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GOVERNADOR MANGABEIRA COMEMORA ANIVERSÁRIO (Pág.10)

A fé nas águas que curam Confira na página 12

Cachoeira se prepara pro vestibular (pág. 9) CONHEÇA SEU MUNICÍPIO: Saiba mais sobre São Félix, a cidade presépio. E veja o que rola na net. (pág. 5)

Apesar de todo progresso, ntigos ofícios ainda resistem, como arte e sabedoria popular. (pag. 11)

Estudantes da UFRB transformam parede de centro em tela de pintura (pag. 8)

ESPECIAL: Descubra qual a tendência da moda para os cabelos nesta temporada (págs. 6 e 7)


INEDITORIAL

COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO RURAL

* Roberio Marcelo Ribeiro

CARTA AO LEITOR O jornal laboratório Reverso chega à sua trigèsima sexta edição dedicado primordialmente à edificante tarefa didática de servir como instrumento ao aprendizado prático do jornalismo impresso dos estudantes de Jornalismo da UFRB. Esta é sua principal missão, seu compromisso maior. Como instrumento de Jornalismo regional, o enfoque a ser dado em seu material noticioso deve ser, portanto, voltado à própria comunidade em que está inserida a instituição de ensino superior, no caso, o Recôncavo da Bahia, mais especificamente às cidades de Cachoeira, São Félix, mas também a todo o seu entorno. Neste sentido, tem enfrentado e buscado superar todas as dificuldades de lojística e das condições efetivas para tornar o mais amplo possível seu raio de cobertura, promovendo viagens de estudo e pesquisas de campo por diversas localidades da região. Com isso, tem logrado produzir material jornalístico também sobre as cidades de São Gonçalo dos Campos e Governador Mangabeira, como nesta edição, ao tratar por exemplo das condições do terminal rodoviário de uma e dos eventos, solenidades e programas de inclusão digital da outra, respectivamente. O compromisso com informar e, por que não, formar - pertinentes, sim, ao jornalimo bem feito - está igualmente contemplado em colunas como Conheça seu município e Tá na net, nesta edição dedicadas a São Félix. Boa leitura!

Jornal Laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Reitor: Paulo Gabriel Soledad Nacif Coordenação Editorial: J. Péricles Diniz e Robério Marcelo Coordenação de Editoração Gráfica: Juliano Mascarenhas Centro de Artes Humanidades e Letras (CAHL) Quarteirão Leite Alves, Cachoeira/BA - CEP - 44.300-000 Tel.: (75) 3425-3189

Acesse o Reverso Online: www.ufrb.edu.br/reverso

www.ufrb.edu.br/reverso

O caráter mutável das relações sociais nos países em desenvolvimento é uma preocupação constante dos cientistas sociais.Atualmente uma grande parcela de interesse e atenção está sendo dedicada ao processo de desenvolvimento econômico e social denominado “pos-industrialismo”.Estes estudos indicam e procuram transmitir a noção de que no Brasil e em outros países mais industrializados estão prestes a atingir um novo estagio de desenvolvimento com profundas implicações no tecido social e na estrutura econômica de forma irreversível. Embora estas teorias sejam predominantemente urbanas na orientação,dados recentes sugerem que nas áreas rurais esta centrada uma situação de enfrentamento que pode gerar mudanças no desenvolvimento econômico e social. Assim poderá,embora pareça uma contradição, surgir no horizonte uma nova fronteira para o desenvolvimento das áreas rurais nos países em desenvolvimento e, como conseqüências serão estabelecidas novos padrões de comunicação nestas comunidades rurais. Estas diferenças na comunicação vão impor o uso de técnicas de mobilização social com indicadores que podem provocar mudanças no sistema de valores capazes de introduzir nova teoria do desenvolvimento rural.Alguns autores suge-

rem que em muitos aspectos a comunidade rural esta enfrentando uma vigorosa transformação social e que elas precisam ser articuladas e tomadas em consideração na formulação de políticas e praticas profissionais. Este arcabouço conceitual, que é útil para acadêmicos e profissionais interessados na problemática do desenvolvimento rural,com analises muito recorrente nos países em desenvolvimento mostram, com contornos muito nítidos, os elementos que indicam e interpretam o surgimento de uma nova ruralidade. Entre pesquisadores e estudiosos da comunicação rural existe um reconhecimento técnico,ao examinarem as comunidades rurais,que uma nova historia esta surgindo e que os habitantes do campo,embora em minoria distinta,são protagonistas ativos e de muita influencia no processo decisório destes países e que movidos por uma nova mentalidade estão muito atentos aos pro-

blemas não só da região mas também aos metropolitanos. As organizações sociais que surgem nas comunidades rurais são de grande mobilidade na pressão sobre os órgãos governamentais na definição rápida de benefícios econômicos e sociais.A argumentação mais utilizada no processo é que a pós-industrialização avançada no campo deu origem a novas condições sociais ao invés da exploração histórica do trabalho de subsistência pastoril e agrícola. Estas comunidades estão se tornando essencialmente não-agricolas e , com o crescimento, novos recursos estão disponíveis.Assim é que surgem novas escolas, mudam os padrões sanitários, equipamentos de lazer e muitos outros itens passam a compor a paisagem rural. Mas hoje, o topo da preocupação das comunidades que passam por este grande e intenso desenvolvimento é como proceder e utilizar os aparatos de comunicação disponíveis como beneficio social em contraste com a sua atual realidade.Isto posto, podemos afirmar que um novo e promissor caminho será construído por todos que se aventurem pelo fascinante mundo descortinado pela comunicação rural. * Doutor em Comunicação e Expressão pela FESP/USP.Professor de Jornalismo Impresso no Curso de Jornalismo do Centro de Artes,Humanidades e Letras da UFRB

Hansen cria programas para atrair comunidade A direção do museu decidiu investir em programas especiais para tornar a instituição mais conhecida pela população cachoeirana e de São Félix Texto de Janaína França O maior problema enfrentado pela Fundação Hansen é a falta de conhecimento por da população local, sobre quem foi o artista e qual a sua importância para Cachoeira. Para tentar solucionar a questão, a gerente da instituição, museóloga Maria de Fátima dos Santos, revelou que tem criado alguns programas para despertar o interesse popular. Entre eles, está uma parceria com a escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) para oferecer oficinas de xilogravura.

Este ano, a oficina será realizada entre os dias 16 e

co alvo. O primeiro projeto será Primavera nos Museus, com um gruRenata Reis po da terceira idade chamado Vida Saudável, em comemoração também ao mês do idoso. Em outubro, será organizado um evento em homenagem ao dia das crianças”, disse a gerente. O museu também enfrenta diAs obras de Hansen estão expostas no ateliê ficuldades com o 18 de novembro, totalmen- acesso, que antes era mais te gratuita. “Para os meses fácil, por estar localizado de setembro e outubro, nós no Espaço Cultural Manoel faremos um dia de visitação Vitorino, na Rua 13 de Mare entretenimento ao públi- ço. Neste sentido, Maria

de Fátima destacou que “é essencial a comunidade ter acesso tanto a informações quanto ao local. Trabalhar com a comunidade é fundamental, pois quando nos sentimos pertencentes, a gente cuida”. Inaugurado em 19 de abril de 1978, na Rua Ana Neri, casa nº 7, em Cachoeira, o museu traz em seu acervo a paixão de um artista alemão pela xilogravura e pelos encantos desse estado. Karl Henz Hansen, que foi marinheiro, escultor, pintor, poeta e cineasta, se destacou no ramo das artes plásticas, apresentando ao mundo obras gravadas

em madeira, a xilogravura. Depois da morte do artista, sua esposa doou todas as obras à cidade de Cachoeira. Elas foram transferidas, 19 anos mais tarde, para o novo ateliê localizado em São Félix. Atualmente, todo o acervo vem sendo restaurado e exposto para visitação e estudo pela Fundação Hansen Bahia, que no último trimestre contou 212 visitantes, sem contar as visitas de escolas. Sobre o museu:

- Casa dos Hansen Museu e Ateliê - Fazenda Santa Bárbara, Ladeira dos Milagres, São Félix , Bahia. - Horário de visitação : Segunda a Sexta das 9:00 ás 17: 00 horas Tel: (75) 3438-3442

São Félix ganha cinema grátis Rodoviária de S. Gonçalo Texto de Caiã Pires

Com o intuito de reunir amigos e moradores, além de resgatar um costume antigo, Edson José Antônio Silva dos Santos, 49 anos, mais conhecido como Toinho do Brilho, decidiu exibir filmes em meio à Praça José Ramos, em São Félix. Sem periodicidade definida, os filmes, documentários e até jogos de futebol são exibidos gratuitamente, ou seja, sem a cobrança de ingressos ou taxas. Toinho conta que, quando criança, frequentava os cinemas de Cachoeira e São Félix regularmente e diz ter se apaixonado pe-

las técnicas audiovisuais. Devido ao grande interesse pela arte, o amante dos telões, que trabalhara antes apenas com uma barraca de bebidas, passou a investir em equipamentos de som e projeção, que depois de certo tempo lhe rendeu a ideia de montar o telão. Por cerca de 20 anos, durante as sextas-feiras, finais de semana e feriados, as cidades de São Félix e Cachoeira realizavam suas sessões de cinemas, responsáveis por uma parcela importante no entretenimento da região. Atualmente, com a ajuda do filho, Daniel, de 25 anos, e Emanuel, seu genro, também exibe fil-

mes na zona rural e aluga a aparelhagem de som para eventos, shows e festas. Faz parte de seus equipamentos um projetor Super 8, da década de 1970. Conforme lembra, políticos como os ex-governadores Antonio Carlos Magalhães e Paulo Souto, além de bandas e artistas como Banda Estakazero e Edson Gomes, já utilizaram seu equipamento e serviços. André Cardoso

Toinho é o autor da iniciativa

em péssimo estado Texto RogérioLacerda Com mais de 20 anos de existência, a rodoviária de São Gonçalo dos Campos encontras-se em lastimável estado de conservação. O patrimônio, que significava um avanço no final da década de 1990, hoje é sinônimo de descaso e abandono, servindo como abrigo para estudantes da zona rural que esperam o ônibus para voltarem às suas comunidades e se arriscam debaixo de um local sem conservação. Os ferros da estrutura já começam a aparecer, mos-

trando os sinais de desgaste por conta da ação do tempo. O problema já foi tornado público, mas até então nada foi feito. Por ser um modelo antigo de construção, o terminal pode ser considerado um patrimônio histórico do município, mas tem que ter uma maior atenção por parte dos órgãos competentes. O administrador da rodoviária, identificado por Carvalho, não foi encontrado para explicar o que estaria sendo providenciado para resolver o problema. O poder público ainda não se manifestou a respeito. www.ufrb.edu.br/reverso


São Félix, Cidade Presépio Texto de Laís de Oliveira

Autoridades e profissionais como a delegada de polícia, a assistente social e a juíza de Cachoeira avaliam a questão da violência contra a mulher na localidade Texto de Diogo Silva de Oliveira

A delegada Márcia Conceição

ra. Destas, segundo a delegada titular de polícia, Márcia Gonçalves Conceição, uma em cada três são de violência contra a mulher, envolvendo injúria, ameaça e alguns

“Com a lei, as mulheres passaram a ter mais confiança para vir à delegacia e denunciar as agressões de seus parceiros” casos de agressão física. A contabilização, embora não sendo feita sistematicamente na unidade, aumentou considerawww.ufrb.edu.br/reverso

Ferreira de Souza, juíza substituta na Comarca de Cachoeira. “Nós ficamos aqui apenas para receber as ocorrências que chegam. Como chegam poucas ocorrências, a atuação do judiciário na violência faLaiana Matos

Laiana Matos

De primeiro de janeiro até o dia 27 de agosto, foram feitas 851 ocorrências criminais em Cachoei-

velmente depois que a Lei Maria nista e o efetivo é muito baixo”, da Penha, nº 11.340, entrou em explicou a delegada Márcia. Além vigor, há seis anos. “Com a lei, disso, não há um abrigo específico as mulheres passaram a ter mais para mulheres que precisam ficar confiança para vir à delegacia e afastadas do lar. A delegacia local denunciar as agressões de seus não é especializada, ou seja, não é parceiros”, afirmou a uma Delegacia da Mulher.. delegada, que trabaA assistente social do mulha no município há nicípio, Denise de Oliveira, alenove anos. ga que não há uma demanda das Nas palavras mulheres em busca desse auxílio. dela, em período de Durante os seis anos, não houve festas populares es- um programa desenvolvido que ses índices costumam buscasse aproximação da Secreaumentar. Quando o taria de Assistência Social com a caso é um flagrante, realidade dessas mulheres. Denia polícia chega após se disse que “a demanda é muito a agressão e encontra maior em busca do Bolsa Família, no local o agressor e a que não deixa de ser diferenciavítima. O prazo para a dor, já que concede um poder ecoocorrência ser encami- nômico às mulheres em casa”. nhada ao poder Judiciário é de 24 Para ela, o mais importante horas. No caso da queixa registra- seria a instalação da Delegacia da da ,o inquérito policial é regular. Mulher com psicólogos, assistenA apuração passa pelos seguintes tes sociais e a casa-abrigo. Ela ainLaiana Matos da informa que passos: intimação do autor, das há um programa testemunhas, de governo com da vítima, que previsão para insé encaminhada talar uma Delegaa policia técnica cia da Mulher em para fazer uma Cruz das Almas, perícia de lesão com uma casacorporal. abrigo em GoverA deleganador Mangabera cia, no entanto, e tendo Cachoeinão possui um ra como centro de efetivo policial apoio. para cuidar dos “O Juiz secasos como mangue o principio da a lei. “Temos da inércia da juaqui apenas uma risdição”, conspolicial plantotata Ana Lúcia A assistente social Denise de Oliveira

Conhecida como cidade presépio, São Felix está localizada à margem direita do Rio Paraguaçu, no Recôncavo da Bahia. Surgiu com a expansão da cana-deaçúcar, mas se tornou conhecida também pela atividade fumageira, a exemplo da fabrica de charutos Dannemann, que funciona até hoje de maneira artesanal. A cidade é cortada pela linha do trem, que funciona desde o ano de 1876 e se tornou marco histórico de modernidade, assim como a ponte D. Pedro II, que a liga à cidade irmã Cachoeira. A ponte é tombada pelo Instituto do Patrimô-

nio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Nascida de antiga tribo dos índios Tupinambás,

TÁ NA NET Texto de Janaína Carine

A juíza Ana Lúcia Souza

miliar ainda é pequena”, esclareceu. Assim, é após a apuração na delegacia que o caso se torna um processo ante o Judiciário. Quando a apuração do inquérito não consegue reunir todos os elementos de provas, a denúncia não chega à Justiça. A juíza afirma que além de não haver a necessidade de instalação de uma vara especializada em violência familiar na cidade de Cachoeira, devido à pouca demanda judicial. Para que isso acontecesse seria preciso a aprovação de um projeto de lei. O que está sendo feito, no momento, é a separação entre a vara civil e a criminal.

Apesar de ser uma cidade pequena e pacata, é possível encontrar na rede mundial de computadores diversas informações sobre a origem, história, sociedade, economia, cultura ou até mesmo curiosidades sobre São Félix.

a vila foi a primeira localidade brasileira formada sob o regime republicano, em 1889. Entre os saudosistas

e mais tradicionais, a cidade - geograficamente uma das menores do Estado da Bahia - também é conhecida como Nossa Senhora do Outeiro Redondo. O estilo arquitetônico dos seu prédios data do século XVIII. Dentre estes prédios, encontram-se a Igreja Matriz com invocação ao Deus Menino, que fica na Praça José Ramos, em frente à Ponte D. Pedro II; o Mercado Municipal e a

Fábrica de Charutos Dannemann. São Félix já foi chamada de Cidade Industrial por ter sido a maior exportadora de charutos da República e, para atender à demanda, tornou-se necessária a construção da estrada de ferro. Em função desse avanço, a inauguração da antiga Central da Bahia e da Estrada de Ferro deu-se em 1881. As manifestações populares fazem parte do ar encantador da cidade, com muito sincretismo e cultura.

Municipal, que permitiu, através de um blog específico, o acesso à informações sobre a festa. A prefeitura também possui um site específico, onde passa algumas informações sobre cultura e esporte, história, a equipe de governo e outras informações. A acessibilidade gera-

da a partir da internet traz visibilidade para o município, fazendo surgir possibilidades para o turismo e o cidadão reconhecer melhor sua cidade e suas necessidades e interagir de onde ele estiver.

Site Dannemann

Um terço dos crimes em Cachoeira acontece contra mulher

Não é a toa que São Felix é conhecida como Cidade Presépio

Alguns sites dando dicas de restaurantes, pousadas e pontos turísticos, como o Centro Cultural Dannemann. Há também divulgação de concursos e informações sobre as festas populares que existem na cidade. Vale a pena visitar o Apontador, que não é um site específico da cidade,

mas onde encontramos endereços de restaurantes, pousadas, dos pontos turísticos, eventos e mapas de diversos locais, inclusive de São Félix. Enfim, é um site bacana, que fornece dados para os usuários, permitindo ao cidadão conhecer melhor a cidade que procura. Encontramos também na wikipédia, enciclopédia livre, várias informações interessantes sobre a cidade, possibilitando o conhecimento cultural e a democratização da informação. A festa Senhor São Félix, por exemplo, neste ano tem maior destaque com sua divulgação na internet, por iniciativa da Prefeitura

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Penteado despojado é tendência nos salões de beleza em Cachoeira

Longos e cacheados, curtos e alisados, coloridos ou trançados, vários são os estilos que lançam moda aliados a uma combinação de detalhes como o tipo de cabelo, de rosto e o tom de pele.

A tendência para este período de primavera-verão aponta para os cabelos práticos e fáceis de produzir. Cortes modernos, com pen-

e são os responsáveis por grande procura a salões e institutos de beleza. Em Cachoeira não é diferente, a maioria dos salões visitados tem nas sextasfeiras e sábados os maiores registros de movimento, com clientela composta ba-

sicamente por mulheres e jovens, mas com uma crescente presença masculina. Dentre os serviços mais procurados estão as escovas, relaxamento, hidratação, mega-hair, penteados de festa, terapia capilar, coloração, cortes em geral e

ainda tratamentos adequados para todo tipo de cabelo com preços variados.

Camadas

Luciene de Lima Bispo, 24 anos, do salão Evolução da Beleza, afirma que “geralmente, os cortes mais pedidos são as camadas e para Josiane Nascimento

aparar as pontas, porque o pessoal não está gostando muito de cortar cabelo o curtinho. Nos penteados para festas, o preferível é semi-solto”. No salão de Luciene é possível encontrar, além dos serviços básicos, o tratamento para calvície e a argiloterapia, um tratamento anti-caspa que dura em média 10 sessões e custa em torno de R$ 400,00. Já no salão Shalon a preferência é por escovas, hidratação, limpeza de pele e serviço de manicuras e pedicuras, como explica Elica Santos, 18 anos, funcionária do salão.

Mega-Hair

Uma tendência crescente nos salões de Cachoeira é o mega-hair ou aplique de cabelo, que vem se destacando. Já é possível encontrar hoje na cidade um estabelecimento especifico que comercializa, além de cabelos humanos, perucas, fibras para tranças, miojos, dreads e acessórios em geral.

De acordo com Bethânia Paixão Alves, 28 anos, da Indy Cabelos. A procura por cabelos é grande e o custo fica em torno de R$ 200,00 a R$ 1 mil. O preço varia a depender do tamanho e peso. Para tratar um cabelo alongado, Bethânia lembra que “os cabelos de mega hair têm que ter cuidados extras na lavagem e na sua manutenção, por que é um cabelo que não é nosso, tem que ter cuidado para evitar uma seborréia ou alguma doença no couro cabeludo, então o cuidado tem que ser redobrado. Deve sempre utilizar uma hidratação também.”

Josiane Nascimento

Texto de Fernanda Rocha

teados despojados e simples são os modelos mais procurados e indicados nos salões de beleza de Cachoeira, no momento. Motivo de preocupação para a maioria das mulheres, os cabelos precisam de um cuidado todo especial

Escolha certa

Além da qualidade e competência, a higienização do salão e a profissionalização dos funcionários são fatores importantes para a manutenção do estabelecimento e que levam ao crescimento do negócio. Luciene Bispo, que possui cursos e certificados na área, afirma que no seu estabelecimento a higienização das escovas e

No detalhe, perucas e apliques para mega-hair

os possíveis danos das lavagens diárias. Dentre as dicas que oferecem para os cabelos da próxima estação, estão os cacheados ou lisos ondulados, em tons claros, as luzes, além de muito acobreados e meio avermelha-

dos. Também aconselham usar shampoo e condicionador de qualidade. No caso de shampoo anti-resíduos, usar a cada 15 dias e ter cuidados com o secador muito quente, pois pode danificar os fios. Josiane Nascimento

Josiane Nascimento

Sexta e sábado são os dias de maior procura nos salões de Cachoeira

pentes é feita com lavagem constante, que os clientes possuem toalhas individuais e os produtos ficam em local arejado e ventilado. Ela confirma o uso de álcool como esterilizante. São seis funcionários trabalhando com ela, mas apenas três possuem curso profissionalizante concluído. Quanto à regulamentação e normatização da profissão, a cabeleireira diz não saber da existência de um órgão que atenda às necessidades da classe, como um sindicato ou associação em Cachoeira ou região. Segundo as cabeleireiras, as dúvidas mais frequentes entre a clientela envolvem o uso de tinturas e relaxamento, a hidratação ideal e

Sexta e sábado são os dias de maior procura nos salões de Cachoeira


Estudantes da UFRB transformam parede de centro em tela de pintura Parede do centro de ensino em Cachoeira sofre intervenções artísticas por parte de estudantes que reivindicam espaço de interação Laiana Matos

Confira, abaixo, algumas opiniões de estudantes, funcionários e professores.

A manifestação artística dos estudantes ganhou a parede do centro

Texto de Lorena Morais

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torização para ser feita, vem de dentro. Nosso objetivo foi dar cor ao centro”. A direção do centro não foi informada sobre a realização do movimento. O vice-diretor André Itaparica disse que havia a possibilidade de um acordo para usar o espaço como tela, através da realização de um concurso para alunos e artistas da região, mas acrescentou que, com esse movimento, “as coisas aconteceram de forma espontânea”. Os estudantes escreveram uma carta aberta à comunidade acadêmica que constou também como um abaixo-assinado - com

Washington Andrade, estudante de História: “Os espaços estão aí para serem conquistados. T e m o s que fazer as coisas acontecerem aqui dentro, que abarca o campo de humanidades e artes e tem total direito de se expressar através da arte e expressões simbólicas”.

Texto de Juliana Barbosa

médio, o que facilita a vida dos jovens que moram distantes, evitando que eles precisem sair dos seus distritos para concluir o segundo grau. Na Rua da Feira, a escola es-

Um projeto inovador tem se mostrado eficiente para combater a evasão nas escolas estaduais da região. Em sistema de mutirão, gestores e funcionários utilizam-se de recursos próprios para realizar matrícula domiciliar e, munidos dos endereços dos evadidos, estão resgatando os alunos de volta às salas de aula. Na escola estadual Padre Alexandre de Gusmão, situada no distrito de Belém, a direção afirma ter dobrado o número de alunos em dois anos e meio, com ações espe- A evasão escolar é um dos graves problemas nacionais cíficas para atraí-los, a exemtadual Edvaldo Brandão Correa, plo da valorização e manutenção parceira da comunidade e proativa do espaço escolar, realização de seda matrícula domiciliar, resgata os minários de educação, reforço escoevadidos atraindo-os com os belar, jogos intercolegiais, quermesse nefícios da educação, bem como a junina, festival anual da canção esoferta de gincanas e programas que tudantil e a implantação do ensino se encaixam na situação dos jovens.

“Conceitos dentro da realidade dos alunos”, de acordo com a diretora Mônica Oliveira, que comemora o dobro de frequência estudantil e o aumento na oferta de turmas. Com a instalação da Universidade Federal do Recôncavo, as escolas locais passaram a incentivar ainda mais os jovens a lutar pelo sonho de entrar na faculdade, mostrando as possibilidades que se abriram em seu horizonte. A evasão entre os jovens de classes populares é uma questão cultural, típica do turno noturno e fruto da desvalorização do estudo e pela participação precoce no esforço pela formação da renda familiar. Esta é a opinião dos gestores das escolas estaduais de Cachoeira sobre o problema. Na zona rural e distritos, o problema não se resume a turnos e sim às necessidades financeiras dos jovens, que abandonam as salas de aula sem preparo, na ilusão de uma carreira. A culpa também é da dis-

torção entre a série cursada e a idade destes alunos. Segundo o site do Ministério Público da Bahia, um censo demográfico realizado em 2000 e publicado no Relatório da Situação da Infância e Adolescência Brasileira, através do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mostrou que, no Estado da Bahia, consta o quantitativo de 6,89% de crianças e adolescentes entre sete e 14 anos de idade fora da escola, registrando o alto percentual de 19,49% de não alfabetizados. Na faixa etária de 12 a 17 anos, o percentual dos que não frequentam escola sobe para 13,95% e 6,98% que não são alfabetizados. Neste sentido, existem projetos de iniciativa do governo federal com o objetivo de resgatar estes alunos, a exemplo do Educação para Jovens e Adultos (EJA), que visa qualificar aqueles que não tiveram oportunidade ou mesmo não possuem mais idade escolar.

Cachoeira tem apenas um cursinho para preparar seu alunos para o vestibular 2010 Gabrielle Alano

No último dia 31 de agosto, alguns estudantes do Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB, em Cachoeira, resolveram pintar uma parede do centro como forma de protesto por um espaço de convivência artística dentro da universidade. A parede fica localizada próximo ao laboratório de informática. Frases, poesia, trechos de música e caricaturas fizeram com que o local se transformasse em uma tela de pintura, constituindo-se o que muitos chamaram de Movimento Parede Democrática.

A iniciativa foi discutida por um coletivo de estudantes que se reuniram, decidindo intervir no centro através da arte, expressão, poesia e música. Para isso, buscaram um espaço de convivência, constituído também como um espaço para a exibição de arte dos próprios estudantes. Cauê Rocha, participante do movimento, disse que “a manifestação veio da necessidade de cumprir o que representa o nome do centro: Artes, Humanidades e Letras. O maior propósito é trabalhar com a arte, convocando todos os cursos para fazer essa integração. A arte não pede au-

Edvaldo Filho, estudante de Cinema: “Eu achei que não ficou determinado exatamente qual a intenção da manifestação e foi feita de forma desorganizada. Antes deve haver um comunicado, porque a universidade é de todos nós”.

Maurício Ferreira, professor do curso de Ciências Sociais: “O movimento artístico é sempre bem vindo desde que haja por parte de quem reivindica uma certa maturidade no sentido de também cuidar da universidade, porque estamos dentro de um patrimônio histórico e cultural”. Saulo Leal, servidor: “Eu acho que os estudantes p o d e riam ter solicitado da direção um espaço destinado a atividades artísticas. A partir do momento em que você pinta uma parede sem autorização, isso passa a ser vandalismo”.

Mutirão promovido por colégios estaduais vai de porta em porta trazendo os alunos de volta às salas de aula em Cachoeira

Cristiano Contreitas

pontos de esclarecimento sobre o que querem com o movimento. “Não pretendemos degradar o espaço que é nosso e é público. A intenção é utilizá-lo como expressão provocadora do espírito artístico e questionador, estimulando, assim, ações criativas, políticas e estéticas, condizentes com a formação de seres conscientes e críticos”, diz o documento.

Professores combatem evasão escolar na zona rural

“Eu achei que não ficou determinado exatamente qual a intenção da manifestação” A alta concorrência leva ao empenho daqueles que desejam ingressar na universidade

Texto de Raquel Pimentel Com apenas um único curso em atividade - o Insight, que funciona com a colaboração de alunos de história da UFRB - os vestibulandos de Cachoeira enfrentam sérias dificuldades e entram com desvantagem na disputa pelo concorrido acesso ao ensino superior. As turmas funcionam no turno da tarde e o valor é de R$ 60,00 por mês, mais a matrícula. Para o universitário e professor de história geral Jurandir Rita, “os alunos escolhem a faculdade e o curso mais perto de suas casas.

As mais procuradas são a UFRB, Ufba, IAENE e Uefs.” Ainda segundo Jurandir, “o fato de ex alunos, hoje universitários, darem aulas no cursinho e serem também moradores de Cachoeira, gera um incentivo na comunidade para desfrutar uma instituição pública na sua cidade”. Mesmo com menos estrutura física, as universidades federais ainda são as mais requisitadas, devido à sua credibilidade. O acesso a elas, contudo, é dificultado para os estudantes da rede pública, que normalmente estão mal preparados graças à deficiência de suas escolas, junto com professores mal pagos. www.ufrb.edu.br/reverso


Câmara entrega medalhas no aniversário do Governador Mangabeira

Sessão solene na Câmara de Vereadores homenageou cidadãos ilustres do município, que também teve diversos serviços gratuito para a população Juliana Rezende

Texto de Juliana Rezende A Câmara Municipal de Governador Mangabeira promoveu, no último dia 27 de agosto, uma sessão solene com entrega de medalhas para homenagear cidadãos ilustres, além de lembrar a data, aniversário do exgovernador baiano que dá nome ao município. Segundo o vereador Borges Silva, a medalha Otávio Mangabeira é concedida a cidadãos que tiveram alguma participação em determinando ramo da sociedade local, contribuindo de alguma forma para o seu crescimento. “O projeto é interes-

sante porque pressupõe a inclusão social. Pessoas que nunca pensaram em receber medalha, que estão no anonimato, ganham visibilidade nesse momento. Isso faz com que a autoestima fique elevada e mostra o reconhecimento histórico e A Câmara de Vereadores sediou as homenagens ao Governador Mangabeira social dessa ria a Florisvalto Tosta Bon Corte de cabelo, tranpessoa.” disse Borges, que sucesso e Carmelita Pereira ças, dicas de maquiagem, este ano concedeu a honrados Santos. manicure, pedicure e ou-

Governador Mangabeira foi uma das oito cidades baianas selecionadas para dar início ao Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), lançado recentemente pelo governo federal. A iniciativa visa disponibilizar acesso gratuito à internet, por meio dos provedores locais, através da tecnologia WiFi para computadores domésticos. Com isso, os preços da tarifa tendem a cair bastante, ficando em torno www.ufrb.edu.br/reverso

de R$ 15,00 a R$ 35,00 por cliente, por uma velocidade mínima de 512 Kbps. Segundo o presidente da Telebrás, a expectativa é de que o PNBL atenda a mais de 1.063 cidades em 2011 e que todo país seja abrangido até o fim de 2014. Depois dos contratos assinados, dentro de 45 dias o serviço já estaria disponível e, na falta dessa parceria, a cidade escolhida seria substituída por outras. Entretanto, para os provedores da cidade de Governador Mangabeira o processo não é tão simples

como o governo coloca. Segundo eles, não é vantagem para o provedor as condições que o programa está impondo. Dizem ainda que se as condições não mudarem nenhum provedor de internet do Brasil irá aderir ao programa. “É 100% desvantagem. Se a gente aderir a esse programa hoje, estaremos tomando um prejuízo de aproximadamente R$ 280,00. A gente vai pagar para trabalhar. O governo tem um fundo de investimento das telecomunicações e o investido no pro-

grama é muito baixo em relação ao valor que foi arrecadado desde 2000”, disse Geraldo Figueredo, dono de uma lan house na cidade. Enquanto o sonho da internet gratuita não chega, as pessoas que não possuem internet em casa continuam frequentando as lan houses e o Centro Digital de Cidadania (CDC), uma iniciativa do governo federal em parceria com estado e município que deu certo. Os Centros Digitais de Cidadania têm como maior objetivo a inclusão

À medida em que muitas profissões vão perdendo prestigio e espaço na sociedade moderna, algumas terminaram ganhando mais clientes quando o número de profissionais que atuam na área também diminui consideravelmente.

tros serviços gratuitos foram oferecidos à população no Centro de Referência e Assistência Social (CRAS), em Quixabeira, distrito de Governador Mangabeira, durante o Dia da Baleza. O evento foi marcado também pela presença de capoeiristas e grupos musicais. Segundo a assistente social Itamara Braz, que idealizou a iniciativa junto com a diretora de programas sociais do município, Isabela Medrado, “o Dia da Beleza teve como maior objetivo proporcionar lazer à população e resgatar a autoestima dela, já que a situação socioeconômica é baixa e é sempre bom fortalecer os vínculos familiares e sociais”.

O sonho da internet gratuita chega ao Recôncavo da Bahia Texto de Juliana Rezende

A arte do fazer antigo

digital dos menos favorecidos, disponibilizando acesso à internet gratuita, bem como cursos com certificados reconhecidos em todo território nacional. Em função da crescente globalização, as pessoas sentem a necessidade de cada vez mais estar conectadas com o mundo virtual. Foi pensando nisso que o governo federal lançou o PNBL. No último dia 26 de agosto, o presidente da Telebras, Rogério Santanna, divulgou a lista das 100 primeiras cidades a serem atendidas pelo programa.

Raimundo Freitas mantém com o irmão uma das duas únicas sapatarias da cidade

Texto de Caiã Pires A industrialização e a tecnologia, entre outros produtos do mundo moderno, possuem notáveis influências na cultura e na economia de uma região. Ainda mais quando tratamos de cidades históricas carregadas de crenças, costumes e tradições. Em meados da década de 1970, devido à industrialização e automatização da mão-de-obra então vigente, muitos profissionais que antes faziam parte do conglomerado econômico de Cachoeira (alfaiate, funileiro, relojoeiro, ferreiro), perderam espaço. O alfaiate Romário Dionízio de Souza, 81 anos,

na ativa desde a década de 1940, viúvo por quatro vezes, persiste como um dos sobreviventes do oficio em Cachoeira, cidade universitária que, hoje, não quer ser conhecida apenas pela sua cultura imaterial e atrativos arquitetônicos, mas também pelo seu pioneirismo e inovação. Romário comenta que seu trabalho junto aos colegas de profissão (que, na época, não passava de 15 outros) era muito bem requisitado pela sociedade local, embora curiosamente as pessoas que mais procurassem pelo serviço fossem da zona rural. O alfaiate cachoeirano ainda trabalha em meio a tecidos soltos,

tesouras, fitas, caixas e máquinas antigas de costura. Ele comenta que sempre tem serviço e que pretende levar este ofício até quando puder. Por outro lado, muitas profissões que perderam visualização terminaram ganhando mais clientes, pois o número de profissionais na área também diminuiu consideravelmente. Raimundo Freitas, 41 anos, sapateiro há 27, acredita que a profissão teve um bom rumo. Ele comenta que a diminuição do número de profissionais da área implicou na amplia-

ção da procura pelos seus serviços e numa maior facilidade de aquisição de ferramentas, material de trabalho e matéria prima. “Hoje são só duas sapatarias em Cachoeira, os sapateiros que antes existiam morreram e as últimas gerações não seguiram com o ofício”, salientou Raimundo enquanto trabalhava. E não é só este caso. Fernandes Dias, há 30 anos como relojoeiro, disse que apesar da desvalorização da profissão consegue ainda muito serviço e que esta modernização, apesar de seu lado negativo, é essencial para qualquer cidade. Quando perguntado sobre as mudanças que a UFRB trouxe à cidade, Fernandes concordou que a universidade contribui positivamente para a preservação da cultura local, devido a esta movimentação que naturalmente integra as cidades contempladas por órgãos federais.

Fernandes Dias é relojoeira há 30 anos


Águas que curam A crença no milagre através da fé construída pela oralidade

Texto de Lorena Morais e Josiane Nascimento

Marília Marques

Dona Marta tinha várias enfermidades e sofreu um acidente com a foice na roça em que trabalhava. Devido a isso, sentia muitas dores nas pernas e pedia a seu vizinho, o menino Renato, para pegar água da fonte da Ladeira de Santa Bárbara, na cidade de São Félix. Dona Marta acreditava que ao banhar o local com a água oriunda da fonte, a dor iria passar. Essa crença é alimentada há mais de 40 anos e

faz referência a Santa Bárbara - protetora dos raios e trovões. Existem várias histórias orais que contam como tudo começou. As pessoas contam o que acreditam e cada um diz aquilo que sabe ou acrescenta mais um pouco. É o fascínio da narrativa oral. Não existem verdades absolutas. O que se sabe é que nessa ladeira havia um minadouro, local onde as pessoas tomavam banho e recolhiam água. Tinha muita sujeira, por isso o pessoal da então administração do município resolveu capinar o local.

vão até a Ladeira do Milagre - como ficou conhecida - trazer seus presentes pela benção alcançada. Devido à peregrinação, em 1972 foi construído um monumento, uma gruta, em reverência à santa, onde fica a imagem e a água santificada. Em 1988 foi inaugurada a igreja de Santa Bárbara, onde acontecem as suas festividades, no mês de dezembro. A festa esse ano começa a partir de 21 de novembro e vai até o dia 5 de dezembro. Quatro é o dia oficial da santa. Romeiros vão pagar suas promessas, oriundos principalmente da zona rural de Feira de Santana. São esperados para esse ano cerca de 18 ônibus. Os festejos têm uma programação religiosa, com os ternos e missas, mas também a parte profana, com a lavagem e apresentação de sambas-de-roda. É uma festa que também atrai o povo de santo do candomblé, que vem trazer suas oferendas e reverenciar Iansã. Maria de Lourdes,

A pequena igreja, é onde acontecem as festividades

Marília Marques

Marília Marques

A fé cura, garantem os fiéis

Raul França, 60 anos, católico e que reside na cidade há 50 anos, conta sua versão da história. Diz ele que um funcionário da prefeitura, ao receber autorização para cortar uma arvore, subiu ao local, mas de repente ouviu uma voz que dizia para não cortá-la. Por insistência, subiu e, ao golpear a árvore, ela sangrou. Ao tentar outro golpe, ele foi arremessado ao chão. Um padre foi chamado ao local e constatou um milagre de Santa Bárbara. Outros contam que uma mulher, devota à santa, tinha uma filha com um problema de visão e fez um pedido de cura, logo após banhando o rosto da menina. Depois desse fato a menina passou a enxergar novamente e a mulher foi disseminando o milagre que ali aconteceu. Independente das histórias serem verídicas ou não, é de fato relevante a fé que as pessoas têm na santa. Nos meses próximos a dezembro, muitos fiéis

Imagem de Santa Bárbara

66, mora na ladeira a mais de 20 anos e afirma que as águas curaram um tumor de seu filho, que na época tinha seis anos. Hoje ele está com 34 e livrou-se de uma cirurgia na época graças a fé da sua mãe. Raul conta que sabe de muitas bênçãos e milagres alcançados. Como o caso de uma criança que engoliu duas agulhas, que já tinham perfurado algumas parte internas do organismo. A mãe a levou à fonte para beber da água e a criança expeliu as duas agulhas. Cura de câncer, enxaqueca, conquista de bens, vários pedidos e promessas que faz da fé uma forte arma para a cura de enfermidades. Raul França é devoto da santa e ajuda a cuidar da limpeza e manutenção da gruta. Tem na fé à santa dos raios e trovões o caminho para trilhar sua vida naquilo que ele acredita.“Tem muita gente que não acredita. O milagre acontece, muitas bênçãos ela faz. A fé cura”, garante.


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