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discussão de caso

Manejo de um adenocarcinoma de endométrio

Foto: Divulgação

Ficha do paciente: Identificação:

V.M.S.N

Sexo:

Feminino

Idade:

68 anos

Neoplasia:

Adenocarcinoma de endométrio

Apresentação: A paciente V.M.S.N, de 68 anos, branca, iniciou quadro de “spotting” esporádico com

Andrew Sá * Oncologista clínico pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) e membro do corpo clínico do Acreditar, Grupo Oncologia D’Or

Foto: Divulgação

andrew.nunes@grupoacreditar.com.br

Oncologista: Diante desse cenário, três aspectos merecem ser destacados do ponto de vista cirúrgico: o

Bruno Sarmento * Cirurgião oncológico do Acreditar, Grupo Oncologia D’Or bruno.sarmento@grupoacreditar.com.br

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evolução de três meses. Procurou um ginecologista que, ao exame físico, não percebeu anormalidades e indicou vídeo-histeroscopia. Foi realizada uma biópsia de endométrio que revelou adenocarcinoma endometrioide grau II. Foi imediatamente encaminhada para avaliação com cirurgião oncoginecologista. Os antecedentes patológicos da paciente eram obesidade grau I (IMC de 33,05Kg/m2), HAS controlada com monoterapia há 15 anos, treze procedimentos cirúrgicos abdominais – seis herniorrafias, três bridas, um volvo, uma apendicectomia e duas cesarianas. Era G3P2A1 e relatava menopausa há cerca de 18 anos. Estadiamento sistêmico com tomografias de tórax, abdome e pelve não mostrou doença à distância. Foi realizada uma histerectomia total abdominal, salpingo-oforectomia bilateral, linfadenectomia pélvica e paraórtica e omentectomia. Lavado peritoneal também foi coletado. Laudo histopatológico revelou se tratar de um adenocarcinoma de endométrio endometrioide grau 1, com mais de 50% de invasão do miométrio, sem invasão linfovascular. Todos os linfonodos isolados, assim como omento e líquido peritoneal, estavam livres de comprometimento neoplásico. Sendo assim, o estadiamento cirúrgico foi pT1b. No terceiro PO, a paciente evoluiu com síndrome obstrutiva – vômitos, distensão abdominal e constipação. Exames de imagem de urgência foram sem anormalidades marcantes. Assim, foi novamente abordada cirurgicamente. Visualizado sangramento em sítio de linfadenectomia pélvica à esquerda, que foi prontamente hemostasiado com sucesso. A paciente apresentou boa evolução e teve alta em 72 horas.

papel das linfadenectomias pélvica e retroperitoneal sistemáticas no câncer de endométrio inicial, a cirurgia minimamente invasiva e as complicações pós-operatórias. A metanálise publicada por Frost at al. em 2015 avaliou 1.851 mulheres quanto à realização da linfadenectomia e sem linfadenectomia e não demonstrou diferenças em risco de morte (HR 1,07; IC 95%: 0,81-1,43). O estudo de Panici at al. em 2008 não relatou diferenças em sobrevida global entre as mulheres submetidas à linfadenectomia e aquelas que não sofreram linfadenectomia em relação à idade (HR 1,17; IC 95% 0,562,46 se idade superior a 65 anos; HR 1,21; IC 95% 0,54-2,72 se 65 anos de idade ou menos) nem quanto ao risco de recorrência da doença entre mulheres envolvidas na análise (HR 1,23; IC 95% 0,96-1,58). Ao longo dos últimos 10 a 15 anos, houve uma disseminação da laparoscopia para câncer de endométrio inicial. Em 2012, Galaal at al. divulgaram uma metanálise com três estudos que avaliaram 359 participantes quanto à sobrevida global de acordo com as vias de acesso aberta e por laparoscopia, e não encontraram

julho/agosto/setembro 2017 Onco&

Onco& Ano VII - Ed. 36  

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