Revista Plano B Brasília n.º 34

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Anvisa aprova registro de vacina 100% nacional contra dengue

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Um teto para recomeçar: a lei que garante aluguel a mulheres vítimas de violência no DF

Lançamento de “Do Branding ao Marketing” apresenta manual inédito para comunicação política na era digital

Rio de Janeiro

Inflação de 2025 ficará abaixo do teto da meta, em 4,45%

18 Fórum do GDF vai traçar estratégias contra incêndios florestais para 2026

19 Zoo de Brasília entra para a rede global de conservação

20 Azerbaijão celebra o Dia da Vitória em Brasília com encontro histórico

22 Reparação e bem-viver: por que marcham as mulheres negras?

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Caso Banco Master mostra a fragilidade do sistema financeiro

Militares da reserva dizem que STF ignora história de oficiais condenados

30 Gustavo Da Lua: “Voe Alto é sobre confiar em você mesmo” 32 É a velocidade, estúpido!

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Brasil tem 11 praias em ranking das 100 melhores do mundo 36 7 motivos para viajar pela América Latina em 2026

38 A importância do não às Big Techs 40 Mostra exibe Brasil de Debret e releitura de artistas contemporâneos

43 Morre, aos 81 anos, Jimmy Cliff, um dos maiores nomes do reggae

44 Risco de fuga leva Bolsonaro à cadeia 46 Aberrações

25 Astro de Hollywood fará papel de Bolsonaro na campanha de 2018 26 Consciência Negra: quando a oportunidade chega, o Brasil avança 28 A Fake News do amor 29

49 “Acelera, mamãe”: Beyoncé viraliza com volta em carro de Hamilton

Diretor Executivo

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Diretor Administrativo

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Chefe de Redação: Paulo Henrique Paiva

Colaboradores: Adriana Vasconcelos, Angela Beatriz, Ana Beatriz Barreto, José Gurgel, Humberto Alencar, Mila Ferreira, Renata Dourado, Paulo César e Wilson Coelho

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Novembro / 2025

Ano 03 - Edição 34 - Novembro 2025

Publicada em 26 de Novembro de 2025

Não é permitida a reprodução parcial ou total das matérias sem prévia autorização dos editores.

A Revista Plano B não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados.

ISSN 2966-0688

Quando a política pública rompe o ciclo da violência

A entrevista com a deputada responsável pela lei que garante aluguel social a mulheres vítimas de violência, revela uma urgência que o país ainda insiste em ignorar: denunciar não é suficiente quando a mulher não tem para onde ir.

Doutora Jane, amparada pela experiência como delegada, expõe uma verdade dura, muitas vítimas retornam ao agressor por falta de condições financeiras. A nova lei surge justamente para enfrentar esse vazio.

A aprovação do projeto pela Câmara Legislativa do DF representa um avanço concreto. O aluguel social não é só assistência financeira; é a estrutura mínima para que a mulher possa romper o ciclo de violência com segurança.

Garantir um teto é garantir dignidade, liberdade e a chance real de reconstrução.

Os desafios para implementar a política existem, orçamento, articulação entre órgãos, fluxos burocráticos. Ainda assim, como lembra a deputada, o custo de não agir é maior: custa vidas. Caberá ao GDF e à própria CLDF assegurar que o benefício chegue a quem mais precisa, sem entraves.

Há de se destacar que ainda falta fortalecer o acolhimento, atendimento psicológico, autonomia econômica e ações de prevenção. O aluguel social é um passo decisivo, mas não encerra a agenda de proteção à mulher.

A mensagem final é clara: “nenhuma mulher está sozinha.” Há rede de apoio, há lei e há caminhos possíveis para romper a violência. E quando a sociedade se compromete a garantir um lugar seguro para que uma mulher recomece, ela escolhe salvar vidas e construir um futuro mais justo.

Anvisa aprova registro de vacina 100% nacional contra dengue

Oministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira (26) o registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da vacina da dengue (Butantan-DV) produzida pelo Instituto Butantan. A intenção é começar a aplicação da doses em 2026, de forma gratuita, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o Instituto Butantan, já há 1 milhão de unidades da vacina contra a dengue prontas para distribuição. Este é o primeiro imunizante no mundo de apenas uma dose. A esti-

mativa do Butantan é ter disponível mais de 30 milhões de doses em meados de 2026.

“Hoje é um dia de alegria, de vitória da vacina, de vitória da ciência, de vitória da cooperação entre o SUS brasileiro e de suas instituições públicas que estão espalhadas pelo país, entre elas o Instituto Butantan”.

A indicação aprovada é para pessoas na faixa etária de 12 a 59 anos de idade. Este perfil ainda pode ser ampliado no futuro, a depender de novos estudos apresentados pelo fabricante.

Padilha, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ressaltou a qualidade da vacina contra a dengue.

“Sabemos já dos dados publicados, sabemos da segurança dessa vacina. Estamos falando de um hat-trick: é uma vacina 100% brasileira, tem capacidade de proteção ampla e é uma dose apenas”.

A nova vacina será integrada ao Programa Nacional de Imunização (PNI). De acordo com o governo, o ministério apresentará a novidade já nesta quinta-feira (27) à Comissão Tripartite, formada por secretários estaduais e municipais de saúde, bem como a estratégia de incorporação.

“Queremos começar a utilização dessa vacina no começo do calendário vacinal de 2026”, revelou o ministro.

Segundo Priscilla Perdicaris, secretária-executiva da Saúde do Estado de São Paulo, em 2025, o Brasil teve 866 mil casos de dengue e 1.108 mortes confirmadas. “Mesmo antes da aprovação, o Butantan correu para produzir 1 milhão de doses, porque sabíamos que eram estudos robustos e que seriam aprovados”. Para Perdicaris, há uma importância grande de a Butantan-DV ser em dose únca: “Para nós que estamos na operação, isso muda completamente a história do jogo: facilita a logística e aumenta a adesão da população”.

O governador Tarcísio de Freitas ressaltou a importância do novo imunizante: “ser dose única vai nos ajudar muito do ponto de vista da logística e da cobertura vacinal. Infelizmente ainda perdemos muitas vidas para a dengue e é um cenário que vamos poder reverter rapidamente com uma vacina 100% brasileira”.

Leandro Pinheiro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, também presente no evento no Instituto Butantan, comemorou a aprovação da nova vacina: “O registro da vacina da dengue é uma fonte de orgulho não só para a Anvisa, mas para o país. Estamos avançando com o registro de uma tecnologia que é desenvolvida e feita nacionalmente

pelo Instituto Butantan. Os resultados que serão apresentados em breve são muito bons. O trabalho que foi feito junto com o Butantan pela Anvisa foi fenomenal entre as duas equipes”. Safatle comentou lembrou ainda que o desenvolvimento da Butantan-DV teve o apoio do “BNDES e do ministério da Saúde com R$ 130 milhões para a parte da pesquisa de fase 2 e fase 3”.

Butantan-DV

A vacina chamada de Butantan-DV, é o primeiro imunizante contra dengue em dose única do mundo. Ela foi desenvolvida pelo Instituto do Butantan a partir de uma parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi Vaccines.

A nova vacina utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, segura e já utilizada em outros imunizantes em uso no Brasil e no mundo, como a tríplice viral, febre amarela, poliomielite e algumas da gripe.

De acordo com a avaliação técnica da Anvisa, a Butantan-DV apresentou uma eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Isso significa que, em 74% dos casos, a doença foi evitada por conta da vacina.

Um teto para recomeçar: a lei que garante aluguel a mulheres vítimas de violência no DF

Deputada doutora Jane explica como a nova legislação nasceu da realidade vista nas delegacias e como o benefício pode salvar vidas ao oferecer autonomia e segurança às mulheres em situação de risco.

O que motivou a senhora a criar este projeto de lei que garante aluguel a mulheres vítimas de violência?

O que me motivou foi a realidade dura que encontrei ao longo dos meus anos como delegada. A maioria das mulheres que tentavam romper o ciclo de violência voltava para casa por falta de condições financeiras. Muitas vezes, elas conseguem registrar a ocorrência, obtêm a medida protetiva, mas não têm para onde ir. Sem autonomia financeira, a mulher permanece presa ao agressor.

Eu sempre disse: “Proteção à mulher não pode ser só discurso. Tem que ser política pública”. Por isso, transformei essa dor em ação legislativa.

Houve algum caso ou dado específico que reforçou a urgência dessa proposta?

Sim. Acompanhamos inúmeros casos de mulheres que retornavam ao convívio com o agressor por não terem alternativa de moradia. Além disso, dados da Segurança Pública mostram que grande parte das vítimas de feminicídio no DF já havia denunciado anteriormente. Isso prova que denunciar não basta.

A urgência surgiu dessa constatação: sem autonomia, a mulher continua em risco.

Como foi o processo de elabo-

ração do texto da lei? Quais foram suas principais preocupações?

A construção da lei envolveu diálogo com especialistas, assistentes sociais, agentes de segurança e mulheres que já enfrentaram situações de violência.

Minhas maiores preocupações foram garantir critérios claros, acesso rápido ao benefício e que a política atendesse quem mais precisa — mulheres de baixa renda, chefes de família, com filhos pequenos ou em risco iminente.

Sobre a aprovação na

CLDF

Como a senhora recebeu a notícia da aprovação do projeto?

Com muita emoção. Sei exatamente o impacto que essa lei terá na vida real. Essa aprovação não é uma vitória minha — é uma vitória das mulheres do Distrito Federal que hoje vivem com medo.

Houve resistência durante a tramitação? Se sim, quais foram os principais pontos de debate?

Houve debates naturais sobre orçamento e responsabilidades na execução. Mas, com diálogo, mostramos que o custo de não agir é muito maior — custa vidas. Também reforçamos que o programa terá acompanhamento rigoroso.

Que argumentos foram decisivos para convencer os demais parlamentares?

O argumento central foi simples: mulher que não tem para onde ir não consegue romper o ciclo de violência.

Apresentamos dados, relatos reais e mostramos experiências bem-sucedidas em outros estados. O Legislativo compreendeu que salvar vidas precisa ser prioridade.

Impacto social da Lei

De que forma essa lei pode mudar a realidade das mulheres no DF?

Ela devolve à mulher aquilo que o agressor tenta tirar: dignidade, segurança e liberdade.

Com um teto garantido, ela pode iniciar um novo ciclo, buscar trabalho, cuidar dos filhos e reconstruir a vida sem medo.

O acesso ao aluguel social pode acelerar a ruptura do ciclo de violência?

Sem dúvida. O aluguel social é uma porta de saída con-

creta. Ele oferece condições reais para que a mulher escolha a vida — não a violência.

Quais grupos de mulheres serão priorizados?

Mulheres de baixa renda, mães solo, moradoras de regiões vulneráveis, mulheres em risco iminente e aquelas que dependem economicamente do agressor. Essa política foi pensada especialmente para quem está mais desprotegida.

Qual é a estimativa de alcance da política?

A expectativa é atender milhares de mulheres ao longo dos próximos anos, começando pelas situações mais urgentes. O número exato depende da execução orçamentária anual, mas o fundamental é que agora existe uma base legal que garante esse atendimento.

Implementação e desafios

Como será feita a execução prática da lei?

A execução será conduzida pelo GDF, articulando Desenvolvimento Social, Segurança Pública e unidades de acolhimento. A lei permite ainda integrar entidades que já atuam com mulheres em situação de violência, fortalecendo a rede.

Há risco de dificuldades orçamentárias ou burocráticas atrasarem a aplicação?

Toda política pública enfrenta desafios, mas trabalhamos para que a implementação seja rápida. A lei estabelece diretrizes claras e prioriza mulheres em risco. A CLDF fará o acompanhamento para evitar retrocessos.

Como garantir que as mulheres realmente consigam acessar o benefício?

A lei prevê processos simplificados e articulação direta com a rede de proteção. A prioridade é evitar que a mulher fique “pulando de porta em porta”, como tantas relataram quando eu era delegada.

O Estado precisa ser solução, não barreira.

Perspectiva institucional e política

A aprovação desta lei representa um avanço no enfrentamento à violência contra a mulher. O que ainda falta ser feito?

Falta ampliar a rede de acolhimento, fortalecer o atendimento psicológico, garantir autonomia econômica e investir em educação para prevenção. Essa luta é contínua.

Como a senhora avalia o papel do Legislativo no combate à violência de gênero?

O Legislativo deve ser protagonista. As leis precisam responder às urgências da

vida real. É nosso papel transformar dor em política pública. E essa lei mostra que isso é possível com responsabilidade e humanidade.

Quais outras propostas pretende apresentar nesse tema?

Já aprovamos iniciativas importantes como o S.O.S Mulher, o Educa por Elas, o Na Hora Mulher e o Comitê de Proteção à Mulher.

Seguiremos avançando em pautas de autonomia econômica, empregabilidade, acolhimento e prevenção nas escolas.

Mensagem final

Que mensagem a senhora deixaria para uma mulher que hoje teme sair de casa por falta de condições financeiras?

Eu diria: você não está sozinha. Existe uma rede que pode te ajudar, e agora existe uma lei que garante um teto para que você possa recomeçar. Sua vida vale muito. Peça ajuda. O primeiro passo é seu — os demais, nós caminhamos juntas.

Que mensagem deixa para a sociedade e para os gestores públicos sobre a responsabilidade coletiva nesse enfrentamento?

A violência contra a mulher não é um problema privado — é social.

Todos temos responsabilidade: governos, instituições, comunidade e família.

Quando a sociedade escolhe proteger a mulher, escolhe salvar vidas e construir um futuro mais seguro para todos.

Ao longo dessa conversa, ficou claro que cada política pública deve nascer do contato direto com as pessoas e de histórias que chegam todos os dias. Por trás dos programas e projetos, existem vidas reais que inspiram escolhas e mostram onde o trabalho precisa avançar.

A entrevista também revela que, mesmo diante de tantos desafios, há espaço para construir soluções e abrir novos caminhos. Quando políticas públicas se conectam com as necessidades do dia a dia, elas deixam de ser apenas ideias e passam a ser apoio concreto para as famílias. Esse é o sentimento que fica: “existe trabalho em curso e há muito ainda a ser feito.”

Após anos ouvindo histórias dentro das delegacias, deputada Jane transforma dor em política pública, e cria um benefício que pode salvar vidas.

Encerramos com a certeza de que ouvir a população continua sendo o ponto de partida para qualquer mudança verdadeira.

Lançamento de “Do Branding ao Marketing” apresenta manual inédito para comunicação política na era digital

Omercado de comunicação política ganha um novo marco editorial com o lançamento de “Do Branding ao Marketing: Como planejar a comunicação para impulsionar seu projeto político”, de Deniza Gurgel e Vanessa Marques, publicado pela Literare Books International. A obra reúne mais de duas décadas de experiência das autoras e apresenta um método completo para estruturar estratégias de comunicação política na era digital.

O livro propõe um caminho integrado entre construção

de marca política e planejamento estratégico, traduzindo para o universo político ferramentas amplamente consolidadas no marketing contemporâneo. O conteúdo, desenvolvido ao longo de três anos de pesquisas e testes, combina teoria e prática, oferecendo mapas, diagramas, planilhas e metodologias criadas ou adaptadas para orientar equipes, iniciantes, consultores experientes e lideranças políticas na construção de uma comunicação consistente e orientada por resultados.

Segundo a apresentação editorial, um dos principais diferenciais da obra é justamente a articulação entre vivência profissional e fundamentação teórica sólida, especialmente

no processo de transição da comunicação política do ambiente off-line para o digital. As autoras ajudaram a conduzir essa mudança ao longo de suas carreiras, o que confere ao livro uma perspectiva prática e atualizada. A obra também contribui para suprir uma lacuna no setor: a falta de literatura que una, de forma equilibrada, conceitos, técnicas e ferramentas aplicáveis à rotina de mandatos e projetos políticos.

A cientista política Gabriela Rollemberg, que assina o texto de apresentação, reforça a relevância da publicação ao afirmar que o livro “transforma a comunicação política em um processo mais humano, eficiente e orientado por propósito”, ao reunir rigor conceitual, prática profissional e instrumentos aplicáveis.

O livro se destaca ainda por dialogar com diferentes perfis: profissionais consolidados encontram atualização; iniciantes têm acesso a métodos claros; aspirantes à vida pública compreendem os desafios da área; e políticos com mandato encontram estratégias para fortalecer suas marcas e ampliar conexão com o eleitorado.

Para as autoras, o compromisso central da obra é contribuir para a profissionalização do campo da comunicação política, oferecendo caminhos para resultados consistentes em um ambiente mediado por plataformas digitais e marcado por forte competição.

“Do Branding ao Marketing” já está disponível para venda. Novidades podem ser acompanhadas nos perfis oficiais: @denizagurgel e @vanessamarques.mkt.

Autoras da obra:

Deniza Gurgel

Professora, palestrante, jornalista e estrategista de imagem. Atua a quase duas décadas na área de assessoria de comunicação. Inovou ao mostrar que imagem é ferramenta de comunicação, revelando como ela impacta na política fortalecendo o branding, storytelling e comunicação não verbal. Coautora do livro “Encontre sua marca” escrevendo sobre “Imagem de Poder - Como grandes líderes usaram a imagem no jogo político”.

Vanessa Marques

Jornalista, palestrante, professora, consultora e pesquisadora em comunicação política desde 2004. Possui ampla experiência no Legislativo, no Executivo, em campanhas eleitorais e em mandatos em Brasília, Rio, São Paulo e Acre. Mestre pela Universidade Politécnica de Valência, Espanha, e pós-graduada em Economia e Ciência Política. Em 2025, apresentará sua segunda pesquisa de mestrado sobre espetacularização, neopopulismo e a plataformização do discurso pela direita conservadora na América.

Vanessa Marques
Deniza Gurgel

Rio de Janeiro

Sílvia examinava todos os anúncios imobiliários de apartamentos no Rio de Janeiro.

Viu um apartamento que lhe agradou muito.

Já se viu vendendo sua casa na Ilha da Fantasia e indo embora para a cidade que faz o seu chão tremer.

O apartamento tem uma pegada mais retrô.

O piso do apartamento é todo de tacos de madeira sintecado, chegando a brilhar nas fotos.

Ela sempre se viu morando em Ipanema ou Leblon, bairros nos quais ela podia se virar muito bem até com olhos vendados.

Mas esse apartamento ao lado do Copacabana Palace despertou nela amor imediato.

Estava há muito tempo planejando uma fuga (mais ou menos), mas não seria bem uma fuga porque ela não sairia de cena à francesa.

Queria deixar na sua cidade de origem tudo o que conhecia.

Lá no Rio faria novas amizades, manteria seu atual amor e reencontraria a leveza que havia perdido há tanto tempo.

Ela iria à praia todas as manhãs para furar ondas. De tarde iria passear, mas antes de voltar para o apartamento iria novamente à praia, mas agora, no comecinho da noite ia fazer longas caminhadas.

Toda noite antes de dormir se postaria em frente a sua varanda para receber a brisa marinha no seu corpo enquanto observava a rua na esperança de avistar uma calça vermelha.

As doces lembranças da sua juventude não a atrelavam aquele tempo da sua vida.

A calça vermelha veio nas suas recordações como um momento de explosão da alma, o momento que promove um tsunami no nosso interior.

“Não faz diferença. Ela ficou suspirando por aquele jovem por muito tempo, e enquanto ouvia suas músicas prediletas, ia namorando o seu eleito.”

Lembrou com alegria da sua juventude, onde deixou uma história de amor que começou por uma calça comprida masculina vermelha.

Ainda nem tinha visto direito o rosto do rapaz que trajava a tal calça, mas ela sentiu por aquela extravagância que valia muito aquela paixão.

Quantos amores platônicos ele tivera? Não faz diferença. Ela ficou suspirando por aquele jovem por muito tempo, e enquanto ouvia suas músicas prediletas, ia namorando o seu eleito. Bem, agora ela nem queria pensar nisso, pois estava indo encontrar o amor de toda a sua existência, aquela paixão que ela nem tentava traduzir em palavras, porque ela sabia que nada chegaria perto de poder explicar o que não tinha explicação.

Esse amor é pelo Rio, por óbvio.

Sílvia convivia muito bem com a filosofia platônica, pois ela era dessas que vivem muito bem com a cabeça nas nuvens.

Silvia hoje quer desfrutar da companhia de um homem sensível, culto, e preferencialmente que seja muito mais dotado de charme do que de beleza.

Há nessa mulher algo mais de sabedoria: ela não quer o compromisso formal, o coabitar e tampouco obrigação que os vínculos formais normalmente trazem em seu bojo. Essa mulher é muito segura de si.

O amor para ela é receber o cuidado do homem amado, a preocupação que esse homem tem com seu bem-estar, os gestos simples de cuidado e atenção feitos espontaneamente. Então é meramente ilustrativa a imagem de Silvia fazendo ar de paisagem, postada à vidraça de sua varanda tentando vislumbrar a tal calça vermelha.

Sílvia tem o seu muso, o homem que ela admira e ama.

Armando é tudo que ela admira e ama atualmente num homem para ser seu companheiro de jornada.

E o melhor, a jornada desse casal é repleta de aventuras e gargalhadas. Às vezes sorriem simplesmente por de darem conta do quanto um é feliz ao lado do outro.

* Ângela Beatriz Sabbag é bacharel em Direito por graduação e escritora por paixão. Bailarina Clássica, Pianista e Decoradora de Interiores angelabeatrizsabbag e-mail angelabeatrizsabbag@gmail.com

Inflação

de 2025 ficará abaixo do teto da meta, em 4,45%

Fonte

Pela segunda semana consecutiva, a projeção para a inflação de 2025 no Brasil está abaixo do teto da meta. É o que mostra o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (24), com as previsões do mercado financeiro indicando que o ano fechará com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, em 4,45%.

Com relação ao Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas riquezas produzidas no país), o mercado manteve as projeções registradas nas semanas anteriores, de crescimento de 2,16% em 2025; de 1,78% em 2026; e de 1,88% em 2027. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta para a inflação é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5

ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

A melhora na previsão veio após o resultado da inflação de outubro (0,09%), anunciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), ser a menor para o mês, desde 1998. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses, findando em outubro, ficou em 4,68%.

Foi, portanto, a primeira vez, em oito meses, que o patamar apresentado ficou abaixo da casa de 5%.

A revisão do Boletim Focus para o IPCA de 2025 estava em 4,56% há quatro semanas; e em 4,46% na semana passada. Para os anos subsequentes, as projeções inflacionárias apresentadas pelo mercado está em 4,18%, em 2026; e em 3,80% para 2027.

Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros - a Selic - definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e a desaceleração da economia levaram à manutenção da Selic pela terceira vez seguida, na última reunião, no início deste mês.

No entanto, o Copom não descarta a possibilidade de voltar a elevar os juros “caso julgue apropriado”.

Em nota, o BC informou que o ambiente externo se mantém incerto por causa da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.

Já no Brasil, a autarquia destacou que a inflação continua acima do centro da meta (3%), apesar da desaceleração da atividade econômica, o que indica que os juros continuarão alto por bastante tempo.

A estimativa dos analistas de mercado é, há 22 semanas, de que a Selic encerre 2025 em 15% ao ano. No entanto, foi revista para baixo nas projeções para 2026, passando dos 12,25% projetados nas semanas anteriores, para 12% nesta edição do boletim. Para 2027, as projeções estão estáveis, em 10,50%.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a

inflação e estimulando a atividade econômica.

Com relação ao câmbio, as projeções do mercado financeiro se manteve estável, indicando que o dólar fechará o ano cotado a R$ 5,40. O mercado manteve também as mesmas projeções divulgadas nas semanas anteriores para a moeda norte-americana, tanto para 2026 como 2027: R$ 5,50.

Fórum do GDF vai traçar estratégias contra incêndios florestais para 2026

ASecretaria do Meio Ambiente (Sema-DF) promove, em 4 e 5 de dezembro, o Fórum Distrital de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, no auditório da Escola de Governo (Egov), das 9h às 18h, com a participação de representantes de instituições públicas, organizações civis, técnicos, brigadistas e pesquisadores.

A iniciativa está em conformidade com o Decreto no 37.549, de 2016, que prevê a realização anual do fórum para apresentação de resultados e construção coletiva das ações do Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do DF (Ppcif). A programação será dividida em quatro módulos temáticos, tendo como focos manejo integrado do fogo, educação ambiental, tecnologias de monitoramento e estratégias de combate.

Ao longo dos dois dias, serão promovidas mesas-redondas, exposições técnicas e debates com a presença de representantes do Corpo de Bombeiros, do Instituto Brasília Ambiental, do Jardim Botânico de Brasília (JBB), da Defesa Civil e de outras instituições que integram o Sistema Distrital de Combate aos Incêndios. O fórum será encerrado com uma sessão de planejamento participativo para consolidar pro-

postas que nortearão as ações em 2026.

“A construção transversal das soluções é o caminho mais eficaz para proteger nosso território contra os incêndios”, afirma o secretário do Meio Ambiente, Gutemberg Gomes. “O fórum é um espaço democrático de escuta, planejamento e ação.”

A vice-governadora Celina Leão reforça: “Trata-se de mais uma oportunidade em que o GDF reforça seu compromisso com decisões fundamentadas em evidências, ouvindo os profissionais que atuam na linha de frente e a população diretamente afetada pelos incêndios”.

O Sistema Distrital de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais é coordenado pela Sema-DF e operacionalizado por um grupo executivo que reúne órgãos executores e de apoio direto. A pasta também é responsável por consolidar os relatórios anuais sobre ocorrências, ações preventivas e respostas ao fogo.

O evento está alinhado a marcos legais, como as leis no 14.944/2024, que define diretrizes para o manejo integrado do fogo no Brasil; a no 9.795/1999 e no 3.833/2006, que regem a política de educação ambiental; além do Artigo 225 da Constituição Federal, que garante a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado

Zoo de Brasília entra para a rede global de conservação

OZoológico de Brasília deu mais um passo histórico em sua trajetória ao se tornar associado à Associação Mundial de Zoológicos e Aquários (Waza), a principal aliança global que reúne zoológicos, aquários, federações e instituições dedicadas ao cuidado e à conservação de espécies em todo o mundo. O ingresso consolida o zoo entre as instituições reconhecidas internacionalmente pelas boas práticas em bem-estar animal, sustentabilidade e educação ambiental.

A Waza funciona como uma união global que conecta profissionais, pesquisadores e instituições, promovendo cooperação, troca de conhecimento e participação em programas estratégicos de conservação. A associação abre portas para novos projetos, colaborações e padrões ainda mais avançados de manejo. O objetivo é aprofundar o alinhamento às diretrizes que regem os zoológicos modernos, ampliando o impacto científico, educativo e ambiental dos projetos já desenvolvidos.

Com a adesão, o zoo passa a ter acesso direto à rede de especialistas da Waza, a iniciativas internacionais e às me-

lhores práticas globais de cuidado animal e conservação. Isso significa mais oportunidades para capacitação, inovação e integração em ações que fortalecem o papel do Zoológico de Brasília como um centro de conservação da fauna brasileira e mundial. Após essa conquista, o zoológico inicia uma nova etapa: avançar nos processos de acreditação nacional e internacional, reforçando o compromisso com padrões elevados de qualidade, ética e segurança. Também está prevista a expansão de parcerias com universidades, centros de pesquisa e outros zoológicos, possibilitando novas iniciativas de conservação, pesquisas científicas e melhorias constantes no bem-estar dos animais.

“Fazer parte da Waza coloca o Zoológico de Brasília entre as instituições reconhecidas mundialmente pelo compromisso com o bem-estar animal, a conservação da biodiversidade e a educação ambiental”, valoriza o diretor-presidente do zoo, Wallison Couto. “É um marco na nossa história. Representa o reconhecimento internacional de que estamos alinhados aos princípios dos zoológicos modernos: cuidar bem dos animais, conservar espécies ameaçadas, educar e inspirar as pessoas e gerar conhecimento científico. É um orgulho fazer parte dessa rede global comprometida com o futuro da biodiversidade.”

Azerbaijão celebra o Dia da Vitória em Brasília com encontro histórico

Evento reuniu representantes do governo azerbaijanes e especialistas brasileiros para destacar a importância cultural, política e histórica da data comemorada desde 2020

Foi realizado em Brasília, no dia 15 de novembro, com o apoio do Comitê da Diáspora do Azerbaijão, e a organizacao de Fabiana Ceyhan, um evento especial em celebração ao Dia da Vitória. A cerimônia contou com a presença de autoridades, convidados e membros da comunidade azerbaijanesa no Brasil.

O chefe do Comitê da Diáspora do Azerbaijão e ex-presidente da Câmara dos Deputados do país, Fuad Muradov, foi representado por Salhat Abassova, chefe do Departamento

para Américas, Reino Unido e Israel. Abassova veio ao Brasil exclusivamente para participar do encontro, reforçando a relevância da data para o povo azeri.

Em seu discurso, Abassova destacou o papel da diáspora no fortalecimento dos laços internacionais e o apoio contínuo aos cidadãos azerbaijanos em todo o mundo. Ela relembrou os desafios recentes enfrentados pelo país:

Ela concluiu enfatizando o apoio internacional recebido: O Cônsul do Azerbaijão no Brasil, Rafig Rustamov, repre-

““Como muitos de vocês sabem, o Azerbaijão passou por um período muito difícil em sua história recente. Por mais de 30 anos, cerca de 20% de nossos territórios reconhecidos internacionalmente estiveram sob ocupação, e mais de um milhão de azerbaijanos tornaram-se refugiados e deslocados internos.”

sentou a Embaixada e o Embaixador Rashad Nowruz, destacando a importância do Dia da Vitória e o caráter inédito da celebração no país, além da presença especial de Abassova.

O cientista político João Zimmer Xavier, pesquisador convidado da Academia Diplomática de Baku, apresentou ao público o contexto histórico da data:

“No dia 8 de novembro de 2020, o Azerbaijão retomou a cidade histórica de Shusha, símbolo cultural e espiritual da nação. Esse feito encerrou décadas de conflito e abriu caminho para um futuro de estabilidade e prosperidade. Que este espírito de vitória e reconstrução inspire nossas relações bilaterais e nos conduza a um futuro de amizade, comércio justo e desenvolvimento compartilhado.”

Desde 2020, o Dia da Vitória é celebrado em 8 de novembro, marcando o fim da guerra de 44 dias e a retomada da cidade de Shusha, berço cultural do Azerbaijão, localizada na região de Karabakh.

O Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, instituiu oficialmente a data para homenagear a conquista estratégica de Shusha pelas tropas azeris, um marco que levou ao acordo de paz mediado pela Rússia dois dias depois. Em uma de suas declarações sobre a vitória, o presidente afirmou:

* Jornalista por formação e professora de inglês com certificação TEFL (Teaching English as a Foreign Language). Cursou Media Studies na Goldsmiths University Of London. É tradutora, tem vasta experiência como jornalista na área internacional e atua como assessora de imprensa de grandes eventos diplomáticos. Acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país. Foi palestrante no Brics 2023 (Johanesburgo), Brics 2024 (Rússia) e G-20 2024 (Rio de Janeiro).

Reparação e bem-viver: por que marcham as mulheres negras?

Desde o princípio, teimosar, na Paraíba, é verbo. Ele nomeia a obstinação de um contingente de mulheres negras que estão a caminho da 2o Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-viver, em Brasília. A delegação viajará quase dois dias para se juntar a 1 milhão de mulheres no dia 25 de novembro.

Elas vão marchar em defesa do bem-viver, que passa pelo acesso a direitos básicos - como moradia, emprego, segurança -, mas também por uma vida digna, livre de violência e por ações de reparação.

Esta agenda inclui medidas para promover mobilidade social, considerando os danos deixados pela escravidão e a expropriação da população negra através de séculos.

Na Paraíba, a expressão “teimosando” foi adaptada pelo

movimento de mulheres negras a partir de um discurso da líder quilombola e enfermeira Elza Ursulino. A declaração canalizou as aspirações para a marcha de 2025, explicou Durvalina Rodrigues, ativista e coordenadora da organização paraibana Abayomi.

“Durante uma homenagem, em 2024, Elza, do quilombo Caiana dos Crioulos, no interior do estado, contou como ela era reprimida pelo pai por provocar discussões na comunidade, né?, [Por provocar] Reflexões sobre a situação do quilombo e que ela, na ‘teimozeira’, insistia em melhorar”.

A organização, cujo nome significa “encontro precioso”, em iorubá, que reúne e atende mulheres negras de diversos perfis, nasceu da primeira marcha de mulheres negras, em 2015. “Naquela época, sabíamos que a marcha ia ser algo grande, mas nós não tínhamos a ideia de que seria histórico”, lembrou Durvalina.

No retorno para casa, ao fazer um balanço, as ativistas

decidiram fundar a Abayomi e ampliar as discussões que a marcha tinha proposto, com foco no enfrentamento ao racismo e às violências.

Jornada

Junto com outras organizações de mulheres negras paraibanas e nordestinas, a instituição organizou uma série de atividades ao longo de 2025, com o intuito de discutir o bem-viver e a reparação, temas da marcha em Brasília, esse ano.

O primeiro foi abordado pela perspectiva do autocuidado como um ato político, de resistência, mas de impacto coletivo, e, o segundo, como forma de compensar os quase 400 anos de escravidão e o legado racista que, até hoje, determina as condições de vida de pessoas negras.

Sob a ótica do bem-viver, o auto-cuidado, que vai além de rituais individuais, volta a ser um tema da marcha, dez anos depois.

“O estresse no trabalho, no lar e na comunidade, geralmente, deixa pouco tempo para o autocuidado, um caminho que provoca doenças crônicas, sofrimento psicológico e solidão” com impactos coletivos, explicou a psicóloga Hidelvânia Macedo, da Abayomi. Por outra ótica, quando exercido, o auto-cuidado impacta positivamente na autoestima e na autodeterminação, destacou.

Nesta segunda edição, o bem-viver é tratado ao lado da busca por reparação, ou seja, de medidas que permitam a correção de distorções reflexo do racismo estrutural, que é o tratamento desigual dados às pessoas negras devido à estrutura da sociedade.

Ao contrário de contingentes de imigrantes, as pessoas negras escravizadas no Brasil não tiveram direito a indenização após a abolição, tampouco

acesso à terra e à educação. Frequentar escolas, por anos, era proibido. Essas questões estão na base das desigualdades que chegaram até os dias atuais. Na região Nordeste, por exemplo, onde a taxa de analfabetismo é o dobro da nacional (14%) e há uma maior proporção de pessoas na extrema pobreza e na pobreza, vivem mais pessoas pretas e pardas*.

Necropolítica

Segundo Durvalina, da Abayomi, nas conversas mobilizadas pela instituição, a discussão por reparação antecede a do bem-viver. “Ela remete às explicações históricas, ao colonialismo, quando nos tiraram tudo, até a perspectiva existir”, explicou.

Dessas atividades preparatórias, Durvalina revelou que emergem discussões sobre política que determinam quem tem ou não direito à vida, como as de saúde e segurança. Para ela, essas reflexões são parte do grande legado da marcha de 2025.

“Quando as mulheres começam a perceber que a política de morte, a necropolítica, tem um viés histórico, com base no racismo, percebemos um despertar”, acrescentou.

A necropolítica é um conceito filosófico que explica como algumas pessoas têm mais chances de serem abandonadas e mortas por omissão ou ação do Estado, sendo a própria escravidão um exemplo de necropolítica, por ter submetido pessoas negras sistematicamente e permanentemente à violência e à morte.

Manifesto

Para tratar do tema da reparação, a Marcha de Mulheres Negras lançou o Manifesto Econômico e Institucional, com propostas em sete eixos, incluindo a criação de um fundo econômico, a taxação de grandes fortunas e heranças, políticas para redução da taxa de juros, blindagem do orçamento social, reformas agrária e urbana, além de linhas de crédito e ações afirmativas em empresas que atendem à administração pública.

Teimosando como a quilombola Elza, de Caianas, Durvalina, acredita que, por mais uma edição, a marcha estimula reflexões e fortalece organizações de mulheres capazes de liderar e acelerar transformações na sociedade brasileira.

ECONOMIA

Caso Banco Master mostra a fragilidade do sistema financeiro

Ocaso envolvendo o Banco Master tornou-se um dos episódios mais marcantes do sistema financeiro brasileiro recente, tanto pela gravidade das irregularidades encontradas quanto pelo tamanho do impacto sobre investidores e sobre o próprio Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, cresceu rapidamente nos últimos anos, impulsionado principalmente pela captação agressiva de recursos por meio de CDBs com taxas muito acima da média do mercado. Esse modelo chamou a atenção porque o banco oferecia remunerações elevadas para atrair depositantes, ao mesmo tempo em que estruturava carteiras de crédito de alto risco.

À medida que as investigações avançaram, surgiram suspeitas de que o Master teria emitido títulos lastreados em ativos fictícios ou superavaliados, criando artificialmente uma aparência de solidez. A situação ficou insustentável quando o Banco Central identificou um grave comprometimento financeiro e decretou a liquidação extrajudicial do banco.

Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro e de outros executivos. Foram encontradas evidências de gestão fraudulenta, irregularidades na concessão e na contabilização de créditos, além de suspeitas de ocultação de patrimônio. Em seguida, o Judiciário bloqueou bens dos controladores a fim de evitar dilapidação de ativos.

O episódio ganhou contornos ainda mais complexos quando, poucas horas antes da liquidação, anunciava-se uma tentativa de compra do Master por um consórcio com participação de investidores estrangeiros, repetindo uma operação semelhante que o BRB havia tentado meses antes. Nenhuma dessas iniciativas conseguiu ser concretizada, seja por falhas de conformidade, seja por decisões regulatórias.

Com a quebra do banco, o FGC tornou-se peça central no processo. O fundo é responsável por garantir até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição financeira em caso de falência ou liquidação. Como o Master havia captado volumosas quantias por meio de CDBs, estima-se que o FGC terá de desembolsar aproximadamente R$ 41 bilhões para ressarcir clientes – valor que pode se aproximar de R$ 49 bilhões, considerando instituições do mesmo conglomerado.

Será o maior resgate já realizado na história do fundo, superando com ampla margem qualquer episódio anterior. Esse desembolso coloca pressão significativa sobre o patrimônio do FGC, embora o fundo tenha mecanismos para recompor suas reservas por meio de contribuições regulares e extraordinárias dos próprios bancos associados.

A magnitude do caso levou o Conselho Monetário Nacional (CMN) a aprovar mudanças regulatórias importantes. Instituições com alta alavancagem agora são obrigadas a direcionar parte de seus recursos para ativos públicos considerados seguros, reduzindo o risco sistêmico. Além disso, bancos que apresentam perfil de risco elevado passarão a contribuir mais para o FGC, numa tentativa de equilibrar o sistema e impedir que instituições fracas dependam excessivamente da garantia oferecida pelo fundo – um movimento que busca reduzir o moral hazard.

Para os investidores afetados, o FGC abriu o processo de ressarcimento seguindo seus protocolos habituais: cadastro no aplicativo oficial, envio de documentação e liberação dos valores em poucos dias após a aprovação. O volume de pessoas atingidas, porém, gera preocupações sobre prazos e operacionalização.

No conjunto, o caso Banco Master expõe fragilidades estruturais em parte do sistema financeiro, especialmente entre instituições médias que se apoiam fortemente em captação via plataformas de investimento. O caso também levanta discussões sobre fiscalização, transparência, limites de alavancagem e o papel do FGC na preservação da confiança do investidor.

Ao mesmo tempo em que o fundo cumpre sua função essencial, evitando uma crise de confiança mais ampla, o episódio reforça a necessidade de aprimoramentos regulatórios para impedir que situações semelhantes se repitam, preservando a estabilidade e a segurança do sistema financeiro brasileiro.

* Humberto Nunes Alencar, formado em jornalismo pela UnB e economia pela Católica. É mestre em economia e doutor em direito pelo IDP.

Astro de Hollywood fará papel de Bolsonaro na campanha de 2018

Produção internacional aposta no ator de "A Paixão de Cristo" para recriar a facada e a ascensão de Jair Bolsonaro na campanha eleitoral

Acinebiografia Dark Horse, cujo enredo acompanha a campanha eleitoral de 2018 no Brasil, avança com a escalação de Jim Caviezel encenando o ex-presidente Jair Bolsonaro em uma narrativa heroica. O ator norte-americano é famoso por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo e por declarações antivacinas alinhadas a teorias conspiratórias.

Conforme informações obtidas pelo jornal O Estado de S.Paulo, as filmagens foram iniciadas no Brasil, com continuidade prevista nos Estados Unidos e no México. Estima-se que o lançamento do longa será em 2026.

Além da facada sofrida por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), o filme deve abordar o passado militar do ex-presidente e a atuação contra o tráfico de drogas, incluindo menções a outras supostas tentativas de assassinato. O personagem inspirado em Adélio Bispo, autor da tentativa de homicídio, aparecerá com nome fictício.

A direção é de Cyrus Nowrasteh, cineasta ligado a produções de temática religiosa, recrutado para retratar Bolsonaro como um herói. O diretor também é conhecido por comentários polêmicos, incluindo uma teoria de que a política mundial é controlada por uma “cabala satânica” e a classificação de vacinas contra a Covid-19 como “terapias genéticas”.

O roteiro, assinado pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), promete

apresentar o ex-presidente como um “salvador da pátria” que superou a facada e emergiu como vencedor das eleições.

O elenco ainda distribui os filhos do ex-presidente entre atores internacionais: Marcus Ornellas interpretará Flávio Bolsonaro, Sérgio Barreto viverá Carlos Bolsonaro e Eddie Finlay será Eduardo Bolsonaro. As atrizes escaladas para Michelle e Laura Bolsonaro ainda não foram anunciadas.

Consciência Negra: quando a oportunidade chega, o Brasil avança

No mês da Consciência Negra, não celebramos apenas a resistência do passado. Falamos do presente — e, sobretudo, das oportunidades que ainda não chegaram para a maioria da população negra. No Brasil, cor e chance de vida ainda caminham por estradas diferentes. E é impossível falar de futuro enquanto a cor da pele segue determinando trajetórias, portas abertas e portas fechadas.

A desigualdade racial não é uma teoria distante: ela se materializa nos bairros periféricos onde a juventude negra disputa espaço com a violência; nas escolas onde meninas negras aprendem cedo que a sociedade cobra delas o dobro para reconhecer metade; e no mercado de trabalho onde, apesar de tanto talento, tantas continuam subempregadas ou invisibilizadas. São histórias que se repetem geração após geração porque o país insiste em normalizar uma estrutura que distribui privilégios para alguns e obstáculos para outros.

Ser negra, mulher e periférica significa carregar vulnerabilidades sobrepostas. Quando uma mulher negra rompe barreiras — seja entrando na universidade, liderando uma equipe, abrindo um negócio ou ocupando um cargo político — ela não sobe sozinha: ela empurra uma porta que por muito tempo foi mantida trancada por práticas discriminatórias, falas “inofensivas” que ferem, olhares duvidosos que silenciam, e decisões institucionais que reforçam desigualdades.

Mas o ponto central não é narrar dores. É propor caminhos. E o caminho mais urgente é a oportunidade. Oportunidade real, concreta e acessível. Não é favor. É justiça. É estratégia de país. Uma sociedade que abre espaço para suas mulheres negras crescerem se fortalece em inovação, diversidade, conhecimento e produtividade. Cresce mais rápido. Cresce melhor.

É por isso que precisamos falar de posturas antirracistas. Não basta “não ser racista”. O antirracismo exige ação: corrigir uma injustiça quando ela aparece, intervir quando alguém é desrespeitado, revisar práticas institucionais, repensar

processos seletivos, questionar estereótipos e aprender com humildade. O antirracismo não acusa, educa. Não afasta, aproxima. Ele cria ambientes mais saudáveis, mais inteligentes e mais justos — e isso vale para escolas, empresas, repartições públicas, comércio, serviços e para a vida cotidiana. É uma mudança de cultura que transforma o país de dentro para fora.

Para isso, políticas de letramento racial são essenciais — não para dividir a sociedade, mas para ensinar a reconhecer comportamentos discriminatórios, evitar estereótipos, qualificar o atendimento público e corrigir o racismo institucional que ainda percorre nossos corredores. É preciso que servidores, gestores, empreendedores e profissionais entendam que equidade não nasce do improviso: nasce da formação e da consciência.

Também precisamos garantir acesso à formação profissional, saúde integral da mulher, segurança, empreendedorismo, acolhimento e proteção social que dialoguem com a realidade de quem é mãe solo, chefe de família e alvo frequente da violência doméstica. O Brasil insiste em cobrar resiliência das mulheres negras, mas pouco oferece estrutura para que elas vivam com dignidade e autonomia.

Ser uma mulher negra em posição de liderança — como eu, que vim da periferia, enfrentei portas fechadas e hoje ocupo uma cadeira na Câmara Legislativa — é provar todos os dias que talento não tem cor. Mas oportunidade tem. E é isso que precisa mudar.

A Consciência Negra não é uma data para discursos vazios. É um convite para que o país assuma a responsabilidade de garantir que a cor da pele não determine o teto de ninguém. Quando o Brasil reconhece e ativa o potencial da sua população negra, especialmente de suas mulheres, ele não apenas corrige injustiças históricas: ele se torna mais

competitivo, mais humano e mais preparado para o futuro.

O futuro que queremos não nasce do silêncio. Ele nasce da educação, da oportunidade e da coragem de transformar. E é exatamente isso que este mês nos chama a fazer — com seriedade, com ação e com visão de país. Queremos um Brasil que não apenas fale de igualdade, mas que a pratique. Todos os dias. Para todos.

A Fake News do amor

Étão forte o desejo de sermos amados que muitos trocam de relacionamento como quem troca de roupa. Confesso que isso sempre me assustou um pouco. Costumo passar anos sabáticos em minha própria companhia. Goste ou não de consumir fofocas, nos últimos meses, uma invasão de informações sobre uma casal - formado por uma ‘influenciadora’ e um ‘cantor’- com três filhos pequenos, que anunciou a separação recente, tomou conta das redes. Não demorou muito para que os dois assumissem novas paixões. Ele, por uma cantora sertaneja. Ela, por um jogador brasileiro conhecido mundialmente. E as declarações de amor voltaram a surgir, meses depois, para diferentes pessoas. Esse é apenas um exemplo de muitos que acompanhamos na mídia, nas redes sociais ou perto de nós. A sensação é de que, em um toque de mágica, conseguíssemos passar uma borracha e apagar o nosso passado. Esquecer completamente. Como se não precisássemos de um tempo para digerir o que foi vivido, curar as feridas naturais de um término, viver o luto e, só aí, partir para uma próxima. No entanto, em tempos de amores líquidos, como diz Zygmunt Baumant, ou fluidos, as relações viram produtos de consumo e, como tais, são descartáveis. Se não nos servem mais, jogamos no lixo. Simples assim.

Mas, será mesmo? Será que em poucos meses ou semanas nosso cérebro e coração teriam a capacidade de esquecer completamente quem um dia amamos? Será que conseguimos apagar, em tão pouco tempo, as palavras ditas, ouvidas, os sonho vividos, realizados e concretizados?

Ou até mesmo, será que conseguimos aquietar dentro de nós a desconstrução da ilusão desmontada à força, sem a nossa vontade? Por que hoje em dia tornou-se tão difícil mostrar nossas reais emoções, sem filtros, nem disfarces?

Por que a dificuldade de ficar triste e demonstrar essa tristeza? Desde quando ‘ser humano’ se tornou sinônimo de fraqueza? Em tempos de realitys em redes sociais, onde mostramos o recorte do nosso dia a dia e somos os diretores dos nossos próprios programas, escolhemos, em geral, mostrar só o lado bom da vida. Como se não houvesse sempre os dois lados. Seguimos fingindo que não há dor nem sofrimento.

E nesse mundo fake, quando a dor, genuína e real, bate à nossa porta não sabemos o que fazer com ela, porque

acreditamos em nossa própria mentira. O estar sozinho hoje se tornou sinônimo de tristeza e fraqueza para alguns. Mal sabemos que, muitas vezes, precisamos dessa solidão para mergulhar em nós mesmos, reencontrar nossa própria força e reerguer, qual fênix, ainda que seja das cinzas, mais real e honesto conosco e com quem se aproximar de nós.

* Renata Dourado é psicanalista e jornalista. Trabalha na TV Bandeirantes há mais de 15 anos. Apresenta o Band Cidade Segunda Edição, jornal local, que vai ao ar, ao vivo, de Segunda a Sexta, às 18h50. Também apresenta o Band Entrevista, que vai ao ar, aos sábados.

Militares da reserva dizem que STF ignora história de oficiais condenados

Um dia após a execução da pena de integrantes das Forças Armadas pelo plano de golpe, os Clubes Naval, Militar e da Aeronáutica divulgaram nesta quarta-feira (26) uma nota contestando as prisões, criticando as penas aplicadas e afirmando que o histórico de oficiais de alta patente foi ignorado durante todo o julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal).

“As prisões em questão atingem respeitados chefes militares, com passado ilibado, com uma carreira de mais de 40 anos de serviços prestados à nação brasileira, o que deveria ter sido objeto de ponderação em todo o processo e no julgamento”, diz o texto.

Na terça-feira (25), os generais e ex-ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa) e Walter Braga Netto (Casa Civil), além do almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, foram presos definitivamente após a conclusão do processo da trama golpista.

O comunicado da Comissão Interclubes Militares, intitulado “injustas prisões”, diz que a detenção de militares ao final do processo “levanta preocupações sérias e não pode ser tratada como um ato meramente protocolar”.

Cita ainda o voto do ministro Luiz Fux, que divergiu da maioria da Primeira Turma no julgamento em setembro.

“Quando um julgamento apresenta pontos de contestação sólidos, como os levantados com precisão jurídica

pelo ministro Fux, é imprescindível que tais questionamentos sejam enfrentados com rigor, e não ignorados”, diz o texto.

A nota afirma ainda que “a prisão imediata, diante de um processo cuja condução foi alvo de críticas técnicas consistentes, transmite a sensação de que etapas essenciais de revisão e ponderação foram desconsideradas”.

“Isso não contribui para o fortalecimento da Justiça; ao contrário, compromete a percepção pública de equilíbrio, proporcionalidade e segurança jurídica”, afirma.

Os militares da reserva dizem também que as penas aplicadas são “desproporcionais e desequilibradas” e que não deveriam existir. “São superiores às praticadas, em média, pela Justiça brasileira, mormente quando se compara a assassinos, traficantes, ladrões do dinheiro público, estupradores etc.”, argumentam.

No comunicado, os clubes afirmam que o posicionamento contra a decisão do STF não se trata de ataque às instituições.

“Discordar dessa decisão não significa atacar instituições, mas reafirmar que decisões que afetam diretamente a liberdade de indivíduos devem ser tomadas com total observância ao devido processo legal, especialmente quando há apontamentos relevantes sobre possíveis falhas na análise dos fatos ou na interpretação jurídica aplicada”, afirma o texto.

“O sistema de Justiça se aperfeiçoa quando acolhe críticas bem fundamentadas, não quando avança apesar delas. É por isso que a contestação à prisão dos militares, diante de argumentos judiciais tão bem expostos, é não apenas legítima, mas necessária. Trata-se de defender a credibilidade das instituições e a integridade do próprio processo judicial. É assim que se constrói justiça sólida, respeitosa e verdadeiramente republicana”, encerra.

O comunicado é assinado pelos presidentes do Clube Naval, almirante de Esquadra Alexandre José Barreto de Mattos; do Clube Militar, general de brigada Sérgio Tavares Carneiro; e do Clube da Aeronáutica, major-brigadeiro do Ar Marco Antonio Carballo Perez.

Gustavo Da Lua: “Voe Alto é sobre confiar em você mesmo”

Percussionista do Nação Zumbi há 25 anos, integrante do projeto Los Sebosos Postizos e ex-membro da icônica Sheik Tosado, Gustavo Da Lua acaba de lançar seu novo single solo, “Voe Alto”, uma faixa que mistura reggae, dub, hip hop e influências afro-brasileiras. A música nasce de um processo profundo vivido durante a pandemia e já aponta para o próximo disco do artista pernambucano.

A seguir, Gustavo Da Lua fala sobre o novo trabalho, sua trajetória e os caminhos da música brasileira.

“Voe Alto” chega às plataformas como um single forte e cheio de mensagem. Do que fala essa música?

DA LUA: “Voe Alto” fala de autoestima e de confiança na intuição. É sobre acreditar que a vida é comandada por você, sem deixar que ninguém defina seu destino. Como diz o refrão: “É você com você mesmo.” É um lembrete de que quem decide o seu caminho é você.

Há uma mistura de influências marcante na faixa. Quais são as referências musicais que formaram esse som?

DA LUA: Tenho uma base muito forte nas músicas de rua e na cultura popular de Pernambuco, mas “Voe Alto” nasceu com influências de reggae, hip hop, dub e música afro-brasileira. Essas linguagens têm uma energia orgânica, de resistência, e isso combina muito com a proposta da música.

Foto: José de Holanda

Como foi o processo de produção? Onde a faixa foi gravada e com quem você trabalhou?

DA LUA: A produção é de Davi Índio, que também gravou baixo, teclado, MPC, além de fazer a edição, mixagem e a master. A guitarra marcante é de Emilio Mizão. Tudo foi gravado no Estúdio Casa Azul, em São Paulo, e o single saiu pelo Indio Rock Selo. Esse foi um período intenso, porque eu estava morando lá durante a pandemia, sem ter casa. Passávamos o dia inteiro fazendo música.

“Voe Alto” foi composta durante a pandemia, mas só chega agora. Por quê? Ela fará parte de um disco?

DA LUA: Eu já tinha letra e melodia quando morei no Estúdio Casa Azul, mas a vida me levou de volta para Recife. Alguns anos depois, o Davi me mostrou a faixa pronta. Escutei, gostei e decidimos lançar agora. Ela não fazia parte de nenhum álbum inicialmente, mas já aponta para o meu novo disco solo, que está em produção e deve ser lançado no próximo ano.

Sua trajetória passa pela Sheik Tosado, Los Sebosos Postizos e pelo Nação Zumbi, onde você completa 25 anos. Quem é Gustavo Da Lua dentro dessa história da música brasileira?

DA LUA: Sou um músico de Olinda, nascido da mistura. Comecei nos anos 1990 tocando nos bares e espaços da região, influenciado pelo frevo, maracatu, coco, ritmos afro-latinos e pelo punk. Essa “salada” me formou. Tive a honra de viver a Sheik Tosado, que abriu muitos caminhos, e depois mergulhei no Nação Zumbi, onde estou há 25 anos. Também faço parte do Los Sebosos Postizos. Tudo isso me ensinou a pensar a música como identidade e resistência.

Como você enxerga a cena musical atual? E o que “Voe Alto” representa nesse contexto?

DA LUA: A cena hoje é muito diversa, mas também exige coragem do artista. “Voe Alto” traz essa mensagem: não espere permissão para criar. Confie no que você é. A música é sobre autonomia — pessoal e artística. Acho que esse é o ponto que precisamos defender diante de um mercado cada vez mais acelerado e moldado por algoritmos.

Fotos: Divulgação
Foto: José de Holanda

É a velocidade, estúpido!

Mais ou menos nesta época do ano o Conselho Nacional de Trânsito define o eixo das campanhas educativas de trânsito a serem realizadas no ano seguinte. A decisão costuma incluir a mensagem, um cronograma de temas e orientações, e um conjunto de diretrizes a serem seguidas por todos os órgãos e entidades que compõem o Sistema Nacional de Trânsito. Ainda não consegui confirmar, mas soube que o Contran, em minha opinião muito acertadamente, manteve para 2026 a mesma mensagem adotada no presente ano: “Desacelere. Seu bem maior é a vida”.

Alguém pode ver na escolha um sinal de que o SNT não foi capaz de desenvolver o tema como era esperado. Pode até haver alguma verdade aí, mas prefiro acreditar que um único ano seja mesmo insuficiente para trabalhar de forma adequada a desconstrução de uma ideia que vem pautando nossa vida pelo menos desde os primeiros anos da chamada Era Industrial. Olhemos inicialmente o aspecto da segurança no trânsito.

deparam e isso permite que choques, colisões, atropelamentos, saídas de pista etc. ou não ocorram ou, se não puderem ser evitados, que produzam efeitos menos graves.

“O que escapa à percepção da maioria das pessoas –começando por prefeitos e governadores – é que a escala dessa economia é infinitamente menor do que se pensa.”

É raríssimo conseguirmos identificar um único fator na origem de um sinistro de trânsito, ou mesmo na raiz das ocorrências que o antecedem. Classicamente, as análises consideram conjuntos de fatores associados aos usuários (sejam eles condutores ou passageiros, pedestres etc.), aos veículos (com destaque para falhas decorrentes de uma manutenção inadequada) e ao sistema viário (nele contemplados não apenas os leitos de ruas e estradas, mas todos os elementos constitutivos do ambiente de circulação, incluindo a sinalização e a atuação dos agentes de trânsito).

Seja como for, no entanto, independentemente de contribuírem ou não com cada ocorrência, os condutores de veículos são as pessoas que quase inescapavelmente estão na posição de agir para evitar a consumação de sinistros. E nesse particular é essencial a moderação da velocidade. Com velocidades reduzidas, veículos percorrem distâncias menores enquanto seus condutores reagem aos eventos com que se

Um segundo aspecto é menos visível que a segurança: trata-se da utilidade. Sabe-se que a velocidade produz diversos efeitos, a ponto de vários estudiosos compararem-na a drogas que alteram a descarga de hormônios em nosso organismo e, em consequência, provocam fortes sensações de prazer. Mas a utilidade prática da velocidade se resume a uma desejada e óbvia economia de tempo. O que escapa à percepção da maioria das pessoas – começando por prefeitos e governadores – é que a escala dessa economia é infinitamente menor do que se pensa. Na moderação da velocidade, o papel do Poder Público não deve se resumir a fiscalizar e punir o desrespeito aos limites estabelecidos em cada trecho de via. Nossas autoridades precisam também se dedicar à sensibilização do público em geral para a inutilidade das altas velocidades para reduzir na prática os tempos de viagem nas cidades e, com isso, implementar um programa consistente de redução dos limites de velocidade em nossas ruas e avenidas. Isso é, sim, trabalho para bem mais de um ano.

* Paulo César Marques da Silva é professor da área de Transportes da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília. Possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal da Bahia (1983), mestrado em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992) e doutorado em Transport Studies pela University of London (University College London) (2001).

Brasil tem 11 praias em ranking das 100 melhores do mundo

OBrasil foi o país com maior número de praias incluídas no guia interativo Corona Beach 100, lançado globalmente pela cerveja Corona da Ambev. A iniciativa reúne cem destinos litorâneos considerados icônicos em diferentes partes do mundo e que representam o slogan da marca “this is living” (“isso é viver”, em tradução livre).

Para a curadoria do ranking, a Corona reuniu um time de especialistas no assunto, composto por oceanógrafos, surfistas, mergulhadores, entre outros profissionais. Cada praia foi

classificada entre um e três sóis, considerando três elementos essenciais: cultura à beira-mar, conexão com a natureza e estética cênica.

A iniciativa faz parte das celebrações pelos 100 anos da marca mexicana. “Queremos comemorar o centenário de Corona inspirando as pessoas a se desconectarem da rotina, se reconectarem com a natureza e uns com os outros. Esse guia é um compilado de lugares que representam perfeitamente o nosso ‘this is living’ e, assim como a ação que estamos promovendo”, afirma Gabriela Gallo, diretora de marketing da Corona no Brasil.

Nordeste concentra a maioria das praias

O Nordeste teve a maior concentração de praias dessa lista. Das 11 listadas na lista, sete ficam na região: Praia de Atins (MA), Praia do Preá (CE), Baía do Sancho (PE), Praia do Madeiro (RN), São Miguel dos Milagres (AL), Taipu de Fora (BA) e Praia de Itapororoca (BA). As outras são: Ilha do Amor (PA), Praia de Copacabana (RJ), Saco do Mamanguá (RJ) e Praia do Rosa (SC).

O guia também destaca locais famosos em países como África do Sul e México e até litorais menos badalados, como Punta de Lobos, no Chile; Stokksnes Beach, na Islândia, e Cox Bay Beach, no Canadá, entre outros.

A presença de praias brasileiras no ranking evidencia a diversidade do litoral nacional, que vai do Norte ao Sul do país. O destaque para o Nordeste reforça a relevância da região como destino turístico internacional, mas o guia também contempla pontos tradicionais do Sudeste e Sul.

7 motivos para viajar pela América Latina em 2026

Logo ali, a poucas horas de avião, encontram-se destinos com paisagens marcantes, tradições culturais ricas e uma culinária que agrada até os gostos mais exigentes. Composta por 20 países, a América Latina oferece uma diversidade de experiências para quem viaja a lazer, a trabalho ou para estudar.

Não por acaso, a região segue entre as favoritas dos brasileiros na hora de escolher um destino internacional.

Segundo o levantamento mais recente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), cidades como Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile) e Montevidéu (Uruguai) estiveram entre os dez destinos mais visitados por brasileiros em 2023. A proximidade geográfica, a facilidade de acesso e a afinidade cultural ajudam a explicar essa preferência.

Além disso, os países vizinhos oferecem uma combinação de atrativos que vão de centros urbanos vibrantes a paisagens naturais preservadas, passando por roteiros históricos, praias, montanhas e festivais tradicionais.

7 motivos para viajar pela América Latina em 2026

A variedade de opções permite montar itinerários personalizados, seja para uma escapada de fim de semana ou para uma viagem mais longa. Confira abaixo 7 motivos para viajar pela América Latina em 2026.

1 – Voos mais curtos, menos poluição

Viajar pela América Latina é mais sustentável, porque geralmente envolve distâncias menores em comparação com os destinos intercontinentais. Buenos Aires, por exemplo, está a apenas duas horas de voo de cidades como Curitiba e São Paulo. Isso resulta em uma emissão de CO� significati-

vamente menor, o que contribui para uma pegada ambiental reduzida.

2 – Melhor relação custo-benefício

Em vez de dólares, libras ou euros, os países latinos têm moedas com câmbio muito mais favorável para os brasileiros. Muitos países latino-americanos oferecem experiências incríveis por preços mais acessíveis do que outros destinos internacionais.

Enquanto jantar em um restaurante famoso na Europa pode custar alguns milhares de reais, uma experiência parecida, por exemplo, no Peru —que abriga uma infinidade de chefs reconhecidos internacionalmente— é muito mais amigável para o bolso brasileiro.

3 – Natureza diversa e impressionante

As geleiras e fiordes da Patagônia —seja no Chile ou na Argentina— não ficam devendo nada às paisagens mais incríveis de países como Islândia ou Noruega. E, para quem não gosta de frio, também estão disponíveis praias caribenhas e destinos cercados por floresta tropical.

A América Latina reúne alguns dos ecossistemas mais ricos e variados do mundo, ideais tanto para quem gosta de aventura quanto para quem quer descansar e desfrutar do melhor da vida.

4 – Oferta hoteleira para todos os gostos e bolsos

Nos últimos anos, a região ganhou impulso em termos de quantidade e qualidade de hospedagens em hotéis. Redes hoteleiras com atuação global olham para os países latinos com interesse crescente e têm investido tanto no aumento quanto na diversificação da oferta hoteleira. Segundo o diretor de Expansão para as Américas da Minor Hotels, Felipe Mihovilovich, a empresa —que possui mais de 560 hotéis em 57 países— vê a América Latina como peça-chave em sua estratégia de crescimento. “Estamos presentes com cerca de 60 hotéis em nove países sob marcas como NH Hotels, NH Collection, Avani e nhow”, comenta.

5 – Riqueza cultural, histórica e gastronômica

Civilizações como maias, incas e astecas deixaram um legado cultural fascinante que ainda ressoa no cotidiano de muitos países. Desde os sítios arqueológicos do México até antigos centros coloniais como Cartagena das Índias, na Colômbia, não faltam opções de passeios para quem deseja conhecer melhor o passado e o presente dos povos latinos.

Há ainda uma infinidade de experiências culturais disponíveis, como aprender a preparar um assado tipicamente argentino ou assistir a apresentações de danças ancestrais em qualquer um desses países.

No que se refere à gastronomia, é verdade que ainda existem algumas “guerras gastronômicas” em curso entre países latinos, mas isso não significa que o viajante corra algum risco; ao contrário, os turistas em geral só têm a ganhar com a disputa pela autoria de pratos imperdíveis como o ceviche e as empanadas. Enquanto essa questão não se decide, a recomendação é provar todas as versões possíveis dessas delícias para decidir você mesmo qual é a vencedora.

6 – Conectividade

A Latam Airlines registrou quase 10% de aumento no número de passageiros transportados do Brasil para outros países da região, passando de 889 mil no primeiro semestre de 2024 para 974 mil no primeiro semestre de 2025, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Atualmente, a companhia opera 23 rotas do Brasil para outros países da América do Sul, com voos saindo de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Fortaleza e Recife.

7 – Facilidade com o idioma

Embora o espanhol não seja exatamente uma língua fácil, sua semelhança com o português pode fazer com que a comunicação nos países latinos seja muito mais simples para os brasileiros. Afinal, comunicar-se em uma língua que tem muitas palavras parecidas com a nativa é muito mais fácil do que tentar entender idiomas de raízes diferentes, como inglês, alemão ou chinês.

A importância do não às Big Techs

São três as principais razões pelas quais devemos apoiar as iniciativas governamentais que buscam colocar as Big Techs em seu devido lugar. Inclusive com a regulamentação das redes sociais.

A saúde mental, a capacidade intelectual e, uma que é consequência direta e imediata das duas primeiras, a polarização política.

Já estávamos acostumados com o uso de dispositivos digitais. Um alívio na execução dos afazeres cotidianos. Um excelente exemplo da tecnologia na melhoria da nossa qualidade de vida.

Daí, vieram as plataformas de mídia social, inicialmente trazendo conveniência, velocidade e conectividade, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Também, naquele momento, um excelente exemplo do bom uso da tecnologia na construção de redes interpessoais.

Vemos, agora, a inserção das ferramentas de inteligência artificial (IA) nesse grupo de tecnologias, criando, assim, uma “tríade tecnológica” profundamente interligada às nossas atividades diárias. Sim. Podemos concordar que nossa vida se tornou mais fácil ainda.

mente humana para a manutenção dessa atenção sustentada, com o uso indiscriminado dessa tríade, excedendo nossos recursos atencionais devido a uma gama de novos estímulos trazidos pelas tecnologias, que competem ferozmente pela nossa atenção.

“Foi

demonstrado cientificamente que o homem só é capaz de manter o foco sustentado por um tempo limitado, e estudos recentes trouxeram à tona, os desafios impostos à mente humana para a manutenção dessa atenção sustentada, com o uso indiscriminado dessa tríade, excedendo nossos recursos atencionais devido a uma gama de novos estímulos trazidos pelas tecnologias, que competem ferozmente pela nossa atenção.”

Mas sempre existirá um “mas”. A influência dessas tecnologias sobre o funcionamento do cérebro, habilidades cognitivas cruciais, como atenção, memória, dependência, busca por novidades, percepção, a tomada de decisão e pensamento crítico, ainda não está totalmente esclarecida.

Foi demonstrado cientificamente que o homem só é capaz de manter o foco sustentado por um tempo limitado, e estudos recentes trouxeram à tona, os desafios impostos à

Essa sobrecarga atencional foi percebida e maldosamente explorada pelas grandes empresas de tecnologia, sob o manto da livre concorrência, benefícios mercadológicos e liberdade de expressão, enquanto miram exclusivamente no enriquecimento próprio, financeira e politicamente falando.

O governo deve representar todos os seus cidadãos e todas as famílias. Para isso, é preciso ter coragem de continuar dizendo não ao lobby da “não regulamentação”.

Nossa sociedade somente progredirá se as novas oportunidades puderem beneficiar a todos, independentemente de cor, raça, credo e, principalmente, corrente política.

Não será a IA, apenas, que fará o governo produzir mais e melhor. Enquanto houver inescrupulosos que fazem dos cargos políticos uma sinecura vitalícia, nada sobrará aos cidadãos que não nascerem em berço esplêndido.

* Wilson Coelho é especialista em Políticas públicas de Saúde pela UNB, e Informática em Saúde pelo IEP-HSL.

Mostra exibe Brasil de Debret e releitura de artistas contemporâneos

Aexposição Debret em questão - olhares contemporâneos, aberta ao público nesta terça-feira (25), no Museu do Ipiranga, em São Paulo, apresenta um diálogo entre um conjunto de obras do Brasil Império, do artista francês Jean-Baptiste Debret, e sua releitura por parte de 20 artistas contemporâneos, com obras inéditas de Rosana Paulino e Jaime Lauriano.

A exposição é um desdobramento do livro Rever Debret (Editora 34, 2023), do pesquisador Jacques Leenhardt, que assina a curadoria ao lado de Gabriela Longman. Organizada em duas partes, a mostra exibe 35 pranchas litográficas que fazem parte do livro Voyage pittoresque et historique au Brésil, impresso em Paris entre 1834 e 1839.

A curadoria aponta que Debret recusa a representação

idílica do país naquela época e assume uma postura quase antropológica, observando e descrevendo o cotidiano com detalhes e uma postura crítica. Na época, afirmam os curadores, o conjunto foi rejeitado pelo governo brasileiro por retratar a violência de uma sociedade que escravizava, no Rio de Janeiro, então capital do Império.

De 1816 a 1831, o artista acompanha a transformação da colônia portuguesa no império brasileiro. “Como se constrói uma nação é tema fundamental do livro. [Tem] a parte central sobre a vida no Rio de Janeiro, que fundamentalmente é uma vida com os escravos. Debret sempre lembra isso: o português não trabalha, não quer trabalhar, não gosta do trabalho”, disse o curador Jacques Leenhardt.

“Quem trabalha e está construindo o país são os escravos. Por isso, a presença do escravo é tão importante nesse livro. Tem escravos em todos os livros, todas as ‘viagens pitorescas’, mas são pequenos [nos registros], são perdidos na paisagem

geral da cidade ou do campo. No livro do Debret, o escravo é uma figura importante e central. Na seleção dessas imagens, nota-se a importância do trabalho dessas pessoas”, explicou.

As releituras contemporâneas marcam a segunda parte da exposição. Elas retomam as obras de Debret para questionar a narrativa hegemônica da história e os discursos dominantes, apresentando ainda eventos contemporâneos considerados herança da escravização da população negra. São trabalhos de artistas como Gê Viana, Dalton Paula e Isabel Löfgren & Patricia Goùvea.

Entre as obras desses artistas, há uma variedade de técnicas. Para a curadora Gabriela Longman, isso é um reflexo da diversidade da arte contemporânea. “Tem fotografia, vídeo, instalação, colagem digital, pintura, gravura. É uma grande variedade de suporte e de linguagens, e também uma variedade de tom discursivo, que para gente é mais interessante ainda”, disse.

Segundo o diretor do Museu do Ipiranga, Paulo Garcez Marins, as últimas exposições temporárias realizadas no museu têm buscado interpretar o passado com as perguntas do presente.

“Essa é, afinal, a característica do pensamento histórico, uma operação intelectual e cognitiva sobre o passado. É o que procuramos fazer ao abordar, por diferentes caminhos, as formas de violência e resistência que moldaram o Brasil”, explicou.

As obras de Debret foram reproduzidas em livros didáticos lidos por diferentes gerações no país. Também estiveram em várias publicações, mídias e objetos do cotidiano, como camisetas e calendários, e na abertura da novela A Escrava Isaura (TV Globo, 1976). Com isso, as obras acabaram adquirindo uma existência sem qualquer relação com o contexto e as condições em que foram produzidas.

“Com a descontextualização das

imagens em relação ao texto original de Debret, as representações do artista passaram a ser reproduzidas sem suas críticas, assumindo uma função consagradora e nostálgica dos tempos da escravidão, reflexo de uma sociedade que não deixou de ser racista e que ainda cultiva a violência”, destacou Marins.

Obras de Debret

Os primeiros painéis da exposição são dedicados à questão indígena, mostrando a dominação sobre os povos originários. Na sequência, as imagens retratam a vida dos escravos e os trabalhos a que eram submetidos. “A gente fica com essa imagem de que os escravos trabalhavam na plantação, a gente carrega muitos clichês. Quando olha para essas imagens, se dá conta da variedade de trabalhos”, afirmou Gabriela Longman.

“Eles eram barbeiros, serventes dentro de casa, moíam o açúcar, saíam para caçar junto com os cientistas. Tem uma série de ofícios, aqui [na imagem] da sapataria, tem um sapateiro ali no centro, mas quem está executando o grosso do trabalho são os escravos”, relatou.

Longman ressalta que as imagens revelam uma sociedade bipartida, em que há uma distância social enorme e condições extremamente violentas. A curadoria relata que Debret não poupava, nas obras, detalhes de violência e o protagonismo do trabalho de escravizados africanos no Brasil, que foram tradicionalmente invisibilizados nas representações artísticas do cotidiano.

A curadora aponta que, não à toa, o tema da violência atravessa as obras dos artistas contemporâneos na exposição. “Por que revisitamos Debret hoje? Por que os artistas olham para isso com tanta ênfase? Porque existem transformações gigantescas na sociedade e existem permanências”, disse.

Debret chegou ao Brasil em 1816, integrando a Missão Artística Francesa como

pintor da corte luso-portuguesa. Durante os 15 anos que viveu no país, não apenas atendeu encomendas do governo, mas criou imagens sobre a diversidade social e política que caracterizava o Rio de Janeiro, durante as longas sessões sentado na calçada.

Obras inéditas

Entre os destaques, estão duas obras inéditas. Reconhecida por investigar as marcas deixadas pela escravidão e pelo racismo estrutural, Rosana Paulino participa com a obra inédita Paraíso Tropical. A artista revisita a concepção histórica do Brasil como um paraíso idílico - imagem que atravessou séculos de representações - para revelar uma narrativa que expõe um território marcado pelo extrativismo, cuja fauna e flora foram amplamente exploradas.

O artista Jaime Lauriano apresenta a instalação Brasil através do espelho, também inédita e que aborda temas como etnocídio, apropriação cultural e democracia racial. Lauriano expõe ainda, na mostra, a série Justiça e Barbárie,

composta por oito fotografias de violência encontradas nos meios de comunicação, em especial cenas de linchamento de homens negros que circulam na mídia.

Lauriano usa títulos de obras de Debret nas fotografias, de forma a tensionar o presente e o passado, questionando o que realmente mudou na dinâmica social brasileira. “Depois do que aconteceu no Rio de Janeiro duas semanas atrás, essa parede [com as fotografias] ganhou uma atualidade maior do que já tinha”, disse Longman ao se referir à ação policial no Complexo do Alemão que resultou em mais de 120 mortos.

A mostra conta também com obras de Anna Bella Geiger, Bruno Weilemann, Cássio Vasconcellos, Claudia Hersz, Denilson Baniwa, Eustáquio Neves, Heberth Sobral, Laercio Redondo, Livia Melzi, Sandra Gamarra, Tiago Gualberto, Tiago Sant’Ana, Val Souza e Valerio Ricci Montani.

Uma sala, no espaço expositivo, é dedicada a um desfile sobre Debret concebido pela escola Acadêmicos do Salgueiro para o carnaval de 1959, registrado em imagens pelas lentes do fotógrafo Marcel Gautherot (1910-1996).

Morre, aos 81 anos, Jimmy Cliff, um dos maiores nomes do reggae

Jimmy Cliff, uma das maiores lendas do reggae em todos os tempos, morreu nesta segunda-feira (24), aos 81 anos.

Latifa Chambers, sua mulher, anunciou a morte do cantor em suas redes sociais.

Latifa também se dirigiu aos fãs de Cliff: “Para seus fãs ao redor do mundo, por favor saibam que seu apoio era a força dele ao longo de toda a carreira. Ele realmente adorava o amor de cada um de seus fãs”.

Ela agradeceu ainda a equipe médica que cuidou de seu marido e finalizou seu texto assim: “Jimmy, meu querido, descanse em paz. Seguirei seus desejos. Espero que vocês respeitem nossa privacidade neste momento difícil. Daremos outras notícias mais adiante”.

Jimmy Cliff é um dos pioneiros do reggae e é considerado uma verdadeira lenda do gênero musical que surgiu na Jamaica. A longa carreira do cantor começou oficialmente em

1967, com o disco Hard Road to Travel.

Através das décadas, Cliff lançou dezenas de álbuns e singles e ganhou o Grammy pelos discos Cliff Hanger (1985) e Rebirth (2012). Realizou grandes turnês pelo mundo todo e tem uma relação especial com o Brasil. Em 1968, participou do Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro e se tornou muito querido por aqui, o que o fez voltar várias vezes. Se apresentou no país em 1980, numa turnê junto de Gilberto Gil. Também tocou por aqui várias vezes depois disso, como em 1984, 1990, 1993 e 1998. Ele até chegou a morar no Rio de Janeiro e em Salvador durante alguns anos. Cliff tem uma filha brasileira, a atriz Nabiyah Be.

Boa parte de suas canções eram de protesto ou abordavam temas sociais, assuntos de grande interesse de Cliff e frequentemente abordados pelo reggae. Entre seus maiores sucessos estão músicas como “Reggae Night”, “Rebel in Me”, “We All Are One”, “Many Rivers to Cross”, “Vietnam”, “I Can See Clearly Now” (de Johnny Nash), entre outros.

Risco de fuga leva Bolsonaro à cadeia

Fonte Correio Brasiliense

Oex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente, neste sábado, após violar a tornozeleira eletrônica e descumprir medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão que determinou a detenção, o ministro Alexandre de Moraes apontou risco de fuga. O ex-chefe do Executivo passará por audiência de custódia neste domingo. A Primeira Turma da Corte marcou para esta segunda-feira uma sessão extraordinária para analisar a determinação do magistrado.

Na decisão, Moraes afirmou que a tornozeleira de Bolsonaro foi violada à 0h07 deste sábado. O alarme do equipamento disparou, e, imediatamente, a equipe que faz a vigilância do ex-presidente — que estava em prisão domiciliar — foi acionada pela Secretaria de Administração Penitenciária do Governo do Distrito Federal, responsável pelo aparelho. A escolta, então, confirmou a violação e fez a troca do equipamento à 1h09.

O próprio Bolsonaro reconheceu que usou solda para violar o equipamento de segurança. “No momento da análise, o monitorado foi questionado acerca do instrumento utilizado. Em resposta, disse que fez uso de ferro de solda para

tentar abrir o equipamento”, diz o relatório enviado ao STF (veja, no quadro, o diálogo).

Moraes citou o risco de fuga do político, além da suspeita de o ex-presidente e aliados tramarem para causar “tumulto” e obter vantagens pessoais. A desconfiança sobre as intenções do condenado começou após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocar, na noite de sexta-feira, uma vigília em frente ao condomínio do pai, em Brasília. No vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar chama os apoiadores para “vencer as injustiças, as lutas e todas as perseguições”.

Para a Polícia Federal e para o Supremo, o ato poderia colocar em risco a vida de todos os envolvidos, inclusive das forças policiais, além de acirrar a polarização política. Moraes classificou como “iniciativas patéticas” as ações dos filhos Eduardo e Flávio Bolsonaro, que tentaram interferir no processo em favor do pai.

“A democracia brasileira atingiu a maturidade suficiente para afastar e responsabilizar patéticas iniciativas ilegais em defesa de organização criminosa responsável por tentativa de golpe de Estado no Brasil”, escreveu.

A Polícia Federal chegou ao condomínio de Bolsonaro por volta das 6h deste sábado e deixou o local cerca de meia hora depois. O ex-presidente foi levado diretamente para a Superintendência da PF.

Na ordem de prisão, Moraes determinou que Bolsonaro fosse conduzido “sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática”, observando “todo o respeito à dignidade do ex-presidente da República”. Ele também ordenou a disponibilização de atendimento médico em tempo integral ao ex-chefe do Planalto durante o tempo de prisão dele.

Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, por causa de uma investigação sobre a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), suspeito de coagir a Justiça ao atuar nos Estados Unidos por sanções contra autoridades brasileiras. À época, o ex-presidente usou as redes sociais de aliados para divulgar mensagens com “claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”.

“Primeiro, um dos filhos do líder da organização criminosa, Eduardo Bolsonaro, articula criminosamente e de maneira traiçoeira contra o próprio país, inclusive, abandonando seu mandato parlamentar”, escreveu Moraes na decisão deste sábado. “Na sequência, o outro filho do líder da organização criminosa, Flávio Bolsonaro, insultando a Justiça de seu país, pretende reeditar acampamentos golpistas e causar caos social no Brasil, ignorando sua responsabilidade como senador da República”, completou.

O magistrado comparou a vigília aos acampamentos diante de instalações militares que ocorreram logo após a derrota do ex-presidente para Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas. Ele também afirmou que, ao convocar o ato “nas proximidades” da sua casa do ex-presidente, Flávio fez “uso do mesmo modus operandi, empregado pela organização criminosa que tentou um golpe de Estado em 2022”. Segundo

Moraes, foi usada a “metodologia da milícia digital para disseminar por múltiplos canais mensagens de ataque e ódio contra as instituições”.

Neste domingo, Bolsonaro passará por audiência de custódia, por videoconferência. O procedimento é necessário para determinar se a prisão preventiva se mantém ou se ele poderá responder ao processo em liberdade. Participam representantes da Procuradoria-Geral da República e da defesa. Além disso, os advogados do ex-presidente devem apresentar, em até 24 horas, uma resposta sobre a tentativa de violação da tornozeleira.

Nesta segunda-feira, a Primeira Turma do STF abrirá uma sessão virtual extraordinária para avaliar a decisão que embasou a prisão preventiva. A Primeira Turma é formada por Flávio Dino (presidente), Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. O colegiado foi o responsável por julgar a ação penal da tentativa de golpe de Estado, que apontou o ex-chefe do Executivo como o líder da trama criminosa, que tinha como objetivo mantê-lo no poder após derrota nas urnas em 2022. Ele foi condenado a 27 anos de prisão.

Nesta segunda-feira, também se encerra o prazo para a apresentação de novos recursos à ação penal da tentativa de golpe. Os primeiros embargos foram rejeitados por unanimidade pela Primeira Turma. A expectativa é de nova rejeição, pois a Corte pode entender que a insistência busca apenas atrasar o processo. Quando houver trânsito em julgado, terá início a execução da pena, etapa em que Bolsonaro será transferido para uma unidade prisional em regime fechado.

TIJOLADAS

Aberrações

OCaixa Preta lá na rua de lazer estava indignado com o que hoje vemos no Guará, na própria rua de lazer podemos notar os desatinos dessa turma sem noção.

Um grande exemplo era um caminhão - betoneira estacionado no meio da rua apenas para fazer propaganda de uma empresa de cimento, um verdadeiro acinte a população.

Crianças e adultos querendo espairecer e o tal monstrengo lá sem nada que acrescentasse para as pessoas que foram até a tal de rua de lazer, tudo está uma verdadeira zona, um mercado persa pra ninguém botar defeito.

Aqueles que se acham donos da rua parecem não se incomodar com tanta aberração que pintam no pedaço, estou meio cabreiro com essa modalidade, pois segundo os padrões de lazer, a rua apesar da extensão está aglutinada em um ponto, parecendo que tem algo por trás dessa imbecilidade, fiquem certos que bobos não somos.

Como sempre faço nos finais de semana fui até a QI-07 pegar uns jornais, mas pra minha surpresa, pasmem os se-

nhores, até uma das mais antigas bancas de jornais da cidade está sendo retirada de lá, numa falta de vergonha de lascar, com conversa mole de espertalhões, numa falta de respeito a história da cidade, que a cada dia depara-se com essa ação criminosa contra os pequenos comerciantes a muito estabelecidos.

Os donos pra sobreviverem tiveram que virar camelôs, dos muitos que infestam aquela área central.

É preciso lembrar que na cidade existem poucas bancas de jornais e revistas, pois a maioria aproveitando do descaso reinante foram transformadas em botecos, que nada acrescentam de bom.

Naquela região, concentram-se algumas mazelas que realmente estão precisando de uma solução, os estacionamentos estão ocupados com carro do coco, do ovo, da laranja, pequi e produtos diversos, um verdadeiro mercado persa espalhado pelas calçadas em toda extensão do comércio local, atrapalhando e muito quem frequenta aquela área comercial.

Mas o Guará que se exploda!

Regularidade

Um belo dia você acorda olha o horizonte, (se der, pois talvez já tenham construído um puta de um prédio residencial ao lado de sua morada) pega distraidamente o jornal, nada de novo. Toma o café e sai para dar um rolê, sente que está na terra, nada entre você e o chão, percebe que esqueceu de calçar o sapato quando o asfalto começa a queimar a sola do seu pé. Destino? Porcão.

Por lá rolava um pagode, uma algazarra de lascar cada um cantando num tom, ritmo zero, as vozes já molhadas por tanta cerveja começavam a ficar meio lentas, a língua começava a pesar. Depois de ver algumas cenas dantescas e meio degradantes resolvi mais uma vez que vou tentar cortar a bebida da minha vida, essa será uma das centenas de vezes que tentei parar, nunca tive sucesso e o máximo que consegui foi molhar a faca.

De repente chega o Caixa Preta, parece que ele tem uma boa para contar, está alegre, enquanto o Galak traz a gelada ele começa a contar que o relacionamento matrimonial tem que ser mantido na base da rotina e não mudar, mesmo quando se vai ao restaurante chega a hora da nossa transa semanal, não importa o pessoal começar a reclamar quando vamos pra baixo da mesa.

O negócio é manter a regularidade, nunca falhar, isso é importante devemos valorizar e manter a regularidade, não importa onde estejamos, disse o velho Caixa.

Meio preocupado me disse : -Não sei como vai ser hoje, temos que ir a um velório.

O cabra é doido! Vou assistir no DF-TV ..

Nó nas tripas

Ontem, senti tanto calor que segundo alguns parecia que o inferno en-

fim encontrou a terra, o suor escorria, estou aguardando o Caixa Preta, parece que o cabra voltou a dormir dentro do freezer, coisa de maluco, eu estava querendo dar uma chegada lá no Porcão.

Mesmo com o suor escorrendo, o nervosismo tomando conta, detesto calor procurei me acalmar pra enfrentar essa mudança de temperatura.

Vou dar uma chegada lá no Porcão, onde o Galak me deu um coice muito carinhoso, meus olhos lacrimejaram, pedi logo uma super gelada pra espantar os maus pensamentos, estou aprendendo a não maltratar os animais que vivem ao nosso redor.

Finalmente o velho Caixa chegou todo sorridente dizendo que tinha umas boas pra me contar, antes xingou o Galak.

Começou então a falar do besteirol que atacou a galera aqui no patropi, entre nas redes sociais, onde as besteiras se propagam, as verdadeiras aberrações são disseminadas.

O velho Caixa notou que a grande preocupação é saber quem matou Odete Roitman, pois outros assuntos que nos afetam não importam. TIJOLADAS

TIJOLADAS DO CAIXA

Coisas estranhas estão acontecendo, chegamos a nos assustar com essa realidade dura do nosso dia a dia.

Estranhamente tem uma turma de coleguinhas que teimam em reverenciar quem não presta para o nosso DF, principalmente políticos, muitos com uma longa ficha de malfeitos querendo emplacar nova candidatura de qualquer maneira.

Estão lentamente saindo das tocas, sempre risonhos, abraçando até estátua, mentem como nunca, chegam ao ponto de dizer que estão atendendo a apelos dos eleitores.

O povo tem que acordar e enterrar os sonhos dos que se acham merecedores, se enaltecendo na mídia como possíveis candidatos a salvadores do DF, não deixem se enganar.

Essa galera é conhecida, a maioria já foi citada em muitos inquéritos, juram inocência, parece que adoramos ser enganados.

O povo precisa ficar alerta contra esses espertalhões, que sempre com um sorriso de hiena e as mentiras na ponta língua para enganar os incautos eleitores, adoram um abraço , uma selfie tirada ao lado dos pobres eleitores sempre fazendo cara de santo.

Dá até um nó nas tripas.

Lembranças, lembrança, lembranças

Encontrei com o Caixa Preta, ele estava arrasado, não tinha aquela alegria que sempre mostrou quando nos encontrávamos lá no Porcão.

Sentados, ele me contou o real motivo, tinha tido a notícia que o nosso amigo jornalista Jairo havia morrido, vocês sabem que eu e o velho Caixa

tínhamos grande admiração pelo velho escriba, é como o Caixa citava o leitor assíduo dessa coluna o que muito me agradava, me deixava até envaidecido, foi um duro golpe.

Os bons quando nos deixam, parece que o mundo fica menor, sem graça e desprotegido, pois pessoas boas, no nosso mundo de hoje são raras, quando se vão parece que deixam uma lacuna difícil de ser preenchida.

Bebendo a nossa cerva pra lá de gelada começamos a relembrar o passado, os nossos cabelos brancos revelavam as poucas e boas que passamos defendendo com unhas e dentes a nossa querida cidade, o nosso Guará.

Enquanto nós envelhecíamos, por incrível que pareça, o contrário acontecia com o Guará, que de uma simples vila maldosamente por muitos apelidado de Cidade Dormitório foi se transformando em uma moderna cidade, com tantos problemas e descasos, mas cada vez mais amada por nós.

Afinal de contas, essa é a nossa cidade. Aqui estão velhos amigos, cada um com sua história de vida de alguma forma ligada a ela, que não para de crescer.

Muitos amores na juventude criaram esse elo, que quanto mais o tempo passa mais aumenta a nossa ligação.

Parece até que estou descrevendo o paraíso fincado no meio Planalto Central, onde aprendizes de feiticeiros, verdadeiros predadores apenas se aproveitam da nossa passividade trazendo por trás dos falsos sorrisos apenas dissabores.

Temos que lutar, essa é nossa obrigação, não vamos deixar a nossa cidade se transformar nesse paraíso de aproveitadores.

Um lugar não apenas para dormir, mas um lugar para amar, viver, fincar raízes, criar os nossos herdeiros.

Isso é o que queremos e merecemos !!

“Acelera, mamãe”: Beyoncé viraliza com volta em carro de Hamilton

Para o GP de Las Vegas, nos Estados Unidos, a estrela usou um look com assinatura da Louis Vuitton

Acantora Beyoncé, 44, e o rapper Jay-Z, 55, assistir ao GP de Las Vegas, nos Estados Unidos, da Fórmula 1, na madrugada do último domingo (23).

O casal foi convidado pelo piloto da Ferrari, Lewis Hamilton, 40, a entrar em um dos carros da corrida para uma volta em alta velocidade.

No vídeo, compartilhado nas redes sociais, a estrela apareceu animada, mas não negou o nervosismo. “Estou suando. Muito obrigada e boa sorte hoje”, disse a diva. “Foi uma honra”, afirmou Hamilton.

Nas redes sociais, fãs e internautas reagiram ao momen-

to: “Acelera, mamãe!”, comentou um. “Encontro de lendas”, disse outro. “Imagina você ser a Beyoncé e dar uma voltinha de carro com Lewis Hamilton? E imagina você ser o Lewis Hamilton e dar uma voltinha de carro com a Beyoncé”, brincou o terceiro.

Para o evento, Knowles usou um look personalizado: macacão de couro branco da Louis Vuitton, com detalhes em vermelho e preto. Por cima, também apostou em um sobretudo preto.

www.kimcartunista.com.br

kimcartunista@gmail.com

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