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JORNAL DO TEATRO NOVEMBRO DE 2007 ^ BIMESTRAL PUBLICAÇÃO GRATUITA

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William Shakespeare

Sonho de uma Noite de Verão


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“Sonho de uma Noite de Verão”

editorial Conhecer o presente, sem esquecer a ficção Cada espectáculo é um acontecimento. Em torno de cada peça trabalha diariamente toda uma equipa que, durante o ano, reúne as condições necessárias à criação desse momento mágico que é a estreia ou a carreira do espectáculo. Autores, actores, encenadores, criativos, técnicos, convergem esforços para que o dia da estreia seja inesquecível, dia de emoção para todos, sobretudo para o público. Talvez por isso esta seja uma época do ano especial para a equipa do TNDM II. Momento de balanço, um olhar para o que se fez, mas já controlado pela ânsia do que se fará. Se é certo que somos aquilo que lemos, que observamos e que fazemos na vida, o teatro continua a ser obra completa, traçando o caminho da liberdade que qualquer obra aberta deixa ao seu espectador. Talvez porque através dele podemos conhecer o presente, sem esquecer a ficção, cruzando o real com mundos imaginários. “Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, é uma dessas obras que tem a capacidade rara de nos convidar a sonhar. E para além do entusiasmo dos mais novos, é difícil recusar o convite de Shakespeare. A magia do teatro é, afinal, para todos, sem excepção. Dos encontros e desencontros do “Sonho” de Shakespeare, onde a música é uma das mais valias deste espectáculo que mostra a versatilidade de um elenco que combina a capacidade de interpretação com a vertente musical, será impossível resistir à história do terrível barbeiro de Fleet Street, Sweeney Todd. Obra maior do chamado teatro musical, este espectáculo, trazido ao palco português graças à criatividade de João Lourenço, retoma o êxito de Stephen Sondheim, que fez da lenda de Sweeney Todd um verdadeiro mito. História de libertação é também aquela que Nuno Cardoso apresenta na Sala Estúdio do TNDM II, a partir do clássico de Henrik Ibsen, “Uma Casa de Bonecas”. A actualidade do tema, ao confrontar-nos com o labirinto interior de uma mulher, aqui interpretada por Ana Brandão, mostra-nos como a identidade individual depende da relação com os outros e com o meio que nos rodeia. Num tempo onde a comunicação é posta em causa, “Boneca” põe em palco as várias formas de incomunicabilidade que condicionam a própria existência. É justamente a partir da reflexão sobre a condição humana que apresentamos três propostas que mostram como o pensamento de dois cientistas e pensadores – Richard Feynman e Charles Darwin – continuam tão actuais como presentes. Em “Conferência de R. Feynman”, “Darwin no Jardim” e “After Darwin” é por demais evidente como o teatro e o conhecimento partilham um território comum e como, através da arte, podemos encontrar novos caminhos e novos saberes. Tal é o caso das propostas de Mónica Calle e João Garcia Miguel, cujo trabalho inovador nos chama a atenção para a necessidade de reler e reinventar realidades. Cumprindo carreira em Reims e no Brasil, “Tanto Amor Desperdiçado” e “A Minha Mulher” inscrevem a presença do TNDM II no Mundo. Uma aposta que tem também como destino, no próximo ano, África. Momento de balanço, este é, sobretudo, um olhar para o ano que se aproxima, repleto de projectos, viagens, promessas. Um olhar para o futuro, como o do espectador. Carlos Fragateiro

ficha técnica direcção> Conselho de Administração do TNDM II Coordenação editorial> A. Ribeiro dos Santos redacção> A. Ribeiro dos Santos, Margarida Gil dos Reis (colab.), Ricardo Paulouro DOCUMENTAÇÃO> André Camecelha Coordenação de imagem> Joana Esteves grafismo> Nuno Patrício fotografia> Margarida Dias PROPRIEDADE> TNDM II, EPE CAPA/contracapa> fotografia de ensaio “Sonho de Uma Noite de Verão”

“Sweeney Todd”

“O Que Sabemos — Conferência de R. Feynman”


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Natal 2007 A magia do teatro 15 >

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São muitas as propostas que o TNDM II tem este ano para que possa viver, em família, a magia do teatro. Momentos de emoção para todos, sobretudo para os mais jovens, que enchem o Teatro de vida

Sonho de uma Noite de Verão Sonhar com Shakespeare Teseu, duque de Atenas, vai casar-se com Hipólita, Rainha das Amazonas, e lança um concurso para animar a boda. Mas o amor anda por caminhos sinuosos e Hérmia e Lisandro, dois jovens atenienses apaixonados, terão de enfrentar vários obstáculos para provarem o seu amor. No bosque, também Oberon, rei dos duendes, quer recuperar o amor de Titania, rainha das fadas, e pede a Puck que lhe arranje uma flor mágica que, quando esfregada nos olhos de uma pessoa, faz com que se apaixone imediatamente pela primeira pessoa que vir. Mas o que acontece quando Puck põe o extracto da flor nos olhos da pessoa errada?... O clássico de William Shakespeare, aqui encenado por Claudio Hochman, transporta-nos à magia de uma noite de Verão inesquecível, onde os homens se encontram com duendes e fadas e onde tudo pode acontecer.

Conferência de Feynman Um dos maiores cientistas do século XX Em cena no Museu de Ciência, espaço afecto à Escola da Politécnica, continua, até ao fim do ano, o espectáculo “O que Sabemos – Conferência de Richard Feynman”, com que o criador Amândio Pinheiro evoca um dos maiores vultos científicos do século XX. Feynman, que se distinguiu na Física, recebendo o Prémio Nobel em 1965, foi um professor notável e marcou profundamente várias gerações de alunos. No auditório do Laboratorio Chimico, o actor Júlio Martin encarna essa figura brilhante, dando-nos uma aula sobre aquilo que é possível saber – ou não – sobre o funcionamento do Universo. A seu lado, Maria João Falcão, multiplica-se por inúmeras personagens, homens e mulheres.

A ciência no Teatro Comemorar Darwin Duas propostas bem diferentes para descobrir a vida e o pensamento do autor de “Viagem de um Naturalista à Volta do Mundo”, Charles Darwin, um dos mais proeminentes cientistas de todos os tempos. “Darwin no Jardim” leva o público a percorrer, numa visita guiada, o Jardim Botânico onde, desde a Geologia, passando pela Botânica até à Antropologia, se reflecte sobre um universo em permanente evolução. A segunda proposta, “After Darwin”, de Timberlake Wertenbaker, transporta-nos para um espectáculo onde é traçada a relação entre Darwin e o comandante do navio “Beagle”, a bordo do qual Darwin realizou ao longo de cinco anos a viagem de circumnavegação que lhe valeu preciosas descobertas científicas para a Humanidade.

Estreia lisboeta de Boneca A mulher que quis crescer Assinale-se a estreia lisboeta do mais recente espectáculo do criador Nuno Cardoso. “Boneca”, inspirado na peça “Uma Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen, coloca-nos perante uma família que vive, antecipadamente, as alegrias do Natal. Quando a ainda jovem Nora chega a casa, das compras, e se dispõe a colocar os presentes ao pé da árvore de Natal, poderíamos pensar que é plenamente feliz. O que se segue, porém, contradiz duramente a imagem de aparente felicidade. Este Natal, Nora vai tomar uma decisão definitiva sobre a sua vida. No palco da Sala Estúdio, Ana Brandão dá corpo a esta personagem marcante da dramaturgia mundial, acompanhada pelos actores Flávia Gusmão, José Neves, Lúcia Maria, Peter Michael e Sérgio Praia. Num cenário de F. Ribeiro, os figurinos são dos Storytailors. Para ver até 16 de Dezembro.

Sweeney Todd Ele regressou este Natal

Tomé em Grande Um espectáculo interactivo para as crianças

Sweeney Todd foi vítima de uma injustiça, condenado e votado ao isolamento nas galés. Quando regressa a Londres para reencontrar a mulher e a filha, decide vingar-se da sociedade corrupta que lhe destruiu a vida. Para isso, torna-se no autor de vários crimes que o tornarão conhecido como “o terrível barbeiro de Fleet Street” e arranja uma cúmplice que transforma em recheio de empadas todas as vítimas da sua navalha. Da autoria do compositor e letrista norte-americano Stephen Sondheim, este “thriller” musical foi um dos maiores sucessos teatrais de Nova Iorque, mantendo-se em cena com mais de 500 representações. Uma história inesquecível, aqui encenada por João Lourenço, que é este Natal adaptada ao cinema por Tim Burton, com Johnny Depp como Sweeney Todd.

Em 2000, Eduardo Alves deu, com o espectáculo “A Escolha de Tomé”, o pontapé de partida para uma trilogia de sucesso, a que se seguiu “A Viagem de Tomé”. “Tomé em Grande” — que o TNDM II vai apresentar em colaboração com a Cassefaz, no mês de Dezembro – é o mais recente trabalho deste conjunto de espectáculos interactivos onde as crianças participam activamente, ajudando o protagonista, Tomé, a tomar decisões. Nesta aventura, Tomé conhece uma Figura Mistério e uma rapariga, Sara, que vive no circo. São eles que ajudarão Tomé a descobrir que no Mundo das Pessoas Verdadeiras tudo pode acontecer mas tudo tem consequências. O espectáculo estreia a 5 de Dezembro, na Politécnica, e assinala a primeira colaboração entre o TNDM II e a Cassefaz.


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Sala Garrett do TNDM II, de 16 de Novembro a 30 de Deze >

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Os “pobres doidos do amor” “Tudo existe em função do contar uma história”, assim define Claudio Hochman o eixo estruturante de “Sonho de uma Noite de Verão”, peça que subiu, pela primeira vez, ao palco, em Portugal, em 1941. Produzida pela Companhia Rey-Colaço – Robles Monteiro, com Amélia Rey-Colaço no papel de Rainha das Fadas e João Villaret como o seu amado artesão de cabeça de burro, “Sonho de uma Noite de Verão” regressou ao palco em 1952, em 1991 no Teatro da Malaposta, ou em 1996, no Teatro da Trindade, com Nuno Melo como Bottom e Beatriz Batarda como Titania. “Ao amor sempre leais”, assim se ouve, em todas as versões, no texto de Shakespeare, que se pensa ter sido escrito em 1595. A festa de casamento de Teseu e Hipólita enquadram a acção que, para Claudio Hochman, “tem um humor intrínseco. O público ri-se porque entende o que se passa. Por isso, colocámos o humor nas situações e também nas personagens.” Ainda este ano Hochman encenou esta comédia, com um elenco de vinte jovens da Universidade de Aveiro, de áreas artísticas distintas. Foi a partir deste projecto, dinamizado por Carlos Fragateiro, para o qual se realizaram audições abertas na Universidade onde acorreram centenas de jovens músicos e actores, que nasceu esta versão do “Sonho” de Shakespeare. O elenco é agora constituído por catorze actores profissionais, cinco dos quais são músicos. Todos actuam e cantam “de forma a conservar a música ao vivo. Mexeu-se fundamentalmente na forma, na coreografia, nas actuações e na cenografia”.

“Noventa por cento é música” Sempre a cantar, porque, como diz Shakespeare, “cada palavra é uma nota”. Claudio Hochman define esta versão de “Sonho de uma Noite de Verão” como “um musical”: “Quando digo musical não penso nos musicais da Broadway. Este é um musical que tem uma carga dramática, antes de mais porque é feito por actores. Em Portugal, não temos muito o costume de assistir a este tipo de espectáculo. Pelo contrário, na Argentina, estes espectáculos são pensados para que qualquer pessoa possa assistir.” Mantiveram-se as composições originais do maestro brasileiro Alfredo Moura, agora sob a direcção musical de Daniel Schvetz. Um misto de “combinações melódicas da Renascença, da rítmica ditirâmbica da Antiguidade grega, da música popular do Interior de Portugal, com uma pitada de música lusófona em geral, especialmente a brasileira”. “Afinal, também sou filho de Deus…”, ironiza Alfredo Moura. A Daniel Schvetz coube a tarefa de “adaptar a música original a estas novas circunstâncias, organizando o texto e as vozes de acordo com as maiores exigências artísticas”. Ao longo de mais de trinta músicas, “o movimento do corpo está em sintonia com a música” e esse será talvez o maior desafio.

Entre os deuses e a terra Também a cenógrafa Ana Paula Rocha teve em conta a conjugação do musical com uma coreografia que lhe é própria, pensando para isso o espaço, em termos da movimentação dos actores. Decidiu assim, no início da peça, utilizar cadeiras, “todas cobertas por capas brancas com pequenas nervuras que fazem a ligação com a textura das colunas gregas”, “dispostas em semi-círculo e reforçando a ideia de anfiteatro grego”. Uma opção de demarcar, de forma contrastada, as duas partes da peça, em Atenas e no bosque. “Três grandes árvores de metal compostas por inúmeras varas e chapas de aço”, como se de guarda-chuvas se tratassem, dependendo da leitura, ocupam o espaço que se metamorfoseia. Um “símbolo”, no entender de Ana Paula Rocha, cuja riqueza lhe pareceu ser uma escolha apropriada para esta peça: “Não só situa o bosque, pela identificação óbvia da árvore como elemento da natureza, como também reflecte a ligação com o mundo dos deuses. A árvore evoca todo o simbolismo da verticalidade, a ligação entre o mundo dos deuses e a terra. Ela também é forma de protecção, à semelhança dos guarda-chuvas, que simbolizam a protecção, o recolhimento, que focam a sombra, a noite.”


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Sonho de uma Noite de Verão

Claudio Hochman dirigiu aquela que é, para muitos, a melhor comédia de William Shakespeare Margarida Gil dos Reis Há quem diga que é a melhor comédia de William Shakespeare, outros definem-na como uma peça perfeita. “Sonho de uma Noite de Verão” é, sem dúvida, uma das obras mais representadas do dramaturgo inglês, talvez mesmo a sua obra mais lírica. Nestas circunstâncias, não há como não reflectir sobre as palavras de Harold Bloom: “Nada escrito por Shakespeare antes de ‘Sonho de uma Noite de Verão’ se equipara a esta peça e, até certo ponto, nada escrito por ele depois irá superá-la”. Uma verdadeira “obra-prima”, no entender do autor de “Shakespeare: a invenção do humano”, onde, com mestria, o bardo inglês mistura personagens da mitologia grega com duendes, nobres e plebeus. Aqui nada é impossível pois encontramos um pouco de tudo: o universo da Antiguidade Clássica, o sobrenatural e o mundo rural da GrãBretanha. Consciente do desafio, Claudio Hochman encenou esta peça

para todo o público: “Este texto é composto por histórias que têm muitos planos e que dificultam a compreensão por parte do público. Mas, para mim, o grande desafio foi encontrar o ponto narrativo, para que o público entendesse em absoluto o que se passa em cena”. Encontros e desencontros amorosos, onde o plano da fantasia se cruza com o da realidade, este “Sonho” pode parecer uma brincadeira de Shakespeare, mas é um texto que fala do amor na sua forma mais onírica e divertida porque, enquanto “história de jogo, amor e sedução”, está contada “de um modo muito simples, através de música pura e movimento.” Não se demora a perceber que esta história romântica que acontece numa floresta próxima de Atenas poderia acontecer em qualquer lugar e em qualquer tempo. Acção, paixões e casamentos, desentendimentos e reconciliações, equívocos e finais felizes podiam fazer parte de uma

história dos nossos dias. E até os duendes da floresta que atrapalham a vida de alguns e salvam o amor de outros nos fazem pensar como quantas vezes não gostaríamos que seres sobrenaturais interferissem no destino para que um amor desse certo. Uma peça “surpreendente”, para Claudio Hochman, que, quando a viu pela primeira vez, teve uma reacção imediata: “Quando vi a primeira encenação desta peça pensei que a cena dos artesãos era uma invenção do encenador. Fui a correr ler o original e fiquei deslumbrado ao descobrir que era do próprio Shakespeare, o teatro dentro do teatro.” Desde então, Shakespeare passou a ser um autor recorrente no seu percurso como encenador. Fez quatro versões diferentes a partir de “Otelo” e regressa, pela terceira vez, depois de uma versão em 2004 para a companhia El Retablo e outra para a Universidade de Aveiro, a esta “comédia de confusões”.

a partir de WILLIAM SHAKESPEARE versão e encenação CLAUDIO HOCHMAN musica original ALFREDO MOURA direcção musical DANIEL SCHVETZ com BRUNO HUCA, CATARINA GUERREIRO, DIOGO MESQUITA, EDUARDO JORDÃO, EDUARDO LÁLA, FERNANDA PAULO, GONÇALO SANTOS, JOANA DE CARVALHO, JOÃO MIGUEL MOTA, JORGE SILVA, JOSÉ LUÍS CARVALHO, MARTA QUEIRÓS, PEDRO PERNAS, RITA CRUZ e SAMUEL ALVES produção TNDM II 16 NOV a 30 DEZ 07 6ª e Sáb. 21h30 Sáb. e Dom. 16h 4ª e 5ª 11h (para escolas, sob marcação)


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“O Que Sabemos” — Conferência de R. Feynman

Politécnica

Celebrar o pensamento de Darwin

Dois espectáculos evocam a figura do cientista Darwin, pai da teoria da Evolução das Espécies Ricardo Paulouro Darwin no Jardim Passear pelo Jardim Botânico na companhia de Charles Darwin é a proposta idealizada e encenada por Laura Nardi, “Darwin no Jardim”. O pai da evolução foi homenageado um pouco por todo o mundo a 17 de Fevereiro, afirmando-se para muitos como uma personalidade de culto. Para a Professora Olga Pombo, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o espectáculo constituiu uma agradável surpresa. “Em termos de divulgação científica, considero o espectáculo muito bem encontrado”, diz-nos. “Eu recomendá-lo-ia, evidentemente. E até mesmo em termos teatrais, considero-o um espectáculo interessante pois desconstrói a tradicional relação entre o actor e o espectador”, considera a especialista em Darwin. Partindo do tema da viagem, inspirado no périplo feito, no século XIX, pelo jovem Charles Darwin, de apenas 22 anos, a bordo do “Beagle”, “Darwin no Jardim” é o pretexto para mergulhar no pensamento do naturalista e no mundo em constante mudança do Jardim Botânico. Por isso, o espectador é conduzido a estes dois mundos, que se cruzam nas janelas que abrem ao conhecimento, pela mão de André Levy (Charles Darwin) e uma guia do próprio Jardim Botânico. Ao longo do passeio, ouvemse excertos da “Autobiografia” de Darwin e da obra “A Viagem de um Naturalista à Volta do Mundo”, relembrando a viagem no “Beagle” que mais tarde o tornou famoso, admirado e contestado. Darwin que, em meados do século XIX, ensaia, pela primeira vez, uma fascinante

teoria unificadora e explicativa da diversidade das espécies, através de um mecanismo de evolução com regras próprias como a competição e a sobrevivência. Cada vez menos frequentados por causa do ritmo acelerado da vida urbana, os jardins mostram como podem ser espaços de lazer que proporcionam qualidade de vida, mas também fontes de conhecimento. Por exemplo, no Jardim Botânico, com uma área de quatro hectares, podem observar-se espécimes vegetais como briófitos, líquenes e fungos de Portugal, do resto da Europa, de outros continentes e de ilhas Atlânticas, do Índico e do Pacífico, bem como colecções históricas que remontam ao século XVIII, coligidas em expedições e viagens em África, Brasil, Ásia e Timor. Um património inegável num local único para a divulgação e formação científicas que se transforma agora no palco de um novo projecto teatral.

After Darwin “After Darwin” é a segunda proposta do TNDM II que estreia em Portugal, no dia 5 de Dezembro, às 21h30, na sala 2 da Politécnica. Uma peça de Timberlake Wertenbaker, com encenação de Carlos António e interpretação de André Levy, Manuel Coelho e Rita Calçada Bastos. Em cena, dois actores e uma encenadora ensaiam um espectáculo onde é retratada a relação entre Darwin e o comandante do navio “Beagle”, o capitão FitzRoy. Pouco atraído pelas descobertas científicas que Darwin realizou ao longo dos cinco anos da viagem de circumnavegação, o capitão e Darwin desenvolvem uma relação

cada vez mais tensa, onde a afirmação da individualidade de cada um marca o sentido deste confronto. O pensamento de Darwin cruza-se aqui não apenas com o mundo biológico, mas também com o mundo cultural e com o teatro, entendido como manifestação superior de cultura de uma espécie. Para Carlos António, trazer uma figura como Darwin ao palco é importante porque “tentamos através do teatro compreender como interiormente se sente um cientista, um artista, a energia de querer descobrir coisas novas, o tentar sempre questionar o que já existe e formular novas teoria. Esse lado humano do cientista é muito importante para mim. Nas aulas de ciência não se abordam estas temáticas. O teatro permite isso, compreender o interior do cientista ou do biólogo”. Carlos António refere ainda que “a peça está estruturada como se fosse um ensaio de um espectáculo, a sobrevivência do actor no tea-tro, a sobrevivência do encenador no teatro. Há um paralelismo com a evolução do ser humano no teatro. Um momento em que o espectador se vai sentir satisfeito e divertido, não só vai compreender o contexto histórico de dois grandes cientistas, Darwin e o capitão Fitz-Roy, como vai entender estas personagens pelo seu lado mais humano”. Carlos António tem trabalhado a temática arte e ciência, tendo encenado“Falha de Cálculo”, “Problema? Qual Problema?”, “Hipotenozes” e “Leonardo da Vinci”. “After Darwin”, de Timberlake Wertenbaker, é uma estreia em Portugal e pode ser visto a partir de dia 5 de Dezembro até 28, de quarta a sábado às 21h30 e domingo às 16h00.

Feynman, o génio da Física Darwin no Jardim

After Darwin

concepção LAURA NARDI com ANDRÉ LEVY produção TNDM II

de TIMBERLAKE WERTENBAKER encenação CARLOS ANTÓNIO com ANDRÉ LEVY, MANUEL COELHO e RITA CALÇADA BASTOS produção TNDM II

2ª a Dom. 15h30 (para grupos, sob marcação)

5 a 28 DEZ 07 4ª a Sáb. 21h30 Dom. 16h

Richard Feynman (1918-1988) é um génio da física, um dos maiores físicos do século XX. Não nasceu a tempo de participar na criação da teoria quântica (que ficou pronta por volta de 1926), mas utilizou-a de modo bastante criativo. Foi o autor de trabalhos de electrodinâmica quântica, isto é, o estudo da interacção da luz com a matéria, que lhe valeram o prémio Nobel de 1965, usando um método original. Aliás, a extrema originalidade foi uma marca do seu trabalho em várias áreas da física. Foi também um grande pedagogo, muito apreciado pelos alunos: os chamados “livros vermelhos” de Feynman ainda hoje são muito úteis a quem queira aprender física (são mesmo


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Conferência de Feynman No Laboratorio Chimico do Museu de Ciência, o Nobel da Física faz o balanço da sua vida Ricardo Paulouro

“O que sabemos” Conferência de R. Feynman

“livros de culto”), tal como o resumo “O Que é uma Lei Física” (edição portuguesa da Gradiva). Esteve ligado à resolução de problemas práticos, como por exemplo o desvendar da causa do desastre da nave Challenger da NASA e foi o autor da ideia da nanotecnologia, a engenharia à escala atómica e molecular. Foi ainda um grande brincalhão, um físico divertido. Os livros “Está a brincar Mr. Feynman” e “Nem sempre a brincar Mr. Feynman”, publicados entre nós pela Gradiva, estão recheados de histórias curiosas que ilustram bem essa sua faceta. A peça “O Que Sabemos” dá uma ideia muito sugestiva da mente e da vida de um sábio incomum! Carlos Fiolhais Professor de Física da Universidade de Coimbra

Imagine que tem o privilégio de espreitar o escritório do Prémio Nobel da Física, Richard Feynman, enquanto prepara uma conferência intitulada «O que Sabemos» e, de repente, se torna num dos seus alunos e ouve-o proferir uma das suas famosas leituras ou conferências. É justamente a partir de uma visita à mente humana e às suas emoções que o espectador assiste a um solilóquio, inspirado no texto de Peter Parnel, “QED”, que é também um mergulho no passado com tudo o que esse exercício de memória exige. Com interpretação de Júlio Martin, que tenta mostrar quão brilhante a mente de Feynman foi, contracenando com Maria João Falcão, que interpreta várias personagens, entre elas uma estudante que o interrompe e que com ele interage, “O que Sabemos” mostra-nos como as descobertas científicas alteraram a percepção que temos do mundo, bem como as questões que nascem a partir da relação entre ciência, técnica e ética. Para Amândio Pinheiro, que encena esta peça, esta não é a primeira vez que a ciência se cruza com o teatro ao longo do seu percurso. Sócrates, Giordano Bruno e Galileu foram já outras personalidades que lhe serviram de matéria de criação. No entanto, “ao contrário destes, Feynman é nosso contemporâneo, mas como eles atinge o Olimpo da sabedoria humana. Digo sabedoria e não ciência porque para chegar onde estes homens chegaram, para pensar com e como eles, deve-se caminhar por um continente muito mais vasto que não o da ciência

enquanto especialização numa determinada área”. Enquanto pensa no que vai dizer, Feynman faz um balanço da sua vida: a participação no desenvolvimento da Bomba Atómica, a relação com a música e com o teatro, a memória da sua primeira mulher, a paixão pela Física e por países desconhecidos. No desenrolar dessa reflexão, assombrada pelo espectro da morte, surge uma ex-aluna que o relembra de outras paixões que moldaram a sua forma de sentir-se vivo.

Um pedagogo no “Laboratorio Chimico” do Museu de Ciência Investigador responsável por algumas das descobertas mais significativas na segunda metade do século XX, Feynamn foi também um exímio pedagogo pois, para Amândio Pinheiro, “sendo R. Feynman grande em quase tudo, era-o inevitavelmente numa área importante: a pedagogia. Só quem realmente sabe pode realmente ensinar.” Talvez por isso, o impacto da beleza do espaço onde decorre esta peça seja único. O espectador é conduzido ao Anfiteatro do “Laboratorio Chimico” do Museu de Ciência. Aqui, a madeira está tão brilhante como o terá sido no passado e o soalho não acusa a passagem de milhares de alunos. Considerado um dos melhores laboratórios europeus de investigação e ensino, hoje mantém a sua estrutura e equipamento originais e exibe um magnífico trabalho de restauro da traça oitocentista original. Um ambiente “mágico” que vai de encontro, no entender de Amândio Pinheiro, às “descrições do ambiente das

a partir de “QED” de PETER PARNEL encenação AMÂNDIO PINHEIRO com JÚLIO MARTIN e MARIA JOÃO FALCÃO produção TNDM II Até 15 DEZ 07 6ª e Sáb. 21h Dom. 16h 3ª a 6ª 11h e 15h (para escolas, sob marcação)

aulas do Feynman, (…) descrições incríveis, onde se respira uma excitação próxima da que deve sentir o cientista quando descobre, fala-se mesmo de auditórios aos pulos como num concerto Rock”. Ao longo do espectáculo, acompanhamos Feynman num dia da sua vida, onde a personalidade diletante do Físico sobressai: fala-se de quase tudo, desde os átomos, à Biologia, passando pela música e por questões éticas, mostrando o olhar visionário do futuro da ciência e da técnica. “A personagem R. Feynman interpretada pelo Júlio Martin está (tenho essa convicção) muito próxima daquilo que foi o grande cientista, não tanto nos modos quanto nos conteúdos e na abordagem que faz de problemas de enorme complexidade ética, como a participação no projecto Manhattan que levou a Humanidade a Hiroshima e a Nagasaki”, salienta Amândio Pinheiro. Uma complexidade que regressa sempre à mesma questão: O que Sabemos? Sabemos que “todas as coisas são feitas de átomos”, ou que o objectivo da ciência como da arte é fazernos pensar. Sabemos, como bem refere Amândio Pinheiro, que “o saber não tem fronteiras, nem idade, nem lugar próprio, tem só uma regra, uma condição, um limite: conhecer tudo quanto é humanamente possível sobre um determinado tema”. Contornando frequentemente questões como a Bomba Atómica ou a morte, a sua e a dos que lhe são próximos, Feynman pontua o espectáculo com momentos poéticos e humorísticos. Afinal, “é sobre o que não sabemos que podemos falar”.


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No Teatro Aberto, até 30 de Dezembro >

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Em tons de negro João Lourenço reuniu, no Teatro Aberto, a equipa que, há dez anos, assinou a primeira versão de “Sweeney Todd”, no palco da Sala Garrett do Teatro Nacional: Jochen Finke assina o cenário, Renée Hendrix faz os figurinos. O resultado, porém, está a anos-luz daquilo que vimos há uma década. O dispositivo cénico é, desta feita, todo metálico e vive muito das plataformas móveis que estão constantemente a avançar e a recuar, dando à cena da Sala Azul do Teatro Aberto uma versatilidade de que à partida não suspeitaríamos. Os figurinos são tendencialmente escuros – excepção feita ao par de amorosos e à Sra. Lovett quando, no auge da paixão, tenta seduzir Sweeney Todd e se veste de cores garridas – e até a caracterização obedece a este princípio de “negritude”: a maquilhagem é expressionista, com os rostos brancos e os traços fisionómicos marcados a negro, o que confere, a quase todas as figuras, um ar sinistro, assustador. João Lourenço diz que a imagem do espectáculo procura recriar o ambiente da Revolução Industrial em que a acção do espectáculo decorre, ao mesmo tempo que procura afastar-se das marcas regionais da Londres de então e ter um ar mais universal. É que uma história como esta poderia ter lugar em qualquer lado onde haja um homem injustiçado e um prevaricador por punir. “Na encenação de há dez anos, havia várias alusões à cidade de Londres, mas desta vez quis criar um ambiente menos reconhecível. Aliás, do primeiro espectáculo ficou muito pouco”, admite o encenador. “Como é natural, o teatro tem de acompanhar a mudança dos tempos e hoje todos temos a consciência, dolorosa, de que qualquer pessoa se pode tornar um diabo de um momento para o outro – como acontece com Sweeney Todd”. Do elenco anterior, só dois intérpretes se mantêm: Carlos Guilherme e Henrique Feist, que repetem os papéis de então, agora com mais dez anos de maturidade. Há, até, uma história divertida a propósito do regresso de Feist, que dá corpo e voz ao jovem Tobias, rapaz aparentemente destituído de “miolos”, mas que consegue juntar “um mais um” e é o primeiro a descobrir o esquema montado por Sweeney Todd e pela Sra. Lovett. A tabuleta montada à porta da loja de empadas e onde se lê “Amanhã há mais” é o único adereço repetido do espectáculo de há dez anos. Foi trazido por Henrique Feist, que o guardou durante todo este tempo. “Ele apareceu-me com a tabuleta, entregou-ma e disse-me: ‘Eu sabia que ias fazer este espectáculo outra vez. E sabia que ia voltar a entrar!’ É evidente que não ia deixar a tabuleta de fora!”, comenta João Lourenço que espera agora repetir o êxito alcançado com o “Sweeney Todd” de 1997. Um êxito que facilmente se adivinha, pois o musical de Stephen Sondheim – que tem encantado sucessivas plateias de espectadores de teatro e que fascinou o realizador Tim Burton a ponto de o decidir a fazer um filme a partir da sua história (com estreia prevista nas salas de cinema portuguesas em Janeiro de 2008) – prende-se com a forma hábil e equilibrada como consegue articular os seus vários níveis. As canções não são a mais nem a menos – estão na justa medida – há uma intriga policial, um drama humano, uma história de amor, uma pitada de humor, muito movimento. Ao longo de duas horas e quarenta que passam sem se dar por isso, o espectador é levado por uma montanha russa de emoções: a um tempo comove-se e horroriza-se com Sweeney Todd; sorri e teme a Sra. Lovett; enternece-se com o par Anthony Hope/Joana (Marco Alves dos Santos/Carla Simões); apieda-se com a mendiga (Sílvia Filipe); aterroriza-se com o juiz Turpin (José Corvelo). Uma refeição completa.

libreto HUGH WHEELER baseado numa peça de CHRISTOPHER BOND versão JOÃO LOURENÇO, JOSÉ FANHA e VERA SAN PAYO de LEMOS dramaturgia VERA SAN PAYO DE LEMOS encenação JOÃO LOURENÇO direcção musical JOÃO PAULO SANTOS com MÁRIO REDONDO, MARCO ALVES DOS SANTOS, SÍLVIA FILIPE, ANA ESTER NEVES, JOSÉ CURVELO, CARLOS GUILHERME, CARLA SIMÕES, HENRIQUE FEIST e TIAGO SEPÚLVEDA co-produção TNDM II e Teatro Aberto Até 30 DEZ 07 4ª a Sáb. 21h30 Dom. 16h


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Sweeney

Todd O Terrível Barbeiro de Fleet Street

João Lourenço dirige o grande musical de Stephen Sondheim e o maestro João Paulo Santos conduz a orquestra A. Ribeiro dos Santos Há dez anos, quando estreou a primeira versão do musical de Stephen Sondheim – já em colaboração com o Teatro Nacional D. Maria II – João Lourenço diz que as pessoas ficavam impressionadas com a história sangrenta do barbeiro que matava os clientes e usava-lhes os corpos para fazer empadas. Hoje, diz, habituámonos de tal maneira à violência que nos entra todos os dias pela casa dentro, que talvez nem as crianças sejam já capazes de reagir a “Sweeney Todd”, o musical com que Sondheim recria um dos mais terríveis mitos da Inglaterra vitoriana. Tal como Jack, o Estripador, a lenda de Sweeney Todd tem passado de geração em geração e conta-se às crianças que fazem birras para comer. Em Londres, continuam a fazer-se viagens turísticas a Fleet Street, rua onde se julga ter vivido e trabalhado um barbeiro assassino, que enterrava as suas vítimas nas catacumbas no prédio que habitava e acabou por ser descoberto por causa do cheiro pestilento que os restos dos cadáveres deixavam no ar. Mas nunca a história de Sweeney Todd foi tão badalada como a partir do momento em que Stephen Sondheim, o mestre dos musicais da Broadway, fez estrear, em 1979, a sua versão musicada. Desde então, a lenda ultrapassou as fronteiras inglesas para entrar definitivamente na mitologia urbana do século XX. “Não se sabe ao certo se este homem, Sweeney Todd, existiu mesmo… pelo menos nos moldes em que a história é recriada pelo Sondheim, mas qualquer coisa deste género – ah, não tenho dúvida de que terá existido”, diz João Lourenço, acrescentando que, há dez anos, quando encerrou a carreira do primeiro “Swee-

ney Todd”, ficou imediatamente com vontade de o voltar a fazer. “A música é muito boa, a história é muito interessante – o espectáculo tem todos os ingredientes para que sintamos vontade de voltar a pegar nele. Claro que, há uma década, as circunstâncias em que produzi o musical eram muito diferentes. Hoje vivemos numa sociedade muito mais violenta e acho que este trabalho espelha isso mesmo: é muito mais negro. Até a música, que é a mesma, e é conduzida pelo mesmo maestro – o João Paulo Santos – resultou diferente, e soa mais dura.”

Um espectáculo total Assim que o pano sobe, o público é saudado com uma canção, num exaltante momento coral: “Ouvi quem foi o Sweeney Todd / O rei da barba e do bigode / Agora aqui se vai contar / Aquilo que ele não quis revelar.” Sweeney Todd, aliás Benjamim Barker (Mário Redondo), que cumpriu uma dolorosa – e prolongada – pena nas galés, regressa a Londres com o propósito de se vingar do juiz que o mandou prender injustamente, para poder usufruir do corpo da sua mulher, e que actualmente é o tutor da sua filha Joana. Para conseguir liquidar o juiz Turpin, Sweeney instala-se numa barbearia e espera, pacientemente, que ele venha um dia sentar-se na sua cadeira e entregue o pescoço à sua lâmina. Quando esse dia chega, porém, não consegue executar a tão desejada vingança. “Ele esperou tanto tempo por aquele momento que quando a altura chega, finalmente, quer gozar bem a coisa e deixa a oportunidade escapar-lhe”, explica João Lourenço. “É o seu erro fatal, e nem sequer é difícil de compreender…”

Frustrado, Sweeney Todd lançar-se-á numa maré de violência incontrolável. A sua fúria não tem limites e ele fará derramar sangue inocente numa sucessão de crimes que rapidamente se tornam conhecidos no bairro. E é aí que a sua vizinha – e secreta apaixonada – Sra. Lovett (Ana Ester Neves) entra em acção. Proprietária de uma loja de empadas, convence Sweeney – numa das melhores canções de todo o espectáculo – a usar o corpo das suas vítimas para confeccionar os seus cozinhados. A partir de então, o sucesso desta dupla não terá limites: a loja de empadas torna-se famosa em Londres e o par fica rico, embora isso esteja longe de contentar Sweeney Todd. A acção do espectáculo avança muito rapidamente, sendo que as canções – muito bem adaptadas pelo próprio João Lourenço, juntamente com Vera San Payo de Lemos e José Fanha – também contribuem para o avanço da história, em vez de surgirem como “momentos mortos” ou meramente “decorativos” – problema que fatalmente afecta muitos musicais. O encenador recorda que só a adaptação levou um ano inteiro a terminar. “O Sondheim faz, ele próprio, música e letra dos seus musicais, o que torna o processo infinitamente mais fácil para ele – as duas coisas coexistem naturalmente e influenciam-se uma à outra. Quando há que encaixar determinada letra numa partitura pré-existente é muito mais difícil e houve momentos em que eu, a Vera e o José Fanha achámos que não íamos conseguir chegar ao fim… Foi por isso que levou tanto tempo: a letra tinha de fluir naturalmente com a música. Para nós, era uma prioridade absoluta.”


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Depois do Festival Alkantara e do Festival Internacional Temps d’Images, a Politécnica recebe Mónica Calle e João Garcia Miguel

Um espaço para a criação alternativa

Ricardo Paulouro

“E no meio da selva, no meio do esquecimento, no meio da tristeza… surgem ligações, apelos, respostas, ecos.”

© Miguel Nicolau

Miguel Benasayag

O festival herdeiro do movimento “Danças na Cidade”, que adoptou o seu nome actual em 2003, espalhou-se há um ano por mais de 30 espaços da cidade, 16 dos quais eram espaços não convencionais, como armazéns ou estações de comboio. Com uma programação contemporânea capaz de alterar significativamente a paisagem do espaço urbano, o cartaz do festival permitiu novamente ao público o contacto com propostas inovadoras e originais. A política, a sociedade de consumo ou a globalização são temas cada vez mais prementes quando se pensa o teatro de hoje. Dentro do mesmo espírito inovador, a Politécnica acolheu, entre 31 de Outubro e 4 de Novembro, o Festival Temps d’Images, que encheu aquele espaço com o espectáculo “Da Boca para Dentro”, com direcção artística de Ana Tamen e imagem de Pedro Sena Nunes. Da autoria de Luísa Costa Gomes e Richard Foreman, este espectáculo confirmou como o teatro acompanha o tempo e se reescreve ao seu ritmo. Mónica Calle e João Garcia Miguel são agora as duas propostas da Politécnica até Dezembro, mostrando como, nesta contínua experiência que é o teatro, existe, segundo Mónica Calle, “um espaço de comunhão e de partilha” onde o que é preciso é reescrever tradições e reler os textos.

Made in Eden. An Ode to my Dead Friends © Maria Azevedo

A Última Ceia ou sobre ‘O Cerejal’

Uma sala de jantar com uma mesa comprida sob uma ténue luz. Este é o cenário de uma proposta inovadora, encenada por Mónica Calle, a partir de “O Cerejal”, de Tchekov e que é reposta na Politécnica até dia 31 de Dezembro. Cinco mulheres (Mia Farr, Mónica Calle, Mónica Garnel, Rute Cardoso e Sílvia Figueiredo) e um homem (David Pereira Bastos) partilham com o público histórias, fragmentos de uma narrativa, bem como uma refeição completa. Face a face com os actores, a refeição adquire um carácter ritualista, simbólico quase. Talvez por isso Mónica Calle não hesite em definir o teatro como “um espaço de comunhão, de partilha”, onde a “utopia” é a palavra-chave. As doze personagens do texto original dão lugar a cinco vozes diferentes, num gesto claro de assumir que “existem buracos negros, pois nos próprios textos de Tchekov é difícil encontrar uma narrativa”. Assumindo também este trabalho como um laboratório, a Casa Conveniente organiza paralelamente, até Dezembro, um workshop para seis actores masculinos, amadores e profissionais, que terão depois oportunidade de integrar o espectáculo.

O ponto de partida para este projecto foi “Epístolas de Guerra”, de Adolfo Luxúria Canibal, inserido no seu livro “Estilhaços”. A partir daí, João Garcia Miguel aproveitou o tom epistolar dos poemas para simplesmente deixar fluir as palavras, até que “as palavras quase desapareceram dando lugar a histórias de dois seres (interpretados por Luís Guerra e Sara de Castro) que se recriam e se desdobram em várias personagens”. Reflectir sobre o que somos, o que pensamos e quais os ecos que nos chegam do mundo são algumas das questões que nascem a partir da obra daquele que foi já considerado o “narrador da decadência”. “Estilhaços” foi justamente um projecto que, da sua forma inicial em CD, foi editado em livro, em 2003, pela Quasi para daí se transformar num conjunto de actuações de “spoken word”. A voz que ecoa dentro de um corpo que se espraia lentamente incentivou João Garcia Miguel – artista associado de O Espaço do Tempo e companhia residente da Casa D’Os Dias da Água, bem como fundador do grupo Canibalismo Cósmico, da Galeria ZDB ou do Grupo de Teatro OLHO – a encontrar o fio narrativo, simultaneamente “lacunar e irreal”. Imagens, fragmentos, ruínas de sentires (des)organizam-se aqui em torno de uma certeza: “Mais do que o sonho de um mundo novo, o que partilhamos são as ficções de sangue e morte de um mundo velho”.

a partir de “O Cerejal” de ANTON TCHEKOV encenação MÓNICA CALLE com DAVID PEREIRA BASTOS, MIA FARR, MÓNICA CALLE, MÓNICA GARNEL, RUTE CARDOSO e SÍLVIA FIGUEIREDO produção CASA CONVENIENTE

a partir de “Estilhaços” de ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL encenação e dramaturgia JOÃO GARCIA MIGUEL com LUÍS GUERRA e SARA DE CASTRO co-produção JGM, ÚTERO, O BANDO e o ESPAÇO DO TEMPO

Até 31 DEZ 07 2ª e 3ª 20h (marcação obrigatória, inclui jantar)

Até 2 DEZ 07 4ª a Dom. 21h30 (excepto 30 Nov. 1 e 2 Dez às 16h)


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Sala Estúdio, de 15 de Novembro a 16 de Dezembro >

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Boneca

© F. Ribeiro

“Uma mulher disfarçada”

Ana Brandão tem alguma dificuldade em definir esta personagem. Uma mulher presa às malhas da própria vida que a levou a debater-se com a polissemia própria do seu discurso, afinal, “cada frase pode ter milhões de sentidos”. A humanização desta personagem foi, aliás, uma das principais preocupações de Nuno Cardoso ao afirmar: “Existe uma tentativa de interpretação de Nora não como um ser arquétipo, mas como uma pessoa de carne e osso. Não há uma tentativa de versar sobre o feminino. É, sim, um olhar para aquelas pessoas que estão naquela situação, naquele momento”. A actualidade do tema começou por assustar Ana, que chegou mesmo a pensar desistir da personagem: “Toda a história me fazia lembrar a minha vida. Houve uma altura em que pensei desistir, mas ainda bem que não o fiz.” Um trabalho gratificante, sobretudo porque se trata de Ibsen, mestre na reflexão sobre a psicologia das personagens e da sua relação com os outros. Para Ana Brandão, essa será, talvez, a chave para a interpretação da sua obra: “O que mais me atrai no universo deste dramaturgo é, sem dúvida, o facto de os seus textos viverem muito do outro e dessa escuta permanente.”

Nuno Cardoso actualiza o clássico de Henrik Ibsen. Ana Brandão é a protagonista desta história de libertação Ricardo Paulouro “Com Ibsen, a história do teatro recomeça. Só isto faz dele o maior dramaturgo depois de Shakespeare e Racine”, disse George Steiner, em 1961. Palavras partilhadas por muitos ao considerarem Ibsen o fundador da dramaturgia moderna. Um dramaturgo que deixou recordações ao encenador Nuno Cardoso, que levou à cena, recentemente, no TNDM II, “Ricardo II” e o projecto “R2”: “Tinha feito esta peça [“Uma Casa de Bonecas”] há muito tempo, mas depois de um período a trabalhar artisticamente no domínio público surgiu-me a ideia de regressar ao espaço privado, das relações nucleares da pessoa. Algo que sempre me atraiu mas que já não trabalhava desde ‘Parasitas’ ou ‘Vale Paraíso’”. Servindo-se do quotidiano como fonte de inspiração, foi através de um artigo de jornal sobre a absolvição de uma mulher que tinha acabado de matar o marido porque ele exercia sobre ela violência doméstica que Nuno Cardoso encontrou novo pretexto para regressar a este texto. Mas mais do que tudo isso, “esta peça é, para mim, uma reflexão sobre a infinita capacidade de usarmos máscaras uns com os outros em situações de absoluta incomunicabilidade”. A Sala Estúdio recebe, assim, depois da estreia em Guimarães, “Boneca”, uma co-produção entre o TNDM II, a empresa de desenvolvimento de projectos culturais Cassiopeia, o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e o Theatro Circo, de Braga. Duas horas e quarenta e cinco minutos de espectáculo, onde são testados os limites das personagens e a distância que

ora as separa ora as une, como se se tentasse desvendar o labirinto interior de cada uma delas. Para Nuno Cardoso faz sentido chamar a este espectáculo uma adaptação pois se, por um lado, “as cenas das crianças foram tratadas de outra forma”, por outro “não podemos dizer que estamos perante uma tradução do original. É, sim, um esforço de tradução muito feliz porque ao confrontarmos, com um dramaturgo norueguês, esta versão com a versão original, fomos conduzidos a algumas liberdades em termos de expressões idiomáticas que provavelmente terão ferido a noção de tradução, mas nunca do ponto de vista da traição”. “Boneca”, a partir de “Uma Casa de Bonecas”, foi o título encontrado para esta peça, traduzida por Fernando Villas-Boas, que gira em torno do imaginário de uma mulher, Nora Helmer, que, secretamente, pediu emprestada uma avultada soma de dinheiro para que o marido pudesse recuperar de uma doença grave. A história desta mulher converte-se num drama mas, para Nuno Cardoso, ela é apenas uma “peça da engrenagem”: “Obviamente que Nora é a pessoa que mais fala e é o percurso dela que de alguma forma define e delimita a peça, mas todas as personagens reflectem sobre o que é ser humano”. Com figurinos da dupla João Branco e Luis Sanchez – os Storytailors –, Ana Brandão partilha o palco com Flávia Gusmão, José Neves, Lúcia Maria, Peter Michael e Sérgio Praia, onde o trabalho de actores tem de se debater ora com a contenção, ora com a ausência de limites.

© F. Ribeiro

Um universo demasiado humano

“Cada época dá o entendimento que quer aos textos”, assim resume Nuno Cardoso um encontro com um texto como este de Ibsen. O respeito relativamente ao texto integral baseou-se também no facto de estarmos perante uma história actual, contemporânea, “que nos diz alguma coisa sobre a condição do que é ser humano, sobre o que é ainda hoje a privacidade e, mais precisamente, a problemática da mulher”. Um texto forte, acutilante, onde a ambiguidade discursiva faz dele muito mais do que um simples libelo feminista. O facto de todo ele ser dialogado mostra-nos a riqueza do universo multifacetado de Ibsen. Ser e parecer são as duas condições de existência, de quem se esconde sempre por detrás de uma máscara: “As personagens de Ibsen são colocadas num universo demasiado humano e, portanto, demasiado paradoxal para serem só bidimensionais. Isso é algo que uma peça de Ibsen nunca será, bidimensional.”

a partir de “Uma Casa de Bonecas” de HENRIK IBSEN tradução FERNANDO VILLAS-BOAS encenação NUNO CARDOSO com ANA BRANDÃO, FLÁVIA GUSMÃO, JOSÉ NEVES, LÚCIA MARIA, PETER MICHAEL e SÉRGIO PRAIA co-produção Cassiopeia, Centro Cultural Vila Flor, TNDM II e Theatro Circo 15 NOV a 16 DEZ 07 3ª a Sáb. 21h45 Dom. 16h15


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Internacionalização do TNDM II >

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O Teatro Nacional em digressão pelo mundo

“Tanto Amor Desperdiçado”

Dois espectáculos produzidos pelo TNDM II estarão este mês em tournée internacional. “Tanto Amor Desperdiçado”, de Shakespeare, cumpre carreira em Reims, França, enquanto “A Minha Mulher”, de Vieira Mendes, faz uma digressão por três cidades brasileiras A. Ribeiro dos Santos L’Atelier - o novo espaço da Comédie de Reims

Da Europa para o Mundo

Um dos projectos do Teatro Nacional que mais expectativa está a causar é a apresentação, durante a MITE 2008, do espectáculo que o dramaturgo e encenador espanhol José Sanchis Sinisterra está a preparar em atelier. Trata-se de “Terra (Nunca) Prometida”, texto que resultará de um trabalho de oficina de escrita ainda em curso e que, sob a direcção do encenador brasileiro Marco Antônio Rodrigues, nos fará reflectir sobre a nova realidade europeia, marcada pelas crescentes migrações de pessoas oriundas de outros continentes. A partir de uma história concreta – a história de uma mulher que procura desesperadamente o seu irmão – o espectáculo pretenderá retratar, de forma mais alargada, uma realidade incontornável e que deve ser encarada não como uma tragédia mas como a oportunidade de renovação dos valores artísticos e criativos do velho continente. José Sanchis Sinisterra (n. 1940), um dos grandes renovadores da cena teatral espanhola contemporânea, sempre reivindicou que o teatro precisa, a um tempo, de bons textos literários e de boas montagens cénicas: nenhum dos dois pólos deve ter primazia sobre o outro. O seu trabalho – quer como escritor, quer como encenador ou, ainda, como teórico (tem inúmeros livros e ensaios publicados em que discorre sobre a sua forma muito particular de encarar o teatro) – é seguido atentamente na Europa, no Brasil e na América Latina, onde a sua presença é constantemente requisitada. Com este trabalho, o criador estabelecerá a ponte entre Espanha, Portugal, o Brasil e as comunidades imigrantes europeias.

“A Minha Mulher”

África e Brasil: dois aliados de peso

Em preparação estão, também, dois espectáculos que estabelecerão uma ponte criativa entre Portugal, Brasil e o continente africano. Falamos de “Nação Crioula”, um texto de José Eduardo Agualusa que nos conta uma história de amor capaz de ultrapassar fronteiras; e de “Encruzilhadas”, um projecto do encenador Andrzej Kowalski que, a partir de oficinas criativas realizadas em vários países africanos, se propõe montar um espectáculo onde as histórias e as vivências africanas se misturem com as europeias, sem no entanto perderem a sua integridade. Ambos os projectos tornar-se-ão possíveis graças à estreita colaboração entre equipas internacionais. “Nação Crioula”, escrito por um escritor angolano, é um projecto do actor Manuel Wiborg, que o está a desenvolver em colaboração com o encenador brasileiro Márcio Meireles (director do Teatro Vila Velha, na Bahia) e que contará com interpretações de um elenco dos três países: portugueses, angolanos e brasileiros (baianos). O espectáculo – que fará a sua estreia no Brasil, integrando as comemorações dos 200 anos da chegada da Corte Portuguesa


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Este mês, as apostas que o Teatro Nacional D. Maria II tem estado a fazer a nível da internacionalização dos seus projectos artísticos vão começar a dar frutos. “Tanto Amor Desperdiçado”, o espectáculo co-produzido pelo TNDM II e pela Comédie de Reims, e que reúne, à volta de um texto de William Shakespeare, um tradutor português (Nuno Júdice) e um francês (François Regnault) e uma trupe de actores de ambas as nacionalidades, sob a batuta de Emmanuel Demarcy-Mota, fará carreira em França, inaugurando um novo espaço da Comédie de Reims. Trata-se de l’Atelier, hangar reconvertido em sala de espectáculos e que a Comédie reserva para projectos europeus de criação. Com 20 metros de largura e 30 de comprimento, situa-se num jardim arborizado e contempla um espaço para ensaios, para além de local de acolhimento dos espectadores. Segundo Emmanuel Demarcy-Mota, era o que faltava à sua companhia para poder alargar os seus horizontes criativos. “A Comédie não dispunha de um lugar amplo para ensaios, e a ideia era transformá-la num grande espaço de criação de espectáculos de repertório clássico e contemporâneo, o que, de resto, consta dos seus estatutos”, explica o criador. “O Atelier vai permitir-nos apresentar ao público espectáculos diferentes, até agora impossíveis de realizar nos espaços existentes”, continua. “Apesar das obras, o Atelier mantém o espírito de hangar: é um espaço polivalente que permite a encenadores e cenógrafos reinventarem constantemente a relação entre palco e plateia, mudando, em cada espectáculo, a disposição da sala, num universo quase infinito de combinações possíveis. Graças ao Atelier, a Comédie poderá afirmar-se como um espaço atento a todas as formas de teatro que se produzem no mundo, aberto a estéticas inovadoras e às formas artísticas do futuro.”

àquele país – fará depois carreira no Teatro Nacional D. Maria II e mistura ficção e realidade, contando-nos a história de amor entre Fradique Mendes (personagem criada por Eça de Queirós) e Ana Olímpia Vaz de Caminha, escrava angolana que fugiu para o Brasil e se tornou uma das pessoas mais ricas daquele país. “Encruzilhadas”, que resulta da colaboração entre o encenador Andrzej Kowalski e do dramaturgo português Luís Mourão, partirá de ateliers realizados com actores de vários países africanos e tenderá para a construção de um texto múltiplo, que, reunindo histórias e mitos africanos, os cruzará com formas de entendimento diferenciado – quer as europeias, quer as africanas. A estreia desta produção terá lugar em Lisboa, em 2009. Estes projectos são a resposta encontrada pelo TNDM II para atender à necessidade de estabelecer a ligação artística entre países que tanto têm de comum, mas que por alguma razão se têm mantido criativamente afastados. O objectivo é transformar o Teatro Nacional D. Maria II no palco comum de artistas brasileiros e africanos, e a praça do Rossio no ponto de encontro de muitas culturas, sem esquecer as europeias e as americanas.

O Atelier está pronto para acolher, nas condições ideais, o espectáculo que obrigou o Teatro Nacional a alterar a configuração normal do palco da Sala Garrett, para permitir uma maior proximidade entre os intérpretes e o público. E se em Lisboa “Tanto Amor” teve legendas portuguesas para as partes faladas em francês, em França acontecerá o contrário: as falas em português terão legendas em francês, para que o público de Reims não perca pitada desta fascinante história de amor entre pessoas (aparentemente) separadas pela língua e pela cultura. De resto, está já a ser preparada uma nova apresentação de “Tanto Amor Desperdiçado”, em Novembro de 2008, coincidindo com a Presidência Francesa da União Europeia, num teatro central da cidade de Paris.

Inauguração no Brasil Quanto ao texto vencedor da primeira edição do Prémio de Dramaturgia António José da Silva, “A Minha Mulher” – que tão boa recepção teve na Sala Estúdio do TNDM II (a ponto da carreira inicial ter sido prolongada, satisfazendo os pedidos do público) – o espectáculo tem também, recorde-se, uma equipa internacional: a cenografia é de Ulisses Cohn, criador brasileiro reconhecido também como encenador, e que desta feita concebeu um cenário que vive sobretudo da acumulação de jornais velhos (sete toneladas de papel!). Aqui, mostra-se o dia-a-dia de uma família que passa férias na casa da praia. Entre conversas que não levam a lado nenhum, descobre-se uma violência latente nas relações familiares que acabará por desembocar em desgraça. A peça de José Maria Vieira Mendes, que tem sido unanimemente elogiada pela crítica, tem encenação de Solveig Nordlund e,

O Oriente aqui tão perto

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à semelhança do que acontece com “Tanto Amor Desperdiçado” (que inaugura um espaço em França), também abriu um novo espaço teatral no Brasil. Trata-se do novo Teatro da Funarte, o Heleni Guaribá, em São Paulo, onde “A Minha Mulher” se apresentou nos dias 8, 9 e 10 de Novembro. O espectáculo seguiu depois para o Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro (a 13 e 14) e para o Teatro Vila Velha, em Salvador (a 16 e 17). É o culminar de um processo de colaboração que envolveu o Teatro Nacional, o Instituto Camões, a Direcção Geral das Artes e a Funarte do Brasil e com a qual se pretende estimular a criação de nova dramaturgia em língua portuguesa. Todos os anos, será – depois de submetida à apreciação de um júri de ambos os países – distinguida uma peça que, para além do valor pecuniário, oferecerá ao seu autor a possibilidade de a ver editada em livro e representada em palco, quer em Portugal quer no Brasil (consultar regulamento disponível no site do TNDM II: www.teatro-dmaria. pt). José Maria Vieira Mendes, autor que nos últimos anos se tem vindo a afirmar progressivamente no panorama teatral português como uma voz única da dramaturgia nacional, foi o primeiro vencedor deste concurso, com uma peça que integra uma trilogia e cuja temática são as relações familiares e o conflito geracional. Na esteira de criadores como Bergman, Vieira Mendes pretende analisar com profundidade as relações específicas que unem os elementos de uma mesma família: pais e mães, filhos e filhas, irmãos e irmãs. A partir de uma peça de Strindberg (“Brincar com o Fogo”) e inspirando-se em filmes como “A Festa”, de Vintemberg, que pinta com crueldade o retrato de uma família disfuncional, como tantas, o jovem dramaturgo português promete dar muito que falar com este trabalho sobre a família.

Em estudo está também a preparação de um projecto evocativo da figura de Tomás Pereira (16451708), o missionário jesuíta português que se tornou figura de referência da cultura chinesa no século XVII, sobretudo nas áreas da astronomia e da música – foi ele, e não o italiano Teodorico Pedrini, quem introduziu na China a teoria musical ocidental. O projecto, que pretende inaugurar um processo de colaboração artística entre o TNDM II e o Oriente, nomeadamente com a República Popular da China, visa integrar uma série de iniciativas para a comemoração dos 300 anos da morte de Tomás Pereira que terão lugar no país onde trabalhou e acabou por falecer. Nascido em 1645 em S. Martinho do Vale, distrito de Braga, Tomás Pereira abraçou, com apenas 18 anos, a vida religiosa, entrando para a Companhia de Jesus e sendo admitido no Convento de Coimbra. Aos 21 anos, embarcou para a Índia, onde continuou os seus estudos até ir para Macau, aos 27 anos. No entanto, o interesse crescente do imperador chinês Kangxi pela música europeia, conduziu-o até à China, onde foi introduzido pelo então supervisor imperial encarregado dos assuntos relativos ao calendário, Ferdinand Verbiest (1623-1688). Tomás Pereira teve então ampla possibilidade de desenvolver o seu trabalho: apaixonado pela música, destacou-se quer como missionário religioso quer no plano educativo, introduzindo no vocabulário chinês a maior parte dos termos musicais que ainda hoje são usados. Morreu em Pequim, na China, no ano de 1708, com 63 anos. Este trabalho visa potenciar a nossa memória, evocando figuras que se destacaram em várias partes do Mundo mas que hoje são praticamente desconhecidas entre nós.


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Novas edições na Livraria do TNDM II 2

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Avignon, vue du pont : 6 Ans de Festival

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Bernard Faivre d’Arcier Actes Sud, 2007

“A Casa da Lenha” ganha prémio Bernardo Santareno O espectáculo “A Casa da Lenha”, que António Torrado escreveu e João Mota encenou como forma de homenagear o músico e compositor Fernando Lopes-Graça no ano do seu centenário, foi distinguido com o Prémio Bernardo Santareno para Melhor Espectáculo do Ano de 2006. Trata-se de uma produção do Teatro Nacional D. Maria II apresentada na Sala Garrett em Novembro e Dezembro do ano passado, e que contava com a interpretação de Carlos Paulo no papel principal. Em palco, recordava-se a vida e obra de Lopes Graça, desde a infância passada em Tomar, sempre de volta de um piano, até aos difíceis anos da ditadura – em que foi sistematicamente perseguido – até aos anos de glória quando, logo após o 25 de Abril, o seu trabalho foi finalmente reconhecido e divulgado. Também distinguidos com o Prémio Bernardo Santareno, mas na categoria de Carreira, foram a actriz Eunice Muñoz e o teatrólogo Luiz Francisco Rebello.

Quase num tom diarístico, Bernard Faivre relata a memória que guardou do Festival de Avignon, em primeiro lugar enquanto espectador e, seguidamente, como director. Entusiasta do teatro, Faivre foi o mais jovem director do Festival, com apenas 35 anos, entre 1980 e 1984, regressando a este cargo entre 1993 e 2003. Ao longo de mais de 200 páginas, recheadas de fotografias de momentos de teatro do Festival, o Autor revela todo um universo de emoções na partilha de experiências com os actores, os técnicos e, em última instância, com o público. Ao longo desta obra, podemos encontrar conteúdos que vão desde a história da criação do Festival, entre 1947 e 1950, a visão internacional deste evento, os vários locais onde teve lugar ou a equipa responsável por este acontecimento. Conselheiro de diversos festivais de teatro estrangeiros, Bernard Faivre é hoje um dos grandes conhecedores das relações artísticas internacionais tendo sido, recentemente, comissário geral das temporadas culturais da Hungria (MAGYart, em 2001) e da Polónia (Nova Polska, 2004).

Canseiras de Amor em Vão

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William Shakespeare Tradução Rui Carvalho Homem Campo das Letras, 2007

Mafra celebra amanhã os 25 anos de “Memorial do Convento” Numa altura em que o Teatro Nacional D. Maria II repõe o espectáculo “Memorial do Convento”, adaptação cénica do conhecido romance de José Saramago, o Palácio Nacional de Mafra celebrou dia 17 de Novembro, na presença do autor, os 25 anos do livro do Nobel Português. Saramago, que comemorou dia 16 o seu 85º aniversário, discursará na cerimónia, falando da génese desta obra que lhe trouxe o reconhecimento da crítica e do grande público e que foi editada a 17 de Novembro por ser este o dia em que, em 1717, foi lançada a primeira pedra para a construção do Mosteiro de Mafra. Para além do discurso de José Saramago, está ainda prevista a representação do espectáculo produzido pelo TNDM II, com adaptação de Miguel Real e Filomena Oliveira, e encenação desta última, e um colóquio em que o musicólogo Rui Vieira Nery discorrerá sobre a construção do palácio-convento e o papel da música sacra na representação do poder.

Considerada uma peça dos primeiros anos da obra de Shakespeare, “Canseiras de Amor em Vão”, uma “comédia da linguagem” onde a farsa, caracterizada por um peculiar virtuosismo verbal, alterna com momentos líricos, chega-nos pela Campo das Letras com tradução integral de Rui Carvalho Homem. Professor do Departamento de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Rui Carvalho Homem tem-se dedicado aos estudos irlandeses e ao drama inglês dos séculos XVI e XVII, nomeadamente aos estudos shakespearianos, fazendo parte de uma equipa de investigadores e tradutores responsável pela versão integral da obra dramática de Shakespeare. Esta edição da Campo das Letras conta, aliás, com uma longa introdução por parte do ensaísta, onde fica explícito o principal fio condutor que orienta esta colecção da Campo das Letras – “Shakespeare para o Século XXI”: “um projecto articulado com vista à tradução integral e actualizada de todas as peças shakespearianas”. Para além de “Canseiras de Amor em Vão”,

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podemos encontrar títulos tão variados como “Medida por Medida”, “António e Cleópatra”, “A Tempestade”, “Ricardo II”, “Sonho de Uma Noite de Verão”, “O Amansar da Fera”, “Henrique IV - parte I”, “Muito Barulho Por Nada”, “Henrique V”, “Comédia de Equívocos”, “O Rei Lear”, ou “O Conto de Inverno”. 3 Panos – Palcos Novos Palavras Novas

“Auto do Branco de Neve”,

Armando Silva Carvalho

“Copo Meio Vazio”, Alexandre Andrade “Justamente���, Ali Smith Culturgest, 2007

“Pensar sobre o mundo de hoje” – assim define Francisco Frazão, programador de teatro da Culturgest, este projecto que consiste numa antologia de textos de teatro. “Auto do Branco de Neve”, de Armando Silva Carvalho, “Copo Meio Vazio”, de Alexandre Andrade e “Justamente”, de Ali Smith são as três peças que compõem este livro. Duas delas – a de Alexandre Andrade e Armando Silva – foram escritas por encomenda da Culturgest, a da autora escocesa fez parte do Connections 2005 (um projecto do National Theatre de Londres, no qual se inspira esta iniciativa) e foi traduzida por Miguel Castro Caldas. O encontro entre o público mais jovem, entre os 12 e os 18 anos, e a nova dramaturgia tem sido o fio condutor deste laboratório desenvolvido pela Culturgest. Três peças diferentes entre si mas com um ponto em comum, no entender de Francisco Frazão: “coisas que podem ser um crime, o teatro no teatro, um espelho ou uma venda nos olhos”. Pensar o mundo e encontrar soluções para os problemas que assombram o quotidiano, tudo isto e muito mais pode-se encontrar nas peças publicadas nesta segunda edição de Panos.

A Charrua e as Estrelas

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Sean O’Casey Tradução Helena Barbas Livros de Areia Editores, 2007

A Charrua e as Estrelas, que esteve em cena no Teatro Municipal de Almada (TMA), entre 20 de Setembro e 14 de Outubro, é agora publicada com a chancela dos Livros de Areia, uma pequena editora criada e dinamizada por João Seixas e Pedro Marques. Tendo como temática o operariado na Irlanda, mais especificamente a “Páscoa sangrenta de 1916”, esta obra é considerada pela crítica como uma das peças mais marcantes do dramaturgo irlandês. No entanto, como bem se explica numa espécie de prefácio

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do encenador francês Bernard Sobel, “hoje em dia esta peça fala-nos de outra coisa: a história de seres humanos que, num momento de desordem, são arrancados às suas vidas normais e cujos fundamentos das suas existências ficam transtornados. Seres humanos que tentam, de uma forma dolorosa, escapar a qualquer preço às consequências desta desordem”. Fundador do Théâtre de Gennevilliers - Centro Dramático Nacional desde 1983 -, na periferia de Paris, Bernard Sobel foca a importância de O’Casey, um dos mais importantes dramaturgos de língua inglesa do século XX, nascido em Dublin, cuja luta pela independência irlandesa, na qual se envolveu directamente, foi consagrada como temática a várias obras teatrais.

Fulgor e Morte de Joaquín Murieta

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Pablo Neruda

Campo das Letras, 2007

A primeira e única peça de teatro escrita por Pablo Neruda conta a vida do emigrante chileno (assim é identificado por Pablo Neruda que, como afirma no “Antelóquio” deste livro, conhece “as provas”), Joaquín Murieta, que viaja para a Califórnia em 1850 (período da Febre do Ouro), em busca de novas oportunidades de vida. Mas, em vez disso, Murieta confronta-se com o racismo e a discriminação social. São vários os obstáculos com que Murieta se depara, apesar de, no entender de Neruda, essa tragicidade não esgotar uma vertente mais humorística: “Esta é uma obra trágica, mas também, em parte está escrita em tom humorístico. Pretende ser um melodrama, uma ópera e uma pantomina”. Murieta confronta-se não só com a aprovação de uma acta que obriga os mineiros latino-americanos na Califórnia a pagarem um elevado imposto, mas também com a violação e assassinato da sua mulher Teresa. São estes os factores que o levam a juntar-se ao temido bando de assaltantes e assassinos Los Cinco Joaquines. O lendário Joaquín Murieta acaba por ser morto por um grupo de rangers, mas a sua história de vida é recordada como um exemplo de rebeldia face à injustiça social. Com tradução e prefácio de José Viale Moutinho, esta obra de Pablo Neruda estreou a 4 de Maio de 2007 no Teatro Carlos Alberto, numa co-produção entre a companhia Art`Imagem e o Teatro Nacional São João, com encenação de Roberto Merino. Um texto marcante sobre o bandido Joaquín Murieta, uma espécie de Robin dos Bosques latino-americano, cuja lenda permanece viva porque, como disse Pablo Neruda, “o fantasma de Joaquín Murieta ainda percorre as Califórnias”.


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SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

TN > Sala Garrett BONECA

TN > Sala Estúdio CONCERTOS ANTENA 2

TN > Átrio MADE IN EDEN — AN ODE TO MY DEAD FRIENDS

Politécnica > Sala 1 DARWIN NO JARDIM

Politécnica > Jardim Botânico O QUE SABEMOS — CONFERÊNCIA DE R. FEYNMAN

Politécnica > Laboratorio Chimico A ÚLTIMA CEIA OU SOBRE O CEREJAL

Politécnica > Bar SWEENEY TODD

Teatro Aberto > Sala Azul MEMORIAL DO CONVENTO

Palácio Nacional de Mafra

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SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

TN > Sala Garrett BONECA

TN > Sala Estúdio CONCERTOS ANTENA 2

TN > Átrio MADE IN EDEN — AN ODE TO MY DEAD FRIENDS

Politécnica > Sala 1 AFTER DARWIN

Politécnica > Sala 2 DARWIN NO JARDIM

Politécnica > Jardim Botânico O QUE SABEMOS — CONFERÊNCIA DE R. FEYNMAN

Politécnica > Laboratorio Chimico A ÚLTIMA CEIA OU SOBRE O CEREJAL

Politécnica > Bar SWEENEY TODD

Teatro Aberto > Sala Azul MEMORIAL DO CONVENTO

Palácio Nacional de Mafra

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO 6ª e SÁB 21h30 SÁB e DOM 16h | 4ª e 5ª 11h*

BONECA 3ª a SÁB 21h45 DOM 16h15

CONCERTOS ANTENA 2 19H00

A ÚLTIMA CEIA OU SOBRE O CEREJAL 2ª e 3ª às 20h

MADE IN EDEN AN ODE TO MY DEAD FRIENDS 4ª a DOM 21h30 (excepto 30 NOV 1 e 2 DEZ 16h)

AFTER DARWIN 4ª a SÁB 21H30 DOM 16H

DARWIN NO JARDIM DOM 15H30 | 2ª a DOM * O QUE SABEMOS CONFERÊNCIA DE R. FEYNMAN 6ª e SÁB 21H DOM16H | 3ª a 6ª * SWEENEY TODD O TERRÍVEL BARBEIRO DE FLEET STREET 4ª a SÁB 21H30 DOM 16H

MEMORIAL DO CONVENTO 1º SÁB / mês 16H | 4ª a 6ª 11H e 15H* *Para escolas, sob marcação.

LOCAL

PREÇÁRIO

TN > Sala Garrett TN > Sala Estúdio Teatro Aberto Politécnica > Sala 1 Politécnica > Sala 2 Politécnica > Laboratório Chimico Politécnica > Jardim Botânico Politécnica > Bar Palácio Nacional Mafra

16,00 € (Plateia) 10,00 € (1º Balcão) 7,50 € (2º Balcão) 12,00 € 20,00 € ** 10,00 € 10,00 € 10,00 € 6,00 € *** 20,00 € **** 8,00 € ***

** Consultar descontos do respectivo teatro. *** Preço único. **** Valor incluí refeição completa.

O preçário poderá sofrer alterações devido à especificidade do espectáculo. Por favor, consulte a bilheteira do Teatro Nacional D. Maria II. Os descontos só são aplicados a produções do TNDM II e em bilhetes adquiridos na bilheteira do Teatro Nacional D. Maria II.

CONDIÇÕES ESPECIAIS PARA GRUPOS Preço para Escolas: 6,00 € Valor aplicado para reservas de escolas, para qualquer produção do TNDM II, mediante marcação prévia.

Descontos para Grupos entre 25% e 40%

Desconto aplicado para reservas de grupos, para qualquer produção do TNDM II, mediante marcação prévia pelo telefone 213 250 828.

DESCONTOS TNDM II 50% 3ª feira (Dia do Espectador) 30% 4ª feira 30% Jovens até 25 anos; + 65 anos 20% 5ª feira 6,00 € Bilhete do dia, de 3ª a Dom 14h às15h

(número de bilhetes limitado)

Para mais informações sobre os descontos existentes, por favor dirija-se à bilheteira ou consulte no site do TNDM II.

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