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Anabela Reis1, Joana Mendonça1 e Ana Cristina Barros2 1 Centro de Estudos em Inovação, Tecnologia e Políticas de Desenvolvimento, IN+, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa 2 INESC TEC, Campus da FEUP

A quarta revolução industrial, ou Indústria 4.0, está na origem de transformações significativas em diversos setores industriais (Roblek et al., 2016). O crescente uso de tecnologias digitais permite automatizar os processos produtivos, exigindo por isso trabalhadores cada vez mais qualificados, capazes de acompanhar esta mudança tecnológica, em especial nas áreas do software e das tecnologias de informação e comunicação (TIC). A incorporação de tecnologias digitais está aumentar o ritmo de mudança no mercado laboral através da destruição e criação de postos de trabalho no tecido industrial, levando a uma diminuição de trabalhadores de baixas qualificações, e ao aparecimento de novas ocupações e competências (WEF, 2017). Neste contexto, interessa perceber como é que o perfil de ocupações na indústria acompanha esta mudança de paradigma tecnológico. Neste artigo, pretende dar-se uma perspetiva global sobre a evolução das ocupações nos setores industriais em Portugal, contribuindo para o debate sobre o impacto da Indústria 4.0 na competitividade global da indústria portuguesa.

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Evolução das competências numa era digital

Figura 1. Evolução do perfil de ocupações profissionais em Portugal de acordo com a classificação portuguesa das profissões a 2 dígitos (com a exceção das profissões das forças armadas), de 2010 a 2015.

A industrialização conduz a melhor desempenho económico, empregos com maior remuneração e, consequentemente, a uma maior resiliência socioeconómica. Deste modo, países e regiões mais industrializados têm uma maior capacidade de adaptação a mudanças e choques tecnológicos, políticos e do mercado competitivo (Simmie and Mar-

tin, 2010). Em contextos de mudança tecnológica, o capital humano é fundamental, uma vez que o conhecimento está incorporado nas pessoas, que consistem em si numa base competitiva para empresas e regiões (Teece, 1998). Para além disso, investimentos em capital humano, nomeadamente através da despesa em educação e formação profissional,

podem explicar a vantagem competitiva dos países mais avançados (Schultz, 1961). A investigação conduzida por Hidalgo and Hausmann (2009) sugere que mudanças na estrutura industrial de um país são o resultado da acumulação da capacidade de produzir novos produtos com base em diferentes combinações de recursos disponíveis. Segundo estes autores, as diferenças de desempenho económico de países podem ser explicadas pela complexidade económica da sua base industrial, medida pela diversidade de capacidades produtivas. Assim, países com bases industriais mais diversificadas produzem produtos mais complexos, o que mitiga riscos e melhora a capacidade de inovação (Amsden, 2001; Berger, 2005). Uma possível explicação para as diferenças entre produtos internos brutos (PIB) de países reside no facto de algumas das atividades individuais decorrentes da divisão laboral, tais como direitos de propriedade intelectual, regulação, infraestrutura e competências laborais específicas, não poderem ser importadas (Berger and MIT Task Force on Production in the Innovation Economy, 2013). Isto significa que os países precisam necessariamente de as ter localmente disponíveis para poder produzir determinados produtos de maior complexidade. A nossa investigação mostra, através de evidência recolhida em entrevistas com empresas em diferentes setores industriais, que muitas empresas em Portugal ainda não dispõem de sistemas de informação integrados para monitorização das suas operações. Isto significa que, por exemplo, quando um fabricante emite um pedido para o fornecimento de determinado componente, o fornecedor que recebe o pedido comunica ao fabricante a nota de encomenda, número de transporte e número de dias esperado para a entrega por email. Esta informação é posteriormente introduzida pelo fabricante numa plataforma online. Contudo, sempre que é necessário saber a localização da encomenda, o fabricante

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Revista Robótica 110  

Revista técnico-científica de automação, controlo e instrumentação.

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