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Sumário Ficha Técnica Capa Vânia Vasco Fotografia Pedro Dias Make Up Artist Ivânia Faria Assistente Ivânia Faria

Direção Equipa 3F’s Desing Gráfico Ivânia Faria Relações Públicas Alexandra Lopes Fotógrafos Pedro Dias e Ivânia Faria Colaboradores e Editoriais Alexandra Lopes, Carlos Morgado, Pedro Dias, Filipa Silva, Ivânia Faria, Hugo Brito, Quico Jesus Contacto Revista3fs@gmail.com Periodicidade Mensal


Índice Desporto

4

Pensamentos e Devaneios

7

Arquitetura

8

Entrevista

10

Portefólio

16

Dark Side

32

Música

40

Portugal em Fotografias

42

Soalho de Folhas Soltas

47

Capa Vânia Vasco

48

/3fsrevista


Desporto André Filipe Narciso Venda, é desportista de competição nacional e internacional na modalidade de handcycling(ciclismo adaptado), residente no distrito de Aveiro. O seu percurso desportivo passou por modalidades como basquetebol, voleibol, ténis, ténis mesa, downhill, entre outras. Um acidente de viação veio trazer-lhe uma inesperada paraplegia mas, seguindo a sua forte paixão pelo desporto, veio a descobrir o handcycling(ciclismo adaptado), modalidade a que se adaptou rapidamente e na qual progrediu com sucesso. Todo o empenho e treino levaram-no a conquistar merecidos lugares em pódio,

desenvolvendo e consequentemente coordenando as suas capacidades e ambição para apostas em competições internacionais. A alta competição

com André Venda

faz parte do seu horizonte e das metas que pretende alcançar, tendo no seu curriculum em handcycling(ciclismo adaptado) a representação de Portugal na Taça do Mundo de Para-Cycling, em Segovia no ano de 2010 e também no ano de 2012, além de ter ocupado lugares de pódio em provas nacionais como referenciado.

Está filiado ANDDEMOT –

na Associação Nacional de Desporto para Deficient es Motores, desde o ano de 2009. A sua participaç ão nas provas do quadro competitivo da ANDDEMOT enquadra o Campeonato Nacional de Ciclismo e, desde 2011, o Projecto Esperanças Paraolímpico.

Para a obtenção das condições necessárias e apropriadas para participar nas provas internacionais de apuramento para os Jogos Paralímpicos, é de extrema importância o incentivo dado por empresas através de patrocínios.


Um percurso… Um percurso de desporto, um percurso de competição. Basquetebol, voleibol, ténis, ténis mesa…entre outros. Foi aos 17 anos que descobri, para além do gosto pelo downhill, o verdadeiro gosto pela competição. Empenho, dedicação, espírito de sacrifício e muito treino levaramme a voos mais altos e a ocupar lugares de pódio. Ao fim de dois anos de competição o inesperado aconteceu: um acidente de viação quando ia a caminho do

trabalho deixou-me com uma paraplegia.

incapacidade (handcycling).

À medida que me ia reencontrando, fui descobrindo que tinha a possibilidade de fazer tudo o que fazia antes, embora com algumas limitações. Foi assim que fui conseguindo encontrar o equilíbrio necessário para continuar. Após alguns anos, e sempre com ambição de chegar mais alto e mais longe, descobri a aptidão para um desporto que já mais pensaria praticar com o meu grau de

Não pensei chegar de uma forma tão rápida ao patamar que estou hoje e com tão alto nível de progressão num período de tempo tão reduzido. Neste seguimento, após ocupar lugares de pódio em provas nacionais, em 2010 representei Portugal na Taça do Mundo de Para-Cycling, em Segovia.

o

ciclismo

Um objetivo… Um objetivo em que acredito, um de fundamental importância o conseguirei obter todas as objetivo em que depositarei todo carinho e o respeito que a condições necessárias para meu interesse e dedicação. ANDDEMOT deposita em mim e participar nas competições Aspirando um melhor neste projeto. É também internacionais que são desenvolvimento como atleta imprescindível o incentivo dado necessárias para o apuramento nos Jogos Paralímpicos, assim por empresas através de para os Jogos Paralímpicos. como noutros eventos nacionais patrocínios, para atingir uma e internacionais, entendo que é melhor performance. Só assim O André está à procura de Patrocinadores, se você quer ser um, contacte para: andrevenda2011@hotmail.com


Pensamentos e Devaneios

com Alexandra Lopes

O que é isso de tempo? Ou porque é cedo, ou porque é tarde. Ou porque é rápido..ou porque demora. Dura muito ou porque não dura tempo nenhum. Esperar…ou avançar. Ou porque “deve” ser assim ou porque “podia” ser de uma outra forma. De uma forma geral, há sempre aquele péssimo hábito de rotular coisas, tempos, espaços e até mesmo pessoas no nosso redor. Há quem se castigue simplesmente porque obrigatóriamente as coisas têm de ser pensadas centenas de vezes antes de dar meio passo para frente e que no fundo isso nunca

chega a acontecer, logo três passos para trás foram dados e provávelmente, uma oportunidade perdida de algo que tinha tudo para ser de bom. Há quem pense demasiado,(como eu já o fiz) e por isso mesmo, ficou apenas aí, num pensamento. Há quem viva mais o momento e se surpreenda com a sua intensidade. O valor das coisas não estão em se são ou não rápidas ou duradouras, mas sim na sua forma de ser vivida.


Era uma vez a arquitetura...

… e as batatas com caril

Aparentemente, caril nada tem que ver com arquitetura, mas na realidade esta especiaria tempera muito bem uma habitual discussão arquitetónica relacionada com a arquitetura de carácter regional, específica de uma zona versus uma arquitetura “internacional”, de elementos e técnicas construtivas modernas. Do meu ponto de vista, defender uma arquitetura puramente regional seria como dizer que na culinária Portuguesa só poderíamos usar sal para temperar porque, por exemplo, o caril só foi introduzido na Europa por volta do séc. XV ou da mesma forma, não poderíamos usar batatas

porque estas são originárias da América do Sul e só foram introduzidas na nossa alimentação no séc. XVI. Obviamente, o contrário – defender uma arquitetura

dão um bom conforto ambiental no Inverno bem diferente de um delicado caixilho de ferro ou madeira com um vidro simples. Podemos, enquanto arquitetos, olhar para uma fachada toda em vidro inspirada num Seagram building de Mies van der Rohe e apreciar a beleza do edifício, mas decalcar essa solução no nosso clima sem pensar nos custos de arrefecimento/aqueci mento dos espaços interiores é algo próximo de querer que as pessoas que vivem nesses edifícios comam gelados no verão e caril no inverno para poderem lá habitar.

puramente “internacional”, de extensas fachadas de vidro – seria como defender que teríamos que comer batatas com caril ao pequeno-almoço, ao almoço, ao lanche e ao jantar! Podemos enquanto arquitetos, admirar a beleza de uma obra de Luis Barragan, de caixilharias deliciosamente diminutas, mas teremos sempre que considerar que fazê-lo nas condições climatéricas do México é muito diferente de fazê-lo em Portugal onde, apesar do clima moderado, um bom caixilho com corte térmico e vidro duplo nos

Casa Luis Barragan, Luis Barragan Seagram building, Mies van der Rohe


A problemática de importar técnicas e estéticas prende-se sobretudo com questões de excesso e adequação às condições locais. Não podemos ( ou se calhar, apenas não devemos :-) )

comer batatas com caril todos os dias, mas negar incluí-los na nossa vida é também negar todo um processo da própria Humanidade de evolução e crescimento conjunto, de inclusão e enriquecimento da

própria cultura arquitetónica e da melhoria das condições de habitação das pessoas.

Hugo Brito, arquiteto


E ntrevista

com Alexandre Coelho

Natural: Aveiro Idade: 27 Data Nascimento: 8 de Janeiro de 1985 Signo: Capricornio

3F’s:Quando é que descobriste que querias ser modelo? A.C: Antes de ter o meu acidente já gostava ter sido mas nunca me dediquei a 100% porque tinha também a grande paixão por motos e ,por vezes não dava para conciliar as duas .

3F’s:Tiveste apoio da tua família para seguir essa carreira? A.C: Sim, a família sempre me apoiou e apoia ,e gosta mais desta área do que as motos. É menos perigoso (risos) E minha mãe adora me ver em fotos ,acho que é a minha fã n1 .

3F’s:Quais os teus projectos e ambições profissionais? A.C: A minha ambição e ir o mais longe possível, mas sem passar por cima de ninguém e sem problemas ,e os projectos é participar no maior números possível de eventos de moda, dar a minha cara em todo o tipo de campanhas de marcas de roupas perfumes quem sabe .Mas um

projecto que adorava fazer era ser cara de campanhas rodoviárias, adorava dar o meu testemunho de vida . 3F’s:Quem sabe, desta entrevista surgir um convite para fazer uma campanha rodoviária. 3F’s: Como correu a 1ª vez enfrente à câmara? Muito nervoso? A.C.: Sim, a primeira vez estava muito nervoso ,acho que é normal sentir este nervoso, porque quero sempre dar o meu melhor ,mas sinto que com mais trabalhos o nervosismo vai se perdendo .

3F’s: Já fizeste desfiles, gostaste da experiência? A.C: Antes do acidente sim ,mas agora nunca fiz ,mas claro que adorava ter essa oportunidade um dia .

3F’s: O que gostavas de fazer no mundo da moda e que ainda não surgiu oportunidade de fazer? A.C: Fazer trabalhos para marcas como marketing adorava claro ,dar a cara por uma marca acho que qualquer modelo adorava fazer e ter o prazer, e claro

fazer desfiles sentir a sensação de entrar numa passerelle.

3F’s: És um homem vaidoso? A.C: Sim, sou um pouco (risos), todos devemos ser um pouco e cuidar sempre da imagem é super importante neste Mundo .

3F’s: Qual o momento mais marcante neste percurso pela moda? A.C: Foi ver as minhas primeiras fotos na cadeira de rodas ,adorei a sensação foi como tivesse nascido de novo para o mundo ,nunca mais me vou esquecer na vida .

3F’s: Há alguma situação caricata? A.C: Até agora nada de especial ,mas sinto que a ainda a alguma descriminação por ser modelo em cadeira de rodas, mas penso que isso vai mudar em breve.


3F’s: Para ti, qual é o maior problema da nossa sociedade? A.C: É como disse na pergunta anterior ,alguma descriminação por ser modelo em cadeira de rodas, mas tenho sido muita acarinhado pelos amigos e pelo público, têm sido fantásticos comigo ,disso não me posso queixar, graças a Deus .

amigos e ter construído a minha própria casa ,é uma sensação tão boa ter o meu lar.

3F’s: Como é o teu dia-a-dia? A.C: O meu dia a dia é começar nas tarefas de casa ,vir um pouco ver as actualidades do mundo da

3F’s: Quando olhas ao espelho, o que vês? A.C: Vejo uma pessoa cheia de sonhos e cheia de força, pronto para ajudar o próximo sem querer nada em troca, no que poder vou dar o melhor exemplo para a sociedade. Sempre simples e humilde, o Alex Coelho que todos conhecem.

3F’s: Qual é o teu maior vício? A.C: Ser muito agarrado a família ,sem eles a minha vida não faria sentido nenhum .

3F’s: O que ninguém sabe sobre ti? A.C: Que estive 3 anos com medo de voltar a conduzir.

3F’s: A tua maior conquista até hoje? A.C: Voltar a ter o mesmo sorriso para toda a minha família e

moda das motos e da sociedade. Ir ter com a família, faço isso todos dias também vivem perto, que facilita, e claro adoro fazer sempre um pouco de ginásio e estar com os amigos.

3F’s: O que te inibe? A.C: Devia de confiar mais em mim próprio ,mas aos poucos estou a conseguir fazê-lo .

3F’s: O que te faz feliz? A.C: Muitas coisas mesmo, estar vivo por exemplo, com ou sem cadeira. Estar vivo é uma felicidade enorme ,depois claro vem a família amigos ,e todas as coisas que tenho feito ate hoje . 3F’s: Recentement e foste à Televisão, ao Programa da RTP, Praça da Alegria. Como foi a experiência e como surgiu a oportunidad e? A ida a Tv surgiu através de um convite pelo facebook de um dos membros da Academia RTP1, Saltar Barreiras. Gostou muito da minha história de vida e do meu perfil ,onde começamos a falar e a preparar todos os pormenores para avançarmos para as primeiras gravações. Estivemos dois dias em gravações onde


adorei a expriencia, pois nunca tinha feito algo em tv. A equipa foi fantástica comigo e adorei muito a expriencia, principalmente o directo, acho uma emoção muito forte ver-me ali a dar o nosso testemunho de vida para tanta gente que nos esta a ver em casa na sua televisão, é uma sensação tão forte que nunca mais nos esquecemos mas que adorava repetir, e claro espero ter conseguido passar a mensagem que a vida não acaba na cadeira de rodas. E que temos que continuar com os nossos sonhos e projectos de vida. Força a todas as pessoas com mobilidade reduzida e um muito obrigada a toda a Academia da RTP1 .

A.C: Azul.

3F’s: Um desejo? A.C: Continuar a ter a minha família e amigos muito pertinho de mim, são o meu pilar de vida.

3F’s: Uma música? A.C: Rihanna - Diamonds

3F’s: Um livro? A.C: Saúde e Bem Estar.

3F’s: Um filme? A.C: Amigos Improváveis .

3F’s: O que é mais sensual para ti? A.C: O olhar ,adoro o olhar.

3F’s: Uma imagem? A.C: Adoro a imagem da Nossa Senhora de Fátima .

3F’s: Uma cor?

3F’s: Personalidade que mais admiras? A.C: A estilista Fatima Lopes

3F’s: Prato Favorito? A.C: Bacalhau assado batatas a murro .

com

3F’s: Destino de sonho? A.C: Estados Unidos da America.

3F’s: Para além de respondere s ás nossas perguntas, o que gostavas de dizer mais? A.C: Quero agradecer em primeiro lugar pela a entrevista adorei o tipo de perguntas. E claro quero continuar a ter oportunida des de vingar no Mundo da Moda e nas Campanhas Rodoviarias, era um sonho mesmo continuar a dar a cara por bons motivos. Quero também agradecer a toda a minha família e aos meu amigos que me tem apoiado e nunca me deixaram de parte, e também


agradeço muito ao meus amigos virtuais mesmo não os conhecendo são fantásticos comigo, faço questão de ir todos dias um pouco ao facebook falar com eles. E um grande obrigado a todos os fotógrafos e agências que trabalhei e espero vir a trabalhar, um grande abraço e beijo do Alex Coelho.


Dark Side

com Carlos Morgado


Música Entrevista com:

3F’s: Quem são os Kameleon? K: Os KAMELEON são uma banda de Lisboa que se juntou para tocar tudo que fosse género de rock... desde que ele que seja sempre melódico, pesado, original.

3F’s: Como nasceu a banda? K: A banda nasceu de uma procura do nosso baixista por um guitarrista solo. Jorge Canela candidatou-se ao lugar oferecido pelo Fernando Santos, e estavam criadas as bases para o surgimento dos KAMELEON. O que começou por ser um projeto a dois, redunou na adição de membros ao longo do tempo: Ricardo Reis, Hugo Torrado, e mais recentemente Gil Rosa.

3F’s: Porquê o nome? K: O nome KAMELEON resulta do facto de sermos uma banda que cobre todos os géneros de rock, metal, prog rock... uma fusão de estilos que mudam ... uma reflexão daquilo que nos rodeia, de modo a ficarmos parte das mudanças à nossa volta.

3F’s: Como se define o estilo da banda? K: Rock, metal, progressivo, neoclassico... talvez seja melhor serem vocês a decidir.

3F’s: E concertos? Como está a agenda? K: Estivemos dia 16 de Novembro em Torres Vedras - num concurso musical na região, no Cais Bar A agenda de concertos começa agora a ficar preenchida. Temos uma data agendada para a Sociedade Filarmónica de Comércio Indústria da Amadora, dia 1 de Dezembro. Temos ainda um concerto no dia 23 de Novembro com os Royal Blasphemy a abrir, no bar do antigo guitarrista dos Delfins, Fernando Cunha, em Cascais – Rock’n’shots.

3F’s: Os Kameleon interagem com os fãs, pelas redes sociais? K: Os KAMELEON interagem com os fãs através das redes sociais, nomeadamente pela sua página no Facebook - página essa que é

frequentemente actualizada www.facebook.com/kam3leon

3F’s: Quais são as vossas principais influências? K: As principais influências da banda, a serem aqui descritas davam uma lista enorme. Vão desde a música clássica até ao trash dos anos 80, Prog rock dos anos 70, bem como metal progressivo mais recente. Os membros tem influências diversas, que cobrem deste um vastro espectro: fusão, pop, rock, Hard rock, punk...

3F’s: Como foi o vosso trajecto como banda até aos dias de hoje? K: Depois de formada a banda, começámos a trabalhar na maquete do álbum, gravámos o álbum, e só depois do álbum terminado fomos para sala de ensaios. Agora, estamos preparadissimos para o palco.

3F’s: Têm um novo elemento, que entrou há pouco tempo, como foi? K: A entrada de um novo membro foi um processo demorado. Ao fim


de 38 audições chegámos a este resultado. Apareceu uma pessoa com as capacidades suficientes para o lugar. Muitos guitarristas fizeram audição, mas poucos apareceram realmente a tocar e com a dedicação necessária que implica o estudo destes temas (nada simples).

3F’s: Qual o lugar mítico para a banda? K: A 1.ª sala de ensaios.. tal como geralmente acontence, é numa pequena garagem que tudo começa.

3F’s: Em que palco sonham actuar? K: Em todos os grandes festivais de música… a fim de mostrarmos, ao vivo, a verdadeira “garra” da banda.

3F’s: Vocês são de Lisboa, mas já têm fãs noutros locais? K: Sim. Especialemente no norte do país, devido às rádios locais e aos programas de autor, tais como o Templo do Rock (Radio Mangualde).

3F’s: As músicas são todas em Inglês? Porquê? K: Porque pretendemos alcançar o mercado externo. Esse é o nosso alvo principal.

3F’s: Como vêm o actual estado da música em Portugal? K: Inexiste mercado (e é só).

3F’s: Que objectos gostariam de alcánçar a curto/médio prazo? K: A divulgação do nosso CD nos mercados Europeus e NorteAmericano. A partir daí, fazer o maior número de espectáculos possível.

3F’s: Há alguma situação caricata? K: Coforme já referido, os guitarristas que chegavam à auição sem saber tocar guitarra; vocalistas esquisofrénicos; o nosso baterista que rompeu a pele da tarola no 1.º concerto da banda; e o nosso guitarrista que teima em não quebrar a tradição de partir uma corda em cada ensaio (especialmente o MI grave!).

3F’s: Como foi lançar este primeiro álbum? (Homónimo) K: O Álbum Homónimo, foi um processo relativamente simples. Foi uma coisa sem pressa, que se foi desenvolvendo ao longo do tempo. Tivemos uma grande ajuda da pessoa que misturou CD conjuntamente com Jorge Canela, Tó Pinheiro e foi um conjugar fácil de ideias que já estavam bem presentes na nossa consciência musical.


Soalho de Folhas Soltas

com Filipa Silva

Forasteiro da vida Não descalças as botas enlameadas dos combates que travaste em ruas sem calçada recusaste a percorrer atalhos desbravados nesse olhar desafiante, de sorriso trocista Vives do mundo sem te apresentares puro eremita carregas contigo a sorte da Roda da Fortuna Não precisas de pinturas de guerra no rosto a guerra faz se em ti, sem desertores no inconformismo que a vida tenta vestir a todos Distingues te… não pela pequenez da sombra física, mas sim pela sombra…bem mais alta… reflectida do espírito. Sabes de cor o retrato que os outros te tiram e ensaias sorrisos em poses, num capricho de artista porque a ilusão é espelho de desejos lançados …espelho esse, que deixas encostado à parede para que os outros se julguem. Tua quietude é pura descrença em deuses, sentado na ponta do promontório do abismo os julgamentos dos outros pouco te acrescentam… Muitos te acharam perceber, fazendo retratos sobre papéis químicos… Mas tu, forasteiro não caminhas em idolatrações recusas o arame farpado dos gestos recusas a subordinação das palavras Apenas… carregas contigo as lanças que da tua pele fizeram alvo num orgulho farsante de quem ainda não sucumbiu

Lambes o doce das vitórias na palma da mão e sentes prazer no paladar de seres incompreendido. Embrulhas prazeres nessa alma de saltimbanco não acreditas em humanos, mas sim em poetas não acreditas em bandidos mas em feridos incuráveis. Forasteiro da vida escondes de todos, com mãos cúmplices atrás das costas, o mapa do trajecto dessa solidão que albergas dentro de ti."

Texto de Filipa Silva


Nr2. Revista Dezembro  

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