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CARTA AO LEITOR

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“Eu escavo a casca do impossível até achar o possível lá dentro”. Esta inspirada frase de Carlos Drummond de Andrade poderia estar grafada nas portas ou nos cartões de visita de todos os profissionais dedicados a tornar melhor a vida das pessoas. Tornar melhor a vida das pessoas – objetivo maior e para o qual todas as profissões, habilidades e competências humanas deveriam dirigir-se justamente por serem... humanas. Escavar a casca do impossível: lutar contra as adversidades, sobreviver às contrariedades, resistir às desesperanças e suportar as desilusões. Com inteligência. Com vitalidade. Com otimismo. Com criatividade. Achar o possível: saber encontrar-se; saber-se humano e saber-se capaz, humanamente capaz, de se redescobrir ou de se reinventar, apenas falando... ouvindo... pensando. Com essa crença – a crença de que se escavando o impossível podemos achar o possível lá dentro –, a Revista Fale Mais Sobre Isso nasce em Uberlândia com o intuito de ser um importante veículo de comunicação entre os profissionais da Psicologia e entre esses e a sociedade em geral. Se é conversando que a gente se entende, esta revista pretende ser um espaço democrático, responsável e de qualidade por meio do qual os psicólogos – e demais profissionais, direta ou indiretamente, ligados ao universo da saúde mental – possam trocar experiências, divulgar seus trabalhos, apresentar suas idéias, demonstrar suas importâncias e oferecer seus serviços. Oferecer seus serviços? Sim. Toda edição da Revista Fale Mais Sobre Isso apresentará um Guia de endereços e telefones ao qual as pessoas interessadas em serviços ligados à saúde mental poderão recorrer quando sentirem necessidade dos mesmos. Considerando que o mercado profissional não existe de forma independente ao que dele fazemos, importa aos profissionais da saúde mental – e, em especial, aos psicólogos de Uberlândia e região –, a existência de um veículo de comunicação por meio do qual as suas valiosas atuações possam ser divulgadas e conhecidas pelo grande público. A Psicologia, as ciências Psi e todas as ciências e práticas ligadas ao universo da saúde mental já ocupam um lugar de destaque nesse século que, por ora, apenas se inicia e é considerado o século do conhecimento. Se assim o é, Uberlândia e região passam, agora, a contar com um poderoso instrumento de divulgação das potencialidades terapêuticas das áreas do conhecimento humano comprometidas com o mais louvável dos objetivos das ciências: tornar melhor as vidas das pessoas. Se é escavando a casca do impossível que podemos encontrar o possível lá dentro, é chegada a hora de nos doarmos a esse exercício. Conhecimentos salvam vidas e é a partir desta crença que nos esforçaremos para esta revista chegar a todos os cantos e recantos dessa nossa região privilegiada pela presença de excelentes profissionais comprometidos com a saúde de todos. Se, como certa vez disse Freud, poetas e filósofos, antes dele, já haviam descoberto o inconsciente, é hora, agora, de nossos conterrâneos descobrirem as Psicologias, as ciências e todas as práticas que lidam com o psiquismo humano. Escavando o impossível e achando o possível lá dentro. Portanto, falemos mais sobre isso. Falemos muito. Falemos todos. Falemos... sempre!

Coordenador

Leonardo Abrahão Diagramação e Arte

Osvaldo Guimarães A Psicologia, as ciências Psi e todas as ciências e práticas ligadas ao universo da Saúde Mental mudam e salvam vidas. Nosso objetivo é, democraticamente, falar mais sobre isso e divulgar ao máximo os profissionais dessas áreas. Dessa forma, todo o conteúdo da Revista Fale Mais Sobre Isso nos ajudará nessa tarefa – assim como os debates, as conversas, as controvérsias e a muito bem vinda participação dos leitores. Leia-nos. Escreva-nos. Sua participação nos felicita e engrandece! Contato comercial: (34)99661835 revistafalemaissobreisso@yahoo.com.br

SEÇÕES CARTA AO LEITOR................................... 3

DEPOIMENTOS......................................... 10

PSI’s................................................................ 4

SAIBA MAIS............................................... 12

ENTREVISTA............................................... 5

GUIA DE PSICOLOGIA DE UBERLÂNDIA

CONHEÇA MELHOR................................. 8

E REGIÃO................................................... 13 Fale Mais Sobre Isso 3


Maconha pode acelerar manifestação da Esquizofrenia É o que concluem pesquisadores australianos após uma revisão de 83 estudos, envolvendo 8.167 pessoas com doenças psicóticas (como a esquizofrenia) que usavam maconha e 14.352 que não tinham o mesmo hábito. Matthew Large, um dos responsáveis pela pesquisa, afirma que entre os jovens usuários de maconha a doença aparece em média 3 anos antes do que entre aqueles que não são usuários da droga. O Dr. Christoph U. Correll, do Zucker Hillside Hospital (EUA), defende que a maconha causa transtornos psicóticos apenas naqueles que já possuam uma pré-disposição à doença. Alerta ainda, que em alguns casos de pessoas que possuem pré-disposição a transtornos psicóticos, a doença pode nem vir a aparecer sem o uso de nenhum tipo de substância psicoativa ilícita. Fonte: Portal Boa Saúde Uol.

PSI’s

VOCÊ SABIA QUE... ...pessoas que possuem convênio médico têm direito à sessões de psicoterapia? De acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), todas as pessoas que possuem plano de saúde complementar (convênio médico) têm direito a um número entre 12 e 40 sessões de psicoterapia por ano com psicólogos conveniados. ...a psicoterapia pode ser mais útil do que você imagina? Incontinência urinária, dores de cabe-

O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo

ça, medos incontroláveis ou inexplicáveis, ansiedade, insônia, gastrites, ciúmes exagerado, insegurança no trabalho ou no relacionamento, lutos intermináveis, falta de apetite, obesidade, auto-estima baixa, traumas de infância, dores no peito, dificuldades com o corpo, tiques nervosos, fantasias sexuais, impotência sexual, pensamentos incontroláveis, angústias ou crises existenciais, dúvidas profissionais, seleção de pessoas, problemas escolares, sentimentos torturantes de culpa e tristezas sem fim podem ser trabalhados por psicólogos especializados.

Quando a mente está pensando, está falando consigo mesma Platão

Clarice Lispector

Existo onde não penso Freud

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Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana Carl Gustav Jung


entrevista

Jorge Pfeifer Costa Jorge Pfeifer Costa é psicólogo há 34 anos, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Marcos, hoje Universidade São Marcos, em São Paulo. É credenciado pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, como Supervisor Clínico, Empresarial e Educacional e desenvolve esse trabalho em supervisões clínicas e afins em Uberlândia / MG. Possui formação especializada em terapias de múltiplas abordagens e especialização didática em Psicanálise pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É escritor, articulista em revistas e jornais de Uberlândia, debatedor em programas ligados à Psicologia e palestrante em áreas ligadas ao mercado de trabalho e educação. Foi o fundador do CESMU – Centro de Estudos de Saúde Mental de Uberlândia, hoje extinto e exerce o seu trabalho clínico e social nessa cidade. A entrevista – que nos foi concedida na bela residência em que Jorge mora com sua muito simpática esposa – ocorreu em meio ao excelente bom humor e a inesgotável solicitude desse importante pioneiro da Psicologia em Uberlândia. Foram bons ventos os que o trouxeram para cá e melhores ainda os que o mantiveram-no por aqui. Sua prática profissional e as suas colaborações com jornais, revistas e programas de televisão têm contribuído, há três décadas, para o crescimento e o fortalecimento da Psicologia em nossa região. Para nós, é uma imensa honra tê-lo como o primeiro entrevistado da Revista Fale Mais Sobre Isso – o primeiro de todos os grandes profissionais que iremos entrevistar! Então, conte-nos Jorge, conte-nos como tudo isso começou...

Por quê a opção pela Psicologia? O que nos leva a fazer um curso de psicologia? Eu também passei por esse questionamento e isso acontece quando somos jovens, desejamos muitas coisas, mas temos algumas dificuldades em nos fixarmos em nossas decisões. Eu cursava Administração de Empresas, gostava de algumas coisas mas achava que alguma coisa de minha personalidade e natureza estava fora de lugar. Interrompi o curso e fui tratar do meu desentendimento comigo mesmo. Penso que a primeira motivação para estudar Psicologia é nos conhecermos melhor e entender como nos relacionamos com as pessoas a nossa volta. Quando entendemos a razão das nossas tristezas e insatisfações, aprendemos a lidar com os nossos conflitos reais ou imaginários e nos fortalecemos para enfrentar os nossos desafios. Na medida que buscamos ajuda psicológica, passamos a nos entender e ao outro e encontramos formas de lidar com nossos sentimentos de amor, ódio com pessoas que nos aceitam ou nos repudiam, que representam a nossa experiência afetiva, sexual e que de alguma maneira fazem parte do nosso crescimento. É nesse contexto que nos descobrimos sozinhos em um mundo, sem referências e sem garantias, o que nos leva a tomar as nossas próprias decisões. A busca de uma ajuda psicológica nos leva a acreditar e confiar no nosso poder de fazer mudanças e reduzir nossos conflitos. Esse personagem que nos acompanha e nos fortalece, mas também nos coloca diante da nossa verdade, é o psicólogo. O psicólogo é o personagem que não conhecemos, que não se revela, mas em quem aprendemos a confiar para enfrentar e resolver as nossas neuroses cotidianas. Como o psicólogo pode operacionalizar essa ajuda? Pela atenção flutuante e pela neutralidade, onde nenhuma decisão possa ser tomada sem a compreensão do seu cliente.

Nesse desconhecimento mútuo, como fica a cabeça do psicólogo? Fica bem. A escuta é basicamente o início do conhecimento. O profissional não tem julgamentos prévios e tudo que o paciente disser vale como uma leitura, ainda incompreensível das necessidades do consultante. A partir daí, os vínculos podem, ou não, serem criados. Em última instância, o que o paciente traz é uma dúvida: “O que eu faço com essa situação e com os problemas que encontro para resolvê-los?”. Todas as suas necessidades, sentimentos e conflitos são lentamente levados ao profissional. Seus medos e desejos e sua necessidade de sobreviver a tantos sentimentos de rejeição, de auto-estima ou desvalorização, de trair, de ter filhos drogadictos, de ser homossexual ou mesmo de usar drogas, de amor ou ódio por algumas pessoas, pela família, esposa e tantas incompatibilidades cotidianas. São sentimentos que existem nos relacionamentos que, quando chegam a um dano emocional, precisam ser trabalhados e superados. O que buscamos em uma terapia de abordagem psicanalítica, holística, comportamental, etc., é nos conhecermos em questões que carregamos vida à fora e que, de alguma maneira, foram deixadas de lado ou deslocadas para não serem enfrentadas e resolvidas. É através desse longo processo que descobrimos as nossas partes boas e más, coisas que são sinal e sintoma de nosso ego fragilizado. Um bom terapeuta deve fazer sua própria terapia ou análise. Se não o faz, certamente terá dificuldade em lidar com o que ele é e quem é o outro. Eu sempre digo que o paciente se traz e se leva. Quando ele melhora ou fica bem com as coisas dele, ele se dá alta e diz “eu já me resolvi”, aí o terapeuta vai dizer “bom, se

você achar que ainda precisa resolver alguma coisa, me procure e venha para conversarmos novamente sobre isso”. Tem mais uma coisa que acho positiva: depois que Freud colocou em evidencia a psicanálise, muitas pessoas, como dissidentes, admiradores, questionadores ou polemizadores do trabalho dele, desenvolveram aquilo que chamamos de terapias alternativas. Depois de Freud, apareceram muitos outros teóricos de abordagem psicoterápicas que não são psicanálise, mas são altamente benéficas dependendo do quadro clínico de

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cada paciente. Para você oferecer uma terapia a um paciente, torna-se importante você avaliar clinicamente esse paciente. Um bom diagnóstico facilita o trabalho. Se a pessoa chega e diz “eu quero fazer psicanálise, eu quero um divã e isso e aquilo”, você deixa ela colocar o que ela quer. Essas abordagens terapêuticas são facilitadoras também da grande abordagem do inconsciente do sujeito. Logo, têm uma orientação freudiana que coloca no sim ou do não a questão do posso ou não posso, sou ou não sou, quero ou não quero que fazem parte da vida e do conflito desse paciente neurotizado. Freud não trabalhava com psicóticos. Entretanto, era também um facilitador. Na técnica da “atenção flutuante”, talvez esteja o seu poder de observação sobre o inconsciente reprimido do seu paciente. No caso do pequeno Hans, que é um menino que ele nunca viu, a não ser quando ficou adulto, ele tratava o menino através do pai. Olha o brilhantismo dele de tentar no discurso do pai sacar o que estava sendo mandado através da conduta do menino. Um outro caso muito sério e que até hoje eu admiro muito é o do Schreber, um juiz onipotente, prepotente, quase psicótico no sentido mais explícito da palavra que, como se ele fosse um enviado de Deus, pudesse administrar à revelia qualquer coisa, por que tinha em suas mãos o poder e a lei. Além disso, tem as histórias bonitas dos sonhos do homem dos lobos, aquela confusão toda que o Freud elucidou, explicou, mas que muita gente ainda tem dificuldade em engolir. O Freud dizia “não subestimem a inteligência do seu paciente – na sua mentira existem verdades que ele não quer aceitar”. É preciso devolver o sujeito para a sua história, para que ele veja os prós e os contras daquilo que é a razão da sua própria neurose. Por quê muitas terapias duram muito tempo? O tempo da análise é o mesmo das resistências. O Sr. diz, então, que a técnica é levar o sujeito a ressignificar as questões que ele traz? Exatamente. Fazê-lo contar a história dele do jeito que ele pode. Por exemplo: o Freud pede para o paciente contar o sonho de novo, por que não ficou muito claro, e, cada vez que o sujeito conta, um elemento novo surge na narrativa. Quando o analista o questiona “mas você não falou isso por quê?”, e o paciente responde “ah, por que isso não tem nada a ver”, ao que o analista responde “isso não tem 6 Fale Mais Sobre Isso

nada a ver, mas você se lembrou disso”, então o Freud coloca a dúvida do sujeito em relação à própria tomada de decisão sobre alguma coisa da qual ele não quer falar. O bom terapeuta deve ser um facilitador. Existem pessoas que vem ao meu consultório, se deitam no divã e dizem “por favor, converse um pouco comigo, por que eu já tive com outros analistas que não falam nada e eu me sinto muito abandonado. Se eu já tenho problemas, por quê ele faz isso comigo?”. Eu respondo “por quê você não conversa com ele?”. Ele responde “ah, eu falei com um ou com outro e ele falou ‘sei’, mas não me disse nada”. E eu coloco “mas o que você queria que eles lhe dissessem?”.

O paciente “que ele está tentando me entender”. Eu respondo “mas como você pode dizer que ele não está tentando te entender? Ele está deixando você falar. Se ele não fala, não é porque não se interessa e sim para que você ouça a sua própria fala. Se você é capaz de se ouvir melhor, você pode compreender o seu problema”. Nesse trabalho de terapias alternativas a gente tem um ganho que é a forma de você lidar com o sujeito, frente a frente, e trabalhar a angústia dele, a dificuldade dele, a curiosidade dele, o desejo dele de controlar, dele sacar que tipo de aprovação ou desaprovação você está tendo no seu olhar, ou seja, aquilo que é controle do sujeito sobre a relação estabelecida entre ele e o terapeuta. Mas isso tudo vai se diluindo dentro do próprio processo. Quanto mais receptivo ou mais tranqüilo está o terapeuta com esse sujeito que conta e desconta, que muda daqui e troca de assunto e tudo mais, mais ele vai se sentir mais a vontade para voltar para a história dele. Com isso, você trabalha com o privilégio de dar ao paciente uma oportunidade de ouvir essa história que ele não conta bem nem para si mesmo por que ele não a entende. Contudo, há pacientes que se colocam como um objeto nas mãos dos terapeutas, como um objeto nas mãos de um profissional à espera de uma intervenção objetiva, pragmática, utilitarista e imediatista... De uma forma idealizada e fantasiosa, pensando que você tem o segredo, que você tem a solução pra vida dele. E isso é perigoso. Se ele encontrar um terapeuta

mal formado, onde a contratransferência está presente, a terapia deixa de ser o que é para tornar-se um trabalho de aconselhamento solidário. E o paciente fica esperando que o terapeuta aja como um amigo... Exatamente. Fica esperando que o terapeuta se torne um personagem idealizado e não o sujeito da neutralidade. Esse não é o papel do terapeuta. O terapeuta deve ajudá-lo a pensar e a lembrar-se que ele não é coisa e nem objeto... E também o fazendo aceitar que se algo aconteceu no passado quando ele era uma criança frágil e dependente, por que isso o incomoda hoje em sendo adulto? Por que ele continua trazendo conflitos infantis para a vida adulta e projetando isso nas relações adultas que ele constrói? Como o Sr. enxerga o paralelo entre a subjetividade da Psicologia e o pragmatismo/a objetividade das ciências médicas em um momento, como o que estamos vivendo, em que os médicos possuem a pretensão de exercer controle sobre tudo por meio de uma legislação como a do “Ato Médico”? Vamos pensar que o discurso médico é o discurso da onipotência. Na medida em que eles são treinados a dissecar um corpo sem vida, muitos se sentem aptos a invadir um território em que podem manipular a vontade. Só que no psiquismo isso não é possível. O psiquismo tem uma característica que o Freud deixou bem claro: tem aquilo que é consciente e aquilo que é inconsciente. Coisa que não tem registro em computadores, nem através de radiografias. Então, tudo aquilo que eles não podem controlar eles negam como ciência. Isso se dá em função da própria ausência de privilégios que o homem tem pra dominar tudo, então, ele, naturalmente, o controla, ou imagina que ele pode fazer e que o outro não. São coisas muito mais ligadas ao poder e a pretensos privilégios do que à razão. Eles dizem que a psicologia ou a psicoterapia são achismos e que a medicina é ciência por que poderia ser feita e refeita sem grandes erros. Isso nem sempre é verdade. Até na hora de se fazer uma pesquisa em grandes laboratórios, existem variáveis que interferem no resultado – as chamadas variáveis intervenientes, em que até uma lufada de ar ao abrir de uma janela pode mudar o resultado.


Imagino que, ao longo da sua carreira, o Sr. Já tenha tratado e ouvido muitos médicos... Eu tenho, ainda, pacientes médicos. O Sr. consegue enxergar esse contraste entre a formação e a realidade que os médicos vivem, e que traz a angústia contrária à formação onipotente que recebem? Sim. A grande dificuldade é lidar com a perda dessa onipotência para se tornarem humanos. Por falar em médicos, nós sabemos que existem psicólogos e psicanalistas radicais contrários a qualquer medicação. E existem também aqueles mais flexíveis que pedem suporte à medicação. Qual é a sua posição? Eu peço suporte. A minha posição é essa. Se o discurso do sujeito se torna incoerente, ou ele está muito agitado, ou se não consegue dormir, ou muito agressivo, ele precisará, naturalmente, de um tranqüilizante. Eu recomendo que ele procure um clínico geral ou até um psiquiatra se for o caso, dependendo dos sintomas que ele apresenta. Se eu não posso medicar, encaminho o paciente a outro profissional. Eu respondo “olha, rapaz, o remédio eu não dou. Você deverá procurar um clínico geral, vai explicar para ele o seu caso, e ele vai ver se realmente é caso de medicação ou não”. O paciente pode dizer “mas o Sr. é Dr.!”. Eu digo: “Sim, mas eu não posso medicar. Eu sou psicólogo”, e fecho isso, não digo boicotando o paciente. Assim explico para ele que existem limites até para você atendê-lo e que não são aqueles que ele quer. Ontem mesmo me telefonou uma senhora dizendo que queria fazer uma consulta comigo, mas que queria também um atestado para ela ficar pelo menos uma semana afastada, pois não estava conseguindo dormir. Eu disse a ela: “eu nem conheço a senhora e a senhora já está me pedindo um atestado? Sinto muito, mas acho que a senhora deve procurar um médico, pois se for caso de insônia e precisar, ele vai atendê-la”. Existem esses pacientes que trazem o diagnóstico no bolso para te convencer a aceitar o jogo neurótico deles, uma maneira de monopolizar tudo para não se fazerem responsáveis. Agora, todas essas coisas acontecem pela experiência e pelo discurso. Se você não quer jogar, ele continua o trabalho terapêutico ou te abandona. Como foi o início da sua experiência profissional em Uberlândia? Eu estou aqui há 30 anos, com forma-

ção em São Paulo, e eu comecei fazendo um monte de coisas dentro da psicologia: acompanhando escolas, orientação vocacional, fiz também testes psicológicos, essa coiserada toda, orientação de professoras, palestras em instituições e coisas básicas de modificação de comportamento. Depois, eu mudei para o setor de clínica quando começaram a aparecer os casos “mais graves” e as neuroses estabelecidas. E isso foi a construção de uma identidade profissional dentro de Uberlândia quando não tinha quase ninguém trabalhando em Psicologia. Um ano mais tarde começaram a aparecer os novos formandos da UFU. Alguns vieram pra mim, muitos até, fizeram terapia comigo e com outros colegas profissionais que se mudaram para cá. Então nós somos referenciais de um início da psicologia em Uberlândia como atuação. E acho que foi uma coisa muito positiva, por que aprendemos o que podíamos fazer dentro dessa realidade.

O Senhor atendeu a muitos psicólogos e psicanalistas? Não escolhemos clientes. Muitos colegas psicólogos estiveram comigo e eu também já fiz terapia e análise. Todo terapeuta deve buscar ajuda quando suas dificuldades pessoais interferem no se u trabalho. O terapeuta deve ser uma pessoa despojada dessa onipotência de tudo resolver. É preciso haver essa permeabilidade entre o profissional e aquele que o dá suporte tanto quanto do profissional com o seu paciente que chega, naturalmente, em crise. Eu me lembro de história de uma pessoa que me colocou a seguinte coisa: nós estávamos fazendo especialização em psicanálise e uma menina conta que ela estava com uma paciente que achava muita dificuldade em cuidar da mãe doente, da mãe que precisava muito dela. Uma noite, com uma chuva danada, a moça ligou em prantos dizendo que a mãe estava muito mal e que ela não sabia o que fazer e que precisava muito que a terapeuta desse suporte para ela e se possível para mãe dela também. A terapeuta disse que não poderia ir e que no horário dela, no dia seguinte, conversariam. Aí ela vira e pergunta para o nosso analista supervisor se aquilo estava certo, se aquilo era o que ela deveria fazer já que não podia misturar amizade com trabalho. O supervisor

olhou para ela e perguntou: “Fulana, o que você gostaria de fazer? Qual era o seu desejo?”. Ela disse: “meu desejo era de correr lá e ajudá-la!”. O supervisor retrucou: “E por que não foi?? Olha, vocês são muito teoria, vocês precisam deixar as teorias no lugar que elas estão lá nos livros escritos, aprender o que é possível e o que não é possível, mas também trabalhar os seus sentimentos em uma situação como essa”. Ficamos em silêncio, envergonhados, mas aprendemos mais uma lição. Assumir nossos sentimentos sem nos sentirmos culpados. Em uma outra supervisão ele nos diz: “Falamos e tratamos tanto de neuroses, mas eu gostaria que vocês me respondessem o que é neurose para vocês?”. Começamos a responder “ah...neurose, segundo isso, segundo aquilo...”, arranjamos mil teóricos para falar de neurose, e o supervisor ironizou e tirou o maior sarro com a cara da gente, “que brilhantismo! Vocês são realmente intelectuais dos livros, da tecnologia, e tudo mais...mas, gente, o que é neurose? Como é possível tratar de uma coisa que não sabem o que é?”. Silêncio. Alguém se atreveu a perguntar “se tudo isso não é neurose que a gente aprendeu tanto aqui e em outras escolas, o que é neurose???”. E ele: “neurose é um presente que você ganha do seu pai e da sua mãe quando você nasce”. Acabou. Derrubou a gente. A gente nasce perfeito e fica neurótico. Neurótico por que recebe não, recebe sim, recebe pode, não pode, você começa a não saber qual é o lugar e pra onde você vai. A gente caiu na risada depois, mas na hora ficamos com cara de bobões. Mas é assim que a gente aprende. Para terminar, qual recado o Senhor deixaria aos estudantes recém formados em Psicologia? Que eles aprendam pela experiência e que eles tenham, verdadeiramente, um projeto de levar à sério a opção que fizeram e fazer as transformações advindas dessas mudanças que estão acontecendo no mundo, em favor do crescimento humano, da própria melhora na qualidade de vida das pessoas e, não digo, desmanchar a neurose, pois ela sempre existirá. Nosso objetivo é atenuar os processos das neuroses das pessoas diante da realidade de um mundo em constantes mudanças.

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Conheça melhor os Psicólogos de Uberlândia e Região ser. A dor deve ser vista como um processo e não como meta final. Não fico olhando para todo o problema que o aluno traz para o grupo. Olho para o adolescente e vejo nele toda a potência que habita ali dentro. Trabalho com recursos do teatro, da meditação e de técnicas vivenciais. Trabalho com o projeto de Orientação Profissional, Auto-estima e Meditação, com encontros semanais de 1h30 minutos e duração de 6 meses a 1 ano, dependendo do projeto.

e plano de cargos e salários; Elaboração e condução de pesquisa de clima organizacional, Pesquisa salarial e de benefícios, Monitoramento de indicadores setoriais; Desenvolvimento de estratégias para melhoria do clima organizacional; Atuação juntamente a todos os gestores para acompanhamento do desempenho dos colaboradores e orientações visando à mediação de conflitos.

Nome: Leonardo Andrade Nogueira Idade: 36 Formação: Psicologia Onde se formou: Universidade Federal de Uberlândia Atuação: Psicologia Escolar e Psicologia Clínica CRP 18039/04

O que você faz no trabalho? Trabalho priorizando projetos com grupos de adolescentes do ensino médio e fundamental e eventualmente com atendimentos individuais a pais e casos mais graves ocorridos com alunos. O foco dos projetos é preparar o aluno para a vida, ajudando-o a se conhecer, a lidar com dificuldades no processo de aprendizagem e de relacionamento humano na escola. Mas acima de tudo meu trabalho ajuda a canalizar toda a energia criativa própria do adolescente para movimentar a escola com a arte e conscientização através de temas. O foco é na potência e não na doença, é na prevenção e não na resolução de problemas. O olhar do psicólogo escolar deve ser para a luz que habita o ser - como diriam os orientais, senão ele acaba se transformando num clínico que quer resolver todos os problemas escolares. As pessoas se curam no encontro de umas com as outras, por isso acredito no trabalho em grupo, principalmente na adolescência que é um período em que o grupo é fundamental para a construção da identidade do

Nome: Hérika Beatriz Mota Oliveira Idade: 25 Formação: Psicologia / MBA Gestão Empresarial Onde se formou: Universidade Federal de Uberlândia / Fagen – Faculdade de Gestão e Negócios Atuação: Psicologia Organizacional (Hospital Santa Genoveva) CRP 29205/04

O que você faz no trabalho? Acompanhamento de todo processo de recrutamento e seleção (processos seletivos, dinâmicas de grupo, aplicação e correção de testes psicológicos, entrevistas), entrevistas de desligamento, identificação de necessidades de treinamento, elaboração e/ou busca de profissionais qualificados para condução de treinamentos, integração de novos colaboradores; Desenvolvimento de lideranças; Desenvolvimento e aplicação de política de avaliação de desempenho

Nome: Andréa Vieira de Paiva Idade: 48 Onde você se formou? UFU – Universidade Federal de Uberlândia, em 2000. Atuação: Psicologia Clínica CRP 18518/04

O que é a Psicologia para você? Basicamente, a Psicologia estuda os processos mentais e comportamentais dos seres humanos. Na área clínica, ela ajuda as pessoas e entenderem o porquê agem e reagem de uma determinada maneira, muitas vezes levando-as a fazer coisas que não gostariam (ou deixando de fazer o que acham que seria o melhor para elas, ou mais saudável), sentindo-se mal consigo mesmas, e por muitas vezes, sem saber como mudar aquela situação. O saber psicológico possibilita ao indivíduo conhecer a si mesmo, entender seus processos mentais, emocionais e comportamentais e, à medida que vão entendendo

Psicóloga CRP 33153/04 Rua Coronel Manoel Alves 305 B. Fundinho - Uberlândia - MG CEP: 38400-204 - Tel: 34 9691.4355 / 3235.9259 ceciliaalmeida@gmail.com 8 Fale Mais Sobre Isso


como sua história pessoal construiu um modo próprio de perceber o mundo, a vida, a si mesmo e aos outros, cria-se a oportunidade para repensar e re-estruturar . Para mim, a Psicologia é essa área do saber que nos dá a chance de nos conhecermos melhor e de nos livrar de traumas, bloqueios, medos, fantasmas, redimensionando cada coisa e resignificando-as, para nosso momento atual. Ela permite o desbloqueio do melhor que há em nós, para alcançarmos paz, harmonia, alegria, enfim, a saúde integral.

Algo em especial lhe chamou ou tem lhe chamado a atenção na prática do consultório? Sem dúvida, patologias decorrentes do cotidiano vivido por cada um de nós. Eu penso que nossa singularidade vem sendo diluída em função de vivermos em um mundo tão capitalista e imediatista, em que as pessoas, gradativamente, vão perdendo sua identidade e se tornando vazias.

logos em Uberlândia e região? Tem melhorado o lugar de procura da psicologia em Uberlândia e região, principalmente os encaminhamentos médicos aumentaram sensivelmente.

Nome: Ana Paula de Melo Idade: 42 Onde você se formou? Universidade Federal de Uberlândia Atuação: Psicologia Clínica

Nome: Cecília Alves Almeida Idade: 33 Onde você se formou? Centro Universitário do Triângulo Unitri / Uberlândia Atuação: Psicologia Clínica

Nome: Andrea Cunha Arantes Idade: 47 Onde você se formou? Universidade Federal de Uberlândia – Biologia e Psicologia Atuação: Psicologia Clínica CRP 10438/04

CRP 33153/04

Conte-nos um pouco sobre como você começou a trabalhar: Na verdade, não estava nos meus planos abrir uma clínica para atendimento psicoterápico. Havia alguns meses em que eu estava trabalhando em um projeto para o mestrado e estava muito envolvida com isso. A partir de uma conversa com uma pessoa do meu convívio pessoal que me incentivou bastante, eu resolvi galgar este caminho e hoje não me vejo fazendo outra coisa. A vontade de colocar em prática tudo o que eu estudei durante os quatro anos de faculdade, de começar a estabelecer o meu papel no mundo, fazer por mim e pelos outros é o que hoje me move.

Por que a opção pela Psicologia? Sempre gostei, desde adolescente há ‘escutar’ os outros. A intimidade de cuidar do outro, começou, então, a fazer parte de minha vida. Cada dia que passa, me encanto mais com a Psicologia. Ela tem sempre me ensinado a ser melhor pessoa. Estudar sempre foi meu desejo, compartilhar com a clínica, enfim, algo motivador. Algo em especial lhe chamou ou tem lhe chamado a atenção na prática do consultório? O sofrimento humano e a falta de sentido de vida interna que tem apresentado as pessoas

CRP 9974/04

Considerando que você trabalha há muito tempo com adolescentes, uma pergunta sob medida: quem são os adolescentes de hoje? Os adolescentes de hoje são pessoas que passam por um período de transição marcado por mudanças físicas, emocionais e relacionais, naturais dessa fase, mas que hoje, diferente de alguns anos atrás, têm que administrar as possibilidades e os desafios decorrentes da internet e das demais tecnologias que fazem parte do nosso dia a dia. Algo em especial tem lhe chamado a atenção na prática do consultório? O que percebo é que, de maneira geral, o preconceito com a psicoterapia tem diminuído, também noto que tem aumentado o número de homens que buscam a terapia psicológica.

Como você enxerga a atuação dos psicó-

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VEJA O QUE DIZEM PESSOAS QUE FIZERAM PSICOTERAPIA

Gostaria, também, de dar o seu depoimento? Envie-o para: revistafalemaissobreisso@yahoo.com.br ANA*, 35 ANOS “Fazer psicoterapia foi, até hoje, um dos passos mais enriquecedores e importantes que dei neste meu percurso de vida. Não apenas me conheci melhor como convivi com os meus paradoxos e “fantasmas” acompanhada por alguém que me escutou abertamente, sem juízos de valor ou diretrizes de conduta, alguém que me compreendeu e me ajudou a crescer enquanto ser humano. Atualmente considero-me uma pessoa francamente mais saudável, consciente e mais flexível para comigo e para com os outros. Talvez a aprendizagem mais significativa que fiz foi a de encontrar forças para enfrentar e mudar o que posso e a serenidade para sossegar relativamente às “coisas” da vida que não posso controlar. Isso faz de mim uma pessoa mais feliz.” MARIA*, 46 ANOS “Fiz psicoterapia duas vezes na vida, em fases diferentes e por razões diversas. O primeiro ciclo durou três anos e aconteceu na sequência do meu divórcio, quando eu tinha 37 anos. Da segunda vez senti que precisava de procurar forças para continuar a lidar com as dificuldades interiores que sentia perante algumas adversidades da vida. Numa e noutra fase foi decisivo para mim ter esta ajuda técnica.

Permitiu-me conhecer-me melhor, identificar as minhas forças e as minhas fraquezas e sentir-me mais confiante. Ter uma pessoa especializada a ouvir-me e a acompanhar-me nestes dois períodos da vida impediu-me de afundar na tristeza e, até, na depressão. Deu-me ‘ferramentas’ para me ajudar a mim própria a lidar com o lado difícil da vida. Mais ou menos na mesma altura em que fiz a minha primeira psicoterapia , o meu filho também foi acompanhado por uma psicóloga e isso ajudou-o a exprimir os sentimentos provocados pelo divórcio dos pais e a gerir melhor as suas dores e frustrações. Por experiência própria e pelos resultados que observei no meu filho, posso dizer que sou radicalmente a favor das ajudas técnicas de psicólogos em fases e circunstâncias específicas, em que realmente sentimos que precisamos de ser ajudados.” SÔNIA*, 34 ANOS “Fazer terapia foi fundamental para a minha vida, uma vez que antes de iniciar o processo dava mais importância aos outros do que a mim própria e tinha extrema dificuldade em lidar com as emoções. O processo terapêutico promoveu o meu crescimento, independência e valorização, bem como uma maior adaptabilidade emocional e relacional. * Nomes fictícios para preservar a identidade.

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Sou da opinião que todas as pessoas passem por este processo uma vez que só assim se aprende a lidar com o próprio e como consequência também com os outros de uma forma mais harmoniosa.” SILVIA*, 35 ANOS "Para mim, ter feito psicoterapia foi de uma extrema importância, pois sem esse processo seria muito difícil, talvez impossível, sentir a segurança pessoal, profissional e relacional que hoje sinto. Claramente, aumentou a minha qualidade de vida. Muitas vezes saí da consulta de psicoterapia com a sensação de que estava abalada, sem nunca ter deixado de ver, refletir e sentir, em conjunto com a psicoterapeuta, o lado menos cor de rosa da minha própria pessoa e de algumas situações de vida. Foi um despertar para uma vida mais saudável, com muito mais capacidades internas e resistência às rasteiras que a vida vai nos dando. Recomendo fortemente a todas as pessoas." SUSANA*, 31 ANOS "A psicoterapia revelou ser a resposta que procurava. Com a ajuda do meu Psicoterapeuta, que me acompanhou na árdua procura pela realidade e liberdade interiores, vi desenvolverse o meu potencial humano e consigo compreender e lidar com as situações quotidianas de forma bem mais integrada." MARIANA*, 30 ANOS “A psicoterapia ajudou–me a dar passos em frente na minha vida. Com a psicoterapia resolvi “medos” que sentia em mim e que não compreendia de onde vinham nem porque surgiam.. quebrei barreiras.. Aprendi


mais de mim, cresci emocionalmente... Acima de tudo aprendi a viver melhor a vida. Ajudoume a caminhar para onde quero chegar.” CAROLINA*, 26 ANOS “Na altura em que pedi ajuda, não sabia o que me esperava, sabia que não estava bem comigo mesma e isso refletia-se no meu dia-a-dia. Penso que o primeiro passo é admitir que não estamos bem, se assim for, o caminho a percorrer é muito mais “curto”… Na primeira sessão senti logo um alívio imenso, ao longo do tempo comecei a conhecer-me melhor, a saber quais eram os meus limites e acima de tudo ganhei uma auto-estima que não tinha. Hoje em dia sei que sou uma pessoa diferente, cresci muito e aprendi a dar valor a muitas coisas na vida que na altura passavam-me ao lado. Por vezes não é um trabalho fácil, mas o resultado final é muito positivo.” PEDRO*, 40 ANOS “A psicoterapia é um espaço de reflexão interna onde podemos olhar para dentro e ver as coisas com maior clareza, com a ajuda de um profissional na matéria. Ao embarcarmos nesta viagem, entramos numa lógica de compromisso que assumimos conosco mesmos de, uma vez por semana, olhar para nós mesmos, o que permite desatar os nós – formas de estar e de ser que nos limitam.” AMADEU*, 35 ANOS “Acho muito importante as pessoas terem um profissional que as ajude a situar e progredir no seu processo de desenvolvimento. Acredito ainda que para um psicólogo fazer bem o seu trabalho, mais importante que possuir diplomas na área, é possuir

grandes qualidades humanas. Uma pessoa assim consegue mudar para melhor a vida de outro.” RITA*, 27 ANOS “A psicoterapia tende a tornarnos melhor pessoas. Porque nos ensina a lidar melhor conosco e com os outros e, portanto, ajuda-nos a sermos melhor pessoas para nós mesmos e com os outros, tornando-nos, consequentemente, mais felizes!” PEDRO*, 24 ANOS “Fazer psicoterapia ajudou-me a desenvolver a minha auto-estima, deu-me uma maior à vontade para lidar com várias situações, como no contato com os outros, deu-me motivação para lutar pelos meus objetivos, etc. Graças à psicoterapia , hoje sou definitivamente mais eu próprio, mais feliz.” MARIA ALMEIDA*, 30 ANOS “Agradeço à minha psicoterapeuta a ajuda que me deu para o meu desenvolvimento pessoal. Senti grandes melhorias ao nível da minha auto-estima, aprendi a lidar melhor com os outros o que me permitiu construir e reconstruir relações mais saudáveis e positivas. Aprendi também formas mais ajustadas e eficientes de lidar com os problemas que vão surgindo. Ao nível do trabalho, senti também a grande importância da psicoterapia, onde abri a mente, reconheci e trabalhei melhor capacidades e tornei a minha vida neste campo também muito melhor! Enfim, hoje sou uma pessoa muito melhor: mais segura, tolerante, serena e feliz!”

conversas com uma grande amiga, “normal” e que estava fazendo psicoterapia fiquei convencida que eu também podia me beneficiar de uma maior paz mental, como ela. Iniciei terapia e foi das melhores decisões que tomei! Percebi que vivia com certos bloqueios que me limitavam ao nível pessoal e do trabalho e, com a ajuda de um profissional fui capaz de me desenvolver no que sou hoje em dia: uma pessoa muito mais capaz em todos os níveis!” MANUEL*, 27 ANOS “Sempre fui extrovertido e seguro de mim mesmo. No entanto, a dada altura comecei a sentir que não era feliz. Não estava me sentindo bem comigo e com a minha vida. Comecei a viver uma grande ansiedade e queria mostrar aos outros que estava bem, mas não estava. Tive medo de um dia estourar, e decidi investir em psicoterapia. Posso afirmar que foi dos melhores investimentos que alguma vez fiz! Conheço-me melhor e sou mais feliz assim” SARA*, 31 ANOS “Estava com a minha vida num caos. Sabia que não estava bem, mas nem queria pensar no que teria de mudar, porque bloqueava com medo de que as coisas ficassem ainda pior. Foi como um círculo vicioso, em que cada vez me enterrava mais. Cheguei mesmo a cair em depressão, algo que não desejo a ninguém! Aconselho a todos que não esperem tanto tempo para iniciar terapia. Passamos a ver a vida de uma forma muito mais confiante e saudável, vale mesmo a pena!”

Poesia Pois fica decretado a partir de hoje, que terapeuta é gente também. Sofre, chora, ama e sente e, às vezes, precisa falar. O olhar atento, o ouvido aberto, escutando a tristeza do outro, quando, às vezes, a tristeza maior está dentro do seu peito. Quanto a mim, fico triste, fico alegre e sinto raiva também. Sou de carne e sou de osso e quero que você saiba isto de mim. E agora, que já sabes que sou gente, quer falar de você para mim? Cyro Martins

JOANA*, 26 ANOS “Antes pensava que a psicologia era só para pessoas com graves problemas. Depois de várias

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Saiba mais sobre a Psicologia - O que é Psicologia? A Psicologia é a ciência que estuda o psiquismo humano. O campo de estudo e de atuação da psicologia é muito amplo e a análise dos processos psicológicos compreende a inter-relação com os aspectos biológico/político/econômico/social/cultural. Para compreender a construção da subjetividade humana e abordar os processos psíquicos e comportamentais, a Psicologia associa-se a outras disciplinas, tais como: Psiquiatria, Neurologia, Sociologia, Filosofia, Antropologia etc.

Todo profissional de Psicologia deve garantir e preservar a privacidade de seu cliente. Por isso, este profissional mantém em sigilo as situações e informações relatadas pelos seus clientes, conforme as determinações do Código de Ética do Psicólogo. Em clínicas e consultórios particulares, empresas, indústrias, escolas, hospitais e outras instituições, ou qualquer outro local em que se fizer necessária a presença do profissional, desde que preservadas as condições apropriadas para o atendimento.

- O que é Psicoterapia? A psicoterapia é uma prática da psicologia clínica que consiste no tratamento de dificuldades afetivas ou mentais, com o objetivo de promoção da saúde emocional e integral do indivíduo, bem como, de prevenção e tratamento de psicopatologias. Busca identificar os aspectos afetivos que dão sustentação ao comportamento, bem como os demais aspectos a estes relacionados, para compreender e modificar as ações na família, na escola, no trabalho e melhorar sua relação com a vida.

- Quem busca ajuda de um psicólogo? Pessoas comuns que buscam o auto-conhecimento, o desenvolvimento de seu potencial humano e a melhoria da qualidade de sua vida e de suas relações. Pessoas que se apresentam em crises emocionais; situações de estresse; situações de perda; transtornos afetivos; transtornos de ansiedade, transtornos de humor; distúrbios emocionais diversos; dificuldade nas relações inter-pessoais; conflitos familiares; dependência a drogas; distúrbios alimentares, tais como, obesidade, bulimia, anorexia; problemas sexuais; desvios de conduta; situações traumáticas, psicopatologias neuróticas e psicóticas, doenças psicossomáticas (sintomas orgânicos com causas psicológicas), etc.

- Quem pode ser atendido por psicólogo? Qualquer pessoa, criança, adolescente, adulto em qualquer idade, casal e família. O atendimento pode ser realizado individualmente ou em grupo. O profissional de psicologia pode também prestar serviços a instituições e organizações (empresas, escolas, hospitais, etc.). - O que eu disser durante uma sessão poderá ser comentado com outras pessoas?

- Como é uma sessão de psicoterapia? A sessão individual tem a duração de 50 a 60 minutos, as sessões de casal 90 minutos e as sessões de grupo duram de 1 hora e trinta minutos a 2 horas. FONTE: www.unipsicouberlandia.com.br

A Psicologia pode se dividir em diferentes áreas de atuação. Veja algumas delas: Psicologia Escolar:

Fonte adaptada: Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional

Psicólogos escolares e educacionais são profissionais que atuam em instituições escolares e educativas, bem como dedicam-se ao ensino e à pesquisa na interface Psicologia e Educação. As concepções teórico-metodológicas que norteiam a prática profissional no campo da psicologia escolar são diversas, conforme as perspectivas da Psicologia enquanto área de conhecimento, visando compreender as dimensões subjetivas do ser humano. Algumas das temáticas no campo da psicologia escolar são: processos de ensino e aprendizagem, escolarização em todos os seus níveis, inclusão de pessoas com deficiências, políticas públicas em educação, avaliação psicológica, história da psicologia escolar, formação continuada de professores, dentre outros.

Psicologia Hospitalar:

Fonte adaptada: Márcia Ebling (Psicóloga/PR)

A psicologia hospitalar se ocupa da compreensão e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecer. Não trata apenas das doenças com causas psíquicas ou psicossomáticas, mas dos aspectos psicológicos de qualquer doença, buscando resgatar a subjetividade das situações relacionadas ao adoecimento em instituições de saúde. O objeto de trabalho da psicologia hospitalar se amplia para além do paciente, abrangendo também a dor da família, assim como as repercussões na equipe de saúde. Além do trabalho realizado em torno da doença, da internação e do tratamento, há o apoio à família e equipe, procurando também facilitar o diálogo entre todos os envolvidos.

Psicologia Clínica:

Fonte adaptada: Artur Scarpato (Psicólogo Clínico/SP)

São muitas as abordagens clínicas na Psicologia, contudo, em geral, o psicólogo clínico (psicoterapeuta) é um outro , com o olhar e a perspectiva de um outro, o que lhe ajudará ver a sua vida de um modo diferente, lhe fazer perguntas diferentes, ajudá-lo a perceber as coisas de um ângulo que você não tinha visto antes e nem suspeitava ser possível. Assim, a psicoterapia faz você parar para refletir sobre a própria vida. O psicoterapeuta conhece teorias psicológicas e métodos de investigação que ajudam na compreensão do que ocorre com você e que tornam possível descobrir aspectos da sua personalidade que seriam inacessíveis a uma observação não treinada ou a uma conversa comum com um amigo.

Psicologia Organizacional e do Trabalho:

Fonte adaptada: Psicologia, Organização e Trabalho, de José Carlos Zanelli e Antonio V. B. Bastos (Ed. Artmed).

A denominação Psicologia Organizacional e do Trabalho inclui larga abrangência, uma vez que busca compreender o comportamento das pessoas que trabalham, tanto em seus determinantes e suas conseqüências, como nas possibilidades de construção produtiva das ações do trabalho, com preservação máxima da natureza, da qualidade de vida e do bem-estar humano. As interfaces entre o comportamento, o trabalho e a organização constituem três subcampos dentro da Psicologia Organizacional e do Trabalho: a interface entre comportamento humano e o trabalho constitui o subcampo denominado Psicologia do Trabalho. O segundo subcampo emerge das interações entre comportamento no trabalho e a organização: a Psicologia Organizacional. O terceiro subcampo surge da relação entre a ação humana e a organização propriamente dita, enfocando o conjunto de políticas e práticas que revelam a estratégia utilizada para organizar a ação individual e a coletiva de forma congruente com os seus objetivos e missão: as práticas de gestão de pessoas. 12 Fale Mais Sobre Isso


Ana Paula Rodrigues Rocha

Ângela Maria Machado Rezende

Carolina Moreira Marquez

Clientela: Crianças, adolescentes e adultos

Clientela: Adolescentes, adultos, idosos e famílias Atendimento individual, em grupos e em domicílios

Clientela: crianças, adolescentes, adultos e casais Atendimento individual e a casais

Rua Antônio Fortunato da Silva, 810 (antiga 03) Santa Mônica - Uberlândia - MG

R. Agenor Paes, 32 e Av. Santos Dummont, 174 Uberlândia - MG

(34) 3215-5710 – (34) 9966-1518

(34) 3223-5253 - 9114-5925

Fernando Silva Sales

Francisco Luiz Ferreira Boleli

Psicologia Clínica

Psicologia Clínica, Acupuntura e Yoga

Clientela: Adolescentes, adultos e idosos Atendimento individual

Clientela: Adolescentes, adultos, idosos, casais e famílias Atendimento individual, a casais e em domicílios

Clientela: Crianças, adolescentes, adultos, idosos Atendimento individual e em domicílios

Psicologia Clínica

Rua Artur Bernardes, 260 – Martins - Uberlândia - MG

(34) 9135-9655 rodrigues.anapaula@bol.com.br

Fabiana Pinto da Cruz

Rua Bernardo Cupertino, 300, sala 05 - Martins Uberlândia - MG

Psicologia Clínica e Organizacional

R. Benjamim Constant, 448 - B. Aparecida - Uberlândia - MG

Psicologia Clínica

Psicologia Clínica

(34) 3223-7389 – (34) 9663-0501

(34) 32142906 - (34) 9176-0342 - (34) 9966-4499 www.psicologouberlandia.com.br

Rua Bernardo Cupertino, 300 - Martins - Uberlândia - MG

Heloísa Vanorden de Assis

Leonardo Andrade Nogueira

Ludoana P. C. de Paiva Rocha Barros

Clientela: Adultos Atendimento individual e em grupos

Clientela: Adolescentes, adultos e casais Atendimento individual, em grupos, a casais e à família

Clientela: Crianças, adolescentes, adultos, idosos, família e casais Atendimento individual, em grupo e a casais

Rua Goiás, 11- sala 28 - Centro - Uberlândia – MG

Travessa Ricardo Silva, 94 - Uberlândia - MG

Rua Agenor Paes, 32 - Centro - Uberlândia – MG

(34) 3219-6986

(34) 9966-1122 – (34) 3215-7288

Mara Aparecida Girardi Alves

Mara Cristina Oliveira Peixoto

Maria Amélia Chamma Maximiano

Clientela: crianças, adolescentes, adultos e idosos Atendimento individual e em grupos

Clientela: Adultos, idosos e casais Atendimento individual, a casais e em domicílios

Clientela: Adolescentes, adultos, idosos e famílias Atendimento individual e em grupos

Av. Getúlio Vargas, 1005 - Centro - Uberlândia - MG

Rua Praça Rui Barbosa, 148 – Centro - Uberlândia - MG

Av. Cruzeiro dos Peixotos, 499, sala 409 – Centro Uberlândia - MG

(34) 3255-0310

(34) 3086-2663 – (34) 9108-8331

Marina Emilia Drummond Zlochevsky

Miriam Vieira Ribeiro de Lima

Psicologia Clínica

(34) 8806-0184 – (34) 9979-1445

Psicologia Clínica, Escolar e Organizacional

(34) 3235-2558 – (34) 3236-6473

Maria Luiza Zago de Brito Psicologia Clínica

Clientela: Adolescentes, adultos, casais e idosos Atendimento individual, a casais e em domicílio Rua Caiapônia, 260/270 - Aparecida - Uberlândia – MG

(34) 9976-2529 - (34) 9116-6700

Patrícia Faria Soares

Psicologia Clínica e Escolar Clientela: Crianças, adolescentes, adultos, famílias e casais Av. Fernando Vilela, 1302, sala 05 – Martins - Uberlândia - MG

(34) 3087-5175 – (34) 9969-1097 psicofaria@yahoo.com.br

Psicologia Clínica e Educacional

Psicologia Clínica e Hospitalar

Psicologia Clínica e Institucional

Clientela: Adolescentes, adultos e casais Atendimento individual, em grupos e a casais Rua Guilhermino Rodrigues da Cunha, 149 - 2º andar Jardim da Colina - Uberlândia - MG Rua Coronel Antônio Alves Pereira, 400, sala 419 Centro - Uberlândia - MG

(34) 3223-7389 – (34) 9124-6413

Psicologia Clínica

Psicologia Clínica

Psicologia Clínica e Organizacional

Avaliação psicológica para piloto e concursos públicos Clientela: Adolescentes, adultos, casais e família Atendimento individual, em grupos e a casais Rua Senador Salgado Filho, 504 - Maracanã - Uberlândia - MG

(34) 3236-2914 – (34) 9135-7653

(34) 3236-2646

Roberta Mendonça Melazzo Bernardes

Dra. Veridiana Nogueira Ladico

Psicologia Clínica

Neuropsicologia

Clientela: Crianças, adolescentes e adultos Atendimento individual

Clientela: Adultos, idosos Atendimento individual e em grupo

Av. João XXIII, 140 - Santa Maria - Uberlândia - MG

(34) 3231-2039 – (34) 9966-1997

Rua Araguari, 865 - Martins - Uberlândia – MG

(34) 3219-0199

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Maternidade sem neurose! (é possível?) Carolina Moreira Marquez - CRP: 27390/04

Q

ue mãe nunca “pagou língua” com relação a seus filhos? Antes de tê-los talvez pensasse que NUNCA os deixaria na frente da TV para ter descanso, ou que não daria “besteiras” açucaradas ou gordurosas para seus pequenos DE FORMA ALGUMA, ou que ainda os amamentaria no peito e não daria mamadeira EM NENHUMA HIPÓTESE até os seis meses. Isso sem falar nas frases que começam com “filho meu não vai...”, e os pensamentos críticos em relação àquela mãe ou àquele pai que não está conseguindo controlar os altíssimos gritos do filho. Mas chegou a sua vez e tudo saiu do planejado. A rotina que você tanto planejou está menos rígida do que você gostaria, seu filho chora mais do que você imaginava e há momentos que você consente o que ele tanto quer só para ficar livre.

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É... quem é mãe ou pa i sabe que a palavra CONTROLE não está no dicionário da criação de filhos. Criá-los não é mesmo uma ciência exata. O Fala Mamãe é totalmente a favor da criação sem estresse e apóia 100% as mamães que “pagam língua” e que já descobriram que o importante é amar e fazer o melhor que podem, pedindo ajuda quando precisarem. Muitas vezes, as situações vão se apresentando e, só então, você descobre o melhor a ser feito. Existe um problema que acontece quando o pai ou a mãe se fixam em ideais pré-concebidos ou mesmo passados por outra pessoa e que não funcionam bem para uma situação específica, mas, mesmo assim, insistem em seguir aquele ideal, muitas vezes causando sofrimento desnecessário. O compromisso deve ser com princípios, NÃO COM OBRIGAÇÕES concebidas fora de contexto. Crianças são todas diferentes, o que funciona com uma não necessariamente funcionará com outra. Crie crianças com valores, ética, moral e leve todo o resto com moderação e sem neuroses (se possível!).


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Revista Fale Mais Sobre Isso