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ABRIL 2013 路 Capital Magazine


Capital Magazine 路 ABRIL 2013

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Sumário

13 Actual Altos quadros do Banco Mundial visitam Moçambique

Destaques

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Negócio

Empresa

Ambiente de negócios em Moçambique regrediu

Vendendo o Moçambique Imobiliário

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Cheias deixam sérias sequelas na economia

A época chuvosa entrou para a história do país. As chuvas intensas deixaram um rasto de destruição, perdas humanas, pessoas sem abrigo e prejuízos incalculáveis. O fenómeno deixou sequelas na economia nacional, sendo a face mais notória da moeda a destruição de estradas, pontes e ferrovias.

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Em busca dos benefícios inclusivos no sector mineiro

Moçambique corre contra o tempo! O país vê-se pressionado a tomar o rumo certo para tornar os benefícios da exploração mineira acessíveis a toda a gente. Uma tarefa que se torna tanto mais difícil pelo facto da exploração desses recursos naturais já ter começado.

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Ambiente de negócios regrediu em Moçambique

Não há motivo para sustos. Não existe estagnação no ambiente de negócios no país. Antes pelo contrário, regista-se um progresso embora o mesmo decorra a um ritmo lento. Esta é a leitura feita pelo coordenador da pesquisa ‘Índice do Ambiente de Negócios’ da KPMG, Paulo Mole.

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Formação na área mineira com novos horizontes

Há duas formas de aproveitar a presença dos recursos naturais em benefício do país. Uma passa por oferecer produtos e serviços às mineradoras, e outra por formar quadros nacionais para trabalharem nos respectivos projectos. A segunda alterantiva assume-se como a mais fácil.

Capa A NOSSA CERVEJA promove a agro-indústria

Propriedade e Edição: Mozmedia, Lda., Av. MaoTséTung, 1245 – Telefone/Fax: (+258) 21 303188 – revista.capital@ mozmedia.co.mz – Director Geral: André Dauane – andre.dauane@mozmedia.co.mz – Directora Editorial:HelgaNeida Nunes – helga.nunes@mozmedia. Directora Executiva: VanizeManjate - vanize.manjate@mozmedia.co.mz co.mz – Redacção: ArséniaSithoye - arsenia.sithoye@mozmedia.co.mz;Sérgio Mabombo – sergio.mabombo@mozmedia.co.mz – Secretariado Administrativo: Indira Mussá – indira.mussa@mozmedia.co.mz; Cooperação: CTA; Ernst &Young; Ferreira Rocha e Associados; PriceWaterHouseCoopers, ISCIM, INATUR, INTERCAMPUS – Colunistas: António Batel Anjo, E. Vasques; Elias Matsinhe; Federico Vignati; Fernando Ferreira; Hermes Sueia; Joca Estêvão; José V. Claro; Leonardo Júnior; Levi Muthemba; Maria Uamba; Mário Henriques; NadimCassamo (ISCIM/IPCI); Paulo Deves; Ragendra de Sousa, Rita Neves, Rolando Wane; Rui Batista; Sara L. Grosso, Vanessa Lourenço; Fotografia: Luís Muianga, Amândio Vilanculo; Gettyimages. pt, Google.com; – Ilustrações: Marta Batista; Pinto Zulu; Raimundo Macaringue; Rui Batista; Vasco B. Capa: Arlindo Magaia– Paginação: Arlindo Magaia – Design e Grafismo: Mozmedia – Tradução: Janetra Serviços, E.I. – Departamento Comercial: Neusa Simbine – neusa.simbine@mozmedia.co.mz, LoniMachava – loni.machava@mozmedia.co.mz ; – Distribuição:Nito Machaiana– nito.machaiana@mozmedia.co.mz; Mozmedia, Lda.; Mabuko, Lda. – Registo: N.º 046/GABINFO-DEC/2007 - Tiragem: 7.500 exemplares. Os artigos assinados reflectem a opinião dos autores e não necessariamente da revista. Toda a transcrição ou reprodução, parcial ou total, é autorizada desde que citada a fonte.

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Editorial

Bem-vindo Dois casos, uma economia

42 Tema de fundo Cerveja IMPALA, uma aposta sustentável

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HEIAS. Já pairava no ar em 2012 a ameaça da ocorrência de cheias no país. No âmbito da protecção civil, organismos preparavam então workshops, palestras, simulações e planos de acção, como forma de minorar os efeitos do fenómeno climático e de controlar os eventuais danos.

As inundações sempre aconteceram e os efeitos não se fizeram esperar… O Governo havia aprovado um Plano de Contingência para fazer face aos efeitos da calamidade no valor de 120 milhões de meticais. Contudo, o valor não foi suficiente para as operações de salvamento, o resgate de pessoas e para a criação dos centros de acomodação provisória. As intensas chuvas deixaram um rasto de destruição, perdas humanas, pessoas sem abrigo e prejuízos incalculáveis. O fenómeno que abalou a sociedade moçambicana deixou sérias sequelas na economia, sendo a face mais visível a da destruição das infraestruturas de acesso. E aos prejuízos contabilizados nas redes rodoviária e ferroviária, há ainda a acrescentar o aumento da inflação e prejuízos no valor de milhões de dólares no sector da energia. Ao mesmo tempo, o défice logístico no transporte de carvão em Tete agravou-se na decorrência das cheias, pois milhares de toneladas daquele recurso natural deixaram entretanto de ser escoadas devido à interrupção da Linha de Sena. Desconhece-se o valor exacto de todos os prejuízos, mas tanto a sociedade como a economia sofreram, tendo a solidariedade sido um denominador comum. CDM. Sabe-se que a companhia cervejeira produziu mais de 43 milhões de litros de cerveja em 2011 e que as suas acções na Bolsa de Valores de Moçambique quase triplicaram em 2012. Na senda de alargar o seu leque de produtos e de promover o desenvolvimento sustentável, a CDM lançou recentemente uma nova aposta no mercado: a Impala. Uma cerveja confeccionada à base da mandioca, que já é considerada uma conquista pela Cervejeira nacional, sobretudo porque a mandicoca está a fomentar a produção em Nampula. A CDM está a contribuir para mudar o mosaico da agro-indústria em Moçambique e, actualmente, milhares de agricultores já encaram a produção da mandioca como uma cultura de rendimento.

66 Estilo de Vida

No fundo, a intenção da Cervejeira passa por garantir que a ‘nossa cerveja’ seja 100% “Made in Mozambique. Ou seja, que a mesma seja produzida apenas com matéria-prima nacional. Mas tal só será possível quando o mercado produtor, além da mandioca, for capaz de cultivar a cevada. E o próximo desafio da CDM irá passar justamente por aí: fomentar a produção de cevada.c

Medjumbe, a Ilha dos Sonhos

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Contents

15 Current Geocapital expands interests in Mozambique

Highlights 30

Floods leave behind serious consequences on the economy

This rainy season enters history of the country. The heavy rains have left a trail of destruction, causing death, making people homeless and causing incalculable damage. The phenomenon left consequences on the national economy, and the destruction of vital infrastructures such as roads, bridges and railways was the most notorious side of the coin.

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In pursuit of inclusive benefits in the mining sector

Mozambique is racing against time! The country finds itself pressurized to take the right path to make the benefits of the mining sector accessible to all. A task which is even more difficult due to the fact that the exploration of the natural resources has already begun.

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Business environmen decreased in Mozambique

No reason for worries. The business environment in the country is not stagnant. On the contrary, there is a progress, although it is rather slow. This is the analysis by the coordinator of the KPMG research on the ‘Business Environment Index’, Paulo Mole.

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Training in the mining sector with new horizons

There are basically two ways for taking full advantage of the presence of natural resources for the benefit of the country: one is to provide products and services to mining companies, and the other is to train national staff to work on their projects. The latter is usually regarded as the easiest.

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Business

Company

Business environment decreased in Mozambique

Selling Mozambique Real Estate

On Cover Our beer promoties Agro-industry

Property and Edition: Mozmedia, Lda., 1245 MaoTséTung Av., – Telephone/Fax: (+258) 21 303188 – revista.capital@ mozmedia.co.mz – Managing Director: André Dauane – andre.dauane@mozmedia.co.mz – Editorial Director: Helga Neida Nunes – helga.nunes@mozmedia. Executive Director:VanizeManjate - vanize.manjate@mozmedia.co.mz co.mz – Editorial Staff: ArséniaSithoye - arsenia.sithoye@mozmedia.co.mz; Sérgio Mabombo – sergio.mabombo@mozmedia. co.mz – Administrative Secretariat: Indira Mussá – indira.mussa@mozmedia.co.mz; Cooperation: CTA; Ernst &Young; Ferreira Rocha e Associados; PriceWaterHouseCoopers, ISCIM, INATUR, INTERCAMPUS – Columnists: António Batel Anjo, E. Vasques; Elias Matsinhe; Federico Vignati; Fernando Ferreira; Hermes Sueia; Joca Estêvão; José V. Claro; Leonardo Júnior; Levi Muthemba; Maria Uamba; Mário Henriques; NadimCassamo (ISCIM/IPCI); Paulo Deves; Ragendra de Sousa, Rita Neves, Rolando Wane; Rui Batista; Sara L. Grosso, Vanessa Lourenço; Photography: Luís Muianga, Amândio Vilanculo; Gettyimages.pt, Google.com; – Illustrations: Marta Batista; Pinto Zulu; Raimundo Macaringue; Rui Batista; Vasco B. Cover: Arlindo Magaia– Page make-up: Arlindo Magaia – Design and Graphics: Mozmedia – Translation: Janetra Serviços, E.I. – Commercial Department: Neusa Simbine – neusa.simbine@mozmedia.co.mz, Loni Machava – loni.machava@mozmedia. co.mz ; – Distribution: Nito Machaiana– nito.machaiana@mozmedia.co.mz; Mozmedia, Lda.; Mabuko, Lda. – Registration: N.º 046/GABINFO-DEC/2007 - Printing: 7.500 copies. The articles reflect the authors’ opinion, and not necessarily the magazine’s opinion. All transcript or reproduction, partial or total, is authorised provided that the source is quoted.

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Editorial

Welcome Two cases, one single economy

46 Background Theme IMPALA Beer, a sustainable challenge

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LOODS. The threat of floods in the country was already in the air in 2012. Within the civil protection context, institutions were then preparing workshops, lectures, simulations and action plans, as a way of alleviating the effects of the climate phenomenon and of controlling eventual damages.

Floods have always occurred, and the effects have been immediate… The government had already passed a Contingency Plan to tackle the effects of the calamity in an amount of 120 million meticals. However, this amount was insufficient for the search and rescue operations, including the establishment of provisional accommodation centres. The heavy rains have left a trail of destruction, loss of life, left people homeless and incalculable damage. The phenomenon that hit the Mozambican society has left serious consequences in the economy, and the destruction of access roads is the most notorious side of the coin. Adding on top of the road and railway networks damage is the inflation and the prejudice of millions of dollars in the energy sector. At the same time, the floods exacerbated the logistics deficit in the coal transportation in Tete, since the transportation of thousands of tons of this natural resource through Sena Railway had to be interrupted. No one knows the exact amount of all damages, but what is certain is that both the society and the economy suffered, and solidarity was the common denominator. CDM - It is known that the brewery company produced over 43 million litres of beer in 2011 and that its shares in the Mozambican Stock exchange almost tripled in 2012. As a way of providing a wide range of products and promote sustainable development, CDM has recently launched a new product in the market: the Impala beer. A beer brewed from cassava, which is already being considered an achievement by the national Brewery, above all due to the fact that cassava is fostering production in Nampula. CDM is contributing to change the mosaic of agro-industry in Mozambique, and, currently, thousands of farmers already consider cassava as a cash crop.

68 Life Style

In fact, the Brewery’s intention is to ensure that ‘our beer’ is 100% “Made in Mozambique”. In other words, that it is produced solely from local raw material. But this will only be possible if the farmers are able to produce barley, in addition to cassava. And this is CDM’s next challenge: to encourage production of barley.c

Medjumbe, the Island of Dreams

Magazine· ·Março ABRIL 2013 Capital CapitalMagazine

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Capital Magazine 路 ABRIL 2013

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Capitoon MOÇAMBIQUE APOSTA NA CERVEJA DE MANDIOCA nem os maputenses escapam à situação. É que Maputo parou por quatro dias, na segunda semana de Fevereiro, devido a uma grande avaria registada numa das centrais que alimenta grande parte das cidades de Maputo e Matola. Centenas de milhares de consumidores acumularam prejuízos com a situação: estabelecimentos comerciais encerrados, instituições públicas e privadas não funcionaram, o trânsito ficou caótico e as famílias desnorteadas, com a agravante da falta de energia ter afectado também o abastecimento de água. É necessário um investimento de mais 200 milhões de dólares para repôr definitivamente a rede na capital. Turismo

EM ALTA Rede eléctrica

Rede Eléctrica da Electricidade de Moçambique (EDM) tem vindo a registar sucessivos cortes. Fora da capital, a situação chega a ser caótica, e

Volvidos pouco mais de

100 dias depois de assumir a pasta, o novo ministro do Turismo, Carvalho Muária, convocou os agentes económicos da província e cidade de Maputo para o primeiro frente-a-frente na procura de soluções para os problemas que afectam o sector. Entre os assuntos em cima da mesa destacam-se algumas atitudes de racismo, o incumprimento da legislação que regula o sector, a não fixação da lista nominal dos trabalhadores e dos respectivos cartões de sanidade, para além da falta de disponibilização da tabela de preços de produtos e serviços vendidos.

EM BAIXA Seguro Agrário O Governo moçambicano, através do Ministério da Agricultura, acaba de introduzir um programa piloto de seguro agrário. Nesta fase, a iniciativa abrange produtores do algodão e as empresas que fomentam esta cultura nos distritos de Monapo e Lalaua, na província de Nampula, devendo ser expandida pelo território nacional. O seguro agrário visa proteger os camponeses e aumentar os investimentos no sector agrícola, ao mesmo tempo que se criam condições para que a agricultura seja bancável, pois a componente garantia exigida pelos bancos será coberta pelo próprio seguro. Alumínio da Mozal A empresa de Fundição de Alumínio (Mozal) rubricou um contrato com a Midal, uma empresa do Bahrein para o fornecimento de 50 mil toneladas de lingotes de alumínio por ano à Midal. O alumínio vai ser processado nas novas instalações da Midal, localizadas no Parque Industrial de Beloluane, na província de Maputo. O alumínio processado no país vai resultar na produção de cabos eléctricos e outros materiais com potencial para apoiar a indústria automóvel e de construção civil no país. HCB A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) obteve as suas maiores receitas, nos últimos cinco anos, após a transferência para Moçambique da gestão da empresa, segundo avançou o PCA da companhia, Paulo Muxanga. Dados fornecidos pelo gestor mostram uma facturação anual de cerca de 300 milhões de dólares.

COISAS QUE SE DIZEM A verdade dói mas tem que ser dita É difícil estar pior do que estamos agora no Porto de Nacala, por isso acreditamos que esta mudança do gestor vai trazer melhorias para os utentes. O director-geral do Corredor do Desenvolvimento do Norte, Fernando Couto, falando da passagem da gestão do porto para a recém-criada empresa Portos do Norte.

Usado e abandonado? “Sou aquele que mais valoriza a figura do presidente Armando Guebuza. Sinto que ultimamente ele tem estado um pouco distante desses jovens que foram importantes na medida em que influenciam massas”. Músico MC Roger, em entrevista ao semanário Savana.

“Deus queira que (os idosos) não sejam Austeridade mórbida forçados a viver até quando quiserem morrer”. Ministro da Economia no Japão, Taro Aso, no âmbito do alívio do Estado face ao pagamento de cuidados médicos.

Solidariedade na crise “Portugal é muito mais uma vítima da crise internacional e da crise do euro, porque Portugal não teve o tipo de dívidas e de défice que a Grécia teve”. Georges Papandreou, ex-primeiro-ministro grego, e presidente da Internacional Socialista.

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Capitoon MOÇAMBIQUE APOSTA NA CERVEJA DE MANDIOCA cuts. Outside the capital city, the situation is even worse, and even the dwellers of Maputo city themselves are no exception to this. The fact is that Maputo was brought to a halt for four days in the mid February, due to a major damage that occurred in one of the power plants that supply a large part of Maputo and Matola cities. Hundreds of thousands of consumers accumulated losses with this situation: shops closed, public and private institutions were unoperational, and traffic was chaotic and households with no direction, with additional disadvantage of the lack of electricity having also affected water supply. More than 200 million dollars must be invested to definitely restore the electricity grid in the capital.

EM ALTA Power supply

The Electricidade de Moçambique (EDM) power supply has been recording successive power

TOurism Just over 100 days after taking office, the Minister of Tourism, Carvalho Muária, convened a meeting with the economic agents of Maputo city and province, for the first discussion toward seeking solutions of the problems affecting the sector. Among the issues on the table, focus is on some attitudes of racism, failure in complying with the legislation that governs the sector, and failure in fixing the workers’ nominal list as well as their respective health status cards, in addition to failing to make available the price list of products and services provided.

EM BAIXA Agricultural Insurance The Mozambican Executive has just decided to pilot a program on agricultural insurance through the Ministry of Agriculture. At this phase, the initiative covers cotton producers as well as companies that cultivate this crop in Monapo and Lalaua Districts, in Nampula Province, and it is going to be scaled up across the country. The objective of the agricultural insurance is to protect the smallholder farmers and increase investments in the agricultural sector, while creating conditions for a bankable agriculture, since the collaterals required by banks will be covered by the insurance itself. Mozal Aluminum The Aluminum Smelter Company (Mozal) has signed an agreement with Midal, a Bahrein company, for the provision of 50 thousand tons of aluminum ingots per year to Midal. This aluminum will be processed in the Midal new plant, located in the Beloluane Industrial Park, in Maputo Province. The aluminum processed within the country will be used in the production of power cables and other materials with potential to support the automobile and civil works industries at national level. HCB The Cahora Bassa Hydroelectric Power Plant (HCB) has obtained its highest revenues for the past five years, after Mozambique took charge of its management, according to the company’s CEO, Paulo Muxanga. Figures provided by the manager illustrate an annual turnover of about 300 million dollars.

Things people say The truth hurts, but it must be told “It is difficult to be worse than the current situation in Nacala Port. We believe therefore that this change of the manager will bring some improvement for the users”. The Director-General of the North Development Corridor, Fernando Couto, talking about the new management of the Port by the newly-created Portos do Norte Company.

“I am that person who values most the Used and forsaken? figure of President Armando Guebuza. I think that lately he has been a bit away from these young people who are important, in that they influence masses”. The musician MC Roger, in an interview with Savana weekly newspaper.

Morbid austerity “May the elderly not be forced to live until they want to die”. The Japanese Minister of Finance, Taro Aso, in the context of the State relief against payment of medical care.

Solidarity in crisis “Portugal is more than one more victim of international crisis and Euro crisis because it did not have the type of debts and deficit that Greece had “. Georges Papandreou, Former Greek Prime Minister, and the Chairman of the Socialist International.

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Actual

Altos quadros do Banco Mundial visitam Moçambique

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No âmbito desta cooperação, o país beneficiou de cerca de 3.6 biliões de dólares norte-americanos, traduzidos em mais 67 créditos e donativos para Programas de Ajustamento Estrutural, financiamento a projectos de desenvolvimento e apoio directo ao Orçamento do Estado.

esde que o ano iniciou, Moçambique recebeu três missões do Banco Mundial, compostas por altos dirigentes da instituição financeira. Trata-se de visitas que vêm confirmar o compromisso da instituição em financiar o desenvolvimento do país e avaliar as acções do Governo moçambicano, no quadro da redução da pobreza.

A primeira visita foi do vice-presidente do Banco Mundial para África, Makhtar Diop. O alto quadro do Banco Mundial anunciou que seria feito um desembolso de 750 milhões de dólares, que se vão consubstanciar numa doação de 50 milhões de dólares para apoio às cheias que assolam o país e num empréstimo de 700 milhões de dólares para os próximos dois anos, que serão pagos num prazo de 50 anos, sem nenhuma taxa de juro.

Vice-Presidente do Banco Mundial para África, Makhtar Diop

A segunda visita foi do director executivo de Constituência do Grupo Africano 1 do Banco Mundial, Denny Kalyalya, da qual Moçambique faz parte. Kalyalya mais do que se encontrar com diversos membros do governo moçambicano para discutir e obter uma melhor compreensão sobre os desafios de desenvolvimento enfrentados por Moçambique, visitou vários projectos desenvolvidos com o apoio do Banco Mundial. Mais recentemente, Moçambique recebeu um grupo de nove directores executivos do Banco Mundial. A missão voltou a encontrar-se com altos dirigentes moçambicanos, no quadro de visitas programadas para três países africanos, este ano. Além de Moçambique, Burundi e Uganda também serão visitados pelo grupo de directores. Entrentanto, o porta-voz dos directores, Jonh White Head, garantiu mais financiamentos para Moçambique nos próximos tempos. Moçambique mantém relações de cooperação com o Banco Mundial desde 1984. No âmbito desta cooperação, o país beneficiou de cerca de 3.6 biliões de dólares norte-americanos, traduzidos em mais 67 créditos e donativos para Programas de Ajustamento Estrutural, financiamento a projectos de desenvolvimento e apoio directo ao Orçamento do Estado.

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Geocapital Em todas as fases, o propósito vai ser o de assegurar localmente quase toda a transformação agroindustrial, com unidades próprias a ser instaladas, como meio de reter em Moçambique a maior parte possível da cadeia de valor

Plantação de Soja

Geocapital expande interesses em Moçambique

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Geocapital está pronta para lançar um projecto agro-industrial em Moçambique, com parceiros brasileiros, aguardando somente a autorização das autoridades moçambicanas. Diogo Lacerda Machado, administrador da “holding” com sede em Macau, adiantou que foram pedidos às autoridades moçambicanas 20 mil hectares de terras, a caminho do Vale do Zambeze, após um longo trabalho de prospecção de terras e estudos de

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mercado.   A “holding”, que já tem interesses na banca moçambicana, espera plantar soja e cereais nesta primeira fase do projecto, envolvendo um investimento de “dezenas de milhões de dólares”, e numa segunda fase será reforçada a produção alimentar e a plantação de “jatropha” para biocombustíveis. “Em todas as fases, o propósito vai ser o de assegurar localmente quase toda a transformação agroindustrial, com uni-

dades próprias a ser instaladas, como meio de reter em Moçambique a maior parte possível da cadeia de valor”, disse o administrador da Geocapital, o accionista do Moza Banco moçambicano e também de bancos em, Angola Cabo Verde e Guiné-Bissau.  A “holding” Geocapital tem como acionistas de referência os empresários Stanley Ho, Ambrose So e Ferro Ribeiro, tendo-se vocacionado desde a sua criação para investimentos nos países lusófonos, a partir de Macau.c


Current

Senior World Bank Officials visit Mozambique

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ince the beginning of the year, Mozambique has received three World Bank missions comprised by the senior leaders of this financial institution. These are visits to confirm the institution’s commitment to finance the country’s development and to evaluate the government’s actions on poverty reduction.

Floods in Xai-Xai.

The first visit was made by the World Bank’s Vice-President for Africa, Makhtar Diop. This senior leader of the World Bank announced that 750 million dollars will be disbursed, comprised by a donation of 50 thousand dollars to assist the current floods situation in the country and a loan of 700 million dollars for the next two years, which will be paid in 50 years free of interest rate. The second visit was made by Denny Kalyalya, the Executive Director of the World Bank Africa Group 1 Constituency, to which Mozambique is a member. Apart from meeting various members of the

Mozambican Government to discuss and better understand the development challenges that Mozambique is faced with, Kalyalya also visited various development projects supported by the World Bank. Quite recently, Mozambique was visited by a group of nine World Bank Executive Directors. The mission met once again with senior Mozambican leaders, within the scope of visits planned for three African countries this year. In addition to Mozambique, Burundi and Uganda will also be visited by the group of directors. Meanwhile, the directors’ spokesperson Jonh White Head has ensured availability of more funds to Mozambique in the near future. Mozambique has had cooperation relations with the World Bank since 1984. Within this cooperation, the country has benefited from about 3.6 billion US dollars, translated in above 67 credits and donations for Structural Adjustment Programmes, funds to development projects and direct support to the State Budget.

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Geocapital expands interests in Mozambique Geocapital In all phases, the purpose will be ensuring almost all agro-industrial processing locally, with proper units to be installed as a way to retain the most possible part of the value-chain in Mozambique

Geocapital is ready to launch an agro-industrial project in Mozambique, with Brazilian partners, waiting only for the authorisation by the Mozambican authorities. Diogo Lacerda Machado, administrator of the Holding, has affirmed that an application for 20 thousand hectares of land along Zambeze Valley has been submitted to the Mozambican authorities, after an in-depth work on land prospection and market study.   The Holding, which already has interests in the Mozambican banking, plans to produce soy beans and cereals in this first phase of the project, involving an investment of “tens of million dollars”, and in the second phase, food production and jatropha

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production for bio-fuel will be strengthened.

“In all phases, the purpose will be ensuring almost all agro-industrial processing locally, with proper units to be installed as a way to retain the most possible part of the value-chain in Mozambique”, said the administrator of Geocapital, the shareholder of the Mozambican Moza Banco and also of banks in Angola, Cape Verde and Guinea-Bissau.  The Geocapital Holding has as its shareholders of reference the businesspeople Stanley Ho, Ambrose So and Ferro Ribeiro, having specialised itself in investments in the Portuguese speaking countries, managing them from Macau, its headquarters.c


Briefing MUNDO

Caixa Geral de Depósitos fecha ano com prejuízo

Portugal poderá pedir aos EUA provas contra S&P

Nenhuma cidade africana nas 10 mais caras do mundo

A accionista maioritária do BCI, a portuguesa Caixa Geral de Depósitos (CGD), apresentou um resultado líquido negativo de 394.7 milhões de euros em 2012, depois no anterior apresentado também prejuízos de 488.4 milhões de euros.  Apesar da actividade internacional do banco ter crescido, ou seja nas suas filiais em África (Moçambique, Angola e África do Sul), Ásia e Brasil, o maior banco português teve resultados pouco famosos na Europa, sobretudo em Espanha, devido às dificuldades em virtude da crise da dívida. O contributo das filiais em África, Ásia e Brasil para o resultado consolidado em 2012 atingiu 82.5 milhões de euros, o que representa um crescimento de 42.7% face a 2011. Não obstante, o banco público registou no fecho das contas de 2012 imparidades (perdas) de crédito e outras de 1.546 milhões de euros, dos quais mil milhões correspondem a perdas potenciais na carteira de crédito.c

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) equaciona pedir aos Estados Unidos provas que usaram para processar a agência de rating Standard & Poor’s (S&P). A mesmas seriam utilizadas no âmbito do processo-crime que decorre em Portugal contra as três grandes agências de rating: S&P, Fitch e Moody’s. É que a justiça norte-americana abriu um processo contra a Standard & Poor’s acusando a agência de rating de fraude, ao inflacionar as avaliações de determinados produtos financeiros, facto que terá contribuído para a crise financeira de 2008. Tendo em conta tais factos, os Estados Unidos exigem à S&P uma indeminização de 3.3 mil milhões de euros. Em Portugal decorre um processo-crime, desde 2011, no qual as três agências de rating (S&P, Ficth e Moody’s) são acusadas de manipular os mercados. A agência, que é uma filial do grupo de comunicação norte-americano McGraw-Hill, considera que a acção do Departamento do governo americano é “injustificada e sem mérito legal”. c

Segundo o “Worldwide Cost of Living Survey” 2013, Tóquio é a cidade de maior custo de vida, seguida por Osaka (também no Japão) e de Sydney (na Austrália) e nenhuma cidade africana figura na lista das dez mais caras. O levantamento da Economist Intelligence Unit (EIU) pesquisa preços de 160 produtos e serviços em grandes cidades ao redor do mundo e traça um comparativo entre essas metrópoles, usando Nova Iorque como a cidade-base. No Top 10 das metrópoles mais caras surge também Singapura, cidades europeias como Paris, Oslo, Zurique, Genebra e Caracas. A presença da capital venezuelana na lista deve-se, segundo a EIU, à inflação (estimada em quase 20%) e à fixação da taxa oficial de câmbio do bolívar a um patamar alto em relação ao dólar.c

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Briefing MUNDO/WORLD

Cidade

Posição em 2013

País

Tóquio

Japão

Osaka

Japão

Sydney

Austrália

Oslo*

Noruega

Melbourne*

Austrália

Singapura

Singapura

Zurique

Suíça

Paris

França

Caracas

Venezuela

Genebra

10ª

Suíça

Fonte: Economist Intelligence Unit (EIU) / * Oslo e Melbourne apresentaram o mesmo índice de custo de vida e, portanto, seguem empatadas na 4ª posição.

Brasil: País que parece rico e pobre O Brasil é, entre os cinco principais emergentes, o que mais diminuiu a desigualdade socioeconómica, nas últimas duas décadas. A conclusão consta de estudo comparativo pelo Observatório das Desigualdades da Universidade de Lisboa. De acordo com a autora do estudo, Maria Silvério (mestranda em

antropologia na área de migrações, globalização e multiculturalismo no Instituto Universitário de Lisboa), o Brasil é, entre os países do Brics (grupo formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul), o ��nico que “conseguiu diminuir consideravelmente a desigualdade de renda nos últimos 20 anos, saindo

CGD closes the year after having posted a loss The majority shareholder of BCI, the Portuguese Caixa Geral de

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de um [coeficiente de] Gini de 0,61 em 1990 para 0,54 em 2009. Os dados revelam que apesar da melhoria, o Brasil ainda é o segundo maior em desigualdade entre as grandes economias emergentes - só não é pior que a África do Sul que, até meados da década de 1990, vivia sob o apartheid. “O que chama a atenção no Brics é que o Brasil tem pessoas tão pobres quanto as mais pobres do mundo e tão ricas quanto as mais ricas”, explicou a pesquisadora à Agência Brasil. A diminuição da desigualdade e o consequente aumento da classe média podem favorecer o crescimento da economia brasileira. “Normalmente, o que mais faz um país crescer é a classe média, que consome muito. Por ser classe média, tem expectativa de crescer mais ainda – o que fomenta a economia com maior circulação de bens e a compra de automóveis e imóveis”, avalia a autora do Estudo.c

Depósitos (CGD), posted a net loss of 394.7 million Euros in 2012, after having posted another loss of 488.4 million Euros in the previous year. Despite the growth of the bank’s international operations, i.e. in its subsidiaries in Africa (Mozambique, Angola and South Africa), Asia and Brazil, the largest Portuguese bank had bad results in Europe, especially in Spain, due to the debt crisis. The contribution of the subsidiaries in Africa, Asia and Brazil to the consolidated net income in 2012 reached 82.5 million, representing an increase of 42.7% compared to 2011. Nevertheless, the public bank registered impairment (losses) at the closing of 2012 accounts and other credit accounts of 1,546 million Euros, out of which one billion corresponds to potential losses in the loan portfolio.c


Briefing WORLD

No African city in the top 10 world’smost expensive cities to the “Worldwide Cost of Living Survey” 2013, Tokyo is the city with the highest cost of living, followed by Osaka (also in Japan) and Sydney (Australia) and no African city is on the list of the ten most expensive cities. The survey by the Economist Intelligence Unit (EIU) analyzes the prices of 160 goods and services in major cities around the world and draws a comparison between these ACCORDING

Portugal may ask evidence against S&P from the U.S.A The Central Bureau of Investigation and Prosecution (DCIAP) is envisaging to ask the U.S.A for the evidence used to prosecute the rating agency Standard & Poor’s (S&P). This evidence would be used in the criminal proceedings taking place in Portugal against the three major rating agencies: S&P, Fitch and Moody’s. The point is that the American justice has filed a lawsuit against Standard & Poor’s accusing the ratings agency of fraud, for having inflated the ratings of certain financial products, a fact that has contributed to the 2008 financial crisis. In the light of these facts, the United States requires from the S & P a compensation of 3.3 billion Euros. In Portugal, criminal proceedings have been filed since 2011, in which the three rating agencies (S&P, Fitch and Moody’s) are accused of manipulating the markets. The agency, which is a subsidiary of the American media group McGrawHill, believes that the actions of the Department of the U.S. government is “unjustified and without legal merit.”.c

cities, using New York as the base city. In the Top 10 most expensive cities Singapore also comes up, and European cities such as Paris, Oslo, Zurich, Geneva and Caracas. According to the EIU, the presence of the Venezuelan capital on the list is due to inflation (estimated at nearly 20%) and the fixing of the official exchange rate of the Bolivar at a high level against the dollar.c

City

Ranking in 2013

Country

Tokyo

1st

Japan

Osaka

2nd

Japan

Sydney

3rd

Australia

Oslo*

4th

Norway

Melbourne*

4th

Australia

Singapore

6th

Singapore

Zurich

7th

Switzerland

Paris

8th

France

Caracas

9th

Venezuela

Geneva

10th

Switzerland

Source: Economist Intelligence Unit (EIU) / * Oslo and Melbourne showed the same rate of cost of living and therefore follow tied in the 4th place. c

Brazil: The country that looks rich and poor O BraZil is among the top five emerging countries, which has further decreased the socioeconomic inequality in the last two decades. The finding is part of a comparative study by the Inequalities Observatory of the University of Lisbon. According to the author of the study, Maria Silverio (attending master’s degree in anthropology in the area of ​​migration, globalization and multiculturalism in the University Institute of Lisbon), Brazil is among the BRIC countries (a group formed by Brazil, Russia, India, China and South Africa), the only country that “has managed to significantly decrease the income inequality over the past 20 years, having decreased from a [coefficient] Gini of 0.61 in 1990 to 0.54 in 2009. The data shows that despite the im-

provement, Brazil is still the second largest country in inequality among the large emerging economies – it is also worse than South Africa which, by mid-1990s, was under apartheid. “What is striking in the BRICs is that Brazil has people as poor as the poorest in the world and as rich as the richest,” explained the researcher to Brazil Agency. The reduction of inequality and the consequent increase of the middle class can favour the growth of the Brazilian economy. “Typically, what makes a country grow more is the middle class, which consumes much. The middle class is expected to grow further - which fosters the economy with the increased movement of goods and the purchase of cars and buildings,” pointed out the author of the Study.c

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Briefing ÁFRICA

BAD posiciona-se como máquina financeira na África Subsaariana

Microsoft desenvolve iniciativa “ 4Afrika” para ajudar a melhorar a competitividade

Accor lança PLANET 21 em África para hotéis sustentáveis

Moçambique e uma série de países da África Subsaariana deverão receber fundos do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para desenvolver projectos focados aos sectores de agricultura e indústria, que promovam as Pequenas e Médias Empresas (PME) locais e o emprego jovem. Neste contexto, o Conselho de Administração do BAD aprovou um empréstimo de 100 milhões de dólares para a instalação de uma fábrica de fertilizantes, em Port Harcourt, na Nigéria, que vai atender também aos mercados em Benin, Brasil, Gana, Índia, Niger, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos da América. O projecto permitirá que a Nigéria, que depende fortemente (80%) do fertilizante importado, promova a agricultura local e o emprego juvenil. Para Moçambique, o BAD acordou um crédito no valor de 21.4 milhões de dólares, destinado ao financiamento do projecto de Gestão Sustentável da Terra e Recursos Hídricos. A iniciativa visa apoiar quatro distritos da província de Gaza propensos a variações climáticas e ciclicamente assolados por secas e cheias (Massangena, Chicualacuala, Mabalane e Guijá). Estima-se que o projecto financiado pelo BAD venha a beneficiar 20 mil agricultores, dos quais metade serão mulheres.c

ATÉ 2016 , a iniciativa “4Afrika” da Microsoft vai ajudar a colocar dezenas de milhões de dispositivos informáticos inteligentes na mão de jovens africanos, e ainda colocar em linha um milhão de Pequenas e Médias Empresas (PME) africanas. A “4Afrika” deverá actualizar as competências de 200 mil africanos, 75% dos quais a Microsoft vai ajudar a integrar no circuito do trabalho, desenvolvendo competências para a sua empregabilidade. Com efeito, a Microsoft, em parceria com a Huawei, vai introduzir agora o Huawei “4Afrika” uma funcionalidade integral do Windows Phone 8 que será pré-carregado com aplicações cuidadosamente concebidas para África. Inicialmente, este telefone estará disponível em Angola, Egipto, Costa do Marfim, Quénia, Marrocos, Nigéria e África do Sul, e a maravilha tecnológica chega a Moçambique, ainda este semestre. O telefone Huawei 4Afrika, o primeiro dispositivos inteligente concebido no contexto da Iniciativa “4Afrika”, será dirigido sobretudo a estudantes universitários, programadores e utilizadores estreantes de smartphones, de modo a garantir que tenham acesso a tecnologias de ponta a preços acessíveis.c

O “PLANET 21” do Grupo Accor contempla 21 compromissos da cadeia de hoteis a favor do Desenvolvimento Sustentável, Saúde, Natureza, Carbono, Inovação, Desenvolvimento local, Emprego e Diálogo. Uma iniciativa, que além de mobilizar os colaboradores do grupo, encoraja os clientes e parceiros a aderir a uma hotelaria sustentável para todos. Desde 2009, o Senegal tem sido o lar de uma das 14 plantações apoiadas pela Accor, como parte do projecto Planet 21. Até ao momento, 590 hotéis, dos quais 14 em África, estão a participar neste projecto de financiamento de reflorestamento, que é realizado em parceria com a ONG SOS Sahel. Em Moçambique, o grupo Accor conta com o Hotel Ibis Maputo. O grupo Accor é responsável pela criação de 11 mil postos de trabalho em África, sendo três mil na África subsaariana.c

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Briefing ÁFRICA/AFRICA

Um milhão para apoiar a energia limpa em Madagáscar

O Fundo de Energia Sustentável para África (SEFA) aprovou uma doação de um milhão de dólares para finalizar as actividades de pré-investimento para um projecto de energia renovável, em Nosy Be Island, Madagáscar. A doação será utilizada para financiar estudos de viabilidade para uma combinação hídrica, eólica e de tecnologias de energia solar para a concessionária de energia nacional. Nosy Be Island é uma das zonas turísticas mais apreciadas em Madagáscar, mas é severamente contestada em termos de acesso à energia segura e limpa. Moçambique beneficiou também em 2012 dos fundos do SEFA, visando financiar trabalhos de consultoria na área de energias renováveis. O SEFA decorre duma iniciativa conjunta entre o BAD e o Governo da Dinamarca, que inclui recursos de até 56 milhões de dólares. O fundo opera através de duas componentes: subsídios para preparação de projectos de geração de energia renovável e investimentos para colmatar o défice de financiamento para pequenos e médios projectos de geração de energias renováveis.c

ADB stands as a financial machine in the Sub-Saharan Africa MoZambique and a number of sub-Saharan Africa will receive funds from the African Development Bank (ADB) in order to develop projects focused on the agriculture and industry sectors that promote local Small and Medium Enterprises (SMEs) and youth employment. In this regard, the Board of Directors of the ADB has approved a loan of US$ 100 million for the installation of a fertilizer factory in Port Harcourt, Nigeria, which will also serve markets in Benin, Brazil, Ghana, India, Niger, South Africa, United Kingdom and United States. The project will allow Nigeria, which relies heavily (80%) on imported fertilizer, to promote local agriculture and youth employment. As for Mozambique, ADB has agreed a loan in the amount of 21.4 million dollars, for financing the Sustainable Management of Land and Water Resources project. The initiative aims to support four districts of the province of Gaza which are prone to climatic variations and cyclically devastated by droughts and floods (Massangena, Chicualacuala, Mabalane and Guijá). It is estimated that the ADB funded project will benefit 20,000 farmers, out of which half will be women.

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Briefing AFRICA

Microsoft develops “4Afrika” initiative to help improve the competitiveness

BY 2016 , the “4Afrika” initiative of Microsoft will help put tens of millions of smart computing devices into the hands of young Africans, and also put online one million Small and Medium Enterprises (SMEs) in Africa. The “4Afrika” initiative should update the skills of 200 thousand Africans, 75% of which Microsoft will help integrate in the work circuit, thus developing skills for employability. In effect, Microsoft, in partnership with Huawei, will now introduce Huawei 4Afrika - an integral feature of Windows Phone 8 which will be preloaded with applications carefully designed for Africa. Initially, this phone will be available in Angola, Egypt, Ivory Coast, Kenya, Morocco, Nigeria and South Africa, and the technological marvel is expected to arrive in Mozambique later this semester. The Huawei 4Afrika phone, the first intelligent device designed in the context of “4Afrika” Initiative will be directed primarily to college students, programmers and the new Smartphone users, in order to ensure that they have access to advanced technology at affordable prices.c

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Accor launches PLANET 21 in Africa for sustainable hotels

A million to support clean energy in Madagascar

THE “PLANET 21” of Accor Group includes 21 commitments of the hotels chain in favour of Sustainable Development, Health, Nature, Carbon, Innovation, Local Development, Employment and Dialogue. This is an initiative that besides mobilizing the employees of the group, it also encourages clients and partners to adhere to a sustainable hospitality for all. Since 2009, Senegal has been home to one of the 14 plantations supported by Accor as part of the Planet 21 project. So far, 590 hotels, including 14 in Africa, are participating in this reforestation financing project, which is carried out in partnership with the NGO SOS Sahel. In Mozambique, the Hotel Ibis Maputo also belongs to the Accor group. The Accor group is responsible for creating 11,000 jobs in Africa, three thousand in sub-Saharan Africa.c

The Sustainable Energy Fund for Africa (SEFA) has approved a donation of one million dollars to complete the pre-investment activities for a renewable energy project in Nosy Be Island, Madagascar. The donation will be used to finance feasibility studies for a hydro combination, wind and solar technologies to the national power utility. Note that Nosy Be Island is one of the most appreciated tourist areas in Madagascar, but it is severely challenged in terms of access to safe and clean energy. Mozambique also benefited from the SEFA funds in 2012, aiming at financing consultancy work in the area of renewable ​​ energy. SEFA follows a joint initiative between the ADB and the Government of Denmark, which includes financial resources of about 56 million dollars. The fund operates through two components: grants for project preparation and investments to bridge the financing gap for small and medium renewable energy generation projects.c


Briefing MOÇAMBIQUE

Ministérios disputam posse de terras em Nacala Os Ministérios da Defesa e da Planificação e Desenvolvimento estão em guerra por causa dos polémicos terrenos disputados pelos militares e pelo Gabinete de Zonas de Desenvolvimento Acelerado (GAZEDA), no âmbito da Zona Económica Especial de Nacala. O Ministério da Defesa diz que os talhões em volta da base aérea pertencem-lhe. O GAZEDA, em representação do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, não concorda e afirma que o Governo aprovou um dispositivo legal que estabelece a desactivação da base aérea de Nacala. O estranho é que a reivindicação do Ministério da Defesa é levantada seis anos depois da decisão do Governo, como se este Ministério não fizesse parte do Conselho de Ministros. Ou melhor, onde estava o Ministério da Defesa e as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) quando a implantação da Zona Económica Especial de Nacala se iniciou? O problema é que a guerra aberta no Goveno já está a afectar os proprietários dos projectos, que foram interditos de qualquer movimento no local por militares. Agentes económicos afectados dizem que as FADM travaram as obras e os projectos nos talhões próximos da base aérea de Nacala, colocando guardas armados em vários pontos para impedir qualquer movimento de pessoas e bens. A situação chocou os proprietários dos projectos, na medida em que estes têm documentos de autorização para exploração, concedidos pelo Conselho Municipal de Nacala-Porto e pelo GAZEDA.c

Projectada nova central térmica para Tete

Uma central térmica de energia eléctrica produzida com base no carvão mineral e com uma capacidade de produzir 1800 MW vai ser edificada na localidade de Ncondedzi, no posto administrativo de Kambulatsitsi, ao norte do distrito de Moatize, na província de Tete. Serão no total três centrais até 2020, com os projectos das mineradoras Vale e Rio Tinto. O empreendimento, cujas obras deverão iniciar em Março de 2015, é da iniciativa da empresa mineradora Ncondedzi Coal Company, sendo que o mesmo será instalado ao lado da mina e a aproximadamente 95 quilómetros da linha de transmissão

de energia eléctrica da rede nacional da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). O projecto, conforme declarações prestadas pelo director Nacional da Empresa Ncondedzi Coal Company, David Eshmade, está alinhado com a estratégia do Governo de beneficiar o país com os seus recursos naturais na electrificação, reforçando a sua posição como o maior exportador de energia eléctrica da região da África Austral. A região está a enfrentar uma escassez de capacidade de energia, com um défice de 6.000 MW e uma necessidade de 1.500 MW adicionais por ano, ao longo dos próximos 20 anos.c

DESTAQUE

País entre os 10 maiores produtores de carvão A organização European Parlamentarians With Africa (AWEPA) estima que as reservas de Moçambique coloquem o país na lista dos 10 maiores produtores de carvão e dos 20 maiores produtores de gás natural, a nível mundial. Além do carvão, a organização indica que as reservas de gás natural na Bacia do Rovuma colocam o país na “destacável classificação” de terceiro país com maiores reservas de gás do continente africano, apenas a seguir à Argélia e à Nigéria. A produção de carvão (de coque e térmico) pode vir a atingir, de acordo com os dados do boletim da AWEPA, 100 milhões de toneladas por ano a partir de 2015, “quando as maiores minas de Tete estiverem completamente operacionais”.c

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Briefing MOÇAMBIQUE/MOZAMBIQUE

PIB de Moçambique poderá ultrapassar o de Angola A CONSULTORA SPTEC Advisory estima que as reservas de gás natural e de carvão podem tornar Moçambique numa das referências mundiais do sector energético nos próximos 10 anos, atingindo, nesse período, um Produto Interno Bruto (PIB) igual ou superior ao de Angola. A consultora com actividade em África e no Médio Oriente lembra que, em 2012, os operadores em Moçambique anunciaram descobertas de gás natural de mais 2.900 biliões de metros cúbicos, rondando as reservas de carvão os 23 mil milhões de toneladas. Estima-se que Moçambique tenha reservas de gás suficientes para fornecer a Alemanha e a França durante cerca de 20 anos e que as reservas de carvão possam abastecer, ao ritmo actual, o mercado da União Europeia durante cerca de 25

anos. Estima-se que, devido ao carvão e ao gás, o PIB de Moçambique mais do que duplique na próxima

década. O actual PIB moçambicano está avaliado em cerca de 25 biliões de dólares americanos.c

Ministries vying for ownership of land in Nacala

Nacala City

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The Ministries of Defence and Planning and Development are at war because of the controversial land disputed by the military and the Office of the Accelerated Development Zones (GAZEDA) within the Nacala Special Economic Zone. The Ministry of Defence says that the plots around the airbase belong to it. The GAZEDA, representing the Ministry of Planning and Development, disagrees and says that the government has approved a legal device that provides the decommissioning of Nacala airbase. The strange thing is that the claim of the Ministry of Defence is raised six years after the Government’s decision, as if this Ministry was not part of the Council of Ministers. Or rather, where were the Ministry of Defence and the Armed Forces for the Defence of Mozambique (FADM) when the establishment of the Nacala Special Economic Zone started? The problem is that the war initiated in the Government is already affecting the owners of the projects, which were banned from the site by the military. The affected economic agents claim that the FADM have stopped all the works and projects in the areas near the Nacala airbase, placing armed guards at various points in order to prevent any movement of people and goods. The situation has shocked the owners of the projects, since they have documents granted by the Municipal Council of Nacala-Porto and GAZEDA authorizing them to operate in that area.c


Briefing MOZAMBIQUE

Mozambique GDP will exceed that of Angola The consulting firm SPTEC Advisory estimates that the natural gas and coal reserves can make Mozambique one of the world references in the energy sector over the next 10 years, reaching, in this period, a Gross Domestic Product (GDP) equal to or greater than that of Angola. The consulting firm with operations in Africa and in the Middle East recalls the fact that in 2012, operators in Mozambique announced natural gas discoveries of over 2900 billion cubic meters, with coal reserves totalling 23 billion tons. It is estimated that Mozambique has sufficient gas reserves to supply Germany and France for about 20 years and coal reserves to supply, at the current rate, the EU market for about 25 years. It is also estimated that, because of the coal and gas, Mozambique´s GDP will double in the next decade. The current Mozambique´s GDP is estimated at about 25 billion U.S. dollars.c

New thermal power station projected to Tete A THERMAL power station of electricity produced on the basis of coal and with a capacity to produce 1800 MW will be built in the locality of Ncondedzi in the administrative post of Kambulatsitsi, in the northern district of Moatize, in the province of Tete. In total, there will be three power plants by 2020, along with the projects of mining companies such as Vale and Rio Tinto. The venture, whose works will start in March 2015, is an initiative of the mining company Ncondedzi Coal Company, which will be installed next to mine and approximately 95 kilometres away from the transmission line of electricity from the national grid of the Cahora Bassa (HCB). The project, according to statements made by the National Director of Ncondedzi Coal Company, David Eshmade, is aligned with the Government’s strategy for the country to benefit from its natural resources in electrification, thus strengthening its position as the largest exporter of electricity in the Southern Africa region. The region is facing a shortage of power capacity, with a deficit of 6,000 MW and a need for additional 1,500 MW per year over the next 20 years.c

Oil Ship

HIGHLIGHTS

Mozambique among the 10 largest coal producers THE EUROPEAN Parliamentarians With Africa (AWEPA) organization estimates that Mozambique´s reserves put the country among the top 10 largest coal producers and top 20 natural gas producers, worldwide. Besides coal, the organization indicates that the natural gas reserves in the Rovuma Basin put the country on the “outstanding classification” of the third country with the largest gas reserves in Africa, just below Algeria and Nigeria. Coal production (coking and thermal) might achieve, according to the data from the newsletter AWEPA, 100 million tons per year from 2015, “when the larger mines in Tete are fully operational “.c

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Inundações Em 2012, já havia previsões de cheias no país, embora não com a magnitude que se verificou. Nesse sentido, o Governo, reunido aprovou um Plano de Contingência para fazer face aos efeitos desta calamidade.

Cheias deixam sérias sequelas na economia A presente época chuvosa entra para a história do país. As chuvas intensas que se fizeram sentir nas regiões sul e centro deixaram um rasto de destruição, originando, além de perdas humanas, prejuízos incalculáveis. A fúria das águas deixou milhares de pessoas desabrigadas e criou sequelas visíveis na economia nacional, sendo a face mais notória a destruição de infraestruturas vitais, como estradas, pontes e ferrovias em vários pontos do país.

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O

início do ano foi marcado, uma vez mais, por chuvas no País, mas desta feita com um grau de intensidade acentuado. Esta situação deu origem a vagas de inundações que assolaram o sul e o centro, forçando o Governo a decretar o alerta vermelho. Mais de 110 pessoas perderam a vida, na sua maioria afogadas, arrastadas pelas águas e electrocutadas. Em 2012, já havia previsões de cheias no país, embora não com a magnitude que se verificou. Nesse sentido, o Governo, reunido em Conselho de Ministros, aprovou um Plano de Contingência para fazer face aos efeitos desta calamidade. Na altura da aprovação do Plano, finais de 2012, o Governo tinha para a sua operacionalização cerca de 120 milhões de meticais - um valor muito abaixo do ideal, que era quase o triplo. Entretanto, até pouco depois das inundações assolarem a província de Gaza, mais precisamente os distritos de Chókwè e Guijá, o Governo já tinha


Dossier

desembolsado cerca de 140 milhões de meticais, montante aplicado em operações de salvamento e resgate de pessoas assim como na criação dos centros de acomodação provisória. Com o agravamento da situação, sobretudo no Sul, o Governo anunciou de que precisaria de 100

milhões de meticais adicionais para minimizar o impacto das cheias. Aliás, antes do número de mortes chegar a 50 e o de afectados ascender a 70 mil, a Organização das Nações Unidas previa que o país necessitaria de pelo menos 15 milhões de dólares para garantir as operações humanitárias.

Cheias comprometem seriamente infraestruturas As inundações estão a ter sérias repercussões económicas no país. Um dos sectores mais afectados é o das infraestruturas, que a vários níveis viu-se seriamente comprometido, a começar pelas estradas e linhas ferroviárias que registaram interrupções devido às enxurradas. Os cortes com maior impacto verificaram-se na Estrada Nacional Número 1 (EN1), na zona sul e no centro, na província da Zambézia. Apesar destes serem os pontos mais críticos, no interior de províncias como Gaza, Inhambane e Zambézia houve ligações que ficaram

completamente interrompidas deixando algumas zonas inacessíveis. Quanto às ferrovias, a linha de Sena é uma das que ficou seriamente danificada em alguns dos seus troços. A ligação ferroviária Nampula-Nacala ficou igualmente interrompida devido às enxurradas, tendo sido mais tarde reposta. A linha férrea que liga o porto de Nacala a Malawi também se viu condicionada e o corte da linha de Ressano Garcia poderá custar 2.5 milhões de dólares. Fora os danos registados nas redes rodoviária e ferroviária, contabilizamse prejuízos no sector da energia decorrentes das inundações que

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Populares desesperados, perante a fúria das águas.

assolam o país. A Hidroeléctrica de Cahora Bassa viu-se forçada a reduzir em 35% a quantidade de energia que transporta para a vizinha África do Sul, na sequência da queda de uma torre e danificação de outras quatro na província de Gaza. Estes estragos decorrem das enxurradas que afectaram o vale Limpopo. Por outro lado, existe o risco de uma torre desabar na segunda linha, a única que actualmente garante o fornecimento da electricidade à África do Sul, o que, a acontecer, poderá resultar em prejuízos muito mais elevados do que os até agora estimados. Para evitar mais perdas, decorrem trabalhos no sentido de repor as torres, mas as cheias e o possível arrastamento das minas torna o processo moroso. Caso a situação prevaleça, a administração da HCB estima que a infraestrutura possa acumular prejuízos mensais na ordem dos 10 milhões de dólares.

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Transporte de carvão comprometido

As chuvas intensas vieram agravar o défice logístico no transporte de carvão em Tete. A interrupção da linha de Sena causou sérios prejuízos à mineradora Vale. Um comunicado emitido pelo grupo refere que a paralisação da linha de caminho-de-ferro do Sena, devido a descarrilamentos, e, mais importante, às chuvas torrenciais que destruíram partes da linha e algumas pequenas pontes, fez com que a Vale Moçambique ficasse impedida de escoar, até à data, cerca de 250 mil toneladas de carvão de coque. Com estes argumentos, a companhia justifica a incapacidade de cumprir os contratos de fornecimento de carvão extraído, quando até Dezembro de 2012, a mineradora fez passar pela linha de Sena mil comboios com mais de dois milhões de toneladas de carvão.

Além dos 10 quilómetros de via férrea destruídos com o descarrilamento em Fevereiro, as chuvas intensas provocaram prejuízos imensos na linha, tendo em alguns lugares as águas comprometido gravamente a plataforma da linha férrea, levando carris, as chulipas e o balastro. Posteriormente, atmbém a Rio Tinto anunciou a interrupção das suas operações de extracção de minerais na província de Tete, devido às chuvas intensas que se registam naquela região e que danificaram a Linha de Sena. Um comunicado da empresa, citado pela AIM, refere que as chuvas intensas causaram danos na linha férrea de Sena, facto que determinou a suspensão do trânsito e do transporte e escoamento do carvão, obrigando à interrupção da extracção do material de minério e produção de carvão.


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Inundações estimulam inflação

A estabilidade verificada em termos de inflação terminou mesmo em 2012. Contrariamente às expectativas de que o indicador manter-se-ia até 2013, houve um ligeiro agravamento dos preços logo no primeiro mês do ano. De acordo com dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os preços de bens e serviços de consumo básico registaram um aumento em Janeiro, contrariando as previsões de prolongamento da estabilidade que verificou ao longo de 2012, facto que determinou 2,09% como nível histórico de inflação média anual. O Índice de Preços ao Consumidor global - indicador que analisa o comportamento de preços nas cidades de Maputo, Beira e Nampula revela que os preços verificaram um aumento na ordem de 1,35% face ao mês de Dezembro de 2012. Para esta tendência de subida geral

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no nível de preços contribuíram os segmentos da alimentação e bebidas não alcoólicas. A subida aqui descrita está, essencialmente, associada às inundações que assolam o país, sobretudo pontos de produção, como é caso de Chokwe e Magude. Nesta mesma sequência, os preços dos produtos alimentares no

mercado grossistas do Zimpeto referência em Maputo, registaram um agravamento, sobretudo o tomate cuja oferta esteve em níveis elevados durante a quadra festiva. Basicamente, passaram a custar mais caro no mercado grossista do Zimpeto produtos como o repolho, a cebola, a batata, entre outros.c


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DOSSIER

Floods leave behind serious consequences on the economy This rainy season enters history of the country. The heavy rains that have been felt in the southern and central regions of the country have left a trail of destruction, causing, in addition to loss of life, incalculable damage. The raging waters left thousands of people homeless and created visible consequences on the national economy, and the destruction of vital infrastructures such as roads, bridges and railways in various parts of the country was the most notorious legacy left behind by the floods.

The necessary help

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he beginning was marked, once again by rain in the country, but this time with an enhanced degree of intensity. This situation gave rise to waves of floods that

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ravaged the south and centre, forcing the government to declare a red alert. More than 110 people died, mostly drowned, washed away and electrocuted. In 2012, there were predictions of

floods in the country, although not with this magnitude. Accordingly, the Government, in a Council of Ministers, approved a contingency plan to deal with the effects of this calamity. At the time of approval of the


Plan, late 2012, the government had about 120 million meticals for its operationalisation – an amount which is thought to be far below the ideal, which was nearly the triple. However, only shortly after the floods had devastated the province of Gaza, specifically the districts of Chokwe and Guijå, the government managed to disburse about 140 million meticals, an amount invested in the rescue operations and rescue of people and the creation of temporary accommodation centres. With the worsening situation, particularly in the South, the Government announced that it would need additional 100 million meticals to minimize the impact of the floods. Incidentally, before the number of deaths rose up to 50 and the number of affected people to 70 000, the United Nations had predicted that the country would need at least US$ 15 million to secure humanitarian operations.

Several people lost their property with floods

Floods seriously undermine infrastructures The floods are having serious economic repercussions in the country. The infrastructure sector is one of the most affected sectors in that it has seriously been compromised at the various levels, starting with roads and railway lines which recorded disruptions due to floods. The interruptions with the greatest impact occurred on the National Highway Number 1 (EN1) in the south and centre, in the province of Zambezia. Although these are the most critical points, in the interior of provinces such as Gaza, Inhambane and Zambezia there were connections that were completely disrupted leaving some areas inaccessible. With regard to railways, the Sena line is one those that were damaged in some of their sections. The Nampula-Nacala rail link was also disrupted due to floods and it was restored later on. The railway line linking the port of Nacala to Malawi was also affected and the Ressano Garcia line could cost US$ 2.5 million for its repair.

In addition to the damages recorded in road and rail networks, there have also been losses in the energy sector due to the floods that devastated the country. The Cahora Bassa was forced to reduce by 35% the amount of energy that it carries into the neighbouring South Africa, following the collapse of a tower and the damage of four other towers in the province of Gaza. These damages are the result of the floods that have affected the Limpopo valley. Furthermore, there is a risk of a tower collapse on the second line, the one that currently guarantees the supply of electricity to South Africa, which, if that happens, could result in much higher losses than those that have been estimated so far. In order to prevent further losses, there are ongoing works to restore the towers, but the floods and the possible entrainment of mine make the process cumbersome. If the situation prevails, the administration of HCB believes that the infrastructure can accumulate monthly losses of around US$ 10 million.

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Transportation of coal compromised

The heavy rains have exacerbated the logistics deficit in the coal transportation in Tete. The interruption of the Sena line has caused serious damage to the mining company Vale. A statement issued by the group indicates that the interruption of the Sena railway line due to derailments, and more importantly, the torrential rains that destroyed parts of the line and some small bridges, prevented Vale Mozambique from transporting, to date, about 250 thousand tons of coking coal. With these arguments, the company justifies its inability to fulfil contracts for the supply of extracted coal, although in December 2012 the company was able to transport, through the Sena line, one thousand trains with more than two million tons of coal. Apart from the 10 kilometres of

railroad that were destroyed with the derailment in February, heavy rains have caused huge losses in the line, and in some places the waters have seriously damaged the platform of the railway line, carrying rails, sleepers and ballast. Later, Rio Tinto also announced the discontinuation of its operations for the extraction of minerals in the province of Tete due to heavy rains that ocurred in that region and damaged the Sena line. A company statement quoted by AIM says that heavy rains have caused damage to the Sena railway line, a fact which led to the suspension of transit and transportation and coal export, thus resulting in the discontinuation of the ore material mining and coal production.

Floods stimulate inflation

FLOODS In 2012, there were predictions of floods in the country, although not with this magnitude. Accordingly, the Government, in a Council of Ministers, approved a contingency plan to deal with the effects of this calamity.

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The stability in terms of inflation ended in 2012. Contrary to the expectations that the indicator would remain until 2013, there was a slight increase in prices in the first month of the year. According to the data published by the National Institute of Statistics (INE), the prices of basic consumer goods and services rose in January, against forecasts of prolonged stability that occurred throughout 2012, the fact which determined 2.09% historical level as an average annual inflation. The Price Index to Global Consumer an indicator that analyzes the behaviour of prices in the cities of Maputo, Beira and Nampula - reveals that prices have increased by 1.35% in December 2012. Note that the segments of food

and non-alcoholic beverages have contributed to this general upward trend in the price level. The increase described herein is primarily associated with floods that are devastating the country, especially the production points such as Chokwe and Magude. In the same line of thought, food prices in the Zimpeto wholesale market – a reference point in Maputo, have worsened, especially tomato which was at high levels during the festive season. Basically, products such as cabbage, onions, and potatoes, among others are now more expensive than any other products of similar kind in the Zimpeto wholesale market.c


Foco ECONOMIA

Em busca dos benefícios inclusivos no sector mineiro Bênção ou maldição? A presença de recursos naturais produz um destes resultados, dependendo da observância ou não de determinados cuidados no desenho de políticas de gestão de recursos disponíveis no sub-solo.

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oçambique corre contra o tempo! Está pressionado a tomar o rumo certo para tornar os benefícios da exploração mineira acessíveis a toda a gente, uma tarefa que se torna mais difícil pelo facto da exploração desses recursos naturais já se ter iniciado. Esta preocupação levou o Banco Africa de Desenvolvimento (BAD) a juntar em Maputo peritos de países ricos em recursos para trazerem experiências, tanto de sucesso quanto mal sucedidas, que sirvam de bússola para o Executivo moçambicano. No seminário de alto nível sobre Gestão das Receitas e Optimização dos Benefícios Provenientes da Exploração dos Recursos Naturais cujo foco recaiu sobre o carvão e o gás, estiveram cerca

de 50 participantes de países como a Noruega, Trinidade Tobago, Brasil, Mongólia, Angola, África do Sul, São Tomé e Príncipe e Gana. Detalhe curioso foi que os participantes sugeriram, unanimemente, investimentos na formação de pessoal qualificado na área mineira, investimentos em infraestruturas de transporte e gestão transparente dos recursos minerais no quadro da Iniciativa de Transparência da Indústria Extractiva (ITIE). Outra lição para Moçambique passa por eliminar as “generosas” taxas de impostos que aplica aos projectos mineiros, de modo a permitir que o Estado disponha de receitas suficientes para as necessidades em infraestruturas e demais despesas públicas. Ao mesmo tempo, é importante que o Governo não crie grandes expectativas em torno da exploração de recursos,

avisou o ministro são-tomense das Obras Públicas, Infraestruturas, Recursos Naturais e Meio Ambiente, Osvaldo Abreu, baseando-se na experiência do seu país, onde a presença de recursos acarretou conflitos políticos e frustrou as expectativas da população.c

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Focus on ECONOMY

Falta de dinheiro é o maior obstáculo A 13ª edição da Conferência do Anual do Sector Privado (CASP), organizada pela Confederação das Associações Económicas (CTA), em Março, também esteve voltada para a questão do aproveitamento do potencial mineiro para benefício dos moçambicanos. A fragilidade financeira do Governo e do empresariado privado moçambicano foi o ponto de partida para se encontrar o norte das discussões. Sem dinheiro, o Governo não tem poder de participar directamente nos projectos mineiros, e os empresários

são incapazes de fornecer serviços aos empreendimentos em curso. O vice-ministro das Finanças, Pedro Couto, sugeriu, em jeito de questionamento, que o Governo utilize as próprias reservas de carvão, de gás e de outros minérios, como capital para participar nas acções das empresas mineiras e tirar dividendos que vão beneficiar o país. Em relação ao carvão, as respostas vão tarde, porque a exploração já arrancou. Quanto ao gás, pode ser que cheguem a tempo, uma vez que a exploração apenas começa em 2018.c

FACTOS E NÚMEROS Potencial carbonífero de moçambique: 20 Biliões de tonelas

Produção em 2012: 4.9 milhões USD (record)

Investimentos nos últimos 5 anos: 5 biliões USD

Exportações no futuro: 50 milhões de toneladas

Projecção: Estar entre os cinco maiores exportadores de carvão de coque do mundo Potencial do gás: 150 TCF

In pursuit of inclusive benefits in the mining sector Blessing or curse? The presence of natural resources produces one of these results, depending on the compliance or lack of it with regard to particular care in designing policies for the management of the available resources in the sub-soil.

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ozambique is racing against time! It is pressurized to take the right path in order to make the benefits of the mining sector accessible

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to everyone, a task that is becoming more difficult due to the fact that the exploitation of these natural resources has already begun. This concern has made the African Development Bank (AfDB) join experts

in Maputo from resource-rich countries for them to share their success and unsuccessful experiences in order to serve as a compass for the Mozambican Government. Around 50 participants from countries


Focus on ECONOMY

Lack of money is the biggest obstacle

such as Norway, Trinidad Tobago, Brazil, Mongolia, Angola, Africa South, Sao Tome and Principe and Ghana were present in a high-level seminar on “Revenue Management and the Optimization of Benefits Arising from Natural Resources Exploration “whose focus was on coal and gas. One interesting fact was that the participants unanimously recommended the government to invest in the training of qualified personnel in the mining sector, investment in transport infrastructure and in the transparent management of mineral resources under the framework of the Extractive Industries Transparency Initiative (EITI). Another lesson to Mozambique

includes the elimination of the “generous” tax rates that are applied to the mining projects in order to allow the State to have sufficient revenues for infrastructure and other public expenditures. Moreover, the Sao Tome minister of Public Works, Infrastructure, Natural Resources and Environment, Osvaldo Abreu, has warned the Government of Mozambique to avoid raising high expectations with regard to the exploitation of resources based on the experience of his country, in which the presence of resources has led to political conflicts and has also frustrated the expectations of the population.c

The 13th edition of the Annual Conference of the Private Sector (CASP), organized by the Confederation of Economic Associations (CTA), in March, was also focused on the exploitation of the mineral potential for the benefit of Mozambicans. The financial fragility of both the government and the Mozambican private sector was the starting point for the discussions. Without money, the government has no power to participate directly in the mining projects, and consequently the private sector is unable to provide services to the ongoing developments. The Deputy Finance Minister, Pedro Couto, suggested by questioning that the Government should use its own reserves of coal, gas and other minerals, as capital in order for it to participate in the activities of the mining companies and take dividends that will benefit the country. With regard to coal, the answers have come late because the operations have already begun. As far as gas is concerned, the answers may come in time given that the operations will only start in 2018.c

FACTS & figures Mozambique´s coal potential: 20 Billion tons

Exports in the future: 50 million tons

Production in 2012: 4.9 million dol-

Projection: To be among the top

lars (record)

five exporters of coking coal in the world Gas potential: 150 TCF

Investments in the last 5 years: 5 billion dollars

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Foco NEGÓCIO

CTA Nós, como CTA, gostaríamos de ter as reformas mais aceleradas”,

Ambiente de negócios em Moçambique regrediu

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ão há motivos para susto. Não há estagnação no ambiente de negócios no país. Pelo contrário, há progressos, mas são lentos. Esta é a leitura do administrador da pesquisa ‘Índice do Ambiente de Negócios’ da KPMG, Paulo Mole, ao referir-se à queda no ambiente de negócios em 0.12% na pontuação de 2012, para 102,09 pontos. De acordo com o documento, na percepção dos agentes económicos, factores relacionados com o comércio e com actos de governação tiveram uma influência mais negativa sobre os investimentos e colocaram em

causa as actividades económicas. Paulo Mole acrescenta que para a deterioração do ambiente de negócios pesaram aspectos como a corrupção, o crime organizado, o HIV/ SIDA, a malária e outras doenças, além das importações ilegais. Contrariamente, factores ligados às infraestruturas e serviços (serviços postais e de comunicação; fornecimento de energia e água) têm tido uma influência mais positiva sobre o ambiente de negócios desde 2008. A pesquisa foi realizada pela empresa de consultoria KPMG em parceria com a Confederação das Associações Económicas (CTA), financiada pela

Agência Técnica Alemã. O Índice de Ambiente de Negócios tem como ferramenta fundamental a percepção dos agentes económicos em relação aos factores que influenciam a actividade económica, e a análise de variáveis económicas, sociais, políticas e institucionais com impacto no desempenho dos negócios em Moçambique, neste caso, no primeiro semestre de 2012. As províncias de Inhambane e Nampula são as que apresentam índices mais altos, devido à apreciação positiva de factores ligados às infraestruturas e aos serviços, bem como os de ordem legal.c

Sector privado exige celeridade nas reformas Para a CTA, este resultado reflecte as difuculdades enfrentadas pelos empresários no exercício das suas actividades. O economista Hipólito Hamela, da CTA, considera que há muito poucas reformas em Moçambique, e que nos últimos dois a três anos, não houve nenhuma lei ou regulamento aprovado e que tenha entrado em vigor no país visando melhorar o

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ambiente de negócios. “Nós, como CTA, gostaríamos de ter as reformas mais aceleradas”, frisou o economista, que relacionou estes resultados com os de outros estudos sobre o ambiente de negócios no país como o “Doing Business” do Banco Mundial e o “Global Economic Outlook”, que tem vindo a referir-se à queda do país neste aspecto. c

Evolução da Classificação no ‘Índice do Ambiente de Negócios’ 2009: 105,83 pontos 2010: 101,5 pontos 2011: 102.21 pontos 2012: 102,09 pontos


Focus on BUSINESS

Private sector calls for promptness in the reforms

Business environment decreased in Mozambique

For CTA, the above results reflect the difficulties business people are faced with in exercising their activities. The CTA economist Hipólito Hamela, states that there are few reforms in Mozambique, and that in the past two to three years, no law or regulations were passed or entered into force in the country with a view to improve the business environment. “We, CTA, would like to have the swiftest reforms”, restated the economist, who compared these results with the results from other surveys on business environment in the country, such as the World Bank “Doing Business” survey and the “Global Economic Outlook”, which have been illustrating the country’s fall in this aspect.c

N

o reason for worries. The business environment in the country is not stagnant. On the contrary, there is progress, although it is slow. This is the analysis by the coordinator of the KPMG research on the ‘Business Environment Index’, Paulo Mole, when talking about that fall in the business environment by 0.12% in the 2012 ranking, to 102.09 points. According to the document, in the perception of the economic agents, factors related to trade and governing actions had more negative influence on the investments and called into question the economic activities. Paulo Mole further states that for the deterioration of the business environment, aspects such as corruption, organized crime, HIV/AIDS, malaria and other diseases carried weight, in addition to illegal imports. On the contrary, factors related to infrastructures and services (postal and communication services; power and water supply) have been having a more positive influence on the business environment since 2008. This survey was carried out by a consultancy company, KPMG, in partnership with the Confederation of Economic Associations (CTA), funded by the German Technical Cooperation Agency. The most important tool of the Business Environment Index is the economic agents’ perception on the factors influencing the economic activity, as well as the analysis of economic, social, political and institutional variables with impact on the business performance in Mozambique, for this particular case, in the first term of 2012. Inhambane and Nampula Provinces are the ones that presented the highest indexes due to the positive appreciation of factors related to infrastructures and services, in addition to legal-related factors.

Hipólito Hamela

Evolution of the Rating in the ‘Business Environment Index’ 2009: 105,83 points 2010: 101,5 points 2011: 102.21 points 2012: 102,09 points

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Foco EMPRESA

Vendendo o Moçambique Imobiliário A empresa REC (Real State Consulting) dedica-se à consultoria imobiliária e faz uma clara aposta nos estudos de mercado. José Castilho, seu director geral, fala sobre o mercado imobiliário em Moçambique, as disparidades nos preços e alguma especulação associada, sobretudo em locais agraciados por grandes investimentos.

Em que contexto a REC | Real Estate Consulting abraçou o mercado moçambicano? A REC é uma empresa moçambicana presente no mercado há 12 anos. Em Janeiro de 2012, alterámos a desig-

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nação social porque especializámos o nosso âmbito de actuação e os serviços profissionais que prestamos. O mercado imobiliário em Moçambique é a nossa vocação e é num contexto de crescimento e profissionalização

desse mercado que nos inserimos. Actuamos prestando serviços de consultoria imobiliária de A a Z, excluindo a construção. A nossa actividade é muito forte na oferta de estudos de mercado, viabilidade de projectos de investimento imobiliário, estudos de Best Use, avaliações e planos de pormenor na nossa área da consultoria e uma forte especialização nos segmentos de Retail, Logística, Escritórios e Imobiliário relacionado com o Turismo, na área de Intermediação imobiliária. Naturalmente, quanto maior é a especialização mais necessidade temos de nos socorrer de quadros com formação e experiência adequada pelo que temos vindo a estabelecer parcerias com players internacionais muito fortes e com abrangência mundial para quem os standards de serviço são necessariamente muito altos. É esse o caminho que queremos seguir. A área imobiliária é relativamente nova em Moçambique. Como é que caracteriza o actual estágio deste mercado? De facto, o mercado imobiliário está em formação. Desde o início do ano corrente que se assiste a um crescimento do número de promotores que se estão a estabelecer com uma oferta de qualidade nos sectores imobiliários em que apostamos, constituindo excepção um ou outro promotor com presença anterior que já ofereciam esses produtos. Porém, em matéria de serviços especializados há poucas empresas presentes que têm capacidade de entender o mercado imobiliário mais profissional, o que constitui um desafio e uma oportunidade para as empresas moçambicanas que, como nós, têm vindo a investir na formação de equipas e captação de Know How para um mercado que ainda não tem a procura por parte dos promotores que será necessária para sustentar tal investimento. O que isto significa é que temos assistido a algumas disparidades nos preços de mercado e alguma especulação no que diz


Foco EMPRESA

respeito a localizações novas originadas pelos grandes investimentos no país, nomeadamente nas cidades onde os sectores mineiros, portos, e de Gas and Oil estão presentes. É preciso que os promotores imobiliários suportem os seus investimentos em estudos profissionais de padrões internacionais, em trabalho de intermediação especializado e em análises financeiras rigorosas, sob pena de não conseguirem atrair investimento para os seus projectos junto de investidores profissionais no mercado imobiliário, que entendem bem a linguagem da negociação, mas sobretudo uma linguagem técnica muito específica e independente que os fará motivar para essa negociação. Qual é o diferencial da Real Estate Consulting face a concorrência? Diferenciamo-nos nas seguintes vertentes: Profissionalização, especialização e âmbito internacional. Apostámos imenso na integração de quadros com curriculum profissional e académico muito forte e em certificação segundo normas internacionais, no sentido da profissionalização dos serviços. Especializámo-nos em diferentes sectores do imobiliário, excluímos outros onde uma empresa como a nossa não é competitiva e estabelecemos parcerias internacionais com marcas de referência mundial que nos ajudam a vender Moçambique na sua vertente imobiliária.  

Que factores determinam maiores vendas na área imobiliária, segundo a experiência adquirida pela REC? Percebo o sentido da sua pergunta e acho que os vossos leitores gostariam de ver uma resposta directa sobre as suas dúvidas de investimento na resposta a essa questão. Mas não há uma resposta directa porque essa resposta depende de algumas variáveis para as quais existem diferentes respostas. Em primeiro lugar, em que sector de actividade imobiliária? Retail? Logística? Residencial? Turismo? Cada uma destas áreas imobiliárias

tem uma resposta enquadrada diferente. Em segundo lugar, para que montantes de investimento? Cada tipo de produto tem um mercado diferente e uma colocação em diferentes tipos de investidores/consumidores. Agora, o que lhe posso dizer com toda a certeza é que é possível maximizar vendas sempre que se adequa o produto ao mercado que dele precisa. Para tal, é preciso saber qual é o mercado expectável para o sector e local em que se vai investir e adequar o investimento ao produto que mais pode ser procurado. Isto mitiga o risco do investimento e potencia o sucesso. Como em tudo nos negócios, maior preparação leva a maior sucesso independentemente de excepções bem-sucedidas que todos conhecemos e que quando copiadas também podem levar ao fracasso dos novos projectos. Até que ponto a expansão geográfica da cidade de Maputo (novas construções na periferia) representa oportunidades de negócios no sector imobiliário? Até ao ponto em que a procura justifique essa expansão. Na cidade de Maputo, e particularmente por parte do Município, assistimos a esforços

no sentido de organizar a expansão da cidade com propostas de criação de planos directores, novas vias de acesso, etc.. A cidade em si, como a conhecemos, começa a ter novas construções na periferia, mas é preciso lembrarmo-nos de que essa periferia já existe e tem gente fixada obrigando a alguma preocupação social. Para que isso represente oportunidades de negócio é também necessário que a economia das famílias moçambicanas seja melhorada para que essas famílias tenham acesso a esses produtos e para que os investimentos sejam sustentados. Outra vertente do investimento na periferia que tem a ver com a instalação de novas empresas constitui também uma oportunidade. Porém, os promotores dessas iniciativas devem ponderar os investimentos, porque apesar do crescimento económico a que se assiste, a transferência do rendimento para as famílias não é imediata e isso significa que um investimento poderá estar parado e sem colocação durante bastante tempo. Por outro lado, cumprir os planos de expansão da cidade existentes é fundamental para diminuir riscos.c

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Foco COMPANY

Selling Mozambique Real Estate The company REC (Real Estate Consulting) is engaged in the real estate consulting and it makes a clear investment in market research. José Castilho, its director general, talks about the real estate market in Mozambique, disparities in prices and some associated speculation, especially in places graced by large investments.

In which context has REC|Real Estate Consulting embraced the Mozambican market? REC is a Mozambican company which has been operating in this market for 12 years. In January 2012, we changed the company’s name because we have specialised our scope of operation and the professional services we provide. The real estate market in Mozambique is our vocation and it is within this context of growth and professionalization of the market that we operate. We provide real estate advisory services from A to Z, excluding construction. Our business is very strong in providing market research, feasibility studies of real estate investment projects, “Best Use” studies, reviews and detailed plans in our area of ​​consulting and strong expertise in segments such as Retail, Logistics, and Offices and Real estate-related Tourism in the area of Real ​​ estate intermediation. Obviously, the greater the specialization the more we need the help of staff with ade-

quate training and experience, that is why we have been establishing partnerships with very strong international players and with worldwide coverage for those whose service standards are necessarily very high. This is the path we want to follow. The real estate sector is relatively new in Mozambique. How do you characterize the current stage of this market? In fact, the real estate market is in the process of formation. Since the beginning of this year we have been witnessing a growing number of developers that are establishing themselves with a quality offer in the real estate sectors in which we are investing, with the exception of one or another developer who have been offering these products for some time now. However, in terms of specialist services, there are few companies with the ability of understanding the most professional real estate market, which is a challenge and an opportu-

nity for Mozambican companies that, just like us, have been investing in staff training and in raising of Know How for a market that has no demand yet for developers who will be required to sustain such an investment. This means that we have seen some disparities in market prices and some speculation regarding new locations originated by large investments in the country, especially in cities where the mining sectors, ports, and “Gas and Oil” are present. It is important, therefore, that developers support their investments through professional studies of international standards, specialized intermediation work and rigorous financial analysis, otherwise they will not be able to attract investment for their projects to professional investors in the real estate market, who understand well the language of negotiation, but above all, they understand the very specific and independent technical language that will motivate them for this negotiation.

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Foco COMPANY

José Castilho, general-director of Real Estate Consulting

What is the Real Estate Consulting differential in relation to competition? We differentiate ourselves in the following areas: Professionalization, specialization and international scope. We invested a lot in integrating staff with very strong academic and professional curriculum and in certification according to international standards towards the professionalization of services. We specialise in different sectors of real estate, we exclude others where a company like ours is not competitive and we have established international partnerships with global benchmarks that help us “sell” Mozambique real estate. What factors determine higher sales in real estate, according to the experience gained by REC? I understand the sense of your question and I think your readers would like to have a direct answer to your doubts about investment in response to this question. But there is no direct answer for that question because the answer depends on a few variables for which there are different answers. First and foremost, the question is: in

which sector of real estate? Retail? Logistics? Residential? Tourism? Each of these areas has a different response. Secondly, what is the amount of investment? Each product type has a different market and placement in different types of investors/consumers. Now, what I can say for sure is that you can always maximize sales when the product suits the market. To do this, you must know the expected market for the sector and the location in which to invest and adapt the investment to the product that can be looked for more often. This mitigates the risk of investment and enhances success. As with everything in business, greater preparation leads to greater success regardless of successful exceptions that we all know that when copied, they can also lead new projects to failure. To what extent the geographical expansion of Maputo city (new constructions in the periphery) represents business opportunities in the real estate market? They represent business opportunities if demand justifies expansion. In Maputo city, and particularly in the Municipality, we have been

witnessing efforts to organize the expansion of the city with proposals for creating master plans, new access roads, etc.. The town itself, as we know it, is starting to have new constructions in the periphery, but we must remind ourselves that this periphery already exists and there are people living there and that becomes a social concern. For this to represent a business opportunity it is also necessary for the economy of Mozambican households to be improved so that these households can have access to these products in such a way that investments can be sustainable. Another aspect of investment in the periphery has to do with the establishment of new businesses which is also an opportunity. However, the promoters of these initiatives should consider the investments because despite the economic growth that we are witnessing, the transfer of income for households is not immediate and that means that an investment can be stopped without any use for a long time. Moreover, it is also crucial to comply with the expansion plans of the existing cities in order to minimize risks.c

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ISIDORA FAZTUDO, GENERAL DIRECTOR OF CERVEJAS DE MOÇAMBIQUE

Isidora Faztudo milhares de agricultores já encaram a produção da mandioca como uma cultura de rendimento.

Cerveja IMPALA, uma aposta sustentável A CDM lançou recentemente a cerveja Impala, um produto confeccionado à base da mandioca que já conquistou adeptos, sobretudo no centro e norte do País. A Impala já é considerada uma conquista pela Cervejeira nacinal, sobretudo porque a sua matéria-prima de eleição está fomentar a produção na província de Nampula. A CDM está a mudar o mosaico da agro-indústria em Moçambique. Hoje, segundo a PCA da companhia, Isidora Faztudo, milhares de agricultores já encaram a produção da mandioca como uma cultura de rendimento.

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TEMA DE FUNDO entrevista Helga Nunes

Em Março de 2012, a Cervejas de Moçambique anunciou um significativo crescimento no volume de vendas e de lucro operacional. Qual é o segredo por detrás desse crescimento? Não sei se há algum segredo. As condições de crescimento estão criadas em termos operacionais, porque tivemos em conta as especificidades do mercado assim como a nossa estratégia de ir ao encontro das expectativas do consumidor. Por outro lado, temos estado a investir na área de marketing e capitalizamos a auscultação, assim como a análise do mercado. Temos estado a fazer testes, assim como a avaliar um conjunto de investimentos. E é na base dos resultados desses exercícios e análises que tomamos as decisões estratégicas. Após a privatização da empresa, o objectivo fundamental era consolidar o negócio. Actualmente, achamos que o negócio está consolidado e estamos voltados para a expansão do ponto de vista dos produtos. Entretanto, decorreu uma clara aposta no Norte Do ponto de vista de crescimento, o maior contributo provém da zona Norte. Foi construída a fábrica em Nampula, e valeu a pena. O investimento vai ser definitivamente recuperado. No âmbito da mesma estratégia de produção nacional, enveredamos por um projecto-piloto da SAB Miller (accionista maioritária da CDM) que decorre em Nampula e que tem por objectivo produzir cerveja a partir da mandioca. Curiosamente, só depois de Moçambique é que o mesmo projecto foi implementado em outros países pelo mesmo grupo. Por que razão esse projecto-piloto foi implementado em Nampula? Iniciámos em Nampula porque é uma das províncias que possui um grande potencial de produção da mandioca. E, nesse sentido, temos duas vantagens. Além de fazermos o aproveitamento da mandioca, as populações podem encarar a matéria-prima como uma base de rendimento e não só de sustento. Essa perspectiva traz uma grande mais-valia para o País, que se reveste não só na produção

FotoS Alexandre Marques

Isidora Faztudo Presidente do Conselho de Administração da CDM

como na comercialização. Que diferença existe entre a cerveja feita à base de mandioca das demais? A diferença entre a Impala, que é a cerveja da mandioca, em comparação com as outras reside na percentagem de álcool. As pessoas preferem uma bebida com um bocadinho mais de álcool porque tem menos cheiro e pensam que a mesma é mais limpa. Então, vamos continuar a aumentar a produção nacional da cerveja da mandioca. Neste momento, estamos com uma produção de cerca de 36 mil hectolitros, na província de Nampula. O próximo passo será levar a matéria-prima recolhida em Nampula para a fábrica da Beira para que se comece a produzir a cerveja de mandioca ainda este ano, e, em 2014, estaremos também em Maputo.

muito mais. Nós não estamos contra a importação da cerveja. Estamos sim a favor que os importadores paguem os impostos. Há, no entanto, um outro factor que nos preocupa e que passa pela produção local de bebidas “espirituosas”. Por um lado, algumas dessas bebidas não são sanitariamente bem concebidas. Por outro, há-que ter em conta os efeitos negativos que este tipo de bebidas representa para a nossa camada jovem, quando não vendido de forma controlada. Existe alguma facilidade concedida pelo Governo em termos fiscais em relação à produção de cervejas nacionais? Em relação à cerveja da mandioca,

De que modo a cerveja importada afecta a CDM em termos concorrenciais? A cerveja importada de forma fraudulenta afecta negativamente porque da mesma maneira que a CDM tem dado a sua contribuição para o erário público, poderia estar a vender

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tendo em conta o factor de desenvolvimento sustentável que procuramos incrementar, o Governo aprovou uma legislação que atribui um imposto diferente em relação ao da cerveja normal. A cerveja de mandioca paga 10% de impostos enquanto a outra paga 40%. Mas o que conta não é a redução dos impostos, mas o efeito muitiplicador que a produção da mandioca para fins industriais representa junto da população porque produz rendimentos para várias famílias envolvidas no processo. Na província de Nampula e mais para o Centro, em Sofala, vamos tentar ter produtores familiares que possibilitem o funcionamento da indústria da cerveja à base de mandioca. Para que tal seja possível, dinamizamos um sistema em que os agricultores, em regime de fomento, possam fazer a sua produção. Depois nós compramos o produto através de uma empresa contratada, que garante que o agricultor fique satisfeito em vender a mandioca na sua própria machamba.

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Como funciona a distribuição? Há uma unidade móvel que pode ser transferida de um sítio para o outro em função da necessidade do mercado. Neste momento, estamos numa fase experimental e estamos a usar ainda cerca de 20% da capacidade desta unidade, mas já conseguimos comprar cerca de um milhão de toneladas de mandioca. É muita mandioca. E em termos de rendimentos para as cerca de mil famílias nesta fase, estamos a falar de 106 mil dólares americanos, o que não é pouco em comparação com o que faziam anteriormente. A aceitação tem sido muito boa. E, inclusive, está acima das nossas expectativas. Por exemplo, agora temos vindo a ser pressionados por produtores da mandioca do Sul, nomeadamente de Inhambane. Existe algum tipo de estratégia focada no mercado internacional? A Laurentina preta já foi graduada, mas nós ainda estamos concentrados

no mercado nacional. Provavelmente no futuro poderemos fazê-lo, mas penso que o mercado nacional ainda tem espaço para trabalho. De momento, gostaríamos de garantir a presença da nossa cerveja 100% “Made in Mozambique”, ou seja produzida com matéria-prima nacional. Que tipo de matéria-prima têm de importar? A cevada. Contudo, acredito que a produção da mandioca vai alastrar porque as pessoas já têm a cultura da produção da mandioca, enquanto em relação à cevada ainda não a têm. Quais são os projectos futuros da Cervejas de Moçambique? Iremos manter o desafio imposto pela cerveja Impala. Mas a produção da cevada é um outro sonho, com um longo caminho a percorrer em termos de trabalho.c


ISIDORA FAZTUDO, CEO OF CERVEJAS DE MOÇAMBIQUE COMPANY

IMPALA Beer, a sustainable challenge CDM has recently launched the Impala beer, a beer brewed from cassava that has already won fans, especially in the Centre and North of the Country. Impala is already being considered an achievement by the national Brewery, in particular due to the fact that its best raw material is fostering production in Nampula Province. CDM is changing the mosaic of agro-industry in Mozambique. Today, thousands of farmers already consider cassava as a cash crop, according to the company’s CEO, Isidora Faztudo. In March 2012, Cervejas de Moçambique (the Mozambican Brewery Company) announced significant growth in the volume of sales and operational profit. What is the secret behind this growth?

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I am not sure if there is any secret at all. The growth conditions have been created in operational terms, because we took into account the market specificities, as well as our strategy to meet the consumer’s

expectations. On the other hand, we have been investing in marketing and we capitalize consultation, and the market analysis. We have been carrying out tests, as well as evaluating a set of investments.


BACKGROUND THEME INTERVIEW Helga Nunes

we have embarked on a SAB Miller (the majority shareholder of CDM) pilot project that is being carried out in Nampula, whose objective is to produce beer from cassava. Curious enough, the same group has only implemented this same project in other countries after this had been implemented in Mozambique. Why was this project piloted in Nampula? We began in Nampula because it is one of the provinces with high potential in the production of cassava. And, on that note, we have two advantages. Apart from taking full advantage of cassava, the population may take the raw material not only as a source of income, but also for their livelihood. This idea based on both production and commercialisation adds more value to the country.

ISIDORA FAZTUDO, CEO OF CERVEJAS DE MOÇAMBIQUE COMPANY

And it is based on the results of these exercises and analysis that we make strategic decisions. After the company privatisation, the most fundamental objective was to consolidate the business. Today, we believe that the business has been consolidated and we are now working on the expansion of products. Meanwhile, there was a clear bet in the North In the growth perspective, the largest contribution comes from the North. A factory was built in Nampula, and it was worth it. The investment will definitely be recovered. Still in the same strategy of national production,

PHOTOS Alexandre Marques

negative effects posed by this type of drinks for our youth should be taken into account, when their sale is not controlled. Is the government providing any tax relief for the production of national beer? With regard to cassava beer, taking into account that we seek to increase the sustainable development factor, the government has passed a law that provides a different tax if compared to normal beer. Cassava beer pays 10% of taxes, whereas

What is the difference between beer produced from cassava and the other beers? The difference between Impala, brewed from cassava, and others rests in the percentage of alcohol. People would rather go for a beer with a bit more of alcohol because it has little smell, and they think it is cleaner. We will therefore continue to increase national production of cassava beer. Now, we are producing about 36 thousand hectolitres in Nampula Province. The next step will be taking the raw material collected in Nampula to the brewery in Beira to start producing cassava beer this year and, in 2014, we will be brewing this beer in Maputo. In competitive terms, how does the imported beer affect CDM? Illegal import of beer has negative effect, because the same way that CDM has been contributing for the public purse, it could be selling much more. We are not against beer import. All we are for is that the importers should pay taxes. There is, however, another factor that concerns us, which has to do with local production of spirits. On the one hand, some of these drinks are not produced within better health standards. On the other hand, the

others pay 40%. Nevertheless, what counts is not the reduction of taxes, but the multiplying effect that the production of cassava for industrial purposes represents to people, since it generates income for a number of households taking part in the process.

Capital Magazine · ABRIL 2013

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Isidora Faztudo Today, thousands of farmers already consider cassava as a cash crop, according to the company’s CEO

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ABRIL 2013 · Capital Magazine


In Nampula Province and closer to the Centre of the country, in Sofala, we will try to have household producers who will be able to make the cassava beer industry functional. For such, we streamlined a system in which farmers can produce in a promotion regime. Then we purchase the product through a subcontractor who ensures that the farmer is happy to sell cassava in their own machamba (smallholder farm). How is cassava purchased? There is a mobile unit that moves from one place to another based on the market need. Currently, we are in the experimental phase and we are still using about 20% of the capacity of this unit, but we have already managed to purchase approximately

one million tons of cassava. This is quite a lot. And in terms of earnings for almost one thousand households at this phase, they are estimated at 106 thousand dollars, which is not little if compared to their previous earnings. There has been a good buyin. Inclusive, it is beyond our expectations. For instance, we are now being pressurised by the cassava producers from the South, in particular from Inhambane Province.

still provides room for work. At this juncture, we would like to ensure the presence of our beer that is 100% “Made in Mozambique”, i.e. produced with local raw material.

Is there any strategy for the international market? Black Laurentina has already been graded, but we are still focusing on the national market. We might focus on the international market in future, but I believe that the national market

What are the Cervejas de Moçambique future projects? We will maintain the challenge posed by Impala beer. However, barley production is another dream, with a long way to go in terms of work.c

What type of raw material do you have to import? Barley! I do believe that cassava production will be scaled up because people are already familiar with its production, whereas with barley they aren’t.

Com uma linha gráfica e produção editorial modernas e de elevada qualidade, dirigida ao mundo do negócio, esta revista está empenhada no desenvolvimento à sua volta

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Mercados/Markets STANDARD BANK

Informação Económica Mensal

Economia Moçambicana / Mozambican Economy

Fáusio Mussá Economista do Standard Bank

Inflação

Inflation

Em Fevereiro, o país voltou a registar uma inflação mensal elevada, de 1.16% m/m, medida pelo IPC Moçambique.

Monthly inflation measured by Mozambique’s Consumer Price Index (CPI) remained high in February; at 1.16% m/m.

A subida da inflação desde o início do ano reflecte essencialmente o agravamento do preço dos alimentos, devido ao impacto negativo das cheias.

The spike in inflation was attributed to recent flooding which translated into rising food prices.

Maputo registou a maior inflação mensal, de 1.43% m/m, seguida da Cidade da Beira, com 0.9% m/m e Nampula com 0.89% m/m. O aumento da inflação mensal fez disparar a inflação anual do país, de 2.73% a/a para 4.18% a/a, com a Cidade da Beira a apresentar uma inflação anual de 4.5% a/a, seguido de 4.33% a/a em Maputo e 3.82% a/a em Nampula. Em termos médios, a inflação aumentou de forma mais moderada, 0.06 pontos percentuais (pp) para 2.47%. Maputo registou a média anual mais baixa, de 2.09% em Fevereiro, seguido de 2.78% em Nampula e 3% na Beira. No curto prazo, a relativa estabilidade/ fortalecimento cambial do Metical face ao Rand irá provavelmente limitar o aumento da inflação dos alimentos, pelo facto de o país importar da África do Sul, alguns dos produtos alimentares que ficaram indisponíveis com a ruptura da produção/transporte nos lugares afectados pelas recentes cheias. Os preços administrados, incluindo o combustível, têm beneficiado de uma relativa estabilidade no mercado

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Maputo recorded the highest monthly inflation, at 1.43% m/m, followed by Beira with 0.9% m/m and Nampula, 0.89% m/m. The increase in monthly inflation caused the annual figure to rise sharply from 2.73% to 4.18% y/y. Beira recorded a 4.5% y/y inflation, followed by 4.33% y/y in Maputo and 3.82% y/y in Nampula. The average inflation grew more slowly, by 0.06pp-percentage points to 2.47%. Maputo recorded the lowest annual average of 2.09%, followed by Nampula, 2.78% and Beira, 3%. In the short term, the Metical stability/ strength against the Rand will probably limit the increase in food inflation, as Mozambique imports from South Africa, some of the products that became unavailable with the production/ transport disruption in the areas affected recent floods. The administered prices, including fuel benefitted from a relative stability in international markets, with a decreasing trend, as result of a slow recovery of the world economy, limiting the risks for inflation. In this context, we maintain our forecast of single digit inflation for the current year.


mundial, com uma tendência para descida, associada à recuperação lenta da economia global, limitando os riscos para a inflação local.

Mercado Monetário Num contexto de subida da inflação, o Banco de Moçambique (BM), manteve inalteradas as suas taxas de juro de referência nos actuais níveis de 9.5% para os empréstimos overnight aos bancos comerciais, FPC e 2.25% para os depósitos, FPD. No curto prazo, é pouco provável que se observe uma inversão do ciclo de descida de taxas de juro que se observou entre Agosto de 2011 e Novembro de 2012, prevendo-se que as taxas de juro se mantenham estáveis.

Inflacao - Mocambique (Moz Inflation) Anual (Year on Year) Media (Average)

2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Jan/12 Feb/12 Mar/12 Apr/12 May/12 Jun/12 Jul/12 Aug/12 Sep/12 Oct/12 Nov/12 Dec/12 Jan/13 Feb/13

%

Neste contexto, mantemos a nossa previsão de uma inflação a um dígito para este ano.

20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0

Money Market 20

Taxas de Juro (mercado primario) (Primary market interest rates)

Despite rising inflation, Central Bank maintained unchanged their reference interest rates, with FPC - overnight lending facility interest rate, at 9.5%, and the deposit facility interest rate at 2.25%.

15

In the short term, interest rates are likely to remain stable, following the declining cycle from August 2011 to November 2012.

%

10 5

2005 2006 2007 2008 2009 Dec-10 Dec-11 Jan-12 Feb-12 Mar-12 Apr-12 May-12 Jun-12 Jul-12 Aug-12 Sep-12 Oct-12 Nov-12 Dec-12 Jan-13 Feb-13

0

FPC

BT 91d (TB)

FPD

A inflação média continua a níveis historicamente baixos, criando espaço para a manutenção de uma política monetária acomodativa. A inflação muito provavelmente se manterá a um dígito em função de uma relativa estabilidade cambial e recuperação da produção. Mantendo a tendência dos últimos meses, o mercado monetário manteve-se longo de liquidez em Fevereiro, com a taxa de juro artificialmente baixa dos Bilhetes do Tesouro (2.81% a 91 dias) a incentivar o aumento da concorrência dos bancos comerciais pela concessão de crédito, tendo-se observado uma redução mensal da prime rate média dos bancos comerciais em 7 pontos base para 15.35%.

Average inflation remains at historical lows; creating room for keeping the monetary policy accommodative, with the support for price stability expected to come from a more stable currency and recovery in food production. As in previous months, money market remained long in liquidity, with the “artificially” low Treasury Bills interest rate (2.81% at 91 day tenor) incentivizing the commercial banks competition to increase lending, with a monthly decline in the market average prime lending rate by 7 basis points to 15.35%. Foreign Exchange Market The Metical remained stable during February, with almost nil variation, closing at MZN/USD 29.99 and MZN/ ZAR 3.36 but gaining 3.1% m/m to the Euro to MZN/EUR 39.37. For the second consecutive month, Net International Reserves maintained a declining trend, down to U$2.389,5 million, with Central Bank selling U$66 million in the foreign currency (fx) market, to alleviate the pressure of oil import bills of U$91 million and limit the Metical volatility.

Mercado Cambial O Metical estabilizou em Fevereiro, com uma variação mensal praticamente nula face ao Dólar e ao Rand, fechando o mês ao nível de MZN/USD29.99 e MZN/

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EUR3.36, e com uma apreciação mensal de 3.1% m/m em relação ao Euro, com o câmbio a recuar para MZN/ EUR39.37.

30

7

2.500

6 5

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3

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2

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Meses (Months)

3.000

0

2005 2006 2007 2008 2009 2010 Dec-11 Jan-12 Feb-12 Mar-12 Apr-12 May-12 Jun-12 Jul-12 Aug-12 Sep-12 Oct-12 Nov-12 Dec-12 Jan-13 Feb-13

Agregados Monetarios & Prime Rate Monetary Agregates & Prime Rate

mio USD (USD millions)

Num contexto em que o mercado cambial continuou pressionado por uma procura de divisas superior à oferta, influenciada por uma factura de importação de combustíveis na ordem dos U$91milhões, observou-se pelo segundo mês consecutivo, à redução das Reservas Internacionais Liquidas, que se fixaram em USD2.389,5 milhões no final do mês, reflectindo vendas de divisas pelo BM na ordem dos U$66 milhões, o que limitou a volatilidade da moeda nacional.

Reservas Internacionais vs Cobertura Imp. (Net International Reserves vs Import Cover)

RIL (NIR) USD Meses Cob.Import.(Import Cover Months)

25 20 15

Economic Activity

10

The January and February floods, which impacted more the south and central regions of Mozambique, affected 2% of the country’s population and caused 117 deaths.

5 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Dec-11 Jan-12 Feb-12 Mar-12 Apr-12 May-12 Jun-12 Jul-12 Aug-12 Sep-12 Oct-12 Nov-12 Dec-12 Jan-13 Feb-13

0

Credito a Economia (Credit to Economy) y/y% M3 y/y% Prime rate %

Actividade Económica As cheias que assolaram o país nos meses de Janeiro e Fevereiro, com maior incidência para as regiões sul e centro, afectaram directamente cerca de 2% da população e resultaram em 117 óbitos. O Governo indicou serem necessários cerca de U$322 milhões para reposição de infra-estruturas e pondera rever os objectivos inicialmente definidos no PES 2013, de um crescimento do PIB de 8.4% e uma inflação de 7.5%. Apesar de se esperar uma revisão em baixa das previsões de crescimento económico, este muito provavelmente continuará robusto, acima dos 6%. O desenvolvimento humano será sem dúvida, a dimensão mais afectada pelas recentes cheias, num contexto em que o país, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos mais baixos do mundo, de 0.327 em 2012, ocupa segundo o último relatório do PNUD, a posição 185 de um total de 187 economias.

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Mozambican Government announced that reconstruction costs are estimated in U$322 and is likely to review the 2013 PES (Economic and Social Plan) targets of 8.4% GDP growth and 7.5% inflation. Despite the expected downward review, output is likely to remain robust, above 6%. Human development is certainly the most affected dimension of recent flooding. Mozambique has one of the world’s lowest Human Development Index (HDI) of 0.327 in 2012 as per the latest UNDP report, ranking 185 out of 187 economies.


Anexo (Appendix): Indicadores Macroeconómicos (Macroeconomic Indicators) Indicadores (Indicators) PIB nominal (Nominal GDP) PIB real (Real GDP) PIB per capita (Per capita GDP) População (Population) Inflação media (Average Inflation) - Maputo Exportações (Exports) Importações (Imports) Cobertura importações (Import cover) M3, massa monetária (M3, money supply) Crédito a economia (Private sector credit ext. Base monetária (Reserve money)

Unidade (Unit) MZN variação percentual (percent change) US Dollars habitantes (Inhabitants)

Escala (Scale)

2011

2012 (*)

2013(*)

milhões (millions) 365.334 7,3 606

414.375 7,5 616

482.871 8,4 649

22,3

23,8

24,4

10,4

2,1

7,5

2.776 4.187 5,2

3.116 4.460 5,8

3.558 4.887 4,8

8,2 N/D (N/A) 4,6 18,3 8,5 19,7

19,3 19,0 18,4

milhões (millions)

variação percentual (percent change) US Dollars US Dollars Meses (months)

mil (thousand) mil (thousand)

variação percentual (percent change) variação percentual (percent change) variação percentual (percent change)

Recursos Internos (Internal Resources) Despesa Total (Total Expenditure) Déficit Global (Global Deficit) Donativos (Grants) Déficit após Donativos (Deficit after Grants) Crédito Interno (Internal Borrowings) Crédito Externo (External Borrowings)

MZN MZN MZN MZN MZN MZN MZN

millions millions millions millions millions millions millions

79.158 141.757 (62.599) 35.285 (27.315) 2.619 24.696

95.538 163.035 (67.497) 34.719 (32.778) 3.150 29.629

113.962 174.955 (60.993) 19.811 (41.182) 3.573 37.609

Fontes (Sources): Banco de Moçambique, Governo de Moçambique, INE, FMI Notas notes: (*) previsao (forecast)

Nota Este documento foi preparado com base em informação de fontes que o Grupo Standard Bank acredita e são confiáveis. Apesar de todo o cuidado ter sido tomado na elaboração deste documento, nenhum analista ou membro do Grupo Standard Bank fornece qualquer garantia ou aceita qualquer responsabilidade sobre a informação contida neste documento. Todas as opiniões, previsões e estimativas contidas neste documento podem ser alteradas após a sua publicação e a qualquer momento, sem aviso prévio. O desempenho histórico não é indicativo de resultados futuros. Os investimentos e estratégias discutidos aqui podem não ser adequados para todos os investidores ou qualquer grupo particular de investidores. Este documento foi elaborado para efeitos informativos, apenas para clientes do Standard Bank ou potenciais clientes e não deve ser reproduzido ou distribuído a qualquer outra pessoa sem o consentimento prévio de um membro do Grupo Standard Bank. O uso não autorizado deste documento é estritamente proibido. Ao aceitar este documento, concorda ser guiado pelas limitações que existem ou que venham a existir. Copyright 2013 Standard Bank Group. Todos os direitos reservados.

Disclaimer This research report is based on information from sources that Standard Bank Group believes to be reliable. Whilst every care has been taken in preparing this document, no research analyst or member of the Standard Bank Group gives any representation, warranty or undertaking and accepts responsibility or liability as to the accuracy or completeness of the information set out in this document. All views, opinions, estimates contained in this document may be changed after publication at any time without notice. Past performance is not indicative of future results. The investments and strategies discussed here may not be suitable for all investors or any particular class of investors. This report is intended solely for clients and prospective clients of members of Standard Bank Group and may not be reproduced or distributed to any other person without the prior consent of a member of the Standard Bank Group. Unauthorized use or disclosure of this document is strictly prohibited. By accepting this document, you agree to be bound by the foregoing limitations. Copyright 2013 Standard Bank Group. All rights reserved.

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Bolsas Recentemente, uma bolsa de estudos financiada pela empresa sul-africana Sasol e apoiada pelo Governo através do Ministério dos Recursos Minerais beneficiou 30 jovens moçambicanos.

Formação na área mineira com novos horizontes Há, fundamentalmente, duas formas de aproveitar plenamente a presença dos recursos naturais para benefício do país: oferecer produtos e serviços às multinacionais que estão nos campos de prospecção e de produção, e formar quadros nacionais para trabalharem nos respectivos projectos. Se ainda é difícil avançar com o primeiro aspecto, por motivos vários, pelo menos há avanços em relação ao segundo.

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D

epois de Angola e Malásia, a África do Sul, Trinidade Tobago e Noruega são outros países que, a partir deste ano, irão formar jovens moçambicanos na área geológico-mineira. Trata-se de uma maratona contra o relógio, que pretende dar resposta à insuficiência de pessoal qualificado, sobretudo nas áreas de petróleos e de carvão, que ganham cada vez maior expressão em Moçambique, com grandes reservas de carboníferas em Tete e a descoberta de amplos campos de gás natural na Bacia do Ruvuma, no norte do país. Recentemente, uma bolsa de estudos financiada pela empresa sul-africana Sasol e apoiada pelo Governo através do Ministério dos Recursos Minerais beneficiou 30 jovens moçambicanos. Daquele grupo saíram os primeiros 10 estudantes que, em Fevereiro, iniciaram uma formação na África do Sul. Os restantes 20 vão frequentar


Perspectiva MINAS

País espera formar mais de 4 mil técnicos

cursos da mesma área em instituições nacionais de ensino superior. O Governo e a Sasol acordaram estender a experiência nos próximos dois anos. Ou seja, enviar mais 10 estudantes para a África do Sul e colocar 20 a estudar internamente em 2014 e 2015, totalizando 90 quadros, 30 dos quais formados no país vizinho. Anualmente, os gastos serão de 390 mil dólares americanos, esperando-se que cada grupo conclua a formação em cinco anos.

Neste momento, o país conta com cerca 150 estudantes que já beneficiam de bolsas de estudo e a frequentarem cursos médios e superiores dentro e fora do país, no quadro da Estratégia de Formação e Capacitação de Recursos Humanos para o Sector dos Recursos Minerais, elaborada pelo Ministério de tutela. Para além de cursos específicos, como geologia, engenharia de petróleos ou perfuração, há outros considerados transversais e nos quais os moçambicanos se estão igualmente a formar, como economia, direito e psicologia. A Estratégia de Formação e Capacitação de Recursos Humanos para o Sector dos Recursos Minerais está orçada em 138 milhões de dólares americanos, e foi desenhada para o período compreendido entre os anos 2010 e 2020, década durante a qual espera-se formar um total de 4.220 técnicos, dentro e fora do país, como forma de responder aos desafios do sector. À luz deste instrumento, foram enviados para a Malásia, na Universidade de Petronas, 10 estudantes em 2010, 19 em 2011 e outros 19 no ano passado, que, juntando-se aos que foram estudar antes, totalizam cerca de 80. Há também casos isolados de estudantes de engenharia de petróleos: um na Holanda e outro na Noruega. Em Angola, no Instituto Nacional de

Petróleos, formam-se dois moçambicanos, mas o plano de Governo passa por enviar, anualmente, 15 estudantes. Segundo informações recentes do Ministério dos Recursos Minerais, há contactos com os governos de Trinidade Tobago e da Noruega para o

envio de estudantes nacionais a partir deste ano. Para Trinidade Toago já estão inscritos 10 estudantes, numa primeira fase, que vão frequentar cursos em áreas especialmente viradas para os petróleos. Internamente, os moçambicanos são formados pelo Departamento de Geologia da UEM, que tem capacidade para admitir 25 estudantes e gradua anualmente uma média de 15 estu-

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dantes. O Instituto Superior Politécnico de Tete admite anualmente 40 estudantes e gradua cerca de 15, e, por sua vez, o Instituto Médio de Geologia de Moatize admite anualmente cerca de 86 estudantes e gradua em

média 22. A estratégia tem como fontes de financiamento o Orçamento do Estado, o Fundo de Bolsas, as contribuições de empresas no âmbito dos contratos, parceiros de cooperação, entre outras.c

Sector em crescimento

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epois do início da exploração do carvão pela Vale, em 2011, o desempenho da indústria extractiva tem perspectivas de crescimento significativo, esperando-se que no futuro seja o pivot do crescimento económico. Previsões para este ano apontam para um crescimento global de cerca de 18.6% comparativamente

A

Neste momento, o grande constrangimento das multinacionais que operam em Tete é o défice de vias para o transporte de carvão para os diferentes Portos, face às limitações de carga da linha férrea de Sena. É para fazer face a este constrangimento que a Vale está a construir uma ferrovia que vai de Tete ao Porto de Nacala passando pelo Malawi. Orçada em 1.1 biliões de dólares norte-americanos, a execução da obra irá compreender a construção de 136 quilómetros e a reabilitação de outros 99 quilómetros. Espera-se que seja concluída em 2014.c

Rio Tinto assegura permanência na mina de Benga

segunda maior mineradora do mundo, a multinacional australiana, garantiu, através do respectivo presidente, Sam Walsh, que não vai abandonar o projecto de produção de carvão

no país. Trata-se de uma possibilidade que foi levantada em meados de Janeiro, quando a empresa anunciou uma disparidade de três mil milhões de dólares

60

às previsões de 2012. A produção de Carvão prevista ascende a 6 milhões de toneladas de carvão “coque” e 1,5 milhões toneladas de carvão térmico. Assim, a produção deste mineral irá registar o crescimento de 20% e 61.2% respectivamente. Na produção das areias pesadas de Moma, prevê-se para 2013 o decréscimento de 11.0% da produção Zircão e 30.0% no Rútilo.

Insuficiência de vias

ABRIL 2013 · Capital Magazine

nas suas contas em Moçambique, ao constatar que a sua concessão em Tete adquirida em 2009 australiana Riversdale - possui quantidades de minério inferiores às esperadas. Feitas as contas, a Rio Tinto somou prejuízos em 14 mil milhões de dólares, facto que levou à demissão do Presidente Executivo, Tom Albanese. “Vamos trabalhar para melhorar a rentabilidade do projecto (...) confirmo que Moçambique não faz parte do programa

de desinvestimentos”, disse Walsh, dias depois da ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias, revelar negociações entre o Executivo e a mineradora no sentido de encontrar uma solução para as dificuldades encontradas no país. Já a 20 de Fevereiro a Rio Tinto acabou por anunciar uma pausa nas suas operações mineiras na sequência da interrupção da operação da Linha Férrea de Sena, devido à destruição da ferrovia provocada pelas enchurradas.c


MINING Outlook

Scholarship Recently, a scholarship funded by the South African company Sasol and supported by the Government through the Ministry of Mineral Resources has benefited 30 young Mozambicans.

Training in the mining sector with new horizons

There are basically two ways for taking full advantage of the presence of natural resources for the benefit of the country: to provide products and services to multinationals in the fields of exploration and production, and train national staff to work on their projects. If it is still difficult to move forward with the first aspect for various reasons, at least there are advances over the second.

Vale mine in Tete.

A

fter Angola and Malaysia, South Africa, Trinidad and Tobago and Norway are other countries that, starting from this year, will train young Mozambicans in the geological and mining area. This is a marathon against the clock, which aims to address the shortage of qualified personnel, particularly in the areas of oil and coal, which are increasingly gaining expression in Mozambique, with large reserves of coal in Tete and the discovery of large fields of

natural gas in the Ruvuma Basin, in the north. Recently, a scholarship funded by the South African company Sasol and supported by the Government through the

Ministry of Mineral Resources has benefited 30 young Mozambicans. The first 10 students were selected from that group, who in February began training in South Africa. Note that the remaining

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20 will attend courses in the same area in national institutions of higher education. The Government and Sasol have agreed to extend the experience over the next two years. That is, send 10 more students to South Africa to study and put 20 internally in 2014 and 2015, totalling 90 qualified staff, 30 out of 90 will have been trained in the neighbouring country. Annually, the expenses will amount to US$390,000 and it is expected that each group will complete the training within five years.

Mozambique hopes to train more than 4000 technicians Right now, the country has about 150 students who have already received scholarships and attending middle and upper technical courses within and outside the country, as part of the Training and Capacity-building Strategy in Human Resources for the Mineral Resources Sector, prepared by the Ministry responsible for the sector. In addition to specific courses such as geology, drilling or petroleum engineering, there are other courses which are regarded as cross-cutting in which Mozambicans are also being trained such as economics, law and psychology. It should be highlighted that the Training and Capacity-building Strategy in Human Resources for the Mineral Resources Sector is estimated at 138 million U.S. dollars, and it was designed for the period between 2010 and 2020, the decade during which the country expects to have trained a total of 4220 technicians, within and outside the country, in order to meet the challenges of the sector. In light of this instrument, 10 students were sent to Malaysia, Petronas University, in 2010, 19 in 2011 and another 19 last year, which, in addition to those who were there before, they amount to about 80 students. There are also isolated cases of petroleum engineering students: one in the Netherlands and another in Norway. In Angola, two Mozambicans

62

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have been trained in the National Oil Institute but the Government麓s plan indicates that more 15 students will be sent there every year. According to the recent information from the Ministry of Mineral Resources, there are contacts with the governments of Trinidad and Tobago and Norway for sending more students starting from this year. For Trinidad and Tobago, initially 10 students have already been enrolled and they are expected to attend courses in the areas especially related to oil. Internally, Mozambicans are trained by

the Department of Geology of UEM, which has the capacity to admit 25 students and graduates each year an average of 15 students. The Higher Polytechnic Institute of Tete admits 40 students each year and graduates about 15, and in turn, the Middle Institute of Geology of Moatize annually admits about 86 students and graduates on average 22 students. The financing sources of strategy are as follows: the state budget, the Scholarship Fund, contributions from companies under contract, cooperation partners, among others.c


Growing sector After the commencement of coal mining by Vale in 2011, the performance of the industry has significant growth prospects and it is hoped that in the future it will be the pivot of the economic growth. Forecasts for this year indicate an overall growth of about 18.6% compared to 2012 predictions. Coal production is expected to amount to 6 million tons of coal “coke” and 1.5 million tonnes of thermal coal. Thus, the production of this mineral is expected to grow by 20% and 61.2% respectively. With regard to Moma heavy sands, Zircon production is expected to fall by 11.0% in 2013 and Rutile by 30.0%.

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Insufficient access roads

At this time, the great embarrassment of multinationals operating in Tete is the lack of access roads to transport coal to the different ports, given the load limitations of Sena railroad. In this regard, Vale is building a railroad that goes from Tete to the port of Nacala passing by Malawi as way of addressing this constraint. Estimated at 1.1 billion U.S. dollars, the execution of work will comprise the construction of 136 kilometres and the rehabilitation of the remaining 99 kilometres. It is, therefore, expected to be completed by 2014.c

Rio Tinto secures permanence in the Benga mine

he second largest mining company in the world, the Australian multinational has ensured, through its CEO, Sam Walsh, that it will not abandon the coal production project in the country. This possibility was raised in midJanuary, when the company announced a disparity of three billion dollars in its accounts in Mozambique, when it realized that its concession in Tete – which was acquired in 2009, the Australian Company Riversdale - has lower quantities of ore than those that had been anticipated. All in all, Rio Tinto has posted a loss of 14 billion dollars, which led to the

resignation of the CEO, Tom Albanese. “We will work to improve the profitability of the project (...) I assure you that Mozambique is not part of the disinvestment program,” said Walsh, days after the Minister of Mineral Resources, Esperanca Bias, revealed that negotiations were underway between the Executive body and the mining company towards a solution in order to overcome the difficulties that have been encountered in the country. On February 20, Rio Tinto finally announced an interruption in its mining operations following the cessation of operation of the Sena Railway Line, due to the destruction of the railroad caused by the floods.c

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EMPREENDER

Instituto Politécnico de Tecnologia e Empreendedorismo

Um computador que ‘pariu’ quatro empresas Faz sete anos que Eusébio Saíde desistiu de ser empregado e passou a empregador. Assim sendo, arregaçou as mangas e desafiou o mercado. O empreendedor, de 39 anos, começou a sua actividade apenas com um computador, mas hoje gere quatro firmas: a empresa de consultoria Viga, o Instituto Politécnico de Tecnologia e Empreendedorismo (IPET), a Alfaiataria IPET e a instituição de microfinanças Rise. Mestrado foi a fonte de inspiração

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udo começou em 2005, na vizinha África do Sul, quando Eusébio Saíde finalizou a sua formação no curso de mestrado em Gestão de Empresas e Emprendedorismo. Nessa altura, havia decidido transformar

o trabalho de fim-de-curso em realidade. A ideia passava por implementar uma empresa de consultoria mais vocacionada para empresas e organizações da sociedade civil que operam no mercado moçambicano.


Jovens Os jovens africanos devem saber transformar o pensamento em acção, porque sem isso não iremos a lado nenhum.

“Consegui tirar a ideia do papel, constituí a empresa de consultoria denominada Viga, que até hoje está em operação e lido com colaboradores permanentes que têm estado a trabalhar 24 horas por dia”, avançou o empreendedor com algum entusiasmo. Na verdade, foi a partir da empresa Viga que os demais empreendimentos foram surgindo nestes últimos sete anos. A seguir à Viga, Eusébio Saíde conta que se aventurou num instituto médio de formação, que, por sua vez, induziu ao nascimento de uma empresa de confecção de uniformes e a uma instituição de microfinanças. “Todo o trabalho desenvolvido, até ao momento, não representa sequer um terço dos meus horizontes como empreendedor”, avisou Saíde, prometendo trabalhar arduamente para que os empreendimentos cresçam ainda mais. O empreendedor promete construir um campo universitário e transferir as instalações do instituto do centro para o Bairro do Costa do Sol, na cidade de Maputo. Para além do campo, vamos construir residências para os docentes. Agora, estamos, na fase de concepção com os arquitectos, e não há números concretos, mas é óbvio que vamos investir alguns milhões de dólares, revelou Eusébio Saíde.

Dificuldades ultrapassadas

Eusébio Saíde recorda que teve de enfrentar uma forte burocracia para pôr a Viga a laborar. Os escritórios e o cumprimento de muitas exigências documentais apenas foram possíveis graças à boa vontade de alguns amigos ligados ao associativismo juvenil, que se mostraram disponíveis para colaborar a custo zero. Esta ajuda foi possível porque, durante a adolescência e uma boa parte da juventude, andei envolvido em iniciativas juvenis”, revelou. Ultrapassada a barreira burrocrática, Saíde criou cartões-de-visita e folhetos informativos para a Viga. Material que foi distribuindo pessoalmente

pelas diferentes entidades com instalações na capital do país. “É difícil imaginar o quão difícil e desgastante é entrar num mercado sem conhecer ninguém ou possuir algum ‘lobby’, que dê facilidades para desenvolver o trabalho, desabafou. A falta de ‘lobby’ e de conhecimento dos esquemas de inserção no mercado moçambicano fizeram com que a Viga apenas recebesse a primeira solicitação de prestação de serviços três meses após a sua constituição. Ou seja, em Junho de 2006. “O que me terá valido é que logo depois de conseguir assinar um contrato de prestação de serviços, no mês seguinte consegui outra consultoria. Daí até hoje não parei mais”, rematou.

A tentação dos 2.700 dólares

Durante os três meses tenebrosos, durante os quais a Viga não conseguia um contrato sequer de consultoria, Eusébio Saíde foi tentado com uma proposta de emprego numa Organização Não Governamental. A tentação foi de 2.700 dólares por mês, com direito a viatura e assistência médica e medicamentosa para si e sua família. Saíde vivia de arrendamento, no bairro da Malhangalene, em Maputo, e tinha uma esposa e um filho por sustentar. “A Viga estava a demorar a dar os seus frutos e eu precisava de dinheiro, mas recusei a proposta contra tudo e contra todos, pois até a minha esposa tinha-me encorajado a ficar com o emprego na tal ONG”, lembrou Saíde. No total, foram três meses infernais, sobretudo para um indivíduo que tinha contas por pagar, família por sustentar, mas que nunca desistiu.

Cultivando o sonho de inspirar jovens em África

Saíde, que é também docente universitário, revelou à revista Capital que o seu maior sonho é inspirar os jovens africanos a apadrinhar o empreendedorismo, “porque é possível vencer no

meio das dificuldades”. Hoje, o empreendedor Eusébio conta com cerca de 100 colaboradores nas quatro empresas que dirige e pensa em transformar o Instituto Politécnico de Tecnologia e Empreendedorismo (IPET) numa instituição de ensino superior. O Instituto de ensino técnico-médio começou a operar em 2009, mas já se encontra nas províncias da Zambézia, Nampula e Sofala, além da cidade de Maputo. E a ideia é expandir a instituição por mais províncias do país. Só nos últimos dois anos, o empreendedor investiu cerca de 2.7 milhões de meticais na aquisição de material diverso para a instituição. “Temos salas climatizadas e equipadas com meios modernos para um processo facilitado e actual de ensino-aprendizagem”, acrescentou Eusébio Saíde. Neste momento, a Alfaitaria e a Gráfica IPET – ambas a seu cargo - servem enssencialmente os interesses da escola. Ou seja, a continuidade em termos de negócios faz-se na produção de material gráfico diverso e de uniformes para estudantes e docentes. E o mesmo acontece em relação à Rise (instituição de microfinanças), que serve essencialmente para conceder crédito bonificado aos colaboradores das quatro empresas, tendo em conta as dificuldades de financiamento encontradas nos bancos comerciais da praça. Nós damos, no máximo, 100 mil meticais, porque é o que podemos dar, neste momento. Para já, estamos a financiar pequenos empreendedores e damos crédito ao consumo aos nossos colaboradores”, explicou. “Os jovens africanos devem saber transformar o pensamento em acção, porque sem isso não iremos a lado nenhum. Temos de pensar grande e só assim iremos longe. A maior parte dos jovens é especialista em teoria mas não consegue transformar dificuldades em oportunidades”, remata Eusébio Saíde, para quem é importante arriscar, mas arriscar com conhecimento.c

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ENTREPRENEURSHIP

A computer that ‘gave birth’ to four companies It is now seven years that Eusébio Saíde gave up his employment to become an employer. Thus, he “rolled up the sleeves” and challenged the market. The 39-year old entrepreneur begun his activities with just one computer, but he now manages four companies: Viga consulting company, the Technology and Entrepreneurship Polytechnic Institute (IPET), the IPET Tailor’s Workshop and Rise Microfinance Institution.

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Master’s Degree inspired him t all started in the neighbouring South Africa, in 2005, when Eusébio Saíde concluded his course of Master’s in Business Management and Entrepreneurship. At that time, he had taken the decision to turn his

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final thesis into a reality. The idea was to create a consultancy company which is more dedicated to companies and civil society organizations operating in the Mozambican market. “I managed to put the idea into practice. I established a consultancy company

called Viga, which is still operational, and I deal with permanent collaborators who have been working 24 hours a day”, the entrepreneur explained with some enthusiasm. In fact, the other undertakings emerged from the Viga Company over the past seven years. Following Viga, Eusébio Saíde explains that he ventured into a medium training institute which, in its turn, led to the creation of a uniform making company and to a microfinance institution. “All the work carried out so far does not represent a third of my horizons as an entrepreneur”, warned Saíde, promising to work hard in order to make the undertakings grow even more. The entrepreneur promises to build a university campus and move the institute from Centro to a new location in Costa do Sol township, in Maputo city. “In addition to the campus, we will build houses for the teachers. We are now in the design phase with the architects, and no concrete figures yet, but it is obvious that we will invest some millions of dollars”, revealed Eusébio Saíde.

Hindrances overcome

Eusébio Saíde recalls that he had to face a strong red tape to put Viga operational. Offices and meeting a number of documentation requirements were only possible thanks to the good will of some friends linked to young people’s associations, who were available to collaborate free of charge. “This support was possible because during my adolescence and large part of my youth I was involved in juvenile initiatives”, he stated. Having overcome the bureaucracy hindrance, Saíde made business cards and leaflets for Viga, which he personally distributed to different institutions based in country’s capital city. “It is hard to imagine how difficult and stressful it is to enter a certain market if you do not know anyone who can lobby for and facilitate your work”, he said. Lack of someone who can lobby for and lack of knowledge of the arrangements required to enter the market made Viga receive the first bid for service provision three months after its foundation, i.e. in June 2006. “The


advantage was that soon after having signed an agreement for rendering services, I had another consulting service in the following month. And from there on, I never stopped”, he concluded.

Cultivating the dream to inspire young people in Africa

The 2,700 dollars temptation

Saíde, who is also a university Lecturer, explained to the Capital magazine that his major dream is to inspire African young people to embrace entrepreneurship, “because it is possible to pull through in the midst of difficulties”. Today, the entrepreneur Eusébio has about 100 collaborators in the four companies he manages, and he is thinking of making the Technology and Entrepreneurship Polytechnic Institute (IPET) a High Education Institution. The Technical and Medium Training Institute begun its activities in 2009, but it is already operating in Zambézia, Nampula and Sofala Provinces, in addition to Maputo City. And the idea is to expand the institution to many other provinces in the county. Just in the last two years, the entrepreneur invested about 2.7 million meticals in the procurement of diverse material for the institution. “We have air-conditioned rooms and furbished with modern equipment for a facilitated and updated learning process”, added Eusébio Saíde.

During the three gloomy months, during which Viga could not get any consultancy contract, Eusébio Saíde was tempted with a proposal to work for a Non-Governmental Organisation. The temptation was of 2,700 dollars per month, including a vehicle and medical care for him and his family as fringe benefits. Saíde was living in a rented house in Malhangalene township, in Maputo, and had to take care of his wife and son. “Viga’s profits were taking long and I was in need of money, but I declined the proposal against all and everyone, for even my wife herself had encouraged me to take the offer in the said NGO”, recalls Saíde. On the whole, there were three gloomy months, above all for someone with bills to pay, family to look after, but who never gave up fighting.

Currently, the IPET Tailor’s Workshop and Print Shop – both under his management – essentially serve the school interests. In other words, continuity business wise is made through production of diverse graphical material and uniform for students and teachers. And the same happens in relation to Rise (the micro-finance institution) that serves essentially to grant low-interest loans to the collaborators of the four companies, in consideration of the funding difficulties that are there in the national commercial banks. “We grant up to 100 thousand meticals because this is all we can afford at this juncture. For now, we are financing small entrepreneurs and we grant consumer credit to our collaborators”, he explained. “African young people must be able to turn the thought into action, in the absence of which we will not move forward. We must think big, and only in doing so will we go further. The majority of young people are experts in theory, but they cannot turn difficulties into opportunities”, concludes Eusébio Saíde, according to whom one must take risks, however with knowledge.c

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Environment SUSTAINABLE DEVELOPMENT

Mozambican Biodiversity strengthened

CITES CoP 16 give ivory and rhino horn trade, sharks and timber a better protection

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critical wildlife trade meeting closed on Thursday in Bangkok, Thailand, with decisions from world governments to regulate the international trade in several species of sharks and timber, and to start taking action against countries doing little or nothing to stop the illegal ivory and rhino horn trades. Countries, on the final day of 16th meeting of the Conference of the Parties (CoP 16) to the Convention

Shark

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on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (CITES), capped the historic two-week meeting by deciding for the first time to initiate a process requiring countries most implicated in illicit ivory trade to clamp down on smuggling. Governments mandated China, Kenya, Malaysia, the Philippines, Thailand, Uganda, Tanzania and Viet Nam – the countries of highest concern in terms of their failure to clamp down on large-scale illegal ivory trade - to submit time-bound plans to deal with the problem in two months, and make progress before the next CITES meeting in summer of 2014. Under CITES rules, failure by those countries to take action could lead to a compliance process potentially resulting in sanctions being initiated. The treaty allows CITES to issue a recommendation that governments taking part in the treaty stop trading with non-compliant countries in the 35,000 species covered under the convention, from orchids to crocodile skins. “After years of inaction, governments today put those countries failing to regulate the ivory trade on watch,

a move that will help stem the unfettered slaughter of thousands of African elephants,” said Carlos Drews, WWF’s head of delegation at CITES. “The gains made to better protect species here in Bangkok are a major milestone.” “But the fight to stop wildlife crime is not over,” Drews said. “These countries will now be held accountable to these pledges, and must step up the urgency in dealing with the global poaching crisis that is ravaging our wildlife.” The decisions to better regulate the ivory trade this week came after Thai Prime Minister Yingluck Shinawatra on the opening day of the meeting announced she would shut down her country’s ivory markets. The prime minister’s pledge came after more than 1.5 million people signed petitions by WWF, Avaaz, and actor and conservationist Leonardo DiCaprio asking her to end the trading of ivory in Thailand. Governments also extended better protection to threatened rhinos by pledging to work against organized crime syndicates that are smuggling rhino horn through the black market by increasing penalties. In addition,


Com o apoio do WWF A informação, imagens e opiniões emitidas nesta página não reflectem necessariamente o ponto de vista do WWF Mozambique Country Office.

Get a mentor Ihictiunt audit hicae voloratem dolesec aeprae qui volorpos millest, cus volor audipici coria volut officimus velendel minihic aeceptatus auda is qui quas.

countries adopted a plan to reduce demand for illegal wildlife products like rhino horn, which is believed wrongly to be a miracle cure in Viet Nam. Nearly 700 South African rhinos were killed by poachers last year, and nearly 150 have died so far in 2013. Up to 30,000 elephants are lost to poaching every year. In Mozambique more than 2,500 elephants are reported to be killed in the last two years, most of them inside protected areas, especially in Quirimbas National Park, where WWF is engaged with the government to stop the alarming poaching scenario, not only of elephants, as well as rhinos. National and international media have been reporting in the last four years that intensive poaching of rhinos and logging is taking place in protected areas of Mozambique. According to the WWF Country Director in Mozambique, Helena Motta, the decisions from CITES are an important step toward a stronger protection of Mozambican biodiversity, that is being slaughtered with no clear action from the government. Meanwhile, the Rovuma Landscape project Coordinator, Roberto Zolho,

emphasised that the challenges now remain for the local governments, especially the government of Mozambique, to implement strict and punitive measures against the poachers. “The Government of Mozambique is once again called to introduce serious reform to its law enforcement sector which includes devolution of powers of arrest and court charge preparation, regulate its domestic market of processed ivory and coordinate with Public Prosecution sector for effective eradication of prevaricators.” Governments also reaffirmed the stronger protections for three species of hammerhead sharks, in addition to porbeagle sharks, oceanic whitetips sharks and two species of manta rays. The sharks and manta rays will be listed on CITES Appendix II, seeking to regulate their international trade at sustainable levels. “This is an historic moment, where science has prevailed over politics, as sharks and manta rays are being obliterated from our oceans,” said Carlos Drews, WWF’s head of delegation at CITES. “This decision will put a major dent in the uncontrolled trade in shark meat and fins, which

is rapidly destroying populations of these precious animals to feed the growing demand for luxury goods.” “These timely decisions to have trade in sharks and manta rays regulated by CITES show that governments can muster the political will to keep our oceans healthy, securing food and other benefits for generations to come – and we hope to see similar action in the future to protect other commercially exploited and threatened marine species, both at the national and international level,” Drews said.c

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ESTILO DE VIDA

Medjumbe, a Ilha dos Sonhos

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or de trás de pouco mais de uma dezena de ilhas do famoso Arquipelágo das Quirimbas, na província de Cabo-Delgado, estende-se a paradisíaca Ilha de Medjumbe. É das poucas ilhas não habitadas do arquipélago. Hoje, a ilha de Medjumbe transformou-se num dos destinos turísticos mais atraentes do norte de Moçambique. Juntamente com outras ilhas do Arquipélago das Quirimbas são 28 no total - a ilha tem sido alvo de visita, durante todo o ano, por parte de gente dos quatro cantos do mundo. Medjumbe tem a particularidade de ter sol de Janeiro a Dezembro, o que permite retirar todo o tipo de constragimento climatérico para se visitar a ilha, sendo que as águas do mar mantêm-se sempre agradáveis para a prática do mergulho e desportos aquáticos. Não é apenas uma porção de terra privada por ter sido concessionada a um grupo privado ligado ao investimento turístico, mas é também

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privada porque garante a privacidade e tranquilidade dos seus hóspedes. Medjumbe tem a capacidade de provocar uma amnésia instantânea a todos os que por lá passam, fazendoos esquecer dos problemas do dia-a-dia e até da maldita crise que desgraça o mundo. Distando, de voo, a cerca de uma hora da cidade capital da província de Cabo-Delgado, a ilha de Medjumbe permite aos seus visitantes desfrutarem da irresistível paisagem, composta por praias cristalinas. Chegados a Medjumbe, não resta mais nada a não ser relaxar e esquecer a correria do dia-a-dia. Digo chegados, porque não é um local que se possa ir sem um(a) acompanhante. É um desperdício eternamente imperdoável visitar a ilha desacompanhado e não poder gozar da privacidade que o local pode oferecer a um casal. Com ou sem companhia, o visitante não ficará preso ao “chalet” do Resort, nem ao restaurante, nem ao bar que, na ilha, estão para servir os turistas

Ilha de Medjumbe, no arquipelágo das Qurimbas

o que há de melhor em gastronomia local e assimilada. Visitar Medjumbe e não desfrutar da paisagem é um crime de lesa majestade. Tudo porque o espírito da ilha está na sua paisagem. Na sua areia branca e na água azul e cristalina que a envolve. A beleza de Medjumbe reside nos corais, nas conchas, nos habitates de caranguejos, no cântico dos pássaros, sem esquecer a diversidade de peixes que o grupo Rani Resort ajuda a preservar na ilha e que é de fácil visibilidade, devido à limpidez das águas. Por ser uma pequena ilha, o passeio à sua volta dura aproximadamente uma hora. Agora, o passeio de barco não tem limites espaciais e temporais, permitindo ao visitante deliciar-se na biodiversidade marinha da ilha, que, a propósito, está situada numa Reserva Marinha. É a norte do parque nacional das Quirimbas onde se encontra alojada a Ilha Medjumbe, um lugar de sonho para muitos moçambicanos, sulafricanos, italianos, britânicos e norte-americanos.c


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ESTILO LIFE STYLE DE VIDA

Medjumbe, the Island of Dreams

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n the back of just over a dozen islands of the famous Quirimbas Archipelago in the province of Cabo Delgado, there is the paradisiacal Medjumbe Island. It is one of the fewest uninhabited islands of the archipelago. Today, Medjumbe Island has become one of the most attractive tourist destinations in the northern Mozambique. Along with other islands of the Quirimbas Archipelago – there are 28 islands in total - the island has been the target of visiting throughout the year by people from around the world. It should be pointed out that Medjumbe has the particularity

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of having sun from January to December, which allows the removal of all kinds of climate constraints for one to visit the island, and the waters of the sea always remain nice for diving and water sports. It is not just a portion of private land for having been granted to a private group linked to tourism investment, but it is also private because it ensures privacy and tranquility of its guests. Medjumbe has the ability to cause instant amnesia to all who go there, making them forget the day-today problems and also the dirty crisis devastating the world. Located, by flight, at about an hour from the capital city of the province of Cabo Delgado, Medjumbe Island

allows its visitors to enjoy the overwhelming landscape consisting of pristine beaches. Once you have arrived at Medjumbe Island, there is nothing else left but to relax and forget the dayto-day rush. I say once you have arrived there because it is not a place for one to go alone without a companion. It would be an eternally unforgivable waste of time to visit the island alone and not be able to enjoy the privacy that the site can offer to a couple. With or without a companion, the visitor will not be attached to the “chalet” of the Resort or to the restaurant or bar on the island; the tourists are to be served the very best in local cuisine and assimilated. Visiting Medjumbe and not enjoy the landscape would be a lese-majesty crime. This is due to the fact that the spirit of the island is in its landscape. It is in its white sand and crystal blue water that surrounds it. The beauty of Medjumbe resides in its corals, shells, habitats of crabs, the singing of birds, not to mention the diversity of fish that the Rani Resort group helps to preserve on the island and which is easily visible because of the clarity of the waters. For being a small island, the tour lasts for about an hour. Note that the boat ride has no spatial and temporal boundaries, allowing visitors to indulge in the marine biodiversity of the island, which, incidentally, is situated in a Marine Reserve. It should be said that Medjumbe Island is located in the north of the Quirimbas National Park, a dream place for many Mozambicans, South Africans, Italians, British and Americans.c


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Revista capital_nr.63