoca a queda dos cabelos, pois aumenta o estradiol, um hormônio que impede o crescimento dos cabelos. “Desta forma, uma alimentação equilibrada e rica em ferro e vitaminas do complexo B (carnes e leite) seria o ideal”, afirma o médico.

Caso o resultado não seja eficaz, há também a cirurgia de transplante. Ela se faz com anestesia local sob sedação (o paciente dorme durante o procedimento), e retira-se uma porção do couro cabeludo da área da nuca, chamada de área doadora, que é suturada. Após retirada, separam-se os fios um a um e “planta-se” cada um deles na área chamada receptora. Após a cirurgia, o tempo estimado para que os cabelos voltem a nascer é de cerca de dois meses, crescendo 1cm por mês a partir daí. Mas prepare o bolso: a cirurgia custa aproximadamente R$ 5 mil. Caso você ache muito caro, há outra solução mais direta: pense que “é dos carecas que eles também gostam mais” e seja feliz!

Mitos e verdades Lavar o cabelo todo dia faz mal à saúde? Não! No entanto, é importante não dormir com os cabelos molhados, pois isso pode danificar a estrutura deles, provocando até o aparecimento de fungos. Não é bom lavar sempre o cabelo com o mesmo xampu, pois o cabelo vicia? Não. O que pode acontecer é que às vezes o xampu é do tipo que “gruda” nos cabelos, e depois de algum tempo é importante usar um produto antirresíduo para se retirar o acúmulo do xampu que ficou.

E agora, doutor?

É melhor lavar o cabelo com água fria? Sim, com a água fria (com temperatura ideal de 22 graus) não é retirada toda a proteção dos

rias saídas para brigar contra a calvície. Uma delas é o tratamento com remédios. “Os medicamentos autorizados pelo Ministério da Saúde são a finasterida, por via oral, e o minoxidil e o alfa estradiol, por uso tópico.

fios, como acontece com a água mais quente.

Antes de arrancar os cabelos à força, há vá-

Ambos necessitam de aproximadamente três meses de medicação para se ter um resultado”, explica o tricologista.

Amarrar os cabelos quebra os fios? Sim. Se o amarrado for muito forte, especialmente nas pessoas de cabelo tipo afro, pode levar a uma queda de cabelos chamada de alopecia de tração.

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sexo

SER OU “N

NÃO SER

COBAIA? Quando o amigo hétero resolve experimentar TEXTO EMERSON LISBOA 34 www.acapa.com.br

o final da noite, alguns haviam ido embora, outros dormiram. Somente meu amigo Paulo ficou acordado para arrumar a bagunça da cozinha. Ele virou, perguntou como eu estava após o final do meu namoro e, quando virei para responder, ele me beijou”, revela Alexandre*, 32 anos. A possibilidade de ficar com um homem “hétero” é fantasia recorrente de vários gays. Mas muitos acabam como cobaias quando o amigo resolve experimentar. Passados alguns dias após a experiência vivida por Paulo, Alexandre ouviu seu amigo dizer: “Eu só queria ver como era, não é a minha”.


sexo Entre os amigos é comum ouvir esses relatos. Muitos acabam fantasiando, se permitindo ficar com o amigo hétero e até desejando manter uma relação. Porém, há homens que não são gays, mas se permitem experimentar. O que muda é o comportamento sexual – pode variar ao longo da vida - e não a orientação sexual. São nesses momentos que muitos estão dispostos a ter uma experiência única, como diz Wagner*, 28 anos. “Me entreguei para ele. Sabia que estava me arriscando, mas queria tentar. Tínhamos namoradas. No momento em que nos beijamos, descobri que de fato era gay, mas ele descobriu que não era. Foi somente aquilo entre nós”, conta. A grande dúvida é saber por que, mesmo com namoradas, noivas ou esposas, alguns homens resolvem ficar com outro. “Meu amigo noivo me propôs ficar com ele. Achei muito estranho, mas quando perguntei o porquê, ele disse ‘a minha namorada se recusa a fazer certas coisas na cama e sei que você pode fazer muito bem’, e aí resolvi ceder”, confidencia Gustavo*, 24 anos. Questionado se a experiência valeu a pena, Gustavo afirma que nunca esquecerá o momento, mas sente certo constrangimento ao lado da esposa do amigo. “Lógico, nossa noite foi ótima. Não tem como vê-lo e não pensar nas coisas que fizemos. A mulher dele nem sonha.”

Quando vira paixão

Misturar a experiência com os sentimentos pode trazer complicações. A fantasia aliada à paixão desperta desejos que, se não bem resolvidos, podem acabar com a amizade. “Fomos embora de uma festa juntos, estávamos bêbados. Ao deitar na mesma cama sabia que algo poderia acontecer. Olhei bem para ele e quando vi, ele pulou em cima de mim. No dia seguinte, tentei tocálo de novo, mas ele não queria. Perguntei

por que não, e a resposta foi: ‘cara, estava muito bêbado e com tesão’. Eu gostava dele, insisti, mas brigamos e nunca mais nos falamos”, relata Luiz*, 23 anos. Muitos têm dúvidas se o amigo hétero, após experimentar, realmente não deseja ficar com homens. Nesses casos o caminho é o diálogo. Um conversa franca pode colocar os limites necessários para que o “amigo” entenda as dificuldades das tais experiências.

Experimentando eternamente

No meio dos amigos mais liberais, há aqueles que afirmam ser héteros, mas sempre estão experimentando. Diego*, 29 anos, conta: “Fiquei a primeira vez com meu amigo aos 16 anos. No colegial ele pegava todas as meninas, namorou algumas, mas até hoje quer experimentar. Não me importo em ser amante dele. Não posso gostar, mas sempre vou me permitir a ficar.” Mais do que se imagina, muitos homens heterossexuais pensam nas diversas possibilidades sexuais. A maioria que já ficou com outro homem prefere esconder. Mas há aqueles que assumem dignamente. “Sempre achei um cara ou outro bonito. Fiquei com meu amigo gay para saber se era legal ou não. O beijo foi bom, mas não senti nada demais. Não tenho vontade de fazer sexo, mas sempre beijo homens. Gosto de pessoas que beijam bem, independente do sexo”, assume Rodrigo*, 25 anos. Saber seus limites é fundamental para aproveitar bem a(s) experiência(s) e não se perder nos sentimentos com o amigo hétero. A maioria prefere discrição, mas quase todo mundo tem uma história para relatar. Qual é a sua? * Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados


tecnologia

AO VIVO É MAIS

GOSTOSO

Internautas comentam novo serviço brasileiro de webcam ao vivo TEXTO ERIK GALDINO

S

e no passado ter foto era fundamental para uma boa pegação pela internet, hoje possuir webcam é sinônimo de mais contatos e maiores probabilidades de encontros reais. Ninguém quer correr o risco de chegar na hora “h” e perceber que a foto do pretendente estava desatualizada há dez anos. Pensando justamente em tornar os relacionamentos ainda mais dinâmicos, o Disponivel.com lançou seu próprio serviço de transmissão de imagens e voz por câmera, comemorando uma nova fase do site. A ferramenta já nasceu um sucesso. Na primeira semana contou com cerca de 50 mil espectadores por dia, que, entre os usuários, encontraram nudez, masturbação, brincadeiras com acessórios e até sexo ao vivo, com duas, três e até quatro pessoas. Logo no primeiro dia do serviço, um casal fazia sexo oral. Um deles perguntou se ainda havia pessoas assistindo – quem exibe a webcam sabe quais são os usuários que estão assistindo naquele momento -, e com a resposta positiva do namorado, continuou a praticar o ato com ainda mais vontade.

A receptividade dos usuários foi imediata, como relata o paulistano Vvictor. “Fiquei surpreso ao abrir o perfil e ver essa novidade, agiliza totalmente o contato, afinal, alguns perfis não contém fotos e a imagem facilita muito”, opina. Para Andyzinho, de Rio Claro, interior de São Paulo, “o contato acaba sendo mais ‘real’, já que a pessoa vê a verdade nua e crua, nem sempre tão nua, tornando o jogo muito mais gostoso.” No site, é possível perceber como cada usuário se comporta diante da sua audiência ao longo do dia. De manhã e à tarde, as pessoas são mais comportadas; já à noite a coisa pega fogo e é possível ver casais e grupos transando ao vivo. “A câmera veio para melhorar ainda mais a frequência de visitas e mensagens”, comenta Oozz, de São Paulo. Para Sérgio Di Pietro, diretor executivo e criador do Disponivel.com, “mostrar fotos no perfil é uma coisa muito arcaica, os vídeos e agora a câmera vieram para modernizar ainda mais o site”, conclui. www.acapa.com.br 37


roteiro

UMA NOVA

FREI CANECA

Projeto de reurbanização pretende transformar a rua mais gay de São Paulo em um imenso e moderno bulevar TEXTO PACO LLISTÓ

Q

uem caminha pela Frei Caneca sabe o que essa rua tem de especial. Em meio a casarões antigos e prédios modernos, a vida noturna pulsa na “Gay Caneca”, como foi carinhosamente apelidada pelo público homossexual. Com várias opções para se divertir, a via mostra naturalmente sua vocação econômica e cultural para a cidade.

O uruguaio Conrado García Ferrés, 60, que mora em São Paulo desde 1974, falou à revista A Capa sobre o projeto e destacou a importância de se pensar em uma Frei Caneca que seja cada vez mais plural e democrática. Leia abaixo: Qual foi exatamente a contribuição da

Localizada nesta que é considerada a rua mais gay de São Paulo, a ONG GLS Casarão Brasil, do empresário Douglas Drumond, uniu-se ao Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) para promover um concurso público de reurbanização da Frei Caneca, cujo resultado

ONG Casarão Brasil para o concurso? Eles tomaram a excelente iniciativa de promover o concurso, visando concretizar um novo espaço para a população do bairro e da cidade. Acreditamos que a concretização desta iniciativa virá de encontro às premissas da associação de liberdade e pluralidade, e também permitirá que a população seja acolhida e identificada

foi divulgado no último mês de fevereiro.

neste novo espaço público.

O projeto escolhido, de autoria de dois escritórios de arquitetura, o paulistano FMC e o espanhol Fondarius, dá prioridade ao pedestre ao invés dos veículos, transformando a rua, hoje parcialmente degradada, em um imenso e moderno bulevar.

De que forma vocês pensaram o projeto? O que destaca nele? Nós, cidadãos, temos em comum um território que cada vez nos pertence menos. As cidades em que exercemos o nosso esforço diário, o âmbito da nossa rotina, nossos mapas de “deveres”

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pride e “prazeres” estão fragmentados em áreas cada vez mais delimitadas. Está em jogo o espaço público, que é um ambiente físico do qual todos os cidadãos podem e devem apropriar-se, não como conceito de propriedade, mas sim como um espaço próprio. Acreditamos que o espaço público é um território que se caracteriza por aquilo que compartilhamos em termos de uso, de liberdades e igualdade. Entendemos o espaço público como a soma, a sobreposição das ações e eventos. Lugar para tudo e para todos, um espaço híbrido, multicêntrico, dinâmico. Qual é a importância de investir em uma nova Frei Caneca? A concreção deste projeto trará para os moradores do bairro e da cidade um novo espaço público, que melhorará em muito a qualidade de vida e também trará movimento novo e maior para os comerciantes do lugar. A nossa proposta é um eixo de lazer no qual o espaço para as pessoas esteja separado do espaço destinado aos veículos, algo que a nossa cidade está precisando muito. Que relevância seu projeto teve especialmente para o público gay? A região da Frei Caneca já é uma região na qual a comunidade gay tem achado seu espaço. Nossa proposta é construir um espaço plural, onde esperamos que todos encontrem uma melhor condição de vida.

Como você define a rua Frei Caneca em relação ao seu valor para a cidade? A Rua Frei Caneca está numa região de clara vocação comercial, turística e de vida noturna. É uma rua de tráfego alternativo e por isso precisa dessa iniciativa de reurbanização com ênfase nas pessoas e não nos veículos. Que outras vias de São Paulo mereceriam um projeto de reurbanização? Existem iniciativas em andamento na região [do bairro] da Liberdade e [alameda Gabriel] Monteiro da Silva. Sendo São Paulo uma metrópole enorme, acreditamos na vantagem da criação de multicentros, em ruas que permitam a ênfase nas pessoas, de forma que cada bairro tenha seu espaço de estar-caminharler-descansar-jogar-aprender, como bulevares a exemplo das “ramblas” barcelonesas. Na sua opinião, São Paulo é uma cidade arquitetonicamente interessante? Em uma cidade tão grande existe de tudo. Mas a cidade, urbanisticamente falando, precisa urgentemente de intervenções ousadas que melhorem a condição de vida dos seus habitantes.

Qual é a previsão para que o projeto saia definitivamente do papel? Tudo depende da obtenção de recursos e da integração entre a iniciativa privada e pública, fatos aos quais estão dedicados o Casarão Brasil e o IAB. Também antes de concretizar a obra, será necessário elaborar o Projeto Executivo. O apresentado ao concurso é uma ideia conceitual que tem que ser desenvolvida.

Da esquerda para direita: Roberto Campanhã, Alessandra Faraone, Santiago García (sentado), Thaís Milani, Conrado García, Federico Calabrese (sentado), dos escritórios FMC e Fondarius.

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achados RELÓGIO G-SHOCK US$ 99 e US$ 120 (respectivamente) Modelo da série GA110 monocromáticos, da coleção Big Case Combi.

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FOTO DEBBY GRAM

retrato

Linda e loira, TALESSA TOP foi clicada em grande estilo no Samb贸dromo de S茫o Paulo. 46 www.acapa.com.br



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