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Publicação mensal da Igreja do Recreio | Ano 01 . nº06 . Janeiro 2013 Distribuição gratuita e dirigida . Venda proibida | elos@igrejadorecreio.org.br

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Diretor executivo

Editor de conteúdo

Publicidade Carolina Carneiro carolina@igrejadorecreio.org.br

Redação Carolina Carneiro Marcelo Belchior Dhiego Almeida

12 Fidelidade conjugal

04 Cesta de leitura

Ninguém está livre de adulterar. Conhecemos casos emblemáticos de grandes combatentes pró-fidelidade conjugal que sucumbiram.

Conversamos com Claudia Guimarães, coordenadora do Projeto Cesta de Leitura, que está sendo implantado no Posto de Saúde Harvey Filho.

Colaboraram nesta edição George Heinrichs; Paulo Moura; Karolyne Reis Israel Belo de Azevedo; Edvar Gimenes Rafael Mattos; Lécio Dornas; Josias Bezerra Samuel Rodrigues; Sylvio Macri; Joel de Brito Isaltino Gomes; Cacau de Brito; Joel Leandro Wesley Cavalheiro; Marcos Werton; Virgínia Martin Dercinei Figueiredo; Ruth Honorio; Paulo Pancote

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Aposentadoria:

Conselho editorial

um problema

Tamar Souza; Daladier Carlos; Carlos Novaes; Adalberto Sousa; Lília Marianno

Projeto gráfico Marcelo Belchior marcelo@igrejadorecreio.org.br

CTP e Gráfica Gráfica Marc Print 21. 2260.2613 | marcprint@graficamarcprint.com.br

Tiragem 10.000 exemplares Distribuição dirigida aos moradores do Recreio, Barra da Tijuca e adjacências

Informações Igreja do Recreio Rua Helena Manela, 101 . Recreio 21. 2437.3015 Ramais 220 a 222 elos@igrejadorecreio.org.br

. destaques

Utahy Caetano dos Santos Filho MTB 52730-080RJ utahysantos@gmail.com

Marcelo Belchior

destaques

Reprodução internet

O adolescente é fascinante. Um grupo poderoso, certamente. Na adolescência formamos os laços mais fortes e cremos que as amizades serão para toda a vida.

Uma publicação mensal da Primeira Igreja Batista do Recreio dos Bandeirantes. É proibida a venda de exemplares. Distribuição gratuita e dirigida.

Wander Ferreira Gomes wander@igrejadorecreio.org.br

30 Vigor adolescente

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Solarisphoto.com

Juros menores

nova estratégia Com juros menores as pessoas precisarão rever suas estratégias de investimentos, desenvolvendo esforço maior para guardar mais dinheiro.

Oscar Niemeyer trabalhou até os 104 anos de idade, mas foi uma exceção em relação aos velhos do Brasil.

16 10 Remoção de Garanta tatuagem seus direitos Acabado o “grande amor”, acaba-se a tatuagem. A questão é como removê-la.

Jornaldiadia.com.br

No Brasil, o Direito do Consumidor surgiu em 1990, com o Código de Defesa do Consumidor.

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O conteúdo e informações contidos nas matérias e artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores. É necessária prévia autorização, e devida citação do veículo, para reprodução total ou parcial do conteúdo.

Crack: repressão policial não resolve o problema

As publicidades veiculadas nesta edição são de responsabilidade exclusiva dos anunciantes.

Streetroots.com

Em 98% dos municípios há tráfico e consumo de crack, ou seja, temos cracolândias espalhadas por todo o país. Revista Elos | Edição 06 . Janeiro 2013 |

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O cardápio

O Hobbit é

sucesso de bilheteria na América do Norte

Utahy Santos

O filme “O Hobbit: uma jornada inesperada” prevaleceu nas bilheterias da América do Norte mais uma vez em seu terceiro fim de semana em exibição. Com a venda de US$ 32,9 milhões em ingressos, o filme deixou para trás “Os Miseráveis”, musical recheado de estrelas, e o faroeste de Quentin Taratino, “Django Livre”.

Editor de conteúdo . utahysantos@gmail.com

editorial

editorial .

Eu, pelo menos até certa idade, ansiava por janeiro para ir a Macaé e curtir as praias pré-Petrobrás. Estudante, naquele bom tempo, entrava em férias no começo de dezembro e só voltava à tortura em março. Hoje, férias são de 10 dias, para estudantes e trabalhadores. Empregado que pede para tirar os 30 dias, direto, é olhado com desconfiança até pelos colegas. Ninguém quer “perder” tempo. Regina Casé declarou que tudo o que mais quer é curtir marido e filha, mas o tempo é curto. Imagino que a maior angústia de bons pais é perceber que os filhos cresceram e em algum ponto do crescimento a interação que havia com as crias se perdeu. “Férias em família – por que são importantes?” é artigo escrito pelo pr. Paulo Moura e fala sobre a importância do período de férias: “Mesmo para as famílias que preferem ficar em casa, o período de férias pode ser bastante divertido e proveitoso. Há muitos jogos e atividades lúdicas e educativas que oferecem entretenimento para todos.” Aproveite e leia o texto em família. Já no fechamento de ELOS me chegou um texto “para mulheres”, escrito por Virgínia Martin: “Homens podem ler, mas esta é para mulheres”. Conheci Virgínia em uma palestra da JUMOC, em Niterói. Ela era a jovem palestrante e eu o veterano líder de jovens sentado na plateia. Sempre a admirei muito e fico feliz em poder publicar seus textos elegantemente claros: “Ora, quem procura o melhor para si, sabe peneirar e rastrear muito bem no

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meio da rede que recolhe tantos peixes. Se você tem qualidade, esteja segura de que há procura para sua demanda porque, em ambos os sexos, há gente muito boa procurando a pessoa certa. Seja sempre lei de procura, não de oferta”. Não disse. Leitura para homens e mulheres.

“Os Miseráveis” ficou em terceiro lugar, com vendas de 28 milhões de dólares, de acordo com as estimativas dos estúdios. Na terceira semana em cartaz, “O Hobbit” arrecadou US$ 222,7 milhões, segundo a Warner Bros.

Aproveito e menciono outra colaboradora de ELOS que admiro demais: Karolyne Reis. É importante dizer que Karolyne tem 16 anos, é uma menina que escreve como gente grande talentosa (há muitos adultos que não juntam lé com cré na hora de escrever). Conheci seus textos pelo sítio da IB de Barão da Taquara e me impressionei. Frequentamos a mesma igreja, mas sou pouco assíduo e, muito de vez em quando, a vejo de longe. Nunca falei com ela pessoalmente, só pelo Facebook ou por email, mas já pude lhe dizer que não pare de escrever. “Sorte” é o tema de Karolyne nesta edição.

“Django Unchained”, com Jamie Fox, ficou em segundo, com arrecadação de 30,7 milhões de dólares. (estadao.com.br/noticias/geral)

O veterano de ELOS é o pr. Sylvio Macri. Outro homem por quem tenho grande admiração. Conheci-o quando eu secretariava O Jornal Batista. Tenho imenso prazer em contar com suas contribuições para a nossa revista. Capa e dois textos de ELOS tratam de adolescentes. A adolescência é a fase mais complicada da vida. É o momento em que temos mais alternativas, podemos seguir por qualquer caminho e somos dominados por um sentimento de poder quase incontrolável. Mas eu acredito na inteligência do adolescente bem formado e por isso entendo ser ele a maior força de uma igreja. Esta é parte do cardápio de ELOS. Tem muito mais dentro de nossas 48 caprichadas páginas. Deleite-se. Divulgação

Janeiro, para os que podem, é mês de férias. Férias, no passado, eram 30 dias afastados do batente, os adultos; uns 80 longe da escola, as crianças.

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Cartas dos

leitores

Marco editorial Recebi, já há alguns dias, o número de novembro da revista Elos. Desta vez foram três exemplares. Muito obrigado por ter aumentado a remessa. Assim posso presentear mais uma pessoa.

Quero informar-lhe que, antes mesmo de receber a revista, recebi dois e-mails comentando favoravelmente o texto sobre a adoração. Tenho notado, com muita satisfação, que os meus textos têm sido revisados (e com isso vou aprendendo), pois, como qualquer mortal, dou minhas “escorregadas” no uso da palavra escrita, e não são poucas. Sylvio Macri Pastor, colaborador de Elos

Virgínia Martin – Jornalista

Adoração Gostaria de agradecer a mensagem referente à adoração publicada em Elos, de autoria do pr. Sylvio Macri, as Igrejas estão precisando falar mais sobre as palavras que o escritas por ele. Hoje, infelizmente, em algumas igrejas os pastores estão perdendo o controle sobre a adoração e outras coisas mais.... Gostei muito da mensagem e vou divulgá-la, gostaria muito que esta mensagem fosse mais ensinada em nossa igrejas, pois estão perdendo o foco da verdadeira adoração e acho que infelizmente alguns líderes têm medo de falar sobre o assunto com medo de espantar membros. Hoje existe show evangélico difícil de diferenciar do show do mundo, artistas que se vestem igual aos artistas

O povo de Deus tem que ser diferente, no falar, no agir e no vestir. Não precisamos nos fantasiar igual ao mundo para atrairmos jovens conforme alguns dizem que usam destes artifícios. Agradeço muito, pois o pr. Macri com suas palavras falou tudo que sempre esteve no meu coração. Não pense que sou crente careta, também gosto de músicas animadas, mas tem que me levar aos céus. Elizangela Carvalho elizangelalan@gmail.com

Não falamos evangeliquês Excelentes as matérias de Elos. A entrevista com o jogador de vôlei Leandro Vissoto, então... eu pensava que lá vinha mais uma daquelas tipo “tristemunho”, Deus é fiel (óbvio), que nada! Parabéns a todos que fazem essa revista! Outras publicações denominacionais poderiam ler e se inspirar, quem sabe! E sugiro um subtítulo, mote, slogan, sei lá: “A revista que não fala gospel!” ou “Para o cristão que não fala evangeliquês”.

. carta dos leitores

Essa revista, se tiver fôlego, será um verdadeiro marco editorial no meio evangélico, pela sua qualidade e pela sua filosofia editorial. Estou muito alegre por poder participar desse empreendimento.

Dou meus parabéns pela revista ELOS. Achei bem feita, boa diagramação com uma proposta menos “quadrada”, só “gente do bem” escrevendo... Elogiar é importante e aqui deixo meu registro. Conte comigo no que precisar. Siga em frente!

do mundo, homens de Deus usando brincos, me sinto envergonhada.

cartas dos leitores

Elogiar é importante

Mauro Cruz mauro.cruz.5688@facebook.com Wallpapergate.com

1 milhão de lares no escuro O Brasil ainda tem 1 milhão de lares na escuridão. O Governo Federal, sempre otimista, havia estimado este número em 378 mil, baseado em dados fornecidos pelo Censo de 2010. O prazo para a universalização do acesso à energia estava prometido

para 2014, mas já há pedidos de prorrogação para 2027.

Os investimentos necessários para que todos os lares do país tenham energia superam R$ 17 bilhões. Mais da metade dos domicílios sem luz está concentrada na Bahia e no Pará. (O Globo, texto de Danilo Fariello)

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ELOS conversou com Claudia Guimarães, coordenadora do Projeto Cesta de Leitura, que está sendo implantado no Posto de Saúde Harvey Filho. O projeto é fruto de um convênio com a Secretaria Municipal de Saúde e tem, em apenas três meses, apresentado resultados bastante positivos. A voluntária do projeto, Cátia Pires, membro da PIB do Recreio, e o dr. Ricardo Pedrosa, diretor do Posto de Saúde Harvey Filho, também conversaram com ELOS. Entrevista: Utahy Caetano dos Santos Filho

Cesta de Leitura incentiva formação de leitores

Fotos: Marcelo Belchior

entrevista

entrevista . O que é o projeto Cesta de Leitura? É um projeto de incentivo à leitura para crianças e adultos. Inicialmente, pensamos nas crianças, mas no projeto-piloto tudo deu tão certo aqui no Posto Harvey Filho que o estendemos. Vimos o interesse das famílias, das mães. Enquanto as famílias esperam pelo atendimento, oferecemos livros. Temos uma equipe de voluntários. O projeto

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chama-se Cesta de Leitura porque os livros vêm dentro de cestas. As famílias esperam nas salas, às vezes por um bom tempo, e ali os livros são oferecidos. Livros infantis, livros e revistas para os adultos. Enquanto esperam, leem. É um momento ocioso que passa a ser bem aproveitado. Aproveitamos para estimular a leitura, trazer o gosto pela leitura à criança.

Vocês são ligadas a alguma ONG? À Atuação Voluntária, uma ONG cristã. A ONG trabalha em vários projetos na área de educação, inclusive, desenvolveremos um agora em janeiro, em Angola, chamado “Educação para a Vida”. Vários projetos com foco em Educação são implementados pela Atuação Voluntária. A Cesta de Leitura é um destes. A AV fez

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Quanto mais pessoas tivermos, mais o projeto se estenderá. O projeto se realiza uma vez por semana, às quartas-feiras, de manhã e de tarde. Só acontece uma vez na semana pelo pouco número de voluntários. O Posto Harvey Filho nos apóia, há público, mas precisamos de gente. Você vê boa receptividade do público ao projeto? Muita. É impressionante. Todo o espaço físico é usado. Há salas de espera de diversas especialidades: ginecologia, pediatria, clínica médica... São várias faixas etárias, também.

. entrevista

uma parceria com a Secretaria de Municipal de Educação do Rio. Como pessoa física, não conseguiríamos entrar no espaço público, mas através de uma ONG que já desenvolve projetos e existe há quatro anos conseguimos entrar. Foi feita, então, uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde para desenvolver, aqui no Recreio, esse projeto-piloto que começou em outubro de 2012. Desejamos seguir com o projeto mas precisamos de voluntários. Esta tem sido nossa maior dificuldade: pessoas, voluntários.

Quando começamos a apresentar o projeto com as equipes e o pessoal vem uniformizado, aventais bem coloridos, a criançada se excita. Há contação de histórias. Não precisamos nem chamar. Só de chegarmos com as cestas atraímos a criançada. Elas vêm atrás. A gente arruma um cantinho, coloca esteira no chão, e crianças e contadores de histórias se sentam no chão. Elas se aglomeram para ouvir. Fizemos o encerramento de 2012 e foi uma festa linda. Um enxame de crianças e mães na recepção do Posto, que ficou lotada. As mães esperando na fila, sentadas. Elas participam, observam. O que é muito legal. A criançada toda em volta, ouvindo histórias. Observamos nesse período de projeto-piloto que a experiência deu certo. Houve muita receptividade. As crianças gostam muito dos livros. Fizemos uma seleção rigorosa desses livros. Livros com princípios bíblicos, histórias variadas. As crianças ficam encantadas. Temos livros em 3D, daqueles que as figuras saltam das

entrevista

Atendemos crianças e também seus pais e abre-se aí a oportunidade de mostrarmos para esses pais o valor da leitura, de como o livro é importante

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no projeto é voluntário. Ninguém tem vínculo empregatício nem recebe qualquer ajuda financeira nem da ONG nem da Secretaria. O projeto trabalha com quantos voluntários? Começamos com treinamento em auditório na Barra. Dezessete pessoas

fizeram o treinamento de uma tarde, mas oito pessoas se envolveram, efetivamente, com o projeto. Como fazer para ser voluntário no projeto? Basta entrar em contato comigo, Claudia Guimarães, coordenadora, pelo telefone 8428-2499 ou pelo

Cátia Pires, voluntária, membro da PIB Recreio

entrevista

entrevista . 6

páginas. Muitas das crianças não têm acesso a livros dessa qualidade nem em suas escolas. Então, enfatizo: nosso objetivo é dar à criança acesso à literatura prazerosa. A criança lê porque gosta, não porque é forçada. O Posto de Saúde Harvey Filho atende Recreio, Vargem Grande... Vargem Pequena, Guaratiba, Camorim... Vem gente de toda essa região. Barra, não. O pessoal da Barra vai ao Lourenço Jorge. Você acredita que esse projeto pode se expandir por outros postos? Interesse nós temos. Queremos, primeiramente, aumentar o número de dias de atendimento aqui no Harvey Filho. Por enquanto só atuamos às quartas-feiras e desejamos atuar em outros dias. Por outro lado, há pessoas de outras regiões da cidade que se interessam em atuar no projeto. Gente de Bangu, da Baixada. Para essas pessoas virem ao Recreio é muito cansativo. Elas dizem: “Puxa, podia acontecer em um Posto de Saúde aqui do bairro”. Há interesse desse tipo de pessoa e também da Secretaria de Saúde. É um projeto muito simples que tem dado certo. Todos têm vontade que se espalhe, mas para isso precisamos de pessoas. Pessoas que formem equipes de voluntários. É importante dizer que todo pessoal que trabalha

Como tem sido seu trabalho como voluntária no Projeto Cesta de Leitura? Para mim tem sido um prazer ajudar nosso bairro. A gente chega aqui e encontra muitas crianças sem ter o que fazer. Às vezes, estão enjoadinhas, por causa de uma febre. No momento em que abrimos a cesta para elas e apresentamos o trabalho começam a sorrir. Mesmo sentindo dores, dificuldade de sorrir, elas acabam sorrindo. Os livros são muito bonitos, atraem, inclusive, os adultos. Atendemos crianças e também seus pais e abre-se aí a oportunidade de mostrarmos para esses pais o valor da leitura, de informarmos como é importante o contato com o livro. As crianças que não leem muito bem, ajudamos lendo um pedacinho e incentivamos para que elas leiam

sozinhas. As crianças vão para a consulta e quando saem voltam. Não querem ir pra casa. Querem continuar na rodinha, seguir com a gente, lendo e vendo outros livros. Para mim também tem sido um prazer trabalhar com essa equipe de voluntários. Somos poucos, ainda, esperamos em 2013 alcançarmos um grupo maior de voluntários, mas esse grupo tem sido fiel. Um grupo que não falta, que tem visão de atender o próximo, de estimular a leitura. Quanto ao Posto, como voluntários, fomos recebidos de maneira muito carinhosa. Temos toda liberdade de trabalhar aqui, lidar com as crianças. A vontade de ler dos funcionários também é grande. Sempre nos perguntam se temos novidades. Tem sido um trabalho muito bom. Como é que você chegou ao projeto? Tem visto retorno ao trabalho feito? Sou amiga de Facebook da Cláudia. Ela divulgou o trabalho lá. Moro pertinho do Posto. Não resisti. Em três meses já tive experiências maravilhosas. Algumas crianças vêm ao posto mais frequentemente e, naturalmente, as vemos mais. Elas já chegam aqui nos procurando. Não temos uma resposta clara sobre a receptividade do projeto, são só três meses de existência, mas a tranquilidade que vemos nos pais ao deixarem suas crianças conosco nos dá a segurança de estarmos no caminho certo.

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Dr. Ricardo Pedrosa, diretor do Posto de Saúde Harvey Filho

O que o senhor acha do projeto? É relevante no atendimento do Posto? Ajuda demais. O projeto é maravilhoso porque traz para dentro

da unidade de saúde uma perspectiva totalmente diferente do que habitualmente as pessoas encontram no serviço de saúde. As pessoas vêm ao posto por prevenção ou para solucionar algum problema, um sofrimento, então um projeto como esse, que tem um cunho cultural, de incentivo à leitura, não só das crianças, mas, também, dos parentes é ótimo. É um momento lúdico. As voluntárias sempre trazem uma novidade, são dedicadas, carinhosas e isso é muito bom para quem está aguardando o atendimento médico e fica ansioso, inseguro. O projeto ameniza esse momento. Nossa unidade sempre procurou investir no aspecto humano, o projeto Cesta de Leitura veio somar a este propósito. A saúde, enfim, se faz com várias ações.

. entrevista

Além de voluntários, o projeto precisa de alguma coisa? Como chamar voluntários para o projeto? Precisamos de patrocínio e de livros. Os livros precisam de manutenção. Começamos há três meses, com crianças. Os livros rasgam. Precisamos de ajuda para a manutenção e compra de novos títulos. Começamos com muita boa vontade e decidimos, no começo, não pedir doação de livros. Os livros doados que recebi nem meu filho leria. Aí, pensei, como vou incentivar à leitura com esse tipo de livro. Livros rasgados, chatos. Dei um passo de fé, tirei do meu bolso, gastei R$ 1 mil de livros. Sou pedagoga, fiz uma seleção por faixa etária. Destes R$ 1 mil, a parte maior dos livros foi para a Cesta de Leitura e a outra parte vendemos para cobrir os custos. Todo mundo ajudou. Sou escritora, dou palestras pelo Brasil, levava os livros e vendia. A equipe também levou um pouco para vender, mas não dá para fazermos sempre isso. Foi para dar o chute inicial. Todos esperavam que começássemos em 2012. Conseguimos, compramos livros lindos, novos; as cestas são de sisal, decoradas com fitas, letras. Tudo chama a atenção das crianças: os livros, as cestas e a equipe, que usa aventais coloridos, como disse. Nós lemos os livros com as crianças e deixamos que elas levem para casa os exemplares mais simples, por isso, precisamos do patrocínio de editoras que enxerguem até mesmo o potencial de venda a leitores que estão sendo formados. Patrocínio e pessoas é o que necessitamos. O projeto não visa a ganhar dinheiro.

Fotos: Marcelo Belchior

entrevista

email: claudiaescritora@yahoo. com.br. O projeto volta agora, depois do Carnaval. Voltamos com o treinamento e esperamos ter uns 20 voluntários. O tempo despendido pelo voluntário é de três horas em um dia da semana.

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Stock.xchng

lécio dornas . lécio dornas

Mortepresente navida

Lécio Dornas

Pastor . leciod@gmail.com

Este paradoxo é uma das coisas mais extraordinárias na Teologia e na vida cristã. A morte de Cristo tem implicações com todas as áreas da nossa vida e, por isso mesmo, tem potencial de significar cada uma delas. A morte de qualquer pessoa próxima gera tristeza e dor em nós. Mas a morte de Cristo gera em nós a verdadeira alegria. Por causa da morte de Cristo, a nossa morte é “ressignificada” e também o é a

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nossa vida. Como diz uma canção antiga, a vida que Cristo oferece é “vida que nasce da morte, é vida que traz o perdão. É muito mais que uma religião. É Cristo vivendo em você.”

impactados pelos efeitos da morte de Jesus Cristo. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Coríntios 5.17).

É morte que não pode ser esquecida, morte que marcou a História fendendo-a e desde então não cessa de marcar vidas e, por inaugurarlhes uma nova etapa, fende também suas histórias (Leia Hebreus 2.14,15). Passam a ter a.C./d.C. todos os que são

A morte de Cristo estará presente impactando nossas vidas até que, passando nós pela experiência da morte, entraremos na vida eterna com Ele na glória! Bendita morte de Cristo presente na nossa vida!

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O tempo passa, Pastor . sylmacri@gmail.com

Há alguns anos, houve uma propaganda no rádio e na TV que fez muito sucesso e ficou gravada na nossa memória. Seu bordão era: “O tempo passa, o tempo voa e caderneta de poupança fulana de tal continua numa boa”. O tempo passou, realmente, e a tal caderneta simplesmente acabou, ou melhor, o Banco ao qual pertencia quase faliu, e por isso foi vendido para um banco estrangeiro, que encerrou as atividades, se não da empresa de poupança, pelo menos da marca registrada, que era muito popular. Pois é, o tempo passa, o tempo voa e caderneta fulana de tal nem existe mais...

Desde a antiguidade a humanidade se baseia na alternância dos dias e das noites para medir o tempo. Com o progresso científico, estabeleceu-se o chamado tempo universal, que é baseado na rotação da terra em torno de seu eixo e, portanto, na sucessão dos dias e noites. Inicialmente usavamse instrumentos de medição bem

O tempo é um elemento tão importante para as atividades do mundo, que foi criada uma organização internacional chamada Birô Internacional da Hora, para estabelecer padrões oficiais de tempo. A partir de 1o. de janeiro de 1972, adotou-se o tempo universal coordenado, cujos ajustes anuais representam menos de 1 segundo de diferença. No Brasil, o tempo oficial é a hora de Brasília, a capital. Mas o tempo não é só uma ideia, um conceito, uma percepção mental. Ele pode ser constatado fisicamente. Por exemplo, os vegetais seguem os ritmos dos dias e das noites, das estações; os animais, entre eles o homem, estão sujeitos a um movimento crescente e depois decrescente - infância, adolescência, juventude, maturidade, velhice. Em tudo há mudança física, para melhor ou para pior e, infelizmente, quase sempre para pior. E à medida que os anos vão passando nos tornamos mais conscientes desse movimento inexorável. Ao iniciar-se cada ano novo é sempre oportuno lembrar que o tempo é criação de Deus: “Deus disse: Que haja luzes no céu para separarem o dia da noite e para marcarem os dias, os anos e as estações!” (Gênesis 1.14). O tempo foi criado para abençoar o ser humano, mas, infelizmente, seu uso também

foi contaminado pelo pecado. Por isso temos que orar como o salmista: “Ensina-nos a contar os nossos dias.” (Salmo 90.12). Entretanto, em Cristo nosso passado foi perdoado, nosso presente é uma nova vida e o nosso futuro é uma esperança gloriosa. Aliás, quando Jesus voltar, o tempo deixará de existir e nós entraremos para sempre na eternidade. Quando ainda não tínhamos nascido ele já existia, e quando morrermos ele continuará existindo. Por isso podemos confiar em sua promessa, feita às suas ovelhas: “Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.” (João 10.28). E podemos atender ao seu convite: “Quem tem sede venha; e quem quiser receba de graça da água da vida” (Apocalipse 22.17). Os anos podem passar, o tempo pode voar, mas permaneceremos firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o nosso trabalho não é vão no Senhor (1Coríntios 15.58), porque ele estará conosco cada dia, tanto no ano que passou como nos anos vindouros. E um dia iremos viver com ele para sempre, livres de toda dor e sofrimento, de toda aflição e angústia. É isso que nos dá esperança para prosseguir.

. sylvio macri

O tempo é, antes de mais nada, a própria imagem da decorrência. Da decorrência da nossa vida e de todas as coisas. É, portanto, uma contingência humana e por isso opõese à noção de eternidade, que é a de permanência, de presença total. O conceito de tempo, juntamente com o de espaço, nos permite ordenar nossas percepções em uma representação do mundo, isto é, nos permite, por exemplo, ter a noção de história. O tempo é a mudança contínua pela qual o futuro se torna presente, e o presente se torna passado.

simples, como os relógios de sol e as ampulhetas. Depois foram inventados os relógios mecânicos, os relógios atômicos e, finalmente, os relógios eletrônicos digitais, de precisão quase absoluta.

sylvio macri

Sylvio Macri

Reprodução internet

o tempo voa

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Freewalls.org

Remoção de tatuagem Isaltino Gomes

Pastor . isaltinogomes@hotmail.com

isaltino gomes

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Arrumava-me para sair, com a televisão ligada. É assim que ouço as notícias. Veio a chamada para o tema que seria tratado a seguir: remoção de tatuagem. O tom foi irônico: as pessoas começam a namorar e, empolgadas, fazem uma tatuagem homenageando o “grande amor de sua vida”. Três meses depois, o “grande amor” se esfarelou e a pessoa quer remover a tatuagem. Acabado o “amor”, acabase a tatuagem. A questão é como removê-la. As pessoas banalizaram o amor… Deus fez uma tatuagem. Nas suas próprias mãos: “Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei…” (Is 49.16). Não foi um desenho. Foi o nome do seu povo. Usamos muito as mãos. Com elas fazemos as coisas. Olhamos sempre para elas. Um nome gravado nas palmas das mãos sempre será lembrado. Não é que ele se esqueça. É a reafirmação de que ele sempre se lembra.

Além desta tatuagem em suas mãos para se recordar do seu povo, ele perguntou: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Is 49.15). Deus não esquece seus filhos. Por vezes nos ocultamos dele, somos rebeldes, desobedientes e fazemos ouvidos moucos à sua voz e dizemos que ele nos abandonou. Nós é que fugimos. Deus gravou nosso nome em suas mãos. Ele as olha e sempre se lembra de nós. Ele nunca apagou a tatuagem. Nosso nome continua escrito lá. Um hino antigo, da época em que os hinos falavam de Cristo e não dos sentimentos do adorador, dizia: “Meu nome está nas mãos de meu Jesus… Esquecer-me não será possível”. Nas mãos de Jesus estão os sinais dos cravos. Ele os mostrou

a Tomé (Jo 20.27). Mas junto aos cravos estão nossos nomes. Ele lembra. Nunca se esquece do seu povo. Deus não banalizou seu amor. Ele o levou às últimas consequências, a cruz. “Deus prova seu amor por nós em que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5.8). Não apaga nada. Gravou. E gravou com o sangue de Jesus! Neemias, o líder da reconstrução das muralhas de Jerusalém, não reivindicou, não exigiu nem declarou. Com toda a sua folha de serviço, apenas pediu, como última palavra sua: “Lembra-te de mim, Deus meu, para o meu bem” (Ne 13.31). Quando você se sentir desamparado em meio a alguma crise, em vez de reclamar, apenas peça a Deus: “Senhor, olha para as palmas das tuas mãos! Vê meu nome, eu sou teu filho!”. Diga: “Lembra-te de mim… olha tuas mãos”.

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Accaimimages.com

Somos as palavras Dercinei Figueiredo Pastor . dercinei@gmail.com

“Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12.34). “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6.45).

Mateus, cobrador de impostos, coloca a irônica fala de Jesus numa discussão com fariseus que desqualificaram uma boa ação do Mestre afirmando que até o Mau, sob certas condições e em certas situações, pode promover o bem. Já Lucas, médico, coloca a assertiva fala de Jesus entre dois temas: as relações interpessoais, especificamente, o juízo que se faz do outro; e o relacionamento teândrico, com ênfase na incoerência de quem se refere a Deus como “Senhor”. Descartando a contextualização que

Além do próprio Mestre ser a palavra, o logos, toda a criação evolui da palavra do Criador, que a toma como matéria-prima ao dizer: “Haja luz”. Iluminar é a natureza divina manifesta, e iluminar através da fé, da física ou da filosofia é divino. As adversidades não mudam as pessoas, os problemas não as transformam, eles mostram quem elas são. Quer conhecer alguém de verdade? Observe-o durante uma crise. Outra maneira é prestar atenção onde, no que ou em quem ele coloca seu tempo e seu dinheiro. Especialmente nas desnecessidades. O supérfluo é implacável em desnudar. Entretanto, se “somos as palavras que usamos”, basta ouvir, ou melhor, escutar o outro para conhecê-lo. As palavras que mais ou menos usa, e que entonação e importância dá a elas, gritam em alto e bom som a identidade dele.

Palavras são reveladoras, principalmente as palavras não pesadas. (Pensamento são palavras, logo, não existem palavras não pensadas.) Palavras intestinas. Palavras que desprezam as sinapses e são vomitadas em público sem-cerimônia. Palavras não apetecíveis e não palatáveis seguidas de vergonha ou culpa, e ainda assim a proporcionar satisfação, alívio e paz. Se meu áudio diário fosse gravado, o que revelaria sobre mim? Eu sou que palavra? E os silêncios, assim no plural mesmo, o que revelam sobre mim? Algumas palavras fogem de mim como um pássaro selvagem foge da gaiola. Outras me perseguem como uma sombra da qual apenas “a noite escura da alma” poderá me libertar. Que palavra sou eu? Eu sei, mas não vou revelar, você, se quiser – tomara que não queira, você deve ter coisa mais importante para fazer –, que descubra. Agora, minha aspiração é ser “silêncio”, e só abrir minha boca se for para melhorálo. “Um homem é conhecido pelo silêncio que guarda” (Oliver Herford).

. dercinei figueiredo

Os “biógrafos” de Jesus se importavam mais com as palavras dele, as logia, que com o contexto em que eram pronunciadas. Por isso registram sentenças semelhantes, na forma ou no conteúdo – às vezes até idênticas –, em contextos diferentes.

Mateus e Lucas dão, e concentrandome apenas na fala do Mestre, chego à mesma conclusão de José Saramago: “Não temos outra coisa [salvo as palavras]. Somos as palavras que usamos. A nossa vida é isso.”

dercinei figueiredo

que (não) usamos

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fidelidade

Conjugal

Edvar Gimenes

Pastor . egobrasil@hotmail.com

edvar gimenes

edvar gimenes . Wallsaver.com

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O fato, porém, de não ser crime ou a possibilidade de indenização financeira por danos morais, não deve favorecer nossa mudança de conduta. Ser alcançado pela graça divina e ter Jesus Cristo como luz para não andarmos em trevas são a razão mais forte para continuarmos sendo fiéis ao compromisso assumido com o cônjuge. Ninguém – logo, inclusive aqueles que se declaram cristãos – está livre de adulterar. Conhecemos casos emblemáticos de grandes combatentes pró-fidelidade conjugal que sucumbiram causando grande escândalo. As possibilidades de causa para adultério são tantas que, se não estivermos atentos, a probabilidade de cairmos é grande.

Há um princípio bíblico, para maridos e esposas que é o maior e mais conhecido compromisso público assumido pelos cônjuges no ato da formalização do casamento, seja no cerimonial religioso ou jurídico, cuja falta de atenção é, a meu ver, a principal causa de infidelidade conjugal. Ele pode ser encontrado nos seguintes textos do Novo Testamento: 1) “Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela” (Ef 5.25). 2) “Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher como a seu próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo” (Ef 5.28). 3) “Maridos, ame cada um a sua mulher e não a tratem com amargura” (Cl 3.19). 4) “Semelhantemente, ensine as mulheres mais velhas a serem reverentes na sua maneira de viver...a serem

Amar, não somente é uma orientação específica para cônjuges, mas orientação de vida para todos os relacionamentos. E todos, ao iniciar um relacionamento com vistas ao casamento, assumimos o compromisso de amar e respeitar. Porém, o desamor tem sido o maior ato de infidelidade conjugal. Ele acontece quase que diariamente na maioria dos casamentos. Só não ganha destaque porque a cultura moralista nos tornou sensíveis à ponta do iceberg – o ato sexual adúltero – e insensíveis à montanha mais embaixo – o desamor. Motivos e motivações para desejarmos a grama mais verde do vizinho não faltam. O que falta é uma valorização maior do respeito decorrente do amor. A questão é que absolutizamos o prazer orgásmico a ponto de matar o compromisso de amar. Não sou defensor da manutenção do casamento a qualquer preço, nem da separação por qualquer motivo. Compreendo a possibilidade de confundirmos nossos sentimentos em relação ao outro. Acredito, porém, na necessidade de maior valorização do amor na relação, na necessidade de investirmos nele diariamente e, em nome do não menos prazeroso compromisso assumido de amar, não tratarmos a relação conjugal como algo que deve sustentar-se somente enquanto os “hormônios da paixão” estiverem acesos. Sejamos honestos: se formos agir baseados nas reações hormonais em detrimento de princípios éticos, nos tornaremos como animais no cio e a vida em sociedade voltará ao tempo das cavernas.

. edvar gimenes

Destaco, porém, que adultério não é a única nem a mais importante manifestação de infidelidade conjugal. Embora assim seja visto, arrisco-me a declarar que adultério é apenas a ponta de um iceberg. A causa, portanto, é mais embaixo. A montanha que sustenta sua ponta chama-se infidelidade amorosa.

capazes de ensinar o que é bom. Assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos...” (Tt 2.3-4).

edvar gimenes

Adultério não é crime. A Lei nº 11.106, de 28 de março de 2005, em seu art. 5, revogou o art. 240 do Código Penal. Mas crescem as ações por dano moral causado por quem adultera, com resultados favoráveis à vítima da infidelidade conjugal.

Portanto, é um equívoco atacar a infidelidade sexual apenas em termos de ato sexual, sem enxergar o essencial no compromisso conjugal que é o amor. Repito: todos estamos sujeitos a “cair em tentação”. Se assim não fosse Jesus não teria incluído tal expressão em sua oração modelo. Porém, o reconhecimento disso deve servir de motivação para estarmos atentos, investirmos mais no amor mútuo e não como justificativa para sermos infiéis ao compromisso de amar, em seu sentido mais amplo e profundo, até que a morte nos separe. Revista Elos | Edição 06 . Janeiro 2013 |

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Coaching e superação

wesley cavalheiro

wesley cavalheiro . 14

técnicas para trazer luz sobre a rotina Wesley Cavalheiro

Treinador comportamental . www.lumen4you.net

Coaching é uma palavra cada vez mais comum na mídia, especialmente na corporativa. Novos órgãos de formação surgem continuamente colocando centenas de profissionais no mercado a cada mês. Na busca por um espaço, cria-se todo o tipo de identidade/marca, em uma profusão de modalidades coaching. Encontramse estilos para todos os gostos. O desafio do cliente/consumidor é encontrar o apropriado ao seu perfil e ao seu desafio. Há que se procurar muito e com cuidado. A definição de coaching da Federação Internacional de Coaching é: “Coaching é uma parceria entre o Coach (profissional treinado para entregar o processo de coaching) e o Coachee (pessoa que passará pelo processo de coaching), em um processo estimulante e criativo que os inspira a maximizar o seu potencial pessoal e profissional, na busca do alcance dos seus objetivos e metas através do desenvolvimento de novos e mais efetivos comportamentos”. Neste sentido, é possível que, mesmo não tendo formação ou atuação

profissional, uma pessoa possa se utilizar de técnicas de coaching para aprimorar seu desempenho dos diferentes papéis que exerce na sociedade. O primeiro passo é exatamente o de estar consciente dos diferentes papéis que nos cabem e suas responsabilidades: somos ao mesmo tempo subordinados, chefes, colegas, maridos, filhos, vizinhos, sócios, etc. Papéis que não só não são excludentes, mas a cada dia se sobrepõem mais e mais gerando conflitos sem fim. O modelo tradicional de administração do tempo fundamentado em prioridades já não atende apropriadamente ao ser humano urbano contemporâneo. Este modelo atende bem a sociedades estabilizadas em rotinas e pequenas mudanças. Sociedades com muitas e rápidas mudanças e com alta densidade populacional já não comportam a administração do tempo por prioridades, posto que há inúmeras coisas com a máxima prioridade e, assim, competem entre

si a nossa atenção, energia e tempo. Acabamos nos transformando em artistas de circo que equilibram pratos em varetas. Para pessoas neste contexto a solução é desenvolver a arte de administrar papéis. A ferramenta por excelência do coaching é a arte de fazer perguntas. Um excelente coach é aquele que desenvolveu a maestria na arte de perguntar. Aliás, cabe mencionar uma curiosidade: a sabedoria milenar contida na Bíblia demonstra exaustivamente o poder das perguntas: “Onde estás?” (Gn 3.9); “Onde está Abel, teu irmão?” (Gn 4.9); “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?” (Jó 38.4); “Que queres?” “Qual o maior mandamento?” “Qual é maior?” “Qual é mais fácil?”... Estas e outras perguntas são recorrentes falas de Jesus registradas nos Evangelhos. Perguntas, mais do que descrições, eram o método recorrente do Mestre para levar luz e entendimento a seus interlocutores. O mundo contemporâneo está descobrindo e disseminando o poder das perguntas.

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O que eu posso fazer e mais ninguém pode? Quais as perdas? Quais os ganhos? É impressão ou é realidade?

Quais as competências comportamentais (por exemplo: orientação para resultados; trabalho e liderança de equipes; comunicação; orientação para o cliente; criatividade; relacionamento interpessoal; inovação; empreendedorismo; desenvolvimento de pessoas etc.) que são necessárias para o desempenho com excelência deste papel/cargo/função? Que nota, de zero a dez, você atribui a si mesmo em cada uma destas competências? Quais ações podem ser adotadas para melhorar a avaliação? Deve ser fácil observar que o grau de sucesso depende do grau de esclarecimento e de honestidade nas respostas. Daí ser quase que mandatório a participação de um coach quando a abordagem for sobre a própria pessoa. Precisa de apoio neste processo? Quer sanar alguma dúvida? Contate um coach!

só entrará em vigor em 2016 A presidente Dilma Roussef decidiu prorrogar por mais três anos a entrada em vigor, em caráter definitivo, do novo Acordo Ortográfico da língua portuguesa. Em decreto publicado ontem no “Diário Oficial”, a presidente determina que o período de transição para implementação das novas regras vai até 31 de dezembro de 2015. O prazo original ia até 31 de dezembro de 2012. Com o novo decreto, as determinações do novo acordo deverão ser seguidas, obrigatoriamente, a partir de 2016. Durante a transição, valem as duas normas ortográficas. O atual Acordo Ortográfico foi aprovado em 1990, mas só começou a ser implantado

no Brasil em 2009, após o então presidente Lula assinar um decreto em setembro de 2008. O novo prazo alinha o calendário brasileiro com o português. Portugal só começou a utilizar a nova ortografia em documentos oficiais este ano.

Há espertalhões

em todos os cantos

A grande promessa do comunismo, o objetivo final, seria criar uma sociedade igualitária. Não seriam todos iguais, mas as diferenças seriam as menores possíveis. Todos teriam oportunidades iguais, em um determinado momento. “Na China comunista pós-Mao Tsé-tung uns são mais iguais que outros. Levantamento divulgado pela agência Bloomberg mostra que um grupo de 103 pessoas formado por descendentes dos chamado Oito Imortais – os líderes

. curta nota

Existem fatos comprovados que sustentam esta assertiva? Qual a raiz do problema? Quais os motivos emocionais? Quais as razões lógicas? Onde pretende estar em um ano? Como pretende atingir esse objetivo? O que irá habilitá-lo para alcançar o objetivo? O que o inspira? De zero a dez, qual o seu grau de comprometimento com esse desafio? Como poderei constatar esse comprometimento?

Acordo ortográfico

curta nota

Segundo Peter Drucker, “O líder do passado era uma pessoa que sabia dizer... o líder do futuro é uma pessoa que sabe perguntar”. Administrar bem os papéis sociais que nos cabem requer fazer as perguntas certas, no momento certo, a nós mesmos e às pessoas correlatas em cada situação. Seguem abaixo alguns exemplos genéricos, mas as aplicações são amplas: contratações, avaliações, liderança, aperfeiçoamento de competências, relacionamentos, trabalhos em equipe, família, motivações e mobilizações, etc.

que comandaram a abertura do país ao capitalismo – constitui uma elite cujos privilégios e costumes remetem às aristocracias monárquicas, num misto de poder e dinheiro que gerou um estilo de vida inimaginável para o cidadão médio chinês. (...) Desta estrutura nasceram os chamados “principezinhos”, descendentes dos Imortais que ocupam postos-chave dentro e fora da burocracia de Pequim” (o texto integral desta reportagem pode ser encontrado na edição on line de O Globo – 29-12-2012). Revista Elos | Edição 06 . Janeiro 2013 |

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Garanta seus

direitos Ruth Maria Honorio

Advogada . ruthmaria.honorio@facebook.com

ruth maria

ruth maria .

O que mais podemos consumir? Do que as pessoas mais necessitam? Hoje, consumimos porque necessitamos realmente ou porque nossa necessidade é provocada? Se olharmos para trás, parece bem distante que a criação do fogão veio substituir o fogão à lenha; que a geladeira substituiu a salmoura; o telefone substituiu o telégrafo e o indispensável celular? Essas criações realmente impactaram transformando a vida dos consumidores. Na atualidade, ao contrário do passado, já possuímos a grande maioria de eletroeletrônicos, mas somos levados a crer, através das técnicas de publicidade, que precisamos consumir mais, por exemplo, ter mais de uma TV, de preferência de LED; ar condicionado, com controle remoto, claro; sem se falar nos celulares, sempre o último lançamento é imprescindível, objeto de desejo de uma grande maioria, fazendo com que o ato de consumir seja inerente à existência humana.

mundo, se não for a melhor, e tem transformado a ordem social. Não há mais espaço para um consumidor passivo, basta fazer uso de instrumentos como Procons, Juizados Especiais e Agências Reguladoras para fazer valer seu direito. Aqui algumas dicas:

• exija sempre a nota fiscal e guarde-a, ela é a prova da compra e a prova para contagem de prazo para garantia, troca etc; guarde também, se houver, orçamento e contratos;

• anote o número dos protocolos com horário e nome do atendente em qualquer reclamação;

• escolha a data ideal para pagamento dos serviços oferecidos pelas prestadoras de serviço público;

• verifique se você foi avisado antecipada e claramente sobre a

possibilidade de corte de água ou energia; Nas compras feitas por catálogo ou internet, você pode se arrepender da compra no prazo de 7 dias do recebimento, sem justificar o motivo da devolução. Nas compras realizadas em loja, a devolução só poderá ocorrer no caso de vício ou defeito no produto. O prazo para o consumidor reclamar do defeito do produto ou serviço é de: a) 30 dias - Para produto ou serviço não durável. Ex.: alimentos. b) 90 dias - Para produto ou serviço durável. Ex.: celular. No caso de atraso nas compras pela internet, o consumidor tem três opções: exigir o cumprimento forçado da entrega; ter a compra cancelada, com o ressarcimento imediato, com juros e correção monetária; ou receber um produto similar.

Essa relação entre quem vende (fornecedor) e quem compra (consumidor) cresceu e se multiplicou, tornando vulnerável a parte mais fraca, tanto econômica como tecnicamente – o consumidor. No Brasil, o Direito do Consumidor surgiu em 1990, com o Código de Defesa do Consumidor, uma das melhores leis de defesa do consumidor no

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Pequeno dicionário#2 de palavras comuns e sentidos incomuns Carlos Novaes • CAMINHO

• LIVRO Conjunto de folhas com texto impresso, devidamente protegidas por uma capa. Dizem que anda ameaçado pelas publicações virtuais. Mas há quem garanta que ainda durará muito no formato atual, pois os leitores gostam de manipular as páginas, admirar a arte do invólucro e do prazer de vê-los enfileirados numa estante. Pode ser bastante útil numa demorada fila de banco ou na espera do consultório

médico. Embora reconhecido como instrumento de informação, aprendizado e cultura, alguns não costumam utilizá-lo com proveito. Nunca entram numa livraria para adquirir um exemplar e sequer se lembram do título do último livro lido. Preferem programas de TV e sítios de relacionamento virtual. Educadores concordam que o prazer da leitura deve ser motivado pelos pais desde a infância. O livro, além de tudo, é um excelente meio de comunicação com ideias e autores. Por meio do livro, convivemos com as mais diversas concepções de mundo e estabelecemos vínculos de relacionamento com gente de outros tempos e culturas, como Shakespeare e Dostoiévski, Dickens e Hemingway, Aristóteles e Heidegger, Lutero e Barth, Machado de Assis e Drummond. Acima de tudo, o livro é tão importante que foi numa coleção deles que Deus resolveu deixar registrada a revelação do seu propósito para o ser humano.

. carlos novaes

Trecho de percurso entre a partida e a chegada. Via de acesso para algum determinado destino. Local em que, por terra, se dá a travessia. O poeta espanhol António Machado adverte que os caminhantes traçam o caminho. Isto é: as escolhas definem o rumo e o trajeto. E cada um assuma as consequências da escolha feita. Para caminhar é necessário iniciativa nos primeiros passos, cuidado nos passos difíceis e persistência nos passos exaustivos. Importa estar atento para não meter os pés pelas mãos. Na incerteza, mais vale a prudência e um passo após o outro. Ter respeito pelos que caminham ao redor é indispensável para evitar conflitos desnecessários. E, quando acompanhado, convém saber compreender o jeito do outro caminhar e o ritmo dos seus passos. Saibam os ingênuos que não há apenas flores no caminho – pois, vez por outra, somos obrigados a

admitir, como o poeta mineiro, que há uma pedra no meio do caminho. Não sei quem afirmou que todos os caminhos levam a Roma, mas Jesus afirmou que só ele é o caminho para Deus. Foi Jesus também quem disse que o caminho largo leva à perdição e o estreito à salvação. Portanto, escolher bem o caminho é bem escolher o resultado. Pois, quem segue por um caminho sem saber para onde vai, acaba indo para onde não quer.

carlos novaes

Pastor . carlospnovaes@gmail.com

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Trilogia da posse

Sxc.hu

Israel Belo de Azevedo Pastor . israelbelo@gmail.com

O TEMPO Há três coisas que, observados os desvios das variáveis, estão sob o nosso controle: o tempo, o dinheiro e o poder.

israel belo

israel belo .

Quando nascemos, recebemos o tempo, que não sabemos quanto durará. Embora não a conheçamos, a duração existe. Este tempo é fracionado e esta fração podemos conhecer. Conhecendo esta dimensão fracionada (horas, dias, meses, anos), podemos decidir o que fazer com ele. Podemos, por exemplo, deixá-lo correr, como se nos dominasse. Podemos, por outro lado, tentar apressar a sua velocidade, como se fosse possível. Podemos controlá-lo. É sábio quem controla o seu tempo, sobretudo a porção de 24 horas. O controle do tempo demanda cuidado com as prioridades, para dedicarmos mais tempo às coisas mais importantes. O fato de não determinarmos completamente as coisas mais importantes (como o tempo obrigatório ao trabalho e suas demandas) não nos exime de precisarmos organizar as que nos cabem segundo as prioridades que elegemos. Hierarquizar prioridades requer sabedoria. Se a pedirmos a Deus, ele nos dará. Entre as prioridades, deve estar dar atenção ao outro, desde aquele que

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precisa apenas de atenção àquele que espera um pouco mais, porque espera afeto. O modo como priorizamos o nosso tempo abre ou fecha portas de amizade. O tempo podes ser nosso aliado. Não precisa ser sempre nosso adversário e nem mesmo um canal a drenar as nossas energias. O DINHEIRO Se eu tivesse muito dinheiro... ... eu viajaria bastante, mas conservaria o sentido de missão da minha vida. ... eu viveria bem, mas não acharia que viver bem é ter o que o dinheiro pode comprar. ... eu ajudaria muita, mas muita gente mesmo. .. eu me envolveria com projetos que fizessem diferença nas vidas das pessoas e das comunidades. ... eu viveria com o 10% e devolveria o resto para Deus. ... eu me contentaria com o que tivesse, sem me deixar seduzir por sua ideia de que precisaria ganhar ainda mais dinheiro. ... eu não me deixaria corromper por ele. Se eu tivesse muito dinheiro, provavelmente... ... eu viajaria menos que o dinheiro me poderia proporcionar, tantos seriam os compromissos. ... eu não teria tempo para viver.

... eu ajudaria a poucos ou talvez a ninguém, com medo de ser explorado. ... eu acharia que ter dinheiro é o que conta. ... eu não daria 10% para Deus, por achar que seria muito. ... eu quereria ganhar mais dinheiro. ... eu amaria tanto o dinheiro que iria com ele às raízes do mal. O poder De algum modo, todos temos poder. Sobre ele, a frase mais notável que aprendi é esta: esqueça a ideia de que o poder corrompe. O poder nem sempre corrompe, mas sempre revela. Foi escrita pelo historiador norteamericano, Robert Caro. Para ele, portanto, quando alçados a algum grau de poder, o que somos aflora. Pode ser como pai. Pode ser como professor. Pode ser como chefe. Não devemos ter medo de ter poder. Devemos ter medo de nós mesmos. Se almejamos ter poder, perguntemo-nos: para que quero ter poder? Se temos poder, perguntemo-nos: o que temos feito com ele? O poder é necessário. Quem tem poder lidera, organiza, faz as pessoas sonharem, viabiliza a sociedade. No entanto, quem tem poder pode dominar despoticamente, dividir para imperar e adoecer a sociedade.

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karolyne reis

Devianart.com

Karolyne Reis

Estudante e técnico em turismo . contatokarolreis@hotmail.com

Todos estamos à procura de algo que possa nos manter seguros, nos dar um refúgio quando as coisas não andam bem, responder a nossas incertezas e confortar um coração que se sente culpado e ansioso. Não queremos saber de onde vem, apenas temos necessidade de ter uma “sorte”. Muitos acreditam que ela de fato existe. Depositam sua sorte em objetos, em pessoas, em palavras ou gestos que acabam se tornando amuletos. Essas pessoas se tornam dependentes diários de sua sorte a ponto de não sair de casa sem antes consultar seu horóscopo,

por exemplo, dizendo qual é o número ou a cor do dia, ditando regras que as levarão a conseguir o que querem e o pior de tudo: descrevendo a personalidade de cada um, sem ao menos conhecer parte de sua vida. E depois disso tudo, ainda conseguem fama e sucesso por criarem uma possível verdade sobre pessoas que não conhecem a si mesmas e buscam respostas em coisas que, também, não as conhecem, apenas dizem conhecer. O fato de muitas pessoas acreditarem em horóscopos é que eles definem cada um exatamente

do jeito que é. Mas basta parar pra pensar e perceberá que isso só é possível porque a maior parte das pessoas tem os mesmos interesses, características em comum e passam por situações muito semelhantes. E essas pessoas querem de alguma forma encontrar respostas e soluções, querem se sentir seguras, ter um lugar para descansar, um lugar que as deixem longe de tudo o que as entristece.

. karolyne reis

Sorte O erro não está em querer estar nesse lugar. Mas está em procurar refúgio em lugares e coisas erradas. Sempre digo que tudo o que o homem faz é imperfeito.

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Todos estamos à procura de algo que possa nos manter seguros, nos dar um refúgio quando as coisas não andam bem, responder a nossas incertezas e confortar um coração que se sente culpado e ansioso. Não queremos saber de onde vem, apenas temos necessidade de ter uma “sorte”.

karolyne reis

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Muitos acreditam que ela de fato existe. Depositam sua sorte em objetos, em pessoas, em palavras ou gestos que acabam se tornando amuletos. Essas pessoas se tornam dependentes diários de sua sorte a ponto de não sair de casa sem antes consultar seu horóscopo, por exemplo, dizendo qual é o número ou a cor do dia, ditando regras que as levarão a conseguir o que querem e o pior de tudo: descrevendo a personalidade de cada um, sem ao menos conhecer parte de sua vida. E depois disso tudo, ainda conseguem fama e sucesso por criarem uma possível verdade sobre pessoas que não conhecem a si mesmas e buscam

respostas em coisas que, também, não as conhecem, apenas dizem conhecer. O fato de muitas pessoas acreditarem em horóscopos é que eles definem cada um exatamente do jeito que é. Mas basta parar pra pensar e perceberá que isso só é possível porque a maior parte das pessoas tem os mesmos interesses, características em comum e passam por situações muito semelhantes. E essas pessoas querem de alguma forma encontrar respostas e soluções, querem se sentir seguras, ter um lugar para descansar, um lugar que as deixem longe de tudo o que as entristece. O erro não está em querer estar nesse lugar. Mas está em procurar refúgio em lugares e coisas erradas. Sempre digo que tudo o que o homem faz é imperfeito. Tudo mesmo! Por que, então, acreditar em signos, amuletos e horóscopos? Pra que acreditar e viver dependente disso se temos certeza de que foi criado por

homens que tentam manipular sua mente e tomar a liberdade que foi dada a você? Mas existe aquele que é plenamente perfeito e eterno. Aquele que nos conhece mais do que nós mesmos. Ele não está em crucifixos, em cordões, pulseiras, estátuas, livros ou salas. Ele está em nós. Foi Ele quem nos concedeu a liberdade que o homem tenta tomar de você. Mesmo que você ande somente com a roupa do corpo, mas carregue dentro de si o seu coração, Ele estará junto contigo porque Deus habita em você, no seu coração. Já ouvi muitos dizerem que não acreditam na Bíblia porque foi escrita por homens. Isso é um fato que não podemos negar, mas o ser humano, como sempre apressado e amador de adaptar as coisas para o conforto do próprio ego, acaba deixando implícita a frase que diz que a Bíblia foi, de fato, escrita por homens, não simplesmente homens, mas foram homens

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Pangloss nunca me convenceu e Murphy...

Murphy era um Dercinei Figueiredo Pastor . dercinei@gmail.com

“Desde que pessimismo e otimismo são estados de espírito, não existe argumento racional ou constatação empírica capaz de atingi-los.” Norberto Bobbio (1909-2004), filósofo italiano em “Elogio da Serenidade” (2010).

Não sou um pessimista de Aurélio, não tenho uma disposição de espírito que me leve a encarar tudo pelo lado negativo, e nem a esperar de tudo o pior. E – apesar do título – nem um pessimista de Murphy: “Se algo tem a mínima chance de dar errado ou causar dano isso ocorrerá da pior maneira e no pior momento”. Também não sou um pessimista cético, aquele que não acredita que

algo de bom possa ou vá ocorrer. Não sou um pessimista cínico, aquele que torce para que tudo vá de mal a pior, só para ter razão. E muito menos um pessimista cretino, aquele que só é pessimista porque, ocasionalmente, é mais conveniente ou lucrativo. O pessimismo é libertador. Deixei, por exemplo, de ser refém da esperança. Desisti de esperar o melhor das pessoas e abri meu coração à surpresa! Descobri que um mundo mais humano é uma droga (primeiro euforia,

. dercinei figueiredo

“E você, Del, ainda é realista ou já saiu de cima do muro e escolheu entre o otimismo e o pessimismo?” Para surpresa de meus amigos – alguns já etilicamente calibrados –, que sabem, com o perdão da má fama, que sou Pastor, respondi: “Cara, não sei se é uma constatação

ou uma descoberta, mas agora, e provisoriamente, sou pessimista, pois ainda não foi revelado o que serei”.

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grande otimista

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depois depressão), o mundo para ser melhor precisa ser menos humano. Sabedoria antiga: “Os desígnios do coração do ser humano são maus desde a sua criação” (Gn 8.21b).

dercinei figueiredo

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O pessimismo, positivo e sábio, não confunde a hora de insistir com a de desistir. Não faço coro com os imbecis: “Sou brasileiro e não desisto nunca!” Aliás, nem eu nem o Lula. Caso contrário, ele teria insistido em ser o melhor torneiro mecânico do mundo em vez de ter desistido para ser sindicalista profissional, e, hoje, político por ofício (“como nunca antes na história deste país”). Certo está o “filósofo” Chorão: “Cada escolha, uma renúncia, essa é a vida”. Sou pessimista e torço (e, às vezes, até luto) pelo que é certo, justo, verdadeiro, belo e bom. Sei que

O pessimismo é libertador. Deixei, por exemplo, de ser refém da esperança. Desisti de esperar o melhor das pessoas e abri meu coração à surpresa!

isso parece incompatível com o pessimismo, mas não é. Ser pessimista não é ser preguiçoso, mal-humorado, reclamão e negativista. Pessimismo não é niilismo, escapismo, imobilismo ou conformismo. Como pessimista, não espero dias melhores, carpe diem! Não

sou adorador ou admirador do caos. Não fico na expectativa e nem torcendo pelo erro e pela queda. Ainda que não enxergue probabilidades, torço pelas impossibilidades. Espero sempre o pior, torço para que tudo vá bem e me preparo para aproveitar o que vier. Profetizo o fim, mas torço para estar errado. Antevejo a queda inevitável, mas, paradoxalmente, faço tudo para evitá-la. Nem indiferente, nem otimista, nem realista, nem pessimista, no final, talvez, eu seja um desconfiado confiante. Irracionalmente desconfiado que tudo e todos caminhamos irrevogavelmente para uma degradação de proporções bíblicas. Teimosamente confiante que ainda possamos nos salvar, e se isso não acontecer, sermos salvos.

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Crack repressão policial

não resolve problema Cacau de Brito

Todos nós estamos assustados com o crescimento dos índices de violência no país, principalmente nas grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e outras. Na realidade, muitas são as causas, mas, sem sombra de dúvidas, o grande aumento nos últimos anos do consumo de drogas vem contribuindo de maneira assustadora para esse panorama.

O número de usuários de crack, hoje, no Brasil, gira em torno de 1,2 milhão e a idade média para início do uso da droga é 13 anos, segundo o psiquiatra mineiro Pablo Roig, estudioso do problema, ao falar durante o lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, na Câmara dos Deputados, ano passado. Observamos, assim, que o poder público ainda não tem uma política preventiva, nem mesmo curativa para enfrentar esse grave problema que tem provocado grandes sofrimentos em milhares de famílias em todo o

Em vez de investimento público, principalmente nas áreas de educação e saúde, onde é necessário investir em médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais da área da saúde, só notamos o aumento quantitativo da força policial como se essa fosse a solução para tão complexo problema. Salientamos aqui que é um grande equívoco pensar que através da repressão policial vamos resolver essa grave crise que atinge a sociedade brasileira no que diz respeito aos usuários de drogas, sobretudo os viciados em crack. O estado brasileiro precisa urgentemente buscar apoio de instituições competentes que estão a fim de ajudar no combate a esse grande mal que vem tirando a paz das famílias brasileiras e contribuindo decisivamente para o aumento da violência. Os dados são assustadores, principalmente, entre os jovens de 16 e 29 anos. Entre instituições que estão lidando com o problema estão as igrejas protestantes e também as católicas. Estas já se colocaram à disposição para ajudar na redução dos usuários.

Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio, pediu aos cerca de 600 padres das 264 paróquias o seguinte: irem ao encontro dos usuários de drogas com a finalidade de ajudar na cura desses doentes solitários que vivem como verdadeiros zumbis nas ruas das cidades brasileiras. Portanto, a solução para inibir o crescimento dos usuários de drogas no Brasil passa necessariamente por educação, prevenção e medidas curativas e não por ação policial que tem sido quase que a única medida utilizada pelo estado. Por essa perspectiva, necessário frisar que o poder público ainda não encontrou saída honrosa para fazer com que os usuários de drogas tenham um tratamento digno como qualquer ser humano tem, de acordo com os tratados internacionais sobre o problema assinados pelo Brasil. Tratar o dependente químico como caso de policia é um erro que muitas vezes as autoridades brasileiras vêm cometendo de maneira incisiva e abusiva. É necessário que as autoridades competentes passem a ouvir mais os especialistas e sobretudo as instituições que estão com a mão na massa fazendo o que o Estado deveria fazer.

. cacau de brito

O último relatório da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), de 2010, por exemplo, traz um dado aterrador: 98% dos municípios brasileiros têm tráfico e consumo de crack, ou seja, temos pequenas, médias e grandes cracolândias espalhadas pelo país.

país. Aliás, estamos vivendo uma das mais graves epidemias da nossa história contemporânea.

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Agência Brasil - Tânia Rego

Advogado . cacaubri@terra.com.br

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Carta aberta dos batistas brasileiros sobre o enfrentamento à dependência química Durante a realização da primeira Conferência Nacional de Enfrentamento à Dependência Química (CONEDQ), realizada entre os dias 27 e 30 de outubro, na Primeira Igreja Batista do Recreio, em parceria desta com Missões Nacionais, nos deparamos com alguns dados alarmantes relacionados ao uso de drogas, apresentados por Saulo Duarte Lima Ribeiro – pesquisador da Secretaria Nacional sobre Drogas (SENAD), um dos preletores da conferência. Vejamos alguns dados:

• Um usuário consome em média por dia 10 pedras de

crack; considerando o valor de R$ 5,00 a pedra, ele tem um gasto diário de R$ 50,00. Para financiar o vício, cerca de:

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serviço .

• 40% dos usuários roubam ou entram para o tráfico para que, por meio desta relação, tenham acesso à droga;

• 10% sustentam o vício por meio da prostituição; • O restante tira recursos para o consumo das drogas por

Com o objetivo de ser um espaço de discussão entre agentes do governo, organizações que atuam no combate às drogas, igrejas e todos que buscam solução para este grave problema nacional, nos quatro dias as palestras versaram sobre o papel da igreja, da sociedade, da família e do próprio indivíduo no enfrentamento à dependência química.

• Há mais de 60 doenças relacionadas à dependência química.

No contexto familiar, a ampla liberdade que as famílias têm oferecido aos filhos foi apresentada como uma ameaça à saúde da família. “Liberdade de mais é abandono”, enfatizou Saulo Duarte, demonstrando que quando os responsáveis não estabelecem limites às crianças ou adolescentes, estão gerando uma pessoa inconsequente, que não mede as consequências de seus atos. A indisciplina e a inconsequência, segundo Saulo, são bases para a dependência química. Para o pesquisador, a família é parte fundamental tanto na prevenção quanto no resgate daquele que está envolvido nas drogas. A importância da família também foi destacada pela Drª Valéria, que foi além: “Família e espiritualidade são dois fatores importantíssimos para manter os jovens fora das drogas. O vínculo familiar é muito importante tanto na detecção quanto no acompanhamento do tratamento”. Pesquisas apontam que a maior parte dos usuários teve a primeira experiência na adolescência. Muitas vezes no ambiente escolar. “Traficante tem uma linguagem muito sedutora, vestindo a roupa da moda, usando a gíria do jovem, se apresentando como a solução para todos os problemas. É preciso que os pais alertem os filhos e os preparem para resistir à sedução do estranho”.

Embora alarmantes, sabemos que a situação é mais ampla e complexa do que os números demonstram. Tanto Saulo quanto a titular da Delegacia de Combate às Drogas – Valéria Aragão, que também participou da Conferência, afirmam que “o problema das drogas não é apenas de segurança pública mas também de saúde pública, assistência social e educação”. Saulo ainda afirmou que o Brasil está vivendo um caos e o governo

Como cristãos, temos a missão de restaurar a dignidade das pessoas que estão neste meio. Trata-se de uma doença crônica, que não tem cura, sendo possível, no entanto, que a pessoa nunca mais volte a usar drogas. A prevenção é o melhor combate, mas é preciso adquirir conhecimento para lutar contra o crack. A Secretaria Nacional sobre Drogas tem tentado amenizar a situação por meio de cursos, mas a igreja precisa tornar-se relevante diante desta situação.

meio de alguma fonte de renda (dados da pesquisa de Ronaldo Laranjeira* em uma cracolândia com 170 dependentes químicos, em dezembro/2011).

• Em média, 40% dos casos de agressão envolvem o uso de drogas;

• Estima-se que 80% dos atos de violência no Brasil têm relação com o uso de substâncias psicoativas;

• Aproximadamente 50% das mortes no trânsito estão ligadas ao problema;

• Metade das mortes de adolescentes no Brasil está

relacionada ao uso de drogas (UERJ / SDH / UNICEF);

• 9,9% dos alunos da rede pública declararam ter usado

drogas ilícitas no ano da entrevista. Na rede particular, o número é de 13,6% (OBID 2010);

• Em 2010, 230 milhões de pessoas declararam uso de drogas (Relatório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime – UNODC – 2010);

• No mesmo ano, 26 milhões declararam que são dominados pela droga;

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não sabe exatamente o que fazer neste sentido. Após um ano conversando com usuários nas cracolândias do Rio de Janeiro, a delegada verificou que são pessoas comuns que precisam ser tratadas e amparadas e não recolhidas e conduzidas para a delegacia. Algumas são moradoras de rua, mas cresce a cada dia o número de pessoas que têm casa e família, mas que preferem ficar nas ruas, onde o acesso à droga é mais fácil.

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É preciso nos conscientizarmos de que o problema das drogas é de todos nós e precisa ser compartilhado, cada um fazendo sua parte. Enquanto a delegada enfatizava que o papel da igreja é o maior de todos, pastor Wander Gomes, líder da igreja hospedeira da conferência, ressaltava que nossa participação é ainda extremamente tímida. “Precisamos acabar com a atitude paternalista e agir com o que temos nas mãos”, convocou. É preciso agir, enquanto há vida! (*) Dr. Ronaldo Laranjeira é graduado em Medicina e Phd em Psiquiatria pela Universidade de Londres(1994). Professor Titular do Departamento

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Drogas é uma questão de vida ou morte, e é necessário o engajamento de todos para devolver a dignidade às pessoas. Ir aonde as pessoas estão, seja no fim da linha das cracolândias ou no trabalho preventivo nos prédios, escolas ao lado de nossas casas. “A gente precisa ir lá tratar as feridas físicas, emocionais, espirituais”. O presidente da CBB destacou ainda a necessidade de profissionais, como médicos, psicólogos, dentistas, nutricionistas, advogados, etc., que se disponham a doar o seu tempo e trabalho para investir nesta gente que parece não ter solução. “Precisamos de uma grande mobilização nacional, porque nossa terra está pedindo socorro. E a morte está em cada esquina de qualquer cidade, grande ou pequena de nossa nação”. A igreja também tem um papel

importante na ressocialização daqueles que são libertos das drogas, contribuindo para a profissionalização e abrindo oportunidades de emprego.

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Segundo o presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB) – pastor Paschoal Piragine Jr., precisamos ser relevantes em meio a esta situação caótica. O Brasil está pedindo socorro, a família brasileira está pedindo socorro, está sofrendo e precisamos ter sensibilidade para ouvir este clamor e tomar algumas atitudes com urgência, pois “Quando tem um grito de socorro, a gente para tudo”.

de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo e na área de treinamento coordena vários cursos de pós-graduação latu senso em dependência química (cursos de especialização presencial e virtual). Professor orientador do programa de pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Coordenador da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas) da UNIFESP.

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Homens podem ler,

mas esta é para Virgínia Martin

mulheres

Jornalista e escritora . virginia.martin.3348@facebook.com

“Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro.” – José Saramago

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É verdade que há excesso de mulheres sozinhas. Lamente ou não a ala feminina, esta realidade explícita comprova quantidade, jamais qualidade. E mesmo que minha afirmação seja “lugar comum”, ela pode acabar sendo produtiva. Por quê? Ora, quem procura o melhor para si, sabe peneirar e rastrear muito bem no meio da rede que recolhe tantos peixes. Se você tem qualidade, esteja segura de que há procura para sua demanda porque, em ambos os sexos, há gente muito boa procurando a pessoa certa. Seja sempre lei de procura, não de oferta. Infelizmente, muitas mulheres adquirem o péssimo vício de maldizer os homens, bani-los e assustá-los com suas queixas e mágoas. Dizer que todos os homens são iguais é uma tolice antiquada. Homens são seres diferentes. No entanto, são adoráveis, admiráveis, fascinantes, mas sempre diferentes. Pensam, sentem, elaboram diferente de nós, mulheres. Na verdade, eu penso que homens e mulheres não têm necessariamente que serem compreendidos, mas sim amados com todas as peculiaridades do gênero, considerando caráter e índole de cada um.

Escrevo sobre este assunto quase banal porque percebo que existe um padrão de comportamento nocivo que embaça o olhar de muita divorciada. Este tipo de leitura do outro sexo pode acabar embotando a alma e a sensibilidade feminina. E por mais que tenhamos nos tornado mulheres fortes, independentes, sem a participação masculina na vida diária (eu disse diária), é preciso preservar a essência de mulher feita por Deus, com feminilidade, doçura e, por que não, respeito com o sexo oposto. Portanto, procure não perder o encanto pelos homens. Mude sua maneira de encarar frustrações, generalizações, estereótipos e idealizações. Você pode se surpreender. Homens cristãos e divorciados podem até ser minoria, mas são de igual modo carentes e desprovidos de apoio. Precisam manter a performance de força e controle sobre a situação. Muitos foram traídos, outros foram simplesmente iludidos. Centenas erraram e milhares querem refazer sua vida afetiva, sexual, familiar... Procuram não se expor, temem o assédio exagerado e equivocado, distanciam-se de repressão e de gente “sem noção”. Divorciadas cristãs são mais vulneráveis. Algumas se tornam amargas, existem as que se fecham em si mesmas, há ainda as que se sentem vítimas da vida, maldizem todos os homens do mundo

e adquirem um coração “mal resolvido”. Estas pessoas existem, são de verdade e representam a ponta do iceberg que se agiganta por baixo da superfície. Vou repetir o que muitos já disseram: não é porque alguém falhou que todos irão falhar. Mais uma vez, raízes de amargura podem trazer abundância de murmuração. É nesta hora que é possível detectar sintomas de um coração mal tratado, mal amado, mal resolvido, mal contido no próprio peito, carecendo de cura. Quanto menos reclamação, mais respiração. E onde há mais oxigênio, há mais vida. Mulheres, desistam de culpar os homens, muito menos a si mesmas. É contraproducente. Antes de tudo, é importante reconhecer erros e aprender com eles, mas não punirse por causa deles. Saiba discernir culpa real e culpa falsa. Evite comparações e retaliações, que funcionam como instrumentos de demolição da alma feminina. Evitem tornarem-se reféns da amargura, que traz rugas, dor nas juntas, envelhece e tira o brilho dos olhos. Façam as pazes com os rapazes e descubram o quanto eles podem ensinar com suas características e habilidades únicas. Tenham amigos homens cheios de bem querer e capazes de otimizar sua visão de vida e melhorar julgamentos. Tornem-se mais bonitas por dentro e por fora ao abdicar do interesse e prática da reclamação. Garanto que dá certo!

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férias em família

Por que são importantes? Paulo Moura

Pastor e Psicólogo . paulo@igrejadorecreio.org.br

Agências de viagens oferecem pacotes promocionais para aqueles “marinheiros de primeira viagem” ou para os que não querem perder muito tempo viajando sem um destino. Há também jornais e revistas com encartes especializados que trazem ótimas sugestões para curtir as férias. As opções são variadas, basta apenas boa vontade e um bom planejamento. Pode ser uma viagem de turismo e lazer; uma visita a um parente, amigo ou familiar que há muito tempo vocês não veem; um dia de diversão e brincadeiras num

parque ou clube; um banho de mar ou piscina; uma ida ao zoológico, museu ou circo; uma peça de teatro; uma boa caminhada ou um passeio de bicicleta; uma volta pelo shopping, com direito a assistir a um bom filme, acompanhado de pipoca e guaraná, etc. É lógico que todas essas atividades devem ser bem executadas e precisam estar dentro do orçamento familiar, mas acredite que é um investimento que vale a pena fazer. Mesmo para as famílias que preferem ficar em casa, o período de férias pode ser bastante divertido e proveitoso. Há muitos jogos e atividades lúdicas e educativas que oferecem entretenimento para todos; bons filmes podem ser assistidos juntos e fornecem importantes lições morais e aprendizado; histórias e contos infantis podem ser resgatados. Outra ótima sugestão para ser realizada é quando todos vão para a cozinha e preparam juntos aquela refeição deliciosa. Mas deixo por último a melhor opção de todas: que tal aproveitar esse tempo de férias para realizar, em família, o seu culto doméstico? Reúna-se com seu cônjuge, filhos, pais e irmãos e experimente passar alguns

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Chegou o tão aguardado período das férias escolares e muitos pais ficam sem saber o que fazer com seus filhos. Mantê-los por muito tempo dentro de casa pode ser um convite nada sugestivo para que fiquem grudados na televisão, na internet ou no videogame, por exemplo. O que fazer com eles então? Casais com filhos em idade escolar também aproveitam os meses de janeiro e fevereiro para descansar um pouco. A fim de aproveitar esse momento e fugir do estresse que ronda as famílias, nada melhor do que programar uma boa atividade para sair da rotina e fazer desses dias os melhores possíveis.

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diálogo e companheirismo. Motivam e aquecem os relacionamentos. Recuperam a alegria e os sonhos. Férias em família fazem bem para o casal, para os filhos e para todos.

Em dias tão ocupados e em uma sociedade cada vez mais envolvida e obcecada pelo pragmatismo e pelo ativismo, é fundamental que a família deixe as preocupações de lado e usufrua de bons momentos de descanso, lazer e diversão. Férias em família são importantes por várias razões, mas gostaria de citar apenas três:

2ª) Porque os bons momentos ficarão guardados para sempre: Quem não se recorda de uma grande aventura vivida na infância ou na adolescência? Não tem preço proporcionar à família um tempo de qualidade, algo agradável e prazeroso. Férias bem planejadas e bem executadas poderão deixar boas marcas não só na lembrança, mas também no caráter. Aproveite o momento presente para construir e investir no futuro da sua família.

1ª) Porque faz bem à família estar unida: O mundo moderno tem dividido a família. As inúmeras rotinas e compromissos, os horários variados e a competitividade têm distanciado uns dos outros. Não faz bem a família andar tão distante e em rotas tão opostas. Férias em família proporcionam união de esforços,

3ª) Porque a vida em família também é descanso e lazer: Hoje em dia há pessoas que levam a vida muito a sério. Andam demasiadamente ocupadas, ansiosas e estressadas. Parecem que se esqueceram de

brincar, de sorrir e de relaxar. Os workaholics (pessoas viciadas em trabalho) se proliferam assustadoramente e adoecem na mesma proporção. Não podemos permitir que esse mal contamine nossos lares. Tenho insistido que trabalhar faz bem, estudar também, mas tudo no seu devido tempo. Aproveite então o período de férias para descansar e curtir bastante a sua família – esse bem precioso que Deus lhe deu. Se possível, livre-se do celular, do computador e das pendências deixadas no trabalho. “Vire a chave” e dedique-se inteiramente ao seu descanso, afinal ninguém é de ferro. Suas forças serão renovadas e você vai iniciar 2013 com mais alegria e disposição. Seu corpo, alma e espírito vão agradecer, com certeza. Boas férias em família e um bom início de ano.

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momentos preciosos do dia lendo a Bíblia, cantando e orando a Deus. Você vai descobrir que esta simples atitude fará toda a diferença no ambiente familiar.

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Juros menores

pedem nova estratégia para investimentos pessoais Joel Leandro

Até pouco tempo atrás, uma aplicação de renda fixa conservadora oferecia ganho real entre 5% e 6% ao ano. Hoje, com a redução da taxa básica de juros de 12,5% ao ano, iniciada em agosto de 2011 para os atuais 7,25% ao ano, este ganho está em torno de 1,5% ao ano. A verdade é que com juros menores as pessoas precisarão rever suas estratégias de investimentos, desenvolvendo esforço maior para guardar mais dinheiro, além de exigir visão de longo prazo, em termos de planejamento financeiro.

Diante das diversas opções de investimentos disponíveis no mercado financeiro, o investidor precisará, cada vez mais, desenvolver sua inteligência financeira ou contar com a ajuda de um consultor financeiro pessoal. Uma regra de ouro que sempre sugiro às pessoas com as quais converso a respeito desse assunto é a diversificação. Seguindo o bom conselho da minha avó: “Não é bom colocar todos os ovos no mesmo cesto, pelo risco deste cair e quebrá-los totalmente.” Com opções tão variadas de investimentos oferecidos pelos bancos, que começam com fundos de renda fixa vinculados a índices de preços ou com títulos privados em suas carteiras, passando pelos fundos multimercados, imobiliários e de ações; chegando até títulos do governo que podem ser adquiridos por meio do Tesouro Direto, os planos de previdência e as carteiras próprias de ações, é natural que o investidor fique em dúvida. Nesse caso, é preciso identificar o grau de risco que está disposto a assumir, além de conhecer cada uma delas. Embora exista certo consenso de que em busca de rentabilidade maior há necessidade de migrar seu dinheiro para aplicações com maior risco, é preciso ter clara a premissa básica

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de que quanto mais perto de se aposentar, menor deve ser a exposição ao risco, sem que isso indique que um jovem, obrigatoriamente, deva buscar aplicações com risco mais elevado, embora o tempo lhe seja um grande aliado. Conheço pessoas que, mesmo jovens, não suportam registrar prejuízo em seus investimentos, ainda que considerando a hipótese de recuperar essas perdas ao longo do tempo. Recomendo ainda atenção especial com as chamadas taxas de administração cobradas pelos bancos para as aplicações financeiras nos diversos fundos de investimentos oferecidos, pois com a taxa básica de juros em 7,25% ao ano, taxas cobradas acima de 1% ao ano comprometem bastante a rentabilidade. Logo, confira mensalmente o seu extrato bancário com o histórico das aplicações, rentabilidade proporcionada, cobrança de tarifas e taxas no período. O acompanhamento é essencial para preservar os ganhos em um cenário de baixa rentabilidade. Exija esclarecimentos do banco sempre que houver dúvidas nas cobranças efetuadas.

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Por exemplo: com juro real de 5% ao ano, um investidor de 40 anos com planos de se aposentar aos 65 anos, com capital acumulado de R$ 1 milhão, teria que poupar aproximadamente R$ 2 mil por mês. Hoje, diante do novo cenário, esse mesmo investidor precisará poupar pelo menos R$ 3 mil para obter o mesmo resultado, ou seja, 50% a mais. Vale, a partir de agora, entender que é preciso gastar menos, pois o esforço do momento presente resultará em um futuro financeiro mais tranquilo. Esta realidade difere daquela com a qual estava acostumado, onde se obtinha ganhos elevados sem se preocupar tanto, por exemplo,

em pagar ou não imposto de renda ou controlar gastos com supérfluos – lanches, guloseimas, estacionamentos, deslocamentos desnecessários. Todavia, isso faz toda a diferença hoje.

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Professor, especialista em finanças comportamentais . joelml@uol.com.br

Outro aspecto que o investidor deve passar a considerar nas decisões de investimentos é o chamado ganho fiscal, já que há algumas aplicações oferecidas pelos bancos como, por exemplo, os fundos imobiliários, LCA – Letras de Crédito de Agronegócio, que o isenta da aplicação do imposto de renda no rendimento. Os planos de previdência privada, de acordo com a modalidade (PGBL ou VGBL), também oferecem benefícios fiscais interessantes. O importante é lembrar que a decisão final é sempre sua; logo, não renuncie a ela. Revista Elos | Edição 06 . Janeiro 2013 |

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Vigoradolescente Utahy Santos

Jornalista . utahysantos@gmail.com

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O mercado, esse espertalhão que vive do nosso sangue, há muito tempo descobriu o adolescente. No passado, a adolescência começava aos 12 anos e encerrava-se com pompa aos 18. Hoje, a faixa etária estendeu-se. Começa aos 10 anos e algumas vezes se encerra aos 25. Há especialistas que só consideram terminada a adolescência quando o rapaz ou a moça saem da casa dos pais e se sustentam. O mercado fatiou essa faixa etária e nos EUA os tweens (10 a 13 anos) têm altíssimo poder de fogo. Desde petizes os tweens compram suas próprias roupas, leem livros que lhes interessam, consomem ídolos fabricados para eles e fazem barulho. Depois dos 13 são teens (lá e cá, muito pela paixão que nutrimos pelo idioma de Justin Bieber).

“A adolescência é uma etapa intermediária do desenvolvimento humano, entre a infância e a fase adulta. Este período é marcado por diversas transformações corporais, hormonais e até mesmo comportamentais. Não se pode definir com exatidão o início e o fim da adolescência (ela varia de pessoa para pessoa), porém, na maioria dos indivíduos, ela ocorre entre os 10 e 20 anos de idade (período definido pela OMS – Organização Mundial da Saúde)” – http://www.suapesquisa.com. Neste texto, quando falarmos de adolescentes, pensaremos em jovens de 13 a 18 anos (só para facilitar minha vida). Os termos tweens e teens não serão mais mencionados. Fiquemos com os nossos pré-adolescente e adolescente.

O adolescente é fascinante. Um grupo poderoso, certamente. Na adolescência formamos os laços mais fortes. Em qualquer época da vida fazemos amizades, mas na adolescência cremos que essa ligação será para toda a vida. Há adolescentes problemáticos (como há jovens, adultos e idosos). Não se falará deles neste texto, que é descaradamente uma apologia do vigor, entusiasmo e arrogância adolescente. BARRA PESADA Na adolescência formamos nossos grupos de amizade, definimos a carreira que seguiremos, corremos atrás de emprego e enlouquecemos com o sexo oposto. Tudo isso com hormônios explodindo dentro de

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Estudei com uma menina desde o primário (agora, acho que é 1º Grau ou Ensino Fundamental) até o pré-vestibular. Aluna aplicadíssima, orgulho do papai e da mamãe, Sônia apaixonou-se por um malandro de nossa turma. Uma simpatia de garoto, mas vagabundo. Sônia não passou no Vestibular, concluiu precariamente o Ensino Médio e ainda engravidou. Engravidou em uma época que estigmatizava a mãe solteira terrivelmente. Retomei contato com ela, via Facebook, e ouvi em uma longa conversa as dificuldades que enfrentou: “Meus pais me apoiaram, mas só pude voltar a estudar 10 anos depois de meu filho nascer. Papai fez questão que eu criasse meu filho e só depois que ele faleceu é que minha mãe resolveu ficar com o menino para eu estudar. Hoje, tenho três filhos, todos casados. Estou viúva e mamãe vive comigo. Tem quase 100 anos”.

Devemos considerar que o adolescente com boa estrutura familiar tem mais chances de seguir caminho seguro. O deslumbramento derruba muitos garotos e garotas. E não são vítimas de deslumbramento só os jovens milionários do futebol.

O adolescente está sempre a uma distância mínima do erro. E é fácil vacilar quando são tantas

A barra é pesada para o adolescente, mas ele sempre acha que dá para consertar as bobagens feitas. Às vezes, não dá. O sentimento de onipotência que acomete a garotada pode levá-la ao fundo do poço, mas, se bem trabalhado, esse sentimento pode ser transformado em confiança em si mesmo sem o exagero de se achar infalível. ARROGÂNCIA Arrogância é altivez, insolência, orgulho, presunção. É desagradável lidar com pessoas arrogantes. Eu me mantenho longe delas. O adolescente tem muita arrogância arraigada nele. Ele pode. Ele tem muito tempo pela frente. Ele e ela são desejados, cobiçados. Ele e ela terão muito dinheiro, poder. No meu

entendimento, não chega a ser errado pensar assim. O certo, no entanto, é que toda essa presunção geralmente não leva a lugar algum. As igrejas batistas se dividem em faixas etárias como estratégia para o treinamento de seus membros. Adolescentes carregam pedras. Fazem o que ninguém faz. Já irritei adolescentes, involuntariamente, quando eles vinham me apresentar uma ideia para melhorar uma atividade e eu dizia: “Sua ideia é boa, mas isso já foi feito e não deu certo”. Ouvi, como resposta, algumas vezes: “Não deu antes, pode dar agora”. Um dia ouvi, de verdade, e o projeto fracassado do passado “bombou” no presente. Aprendi. Trabalhar com adolescentes não é fácil, mas compensa, e muito. Se a arrogância do adolescente se transforma em confiança genuína e ele consegue compreender que deve prestar atenção no que lhe está sendo dito e admitir que também erra de vez em quando, temos alguém precioso ao nosso lado. E ele, certamente, não precisa concordar submissamente com tudo o que vem da liderança.

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as oportunidades para fazermos lambança.

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nós. Nós, porque eu também passei por isso e sei que a barra pesa.

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VIGOR Um texto na barra do segundo caderno de O Globo me chamou a atenção. Uma senhora, aos 70 anos, resolveu compor músicas no seu teclado Cassio. Em pouco tempo transformou-se em uma estrela da música islandesa (de lá saíram Sugarcubes, Bjork, Seabear). Em oito anos, Sigridur Nielsdóttir compôs 600 músicas. Não me interessa aqui a qualidade da obra de Sigridur. Importa a disposição, o vigor da velha senhora. É este vigor que o adolescente tem. Vigor/ coragem de fazer o que os mais velhos temem empreender. Nada mais patético do que adolescente desanimado, conformado, sem entusiasmo. Minha amada, na adolescência, ia para a igreja a pé. Inhaúma–Praça Seca, uns 10km. Do Campinho até a Praça, distribuía folhetos evangelísticos no lado direito da Cândido Benício. Na volta, da Praça até o Campinho, cobria o lado esquerdo. Pregava em ar livre, cantava no coral, fazia evangelismo em presídio... Hoje, só de lembrar dessa época ela fica cansada. O adolescente tem essa disposição, o vigor físico, a vontade de transmitir aquilo em que ele acredita. ENTUSIASMO “Excitação da alma quando admira excessivamente”. Gosto dessa definição de entusiasmo tirada do

Dicionário Michaellis. Também gosto de arrebatamento como sinônimo de entusiasmo. O adolescente é arrebatado, exagerado, apaixonado (uma boa parte deles, pelo menos) e, se acredita em uma causa, se atira de peito aberto. Quem lida com adolescente na vida secular ou dentro de igreja sabe que precisa conquistá-lo. Um mesmo grupo de adolescente rende muito com um líder e não rende nada com outro. O adolescente, pela imaturidade, é muito dono da verdade; adora pegar quem o lidera em contradição; se regozija em arrancar máscaras. Depois de um tempo, e muitas tentativas, se não consegue, ele respeita quem o está capitaneando. E do respeito ao capitão passa ao entusiasmo à causa que o capitão defende. Já vi turmas que detestavam matemática passarem a amá-la depois de receberem aulas de verdadeiros mestres. Também já vi grupos debruçarem-se sobre a Bíblia inspirados por mestres que além de conhecer viviam as verdades das Escrituras. Um grande erro, sempre em minha opinião, de adultos que trabalham com

adolescentes é se comportarem como se fossem adolescentes. Não são, e eles percebem a impostura. EPÍLOGO O pr. Wander Gomes começou na igreja como presidente de União de Adolescentes. Tufos de cabelo da privilegiada cabeça do pr. David Malta caíram por causa da ousadia e atrevimento do adolescente que, sob a liderança de Henrique Cesar Batista (uma pessoa muito conhecida entre os batistas), movimentou a igreja em que militou. As características únicas do adolescente não devem ser sufocadas. Têm, sim, de ser direcionadas. O Fluminense, no passado, tinha um ponta-direita velocíssimo: Cafuringa. Fez um ou dois gols em toda a carreira. Seu problema: era tão veloz que na maioria das vezes saía pela linha de fundo com bola e tudo. Não sabia dosar a energia que tinha. Deu azar de não ter encontrado um técnico que o instruísse. O adolescente tem pouca noção de que vive uma fase privilegiada da vida. Pode escolher e seguir o rumo que desejar. Sei que de muitos adolescentes foi roubada esta oportunidade, mas muitos que a têm deixam-na passar. O adolescente é responsável por sua história. Deve usar este vigor, entusiasmo e destemor para conseguir o melhor para si e para os seus.

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estereótipos Marcos Werton

Pastor de adolescentes . marcos@igrejadorecreio.org.br

Com o passar dos anos, esse estágio da vida foi despertando interesse entre pesquisadores, professores e, principalmente, pais. A tentativa era de ajudar a se relacionar melhor com os chamados adolescentes. Nessa faixa etária, invariavelmente, meninos e meninas passam por

modificações corpóreas, emocionais e cognitivas. O corpo infantil transforma-se, gradativamente, em corpo adulto. Desenvolve-se habilidade de lidar com as emoções e há a construção da identidade.

Podemos ver e falar com pessoas em qualquer parte do mundo, o dia todo e todo dia, com possibilidade de conexão à rede mundial de computadores em todos os ambientes que freqüentamos.

É necessário que compreendamos o cenário atual em que os adolescentes estão inseridos:

Conhecimento da e exposição à violência. A violência não está limitada a filmes e livros. Há adolescentes que já praticaram ou sofreram violência.

Tecnologia avançada em várias áreas. Da criação de robôs com aparência humana (apresentado pela Universidade de Osaka, no Japão) até o prodigioso avanço dos meios de comunicação.

Fragmentação da família nuclear ou novos arranjos familiares. Os adolescentes são criados por tios, avós, primos ou outros parentes.

. marcos werton

A palavra adolescente existe há menos de 73 anos. Antes do século XX, as pessoas eram consideradas como “crianças” ou “adultos”, somente na época da segunda guerra mundial a palavra adolescente começou a se popularizar.

marcos werton

É hora de desconstruir

Marcelo Belchior

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marcos werton

marcos werton .

O grande número de separações conjugais tornou comum as figuras do padrasto e da madrasta. Falta de referenciais de amor, compaixão, tolerância e ética. Por vermos um cenário social como este, somos tentados, como pais, pastores, padres, professores e psicólogos a reforçar o estereótipo, ou seja, generalizar o comportamento dos adolescentes. O senso comum nos diz que o adolescente é irresponsável, encrenqueiro, os “aborrecentes”, como muitos os chamam, não sabendo o quanto isso os irrita. Muitos, ainda, associam adolescentes a drogas, sexo, violência e rock’n’roll. Como famílias que juntas formam a sociedade, precisamos desconstruir este estereótipo. Temos de assumir o compromisso de contribuir na

formação, no encorajamento e direcionamento dessa turma inteligente, criativa, apaixonada, sonhadora e cheia de energia física. O adolescente deseja intensamente ver transformações acontecerem no mundo. É característica dessa faixa etária tão bela como as flores do campo. Em vez de reforçarmos o estereótipo da adolescência, construído ao longo dos anos, precisamos amá-los e ajudá-los a viverem em um ambiente caloroso, com amor e encorajamento, num clima de emoções positivas, onde terão chances maiores de serem felizes e relevantes. Adolescência significa crescimento e nada melhor que o amor que vence todo o medo (1Jo 4.18) para ser catalisador desse crescimento.

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Facebook

engorda Dia sim, dia não aparece um estudo feito por universidades ou cientistas contando uma novidade que logo será desmentida. A penúltima, relatada pela jornalista Renata Demôro: “Passar horas no Facebook pode significar alguns quilos a mais. De acordo com estudo das Universidades de Columbia e Pittsburgh, quem conversa com amigos via redes sociais é mais propenso a fazer lanches nada saudáveis assim que desliga o computador ou deixa de acessar o aplicativo no smartphone. A pesquisa sugere que usuários da rede social possuem níveis de autoestima mais elevados. E é este excesso de confiança em si mesmo que provoca um mergulho na falta de controle. O mais intrigante é que os pesquisadores acreditavam ser o sedentarismo provocado por horas em frente ao computador o principal motivo do excesso de peso entre usuários de Facebook. A pesquisa revela ainda que pessoas que mantêm conversas com amigos muito próximos tendem a engordar mais quando comparado a usuários que usam a rede para assuntos superficiais. Para os pesquisadores, os dados são preocupantes, já que o Facebbok concentra mais de um bilhão de usuários ativos. Eles ressaltam que o autocontrole é importante para manter o bem-estar pessoal e este efeito, aparentemente sutil, pode ter impacto generalizado na saúde”. A boa notícia para os que não vivem sem estar conectados às redes sociais é que o Orkut não causa aumento de peso, de acordo com o Centro de Estudos Bobajológicos. Difícil é encontrar alguém no Orkut.

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o mundo acabou? George Heinrichs

Pastor . george@igrejadorecreio.org.br

Nós, seres humanos, somos fantásticos, movidos a emoções, vivemos com intensidade cada momento das nossas vidas, sejam eles bons ou ruins. Quando vai se aproximando o final do ano, a época do Natal, parece que as pessoas ficam mais sensíveis (menos as instituições financeiras é claro!). Elas começam a refletir se os conflitos que tiveram com outros valeram a pena. Muitos até perdoam ou relevam as ofensas recebidas e se deixam envolver por um clima de perdão. Outros que enfrentaram um ano difícil esperam o término deste na esperança de que o próximo traga novas possibilidades. Há até os que desistiram e deram cabo de suas vidas para se livrarem de seus problemas. Fato é, querido leitor, que nem todos têm a sorte de

acordar no dia seguinte e, como num passe de mágica, terem os problemas da vida resolvidos. Será que alguém tem? Nossa vida é uma sucessão de fatos e muitos deles decorrentes das nossas próprias escolhas, pasmem! Não falo de coisas que não podemos impedir que aconteçam, mas elas são apenas 10% do que acontece em nossas vidas. Há quem diga que os 90% restantes são as oportunidades que teremos de ser reativos ou proativos. Skinner disse: “Os homens agem sobre o mundo e o modificam e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação”. Ele, de fato, tem razão, colheremos exatamente o que plantarmos. Está na Bíblia: “o que o homem semear, isso também colherá” (Galátas 6.7).

Quero dizer com isto que não adianta dormir esperando que, como mágica, este novo ano se inicie e tudo se resolva na sua vida: casamento, finanças, filhos ou faculdade, pois isto não irá acontecer. O que paralisa o ser humano é a posição de comodismo chamada “reação”. Newton disse que toda ação tem uma reação, referindo-se às leis da física. No entanto, podemos acrescentar que toda ação pode ter outra ação, ou seja, eu posso agir de modo proativo e assim evitar algumas consequências graves no meu dia a dia.

. george heinrichs

Ano novo tudo novo ou

george heinrichs

enewsscience.com

Talvez você não consiga evitar que seu filho pequeno derrame leite com chocolate na sua roupa, mas, sem dúvida, poderá evitar que ele se sinta a pessoa mais infeliz do Revista Elos | Edição 06 . Janeiro 2013 |

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mundo por ter prejudicado o pai. Talvez você não consiga evitar que alguém o ofenda quando comete um erro ao volante, porém, em vez de revidar, desculpe-se. Você, por mais poderoso que seja, não conseguirá parar ou adiantar o tempo, por isso, não desconte nas pessoas à sua volta os seus possíveis atrasos. Pense que a vida está lhe atrasando para permitir que você seja bondoso com alguém que passará por sua vida naquele momento.

george heinrichs

george heinrichs .

Deixe-me relatar uma história: Um homem estava viajando velozmente com seu novo carro esportivo caríssimo. Ao reduzir a velocidade em uma das curvas, ouviu um grande barulho, percebeu então que seu carro fora atingido por um tijolo. Sem pensar, freou bruscamente e foi em busca de quem tamanho prejuízo lhe causara. Logo à frente encontrou um menino trêmulo que disse: “Desculpe-me, moço, meu irmão, que é cadeirante, caiu neste barranco, está muito

ferido e não consigo resgatá-lo. Gritei e chamei por muitos, mas ninguém me atendeu, então joguei o tijolo. O senhor pode me ajudar?” Aquele homem, já compungido, desceu o barranco e resgatou o menino com necessidades especiais. O irmão, agradecido, se despediu. Aquele homem tomou a decisão de nunca consertar o carro, para lembrar-se de não andar tão rapidamente a ponto de não conseguir enxergar as necessidades à sua volta”.

Comissão

Blogplanalto.gov

Nacional da Verdade faz balanço positivo

Assim como o homem, podemos ter a firme decisão de simplesmente viver. Deus nos dá forças para vivermos um dia de cada vez. Ao viver ansiosamente, logo de manhã sua carga de força estará em déficit. Plante as sementes do sucesso, elas estão disponíveis para qualquer um que quiser. Estão na Bíblia. Bom, se você está lendo este artigo talvez não esteja tudo novo, mas uma coisa é certa, o mundo não acabou!

Depois de sete meses de atividades, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) encerra 2012 com um balanço positivo de suas atividades. A avaliação é do coordenador da comissão, o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles. A comissão foi criada para apurar graves violações aos direitos humanos, praticadas por agentes públicos entre 1946 e 1988, com ênfase no período da ditadura militar, de modo a garantir o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional.

Sucesso!

“Nos deslocamos a vários estados, debatemos com a sociedade civil, com governos municipais, estaduais, com o objetivo de criar uma grande rede permanente e de proteção da democracia, para que nunca mais tenhamos essa vivência ditatorial”, disse Fonteles à Agência Brasil. Formada por sete integrantes, a comissão tem o poder legal de requisitar informações e documentos do Poder Público, com qualquer classificação de sigilo. Também tem a prerrogativa de convocar para entrevistas pessoas que eventualmente guardem alguma relação com os fatos e circunstâncias examinados e determinar perícias e diligências para coleta ou recuperação de informações, documentos e dados. (O Jornal do Brasil, www.jb.com.br)

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Livros Nazaré também tinha seus discípulos e seguidores, seus talmidim. Este livro apresenta a essência da mensagem de Jesus aos seus talmidim de ontem e de hoje. (Divulgação)

Talmidim - o passo a passo de Jesus, de Ed René Kivitz, Ed. Mundo Cristão, 2012 Na Galileia do tempo de Jesus, os meninos em Israel iniciavam seus estudos da Torá aos 6 anos. Aos 10, quando completavam o primeiro estágio, a escola primária, chamada Beit Sefer, já tinham a Torá decorada. Apenas os alunos que se destacavam seguiam para a escola secundária, Beit Talmud, e mergulhavam no restante das Escrituras e na tradição oral dos rabinos e suas muitas interpretações e aplicações da Torá. Aos 14 e 15 anos, somente os melhores entre os melhores estavam estudando, geralmente aos pés de um rabino famoso e respeitado. Esses pouquíssimos meninos da elite intelectual de Israel eram chamados talmidim (do hebraico: talmid, discípulo; talmidim, discípulos). Apesar de ser considerado um rabino marginal, não reconhecido formalmente pelas autoridades religiosas de seu tempo, Jesus de

O Brasil se descobre 1565 - Enquanto o Brasil nascia: a aventura de portugueses, franceses, índios e negros na fundação do país, de Pedro Doria, Ed. Nova Fronteira, 2012 Este é um livro de história. Ou de

. leia mais

A mensagem de Jesus

O cesto da adversidade, de Ricardo Pinudo. Editora e Gráfica Sonho Dourado Ltda. Rio de Janeiro, 2012 Por detrás das cartas extraordinárias, de fato inspiradas, do apóstolo Paulo há um ser humano e uma história cheia de significado. Esse texto é um cesto de informações e desafios frente a uma vida repleta de sentido, como foi a do apóstolo. O pr. Ricardo Pinudo leva-nos a revisitar o homem, mais do que o missionário ou o escritor. Quando revemos o homem de Tarso, retomamos o contato com os medos humanos, a angústia de viver a fé pela fé. Vemos a dificuldade que a fé nos traz, quando somos instados a crer e abrir as portas que foram fechadas do lado de fora, pelo comportamento de quem, agora, insiste em bater à porta. (...) Aprendemos com as histórias em que este homem foi envolvido, e com as histórias em que ele envolveu a muitos. Descobrimos que algumas de suas experiências são inexoráveis a todos, e o melhor que se pode fazer é aprender pela aceitação. Nunca deixará de ser fonte de tensão o enfrentar a solidão. Nunca deixará de ser fonte de dor o encarar a traição. Nunca deixará de ser constrangedor ter de admitir o próprio erro. Conforta, entretanto, saber que o maior de todos os arautos do Cristo teve de trilhar essa estrada, porque esse é o caminho estreito, que leva ao destino eterno, conquistado na cruz. (Ariovaldo Ramos)

leia mais

Paulo, o homem

muitas histórias. São personagens, lugares, vidas que se encontram no início da formação do nosso país. De repente, passeiam pelo Brasil templários franceses, dividindo a mesa de refeições com calvinistas, ao mesmo tempo que nossa costa é tomada por piratas holandeses. Os portugueses multiplicam filhos com as índias, povoando e dividindo o território. Os índios, experientes estrategistas das suas guerras, tramam alianças com as nações europeias. Mas os jesuítas também querem o paraíso tropical, com a missão da divulgação do paraíso celeste, e são os negros, negociados também por negros africanos, que cimentam com o seu suor os projetos de todos. (Divulgação) Revista Elos | Edição 06 . Janeiro 2013 |

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A caça ao

tesouro celeste Paulo Pancote

Pastor e escritor . ppancote53@gmail.com

paulo pancote

paulo pancote .

Durante o seu ministério aqui na terra, um dos assuntos que Jesus mais abordou foi sobre dinheiro. Não simplesmente o dinheiro, mas tudo aquilo que envolve possessões materiais e que se relaciona com bens e riquezas. Atualmente, mais do que nunca, vivemos numa sociedade materialista, onde a riqueza e as posses estão sendo cultuadas, além de ansiosamente perseguidas. Ao longo dos séculos, esta situação que prevalece hoje no mundo, foi penetrando sutilmente em nosso contexto evangélico, alterando costumes, modificando valores e trazendo prejuízos muito graves às nossas comunidades cristãs. O mais devastador em tudo isso é que estamos fazendo parte de um mundo cristão onde o culto ao dinheiro se infiltrou muito mais do que ousaríamos admitir e pensar. Tornamo-nos dependentes em relação às coisas materiais. Nós as acumulamos, contraímos dívidas para adquiri-las e até mesmo nos sentimos culpados quando não conseguimos atingir determinados níveis de prosperidade financeira. Além disso, pessoas que não possuem nenhum envolvimento com o evangelho estão por sua vez tão envolvidas com tudo aquilo que é material, que nem sequer pensariam em nada que fosse espiritual. “Não acumuleis tesouros na terra...” Quando Jesus profere esta expressão, o que ele está realmente pretendendo?

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Será que é um mandamento que deve ser obedecido pelos seus seguidores ou é simplesmente uma recomendação que é facultativa – pode ou não ser obedecida? Fica à escolha do freguês, ou melhor, do crente? Para uma interpretação mais acurada sobre o ensinamento de Jesus a respeito das riquezas materiais, é necessário entender o contexto social de sua época, que ele ilustra de forma viva em várias de suas parábolas. Das histórias que Jesus contava, uma sociedade sobressaía – bem estruturada, dividida em várias classes, com proprietários de terras, administradores, trabalhadores diaristas e até escravos. Era uma sociedade em que uns poucos podiam se vestir luxuosamente e se banquetearem escandalosamente bem todos os dias. Enquanto isso, mendigos esmolavam junto aos portões, esperando migalhas da mesa muito farta de alguns ricos. Será que já não conhecemos esta história? Era uma sociedade em que o dinheiro se acumulava nas mãos dos ricos, enquanto os homens livres comuns viviam sob a ameaça de serem escravizados por uma dívida não paga. O contexto social que Jesus e seus discípulos viviam parece ter sido o de classe média. Em várias ocasiões em seus ensinamentos, Jesus ressalta duas maneiras radicalmente opostas de encarar as coisas aqui na terra – a

forma terrena e a forma celestial. No Sermão do Monte ele também está fazendo isso, quando afirma “não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões não escavam e nem roubam; mas ajuntais para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam”. Não parece que Jesus esteja exaltando a pobreza, ao dizer que não devemos acumular tesouros terrenos, mas ele está fazendo um apelo para a consciência santificada ao falar que o investimento maior deve ser no tesouro celeste. É claro que, se os tesouros terrenos são incertos e falíveis, como bons investidores, devemos fazer as nossas aplicações para garantir o tesouro do céu. Adaptando a recomendação de Jesus ao contexto atual, poderíamos dizer que – se as empresas podem “quebrar”, se os automóveis vão se depreciando, as roupas de grife saem da moda e as joias podem ser roubadas; se as ações podem perder seu valor, se os bancos e as companhias de seguro podem ir à falência; se a guerra e a inflação destroem a propriedade e o valor do dinheiro, seria mais prudente dedicarmos nossas energias para acumular uma fortuna (ou tesouro) celestial. Jesus fala que a caça ao tesouro terreno compete com a caça ao tesouro celeste. Ou o tesouro na terra

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Depois de ressaltar que faz sentido trabalhar pelos tesouros que irão durar, Jesus acrescenta – “onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração”. Jesus redefiniu a palavra “tesouro” como “aquilo em que tenho o maior prazer e pelo qual empenho meus maiores esforços”. O interesse de Jesus se encontra naquilo que o tesouro significa para nós, especialmente na forma como esse tesouro afeta a nossa capacidade de ver claramente. Enquanto estivermos divididos entre as coisas materiais e as celestiais, nosso julgamento estará comprometido e não seremos capazes de ver pela perspectiva de Deus.

Talvez o nosso desejo não seja possuir uma riqueza abusiva. Ficaríamos satisfeitos com uma estabilidade financeira razoável. Fincamos um pé aqui dentro e outro lá fora. Ansiamos pelo melhor da vida cristã e desejamos

Mas Jesus diz que “não podemos servir a dois senhores” (Mt 6.24). E essa pode ser uma péssima notícia para muitos. Jesus diz que não se pode – ao mesmo tempo – servir a Deus e a Mamom. A referência a Mamom significa servir ao dinheiro ou às coisas materiais. Jesus fala como se Mamom fosse um ser vivo, uma pessoa que escraviza os que são seus servos. Enquanto Mamom nos fascinar e nos manter presos a ele, Deus não poderá contar conosco fielmente, mesmo se fizermos parte de uma igreja e trabalharmos nela. Em Mateus 19.16-22, Jesus conhece um jovem muito rico que desejava segui-lo. Quando Jesus diz a este jovem que “precisava vender tudo o que possuía, distribuir com os pobres, e então ter um tesouro nos céus, e vir com ele”, o jovem foi incapaz de fazêlo. Por quê? Porque ele amava aquilo em que confiava e ele confiava em suas grandes posses materiais. Ele era escravo de seus bens. Se aquele jovem tivesse fé verdadeira, não estaria tão apegado às suas riquezas. Aquele jovem não estava condenado pelo fato de possuir muitas riquezas, mas sim por se apegar a elas como se fossem salva-vidas em um mar bravio. Em outras palavras, Jesus disse ao jovem: “você, que já possui um tesouro terreno, distribua-o com os pobres e siga-me, que irá garantir o seu tesouro no céu”. Desfaça-se do tesouro terreno, que é perecível, e garanta um

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tesouro definitivo e eterno. O final do texto mostra o jovem retirando-se pesaroso, como se um ente querido seu houvesse morrido, pois aquilo era demais para ele... O mais importante é percebermos que a ênfase do ensino de Jesus não está nas virtudes da pobreza ou no pecado das riquezas. Jesus está mais interessado em nos mostrar o valor muito maior do tesouro celestial e a tolice de buscarmos o tesouro terreno. O alerta de Jesus é contra o poder de sedução das riquezas, pois quando amamos as riquezas, isso nos afasta dele e nos torna incapazes de servi-lo. John White, em seu excelente livro Dinheiro não é Deus, afirmou: “embora as riquezas não sejam más, elas são perigosas; as riquezas corrompem todos os que são corruptíveis de alguma maneira. Deus é misericordioso e pode livrar o rico do perigo de ser rico.” O mais trágico é que muitos hoje não estão desejando ser libertos da escravidão ao dinheiro. Dizemos que confiamos em Deus, mas nossas atitudes provam o contrário, demonstrando confiança mesmo é nas riquezas. Mas a confiança depositada nas riquezas ajuda a enfraquecer a fé. E esse é o grande perigo do tesouro terreno – desviar-nos da fé em Deus, nos tornando frios e materialistas, como o rico insensato da parábola que Jesus contou (Lc 12.16-21). Corte os laços com o tesouro terreno. Invista no tesouro celeste. É o único que vale a pena!

. paulo pancote

Mas, se estivermos apreensivos apenas com o tesouro celeste, deixando de nos preocupar em amealhar bens materiais, as questões que antes pareciam um quebra-cabeças irão se encaixar. O grande problema é que os tesouros terrenos continuam sendo atraentes e exercem uma influência considerável sobre muitos de nós.

o melhor da vida na terra. Queremos o melhor dos dois mundos; a verdade é que não queremos perder nada!

paulo pancote

ou o tesouro no céu. Não podemos estar nos dois lados. Mas será que Jesus está dizendo que não podemos ter posses materiais? Se lermos com atenção o Sermão do Monte, vamos perceber que Jesus estava mais preocupado com a psicologia do que com as coisas materiais.

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josias bezerra .

“Jesus continuou: Simão, Simão, escute bem! Satanás já conseguiu licença para pôr vocês à prova. Ele vai peneirar vocês como o lavrador peneira o trigo, a fim de separá-lo da palha. Mas eu tenho orado por você, Simão, para que não lhe falte fé. E quando você voltar para mim, anime os seus irmãos.” (Lucas 22.31-32 – NTLH)

josias bezerra

Um novo olhar sobre esse trecho do evangelho de Lucas pode nos ajudar a compreender melhor a natureza humana. Por isso, deixo o caráter transcendente, metafísico, da interpretação, para tentar uma apreciação mais imanente, isto é, pertencente ao universo da mente humana. Em primeiro lugar, é estranho que no Novo Testamento Satanás tenha a mesma posição que tinha na corte divina, no Velho Testamento, especialmente no livro de Jó. Tanto lá como cá, ele parece participar de periódicas reuniões da equipe celestial, ocasião em que os filhos de Deus prestam relatório de seus feitos, recebem instruções, fazem pedidos e planejam a dinâmica do reino. Essa figura literária bíblica tem seu paralelo na mitologia grega. No Olimpo de Zeus, certas reuniões dos deuses são convocadas para deliberar sobre assuntos dos homens. A narrativa da guerra de Tróia é um exemplo disso. Tanto Homero, quanto os poetas gregos clássicos, atribuem a forças invisíveis o destino dos homens, que são meros objetos de satisfação, ou de ódio, dos imortais. Em linguagem mitológica, o homem reconhece que não tem o controle de sua própria vida, e que é uma “mira” em que forças sobrenaturais treinam tiro ao alvo.

A função diabólica na

mente

Josias Bezerra Pastor

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Da mesma forma, muito antes de Freud e Jung, o ser humano já compreendia que é também governado por paixões incontroláveis, por impulsos que

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A sabedoria popular sem querer ilustra isso. Diz-se que um determinado indivíduo está entusiasmado (cheio de Deus), no sentido positivo; ou endiabrado (cheio do diabo), no sentido negativo. Na psicologia de Freud, o “Id” é esse olimpo dos deuses em nós. Em Carl Jung, são os complexos e arquétipos que agem de maneira autônoma, como convém aos deuses, e nos sequestram sem pedir licença. Voltando a Jó, quando chegou a sua vez de falar, Satanás pediu permissão para atuar destrutivamente na vida de Jó. E Deus concordou, dando-lhe permissão para pisar sem compaixão na vida de um inocente. Foi devastador (Jó 1.1-10). A vida de Jó foi rasgada como se fosse um papel-toalha imprestável. Parece incompreensível, incompatível e injusto, que um homem do perfil de Jó sofra por capricho de forças ocultas que disputam sua alma. Mas, no final, quando afirma: “eu te conhecia só de ouvir, mas, agora os meus olhos te vêem” (Jó 42.5), Jó admite que, na verdade, vivera desconectado de seu alicerce profundo, sobre as bases de uma religião formal. Assim, reconhece que o chicote do diabo o

No caso de Pedro, algo parecido ocorreu. Imagino que naquela bendita reunião de cúpula, quando chegou sua vez de falar, Satanás foi direto ao ponto, pedindo permissão do Eterno para “peneirar” a vida de Pedro, como se faz com o trigo. O verbo “pedir”, no original, indica uma solicitação feita com muito desejo de obter o que é desejado. Aparentemente, Deus deu a Satanás o que ele pedira, exatamente como no livro de Jó. Por isso, o texto sugere que, na mesma reunião, Jesus intercedeu por Pedro para que sua fé fosse preservada, do mesmo modo que, no livro de Jó, o próprio Deus ordena que Satanás não tire a vida do inocente (Jó 2.6). A julgar pelo verbo “peneirar”, que significa infligir provações e tentações, Pedro seria entregue a um braço invisível que o faria sofrer horrores, com o objetivo de destruílo. Psicologicamente, significa que ele seria sequestrado por sua sombra, seu lado diabólico: banido, negado, reprimido e enjaulado nos porões infernais da alma. Isso só ocorreu por causa de seu ego que estava distanciado do “homem interior”. Pedro era um empreendedor, um conquistador de territórios e como tal, no mar, na terra ou na religião, ele queria ser um protagonista perfeito, de “performance” impecável. Por isso, não admitia fraquezas, nem em si mesmo, nem nos outros. Assim, ele se recusou a reconhecer seu outro lado, seu avesso escuro. Depois de Jesus lhe haver dito o que Satanás iria fazer com e através dele, Pedro ainda duvidou, o que mostra que sofria de hipertrofia do ego, do tipo “comigo nem o diabo pode!” Estava enganado, como todo aquele que desenvolve um ego forte, mas

sem integração com o inconsciente. Mais cedo ou mais tarde o edifício implode, desmorona a partir de dentro, pois, o inconsciente, quando constantemente ignorado, transforma-se em inconsciente irado. De onde vem a vida, também procede a morte; de onde é soprada a graça, vem também toda desgraça. Não seria nesse sentido que Paulo entregou um devasso a Satanás (1Co 5.2-5)? E não seria também nesse sentido que Deus entregou os que não o reconheceram como Deus às paixões do seu coração, à imundícia, para desonrarem os seus corpos entre si? (Rm 1.26). Psicoteologicamente falando, Satanás faz parte incondicional do time da psique. Afinal de contas, quem faria o “serviço sujo”? Quem seria responsável pela dissolução, pelo desvio, pelo não-ser? A vida é montada em pares de opostos: Deus-diabo, claro-escuro, dia-noite, céu-terra, salvação-perdição. O ser está sempre ameaçado pelo não-ser, inevitavelmente, dentro e fora de nós.

. josias bezerra

No sentido psicológico, nós estamos cheios de “deuses” – reservas de energia emocional – que decidem sobre nós em reuniões secretas nas profundezas de nossa mente. Não sabemos o que debatem, muito menos o que decidem, porque o nosso poder de voto e de veto é muito pequeno.

fez olhar para o Fundamento de seu ser, e isso o salvou.

josias bezerra

escapam ao filtro da razão. A esses impulsos do bem e do mal o homem chamou de “deuses”. A corte celestial também tem uma filial dentro de nós, e não simplesmente em algum lugar do universo, ou além dele (Lc 17.21).

Entretanto, o diabólico em nossa mente só faz o que faz quando recebe permissão “legal” do Self para fazê-lo. Essa permissão só é concedida como fator de correção para um ego errante que, arrependiso, pode voltar-se para dentro e ser salvo. Por isso, Jesus disse a Pedro: “E tu, quando te converteres, confirma [dá suporte] a teus irmãos” (Lc 22.32). Em conclusão, neste exato momento pode estar em curso uma reunião de cúpula em algum lugar secreto de sua alma, sendo você o tema em debate. Por isso, corrija logo o seu olhar e comportamento, antes que a função diabólica de sua mente solicite alguma permissão especial a seu respeito. Revista Elos | Edição 06 . Janeiro 2013 |

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A universidade

e o enfraquecimento da fé: a juventude contemporânea Rafael Mattos

Professor, doutor em Saúde Coletiva . profmattos2010@gmail.com

rafael mattos

rafael mattos .

O livro de Juízes é uma narrativa histórica da conquista de Canaã até o estabelecimento de Saul como rei de Israel. Foi escrito por volta de 1050 a.C. Nesse livro há uma história belíssima de um jovem que já foi inspiração para filmes, livros e documentários. Trata-se de Sansão. O seu nascimento já foi uma situação especial e toda sua criação foi organizada de maneira diferente das demais crianças e adolescentes: abstinência de vinho (bebida muito comum naquele contexto social), não cortar o cabelo e não ter contato com mortos (o que estava relacionado com a higiene e com a religiosidade). Sansão nasceu para ser um jovem distinto dos demais e assim contribuir para o projeto de Deus no meio do povo. No entanto, Sansão como todo jovem cometeu muitos erros. Sansão era humano e como eu e você erramos muito. Como professor universitário tenho visto muitos jovens fazerem o mesmo. Alguns são educados no evangelho desde pequenos, mas quando chegam à Universidade se encantam com as pseudo-ofertas do mundo acadêmico e se desviam da fé. A universidade que é um local de produção, difusão e circulação de saberes torna-se outra coisa para esses jovens. Tornam-se escravos da bebida e em vez de aproveitarem a oportunidade de estudar e se qualificar em

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uma grande universidade; vivem seus dias de maneira equivocada entregando-se à bebida. A maioria pensa que se trata de um momento da vida de muita celebração. Contudo, o alcoolismo faz muitas vítimas e sempre começa com o que chamam de “beber socialmente”. Pesquisas científicas constatam que o alcoolismo pode ter início na adolescência e juventude, que está relacionado com violência doméstica, desemprego e até doenças venéreas. O estilo de vida que incorpora o álcool é nocivo para qualquer jovem, independentemente de crença religiosa, etnia, classe socioeconômica. A Organização Mundial de Saúde estima que 3,2% das mortes no mundo estão relacionadas ao alcoolismo. Isso sem mencionar o problema das drogas no meio acadêmico universitário. O amplo consumo de canabinóides (maconha) se tornou tão comum quanto o tabagismo. Outros jovens se entregam a uma sexualidade desenfreada e imatura. Sansão fez algo parecido. Dalila não era uma mulher qualquer. Era a terceira mulher filisteia com quem ele se envolveu, isto é, ele continuava a se envolver emocional e sexualmente com mulheres que Deus não tinha separado para ele. Ele abriu o coração, a vida, os segredos para uma mulher que não era digna de confiança.

Abriu o coração para quem não devia. Abriu a vida para quem não cria no mesmo Deus. Abriu o coração para alguém que não tinha temor ao Senhor. As doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada se multiplicam na juventude universitária, quando não constatamos relacionamentos entre professores e alunas. Pesquisas nacionais, como as realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), afirmam que católicos, protestantes e neopentecostais valorizaram proporcionalmente mais o sexo com a finalidade de ter filhos e manter a vida familiar coesa, além de fonte de prazer. Entre os frequentadores de religiões afrobrasileiras e kardecistas, a valorização do prazer aproximouse da valorização do sexo. Estudos ainda revelam que 65% da população brasileira inicia a vida sexual entre 14 e 19 anos, quando ainda são solteiros e, muitas vezes, não têm parceiro fixo. Diz a Bíblia que após Sansão ser traído por Dalila, ele é humilhado, subjugado e envergonhado pelos filisteus. Uma vida conjugal distorcida levou Sansão a envergonhar o próprio nome de Deus. Sansão que nascera de uma mulher estéril, de uma situação milagrosa, que recebera uma educação especial, agora é motivo de vergonha para o povo. Sansão

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foi seduzido por aquilo que não era bom para si nem para seu povo.

Sabe qual é a minha dica para você, jovem, que está chegando ao mundo universitário? Não tenha medo do fracasso. Não tenha medo de errar. Não tenha medo de não ser o melhor da turma. Tudo isso é vaidade. O medo de não ter um grupo, de não pertencer a uma comunidade, de ser um estranho

A demanda por acolhimento, cuidado e atenção faz parte de nossas vidas e os relacionamentos e interações são maneiras que temos de lidar com essas demandas. No entanto, você não precisa temer a solidão ou o fracasso quando chega à Universidade. Napoleão era o 42º em uma turma de 43 alunos, e foi o grande comandante das Forças Armadas na França. George Washington perdeu sete de suas dez batalhas, mas venceu a Guerra de Independência dos Estados Unidos. Albert Einstein era tão limitado no processo de aprendizagem, que repetiu diversas vezes o primário. Sugeriram até que ele abandonasse a escola. Hoje reconhecemos que a ciência avançou mais de 50 anos apenas com algumas fórmulas de

Einstein. Até mesmo o GPS que você utiliza no seu carro ou celular merece créditos de Einstein. Se algum dia você fracassar na Universidade, saiba que isso pode ser uma oportunidade para descobrir onde você pode vencer. Alguns discípulos de Jesus eram pescadores, mas o que eles amavam era o evangelho, as boas novas. No momento certo receberam o convite para se tornarem não mais pescadores de peixes, mas pescadores de vidas. Outro benefício do fracasso é que ele torna você menos crítico. Torna você mais compassivo e o ajuda a rir e a chorar junto. Por isso você passará a celebrar a recuperação do outro. Porque um dia você também esteve lá. Um dia você chegou à Universidade com medo de não ser aceito, de não ter amigos, de ter que negar a sua fé. Mas o tempo passou e se hoje você está firme, se alguém estendeu a mão para você, faça o mesmo. Amar o próximo é um dever de todo cristão.

. rafael mattos

Quantos jovens são seduzidos hoje na universidade por teorias que os afastam da fé. As teorias devem ser encaradas exatamente como são: “teorias”. E na ânsia do conhecimento a fé em Cristo e nas Escrituras Sagradas é enfraquecida. Todo semestre vejo na Universidade do Estado do Rio de Janeiro jovens que se suicidam. São jovens que perderam o sentido de viver, a vontade de ter um trabalho, uma família. Todo significado da vida foi esvaziado. Não há fé, esperança e amor. Suas vidas terminam de maneira trágica, como foi o fim trágico de Sansão.

no meio dos colegas é o que mais contribui para o enfraquecimento da fé. O ser humano foi criado para viver em coletividade. Deus sabe disso e coloca pessoas certas nos locais certos nas horas certas para que possamos ser acolhidos.

rafael mattos

Teoriaeacao.com

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Material de campanha

O papel a ser desempenhado

evangĂŠlicos

pelos na sociedade brasileira Joel de Brito Soares

Pastor, advogado . joel@igrejadorecreio.org.br

joel de brito

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Como salvos por Jesus Cristo (e esta é a característica primordial dos evangélicos), precisamos salgar e iluminar, isto é, exercer influência. Falando de outra forma: como crentes precisamos incomodar positivamente pela nossa presença e atuação na sociedade, a partir de nos sentirmos incomodados pelas coisas do mundo, suas necessidades, suas mazelas, a perspectiva de seu fim trágico. E isto não tem a ver somente com o aspecto espiritual da vida do indivíduo, que tanto os evangélicos enfatizam. O ser humano é único e todas as suas necessidades precisam ser atendidas em sua inteireza. Por isto mesmo, enquanto aqui estamos, temos a responsabilidade de amá-lo e socorrê-lo, não só no aspecto espiritual de sua vida, modificando-a a partir de Jesus Cristo, mas também trazendo reflexo positivo na sua vida material. E aí ressalta a oportunidade da atuação dos evangélicos brasileiros, especialmente através de presença ativa na área social.

As necessidades da sociedade brasileira são enormes. Por mais que se faça, constata-se que elas continuam crescendo. Os evangélicos devem estar atentos e atuantes, seja através das igrejas com seus ministérios de ação social, seja através de Entidades organizadas especificamente para este fim. Há um leque de oportunidades: atendimentos médico, odontológico, psicológico, advocatício, fonoaudiológico, fisioterápico; assistência a necessitados de um modo geral, a menores de rua, a alcoólatras e drogados; assistência

Enfim, os evangélicos devem usar

As necessidades da sociedade brasileira são enormes. Por mais que se faça, constata-se que elas continuam crescendo.

os profissionais membros das igrejas (e hoje em dia já são em grande número), que, conscientes das necessidades, e de seu papel como cristãos, devem oferecer o seu trabalho voluntário para atendimento delas. A influência já se faz sentir na sociedade na área educacional. Inúmeros sãos os colégios e escolas ligados a igrejas ou entidades evangélicas e mesmo aqueles fundados e mantidos por particulares membros das nossas igrejas. Isto deve ser incrementado, com o oferecimento de vagas a alunos de todas as faces sociais, com reflexo positivo na formação de uma melhor sociedade no amanhã. Na área cultural a presença evangélica, a meu ver, se faz de maneira tímida, não obstante termos vários talentos que precisam ser incentivados e apoiados como escritores, poetas, musicistas, artistas, cantores, etc. Quanto reclamamos com respeito aos meios de comunicação (jornais, revistas, rádios, televisões)! Precisamos ter elementos

especializados influenciando estas áreas e muitos evangélicos recriminam aqueles que têm tentado lá estar para salgar e iluminar. Que dizer, então, da área política, tão criticada em nossa sociedade. Os evangélicos que são eleitos para cargos públicos, com exceções, felizmente, têm deixado a desejar, para não dizer outras coisas. Precisamos de juízes e funcionários que atuem através do Poder Judiciário, exercendo influência e ajudando a acabar com os desmandos e práticas errôneas ora ocorrentes. No meio esportivo a presença evangélica vem se fazendo sentir de maneira acentuada, por intermédio dos chamados “Atletas de Cristo”. Em todos os desportos encontramos crentes em Jesus que, testemunhando, têm levado muitos outros à mudança de vida. Mais e mais devemos incentivar e dar suporte a este tipo de atuação. A conclusão é óbvia: a sociedade brasileira é altamente carente e os evangélicos têm muito a oferecer em termos de presença marcante e produtiva. Com certeza os governantes ficarão satisfeitos com esta presença, como já temos ouvido de alguns deles a respeito, tendo em vista que a mudança de vida de cada cidadão vai redundar, sem dúvida, num melhor ser humano, numa melhor família, numa melhor sociedade, facilitando-lhes sua administração. Oportunidade é que não falta! Os evangélicos precisam se conscientizar de que têm um papel importante a desempenhar no contexto social, a partir de sua própria experimentação, testemunhando de que realmente Jesus Cristo modifica a vida, a vida em seu inteireza, para que o homem possa experimentar vida e vida em abundância, como o próprio Cristo disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10).

. joel de brito

Tenho acompanhado de certa forma esta atuação e dela participado, seja ministrando palestras em congressos de ação social, seja atuando diretamente no atendimento aos carentes.

espiritual e material a idosos e órfãos em asilos e entidades que deles já cuidam; auxílio a egressos dos presídios; estabelecimento de convênios com entidades que possam propiciar sustento financeiro para realização das atividades antes enumeradas, etc.

joel de brito

Pensando neste tema, logo me vem à mente o trecho bíblico de Mateus 5.1316. “Sal da terra...”; “luz do mundo...”.

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Reprodução internet

samuel rodrigues

samuel rodrigues .

Aposentadoria um dos maiores problemas dos idosos Samuel Rodrigues de Souza Gerontólogo . samuelrods@ig.com.br

Oscar Niemeyer trabalhou até os 104 anos de idade, com projetos arquitetônicos para o mundo todo, mas foi uma exceção em relação aos velhos do Brasil. O salário dos aposentados é cada vez mais achatado, mas alguns idosos estão revertendo suas histórias, não se deixam abater e procuram novos objetivos e vitórias importantes como conseguiu Niemeyer, esse grande brasileiro. Nos espaços urbanos de produção, os jovens são absorvidos e os mais velhos tornam-se rapidamente obsoletos e seus conhecimentos desvalorizados; a urbanização acelerada aumenta a segregação

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entre gerações, deteriorando os laços familiares e contribuindo para a redução da importância dos mais velhos. A educação obrigatória proporciona aos mais jovens maior escolaridade, aumentando a probabilidade de eles estarem mais bem capacitados, portanto, mais aptos aos melhores lugares de trabalho. A tecnologia da saúde acrescenta anos à expectativa de vida, gerando uma competição geracional pelo mercado de trabalho, no qual os idosos são empurrados para os cargos de menor renda e menor prestígio.

Os aposentados, sem o trabalho a que se dedicaram durante longos anos de suas vidas, quase sempre desenvolvem sintomas depressivos em face das dificuldades de refazerem seus projetos de vida de uma maneira produtiva e socialmente útil. Com a autoestima diminuída, tendem a debitar a si mesmo esse seu momento social como fracasso pessoal e não conseguem entender que esse é um processo socialmente produzido. A divisão social do trabalho por sexo acabou firmando algumas crenças: a primeira é que há trabalho de homens e trabalho de mulheres; a segunda, que o

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A mulher idosa pode, depois que se liberou da criação dos filhos, e tendo agora mais tempo, se dedicar a um paradigma missionário, procurando ajudar igrejas e instituições, são as mulheres chamadas “carolas”, que ajudam muito aos padres nos serviços religiosos. Mas, mulheres e homens aposentados que não tiveram oportunidade de construir ao longo de suas vidas outras alternativas que os tornassem capazes de exprimir sua humanidade, de se sentirem úteis, marcam seus dias de não-trabalho pelas lembranças do tempo em que produziam, eram reconhecidos, podiam consumir e se manter independentes. Nas suas histórias de vida estão registrados

A aposentadoria pode se apresentar como um tempo de reconstrução de novos investimentos e de novas descobertas. Projetos de aproveitamento desse tempo de vida, ideologicamente alinhados à sociedade moderna de consumo, podem ser apenas a repetição de uma situação de menos valia imposta ao trabalhador assalariado, que não dispõe mais de recursos como antes para “comprar” seu bem-estar e a utilização lúdica de seu tempo livre. Por outro lado, projetos criativos, elaborados a partir da tomada de consciência da sua situação de sujeito socialmente construído, podem lhe dar ocasião de um novo relacionamento com a vida e o aproveitamento desse tempo livre de que dispõe, a despeito de todas as limitações que lhe são impostas.

Adele tem o 4 álbum mais o

vendido na história da Grã-Bretanha Disco “21”, que vendeu mais de 4,5 milhões de cópias, supera marca da banda Oasis e fica atrás de Abba, Beatles e Queen. O álbum 21, da cantora britânica Adele, é o quarto mais vendido da história da música pop na Grã-Bretanha, atrás de discos do Queen, dos Beatles e do Abba, informou a companhia Official Charts. Ao vender 4.562.000 de cópias, Adele supera (What’s the story) Morning glory?, da banda Oasis, que vendeu 4.555.000 cópias. Se vender mais meio milhão de cópias, 21 pode chegar ao terceiro lugar, que hoje pertence ao álbum Gold - Greatest Hits, da banda ABBA, com 5.046.000 de cópias vendidas. Em segundo lugar, figura o lendário Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, que já vendeu 5.059.000 milhões de cópias. Já o posto do mais vendido pertence há 31 anos ao Queen, com o disco Greatest Hits.

. curta nota

Após a aposentadoria, as mulheres retornam, quase sempre, ao trabalho primeiro que a “natureza” lhes impôs e continuam aptas a desenvolvê-lo, como o socialmente esperado. Isso as possibilita manter o sentimento de utilidade por toda a vida dentro de seu espaço doméstico, em que nunca se exaurem as possibilidades da atenção de provedoras. Os homens, por outro lado, não tendo a supremacia do espaço doméstico, socialmente criado para as mulheres, buscam outros espaços em que possam vivenciar este seu tempo livre.

Independentemente do gênero, uma alternativa para se trabalhar com aposentados que apresentam sintomas depressivos é dar-lhes oportunidade de revisão de sua história, através de uma escuta atenta e reflexiva, para que eles refaçam sua trajetória da vida e se reconheçam como socialmente produtivos. A rememoração deixa de ser uma simples lembrança dos fatos acontecidos no passado para construir, no presente, o entendimento de sua caminhada, que os marca como sujeitos. A construção de vivências e experiências passadas, além de possibilitar ao narrador a elaboração interna das lembranças que lhe afloram pela palavra, pelo não-dito e pelo silêncio, também propicia ao profissional o pensar em futuras ações mais sólidas e realistas como ser humano que também envelhece, segundo nos informa a psicóloga Ligia Py.

Divulgação

Pelo que sabemos, no Japão, mulheres ganham a metade do salário dos homens, mesmo que exerçam função igual a deles. Muitas trabalham só meio expediente para poder cuidar melhor de suas casas, mesmo que tenham completado seus estudos de nível superior.

os fatos que os tornaram sujeitos, a preparação escolar, a relação com a família, ávida no trabalho, o tempo de aposentadoria e as formas como perceberam o mundo.

curta nota

trabalho do homem vale mais do que o trabalho das mulheres; a terceira, que mesmo as mulheres assumindo também o trabalho produtivo, é “natural” que continuem com o trabalho doméstico.

O álbum de Adele foi lançado em janeiro de 2011 e foi durante 23 semanas o mais ouvido. O último single de Adele, Skyfall, é tema do último filme de James Bond e também já é sucesso de vendas. (http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/) Revista Elos | Edição 06 . Janeiro 2013 |

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Nada muda se nada muda Wander Gomes

Diretor de Elos, pastor e mestre em Psicologia Social . wander@igrejadorecreio.org.br

A frase do título deste texto é de um grande mestre, teólogo, escritor e amigo de saudosa memória: pr. Darci Dusilek.

wander gomes

wander gomes .

A frase foi tema de um sermão pregado por ele em uma Assembleia da Convenção Batista Brasileira, se não estou enganado, na cidade de Salvador (BA). A pregação feita por Darci marcou especialmente pelo título: simples, direto e profundo, que comunica com extrema facilidade a necessidade de transformação. Ao iniciarmos o ano de 2013, trazemos no coração os nossos projetos de vida. Alguns formatados há muitos anos e ainda não realizados, outros são sonhos novos. Lembro-me de um dos atendimentos pastorais que dei a uma distinta senhora dias antes do final do ano. Ela questionava o porquê de Deus não permitir que ela realizasse o seu sonho de juntar dinheiro para ter uma casa nova. Depois de algum tempo conversando com ela, percebi que, na verdade, não se tratava de um impedimento colocado por Deus, mas de falta de ação estratégica e objetiva da parte dela mesma para que pudesse tornar possível a realização do sonho. Nada muda se nada muda. Muitas das mudanças que estamos esperando dependem muito mais de nós do que de uma ação especial de Deus. O fato é que queremos mudanças, mas não mudamos, não tomamos as decisões que devemos tomar,

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não renunciamos ao que temos de renunciar, não fazemos o que temos de fazer. A vida só pode mudar se dermos os nossos passos em direção aos nossos propósitos. Por várias vezes Jesus ia realizar um milagre e evocava a ação humana. Isto sempre me chamou a atenção, pois sempre precedia o milagre uma ordem de Jesus para que o homem agisse. Disse Jesus ao paralítico: “Levanta, toma teu leito e anda”. Era preciso o movimento e a atitude de levantar-se e de tomar o leito para que o sonho de voltar a andar se concretizasse. Ao cego Jesus manda que vá ao tanque e lave os olhos para que pudesse ver. Na ressurreição de Lázaro era necessário que os homens retirassem a pedra para que ele saísse da sepultura. Ora, o Deus que iria ressuscitar uma pessoa não poderia retirar uma pedra? Ao jovem rico Jesus pede a renúncia do apego ao dinheiro para que pudesse ter a salvação que ele tanto almejava. Enfim, a Bíblia está repleta de exemplos onde a ação humana é fundamental para que transformações aconteçam em nossas vidas. Nada muda se nada muda. Neste ponto fica claro para mim que a vida é uma parceria, uma construção entre nós e Deus. Não somos vítimas de destinos traçados por Deus para nós, mas somos construtores de caminhos que deveriam ser construídos debaixo da sua orientação. É ele quem sabe os melhores

caminhos que devemos percorrer, mas somos nós quem os percorremos. A virada de um novo ano é uma grande oportunidade que Deus nos dá de começarmos de novo. Poderemos fazer diferente, mudar de atitude e sairmos da inércia para que os sonhos se tornem realidade. A psicologia do ciclo não significa repetição, não quer dizer que tudo será igual novamente, mas que temos uma grande oportunidade de transformação da realidade. Eu desejo que este novo ano possa levar todos nós mudanças que nos remetam a uma melhor qualidade de vida e que, acima de tudo, efetivemos os planos que Deus tem para nós. Seja um ano de transformações, de realizações e de mudanças para melhor, na vida e na história de todos nós. ELOS começa 2013 querendo crescer e ser uma bênção ainda maior para o Recreio e nossos vizinhos e para tanto vamos trabalhar ainda mais para que cheguemos a este objetivo. Nada muda se nada muda. Quanta sabedoria na frase do grande mestre que com sua simplicidade e profundidade nos ensinou esta grande verdade da vida. É simplesmente isso que desejo a todos os nossos leitores, que sejam agentes de mudança neste tempo para que vejam a transformação e a realização de sonhos. Deus só pode operar milagres se pelo menos dermos o passo da fé. Feliz 2013 e que Deus nos abençoe.

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Publicação da Igreja do Recreio . Rio de Janeiro . Brazil . Distribuição dirigida ao Recreio e bairros adjacentes

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