Issuu on Google+

1ª Edição - jun de 2009 Distribuição Gratuita

HISTÓRIA DOS QUADRINHOS NO DF PORTFÓLIO: ILUSTRATIVA ENTREVISTA: ZIRALDO

Wolve - Wolverine por Newton Scheufler Revista 2x2


Editorial Histórias em quadrinhos, ilustrações feitas nas paredes com spray, com lápis ou vetorizadas na última onda de softwares para computação gráfica. Tiras, charges, desenhos para valorizar os jornais e aumentar as vendas. Colagem, camadas, idéias e rostos que se multiplicam nas diversas manifestações gráficas. A Revista 2x2 traz ilustrações de profissionais conceituados, apresenta quem dá os primeiros passos e resgata fatos especiais e decisivos para a história da ilustração do DF. Esta primeira edição não irá resumir todas as tendências ou todos os nomes da ilustração no DF. O cenário é amplo e variado, seria ingenuidade acreditar que em apenas 16 páginas fosse possível apresentar ao leitor tudo o que é feito. Vamos por partes. Agora, começaremos com atenção especial aos quadrinhos e nas próximas edições falaremos sobre graffiti, design, e mais. Outros rostos, novos personagens. Continue a leitura e se surpreenda com o talento e profissionalismo destes ilustradores, descubra qual é a opinião do Ziraldo sobre o mercado de ilustração e sobre o Mangá, conheça a história das HQs no Distrito Federal, dê uma olhada na participação dos leitores do traço e confira a oferta, Grátis: logotipos, ilustrações e artes do Morandini! Um grande abraço e ótima leitura! REVISTA 2X2

{Sumário História das HQs no DF

pág 12

Resenha: Quadrinhos e Arte Sequencial

pág 14

Os +5 no mangá

pág 9

©1

pág 14

©1

pág 15

Entrevista: Ziraldo 2x2

©1Divulgação

Leitor do traço

pág 2 pág 16

©1

Portfólio: Ilustrativa

Artista da Capa

Grátis: Logotipos, ilustrações e artes

pág 5

©1 ©1

}

Reportagens Ilustrações Projeto gráfico Diagramação

Expediente} Revisão: FABIANE LOPES E MONICA BISI

TAMYRIS AMARAL

Capa: NEWTON SCHEUFLER Logo: THIAGO Revista 2x2 ABREU

Fotos: LUIS FELIPE ROCHA Colaboração:

MORANDINI ELVIS QUEIROZ

2x2 é uma revista independente. Publicação bimestral. Distribuição gratuita. Impressão: ATHALAIA - GRÁFICA E EDITORA Tiragem: 30 exemplares

Para anúncios: (61) 8146-6949, com TAMYRIS AMARAL

E-mail: revista2x2@gmail.com


ENTREVISTA

{

Ilustração: Tamyris Amaral

ZIRALDO 2x2

©1

Faceiro, o mineiro de Caratinga, aos 77 anos fala sobre a experiência editorial de O Pasquim, Bundas e Pasquim 21. Lembra de seu primeiro desenho publicado no jornal A Folha de Minas quando tinha seis anos de idade e, com objetividade, deixa sua impressão sobre o Mangá.

Ilustrador, cartunista, designer, cartazista, jornalista, roteirista, pintor, escritor de peças e livros infantis. Em dezembro do ano passado, Ziraldo ganha o Prêmio Quevedos, da Universidade de Salamanca, na Espanha, o maior para cartunistas de língua hispânica. Para Ziraldo não faltam idéias. Participou do Pasquim, onde foi personagem atuante no semanário que encontrou no humor e na molecagem a saída para lidar com a ditadura. O Pasquim fecha. Em 1999, Bundas reúne a equipe mais uma vez, agora contra a futilidade. Sempre com os olhos bem abertos para a política nacional, os lemas

eram: “Quem mostra a bunda em Caras não mostra a cara em Bundas” e “Bundas, a revista que não tem vergonha de mostrar a cara”. Sem patrocínio as dívidas se acumularam. Nos anos 90, Ziraldo tenta relançar o Pasquim, dessa vez como Pasquim21, mas a publicação dura pouco tempo. Em 2000, encabeça a revista Palavra, que logo fecha por não conseguir se manter economicamente. Hoje, Ziraldo vive um momento de maior dedicação aos livros infantis. Sua viagem à galáxia está apenas começando. Para cada planeta da Via Láctea uma história, um livro. Revista 2x2

3


Quando criança, Ziraldo brincava de soldado, e no lugar do chapéu de papel usava uma panela

DURANTE SUAS PARTICIPAÇÕES EM CONGRESSOS POR TODO O PAÍS, EM QUAIS ESTADOS VOCÊ NOTA UMA PRODUÇÃO MAIS CONSOLIDADA ALÉM DO EIXO RIO-SÃO PAULO? Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba. Os cartunistas gaúchos são fantásticos. O pessoal de artes gráficas de Minas e de Curitiba estão entre os melhores do mundo. QUAIS SÃO OS DONS E OS PECADOS DO ARTISTA GRÁFICO BRASILEIRO? O tal dom principal é a capacidade que a turma tem de sacar o que há de bom no mundo e fazer igual ou melhor, sem ter escolas ou professores à altura dos seus talentos. Os pecados não são deles, são do país onde vivem. Talvez pudéssemos citar o pecado de se deixar influenciar pelos colonizadores em vez de procurar caminhos próprios. Quero dizer, é um palpite. COMO SERIA UM PORTFÓLIO INTERESSANTE? Onde se pudesse constatar a competência e a criatividade. ALIÁS, VOCÊ AINDA GUARDA O SEU PRIMEIRO DESENHO PUBLICADO, QUANDO TINHA APENAS SEIS ANOS DE IDADE? QUAL ERA O TEMA DA ILUSTRAÇÃO? Era um tatu que a minha mãe me ensinou a desenhar. Eu tinha seis anos e a mãe sacou qual era a minha.

©Ziraldo

O PASQUIM FOI A REPRESENTAÇÃO MEMORÁVEL DO JORNALISMO ALIADO AO TRAÇO. O QUE FOI MAIS DIFÍCIL DE ENFRENTAR? O mais difícil de enfrentar, é claro, foi a ditadura... E seus simpatizantes, queimadores de bancas, jogadores de bombas. O problema é que eles eram a razão da existência do nosso jornalzinho. QUAIS DIFICULDADES ENVOLVERAM A REVISTA BUNDAS? Ninguém anunciou na revista. Sem anúncio, ela, o Pasquim21 e a revista Palavra, onde os mineiros mostravam que eram bons de revista mas péssimos de patrocínio, viraram um enorme prejuízo. Mas valeu a pena, porque deixaram a marca

4

Revista 2x2


de sua presença na história da imprensa brasileira. PARTICIPAR E LIDERAR TANTAS PUBLICAÇÕES IMPORTANTES DEIXARAM QUAIS EXPERIÊNCIAS E OPINIÕES SOBRE A IMPRENSA E A POLÍTICA NO BRASIL? Como diria o Drummond, que não dava entrevista: “Leia os meus poemas. As respostas estão todas lá.” É verdade que eu não faço poemas mas minha vida – por exibido que sou – é um livro aberto. As respostas estão aí. E DENTRO DE UM JORNALISMO CHEIO DE CLONES E REPORTAGENS EXAUSTIVAMENTE REPETIDAS, QUEM SÃO OS CARTUNISTAS QUE ILUMINAM A MENTE DO LEITOR BRASILEIRO?

Ah, tem um monte. Não há um só jornal do Brasil, hoje, que não tenha o seu chargista. Isto foi resultado da influência do pessoal do Pasquim, o primeiro. O Pasquim21 também lançou muita gente boa. SEU TRAÇO É SINGULAR, É A PERSONIFICAÇÃO DO ZIRALDO. POR QUAIS FONTES VOCÊ BUSCOU INSPIRAÇÃO? Millôr era absoluto como padrão de qualidade na imprensa brasileira de seu tempo. Aí, apareceram o Fortuna, o Claudius, o Jaguar e eu. Bebemos todos nas mesmas fontes: New Yorker, Punch, Paris Match, Graphis. André François, Ronald Searle e, last but not least (por último mas não menos importante), Steinberg. E QUAL É A SUA OPINIÃO SOBRE O MANGÁ, ZIRALDO?

Ziraldo e Naruto em

O que acha do mangá?

Saiba mais sobre o trabalho de Ziraldo: www.ziraldo.com.br Almanaque do Ziraldo Revista 2x2

5


PORTFÓLIO

{Marcelo, ou melhor, Marceleza

A Ilustrativa é uma das poucas empresas de ilustração do Distrito Federal. Eduardo, Marcelo e Santiago representam a profissionalização do ilustrador. Entre burocracia e prazos apertados os três abriram as portas e trabalham para clientes de responsabilidade no mercado publicitário e editorial.

©Marceleza

“A IMPRESSÃO QUE A GALERA TEM É QUE VOCÊ SENTA NA PRIVADA E DESENHA. NÃO QUE A GENTE NÃO FAÇA ISSO, MAS DESENHAR PARA UMA CAMPANHA EXIGE PESQUISA”. “O meu sonho sempre foi desenhar para revista. Fiz Desenho Industrial. Comecei a fazer trabalhos para publicidade. Aí, depois veio a chance de participar do Ilustrando da Abril. Levei portfólio e agora desenho para revistas. Mas eu quero mais, até para crescer e melhorar”.

Revista 2x2


{Eduardo Belga

Entre 2003 e 2005, surge a Ilustrativa, uma empresa de ilustração. Mas cada um tinha o curso superior e outro emprego para tomar conta. No final de 2005, a Ilustrativa fechou, mesmo assim continuaram com os trabalhos de free lancer. Nesse período, Eduardo Belga resolve montar um ateliê em casa. A iniciativa, aos poucos, voltou a reunir os amigos e junto a vontade de retomar a empresa.

Logo Eduardo Belga é convidado pelo Grupo Magneto para liderar os trabalhos de ilustração. O convite foi aceito, mas junto iria a Ilustrativa.

Revista 2x2

©Eduardo Belga

A ilustração seguiu como atividade secundária até agosto do ano passado, quando os estudantes de Artes Plásticas, Eduardo Belga e Santiago, o San, junto com Marcelo, o Marceleza, estudante de Desenho Industrial, todos pela UnB, se reuniram em nome da Ilustrativa.


{Santiago, ou também San Com apenas um ano, realizam trabalhos para a editora Abril (Mundo Estranho, Super e História), para Caixa Econômica Federal, Havaianas e várias agências de publicidade. Segundo os três ilustradores, a característica mais interessante da Ilustrativa é que cada um tem seu estilo, e total liberdade para explorar o seu traço. “Entramos sem caixa, sem investimento. A gente precisou entrar num ritmo alucinante para pagar as despesas. Foram três meses sem fim de semana. ”.

©San

“EXISTE DEMANDA SIM PARA ILUSTRAÇÃO, TANTO QUE NÓS NÃO TEMOS DADO CONTA. NOSSO OBJETIVO É CONSEGUIR ORGANIZAR TODA A LOGÍSTICA PARA CHAMAR MAIS GENTE. DESDE DE AGOSTO PARA CÁ, NÃO FOMOS À NENHUMA AGÊNCIA APRESENTAR O NOSSO TRABALHO, E MESMO ASSIM ESTAMOS NA CORRERIA”.

Revista 2x2

www.ilustrativa.com.br


CAPA

{

HQs no DF

Com Lampião de olho no Superman amarrado, começou a luta dos quadrinhos no DF pelo leitor candango

E

m circuitos fechados, bibliotecas ou universidades os quadrinhos brasilienses se reafirmam para o Brasil e o mundo. Se o mercado é inexistente como os personagens desta matéria afirmam, a vontade de produzir é maior. Dois trabalhos candangos concorrem ao Troféu HQMix* nas categorias, Publicação Independente de grupo - Samba, e Projeto Editorial - o Calendário Pindura 2009. Ainda estão previstas para este ano duas revistas em quadrinhos do ilustrador Nestablo Ramos, que na busca pelo seu lugar no mercado aprendeu a fazer roteiros e a negociar direto com as editoras. Os dias de hoje são difíceis, agora imagine fazer quadrinhos nas décadas de 60 e 70, durante a ditadura militar. Ainda assim uma onda de revistas de quadrinhos e de salões de humor se expalhou pelo país na época. “Apesar do medo e da censura, de Mickey e de Tio Patinhas, sonhava-se e lutava-se. E se acreditava na poesia e na utopia, cuja rima não era uma solução – era uma necessidade política e existencial (mesmo com toda a desesperança às vezes dominante...)”, resume Moacy Cirne em seu texto O Bicho e outros bichos. No meio de seu discurso, Cirne lista revistas que foram atuantes naquele momento. Entre os 30 exemplos surge a única representante brasiliense – Risco.

Risco foi a primeira HQ produzida em Brasília. Publicada no final da década de 70, contou com o traço e criatividade de Jô Oliveira, Racksow, Siroba, Oscar, Joanfilly, Caco, Lopes, Ciça Fitipaldi, entre outros. “Ge Alho não me lembro, Bravo também, Duarte vive até hoje em Brasília, Caco não me lembro, Giraffa é arquiteto e vive até hoje em Brasília, Lopes foi o maior desenhista da década de 70 no Correio Braziliense, Ciça Fitipaldi hoje é uma grande ilustradora, César não me lembro, Kika também não recordo”, Jô Oliveira tenta

relembrar os nomes ao deslizar o dedo pelo expediente da primeira edição de Risco. O mesmo grupo ainda organizou três salões de humor na cidade. Jô foi o autor da capa onde Lampião laça o Ho mem de Aço, segundo ele inspirada por uma foto que saiu nos jornais durante a Guerra do Vietnã, na qual uma vietnamita levava um soldado norte-americano amarrado. Risco durou três números financiados pelo bolso de seus criadores. “Era muito complicado. Mas existia uma necessidade de se ex-

pressar! Achamos uma gráfica para imprimir. Fizemos vaquinha. A número dois ainda teve propaganda, mas foi um mutirão”, diz Jô. O Boom dos 80 Nos anos 80, o quadrinho foi encarado com bons olhos pelo público. No DF, o Jornal de Brasília lançava o Suplemento Infantil que contava com Jô Oliveira, Frecchiani e Duarte, remanescentes da Risco. Mas curta também foi a vida do Suplemento Infantil. Três anos, mesmo com o sucesso. “Foi uma invenção do jornal, talvez para fugir da mesmice. Em Brasília, se

*Troféu HQ Mix é uma das mais tradicionais premiações dos quadrinhos brasileiros. Criado em 1988 por Gualberto Costa e José Alberto Lovetro, o troféu é organizado por seus criadores e pela Associação dos Cartunistas do Brasil.

Revista 2x2

9


foto: Luis Felipe Jô Oliveira se dedica à ilustração infantil e a produzir selos para os Correios. Foi ele quem fez o selo sobre o Ano do Boi na China

Livro infanti, texto e ilustrações. Editora Thex, Rio de Janeiro 2000

O Homem de Canudos. Quadrinhos. Editora Cepim, com apresentação de Hugo Pratt, Itália 1979. Ainda não foi publicado no Brasil

publicava muito quadrinho importado, ou então Maurício de Souza. Eles resolveram fazer uma coisa local”, ©2 lembra Jô. “ Ta n t o p a r a Brasília, quanto para o país, os anos 80 foram de descobertas. Selma Regina é respon- Vá r i o s q u a d r i s á v e l p o r m i n i s t r a r a nhos americanos disciplina de Introdução à História em Quadri- que revolucionanhos na UnB ram o meio como Watchman, Cavaleiros das Trevas, V de Vingança foram publicados no Brasil. Surge o quadrinho de luxo”, conta Raimundo Clemente Lima Neto, o Lima, dono da Kingdom Comics,uma das loja de HQ mais tradicionais do Distrito Feleral. Para Lima, os quadrinhos gringos, apesar de abocanhar o espaço dos nacionais, mudam o conceito de quadrinho. Encardernações duras com histórias longas e traço refinado, luxuosos, viraram objeto de colecionador. Para os quadrinhos nacionais os anos 80 trouxeram o fim da ditadura. “O Brasil tem um boom econômico pequeno, mas é aí que

O storyboard* que se transformou em história em quadrinhos levou Lampião para Espanha, Dinamarca, Grécia e Argentina. No Brasil, a trilogia sobre o Nordeste saiu com o título de A Guerra do Reino Divino pela editora Pasquim

aparece Animal, Piratas do Tietê, Chiclete com Banana, Níquel Náusea. Pessoas que saíram do Salão de Humor de Piracicaba”, recorda Selma Regina Martins Oliveira, professora e coordenadora do curso de Publicidade da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora de quadrinhos.

Hans Staden, o Aventureiro do Novo Mundo. Quadrinhos. Editora Rizzoli, Itália 1989

No Brasil e em Brasília, a resistência é feita através do fanzine. Pouca tiragem e distribuição restrita, mas era o espaço que permitia experimentações a baixo custo. Para manter o leitor informado sobre a produção norte-americana de quadrinhos existia a revista Wizard, especializada no universo Image Comics, lançada pela editora Globo, além de um programa na TV Record, o Top TV, a nível nacional, que passava no domingo à tarde. Este é o momento dos heróis musculosos com pouco cérebro. “As pessoas compravam, cansavam de olhar a imagem porque viam que não tinha conteúdo. Muita gente parou de comprar quadrinho por causa desse momento”, explica Lima.

Plano Collor x HQ Com o Plano Collor, além das poupanças que foram confiscadas a crise que se seguiu amputou o mercado nacional de HQs. Editoras foram fechadas e projetos deixados de lado. “O Plano Collor destruiu a produção de quadrinhos no Brasil. Sobraram apenas as editoras Abril e Globo. O quadrinho nacional foi mais uma vez jogado p a r a d e b a i xo d o pano porque não t i n h a d i n h e i ro” , conta Lima. No mercado internacional é lançada a Image Comics, uma empresa formada © 1 por ex-artis- Capa da primeira Wizard/ Brasil. Os heróis da Image tas da Marvel. e DC ganham uma aliada

Liberdade da internet Enquanto os superheróis faziam feio com a falta de assunto, os brasileiros passaram os anos 90 juntando as peças. A internet foi a base escolhido

*Storyboard Revista 2x2 é um roteiro em quadrinhos, mas que não apresenta, necessariamente, elementos básicos das histórias em quadrinhos como balão.


Zona Zen faz sucesso na revista Tablado

©1

foto: Luis Felipe

Uma pequena dose do que será o seu segundo trabalho, que ainda é segredo

Nestablo Ramos tem previsão para lançar duas revistas, este ano, pela editora HQM

para retomar a produção nacional. No início de 2001, Bhelial consegue b a t e r S p a w n , o site CyberComas não vinga. mics divulgava Rafael Pinheiro agora é sócio da q u a d r i n h o s e 2Fly Agência Di- promovia congital em Goiânia cursos. Os ganhadores eram publicados em uma revista homônima. Na mesma época surge Bhelial, a fera que atormenta o DF. Iniciativa do estudante de publicidade da UnB, Rafael Pinheiro. “O Bhelial era uma espécie de Spawn, e em alguns meses conseguiu vender mais que o próprio personagem norte-americano. Mas quando viram que não tinha para onde correr pararam de comprar”, conclui Lima. Nesse mesmo período, Nestablo Ramos cria Carcereiros, também na aposta de um estilo norte-americano. “O mercado daqui na época estava muito ruim! Muito! Muito ruim! E o americano tinha mais facilidades. Mostrei para DarkHorse e eles gostaram pra caramba, só que não estavam publicando nada na época”, relata Nestablo. “E agora com a ©1 Divulgação

©2 Roberto Fleury/ UnB Agência

internet você só não mostra o que faz se não quiser, apesar do retorno financeiro ser mais rápido e fácil quando você trabalha com uma editora”, completa. Nestablo precisou desenvolver a sua estratégia, o seu próprio marketing. “Quando tenho uma idéia, elaboro uma sinopse, e faço umas cinco, seis páginas mais ou menos pra apresentar. Envio por e-mail pra editora. Antes dou uma olhada nas editoras que publicam material com aquela temática. Se houver interesse da parte deles, a gente discute e acerta.” HQ nacional “Lugar de quadrinho brasileiro é na escola”, decreta Jô Oliveira. Ele próprio em anos anteriores fez lobby pelos quadrinhos junto ao Ministério da Educação (MEC). Segundo Jô, a idéia era criar concursos nacionais de roteiros voltados para os quadrinhos sobre assuntos polêmicos como violência e racismo. A iniciativa emperrou com a saída de Cristovam Buarque do ministério. Em 2007, 14 títu-

ZOO traz uma mensagem de alerta para o ser humano

los de HQs entraram na lista do MEC. Para este ano, são previstas 23 histórias em quadrinhos. Lima lembra que a Corand (editora brasileira especializada em quadrinhos) estava à beira da falência, mas foi comprada pela Editora FTD, especializada em livros didáticos. Lima levanta outra questão: “Agora, se ficar baseado só em cobrança do MEC não vai gerar novos leitores. Porque ter quadrinho na biblioteca e ninguém usar para trabalhar não adianta. Ter vários “Machado de Assis” na biblioteca não significa que o aluno lê Machado de Assis”. Atiçar a curiosidade Segundo Lima, o leitor brasiliense, em especial, é curioso. “Muita gente compra por curiosidade, porque viu no jornal”, explica. Para ele o lema é atiçar a curiosidade com informação, “Falta divulgar. Nós temos um material bom sendo publicado, mas o que falta é conquistar a curiosidade do público leigo que não tem o hábito de ler quadrinhos”. Revista 2x2

11


“Os leitores deveriam parar para pensar e ver o que querem. Antes o problema estava no material. Agora, acho que são os leitores, porque estão concentrados no que é internacional”, desabafa Nestablo. “Se um desenho animado aparecesse na televisão, era certo de que venderia as revistas. Tem sempre essa necessidade de divulgação,

em especial pela televisão”, confirma Jô. A leitora Emanuelle Campos sente falta de histórias mais elaboradas e de informação. “Culturalmente, Brasília tem potencial e grandes expoentes, mas são ambientes restritos”, acrescenta. O leitor Tháiro Silva também aposta na mesma fórmula: “É preciso investir na produção e divulgar”.

Segundo o site oficial da Diamond, a única distribuidora de quadrinhos dos Estados Unidos e uma das mais importantes no mundo, são comercializados mais de 3.500 títulos por mês para mais de 4.000 lojas no mundo todo. Um mercado lucrativo, que precisa ser estruturado no Brasil e no Distrito Federal com investimento em artistas e publicidade. ©1

UMA TIRINHA DE ASSUNTO sobre a revista Samba

©1

Capa da revista Samba. Ao lado, uma das páginas da revista que além de quadrinhos traz poemas.

Samba, que contou com 12 colaboradores e saiu no começo do segundo semestre de 2008, concorre ao HQMix na categoria Publicação Independente de Grupo este ano. “Gabriel Góes, o Gabriel Mesquita e eu fomos responsáveis por editar, montar e conseguir os apoios para o lançamento da revista”, conta Lucas Gehre. Foram dois mil exemplares. A Samba saiu pelo selo Kingdom Comics, mas os autores ainda precisaram tirar dinheiro do próprio bolso para garantir a impressão. “O ano passado foi um ano importante. Foi criado o selo de quadrinhos da Kingdom, foram lançados o zine do Stvéz e do Biu, Tiago Lacerda, desenhista do Rio de Janeiro, a Samba e eu também publiquei um zine em 2008”, diz Lucas. A Samba ainda foi lançada no Rio de Janeiro, em São Paulo, Uberlândia e Goiânia.

©4

©3

Chiquinho de vermelho apresenta Juquinha que veste uniforme de marinheiro azul

A HISTÓRIA QUADRO A QUADRO O pesquisador Athos Cardoso revela personagens e fatos dos quadrinhos nacionais Militar reformado e jornalista, morador de Brasília, o pesquisador Athos Eichler Cardoso é o autor do livro As Aventuras de Nhô-Quim & Zé Caipora: os primeiros quadrinhos brasileiros 1869-1883 (formato 31 x 22 cm, 198 páginas, papel couché) que foi lançado pela editora Senado. A publicação resgata a história e o trabalho de Angelo Agostini, jornalista, ilustrador e autor da primeira história em quadrinhos do Brasil. Athos começou sua pesquisa pelos folhetins e fascículos, “Numa coletânea italiana, a apresentação compara os fascículos ao primo ‘del fumetto’, como é chamado o quadrinho na Itália. E realmente, muito herói dos fascículos vai continuar suas façanhas nas páginas dos quadrinhos”. O próximo livro, que está na fase de diagramação, será Memórias d’O Tico-Tico - Juquinha, Giby e Miss Shocking. A obra conta como Chiquinho foi uma cópia do norte-americano Buster Brown do desenhista Outcault, autor de Yellow Kid, e apresenta ao leitor o verdadeiro pioneiro dos personagens infantins dos quadrinhos brasileiros: Juquinha de J. Carlos.

12

Revista 2x2

A imagem é da primeira HQ de Juquinha n’O Tico-Tico em 14/02/1906. Quando J. Carlos apresentou Juquinha, outro personagem infantil fazia sucesso no Brasil. Chiquinho, ou Buster Brown, era copiado por desenhistas brasileiros, e apresentado como se fosse produto nacional. Quando J. Carlos lançou seu personagem, disse que era primo de Chiquinho, uma artimanha para aproveitar o sucesso do suposto parente. “Nos 50 anos da Tico-Tico, o poeta Drummond escreveu uma crônica sobre a revista, e disse que Juquinha não tinha ‘pegado’ junto ao público. Depois disso, Juquinha foi relegado a terceiro plano na historiografia dos quadrinhos e quase não é lembrado”, explica Athos. Segundo Athos, na verdade, Juquinha é o primeiro personagem infantil das histórias em quadrinhos originalmente brasileiro.

©3 Capa da revista PHENIX (Paródia feita por Angelo Agostini sobre Dom Quixote)

©4 Arquivo (Athos Cardoso)


RESENHA Will Eisner começa a decodificar a seqüência dos quadrinhos com o livro “Quadrinhos e Arte Seqüencial”

*rabinho,

Requadro e

CALHA? siderados instintivos e tentando explicar os parâmetros dessa forma artística, descobri que estava envolvido mais com uma ‘arte de comunicação’ do que com uma simples aplicação de arte”, refletiu. Para Will Eisner a arte seqüencial depende da palavra e da imagem pictográfica, ambas estão unidas para fornecer ao leitor som, diálogo e visão. Mas exige do mesmo, conhecimentos prévios como a lógica do enquadramento e informações sobre o período histórico da narrativa. O texto é direto e prático com muitas ilustrações. Às vezes, inocente. Por isso é bom lembrar que se trata de um dos primeiros trabalhos dedicados a contextualizar e definir aspectos acadêmicos nos quadrinhos. O livro ainda reúne experiências que o artista desenvolveu durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi convocado para o Exército e trabalhou na produção de manuais técnicos para os soldados. No último capítulo, nove páginas são dedicadas a uma breve aula sobre como fazer uma história em quadrinhos. Com curtos parágrafos e linguagem clara, Eisner dá dicas para compreender e aplicar elementos como luz/sombra, perspectiva, objetos, gravidade, composição e balões. A parte mais interessante é a breve descrição dos métodos de impressão. Na última página, um pequeno glossário com 17 termos. Rabinho, requadro e calha? Estas são as palavras mais inusitadas e demonstram como Will Eisner deu os primeiros passos e conseguiu através de “Quadrinhos e Arte Seqüencial”, começar a reunir e interpretar o universo dos quadrinhos ao transformá-los em objeto de pesquisa dentro da academia.

“A descrição da açãoo

nesse quadro pode ser esquematizada como uma sentença. Os predicados do disparo e da briga pertencem a orações diferentes. O sujeito do ‘disparo’ é o vilão, e Gerard Shnobble é o objeto direto. Os vários modificadores incluem o advérbio ‘Bang, Bang’ e os adjetivos da linguagem visual, tais como a postura, o gesto e a careta.” Will Eisner

©Will Eisner

Histórias maduras, dramas do cotidiano, traço detalhista, adepto do P&B, Will Eisner foi um dos responsáveis pelo fortalecimento do mercado de quadrinhos norte-americano. Divulgador das graphic novels, criou Spirit, um herói atrapalhado, sem poderes, sempre de terno e gravata. Eisner foi professor, durante 12 anos, da disciplina Técnicas de Quadrinhos na Escola de Artes Visuais de Nova Iorque. Desse período surgiram dois livros – Quadrinhos e Arte Seqüencial (Comics and Sequential Art) e A Narrativa Gráfica (Graphic Storytelling). Em 1988, é homenageado com o Prêmio Will Eisner, o Oscar das ilustrações em série. Comparação adequada, pois em suas mãos HQs viravam filmes impressos. Para começar os estudos sobre quadrinhos e entender a genealidade de Eisner é indispensável ler a obra “Quadrinho e Arte Seqüencial”. A primeira edição brasileira foi feita em dezembro de 1989. A atual edição é de 1999 pela editora Martins Fontes, com tradução de Luís Carlos Borges. São 154 páginas muito bem ilustradas com seqüências completas de The Spirit e pequenas inserções de algumas graphic novels como “Um Contrato com Deus”, e “Hamlet, no Topo de um Edifício”. Na verdade, Will Eisner além de amadurecer o estilo e o enredo das histórias começou a longa caminhada contra o preconceito. Ele reivindicava a visão de que os quadrinhos devem sair da condição de produto para massas com conteúdo duvidoso e serem encarados como uma arte capaz de comunicar. “Quando comecei a desvendar os componentes complexos, detendo-me em elementos até então con-

O tempo se combina com o espaço e o som para subsidiar a nossa percepção em relação ao ritmo da história.

Os quadros capturam a visão do leitor para ações e lugares. Quantidade e dimensão dos quadros marcam o ritmo da narrativa. *Rabinho - Indicador que parte do balão para o emissor; Requadro - O contorno do quadrinho; Calha - O espaço entre os quadrinhos.

O balão materializa a fala, o som. A distribuição dos balões e o seu formato conferem diferentes emoções.

Revista 2x2

13


Revista 2x2 n por Newto Scheufler

“Artista digitoplastográfico, calígrafo e um caçador nietzschiano de ratos...”, assim Newton Scheufler se apresenta em seu blog: www.processoscheufler.com Newton é professor das disciplinas de Estética em Comunicação, Fundamentos da Linguagem Audiovisual e Direção de Arte na Universidade Católica de Brasília. Colagem, intervenções digitais e caligrafia compõe seu estilo. Newton, ainda dirige a Casa da Mão, laboratório de criação digitoplastográfica do Curso de Comunicação Social da UCB, onde alunos criam e realizam to trabalhos gráficos.ba Auto-retra

Artista da Capa

sutā, japonês para Pokémon (Poketto Mon Poc ket Mon ster s) Mon stro s de Bol so, ou que lançou o jogo a nes japo ca mar uma é & Gre en, par a Red on ém Pok ico trôn ele e Boy , em 96. Gam l táti por e gam o o víde ramador japoprog pelo do cria foi Pokémon e designer ista enh des o e i Tajir nês Satoshi e e se anim u viro e gam O Ken Sug imo ri. pop na ura cult para co mar transformou em didas mais de 180 década de 90. Foram ven jogo que alcançou milhões de unidades do e mais vendida da o segundo lugar em séri com Mario Bros). ca fi eiro prim (o o end Nint

2

Dragon Ball Z (Doragon Bōru Zetto, em japonês) é um anime que faz parte do universo Dragon Ball. Corresponde aos volumes 17 ao 42 do mangá original de Akira Toriyama (33 a 83 na edição brasileira). Quando Dragon Ball Z surgiu na TV virou febre mundial, criticado pela violência, ainda assim fez sucesso.

1

A 2x2 montou um ranking com os animes mais importantes para a expansão do Mangá. A escolha ficou por conta de um aficcionado, Elvis Queiroz, que junto com cinco amigos montou o grupo Otaklub no fim dos anos 90. Inspirados pelo lema envolvente do anime Neo Genes Evangelion (“Jovem torne-se uma lenda!) produziram então o Kojiki (o título é uma referência ao livro mais antigo da literatura japonesa que significa, o Kojiki - O livro de todas as lendas) e alguns outros fanzines paralelos como o Mahou, o Shinseiji e o jornal Koe.

5

+

No Brasil, os animes, desenhos animados em mangá, trouxeram um traço curioso, enredos longos e complexos, mundos paralelos, o poder da mente e do esforço!

Neon Gene sis Evan gelio n (Shin Seiki Evangerion) foi feito para televisão, entre ki 1995 e 1997. Escrito e dirigido por Hidea x. Anno e produ zido pelo estúd io Gaina Neon Genes is Evang elion (NGE) é uma série que marcou o segmento de animação japonesa na década de 90. O enredo é considera do o mais comp lexo já criado para uma anima ção. A série come ça com um os clima leve que se torna denso conforme mistérios transformam a história, nos episódios finais, em uma aventura psicológica sobre as relações humanas.

5

Yu Yu Hak ush o (Yu Yu Hakush o) é uma série de mangá escrita e desenhada pelo manga-ka Yoshihiro Toga shi. No Brasil foi pub lica do pela edit ora JBC entre 200 2 e 2004, em 38 edições. O anim e, dirigido por Noriyuki Abe e co-produ zido pela Tv Fuji, Yomiko Advertising e Estú dio Pierrot, exibiu 112 episódios originalmen te no Japão pela Tv Fuji entre 10/1 0/92 a 7/01 /95. A séri e começou a ser veiculada no Brasil no final dos ano s 90 pela exti nta Red e Man che te em março de 1997 trazido pela falida Tikara Filmes. Em 2004, foi repr isado com nova dublagem pelo Cartoon Netw ork.

4

Saint Seiya (Santo Seiya), conhecido no ocidente como Os Cavaleiros do Zodíaco, depois de ser exibido na França como Chevaliers du Zodiaque, é uma série japonesa (anime e mangá), que foi sucesso mundial nos anos 90. O anime conta a saga de jovens guerreiros guiados pelas constelações. A série para TV é uma adaptação do mangá de mesmo nome criado por Masami Kurumada. A primeira exibição foi feita pela Toei Animation no Japão na TV Asahi, em 11/10/86. A série foi exibida no Brasil pela extinta Rede Manchete entre 1/09/94 a 12/09/97(voltando para uma última exibição em 1/01/98).

3


Revista 2x2

Particularmente sou fã de fotografia e ilustrações manuais de todos os gêneros, mas cada trabalho seja qual for a técnica representa o mundo ao nosso redor, são todas formas válidas de se expressar. RODRIGO FERNANDES

O design me chama a atenção no que diz respeito a criação, concepção de idéias na hora de projetar um equipamento, um objeto ou até mesmo, na criação de campanhas publicitárias. LUIS FELIPE ROCHA

Traz o leitor para dentro da revista. O nome faz referência à expressão cunhada pelo jornalista e cartunista Henfil, que se denominava jornalista do traço. Nesta edição, três trabalhos foram selecionados. Aproveite para divulgar seu projeto, ou mobilizar um grupo de estudos de desenho, ou quem sabe abrir um negócio. É muito bom poder contar com o seu talento! A página é toda sua!

LEITOR DO TRAÇO

Eu gosto muito de criar designs de roupas e quadrinhos estilo mangá desde pequena. Ainda sou estudante, mas gostaria de ser uma grande artista, e aperfeiçoar minhas técnicas de desenho, ajudaria meu sonho a se tornar realidade. Por enquanto sou uma amadora, mas um dia posso alcançar a perfeição. JENIFFER SUSAN LANGKAMMER


PALAVRA DE PROFISSIONAL

GRÁTIS!!! Logotipos, ilustrações e artes!

Nascido em São Paulo, Morandini é formado em Comunicação Social além de ter estudado Design Gráfico e Ilustração. Em 1985 abriu seu estúdio, onde desenvolve logos, objetos e ilustrações. Seus desenhos tem cores vibrantes, e até a Medusa fica mais simpática.

A

posto que a palavra GRÁTIS do título chamou a atenção, não é? Ah, eu sabia! Essa palavra é mágica! Ter algo bacana sem pagar nada por isso deve ser muito bom… Nós, designers, (bota aí também os ilustradores e artistas gráficos) adoramos o que fazemos. Ninguém entra nessa área sem ter, no mínimo, muuuita paixão pelo que faz (particularmente, além da paixão, tenho um tesão indecente pelo design e um amor quase doentio por desenhar, criar e projetar). Isso leva muitas pessoas a confundir trabalho com prazer. Nesses quase 23 anos de atuação, perdi a conta de quantos clientes, amigos e desconhecidos (!) me pediram logotipos, ilustrações ou ‘desenhinhos’ de graça. A maioria foi delicadamente recusada mas, confesso aqui publicamente meus pecados: já atendi alguns desses pedidos… Tá legal, vou falar a verdade… Já atendi VÁRIOS desses pedidos! (tenho culpa de ter muitos ‘amigos’?) Mas

Todas essas frases e pedidos me levam a acreditar que essas pessoas que pedem coisas de graça acham que: > Eu não me alimento, não tenho contas para pagar e meu carro é abastecido com ar. > Meus softwares são de graça e recebo meus computadores e equipamentos como doação. > Minha conexão de internet é feita através de telepatia. > Eu desenho por diversão, crio logotipos por prazer e projeto coisas apenas para ocupar o tempo. > As idéias nascem na cabeça por geração espontânea. > O Governo não me cobra impostos. > Acho livros e material de pesquisa na rua (além de não me cobrarem ingressos em exposições e eventos). > Recebi uma herança (grana pra nunca mais ter de trabalhar!) e resolvi virar uma espécie de ‘Madre Tereza de Calcutá’ do design, fazendo apenas caridade… > Meu dentista, meu contador, minha faxineira e todos aqueles que prestam serviços para mim, trabalham por prazer, sem cobrar um centavo! No ‘mundo real’, porém, a matéria prima do meu trabalho é uma equação muito bem balanceada. Ela é composta de TEMPO (um bem muito precioso!), IDÉIAS (fruto de mais de 30 anos de estudo e uma vida inteira de experiências), PROFISSIONALISMO (coisa rara nos tempos atuais) e CONHECIMENTO (resultado de todos os trabalhos feitos até hoje, incluindo os ‘de grátis’ e de MUITA pesquisa). Isso tudo tem um valor. O valor que, quando é pago, reverte em benefícios enormes para quem me contrata, gerando muito retorno institucional e financeiro. Design não é caro. A forma com que se investe nele (pagando por ele) é diretamente proporcional ao grau de seriedade que uma pessoa tem em relação ao seu empreendimento, seu pequeno negócio e sua própria imagem. Revista 2x2

“Não me peça para dar a única coisa que eu tenho para vender”

©Morandini

Seguem os mais comuns: > Não precisa ter pressa… Quando você tiver cinco minutinhos sobrando você faz… > No momento a grana está curta, mas assim que der retorno a gente acerta! > Faça esse trabalho de graça e no próximo eu nem pergunto o preço! > Pagar eu não posso, mas vou divulgar seu nome para todo mundo! > Você poderá divulgar seu nome junto com o desenho ou colocar sua assinatura na arte! > Isso pra você é moleza… > Tenho um amigo que faz de graça mas quero dar a oportunidade para você! > É uma parceria: você faz de graça agora e ganha lá na frente! > Faça uns esboços. Se eu gostar a gente acerta um preço. > Não precisa ser nada muito caprichado… > Faz aí depois a gente acerta! > Ah, mais isso é diversão para você! Você faz brincando! (Vai dizer isso para uma ‘profissional do sexo’ para ver o que ela responde…).

{Cacilda Becker}

também tenho de dizer que, depois de longo tratamento já estou quase curado dessa incômoda patologia! E, não estou falando de filantropia, pois quando identifico trabalhos sociais bem intencionados, faço questão de atender e ajudar. Falo de pedidos sem remuneração, feitos para atender necessidades comerciais e corporativas. Coisa que vai gerar retorno, seja de imagem, de público ou até mesmo financeiro (lucro, grana, dinheiro!!!). Ao longo desses anos, esses pedidos assumiram as mais variadas formas e vieram disfarçados sob os mais diversos argumentos.

Revista 2x2 blog.morandini.com.br


Revista 2x2