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LOJAS SÃO OBRIGADAS A MANTER CÓPIA DO CDC (Pág.10)

Lenise Farias

Produtos de limpeza genéricos são proibidos em São Félix. (pag. 3) Lais de Oliveira

Comércio de S. Gonçalo concorre com a capital Baseada na produção de fumo até os anos 50, a economia do município hoje cede espaço para a agropecuária e a indústria. Já o comércio, sofre a concorrência com Feira e Salvador. São Gonçalo é destaque nesta edição (paginas 8, 11 e 12).

Lenise Farias

ESPECIAL: Quais são as queixas dos moradores de Cachoeira com relação ao processo de tombamento da cidade (págs. 6)

Confira como foram as eleições em Cachoeira e São Félix (pag. 3) Uma entrevista exclusiva com Los Hermanos (pag. 4)


Filas e longa espera marcam a votação

Sacolas e

consciência ecológica Joaquim Bamberg

* Gilmar Hermes

CARTA AO LEITOR

Boa leitura!

Jornal Laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Reitor: Paulo Gabriel Soledad Nacif Coordenação Editorial: J. Péricles Diniz e Robério Marcelo

Centro de Artes Humanidades e Letras (CAHL) Quarteirão Leite Alves, Cachoeira/BA - CEP - 44.300-000 Tel.: (75) 3425-3189

Acesse o Reverso Online: www.ufrb.edu.br/reverso

* Doutor em Comunicação e Expressão pela FESP/USP.Professor de Jornalismo Impresso no Curso de Jornalismo do Centro de Artes,Humanidades e Letras da UFRB

O primeiro voto a gente nunca esquece Estamos passando por mais um processo eleitoral no nosso país e vários jovens estão indo para as urnas pela primeira vez, o que para muitos será inesquecível, assim como o primeiro beijo, o primeiro amor. Sinônimo de democracia, votar é um ato de grande responsabilidade, que irá determinar o futuro do nosso país. Por isso, votem consciente! O voto de hoje faz o governo de amanhã, e logo transforma o país para melhor ou para pior. Os adolescentes foram permitidos a votar em 1989, com a instituição do voto facultativo aos 16 anos. Atualmente, em meio à globalização e às novas tecnologias, o jovem possui todas as ferramentas necessárias para se informar, conhecer todos os candidatos e colocar em prática seu papel como cidadão ao manifestar a sua escolha. Os jovens precisam se inserir politicamente na democracia brasileira, está na hora de despertar para a importância de sua participação nas eleições. Seu voto, com certeza, fará a diferença. Vocês estão aptos para ajudar a escrever um novo capítulo da história da política brasileira. E com planos, sonhos e determinação, transformar o Brasil em um país muito melhor. Texto de Lise Lobo

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Janaína Carine

Coordenação de Editoração Gráfica: Juliano Mascarenhas

te com assuntos como a falha na camada de ozônio da atmosfera, o aquecimento global e os lixões, um problema dos mais sérios de todos os centros urbanos. A ideia de separar o lixo passou a ser cada vez mais conhecida, embora ainda seja uma pauta que merece mais atenção dos veículos de comunicação. Para muita gente ainda parece sem sentido colocar em sacos diferentes o lixo orgânico (restos de comidas) e o lixo inorgânico (latas, plásticos, papéis). Na verdade, era só uma questão de criar o hábito de ter dois destinos para os dejetos, o que não consiste num esforço extraordinário. A facilidade de acesso aos sacos plásticos, paradoxalmente, poderia facilitar esse tipo de atitude,

Texto de Valdelice Santos O principal problema constatado nas sessões da 118ª zona, correspondente às cidades de Cachoeira e São Félix, foi a longa demora na hora de votar para o primeiro turno das eleições deste ano. A causa, de acordo com coordenadores e mesários de ambas as cida-

Geovane de Jesus Souza, 17 anos, cachoeirano, gostou das eleições deste ano, afinal é a sua primeira vez que exerce seu papel como eleitor. “Sempre tive vontade de votar e não demorei a decidir em quem votaria porque já tinha todos os candidatos na cabeça há muito tempo”. A comunidade de Capoeiruçu, no município de Cachoeira, foi o local que Janaina Carine

A edição do jornal laboratório Reverso é inteiramente voltada aos fatos de interesse das comunidades em que circula, principalmente Cachoeira e São Félix, onde ficam as instalações do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, instituição que abriga o curso de Jornalismo que, afinal, é o responsável por sua publiciação. Contudo, ela não se descuida das demais localidades de tamanha importância e destaque para o Recôncavo da Bahia, a exemplo de Muritiba, Santo Amaro, Cruz das Almas, Nazaré, Jaguaripe, Saubara, Santo Antônio de Jesus, Amargosa ou ainda São Gonçalo dos Campos, localidade recentemente visitada por estudantes, professores e técnicos ligados à produção editorial da rede Reverso de veículos laboratoriais de comunicação, que inclui ao lado deste jornal impresso um portal de notícias online, a Rádio Reverso e a TV Reverso. Deste modo, ilustram esta edição matérias sobre a sua economia, da indústria fumageira ao desenvolvimento atual, suas característica sociopolíticas e seu comércio, como também os 50 anos da Rádio São Gonçalo. De volta ao conjunto urbano Cachoeira/São Félix, tratamos também da recente proibição da venda de produtos de limpeza artesanais, os chamados genéricos, além de um levantamento sobre como funciona e o que pensam os moradores sobre o processo de tombamento da cidade. Temos também o trabalho social da CAPS e do projeto Moleke é tu, a cobertura da Anpap, a lei que obriga os lojistas a manter em seu estabelecimento uma cópia do Código de Defesa do Consumidor e uma entrevista exclusiva com um dos integrantes da banda Los Hermanos.

Pouco a pouco uma ideia ganha força, a de que devemos maneirar com o uso de sacolas plásticas, que contribuem para a contaminação do meio ambiente. Esse fenômeno serve para refletir sobre como mudou a nossa consciência ecológica e como os meios de comunicação contribuem para que se perceba a relação do meio ambiente com os restos do consumo humano. Causou incômodo no Rio Grande do Sul, por volta dos anos 1970, quando as prefeituras impuseram que todos colocassem seus dejetos não mais em latas nas calçadas, mas em sacos plásticos, facilitando a coleta de lixo. Era um custo a mais. Com o passar do tempo, os supermercados trocaram os sacos de papel pelas sacolinhas de plástico, que substituíram gratuitamente os sacos de lixo. Naquela época, ainda se estava longe de uma consciência ecológica. De lá pra cá, a pauta dos jornais passou a contar cotidianamen-

um cuidado maior com a separação, o destino do lixo e a possibilidade do seu reaproveitamento, no lugar de contaminar o solo. Deve apelar-se para a consciência dos consumidores, algo que será cada vez mais necessário. Havia o hábito de jogar os dejetos no mato nos fundos de casa. Isso era possível enquanto os produtos eram feitos de papel e outros materiais orgânicos, que se decompunham naturalmente junto à natureza. Não se tinha acesso tão fácil ao plástico como se tem hoje. A natureza não suporta mais os materiais que a sociedade usa em grande número. Temos de ter uma consciência cada vez maior sobre o destino das coisas, e o que elas são a partir do momento em que são dadas como inúteis. Os meios de comunicação cumprem um papel importantíssimo nesse sentido.

Grandes filas marcaram eleições em Cachoeira

des, foi a grande quantidade de candidatos na cédula eletrônica. A demora foi ainda maior para as pessoas que não estavam bem esclarecidas sobre como seria a votação e os eleitores que estavam na fila não tiveram paciência para esperá-las. Segundo informações da Polícia Militar, não houve nenhuma ocorrência com relação às eleições deste ano. Apenas duas urnas tiveram de ser substituídas, uma em Cachoeira, na comunidade do Calolé, e outra na cidade de São Félix, no Colégio Estadual Rômulo Galvão.

mais registrou justificativa de voto, devido à quantidade de pessoas oriundas de outras localidades, que estudam na Faculdade Adventista da Bahia - Instituto Adventista de Ensino do Nordeste (IANE). “Eu sou de Catu, vim trabalhar em Cachoeira e não tenho como ir para minha cidade. Queria votar, mas o dinheiro não deu. Essa é a primeira vez em que eu justifico”, disse Eduardo Souza Silva. O eleitor cachoeirano Florisvaldo da Silva Conceição estava indignado com a votação deste ano. Ele garante que sempre votou no Colégio Estadual da

Cachoeira, mas chegando lá foi informado que sua sessão seria na comunidade do Curiachito. Lá, entretanto, disseram que ele deveria ir ao fórum, onde finalmente foi informado de que sua sessão era mesmo no primeiro colégio onde tinha ido antes. “Isso é um desrespeito com as pessoas, fazem a gente de palhaço e fica parecendo que não temos o que fazer”, desabafou. Na Escola Balão Mágico, em São Félix, teve até pessoas alcoolizadas, que causaram um pequeno tumulto, porém foi logo resolvido pelos coordenadores. Foi solicitado pelos coordenadores da Escola policiamento para o local, mas até as 15h30min, a Polícia Militar não havia comparecido. Foi constada também uma fila muito grande, diferente de anos anteriores, porque as quatro sessões foram unificadas em duas a sessão 95 agrupou-se a 96, e a 97 a 98, além disso, teve mais de vinte eleitores que não tinham o nome constando na lista. Muita gente justificou o voto, chegando a faltou formulário duas vezes. Em Cachoeira as filas de votação foram enormes. “A demora da fila é devido a grande quantidade de candidatos. A exigência de apenas um documento com foto, facilitou muito o andamento das eleições neste ano”, disse o coordenador das sessões do Prédio Escolar Montezuma, me Cachoeira, Fábio de Oliveira Gonçalves.

Produtos de limpeza genéricos estão proibidos em São Félix Com a medida e intenso trabalho de fiscalização da vigilância sanitária, hoje raramente se encontram vendedores ambulantes comercializando este tipo de produtos na cidade. causar danos à saúde como queimaduras, problemas respiratórios, irritações e A vigilância sanitária graves intoxicações. de São Félix está coibindo Em São Félix já ocoro comércio de saneantes reu casos de crianças e até e outros produtos de lim- mesmo adultos ingerirem pezas à base de misturas estes produtos, que geralquímicas. “Os vendedores mente tem cores bonitas e ambulantes estão sendo atrativas e costumam seconscientizados sobre a rem vendidos em embalanocividade destas mistu- gens reaproveitadas de reras químicas e os seus pro- frigerantes, sucos e outras dutos são apreendidos”, bebidas. Em caso de ingesgarantiu a veterinária Elisa tão, Elisa Márcia orienta Márcia Morais Dias, dire- não provocar vômitos, mas tora da vigilância sanitária procurar imediatamente o local. serviço de saúde. “Não se deve dar nada para beber ou comer, se a pessoa estiver inconsciente. Se houver contatos com os olhos, laválos imediatamente com muita água limpa, mantendo os olhos bem abertos. Em caso de dor, irApreensão de produtos de limpeza genéricos ritação, ardência ou Ela explicou que estes lacrimejamento, procurar produtos não possuem ajuda médica. Se a pessoa quaisquer garantias de inalou (cheirou) em excesbons resultados. Não eli- so o produto, levá-la para minam os germes e não um local aberto. Se houver limpam as superfícies por- sinais de intoxicação (malque suas formulações não estar, tontura, dificuldades possuem ingredientes pró- para respirar, tosse), proprios e quando os contêm, curar imediatamente ajuda as quantidades são insufi- médica”, orientou. cientes, além do perigo de

Texto de André Cardoso

Divulgação

INEDITORIAL

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Integrante da banda carioca Los Hermanos concede entrevista exclusiva ao Reverso Jackie Brito

Texto de Lorena Morais

Cinco amigos, disposição, instrumentos e muita música formaram, em 1997, uma banda independente de rock alternativo no Rio de Janeiro. Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba fazem parte da atual formação da banda Los Hermanos, que depois de dez anos de estrada resolveram fazer um recesso, deixando os fãs decepcionados. Depois de tanta espera, os rumores sobre a realização de shows da banda esse ano finalmente se concretizou. Durante o mês de outubro foi realizada uma miniturnê em São Paulo, Recife, Fortaleza e Salvador. Porém, os shows não significam retorno, mas apenas o aceite de convites antigos. Rodrigo Barba, baterista da www.ufrb.edu.br/reverso

banda, concedeu uma entrevista por telefone ao Reverso. Carismático - como descreveu Medina - e bastante risonho, Barba falou sobre a carreira dos LH, o que tem feito após o “término” da banda e sobre o reencontro na miniturnê 2010. Reverso: A emoção para a realização dessa miniturnê pode se aproximar àquela sentida no primeiro show da banda, no Festival Abril Pro Rock, em Recife, já que estão (re)estreiando? Rodrigo Barba: É diferente. Aquele show do Abril Pro Rock foi nosso primeiro show fora do Rio, na época a gente queria muito fazer, por vários motivos: o pessoal da banda já tinha ido ver show lá, um lugar que queríamos tocar... Não era que nem hoje em dia, que tem um monte de festival

dos em Salvador sempre renderam casa cheia e emoção do público. Só aqui vocês farão dois shows em dias consecutivos, nos dias 17 e 18 de outubro. É verdade que existe um carinho especial pelo público da Bahia? Rodrigo Barba: (risos) A gente tem um carinho especial com todo mundo que gosta da gente. Agora, aquele lugar é especial, sim (Concha Acústica do TCA). Tocar ali, o público que comparece aos shows... É sempre um show ímpar. Da turnê toda, sempre tem um show na Concha que é demais, que sempre vai ser. Acho que essa chance de poder fazer dois shows vai ser mais incrível ainda. E isso é graças a galera que tem um carinho com a gente, que comprou os convites em poucas horas e acabou lotando o lugar tão rápido que a gente topou fazer no outro dia. Reverso: E qual a reação de vocês ao saber que esgotaram esses ingressos tão rapidamente na cidade que muitos denominam como “terra do axé”? Rodrigo Barba: (risos) É uma loucura, não é? Eu não esperava. Topamos fazer esse show, mas eu achei: “Vai ter uma galera que vai querer ver, uma galera que viu já e que tá a fim de ver de novo”. Mas parece que tem muita gente que não viu e está a fim de ver. Foi uma surpresa muito grande ter acabado tão rápido. Uma coisa que pelo menos eu sentia nos Los Hermanos é que quem fazia o nosso público era o nosso público. Quem gostava da gente fazia uma propaganda incrível! E isso

Quem gostava da gente fazia uma propaganda incrível! E isso é o que tornou possível fazermos tudo desde o começo. Era nosso público fazendo essa propaganda: “Vai lá no show que é maneiro, eu gostei”. Reverso: Você afirmou em uma entrevista que a banda Canastra é mais aberta no lado instrumental, por isso é diferente do que produzia nos LH, que tem arranjos mais fechados. Está sendo difícil retomar as batidas da banda depois desse recesso? Rodrigo Barba: É diferente, dá pra separar bastante o que acontece no Canastra e o que acontecia/acontece nos Los Hermanos. Até porque no Canastra comecei a trabalhar a um ano arranjo de música para o disco que estamos gravando - o que eu tocava anteriormente era o arranjo do Marcelinho, ex-barterista da banda. Então é muito diferente o

que eu toco no Canastra do que eu vou tocar com a galera dos Los Hermanos, que são coisas que eu pensei e produzi com eles. Então é uma coisa mais natural, o que debati com o resto da galera, chegando a uma conclusão que era legal ser daquele jeito. É até mais fácil para eu poder mudar, fazer uma coisa diferente agora (com os ensaios) que eu sei de onde veio, como veio e a forma que chegou até ali. Reverso: Na mesma entrevista você disse não ser um bom baterista de samba. Depois de tantos anos de estrada com os Los Hermanos, o estilo alternativo não terminou por construir um novo Rodrigo Barba na bateria? Rodrigo Barba: Eu acho que sim. O caminho que a gente fez durante esses 10 anos é o que me faz ser o baterista que sou hoje. Foram diálogos com esses caras, foi a mudança de estilo dentro das músicas, essa busca de fazer um negócio um pouco diferente do que já tinha sido feito. Reverso: O que torna os LH diferente de tudo o que já vimos no rock nacional? Rodrigo Barba: Não sei se é bem assim, mas a reunião de nós quatro fez com que as coisas tomassem esse caminho. Eu acho que ninguém quis segurar ninguém, todo mundo topava qualquer coisa nova na produção dos discos. A união do grupo ajudou muito, cada hora um ia pra um caminho diferente. Não era muito pensado, era tudo bem natural. Cada banda tem sua identidade única, que é a união dos componentes. Reverso: Quais seus planos depois da miniturnê dos Los Hermanos? Rodrigo Barba: A ideia é gravar o disco com o Canastra, para lançar no próximo ano. E continuar tocando... Além do Canastra, estou tocando numa banda chamada “Acabou la Tequila”, tô tocando numa banda chamada “Gooeast”; que são mais locais.

Unindo Capibaribe e Paraguaçu no Beco do Fuxico

São Félix foi palco, na sexta-feira do último dia 15 de outubro, de evento que teve exposições de vídeos, documentários, instalações artísticas e música Larissa Araújo

Medina, Camelo, Amarante e Barba agitaram os shows em Salvador

em um monte de lugar. Era uma coisa mais difícil pra banda independente chegar ao festival e fazer um show. É uma emoção diferente da que está acontecendo hoje, que é de reunião, de reencontro. Estou bastante ansioso pra fazer esses shows, tocar pra galera. Reverso: O que a banda tem preparado de novo para a miniturnê do Nordeste? Rodrigo Barba: Nada! (risos) A gente não tava com tempo de fazer ensaio pra produzir uma coisa nova. Esses shows partiram de um convite que não foi da gente, mas topamos. Não vai dar tempo de a gente ensaiar e produzir uma coisa nova. O Marcelo está mixando o disco novo dele, eu tô gravando disco com a banda Canastra, o Rodrigo (Amarante) está lá nos Estados Unidos... A gente montou esquema pra juntar uns 15 ou 20 dias, só pra esse momento, então fica difícil pra gente produzir uma coisa nova - pelo menos pra esse momento agora. Reverso: Nos ensaios atuais ainda existe aquela mesma interação que existia na gravação dos discos dos LH ou têm sido uma produção inteiramente profissional? Rodrigo Barba: Não vai ter tempo de ir pra um lugar especial, como fazíamos. A gente separou um estúdio aqui no Rio, pra ficar o dia junto, ensaiando. Mas a descontração vai estar sempre presente, afinal, somos amigos desde o colégio, então não tem como ser muito profissional com amigos de colégio. Reverso: Os shows realiza-

é o que tornou possível fazermos tudo desde o começo. Era nosso público fazendo essa propaganda: “Vai lá no show que é maneiro, eu gostei”. E acho que isso continua. Mesmo a gente sem fazer show o pessoal que curte, fala: “Poxa, tinha que ter visto os Los Hermanos, o show era maneiro”. (risos) A galera continua fazendo isso!

Público conferiu noite cultural em São Félix

Texto de Jana Cambuí Com a intenção de misturar culturas e diversificar a partir da influência do manguebeat originário de Pernambuco, o festival Sintonizando o Recife exibiu filmes com o tema e um documentário sobre vida e obra de Chico Science, ícone do movimento Mangue. O público também pôde conferir vídeos do Recôncavo, curtas e documentários produzidos pelos alunos do curso de Cinema da UFRB, como Manolo, de Vonaldo Mota e Luciana Sacramento. O produtor do evento, Toni Caldas, disse que o festival correspondeu às expectativas, apesar de ter sido a primeira edição, experi-

mental, e que pretende continuar com o projeto, tornando-o anual ou, quem sabe, semestral. “O objetivo maior foi alcançado, que era trazer a comunidade e a universidade para um evento de diversidade cultural, que misturasse o Recôncavo com Olinda, Recife”, disse Toni. O Festival Sintonizando o Recife contou com a presença de estudantes da UFRB, de membros das comunidades de São Félix e Cachoeira e do artista plástico Tau Tourinho, de Santo Antônio de Jesus, que é integrante do grupo Novo Cinema Novo e produz filmes já premiados, com a temática do Recôncavo, a exemplo de Má Vida e Incarcânu a Tiortina, quando o vício é a liberdade, esse último em parceria com Gabriel Lopes Pontes. www.ufrb.edu.br/reverso


Moradores reclamam das restrições para reformas nos imóveis de Cachoeira

Restaurado O Iphan, que se encarrega da preservação, restaurações e tombamentos dos inúmeros patrimônios selecionados pelo órgão, atua em Cachoeira com projetos de revitalização a longo prazo. Praças, conventos, igrejas, espaços públicos e edificações privadas estão na lista do que já foi revitalizado.

Assim como os imóveis, todo material que faça parte de uma memória coletiva pode ser tombado. Deste modo, fotografias, livros e cenários naturais estão inseridos no contexto. Como em toda cidade tombada, há sempre dúvidas sobre a necessidade do tombamento de certos imóveis ou sobre como isso afeta a situação socioeconômica de sua população. O elo entre o governo, comunidade e a iniciativa privada ganha mais força aí., além de manter o material preservado e não deixar a cidade estagnar por conta das restrições de um tombamento. O entorno das regiões tombadas também sofre modificações, como acesso ou alterações que possam obstruir a invisibilidade dos bens culturais.

Edificações públicas e privadas estão na lista do que já foi revitalizado

Henrique Amorim abordou a temática O papel da mídia nas eleições. Fizeram parte da mesa políticos do Partido dos Trabalhadores (PT) e de partidos da mesma coligação, além do diretor da Faculdade de Direito da UFBA, Celso Castro. De modo irreverente,

Candidatos de vários partidos participaram do evento

Paulo Henrique iniciou com o seu característico “Olá, tudo bem?”, arrancando o riso da plateia. De acordo com o jornalista, a mídia possui uma natureza profundamente partidária, afirmando que devemos abordar de maneira mais profunda a importância da democratização dos meios de comunicação. Remetendo a fatos passados já disseminados pelos grandes grupos da mídia, que ele também denomina como pertencente ao Partido da Imprensa Golpista (PIG), atacou o governo de Fernando Henrique Cardoso que, segundo ele, com apenas três telefonemas determinava o que seria notícia no Brasil. “Bastava uma ligação para a família Marinho, responsável pelo jornal O Globo; para a fa-

mília Frias, da Folha de S. Paulo; e para o Ruy Mesquita, do Estado de S. Paulo, para que os centros de produção fossem controlados. Era deste modo que a mídia era pautada”, garantiu. O encontro também discutiu a veracidade dos resultados de audiência divulgados pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) e pelo Instituto Datafolha. Paulo Henrique enfatizou em sua fala que “o maior cliente do IBOPE é a rede Globo, que tem um contrato anual de R$ 30 milhões para

acompanhar a audiência da televisão. Eles fazem a pesquisa para produzir a manchete do Jornal Nacional”. Por fim, o jornalista propôs uma auditoria para supervisão destes institutos de pesquisa de opinião pública e também a ampliação da banda larga para se alcançar uma maior liberdade de expressão e a reforma da indústria de comunicação no Brasil.

ALB sediou o Curso Castro Alves e V Colóquio de Literatura Baiana Os eventos aconteceram na sede da Academia de Letras da Bahia (ALB), em Salvador, durante três dias Texto de Janaína França

O Monumenta O programa agrega 26 cidades no Brasil, todas escolhidas de acordo com a importância histórico e artística de cada uma. A atuação do Monumenta varia de acordo com os convênios realizados com o governo

Salvador: Em palestra no auditório da Fundação Visconde de Cairu, no bairro dos Barris, em Salvador, na noite do último dia 28 de setembro, o jornalista Paulo

Lais de Oliveira

“Depois que o Monumenta veio para cá, muito das coisas, como fachadas e prédios estão conservados, mas quando vamos fazer uma reforma em casa ou num imóvel que está sendo reformado próximo à nossa casa, o problema só aumenta”. Com este desabafo, um funcionário público, que tem processo correndo na Justiça e não quis ser identificado por receio de retaliação, reclamou da burocracia enfrentada junto o Instituto do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E as queixas só aumentam quando os moradores contam a história da cidade, dizendo que o Mo-

O que já foi restaurado na cidade faz parte do programa Monumenta, criado pelo Ministério da Cultura e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com apoio da Unesco. Para a rápida preservação dos patrimônios nos municípios, os imóveis são tombados para evitar qualquer tipo de alteração, sejam estes privados ou não.

Texto de Marília Marques

Laiana Matos

Texto de Taiane Nazaré

numenta não é sempre fiel ao que existia, a exemplo dos ladrilhos e das modificações feitas em diversos espaços públicos. Segundo eles, várias casas e pontos de comércio tiveram suas fachadas (principal restrição do IPHAN para reforma) modificadas.

Tombamento?

Laiana Matos

Lais de Oliveira

A Igreja Matriz segue fechada, para reformas

federal junto às administrações de cidades e municípios que tenham áreas tombadas pela União. Juntamente com os edifícios e construções antigas, toda a obra de arte e material de relevância histórica tem cuidados e investimentos voltados para preservação. Dentro da cidade de Cachoeira, já atuando há mais de cinco anos, móveis públicos e privados, conjuntos de esculturas, conventos, espaços públicos estão inseridos no programa. Atualmente, a Igreja Matriz está em processo de restauração e fica fechada para visitação até a conclusão do trabalho, que é minucioso e requer todo um estudo para manter as coisas em estado original. Dependendo da condição do material ou do espaço, os trabalhos de restauração levam de meses a anos para serem concluídos.

Jornalista Paulo Henrique Amorim debate o papel da mídia nas eleições

O colóquio contou, entre os dias 22, 23 e 24 de setembro, com quatro sessões de Comunicações de Literatura Baiana de diferentes temas, com trabalhos produzidos por doutores, doutorandos, mestres, mestrandos e estudantes de iniciação científica, além de mesas-redondas, conferências, palestras e apresentação artísticas.

Inicialmente, o Curso Castro Alves era apenas uma homenagem ao poeta romântico, no entanto, a partir de 2006 transformouse em um grande encontro, aderindo o colóquio e abrindo espaço para a apresentação de estudos sobre obras, temas e autores da literatura produzida na Bahia. A partir daí, tem sido realizado em conjunto pela ALB e pelo Programa de Pós-Graduação em Lite-

ratura e Diversidade Cultural, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Um dos principais objetivos do colóquio é valorizar a literatura baiana, tanto quanto seus autores, além de abrir espaço para os novos estudiosos do tema. Em 2011 será publicada a coleção O Olhar de Castro Alves, contendo os trabalhos selecionados de 2006 a 2009.

Recôncavo marca presença Texto de Diogo Oliveria egundo o coordenador Aleilton Fonseca, “o evento reuniu cerca de 90 estudiosos oriundos de diversas universidades baianas e de outros estado”. O Recôncavo da Bahia foi representado pelo professor doutor Carlos Ribeiro, pelo técnico André Luís Machado Galvão e alguns alunos da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Carlos Ribeiro é membro da academia desde 2007, ocupando a cadeira cinco. Este ano, ele coordenou a sessão de comunicação intitulada Questões de Poesia, no auditório dedicado a Pedro Calmom. André apresentou seu estudo para mestrado sobre a trilogia do escritor Wilson Lins. A estudante Janaína Ezequiel França, contou que “foi muito interessante participar do evento, até mesmo por que o principal homenageado é um grande poeta, que marcou a presença do Recôncavo na literatura baiana e do Brasil.”

S


a cidade jardim.

Texto de Rogério Lacerda Localizado a cerca de 110 quilômetros de distância da capital Salvador, São Gonçalo dos Campos se destaca por ter um clima pacato. Na década de 1980, foi um dos maiores produtores de fumo da Bahia e hoje se destaca na produção avícola, que é responsável por cerca de 80% da economia do município. Possui, segundo dados do IBGE, 31 mil habitantes. Limita se ao Sul com Conceição de Feira, ao Norte com Feira de Santana, ao Leste com Santo Amaro e a Oeste com a localidade de Antonio Cardoso. São Gonçalo tem um grande potencial turístico, principalmente para o turismo rural. Tem uma vegetação predominante de Mata Atlântica e clima tropical sub-úmido, com pequena estação chuvosa. çalo pertenceu a Cachoeira durante muito tempo, foi desmembrado em 1884 ao ser elevado à categoria de cidade. Hoje, dispõe de www.ufrb.edu.br/reverso

diversos serviços e de um comércio movimentado e indústrias de grande porte, como Perdigão, Gujão e as fábricas do setor fumageiro. É fácil encontrar na cidade dois lados: o do desenvolvimento, com prédios modernos e traços do contemporâneo, ao lado dos casarões da época do Brasil colônia. A cidade possui também uma das igrejas mais antigas do Brasil, com mais de três décadas de existência. Segundo historiadores do município, quando passou pela cidade, a caminho da inauguração da ponte que leva seu nome, em Cachoeira, Dom Pedro I se encantou com a igreja e acabou ficando três dias hospedado. Atrações turísticas A fonte da Gameleira, que teria um grande poder de cura, é um dos grandes atrativos turísticos do município. Outra atração é a corrida de Jegue, que acontece todo mês de novembro no distrito de Afligidos, que fica a 20 quilômetros do centro da cidade. Os hotéis-fazenda também são grandes atrativos turísticos. A bica do Moringue, que fica também a 20 quilômetros da cidade, é opção na época do verão. Religiosidade A cidade tem uma religiosidade muito forte, principalmente com as religiões de matrizes africanas

como o candomblé. O catolicismo também é muito forte. A comunidade festeja no mês de agosto a Festa da Boa Morte, tão tradicional quanto a de Cachoeira, atraindo centenas de turistas de outros estados. Sabores As iguarias produzidas em São Gonçalo têm fama internacional, a exemplo da feijoada feita à base de carne de porco, feijão preto e tempero de folha. É fácil encontrar esta iguaria nos diversos restaurantes do município. Outro prato muito típico da cidade é o frango caipira ao molho pardo. Para as refeições há o restaurante Talismã, que fica na Rua Dois de Julho; o restaurante de Dai, para quem gosta de uma comida mais caseira, na Praça Cazuza Machado; o de Lurdes de Capão, no Espaço Popular do antigo Mercado de Arte; e o Garden Plaza, no shoping Garden Plaza, na Rua Dois de Julho. Onde ficar As indicações de hopedagem são o Hotel Talismã, situado na Rua Dois de Julho; a Pousada Ventura e a Continental, ambas na Rua do Progresso; a Pousada do Centenário, que fica situada na Avenida José Carlos de Lacerda; e o Hotel Santa Bárbara, na Rua da Lavanderia.

invadem o

Recôncavo

Com a presença de centenas de artistas de todo mundo, evento intitulado Entre Territórios teve como objetivo divulgar a cultura regional Texto de Toni Caldas O auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) foi sede, entre os dias 20 e 25 de setembro, do 19º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (ANPAP). Organizado anualmente, o evento procura ser um marco para o desenvolvimento da pesquisa em arte no país, pro-

côncavo, segundo declarou Viga Godilho, presidente da ANPAP, durante a homenagem a uma das fundadoras da associação, a artista visual Maria Amélia Bulhões. Pesquisadores de 45 universidades sinalizaram a diversidade da região, reforçando as reflexões artísticas sobre os laços culturais presentes no Recôncavo. O reitor da UFRB, Paulo Gataiane nazaré briel Soledade Nacif, declarou que a universidade sente-se honrada em sediar o encontro, destando que, “no processo de consolidação de Casa cheia durante a Anpap na UFRB uma univermovendo intercâmbio entre sidade, como vem sendo universidades e outras ins- com a UFRB, o fortalecitituições, artistas autôno- mento no campo das artes é mos e a comunidade cientí- fundamental”. fica. As mostras Entre O tema deste ano foi Folhas, no Centro CultuEntre Territórios, centra- ral Dannemann, e O vôo do do na imagem do Rio Pa- poeta Damário da Cruz, no raguaçu e seus principais Pouso da Palavra, represenafluentes, representando taram internacionalmente seu trajeto e as heranças de Cachoeira e São Félix como inúmeros grupos étnicos territórios para as trocas de presentes na história do Re- linguagens artísticas.

Arte como terapia Oficinas de dança acontecem todas as terças-feiras, das 10h às 11h, no Centro de Promoção à Saúde Edgar Teixeira Rocha Layla Scher

Texto de Lenise Farias Criado há um ano pela professora Márcia da Silva Clemente, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o projeto Saúde Mental e Serviço Social realizou, no dia 14 do mês de setembro último, oficinas de arte-educação com ênfase na dança para os pacientes do CAPS. Nesse projeto, a dança é a principal ferramenta para a socialização e a compreensão dessa arte de expressar, comunicar e interpretar é uma alternativa para auxiliar na melhora das condições de equilíbrio e de autoconhecimento. De acordo com estudos apresentados pelo projeto, as pessoas reagem à dança, pois ela apresenta uma centralidade que é uma resposta do corpo ao espírito artístico do ser humano. Nas oficinas ministradas pela professora Márcia e pelo grupo do CAPS, algumas ati-

O projeto desenvolve oficinas de arte-educação

vidades são feitas com a finalidade de estimular a recepção e reação do corpo e da mente do praticante. A realização de exercícios de automassagem e atividades em grupo serve como assistência da principal ferramenta que é a dança, pois estimulam a comunicação e a intera-

ção dos participantes. A dança, que para o projeto é uma terapia que envolve corpo e mente, é realizada em etapas, respeitando o limite de cada corpo. Cada dia de oficina é diferenciado e passos diferentes são acrescido à dança. As ideas dos movimentos

são criadas pelos próprios participantes das oficinas. Ao fim do projeto, que está previsto nos mês de dezembro, será realizada uma apresentação para a mostra da dança. Segundo a gestora da iniciativa, Márcia Clemente, “todos os corpos podem dançar, respeitando o limite de cada corpo”. Para a professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) que auxilia nesse projeto, Aparecida Linhares, “a dança nos indica que somos corpo e este corpo possui um corpo psicológico, um corpo biológico e um corpo íntimo”. Esse projeto é uma extensão do curso de Serviço social UFRB em parceria com o CAPS/Ana Nery em Cachoeira e a Escola de Dança da Ufba, que auxilia no intercâmbio teórico-metodológico na área da arte-educação.

Amigos criam projeto de música e literatura para comunidade infanto-juvenil Texto de Renata Reis “Quanto mais os jovens estiverem em contato com alguma atividade cultural, menos se envolverão com drogas”. Com essas palavras, Jorgenei Gomes da Silva, o Ney Pontão, explica a motivação do projeto social Muleke é Tu, pelo qual é responsável. Ele contou que ainda jovem percebia “a falta de movimentos que ocupassem a cabeça das crianças e adolescentes de Cachoeira”. Decidido a mudar essa realidade, criou o projeto, que através da música, percussão e literatura mostra uma nova perspec-

tiva de vida aos jovens. Sem ajuda de custo ou patrocínio, o Muleke é Tu é mantido por Ney e outros 10 integrantes, que ensinam os jovens a tocar inJuliana Barbosa

São Gonçalo dos Campos, Artes Plásticas

A banda Samba Crioulo

strumentos e incentivam também a leitura no dia a dia. Os professores formam também uma banda chamada Samba Crioulo, que promove shows semanais no espaço Empório, na Rua Ana Nery, para arrecadação de fundos. Este ano a banda lança a primeira edição do Crioulo Mania, iniciativa que reúne todas as sextas-feiras, no espaço de Paulo

Lomba, várias bandas e grupos musicais para a realização de shows que vão do forró ao reggae . Jorgeney finaliza dizendo que o maior problema enfrentado por eles não é a falta de patrocínio ou espaço para as festas, “infelizmente, a população ainda não percebeu a necessidade que há em manter ocupada a mente dos jovens. Ensinar que ao invés de ficar fazendo besteira na rua é melhor aprender a tocar bateria ou ler um livro As pessoas se enganam que é um problema dos outros, mas na verdade é um problema de todos nós”, concluiu. www.ufrb.edu.br/reverso


Lojas agora são obrigadas a Greve nacional dos bancários trouxe transtornos à região manter exemplar do CDC

Rosalvo Marques

O caixa Alexandre Mascarenhas com CDC em mãos

Texto de Rogério Lacerda

balconista de farmácia Lenice Bispo acha justo o direito à informação para quem vai às compras, pois ela considera que existe uma desinformação por parte do consumidor, que agora poderá entender através do exemplar justamente onde estão seus direitos. Ela afirma que se fosse proprietária de um estabelecimento comercial não hesitaria em colocar em prática a lei, através da aquisição de um exemplar. Na opinião de Alexandre Mascarenhas, caixa de padaria, a disponibilização do CDC para os clientes é muito boa, além de ser necessário o estabelecimento comercial estar em conformidade com a lei. O exemplar pode ser facilmente encontrado em qualquer livraria ou banca de revistas. O valor do exemplar é acessível tanto para empresários e prestadores de serviços como para os próprios consumidores em geral. O Código de Defesa do Consumidor possui quase 20 anos de existência, mas só agora se tornou uma obrigatoriedade no que diz respeito à sua presença em qualquer estabelecimento comercial.

A Lei Federal 12.291, sancionada pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em 20 de julho de 2010, a partir de antigo projeto de autoria do deputado Luiz Bittencourt (PMDB-GO), obriga os estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços nacionais a manter, no mínimo, um exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC), possibilitando assim que o cliente conheça seus direitos. O objetivo da lei é oferecer uma forma de consulta rápida e fácil para a defesa do consumidor que eventualmente sinta-se lesado e possa tirar as suas principais dúvidas no próprio estabelecimento em que ele se encontre realizando uma transação comercial. A principal exigência da legislação é que o exemplar do CDC esteja em um local visível e de fácil acesso ao público. www.ufrb.edu.br/reverso

Também em Mangabeira Texto de Juliana Rezende As agências da Caixa, BNB e Banco do Brasil de Governador Mangabeira também entraram em greve, mas desde o dia 1º de setembro. Os bancários queriam reajuste salarial de 11% (correspondente à inflação mais aumento real), melhorias na participação nos lucros e resultados, garantia de empregos, fim das metas, do assédio moral e das terceirizações, além de mais segurança para trabalhar. Para os bancários, depois de três rodadas de negociação sem apresentar uma proposta, a Fenaban oferecia reajuste salarial de 4,29%, equivalente à infla-

ção do período, ignorando as demais cláusulas da pauta de reivindicação. Enquanto prosseguiu a greve, a população se disse prejudicada pela falta dos serviços oferecidos pelos bancos. Exemplo disso foi dado por Alenilda Maria, coordenadora do Programa Bolsa Família local. Segundo ela, a família toda se prejudicou e, no seu caso, por dois bancos. Segundo garantiam os grevistas, durante o movimento houve um crescimento de mais de 92% na adesão em todo Brasil. Segundo eles, foram 7. 437 agências em greve, marca que superaria os números do ano passado, de 7.222 agencias paradas.

Baseada na produção fumageira entre as décadas de 40 e 50, a economia local hoje cede espaço para a agropecuária e a indústria, enquanto o comércio é prejudicadas pela proximidade com Feira e Salvador. Lenise Farias

Texto de Layla Scher Conhecida como a maior produtora de fumo do Recôncavo, São Gonçalo conta, hoje com apenas dois armazéns, sendo que um deles, o Menedes e Américo, emprega cerca de 120 pessoas e tem quase toda a produção destinada aos mercados do Rio de Janeiro, São Paulo e países do exterior, como Arábia Saudita, Alemanha e Japão. Nessa fábrica são produzidas cigarrilhas, que são mini charutos com formas e componentes de cigarro, e os charutos das marcas Alonso Menezes e

nato Tadeu, gerente de recursos humanos, as mulheres são mais práticas e delicadas desde o processo inicial com a folha do fumo até a finalização e colocação da capa, que é cobrir o charuto com a melhor folha do fumo. “Já tentamos colocar homens, mas eles As mulheres são 80% do quadro de empregados das fábricas de fumo locais não conseguem confeccionar os Dona Flor. 300,00. Cerca de 80% dos A caixa com 25 charu- empregados destas fábricas charutos com tanta perfeitos custa de R$ 250,00 a R$ são mulheres. Segundo Re- ção quanto nossas garotas”,

concluiu. Até meados do século XX, havia na cidade 11 armazéns de fumo, empregando 3.300 pessoas direta ou indiretamente. Nos anos 60, São Gonçalo foi o quinto maior produtor de amendoim com casca no estado, o que enfraqueceu um pouco a produção fumageira. Já na década 70, o destaque foi para a cultura da batata, principalmente da região do distrito de Magalhães. O município também transformou-se na bacia leiteira da região. Com todas estas mudanças, a produção de fumo sofreu um grande declínio.

Produção avícola impulsiona a cidade, mas comércio concorre com Feira e Salvador Lenise Farias

Texto de Layla Scher A economia rural sangonçalense passou por fases como a produção de amendoim, batata e leite, mas o que predomina hoje na região é a criação de aves e gado para o abate. Com a instalação de fábricas próximas à cidade, a população vem criando galinhas e codornas em granjas particulares para vender as essas empresas e melhorar a renda. Essas empresas mudaram a economia local. Só uma destas fábricas emprega 35% da população. Também foi criado na cidade um posto bancário para atender aos trabalhado-

fraquecendo a economia municipal. O comércio vem sendo prejudicado também por causa da proximidade com as cidades de Feira de Santana e Salvador, polos comerciais. Grande parte da população faz compras nessas cidades por causa dos preços que são oferecidos. Os cidadãos contam O comércio local sente a concorrência também com a res dessa empresa, que antes facilidade dos tinham de receber seus salá- carros de praça que viajam rios em cidades vizinhas, e de hora em hora para esses lá faziam suas compras, en-

pólos comerciais. O Banco do Brasil quer implantar um posto em São Gonçalo para que os seus clientes não pre-

cisem sair da cidade para fazer qualquer transação bancária e aumentar assim a economia. Lenise Farias

Os comerciantes e vendedores de Cachoeira se mostram preocupados em cumprir a lei que obriga manter uma cópia do Código de Defesa do Consumidor (CDC) em suas lojas, mesmo não tendo sido ainda determinado um prazo para que todos os estabelecimentos comerciais nacionais atendam às exigências da nova lei. É possível perceber a aquisição do exemplar pela maioria dos esta-

belecimentos comerciais na cidade histórica, demonstrando que, em menos de três meses desde que a lei entrou em vigor, estão se adequando as exigências da legislação. Para Roquelina Maria, gerente de loja na cidade, a lei é necessária para que o consumidor tenha seus direitos assistidos, mas considera um abuso o valor da multa que se aplica aos estabelecimentos que, ainda que por inadimplência, desobedeçam a lei, que é de R$1.064,10. Por sua vez, a

sil, que aderiram à greve inicialmente por causa das ameaças de retirada do quinquênio (uma licença a cada cinco anos oferecida pelo banco), reivindicavam outras cláusulas sociais, embora o maior objetivo também tenha sido o aumento salarial. Na opinião da cachoeirana Nelí de Jesus As agências pararam em Cachoeira Costa, fazer greve em períodos eleitorais é um desEm razão da greve deflagrada em 29 de setem- respeito para com o povo. bro, as agências bancárias “Greve em plena eleição e a da cidade ficaram fechadas gente aqui precisando de didurante vários dias, causan- nheiro?”, questiona. A greve registrou uma do uma série de problemas aos clientes. Os funcionários grande adesão, segundo a lida Caixa Econômica Fede- derança do movimento, que ral reivindicavam reajuste avaliou em uma média de salarial de 11% e exigiam a 1600 agencias fechadas enmanutenção de vantagens quanto dutou a negociação, já que a proposta inicial de sobre o salário. Já os do Banco do Bra- 4,5% não havia sido aceita.

Texto de Monalisa Leal

Fernanda Rocha

Comerciantes de Cachoeira declaram apoiar a obrigatoriedade de manter uma cópia do Código de Defesa do Consumidor em seus estabelecimentos comerciais

Com declínio do fumo, a economia de São Gonçalo dos Campos se transforma

www.ufrb.edu.br/reverso


Rádio São Gonçalo completa 50 anos e muda de nome Projeto da Igreja Católica para uma aproximação com a população local, foi a primeira rádio-escola a existir no Brasil, a terceira a ser criada na Bahia e primeira da região do Recôncavo Larissa Araújo Larissa Araújo

A estrutura está sendo modernizada

A equipe da rádio soma oito pessoas atualmente

Texto de Pollyanna Macêdo

A rádio conta atualmente com uma equipe de oito pessoas, entre locutores e repórteres. Além de uma programação diversificada, funcionando 24 horas, possui também um site que é atualizado constantemente, trazendo notícias da cidade e de todo o mundo, onde é possível conferir a programação e até ouvir a própria rádio. Muda o nome Mas a maior mudança prevista é a do nome da rádio. Como já pode ser visto

Com assuntos sobre vários temas e abrangendo também um diverso público, o diretor conta que foi uma ótima experiência, além de se tornar um grande sucesso de audiência. “Foi muito interessante, as pessoas da cidade aprovaram, tenho planos para tentar colocar isso de novo em prática”, comentou Ronaldo. Larissa Araújo

No ar desde o dia 8 de dezembro de 1960, a Rádio São Gonçalo, sintonizada pela frequência AM 1.410, comemora os 50 anos de existência promovendo algumas mudanças. As reformas dizem respeito principalmente à modernização de sua estrutura física, mas que chegam ao próprio nome da emissora, que vai passar a chamar-se Planeta. O diretor Ronaldo Pinto, que ocupa o cargo há quatro anos e também é res-

ponsável pela parte comercial, tem expectativas de que a reforma estrutural tenha fim em janeiro de 2011. Algumas delas já podem ser vistas, a exemplo da parte externa do casarão onde se localiza, recentemente pintado e reformado. O diretor explicou que algumas salas no térreo serão modificadas e transformadas em um cinema, com prioridade para uma programação educativa, fazendo assim parceria com escolas da região e incluindo os estudantes no mundo dos filmes.

no site, Rádio Planeta veio para substituir Rádio São Gonçalo, pois de acordo com Ronaldo, com o passar dos anos a rádio foi se desvinculando da igreja, tornando-se mais independente e menos ligada somente à cidade. Assim, acredita que a mudança do nome, juntamente com as outras modificações em curso, trarão uma maior visibilidade e credibilidade, além de independência. Em relação ao público externo, outra parceria já realizada com sucesso foi com os alunos do curso de jornalismo da Unidade de Ensino Superior de Feira de Santana (Unef). Durante um período, os estudantes fizeram uma espécie de estágio na rádio, onde apresentavam um programa aos sábados.

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Reverso 37  

Jornal laboratório do curso de Jornalismo da UFRB

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