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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XX Prêmio Expocom 2013 – Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação

Nos Caminhos do Bem: Uma História de Amor ao Espiritismo1 Wallace Weriton Bruno COELHO2 Cintia Cerqueira CUNHA3 Universidade de Uberaba, Uberaba, MG

RESUMO O livro-reportagem, na linha de pesquisa Cultura e Memória, descreve a trajetória de implantação do Espiritismo em Araxá. A primeira casa doutrinaria teve início em 1927, com a inauguração do Centro Espírita “Caminheiros do Bem” e, por consequência, a fundação da AME - Aliança Municipal Espírita. Em mais de oitenta anos de Espiritismo em Araxá, já são ao todo 15 casas de estudo do Evangelho de Jesus Cristo segundo a Doutrina Espírita Kardecista. A obra conta a história de um grupo, a partir do breve relato da vida do pioneiro da implantação do centro em Araxá, Laudemiro Alves Ferreira, vindo do Mato Grosso do Sul e, na sequência, o surgimento dos demais personagens desse enredo e a criação das obras de assistência.

PALAVRAS-CHAVE: Espiritismo em Araxá; livro-reportagem; Caminheiros do Bem.

INTRODUÇÃO O livro-reportagem é um veículo de comunicação jornalístico muito conhecido nos meios editoriais do mundo ocidental. No Brasil, não são raros os autores que procuram unir o apuro jornalístico ao verniz estético da linguagem literária. No intuito de aproximar cada vez mais o jornalismo do público que o consome, alguns profissionais optam por um estilo de texto mais detalhista, humano e reflexivo. A isso, autores como Lima (2004) e Pena (2006) denominam jornalismo literário. Essa prática se consolidou a partir de 1960, sobretudo nos Estados Unidos, onde foi batizado de New Jornalism ou Novo Jornalismo. Uma das vertentes do jornalismo literário é justamente o livro-reportagem, que cumpre um importante papel de suprir as informações sobre determinado assunto que a mídia, em geral, não consegue atender ao privilegiar o factual. Por isso, este projeto é um livroreportagem, na linha de pesquisa Cultura e Memória, que descreve a trajetória de implantação do Espiritismo em Araxá, com a inauguração do centro espírita kardecista “Caminheiros do Bem”. 1

Trabalho de Conclusão de Curso, na Categoria Livro-Reportagem-história, na linha de pesquisa Cultura e Memória. Estudante de Graduação do oitavo semestre do Curso de Comunicação Social – Habilidade em Jornalismo – da Universidade de Uberaba. Uniube. Uberaba, MG, e-mail: wolicoelho@hotmail.com 3 Orientadora do Trabalho. Professora do Curso de Jornalismo da Universidade de Uberaba, Uniube, e-mail: cintia.cunha@uniube.br 2

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Como o movimento espírita tem como base o voluntariado, foi escolhida a história do grupo, contada a partir do breve relato da vida do pioneiro da implantação do centro em Araxá, Laudemiro Alves Ferreira, vindo do Mato Grosso do Sul e, na sequência, o surgimento dos demais personagens desse enredo. A parte teórica utiliza conceitos sobre Jornalismo, jornalismo literário, livroreportagem e dados sobre o Espiritismo no Brasil e em Araxá. Já a parte prática da obra se desenvolve por meio do relato de integrantes do Centro Espírita Caminheiros do Bem, com inserções sobre a história do movimento, desde seu surgimento até sua expansão, e o aparecimento de outras casas. O livro-reportagem tem como tema principal a trajetória de implantação do Espiritismo em Araxá. A primeira casa doutrinaria teve início em 1927, com a inauguração do Centro Espírita “Caminheiros do Bem” e, por consequência, a fundação da AME - Aliança Municipal Espírita. Em mais de oitenta anos de Espiritismo em Araxá, já são ao todo 15 casas de estudo do Evangelho de Jesus Cristo segundo a Doutrina Espírita Kardecista. OBJETIVO O presente trabalho tem como objetivo principal fazer o registro histórico dos 85 anos do Centro Espírita “Caminheiros do Bem” através do resgate de algumas histórias de pessoas atendidas pelo centro, assim como de seu fundador, Laudemiro Alves Ferreira. Para isso, foram utilizados conhecimentos do jornalismo literário aplicados à modalidade livroreportagem-história. Por fim, entender como esse movimento foi importante para os personagens que dele participaram em Araxá, bem como de suas famílias. Deixar registrado para a posteridade a história desse núcleo, nascido da boa-vontade de um grupo de pessoas, é outro objetivo deste trabalho.

JUSTIFICATIVA

Retratar a história de fé que move, há mais de oito décadas, famílias em torno do estudo e da prática dos ensinamentos presentes no Evangelho de Cristo Segundo o Espiritismo não é tarefa fácil. O campo de cultura e memória na cidade de Araxá sobre o Espiritismo ainda tem muito a ser explorado. São inúmeras pessoas que ajudaram a escrever a trajetória desse movimento filosófico de fundamento religioso.

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Um fator decisivo para a idealização do projeto foi, sem dúvida, a escassez de material nesse sentido. Hoje, com raríssimas exceções de documentos como atas, pequenos jornais de circulação interna, e notícias publicadas em veículos de comunicação na cidade, pouco se encontra sobre a doutrina. A criação do livro-reportagem é importante, pois contribui não apenas para resgatar a história, mas para a própria história do movimento espírita em Araxá, ao desenvolver a primeira obra da cidade que conta parte da trajetória do Espiritismo em terras araxaenses. MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS

O presente projeto de pesquisa teve início com o processo de análise e revisão de documentos da instituição “Caminheiros do Bem”. Foram realizadas também entrevistas de compreensão com participantes do movimento e familiares de representantes do movimento para fundamentar melhor o tema pesquisado. Esse trabalho ajudou a identificar e também a organizar o material para posterior contextualização de momentos e situações a serem descritos no livro. Para a redação do livro, foi utilizada primordialmente a técnica de entrevista semiestruturada com o objetivo de extrair questionamentos básicos que são apoiados em teorias e hipóteses que se relacionam ao tema. Outros recursos, também de extrema importância, foram a observação participante e a escuta ativa. A jornalista Eliane Brum revela que “escutar é muito mais que ouvir, é estar aberto para se surpreender” (MARIANO, 2011). Dessa forma, o jornalista/escritor deve esvaziar-se de si e voltar para o seu texto ou projeto uma pessoa diferente da que saiu em busca da história. Documentos e fotos encontrados nos arquivos da instituição foram utilizados para se obter informações mais específicas. Esse método é chamado de entrevista projetiva. Aquela centrada em técnicas visuais, isto é, a utilização de recursos visuais onde o entrevistador pode mostrar: cartões, filmes, etc. ao informante. Ela evita respostas diretas e é utilizada para aprofundar informações sobre determinado grupo ou local. A técnica de entrevistas abertas é bastante utilizada para o detalhamento de questões e formulação mais precisas dos conceitos relacionados. O entrevistado tem liberdade para discorrer sobre o tema sugerido. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. As perguntas são respondidas dentro de uma conversação informal. Esse modelo de entrevista foi de extrema importância para o andamento da coleta de dados, já que os personagens podem surgir com informações inéditas.

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Os personagens abordados durante o livro não são conhecidos do grande público, não têm seus nomes veiculados na imprensa de forma cotidiana. Contudo, representam uma classe de voluntários e devotos anônimos, que são e foram a base desse trabalho. A obra está classificada dentro da linha livro-reportagem-história, pois, segundo Lima (2004), ela "focaliza um tema do passado recente ou algo mais distante no tempo. O tema, porém, tem em geral algum elemento que o conecta com o presente, dessa forma, possibilitando um elo comum com o leitor atual" (Lima, 2004, p. 54).

DESCRIÇÃO DO PRODUTO

Este livro relata um breve capítulo da chegada da Doutrina Espírita em Araxá. A obra serve de consulta para os leitores que apreciam enredos que retratam o trabalho coletivo de pessoas na busca incansável do bem, e também para os que utilizam esses documentos para checar informações neles contidas. Durante o primeiro capítulo, o leitor é levado ao trabalho atual do movimento na cidade, para elucidar em que ponto chegou a obra nascida da boa vontade e empenho de um grupo de pessoas. Nesse capítulo, são descritas as atividades desenvolvidas pela AME, bem como a preocupação em preparar jovens para o futuro. Os remédios dados ao corpo, mas também à alma, com a longa e histórica distribuição de medicamentos e campanhas de arrecadação de alimentos, também fazem parte do primeiro capítulo. Na segunda parte, um mergulho no passado com a história do dentista Laudemiro Alves Ferreira. Um drama de família que culminou em amizade com um dos maiores nomes do movimento no século vinte em Minas Gerais, o médium e educador Eurípedes Barsanulfo. O problema de obsessão provocada pela mediunidade desequilibrada da esposa fez com que Laudemiro buscasse ajuda para ela em Sacramento com Eurípedes. Ao ver sua esposa curada dos males e encantado com o educador, o dentista decide mudar para a cidade, mas é orientado pelo médium a ir para Araxá e iniciar o desenvolvimento do Espiritismo na região. No terceiro capítulo do livro-reportagem, as dificuldades iniciais e as perseguições por parte dos representantes de outros segmentos religiosos. Vemos também os primeiros trabalhos de cura aos enfermos da cidade, a chegada do Espiritismo na mídia local, o nascimento das Casas de Assistência e a criação da Mocidade Espírita Jesus Cristo. Encerramos este enredo com a história de vida de Sylvia de Almeida Barsante, presidente que mais tempo ficou à frente do “Caminheiros do Bem”. Seus feitos na instituição

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estão presentes até hoje, e o trabalho, registrado na memória dos que a conheceram. Também é relatado o momento atual da Casa e a expansão do Espiritismo, com o aparecimento de outros Centros Espíritas.

CONSIDERAÇÕES

A busca constante pela reprodução da realidade passa essencialmente pela ética que envolve o processo jornalístico. Talvez até mais do que a ética organizacional, os valores pessoais devem nortear qualquer produção de informação. De nada adianta o jornalismo evoluir, se ele não contribui com a sociedade no que diz respeito à moral, à cidadania, enfim, a todos os pressupostos que devem nortear a humanidade. O jornalismo literário que evolui do texto interpretativo integra essa busca pelo aperfeiçoamento da cidadania. Muito mais do que simplesmente informar, ele expande o papel da fonte, do acontecimento, do jornalista, do veículo, do leitor. O texto da imprensa, que completa 200 anos de Brasil e 500 anos de Europa, integra essa metamorfose que procura sempre estar alinhado às necessidades contemporâneas. Depois de diversas discussões e contribuições sobre o jornalismo e cidadania, a evolução do texto informativo, a imprensa no país e, sobretudo, a inserção da literatura com a função de auxiliar a interpretação dos fatos, conclui-se que o velho e bom jornalismo está acima de qualquer forma diferente de escrever e transmitir com exatidão a mensagem. A opção pela linguagem literária amplia as possibilidades da escrita, porém, deve estar sempre associada aos ideais de isenção, independência, credibilidade e busca incessante de aproximação da realidade. A linguagem literária pode e deve ser usada sempre com coerência e reflexão. Nem todas as pautas cabem no jornalismo literário e, muitas vezes, não há tempo hábil suficiente para produzi-las. Contudo, ampliar a realidade e buscar a contextualização dos fatos é fundamental em qualquer abordagem.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIGHETO, Alessandro César. “Euripedes Barsanulfo, um educador espírita na Primeira República”. HISTEDBR On-line. Campinas, n.22, p. 214 –214, jun. 2006. Disponível em: <http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/22/rdt1_22.pdf>. Acesso em: 15 de ago. 2012. Federação Espírita do Estado do Ceará. Disponível em: < http://www.feec.org.br/Espiritismo/348-o-Espiritismo-no-brasil>. Acesso em 16 de jun. de 2012. LIMA, Edvaldo Pereira. Páginas Ampliadas: o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura. Barueri, SP: Manole, 2004.

__________________. O que é livro-reportagem. São Paulo: Brasiliense, 1998.

MARIANO, Agnes Francine de Carvalho. Eliane Brum e a arte da escuta. Em Questão, Porto Alegre, v. 17, n. 1, p. 307-322, jan./jun. 2011. MELO, José Marques de. Jornalismo opinativo: gêneros opinativos no jornalismo brasileiro. 3ed. Campos do Jordão: Mantiqueira, 2003. VILAS BOAS, Sérgio. Perfis E Como Escrevê-los. São Paulo: Summus, 2003. _________________. Biografias e Biógrafos: Jornalismo sobre Personagens. São Paulo: Summus, 2002.

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