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JORNAL DO TEATRO FEVEREIRO DE 2007 ^ MENSAL PUBLICAÇÃO GRATUITA

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Ana Brandão vai ser Annie Silva Pais

A Filha Rebelde estreia em Março

PEQUENOS CRIMES CONJUGAIS> Fonseca e Costa fala da sua estreia teatral ADERBAL FREIRE-FILHO revela um novo LOBO ANTUNES Extremadura em Lisboa uma amizade reforçada


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José MariaVieira Mendes

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vence prémio António José da Silva

Editorial O Teatro Nacional D. Maria II alarga cada vez mais o âmbito das suas actividades, como o pode atestar este número do Jornal do Teatro. Ao mesmo tempo que anunciamos, para breve, a estreia da nossa próxima grande produção – “A Filha Rebelde”, que revisita um dos episódios mais fascinantes da nossa História recente, ao recordar o percurso de Annie Silva Pais, filha do último director da Pide que deixou país e marido para abraçar a Revolução Cubana – é também com orgulho que apresentamos a primeira encenação teatral de José Fonseca e Costa e a apresentação pública do espectáculo que Aderbal Freire-Filho está a preparar a partir das “Crónicas” de António Lobo Antunes. “A Filha Rebelde”, uma adaptação cénica de Margarida Fonseca Santos a partir do livro de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, vai trazer ao palco da Sala Garrett um elenco de 20 actores liderado por Ana Brandão (que vestirá a pele de Annie Silva Pais). Sob a direcção da encenadora espanhola Helena Pimenta, o público terá oportunidade de rever um momento complicado do governo de Oliveira Salazar: aquele em que uma das “filhas do regime”, Annie da Silva Pais, se deixa fascinar por uma Cuba nos primeiros anos da Revolução e foge de Portugal para experimentar uma nova forma de vida. Enquanto nos bastidores do poder Rosa Casaco prepara o assassinato do General Humberto Delgado, comenta-se à boca fechada o “escândalo”. Em entrevista ao Jornal do Teatro, a pedagoga e encenadora norte-americana Marcia Haufrecht fala-nos da sua experiência como professora – quer em Portugal quer nos Estados Unidos – e a forma como decorreu a construção de “Frozen – Presos no Gelo”, espectáculo interpretado por Lídia Franco, Suzana Borges e Bruno Schiappa e que está em cena na Sala Estúdio. Também acabado de estrear, mas desta feita no Salão Nobre, “Pequenos Crimes Conjugais”, de Eric-.Emmanuel Schmitt, em tradução de Luiz Francisco Rebello e com interpretações de Paulo Pires e Margarida Marinho, é a nossa mais recente aposta na dramaturgia contemporânea. Sob a direcção de um grande cineasta português, José Fonseca e Costa, eis uma peça que questiona todos os problemas do matrimónio e que nos aponta o caminho para o saber viver em conjunto: a comunicação. E enquanto Aderbal Freire-Filho ensaia as “Crónicas” de Lobo Antunes, a nossa aposta passa por ter algumas propostas para o público jovem. Para além de “Ana e Hanna” e de “Amor de Perdição”, dois projectos mais radicais para jovens frequentadores das salas de teatro, o Nacional prepara ainda a estreia de “Contos de Shakespeare”, uma revisitação de algumas das mais deliciosas histórias de um dos maiores dramaturgos de sempre. Finalmente, no exterior do teatro, não podemos deixar de referir: - “Maria”, uma história sobre a forma como os nossos jovens, mercê das novas tecnologias da comunicação, estão a isolar-se cada vez mais e a perder o contacto com o mundo real, é o espectáculo que já temos a rodar nas escolas de Lisboa e arredores; - “O Memorial do Convento” que vai ocupar o espaço que lhe deu sentido e que é o centro da sua narrativa, o Convento de Mafra; - “Vermelho Transparente”, o espectáculo que esgotou a Sala Estúdio durante a sua carreira no Nacional, está em digressão e no dia 10 de Fevereiro estará no Montijo, no Cine-Teatro Joaquim de Almeida. Para que nenhum espectador potencial seja esquecido pelo novo Teatro Nacional.

Direcção Artística

O escritor português José Maria Vieira Mendes acaba de vencer a primeira edição do Prémio de Dramaturgia António José da Silva, instituído pelo Instituto Camões (Portugal), Funarte - Fundação Nacional de Arte (Brasil), o Instituto das Artes e o Teatro Nacional D. Maria II. O prémio, atribuído por unanimidade, foi entregue à peça “A Minha Mulher”, um texto inédito distinguido por um júri luso-brasileiro constituído pelo crítico João Carneiro, pelos encenadores João Lourenço e pela teatróloga Eugénia Vasques e, do lado brasileiro, pelo dramaturgo e encenador Reinaldo Maia, pelo teórico Fernando Peixoto e pelo encenador Marco Antônio Rodrigues. Na primeira fase do concurso, participaram ainda, como júri, o encenador João Mota, a actriz Cucha Carvalheiro e o teatrólogo Duarte Ivo Cruz. O prémio tem o valor monetário de 15.000€ e a sua atribuição implica ainda a edição da obra em Portugal e no Brasil, para além de ser levada à cena nos dois países. Em Portugal a apresentação caberá, naturalmente, ao Teatro Nacional, devendo inscrever-se na programação do 2º semestre de 2007 e partir, em seguida, para o Brasil.

Sinisterra dirige Workshop Já começaram, no Teatro Nacional, os ateliers de escrita teatral dirigidos por José Sanchis Sinisterra que resultarão num espectáculo de reflexão sobre as migrações mundiais que questionam as fronteiras e as configurações de um novo mundo. Com o título “Terra (Nunca) Prometida”, o espectáculo estreará no fim do ano.

Encontro de Professores no Átrio

Realizou-se no sábado, dia 20, no átrio do TNDM II, um encontro com professores do ensino básico e secundário, onde foram apresentadas as várias propostas do Teatro Nacional para a comunidade escolar. O encontro destinou-se a sublinhar a vontade do TNDM II em garantir à comunidade escolar mas, sobretudo, aos nossos jovens, a possibilidade de se relacionarem com o teatro, de se encontrarem com textos importantes da nossa literatura e dramaturgia, favorecendo a tão necessária expressão dos seus anseios e dar voz a quem muitas vezes nem sabe que a tem. Durante a sessão deu-se ainda especial enfoque à abertura do teatro ao meio envolvente. Com esta iniciativa o TNDMII pretende atingir alguns objectivos pedagógicos e culturais em comum com o meio escolar.

Nacional edita Goldoni O Teatro Nacional D. Maria II lança este mês a peça “Criadas para Todo o Serviço”, de Carlo Goldoni, numa tradução de José Colaço Barreiros enquadrada na participação desta casa nas comemorações dos 300 anos do nascimento do dramaturgo italiano. O lançamento do livro acontecerá no dia 25, dia do nascimento de Goldoni, no Teatro Garcia de Resende, em Évora, onde a peça deverá estrear no dia 1 de Março, passando depois por Lisboa e pela Amadora.

Alternativas teatrais na Livraria A Livraria tem já à disposição dos seus clientes a revista “Alternatives Théâtrales”. Estão disponíveis números antigos e, de agora em diante, passará a recebê-la regularmente. A livraria vai igualmente passar a receber a revista “Avant-scène Théâtrale” e as edições das editoras francesas Quatre-vents e L’Entretemps.

Ficha Técnica direcção> Carlos Fragateiro

DOCUMENTAÇÃO> André Camecelha

e José Manuel Castanheira

grafismo> Nuno Patrício

Coordenação editorial> A. Ribeiro dos Santos

fotografia> Margarida Dias

redacção> A. Ribeiro dos Santos,

PROPRIEDADE> TNDM II, SA

Margarida Gil dos Reis, Ricardo Paulouro

Impressão> Mirandela Artes Gráficas

Bilhetes do dia a cinco euros O Teatro Nacional tem bilhetes a cinco euros. Todos os dias, há 60 bilhetes para a Sala Garrett, dez para a Sala Estúdio e dez para o Salão Nobre. Para conseguir os seus bilhetes (um por pessoa) basta deslocar-se à bilheteira entre as 14h00 e as 15h00. Às quintas-feiras, no Dia do Espectador, os bilhetes têm 50 por cento de desconto.


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8 a 11 Fevereiro

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Semana da Extremadura em Lisboa >

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As artes extremenhas passarão por Lisboa. Às sonoridades flamengas somam-se duas propostas de teatro independente. Entrada livre Margarida Gil dos Reis

Nacional acolhe teatro e música de Espanha “Soliloquio de Grillos”, de Juan Copete, e “Solo Hamlet Solo”, de Miguel Murillo são as duas ofertas do teatro de pequeno e médio formato. “Soliloquio de Grillos” (na foto), com encenação de Esteve Ferrer, é a história de três mulheres vítimas da Guerra Civil que, encontradas em valas comuns, regressam à vida para resolver desavenças. Uma peça que

fala, sobretudo, de emoções e sentimentos e que, segundo o autor, Juan Copete, pretende “curar feridas e olhar para o futuro”. Apresentado pela Companhia Triclínium Teatro, constituída por três mulheres - Ana Trinidad, Paqui Gallardo e Andrea Movilla - esta adaptação cruza a realidade com um universo de ilusões e utopias em que se

acredita na recuperação de uma memória histórica. Num registo diferente, sobe ao palco “Solo Hamlet Solo”, da Companhia E de Streno, com encenação de Jesús Manchón. Numa montagem unipessoal, o conhecido actor José Vicente Moirón dá vida a um Hamlet comprometido, fugindo ao registo do monó-

Entre vozes e

Luís Pastor canta Saramago. A este embaixador da música somam-se outras ofertas como Gecko Turner e o ritmo do flamengo da Familia Vargas. Um programa onde a voz, os instrumentos, a poesia e a melodia nos devolvem à identidade da Extremadura

ritmos

Luís Pastor, Lourdes Guerra e José Saramago

O jornal “El País” já o considerou o “sobrevivente”, no domínio da música, das raízes da sua terra de origem e Luís Pastor é mesmo tido, por muitos, como o embaixador da Extremadura no resto do mundo. Contando com uma extensa carreira, o artista espanhol tem demonstrado uma grande capacidade de sobrevivência inscrevendo-se no mercado com o seu próprio selo, dentro da discografia independente extremenha. Em Novembro do ano passado apresentou ao público o seu último trabalho, intitulado “En esta esquina del tiempo” e que inclui temas cantados em português e castelhano. Neste disco canta catorze poemas do escritor José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998.

logo ou da simples narração. A personagem traça assim os conflitos que um dia lhe deram a vida, entre eles, o que levou William Shakespeare a desenhar o melhor retrato cénico da loucura humana. Uma peça que tem inspirado sucessivas gerações de criadores, desde dramaturgos a encenadores, e que aqui conhece uma nova versão.

É precisamente esse trabalho que Pastor vai apresentar no Teatro Nacional no próximo dia 11, acompanhado pela Orquestra da Extremadura. Portador do que de melhor têm as suas origens culturais, o cantor utiliza a voz para cantar e, simultaneamente, para dizer poesia. O compositor, cantor e autor foi, aliás, várias vezes premiado, contando-se, em 2005, o Prémio a la Lealtad Republicana e, em 2003, a Medalha da Extremadura. Nesta mostra, juntam-se a Luís Pastor nomes como Gecko Turner, um músico com uma ampla trajectória cujo trabalho tem raízes eminentemente afro-americanas e que cruza vários ritmos, desde o soul ao reggae, passando pela bossa-nova, o samba e o funk.

Aos elementos rítmicos que vêm da música mais característica do sul da península, o flamengo, segue, no dia 9, a apresentação do grupo musical cacerense Los niños de los ojos rojos. Surpreendente pela forma como entende a música e o espectáculo, este grupo congrega as sonoridades da música tradicional irlandesa com o hip hop, a fusão e a beat box. Como não podia deixar de ser, o flamengo estará bem representado na mostra, graças à participação da Familia Vargas que constitui, actualmente, um dos mais genuínos expoentes do flamengo extremenho. Um espectáculo transfronteiriço que, nos últimos anos, tem percorrido alguns dos maiores encontros de flamengo em Madrid, Sevilha ou Cáceres. Esta mostra de artes da Extremadura, que visa revelar em Lisboa alguns dos criadores mais interessantes daquela zona espanhola, encerra com um toque de jazz, assegurado pela Lusitania Jazz Machine, dirigida por Javier Arroyo Zapatero. Composta por artistas de ambos os lados da raia hispano-portuguesa, a Lusitania Jazz Machine guia-se, através da fusão entre o jazz e as músicas populares, pela investigação das sonoridades populares ibéricas e africanas, como forma de revitalização das raízes comuns dos vários povos. O objectivo do grupo é renovar o repertório de música tradicional ibérica, mas indo sempre beber inspiração às fontes mais genuínas. MGR


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Entrevista

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Pequenos Crimes Conjugais

José Fonseca e Costa

A viagem inacabada

São mais as viagens que fazemos do que os destinos. As de Fonseca e Costa são quase borgianas. O realizador assina a encenação de “Pequenos Crimes Conjugais”, de Eric-Emmanuel Schmitt Entrevista conduzida por Margarida

Como surgiu o seu fascínio pela sétima arte?

Desde pequeno que me lembro de ir ao cinema. Até aos onze anos vivi no paraíso, uma terra chamada Caala, em Angola, onde começa o planalto de Benguela, a 1800 metros de altitude, onde a natureza é exuberante e o grande divertimento eram as sessões de cinema à quarta-feira e ao domingo, dia em que chegavam à estação de caminho de ferro os filmes vindos do litoral...

do de uma aldeia do Portugal profundo que as vicissitudes da vida levam até à China e à Mongólia, onde é protagonista de grandes aventuras. Convidei o Barney Simon para me ajudar a adaptar o livro ao cinema e o argumento está pronto, mas a sua produção, assegurada por financiamentos de uma produtora inglesa em associação com uma portuguesa e outra de Macau, foi suspensa quando começou a Guerra do Golfo.

Assina a encenação da peça “PeEm Portugal, o interesse pelo ci- quenos Crimes Conjugais”. O teatro nema manteve-se... foi também uma arte presente ao Fui um assíduo espectador de cinema, longo do seu percurso? desde a mais tenra idade e quando cheguei a Lisboa, o cinema passou a ser um hábito quotidiano. Naquela época toda a gente ia ao cinema, não havia televisão, em todos os bairros havia as chamadas salas de “reprise”, com sessões duplas, dois filmes de géneros diferentes projectados um a seguir ao outro. Nesse tempo não estávamos “condenados” a ver apenas filmes americanos.

Lembra-se de alguns filmes que o tenham, desde logo, marcado?

Existem dois ou três filmes vistos na minha infância em Angola que me povoaram sonhos e pesadelos tais como “O gato e o canário”, “Quatro penas brancas” ou “A fortaleza do silêncio”, sem esquecer os filmes do Tarzan, onde nos era mostrada uma África estilizada que depois queríamos transferir para as nossas brincadeiras infantis. Quando cheguei a Lisboa senti grandes dificuldades na adaptação à cidade e devo dizer que a procura das salas de cinema contribuiu muito para começar a conhecer e a amar a cidade. Nessa época, era o meu grande alimento, juntamente com a literatura e o teatro.

Sempre tive uma grande curiosidade por tudo o que fossem ficções, filmadas, cantadas ou representadas. A certa altura da minha vida cheguei a considerar a hipótese de ser actor mas já estava muito empenhado no cinema. O meu interesse pelo teatro sempre existiu. Alguns dos meus melhores amigos estão no teatro. Fiquei, no entanto, preso à maldição de ter sido proibido pelo

coisas que estão escritas, sugeridas e imaginadas num texto para, em seguida, serem transmitidas ao público. A principal tarefa de quem pretenda “dirigir” teatro ou cinema reside no trabalho com os actores que são, simultaneamente, os melhores aliados e os maiores inimigos de quem se proponha dirigi-los. Tem de se estabelecer o ponto onde acaba o ódio e começa o amor e será nesse fio da navalha que as coisas se irão sempre passar sem que se saiba, ao certo, quem ganha a partida, se o bem-amado, se o mal-amado...

Como explicaria o seu processo de trabalho em teatro?

No meu caso, começo por procurar assimilar o texto que pretendo transpor para o palco, escolhendo depois para o desempenho dos papéis os actores cuja personalidade mais se aproxime, física e animicamente, das personagens às quais vão dar corpo e voz. Limito-me a provocar nos actores o bastante para fazerem as coisas de um modo

rede” de público. Aceitei o desafio quando me apercebi de que o “espaço” colocado à minha disposição, com duas frentes de público, me permitia trabalhar como se estivesse num filme para o qual o produtor me impusesse a utilização do “écrã largo” – o do Cinemascope. Como a peça do Eric-Emmanuel Schmitt tem apenas um acto de longa duração e a minha preferência em termos de estruturação de um filme vai no sentido do recurso frequente ao “plano sequência”, organizei uma “mise-en-scène” em tudo idêntica à que estruturaria um filme: será uma peça de teatro em plano sequência e em écrã largo...

Os actores Paulo Pires e Margarida Marinho corresponderam às suas expectativas?

Estou a trabalhar com dois grandes actores, pessoas de enorme sensibilidade e competência profissional. Ambos são capazes de dar todas as facetas das duas personagens que interpretam. E falamos de per-

“Cheguei a considerar a hipótese de ser actor mas já estava muito empenhado no cinema. O meu interesse pelo teatro sempre existiu. Alguns dos meus melhores amigos estão no teatro” regime salazarista de fazer determinadas coisas, entre elas o cinema documentário ou de ficção, cuja produção dependia de financiamentos do Estado para quem eu era “personna non grata” em virtude da minha actividade política de oposição ao regime fascista. Como, na época, o cinema publicitário emergia e a minha competência profissional era reconhecida, dediquei-me a essa área, o meu ganha-pão nos anos 60 e 70.

que eu entenda ser aquele que melhor serve para transpor um texto para a realidade de um palco, onde os actores terão que fazer bem aquilo que as pessoas fazem mal na vida. Ou seja, remeto-me à condição de primeiro espectador... Um espectador privilegiado, com o temor reverencial de que os outros espectadores não assumam o meu ponto de vista.

ambos servem para contar histórias e neles reside o papel preponderante dos actores. São os actores que dão vida, carne, sangue e alma às personagens, quer dos filmes, quer das peças de teatro. Gosto muito de trabalhar com actores e de os pôr as fazer as

Não dispor de um palco à italiana para a minha primeira experiência teatral começou por assustar-me, primeiro porque estes “Pequenos Crimes Conjugais” correspondem, na sua estruturação dramática, ao espaço do palco em que só há uma “pa-

Para além dos vários escritores que adaptou ao cinema, como MouQuais são as fronteiras entre o cirão-Ferreira ou Cardoso Pires, há nema e o teatro? alguma obra que ainda deseje levar Do ponto de vista da sua estruturação são ao grande ecrã? universos totalmente diferentes. No entanto, Há um livro que ficou por fazer, sendo que o filme está todo escrito por um dos maiores dramaturgos da África do Sul, Barney Simon. Trata-se de “O Senhor Ventura”, do Miguel Torga, que conta as venturas e desventuras de um jovem camponês oriun-

Gil dos Reis

O palco onde terá lugar esta peça desconstrói o conceito de palco à italiana. Quais foram as opções, em termos de encenação, ao ser confrontado com o espaço?

sonagens de uma grande complexidade, que passam com frequência de um registo para o seu oposto.

Quando assistiu à estreia desta peça, em Paris, o que é que lhe despertou mais interesse?

Eu já conhecia a escrita de Eric-Emmanuel Schmitt pois tinha lido dois dos seus romances e sabia que ele tinha escrito para teatro. Ele escreveu este texto para a Charlotte Rampling, uma das minhas actrizes de eleição. Os “Pequenos Crimes Conjugais” estavam em cena em Paris numa época em que, por coincidência, eu estava na cidade a fazer a mistura de um dos meus filmes. Vi a peça e interessei-me logo muitíssimo pela trama, uma história com um desfecho totalmente inesperado. Entrevista na sua versão completa em

www.teatro-dmaria.pt


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Conversa com

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Aderbal Freire-Filho >

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“Do cómico ao trágico: Lobo Antunes tem de tudo um pouco” O encenador brasileiro prepara-se para estrear, numa apresentação pública com debate, dias 14, 15 e 16, na sala experimental do Teatro Nacional, “Crónicas”, a partir de António Lobo Antunes. Ao Jornal do Teatro, explicou como está a ser a construção deste trabalho que, mais do que um espectáculo propriamente dito, é um exercício para partilhar com o público A. Ribeiro dos Santos e Ricardo Paulouro

No dia em que esta conversa aconteceu, Aderbal Freire-Filho ainda não tinha definida a totalidade dos textos de António Lobo Antunes que deverá usar no seu trabalho “Crónicas”, a estrear em meados deste mês na sala experimental do Teatro Nacional. Mas já sabia isto: o espectáculo - ou antes a “apresentação pública”, como prefere chamar-lhe - passará necessariamente pelos textos “Os meus domingos”, “O grande amor da minha vida” e “Sinais interiores de riqueza” (do primeiro livro) e “Chega uma altura” (do terceiro). De resto, todos os dias, ao chegar a mais uma sessão de trabalho com os 26 actores que constituem a sua equipa, a rotina repete-se: os actores lêem, em voz alta, mais crónicas, venham ou não a ser usadas no trabalho final. Aderbal diz que é para se embrenharem completamente no espírito de Lobo Antunes, de quem é um admirador confesso. “Sou fascinado pelas ‘Crónicas’ do Lobo Antunes, textos que me divertem, me emocionam porque falam da própria vida. Eu já conhecia outras obras deste autor, como ‘Os Cus de Judas’, mas fiquei absolutamente deslumbrado por estas crónicas que são pequenos episódios do quotidiano”, conta-nos, acrescentando que levar à cena estas obras era um projecto de longa data. “Já tinha tido esta ideia no Brasil: trabalhar

as ‘Crónicas’ a partir da técnica do ‘romanceem-cena’ (sem adaptação de espécie alguma). Acho que as crónicas, em especial as do primeiro livro, se prestam muito a isso...” Aderbal, que trabalha pela primeira vez com actores portugueses, diz que não encontrou dificuldades na comunicação com os intérpretes nacionais. Os actores, garante, sejam eles de que nacionalidade forem, são cidadãos do mundo e partilham de um vocabulário comum. Mas é claro que o facto de falarem português facilita muito o contacto e tem ajudado o trabalho. “Temos as mesmas referências e estamos a entender-nos muito bem”, revela, explicando ainda que, ao contrário do que se diz, não acha os portugueses tristes nem pouco expressivos. “Também toda a gente diz que os brasileiros são um povo muito alegre e divertido, e não é bem assim...” E conta-nos que escolheu esta equipa de trabalho sobretudo por apreciação curricular.

Escolhidos por currículo

Inscreveram-se nas oficinas de Aderbal Freire-Filho cerca de 70 actores. Desses, o encenador seleccionou 38. Quase todos por causa do seu percurso profissional. “Não conhecendo ninguém, é óbvio que me aconselhei junto de pessoas que conhecem estes actores e que me podem dar uma ideia

sobre os seus registos, mas acima de tudo escolhi os intérpretes por causa do seu percurso de trabalho. Como este é um trabalho espectáculo cariz essencialmente didáctico, foi a essa luz que analisei o currículo de cada um e os convidei para virem frequentar a oficina.” Dos 38 apurados na primeira selecção, porém, só ficaram 26... mas por decisão pró-

gurinista, nem músico para compôr uma banda sonora... Tenho um texto e um conjunto de actores. Portanto, para mim, esta será apenas a apresentação pública de um exercício. Aliás, gostaria até de fazer uma pequena introdução em cada sessão, explicando às pessoas como foi todo o processo e de que natureza de trabalho estamos a falar.”

“Fiquei deslumbrado por estas crónicas que são pequenos episódios do quotidiano, que divertem e emocionam” pria. “Não excluí ninguém: uns não podiam vir porque pensavam que era exclusivamente em horário pós-laboral, quando este é um trabalho a tempo inteiro, outros entretanto foram convidados para outros projectos, em teatro ou televisão... Agora estou com 26 actores e é com esses que vou apresentar este exercício.” Aderbal não gosta que se chame “espectáculo” às “Crónicas” que vai apresentar ao público de Lisboa. Prefere chamar-lhe “apresentações públicas”. “Não é um espectáculo porque não tem o enquadramento artístico necessário”, explica-nos. “Eu não tenho equipa criativa. Não tenho cenógrafo, não tenho fi-

Sobre o tom que este exercício vai assumir - ou cómico ou trágico - Aderbal Freire-Filho é muito claro. “O espectáculo vai ser tal qual as crónicas do António Lobo Antunes. Do cómico ao trágico: ele tem de tudo. É isso que o público deve esperar. Vai haver momentos divertidos e outros mais sérios, vai haver temas para reflexão. É exactamente como os textos deste autor, que têm carácteres muito diversos e que ora são ficção, ora realidade, ora são pessoais ora análises mais distanciadas da realidade... Essa diversidade é, aliás, uma das suas características mais interessantes e mais apelativas.”

Perfil Aderbal Freire-Filho Licenciado em Direito, Aderbal Freire-Filho estreou-se no teatro com o espectáculo “Diário de um Louco”, de Gogol, apresentado dentro de um autocarro que percorria as ruas do Rio de Janeiro. Foi a sua primeira apresentação ao público brasileiro, que desde então tem aprendido a associá-lo a projectos em que o actor é o agente principal do espectáculo e onde se nota uma grande preocupação com a qualidade dos textos. Dirigiu actores como Marília Pêra e José Wilker e, desde 1990, criou um género de espectáculo em que leva à cena romances na íntegra, sem adaptação: os “romances-em-cena”.


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> A Filha Rebelde> 15 MARÇO <> 13 MAIO

Tudo por uma paixão: Cuba e Che Guevara >

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ana brandão ANNIE SILVA PAIS

raquel dias maria eugénia melo

jaime vishal GUILLERMO

alexandre ovídio JAMES

rui quintas JAVIER

lídia franco ARMANDA marques d’arede CAPITÃO VARELA

vida para a

vitor norte SILVA PAIS

da

ficção

helena pimenta ENCENADORA

Helena Pimenta, encenadora espanhola, viu o seu trabalho reconhecido com diversos prémios, tais como o Premio del Jurado y de la Crítica al Mejor Espectáculo del Festival Internacional de El Cairo (1993) por “Sueños de una Noche de Verano”, o Prémio Nacional de Teatro (1993), Prémio de la Asocíation de Directores de Escena (1996), com “Romeu e Julieta” e Prémio ADE (1998) por “Trabajos de Amor Perdidos”. Fundadora, em 1987, da Companhia UR Teatro Antzerkia, da qual é directora artística, iniciou, em 1992, uma trilogia sobre as obras de Shakespeare. Em 2006, encenou “El Chico de la Ultima Fila”, de Juan Mayorga, sendo considerada uma das maiores encenadoras espanholas contemporâneas. “A Filha Rebelde” marca o seu regresso a Portugal.

Annie Silva Pais, filha única do director da PIDE, abandona inesperadamente o Portugal de Salazar para abraçar uma aventura única. Fascinada por Cuba e pelos ideais daquele que foi um dos mais famosos marxistas da História, Che Guevara, Annie, uma extraordinária figura romanesca, troca tudo o que tem por uma luta de valores. José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz recuperaram, num notável acto de jornalismo de investigação, uma história de vida, onde o drama se cruza com o romance, o ciúme, a coragem, as desavenças familiares.

Uma história inicialmente publicada no jornal “Expresso” e imediatamente galardoada com o Grande Prémio Gazeta, de 2002. Adaptada agora ao palco por Margarida Fonseca Santos, com a colaboração dos autores do livro original, “A Filha Rebelde” é modelar pela liberdade inquestionável em que se acredita. Uma transposição da vida real para o palco, cuja carga biográfica e testemunhal serve de exemplo aos nossos dias. O Jornal do Teatro apresenta em primeira mão o elenco que dará corpo ao espectáculo. RP

Pierre Marido de Annie Silva Pais. Diplomata suíço. Javier Encontra-se com Pierre quando este espera pela esposa Annie, no aeroporto, vinda de Cuba. Uma chegada nunca concretizada. Jornalista Jornalista norte-americano que se cruza com Pierre quando este espera pela esposa Annie, no aeroporto, vinda de Cuba. Fernando Silva Pais Major e último director da PIDE, a polícia política do regime deposto com a Revolução de 25 de Abril de 1974. Silva Pais foi o responsável máximo pelo aparelho repressivo do regime ditatorial de Oliveira Salazar e Marcello Caetano. Foi preso, julgado e condenado em tribunal militar, após o 25 de Abril de 1974.


15 MARÇO <> 13 MAIO <A Filha Rebelde <

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Elenco

sérgio silva embaixador duarte melo joana brandão ALICIA amílcar zenha INVESTIGADOR SUIÇO

anabela teixeira olianys

eurico lopes PIERRE manuel coelho rosa casaco nádia santos ROSA

célia alturas CECÍLIA

josé neto SALAZAR bibi gomes MELLY

António Rosa Casaco Ex-inspector da PIDE, polícia que, em 1965, chefiou a brigada que matou o general Humberto Delgado. Atravessaram a fronteira, em direcção a Badajoz, utilizando passaportes falsos, a fim de montar a cilada que vitimaria o General. Polícia Agente da Polícia Política, ao serviço do regime de Oliveira Salazar. Annie Filha única de Armanda e Fernando Silva Pais, vive uma história rara nos agitados anos 60. Abandona o marido, a família, os amigos e o país para se entregar à revolução cubana. Maria Eugénia Melo Amiga do casal Pierre e Annie Silva Pais. Casada com Duarte Melo. Duarte Melo Amigo do casal Pierre e Annie Silva Pais. Casado com Maria Eugénia Melo

Melly Costureira, em Havana. Faz um vestido a Annie que será marcante na estadia desta em Cuba. Membro da embaixada Investigador da Embaixada de Portugal que investiga o súbito desaparecimento de Annie. Alicia Amiga cubana de Annie. António Oliveira Salazar Foi professor universitário, estadista e ditador português. Foi ministro das Finanças, entre 1928 e 1932. Entre 1932 e 1968 dirigiu os destinos do país, com o cargo de presidente do Conselho de Ministros. Armanda Esposa de Silva Pais e mãe de Annie. Cecília Amiga cubana de Annie.

Olianys Amiga cubana de Annie. Guillermo Amigo cubano de Annie. Revolucionário. Rosa Amiga cubana de Annie. Revolucionária. Alferes Militar que salva Armanda e Silva Pais dos manifestantes que, por ocasião da Revolução de Abril, tentam matar o director da PIDE. Repórter Acompanha o julgamento de Silva Pais, em directo para a televisão. Capitão do MFA Capitão do “Movimento das Forças Armadas”, responsável pelo golpe militar que terminou com o Estado Novo em Portugal, em 25 de Abril de 1974. O que motivou este grupo de militares era,

essencialmente, o desejo da liberdade até então negada ao povo português e o descontentamento pela política seguida pelo governo em relação à Guerra Colonial. Cubano Enviado do embaixador de Cuba. Acompanha Armanda a Havana, naquela que será a última viagem para visitar a filha, Annie Che Guevara Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido por Che Guevara ou El Che, foi um dos mais famosos revolucionários marxistas da História. Foi diante da visão de miséria e impotência das massas e das lutas e sofrimentos que presenciou nas suas viagens que Guevara concluiu que a única maneira de acabar com as desigualdades sociais era a revolução socialista.

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< Frozen > Presos no Gelo

Conversa com a encenadora Marcia >

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Haufrecht

Um actor

sofre sempre Acabada de estrear no palco da Sala Estúdio do Teatro Nacional, “Frozen” é a segunda encenação da americana Marcia Haufrecht em solo português. Em conversa, a criadora fala-nos da peça, de Lee Strasberg e dos seus “grandes” alunos David Duchovny e Uma Thurman A. Ribeiro dos Santos

Para a famosa especialista no Método de Lee Strasberg, Marcia Haufrecht, que acaba de estrear na Sala Estúdio do Teatro Nacional a peça “Frozen - Presos no Gelo”, a peça da britânica Bryony Lavery fala de coisas tão essenciais quanto a vida e a morte e procura analisar a forma como o abuso (sexual e não só) afecta tanto o abusador como a vítima e também a respectiva família. Para sempre. “Tinha visto a peça representada em Nova Iorque e quando a Lídia (Franco) me pediu para pensar num texto que ela pudesse representar, e que ainda não tivesse sido feito em Portugal, este veio-me à cabeça. Tem um tema muito poderoso”, revela a criadora, admitindo que uma peça como esta - que conta a história de uma mulher cuja filha foi violada e assassinada por um “serial killer” - tem, necessariamente, de

Alunos Especiais

causar algum sofrimento aos actores. “Aliás, acho que isso acontece na construção de qualquer espectáculo...”, acrescenta. “O sofrimento é inevitável. É verdade que aqui todas as personagens têm de se confrontar com perdas pessoais dolorosas, mas até nas comédias se sofre porque a maior parte delas tem como tema profundo as grandes tragédias humanas...” E se pensarmos nas peças de Tchekov ou Beckett, a que os respectivos autores insistiam em chamar “comédias”, sabemos que assim é. O desafio de Marcia Haufrecht, enquanto encenadora, é o de encontrar humor dentro do drama. “Fiz isso com ‘Vidas Publicadas’, que apresentei na Comuna, e tentei fazê-lo com este ‘Frozen’. Sempre que vislumbrava uma centelha de humor numa peça, sublinhava-a imediatamente. Faço sempre isso.”

Marcia Haufrecht, que nos últimos anos é visita regular ao nosso país - onde vem dar aulas do Método (sistema de interpretação naturalista que visa a identificação entre o intérprete e a personagem) - foi professora de grandes estrelas de Hollywood. Pelas suas aulas passaram nomes como Ellen Barkin (“Perigosa Sedução”), David Duvchovny (“Ficheiros Secretos”) ou Uma Thurman (“Pulp Fiction”). Ao Jornal do Teatro, a criadora recorda os seus pupilos famosos. “O David (Duchovny) é muito inteligente e quando frequentava as minhas aulas estava a ensinar em Harvard, ou Yale, já não me recordo. A Uma (Thurman) veio ter comigo quando tinha apenas 15 anos, e embora eu não aceite ninguém com menos de 18 anos, abri uma excepção para ela porque tinha um nível de inteligência e de consciência

do trabalho impressionantes.” Marcia, que aprendeu o Método com o próprio Mestre, Lee Strasberg (realizador, produtor e professor que o grande público conhece como intérprete da saga “O Padrinho”), recorda também um nome que o Mundo mitificou mas que era, acima de tudo, “um homem como os outros”. “O Lee era um excelente professor, mas era extremamente dogmático”, lembra. “Mantinha a sua opinião até à última... Mas ajudou-me muito: as técnicas de trabalho dele libertavam-me e agora uso-as para libertar os outros.” Recorde-se que Lee Strasberg fundou o Actors Studio em 1966, na esteira do trabalho desenvolvido por Constantin Stanislavksi em Moscovo, e deu aulas a actores como Paul Newman, Jane Fonda ou Marilyn Monroe. Faleceu em 1982.

Lídia Franco

Suzana Borges

Bruno Schiappa

Em “Frozen - Presos no Gelo”, a actriz Lídia Franco dá corpo a Nancy, uma mulher que, depois de ter perdido a filha, tenta por todos os meios arranjar um sentido para a sua existência. Liga-se a uma associação de pais que perderam os filhos e mantém o quarto da pequena Rhona intacto, pois alimenta a esperança de que ela, um dia, regresse. De certa forma, anula-se como pessoa para viver em função desta obsessão. Vinte anos passados, descobre a terrível verdade: Rhona morreu às mãos de um pedófilo coleccionador de cadáveres. Entretanto, a sua atitude de afastamento face à realidade dá os frutos óbvios: o casamento de Nancy chega ao fim e é a outra filha que, depois de uma viagem à Índia, lhe chega com uma mensagem de amor e perdão. Nancy decide então visitar o assassino que lhe roubou a vida, pois só quando ultrapassar o ódio que sente por ele conseguirá retomar a sua existência.

Uma mulher que dedica a sua vida a perceber como funciona a cabeça de um assassino: eis a personagem que Suzana Borges interpreta em “Frozen - Presos no Gelo”. No decorrer da peça, a Drª Gottmundsdottir tem oportunidade de nos explicar que uma criança sujeita a abandono extremo ou a maus tratos fica com uma parte do seu cérebro irremediavelmente atrofiada. A sua teoria é a de que os assassinos em série nem sempre são “pessoas más”. Muitas vezes, são só pessoas mal tratadas que não reconhecem a distinção entre Bem e Mal. Convidada a dar uma série de palestras no Reino Unido para partilhar os seus conhecimentos sobre as razões que levam alguém a matar o seu semelhante a sangue frio, ela vai desvendar um mistério chamado Ralph - um assassino que, ao longo de 20 anos, raptou, violou e assassinou várias crianças do sexo feminino, enterrando-as num barracão.

Ralph leva uma vida aparentemente normal. No seu dia-a-dia, manifesta alguns comportamentos típicos de um absessivo-compulsivo: é metódico até ao exagero, extremamente asseado, irrita-se quando as coisas não estão no seu devido lugar. E odeia a sua senhoria. Ralph, interpretado por Bruno Schiappa, é, também, um assassino nas horas vagas. Na verdade, sempre que a oportunidade surge, não consegue impedir-se de empurrar uma menina para dentro da sua carrinha e de a levar consigo, gravando as suas “conversas” com elas em vídeo. Ele nem sequer consegue entender porque é que isso é proibido... Ao longo da peça, tanto a Drª Agnetha Gottmundsdottir como Nancy, mãe de uma das suas vítimas, vão ajudá-lo a perceberse melhor e a perceber, também, como é estar do outro lado: do lado de quem é torturado...

é Nancy, a mãe desesperada

revela os mistérios da mente

é o assassino de sangue frio


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TNDMII 09 >

Espectáculos para escolas

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O público como personagem Três espectáculos que interagem com o espectador

O Teatro Nacional está a apresentar, em diferentes espaços e para públicos distintos, três espectáculos para o público mais jovem:

Ana e Hanna

É ao ritmo de muita música, interpretada pelas actrizes Vânia e Rita Calçada Bastos, que cresce a amizade entre duas jovens de nacionalidades diferentes. Ana tem dezanove anos e vive em Tavira com a avó. Hanna tem dezanove anos, é albanesa e procura asilo político. O que parece ser uma história quotidiana revela-se uma emocionante troca de vivências e emoções. Britney Spears, Kylie Minogue, Natalie Imbruglia, entre tantos outros, dão o mote ao nascimento de uma amizade indestrutível. António Feio assina a encenação desta peça do inglês John Rettallack e Olga Roriz desenvolveu um notável trabalho no movimento, fazendo deste espectáculo uma experiência única e enriquecedora.

Contos de Shakespeare

Com uma linguagem lúdica e surpreendente, os “Contos de Shakespeare” para crianças, encenados por Cláudio Hochman, são outra proposta que desenvolve a imaginação a partir da obra de um dos maiores dramaturgos de todos os tempos. Quatro actores e dez contos mostram-nos como

é possível contar, de mil e uma maneiras, histórias imortais. O cenário, constituído por doze cubos, como um puzzle, vai mudando à medida que se contam histórias que continuam a encantar e tocar o imaginário infantil.

Maria

Aliando as artes do palco às novas tecnologias de comunicação e informação, “Maria”, com direcção de Miguel Moreira, é outra proposta de interacção com o público. Esta co-produção com o TNDM II, Útero, Espaço do Tempo e Culturproject acredita, no entender do seu criador, que “devemos trabalhar para pequenos homens e mulheres” que se identificam, de forma quase imediata, com a personagem. Maria é uma adolescente de catorze anos que, vivendo a maior parte do tempo fechada no seu quarto, comunica com o mundo através da tecnologia – Internet e telemóvel. “Se, por um lado, esta peça reflecte sobre as questões do corpo, as relações com o outro e as dúvidas que surgem ao longo do crescimento – diz Miguel Moreira – por outro, reflecte sobre a ligação global ao mundo”. Com o apoio dramatúrgico do coreógrafo Rui Horta, “Maria” vai correr o país, desde Montemor-o-Novo, Elvas, Pragal ou Santa Maria da Azóia. RP

“O Memorial do Convento”

ou o desejo de voar Já há marcações feitas até Junho: centenas de alunos do 10º, 11º e 12º não querem perder a oportunidade de ver, no Convento de Mafra, o espectáculo que celebra a obra de José Saramago e nos conta, em versão resumida, a história dos amores de Baltazar e Blimunda e do homem que queria voar A. Ribeiro dos Santos

“O Memorial do Convento”, primeiro êxito do Nobel português José Saramago, já teve direito a uma versão cénica em Portugal, estreada no palco do Teatro da Trindade como resultado de uma co-produção entre aquele teatro e a Companhia de Almada. Pois a partir do mesmo texto, escrito a quatro mãos por Filomena Oliveira e Miguel Real, vai nascer uma nova versão cénica da obra que nos conta a história dos amores de Baltazar e Blimunda e a aventura do homem que um dia, contra tudo e contra todos, decidiu voar. Bartolomeu de Gusmão, o genial e louco criador da passarola - máquina voadora, misto de barco e de pássaro - deseja aquilo que outros também querem: ir mais longe. E mesmo perante a incredulidade dos

seus contemporâneos, garante: um dia, os homens conquistarão os céus e aí reinarão como já reinam na Terra. Segundo Filomena Oliveira, uma das autoras da peça e também sua encenadora, a nova versão do texto não será muito diferente daquela apresentada há uns anos em Lisboa: “Todas as peripécias da obra de Saramago passarão pelo palco, mas em formato reduzido, especialmente a pensar nos ritmos e nas necessidades de um público pré-universitário”. “O Memorial do Convento”, aliás, é matéria para o exame nacional das provas do 12º ano, que antecede a entrada na universidade, o que está a suscitar grande interesse entre a comunidade estudantil. Mesmo antes da estreia, que acontece a 28

deste mês, “O Memorial do Convento” já tem marcações até Junho. Interesse adicional do espectáculo - que é realizado como resultado de uma colaboração entre o TNDM II e o Palácio Nacional de Mafra - será, certamente, o facto de se apresentar no espaço de que fala o “Memorial”: o próprio convento. Com duração de 1 hora e 15 minutos, “O Memorial do Convento” conta com interpretações de Cláudia Faria, Paulo Campos dos Reis e Flávio Tomé, entre outros, tem elementos cénicos e adereços de João Mais e Filipe Araújo e poderá ser visto às quartas, quintas e sextas às 14h00, e aos sábados às 16h00, sempre mediante marcação prévia.

Reservas Serviço Educativo do Palácio Nacional de Mafra

Telf: 261 81 75 50


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Teatro jovem

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Amor de Perdição

De tanto

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Nunca se viu Camilo Castelo Branco assim: o Colectivo Teatral As Entranhas está a apresentar, em horário alternativo, uma versão politicamente (muito) incorrecta do “Amor de Perdição” A. Ribeiro dos Santos

O público do Teatro Nacional não podia ter ficado mais surpreendido: no final de “Amor de Perdição”, que as Entranhas estão a apresentar no Átrio sempre a partir da meia-noite, o elenco inteiro entra em cena para dançar à maneira indiana, com trajes a rigor e música a combinar. Tal qual o fim de um daqueles filmes que deu fama e fortuna a Bollywood - a indústria cinematográfica da Índia. Com o Taj Mahal em pano de fundo, actores e actrizes cantam e dançam, encerrando um espectáculo que se apresenta como um concurso de televisão e que, ao longo de pouco mais de uma hora, procura divertir o espectador a cada segundo com uma sequência de disparates (palavra de origem latina que significa

conjunto de coisas díspares). Os apresentadores de serviço chamamse Clemente (Luís Hipólito) e Julieta (Mónica Garcez) e são eles que, à laia de narradores, nos conduzem através da acção. Trajados à moda dos anos 60, muito loiros e muito pirosos, com uma maneira de falar delicodoce e irritante, apresentam-nos as personagens do drama camiliano e anunciam os momentos-chave da história que se vai passando em cena. No palco improvisado no Átrio - dois estrados com uma passarela pelo meio - vamos reencontrar a triste Teresa (no corpo da actriz Maria João Pereira) e o infeliz Simão (interpretado por Rui Lacerda), a braços com

um drama que já é centenário. Os dois apaixonados, que juram amar-se até que a morte os separe, são sistematicamente impedidos de se verem pelas respectivas famílias, que têm outros planos para os seus futuros. No entanto, em vez de nos entristecer tamanha infelicidade é suposto fazer-nos rir: se o objectivo de Camilo era comover o leitor, o objectivo das Entranhas é divertirnos, reduzindo as personagens a caricaturas e pondo a ridículo a sua maneira de falar e os acontecimentos melodramáticos que marcam as suas vidas. Com figurinos deliciosos do colectivo que nos remetem para o imaginário barroco do século XVIII, e pontuado por música român-

tica do mais piroso que há (a banda sonora vai desde “Wuthering Heights” de Kate Bush a “We’ve got Tonight” de Kenny Rogers e Sheena Easton, passando por Roberto Carlos e Demis Roussos), este “Amor de Perdição” é do mais “kitsch” que imaginar se possa, e tem um registo humorístico que nos remete para o “nonsense”. Um exemplo: o convento é transformado num bordel (!), onde as freiras, vestidas (ou despidas) para seduzir se entretêm com práticas lésbicas e sado-masoquistas. A certa altura, o actor que faz de pai de Teresa (Ricardo Moura), vai visitar o convento mas recusase a fazer a cena. Diz que a freira o aleija... Palavras para quê?


Calendário SALA GARRETT SALA ESTÚDIO SALÃO NOBRE ÁTRIO

SALA EXPERIMENTAL

OFICINA TNDM II

FEVEREIRO 01QUI 02SEX 03SÁB 04DOM 05SEG 06TER 07QUA 08QUI 09SEX 10SÁB 11DOM 12SEG 13TER 14QUA 15QUI 16SEX 17SÁB 18DOM 19SEG 20TER 21QUA 22QUI 23SEX 24SÁB 25DOM 26SEG 27TER 28QUA

Ana e Hanna 18h

O Que Diz Molero 21h

Frozen 21h45

Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h Actor de Teatros (Aderbal) workshop

Escrita Teatral (J.S. Sinisterra) workshop

Ana e Hanna 18h

O Que Diz Molero 21h

Frozen 21h45

Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h Actor de Teatros (Aderbal) workshop

Escrita Teatral (J.S. Sinisterra) workshop Escrita Teatral (J.S. Sinisterra) workshop

Ana e Hanna 18h

O Que Diz Molero 21h

Frozen 21h45

Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h

Ana e Hanna 19h30

O Que Diz Molero 16h

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Pequenos Crimes Conjugais 16h30 Amor de Perdição 19h45 O Actor Teatros workshopworkshop 14h Actor dede Teatros (Aderbal) Actor de Teatros (Aderbal) workshop Actor de Teatros (Aderbal) workshop

Extremadura em Lisboa

Extremadura em Lisboa

Actor de Teatros (Aderbal) workshop

Extremadura em Lisboa

Extremadura em Lisboa

Actor de Teatros (Aderbal) workshop

Extremadura em Lisboa Extremadura em Lisboa Frozen 21h45

Pequenos Crimes Conjugais 21h30

Ana e Hanna 11h

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Pequenos Crimes Conjugais 21h30

Ana e Hanna 11h

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Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h Crónicas (Lobo Antunes) 21h30

Crónicas (Lobo Antunes) 21h30

Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h Crónicas (Lobo Antunes) 21h30

Ana e Hanna 21h30

Frozen 21h45

Ana e Hanna 21h30

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Shakespeare 16h

Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h

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Shakespeare 11h

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Pequenos Crimes Conjugais 21h30

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Shakespeare 10h45 Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h

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Shakespeare 10h45 Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h

Ana e Hanna 21h30

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Shakespeare 16h

Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h

Ana e Hanna 16h00

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Pequenos Crimes Conjugais 21h30

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Pequenos Crimes Conjugais 21h30

SALA GARRETT SALA ESTÚDIO SALÃO NOBRE ÁTRIO

SALA EXPERIMENTAL

OFICINA TNDM II

MARÇO 01QUI 02SEX 03SÁB 04DOM 05SEG 06TER 07QUA 08QUI 09SEX 10SÁB 11DOM 12SEG 13TER 14QUA 15QUI 16SEX 17SÁB 18DOM 19SEG 20TER 21QUA 22QUI 23SEX 24SÁB 25DOM 26SEG 27TER 28QUA 29QUI 30SEX 31SÁB

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Shakespeare 10h45

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Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h

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Shakespeare 11h

Pequenos Crimes Conjugais 16h30 Amor de Perdição 19h45

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Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Shakespeare 10h45

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Shakespeare 10h45 Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h Shakespeare 10h45

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Shakespeare 11h

Pequenos Crimes Conjugais 16h30 Amor de Perdição 19h45 Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Antena 2 concerto 19h

Shakespeare 10h45

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A Filha Rebelde 21h30

Shakespeare 10h45 Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h Shakespeare 10h45 Pequenos Crimes Conjugais 21h30 Amor de Perdição 24h

A Filha Rebelde 21h30

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A Filha Rebelde 16h00

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A Filha Rebelde 21h30

Bestas 21h45

Shakespeare 10h45 Pequenos Crimes Conjugais 21h30

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A Filha Rebelde 21h30

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Pequenos Crimes Conjugais 21h30

Preços>

Sala Garrett de €7,50 a €15,00 <> Sala Estúdio €10,00 <> Salão Nobre €12,00 <> Átrio €8,00

Descontos>

Dia do Espectador (5ª feiras) - 50% de desconto Bilhete do Dia - entre as 13h00 e 14h00 - €5,00 (limite 60 bilhetes Sala Garrett; 10 bilhetes Sala Estúdio)

Até 25 anos + de 65 anos e grupos + 15 pessoas - 30% de desconto Descontos para grupos - entre 30 a 40% de desconto

RESERVAS>

Reservas@teatro-dmaria.pt Reservas> 21 325 08 35 Informações> 21 325 08 27/8

www.teatro-dmaria.pt


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1h30

Entrada Livre em todos os espectáculos. Disponibilidade sujeita à lotação das salas, mediante levantamento prévio do bilhete

Ana e Hanna John Retallack

Pequenos Crimes Conjugais

de

António Feio

encenação Com Rita Calçada Bastos e Vânia Sala Garrett 6ª e sáb. 18h00 dom. 16h00

Frozen Presos no Gelo Bryony Lavery

de

MARCIA HAUFRECHT

encenação Com Lídia Franco, Suzana Borges, Bruno Schiappa e João Pinto Nogueira Sala Estúdio

Eric-Emmanuel Schmitt

JOSÉ FONSECA E COSTA

de

Até 4 Mar.

SALA

LA GA

3ª a SÁB. 21H45 DOM. 16H15

Amor de Perdição

encenação Com Margarida Marinho e Paulo Pires

Até 1 Abr.

Salão Nobre

3ª a Sáb. 21h30 Dom. 16h30

AJoséFilha Rebelde Pedro Castanheira e Valdemar Cruz de

Helena Pimenta

ou good bye my love good bye as long as you remember me I’ll never be too far

encenação

a partir de

Norte, Lídia Franco, Marques d’Arede, Raquel Dias, Alexandre Ovídio, Jaime Vishal, Rui Quintas, Sérgio Silva, Joana Brandão, Amílcar Zenha, Anabela Teixeira, José Neto, Célia Alturas, Nádia Santos, Manuel Coelho, Bibi Gomes e Eurico Lopes

Camilo Castelo Branco

VERA PAZ e RICARDO MOURA

encenação Com Maria João Pereira, Mónica Garcez, Patrícia Faustino, Vera Paz, Luís Hipólito, Paulo Lázaro, Ricardo Moura, Rui Lacerda e Sérgio Grilo

Até 18 Mar.

Átrio 5ª a SÁB. 24H00 DOM. 19H45

versão cénica Margarida Com Ana Brandão, Vítor

Fonseca Santos

15 Mar. a 20 Mai. SALA GARRETT 3ª a SÁB. 21H30 DOM. 16H00

Crónicas de António Lobo Antunes

oficina “O Actor de Teatros” Apresentação pública e debate com Aderbal Freire-Filho> 14, 15 e 16 Fev. Sala Experimental >

21H30


Jornal do Teatro