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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XVIII Prêmio Expocom 2011 – Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação

Webradio Migrantes: da Implantação aos Primeiros Encontros

Roseli LARA1 Luís Fernando de OLIVEIRA2 Universidade de Uberaba, UNIUBE

RESUMO Este estudo é resultado de um trabalho de observação e de registro do processo de implantação de uma webradio, segmentada para os migrantes brasileiros que residem no exterior. Trata-se de um livro reportagem, acompanhado de audiobook, que registra desde a implantação da Webradio Migrantes até a trajetória dos personagens que marcaram seu primeiro ano de funcionamento. A narrativa passa pelas transmissões no Brasil, na Guatemala e na Colômbia, além dos encontros com mais de uma dezena de ativistas sociais que atuam em defesa dos migrantes no Oriente Médio, Europa, Estados Unidos e América Latina. O livro reportagem também apresenta alguns recortes da evolução da radiodifusão para a informatização, além de analisar os desafios de propagar um veículo de comunicação, transmitido exclusivamente pela internet.

PALAVRAS CHAVE: Webradio; Migrantes; Internet; Brasileiros no Exterior; Livro Reportagem. INTRODUÇÃO A Webradio Migrantes é um projeto humanitário ligado ao SIMN – Rede Internacional Scalabriniana de Migração, elaborado em 2007 pelo Centro Scalabriniano de Comunicação. O projeto recebeu recursos da CEI- Comissão Episcopal Italiana e foi implantado em 2009, com o propósito de integrar através do ambiente virtual, as comunidades atendidas por uma rede de 270 organizações não-governamentais, que acompanham os migrantes em 31 países. A webradio faz parte da Rede Scalabriniana de Comunicação, mantida pelos missionários Scalabrinianos. Trata-se de uma programação de rádio web cuja geração é feita no Brasil e que opera por meio de uma central na cidade de Guaporé (RS) de onde a programação é gerada, com uma sucursal em Uberaba (MG) e correspondentes nos Estados Unidos, Ásia e Itália. Suas transmissões iniciaram em 03 de agosto de 2009 e são acessadas pelo endereço www.redescalabriniana.org, no link Webradio Migrantes. O projeto pretende atender ao fenômeno da inversão migratória que passou a fazer parte da realidade brasileira, já que a

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Aluna do 7º. Semestre do Curso Jornalismo, email: roselyimaculada@yahoo.com.br Orientador do trabalho. Professor do Curso de Comunicação Social, email: luisfernando.ro@hotmail.com

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partir dos anos 80, o Brasil que historicamente figurava como receptor de migrantes passa a ser país de origem de uma expressiva emigração. Na maioria dos casos ao sair do país, esses emigrantes brasileiros sofrem um processo de isolamento: “Os emigrantes fazem uma dura opção ao deixar tudo para trás - família, amigos, profissão, cultura, costumes -, a fim de mergulhar num novo país que, na maioria das vezes, não adota seu idioma materno e tem cultura, vida social e clima diferentes – o que os leva a experimentar a solidão, a saudade e impõem-lhes a necessidade de alterar profundamente suas atividades profissionais na busca de melhores condições de vida”. (MILESI e FANTAZINI, 2010, p.2)

Embora não existam estatísticas precisas, o Ministério de Relações Exteriores estimou em 2009, que o número de cidadãos brasileiros vivendo no exterior é superior a três milhões de pessoas. Os principais países de destino dos brasileiros são os Estados Unidos, Paraguai, Argentina, Japão, Portugal, Espanha e demais nações européias. (Figura 1Brasileiros no Mundo- MRE). Esses migrantes representam hoje uma nação brasileira no exterior e buscam se articular em uma série de organizações. O portal www.brasileirosnomundo.mre.gov.br 3 apresenta mais de 300 entidades mantidas por migrantes brasileiros, que por meio de suas comunidades buscam dar visibilidade às suas reivindicações, especialmente junto ao governo representado pelas embaixadas e consulados. Sabendo que, de cada três migrantes brasileiros no exterior, dois não têm documentos que regulamentem sua permanência nos países receptores – dados do Ministério das Relações Exteriores – o compromisso da webradio vai além de oferecer entretenimento. Sua proposta é dar voz aos migrantes e aos ativistas que defendem seus direitos no país de destino e, apoiar as organizações que buscam assegurar a plena cidadania aos cidadãos brasileiros, para que não sejam forçados a migrar.

OBJETIVO Este trabalho identifica quem são os atores sociais envolvidos na implantação da Webradio Migrantes. Relaciona as dificuldades de interação do novo veículo com o público alvo. Mostra como a comunicação digital, livre de barreiras institucionalizadas, tem sido usada para dar visibilidade a um dos mais desafiadores fenômenos sociais deste milênio: a migração. Finalmente apresenta um novo formato de livro, o audiobook, um suporte 3

O Portal Brasileiros no Mundo foi criado pela subsecretaria dos Brasileiros no Exterior, com objetivo de oferecer um canal de comunicação oficial aos emigrantes e está vinculado ao Ministério das Relações Exteriores.

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multimídia que vem sendo introduzido no Brasil, utilizando a mesma narrativa textual, mas apresentada em uma mídia mais próxima do rádio, o texto com alternativa complementar do áudio.

JUSTIFICATIVA A temática relativa aos meios digitais tem rendido uma série de estudos interessados em compreender o fenômeno da comunicação via internet e as transformações que a rede mundial gerou. Entre os mais importantes encontramos as reflexões de Castells (2003) que analisam a internet como base tecnológica para a era da informação. Este estudo registra a evolução do processo de criação de uma rádio transmitida exclusivamente pela web, focada no fluxo migratório, fenômeno que atualmente alcança mais de 215 milhões de pessoas e que, até 2050, segundo a Organização Internacional Para as Migrações4 (OIM), deve alcançar 405 milhões de migrantes transnacionais. As webradios surgiram após o ingresso das rádios convencionais na rede mundial de computadores. As emissoras hertzianas passaram a colocar sua programação on-line para transpor barreiras que limitavam seu alcance geográfico, ganharam as possibilidades de uma mídia convergente e melhoraram a chegada do áudio aos usuários. No entanto, as emissoras de radiodifusão que transportam sua programação para a internet não são consideradas webradios, pois fazem parte desse novo gênero, apenas as rádios que operam exclusivamente em ambiente virtual. Nosso estudo é importante porque analisa um fenômeno novo, oferecendo subsídio de análise sobre as rádios web, um gênero ainda pouco debatido e refletindo sobre a contribuição social das mídias convergentes. Segundo Prata a webradio ainda é uma mídia em definição, um gênero híbrido que reúne elementos do rádio convencional e da convegência das mídias, trazida pela internet: “A webradio traz elementos totalmente novos na radiofônia: imagens, hipertextos, arquivos permanentes... Por webradio entende-se a emissora radiofônica que pode ser acessada através de uma URL, um endereço na internet, não mais por uma frequência sintonizada no dial de um aparelho receptor de ondas hertizianas...” (PRATA, 2009, p.59)

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A estimativa de crescimento do fluxo migratório internacional em 60% foi publicada pela OIM em 30 de novembro/2010. Os Estados Unidos é o país receptor com maior número de imigrantes, com 40,2 milhões, entre os quais 1,2 milhões de brasileiros.

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Os estudos sobre essa temática captam um momento histórico, onde a transformação trazida pela internet provoca um profundo impacto cultural e social. Segundo Meditsch, os “profissionais e pesquisadores da mídia vivenciam hoje um momento tão angustiante quanto privilegiado de observação, em que, a profecia de Karl Max sobre a modernidade, se realiza de maneira espetacular neste campo: tudo que é sólido desmancha no ar”. (MEDITSCH, 2009, p.2). Meditsch considera que a internet é mais que um meio de comunicação, mas uma tecnologia intelectual que como a escrita e a imprensa fizeram, veio para mudar radicalmente a sociedade humana.

MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADAS O livro reportagem “Webradio Migrantes, da Implantação aos Primeiros Encontros” foi escrito a partir do método de História Oral, descrito por Sebe e buscou estabelecer um diálogo com as fontes: “Uma entrevista é uma troca de experiência entre duas pessoas. É uma relação que se estabelece entre pessoas com experiências, formação e interesses diferentes. São pessoas que, apesar de pertencerem a diversas faixas etárias e diferentes condições sócioeconômicas e culturais, estarão dialogando e interagindo sobre uma mesma questão.” (SEBE, 2007, p. 23)

Para desenvolvimento deste trabalho utilizamos as técnicas mencionadas por Medina (2004) ao considerar que o entrevistado deve ser encarado como pessoa, não apenas como fonte de informação. Realizamos assim entrevistas em profundidade, como técnica de pesquisa em comunicação. Essa técnica está perfeitamente inserida naquilo que Sebe (2007) chama de “Método de História Oral” por se tratar de um método que dá maior liberdade aos entrevistados de expor seu pensamento, com menor controle sobre os personagens. Os personagens foram selecionados a partir de sua ligação com o projeto de implantação da webradio e do seu trabalho com os migrantes em diversos países. As entrevistas foram realizadas em um período de dois anos, durante duas viagens ao exterior para cobertura do Fórum Internacional de Migração e Paz, realizado pelo SIMN em 2009 e 2010. Já as entrevistas com os emigrantes brasileiros foram coletadas na II Conferência Brasileiros no Mundo, no Rio de Janeiro, em outubro de 2009. Outros personagens foram ouvidos durante o Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe, realizado em fevereiro de 2010, em Porto Alegre. A coleta de aproximadamente 50 depoimentos iniciou em 2008 e foi concluída em setembro de 2010. A transcrição e transcriação ocorreu simultaneamente às entrevistas. A 4


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maioria das entrevistas ocorreu pessoalmente e em dois casos apenas, os personagens foram ouvidos por meio da internet. Para o audiobook que acompanha o livro reportagem foram montados roteiros de gravação para rádio, enviados a uma das emissoras da Rede Scalabriniana de Comunicaçãoa Rádio Cultura AM, e gravados de forma voluntária por seis locutores. Os capítulos do livro, transformados em áudio foram editados na sucursal da webradio em Uberaba.

DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO O livro reportagem “Webradio Migrantes, da Implantação aos Primeiros Encontros” descreve a trajetória de implantação da webradio, desde a elaboração do projeto em 2007, até suas primeiras transmissões, no período de agosto de 2009 a setembro de 2010. Para esta narrativa foi realizada uma seleção dos personagens que estão ligados de forma direta com a implantação, ou seja, engenheiros de radiodifusão, diretores, missionários, ativistas e migrantes. O fio condutor é o personagem principal, o padre Sérgio Ghéller, fundador da rádio e diretor da Associação Scalabrini a Serviço dos Migrantes da Congregação dos Missionários Scalabrinianos, que há 123 anos acompanha os migrantes. O livro reportagem está dividido em oito capítulos, tem 169 páginas e segue uma ordem cronológica do processo de implantação da webradio. Apresenta 34 páginas com fotografias que ilustram os principais personagens mencionados na narrativa. O trabalho ocorreu durante dois anos e foi concluído em dezembro de 2010, com a edição do audiobook, disponível em CD encartado ao livro. Esse suporte foi produzido no segundo semestre de 2010, com a colaboração voluntária da Central de Produção da Rádio Cultura AM, emissora da Rede Scalabriniana de Comunicação, da qual faz parte a Webradio Migrantes.

CONSIDERAÇÕES A Webradio Migrantes foi criada dentro de um processo de modernização ocorrido nas emissoras de radiodifusão da Rede Scalabriniana de Comunicação. Essas emissoras conquistaram importantes avanços técnicos a partir da década de 80. O passo mais significativo foi dado com a informatização do sistema de áudio, uma das primeiras experiências do país. Em 1982, quando a maioria das emissoras não usava computadores sequer na área administrativa, as emissoras foram pioneiras, adquirindo um sistema importado da Argentina, de automação e exibição comercial em HD.

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Os investimentos feitos em automoção na década de 80 contribuíram para que no ano de 2009, o Centro Scalabriniano de Comunicação5 estivesse preparado para dar um passo mais ousado: fazer também comunicação exclusivamente por meio da internet, para um público residente fora do Brasil e sem seguir fuso horário. Os estudos sobre essa nova vertente de radiofonia, a webradio, mostram que a primeira rádio transmitida exclusivamente na internet surgiu em 1995 nos Estados Unidos, motivada pelo ingressso das emissoras na rede mundial de computadores. A Rádio Klift, no Texas, EUA, foi a primeira emissora comercial a transmitir de forma contínua e ao vivo, através da internet, a partir de setembro de 1995.( PRATA 2009, p. 61 e 62). Três anos depois, em outubro de 1998, surge a primeira webradio no Brasil. A Rádio Totem entrou em funcionamento como a primeira emissora brasileira com transmissão exclusiva na web. Assim, o novo gênero trouxe para o rádio a convergência das mídias, que antes da internet, não se verificava nas rádios hertzianas. A convergência trouxe para o rádio além do áudio, a imagem, o texto, os hiperlinks e podcasts (arquivos em áudio) que podem ser acessados de acordo com a escolha do usuário. Ampliam-se também as possibilidades de interação por meio das mais variadas ferramentas como mensagens instântaneas, e-mails e redes sociais. A transformação do rádio sofrida com o advento da internet é histórica e ultrapassou o ponto de retorno. “A internet não concorre com o rádio, é a salvação deste. O avanço tecnológico não deixa outra saída para o rádio senão a internet, o que proporcionará um salto de qualidade tanto em programação como em conteúdo e, com isso, pulará a etapa do rádio digital propagado por transmissor e antena.” (BARBEIRO e LIMA, 2003, p.5) No Brasil, desde que surgiu em 1998, o gênero de webradio se proliferou rapidamente. Em 12 anos chegou a mais de 800 endereços na rede, segundo levantamento feito no portal www.radios.com.br, uma espécie de catálogo virtual das emissoras existentes no país. O que mais impulsionou o crescimento da webradios é a liberdade de atuação que não está restrita a qualquer regulação governamental ou concessão pública, nem ocupa espaço geográfico. Além disso, são mantidas com custo baixo permitindo que o novo gênero possa usar a internet como um importante instrumento para socialização do conhecimento e de integração das comunidades migrantes, possibilitada pelo alcance internacional das emissoras.

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O Centro Scalabriniano de Comunicação tem sua sede em Guaporé (RS) e coordena a programação de seis rádios da Congregação dos Missionários Scalabrinianos, no sul do Brasil, além de cuidar da publicação de impressos e da administração de sites, com temáticas ligadas às migrações. Trabalha associado ao SIMN – Rede Internacional Scalabriniana de Migração, com sede executiva em Nova York.

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Barbeiro e Lima registram essa transformação em acessibilidade e alcance: “Com a navegação na rede, a nova tecnologia iguala todas as emissoras, não importa onde estejam, uma vez que tecnicamente estão todas igualmente preparadas. Assim, caem as fronteiras nacionais e globaliza-se o rádio. Com o simples clicar do mouse, é possível ouvir uma rádio de Nova York, Manila, Zagreb ou da Rocinha. É um mundo novo que se escancara diante do ouvinte-internauta, sem barreiras, sem possibilidade se cerceamento”. (BARBEIRO, LIMA, 2005, p. 30)

Além da liberdade na rede, da convergência das mídias, da ampliação da interatividade e da facilidade de acesso, as webradios foralecem outro elemento, a segmentação dos veículos de comunicação. Há uma tendência de segmentação de público e de horários da programação. “Na internet, essa tendência à segmentação é ainda maior, com foco num público cada vez mais específico. O próprio modo de fazer rádio na web proporciona o surgimento de emissoras voltadas a nichos altamente seletivos...” ( PRATA, 2009, p. 25) No campo do conhecimento, por exemplo, as universidades estão utilizando ‘streamings’ de áudio e de vídeo, para difundir eventos da academia em tempo real e sem maiores dificuldades técnicas ou custos financeiros onerosos. Para os migrantes são uma ferramenta de articulação e visibilidade. De articulação entre as comunidades migrantes, de várias regiões, por meio das ferramentas de web que criam contatos em tempo real e em rede. De visibilidade na medida em que o fenômeno migratório passa ser colocado em pauta na mídia, que discute as circunstâncias em que vivem os migrantes e suas reivinidicações. De contato com a família e a amigos, já que um veículo que tem como suporte a internet oferece vantangens como a acessibilidade de qualquer páis do mundo, com custo baixo, sem riscos de sanções. Esse perfil que pode ser constatado na comunicação implementada pela Webradio Migrantes que online durante 24 horas, quebra inúmeras barreiras para quem está longe de sua terra de origem e, mostra que os meios digitais podem servir para a cooperação entre os homens, independentemente de sua nacionalidade. Nos primeiros anos da rede de computadores, as universidades foram no Brasil, a porta de entrada para a tecnologia que mais tarde evoluiu para a internet, com o serviço em rede chamado inicialmente de Bitnet, possibilitando mais tarde que outras alernativas em comunicação fossem incorporadas. Foi o que ocorreu com a Webradio Migrantes. O projeto nasceu da demanda do Centro Scalabriniano de Comunicação em oferecer um serviço de rádio que alcance os emigrantes no exterior e foi identificado a partir da orientação acadêmica de um professor da Universidade de Passo Fundo (RS), ao constatar que a transmissão via webradio

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seria a alternativa ideal. Os passos seguintes foi um verdadeiro aprendizado que precisou superar incertezas como o melhor desing para uma plataforma de rádio web, a busca da melhor linguagem e formas eficientes de interação com o público. Dito isso, algumas considerações podem ser feitas a partir do primeiro ano de transmissão da Webradio Migrantes, com três realidades que foram identificadas neste estudo: 1º Quanto ao perfil de atuação da webradio que passou a ser um canal oficial de transmissão dos eventos da Rede Internacional Scalabriniana de Migração (SIMN), ajudando a abrir um diálogo entre as comunidades e os Missionários Scalabrinianos, já que a maioria das comunidades atendidas, ainda desconhecia a amplitude do trabalho humanitário. 2º Quanto à sua fidelidade em manter uma grade de programação na web e não apenas a postagem aleatória de áudios. Gradativamente, a webradio foi firmando parceriais e inserindo novos programas em sua grade, mantendo o conceito original de segmentação para temas relativos à migração e aos direitos humanos. 3º Quanto ás dificuldades de inserção entre seu público alvo, ou seja, com as comunidades brasileiras no exterior. A integração com os brasileiros migrantes está sendo construída e trata-se de um dos maiores desafios no primeiro e segundo ano de sua implantação, em busca de maior visibilidade na rede e junto às demais organizações que representam as comunidades brasileiras no exterior. Uma das tentatias para superar a ausência de interatividade foi o reforço às redes sociais, em destaque em uma nova plataforma para motivar a interação de “seguidores”, no Twitter, no Facebook, no MySpace, no Youtube, no Orkut, no Google, no Skype. De acordo com este estudo, essa carência de interatividade pode ser atribuída entre outros fatores: Tabela 01 – Causas da falta de respostas a uma maior interatividade

- Grande oferta de mídias no exterior, destinadas aos brasileiros; - Receio natural dos migrantes „indocumentados‟ em se tornarem visíveis, ficando sujeitos a sanções e deportação; - Ausência de um sistema de medição e rastreamento dos acessos, impedindo de mensurar e potencializar o público que acessa; - Indisponibilidade de acesso na homepage, aos arquivos de áudio (podcasts) dos principais programas da webradio, inibindo a interação dos internautas e uma maior divulgação da produção diária; - Falta de uma maior inserção em outros sítios na web e restrições de acesso da equipe ao mailling de ouvintes e ou demais colaboradores, dificultando a ampliação dos contatos.

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Direcionando esse raciocíneo Prata (2009, p. 131) dá algumas pistas para indicar neste estudo algumas pistas de solução, para que o público da Webradio Migrantes seja provocado a ser mais ativo, inclusive produtor de conteúdo. É preciso lembrar o rádio hertziano é um veículo quente, diferente da rádio web que é considerado um meio frio e que precisa essencialmente do ouvinte.

Como a homepage é a porta de acesso aos webradios, sugerimos que sejam otimizadas ferramentas na homepage, que possam dinamizar a interatividade com o internauta como, por exemplo: Tabela 02 – Saídas para uma maior interatividade - Contatos específicos com os comunicadores para atendimentro aos internautas em tempo real, informando no menu em „Fale conosco‟, o nome dos locutores e programas disponíveis para escolha do ouvinte, para que o ouvinte saiba quem vai receber a mensagem; - A oferta de links para chats e fóruns de discussão, na homepage, a fim de proporcionar a tradicional interação entre locutores e usuários; - A disponibilidade para a equipe do mailling de ouvintes e colaboradores, especialmente os missionários que estão nas comunidades brasileiras no exterior, para contato mais frequente com quem produz conteúdo e ou programas da grade; - A disposição de uma listagem de músicas para escolha dos ouvintes; - A disposição de temas variados para serem tratados a partir da escolha dos ouvintes; - A manutenção de blogs produzidos pelos locutores, tratando dos programas apresentados, com link para os blogs na homepage; - Que os contatos com a radio web sejam postados na homepage do site, para otimizar a interação. - Otimizar a presença da webradio em eventos relacionados á temática dos brasileiros no exterior, como a Conferência para Brasileiros no Mundo; - Otimizar a postagem de banners da webradio, em outras páginas na web.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BARBEIRO, Heródoto; LIMA, Paulo Rodolfo. Manual de radiojornalismo. 2ª Edição. Editora Campus, 2006. MEDINA. Cremilda de Araújo. Entrevista, um diálogo possível. Editora Ática. São Paulo, 2004. PRATA, Nair- Webradio: Novos gêneros, novas formas de interação. Editora Insular. Florianópolis, 2009. SEBE, José Carlos. História Oral: Como fazer, com pensar. Editora Contexto, 2007.

_____________________ Cidadãs e Cidadãos Brasileiros no Exterior. O Documento de Lisboa, a Carta de Boston e o Documento de Bruxelas. MILESI, Rosita. FANTAZINI, Orlando. 2007. _____________________MEDITSCH, Eduardo – Prefácio à Prata, Nair. Webradio, Novos Gêneros, Novas Formas de Interação. Florinaópolis, 2009.

Portal Brasileiros no Mundo. Disponível em www.brasileirosnomundo.mre.gov.br/ptbr/associacoes_brasileiras_noexterior_.xml. Acessado em 28/11/2010. Portal Brasileiros no Mundo. Disponível em www.brasileirosnomundo.mre.gov.br/pt-br/estimativas_ populacionais_dascomunidades.xml

Acessado em 30/11/2010 Site www.radios.com.br. Disponível em www.radios.com.br/cgi-bin/search.cgi?query=webradio&mh-10type=keywrd&bool=or&nh=1

Acessado em 27/11/2010. Site www.simn-cs.net. Disponível em www.simn-cs.net/Portugues/index.html Acessado em 30/11/ /2010.

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ANEXOS Figura 1 – Portal Brasileiros no Mundo – www.brasileirosnomundo.mre.gov.br – Acessado em 28/10/ 2010. Brasileiros no Mundo – Estimativas – Setembro de 2009

Ilustação 1- Homepage da Webradio Migrantes em www.redescalabriniana.org Acessada em 30/11/2010.

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Webradio migrantes, da implantação aos primeiros encontros  

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