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Uniube – Universidade de Uberaba Comunicação Social/ Habilitação em Jornalismo – Uberaba 20 de junho de 2011

UNIVERSIDADE DE UBERABA MARÍLIA HELENA BORGES MOEMA MORAIS RABELO

FRAGMENTOS: RECORTES DE UMA VIDA

UBERABA – MG 2011 1


Uniube – Universidade de Uberaba Comunicação Social/ Habilitação em Jornalismo – Uberaba 20 de junho de 2011

UNIVERSIDADE DE UBERABA MARÍLIA HELENA BORGES MOEMA MORAIS RABELO

FRAGMENTOS: RECORTES DE UMA VIDA

Trabalho realizado como parte das exigências para a conclusão do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, tendo como professor orientador, Celi Camargo.

UBERABA-MG 2011

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Uniube – Universidade de Uberaba Comunicação Social/ Habilitação em Jornalismo – Uberaba 20 de junho de 2011

FRAGMENTOS: RECORTES DE UMA VIDA Marília Helena BORGES1 Moema Morais RABELO2 Celi CAMARGO3 Universidade de Uberaba, Uberaba, MG.

RESUMO Fragmentos: recortes de uma vida é um vídeo-depoimento que narra histórias de idosos que habitam os asilos Santo Antônio e São Vicente de Paula em Uberaba. Na espontaneidade das histórias contadas pelos idosos tentamos compreender o que eles pensam e como vêem o mundo nesta altura da vida vivendo praticamente cerceados da liberdade. De acordo com o censo 2010, o Brasil tem uma população composta por 190.732.694 milhões de habitantes dos quais 14.536.029 são idosos. A expectativa é que esta população aumente consideravelmente. Os idosos que hoje estão no asilo são jovens da década de 1940 e 1950, uma época em que o acesso a educação era restrito e a grande maioria trabalhava no campo, não dispondo de políticas e mecanismos que garantissem uma velhice segura.

PALAVRAS-CHAVE: asilo, idosos, documentário. INTRODUÇÃO Idosos são todos aqueles com idade acima de 65 anos conforme classifica a Organização Mundial de Saúde. A medida em que a qualidade de vida das pessoas melhora com a geração de mais emprego, educação, acesso à saúde e definição de política públicas que garantam um envelhecimento saudável, a longevidade do brasileiro aumenta. No século XX a estimativa de vida não passava dos 70 anos. Hoje se estima que as pessoas chegam a viver além dos oitenta anos.

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Aluna do 8º. Semestre do Curso de Comunicação Social/Habilitação em Jornalismo da Universidade de Uberaba, email: marilia.borgess@gmail.com 2 Aluna do 8º. Semestre do Curso de Comunicação Social/Habilitação em Jornalismo da Universidade de Uberaba, email: moemamrabelo@gmail.com 3 Professora do Curso de Comunicação Social/Habilitação em Jornalismo da Universidade de Uberaba, orientadora deste trabalho.

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No censo realizado pelo IBGE em 2000 a população de idosos representava 5% dos 171,3 milhões de brasileiros. Na última contagem o censo apontou que esta população ocupa 7,6% dos 190.732.694 milhões de brasileiros, ou seja, há uma nação de 14.536.029 idosos. De acordo com o Census Bureau, a previsão é de que em 2030 essa classe alcance os 22%, incentivada pela queda de fecundidade e o aumento da expectativa de vida. Os autores (CASADORE, ALVES, KAPPEL, ZOCCA, 2009) citam estudos que apontam o crescimento da comunidade de idosos no Brasil. “o envelhecimento da população é um fenômeno mundial e, no Brasil, estudos apontam para o crescimento da comunidade de idosos. No ano de 2000, 30% da população estava situada na faixa etária entre zero e 14 anos, enquanto os maiores de 65 anos representavam apenas 5 % dos brasileiros. O Brasil tem hoje, aproximadamente, 17,6 milhões de idosos e estima-se que em 2050 o mundo terá dois bilhões de idosos, sendo que a maioria ira residir nos países em desenvolvimento.” (CASADORE, ALVES, KAPPEL, ZOCCA, 2009. pág. 11)

Em Uberaba, a população de idosos é de 25.881, 10% da população total que é de 296 mil habitantes. Uma parcela desta população de idosos vive em asilos. Produzir um documentário que possa retratar o que sentem e pensam os idosos que vivem em asilos, afastados dos familiares e muitas vezes distante até das próprias lembranças é a proposta deste trabalho. Não se trata aqui de apresentar uma denúncia jornalística de maus tratos ou descaso com os idosos asilados. Através de uma narrativa que combina depoimentos e documentação sustentada em imagens é que se pretende mergulhar no mundo das personagens e descobrir o que há entre o olhar perdido de um idoso sentado nos bancos do asilo e a sua realidade. Em visita aos asilos e clínicas que abrigam idosos em Uberaba – MG constatou-se que os asilos São Vicente de Paula e Santo Antônio possuem um maior número de internos e era lá que estavam os principais personagens desta história. De acordo com a pesquisa realizada o Asilo São Vicente de Paulo possui 54 internos e o Asilo Santo Antônio, 62. A maior parte dos idosos veio de cidades próximas a Uberaba, como Pirajuba, Campo Florido e Água Comprida, correspondendo a 60% dos asilados e, desses, a grande maioria passou a vida trabalhando no campo. Outro dado importante detectado é quanto ao grau de escolaridade desta comunidade: 80% são analfabetos

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funcionais, ou seja, sabem somente escrever o nome. Os internos mantêm os asilos destinando 70% da aposentadoria. Assim o documentário se pautou por trabalhar com os internos desses dois asilos sem a pretensão de buscar culpados que justificassem a realidade vivida por eles.

OBJETIVO

Produzir um documentário sobre os idosos que vivem em asilo, no formato vídeo-depoimento, que revele os sentimentos, as emoções e as impressões de quem vive dentro deste sistema, que embora livre, apresenta-se como uma prisão para muitos.

JUSTIFICATIVA

O que nos leva a fazer um trabalho como esse, é saber que a velhice é um fator inevitável, independente se criarmos uma condição para que no futuro possamos viver fora do asilo, à velhice vai nos pegar se tivermos a sorte de viver até lá. Então, conseguir compreender como é a cabeça de um idoso, como ele pensa e como ele vive é até uma curiosidade para tentarmos hoje, sermos melhores, que possamos reconhecer ainda mais essa realidade que praticamente é o futuro de muitos. Como trabalho jornalístico, acreditamos que nós jovens temos muitos preconceitos com a velhice, achamos que sempre vamos ser jovens, nunca vamos passar por uma situação como aquela, daqueles velhos que estão lá. Então, é um trabalho que esta nos amadurecendo muito, a cada história que ouvimos, a cada contato, a cada fonte e com certeza será um produto jornalístico a contribuir para uma maneira diferente das pessoas verem os velhos, das pessoas irem ao asilo e se depararem com aquela solidão, que mesmo em coletivo, eles são bastante sós e imersos em seus pensamentos.

MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADAS

A idéia desse vídeo documentário surgiu em debates nas aulas de Metodologia Aplicada ao TCC, ministradas no 7º período. Desde então iniciaram as pesquisas bibliográficas com leituras de artigos e livros que retratam a realidade dos idosos no Brasil. Também buscamos nas fontes oficiais como IBGE traçar um panorama sobre esta população e o seu perfil. Feitas as pesquisas bibliográficas passamos para a 5


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pesquisa de campo. Primeiramente fizemos entrevista de compreensão com as pessoas responsáveis pelos asilos a fim de nos inteirarmos melhor sobre esta realidade. Na pesquisa de campo também visitamos asilos e clínicas geriátricas na cidade de Uberaba. De acordo com os dados coletados os asilos Santo Antônio e São Vicente de Paula se apresentavam mais adequados aos propósitos que buscávamos. O primeiro contato nesses locais foi apenas para que pudéssemos fazer uma detida observação. Conversamos com alguns idosos e daí passamos a selecionar, mediante a história de cada um, os nossos personagens. A partir daí passamos para a coleta de informações. Utilizamos as técnicas do telejornalismo e da entrevista com o intuito de mostrar a realidade desses idosos. “Um leitor, ouvinte ou telespectador sente quando determinada entrevista passa emoção, autenticidade, no discurso enunciado tanto pelo entrevistado quanto no encaminhamento das perguntas pelo entrevistador. Ocorre com limpidez, o fenômeno da identificação, ou seja, os três envolvidos (fonte de informação – repórter – receptor) se interligam numa única vivencia. A experiência de vida, o conceito, a dúvida ou o juízo de valor do entrevistado transformam-se numa pequena ou grande historia que decola do individuo que a narra para se consubstanciar em muitas interpretações”. (MEDINA, 1995. pág.5 e 6)

Na expectativa de oferecer um bom repertório de informações capazes de proporcionar ao espectador uma maior possibilidade de interpretação foi que entrevistamos cerca de 15 idosos, embora apenas sete deles destacados com mais ênfase.

DESCRIÇÃO DO PRODUTO

O vídeo documentário Fragmentos: recortes de uma vida, conta fragmentos da vida de idosos que vivem nos asilos São Vicente de Paula e Santo Antônio, em Uberaba. Com 25 minutos de duração o documentário prima pela valorização da narrativa direta das personagens, que somada à trilha sonora e imagens compõem o repertório

documental

desta

narrativa.

De

acordo

com

(MELO,

GOMES,

MORAIS/2001) não é obrigatória a presença de narradores em um documentário.

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“... no documentário a presença do narrador não é obrigatória. Os depoimentos constitutivos de um documentário podem ser alinhavados uns aos outros sem a necessidade de que uma voz exterior venha lhes dar coesão.” (MELO, GOMES, MORAIS, 2001. Pág. 8)

CONSIDERAÇÕES FINAIS Este produto jornalistico contribuiu para que pudessemos entender melhor a realidade desses idosos, enxergando de uma maneira diferenciada. A partir desse entendimento podemos mostrar ao telespectador que apesar deles estarem restritos ao um convivio direto com a sociedade, eles ainda possuem sonhos e confiam que muito de seus objetivos ainda pode ser alcançados.

REFERÊNCIAS:

CASADORE, Francisco Mariani; ALVES, Heliana Castro; KAPPEL, Irma Beatriz Araujo; ZOCCA, Livia Maria. Memoria e Cultura – Entre o presente e o passado. Uberaba: UFTM, 2009. 1ª edição. MEDINA, Cremilda de Araujo. Entrevista – Um diálogo possível. Sao Paulo: Ática. 3ª edição.

BOSI, Ecléa . Memória São Paulo, SP. T.A. Editor, 1979.

&

sociedade:

lembrança

de

velhos

MELO, Cristina Teixeira V.; GOMES, Isaltina Mello; MORAIS, Wilma. O documentário jornalístico, gênero essencialmente autoral. Intercom – Campo Grande, 2001.

MACEDO, Carlos; DA ROS, Manoel; GOULART, Ralf; PIRES, Jerônimo; KIRALY, Letícia; BORGES, Mauro. Video Documentário ASILO. Intercom/Expocom Sul, 2009.

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