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UNIVERSIDADE DE UBERABA ADYNNE CRISTINA SOUZA LEMES

PORTAL ROCK UBERABA

UBERABA 2010


RESUMO

O presente trabalho acadêmico “PORTAL ROCK UBERABA” consiste na elaboração de um portal que visa atender a necessidade do público uberabense, na vertente musical Rock and Roll, trazendo além de informações sobre eventos na cidade, entrevistas com idealizadores de festivais culturais e uma catalogação das bandas da cidade, contendo além de nome e história de cada banda, links para download e vídeo para uma melhor divulgação do trabalho. Para a realização desse projeto, nos embasamos em entrevistas, pesquisas e artigos acadêmicos já feitos sobre o assunto, além de buscar variadas opiniões em livros, sites e documentários, procurando expandir áreas de pesquisas dentro do tema: Rock and Roll.

PALAVRAS – CHAVE: rock and roll, portal, tribos urbanas, música, underground


INTRODUÇÃO

O sociólogo francês Michel Maffesoli, em 1985, começou a utilizar o termo ‘Tribo Urbana’ para classificar mini grupos que faziam associações diferentes das já conhecidas e estudadas na sociedade pósmoderna. Anos depois, em 1992, o atropólogo brasileiro José Guilherme Magnani, desenvolveu trabalhos acadêmicos defendendo o uso do termo para as chamadas ‘sociedades complexas’, “pequenos grupos delimitados, com regras particulares” (MAGNANI, 1992) Sendo assim, podemos dizer que é típico do ser humano se juntar, mesmo que inconscientemente, a grupos com desejos, gostos e objetivos em comum, buscando encontrar e moldar a própria identidade. Em muitos casos, assumir-se parte integrante de uma tribo ou estilo, vai de encontro a gostos e preferências diferentes de uma grande maioria, como é o caso dos fãs de Rock and Roll na cidade de Uberaba. Visto que a cidade é conhecida como “Capital do Zebu”, a maior parte da cidade se divide entre festas animadas pelo estilo de música sertaneja e baladas com remixes eletrônicos das músicas tocadas nas rádios FM, fazendo com que todo o conteúdo dos veículos de entretenimento, se foquem apenas nesses dois estilos de música e baladas.


OBJETIVOS

Criação do Portal Rock Uberaba (http://www.rockuberaba.com.br) um portal que contenha uma catalogação das bandas de rock da cidade, divulgando e registrando além do nome e foto, links para download, vídeos e a história de cada banda do cenário de música independente de Uberaba.. Além disso, agenda de shows, divulgação de lugares que dão espaço para tais bandas mostrarem sua música. E também espaço para músicos, organizadores de eventos e personalidades conhecidas no cenário underground da cidade expressarem suas opiniões sobre o assunto.


JUSTIFICATIVA

Visando,

principalmente,

uma

divulgação

dessa

cena

underground uberabense, criar um portal para tais meios é fundamental, pois, por ser um assunto tratado de forma tão estereotipada tanto pela mídia quanto pela população, o rock é uma cultura desvalorizada na cidade, e mesmo assim consegue manter mais que fãs; adeptos fiéis que correm atrás de informações e buscam sempre ir aos eventos independentes que alguns grupos e coletivos ainda trazem até Uberaba, contrariando a todos que insistem em dizer que “o rock morreu”. Dessa forma, conhecer o trabalho, e o que pensam os roqueiros – sejam eles músicos ou fãs – sobre quem são e o estilo que seguem, suas expectativas e o que a sociedade pensa deles é fundamental para se traçar um perfil dessa tribo. E esse material, pretende ajudar na quebra de estereótipos, contribuindo para que se tenha mais informação e menos preconceito.


ANÁLISE BIBLIOGRÁFICA

Há muitos livros, artigos, documentários e sites em que identificamos uma relação com este projeto. E são importantes para que possamos dar continuidade, ou até mesmo apresentar novas idéias sobre o assunto. Um livro muito importante para o desenvolvimento deste trabalho, o Almanaque do Rock, do fã declarado do gênero Kid Vinil, que traça uma trajetória dos cinqüenta anos do estilo musical, fazendo também uma catalogação das principais bandas que representam o Rock. E falando sobre as mudanças musicais e culturais sofridas durante esses pouco mais de cinquenta anos, mas, como o próprio autor costuma dizer: “sem perder a rebeldia”. Um documentário que aborda de maneira específica o fascínio do fã pelo metal, é Metal: a headbanger’journey, do antropólogo Sam Dunn. Alguns artigos acadêmicos sobre comportamentos de tribos são importantes para o estudo teórico sobre o conceito de identidade, entre eles, os escritos pelo sociólogo Michel Maffesoli, Além dos artigos e livros, um fanzine contendo artigos sobre a história da música do Triangulo Mineiro traz informações interessantes sobre bandas que já se acabaram e outras que ainda atuam. O fanzine chama-se Páginas Vazias, e os artigos são de autoria de Manu Henriques, vocalista do Uganga, principal nome uberabense do hardcore. Em forma de memórias, Manu fala


sobre festivais realizados em Uberaba, Araguari e Uberlândia, e mistura sua própria história de roqueiro com a de bandas alternativas da região. Podemos acrescentar também plataformas virtuais como o Trama Virtual e o My Space (<www.tramavirtal.com.br> e <www.myspace.com >), que tornaram- se plataformas conhecidas para divulgação de bandas novas e independentes. O Trama Virtual, chegando até a assinar contrato com os artistas mais procurados no site, muitas vezes para a gravação de um CD, ou então, para remuneração por determinada quantidade de download das músicas.


REFERENCIAL TEÓRICO

O tema da constituição de tribos urbanas em torno do rock e seus diversos subgêneros, possui uma infinidade de artigos em sites na internet e em revistas especializadas, assim como documentários e papers. Um deles, que aborda como o gênero musical influi na personalidade de cada um, é Aumenta que isso é Rock and Roll, de Jeder Silveira Janotti Junior, que além deste, tem também vários outros artigos sobre a junção de música (o rock, mais especificamente) e identidade. Esses artigos acadêmicos sobre comportamentos de tribos são importantes para o estudo teórico sobre o conceito de identidade cultural. Para compreender o universo do Rock and Roll e das tribos urbanas, é preciso conhecer a importância do conceito de imagem entre os indivíduos de um grupo, pois, criar e manter uma imagem é fundamental para que os jovens se sintam inseridos nele. Para VILLAR (2008):

O indivíduo se percebe imerso na massa, e igual a todos os outros ao seu redor, se estiver na ausência de seu “uniforme”. A estética é um fator que age mentalmente na percepção da identidade, e o curioso é pensar na forma como ela detém o poder de transportar psicologicamente um indivíduo “comum” – igual a todos, sem diferencial – em um rapper, headbanger, skinhead, hippie o qualquer outro “ator” que, na força do coletivo, vivencia determinados estilos de vida, hábitos, costumes e formas de lazer bem específicas.

Por sua vez, segundo Brito (2006), o “Heavy Metal, por exemplo, utiliza uma imagética toda própria para definir seu campo conceitual. No metal o som pesado evoca lugares escuros, seres sobrenaturais e imagens de terror, que são utilizadas em grande escala pelas bandas e fãs do gênero como uma forma de reconhecer aqueles que pertencem à tribo”. Essa escuridão se reflete


no modo de vestir dos metaleiros, que fazem disso a marca registrada de sua identidade: roupas negras, assessórios prateados. É algo que une os membros do grupo, mas de certa forma os afasta de outras pessoas, que não compreendem o que são e o que querem os metaleiros. E no que se traduz a imagem de um roqueiro? Nada mais que uma busca por uma identidade própria, dentro de um mundo em que se é, singular e plural. Para isso, vem a necessidade de formar uma tribo. Nos dizeres de Mafesoli, criador do termo “tribo urbana”:

O tribalismo mais profundamente, é uma declaração de guerra ao esquema substancialista que marcou o ocidente: o Ser, Deus, o Estado, as Instituições, o Indivíduo, e a gente poderia seguir gostosamente com esta listagem das substâncias servindo de fundamento para todas as nossas análises. Quer queiramos, ou não, quer tenhamos consciência, ou não, a “ontologia” é o ponto de partida. Em síntese, só o que dura é estável, consistente, merece atenção. O indivíduo é seu último avatar. Ele é Deus moderno, a identidade, o seu modo de expressão.

Como modo de expressão, o Rock é bem característico, não só no quesito modo de vestir: O seu estilo musical é pesado, marcado pela percussão forte e solos de guitarra. Os temas escolhidos para as canções são variados, medievais, conflitos individuais, crítica social, e em alguns casos, confissões ou desilusões amorosas, mas sem ser piegas ou adocicado, muito pelo contrário.


METODOLOGIA

O principal método de pesquisa escolhido para desenvolver o projeto, foi a pesquisa etnográfica, onde o principal aspecto é a participação em uma determinada cultura, para melhor compreensão do objeto de estudo. A etnografia busca compreender o indivíduo como ser embutido em uma ‘rede de significados’, resultados conseguidos através da observação, vivência e interpretação do pesquisador sobre o sujeito estudado. Segundo Geertz, esse trabalho envolve meses, ou muitas vezes até anos, de observação, este período se faz necessário para que o pesquisador possa entender e validar o significado das ações dos participantes, de forma que este seja o mais representativo possível do significado que as próprias pessoas pesquisadas dariam a mesma ação, evento ou situação interpretada. Antes da pesquisa etnográfica, até mesmo para entender mais sobre o assunto, utilizamos a entrevista em profundidade, pois, segundo Jorge Duarte, a vantagem desse tipo de abordagem é a exploração de um assunto a partir da busca de informações, percepções e experiências dos informantes. A entrevista permite identificar as diferentes maneiras de perceber e descrever os fenômenos, e é útil para a apreensão de uma realidade tanto para tratar de questões relacionadas ao íntimo do entrevistado, como para descrever processos nos quais ele está ou esteve envolvido.


Quanto às ferramentas utilizadas, o portal foi programado em uma plataforma Wordpress, que além de ser gratuita e focada na estética, dá a possibilidade de colocar facilmente vídeos, fotos e outros arquivos, em quantidade ilimitada. Esse tipo de plataforma, conta também com um sistema em PHP (Hypertext Preprocessor) que é uma linguagem de internet mais simples que a tradicional HTML, e, além disso, esse tipo de programação faz com que o site fique melhor posicionado em sites de busca.


DESENVOLVIMENTO

Domínio e Hospedagem

O primeiro passo para o desenvolvimento do Portal Rock Uberaba, foi escolher e comprar o domínio. Escolhemos o final .com.br, por ser mais popular, logo, mais fácil de ser lembrado. Feito isso, buscamos informações sobre hospedagem e optamos pelo UOLhost, por cobrir todas as necessidade do portal e manter um suporte técnico 24 horas.

A escolha da plataforma Wordpress

A escolha do Wordpress foi feita pensando, primeiramente, na facilidade na atualização do portal. Por ser um software de código aberto, qualquer pessoa pode alterá-lo e manipulá-lo sem a necessidade de conhecimentos mais profundos na área de informática. Além de ser uma plataforma semântica focada na estética.

A catalogação das bandas

Elaboramos um questionário padrão para as bandas da cidade, e de acordo com as respostas, apuração das músicas e pesquisa na internet, montamos o perfil de grande parte das bandas uberabenses em atividade. Além disso, participamos de alguns shows e ensaios para manter contato com os artistas da cidade, afim, de solucionar qualquer dúvida que aparecesse e destes, todos foram bastante receptivos quanto a idéia da criação do portal, e se colocaram a disposição para colaborar com o que fosse necessário.


A agenda das casas noturnas

Entramos em contato com quatro casas noturnas que realizam shows de rock em Uberaba, e conseguimos disponibilizar antecipadamente a agenda mensal oficial de três destas.

A incorporação das notícias

O canal Rock News surgiu da necessidade de manter o público informado das notícias sobre o que estava acontecendo no cenário underground de Uberaba, e também de movimentar o portal com notícias em um menor espaço de tempo. Optamos por classificar como Rock News, notícias atuais ou eventos que não fossem fixo.

Um espaço para os artistas

Como o objetivo do portal sempre foi dar voz aos artistas da cidade, criamos a coluna “Dizaê”, onde os músicos expressam alguma opinião, ou passa uma nova informação em suas próprias palavras.

O Blog Rock Uberaba

No trajeto de criação do portal, descobrimos que um dos músicos da banda Seu Juvenal, Alexandre Tito Mota, havia iniciado há poucos meses um blog chamado Rock Uberaba, onde ele contava suas experiências como músico e fã assíduo do rock independente da cidade. Entramos em contato, e ele aceitou ser colaborador, e ter seus posts publicados no portal.

Divulgação dos grandes festivais

Um dos canais do portal não é fixo, pelo contrário, é destinado a informações de algum evento grande que esteja para acontecer e exige mais de uma postagem. Como é o caso do IV Encontro Novas Tendências, que é o atual canal, devido ao festival que será realizado durante quatro dias.


BIBLIOGRAFIA

MAFFESOLI, Michel. Le temps des tribus: le déclin de l'individualisme dans les sociétés postmodernes. Paris, Méridiens Klincksieck. 1988 MAGNANI, José Guilherme Cantor. "Tribos urbanas: metáfora ou categoria?". Cadernos de Campo. Revista dos Alunos de Pós-Graduação em Antropologia da USP, 2 (2): 49-51. 1992 VINIL, Kid. Almanaque do Rock. Ediouro. 2008

DAPIEVE, Arthur. BRock: O rock brasileiro dos anos 80. Editora 34. 2001

VIVAS, Ivana. Guia de Música Independente. Bahia. Universidade Federal da Bahia. 2004

JANOTTI JR, Jeder Silveira. Aumenta que isso aí é Rock and Roll: gênero musical e identidade. E-papers. Rio de Janeiro.2003

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

JANNOTI JR, Jeder Silveira. Mídia, cultura juvenil e rock and roll: Comunidades, tribos e grupamentos urbanos. Trabalho apresentado no Núcleo de Comunicação e

Cultura das Minorias, XXVI Congresso Anual em Ciência da Comunicação, Belo Horizonte/MG, setembro de 2003

<http://www.tramavirtual.com.br>

<http://www.myspace.com>

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