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MENSAL | SETEMBRO 2011 | #01

aMY wINEHOUSE oS SEGREDOS DA LENDA BRITÂNICA

CINEMA e­­ PODER Os FILMEs QUE CONQUISTaram HITLER e stalin

21 gUITARRISTAS QUE MUDARAM O MUNDO DA MÚSICA

sexo e aliens as seitas mais loucas do mundo

dÍA DE los MUERTOS

Isadora Bellavinha


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Isadora ll Be avinha

FICHA TÉCNICA DIRECTOR Tiago Matos COLABORADORES Eva Duarte Luna Santos Sílvia Silva Susana Veríssimo Vera Caldeira FOTOGRAFIA André Luiz Pires CONTACTO revista21@revista21.net PERIODICIDADE Mensal

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HEY, THE SHOW IS FREE!

onfesso que sempre achei engraçada a expressão que Conan O’Brien utiliza no seu talk show para silenciar os apupos ocasionais da audiência: «Hey, the show is free!» Obviamente isto significa que todos podem sempre mudar de canal ou desligar a televisão sem qualquer prejuízo pessoal, caso não apreciem o que por lá decorre. Tomando o conselho à letra nasceu a 21, uma nova revista nacional, 100% online, 100% gratuita, que explora o entretenimento da cultura e não tem medo de arriscar. Necessária porque as alternativas são fracas e nos habituámos a consumir produtos que se afirmam livres mas estão, na verdade, presos pelo cordão umbilical a compromissos comerciais e interesses duvidosos e, no geral, pouco transparentes. Ou produtos que estão realmente livres, mas por falta de meios ou ideias de interesse, se assumem como irremediavelmente elitistas ou entediantes. Por não se incluir em nenhum destes lotes, a 21 assume-se como alternativa válida. Uma proposta marginal para o leitor generalista, que aposta no que os outros não apostam - desde que passível de interessar a maioria do público - e não se move por dinheiro, resultando antes do esforço e boa vontade de todos os envolvidos. Neste primeiro mês, por exemplo, temos vários motivos de interesse. Sabia que o grande desejo de Amy Winehouse era ser empregada de mesa? Conhece o filme favorito de Adolf Hitler e outros grandes ditadores mundiais? Quer sugestões de boa música tocada por 21 heróis da guitarra? Já ouviu falar do estranho Culto da Cebola? Pretende explorar o erotismo narrativo de um conto escrito pela autora Eva Duarte? É o que temos para oferecer! E, por fim, aprecie o macabro e original ensaio fotográfico realizado por André Luiz Pires para a 21, com a bela Isadora Bellavinha a personificar a caveira mexicana do Dia de Los Muertos. Esperamos que, no processo, se divirta e aproveite para passar palavra. Dê-nos a conhecer o seu feedback e lembre-se de nos visitar no Facebook. Em caso contrário, já sabe... «Hey, the show is free!»

Tiago Matos


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ÍNDICE

FOTOGRAFIA

SETEMBRO 2011 CORREIO 6 NOTÍCIAS 8 AGENDA 10 PERFIL AMY WINEHOUSE 12 MÚSICA 21 HERÓIS DA GUITARRA 16 CINEMA OS FILMES FAVORITOS DOS GRANDES DITADORES 22 LETRAS FICÇÃO: ERRO OU ERRADO? 28 COMPORTAMENTO CULTOS E SEITAS EXTRAVAGANTES 34


correio

PORTUGAL PRECISAVA MESMO DE MAIS UMA REVISTA ONLINE? Na verdade... sim. Até porque nos últimos tempos o mercado editorial sofreu uma clara quebra, tanto em quantidade de revistas disponíveis como na qualidade e imaginação com que são criadas. O problema deve-se à sujeição a compromissos comerciais e públicos-alvo pouco exigentes, mas existe uma fatia alternativa de potenciais consumidores que não se revê nestes termos, e é a pensar neles que o online deve começar a ser explorado, oferecendo uma maior variedade de conteúdos. O QUE TEM A 21 DE DIFERENTE? É uma revista para quem aprecia cultura e entretenimento, privilegiando um espírito irreverente e alternativo, de estilo descontraído. É ainda a única revista nacional concebida 100% a custo zero. Resulta exclusivamente do tempo, talento e boa vontade de todos os envolvidos, algo que se reflecte no resultado e a torna, sem dúvida, especial.

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A REVISTA VAI MANTER SEMPRE O MESMO FORMATO? CONTINUARÁ GRÁTIS? O número de páginas poderá eventualmente mudar e as secções que a constituem serão alteradas com frequência, mas enquanto for online, a 21 será sempre acedida de forma gratuita. ESTOU EXTREMAMENTE DESCONTENTE COM A REVISTA. PARA ONDE POSSO ENVIAR AS MINHAS QUEIXAS? Enviem-nos todos os vossos comentários, apreciações e sugestões para o nosso e-mail oficial: revista21@revista21.net. Procurem-nos também na nossa página do Facebook. ACHO QUE ESCREVO MELHOR QUE VOCÊS. COMO ME POSSO JUNTAR À 21? Estamos sempre à procura de novos colaboradores. Se quiserem escrever para a 21, enviem-nos um e-mail indicando no assunto a referência “Jornalista 21”.


QUERO SER CAPA DA 21. COMO ME POSSO CANDIDATAR? Envie-nos um e-mail referindonos o seu nome, idade, zona de residência e eventual experiência profissional. Anexe um par de fotografias (rosto e corpo) e escreva no assunto “Modelo 21”. É POSSÍVEL FAZER PUBLICIDADE NA 21? Sim. Contacte-nos por e-mail, indique-nos o que pretende (uma página, meia página, dupla, etc.) e dar-lhe-emos feedback logo que possível.

PORQUÊ “21”? Porque não? As razões são muitas, tais como os supostos significados simbológicos do número, que o associam a perfeição e excelência. No entanto, parece mais provável que se deva ao nosso compromisso de tentar fazer 21 grandes edições... e depois desaparecer. Veremos se será mesmo assim!

No primeiro número esclarecemos dúvidas. No segundo contamos convosco. Enviem o vosso feedback para revista21@revista21.net .

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notĂ­cias Por: Luna Santos

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LADY GAGA É A PRÓXIMA WINEHOUSE?

Um mês após a morte de Amy Winehouse, as atenções focam-se agora no cinema, com a possibilidade de ser feito um filme sobre a sua vida. Resta saber a quem caberá interpretar a cantora, sendo certo que Lady Gaga já se mostrou interessada. Anne Hathaway, Christina Ricci e Natalie Portman são outras opções avançadas.

NOVO ÁLBUM DE EMILIE AUTUMN

A cantora, compositora e violinista Emilie Autumn planeia lançar ainda este ano o álbum «Fight Like a Girl» («F.L.A.G.»). Não adiantando ainda datas concretas, Emilie, tem dito em várias entrevistas que «F.L.A.G.» só sairá quando sentir que está perfeito, pois prefere fazer um trabalho moroso e minucioso e sentir-se satisfeita com o resultado.

MILA KUNIS ADORMECE EM CENA DE SEXO

Mila Kunis, protagonista do filme «Friends with Benefits», revelou que adormeceu a fazer uma cena de sexo com o colega Justin Timberlake. A actriz trabalhava há 18 horas e, enquanto Timberlake lhe começava a beijar as costas, pensou «‘Vou só fechar os olhos por um minuto’. Quando dei por mim, estava a cena gravada», confessou a própria.

HEAVY METAL SALVA CRIANÇA

Um menino norueguês de 13 anos conseguiu assustar com o seu toque de telemóvel quatro lobos que tentavam atacá-lo. A música que o salvou pertence à banda de trash metal Megadeth. Recomposto do susto, o jovem afirma que a melhor forma de combater os lobos é enfrentando e não fugindo.

KATE WINSLET EM PERIGO DE VIDA

Enquanto desfrutava de um período de férias nas Caraíbas, a casa onde a actriz estava alojada sofreu um incêndio devido a uma tempestade tropical. Kate Winslet estava na companhia do marido e dos três filhos quando aconteceu o desastre e tiveram de ser evacuados. Apesar do susto e da destruição completa da casa, os hóspedes não sofreram mazelas.

PENTEAR O CABELO PODE LEVAR À MORTE

Foi detectada numa jovem escocesa de 13 anos uma doença, “Hair Brushing Syndrome”, que pode levar à morte dos pacientes... se estes escovarem o cabelo. A electricidade estática produzida pela fricção da escova pode gerar convulsões com resultados dramáticos, pelo que os portadores do síndrome devem pentear-se em ambientes muito húmidos.

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agenda Por: Sílvia Silva LÁGRIMAS EM CENA 40 anos após a estreia da peça em Dramstadt, Petra, a bissexual rude e melodramática, volta à cena em busca dos sinais dos tempos. «As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant» questiona o sofrimento por amor, o significado do amor em si mesmo, a sexualidade, a fidelidade, a violência e a ousadia, mas sobretudo a forma como, sem nos apercebermos, odiamos nos outros os nossos próprios defeitos. Este será um teste ao público e à sociedade que, passado quase meio século, poderá ter evoluído, estagnado ou simplesmente mudado a forma como encara o mundo. ONDE Teatro D. Maria II, Lisboa. QUANDO 15 de Setembro a 6 de Novembro. 21h15 (quarta a sábado) ou 16h15 (domingo). QUANTO 12€

TASCA BEAT NO CCB Numa noite promovida pela Ordem dos Advogados, os O’Questrada prometem reinventar os sons de Portugal. Esta “orquestra de bairro” diz juntar o melhor das Tascas ao melhor do Beat para criar um novo som, uma “nova batida popular, propícia ao encontro e à desgarrada com o mundo”. Os próprios deixam um aviso claro a todos os Tascabeateiros: “O’Questrada não é fado. Celebra o fado e os seus fadistas. Não é world music. Celebra o mundo à portuguesa”. Seja um Tascabeateiro no CCB que o espera para uma desgarrada e um pezinho de dança. ONDE Centro Cultural de Belém, Lisboa. QUANDO 24 de Setembro. às 21h. QUANTO 10€ a 35€

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CHEGOU O FMI Com o FMI em Portugal, nada melhor do que viajar até Braga e assistir ao FMI - Festival de Música Independente, uma celebração de música alternativa com B Fachada, Birds Are Indie e The Subs (dia 16), Drums of Death, The Cobras e Salto (dia 17) e Noiserv, Kathryn Calder e Pega Monstro (dia 18), entre muitos outros. ONDE Rua de Santa Margarida, Braga. QUANDO 16 a 18 de Setembro. QUANTO 2€ (diário), 10€ (passe “10 Years of ClashClub Positiva”) ou 7€ (passe “DEEP Clubing”).

TUDO MENOS “AI MALHÃO MALHÃO” Este mês vá até Barcelos curtir ao som de Rock, Heavy Metal, Celta ou Hip-Hop. Aproveite ainda os workshops, artesanato regional, doces caseiros e licores, esses “Saberes de Cada Um” que valem mais quando partilhados. Se gosta de bandas e sons alternativos, por três malhos, este é o seu festival. ONDE Rua da Retorta, Lijó, Barcelos. QUANDO 23 a 25 de Setembro. QUANTO 3€

ROCK’ART EM ANADIA Anadia recebe X-Wife, Youthless, Shivers, Riding, Pânico, Botswana, The Macaques, Men Eater e muito mais em dois palcos diferentes e After Hours. Além disso, pode ver artesanato, assistir a curtas-metragens, exposições de fotografia e pintura ou visitar o Centro Cultural que estará aberto toda a noite. ONDE Vale Santo, Anadia QUANDO 9 e 10 de Setembro. QUANTO 5€ (diário), 3€ (diário para estudantes do concelho)ou 8€ (geral com campismo gratuito).

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perfil

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curiosidades sobre

amy

winehouse

Pensa que sabe tudo sobre Amy? Descubra aqui o outro lado da cantora! Texto: Susana VerĂ­ssimo

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ORIGENS RUSSAS

É de conhecimento comum que Amy Winehouse nasceu a 14 de Setembro de 1983, em Londres, no seio de uma família judaica. Menos pessoas saberão, contudo, que da parte materna, a cantora descendia ainda de um vendedor de fruta russo, emigrado para Inglaterra no século XIX.

RAÍZES MUSICAIS

A sua família tinha uma forte ligação à música. O tio de Amy era trompetista profissional e o seu pai costumava cantar como amador. Amy cresceu, por isso, a ouvir clássicos de jazz, Sinatra e outros que marcaram profundamente o seu gosto por este estilo.

INFLUÊNCIAS

Além do jazz, houve outros estilos musicais que a influenciaram. Amy apreciava particularmente Michael Jackson, Madonna, Salt’n’Pepa e TLC, considerando os dois últimos grupos especialmente «inspiradores e autênticos».

A PRIMEIRA BANDA

Amy tinha apenas 10 anos quando formou com uma amiga a dupla de rap Sweet’n’Sour. Descrevia a banda como sendo «a pequena Salt’n’Pepa judaica».

A PRIMEIRA GUITARRA

Após algum tempo a praticar às escondidas com a guitarra do irmão, Amy recebe aos 13 anos a sua primeira guitarra. Aos 16 já a toca como uma profissional.

SONHO DE CRIANÇA

Quando era criança, Amy Winehouse sonhava ser empregada de mesa e, tal como no filme «American Graffiti», servir às mesas em patins.

IRREVERÊNCIA ESCOLAR

A cantora sempre foi conhecida pela sua irreverência e teimosia. Aos 12 anos, entrou para a Sylvia Young Theatre School, mas foi expulsa dois anos depois por não se aplicar o suficiente e por ter um piercing no nariz.

A PRIMEIRA APARIÇÃO TELEVISIVA

Junto com vários outros colegas de turma, Amy fez, aos 14 anos, uma aparição especial no programa de comédia «The Fast Show». A personagem que interpretava chamava-se Titania.

A CARREIRA CHEGA AOS 30

Amy Winehouse tinha como principal ambição fazer carreira no mundo da música, mas achava que só aos 30 anos assinaria contrato com uma produtora e lançaria o primeiro álbum.

LÉSBICAS E CANÁRIOS

Winehouse tinha por hábito escrever as próprias músicas, que por vezes tinham, contudo, temas no mínimo estranhos. Em «Stronger Than Me», Amy explora as relações que teve com pessoas do mesmo sexo, e «October Song» era uma homenagem cantada ao seu canário falecido.

O CAMINHO PARA A FAMA

O talento de Amy foi inicialmente descoberto

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pela agência 19 Management através das demos que o seu namorado da altura, Tyler James, lhes enviou. A sua voz, considerada especial, com uma tonalidade autêntica de jazz e blues, fez com que a cantora fosse mantida em segredo, tentando afastá-la dos “tubarões” da indústria. Eventualmente, a Island Records ganhou a disputa e ofereceu-lhe um contrato. Amy tinha apenas 20 anos.

AMY VS FRANK

Em 2003, Winehouse lançou o seu álbum de estreia: «Frank». O álbum chegou a ser platina na Grã-Bretanha, mas Amy reconheceu mais tarde que não gostava dos seus arranjos e tratamento de imagem, classificando-o mesmo como «insuportável».

O ANO DOS GRAMMY «Back to Black» foi o segundo e último - álbum de estúdio da cantora. Lançado em 2006, teve um enorme sucesso comercial, tornando-se o disco mais vendido de 2007. Deu ainda a vencer a Amy 5 das 6 categorias para as quais havia sido nomeada nos Grammy 2008: Canção do Ano, Gravação do Ano, Artista Revelação, Melhor Álbum Pop e Melhor Cantora Pop. Para além de ser, na altura, a artista feminina com mais vitórias numa só noite, tornouse também a única britânica com cinco Grammy.

REHAB INSTANTÂNEO «Rehab» é, ainda hoje, o single mais famoso da cantora, e tal como todos os seus temas, foi

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baseado nas suas vivências pessoais, particularmente no momento em que o seu agente a tentou convencer a entrar num programa de reabilitação para curar a sua adição a álcool. «Perguntei ao meu pai se ele achava que eu tinha mesmo de ir. Ele disse que não, mas que devia tentar de qualquer modo. Por isso fui... mas apenas durante 15 minutos. Entrei lá, disse ‘olá’ e expliquei que bebia porque estava apaixonada e tinha estragado a minha relação. Depois fui-me embora», explicou a cantora.

PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS

Aqueles que não a conheciam pela voz, conheciam-na pelas polémicas. Especialmente pelo abuso de álcool e drogas. Em Junho de 2008, o pai da cantora anunciou que, como consequência dos vícios, Amy tinha um batimento cardíaco irregular e os seus pulmões funcionavam a apenas 70% da capacidade, pelo que estava em risco de morrer. Poucos dias depois, contudo, Amy foi fotografada com um ar despreocupado e um cigarro na boca.

mais curiosos verificou-se em 2006, quando Amy esmurrou um fã que alegadamente a criticou por ter casado com Blake. Quando o marido se aproximou para a tentar acalmar, Amy deu-lhe uma joelhada nos testículos.

CONCERTO DE UM SÓ TEMA

Álcool, drogas, problemas amorosos e bulimia fizeram com que Amy Winehouse tivesse prestações absolutamente deploráveis ao vivo, entre as quais na única vez que pisou palcos portugueses, no Rock in Rio Lisboa, em 2008. Foi, contudo, um ano antes que a cantora fez o que muitos consideram ter sido o seu pior concerto de sempre. No G.A.Y. Club, de Londres, Amy conseguiu cantar um único tema antes de abandonar o palco, visivelmente de rastos.

TATUAGENS

Um dos vícios menos falados de Winehouse eram as tatuagens. Entre outras, tinha num dos braços tatuadas as palavras FEITIO «Never clip my wings» («Nunca TEMPESTUOSO me prendas as asas») e no outro A relação de Amy com Blake o desenho de uma pin-up, Fielder-Civil foi tão famosa uma ferradura e a expressão como tempestuosa. Os dois «Daddy’s Girl» («Menina do conheceram-se num bar e, Papá»); no antebraço uma pena; passado algum tempo, casaram- na barriga as palavras «Hello se em Miami. No entanto, o Saylor» («Olá Marinheiro»); no casal separou-se por diversas rabo a Betty Boop; e no peito vezes, para além de se envolver a expressão «Blake’s», que a em inúmeros episódios de indicava como “propriedade” violência doméstica. Um dos do seu namorado Blake.


DESEJO DE NORMALIDADE

Em 2007, cansada da vida agitada que levava, revelou à imprensa que o seu maior desejo era ser uma simples mulher casada e com filhos, para se dedicar totalmente a eles e deixar a fama para trás.

CLUBE DOS 27

Amy Winehouse foi encontrada morta na sua casa em Londres, no passado dia 23 de Julho. Tinha 27 anos, idade com que faleceram alguns dos maiores nomes da música de sempre, entre os quais Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix, todos em condições algo misteriosas. Também no seu caso há ainda muito por explicar, já que não foram identificadas drogas no seu corpo. As razões da morte continuam por descobrir.

A MÚSICA FINAL

O corpo de Amy foi cremado, de acordo com os preceitos da religião judaica. A cerimónia fúnebre realizou-se a 26 de Julho e foi acompanhada pelo tema «So Far Away», de Carole King.

AMY WINEHOUSE SONHAVA SER EMPREGADA DE MESA, ESCREVIA SOBRE CANÁRIOS E ODIAVA UM DOS SEUS ÁLBUNS.

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GuiTaor r e e s H música

Acha-se fã de guitarra? Então descubra (ou relembre) 21 dos seus principais nomes!! Texto: Vera Caldeira

JIMI HENDRIX

Chegou a tocar com os dentes, popularizou a distorção e deixou-nos a todos na retina o momento em que pegou fogo à guitarra num concerto. Considerado por muitos o melhor guitarrista de sempre, é o detentor dos solos mais geniais e sem dúvida um ícone da música, imortalizado pela sua trágica morte, aos 27 anos. O autor de «Purple Haze» e «Hey Joe» teve ao longo de toda a carreira momentos brilhantes, como o da sua mítica interpretação de «Star Spangled Banner» no Woodstock de 1969. A OUVIR: LITTLE WING

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BRIAN MAY (QUEEN)

Astrofísico de formação, em boa hora decidiu o britânico Brian May apostar na música como profissão, já que, através dos Queen, se tornou um dos mais emblemáticos guitarristas de sempre. Com a sua inseparável Red Special, guitarra feita em casa por si próprio e pelo seu pai, compôs trabalhos inesquecíveis como «We Will Rock You» ou «Bohemian Rhapsody». A OUVIR:

TIE YOUR MOTHER DOWN

CARLOS SANTANA

Foi em 1969 uma das maiores revelações do Woodstock, graças a um estilo profundamente incendiário e inovador. Músico de enorme talento, capaz de agradar aos ouvidos mais distintos, enche recintos por todos os lugares que passa com temas como «Europa», «Oye Como Va» e «Smooth». A OUVIR:

BLACK MAGIC WOMAN

CHUCK BERRY

Apelidado por muitos como o inventor do Rock, Berry foi o responsável pela redefinição do R&B clássico, adicionandolhe elementos que mais tarde se tornariam a base do Rock. Demonstrou a sua maestria em temas como «Twist Again», «Maybellenne» ou «Rock and Roll Music» e continua a ser um dos grandes nomes da música. A OUVIR: JOHNNY B. GOODE

FRANK ZAPPA

O trabalho de Frank Zappa, guitarrista futurista e “cósmico”, junto aos The Mothers of

ERIC CLAPTON

(CREAM, DEREK AND THE DOMINOS, THE YARDBIRDS)

Conhecido do grande público pelo tema «Tears in Heaven», escrito em homenagem ao seu filho que morreu quando, por acidente, caiu da janela de um arranha-céus, Clapton começou num estilo diferente, mais agressivo e “desesperado”, motivado pelos seus vários problemas amorosos, aos quais se associava o excesso de drogas. A sua incrível destreza na guitarra é demonstrada em temas como «White Room», «Crossroads» e «Sunshine of Your Love». A OUVIR: LAYLA (VERSÃO “DEREK AND THE DOMINOS”)

Invention, resultou em alguns dos mais estranhos e chocantes álbuns de que há memória. Nada lhe tira a genialidade autêntica de artista underground que pouca projecção teve em vida. A OUVIR: TODO O ÁLBUM ‘JOE’S GARAGE’.

IKE TURNER

(THE KINGS OF RHYTHM)

Responsável por «Rocket 88», que muitos consideram o primeiro tema Rock da História, a verdadeira ascensão de Ike à fama deveu-se a temas como «Proud Mary», ao lado da exmulher, Tina Turner. A OUVIR:

CRAZY ‘BOUT YOU BABY

JACK WHITE

(THE WHITE STRIPES)

De estilo inventivo e anticomercial, baseado em distorção, Jack White tornou-se popular como fundador da banda The White Stripes. Em temas como «Seven Nation Army», «Icky Thump» ou «Catch Hell Blues», e em projectos distintos, como The Dead Weather ou The Raconteurs, demonstra não só o seu talento na guitarra como uma profunda polivalência instrumental. A OUVIR: LITTLE BIRD

JEFF BUCKLEY

Viveu apenas 30 anos e o seu legado inclui somente o álbum «Grace» e o inacabado «Sketches

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SLASH

(GUNS N’ ROSES, VELVET REVOLVER)

Músico multifacetado, famoso pelos seus longos e até arrepiantes solos, Slash tornouse um ícone musical graças ao trabalho nos Guns N’ Roses, onde participou em temas tão emblemáticos como «November Rain», «Paradise City», «Don’t Cry» e «Estranged». O sucesso continuou quando abandonou a banda para fundar os Velvet Revolver (ouça-se, por exemplo, o excelente trabalho em «Slither») e mesmo a solo continua a ser uma das grandes atracções da música mundial. A OUVIR:

SWEET CHILD O’MINE

for My Sweetheart the Drunk», mas as aparências iludem. Jeff era considerado uma das maiores revelações dos anos 90, e dele se esperavam coisas estrondosas, não fosse o seu trágico afogamento acabar com todas as esperanças. De timbre e guitarra inconfundíveis, destaca-se, entre outras, a sua incrível versão de «Hallellujah», de Leonard Cohen. A OUVIR: DREAM BROTHER

JERRY GARCIA (GRATEFUL DEAD)

Pensava-se que Jerry Garcia teria nascido para tudo menos tocar guitarra, visto que em pequeno sofreu a amputação de um dedo. Ainda assim, o líder dos Grateful Dead, banda emblemática de Rock Psicadélico, continua hoje em dia a ser recordado como um dos melhores guitarristas de sempre, graças aos seus míticos improvisos e à filosofia de nunca tocar duas músicas da mesma forma. A OUVIR: LOSER

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JIMMY PAGE (LED ZEPPELIN)

Um dos mais emblemáticos temas. Um dos melhores solos de guitarra. E, naturalmente, um dos melhores guitarristas. Afinal, quem nunca ouviu falar de «Stairway to Heaven»? Quem não teve vontade de aprender a tocar guitarra ao ouvir esta obra-prima? Qualquer Gibson Les Paul ao pé deste senhor transforma-se em algo divino. E sem Page, teriam os Zeppelin sido os mesmos? A OUVIR:

SINCE I’VE BEEN LOVING YOU

JOHN FRUSCIANTE (RED HOT CHILI PEPPERS)

O carismático ex-guitarrista dos Red Hot Chili Peppers gravou cinco dos principais álbuns da banda, participando em êxitos como «Californication», «By The Way», «Under the Bridge» e «Dani California». A sua vida, tal como a de muitos outros,

fica marcada pela dependência de drogas, mas o talento para a guitarra nunca sofreu com isso e, para além dos RHCP, lançou ainda dez álbuns a solo. A OUVIR: TURN IT AGAIN

PACO DE LUCÍA

Nome desconhecido para a maioria das pessoas, Paco de Lucía é um verdadeiro rei da guitarra acústica. Músico espanhol com toda a sua carreira baseada no flamenco, lançou 24 álbuns, alguns com a participação de lendas como Di Meola e John McLaughlin. O seu toque é considerado quase sobre-humano, pois onde parecem existir cinco guitarras, há apenas uma. A OUVIR: PARA COMEÇAR... CZARDAS DE MONTI

PETER FRAMPTON É conhecido como “o pai da guitarra falada”. Após alguns anos em que apenas ajudou na elaboração de álbuns para


outros artistas, entre os quais George Harrison, explodiu de súbito ao lançar o álbum ao vivo «Frampton Comes Alive!». Pioneiro da guitarra falante via Talk Box, inspirou músicos como Richie Sambora (Bon Jovi) e Tom Morello, com temas como «Baby, I Love Your Way», «I’m In You» e «Do You Feel Like We Do». A OUVIR: SHOW ME THE WAY

PRINCE

Amado por uns, odiado por outros, Prince permanece uma das figuras mais reconhecíveis do mundo da música. Artista multifacetado, com fama de “workaholic”, canta, dança, toca e compõe, tendo na bagagem mais de 35 álbuns, que passam por todos os estilos possíveis: Pop, Rock, Funk, New Wave, R&B, etc. Na guitarra, o artista anteriormente conhecido como “O Artista Anteriormente Conhecido como Prince” deixa para trás trabalhos exemplares como «When Doves Cry», «I Hate U» e «Just My Imagination».

«Ashes in the Fall» ou «Sleep

RITCHIE BLACKMORE Now in the Fire». Mais tarde, nos (DEEP PURPLE)

O co-fundador dos Deep Purple foi um dos maiores guitarristas dos anos 70, gravando com a banda sucessos como «Strange Kind of Woman», «Woman From Tokyo», «Highway Star» e «No No No». Contudo, nenhum será mais conhecido que «Smoke on the Water», tema inspirado num incêndio ocorrido quando assistia a um concerto de Frank Zappa. A OUVIR: O CLÁSSICO SMOKE ON THE WATER

Audioslave, manteve o estatuto de lenda moderna com «Cochise», «Like a Stone» ou até «Original Fire», no qual leva a sua guitarra a imitar uma gargalhada de macaco durante o solo. Actualmente, toca a solo, em acústico, com o projecto The Nightwatchman. A OUVIR:

KILLING IN THE NAME OF

TONY IOMMI (BLACK SABBATH)

Após perder as pontas de dois dedos num acidente fabril aos TOM MORELLO 17 anos, Iommi adaptou-se e (RAGE AGAINST THE MACHINE, transformou a guitarra de acordo AUDIOSLAVE) com as suas novas capacidades. Com um estilo único, que consiste Quase sem querer, criou também em riffs punk de inspiração um novo som, semipsicadélico, urbana e utilização frequente que constituiria a base do Heavy de amplificadores e pedais de Metal. Nos Black Sabbath mostrou efeito para dar à guitarra a a sua versatilidade, mantendo aparência de “falar”, Morello contudo uma envolvência negra, tornou-se conhecido na banda evidente em temas como «Iron de intervenção Rage Against the Man», «Paranoid» e «War Pigs». Machine, onde compôs trabalhos A OUVIR: HEAVEN AND HELL tão extravagantes como «Bulls on Parade», «Guerrilla Radio»,

A OUVIR: PURPLE RAIN

RICARDO AMORIM (MOONSPELL)

A nossa escolha lusitana é porventura um dos nomes menos identificáveis desta lista, mas o trabalho de Ricardo Amorim fala por si. Rápido, versátil, criativo e detentor de solos que roçam o incrível («Everything Invaded», «Mute», «Dekadance», «Mr. Crowley», «Opus Diabolicum»), é uma das principais razões pelas quais os Moonspell são considerados uma das grandes referências actuais do Metal. A OUVIR: RAVEN CLAWS

KEITH RICHARDS (ROLLING STONES)

Mestre do riff - como o provam «(I Can’t Get No) Satisfaction», «Paint It, Black», «Gimme Shelter» ou «Start Me Up» - e facilmente reconhecido em apenas um acorde, também a sua imagem é marcante. Afinal, quem não se recorda de Richards a pendurar um cigarro entre duas cordas da guitarra enquanto toca? A OUVIR:

SYMPATHY FOR THE DEVIL

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propostas Por: Tiago Matos

o inevitável reagrupamento

O

s Red Hot Chili Peppers lançam um novo álbum após cinco anos de interregno e os olhos - ou, neste caso, ouvidos - estão postos em Josh Klinghoffer, o jovem guitarrista com a árdua tarefa de substituir o lendário John Frusciante na banda. O resultado final dependia exclusivamente desta troca? Nem por isso, mas a verdade é que se nota que a banda está ainda a processá-la e a tentar reagrupar-se em termos sonoros. «I’m With You» é, assim, um pouco inferior - ou pelo menos mais previsível que alguns dos trabalhos anteriores, como «Californication» ou «Stadium Arcadium», mas de modo algum significa que seja mau. Temas como «Goodbye Hooray», «Police Station», «Even You, Brutus?» ou até mesmo o single «The Adventures of Rain Dance Maggie» estão dentro do melhor que os RHCP já fizeram, e no geral, a atmosfera de «I’m With You» é agradável. Ainda que se sinta, em momentos, algum experimentalismo evitável e a falta do poder de explosão de Frusciante.

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RED HOT CHILI PEPPERS I’M WITH YOU 2011 1. Monarchy of Roses 2. Factory of Faith 3. Brendan’s Death Song 4. Ethiopia 5. Annie Wants a Baby 6. Look Around 7. The Adventures of Rain Dance Maggie 8. Did I Let You Know 9. Goodbye Hooray 10. Happiness Loves Company 11. Police Station 12. Even You Brutus? 13. Meet Me at the Corner 14. Dance, Dance, Dance


A TER EM CONTA São um dos mais interessantes novos projectos do Metal nacional, tendo como bandeira o tema «Into Your Hands». O quarteto que, graças à bela voz de Nya Cruz, faz lembrar os Lacuna Coil, tem no álbum de estreia destaques de qualidade inegável, como «Paranoia», «All I Need to Know», «Rise» e «Waste My Time». Promete! INWARD BEAUTY OUTWARD REFLECTION KANDIA ANO 2010

CLÁSSICO DO MÊS «Simple Man», «Tuesday’s Gone» e o quase inacreditável «Free Bird», que muitos consideram conter o melhor solo de guitarra de sempre. Em apenas três temas se percebe o porquê de este ser um dos álbuns mais clássicos da História da Música. No entanto, e apesar de ter apenas 8 temas, o trabalho de estreia dos americanos Lynyrd Skynyrd não se limita a estes destaques, razão pela qual qualquer amante de música o deve ouvir. (PRONOUNCED ‘LĔH-’NÉRD ‘SKIN-’NÉRD) LYNYRD SKYNYRD ANO 1973

FEIOS, PORCOS E MAUS «Bizarro», «Inapto» ou simplesmente «A pior música de sempre». Foi com estes adjectivos que Rebecca Black foi brindada no seu single de estreia... e referimo-nos apenas à crítica mais simpática. Um verdadeiro fenómeno no YouTube, com milhões de votos negativos, esta pequena pérola do pop sobre... bem... as sextas-feiras, inclui versos como «Yesterday was Thursday / Today is Friday» ou «Tomorrow is Saturday / And Sunday comes afterwards». Brilhante! FRIDAY [Single] REBECCA BLACK ANO 2011

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cinema

Os Filmes Favoritos dos

Grandes Ditadores


ADOLF HITLER

Diz-se que os monstros também precisam de amigos. E porque não de hobbies? Já se perguntou quais seriam os filmes favoritos de Hitler? Stalin? Mussolini? Coincidem com os seus? Estão de acordo com as suas personalidades? É o que pode descobrir enquanto identificamos os filmes favoritos de alguns dos principais ditadores mundiais.

Cinéfilo por excelência, Hitler terá sido uma dos primeiras figuras políticas a compreender o enorme poder do cinema, razão pela qual só deixava entrar na Alemanha filmes previamente avaliados como “inofensivos”. Pessoalmente a sua película de eleição era KING KONG (1933), mas também a aventura THE LIVES OF A BENGAL LANCER (1935), que demonstrava um pequeno exército britânico a dominar um continente inteiro, e THE GODLESS GIRL (1929), para cuja protagonista - a americana Lina Basquette - chegou a enviar uma carta a afirmar-se fã. No cinema alemão, gostava do clássico METROPOLIS (1927) graças ao seu “sentido de ordem e organização”. Estranhamente, tinha também como favorito o filme de animação da Disney SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARFS (1937). Nunca revelou porquê.

Texto: Tiago Matos

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JOSEF STALIN

Tal como Hitler, Stalin compreendia o imenso poder do cinema como fonte de propaganda. Era, portanto, comum ver o antigo líder da União Soviética a interferir no trabalho de realizadores e actores russos, “ensinando-os” a adaptar o seu trabalho à eficaz divulgação dos ideais políticos do país. Stalin entendia que era seu dever pessoal combater o cinema dos Estados Unidos, que acusava de “anticomunista”. Contradizia-se, contudo, ao ter como favorito o filme americano TARZAN THE APE MAN, de 1932, para além dos típicos westerns do ocidente. Na verdade, o único filme soviético que Stalin realmente gostava era uma comédia musical de 1938 chamada VOLGA-VOLGA.

BENITO MUSSOLINI

Não é reconhecida ao ditador fascista de Itália uma grande apetência por cinema. A excepção dá pelo nome de EKSTASE, um filme checo, de 1933, com a austríaca Hedy Lamarr no principal papel. Mussolini não apenas assistiu à estreia como foi à posterior festa de lançamento (acompanhado de Hitler) e pediu ao realizador uma cópia para si. A provável razão para tal fascínio? O polémico filme continha uma cena na qual a protagonista aparecia nua, para além de ser a primeira película não-pornográfica a retratar uma cena de sexo. Quem não ficou muito satisfeita com a atenção do ditador foi Lamarr, que fugiu do país pouco depois, rumo a Hollywood.

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FIDEL CASTRO

O líder cubano é, ainda hoje, um dos principais nomes de oposição à cultura americana. No que respeita a cinema, contudo, as coisas mudam. Sabe-se que Fidel não resiste aos grandes blockbusters americanos, e tem especial consideração pelo êxito E.T. THE EXTRA-TERRESTRAL, realizado por Spielberg em 1982.

SADDAM HUSSEIN KIM JONG-IL

Parece quase um clichet que um homem asiático goste da série de filmes GODZILLA, mas é esse o caso do ditador norte-coreano Kim Jong-Il, um grande apaixonado por cinema que chegou inclusive a raptar uma actriz - Choi Eun-Hee - e um realizador - Shin Sang-Ok - para os obrigar a fazer filmes para ele. Sobre a supervisão de Jong-Il (creditado como produtor), Shin realizou pelo menos 7 filmes, entre os quais PULGASARI (1985), inspirado em Godzilla. O lote de filmes favoritos de JongIl inclui ainda FRIDAY THE 13TH (1980), FIRST BLOOD (1982) e a série JAMES BOND.

É outro dos exemplos de grandes ditadores que tinham os Estados Unidos como inimigo mas, na vida pessoal, apreciavam as suas produções. Hussein gostava particularmente do clássico THE GODFATHER (1972), facto que pode indicar algo sobre a sua personalidade política e a forma como decidia comandar o Iraque. Outros filmes que tinha como favoritos incluíam o thriller psicológico THE CONVERSATION (1974) e ainda o drama britânico THE DAY OF THE JACKAL (1973).

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propostas Por: Tiago Matos

mesma fórmula, superior execução

C AMOR, ESTÚPIDO E LOUCO TÍTULO ORIGINAL Crazy, Stupid, Love. POR Glenn Ficarra e John Requa COM Steve Carell, Ryan Gosling, Emma Stone, Julianne Moore, Marisa Tomei, Kevin Bacon ANO 2011

omédia, drama, romance. «Amor, Estúpido e Louco» traz um pouco de tudo para a mesa e, surpreendentemente, safa-se na perfeição. A história desenrola-se a partir de um divórcio que deixa Cal (Steve Carell) emocionalmente devastado e entregue à bebida. A sua vida muda, contudo, quando conhece Jacob (Ryan Gosling), um “solteiro profissional” que simpatiza com a sua situação e faz de sua missão pessoal ajudá-lo a ultrapassar a separação, tornando-se um novo homem no processo. Parece, à primeira vista, a premissa de milhares de outros filmes já feitos em Hollywood? Sem dúvida! O que difere aqui é a execução, particularmente ao nível da actuação. Após a saída de «The Office», a série televisiva que o tornou um dos comediantes preferidos do grande público, Steve Carell faz uma suas das melhores interpretações de sempre. A ele juntam-se Julianne Moore, Emma Stone, Kevin Bacon, Marisa Tomei e um inesperado Jonah Bobo num filme a não perder para o que resta do Verão.

Filmado como um suposto documentário, «O Caçador de Trolls» acompanha um trio de estudantes que tenta descobrir por que razão tantos ursos têm sido aniquilados no seu território. A sua busca acaba, contudo, por os conduzir a uma outra realidade, ainda mais estranha e perigosa: a caça de trolls. O CAÇADOR DE TROLLS TÍTULO ORIGINAL Trolljegeren POR André Øvedal COM Otto Jespersen, Hans Morten Hansen, Tomas Alf Larsen ANO 2010

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NOVO LÁ FORA Nick Nolte é um ex-pugilista que treina o filho mais novo (Tom Hardy) para combater o irmão (Joel Edgerton). Após «Orgulho e Glória», o realizador Gavin O’Connor está de volta com mais um filme de acção, que desta vez tem como cenário um torneio de Mixed Martial Arts. WARRIOR POR Gavin O’Connor COM Tom Hardy, Joel Edgerton, Jennifer Morrison, Nick Nolte, Frank Grillo, Kurt Angle

CLÁSSICO DO MÊS Norma Desmond (Gloria Swanson) é uma antiga estrela do cinema mudo que se recusa a aceitar que o seu tempo já passou, e por isso contrata um escritor falhado para escrever um argumento que a traga de volta à ribalta. Verdadeiro clássico do cinema, «Sunset Boulevard» venceu três dos onze Óscares para os quais foi nomeado no seu ano de estreia. SUNSET BOULEVARD POR Billy Wilder COM Gloria Swanson, William Holden ANO 1950

FEIOS, PORCOS E MAUS Frequentemente considerado o pior filme de sempre, «Manos» explora o terror de uma família que se perde e vai parar a uma casa habitada por um culto satânico. Nos primeiros minutos só se vê paisagem, já que o realizador queria inserir aí os créditos mas não soube como o fazer. Diálogos ridículos, estranhos problemas técnicos e um suposto sátiro com joelhos ao contrário, feitos de cabides, fazem deste filme uma pérola do mau cinema. MANOS: THE HANDS OF FATE POR Harold P. Warren COM Harold P. Warren, Diane Mahree, John Reynolds ANO 1966

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letras

Eva Duarte é uma jovem escritora portuguesa. Em 2010 publicou o romance infanto-juvenil Angelyraa – Humanidade de Cristal e o conto A Lua Também Chora. Para obter uma das suas obras, entre em contacto connosco.

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ERRO

M

al podia aguentar o peso das horas. O tempo parecia ter ficado colado ao chão. Talvez preso numa pastilha elástica. A porta abriuse pelas mãos dela. Afinal não eram horas; eram minutos. O meu coração acelerou cinco batimentos antes de entrar em câmara lenta e esbocei um sorriso que não pude controlar. Entrei. Tomei o lugar da frente, à distância de uma perna de onde ela estava. O lugar era sempre incontestavelmente meu. Como se tivesse escrito nas tábuas dos mandamentos. Era o único disponível na minha primeiríssima aula, por sorte. E, desde então, marquei-o com o meu cheiro. Durante a aula, adorava-lhe o porte irónico, os ombros descontraídos e o jeito de como recusava a postura correcta de se sentar – ignorava a cadeira, sentando-se, sem pestanejar perante a rigidez da postura, na mesa, com os cotovelos nos joelhos e os pés na cadeira rejeitada. Também o seu modo de falar me fascinava: conhecimento calibrado pela leitura e um sentido de humor aguçado pela

vida marcavam-lhe o discurso. Eu não podia evitar imaginarme com ela. Quando se calava, a minha mente palmilhava explicitamente os nossos corpos em gozo na sua secretária. A minha garganta fervilhava em espírito crítico só para me poder debater com ela nas aulas; criava o maior número de dúvidas possível para estar com ela no fim da aula; quase que corria atrás dela para a cumprimentar quando a via na faculdade. Pela expressão dela, acho que começou a suspeitar do que eu não me preocupava em atenuar. Certo dia, numa pausa entre semestres, cruzámo-nos na rua. Ela ia a entrar num café e eu agi como se fosse praticamente cliente habitual. Pareceu-me incomodada de início, mas depois do café ter sido pedido e a luz de um cigarro ter nascido entre os dedos, recuperou o porte descontraído que a caracterizava. Passámos uma curta hora a discutir literatura e simples quotidianos. No fim, disse-me que tinha de ir: o marido esperava-a. Sim. Não só era casada como tinha dois filhos, sendo eu mais jovem que o seu mais velho.


O? ou ERRAD Texto: Eva Duarte

Eu tinha acabado de sair dos meus desabrochantes dezoito. Insinuei com mal disfarçada subtileza que queria boleia. Ela, com uma nova aura de incómodo, ofereceu-me a boleia. À porta de minha casa, depois de uma viagem de pouca conversa, – pois era um espaço demasiado íntimo para ela lidar – sem pensar, atirei as minhas mãos ao seu

pescoço e beijei-a. Foi rápido porque me repeliu para trás, mas no primeiro impacto – e isto vou para sempre jurar – ela respondeu-me ao beijo. Quando as suas faces perderam o rubor – não sei se de cólera, se de embaraço, se uma influenciava a outra – ela colou os olhos ao alcatrão da estrada e apertou o volante com os dez dedos. Já não

SEM PENSAR, ATIREI AS MINHAS MÃOS AO SEU PESCOÇO E BEIJEI-A. havia rasto de descontracção. «Eu respeito a tua orientação, pois não se escolhe de quem se gosta, mas não só sou casada como sou tua professora e tu minha aluna.» Ainda não tinha mencionado que sou rapariga? Hum… não considerei relevante. «Não vou pedir desculpa.» Saí do carro tão calma quanto entrei.

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P

edi que no segundo semestre desse aulas apenas a mestrado. Desde que me beijou não reunia coragem suficiente para encarar a minha aluna nas aulas. Isto fez com que parássemos de nos cruzar. Mas um dia que jamais tecera nos meus pensamentos mais tresloucados desenrolou-se defronte dos meus olhos. O meu filho mais velho quis trazer a namorada para jantar, lá em casa. E – Oh, meu Deus! – era ela. A minha audaz aluna. Creio que perdi noção das cores. Dirigiu-se a mim cordialmente, salientando apenas que tivera duas cadeiras comigo. Tudo me pareceu surreal, escandalosamente normal. Não sei como aconteceu, mas eventualmente ficámos sozinhas. Não a olhava nos olhos, não ganhava voz para lhe falar. Ela, mais corajosa que eu, falou-me, já não com jeitos e maneiras cordiais, mas com uma agressividade apaixonada. «Eu sei que também é lésbica! Se preferir, bissexual. Também já estive com rapazes. Se calhar é apenas como eu: gosta de

pessoas. E neste momento é de si que gosto! Não me roube isto por medo…» Quis argumentar, salientar uma vez mais que tinha marido e que era mãe do namorado dela, mas ela calou-me com a língua rodando dentro da minha boca e desta vez não fui capaz de empurrá-la. Desde a primeira vez que me beijou, senti o que achei ser uma réstia de arrependimento por tê-la afastado. Quase bloqueei a minha parte racional e agarrei-a pelos cabelos, apenas para unir mais as nossas bocas. Por pensar nisso, até a palavra boca, com ela, me soava obscena. Mas a racionalidade acabou por acordar e, puxando-a para trás, pelos cabelos – algo que quase acreditei que ela gostou – falei baixo, como se fosse uma coisa horrível: «Eles podem entrar a qualquer altura!» Detectei-lhe uma paragem na respiração e depois tornou a inspirar como se não o fizesse há meses. Correu para a porta e trancou-a: «Prefiro justificar a porta trancada do que

SEI QUE PODEREI SER ENCURRALADA NUM QUALQUER ACASO. BASTA ELA QUERER. justificar ter a minha cabeça entre as suas pernas.» Eu morri com aquelas palavras e renasci quando se cumpriram. As minhas calças deixaram de ser a segunda pele das minhas pernas e ela colocou a cabeça exactamente no sítio que prometeu. Descobri, com ela, a oitava cor do arco-íris. Espero ter-lhe causado a mesma impressão, ao retribuirlhe o acto. E no que decorreu a seguir. Posso dizer que não fomos apanhadas. Posso também dizer que isto nunca mais aconteceu. Não consigo é dizer se foi pelo perigo, pelo medo da emoção sentida, se pela pura fidelidade que eu julgo dever ao meu marido. Mas só se passaram dois meses. Com ela, sei que poderei ser encurralada numa casa de banho, num corredor vazio, num qualquer acaso. Basta ela querer e tentar, que as minhas pernas cedemlhe e… abrem-se.

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propostas Por: Tiago Matos

UMA VIDA IMAGINADA

C O FILHO DE MIL HOMENS VALTER HUGO MÃE ALFAGUARA PORTUGAL PÁGINAS 260 PVP 17,00€

risóstomo é um homem desiludido com o rumo que a sua vida tomou. Em particular, sente-se devastado por, aos 40 anos de idade, nunca ter conseguido gerar um filho. Para lidar com a tristeza, reúne-se de uma família inventada que parece, no entanto, tão legítima como outra qualquer. E tocando, a partir das suas histórias, em conceitos tão abstractos como a procura de felicidade ou a aceitação da própria natureza, abre involuntariamente as portas para a transformação do seu próprio destino. O quinto romance do escritor e artista plástico Valter Hugo Mãe - após «O Nosso Reino» (2004), «O Remorso de Baltazar Serapião» (2006), «O Apocalipse dos Trabalhadores» (2008) e «A Máquina de fazer Espanhóis» (2010) - chega às livrarias nacionais no final de Setembro com a chancela Alfaguara.

Uma morte a seco por afogamento. Um aparente enforcamento ao som de um violino. E, apanhado no meio, um comissário de polícia que se questiona se ambos os casos não estarão relacionados. É este o cenário de partida do novo thriller de Lars Kepler, pseudónimo da dupla sueca Alexander e Alexandra Coelho Ahndoril. Literatura de suspense. O EXECUTOR LARS KEPLER PORTO EDITORA PÁGINAS 528 PVP 17,50€

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NOVO LÁ FORA Le Cirque des Rêves chega à cidade. Traz com ele uma rivalidade entre mágicos e uma intensa história de amor. A estreia literária de Erin Morgenstern define-se assim como um conto de fadas moderno, de tom distinto e obscuro. «The Night Circus» tem data de lançamento internacional marcada para dia 13 de Setembro. THE NIGHT CIRCUS ERIN MORGENSTERN ANO 2011

CLÁSSICO DO MÊS Um par de irmãos. Ele um hipocondríaco desesperado, ela uma cataléptica com os dias contados. Pelo meio, ou ao redor, uma velha casa que, tanto no aspecto como nas condições, parece quase uma extensão de ambos. Considerada uma das principais obras de Edgar Allan Poe, exemplo flagrante do seu absolutismo, esta curta história ajudou a definir a literatura gótica. A QUEDA DA CASA DE USHER EDGAR ALLAN POE ANO 1839

FEIOS, PORCOS E MAUS É ou pretende ser o novo Papa e está preocupado com o eficaz cumprimento dos seus ofícios? Quer saber como escolher o seu novo nome papal? Quem lhe lava a roupa e mantém o chapéu branco? Como aplicar o mais perfeito aceno papal? Com quem deve falar para encher o depósito do seu papamóvel? Não procure mais, este é o livro certo para si... e para mais ninguém. HOW TO BE POPE: WHAT TO DO AND WHERE TO GO ONCE YOU’RE IN THE VATICAN PIERS MARCHANT ANO 2005

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COMPORTAMENTO

CS

ultos & eitas

Extravagantes

Os mais bizarros e extravagantes. Os mais absurdos e perigosos. Sexo, extraterrestres e suicĂ­dios preenchem o lado oculto da fĂŠ! Texto: Tiago Matos

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CIENTOLOGIA

Estabelecida como uma das mais populares seitas da actualidade, graças à associação a celebridades como Tom Cruise, Katie Holmes, Beck, Kirstie Alley e John Travolta, a Cientologia baseia-se nos trabalhos do escritor de ficção científica, L. Ron Hubbard. Segundo este, há 75 milhões de anos atrás, um ditador alienígena, de nome Xenu, deparou-se com um grave problema de superpopulação nos 78 planetas que regia, já que cada um possuía, em média, 178 biliões de pessoas. Arriscando-se a ser deposto caso não conseguisse resolver a situação, Xenu juntou-se a um grupo de psiquiatras e formulou um plano para se livrar dos excedentários. Sob o falso pretexto de uma inspecção de impostos, convocou biliões de cidadãos de todos os planetas e paralizou-os com uma mistura de etanol e glicol. Enviou-os então para a Terra (que na altura se chamava Teegeeack) em naves idênticas a aviões Douglas DC-8 (populares na década de 60), e despejou-os em vulcões, lançando de seguida bombas de hidrogénio em todos eles. Com o impacto das explosões, as almas das vítimas – apelidadas de “thetans” por Hubbard – foram arremessadas pelo ar. Xenu capturou-as com uma armadilha especial e levou-as para gigantescos cinemas, onde as forçou a ver filmes em 3D durante 36 dias consecutivos. Como resultado, ficaram-lhes implantadas na memória falsas

informações históricas, entre as quais todas as principais religiões do mundo. Os thetans foram então libertos e encorajados a encontrar novos corpos entre os sobreviventes terrestres. Os cientologistas acreditam que todos os problemas que sentimos actualmente são causados pela presença destas almas imortais nos nossos corpos e oferecem a todos os crentes a hipótese de realizar “audições” (pagas)

com um especialista cientólogo, tendo em vista a limpeza gradual dessas influências negativas. O próprio segredo de Xenu tem um preço (cerca de 5 mil euros, em 1988), e apenas pode ser revelado aos crentes que já tenham passado pelos cursos necessários para essa confidência (um processo capaz de custar, por vezes, mais de 75 mil euros). Apesar de envolta em polémicas desde o seu início, incluindo acusações de

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lavagem cerebral e perseguição à imprensa, a Cientologia é reconhecida em Portugal como religião desde Novembro de 2007. A larga difusão sentida nos últimos anos tem muito a ver com os famosos membros que a constituem (em particular Tom Cruise), mas até isso já tinha sido previsto por Hubbard, que lançou em 1955 o Projecto Celebridade, com o objectivo de converter figuras públicas à Cientologia e, assim, dar-lhe projecção.

RAËLIANISMO

Tudo começou a 13 de Dezembro de 1973, quando um jornalista automóvel francês, de nome Claude Vorilhon, encontrou um extraterrestre numa nave espacial aterrada no interior de um vulcão inactivo. O Eloha (individual de “Elohim”, expressão raëlianista para “alienígenas”) decidiu então revelar ao francês alguns dos maiores segredos da humanidade, entre os quais o facto de a vida terrestre ter sido criada por eles. Foi-lhe ainda contado, por exemplo, que a Virgem Maria foi inseminada artificialmente, que a arca de Noé era na verdade um foguete que levava uma célula viva de cada animal terrestre, e que Jesus costumava usar avançadas técnicas de hipnose em massa, de modo a ter sucesso nos seus discursos. Por fim, o Eloha

À esquerda, Claude “Raël” Vorilhon, fundador do Raëlianismo. encarregou-o de preparar o mundo para o retorno dos Elohim no Dia da Revelação Final, tal como outros (Moisés, Elias, Ezequiel, Buda, João Baptista, Jesus, Maomé e Joseph Smith) o tentaram antes dele. Um par de anos mais tarde, Vorilhon viria a ser novamente contactado pelos Elohim e levado a outro planeta para conhecer pessoalmente Jesus, Moisés, Buda e Maomé, mas nessa altura o francês já tinha alterado o nome para Raël e fundado oficialmente um culto

SEGUNDO O FUNDADOR DO RAËLIANISMO, A RELIGIÃO NASCEU APÓS UM ENCONTRO COM UM EXTRATERRESTRE QUE LHE REVELOU OS MAIORES SEGREDOS DA HUMANIDADE. 36

com o seu nome. O Raëlianismo acredita que, com a ajuda de supercomputadores, os Elohim estão neste momento a gravar o ADN de todos os seres humanos, para depois, no aguardado retorno à Terra, os trazerem de volta à vida através da clonagem e os julgarem por acções passadas. Os raëlianistas são, aliás, fervorosos defensores da clonagem como forma de alcançar a imortalidade, e em 2002 declararam mesmo ter conseguido clonar com sucesso uma bebé, ainda que nunca tenham fornecido provas concretas do acto. A seita defende ainda um regime governamental global liderado em exclusivo por génios e a liberação sexual de todas as


CULTO DA CEBOLA

Não é fácil de acreditar, mas existe na França uma seita com cerca de 4 mil membros destinada ao culto da cebola. Os fiéis reúnemse habitualmente em redor de um exemplar do legume e descascamno lentamente, num ritual de meditação que, segundo eles, lhes permite alcançar a pureza espiritual e a vida eterna. Refira-se ainda que cada membro do Culto da Cebola costuma comer meia dúzia delas cruas, por dia.

HESO TEN

Várias seitas utilizam o sexo como arma de atracção de membros. pessoas. Este último ponto, apoiado em medidas como o Go Topless Day, protesto anual no qual as raëlianistas saem à rua em topless, exigindo que as mulheres tenham o mesmo direito legal que os homens em mostrar o peito publicamente, tem contribuído para um aumento significativo no número de membros masculinos da seita, nos últimos anos.

CULTO DA BANANA

Em 2009, na Papua-Nova Guiné, Thomas Eri, líder de uma seita sexual conhecida simplesmente como Culto da Banana, foi preso pela polícia após prometer aos seguidores que as suas colheitas de banana aumentariam em 10 porções

por cada vez que fizessem sexo em público. Foi justamente durante uma destas sessões públicas que a polícia foi chamada a intervir. Eri e sete outros membros do culto fugiram, nus, para a selva, e Eri chegou mesmo a usar como escudo as suas duas esposas, para evitar ser levado pela polícia, mas de nada lhe valeu.

HEAVEN’S GATE

Formada por Marshall Applewhite após um ataque cardíaco que quase lhe tirou a vida no início dos anos 70, a Heaven’s Gate foi uma das mais faladas seitas de sempre, graças ao seu macabro final. Os membros apregoavam a renúncia total ao prazer (seis dos filiados masculinos,

Literalmente traduzida por “Céu dos Umbigos”, a Heso Ten, fundada por Koji Murata, dedica-se ao culto dos umbigos, propagando a necessidade de os exercitar como forma de atingir boa saúde física e espiritual. Segundo Murata, “o umbigo é uma medalha de cultura com a qual todas as pessoas nascem. Há que a polir e valorizar”. Uma variação francesa do culto levou a mensagem mais longe, defendendo que, a partir da meditação, é possível regredir a partir do próprio cordão umbilical até ao umbigo de Adão, no qual será encontrada a paz original do Paraíso.

HO NO HANA SANPOGYO

O japonês Hogen Fukunaga, que acredita ser a reincarnação de Jesus Cristo e Buda, acreditava também que conseguia diagnosticar os problemas dos crentes da sua seita, bastando para isso ler-lhes os pés, em consultas que chegavam a custar mais de 600€. Isto até se começar a suspeitar que utilizava o dinheiro da organização em nome próprio, sendo então condenado por fraude. Actualmente, a seita adoptou um maior secretismo e dá pelo nome de Yorokobi Kazoku No Wa.

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A actriz Rose McGowan nasceu no seio de uma sucursal italiana da polémica seita Família Internacional: “Tenho a certeza que começaram com a melhor das intenções, mas entretanto todos faziam sexo uns com os outros e embebedavam homens para os atrair para o culto. Chamavam-lhe Flirty Fishing. Era nojento”.

incluindo o líder, chegaram mesmo a ser castrados como forma de forçar a ascese) e defendiam que a Terra estava prestes a ser reciclada e que a única forma de sobreviver era partir o mais depressa possível, deixando para trás os seus corpos humanos e oferecendo as almas a uma nave espacial que acreditavam acompanhar o cometa Hale-Bopp. Os 38 membros da seita, vestidos com fatos de treino e ténis de corrida, suicidaram-se em massa, em Março de 1997.

FAMÍLIA INTERNACIONAL

Assumiu outrora o nome de Meninos de Deus e de Família do Amor, mas actualmente é conhecida como Família Internacional, uma das mais controversas seitas do mundo, fundada em 1968 por David Berg, que se considerava a voz de Deus e comunicava com os seguidores exclusivamente através de cartas. Tal como acontece em outros cultos do género, a Família defende a total liberação sexual, inserida no contexto de uma revolução espiritual contra o “Sistema”. Ao

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longo dos anos, essa liberação manifestou-se, contudo, de formas pouco vulgares. Em 1974, por exemplo, a seita criou o Flirty Fishing, uma medida de proselitismo que encorajava as seguidoras femininas da Família a converter potenciais membros utilizando sexo. Quem não concordasse em fazê-lo, era acusada de egoísmo e de deficiente entrega à seita. O Flirty Fishing durou 13 anos, sendo abandonado por causa da epidemia da SIDA, mas durante o tempo em que esteve activo, conseguiu quase 224 mil novos membros, para não falar de inúmeros “Bebés de Jesus” (nome dado aos filhos nascidos das relações através de Fishing). Em 2005, um desses “bebés”, já com 30 anos, suicidou-se após

assassinar uma ex-governanta, deixando um vídeo a denunciar espancamentos e violações sofridos por ele e por várias outras crianças crescidas na seita. O próprio David Berg, que apregoava nas suas cartas o final de tabus como o sexo entre crianças e adultos, foi acusado de abuso sexual por parte de duas filhas, uma nora e duas netas. Berg justificava-se afirmando que todas as acções eram permitidas por Deus, desde que motivadas por amor altruísta. Curiosamente, e ainda que permitisse bissexualidade feminina, proibía severamente a homossexualidade. Berg acabou por morrer em 1994, na Costa de Caparica, mas a Família continuou, chefiada pela sua viúva, Karen Zerby.


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fotografia

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DÍA DE los MUERTOS

Isadora Bellavinha

Descubra o mexicano «Dia de los Muertos» neste ensaio macabro inspirado nas suas caveiras. Texto: Tiago Matos Fotografia e Produção: André Luiz Pires Cabelo e Maquilhagem: Isadora Bellavinha Figurino: André Luiz Pires e Isadora Bellavinha

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a nudez é a maior das contradições humanas.

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gosto da nudez contorcida do ensaio, sem beleza óbvia. Acho que é esse o projecto: tirar a obviedade do nu, vestir camadas na pele exposta.

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não há nada mais sensual que olhos tristes e uma mulher recém-acordada.

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“

nĂŁo sei falar objectivamente, sobre mim ou sobre qualquer outra coisa. 47


IDENTIDADE VISUAL

Isadora Bellavinha Maciel tem 21 anos e trabalha como pesquisadora na área de literatura. Criativa e perspicaz, é, como refere, mais que um corpo. Encarna por inteiro o espírito da 21, razão pela qual merece a primeira capa. QUANDO ME OLHO AO ESPELHO, VEJO...

Não sei falar objectivamente sobre mim ou qualquer outra coisa. Vejo milhares de olhos e ouvidos atentos, pernas a sair pela cabeça, cortes, veias, braços deslocados, joelhos tortos e alguma melancolia vertical. TENHO COMO PRINCIPAL AMBIÇÃO...

Passar para papel algo do que vejo e sinto, compartilhar, confortar ou desconfortar alguém - um que seja - com os meus rascunhos.

NO CINEMA..

[Os realizadores] Jean-Luc Godard e Jean-Pierre Jeunet. NA MÚSICA...

Toe [banda instrumental originária do Japão]. NAS LETRAS..

«100 Anos de Solidão», de Gabriel García Márquez, e [no que respeita a escritores] a poetisa Ana Cristina César. A NUDEZ É..

O mais simples e mais profundo. Às vezes é só um corpo sólido, em exposição A MINHA MAIOR ou abuso, outras vezes é a pele CONQUISTA ATÉ HOJE... enzimática que se encontra Foi encontrar o maior amor do num acordo perfeito. mundo e vivê-lo independente A nudez é a maior das das dores e das angústias. contradições humanas. NÃO HÁ NADA MAIS SENSUAL QUE...

Olhos tristes e uma mulher recém-acordada, sonolenta.

O GRANDE PROBLEMA DA SOCIEDADE É...

Confortar-se na catástrofe, dormir tranquila e cega na ignorância.

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SER CAPA DA 21..

Trabalhando com o André [fotógrafo] nos seus projectos macabros e sinceros foi uma grande oportunidade. Estava cansada e só tinha dormido duas horas, mas divertimo-nos como sempre. Se resultou em ser capa da 21 foi com certeza porque o nosso trabalho

teve entrega. Gosto da nudez contorcida do ensaio, sem beleza óbvia. Acho que é esse o projecto do André: tirar a obviedade do nu, vestir camadas na pele exposta. POUCOS O SABEM SOBRE MIM, MAS..

Acredito na maioria das minhas mentiras. Tornam-se memórias inventadas e muitas vezes não me consigo lembrar se são verdadeiras ou apenas peripécias juvenis. NO FUTURO PRETENDO..

Abrir mais lugares de encontro, colectivizar a arte e viajar pelo mundo inteiro, sem dose nem modéstia, mesmo que seja só na ponta do lápis. APROVEITO AINDA PARA DIZER QUE...

Estou à disposição! E acho que é isso que falta no mundo, pessoas dispostas, que se deixem tocar, que se permitam e abram caminho. E querendo trabalhar com uma modelo que é mais que um corpo sem deixar de o ser: dorabellavinha@gmail.com.


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Revista 21| Setembro 2011| #01  

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