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edição 10 | 2013

Para que serve o Psicólogo? No mês em que se comemora o Dia do Psicólogo, conheça melhor o profissional que nos ajuda a desatar os nós que damos nos pensamentos

Medicina

Mais Saúde

Saúde Mental

29 de Agosto Dia Nacional de Combate ao Fumo

Medida do corpo se relaciona à evolução de diabetes

O bem que a terapia pode fazer ao casal

pag. 12

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pag. 28


Editorial

27 de agosto Dia do Psicólogo

Fale Mais Sobre Isso: uma Revista dedicada ao universo da Saúde e da Saúde Mental.

P.s.: senhores e senhoras médicos(as) de Uberlândia e região: não percam a oportunidade de concorrer aos aparelhos que a Medtec estará sorteando entre os nossos leitores! Corram para o site da Fale Mais Sobre Isso (falemaissobreisso.com.br) e participem do sorteio! Saibam mais na página 14.

Em 27 de agosto comemora-se o Dia do Psicólogo. Nesta edição, os artigos “Para que serve o Psicólogo” (página 24), “Psicoterapia de Casais” (página 28), “O Psicólogo Organizacional” (página 30), “Eu quero um laudo da Justiça” (página 32), "O Poder do não-dito" (página 31) e “Saiba Mais Sobre Psicoterapia” (página 34) objetivam ajudar os nossos leitores a conhecer um pouco mais dessa profissão que tem por “objeto de trabalho” o que de mais incrível, complexo, intrigante e fascinante existe sobre a face da Terra: o ser humano. Por ser tão incrível e complexo, o ser humano, inevitavelmente, possui o dom de se desdobrar em infinitas possibilidades de estudo, obrigando a Psicologia a também se desdobrar em psicologias, metodologias e diferentes formas de apreensão e abordagem desse “objeto” e das suas implicações econômicas, sociais, políticas, culturais, biológicas e espirituais. Certamente, toda tentativa de explicar o que são as Psicologias e tudo o que fazem os Psicólogos será como caminhar rumo ao horizonte na tentativa de se alcançá-lo. Vã tentativa. A complexidade e a extensão das potencialidades humanas sempre levarão as Psicologias (e os Psicólogos) a estarem inovando e se renovando em busca da melhor resposta a respeito do que é o Homem e da melhor maneira de se compreendê-lo. Mesmo assim, esta edição da Fale Mais Sobre Isso quer contribuir com essa busca e, por meio de muitas palavras sobre as Psicologias, dá alguns passos rumo a esse horizonte e lhe convida a caminhar conosco. Além disso, mais uma vez trazemos outras tantas boas palavras sobre o universo da Medicina e de outras importantes áreas ligadas à Saúde dos indivíduos, como a Nutrição (página 20), a Biomedicina (22) e a Odontologia (23). E, por fim, boa parte desta edição também dedicamos à matérias sobre os malefícios do tabagismo, afinal, o dia 29 de Agosto é o Dia Nacional do Combate ao Fumo no Brasil. A todos, boa leitura!

Leonardo Abrahão Editor

revistafalemaissobreisso@yahoo.com.br

Mais da Fale Mais Sobre Isso: www.falemaissobreisso.com.br www.youtube.com/user/falemaissobreisso www.facebook.com/falemaissobreisso 2013

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É estratégico consultar um profissional

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Índice Notícias

05 Expectativa de vida cresce, mas vivemos mais tempo doentes Hipertensão arterial pulmonar pode ser controlada Projeto traz perfil de crianças que não respiram sozinhas

06 07 Consumo habitual de café pode prevenir doênças Cardiologia

08 Doenças cardiovasculares Oftalmologia

Medicina

09 Síndrome visual relacionada a computador Dermatologia

10 O envelhecimento e a Pele Gastroenterologia

11 Síndrome do Intestino Irritável Mais Atenção

12 29 de Agosto - Dia Nacional de Combate ao Fumo Cuidado

13 Conscientes do Vício Artigo

15

O que é Medicina Integrativa, Complementar e Alternativa

Artigo

18

Puberdade precoce

19

Acreditação e Certificação de Qualidade em Saúde

Gestão

por Fabíola Matos

Edição 09 Julho de 2013

Dos Leitores Advertência

Tomara que os políticos de Uberlândia tenham lido a matéria sobre os problemas dos serviços de urgência e emergência na rede pública de saúde do Brasil (...). Serviços como SAMU e UPA’s 24hr podem ser uma boa para a cidade, mas, por si só, não resolveriam os problemas do atendimento médico emergencial de Uberlândia. Os cidadãos também necessitam ser conscientizados sobre o que é, ou não, emergencial em relação à saúde e políticas preventivas devem ser prioridade de qualquer governo (...). Augusto, 46 anos, por email

Apresentação Agradeço à Fale Mais Sobre Isso por ter apresentado aos leitores as medidas que os governos federal e estadual têm adotado no sentido da implementação das práticas integrativas e complementares no SUS (...). Oremos para que essa seja também uma iniciativa do governo municipal em Uberlândia (...). Antônio, 37 anos, por email

Adolescência prolongada “Adolescência Prolongada” ajudou a minha família a entender melhor o comportamento do nosso filho mais velho, um típico adulto ainda adolescente (...). Se tudo der certo, o convenceremos a procurar orientação psicológica (...). Irene, 59 anos, por email

Mais Saúde

Assista a nossa entrevista com a psicóloga do artigo "Adolescência Prolongada" em www.youtube/user/falemaissobreisso

Nutrição

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Medida do corpo se relaciona à evolução de diabetes

25

Desafios e perspectivas em um mercado de trabalho competitivo

26

Câncer bucal: abordagem elucidativa e preventiva

A gordura do bem: Ômega-3 emagrece e faz bem para o coração

Biomedicina Odontologia

Guia

Saúde Mental

Capa

24

Para que serve o Psicólogo?

28

Psicoterapia de casais

30 31

O Psicólogo Organizacional e sua atuação O poder do não-dito

32

Eu quero um laudo da Justiça

Artigo Artigo

Envie comentários e sugestões pelo e-mail revistafalemaissobreisso@yahoo.com.br com nome completo, profissão, cidade e idade.

Expediente Coordenador: Leonardo Abrahão Revisão Técnica (Medicina): Dra. Carolina N. Cunha Debs (CRM: 58.248) Revisão Técnica (Saúde Mental): Psicólogo Leonardo Abrahão (CRP: 36.232/04) Projeto Gráfico e Diagramação: Miguel Neto 34 9670.9610 Comercial: 34 9966.1835 | 9221.6622 Tiragem: 3.000 unidades Impressão e Pré Impressão: Gráfica 3 Pint Distribuição: Correios (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) Entrega gratuita e dirigida | Udia-Ari/MG

Saiba mais sobre isso Fale mais pergunta

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Psicoterapia

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Guia de Profissionais | Psicólogos(as)

A Revista Fale Mais Sobre Isso é distribuída em hospitais, clínicas, consultórios e laboratórios de saúde, edifícios comerciais, escritórios de profissionais liberais, condomínios residenciais, escolas, restaurantes, padarias e outros pontos com grande fluxo de pessoas. Além disso, a Fale Mais Sobre Isso é entregue pelos Correios a Médicos e Dentistas presentes em um mailing com 2.000 nomes. Se você tem interesse em ser nosso parceiro comercial, favor entrar em contato pelos telefones 34 9966.1835 ctbc e 34 9221.6622 tim, ou revistafalemaissobreisso@yahoo.com.br.


Notícias

Medicina

Notícias e descobertas DA medicina

Hipertensão arterial pulmonar pode ser controlada

Expectativa de vida cresce, mas vivemos mais tempo doentes Aumento de tempo de enfermidade se deve à falta de políticas eficientes de prevenção Estudo desenvolvido pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP aponta que os idosos estão vivendo com menor qualidade de vida, já que convivem mais tempo com doenças crônicas típicas da faixa de idade. De acordo com a pesquisa, exames e tratamentos preventivos ajudam a evitar esse processo. Segundo o médico geriatra Alessandro Campolina (alecampolina@gmail.com), parte desse aumento de tempo de enfermidade se deve à falta de políticas de prevenção eficientes e voltadas para a população mais velha. Ele é o autor da pesquisa que buscou avaliar a ocorrência de um processo chamado de compressão da morbidade. Esse conceito, surgido na década de 1980, lançava a hipótese de que, com o envelhecimento das populações, os anos ganhos pelas pessoas com a melhoria dos serviços de atendimento seriam anos vividos em bom estado de saúde.

Prevenção e resultados

O estudo buscou levantar a importância das medidas de prevenção

das doenças crônicas na contribuição para a chamada compressão da morbidade (diminuição do intervalo entre o aparecimento das doenças e a morte da pessoa). A conclusão é de que algumas das principais doenças crônicas que acometem a população idosa, entre elas a hipertensão arterial sistêmica, doença articular, doença cardíaca, diabetes mellitus tipo 2, doença mental, doença pulmonar crônica e doença cerebrovascular, uma vez prevenidas, contribuem de maneira significativa para a melhoria da qualidade de vida e para a longevidade dos idosos. Campolina ressalta que esses métodos preventivos não são frequentemente incentivados na população mais velha, e que isso é uma visão equivocada. “A medicina ainda acredita que prevenção é sinônimo de pacientes jovens. Mas a prevenção de doenças é uma estratégia afirmativa, mesmo nos idosos, para prolongar o tempo de vida e ganhar qualidade de vida, e o estudo comprovou isso”, afirma.

Pesquisa da Universidade de Columbia (Estados Unidos) com a participação do brasileiro Danilo Roman Campos (drcbio@gmail. com), pós-doutorando da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, traz resultados que abrem caminho para o tratamento da Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP). Os pesquisadores utilizaram uma droga experimental e conseguiram recuperar a função de uma proteína, sendo nesse caso um canal iônico para o íon potássio. Essa proteína participa no controle do funcionamento das células musculares da artéria pulmonar. Em uma classe de pacientes com HAP, foram encontradas mutações que indicam alterações no funcionamento das células. “O achado abre a possibilidade de tratamento para a HAP e pode ser extrapolado para outras formas de hipertensão pulmonar, como naquelas causadas por doença no ventrículo esquerdo”, destaca Campos. A Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) é uma doença incurável. A expectativa para quem recebe o diagnóstico é de 70% de morte em até cinco anos. Não existem dados

Fonte: Agência USP de Notícias

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Medicina

Notícias

específicos sobre os casos no Brasil, mas em todo o mundo os especialistas da área apontam que a doença atinja uma em cada 70 mil pessoas.

Mutações Campos afirma que um aspecto importante do estudo foi a identificação de diferentes mutações em distintos pacientes que pode explicar as alterações que ocorrem no funcionamento das células musculares da artéria pulmonar. “As diferentes mutações encontradas em distintos pacientes levaram a uma perda da função do canal iônico para potássio”, aponta. “O canal iônico é uma proteína que fica na membrana plasmática da célula, permitindo o fluxo de íons de forma seletiva e está envolvido no controle das propriedades contráteis do músculo em questão”. O íon potássio possui carga positiva. “No contexto celular este íon tende a sair das células pelo canal iônico para o íon potássio”, afirma o pós-doutorando. “Devido às mutações, o íon não pode mais passar pelo canal, ficando assim retido na célula. Assim, o acúmulo de carga positiva no interior da célula causa uma despolarização constante da musculatura da artéria pulmonar, podendo levar à hipertensão arterial pulmonar”. Apesar de promissor, o pesquisador lembra que o caminho de uma droga experimental até um medicamento é sempre longo. “O próximo e difícil passo é fazer a droga chegar até a célula com problema”, ressalta. “Uma maneira plausível seria via inalação, mas isso leva tempo, da bancada até a prateleira da farmácia são dez, quinze anos de pesquisas”. Esse estudo deu origem ao artigo A Novel Channelopathy in Pulmonary Arterial Hypertension, publicado no dia 25 de julho na versão eletrônica da revista The New England Journal of Medicine (Estados Unidos). Fonte: Agência USP de Notícias

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Projeto traz perfil de crianças que não respiram sozinhas Um estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) revelou que crianças que não têm capacidade de respirar sozinhas e, portanto, necessitam de um aparelho que as auxilie a respirar — ventiladores mecânicos — permanecem por longo tempo internadas. Segundo observações do médico pediatra Milton Hanashiro (mihanashiro@usp.br), autor da pesquisa, o tempo médio de internação atingiu a marca de 194 dias. “Dentre os pacientes analisados, havia uma criança que já estava há 10 anos internada”, salienta o médico, que também aponta o elevado grau de dependência dos pacientes para cuidados como alimentação, higiene, vestimenta e locomoção. Milton também conclui que os pacientes que sofrem da dependência para respirar são afetados por uma variedade de enfermidades de base. “Verifiquei 30 diferentes doenças de base nestas crianças, com nítida predominância das doenças neurológicas, principalmente encefalopatia hipóxicoisquêmica, doenças neuromusculares”, afirma o pesquisador. Durante os levantamentos, foram estudadas crianças internadas no Hospital Auxiliar de Suzano (HAS) — localizado em Suzano, na grande São Paulo, e que integra a Divisão do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP —, no período de 2001 a 2010. Para as pesquisas, 10a edição

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foram observados diagnósticos de doenças crônicas graves e a presença de limitações funcionais importantes, como a incapacidade de alimentar-se, higienizar-se, vestir-se e locomover-se. “Também observamos a utilização de recursos de saúde, como leitos hospitalares, e as necessidades extras de cada família de paciente”, completa Hanashiro.

Doenças-base As doenças de base são aquelas que contribuem para a manifestação das dificuldades de respiração no paciente. Dentre elas, as mais comuns são as doenças neuromusculares, em que a criança vai perdendo a força dos músculos progressivamente, as doenças do sistema nervoso central, como a encefalopatia hipóxico-isquêmica, em que falta oxigênio ao cérebro, e a hidrocefalia e as doenças cardíacas congênitas, em que a criança nasce com malformação do coração ao nascimento, como na hipoplasia do coração esquerdo. Completam a lista as doenças metabólicas, em que a incapacidade do organismo em fabricar uma enzima celular impede o desenvolvimento adequado do sistema nervoso e as neoplasias (cânceres) do sistema nervoso. “Essas crianças, pela necessidade de recursos tecnológicos, permanecem internadas nos hospitais por muito tempo, geralmente em UTIs pediátricas. Dependendo da doença, há crianças conscientes, e outras não”, completa o médico.


Notícias Tempo de internação O s longos de períodos de internação das crianças para tratamento da doença foi um dos pontos mais enfatizados pelo pesquisador. Segundo ele, esse dado reflete a necessidade de recursos complexos que muitas vezes não estão disponíveis nas residências e nos hospitais regionais. Para Hanashiro, o principal ponto de trabalho deve se concentrar na diminuição desse período dentro do hospital. “Do ponto de vista das crianças e suas famílias, o longo tempo de internação é algo que todos gostariam de evitar. O distanciamento do paciente de suas famílias enfraquece os vínculos afetivos”, afirma. “Quando um dos pais acompanha a criança, afasta-se do cônjuge e dos outros filhos, ocasionando fragmentação da família. Além disso, a qualidade de vida no hospital, por melhor que sejam os cuidados, é muito limitada”, completa. Ele ressalta as dificuldades dos hospitais mais estruturados em abrigar todos os pacientes que sofrem da doença. “Para os hospitais, o longo tempo de permanência ocasiona problemas. A diminuição na disponibilidade de leitos reduz a capacidade de internar novos pacientes, principalmente os mais graves, que precisam das UTIs”, constata. “Isto atinge diretamente a comunidade, que se vê com menor disponibilidade deste recurso concorrido, escasso e caro, que é o leito de UTI nos hospitais públicos”. Hanashiro ressalta ainda a necessidade de alternativas de internação, como a Unidade de Pediatria do HAS, e também o cuidado domiciliar, por intermédio de “serviços públicos que propiciem ventilação mecânica domiciliar, ainda pouco explorados no SUS”. Fonte: Agência USP de Notícias

Medicina

Consumo habitual de café pode prevenir doenças Análises realizadas nos últimos cinco anos com 150 consumidores de café pelos pesquisadores da Unidade de Pesquisa Café e Coração, do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), revelaram maior atividade antioxidante no organismo e melhor desempenho em exercícios físicos. Segundo um dos cientistas envolvidos na realização da pesquisa, o médico Bruno Mahler Mioto (brunomioto@gmail.com), os resultados mostram que o consumo habitual de café em doses moderadas pode trazer efeitos benéficos para a saúde e contribuir para a prevenção de doenças. Mioto aponta que o estudo procura esclarecer dúvidas a respeito dos efeitos do consumo de café na saúde humana. “Já se sabe que a ingestão de altas doses de cafeína pode desempenhar efeitos deletérios na pressão arterial e na frequência cardíaca”, diz. “Entretanto, esse efeito foi obtido em testes nos quais se utilizou cápsulas de cafeína pura, em que cada unidade equivalia a seis xícaras grandes de café”, conta. “Quando se analisa o consumo habitual de café, os resultados obtidos são geralmente neutros ou positivos”, afirma. Os participantes do estudo inicialmente ficaram 21 dias sem ingerir café. Em seguida, tomaram café continuamente, 450 mililitros (ml) por dia, em dois períodos de 28 dias, sendo que em cada um deles variava a intensidade da torra do café (média ou escura). Em cada fase foram realizados exames de holter, colesterol, pressão arterial, testes de esteira e de reatividade vascular, entre outros. “As análises do plasma sanguíneo revelaram maior atividade antioxidante nos consumidores de café, seja com o café de torra média ou com o de torra escura”, destaca Mioto. De acordo com o médico, o café pode ser uma das principais fontes de antixoxidantes na dieta, se consumido de forma razoável. “A literatura médica também registra que o café tem efeito protetor contra diabetes”, conta. Nos testes de esteira, os consumidores de café tiveram melhor performance atlética e maior tempo de exercício. “Este resultado foi verificado também nos pacientes coronáriopatas, que não apresentaram nenhum evento cardíaco adverso, como angina ou arritmias”, acrescenta Mioto.

pode melhorar o desempenho dos alunos”, relata o médico. “Um estudo com 300 mil pacientes realizado nos Estados Unidos revelou que o café está associado a diminuição de mortalidade total, por doenças cardiovasculares ou mesmo devido à causas externas”. De acordo com Mioto, a pesquisa do InCor tem demonstrado que o consumo habitual da bebida está associado à prevenção de doenças. “Uma pessoa que toma café habitualmente geralmente adquire tolerância à cafeína, impedindo que aconteçam efeitos adversos como palpitações e arritmia cardíaca, que podem ocorrer em consumidores esporádicos”, destaca. Todos os cafés testados levaram a um aumento discreto dos níveis de colesterol. “Numa próxima etapa do estudo, serão verificadas quais as subfrações aumentaram, e se são benéficas ou prejudiciais à sáude”, diz o médico. O café com torra escura não teve impacto na pressão arterial, enquanto o de torra média causou discreto aumento, provavelmente sem nenhuma relevância clínica. “Imagina-se que a torra mais escura elimine substâncias (que não a cafeína) que influenciem na pressão arterial, visto que o consumo de café descafeinado também pode determinar discreta elevação da pressão”. As pesquisas são realizadas na unidade de pesquisa Café e Coração, do InCor. Os estudos têm a colaboração da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic). “Já foram analisados 150 pacientes, a meta é chegar a 300”, afirma Mioto. “Os participantes recebem cafeteira, filtros, medidores e garrafas térmicas, além de café com certificação de qualidade da Abic, de modo que não consumissem outros cafés durante o período de estudo”. Os testes também deverão ser feitos com café do tipo expresso e com café descafeinado.

Prevenção de doenças Outro benefício para a saúde associado ao café verificado na pesquisa é que a bebida não tem efeito negativo sobre a reatividade vascular, função endotelial associada à vasodilatação e a formação de radicais-livres. “Outros estudos demonstram que o café melhora a memória e atenção e, quando consumido na merenda escolar,

Café pode ser uma fonte importante de antioxidantes na alimentação

Fonte: Agência USP de Notícias

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Medicina

Cardiologia

Doenças cardiovasculares Pequenas mudanças podem ajudar a reduzir seus riscos

Doenças cardiovasculares (DCVs), incluindo doenças cardíacas e derrames, matam prematuramente. De fato, elas causam 17,3 milhões de mortes a cada ano e os números estão aumentando. Até 2030, espera-se que 23 milhões de pessoas morrerão anualmente de DCVs – este número é maior do que a população da Austrália! É um erro pensar que doenças cardíacas e derrames apenas afetam idosos, homens e populações ricas. DCVs afetam tanto mulheres quanto homens, no entanto, seus riscos são seriamente subestimados. As doenças cardíacas são atualmente o inimigo número 1 das mulheres, causando 1 em cada 3 mortes: chocantemente, cerca de uma morte por minuto! E é vital que mulheres saibam a verdade sobre os riscos das doenças cardiovasculares e tomem medidas para sua própria proteção e de

suas famílias. Crianças são vulneráveis também: o risco para doenças cardiovasculares pode começar antes de nascer, durante o desenvolvimento fetal, e aumentar mais durante a infância com exposições a dietas não saudáveis, falta de exercícios e tabagismo. Crianças podem sofrer o dobro com doenças cardiovasculares e derrames. Elas podem ter que enfrentar as consequências emocionais por verem alguém querido adoecer, porém elas também estão em risco de consequências físicas por conta das doenças cardíacas e derrames. A sociedade moderna pode expôr as crianças aos fatores de riscos como dietas com baixíssimas calorias e ricas em gorduras “ruins” e açúcar; atividades como jogos de computadores que desencorajam a prática de atividades físicas; e em alguns países, as propagandas de tabaco que

estimulam o seu uso ou ambientes cheios de fumaça dos cigarros. Mulheres devem tomar medidas e adotar um comportamento saudável para o coração, não apenas para prevenir a exposição aos fatores de risco para elas mesmas, mas também, para o bem-estar de seus filhos. Mesmo pequenas muanças podem ajudar a reduzir seus riscos de derrames e doenças cardíacas: incentivar a alimentação saudável e atividades físicas, e banir o uso do tabaco. Nós entendemos que às vezes isto é mais fácil falar do que fazer, mas esperamos que a conscientização possa ajudá-lo a começar. Hoje temos a oportunidade de prevenir o impacto futuro das doenças cardiovasculares adotando uma vida mais saudável para o coração desde a infância ao longo da vida adulta. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia


Medicina

Oftalmologia

Síndrome visual relacionada a computador 90% dos usuários de computador por mais de três horas diárias apresentam algum tipo de sintoma Os computadores têm se tornado quase indispensáveis para a maioria das funções cotidianas. A popularidade do computador, incrementado com facilidades de acesso à internet, tem conquistado uma enorme quantidade de profissionais, que o utilizam como ferramenta indispensável para o exercício de suas funções. Com isso, cada vez mais pessoas têm experimentado sintomas visuais associados ao uso excessivo de computadores. A Síndrome Visual Relacionada a Computadores (SVRC) se refere a um grupo de sinais e sintomas diversos e variados, que podem ser atribuídos ao uso do computador. Os sintomas visuais são as principais queixas e motivos de consulta médica, dentre os problemas de saúde ocupacional nos usuários de computadores. Os sintomas oculares mais frequentes da SVRC são cansaço, sensação de corpo estranho, ardência, dor, irritação, vermelhidão, ressecamento e turvação visual. Estima-se que até 90% dos usuários de computador por mais de três horas diárias apresentem algum tipo de sintoma relacionado à SVRC. As principias causas estão relacionadas a mecanismos da superfície ocular, acomodativos e extraoculares. Existem várias evidências que o uso de monitores causa astenopia. A condição do paciente pode contribuir para a sintomatologia e a análise individualizada do paciente quanto à refração, binocularidade e acomodação devem ser considerados. Evidências clínicas têm mostrado que o uso prolongado de monitores provoca diminuição no poder de acomodação e na capacidade de convergência, assim como leve indução de miopia transitória pelo esforço acomodativo. A resolução da tela (medida em pontos por polegada), o contraste, assim como a iluminação ambiente podem ser fatores

importantes no conforto visual e na melhora da SVRC. As telas de cristal líquido (LCD) geralmente apresentam melhor resolução e iluminação, assim como refletem menos a luz do ambiente.

menor desgaste visual, com melhora do desempenho no trabalho. Além disso, os turnos de 4 horas no computador devem ser interrompidos por pausas maiores para evitar maior desconforto visual.

A iluminação excessiva da sala, bem como luzes que incidem e refletem na tela do computador, geram imagens confusas e dificultam a focalização nela. Os filtros protetores, que são colocados na frente do monitor, podem contribuir diminuindo a reflexão de luzes que incidem na tela, já que as fontes de energia luminosa externas passam duas vezes pelo filtro enquanto as emitidas pelo monitor passam uma vez, aumentando o contraste entre as imagens. Outro papel destes filtros seria quanto à redução de energia eletromagnética e outras radiações emitidas pelo monitor.

A correção visual adequada para o computador deve ser avaliada individualmente. Em geral, as opções de lentes que privilegiam a zona intermediária e de perto, com corredores mais amplos tendem a ser melhor aceitas do que as lentes multifocais tradicionais. Alguns usuários podem ter desconforto com a procura do foco, oscilando entre o monitor, texto de leitura e teclado, nas zonas de progressão da lente multifocal. As correções monofocais tendem a dificultar a obtenção de um foco ideal para as diferentes distâncias na mesa do computador e ambiente de trabalho. As lentes multifocais para adaptação em armações pequenas podem também comprometer a zona de visão intermediária e não serem a melhor escolha para este uso. De qualquer forma, médico e paciente devem discutir as opções disponíveis no mercado, visando atender as expectativas, que devem ser apresentadas durante a consulta.

A posição do monitor também é importante quanto à ergonomia e conforto da musculatura cervical. Em geral, a tela deve estar entre 70 a 100 cm do usuário, num nível 10 a 20 graus abaixo dos olhos, proporcionando maior conforto e menor estresse postural. Uma das principais causas do cansaço visual é o ressecamento ocular.A diminuição do piscar associada a outras condições ambientais, oculares e sistêmicas, como ar condicionado, ventiladores, disfunção meibomiana, pouca ingestão de líquidos, uso de medicamentos (diuréticos, betabloqueadores), fumo, podem contribuir para piorar esta sintomatologia na SVRC. A maioria dos indivíduos pisca 10 a 15 vezes por minuto. Estudos mostram que esta taxa pode ser reduzida em até 60%, resultando em sintomas de olho seco. O uso frequente de lubrificantes oculares pode melhorar esta condição de forma significativa. O tempo de uso do computador e o desgaste físico e visual estão diretamente relacionados. Sugere-se que pequenas pausas, de 5 a 10 minutos por hora, de preferência fixando a distância e sem olhar para o monitor, possam causar

A resolução da tela (medida em pontos por polegada), o contraste, assim como a iluminação ambiente podem ser fatores importantes no conforto visual e na melhora da SVRC. Fonte: Dr. Maurício Pereira (Oftalmologista / CRM 594759RJ) Sociedade Brasileira de Oftalmologia

Como o uso destas poderosas máquinas faz-se imprescindível e em muito contribui para o desenvolvimento da medicina, o convívio harmonioso entre homens e máquinas deve ser regido pelo bom senso, em que os computadores nos sirvam, permitindo mais tempo livre para outras atividades de lazer e convívio humanos, fundamentais para a saúde e bem estar.


Medicina

Dermatologia

O envelhecimento e a Pele

Envelhecer faz parte da nossa história, mas cuidados básicos podem suavizar seus efeitos. Assim, rugas e cabelos brancos podem ser adiados com uma vida saudável, boa alimentação, bastante água, prática de exercícios físicos e proteção do sol. A pele envelhecida se caracteriza por ser fina, sem elasticidade, apresentar rugas finas e aprofundamento das linhas de expressão. O envelhecimento pode se dar pelas características genéticas que herdamos ou devido a fatores ambientais e hábitos de vida, como fumo, alimentação inadequada, falta de exercícios físicos etc.

Fatores relacionados ao envelhecimento da pele Radiação solar

que têm ação antioxidante.

A radiação solar atua na pele causando desde queimaduras até foto envelhecimento e aparecimento dos cânceres de pele. Várias alterações de pigmentação da pele são provocadas pela exposição solar, como as manchas, pintas e sardas. A pele foto envelhecida é mais espessa, por vezes amarelada, áspera e manchada. Pessoas com pele envelhecida pelo sol têm maior probabilidade de desenvolver câncer e lesões pré-cancerosas.

O movimento repetitivo e contínuo de alguns músculos da face aprofunda as rugas, causando as chamadas marcas de expressão, como as rugas ao redor dos olhos. Já a atividade muscular é importante para o organismo como um todo, tornando a pessoa mais disposta, melhorando seu físico e também a sua saúde.

Cigarro Pessoas fumantes possuem marcas acentuadas de envelhecimento na pele. O calor da chama e o contato da fumaça com a pele provocam o envelhecimento e a perda de elasticidade cutânea. Além disso, o fumo reduz o fluxo sangüíneo da pele, dificultando a oxigenação dos tecidos. A redução deste fluxo parece contribuir para o envelhecimento precoce da pele e para a formação de rugas. Rugas acentuadas ao redor da boca são muito comuns em fumantes.

Álcool O consumo de álcool influi no metabolismo. Altera a produção de enzimas e estimula a formação de radicais livres, que causam o envelhecimento. A exceção à regra é o vinho tinto, consumido moderadamente, que contém flavonóides,

Movimentos musculares

Radicais livres São uns dos maiores causadores do envelhecimento cutâneo. Os radicais livres se formam dentro das células pela exposição aos raios ultravioleta, pela poluição, estresse, fumo, etc. Acreditase que os radicais livres provocam a degradação do colágeno (substância que dá sustentação à pele) e a acumulação de elastina, que é uma característica da pele fotoenvelhecida.

Bronzeamento Artificial A Sociedade Brasileira de Dermatologia condena formalmente o bronzeamento artificial que pode causar o envelhecimento precoce da pele (rugas e manchas) e formação de câncer de pele.

Envelhecimento e Alimentação

Uma dieta não balanceada contribui para o envelhecimento da pele. Assim como a ingestão de líquidos é importante para a saúde geral e também para a hidratação do organismo, a dieta é importante para manter a pele saudável. Existem elementos que são essenciais e devem ser ingeridos para repor perdas ou para suprir necessidades, quando o organismo não produz a quantidade diária suficiente. São eles: água em abundância, vegetais, frutas, peixe, carnes magras, etc. Enfim, toda a gama de alimentos que contenham as vitaminas, proteínas e fibras necessárias ao organismo e que ajudem a prevenir os radicais livres, que aceleram o processo do envelhecimento.

Tratamento do Envelhecimento Sabendo-se do papel do sol no envelhecimento da pele, qualquer tratamento de rejuvenescimento obrigatoriamente começa com filtro solar! Como regra “básica” devemos preferir os filtros com FPS 15 ou maior, que protejam contra os raios UVA e UVB. Outros tratamentos podem ser indicados pelo dermatologista, como técnicas de preenchimento, cirurgias e a aplicação de medicamentos. Os dermatologistas têm os conhecimentos necessários para fazer esta indicação e prescrever o melhor tratamento para cada caso. Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia

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Medicina

Gastroenterologia

Síndrome do Intestino Irritável (SII) Uma orientação alimentar específica e personalizada ajuda muito no controle dos sintomas.

O QUE É A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um termo aplicado a uma associação de sintomas, que consistem mais freqüentemente de dor abdominal, estufamento, constipação ("intestino preso") e diarréia. Muitos pacientes com SII alternam diarréia com constipação. Pode haver muco presente junto às fezes. Não se trata de um defeito anatômico ou estrutural. Não é uma desordem física ou química identificável. Não é um câncer e tampouco irá causá-lo. Não causa outras doenças gastrointestinais. Em palavras médicas, não há doença orgânica detectável. A SII é uma desordem funcional do intestino. Não há sinal de doença que possa ser visto ou medido, mas o intestino não está funcionando normalmente. É um problema comum, afetando cerca de uma a cada cinco pessoas nos Estados Unidos, mais comum em mulheres, e mais freqüente em momentos de stress emocional. Geralmente tem início na fase de adolescência ou de adulto jovem, raramente aparecendo pela primeira vez após os 50 anos de idade.

SINTOMAS Dor e desconforto abdominal associado com alterações nas fezes são os principais sintomas, os quais variam entre as pessoas. Pessoas apresentam constipação, outros diarréia ou ainda alternância entre diarréia e constipação. Alguns referem sensação de estufamento e distenção abdominal, decorrente da fermentação de gases no cólon. A SII afeta os movimentos do cólon, o transporte de gases e fezes e a quantidade de líquido absorvido. Nos pacientes afetados, os movimentos do cólon podem estar aumentados, impulsionando muito rapidamente o bolo fecal, não permitindo a adequada absorção desse fluido, deixando as fezes com excesso de água, o que se manifesta como diarréia. Por outro lado, quando o intestino trabalha muito lentamente, comum na SII, as fezes ficam em contato por muito tempo com as paredes intestinais, favorecendo uma maior absorção de água, deixando-as endurecidas e secas, características da constipação intestinal. Sangramento, febre, perda de peso e dor abdominal persistente e contínua não são sintomas da Síndrome e indicam outros problemas que precisam ser investigados.

Como a alimentação interfere nos sintomas da SII? Para muitas pessoas com SII a atenção na escolha dos alimentos é fundamental. É importante anotar e avaliar diariamente quais são os alimentos que causam mais sintomas. Além das orientações sugeridas pelos médicos, uma orientação alimentar específica e personalizada ajuda muito no controle dos sintomas.

CAUSA O que leva uma pessoa a ter SII e outra não? Ainda ninguém sabe. Os sintomas não são causados por uma alteração orgânica específica (doença). Os estudos têm demonstrado que na verdade, o intestino destas pessoas parece ter uma sensibilidade aumentada (são mais

sensíveis) a diferentes estímulos como determinados alimentos e a ansiedade (stress). Abaixo estão listadas as principais teorias da SII: Os movimentos de propulsão do intestino (peristalse) parecem não funcionar adequadamente. Há contrações uniformes da musculatura (espasmos) ou mesmo a parada dos movimentos. A camada superficial do intestino grosso é responsável pela troca de fluidos entre as fezes e o organismo. Como o coração e os pulmões, o cólon é parcialmente controlado pelo sistema nervoso autônomo (não controlado pela nossa vontade), que comprovadamente sofre interferência do nosso estado emocional , como ansiedade e stress. Com isto pode trabalhar mais rápido, mais lentamente ou contrair de forma desordenada (espasmo). Os seguintes fatos parecem estar ligados com piora dos sintomas: refeições volumosas, grande quantidade de gases no intestino grosso, medicamentos, trigo, centeio, cevada, aveia, cereais, chocolate, leite e derivados, álcool, bebidas que contém cafeína, chá e colas estress, ansiedade, labilidade emocional.

Como o estresse afeta a SII? Estresse - sensação de cansaço físico e mental, preocupações, nervosismo - estimulam contrações (espasmos) no cólon de pessoas com a Síndrome do Intestino Irritável. O cólon possui uma vasta rede de nervos que se conectam com o cérebro. Esta via nervosa coordena o ritmo normal das contrações dos músculos do intestino grosso. Em situações de estresse, ansiedade, esta mesma via pode causar desconforto abdominal. Pessoas freqüentemente experimentam cólicas, desconforto abdominal ou até mesmo diarréia quando estão nervosas ou agitadas. Mas em portadores da SII, o cólon manifesta-se de maneira muito mais intensa a essas situações. Além disto, o estresse tende a deixar as pessoas mais sensíveis a determinados estímulos.

DIAGNÓSTICO O diagnóstico é feito tendo como base a história clínica e exame físico. Não há nenhum teste específico para confirmação da síndrome, na verdade, utilizam-se exames e testes laboratoriais para excluir outras doenças que possam ter sintomas semelhantes. Estes testes incluem exames de sangue e fezes, (endoscopia digestiva alta, colonoscopia (endoscopia digestiva baixa) e raio X especiais.

TRATAMENTO O tratamento da SII irá depender da aceitação dele. Na verdade o primeiro e grande objetivo é a conscientização do quadro, como ele ocorre, o que faz melhorar e piorar os sintomas e a tranqüilidade de que não evoluirá para doença grave. A partir deste ponto, da aceitação do quadro, o tratamento em si fica muito mais fácil. Medicamentos são importantes para o alívio dos sintomas. Suplementos de fibras, às vezes laxantes, remédios para diarréia, calmantes, antiespasmódicos (para combater os espasmos do intestino) servem par melhorar muitos dos sintomas abdominais. Muitas vezes antidepressivos apresentam grande efeito calmante e analgésico, com boa resposta ao tratamento.

Fonte: National Digestive Diseases Information Clearinghouse (EUA), revisado e adaptado pela Comissão Cientifica do site FBG / Federação Brasileira de Gastroenterologia

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Medicina

Mais Atenção

29 de Agosto Dia Nacional de Combate ao Fumo

O tabagismo é, reconhecidamente, uma doença crônica, resultante da dependência à droga nicotina, e um fator de risco para cerca de 50 doenças, dentre elas, câncer, asma, DPOC , infecções respiratórias e doenças cardiovasculares. No Brasil, o dia 29 de agosto é o dia nacional do combate ao fumo. Para engrossar a campanha contra o tabagismo e a falta de consciência humanitária da indústria do cigarro, a Revista Fale Mais Sobre Isso chama a atenção de todos para as duas questões apresentadas abaixo. Sempre que possível, sugerimos que essa discussão seja levada a mais pessoas - especialmente àcrianças e jovens, o público alvo desesperadamente perseguido por quem lucra com a venda dessa droga chamada cigarro.

A relação entre o tabagismo e a publicidade A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para o fato de que as estratégias de marketing da indústria do tabaco são globais e envolvem:

A estratégia da indústria do tabaco ao criar cigarros mentolados

Publicidade:

A Food and Drug Administration (FDA, órgão governamental dos Estados Unidos da América responsável por proteger e promover a saúde pública norte-americana) alerta para riscos do cigarro mentolado.

Inserção de produtos derivados do tabaco nos meios de publicidade como: • Avisos em jogos de vídeo game, em brinquedos ou outros jogos • Vinculação de marcas nas cenas de artistas consumindo tabaco em telenovelas ou filmes ("merchandising editorial") • Patrocínio de eventos com o objetivo de comunicar a "função" do produto e suas características aos jovens.

Promoção do acesso ao produto

Colocação dos produtos em lugares de livre acesso, tais como prateleiras de supermercado, lojas de conveniência, vendas pela Internet, máquinas automáticas de venda de cigarro e outros novos métodos de exposição desenvolvidos especificamente para chamar a atenção dos jovens fumantes e fazer dos produtos de tabaco um bem mais acessível.

Embalagem

Tamanho dos maços, suas cores e formatos, assim como nomes de marcas, são estratégias desenvolvidas para tornar o produto mais atrativo para os jovens.

Uma análise feita pela FDA aponta para a probabilidade de cigarros mentolados representarem um risco maior para a saúde pública do que os cigarros comuns. No estudo, porém, a FDA não expõe nenhuma espécie de recomendação sobre a limitação ou não do consumo dos cigarros mentolados, um dos poucos setores em expansão dentro da indústria do tabaco. De acordo com a análise independente divulgada hoje pela FDA, existem poucas evidências que permitam afirmar que os cigarros mentolados sejam mais ou menos tóxicos ou que acarretem um risco maior de doenças para o fumante do que os cigarros convencionais. A análise, no entanto, permite afirmar que os cigarros mentolados estão mais associados à iniciação de jovens fumantes e que os usuários desse tipo de cigarro têm mais dificuldade para abandonar a dependência do que os fumantes de cigarros comuns. A FDA pede agora as opiniões das autoridades sanitárias, da indústria do tabaco e de outros potenciais interessados no assunto para debater quais restrições seriam mais adequadas aos cigarros mentolados.

Fonte: Jornal Estadão / Instituto Nacional de Câncer (Inca) e Ministério da Saúde do Brasil

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Cuidado

Medicina

Conscientes do vício

Médicos contam como também sofrem com o vício no cigarro

A nicotina é uma droga pesada cuja dependência é de difícil tratamento em qualquer pessoa, inclusive entre os médicos.

Leonardo Cançado Monteiro Savassi tinha apenas 10 anos quando experimentou o primeiro cigarro. Aos 14, já fumava diariamente e o vício se estendeu até dezembro de 2010. Hoje, com 37 anos, ele é especialista em Medicina Familiar e de Comunidade. "Eu já estava viciado quando me tornei médico e não parei, mesmo conhecendo os malefícios que a prática traz. A gente realmente não projeta o futuro para o dia de hoje. Como em toda doença crônica, o medo das repercussões não altera o comportamento presente, a não ser que tenhamos gatilhos importantes que modifiquem nossos hábitos. Ainda que percebamos o risco e a susceptibilidade, temos a tendência a adiar decisões difíceis", admite. O tabagismo já se consolidou como uma prática danosa à saúde. Hoje, ele é a principal causa evitável de doenças e mortes prematuras. Segundo a presidente da Comissão de Controle do Tabagismo, Alcoolismo e Uso de Outras Drogas da Associação Médica de Minas Gerais (Contad-AMMG), a pneumologista Maria das Graças Rodrigues de Oliveira, o cigarro contém, aproximadamente, 5 mil substâncias tóxicas que são responsáveis, direta ou indiretamente, por mais de 50 doenças, como diversos tipos de câncer, enfisema pulmonar, impotência sexual e acidente vascular cerebral (AVC). A nicotina é uma droga pesada, cuja dependência é de difícil tratamento em qualquer pessoa, inclusive entre médicos”, avisa. Maria das Graças chama a atenção para uma pesquisa publicada, em 2007, no Jornal Brasileiro de Pneumologia da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia sobre o tabagismo na classe médica. "Até a década de 40, cerca dois terços dos profissionais de saúde fumavam. Apenas quando surgiram os primeiros estudos científicos que relacionavam o cigarro à diversas doenças, o número de médicos fumantes passou a diminuir. Entretanto, as estatísticas ainda não são boas. O estudo indica que o percentual de médicos fumantes no Brasil pode chegar a 32%, dependendo da região analisada", afirma. 2013

Ela explica que a maioria dos fumantes fica dependente antes dos 20 anos de idade e que isso não é diferente na área da saúde. "Há estudos que evidenciam que mais de 80% dos médicos começaram a fumar antes de iniciarem a faculdade e muitos continuaram durante o curso e até depois", completa. Ela alega que parte do problema é a pequena carga horária e pouca importância dispensada ao estudo do tabagismo nas escolas de medicina.

Difícil de se livrar Esse foi o caso do cirurgião geral de Divinópolis (Centro-Oeste de Minas) Alfredo Mattar Neto, que começou a fumar com 20 anos, na época da faculdade. "Quando eu cursava medicina, era moda fumar. Todo mundo fumava e acabei nessa também. Mas ninguém continua no tabagismo simplesmente por achar bonito. A nicotina causa dependência e é difícil se ver livre dela”, confessa. Ele continuou no vicio por mais 30 anos, e só parou há 4, aos 51 anos, mas conta que já tinha planos para deixar o vício bem antes disso. Até que percebeu que começou a sofrer de problemas como otites agudas, resfriados e infecções gripais com muito mais frequência, além de estar com sua capacidade respiratória bastante reduzida. “Um dia resolvi parar e nunca mais coloquei um cigarro na boca. Achei que fosse ter uma dificuldade maior, mas consegui sem usar qualquer tipo de técnica. Mesmo assim, ainda tenho vontade de fumar em algumas situações como após as cirurgias ou em um bar com amigos”, revela. Leonardo Savassi não teve a mesma facilidade para abandonar o hábito. Ele conta que a vontade para deixar o tabagismo surgiu em 2009 quando seu filho nasceu. “Comecei a vislumbrar todos os momentos da vida do meu filho dos quais eu não participaria por encurtar a minha vida com o vício. Também sabia que a condição de fumante passivo poderia prejudicá-lo, e em curto prazo”. Leonardo contou com a ajuda das substâncias bupropiona e vareniclina, que foram bastante efetivas. Porém, ainda assim teve dificuldades para abandonar 10a edição

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Medicina

Cuidado o cigarro. “Aos meus conhecidos e pacientes tabagistas, recomendo que marquem uma data para parar e a respeitem, por mais difícil que seja. Todos têm de parar um dia, e é melhor fazê-lo quando ainda é mais por vontade do que por necessidade. O vício fez parte de minha personalidade durante muito tempo, a ponto de todos que me desenharam, ‘cartunaram’ ou descreveram apenas se lembrarem de mim com um cigarro na mão. Parar foi muito difícil para mim, assim como será para quase todos”, confessa.

maio) e no Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto). Maria das Graças salienta que o papel do médico é primordial no trabalho de prevenção. “Eles são formadores de opinião na sociedade e vistos por ela como modelos. Um doutor que fuma perde muita credibilidade com o seu paciente. Vários estudos mostram que os fumantes esperam que os seus médicos os aconselhem e ajudem a parar de fumar. Se o profissional de saúde é fumante, o seu poder de convencimento é muito menor. O médico deveria apresentar comportamentos saudáveis”, explica.

Conscientização e prevenção

Alfredo Mattar reconhece que tem de dar bons exemplos para os seus pacientes, mas admite que não se considera um exemplo a ser seguido. “Penso que eu não deveria ter sido fumante, mas minha especialidade é uma daquelas onde o vício está mais presente. Realizar cirurgias é sempre muito estressante e os médicos acabam cedendo, um pouco mais, ao cigarro. Muitos, entretanto, já se conscientizaram dos males da pratica”, afirma. A recomendação geral aos médicos tabagistas é para que deixem o vício o mais rápido possível e que incentivem e ajudem conhecidos e pacientes a também fazê-lo.

A Contad-AMMG realiza um trabalho contínuo de estudo dos vários aspectos do tabagismo e divulgação das mais recentes descobertas para os médicos mineiros, com o objetivo de que se convençam e ajudem seus pacientes fumantes a abandonarem o hábito. A entidade promove também campanhas para a prevenção do consumo entre crianças e adolescentes e eventos populares para divulgar os malefícios do tabagismo, questões relativas ao seu tratamento e prevenção no Dia Mundial Sem Tabaco (31 de

Assista a nossa entrevista com o psicólogo Wesley Nazareth sobre "Tabagismo" em www.youtube/user/falemaissobreisso


Artigo

Medicina

O que é Medicina Integrativa, Medicina Complementar e Medicina Alternativa? Dr. Rogério Ferreira Guimarães

Medicina Homeopática- CRM MG 47091 | rogeriofergui@hotmail.com | 34 9796 1717

As fronteiras entre medicina complementar/integrativa/alternativa e medicina convencional se sobrepõem e mudam com o tempo Embora os termos Complementares e Alternativos sejam usados para significar uma variedade de abordagens de cuidados em saúde fora da medicina convencional, eles são difíceis de definir e podem significar coisas diferentes para diferentes pessoas. É evidente o aumento da procura por outras formas de tratamento das enfermidades. Grande parte da população brasileira, quando

adoece, faz uso de algum método para recuperar a saúde que foge ao praticado pela medicina ocidental/convencional. Ao descrever abordagens de saúde com raízes não convencionais, as pessoas costumam usar as palavras alternativas, integrativas e complementares indiferentemente, mas os três termos referem-se a diferentes conceitos.

Medicina Complementar

Medicina Alternativa

A Medicina Integrativa

Geralmente se refere ao uso de uma abordagem não convencional junto com a medicina convencional. Um bom exemplo é a utilização da Acupuntura no alívio dos efeitos colaterais causados pelo tratamento do doente com câncer ou o uso da homeopatia em pacientes com processos alérgicos.

Refere-se ao uso de uma abordagem não convencional no lugar de medicina convencional. Medicina alternativa verdadeira não é comum, mas se considerarmos a Fitoterapia como medicina alternativa, ela ganha importância. Um exemplo é o uso de medicamentos fitoterápicos patenteados para tratar determinadas enfermidades.

Dentre as citadas, a Medicina Integrativa é a mais recente. Aborda de forma integral, holística e completa o processo de cura do paciente, envolvendo sua mente, corpo e espírito. O foco do tratamento não é apenas a ausência da doença, e sim, o bem-estar do paciente, almejando a cura. Ela combina a Medicina Convencional com as práticas de Medicina Complementares, que tenham se mostrado mais promissoras como a: Homeopatia, Medicina Ayuverda e Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura.

Conclusão As fronteiras entre medicina complementar/integrativa/ alternativa e medicina convencional se sobrepõem e mudam com o tempo. Hoje em dia considera-se que a medicina complementar/ alternativa seja parte da medicina integrativa e que todas sejam voltadas para um maior controle e cura dos pacientes. Notase um aumento nos casos de pessoas que buscam apoio na medicina “não convencional”. Hospitais privados de excelência já estão colocando em seu corpo clínico médicos com formação em áreas fora do convencional. Contudo, alguns pacientes receiam que seu médico desaprove ou não compreenda o uso da medicina complementar, integrativa ou alternativa. Sabemos, porém, que os médicos aceitam e valorizam o

desejo do paciente em participar ativamente do processo de cura. O médico sempre irá desejar o melhor para seu paciente, ansiando por fazer o trabalho em conjunto. Fale com seu médico para assegurar-se de que todos os métodos escolhidos podem atuar em harmonia. Este posicionamento é importante porque escolhas que parecem seguras - como certos alimentos e fitoterápicos - podem interferir no tratamento proposto pelo médico responsável. Termino lembrando que é preciso tomar cuidados com o que se vende com o nome de tais medicinas, principalmente, medicina integrativa. Quando se procura referências no “Dr Google”, muita informação equivocada é dita.

Referências

www.einstein.br www.medintegrativa.com.br

A Medicina Integrativa e a construção de um novo modelo na saúde (www.scielo.br)

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Medicina

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Puberdade precoce A puberdade precoce central é bem mais frequente em meninas, em que a maior parte dos casos é considerada idiopática, ou seja, de causa desconhecida por Dra. Roberta Borges de Castro Endocrinologista Pediátrica e Mestre em Pediatria CRM: 37769-MG Morada do Ser - R Coronel Manoel Alves, 305 Uberlândia MG - (34) 3235-9259

A puberdade é o processo de maturação biológica que culmina na aquisição de capacidade reprodutiva da vida adulta. A definição do início da puberdade é puramente clínica e evidenciada pelo incremento da velocidade de crescimento, assim como pelo aumento do volume testicular nos meninos e pelo início da telarca (surgimento do broto mamário) nas meninas. Considera-se puberdade precoce quando o aparecimento de caracteres puberais dá-se antes dos 8 anos de idade no sexo feminino e antes dos 9 anos no sexo masculino. A secreção prematura dos hormônios sexuais leva à aceleração do crescimento e à fusão precoce das epífises ósseas (cartilagens de crescimento), evidenciada pelo avanço da idade óssea, o que antecipa o final do crescimento e pode comprometer a estatura final. Entretanto, em algumas crianças a puberdade, mesmo que em idade precoce, tem lenta evolução e não compromete a altura final. Assim, a avaliação médica a cada 3 meses pode auxiliar na definição da necessidade ou não de tratamento de crianças no início puberal, especialmente em meninas entre 6 – 8 anos.

Fatores étnicos e genéticos tem profunda relação com puberdade precoce

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A presença do desenvolvimento isolado de mamas (telarca precoce isolada), de pelos pubianos (pubarca precoce isolada) ou sangramento menstrual (menarca precoce isolada) são formas de precocidade sexual consideradas variantes normais do desenvolvimento puberal. No entanto, em 20% dos casos, o aparecimento de mamas ou de pelos isolados pode ser o primeiro sinal de puberdade precoce verdadeira, havendo a indicação do acompanhamento evolutivo destes quadros. A etiologia dessa disfunção puberal pode ser dividida em central ou dependente de gonadotrofinas, e periférica ou independente de gonadotrofinas, e este diagnóstico diferencial tem implicação direta no tipo de terapêutica adotada. A puberdade precoce periférica resulta na produção de esteroides sexuais por secreção autônoma das glândulas (ovários, testículos, adrenais) ou por tumores, sendo o tratamento específico para cada etiologia. A puberdade precoce central é bem mais frequente em meninas, em que a maior parte dos casos é considerada idiopática, ou seja, de causa desconhecida. Já nos meninos, 2/3 dos casos estão associados a anormalidades neurológicas. Sabe-se que algumas substâncias naturais ou sintéticas presentes no ambiente (alimentos, substâncias plásticas, cosméticos, corantes, solventes etc), chamadas de disrruptores endócrinos, como o Bisfenol-A (suspenso por lei de produtos como mamadeiras), o DDT – Dicloro-Difenil-Tricloroetano (pesticida) e fitoestrógenos (Zearalenona – ZEA), mimetizam a ação hormonal e associam-se com puberdade precoce central. Ainda, fatores como a obesidade, os tumores de Sistema Nervoso Central, os fatores étnicos e genéticos tem profunda relação com puberdade precoce. O tratamento da puberdade precoce central, quando indicado, é realizado com medicamentos de longa ação que suprimem a secreção de gonadotrofinas e evitam a produção de esteroides sexuais. É importante ressaltar que a puberdade precoce, além do comprometimento estatural, pode gerar importantes consequências psicossociais, como ansiedade e atividade sexual precoce, dentre outros.


Gestão

Medicina

Acreditação e Certificação de Qualidade em Saúde podem melhorar os resultados da sua Organização? Podemos afirmar que as metodologias de certificação e de avaliação da qualidade e segurança em saúde já são uma realidade estabelecida no cenário da saúde no Brasil.

alicerçados no ciclo positivo de Melhoria Continua ou PDCA, que é uma sigla em Inglês para: Plan (planejar um processo crítico), Do (fazer a padronização), Check (checar ou avaliar os resultados), e Action (agir corrigindo), para depois iniciar um novo ciclo.

Os mecanismos de avaliação da qualidade da prática médica e dos serviços de saúde não são novos. Mas o uso da estatística e da avaliação científica dos cuidados médicos se desenvolveu lentamente. E até recentemente não era considerado aspecto essencial da medicina.

Tendo foco na melhoria contínua, as organizações conseguem descobrir mais facilmente os desvios e os gargalos de ações mal desenvolvidas internamente. Para isso é vital que sejam feitos os devidos registros dessas ações, que passarão a ser denominadas “não-conformidades”. O Gerenciamento de NãoConformidades ou GNC constitui-se num dos pontos chave da gestão voltada para resultados. É somente a partir do registro dos erros, da projeção de suas consequências, bem como da análise de suas causas e efeitos; que se conseguirá desenvolver ações para combatê-lo, eliminá-lo e até mudar radicalmente processos e organizações.

A primeira sistematização contemporânea de um mecanismo de avaliação do ensino e, por consequência, da prática médica, foi trazida pelo relatório Flexner, publicado em 1910. Neste relatório, Flexner atenta para a necessidade do controle do exercício profissional. Com os crescentes custos da atenção médica resultante do aumento da complexidade dos cuidados (procedimentos médicos cada vez mais sofisticados), houve um impulso na expansão de trabalhos e pesquisas de avaliação da qualidade, da eficiência e dos custos da atenção médica. Avedis Donabedian publicou uma série de importantes trabalhos enriquecendo a literatura da avaliação dos cuidados médicos nos últimos 20 anos. Para ele, a avaliação qualitativa do cuidado médico poderia se dar em três componentes: estrutura, processo e resultado. Muitas propostas de avaliação da qualidade dos serviços de saúde foram baseadas nas metodologias empregadas por Donabedian. Atualmente, os modernos modelos de gestão em saúde propõem um modelo integrativo entre estes três pilares de Donabedian, em que se avaliam as relações entre estado de saúde, a qualidade do cuidado e os gastos de recursos. Segundo Donabedian: "O objetivo da avaliação da qualidade é determinar o grau de sucesso das profissões relacionadas com a saúde, em se autogovernarem. E o objetivo da monitoração da qualidade é exercer a vigilância contínua, de tal forma que desvios dos padrões possam ser precocemente detectados e corrigidos". Os princípios dos programas de avaliação de qualidade estão

Não existe ferramenta melhor para correção de deficiências e erros do que atuar diretamente sobre as não-conformidades identificadas. Ou seja, atuar de forma implacável sobre a raiz, as causas, e não sobre os efeitos. Aliás, aqui o que vale é evitar e prevenir, e não somente atuar sobre os desvios acontecidos. Outro beneficio positivo e essencial é o gerenciamento dos riscos: através da padronização e do controle das práticas, o nível de segurança nas atividades do dia-a-dia da organização aumenta consideravelmente - beneficiando não somente os clientes e pacientes, mas todos os envolvidos. Decidir-se pela certificação, tendo em mente a mudança positiva e o crescimento da organização, é um caminho seguro para melhorar a gestão, visando aprimorar o desempenho geral. O ponto chave está na aplicação correta de todos os processos desenvolvidos, através da busca ininterrupta pela melhoria contínua. Assim, a decisão de conduzir a instituição para a Certificação em Qualidade deverá acontecer tendo com propósito maior a busca da sustentabilidade da empresa, através da melhoria dos seus indicadores de qualidade, gestão de riscos e de eficiência operacional, resultando na própria perenização do negócio.

Fabíola Matos fabiolacmatos@hotmail.com

É Consultora de Gestão em Saúde com mais de 10 anos de experiência em administração /atendimento em Saúde. Professora do MBA em Gestão de Clínicas Médicas e Odontológicas (FASAM) na disciplina de Certificações de Qualidade em Saúde. Mestre Educação pela UFU/MG. MBA em Marketing Estratégico pela UFU/MG (Fagen). MBA em Gestão em Saúde pela FGV/SP. MBA in Company em Gestão Empresarial pela FDC/BH.

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Cuidando de pessoas e gerando energia De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de energia elétrica no Brasil vem crescendo cada vez mais: até 2020, estimase um aumento de 55,6% na demanda total, com um crescimento de 8,5% acima dos 47% registrados na última década. O impacto socioambiental do crescimento dessa demanda é bastante negativo, uma vez que para se construir as grandes hidrelétricas é necessária a remoção de comunidades inteiras para a inundação de territórios. No caso das termoelétricas movidas a combustíveis fósseis, a desvantagem está nas emissões de Gases de Efeito Estufa e outros poluentes provenientes da queima dos combustíveis. Placas solares instaladas no IPAC Medicina Diagnóstica.

O IPAC Medicina Diagnóstica, atento a essa questão e preocupado em transformar “consciência ecológica” em ações práticas e concretas em defesa do meio ambiente, buscou uma alternativa em um recurso usado há mais de 10 anos na Europa, Estados Unidos e Japão: a utilização dos painéis fotovoltaicos conectados diretamente à rede de energia elétrica, tornando o recurso mais acessível por dispensar o uso de baterias para armazenar a energia (o uso de baterias tornaria o processo mais caro e reduziria o índice de aproveitamento).


No Brasil, desde abril de 2012, a Resolução Normativa 482/2012 da ANEEL (Agencia Nacional de Energia Elétrica) regulamenta a implantação de projetos deste tipo. A proposta funciona da seguinte forma: O painel solar fotovoltaico é instalado no local (residência ou estabelecimentos comerciais e industriais), capta a energia do sol e a transforma em energia elétrica. Caso a produção seja maior do que o consumo, o excedente é “injetado” na rede elétrica e será utilizado por outros usuários, gerando créditos para quem o produziu. Desta forma, é possível, em um primeiro momento, uma redução nas contas de energia, além de outras inúmeras vantagens: Fonte confiável e inesgotável; Energia limpa, sem poluição ou qualquer resíduo; Alta qualidade, sem ruídos; A instalação do sistema, que é modular, pode ser realizada tanto em obras em andamento como em construções finalizadas; Para a grande maioria da população brasileira,

seja um local privilegiado para desenvolver uma

energia solar é sinônimo de aquecimento de

indústria local de produção de células fotovoltaicas

água. Ainda é pouco conhecida a possibilidade de

gerando empregos e retornos em impostos pagos.

obter eletricidade a partir do sol e muito menos o

Para isso, seria preciso investir em pesquisas para

significado do termo ‘fotovoltaica’.

desenvolver um conhecimento de p urificação do

Segundo o Atlas de Irradiação Solar no Brasil,

silício até o chamado ‘grau solar’, que é superior ao

diariamente incide entre 4500 Wh/m2 a 6300 Wh/

do silício empregado na siderurgia.

m2 no país. Como base de comparação, o lugar mais

Nós, do IPAC Medicina Diagnóstica, investindo

ensolarado da Alemanha recebe 40% menos radiação solar que o lugar menos ensolarado do Brasil.

nessa nova tecnologia, estamos dando a nossa contribuição e mais uma vez de forma pioneira em

Além disso, o Brasil possui uma das maiores

Uberlândia e região. Porque quem cuida de gente

reservas de silício do mundo. Isto faz com que o país

também tem que cuidar da Terra da gente.

Painel de monitoramento do sistema instalado no IPAC, mostrando que, entre 29/07 a 04/08 de 2013 foi gerado 74.9 KW/h de energia e deixamos de emitir 52Kg de CO2.

Produção total desde a instalação em 23/07 até o dia 15/08, mostrando que foi produzido 256.2 KW/h de energia e evitamos de despejar no ambiente 179 Kg de CO2.

8 vezes Top of Mind

34 3292.2000 Cipriano Del Fávero, 515 Centro | Uberlândia/MG

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Mais Saúde

Nutrição

Medida do corpo se relaciona à evolução de diabetes Um estudo desenvolvido na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP elaborou uma análise comparativa entre as medidas de circunferência da cintura de idosos e a pré-disposição para o desenvolvimento de diabetes. Segundo os resultados, à medida que os valores de circunferência da cintura aumentam, também cresce as chances de desenvolvimento de diabetes A pesquisa da nutricionista Luiza Antoniazzi Gomes de Gouveia, sob orientação da professora doutora Maria de Fátima Nunes Marucci, procurou identificar os valores de circunferência da cintura em idosos, que se associam ao desenvolvimento de doenças e agravos não transmissíveis, segundo sexo e grupo etário. “Nesse grupo se encaixam as doenças cardíacas, hipertensão arterial e diabetes mellitus” ressalta a pesquisadora. Para Luiza, a demanda atual por valores de referência para a avaliação do risco para essas doenças em idosos é uma das principais motivações para o estudo, que contou com o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

período de 6 anos”, conta Luiza.

Durante o projeto, a pesquisadora realizou um estudo longitudinal, baseado nos dados do chamado Estudo SABE: Saúde, Bem-estar e Envelhecimento. Esse levantamento foi realizado com idosos residentes no município de São Paulo, nos anos 2000 e 2006, sob coordenação de docentes do Departamento de Epidemiologia da FSP. Ao todo, 2.143 idosos participaram do estudo no ano 2000, dos quais 1.115 foram reentrevistados em 2006.

Risco para outras doenças

No período de análise, foram observados os dados dos idosos que, no ano 2000, não apresentaram as doenças referidas no estudo. A partir dos valores de circunferência da cintura obtidos em 2000, estabeleceu-se uma relação com os que passaram a referir essas doenças no ano de 2006 na mesma população. “A partir dos idosos que não referiram essas doenças (doença cardíaca, hipertensão arterial e diabetes mellitus) no ano de 2000, verificou-se pelo método de curvas ROC (Receiver Operating Caracteristics) e das razões de verossimilhança, quais os valores de circunferência da cintura que apresentaram a melhor capacidade preditiva do desenvolvimento de doença, no

Os resultados das relações revelaram que, com relação à maior capacidade de desenvolvimento de diabetes, os pacientes nessa condição apresentaram valores de circunferência da cintura maior ou igual a 87 centímetros (cm) para mulheres, e maior ou igual a 99 cm para homens, na faixa etária de 60 a 74 anos. “Esses valores são maiores do que os números usualmente trabalhados na área da saúde, que seriam maior ou igual a 80 cm e menor do que 88 cm, ou maior ou igual a 88 cm, para as mulheres, e maior ou igual a 94 cm e menor do que 102 cm, ou maior ou igual a 102 cm, para os homens, e que foram estabelecidos anteriormente em pesquisa com população adulta”, completa. Segundo a nutricionista, ainda que os valores de circunferência da cintura identificados na pesquisa sejam capazes de discriminar apenas o risco para diabetes mellitus, eles contribuem também para o diagnóstico de outras doenças. Isso acontece pois “a diabetes mellitus além de doença, constitui fator de risco para outras enfermidades, como hipertensão arterial e aumento da chance de eventos cardiovasculares”. Dessa forma, valores de circunferência da cintura, capazes de discriminar a referência da doença, podem ser considerados preditores de enfermidades e agravos não transmissíveis. Luiza ressalta a importância do reconhecimento desses valores como indicativos de risco. “Essa conclusão permite que intervenções sejam adequadamente direcionadas, constituindo grande benefício para a saúde pública, principalmente em se tratando da possibilidade de prevenção de doenças com elevada prevalência nesse grupo etário”, conclui.


A gordura do bem: Ômega-3 emagrece e faz bem para o coração

Dicas de

Mãe

Conhecido por proteger o coração, as artérias e combater inflamações, o ômega-3 surpreende os especialistas: ele daria uma ajuda e tanto na eliminação dos quilos extras. Esse ácido graxo essencial ("gorduras boas" que são essenciais para todas as células do nosso corpo) não deixa dúvidas sobre seu caráter indispensável para o bom funcionamento do corpo. Mas o argumento incontestável que o ômega-3 seria aliado dos gordinhos na reconciliação com a balança chegou para nos convencer de vez da importância de rechear o cardápio com fontes desse nutriente. Além de pescados como salmão e sardinha, a linhaça e a chia fornece doses generosas da substância. A ação contra a obesidade foi discutida no XV Congresso Latino-Americano de Nutrição, realizado no Chile. No evento, um dos destaques foi a apresentação do nutricionista Dennys Cintra, da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. "Várias experiências apontam que a obesidade estaria relacionada a inflamações, e nós sabemos que o ômega-3 tem um bom potencial anti-inflamatório", conta

o nutricionista!. "Por isso, decidi checar se esse tipo de gordura auxiliaria no emagrecimento", justifica. O nutricionista primeiro induziu um grupo de ratinhos a ganhar peso, até se tornarem diabéticos de tão balofos, graças a uma alimentação rica em gordura saturada, como a da picanha. Então, quando os bichos entravam nesse estado, Cintra examinava seu hipotálamo, região do cérebro que controla a fome. "As partículas de gordura saturada provocaram uma superprodução de citocinas, substâncias inflamatórias que impediam aquela área cerebral de disparar o sinal de saciedade", relata. O mecanismo, idêntico em seres humanos, se desenrola assim: "Quando nos alimentamos, são secretados os hormônios leptina, pelos tecidos gordurosos, e insulina, pelo pâncreas. Eles avisam o cérebro que é hora de frear o ímpeto de continuar comendo", ensina a fisiologista Tatiana Rosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Acontece que a inflamação atrapalha

essa troca de informações. Na tentativa de interromper esse ciclo, foi inoculado, por meio de uma cânula, o ômega-3 no cérebro dos roedores, confirmando que o ácido graxo reverte o processo inflamatório e restabelece a atividade celular. Por fim, suplementou a dieta das cobaias com óleo de linhaça. "Uma dose baixa do ômega já reduz a inflamação cerebral, a velocidade de engorda e a gordura visceral nos animais. De quebra, ainda aumenta seu gasto energético", diz o profissional. "Regular a saciedade é fundamental para manter o peso, já que isso evita a fome excessiva e os abusos calóricos", finaliza. É importante ressaltar que a forma de preparo desses alimentos faz toda a diferença. Isso porque o ômega-3 oxida facilmente, perdendo depressa suas propriedades. Já existem vários laboratórios sérios que conseguem encapsular o ômega-3 de forma que mantenha todos seus benefícios. Fonte: Revista Saúde / Abril


Mais Saúde

Biomedicina

Biomedicina: desafios e perspectivas em um mercado de trabalho competitivo Prof. Dr. George Kemil Abdalla - CRBM 1509/3

Professor e Gestor dos Cursos da Área de Saúde – FACTHUS | Presidente do Comitê de Ética em Pesquisa da FACTHUS / Uberaba | Mestre e Doutor em Patologia na Área de Imunologia pela UFTM | Avaliador ad hoc de Cursos e Institucional do INEP/MEC Delegado do Conselho Regional de Biomedicina 3ª Região gkabdalla@facthus.edu.br

Não é de hoje que ouço vários jovens se questionando a respeito do que fazer ao término do ensino médio. Lembro-me perfeitamente do mesmo questionamento, quando há alguns anos iniciei minha vida acadêmica e profissional. Em quinze anos muita coisa se passou e, uma escolha feita para a vida toda, aquela que me acompanha em cada tomada de decisão, planejamento, estratégias, pesquisas e, por fim, no grande prazer de lecionar – sim - a Biomedicina. Profissão jovem no mercado de trabalho, com enormes desafios pelo caminho e o maior deles, sem dúvida alguma, o seu desconhecimento por grande parte da sociedade. Trata-se de uma das mais nobres artes do saber, a união íntima do conhecimento alicerçado na saúde do indivíduo e no meio ambiente que o cerca. Lado a lado, a biologia e a medicina caminham na formação crítica e reflexiva de diversos homens no objetivo único e maravilhoso do saber aprender, saber questionar, saber construir e reconstruir saberes, através de minuciosas pesquisas, desde uma simples gota de sangue, a um fio de cabelo. Elucidar um caso, ajudar a

salvar uma vida, isso é fantástico! Se falarmos em profissão do futuro, a Biomedicina, com certeza, fará parte do presente que o construirá. Dentre os grandes desafios, muitas vezes, o Biomédico encontra-se voltado ao diagnóstico clínico laboratorial, outras tantas vezes, na solidão de um laboratório de pesquisa, horas a fio, e por outras diversas, participando, planejando e executando projetos que viabilizem a melhoria da saúde pública. Não se pode deixar de comentar que, apesar de a principal área de atuação deste importante profissional da área de saúde, ser a Patologia Clínica (Análises Clínicas) e suas diversas áreas de pesquisa, hoje há mais de três dezenas de especialidades biomédicas, como a Anatomia Patológica, Perícia Criminal, o Diagnóstico Molecular (Genética), Bromatologia, Circulação Extracorpórea em grandes cirurgias, Fertilização in vitro, Acupuntura e até mesmo, Estética, dentre várias outras. Com o mercado de trabalho altamente competitivo, somente aquele profissional capacitado estará apto a desempenhar suas competências e colaborar decisivamente na elaboração de um diagnóstico confiável

e capaz de resolver os mais diversos problemas de saúde que afeta nossa população. Sabemos que grande parte da responsabilidade pela formação de um profissional de excelência, deve-se ao próprio profissional, mas temos também a convicção de que uma boa Instituição de Ensino Superior contribui sobremaneira para que este se desenvolva. Desta forma, o corpo docente de um curso de Biomedicina tem que trabalhar insistentemente na formação de profissionais que possam destacar-se no mercado de trabalho, em todas as áreas de atuação deste importante profissional a serviço da saúde, tornando-se não somente um desafio, mas uma realidade, a partir de diversas ações, como programas de extensão, iniciação científica, estágios em diversas áreas e plena execução do próprio Projeto Político Pedagógico. Assim como a Biomedicina, acreditamos no crescimento do profissional biomédico em suas atividades, bem como na demanda do mercado gerador de emprego em diversas áreas de atuação deste importante profissional e, desta forma, colaborar para a melhoria da saúde do nosso país a cada dia.

34 3212-1415


Odontologia

Mais Saúde

Câncer bucal: abordagem elucidativa e preventiva Mirna Scalon Cordeiro | CRO-MG - 29153 Cirurgiã-dentista Especialista em Radiologia e Imaginologia Dentomaxilofacial Mestre e Doutora em Diagnóstico Bucal mirnacordeiro@hotmail.com

Urge desenvolvermos políticas de saúde pública ao se levar em consideração que o processo educativo contribui para diminuir as estatísticas de morbimortalidade.

O câ ncer bucal é definido como uma doença crônica multifatorial, resultante da interação dos fatores etiológicos que afetam os processos de controle da proliferação e crescimento celular. Esse processo está aliado às alterações nas interações entre células e seu meio ambiente. Os principais fatores etiológicos são fumo, álcool, radiação solar, dieta, microrganismos e deficiência imunológica. Caso a doença não seja diagnosticada precocemente, ela poderá resultar na invasão de estruturas vizinhas e na formação de metástases, podendo levar o paciente à morte. As lesões do câncer bucal são comumente assintomáticas nos seus estágios iniciais, podendo mimetizar condições benignas comuns da boca. A prevenção primária dessa condição está embasada nos fatores etiológicos e nas alterações de estilo de vida para prevenir o desenvolvimento da doença. Isso é particularmente importante, pois a boca é facilmente acessível ao exame clínico, à biópsia e ao tratamento, o que tornaria a prevenção possível em muitos casos. No entanto, o câncer bucal é considerado como um dos maiores problemas de saúde pública, em muitas partes do mundo e, inclusive, no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer bucal aumentou de forma brusca nos últimos anos e, em uma proporção bastante rápida. Para 2013, estima-se o número de 14.160 novos casos de câncer bucal em todo o país. Em geral, na maioria dos casos, a detecção do câncer bucal acontece tardiamente. Na ocasião do diagnóstico, a doença já se encontra em estágio considerado avançado. Quando este ocorre precocemente, as complicações no tratamento podem ser minimizadas, possibilitando assim, melhores resultados estéticos e funcionais, menos mutiladores, e permitindo uma sobrevida maior ao paciente.

Um dos fatores contribuintes para o diagnóstico tardio é a falta de conhecimento dos fatores de risco por parte dos pacientes. Os portadores da doença geralmente são incapazes de identificar os seus sinais e sintomas. Várias pesquisas nacionais e internacionais vêm tentando esboçar o grau de conhecimento de várias populações a respeito do câncer e os resultados demonstram que o nível de conhecimento é muito baixo. O Centro Nacional para Estatísticas em Saúde dos EUA entrevistou a população americana, para definir o nível de conhecimento sobre os fatores de risco e os sinais do câncer bucal. Os resultados demonstraram que o tabagismo foi o único fator de risco reconhecido pela população americana, que de um modo geral, sabe muito pouco sobre o assunto e não recebe, regularmente, exame preventivo contra o câncer bucal ou mesmo conhecem a existência da doença. No Brasil, a situação não parece ser diferente, pois os poucos estudos realizados, até o momento, revelaram um resultado semelhante. Além disso, o contato inicial com o álcool e o fumo, geralmente, começa na fase da adolescência e, provavelmente, grande parte dessa população desconheça a participação potencial desses fatores no desenvolvimento do câncer, principalmente o que afeta a boca. Mediante o exposto, urge desenvolvermos políticas de saúde pública ao se levar em consideração que o processo educativo contribui para diminuir as estatísticas de morbimortalidade. Espera-se assim, que o nível de conhecimento da população aumente em relação ao câncer de boca, principalmente na determinação de seus fatores de risco e da importância em se realizar o autoexame bucal, com o propósito de que estes pacientes possam tomar decisões coerentes em relação a sua própria saúde. 2013

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Saúde Mental

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Para que serve o Psicólogo? POR

Leonardo Abrahão

Psicólogo | CRP 36232/04

O psicólogo é o profissional capacitado, pela ciência e pela prática profissional, para acolher e ajudar o indivíduo a olhar, refletir, avaliar a sua situação mental, sentimental e comportamental e a intervir sobre ela.


Não é raro as pessoas brincarem dizendo que alguém está “doido” e que, portanto, necessita de um psicólogo. Essa brincadeira, bastante comum em qualquer classe econômica ou faixa etária da nossa sociedade, revela uma questão: de uma maneira geral e bastante simplista, o senso comum acredita que a Psicologia é “coisa para pessoas desequilibradas, com problemas mentais ou desajustes sociais”. Esse mesmo senso comum, que também costuma pensar que Psicologia “é coisa para mulheres, para fracos ou pessoas que não sabem o que querem da vida”, tem as suas raízes fincadas tanto no desconhecimento absoluto do que faz um psicólogo, quanto na falsa idéia de que “quem sabe o que faz”, sabe mesmo o que faz, o que pensa e o que sente. Então, se essas são as seivas das quais o senso comum se alimenta, falemos agora, rapidamente, sobre elas, contribuindo para o verdadeiro esclarecimento das pessoas que, talvez e desnecessariamente, estejam sofrendo sem saber que existe um profissional especializado em sofrimento humano. Esse profissional é o Psicólogo (Clínico) e, essencialmente, é isso o que ele faz: trabalha com o sofrimento humano. Esse sofrimento, independentemente da intensidade com que se apresente, pode estar relacionado a qualquer outra condição humana, como, por exemplo, um casamento, um curso, uma viagem, um namoro, um emprego, uma dívida, uma perda, uma desilusão ou um medo.

O psicólogo é o profissional que dedica a sua formação acadêmica aos estudos dos mecanismos de funcionamento e operação da mente e do comportamento humano.

As possibilidades, infinitas por definição, são proporcionais às possibilidades da criatividade humana, intrinsecamente permeadas por pensamentos, sentimentos, julgamentos, interesses, expectativas, desejos, receios e todo o mais que os homens podem desenvolver a partir das suas complexas existências e, ainda mais complexas, teias de relacionamentos. Frente aos turbilhões de possibilidades existenciais, comportamentais e relacionais que os homens podem desenvolver, não é de se estranhar que os indivíduos, às vezes, possam se sentir ou se julgar confusos, desestimulados, perdidos ou entristecidos, e, por conseqüência desses sentimentos ou julgamentos, desenvolverem as mais diferentes e improváveis reações comportamentais, atitudinais e até mesmo biológicas em suas vidas. O psicólogo, frente a essas questões, é o profissional capacitado, pela ciência e pela prática profissional, para acolher e ajudar o indivíduo a olhar, refletir, avaliar a sua situação mental, sentimental e comportamental e a intervir sobre ela. E por que o psicólogo é o profissional capacitado para isso? Por que é ele que, primeiramente, dedica a sua formação acadêmica aos estudos dos mecanismos de funcionamento e operação da mente e do comportamento humano. O psicólogo, em outras palavras, é o profissional capacitado para compreender os mecanismos de funcionamento do cérebro, da mente, dos pensamentos, sentimentos e comportamentos dos homens, sendo apto, portanto, para auxiliá-los em relação as suas dificuldades frente às condições e características das suas vidas particulares ou relacionais. Por entender como a mente, a alma ou a consciência humana se sistematiza, organiza e age, o psicólogo é o profissional melhor capacitado para avaliar os “nós”, ou aparentes “nós”, nos quais essa mesma mente, alma ou consciência humana, às vezes, pode se enroscar. Dito isso, não é difícil compreender que qualquer ser humano, em qualquer etapa da sua vida, possa, às vezes, necessitar dos conhecimentos, técnicas e habilidades de um psicólogo. “Doido”, “desajustado”, “fraco” ou não, sabendo ou não sabendo o que quer da vida, qualquer ser humano está sujeito a dar “nós” na cabeça. Não é ótimo, portanto, existir um profissional que, por conta de seus conhecimentos, técnicas e habilidades, entenda de “nós” e esteja apto a identificá-los, compreendê-los e a desfazê-los? Na verdade, tais conhecimentos, técnicas e habilidades dos psicólogos já extrapolaram o universo existencial dos indivíduos em sofrimento e também se tornaram úteis ao universo existencial e relacional de organizações empresariais, instituições escolares, ambientes esportivos, hospitalares e comunitários das sociedades humanas. Nessas outras estruturas, o psicólogo também pode atuar favorecendo e potencializando a saúde mental das pessoas, prevenindo doenças, prejuízos e outros tantos “nós” que, onde haja cérebros, mentes, consciências, inconsciências e comportamentos humanos, são passíveis de aparecerem. 2013

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Veja o que dizem as pessoas que fizeram Psicoterapia Depoimentos reais enviados ao email da Revista Fale Mais Sobre Isso desde a sua 1ª edição

Hudson*, 37 anos

Ana Beatriz*, 25 anos

Meus colegas de escola passaram grande parte do 1º grau me humilhando. (...) Depois, no psicólogo, descobri que isso me levou a ter medo das pessoas e de ambientes cheios de gente. Durante muito tempo eu não consegui defender os meus posicionamentos e as minhas vontades, achando que eu era inferior e incapaz. Com muito jeito, o psicólogo conseguiu me levar a ver que eu não precisava ser refém daquela história de vida passada na escola e que eu era mais forte do que todos e eu mesmo pensávamos. (...) Sou muito grato a ele e nunca deixo de recomendar a psicoterapia aos que sofrem.

Quando eu era criança, fui atacada por uma coruja quando caminhei rumo à toca em que os filhotes dela estavam alojados. Fiquei muito traumatizada com os ataques e passei a ter medo de permanecer exposta em lugares abertos. Medo não, pavor. (...) Deixei de viajar, de ir à fazenda com os meus pais e até mesmo de sair da sala de aula no recreio da escola. Todo tipo de pássaro me amedrontava. Precisei da ajuda de um psicólogo para recuperar a coragem de encarar o céu aberto novamente. (...) Aos poucos ele foi me fazendo perder o medo de tudo que me lembrasse o dia do ataque e me senti totalmente recuperada quando consegui voltar ao mesmo lugar em que as corujas costumavam ficar. O tratamento foi rápido e valeu à pena.

Onivaldo*, 57 anos Quando meu filho mais velho morreu, pensei que não havia mais motivo para eu mesmo continuar vivendo (. . .). Achava uma injustiça muito grande ele ter morrido mais cedo do que eu e comecei a pensar que a culpa era minha por não ter dado conta de protegê-lo. Comecei a beber mais do que já bebia e arrastei o meu casamento e a minha família para um buraco sem fim (. . .). Hoje agradeço a Deus por meu primo psicólogo ter me convencido a visitar uma psicóloga amiga dele. No começo eu visitava a psicóloga por que achava bom conversar com alguém “de fora” sobre a minha dor, mas, aos poucos, consegui enxergar que aquelas conversas conseguiam me mostrar a importância de eu estar ali tratando de outras coisas que já povoavam a minha cabeça muito antes da morte do meu filho. Hoje sinto-me em paz comigo mesmo e com a vida e não deixo de levar a minha esposa a outra psicóloga. (. . .) Todos temos a cabeça povoada por pensamentos que poderiam ser repensados.

Jonas*, 33 anos O psicólogo que contratei me ajudou a descobrir por que eu era super desorganizado a ponto de perder empregos e oportunidades em função da minha indisciplina. (...) Em poucos meses de “tratamento” revi uma série de situações da minha vida e percebi o quanto a minha irresponsabilidade financeira e profissional era uma forma de boicote que eu mesmo infligia a mim por conta de questões muito mal resolvidas da infância e da adolescência. (...) Foi um investimento que fiz e que resultou em ganhos muito maiores para mim. Hoje sou mais responsável e consigo gastar a minha energia destrutiva em áreas que não me trazem prejuízos pessoais, como em hobbies estranhos que cultivo mas que são completamente inofensivos.

João Ricardo*, 41 anos Procurei um psicólogo quando eu estava a um passo de terminar um casamento de 20 anos em função de uma paixão

inesperada por uma colega de escritório 18 anos mais nova do que eu. (...) Eu sabia que amava a minha esposa e que era feliz ao lado dela, porém, não conseguia evitar o crescimento de um interesse avassalador pela moça que o escritório resolvera contratar de uma hora para outra ao final do ano passado. Ao procurar o psicólogo eu desejava entender melhor a origem daquele sentimento incontrolável e que estava prestes a redefinir toda a minha vida. Sendo assim, eu não podia agir sem entender melhor o que se passava comigo. (...) A psicoterapia me ajudou a enxergar o que estava acontecendo à luz da minha própria história de vida, dandome mais segurança e clareza para tomar uma decisão mais coerente e honesta com o sentido da minha existência e das minhas relações.

Margarida*, 31 anos Levei minha filha de 5 anos à psicóloga depois que ela deu uma série de birras gigantescas na porta da escolinha por não querer ficar lá. Ela gritou muito, se debateu e agrediu as coleguinhas e as professoras que tentaram se aproximar. (...) Fiquei muito preocupada com aqueles comportamentos e fui atrás de um profissional que me ajudasse a entender o que estava acontecendo. Por meio de desenhos e brincadeiras simples, a psicóloga conseguiu compreender o que se passava com a minha filha e, então, descobrimos que um professor da escolinha causava muito medo a ela por causa da sua grande semelhança com o pai que a agredia e que também costumava me agredir quase todas as noites. (...) Foi difícil resolver esse conflito na cabecinha dela, mas a psicóloga foi muito hábil e conseguiu ajudá-la a não ter mais medo daquele professor que era inocente. *nomes fictícios, depoimentos resumidos

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Profissionais: ANALICE NERES

LUCIMEIRE LEMOS

CYNTHIA VIEIRA LOPES

MARCUS VINICIUS DUARTE OKONIEWSKI

ELIAS LEITE DEOLIVEIRA

MARINA CAMARGO BORGES PEREIRA

FABIA TUNÍSIA XAVIER

MICHELE DE BIAGGIO SICHEROLI

FABIANA PINTO DA CRUZ

MÔNICA MOTA DE SOUZA

FLÁVIO ESPINDOLA SANCHES

ROSE MARY MACHADO CUNHA

CRP 04/ 36.077 CRP 04/ 26.305 CRP 04/ 66.19

CRP 04/ 32.033 CRP04/ 22.226

CRP 04/ 36.370

ATENENG/MG 1933 CRP 04/ 1500451 CRP 04/ 36.198 CRP 04/ 38.965 CRP 04/ 36.222 CRP 04/ 3038

O atendimento é com hora marcada

Rua Bernardo Cupertino, 300. Martins – Uberlândia (MG)

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3223.7389

A Espaço Vital é uma clínica de Psicologia que visa a promoção e a restauração da saúde emocional e psíquica bem como da qualidade de vida. É uma referência de cuidado e acolhimento, tendo como valores a ética, o respeito e o profissionalismo, acreditando ainda na capacidade de cada um alcançar e desenvolver o seu potencial. A Clínica conta com profissionais capacitados nas diversas áreas da Psicologia, que realizam cursos, palestras, orientação profissional, atendimento psicoterápico individual, casal, familiar e em grupo, tendo como clientela crianças, adolescentes e adultos.


Artigo Artigo

SaúdeSaúde MentalMental

Psicoterapia de casais Leonardo Abrahão

Psicólogo | Palestrante | leonardoabrahao99661835@hotmail.com

A grande maioria dos casais resolve procurar o psicólogo quando julgam que seus relacionamentos estão passando por momentos bastante críticos ou próximos disso.

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O tempo em que vivemos também tem produzido infinitos outros tipos de confusões nas cabeças das pessoas em relação aos seus desejos, as suas fantasias e as suas expectativas de felicidade e realização pessoal. Os casais que procuram acompanhamento psicoterápico geralmente o fazem em momentos de crises no relacionamento. Raramente a procura se dá em outro contexto, apesar de, às vezes, acontecer. Nessas raras vezes, a procura, sabiamente, é motivada pelo saudável – e precavido – desejo de contar com orientação profissional durante alguns momentos extraordinários e potencialmente estressantes na vida das pessoas que compartilham uma vida: gravidez (planejada ou não), nascimentos de filhos, mudanças de cidades, de planos de vida ou de empregos, aposentadoria natural ou forçada por parte de um dos cônjuges etc. Contudo, a grande maioria dos casais resolve procurar o psicólogo quando julgam que seus relacionamentos estão passando por momentos bastante críticos ou próximos disso. Às vezes, esse julgamento é equivocado e não é incomum que isso aconteça. Os tempos em que vivemos têm confundido as pessoas em relação ao que são crises verdadeiras, levandoas a enxergar tempestades em ventanias ou maremotos no movimento natural das marés. Além disso, o tempo em que vivemos também tem produzido infinitos outros tipos de confusões nas cabeças das pessoas em relação aos seus desejos, as suas fantasias e as suas expectativas de felicidade e realização pessoal. O excesso de informações a respeito de tudo e, principalmente, sobre o que é desimportante, a onipotência e a onipresença dos meios capitalistas de comunicação de massa, a avalanche de conclusões “científicas” muitas vezes contraditórias entre si, as mudanças sociais, econômicas e culturais da atualidade e os inevitáveis estranhamentos entre as gerações mais velhas e as gerações mais novas conseguem produzir conseqüências no sistema psíquico de qualquer pessoa e de qualquer relação. Portanto, não é incomum que as pessoas envolvidas em uma relação se sintam perdidas ou julguem os seus relacionamentos também perdidos, cometendo, às vezes, inocentes e compreensíveis erros de avaliação que podem complicar situações que não eram, a princípio, verdadeiramente complicadas. Não obstante, há relações que, concretamente, afundam os seus participantes, as suas energias e as suas porções de tempo em complicados maremotos de desentendimentos, mágoas e indisposições pessoais. Nesses casos, as partes, gradativamente, perdem a capacidade e a sensibilidade necessárias para reencontrarem o caminho da estabilidade e do comprometimento emocionais, passando, portanto, a agir por meio de reações agressivas e/ou defensivas automáticas repletas de conteúdos inconscientes. A partir daí, a relação passa a ser um palco sobre o qual pensamentos e sentimentos mal resolvidos, assim como reações mecânicas e desproporcionais colocam as pessoas que se envolveram afetivamente em constante rota de colisão. Frente a uma situação assim, tomar a decisão de procurar

o acompanhamento do profissional dos pensamentos, sentimentos e comportamentos humanos – o psicólogo –, nem sempre é fácil. E nem sempre é fácil uma vez que todas as decisões relacionadas ao universo do casal passam, necessariamente, pelo campo de paz ou zona de guerra em que o casal se encontra – podendo, portanto, ser amorosamente aceita ou belicosamente recusada pela parte surpreendida pela proposta. Quando a proposta é aceita, mesmo que em condições ainda não ideais, o casal aproxima-se de uma inigualável oportunidade de substituir o palco de guerra no qual se perdia a cada discussão por um planejado espaço marcado pela positividade do respeito mútuo, do diálogo esclarecedor e do acompanhamento capacitado. Esse espaço – é preciso ser dito – nunca significa, necessariamente, a resolução de todas as questões e a garantia da continuidade eterna do relacionamento do casal, mas, em princípio, a privilegiada oportunidade de as partes envolvidas em um relacionamento entenderem as características psicodinâmicas do casal que compõem, suas contribuições particulares, positivas e negativas, para essa psicodinâmica, os seus pontos fracos, os seus potenciais e as suas perspectivas. Obviamente, entregarse a uma experiência como essa – uma verdadeira prospecção da saúde relacional do casal –, requer coragem, responsabilidade, interesse e boa-fé por parte das pessoas envolvidas em um relacionamento. Porém, nada diferente de como as pessoas ligadas a um relacionamento, qualquer que seja ele e submetido ou não a uma prospecção psicológica, deveriam se portar. Por fim, quando a proposta de procurar o acompanhamento de um psicólogo não é aceita por um dos membros do casal, resta, às partes envolvidas na relação, continuar submetidas à psicodinâmica que as caracterizam como casal e à espera dos resultados produzidos por essa psicodinâmica. Às vezes, a depender dos resultados, a parte resistente à idéia de se procurar o acompanhamento profissional de um psicólogo de casais pode mudar de opinião a respeito do assunto assim como pacientes resistentes à dentistas mudam de opinião quando os dentes começam doer e a boca ameaça deixar de ser útil como antes. Enquanto isso não acontece, uma alternativa bastante interessante pode ser colocada em prática por quem já se convenceu das vantagens e benefícios do acompanhamento psicológico: a psicoterapia individual. Com toda certeza – a certeza da ciência e a certeza proporcionada pela experiência profissional –, a psicoterapia individual também produz valiosos e positivos resultados na história de toda e qualquer relação a dois. Com ela, pelo menos metade de tudo o que diz respeito à relação passa a estar sob os cuidados e a orientação de um profissional voltado exclusivamente para a saúde mental das pessoas – e isso, que já não é pouca coisa, pode ser um excelente começo. 2013

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Saúde Mental

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O Psicólogo Organizacional e sua atuação Laryssa Bernardes Bucci Psicóloga organizacional - CRP 343225/04 laryssab@hotmail.com

De onde surgem as organizações? Como se estabelecem as relações trabalhistas? Como as doenças mentais passam a surgir no ambiente empresarial? Qual o papel do psicólogo nesse contexto? Essas são indagações que nos remetem a compreensão dos primórdios das organizações, já que as mesmas nasceram de uma necessidade de “ordenar” as funções dos trabalhadores utilizando o estudo administrativo focado em planejar, organizar, liderar e, até mesmo, controlar esses indivíduos. Tal visão mecanicista e técnico-funcional trazida pelos estudiosos das ciências exatas demonstrou grande produtividade, porém se deparou com indivíduos que desencadearam transtornos psíquicos atrelados ao trabalho. E nesse momento surge uma nova questão: como lidar com a saúde mental dessas pessoas? O Psicólogo Organizacional possui esse papel necessariamente importante na organização, é ele que traz o ser psíquico dotado de consciência emocional à tona, e é com esse profissional que a empresa direciona as competências comportamentais corretas para as funções dos cargos. Assim, ele se faz essencial desde a descrição das funções, às avaliações psicológicas no processo de seleção, nos treinamentos essenciais para o cargo, na capacitação de líderes para realizarem a gestão saudável de suas equipes, no acompanhamento do clima organizacional, na elaboração de tratativas necessárias e em diversos outros meios que busquem a saúde mental do trabalhador. É com o Psicólogo Organizacional que o pensamento racional passa a se envolver com a visão psíquica do trabalhador, e nesse momento a organização passa a alimentar o desejo de ser cada vez mais útil. Portanto, o campo de atuação dos Psicólogos Organizacionais está sendo ampliado a cada dia, ainda existem espaços organizacionais possíveis de serem conquistados e que compartilhados com outras categorias profissionais tornam a Organização um local mais saudável para se trabalhar e, ainda, trazem ao associado o senso de percepção de justiça.

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Artigo

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O poder do não-dito Ana Cecília Crispim Silva | CRP04/35232 Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia. Pós-graduanda em Psicoterapia Clínica. Atuação clínica em consultório e saúde pública.

34 9205.2080 | 34 3236.7814 | anaceciliacrispim@hotmail.com

Significa que tudo está em nossas próprias mãos? A resposta é simples: se o sentimento é seu, você é a pessoa mais indicada para cuidar dele, mesmo que sinta a necessidade de procurar ajuda profissional, no caso, de um psicólogo

Ao pensar no não - dito, podemos falar de dois usos diferentes para uma mesma expressão. Uma delas diz respeito àquilo que não é dito, mas que se manifesta de outra forma: um olhar, um sorriso, um gesto. Muito comum entre amigos íntimos, casais de namorados e entre pais e filhos, costuma-se dizer que não é preciso palavras para expressar o que se sente, para dar uma bronca ou até mesmo para dar uma resposta. Este seria o lado saudável do não dizer, é o clássico “Um olhar vale mais que mil palavras”. Porém, abordaremos aqui outro sentido, aquele em que “o não-dito torna-se maldito”. Sim, é preciso dizer e, claro, desacreditar que o outro sabe ou deva saber tudo a nosso respeito. Essa premissa vale para o ambiente de trabalho, para os relacionamentos familiares, amorosos e de amizade. Se você está cansado ou sobrecarregado, é você quem precisa dizer ao chefe sobre as dificuldades de realizar uma atividade com prazos curtos. Se você está sendo cobrado por algo que não é da sua alçada, é você quem tem que informar ao responsável. Se você está insatisfeito com o salário e as condições de trabalho, é você quem precisa manifestar e buscar por melhorias. Se você está sofrendo com a rotina da casa e sentindo-se injustiçado, você pode conversar com a família para dizer dos seus sentimentos. Se você está percebendo algo que tem prejudicado o bem estar e a boa convivência, você pode refletir junto com os demais e expor seu ponto de vista. Se você está insatisfeito com o namoro ou o casamento, você é o melhor candidato a começar o assunto. Se você não gosta de algo que vem se repetindo entre você e um amigo, talvez uma boa opção seja dizer o que isto tem lhe causado.

E assim, vamos longe. Significa que tudo está em nossas próprias mãos? A resposta é simples: se o sentimento é seu, você é a pessoa mais indicada para cuidar dele, mesmo que sinta a necessidade de procurar ajuda profissional, no caso, de um psicólogo, o que pode significar uma experiência bastante rica. Ter essa postura não significa que haverá uma transformação por parte do outro - o amigo, os pais, o companheiro - mas pode ser uma mudança na sua forma de se colocar diante das relações que estabelece com as pessoas e com o mundo. Na psicanálise, principalmente quando se trata da clínica com crianças e adolescentes, o não-dito tem um significado de grande valia. Refere-se ao obscuro, ao segredo a ser velado. Maud Mannoni, seguindo Françoise Dolto e os ensinamentos de Jacques Lacan, afirma que as condições e as verdades (ou mentiras) do casal parental estão representadas pelo sintoma da criança. E ainda considera que não é a real situação vivida que faz mal, mas sim o não-dito sobre a mesma. A exemplo disso – desses segredos velados, não ditos, misteriosos – é possível citar casos como histórias do passado da família ou do casal, adoção, doenças grave com pessoas próximas, morte, conflitos, traições e até a separação do casal, dentre outras. Por fim, um questionamento: como, quanto e quando dizer? Parece óbvio que, de fato, nem tudo é dito, por exemplo, os detalhes que envolvem a separação dos pais, não são todos ditos aos filhos ainda tão novos. É preciso dosar, refletir, encontrar um tom de voz que julgar adequado, falar de uma maneira que o outro possa compreender e esperar o momento em que se sentir preparado, inclusive para ouvir. 2013

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Saúde Mental

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Eu quero um laudo da justiça A interação entre psicologia e direito se aprofunda à medida que a justiça se humaniza Reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) como uma especialidade da profissão, a Psicologia Jurídica é um campo de atuação cujas práticas e reflexões vêm sendo construídas a partir dos desafios postos a esses profissionais no dia a dia do exercício da Psicologia, em grande parte, em interface com o Judiciário. Inicialmente atuando nas varas de infância e adolescência, o psicólogo hoje também trabalha em varas de famílias e sucessões e até em ações cíveis, como os pleitos de reparação por dano psíquico, em ações trabalhistas, previdenciárias e de interdição judicial, nesta última atuando em conjunto com psiquiatras. Essa é uma área de trabalho ainda em expansão, já que são muitos os espaços nos quais profissionais da Psicologia são requisitados, como na investigação de suicídios, por meio da chamada autópsia psicológica, cada vez mais demandada por empresas seguradoras. “Mais recentemente, também temos recebido pedidos de avaliação psicológica de pessoas que passaram em provas de concursos, mas que foram reprovadas por avaliações psicológicas realizadas pelos centros de seleção”, explica Sônia Rovinski, que trabalha no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. “Temos também a mediação de conflitos, a justiça restaurativa, testemunhos e casos de vitimização”, enumera ainda Dayse Bernardi, uma das

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primeiras psicólogas do Tribunal de Justiça de São Paulo, que criou a carreira, inicialmente com 64 cargos, na década de 1980. “A Psicologia e o Direito são saberes que se complementam por meio de diferentes e múltiplas práticas, que não se restringem a perícias e diagnósticos”, explica Dayse Bernardi. Trabalhando há mais de 20 anos com varas da infância e da juventude e integrante da Coordenação da Infância e da Juventude do Conselho Nacional de Justiça, Bernardi defende que o papel do psicólogo vai além do meramente “laudatório”. “O psicólogo funciona também como um agente de efetivação de direitos, seja pela busca espontânea da parte de quem tem um direito lesado, seja por pessoas que são trazidas para resgatar algum tipo de quebra de contrato social”, afirma. “É um campo heterogêneo, a partir da intervenção de seus profissionais, e também tem sobre si o encargo de tentar unificar um pouco essas formas de atuação, para fazer frente a outros profissionais com quem lidamos na prática – o juiz, o advogado, o assistente social. A cada caso atendido, eles também vão construindo a ideia do que o psicólogo faz”, afirma Sidney Shine, que trabalha no Tribunal de Justiça de São Paulo.

LIMITES ÉTICOS − Uma das principais discussões sobre esse campo de trabalho para os psicólogos diz respeito aos limi2013

tes éticos de atuação desse profissional, que muitas vezes os impedem de atender a determinadas demandas de juízes, de advogados ou das próprias partes envolvidas. A exigência de postura ética por parte de psicólogos já gerou diversos questionamentos no Sistema Conselhos de Psicologia. Alguns foram estudados por Shine, no Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, em tese de doutorado defendida no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), em 2009. Ele analisou uma amostra de 31 das 45 denúncias éticas apresentadas ao CRP-SP contra psicólogos que produziram laudos para a Justiça entre 1997 e 2005. Todos os casos selecionados estavam relacionados à atuação de psicólogos nas varas de família. Essas denúncias resultaram na punição de oito profissionais, por afirmações a respeito de pessoas sem a fundamentação técnica necessária. “Os problemas mais graves foram relacionados a estratégias equivocadas de avaliação psicológica, com atendimentos que desconsideraram aspectos importantes das famílias envolvidas”, explica Shine. Dos casos analisados por Shine, repetem-se as queixas contra psicólogos por atenderem crianças ou adolescentes sem o conhecimento de um dos responsáveis e por fazerem afirmações sobre pessoas que não avaliaram diretamente. Um exemplo clássico é o do psicólogo que faz afirmações sobre um pai,


O psicólogo deve oferecer ao juiz subsídios para uma tomada de decisão e não apontar a decisão que julga adequada tendo por base apenas os relatos da criança que atende em seu consultório ou de sua mãe. Nesses casos, o psicólogo estaria numa situação delicada e complexa para atuar também como assistente técnico em ação judicial. “Isso caracteriza uma mudança do enquadramento de trabalho clínico para o fornecimento de um ‘atestado’ opinando sobre guarda de criança ou adolescente”, afirma Shine, acrescentando que “a participação do psicoterapeuta como assistente técnico ou perito fica ainda mais comprometida quando se trata do psicoterapeuta infantil, porque o paciente é a criança, mas o trabalho é feito pela demanda do responsável por ela”. Para orientar este trabalho, o Conselho Federal de Psicologia instituiu, por meio da Resolução nº 7/2003, o Manual de Elaboração de Documentos Escritos produzidos a partir de avaliações psicológicas. Em

resolução mais recente, a de nº 8/2010, o CFP dispôs sobre a atuação do psicólogo como assistente técnico (quando trabalha para uma das partes em um processo judicial) ou como perito no Poder Judiciário. A Resolução prevê, por exemplo, que o psicólogo que presta atendimento psicoterápico não pode atuar como assistente técnico ou perito em processo que envolva a pessoa atendida. Para falar como testemunha, o psicólogo deve ter autorização da pessoa atendida ou de seu responsável legal. O Conselho Federal de Psicologia lançou, em 2010, pelo CREPOP, a publicação Referências Técnicas para atuação do psicólogo em Varas de Família, construídas a partir dos princípios éticos e políticos norteadores do trabalho dos psicólogos nesse campo das políticas públicas. O documento busca sistematizar referências sobre a atuação de pro-

fissionais da Psicologia que atuam na área jurídica, respondendo ainda às principais dificuldades mapeadas nas pesquisas realizadas com esses profissionais, dando subsídios para a execução do trabalho. Uma das dificuldades dos profissionais que começam a atuar na esfera jurídica diz respeito à formação oferecida pelas instituições de ensino superior. A disciplina de Psicologia Jurídica não faz parte do currículo mínimo dos cursos de Psicologia no país e não são todas as faculdades que oferecem esse tipo de formação aos alunos. “O objetivo no curso é que o psicólogo tenha uma formação generalista, mas o profissional interessado nesta área pode buscar aprimoramento em um curso de especialização para esta área, que já são muitos no país”, esclarece Sônia Rovinski.

INSERÇÃO NA ÁREA Apesar de já terem marcado espaço nesta área, ainda são poucos os psicólogos que atuam no Judiciário. No Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por exemplo, são cinco psicólogos para atender a todo o estado em casos de justiça gratuita de ações cíveis. “As varas criminais e de infância e juventude contam com outras equipes”, explica Rovinski. Entidades como a Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP) reconhecem a necessidade do trabalho do psicólogo no Judiciário. Para a ABMP, toda vara especializada da infância e da juventude deve contar com uma equipe interprofissional composta por, no mínimo, três profissionais de diferentes áreas (assistente social, psicólogo, pedagogo e antropólogo, este último para algumas regiões específicas do país). Para isso, a ABMP e a Associação dos Assistentes Sociais e Psicólogos do Tribunal de Justiça de São Paulo (AASPTJSP) defendem a realização de concursos públicos em todo o país.

O QUE DIZ A RESOLUÇÃO Nº 8/2010 SOBRE O TRABALHO DE PSICÓLOGOS, PERITOS E ASSISTENTES TÉCNICOS • O psicólogo, na condição de perito ou assistente técnico, deve evitar qualquer tipo de interferência, durante o trabalho de avaliação, que possa comprometer o princípio da autonomia teórico-técnica e éticoprofissional ou que possa constranger o periciando durante o atendimento.

• O assistente técnico de uma das partes pode apontar quesitos a serem respondidos pelo perito. • O trabalho pericial pode lançar mão das mais diversas metodologias, de acordo com a especificidade da situação.

• A perícia deve ser realizada em ambiente apropriado, a fim de zelar pela privacidade da pessoa atendida.

• O psicólogo perito deve atuar em equipe multiprofissional, mas deve preservar sua especificidade e limite de intervenção, sem se subordinar técnica e profissionalmente a outras áreas. • Os documentos produzidos devem seguir as orientações do Manual de Elaboração de Documentos Escritos produzidos pelo psicólogo, instituído pela Resolução nº 7/2003. Fonte: Revista Diálogos/CFP

• O psicólogo deve oferecer ao juiz subsídios para uma tomada de decisão e não apontar a decisão que julga adequada. • O assistente técnico deve restringir sua análise ao estudo psicológico resultante da perícia, elaborando quesitos que possam esclarecer pontos não contemplados ou contraditórios. • Antes de iniciar o trabalho como assistente técnico, o psicólogo deve formalizar a prestação de serviço por meio da assinatura de um termo de compromisso, em que deve constar a anuência da parte contratante. • O profissional que atua como psicoterapeuta de partes envolvidas em um litígio não deve atuar como perito ou assistente técnico de pessoas por ele atendidas ou de terceiros envolvidos na mesma situação litigiosa. • No mesmo caso, também não deve produzir documentos advindos do processo psicoterápico para prestar informações à Justiça, sem o consentimento formal das pessoas atendidas. Se a pessoa atendida for criança, adolescente ou interdito, a autorização deve ser dada por pelo menos um dos responsáveis legais. 2013

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Saúde Mental

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Psicoterapia Leonardo Abrahão

Psicólogo | Palestrante | leonardoabrahao99661835@hotmail.com

Saiba mais sobre a área de atuação do Psicólogo Clínico Quando a Psicoterapia é indicada? A Psicoterapia não possui contra-indicação, podendo, portanto, ser indicada em qualquer momento da vida de uma pessoa, de um casal ou de um grupo de pessoas. Pode ser desenvolvida de forma preventiva - como uma espécie de investimento em saúde mental-, assim como quando se faz necessário procurar uma resposta, solução ou encaminhamento para questões que já afligem os indivíduos. De forma preventiva, a Psicoterapia pode ser indicada para qualquer um que, apesar de não apresentar necessidade de um trabalho psicológico, esteja passando ou prestes a passar por situações psiquicamente desgastantes. O trabalho preventivo, então, pode se constituir em um valioso recurso de preparação dos indivíduos para as vicissitudes da vida, afinal, quem pensa sobre si e sobre as suas próprias potencialidades encontra-se em melhores condições para lidar com as possibilidades da existência. No entanto, normalmente a Psicoterapia é indicada às pessoas, casais ou grupos que não estejam conseguindo encontrar a paz, o equilíbrio e a satisfação consigo mesmas, nas relações das quais participam e/ou nos objetivos a que se propõem. Conclusão: de forma preventiva, ou quando a prevenção tornou-se insuficiente, a Psicoterapia é indicada sempre que o objetivo é o esclarecimento, o aprimoramento, o amadurecimento e o fortalecimento das condições psíquicas, comportamentais e/ou relacionais do(s) indivíduo(s).

As sessões de Psicoterapia são sempre semanais? Nem sempre. A periodicidade dos encontros com o Psicólogo depende das necessidades e possibilidades de quem o procura, assim como das características e gravidade das questões que lhes são apresentadas. O Psicólogo avalia as condições psíquicas, comportamentais e existenciais da pessoa interessada na Psicoterapia e, em comum acordo com ela, chega a uma proposta de trabalho que inclui a freqüência, as regras e os valores do trabalho psicoterápico que será realizado.

Como o pagamento das sessões é realizado? Cada Psicólogo pode desenvolver uma forma de lidar com essa questão, sempre, obviamente, dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Código de Ética da Psicologia. Dessa maneira, o melhor a ser feito é: combinar com o Psicólogo, já na primeira sessão, a maneira como ocorrerá a questão do pagamento pelos serviços prestados. Por mais que seja uma relação bastante particular e especial, a relação entre o Psicólogo e quem o procura para sessões de psicoterapia não deixa de ser uma relação caracterizada pela prestação de serviços. Dessa maneira, um contrato é estabelecido entre as partes, recomendando-se, inclusive, a sua elaboração por escrito de acordo

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com os princípios éticos da Psicologia e as condições acertadas entre as partes. Em tempo: pode ser que o Psicólogo cobre pela primeira consulta, aquela em que as partes se encontram pela primeira vez inclusive para discutir a necessidade e as condições dos próximos encontros – a psicoterapia, propriamente dita. E pode? Pode. O Psicólogo é um profissional liberal e, como tal, pode cobrar pelo seu tempo.

A Psicoterapia é eficaz? A Psicoterapia se insere no campo das Ciências Humanas, e, como tal, não é passível de medição da sua “eficácia” nos mesmos moldes, padrões, critérios e modelos das Ciências Exatas ou Naturais. Dessa forma, e tendo por base os paradigmas próprios das Ciências Humanas, vários estudos e várias pesquisas reconhecem a importância, o significado e a positiva repercussão da Psicoterapia na vida das pessoas, ajudando-as, resgatando-as ou orientando-as no sentido de uma vida mais saudável, satisfatória, equilibrada e promissora. Contudo, há Psicoterapias que se aproximam dos modelos clássicos de ciências e, em relação a essas, há vários estudos indicando as suas eficácias. Em relação às demais - as Psicoterapias que se distanciam dos paradigmas científicos clássicos –, podemos afirmar que outros modelos e pressupostos científicos que não os clássicos também atestam as suas competências, habilidades e capacidades, considerando-as, portanto, altamente produtivas e recomendadas (às vezes, a Psicoterapia é mais do que recomendada – é necessária).

As Psicoterapias são todas iguais? Não. A complexidade e a diversidade dos seres humanos, assim como o desenvolvimento e o enriquecimento dos conhecimentos humanos ao longo dos tempos, possibilitaram o surgimento de diferentes e pertinentes concepções de homem. Dessa maneira, diferentes Psicologias e, conseqüentemente, Psicoterapias, foram criadas pela humanidade. Às vezes, uma corrente ou abordagem psicoterápica (em outras palavras, a maneira como o Psicólogo Clínico trabalha) encaixa-se perfeitamente às necessidades e expectativas de quem a usufrui. Entretanto, nem sempre é assim. A diversidade de maneiras como um Psicólogo pode trabalhar faz com que algumas linhas de trabalho não sejam as mais indicadas a algumas pessoas – e isso nem sempre é imediatamente perceptível (lembre-se: nada é mais complexo do que um ser humano). Se isso acontecer com você, não pense que a Psicologia seja inútil ou uma ilusão. Procure outra linha de trabalho, outro Psicólogo. As Psicoterapias são muitas, diversas e riquíssimas. Descubra-se, descobrindo, e se lembre do que a escritora Clarice Lispector certa vez disse: “o que é verdadeiramente imoral é desistir de si mesmo”.


Terapia Cognitivo Comportamental Atendimento de crianças, adolescentes e adultos. Programa Universitário Curso de Formação em TCC (para estudantes de Psicologia e Psicólogos) Programa Combatendo o Estresse em Concursos e Provas Programa de Orientação de Pais Supervisão Clínica Tratamento do Tabagismo e da Obesidade

Psicólogos(as) Cíntia Marques Alves - CRP 25718/04 Elson Kagimura - CRP 22769/04 Fernanda Blascovi - CRP 35626/04 Pablo Fernando Souza Martins - CRP 22766/04

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Saúde Mental

Como podemos ajudar nossas crianças e jovens a cuidar de sua saúde mental? Simone Vieira de Melo Shimamoto

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Para responder a esta pergunta, pensemos no modelo geralmente assumido pelas famílias em nosso contexto. Nossos filhos devem experienciar processos sistemáticos de formação que desenvolvam e aprimorem a inteligência, permitindo que sua autoestima e autoconfiança se fortaleçam.

O ano escolar tem início e, com ele, novos colegas, professores, conhecimentos e possibilidades. Nesse período, é comum realizarmos planejamentos generalizados (quando não nos esquecemos de fazê-lo), o que faz com que as ações fiquem restritas a respondermos às dificuldades emergentes. É como se “deixássemos a vida nos levar” em relação aos estudos de nossos filhos, tornando-nos bombeiros em constante ação. Surge um incêndio, corremos para apagá-lo; surge outro, nova correria; e outro, e outro... O ano letivo transcorre e, com a chegada do 2º semestre, as notas tornam-se grande preocupação, pois delas depende a tão almejada aprovação... Ação muito comum nesse momento é a corrida em busca de professores para aulas de reforço na tentativa de evitar reprovações. Ora, sabemos que desafios fazem parte de nossa rotina e que enfrentá-los é imprescindível ao nosso crescimento e amadurecimento. Também compreendemos que imprevistos acontecem... O que não devemos perder de vista é que muitos incêndios podem – e devem – ser evitados, se planejarmos e investirmos no diferencial de formação. A formação transcende os muros da escola. Somos seres dinâmicos e não podemos focar a formação de nossos filhos à mera aquisição de conteúdos para aprovação nas avaliações escolares, vestibulares, ENEM... Ir à escola é necessário, mas insuficiente para a formação. Formação significa desenvolvimento, dinamicidade e completude. Nesse sentido, envolve: aquisição de conhecimentos, agilidade de raciocínio, aperfeiçoamento de estratégias diferenciadas e segurança nas decisões, aprimoramento da escuta e da argumentação (melhorando as relações intra

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e interpessoais), autoria, enfrentamento de desafios, criatividade, persistência, avaliação. Tomar consciência da complexidade desse processo é imprescindível a uma formação saudável. Participar de experiências desafiadoras fortalecendo nossas potencialidades e superando nossas fragilidades é parte do aprimoramento de nosso ser aprendente e ensinante, de nossa saúde mental. Nossos filhos devem experienciar processos sistemáticos de formação que desenvolvam e aprimorem a inteligência, permitindo que sua autoestima e autoconfiança se fortaleçam. Assim, os enfrentamentos postos pela escola e no diaa-dia são recebidos com o desejo de superação e a consistência de um cérebro saudável por lidar constantemente com desafios gradativos e variados, possibilitando a geração de novas conexões neuronais e maior qualidade no aperfeiçoamento da própria formação. Deixemos as ações contra incêndios para os profissionais do corpo de bombeiros, tão importantes para a segurança e a vida da população, não é mesmo? Cuidemos para que a completude na formação de nossos filhos seja uma constante, qualitativamente diferenciada, na qual a responsabilização pela própria formação seja descortinada enquanto bem precioso para nossa autonomia e inteireza. Além de melhorar a qualidade de vida de nossos filhos, evitaremos a imensa carga de atividades remediadoras, permitindo que eles se detenham com mais propriedade e, porque não dizer, alegria, em sua própria formação. Superar desafios é crescer, colocar-se diante do novo com postura investigativa, confiando em si mesmo, sentindo o sabor de saber e de ser.

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Congresso Internacional de Psicologia em Lima-Peru Kátia Beal

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O evento, que ocorre a cada 3 anos, foi uma excelente oportunidade de atualização profissional Abertura

Bernard Rangé

Caballo

Carmem Beatriz Neufeld

Frank Dattilio

Judith Beck

Keith Dobson.

A psicóloga Kátia Beal participou do 7º Congresso Mundial de Terapias Cognitivas e Comportamentais, realizado em Lima, capital do Peru, nos dias 22 a 25 de julho de 2013. O evento, que ocorre a cada 3 anos e foi realizado pela primeira vez na América Latina, reuniu mais de 3 mil psicólogos do mundo todo e foi uma excelente oportunidade de atualização profissional, já que estiveram presentes grandes psicólogos e psicoterapeutas de renome internacional que apresentaram os resultados das mais recentes pesquisas na área da terapia cognitivo-comportamental, atualmente a abordagem de primeira escolha no tratamento dos transtornos emocionais. O lema do congresso foi unindo

culturas para melhorar a qualidade de vida, e esta foi uma temática constante em todas as conferências e cursos. Esta proposta permitiu avaliar a aplicabilidade e as evidências da terapia cognitivo-comportamental na prática clínica em concordância com as teorias elaboradas pelos autores mais lidos e estudados no mundo. As principais apresentações do congresso foram a de Aaron Beck, o pai da terapia cognitiva, que fez a abertura do evento por teleconferência e sua filha Judith Beck, que apresentou o seu programa para quem deseja perder (e manter) o peso, o “Pense Magro” e também seus estudos sobre os transtornos da personalidade, e suas técnicas

2013

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de como lidar com pacientes difíceis. Também muito aguardados foram Robert Leahy, Frank Dattilio, Arthur Freeman, Keith Dobson e Vicente Caballo. Não esquecendo de importantes estudiosos do Brasil, como a Dra Ana Maria Serra, de São Paulo, Renato e Marina Caminha do Rio Grande do Sul, Carmem Beatriz Neufeld de Ribeirão Preto, Bernard Rangé do Rio de Janeiro, entre outros. Entre os vários temas estudados no congresso, Kátia destaca especialmente os de maior demanda em seu consultório: transtornos de ansiedade, transtornos de humor, transtornos alimentares, terapia de casal e das relações familiares, e os cuidados com a saúde mental das crianças.

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A Saúde levada a sério na Revista e na TV.

Se o assunto é Saúde, Fale Mais Sobre Isso.

Programa inédito na TV: segundas-feiras às 22h. Image TV Canal 15 | Canal da Gente Apresentador_Leonardo Abrahão


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Scheila Maria Ferreira Silva Psicologia Clínica | Orientação Profissional e de Carreira

Clientela: adultos e adolescentes Av. Cesário Alvim 818 | Sala 1008 Ed. Uberlândia 2000 | Uberlândia/MG 34 9963.6005 | 34 3211.8714

Sílvia Martins Garcia Psicologia Clínica e Escolar

Clientela: crianças, adolescentes e adultos Atendimento individual e grupal R. Gardênia, 71 |Centro | Uberlândia/MG 34 9993.9918 ctbc | 34 9240.4962 tim silivam2@yahoo.com.br

Tatiane Medeiros Cunha | Psicologia Clínica (Análise Transacional) Hipnoterapia Ericksoniana Clientela: crianças, adolescentes, adultos e casais

Rua Gardênia, 71 | Centro | Uberlândia/MG 34 8811.7164 | 34 9211.6536

Teresa Cristina Martins Silva Psicologia Clínica

Clientela: adolescentes e adultos Av.Cipriano Del Favero, 794 | Centro Uberlândia/MG | clinicaacolher.com 34 3083.6720 teresacristina@clinicaacolher.com

Thamy de Morais Miranda Psicologia Clínica (Psicoterapia Cognitivo-Comportamental)

Clientela: crianças, adolescentes, adultos e idosos Av. Cipriano Del Fávero, 794 Centro | Uberlândia/MG | clinicaacolher.com 34 3083.6720 thamy@clinicaacolher.com



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