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FICÇÃO: EVA DUARTE O PIAR DO MOCHO

DEZEMBRO 2012 | #16

FOTOGRAFIA

O FIM DO MUNDO POR: DDIARTE

CRÓNICAS DETINHA AVELINO JUVENAL

PERFIL NOSTRADAMUS COMPORTAMENTO 2012: APOCALYPSE NOW?


TE FICÇÃO: EVA DUAR O O PIAR DO MOCH CRÓNICAS DETINHA AVELINO JUVENAL | #16 DEZEMBRO 2012

APOCALIPSE 2012

PERFIL NOSTRADAMUS

FOTOGRAFIA

O FIM UNDO DO M RTE

O COMPORTAMENT NOW? 2012: APOCALYPSE

POR: DDIA

FICHA TÉCNICA DIRECTOR Tiago Matos CRONISTAS Detinha Avelino Juvenal FICÇÃO Eva Duarte FOTOGRAFIA DDiArte SÍTIO WEB www.revista21.net CONTACTO revista21@revista21.net PERIODICIDADE Mensal

D

iz-se que o mundo acaba este mês. Ou que, no mínimo dos mínimos, fica gravemente ferido. Se é que não o está já. Sendo impossível, por esta altura, saber se é ou não verdade - e não calhava nada bem que fosse, até por causa do Natal e das criancinhas - decidimos divertirnos um pouco com a ideia e dedicar esta nossa edição ao tão propagandeado apocalipse. Definindo Nostradamus como nossa personalidade do mês, explicamos-lhe as origens e razões de ser esta a data apontada para o fim. Desde a civilização maia às obras dos mais populares profetas, passando pelas actuais ferramentas tecnológicas de previsão, esclarecemos-lhe tudo sobre a matéria. Há mais. Nem de propósito, opinamos sobre o livro O Mundo Depois do Fim, e libertamos adrenalina com os jogos Call of Duty: Black Ops II e WWE ‘13. Juvenal e Detinha Avelino escrevem o que lhes vai na alma e Eva Duarte marca, como sempre, presença, com o também apocalíptico conto «O Piar do Mocho». A magnífica compilação de imagens do colectivo madeirense DDiArte encerra em grande estilo esta 16.ª edição da Revista 21. Divirta-se a lê-la, nunca se sabe se não será mesmo a última vez que o faz.

Tiago Matos


índice

34 FOTOGRAFIA

DEZEMBRO 2012 NOTÍCIAS 6 PERFIL NOSTRADAMUS 10 COMPORTAMENTO 2012: APOCALYPSE NOW? 16 LETRAS EVA DUARTE - O PIAR DO MOCHO 28 JOGOS CALL OF DUTY: BLACK OPS 2 14 WWE 13 22 LIVRO O MUNDO DEPOIS DO FIM 26 CRÓNICAS JUVENAL - A PALAVRA DO SENHOR 8 DETINHA AVELINO - SEXO MAIS QUE SAGRADO 32


www.facebook.com/revista21


notícias

EVA LONGORIA NA CAPA DA GQ MEXICANA

A actriz Eva Longoria foi, aos 37 anos, revelada como capa da edição de Dezembro da GQ mexicana. Em entrevista à publicação, a ex-Desperate Housewife revela que, apesar de ter terminado a participação na série, se continua a manter bastante ocupada e que lhe agrada ser considerada uma das mulheres mais sexy do mundo.

HOMENS ADÚLTEROS PREFEREM AS LATINAS

As latinas de cabelo escuro e corpo voluptuoso são as mulheres com as quais os americanos mais fantasiam para dar uma «escapada». Segundo o sítio ashleymadison.com, 71% dos homens adúlteros prefere ter uma aventura com uma latina, contra 15% que quer uma branca, 9% uma asiática e 5% uma negra.

AS MÚSICAS DE 2012

«Somebody that I used to know», de Gotye, foi a música mais escutada de 2012, de acordo com dados divulgados pelo aplicativo Spotify. O tema ficou à frente de «Call Me Maybe», de Carly Rae Jepsen. Já o álbum Nothing But The Beat 2.0 de David Guetta foi o mais escutado do ano, seguido por Born to Die de Lana Del Rey e Take Care de Drake.

ACUSADA DE SUFOCAR NAMORADO COM O PEITO

Uma mulher alemã é suspeita de tentar matar o namorado por asfixia, utilizando como «arma» os próprios seios. A alemã alega que se tratava de um jogo sexual, mas o homem recorda que anteriormente esta já o tinha ameaçado, dizendo que lhe proporcionaria a «morte mais agradável possível».

DESPEDIDA POR FOTO NO FACEBOOK

A americana Lindsey Stone foi recentemente despedida do seu emprego por ter publicado no seu Facebook uma fotografia em que surgia num cemitério a fazer um gesto obsceno com o dedo. A directora da empresa de Lindsey admite que, apesar da demissão, esta era boa funcionária.

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O TRANSPLANTE DE BIGODE ESTÁ NA MODA

Parece que os homens do Médio Oriente procuram cada vez mais transplantes de bigodes. Um cirurgião plástico turco revelou à CNN que faz, em média, entre 50 e 60 transplantes de bigode por mês, sendo procurado essencialmente por jovens que pretendem ganhar credibilidade com um farto bigode.


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crónica Por: Juvenal

www.sobpressaonaoconsigo.blogspot.com

a palavra do

N

senhor

asci há muitos, muitos anos. Não numa galáxia distante, mas aqui ao lado. Como quem vai pela Casal Ribeiro e corta na segunda à esquerda em direcção ao Arco do Cego. Há mais de dois acordos ortográficos atrás. Ainda «água» se escrevia com pH e as mulheres estavam remetidas às tarefas para que Deus (que, tirando os pretos e os indianos, não erra) as criou e designou: fazer o comer, limpar a cozinha e trazer uma cervejinha quando um gajo está ocupado com coisas importantes como é jogar FIFA online que não dá para meter em pause. Não tive grande sorte quando os dados foram lançados. Sou parco de inteligência, vocabulário, cultura, personalidade, alheado da realidade e socialmente inapto. Safam-se as mãos e um IMC espetacular que devia mandar fazer um pin só para o efeito visual. Se vierem perguntar (não vêm) se alguma destas coisas me preocupa, direi que não. Preocupa-me sim buracos na parte de trás das meias e sapatos novos. Em conjunto ou em separado. Porque faz bolhas se um gajo tiver de andar muito a pé e, como se sabe, quando um gajo não conta andar muito a pé é quando tem de o fazer, por qualquer razão, por ser Deus a foder-nos por pontapés nos colhões que um gajo mandou no secundário para ser aceite pelos colegas só porque era o único que não tinha um skate. E como um passeio ou mesmo a vida não é um

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simples jogo de escondidas, um gajo não pode simplesmente «rebentar a bolha». No próximo número, espero ter patrocínios para estas tiradas de humor do bom que só ficam bem e avolumam, por si só, o número de leitores que cofia a barba e diz: «homessa, Juvenal, com essa é que me fodeste». Disfarço da maneira que sei e que fui aperfeiçoando. Com citações de contracapa de enciclopédia, de dobras interiores de capas de papel dos livros que existe sobre a capa rija monocromática como uma manta de lã sobre uma vítima de violação ainda à chuva pouco depois da polícia chegar ou de opiniões ouvidas em análises feitas na televisão quando o telejornal dá no intervalo da bola e que se apegarão aos cérebros mais reduzidos e criarão, no mínimo, a dúvida nos de média dimensão e que acharão um «a hegemonia do ambiente político estende o alcance e a importância dos procedimentos normalmente adotados» a última Coca-Cola do deserto. Assim sendo, e não obstante tudo o que foi escrito acima, há uma coisa que me continua a fugir à compreensão. Como é que há mulheres que não engolem e, no entanto, comem caracóis. Felizmente, e até hoje, posso dizer que nunca andei com miúdas que não gostassem de caracóis.


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perfil

Muito se fala sobre ele, tendo-se mesmo tornado uma espĂŠcie de sĂ­mbolo do fim do mundo, mas poucos conhecem verdadeiramente a vida do profeta mais famoso de sempre: Michel de Nostredame. Texto: Tiago Matos

Nostradamus 10


FRANÇA, 1503

Michel de Nostredame, mais conhecido como Nostradamus, nasceu na França em Dezembro de 1503. Pouco se sabe sobre a sua infância, mas tinha, pelo menos, oito irmãos.

PESTE NEGRA

Aos 15 anos, Nostradamus foi estudar para a Université d’Avignon et des Pays de Vaucluse, mas viu-se forçado a interromper os estudos um ano depois, graças à peste negra.

BOTICÁRIO

Apesar de já não estar na universidade, Nostradamus não deixou de procurar conhecimento, ainda que por conta própria. Viajou pelo país durante oito anos, estudou remédios naturais, tornou-se boticário e, mais tarde, voltou à escola para fazer um doutoramento em medicina. A ideia não lhe correu bem, já que acabou por ser expulso: naquela altura, os boticários não eram bem vistos junto à comunidade médica e universitária.

PÉTALAS DE ROSA

Retornado ao seu emprego de boticário, Nostradamus costumava tratar os seus pacientes infectados pela peste com comprimidos feitos de pétalas de rosa. Como é óbvio, o medicamento não servia de cura para a doença, mas, segundo o francês, ajudava a prevenir o mau hálito e as cáries dentárias.

ESTUDAR O OCULTO

Neste período, Nostradamus casou e teve dois filhos, vendo, porém, poucos anos depois, toda a sua família morrer graças à peste. Devastado, virou a sua atenção para o estudo do oculto, alegadamente para falar com eles.

ALMANAQUE ANUAL

Em 1550, como consequência do seu novo interesse, publicou um almanaque com previsões para o novo ano. Este teve tal sucesso que Nostradamus o continuou a escrever, ano após ano, acumulando no processo algum dinheiro e ganhando fama como vidente.

VIDENTE IMPERFEITO

A fama fez com que Nostradamus passasse a ser regularmente consultado, inclusive por algumas das mais importantes figuras da sociedade. Diz-se, contudo, que cometia vários erros nas suas consultas, pelo que acabou por virar a sua atenção para a escrita de um novo manuscrito, aquele pelo qual ainda hoje é conhecido.

LES PROPHETIES

Em 1555, Nostradamus publicou Les Propheties, um manual de previsões que se estende ao longo dos tempos, baseado, segundo o francês, nos seus conhecimentos de astrologia judicial. O livro foi, porém, desde logo bastante criticado por outros astrólogos, que apontavam que era impossível partir de mapas astrológicos comparativos para prever acontecimentos futuros.

ENCRIPTAÇÃO

Nostradamus tinha bastante medo que a Igreja se virasse contra ele, acusando-o de bruxaria e mandando-o matar. Escolheu, por isso, uma linguagem profundamente encriptada para as suas quadras premonitórias. Não adivinhou, portanto, que a Igreja nunca teria qualquer problema com ele.

FIM DO MUNDO

Logo no prefácio do seu livro, Nostradamus indica que as suas profecias se estendem apenas até ao ano de 3797, deixando implícito que será então que o mundo terminará. Alguns críticos apontam que a data terá sido influenciada por uma interpretação errada de trabalhos de Roussat, que indicava que o fim do mundo seria no ano 2242. Nostradamus terá feito uma simples adição (1555+2242) para chegar ao valor final de 3797.

MIRABILIS LIBER

Nem só de «inspiração» Nostradamus se baseou para as suas profecias. Para além de inúmeras citações d’A Bíblia, o francês traduziu várias previsões do livro Mirabilis Liber, apre-

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sentando-as então como suas.

como planeado, no início de 1567.

PROFECIAS SEM PROFETA

NOSTRADAMUS NO GOOGLE

O próprio Nostradamus rejeitou sempre o título de profeta. Segundo o francês, o seu único papel era arriscar previsões através dos seus estudos, não garantindo nunca o sucesso das mesmas, o que, na sua opinião, não o tornava um verdadeiro profeta.

CÓPIA À MÃO

Tendo em conta que, na altura, os livros eram copiados à mão, não havia duas edições idênticas nem forma de evitar alterações no texto. Como resultado, é impossível saber se as quadras que hoje conhecemos são mesmo as que Nostradamus escreveu originalmente.

PAPA SISTO V

Apesar de tudo isto, o livro aumentou drasticamente a reputação de Nostradamus, pelo menos junto das classes altas, que o julgavam um verdadeiro iluminado. As classes sociais inferiores, por outro lado, viam-no como um louco, um falso profeta ou um servo do mal.

Com o passar do tempo, e especialmente após a sua morte, foram-se formando inúmeras lendas em relação à sua vida. Segundo uma lenda italiana local, Nostradamus encontrou um dia um jovem monge a juntar porcos e, de modo respeitoso, para espanto das pessoas que o acompanhavam, tratou-o por «Vossa Santidade». Em 1585, 19 anos após a morte do profeta, esse mesmo monge tornou-se o Papa Sisto V.

PREVISÃO DA MORTE I

O MEDALHÃO

SERVO DO MAL

Em 1566, aos 62 anos, Nostradamus morreu vítima de um edema causado pela gota de que há muitos anos sofria. No dia anterior, terá dito ao seu secretário: «Não me encontrarás vivo ao nascer do Sol».

PREVISÃO DA MORTE II

Nostradamus foi descoberto morto no chão do seu quarto, entre a cama e um banco, exactamente como previsto numa das suas profecias. Suspeita-se, contudo, que esta terá sido alterada a posteriori por um tradutor, de modo a «encaixar» na realidade.

ALMANAQUE DE 1567

Apesar de ter morrido sensivelmente a meio de 1566, Nostradamus deixou preparado mais um dos seus habituais almanaques de premonições para o novo ano. Este foi publicado,

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Várias das previsões de Nostradamus foram apontadas, ao longo dos tempos, como verdadeiras. Diz-se, por exemplo, que o francês acertou a ascensão de Hitler (incluindo o nome do ditador) e de Napoleão, o Grande Incêndio de Londres e o 11 de Setembro. Segundo o jornal The New York Times, nos dias imediatamente após os ataques terroristas de 11 de Setembro, a palavra mais pesquisada no Google foi precisamente «Nostradamus».

Propagou-se também muito tempo a ideia de que Nostradamus tinha sido enterrado com um documento que continha os segredos das suas profecias. Em 1700, o seu caixão teve de ser transportado para outra localização e os responsáveis decidiram abrilo para o procurar, mas não tiveram sucesso. Encontraram, porém, no esqueleto, um medalhão com o número «1700» inscrito, levando muitos a crer que o francês previra o ano em que o seu próprio caixão seria aberto.

MUSEU NOSTRADAMUS

A casa na qual Nostradamus viveu com a sua segunda mulher e os filhos de ambos, em Salon-de-Provence, foi transformada numa espécie de museu e permanece ainda hoje aberta ao público. A cidade mantém todos os anos um festival em honra ao profeta.


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opinião Por: Tiago Matos

Nem parece que este é já o 9.º volume da série Call of Duty. Em vez de encontrarmos, em Black Ops II, um jogo amorfo e «cansado», deparamo-nos com um excelente exemplo de inovação e renovação. Venham então de lá os tiros!

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É

um do s m a is a gu a rda dos j o g o s d o a no e reg res s a em g rande co m v ár i as no vi da des , in c l u in do u m a ca m p a n h a subt i l mente ra m ific a da , n o v o s m o d os de m ul tipl aye r e. . . z om bie s.

CAMPANHA INDIVIDUAL

A c amp an ha indiv idu a l é tu do a qui l o que s e p o der i a esp er ar de u m novo C oD. R e che a d a d e v i olênc i a e momento s intens o s , d iv i d e s e em du as histór i as qu e s e c ompl e me nt am , u ma i ni c i a d a em 1986 e a out ra e m 2 0 2 5 . Pe lo mei o, o s retor na do s A l ex Mas on e Fr an k Wo o ds, e aqu el e qu e s erá c er t ame nte o mais interess ante ant agon ist a d a s ér ie até à d at a : u m ter ror ist a l at ino de nome R au l Me ne nd e z . A histór i a tor na - s e aind a mais e nvolve nte p orque, de temp o s a temp o s , no s é p e d i d a uma e s col ha, e volu indo a nar rat iva d e d i fe re nte s for mas c ons o ante as no ss as de c is õ e s . Iné d it a no C oD é, s em dúv id a , u ma idei a a mante r.

ZOMBIES, ZOMBIES, ZOMBIES

Por muito b o a qu e s ej a , fel izme nte ne m s ó d a c amp an ha indiv idu a l v ive este Black O ps II. Os mo do s de multiplaye r foram , e m p ar te, re v it a li z a dos e s ã o, c omo s empre, g ar ant i a d e divers ã o, on e of f -line . É, p oré m , no novo ê n fas e d a do a o s z ombies ( qu e j á s e t i n ham e st re a do em World at War e Black O ps I) que s e enc ont r a um do s mo do s mais inte re ss ante s (e p e c u li ares) do j o go. O novo Tr an z it é pr a t ic amente uma a lter nat iva à c amp an ha i nd i v idu a l do j ogo, e p ara a l ém deste e xiste ai nd a o j á famo s o Su r v iva l e u m mo do de comp e t i ç ã o e m e quip as de nome Gr ief. Tu do p olv i l ha d o, é cl aro, c om mu it a a c ç ã o e s ang u e.

CONCLUSÃO

Gráf i c o s i mpress ionantes , a mes ma ( p or ve z e s excessivamente complexa) jogabilidade de sempre, um exc el ente arg u mento e vár i o s mo d o s s e c und ár i o s diver t ido s fa zem de ste um d o s mel hores C oD até à d at a . Pare c e que, af i na l, ao nono j ogo aind a s e c ons egu e inov ar.

GRÁFICOS: 9

Uma qualidade de imagem extraordinária, com grande realismo e opção de 3-D.

SOM: 8

Um ambiente realista, com banda sonora de Trent Reznor e Jack Wall, e diálogos bem conseguidos por actores como Sam Worthington, Gary Oldman e Michael Keaton.

JOGABILIDADE: 9

É a excelência da fórmula Call of Duty que todos conhecem. Precisão e realismo em acção intensa e muito divertida.

INOVAÇÃO: 9

Novas opções de customização nos equipamentos, novos e retornados mini-jogos, e as ramificações da carreira.

REPLAY: 8

As ramificações fazem-nos desejar conhecer o outro lado da história. Para além destas, há ainda divertidos minijogos e muitos zombies.

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comportamento

APOCALYPSE NOW? Já todos conhecemos a história: o mundo acaba em 2012. Tal como acabava em 2000. Ou em quase todos os anos desde o início dos tempos. Desta vez, as teorias de apocalipse inspiram-se nas lendárias profecias dos maias para 2012. Mas será que foi mesmo isso que este povo previu ou alguém exacerbou a coisa? Corremos realmente algum risco, ou tudo não passará de pânico vazio, à semelhança do Y2K? Texto: Tiago Matos

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O c éu (da ci dade de P lan cus) pr enun ci a p ar a nós Atr avés de s in ai s claro s e es tr elas fi x as Que o temp o da su a súb ita mu dan ç a se aprox im a Nem p ar a o seu b em, n em p ar a os seus m ales Nos tr adam us, 3:46

D

i z -s e qu e o me do tor na c re n te o homem mais ra c iona l, e tendo em c ont a a inst abi li d ade a c tu a l do mu ndo, nã o c ust a p erc eb er o p orqu ê do su rg ime nto de t antos f i lmes, liv ros e do c ument ár ios ce nt rado s em te or i as ap o c a l ípt ic as c om d at a marc a d a p ara D e zembro de 20 1 2 . Mas af i na l o qu e p o demo s re a l me nte e sp e r ar p ar a est a d at a ?

OS MAIAS

A ú ni c a c er te z a qu e temo s é qu e, há mais de mi l ano s at rás , a c iv i l iza ç ã o mai a, uma d as mais avanç a d as do s e u te mp o, em p ar t ic u l ar na áre a d a ast rolog i a, des envolveu u m c a l end ár i o e sp e c i a l, que marc ava o temp o at ravé s d e uma c ont agem l ine ar. Tendo o s e u p onto de or i gem em 3114 a . C. , e ste ut i lizava as s eg u intes me did as : 20 d i as for mam um uinal , 18 uinal s u m tun , 20 tuns um k’atun, e 20 k’atun s u m b’ak’tun. Ao 1 3. º b’ak’tun ( 13. 0. 0. 0 . 0 ) , o c a lend ár i o ter m ina e, c om el e, a cont agem temp ora l mai a . Ad apt a d a à noss a re a li d ad e, c or resp onde a d at a a

2 1 ( ou 2 3 ) d e D e z e mbro d e 2 0 1 2 .

JOHN MAJOR JENKINS

Muito s a cre d it am que o 1 3 . º b’ak’tun ass i na l av a , p ar a o p ovo mai a, uma o c as i ã o d e g r and e mud anç a , com cons e quê nci as t ã o prof und as que a própr i a e xistê nci a humana e st ar i a p o st a e m c aus a . D ur ante a d é c ad a de 9 0 , o i nve st i g a d or Joh n Maj or Je n k ins af i r mou que o f i na l d o c a l e nd ár i o mai a coi nci d i r á com um r ar íss i mo fe nóme no g a l á c t i co, no qu a l, d a p e rsp e c t iva d a Te r r a , o S ol f i c ar á a l i n ha d o com o ce nt ro d a Vi a L á c te a , um ime ns o bur a co ne g ro a o qu a l foi d a d o o nome d e S ag itt ar ius A * . A h ip óte s e l e v antou o re ce i o d e que s e ve r i f i c ass e um e fe ito g r av it a ci ona l que ar r ast ass e o S ol p ar a o bur a co ne g ro. A i d e i a foi, contudo, re c us a d a p or out ro s i nve st i g adore s , que ap ont am que, p ar a a l é m de s e r i mp o ss ível con he ce r com e xa c t id ão o ce nt ro d a g a l á xi a , o S ol te r i a d e e st ar muito mais próxi mo d e S ag itt ar ius A * p ar a p o d e r s of re r a l g um t ip o de at r a cç ã o.

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NOSTRADAMUS

Não for am s ó o s mai as a pre ve r « a lg uma c ois a » p ara 2012. Ao l ongo d os temp o s, mu ito s foram o s profe t as que ap ont ar am a d at a c omo p ass ível d e a lb ergar o f im do mu ndo ou u m a c onte c i mento g l ob a l c ap a z d e mu d ar, espi r itu a l mente, a re a l id a d e hu mana . D es d e l o go, as p a l av ras d o mais c élebre de to do s o s profe t as , Nost r ad amus, foram ass o c i a d as a 2 0 1 2 , e sp e c i a lmente o manus c r ito Vatic inia Nostradami, des c ob er to em 1982, que cont i n ha vár i as g ravu ras de profe ci as ap o c a lípt i c as. Porém , t a l c omo a c on te ce c om as su as qu a dras , é t a l o g r au d e enc r ipt aç ã o s imb ól ic a qu e s e tor na imp ossível ret irar i l a çõ es cl aras d as imagens. Af i r mam o s c épt ic o s que qu ando s e pro c u ra mu ito u ma c ois a , ac ab a p or s e enc ont rar, mes mo qu e nã o e ste j a l á. Pare c e s er este o c as o, t anto

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no que no d i z re sp e ito a No st r a d amus , como a o p ovo Hopi, ou a o e stu do do có d i go bíbl i co e d e out ro s manus cr itos rel i g i o s o s que pre vê e m o f i m d o mundo. Nunc a s e ap ont a uma d at a e sp e cíf ic a, p el o que tud o s ã o sup o s i ç õ e s .

TIMEWAVE ZERO

O me s mo nã o a conte ce com o t rab a l ho d e Te re nce Ke mp McKe n na . Ut i l izando uma fór mu l a nume rol ó g i c a ( a qu a l ap el i d ou d e Ti me w ave Z e ro ) d e st inad a a pre ve r o n ível d e « nov i d a de » de uma d at a e sp e cí f i c a , te nd o p or b as e o núme ro d e i nte rcone xõ e s d o unive rs o e o s he xag r amas d o I C hing, Mc Ke nna che gou a uma s é r i e d e g r áf i cos que i nd i c am um n ível d e « nov id ade » e xt r a ord i nár i o p ar a o f i na l d e 2012. Cur i o s ame nte, at r avé s d e um pro ce ss o mais ou me no s s e mel hante, Jos é Arg üel l e s che gou a o me s mo re su lt ado.


WEB BOT

E xiste ai nd a um out ro proj e c to te c nol ó g i co d e rele vo que ap ont a p ara u ma g r and e c at ást rofe em D e zembro de 2012. Web B ot é o nome de um s of t ware c r i a do p ara pre ve r te ndênc i as nos merc a do s b ols ist as , at r avé s d a p es quis a d a Inter net . Fic ou f amo s o ao pre ver, a Ju n ho de 2001, u ma g r and e t ragé di a mundi a l nu m p er ío do de 6 0 a 9 0 d i as (1 1 de S etembro ) , ent re vár i as out r as c a l ami d ades. Vár io s c r ít ic o s af ir mam , p o ré m , que ai nd a qu e o pro g rama c ons i g a , d e f ac to, pre ver a c onte c imento s c aus a d o s p or humanos, é imp o ss ível qu e p oss a te r su ce ss o a pre ver c at ást rofes natu rais .

CAR G A S O L A R

Tud o o resto s ão hip ótes es . Há qu e m d i g a que o c amp o mag nét ic o ter rest re e st á a e n f raque c er e qu e o au mento c omprov a d o d a c arga s ol ar neste ano p o de c aus ar na Te r ra uma re vers ã o ge omag nét ic a , ou até

PREVISÕES DO WEB BOT 2012 GRANDE CATÁSTROFE GLOBAL A partir daqui, o programa exibe um invulgar vazio de informação até Maio de 2013 2017-2020 NOVA FORMA DE CAPITALISMO Implementada por um jovem e carismático estudante 2019 COLAPSO TOTAL DO GOVERNO DA COREIA DO NORTE Morte de Kim Jong-Un e eventual reunificação das Coreias em 2022

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Ao am anhe c er, ver ão um g r an de in c ên dio Ru í do e luz q ue se exten dem p ar a Aq u ilon Dent ro do cí r culo, mor te, e ouv i r ão g r itos Atr avés de aço, fogo , fome , mor te q ue os es per a Nos tr adam us, 2 :91

u m r ápi do desl o c amento do s p ól o s . No ent anto, o pic o s ol ar qu e s e fe z s e nt i r em 2 012 foi p er feit ame nte nor ma l, s egund o o s n íveis qu e o c or re m u ma ve z em c a d a 11 ano s . O ú n i co problema que s e p o de esp erar c omo cons e quênc i a de u m e ventu a l au me nto d e c arga s ol ar, s egu ndo a NASA , é a quebr a de c omu n ic a çõ es c om a l g uns s atélites.

NIBIRU

O ut ra te or i a avanç a d a é a de qu e um pl anet a (de nome Nibir u ) c ol id i r á com a Ter r a este mês . Mais u ma ve z , a NASA nega e ss a p o ss ibi l id a de, ass e gu rando que s e ex ist iss e a l g u m c or p o e st ran ho a c am in ho do no ss o pl ane t a , os ast rónomos j á o ter i am des c ob e r to há muito temp o. C l aro qu e a Te r r a e st á s empre suj eit a a c ol is õ es com comet as e asteróides , mas o ú lt i mo g rande i mp ac to foi há 65 m i l hõ es d e anos at r ás, le vando à ex t inç ã o d o s d inoss auros, e nã o s e esp era na d a d e s e mel hante p ara o f utu ro próx imo.

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FENÓMENO 2012

As sup o s i ç õ e s cont i nu am : f i m do c apit a l is mo, col ap s o tot a l d o siste ma d e comun i c a ç õ e s , at a que s te r ror ist as , d o e nç as ant i g as que re tor nar ã o mais mor t í fe r as que nunc a , i nv as õ e s a l ie níge nas , Te rce i r a Gue r r a Mundi a l. A mai or i a d e nó s p are ce, na ve rd ade, s e nt i r um pr a z e r e sp e ci a l p el o me do, uma f a ce t a mas o quist a que s e manife st a e sp e ci a l me nte e m fe nóme nos g l ob ais . Ass i m s e e xpl i c a , af i na l, a ge ne r a l i z a ç ã o d o fe nóme no 2 0 12, t a l como ante s s e e xpl i cou o Y2 K: to dos que re mo s s e nt i r, d e a l g um mo do, que s omo s e sp e ci ais no e sp a ç o e no te mp o. Há , contud o, que te r e m cont a que ne n huma d as te or i as apre s e nt a prov as concre t as d e ap o c a l ip s e e que, ai nd a que a cont age m l ong a d o s mai as te r m i nass e e m 2 0 1 2 , nã o que r dize r que nã o pud e ss e re come ç ar l ogo de s e g ui d a com uma nov a un i d ade de me d i d a . E l e s é que nã o t ive r am te mp o p ar a iss o. Q ue é como que m d i z , mais v a l e pre c ave r que s i mpl e s me nte pre ve r.


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opinião Por: Tiago Matos

Já não se lembra dos bons velhos tempos da Attitude Era? Não se preocupe, o novo jogo da WWE refresca-lhe a memória.

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E

m 2003 chegava às lojas WWE Smackdown! Here Comes the Pain, jogo que, apesar de um ou outro problema, foi rapidamente eleito, pela generalidade do público, o melhor e mais divertido título de wrestling de sempre, evolução natural do já de si interessante WWE Smackdown! Shut Your Mouth. Isto numa altura em que, «na vida real», a WWE, acabada de sair vencedora das Monday Night Wars ao adquirir as suas duas principais empresas concorrentes, a WCW e a ECW, reestruturava a sua programação, abandonando progressivamente a violência e o sexo, dirigidos a um público essencialmente adulto, e passando para um formato mais «políticamente correcto», dirigido a crianças e jovens. Também nos videojogos se notou esta transição. Entre 2005 e 2011, a série de títulos WWE Smackdown! vs Raw preferiu o realismo ao entretenimento, para desagrado de alguns dos mais acérrimos fãs de wrestling, que julgaram que não voltaria a existir um

jogo tão apelativo como o velhinho HCTP. No entanto, eis que agora, precisamente dez anos depois, surge WWE ’13 para baralhar todas as certezas.

ATTITUDE ERA

Este ano, a grande estrela é a Attitude Era, época de ouro do wrestling norteamericano, na qual WWE e WCW competiram numa emotiva guerra de audiências. Claro que a atracção deste jogo não se resume apenas a isto, mas é sem dúvida um dos pontos mais fortes do seu sucesso, já que o seu plantel e as histórias que se vão disputando têm, de forma evidente, a marca do melhor período da WWE. Existe mesmo um modo próprio a substituir o Road to Wrestlemania, que, seguindo os seus oito principais protagonistas (Shawn Michaels, Triple H, Bret Hart, Undertaker, Kane, Mick Foley, The Rock e Steve Austin) recria alguns dos melhores momentos desta época, com direito a inúmeras cutscenes e comentários originais. É um modo bastante divertido e de referência obrigatória para

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PLANTEL WWE ‘13 WWE SUPERSTARS • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

A L BER TO D EL R I O BIG SH OW BOOK ER T BROCK L ESNA R BROD U S CL A Y CH RIS J ERICH O CH RIS TIA N CM P U NK COD Y RH OD ES D A NIEL BRYA N D A VID OTU NG A D OL PH Z IG G L E R ED G E EP ICO H EA TH SL A TE R H U NICO J A CK SW A G GE R J BL J IND ER M A H A L

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JOHN CENA J . L AU R I N A I T IS J U S T I N G A B RIE L KANE K E V I N N AS H KOFI KINGS TON MARK HENRY PRIMO R -T R U T H R AN D Y O R T O N REY MYS TERIO S A N T I N O M A R E LLA SIN CARA S H E AM U S T E D D I B I AS E T H E G R E AT K HA LI THE MIZ THE ROCK TRIPLE H U N D E R TAK E R WA D E B A R R E T T ZA C K R Y DE R

quem quiser conhecer um pouco da origem do sucesso actual da empresa.

WWE UNIVERSE

O modo Universe é o segundo modo de época do jogo. Nele, os jogadores podem gerir por inteiro a programação da WWE, criando e posteriormente disputando (ou simulando) combates, espectáculos e PPVs. Pelo meio, um grande número de cutscenes, escritas pela sábia mão de Paul Heyman, a envolver ainda mais os jogadores na gestão das suas rivalidades.

TIPOS DE COMBATE

Como sempre, no modo «amigável», são muitos os tipos de combate que se podem disputar. Existem, entre outros, Extreme Rules, Hell in a Cell, Inferno, Iron Man, Ladder, Steel Cage, Last Man Standing, TLC, I Quit, Battle Royal, Elimination Chamber, Championship Scramble, Backstage Brawl, King of the Ring, Royal Rumble e há até a possibilidade de se fabricar um novo tipo

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ATTITUDE ERA • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

A N IM A L BIG BO SSM A N BILLY GUN N BR A D SHA W BR E T HA R T BR I T ISH BULLD O G C A C TUS JA C K C HR IS JE R IC HO C HR IS T IA N D UD E LO VE E D D IE GUE R R E R O E D GE FA A R O O Q H. H. HE LM SLE Y HA W K KA N E KE N SHA M R O C K LI TA M A N KIN D M A R K HE N R Y M IKE T Y SO N

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M R . M C M A HO N P A UL W IGH T R O A D D O GG SHA N E M C M A HON SHA W N M IC HAELS S T E P H M C M A HON S T E VE A US T IN T HE GO D FA T HER T HE R O C K T R IP LE H T R ISH S T R A TU S UN D E R TA KE R VA D E R X-PAC

WWE DIVAS

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A LIC IA FO X BE T H P HO E N IX BR IE BE LLA E VE T O R R E S KE LLY KE LLY KHA R M A LI TA N IKKI BE LLA

de combate, manipulando as regras da forma que desejarmos. As escolhas são, por isso, mais que muitas, e adequadas a todos os gostos.

PLANTEL E EDIÇÕES

O plantel é o mais extenso de sempre, com 84 atletas (41 actuais, 35 da era Attitude e 8 Divas), ainda que muitos contem como versões distintas da mesma pessoa. Adicionalmente, é possível descarregar novos lutadores on-line ou simplesmente criá-los no modo de edição do jogo. É ainda permitido modificar equipamentos de lutadores originais, brincar um pouco com a inteligência artificial, criar entradas, movimentos, finishers, histórias, arenas, logótipos e highlight reels. É o mais customizável jogo da série WWE.

GIMME A HELL YEAH!

Os gráficos são excelentes, do melhor que já se viu neste género de jogos, e o ambiente sonoro dos combates também


GRÁFICOS: 9 A maior parte dos lutadores é extremamente realista. O visual característico da Attitude Era está presente.

é bastante satisfatório, mas é na extraordinária jogabilidade de WWE ‘13 que reside o seu sucesso. A velocidade e subtileza de movimentos estão no ponto perfeito, nem demasiado rígidos nem demasiado irreais, e a maior parte dos lutadores mantém a identidade dos seus movimentos, tornando a experiência mais autêntica e envolvente. O facto de, em pleno combate, não existirem no ecrã quaisquer pormenores que não o logótipo da WWE faz parecer que estamos mesmo a assistir a um espectáculo da empresa, e os momentos OMG!, que permitem, por exemplo, atravessar uma mesa em fogo com um oponente ou apanhá-lo a meio de um golpe (ou no ar) com um finisher súbito são pormenores deliciosos que fazem toda a diferença. É certo que se continuam a verificar, uma vez ou outra, pequenos glitches que, por exemplo, «congelam» jogadores, mas até aqui os erros são bem mais raros que em outras edições. Por isso, se gosta de wrestling, não hesite em experimentar este WWE ‘13; caso não goste, bem, tem aqui a melhor das oportunidades para se deixar introduzir neste estranho mundo de luta e drama.

SOM: 8 Os comentários são satisfatórios (especialmente com a dupla Jim Ross/Jerry Lawler). A atmosfera de jogo é relativamente interessante.

JOGABILIDADE: 10 Movimentos fluidos, muito realistas. Uma enorme panóplia de movimentos e acções para experimentar.

INOVAÇÃO: 8 A inclusão da Attitude Era confere uma nova alma ao jogo. O tamanho e qualidade do plantel e as novas opções de customização também são dignas de elogio.

REPLAY: 9 Dezenas de tipos de combates, um modo Universe que depende apenas da imaginação e uma experiência de jogo muito divertida, especialmente se jogada com amigos.

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opinião Por: Tiago Matos

O MUNDO DEPOIS DO FIM TOM PERROTTA

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s e de u m mome nto p ar a o out ro s e d e s v ane ce ss e m , s em ex pl ic a ç ã o, m i l hõ e s d e p e ss o as p or to d o o mu ndo ? C omo re ag i r i am o s s obre v ive nte s ? É e st a a s impl es mas i nte re ss ante pre m iss a a p ar t i r d a qu a l Tom Per rott a des e n ha a su a mais re ce nte nar r at iv a , lo c a l iza d a na p e qu ena ci d a d e d e Mapl e ton . O autor dá-nos a conhecer, de forma sucessiva, os quatro elementos de uma família que, apesar de não ter sido directamente prejudicada pela tragédia, se deixou desintegrar por ela. L aurie, a mãe, abandona o marido e os filhos para se juntar a uma estranha seita de obser vadores; Kevin, o pai, torna-se presidente da câmara, mas vive, ainda assim, atormentado pela solidão; Tom, o filho, desiste da universidade e dedica a vida a proteger a amante grávida de um polémico profeta; e Jill, a filha, rapa o cabelo e junta-se a Aimee, uma rapariga que a contagia com a sua rebeldia. Por último, há ainda Nora, uma mulher que perdeu tudo na Partida Súbita, e se interessa, de modo gradual, por Kevin. Na re c onst r u ç ã o d as v i d as d e st as ci nco p e rs onage ns s e f a z O Mundo D epoi s do Fim, um romance p ó s - ap o c a l ípt i co de e volu ç ã o l ent a , es c r ito num e st i l o s i nce ro e i nt i m ist a , e lembrando a esp a ço s a voz nar r at iv a habitu a l d e Ste phe n Ki ng ( qu e, p or s ina l, s el a na c ap a o s e u apre ç o p el o l iv ro ) ou Marg aret At wo o d ( e sp e ci a l me nte e m obr as como Ó r i x e Cre x e O Ano do D ilúv io) . Distopi a de gente c omum num mund o e xt r a ord i nár i o, O Mundo D epoi s do Fim foi el e ito mel hor l iv ro d o ano p or me io s c omo Ne w York Times, Washing ton Post e Ama z on.

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«O melhor livro sobre o Apocalipse desde a Bíblia.» Entertainment Weekly

TÍTULO: O MUNDO DEPOIS DO FIM AUTOR: TOM PERROTTA EDIÇÃO: CONTRAPONTO TÍTULO ORIGINAL: THE LEFTOVERS TRADUÇÃO: RAQUEL DUTRA LOPES PÁGINAS: 320 PVP: 16,60 € ANO: 2012 ORIGINAL: 2011

SI N OP SE E se o Apocalipse não fosse como pensamos mas algo mais estranho, mais inexplicável, com o desaparecimento de milhões de pessoas em todo o mundo? Velhos, jovens, homens, mulheres, santos, pecadores, todo o tipo de pessoas… simplesmente desaparecidas, de um momento para o outro. Como poderão aqueles que ficaram reconstruir as suas vidas?

S OB R E O AU TOR Tom Perrotta é autor de vários romances, incluindo Joe College e Abstinência (Contraponto, 2010). Os seus títulos Election e Pecados Íntimos (Bico de Pena, 2007) foram adaptados com sucesso ao cinema.

«O livro mais divertido P Ú B L IC O - A LVO da segunda metade Pelo género, O Mundo Depois do Fim promete desde logo agradar do século XX» a fãs de romances pós-apocalípticos. Já o estilo é particularmente Hitchens apetecível aChristopher fãs de autores como Stephen King ou Margaret Atwood.

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letras

O PIAR DO

MOCHO Texto: Eva Duarte

Eva Duarte é uma jovem escritora portuguesa. Em 2010 publicou o romance infanto-juvenil Angelyraa – Humanidade de Cristal e o conto A Lua Também Chora. Se pretende obter uma das suas obras, entre em contacto connosco.

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stava sentado numa cadeira, com os cotovelos suportados pelos joelhos, observando o estranho pássaro no centro da sala vazia. Acreditava ser uma ave pelas penas e pelo bico, mas no todo não tinha aparência de ave ou de nada. Esfregou o rosto desalinhado, numa insónia que durava há dias, e tentou resgatar o seu controlo. A perna esquerda tremia-lhe debaixo do cotovelo enquanto observava a criatura: o corpo era igual ao de um mocho, com terríveis candeias como olhos. Porém cresciam-lhe longas pernas de avestruz e uma cauda semelhante à de um pavão. O homem castigou as têmporas com os polegares – aquilo era uma aberração, uma criatura horrenda, um pensamento não esclarecido. O homem levantou-se da cadeira e deambulou sobre o tormento de saber que a sua cabeça seria mais suportável vazia. O bicho seguia-o com um ar estúpido estampado nas córneas. O homem, tentando evitar a criatura, voltou-se para uma parede vazia. De repente nela surgiu uma projecção do seu passado. Enternecido, acarinhou a parede com os dedos doentes e amarelados. Olhou para si, não há muitos dias atrás, tão diferente; uma cara saudável e olhos longe de escorregarem das órbitas. E os ombros!, tão descontraídos e ingénuos. Depois olhou as pessoas: flutuavam pelo passeio, sem qualquer conhecimento real e sem sentirem a falta de um. Viu-se por entre a multidão, a caminho de casa, onde a sua mulher o esperava. Tão elegante que ela era, com um brilho quase etéreo como se fosse eterna. Se ela não era bela, nenhuma outra o era.

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O homem deslizou pela parede em agonia; queria tudo aquilo de volta. Olhou de novo o pássaro. Quanto mais o desespero preenchia o homem, mais a ave se distorcia. O seu corpo de mocho coloria-se com as penas de uma arara, berrantes e fortes, tornando o conjunto ainda mais bizarro. O homem gritou com a cabeça entre os ossos dos dedos e a criatura imitou-lhe o som – como uma arara faria. Ao virar costas à estranheza da criatura, encarou mais uma vez a projecção fantasma. Já se tinham passado umas horas e via-se torto sobre um livro pesado. O homem berrou, esperneou, esgravatou a parede como se pudesse arrancar o livro das mãos do seu passado. Chamou-se idiota e as penas da ave eriçaram-se num espasmo. Começou a visualizar o início do seu pesadelo depois da leitura do livro. A sua esposa parecia-lhe agora macilenta, cheia de tiques e manias, como os de uma pessoa nervosa. Assustado, saiu para a rua. Mas lá as coisas também já não eram iguais. O chão era lamacento e as pessoas pareciam inacabadas. Havia barulho vindo de todo o lado. O homem coçava-se e sacudia-se; adquirira uma estranha sensibilidade às cores e aos sons; à beleza e à imperfeição. E ao movimento, principalmente ao movimento. Uma pergunta adoecia-lhe na mente: «Porquê?». Queria saber o que movia as pessoas, de que forma se questionavam elas, se se questionavam, o que lhes contraía as entranhas e como chegaram ali. O

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quê? Porquê? Como? Porquê?! O homem chorava com a imagem atarantada de si mesmo. Queria esquecer como era pensar, mas nesse desejo algo lhe doeu. Deveria negarse? Deveria procurar consolo na ignorância? Não sabia se conseguia voltar a ser um homem inacabado, sem interesse em terminar-se, apenas em troca de uma visão mais preciosa das coisas. Uma visão que não o corroesse e o deixasse dormir. Quando olhou o pássaro, as cores tinham-se apagado e as pernas encurtado. O mocho piou e abriu em leque a sua cauda de pavão, num movimento vaidoso e teatral. O homem confrontou-o e estudou-o. O frenesi diluiu-se na sua mente. Como um velho, apacientou-se e sentou-se de novo na cadeira, analisando aquele pensamento já menos frenético. «Também eu estou ainda inacabado», suspirou, «no fim do mundo encontra-se mais decepção do que alívio». O mocho sacudiu a cauda e mostravase por fim como um pássaro único, num comum mocho. O homem sorriu ao ver uma pena da cauda de pavão caída sobre o soalho. Guardou-a, aceitando os destroços de um mundo antigo e de si próprio. A projecção derreteu a parede e surgiu uma janela que dava para um mundo inexplorado. O homem transpôs a janela e respirou fundo. Olhou para o mocho coçando as penas e arrumou esse pensamento.


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crónica Por: Detinha Avelino

SEXO MAIS QUE

SAGRADO

Detinha Avelino é uma escritora brasileira, residente em Lisboa. Escrevendo em espanhol, publicou os livros Seduzca Me, de contos românticos e eróticos, e Pequeña Y Rara, onde relata engraçadas e problemáticas passagens do dia-a-dia. Os seus livros podem ser encontrados em detinhaavelino.bubok.es.

E

stive vários dias a pensar em fazer como o Juvenal e escrever tudo o que pudesse a falar mal de sogras e do quanto elas conseguem «empatar uma foda», mas decidi lembrar-me que algo de bom surgiu com a presença dessa terceira pessoa na minha casa: realizar mais uma fantasia. Tudo começou com um inocente passeio ao Castelo de Sesimbra, quando decidi ver a vista da cidade do alto das muralhas. É evidente que, para uma idosa, a subida não foi possível e, por isso, fomos apenas eu e o meu marido. Lá no alto, completamente sozinhos, iniciámos uma nova aventura: fazer amor em lugares exóticos (e perigosos). Conseguimos a proeza em Sesimbra, no Jardim Zoológico, em Belém e, incentivados pela facilidade da coisa, decidimos alargar os horizontes pelos caminhos de Espanha. Passeávamos a três, em Trujillo, e a minha sogra queria conhecer todas as igrejas e castelos que via. Entrámos numa igreja e ela, toda devota, ficou a rezar enquanto subíamos para ver a torre. A vista era maravilhosa. Permanecemos lá algum tempo, tirámos fotos e todos começaram a descer, incluindo eu, até que percebi que o meu marido tinha desaparecido e, enquanto o procurava, escutei um assobio. Olhei e vi uma pequena abertura, vedada por fitas para que lá não entrassem. Era uma estreita passagem com degraus, intencionada, creio, a uma possivel fuga dos monges. Descia de frente quando o meu marido disse que o devia fazer de costas, por não haver espaço para me virar no fundo. Percebi que era uma armadilha quando o senti por trás, já com as calças em baixo. Parei um pouco a pensar no risco que seria fazer amor num local daqueles, mas ao mesmo tempo senti a necessidade daquele momento para apimentar a nossa vida. Subi a saia e a coisa estava a ficar muito quente quando ouvi barulhos de sinos próximos. Ainda lhe disse que não ia ser possível, mas todos sabem como são os homens quando estão excitados, não ouvem nada, e por isso cedi, pensando que talvez nos safássemos mais

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uma vez. Entrei no clima de excitação e tudo teria corrido bem, não fosse por um detalhe: começaram a cantar uma Ave Maria, mesmo por baixo de nós. Percebi que, não sei como, estávamos em cima do pulpito da antiga igreja. Apesar de não ser católica, respeito todas as religiões e, vá, uma Ave Maria cantada em coro merece ao menos uma pausa. Mas o meu louco marido, ateu confesso, nem fez caso disso. Continuou a «bombardear» até gritar junto com o coro.

Ajeitei-me como pude e saí com muito medo que um raio caísse na minha cabeça, mas, por fim, ao deparar-me uma vez mais com a minha sogra, vi que tinha valido a pena tanta heresia. Encarando-me nos olhos, ela observou que estávamos estranhos. Eu disselhe que estranho era não aproveitar um lugar como aquele para gozar a vida. Regressei da viagem com os joelhos trémulos, a minha sogra desconfiada e o meu rico marido com um lindo sorriso nos lábios.

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fotografia

A Arte do Nu

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O Fim do Mundo


Vivem no Funchal e formam um colectivo de artistas muito especial, detentor de inúmeros prémios pelos seus magnifícos trabalhos fotográficos. Este mês, os DDiArte ajudam-nos a ilustrar o fim do mundo. Texto: Tiago Matos | Fotografia: DDiArte | www.ddiarte.com 35


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FICHA TÉCNICA www.ddiarte.com

CAPA Modelos: Laura Capontes e Sidnei Varela (Colecção Berardo)

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PÁGINA 37 Modelo: Quélia Vieira

PÁGINA 43 Modelos: Leandro, Carla e Gonçalo

ÍNDICE Modelo: Quélia Vieira (Colecção Berardo)

PÁGINAS 38/39 Modelos: Diogo, Andreia, Tabata, Jean-Marie e Duarte (Colecção Berardo)

PÁGINAS 34/35 Modelos: Leandro, Carla, Gonçalo, Quélia, Roberto, Yuria e Philippe (Colecção Wurth)

PÁGINAS 40/41 Modelos: João Caneco, Eloisa Vieira, Mariana Sousa, Nina, Sandra e Sergey

PÁGINAS 46/47 Modelos: Sidnei, Cláudio, Tabata, Diamantino, Zé Diogo, Gonçalo, Yuria, Roberto e Maciel (Colecção Wurth)

PÁGINA 36 Modelo: Tabata (Colecção Berardo)

PÁGINA 42 Modelos: Miguel e Bruna (Colecção Berardo)

PÁGINAS 48/49 Modelos: Leandro, Carla e Gonçalo

PÁGINAS 44/45 Modelos: Yoli e Diamantino (Colecção Berardo)


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Revista 21 | Edição 16 | Dezembro 2012